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Qual a alegação plausível para a defesa em um caso como este?

DÚVIDA: Uma aluna de auto escola, quando estava em uma aula prática para treinar baliza, bateu em um muro, derrubando boa parte desde, e em consequência o mesmo caiu por cima do veiculo que é da auto escola, quebrando o parabrisa entre outros danos. Ocorre que a auto escola está querendo que a aluna arque com 50 % dos danos causados ao veiculo e ao muro. OBS. : O local onde estava sendo feito o treinamento da balisa não era em lugar próprio, como na maioria das vezes o instrutor escolheu um local isolado, que não passasse muitos veículos; outro ponto é o instrutor estava fora do carro e não dentro no momento em que ocorreu o acidente. Indaga-se a responsabilidade é exclusiva da auto escola ou a aluna é solidária, tem alguma fundamentação legal?

Direito Processual Civil I

Humanas / Sociais


5 resposta(s)

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Jorge Lucas Pereira

Há mais de um mês

Olá! Ótima pergunta! Realmente, depende muito do caso concreto, das provas colhidas etc. Mas a jurisprudência é pacífica ao afirmar que o aluno responde solidariamente ao acidente praticado por imperícia, quando acompanhado de instrutor ou quando a culpa foi, exclusivamente, do aluno condutor. Como se vê no Tribunal Regional Federal, da 1ª região:

 

RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA. ALUNO DE AUTO-ESCOLA. SOLIDARIEDADE. EXISTÊNCIA DE PROVA DA CULPA. INDENIZAÇÃO DEVIDA. 1. Improcedência da preliminar de ilegitimidade passiva, uma vez que o aluno de auto-escola responde solidariamente com o proprietário do veículo pelos danos causados a terceiro. (Código Civil antigo, art. 1.518). Precedentes. 2. [...] 3. Prova pericial que concluiu pela culpa exclusiva da condutora do veículo da auto-escola. 4. Apelação não provida. (TRF-1 - AC: 3702 RO 1997.41.00.003702-3, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL JOAO BATISTA MOREIRA, Data de Julgamento: 21/05/2003, QUINTA TURMA, Data de Publicação: 10/06/2003 DJ p.106) (grifei)

 

No caso que você apresentou, o instrutor estava fora do veículo, razão pela qual a dúvida permanece. Se comprovado que a presença do instrutor poderia afastar o acidente, certamente não deve o aluno ser responsável pelas custas. Do contrário, vejo que a há solidariedade no pagamento. Mas claro, há que se imaginar que depende da  tese adotada pelos advogados. Na melhor das hipóteses, fazer um acordo extra-judicial resolverá tudo. Espero ter ajudado.

 

(Por favor, se gostou da resposta, aprove-a. É a forma mais gentil de agradecer-me pela resposta solidária.)

Olá! Ótima pergunta! Realmente, depende muito do caso concreto, das provas colhidas etc. Mas a jurisprudência é pacífica ao afirmar que o aluno responde solidariamente ao acidente praticado por imperícia, quando acompanhado de instrutor ou quando a culpa foi, exclusivamente, do aluno condutor. Como se vê no Tribunal Regional Federal, da 1ª região:

 

RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA. ALUNO DE AUTO-ESCOLA. SOLIDARIEDADE. EXISTÊNCIA DE PROVA DA CULPA. INDENIZAÇÃO DEVIDA. 1. Improcedência da preliminar de ilegitimidade passiva, uma vez que o aluno de auto-escola responde solidariamente com o proprietário do veículo pelos danos causados a terceiro. (Código Civil antigo, art. 1.518). Precedentes. 2. [...] 3. Prova pericial que concluiu pela culpa exclusiva da condutora do veículo da auto-escola. 4. Apelação não provida. (TRF-1 - AC: 3702 RO 1997.41.00.003702-3, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL JOAO BATISTA MOREIRA, Data de Julgamento: 21/05/2003, QUINTA TURMA, Data de Publicação: 10/06/2003 DJ p.106) (grifei)

 

No caso que você apresentou, o instrutor estava fora do veículo, razão pela qual a dúvida permanece. Se comprovado que a presença do instrutor poderia afastar o acidente, certamente não deve o aluno ser responsável pelas custas. Do contrário, vejo que a há solidariedade no pagamento. Mas claro, há que se imaginar que depende da  tese adotada pelos advogados. Na melhor das hipóteses, fazer um acordo extra-judicial resolverá tudo. Espero ter ajudado.

 

(Por favor, se gostou da resposta, aprove-a. É a forma mais gentil de agradecer-me pela resposta solidária.)

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Fernando Henrique

Há mais de um mês

Qua causa maravilhosa. Ótimo ponto a discutir e criar um entendimento.

De acordo com o artigo 257, § 3o, do Código de Trânsito, “Ao condutor caberá a responsabilidade pelas infrações decorrentes de atos praticados na direção do veículo.” No entanto, acredito que não haja multa para o aluno, porque ele não é ainda condutor habilitado.

Mas no caso temos que ela não era devidamente habilitada ainda, logo a idéia de culpa é a do condutor, ou seja, responsável pelo veículo. Quando acontece um acidente em um carro que o pai emprestou para o filho, quem arca com a culpa?

 

Outro ponto interessante é que uma auto escola sempre tem seguro em seus carros, então as custas correm pelo seu contrato de seguro o que ao meu ver a Seguradora é solidária.

Agora a tese deve se manter neste sentido de culpa do aprendiz, que lógicamente está para aprender e ao professor se ausentar da presença do carro ele proporcionou a oportunidade de acontecer o fato, pois estava longe dos pedais secundários existentes nos carros de auto escolas.

O provavel é que pela ausencia do instrutor a Seguradora tenha se negado a efetuar a cobertura, mas isso não é culpa da aluna.

 

Infelizmente dei uma prévia busca em jurisprudências e não tive exito no assunto, o que me leva a crer que seria uma idéia nova a ser trabalhada.

 

Espero ter ajudado a te dar um norte.

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Júnior Oliveira

Há mais de um mês

Tudo vai depender do tipo de contrato assinado entre a aluna e a autoescola. Há autoescolas que tem seguro contra eventuais danos causados pelos alunos quando da realização das aulas.

De outro lado, é possivel a invocação do CDC, cujo art. 14 afirma ser responsabilidade do fornecedor a reparação de danos causados aos consumidores. 

Art. 14. O fornecedor de serviços responde independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Uma alegação plausível para invocar o CDC é que a vítima dos danos causados pode ser admitida como consumidora por equiparação:

 

  Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.

  Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

No entanto, uma resposta definitiva dependerá do caso concreto, com análise das circunstâncias e das provas.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes