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Oque é recalque segundo Freud?

Psicanálise

UNINASSAU


4 resposta(s)

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Helen

Há mais de um mês

É uma barreira que impede que tenhamos acesso a conteúdos insuportáveis pra nós. Quando recalcamos algo, é como se estivessemos "esquecendo" uma coisa que nos machuca muito, ou que não conseguimos aceitar, então aquilo fica guardado onde não podemos acessar só buscando com a memória.
É uma barreira que impede que tenhamos acesso a conteúdos insuportáveis pra nós. Quando recalcamos algo, é como se estivessemos "esquecendo" uma coisa que nos machuca muito, ou que não conseguimos aceitar, então aquilo fica guardado onde não podemos acessar só buscando com a memória.
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Suzana

Há mais de um mês

Hans (1996, p. 358) o significado original atribuído ao termo recalque é o “rebaixamento de terra ou paredes [...] calcar é conceituado como calcar a terra, o terreno = pressionar-pisar-apertar, podendo também ser utilizado como “oprimir, vexar, desprazer”. Percebe-se que essa terminologia refere-se a uma ação em que existe a sobreposição de algo sobre outrem, com vista a forçar uma situação que provoque desconforto, angústia.

[...] o termo refere-se “ao ato de fazer recuar ou de rechaçar alguém ou alguma coisa”. [...] também pode ser utilizado como sinônimo de recusa ao acesso a um país ou lugar específico. De uso quase que exclusivo da psicanálise, define-se recalque como sendo o movimento que o aparelho psíquico promove para despejar da consciência as representações que podem gerar desprazer. Além disso, o aparelho psíquico disponibiliza energia para executar a tarefa de manter o conteúdo que foi despejado afastado da consciência (ISOTTON, 2002, p.3).

Portanto, é o processo pelo qual ocorre a sobreposição de uma força sobre algo indesejável, cuja finalidade é fazer com que esse fato se torne inoperante, impossibilitado de ser mantido na consciência a fim de que o sujeito não venha a sofrer, apesar de não poder ser excluído do aparelho psíquico, mas sim mantendo-se guardado em outro espaço deste.

Na visão de Hans (1996, p.179) o recalque é o mecanismo que mesmo não dispondo de força suficiente para expulsar as fontes das pulsões do aparelho psíquico, ele faz com que elas retornem ao inconsciente, retirando-as do centro da consciência. Esse mecanismo se mantém existente e necessário, pelo fato de que as pulsões ao serem recalcadas, continuam em constante movimento objetivando obter o acesso a consciência. Portanto a função do recalque é investir energias capazes de manter o objeto recalcado na esfera do inconsciente.

Segundo Laplache e Pontalis (2001, p.25) o recalque é o mecanismo por meio do qual as ideias e as representações pulsionais são obrigadas a se manterem no inconsciente. O que funciona com a finalidade de que se evite o desprazer, o qual pode surgir quando este material retorna, assim como o desequilíbrio psicológico do indivíduo.

O objetivo do recalque é o de manter fora do consciente tudo o que for percebido pelo ego como sendo inaceitável pelo sujeito. Este mecanismo é constituído através de um modus operandi primevo na esfera psíquica, o qual se origina ainda quando o indivíduo é um bebê. Sendo assim, o recalque emula-se na estruturação do neurótico, como também nas ocasiões em que haja a necessidade de defender contra as frustrações. Desse modo, o recalque, o qual busca proteger o princípio de prazer, contorna a realidade angustiante para a garantia do bem estar do aparelho psicológico. (FREUD, apud BRITO, 2015).

Todavia, este mecanismo não impede que o conteúdo que fora omitido da consciência volte a se manifestar; o recalque é imperfeito, e não impossibilita que o retorno do recalcado sob nova representação aconteça (FREUD, 2006c). Desta forma, como o conteúdo recalcado não está banido eternamente da consciência, ele se elabora, fica em um período de incubação (FREUD, 2006a), onde ele, sem a influência da consciência, se prolifera e transforma, de forma que não mais seja reconhecido, e possa se manifestar, Ele se move pelos traços mnêmicos construídos em cadeia, composta pelo conteúdo recalcado (FREUD, 2006b). A pulsão, desta forma, se desloca a representantes que tem a possibilidade de satisfazê-la parcialmente, omitindo sua verdadeira face ao ego, mas não necessariamente, impedindo o seu sofrimento. É neste momento que podemos intitular o retorno do recalcado de sintoma (FREUD, 2006a). (FREUD apud BRITO, 2015, p.3).

Portanto trata-se de um mecanismo que ocorre de forma constante no aparelho psíquico de um indivíduo, uma vez que a sua ação não é capaz de destruir o objeto das pulsões, mas sim apenas exerce um certo controle sobre as mesmas. Isto porque ele mantém os objetos pulsionais em uma espécie de prisão, no entanto esta não possui recursos necessários para que esses objetos sejam banidos permanentemente, ao contrário, apresenta-se em uma estrutura frágil que pode ser rompida a qualquer momento, permitindo assim que o que fora parcialmente banido da consciência possa voltar a mesma, ou seja, retorna em um novo formato, e que em função de sua nova forma, este não venha a ser reconhecido pelo ego, vindo então a se manifestar, e é quando se dá a produção dos sintomas.

De acordo do Moura (2008, p.6) o recalcamento foi descrito desde 1895 por Freud, sendo este o mecanismo de defesa mais importante e também o mais antigo, dentre os demais idealizados pelo criador da psicanálise. Liga-se de forma estrita a noção de inconsciente, referindo a um processo por meio do qual são eliminados da consciência fragmentos completos da vivência afetiva e das relações profundas.

Freud diz que o recalque não é um mecanismo defensivo presente desde o início; só pode surgir quando tiver ocorrido uma cisão marcante entre a atividade mental consciente e a inconsciente (o recalcamento só está presente a partir da divisão entre sistema consciente/pré-consciente e sistema inconsciente). E que antes da organização mental alcançar essa fase a tarefa de rechaçar os impulsos pulsionais cabia à outras vicissitudes, as quais as pulsões podem estar sujeitas. (MOURA, 2008, p.6).

Nesse sentido o aparelho psíquico do sujeito vai se formando alo longo de seu desenvolvimento físico, e por isso esse mecanismo de defesa não nasce operante, mas torna-se funcional quando as três esferas do aparelho psíquico já se encontram estruturadas, é quando o sujeito já se torna capaz de ter noção do que está a sua volta, de como funciona o mundo do qual ele faz parte, em todos os seus aspectos, e é a partir da obtenção desse senso que o mecanismo de defesa do recalque começa a operar colocando-se enquanto defensor do aparelho psíquico com a finalidade de evitar o sofrimento psicológico do sujeito, em virtude das pulsões estimuladas pelo mundo externo.

Freud apud Carnaúba (2013, p.20) determina que o mecanismo do recalque opera em três fases distintas, as quais são: o recalque primário ou original, o recalque secundário ou o recalque propriamente dito e o retorno do recalcado.

Na primeira fase, no recalque primário, estão as experiências vivenciadas pelo sujeito, na infância, mas que por ainda não ter o seu aparelho psíquico completo, ou seja, com as três estruturas formadas, o id, o ego e o superego, tudo o que for uma representação maléfica fica mantida no inconsciente, por ainda não ser reconhecida pela criança como algo que lhe provoca desconforto, em função de a mesma ainda não possuir consciência, noção das coisas, ou seja, saber distinguir entre certo e errado, tornando-se uma fixação.

Na segunda fase, no recalcamento propriamente dito, os representantes da pulsão que até então se encontravam alojados no inconsciente, começam a tentar ascenderem a esfera da consciência, o que é entendido pelo ego como uma ameaça à integridade psíquica da pessoa, e a partir daí este age no intuito de manter esses representantes ideativos das pulsões no inconsciente, para que assim o indivíduo não venha a sofrer em função de tais representações, ou seja, o acesso do objeto pulsional é impedido de se manter na consciência, sendo recuado ao inconsciente.

Na terceira fase, o retorno do recalcado, os representantes ideativos das pulsões, que foram empurrados para o inconsciente retornam a esfera do consciente com um novo formato, e por não ser reconhecido pelo ego, acaba por se fazer presente no consciente, de maneira menos ofensiva ao ego, em alguns casos, mas em outros se tornam altamente patológicos.

O retorno do recalcado pode consistir ou em uma simples “escapada” do processo de recalcamento, válvula de escape funcional e útil (sonho, fantasias), ou em uma forma às vezes já menos anódina (lapsos, atos falhos), ou, ainda, em manifestações francamente patológicas de fracasso real do recalcamento (sintomas). (BERGERET, 2006, p.52).

Nesse caso o representante ideativo recalcado, se transforma, assume nova aparência, para que assim consiga ser aceito, ou mesmo, não ser notado pelo ego, então busca assim cumprir a satisfação pulsional, a qual pode tanto não trazer problemas ao aparelho psíquico como também pode se mostrar patológica ao mesmo.


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Taynara

Há mais de um mês

É um mescanimo de defesa, funciona como uma barreira que serve para que de certa forma não tenhamos acesso a conteúdos que não somos capazes de suportar.

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