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VT DIREITO PROCESSUAL CIVIL I -

VT DIREITO PROCESSUAL CIVIL I  -

João das Neves propõe ação de reconhecimento de paternidade em face de Nelson Stark, seu suposto pai, já falecido em uma guerra, em um lugar distante, sem que se saiba o paradeiro do seu corpo. Nenhum dos herdeiros de Nelson Stark encontra-se em local conhecido. Em contestação, o caseiro da  família Stark (que possui procuração “ad negotia” para representar essa família nos negócios e na manutenção da casa) alega, preliminarmente, a ilegitimidade de João das Neves como parte. Também alega que falta a João interesse/utilidade, tendo em vista a impossibilidade de se comprovar seu pedido (vez que o pai está desaparecido. 
Sobre essa questão elabore os possíveis argumentos de uma réplica aos pontos abordados na contestação, de forma justificada, utilizando preferencialmente o CPC. Aborde os seguintes pontos, necessariamente:
1)    As condições da ação de João das Neves e os pressupostos processuais do caseiro. Justifique. 

2)    A ausência de certeza quanto ao mérito da pretensão inviabilizaria o curso do presente processo? Justifique.

3)    Se posteriormente houvesse uma suspeita de que o corpo de Nelson estivesse em um túmulo, no local em que desapareceu, João poderia pedir o arquivamento da primeira ação e propor uma nova ação naquele outro local? Justifique.


2 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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Carlos Eduardo Ferreira de Souza Verified user icon

Há mais de um mês

Item a)

São condições da ação a legitimidade e o interesse, que devem ser averiguadas de acordo com as assertivas trazidas pelo autor, na petição incial. Se deve questionar o seguinte: sendo as afirmações autorais verdadeiras, existem as condições da ação? (teoria da asserção)

Quanto à legitimidade, tem-se presente, pois o autor se encontra em posição jurídica que lhe autoriza "a conduzir o processo em que se discuta aquela relação jurídica de direito material deduzida em juízo" (DIDIER, 2015). É o que dispõe o art. 1.606, do CC: "a ação de prova de filiação compete ao filho, enquanto viver, passando aos herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz". 

Quanto ao interesse processual, deve ser analisado de dois ângulos: interesse necessidade e interesse adequação.

O interesse necessidade está presente, pois é necessária a prolação de decisão judicial para que haja o reconhecimento da filiação requerido pelo autor.

O interesse adequação também é evidente, pois a ação de investigação de paternidade é adequada à consecução da finalidade jurídica pleiteada.

Assim, estão presentes as condições da ação.

Quanto ao caseiro, está ausente a legitimidade passiva ad causam, haja vista a impossibilidade de, em nome próprio, defender direito alheio. Da mesma forma, a procuração que possui é afeta a questões negóciais e administração do imóvel, não sendo possível a representação no presente caso, que busca reconhecimento de direito existencial. Sequer poderia ter recebido citação, pois não é parte da demanda, não possui poderes e não há suspeita de ocultação que valide eventual citação por hora certa.

Item b)

A ausência de certeza não inviabiliza o curso do processo, em virtude da teoria da asserção, que considera abstratamente como verdadeiras as alegações autorais exclusivamente para análise dos pressupostos processuais e das condições da ação.

Quanto ao mérito, deverá ser resolvido. Entretanto, inexiste na questão elementos suficientes que levem ao julgamento de procedência ou não. Lembramos, contudo, que não só exame de DNA ou outros do tipo pode levar à conclusão de que existe a paternidade, que pode ser demonstrada através de provas documentais e testemunhais que, exemplificativamente, comprovem que durante toda a vida a genitora do autor só teve relações sexuais com o réu ou que assim se deu nos anos que antecederam ao nascimento do autor.

Item c)

Não, pois estando o réu em local incerto ou não sabido, será competente o juízo onde se encontrar ou o do domicílio do autor. Essa previsão traz, contudo, uma previsão que visa facilitar a defesa do réu, impondo ônus ao autor. Entretanto, se tratando de réu falecido, não faria sentido propositura de ação no local onde se encontra. 

Item a)

São condições da ação a legitimidade e o interesse, que devem ser averiguadas de acordo com as assertivas trazidas pelo autor, na petição incial. Se deve questionar o seguinte: sendo as afirmações autorais verdadeiras, existem as condições da ação? (teoria da asserção)

Quanto à legitimidade, tem-se presente, pois o autor se encontra em posição jurídica que lhe autoriza "a conduzir o processo em que se discuta aquela relação jurídica de direito material deduzida em juízo" (DIDIER, 2015). É o que dispõe o art. 1.606, do CC: "a ação de prova de filiação compete ao filho, enquanto viver, passando aos herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz". 

Quanto ao interesse processual, deve ser analisado de dois ângulos: interesse necessidade e interesse adequação.

O interesse necessidade está presente, pois é necessária a prolação de decisão judicial para que haja o reconhecimento da filiação requerido pelo autor.

O interesse adequação também é evidente, pois a ação de investigação de paternidade é adequada à consecução da finalidade jurídica pleiteada.

Assim, estão presentes as condições da ação.

Quanto ao caseiro, está ausente a legitimidade passiva ad causam, haja vista a impossibilidade de, em nome próprio, defender direito alheio. Da mesma forma, a procuração que possui é afeta a questões negóciais e administração do imóvel, não sendo possível a representação no presente caso, que busca reconhecimento de direito existencial. Sequer poderia ter recebido citação, pois não é parte da demanda, não possui poderes e não há suspeita de ocultação que valide eventual citação por hora certa.

Item b)

A ausência de certeza não inviabiliza o curso do processo, em virtude da teoria da asserção, que considera abstratamente como verdadeiras as alegações autorais exclusivamente para análise dos pressupostos processuais e das condições da ação.

Quanto ao mérito, deverá ser resolvido. Entretanto, inexiste na questão elementos suficientes que levem ao julgamento de procedência ou não. Lembramos, contudo, que não só exame de DNA ou outros do tipo pode levar à conclusão de que existe a paternidade, que pode ser demonstrada através de provas documentais e testemunhais que, exemplificativamente, comprovem que durante toda a vida a genitora do autor só teve relações sexuais com o réu ou que assim se deu nos anos que antecederam ao nascimento do autor.

Item c)

Não, pois estando o réu em local incerto ou não sabido, será competente o juízo onde se encontrar ou o do domicílio do autor. Essa previsão traz, contudo, uma previsão que visa facilitar a defesa do réu, impondo ônus ao autor. Entretanto, se tratando de réu falecido, não faria sentido propositura de ação no local onde se encontra. 

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas