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Esclarecer Ato-Fato Jurídico

O Ato-Fato Jurídico seria o efeito criado por um Negócio Jurídoco ou um Ato Jurídico? Tipo, comprei uma casa, o Ato-Fato Jurídico seria eu me tornar proprietário da casa. Ou pintar um quadro, criar uma música.. eu me tornaria proprietário, tendo os direitos autorais dos mesmos? É mais ou menos isso? Se alguém puder explicar eu agradeço. Obs: Não mandar teoria de Ctrl C + Ctrl V da internet, gostaria de uma explicação apenas, Obrigado!  


5 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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Passei Direto

Há mais de um mês

Todas as ações das pessoas que são juridicamente relevantes para o Direito são consideradas como Fatos Jurídicos e, por isso, são também denominados Fatos Jurídicos em sentido amplo. Caio Mário da Silva Pereira[1] clarifica que dois fatores constituem o fato jurídico: um fato, isto é uma eventualidade que atue sobre o direito subjetivo; e uma declaração da norma jurídica que confere efeitos jurídicos àquele fato. Maria Helena Diniz salienta:

“É o acontecimento, previsto em norma jurídica, em razão do qual nascem, se modificam, subsistem e se extinguem relações jurídicas.”

Fatos Jurídicos Naturais

Os Fatos Jurídicos Naturais, também denominados Fatos Jurídicos em sentido estrito, são as situações sociais juridicamente relevantes que decorrem, em regra, da própria natureza, sem intervenção humana.

Fatos Naturais Ordinários

São os fatos naturais “previsíveis” ou “comuns”, como o nascimento, maioridade, morte, decurso do tempo, aluvião, avulsão.

Fatos Naturais Extraordinários

São os fatos naturais que decorrem de “eventos não previsíveis” ou “especiais”, tais como terremoto, maremoto, raio, tempestade destruidoras, ou seja, casos fortuitos ou força maior.

Fatos Jurídicos Humanos

São, por sua vez, as situações juridicamente relevantes que tem origem em uma vontade humana, que as criam, modificam, transferem ou extinguem direitos.

Fatos Jurídicos Lícitos

São os que a lei defere os efeitos almejados pelo agente. Praticados conforme determina o Ordenamento Jurídico, produzindo efeitos voluntários, queridos pelo agente.

O Ato Jurídico em Sentido Estrito, ou meramente lícito, é um ato praticado pelo agente, com manifestação de vontade, predeterminado pela norma, sem que o agente possa qualificar diferente a sua vontade.

A ação humana resume-se a uma mera intenção de praticar o ato prescrito na lei, por isso é que nem todos os princípios do Negócio Jurídico aplicam-se aos Atos Jurídicos em Sentido Estrito.

Art. 185. Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as disposições do Título anterior.

São exemplos de atos jurídicos: notificação para constituir mora do devedor; reconhecimento de filho; ocupação; uso de coisa; perdão; confissão; tradição; etc...

Alguns autores qualificam certas ações que não são frutos da vontade, nem da intenção do autor, mas que geram conseqüências tipificadas pela norma como atos-fatos jurídicos.

Pode-se ter como exemplo uma pessoa, que sem a intenção, acha um tesouro. A pessoa, nesta hipótese, não tinha qualquer intenção de adquirir a metade do que encontrou, mas a norma inadvertidamente confere-lhe a propriedade.

Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente.

 

Referências

http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/rdire/article/viewFile/1861/1767

Todas as ações das pessoas que são juridicamente relevantes para o Direito são consideradas como Fatos Jurídicos e, por isso, são também denominados Fatos Jurídicos em sentido amplo. Caio Mário da Silva Pereira[1] clarifica que dois fatores constituem o fato jurídico: um fato, isto é uma eventualidade que atue sobre o direito subjetivo; e uma declaração da norma jurídica que confere efeitos jurídicos àquele fato. Maria Helena Diniz salienta:

“É o acontecimento, previsto em norma jurídica, em razão do qual nascem, se modificam, subsistem e se extinguem relações jurídicas.”

Fatos Jurídicos Naturais

Os Fatos Jurídicos Naturais, também denominados Fatos Jurídicos em sentido estrito, são as situações sociais juridicamente relevantes que decorrem, em regra, da própria natureza, sem intervenção humana.

Fatos Naturais Ordinários

São os fatos naturais “previsíveis” ou “comuns”, como o nascimento, maioridade, morte, decurso do tempo, aluvião, avulsão.

Fatos Naturais Extraordinários

São os fatos naturais que decorrem de “eventos não previsíveis” ou “especiais”, tais como terremoto, maremoto, raio, tempestade destruidoras, ou seja, casos fortuitos ou força maior.

Fatos Jurídicos Humanos

São, por sua vez, as situações juridicamente relevantes que tem origem em uma vontade humana, que as criam, modificam, transferem ou extinguem direitos.

Fatos Jurídicos Lícitos

São os que a lei defere os efeitos almejados pelo agente. Praticados conforme determina o Ordenamento Jurídico, produzindo efeitos voluntários, queridos pelo agente.

O Ato Jurídico em Sentido Estrito, ou meramente lícito, é um ato praticado pelo agente, com manifestação de vontade, predeterminado pela norma, sem que o agente possa qualificar diferente a sua vontade.

A ação humana resume-se a uma mera intenção de praticar o ato prescrito na lei, por isso é que nem todos os princípios do Negócio Jurídico aplicam-se aos Atos Jurídicos em Sentido Estrito.

Art. 185. Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as disposições do Título anterior.

São exemplos de atos jurídicos: notificação para constituir mora do devedor; reconhecimento de filho; ocupação; uso de coisa; perdão; confissão; tradição; etc...

Alguns autores qualificam certas ações que não são frutos da vontade, nem da intenção do autor, mas que geram conseqüências tipificadas pela norma como atos-fatos jurídicos.

Pode-se ter como exemplo uma pessoa, que sem a intenção, acha um tesouro. A pessoa, nesta hipótese, não tinha qualquer intenção de adquirir a metade do que encontrou, mas a norma inadvertidamente confere-lhe a propriedade.

Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente.

 

Referências

http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/rdire/article/viewFile/1861/1767

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Paulo

Há mais de um mês

Preliminarmente, é bom definir Fatos jurídicos, estes, são todos os acontecimentos que podem ocasionar efeitos jurídicos, todos os atos suscetíveis de produzir aquisição, modificação ou extinção de direitos. O fato jurídico poderá ser em sentido estrito e em sentido lato.

Fato natural ou fato jurídico strictosensu,: advém de fenômeno natural, sem intervenção da vontade humana, que produz efeito jurídico. Temos duas categorias: a)ordinário (nascimento, decurso do tempo, etc) ou b)extraordinário (caso fortuito, força maior). 

B) Fato humano ou ato jurídico em sentido lato: é o acontecimento que depende da vontade humana, abrangendo tanto os atos lícitos como ilícitos. Ai temos três categorias: a)Atos jurídicos em sentido estrito caracterizados pela vontade humana de que decorram efeitos previstos na norma jurídica (materiais e participações); b)Negócio jurídico = categoria na qual, a vontade humana escolhe os efeitos que decorrerão: (contrato); c)Ato-fato jurídico = o elemento humano é essencial para sua existência, mas cuja produção de efeitos independe do ânimo, pois o direito reputa irrelevante a vontade de praticá-lo. 

Agora que tivemos uma visão geral, podemos focar na sua dúvida, sobre o ato-fato jurídico. Nos atos-fatos jurídicos a vontade humana é irrelevante, o que importa é o resultado produzido. Nestes casos o elemento psíquico pouco importa, ou seja, não é relevante que o ato-fato jurídico tenha sido praticado por um incapaz, por exemplo.

Exemplo disto é um louco encontrar um tesouro. Ele não tinha intenção de encontrar o tesouro, mas o encontrou. Para o ordenamento importa que ele o achou, e independentemente do agente ser capaz e da intenção dele, ainda assim serão aplicadas as normas do artigo 1264 do Código Civil, ou seja, independentemente de um louco ter achado o tesouro, ele será dono de parte dele.

Espero ter ajudado e esclarecido sobre este tema, se gostou da resposta não deixa de aprová-la, obrigado!

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas