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A teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg apresenta tópicos dispostos em uma determinada ordem.

 

 


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Lucas

Há mais de um mês

A teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg apresenta tópicos dispostos em uma determinada ordem. Estes tópicos desenham a construção do raciocínio moral, bem como seu desenvolvimento no indivíduo. Leia com atenção o exemplo abaixo:

Fernando encontra-se no Nível três do desenvolvimento moral, portanto o nível convencional. É um rapaz cursando graduação em física. Em dado momento de sua rotina acadêmica, sua classe entra em conflito em relação a carga horária. Há dois membros de sua classe que não podem frequentar às aulas aos sábados, deste modo, Fernando se opõe ao desejo da maioria, porque apesar de terem votado na exclusão dos dois colegas democraticamente, Fernando entende que isso poderia acontecer com qualquer membro do grupo, apostando em um princípio ético diferente, localizado na teoria de Kohlberg como autoridade mantendo a moralidade.

Elaborado pela professora, 2018. 

De acordo com o desenvolvimento moral em Kohlberg, analise o caso e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Alternativa 1:
O nível 3 do desenvolvimento moral proposto por Kohlberg é o pós convencional, por essa razão o estudo de caso apresenta informações incorretas.

Alternativa 2:
Fernando ao se opor a injustiça realizada com os colegas excluídos demonstra um raciocínio moral característico do nível 2, da moral orientada pela autoridade.

Alternativa 3:
Todos os sujeitos envolvidos na situação apresentam raciocínios morais correspondentes ao mesmo nível de desenvolvimento moral, portanto o conflito será resolvido de forma cordata.

Alternativa 4:
Os colegas de Fernando ao votarem democraticamente pela exclusão dos alunos impossibilitados de assistirem aula aos sábados apresentam comportamentos morais típicos do estágio 1 do desenvolvimento moral.

Alternativa 5:
O estudo de caso disposto não fornece informações suficientes para analisar o estágio do desenvolvimento moral dos envolvidos, pois não informa as razões pelas quais os alunos não podem frequentar as aulas no sábado.


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RESPOSTA: O nível 3 do desenvolvimento moral proposto por Kohlberg é o pós convencional, por essa razão o estudo de caso apresenta informações incorretas.

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Lucas

Há mais de um mês

Todos nós já desenvolvemos uma moral própria e intransferível: valores que não só separam o “mal” do “bem” no mundo abstrato, como também têm influência sobre nossos comportamentos, percepções e pensamentos. Inclusive poderíamos dizer que pode estar tão interiorizada que pode influenciar nossas emoções. Um dos modelos mais importantes e influentes que tentam explicar o desenvolvimento de nossa moral é a teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg.

Por outro lado, ao contarmos todos com uma moral própria, estabelecer uma universal sempre foi uma das grandes questões que preocuparam a multidão de filósofos e pensadores. E podemos observar desde as perspectivas kantianas da moral, baseadas no benefício grupal, até perspectivas utilitaristas, inspiradas no bem individual.

O psicólogo Lawrence Kohlberg queria se afastar do conteúdo da moral e estudar como ela se desenvolvia nas pessoas. Para ele não importava o que era bem ou mal, importava como alcançávamos essa ideia de bem ou mal. Através de uma variedade de entrevistas e estudos observou que a construção da moral aumenta à medida que as crianças crescem. Assim como acontece com outras habilidades, como a linguagem ou a capacidade de racionalizar.

Na teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg a conclusão é de que o desenvolvimento moral passa por três níveis: pré-convencional, convencional e pós-convencional. Cada um dos quais está dividido em dois estados. É importante entender que nem todos passam por todos os estados, nem todos chegam ao último nível de desenvolvimento. A seguir explicamos detalhadamente cada um dos estados.

Teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg
Orientação para o castigo e a obediência
Este estado da teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg faz parte do nível pré-convencional. Aqui nos encontramos com a pessoa que delega toda a responsabilidade moral a uma autoridade. Os critérios do que está certo ou errado são dados pelas recompensas ou castigos que a autoridade outorga. Uma criança pode pensar que não fazer os deveres é ruim porque seus pais a castigam se não os fizer.

Este pensamento dificulta a capacidade de assumir que podem existir dilemas morais: enunciados que não tenham uma resposta moralmente clara. Isso é devido ao fato de que tudo é visto de um único ponto de vista que é o da autoridade, que a pessoa legitima. Aqui nos encontramos com o nível mais simples de desenvolvimento moral, onde não se contemplam as diferenças de interesse nem as intenções do comportamento. Neste estado a única coisa que é relevante são as consequências: prêmio ou castigo.

Orientação para o individualismo ou hedonismo
Neste estado da teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg, já aparece a ideia de que os interesses variam de um indivíduo para o outro. E mesmo que os critérios para decidir o que é ruim ou bom sigam sendo as consequências dos atos, outros já não marcam. Agora o indivíduo pensará que tudo aquilo que lhe traga algum benefício será bom, e será ruim o que lhe traga uma perda ou mal-estar.

Ocasionalmente, apesar da visão egoísta deste estado da teoria de desenvolvimento moral de Kohlberg, o indivíduo pode pensar que é bom satisfazer as necessidades de outros, mas somente quando existe uma reciprocidade pragmática ou garantias. Ou seja, o pensamento de que se faço algo pelo outro, o outro terá que fazer algo por mim. Este estado mais complexo do que o anterior, já que o indivíduo já não delega para o outro a construção de sua moral, mesmo que as razões sigam sendo simples e egoístas.

Orientação para as relações interpessoais
Neste estado se inicia a etapa convencional do desenvolvimento moral, pois o indivíduo começa a ter relações cada vez mais complexas e tem que abandonar o egoísmo da etapa anterior. O importante agora é ser aceito pelo grupo, e a moral irá girar em torno disso.

Para a pessoa que se encontra neste estado, o correto será aquilo que agrada ou ajuda os outros. Aqui o que começa a importar são as boas intenções dos comportamentos e em qual medida são aprovadas pelos demais. A definição de moral nesta etapa se baseia em ser uma “boa pessoa”, leal, respeitável, colaboradora e agradável.

Crianças brincando juntas em roda
Existe um teste muito curioso que detecta quando as crianças alcançam este estado. Consistem em assistir dois vídeos:

Em um aparece uma criança que faz uma travessura (causa um mal pequeno, mas de maneira intencional).
Em outro aparece uma criança diferente que causa um mal maior, mas desta vez sem intenção (Ex.: se suja ou quebra um copo sem querer).
As crianças que incluíram a intenção como variável moduladora de seus juízos morais dirão que o que agiu pior foi a criança que queria causar o dano, mesmo que tenha sido menor. Por outro, as crianças nos estados anteriores da teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg dirão que a pior criança é que causou um dano maior, sem levar em consideração que o tenha feito sem querer.

Orientação para a ordem social
O indivíduo deixa de ter uma visão baseada em grupos para ir para uma visão baseada na sociedade. Já não importa o que agrada os grupos ou as pessoas ao redor. O critério do que é bom ou ruim se baseia em avaliar se o comportamento mantém a ordem social ou a enfraquece. O importante é que a sociedade seja estável e não exista o caos.

Aqui encontramos um forte respeito às leis e à autoridade. Já que estas limitam a liberdade do indivíduo a favor da ordem social para o bem maior. A moralidade supera as razões pessoais e se relaciona com a legalidade vigente, que não deve ser desobedecida, para manter uma ordem social.

Orientação para o contrato social
Aqui entramos no último nível de desenvolvimento moral, etapa que poucos indivíduos alcançam ao longo de sua vida. Aqui a moral começa a ser entendida como algo flexível e variável. Para estes indivíduos o bem ou o mal existem devido ao fato da sociedade ter criado um contrato que estabelece os critérios morais. 

As pessoas neste estado entendem o porquê das leis e, com base nisso, as criticam ou as defendem. Além disso, estas leis para eles não são eternas e são passíveis de melhora. Para as pessoas ou crianças que se encontram neste estado, a moral supõe a participação voluntária em um sistema social aceitável, já que a criação de um contrato social é melhor para si mesmo e para os demais do que sua carência.

Mãos unidas construindo sociedade
Orientação do princípio ético universal
Este estado da teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg é o mais complexo do desenvolvimento moral, onde o indivíduo é o que cria seus próprios princípios éticos que são compreensivos, racionais e universalmente aplicáveis. Estes princípios vão além das leis, são conceitos morais abstratos difíceis de explicar. A pessoa constrói sua moral de acordo com como acredita que a sociedade deveria existir e não como a sociedade impõe.

Um aspecto importante deste estado é a universalidade da aplicação. O indivíduo aplica o mesmo critério aos demais e nele mesmo. E trata os demais, ou tenta, como gostaria que lhe tratassem. Se isso não se cumpre, estaríamos em um nível muito mais simples, parecido com o estado de orientação ao individualismo.

Agora, já que conhecemos como se desenvolve a moral nas pessoas de acordo com a teoria do desenvolvimento da moral de Kohlberg, temos a oportunidade de realizar uma reflexão pessoal, em que estado do desenvolvimento moral nos encontramos? 

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes