Prévia do material em texto
FINANÇAS E ORÇAMENTOS PÚBLICOS Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. RESUMO DA UNIDADE O Estado está presente nas principais atividades humanas com o objetivo de atender às necessidades públicas. Contudo, para alcançar êxito nesse objetivo, o Estado precisa levantar recursos para garantir o bem-estar social. Dessa forma, podemos definir como atividade financeira do Estado os mecanismos utilizados pelo setor público com o intuito de obter, gerenciar e aplicar recursos financeiros com o objetivo de proporcionar soluções para as necessidades da sociedade. Sendo assim, atividade financeira do Estado é o modo pelo qual a administração pública obtém recursos (receitas), bem como o setor público gerencia e aplica esses recursos (despesas), com o objetivo de garantir o funcionamento do sistema estatal, atingindo as metas traçadas e satisfazendo a coletividade. Palavras-chave: Atividade Financeira. Bem-estar. Coletividade. Soluções. Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DO MÓDULO ............................................................................... 5 CAPÍTULO 1 – ATIVIDADE FINANCEIRA DO SETOR PÚBLICO ............................ 7 1.1 Caracterização ............................................................................................... 7 1.2 Finalidade ....................................................................................................... 8 1.3 Funções Governamentais .............................................................................. 8 1.3.1 Institucional .................................................................................................... 9 1.3.2 Econômicas .................................................................................................... 9 1.4 Teoria Geral das Finanças Públicas – TGFP ............................................... 11 1.5 Atividade Fiscal ............................................................................................ 13 1.5.1 Teoria Clássica ............................................................................................ 14 1.5.2 Teoria Keynesiana ....................................................................................... 15 1.6 Direito Financeiro ......................................................................................... 16 1.6.1 Objeto de Estudo ......................................................................................... 17 1.6.2 Normas Gerais ............................................................................................. 18 1.6.3 Competência ................................................................................................ 21 1.6.4 Relacionamento ........................................................................................... 21 1.6.5 Fontes .......................................................................................................... 21 CAPÍTULO 2 – ORÇAMENTO PÚBLICO................................................................. 22 2.1 Conceito ....................................................................................................... 22 2.2 Legislação Aplicada ao Orçamento Público ................................................. 24 2.3 Aspectos Orçamentários .............................................................................. 24 2.4 Tipos de Orçamentos Públicos na Ótica da LOA ......................................... 25 2.5 Tipos de Orçamentos em uma Ótica Geral .................................................. 26 2.5.1 Orçamento Clássico ou Orçamento Tradicional ........................................... 26 2.5.2 Orçamento Moderno .................................................................................... 28 2.6 Instrumentos Orçamentários em Síntese ..................................................... 33 2.7 Ciclo Orçamentário....................................................................................... 35 2.8 Créditos Adicionais....................................................................................... 36 2.9 Gestão Democrática e Orçamento Participativo .......................................... 36 CAPÍTULO 3 – RECEITAS E DESPESAS ............................................................... 37 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3.1 Princípios Orçamentários ............................................................................. 37 3.2 Receita Pública ............................................................................................ 40 3.2.1 Classificação por Natureza .......................................................................... 40 3.2.2 Classificação por fontes ............................................................................... 44 3.2.3 Classificação por identificador de resultado primário ................................... 45 3.2.4 Classificação pela forma de ingresso ........................................................... 45 3.2.5 Outras Classificações ................................................................................... 46 3.3 Despesa Pública .......................................................................................... 47 3.3.1 Estrutura da Programação Orçamentária da Despesa ................................ 47 3.3.2 Classificação da Despesa por Esfera Orçamentária .................................... 49 3.3.3 Classificação Institucional ............................................................................ 49 3.3.4 Classificação Funcional ................................................................................ 49 3.3.5 Estrutura Programática ................................................................................ 50 3.3.6 Plano Orçamentário ..................................................................................... 51 3.3.7 Classificação das Despesas ........................................................................ 52 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 54 5 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. APRESENTAÇÃO DO MÓDULO Desde antiguidade, percebemos a intervenção do Estado sobre a sociedade. Nos dias atuais isso não é diferente. Podemos dizer que o Estado está presente em quase todas as atividades humanas. Desde os primórdios da sociedade, o Estado intervém sobre a sociedade com o objetivo de suprir as necessidades públicas. Mas qual seria a finalidade do Estado? Essa questão é ponto de grande discussão e varia de acordo comcada tipo de sociedade, desenvolvimento, dentre outros fatores específicos. De modo geral, podemos afirmar que o objetivo do Estado é a promoção do bem-estar social por meio dos atendimentos sociais. Dessa forma, para o estado atingir seu objetivo, ele necessita dispor de recursos financeiros. Diante disso, entende-se que o Estado opera suas atividades financeiras com o intuito de atender a demandas sociais da população. Sendo assim, ele precisa arrecadar recursos por meio da tributação, ou seja, recolhimento de impostos. Diante disso, é de suma importância que o estado gerencie esses recursos, realizando as devidas aplicações nos diversos setores públicos e visando assegurar o bem-estar social. Para auxiliar a administração pública, existem algumas ciências que contribuem para esse processo, dentre elas estão as ciências administrativa e contábil. Sendo assim, podemos entender que é papel dos governos a promoção do desenvolvimento econômico da população, de forma justa e igualitária, independente da classe social. Além disso, cabe a eles a busca constante pela inovação e modernização da administração financeira pública. No entanto, para os governos atingirem seus objetivos, ou seja, serem bens sucedidos em suas ações, eles precisam contar com instituições que proporcionam soluções aos seus projetos, com o intuito de garantir o bem-estar social. Nessa disciplina, discorremos sobre a administração orçamentária e financeira aplicada às atividades do setor público. Apresentaremos nessa unidade os principais fundamentos e princípios orçamentários, além dos aspectos constitucionais do orçamento público. 6 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Estudaremos ainda, os instrumentos de planejamento utilizados pelo setor público no processo orçamentário, ou seja, Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA). Ademais, buscaremos entender sobre o ciclo orçamentário. Para tanto, apresentaremos a elaboração do orçamento: receita e despesa. Posteriormente, veremos a respeito da execução desse orçamento, ou seja, execução orçamentária e financeira: etapas da receita e da despesa. Por fim, falaremos sobre créditos adicionais e gestão democrática de alocação de recursos: orçamento participativo. Baseado nesse exposto, nosso objetivo com essa unidade é que você, aluno(a), consiga desenvolver algumas competências e habilidades da administração orçamentária e financeira, tornando-se capaz de aplicar esses conhecimentos de gerenciamento financeiro público. Diante do proposto, dediquemo-nos com entusiasmo aos estudos! Sucesso! 7 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 1 – ATIVIDADE FINANCEIRA DO SETOR PÚBLICO O Estado está presente nas principais atividades humanas com o objetivo de atender às necessidades públicas. Contudo, para alcançar êxito nesse objetivo, o Estado precisa levantar recursos que possam garantir o bem-estar social. Dessa forma, podemos definir como atividade financeira do Estado os mecanismos utilizados pelo setor público com o intuito de obter, gerenciar e aplicar recursos financeiros com o objetivo de proporcionar soluções para as necessidades da sociedade. De forma mais clara, seus objetivos se desdobram sobre realizações de ações sociais no âmbito educacional, da saúde, da segurança pública, dentre outros setores; como também no da prestação de serviços nos diversos setores públicos; dentre outras atividades ligadas ao Estado. Sendo assim, atividade financeira do Estado é o modo pelo qual a administração pública obtém recursos (receitas), bem como, o setor público gerencia e aplica tais recursos (despesas) com o objetivo de garantir o funcionamento do sistema estatal, atingindo as metas traçadas e satisfazendo a coletividade. Vale ressaltar que essa atividade está ligada à política, pela qual o Estado define os objetivos e prioridades baseado no seu orçamento público. 1.1 Caracterização Podemos dizer que os objetivos a serem alcançados pelo Estado estão indicados em instrumentos jurídicos ou diplomas legais. Podemos encontrá-los tanto na Constituição quanto nas leis infraconstitucionais. Diante disso, a lei orçamentária é de suma importância para o Estado atingir seus objetivos, pois é por meio dela que o Poder Público tem um parâmento de quais atividades serão cerceadas pelos recursos públicos aplicados a cada ano. Sendo assim, podemos dizer que o Estado desenvolveu a atividade financeira com o intuito de levantar recursos (dinheiro) para atender às necessidades públicas. Entretanto, há que se levar em conta que essas atividades financeiras possuem certas características, vejamos: Presença constante de uma pessoa jurídica de direito público. Pessoa de direito privado, ainda que no exercício de função pública, está excluída. 8 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Atividade de conteúdo econômico – direito econômico – geração de bens, serviços e riquezas (é mais amplo); direito financeiro – é mais restrito pois só trata das receitas e despesas. Conteúdo monetário – é somente dinheiro, exclui bens in natura e serviços prestados pelo Estado. Instrumentalidade – é o meio para a realização dos fins do Estado. (CREPALDI e CREPALDI, 2013, s.p.). 1.2 Finalidade As finalidades da atividade financeira do Estado são a prestação de serviços públicos e o atendimento das necessidades públicas, ou seja, a necessidade do coletivo que consta em instrumentos jurídicos. Assim, tudo o que é incumbido ao Estado por meio de normas jurídicas, se torna uma necessidade pública. As necessidades coletivas não estão previstas em normas jurídicas, por outro lado, as necessidades públicas estão previstas em algum instrumento jurídico, o que significa que precisaram de uma decisão política prévia. O direito financeiro regulamenta as atividades financeiras realizadas pelo Estado, ou seja, defende que o Estado deve obter somente os recursos necessários para seus fins, além de apresentar o gerenciamento e a aplicação desses recursos. Ele ainda afirma que a atividade financeira é um conjunto de atos para atingir esse fim, ou seja, o bem-estar social. De modo resumido, podemos afirmar que atividade financeira é como o Estado trabalha para levantar recursos necessários para realizar suas metas, ou seja, envolve as finanças públicas, o planejamento financeiro e a aplicação desses recursos em prol da sociedade. 1.3 Funções Governamentais O Governo é de grande valia perante o mercado, tendo em vista que o mecanismo de mercado não consegue desenvolver sozinho suas atividades, sendo assim, é necessária a intervenção do Estado para guiar, corrigir e suplementar os resultados do mercado. Portanto, veremos quais são as funções incumbidas ao Governo na realização das suas atividades. 9 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convençãointernacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.3.1 Institucional Thomas Hobbes, um grande teórico político inglês, em sua teoria absolutista, defendia que o Estado é a segurança do povo. Partindo desse princípio, é funcionalidade do Estado cuidar das relações contratuais da sociedade e dos instrumentos jurídicos institucionais, com o objetivo de sanar possíveis conflitos. Sendo assim, os mecanismos necessários para a proteção do sistema de mercado, por exemplo, arranjos contratuais e comerciais, são uma imposição legal fornecida pelo governo. 1.3.2 Econômicas Além de função institucional, o governo possui funções econômicas, ou seja, dispõe de diversos instrumentos de intervenção no meio econômico. Considerando que a necessidade do Estado de realizar atividade econômica está ligada à alocação de recursos, à distribuição de renda de forma igualitária e à estabilidade econômica, vejamos sobre cada uma delas abaixo. 1.3.2.1 Alocação de Recursos Entende-se por função de alocação de recursos o processo pelo qual o governo divide os recursos para utilização nos setores público e privado, proporcionando aos cidadãos segurança educação, saúde, entre outros. Em outras palavras, essa função visa a promoção de ajustes na alocação de recursos para a realização de atividades que não são realizadas pelo setor privado, seja pelo seu alto custo, seja pela baixa rentabilidade, ou seja ainda pela impossibilidade de cobrança individualizada. O Estado, por meio dessa função, busca atender às necessidades públicas, com isso proporcionando o bem-estar social. Para isso, o Estado se utiliza de duas situações: Investimentos na infraestrutura econômica: investimentos em serviços que desenvolvem a região e a nação, porém com alto custo, dessa forma sendo desprezado pela iniciativa privada, pois exige um alto investimento e não traz rentabilidade. Exemplos: serviços de transportes e energia, dentre outros. 10 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Provisão de bens públicos e bens meritórios: a provisão de recursos por meio de orçamento para provimento de bens públicos, por exemplo, a iluminação pública. Cabe ao governo, ainda, prover recursos para bens meritórios, por exemplo, subsídio do leite. A respeito dos bens privados, podemos entender que o bem privado é oferecido por meios próprios ao mercado, e exige duas partes: o comprador e o vendedor, ou seja, é uma transferência de bens entre partes. Podemos dizer, portanto, que se o comprador não pagar pelo bem, o negócio é impedido. Por outro lado, os bens públicos são ofertados para a coletividade, ou seja, não são ofertados de forma individualizada. Além disso, esses bens não podem ser recusados pelos beneficiários, tais como a iluminação pública. Outra diferença entre bens privados e bens públicos é que o bem público não é transferido; ou seja, ainda que haja pagamento, o bem público não é transferido para seu pagador. Outra questão consiste no fato de que o Estado não poderá impedir alguém de utilizar o serviço por falta de pagamento, tendo em vista que o mesmo é ofertado à coletividade. Por fim, temos os bens mistos, isto é, os bens de posse do Estado. Contudo, são ofertados no mercado com as características de bens privados, por exemplo, a educação. O Estado não consegue promover uma educação de qualidade a todos, dessa forma, permite a oferta de educação por meio de iniciativas particulares (privadas), com o objetivo de complementar a sua obrigação estatal. De modo geral, podemos afirmar que os bens privados são produzidos e comercializados pela iniciativa privada (empresas privadas). Contudo, existe a atuação de algumas empresas estatais, por outro lado. Os bens públicos são, em sua maioria, produzidos pelas empresas estatais. No entanto, algumas empresas privadas, por meio de contratos, também produzem alguns bens públicos. Dessa forma, podemos dizer que ambos os setores produzem bens públicos e privados de forma distinta. Sendo assim, o Estado deve realizar estudo de alocação de recursos baseado na provisão dos mesmos, e não na produção de bens. De modo geral, podemos dizer que a alocação de recursos pelo Estado, muitas vezes, é 11 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. concedida pela política orçamentária. Ou seja, o Estado define as aplicações e usos de recursos por meio de regulações políticas. 1.3.2.2 Distribuição de Renda A distribuição de renda é função do Governo que visa a distribuição de rendas e riquezas, buscando adequar algumas realidades sociais, ou seja, o Governo deve prover recursos para indivíduos de menores rendas, por meios de verbas para os serviços públicos, por exemplo para a educação e a saúde. Isso significa que essa função estatal busca equilibrar a desigualdade social. Além disso, esse assunto é complexo, pois cada indivíduo tem uma realidade diferente, além das oportunidades serem diferenciadas, ou seja, a oportunidade não é para todos. Sendo assim, é de obrigação do governo viabilizar meios através de orçamentos públicos para políticas eficazes de distribuição de renda, com objetivo de melhorar a situação dos menos favorecidos. Porém, para isso o governo pode utilizar meios de tributação para levantamento de recursos ou até mesmo incentivar algumas ações visando melhorias para a sociedade, principalmente às camadas menos favorecidas. 1.3.2.3 Equilíbrio Econômico São as ações que o governo utiliza para manter um equilíbrio na economia, ou seja, políticas públicas para desenvolver a economia, gerar emprego, estabilidade econômica, dentre outras. Essa função difere das duas anteriores, tendo em vista que ela visa garantir uma estabilidade na economia, utilizando recursos da macroeconomia com o intuito de controlar a utilização de recursos, garantir a estabilidade da moeda nacional, além de controlar fluxos de entradas e saídas dos recursos econômicos. De modo geral, podemos resumir que, nessa função, o Estado deverá usar recursos e instrumentos para garantir uma estabilidade na economia, sendo esses mecanismos políticos e da macroeconomia. 1.4 Teoria Geral das Finanças Públicas – TGFP Podemos dizer que finanças públicas são um viés de estudo da economia (ciência econômica), ou seja, é a participação estatal no processo econômico, por 12 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. meio do que chamamos de atividade financeira do Estado. Podemos definir atividade financeira do Estado como um conjunto de ações praticadas pelo Estado para obter, gerir e aplicar recursos financeiros para atender suas necessidades e atingir seus objetivos. Vejamos na figura 01 os desdobramentos dessa atividade: SE LIGA! Aciência das finanças é especulativa, ou seja, ela não é uma ciência normativa e tem como objeto de estudo a atividade financeira do Estado. Observando a figura 01, temos quatro desdobramentos da atividade financeira do Estado. O primeiro é adquirir recursos e o processo mais empregado pelo Estado para obter recursos (receita pública) é o da tributação. O segundo diz respeito à aplicação desses recursos (despesa pública), é o processo que o Estado utiliza para despender esses recursos. O terceiro é o gerenciamento de recursos que consiste em técnicas e instrumentos que o Estado utiliza para gerenciar esses recursos adquiridos, por exemplo, o orçamento público. E por fim, temos o crédito público. É quando o Estado acaba criando créditos e, consequentemente, se endividando. Figura 01 – Desdobramentos da Atividade Financeira do Estado Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. Atividade Financeira Adquirir Recursos Aplicar recursos Gerenciar recursos Criar Créditos 13 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Podemos dizer que o Estado atua de forma direta e indireta nas relações econômicas, por meio de vários mecanismos da política econômica, por exemplo, pelo controle cambial e pela política fiscal, dentre outros. Contudo, a política fiscal é a que mais impacta a atividade financeira do Estado. Dessa forma, é preciso discorrer um pouco mais sobre ela. Podemos observar a atividade financeira do Estado sob dois aspectos, sendo eles: aspecto fiscal e aspecto extrafiscal. O aspecto fiscal é a arrecadação de recursos por parte do Estado, por exemplo, a tributação do IPVA. O aspecto extrafiscal é quando o Estado busca estimular uma prática do consumidor, por exemplo, subir alíquota de um produto importado, para estimular a compra de produtos nacionais e incentivar a indústria nacional. Dessa forma, podemos concluir que a Ciência das Finanças proporciona ao Estado meios e dados, contribuindo assim com os formadores de políticas públicas e fornecendo informações para as tomadas de decisões, que após as decisões do legislador serão traduzidas em normas do Direito Financeiro. 1.5 Atividade Fiscal O principal objetivo das finanças públicas é o estudo da atividade Fiscal exercida pelo Estado, ou seja, as atividades exercidas pelos poderes públicos com o objetivo de promover e disponibilizar recursos para custeio dos seus investimentos. Dessa forma, podemos orientar a política fiscal sob duas teses, sendo elas: Política tributária: está relacionada com a captação de recursos para atendimento das atividades do poder público, por meio das suas esferas, ou seja, federal, estadual ou municipal. Política orçamentária: está relacionada aos gastos públicos, ou seja, está ligada à forma pela qual esses recursos são aplicados pelo Estado, levando em conta as dimensões e a natureza do poder público, e sua capacidade para funcionamento junto à sociedade. O grande economista britânico Adam Smith citou uma vez que podemos considerar como melhor orçamento aquele que gasta menos. Contudo, essa ideia é 14 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. de grande discussão em nossos dias. Será que, realmente, gastar menos torna um orçamento eficaz? Ou o melhor orçamento é aquele que aplica os recursos de uma forma eficaz? Atualmente, a maior dificuldade do governo não é gastar menos, mas gastar de forma eficaz; ou seja, o governo aloca seus recursos muito mal. Focando no Brasil como objeto de estudo, temos a Constituição Federal de 1988 e ementas posteriores, pelas quais foi definida uma base mínima de investimento para saúde e educação. Além disso, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei Complementar de nº 101/2000 definiram instrumentos que visam limitar os gastos com pessoal, terceirização, previdência e dívida. Ademais, aquela implantou mecanismos de controle e transparência fiscal, contribuindo para uma gestão mais eficaz por parte do Estado e a destinação correta dos recursos alocados. Estudaremos agora duas teorias que definem a participação do Estado na economia, sendo elas a teoria clássica e a teoria keynesiana. 1.5.1 Teoria Clássica De modo geral, podemos dizer de forma resumida que os principais economistas clássicos tinham uma harmonia em seus pensamentos. Assim, podemos apresentá-la de forma resumida: A intervenção do Estado deve ser mínima, ou seja, somente naquilo que é indispensável e de forma restrita; As produções públicas devem gerar receitas compatíveis com seus custos, ou seja, obedecendo o princípio de benefícios; A teoria de custo e benefício deve ser base para a política de produção pública; As tributações sobre o salário acabam elevando os custos de mão de obra, reduzindo consequentemente os lucros e dificultando o acúmulo de capital; A dívida adquirida pelo Estado, bem com a tributação em geral, gera impactos negativos sobre a economia; O plano orçamentário do Estado sempre deve estar equilibrado. 15 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Podemos resumir que os economistas clássicos defendiam a ideia de “Estado Mínimo”, ou seja, o Estado preocupado com serviços de natureza social, por exemplo, segurança pública. Eles defendiam, ainda, que não existe a necessidade da intervenção do Estado na economia, pois os mecanismos de mercados seriam suficientes para regular essa atividade econômica. 1.5.2 Teoria Keynesiana A crise ocorrida entre 1929 e 1933, conhecida como crise da superprodução, contribui para o descrédito da teoria do equilíbrio geral, que defendia a não intervenção do Estado na economia. Esse fato, demonstrou a necessidade da participação do Estado na economia, ou seja, viu-se a necessidade de o Estado intervir nas funções produtivas e na intermediação financeira, ganhando força principalmente nos países europeus. Contudo, as discussões sobre a intervenção do Estado na economia ganham um novo destino após a publicação da obra Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, do autor Keynes, no ano de 1936. As ideias de Keynes ganharam força e ficaram conhecida como política econômica keynesiana. SE LIGA! John Maynard Keynes foi um grande economista britânico, cujas teorias mudaram algumas fundamentações da macroeconomia, bem como as políticas econômicas governamentais. Em sua obra, Keynes quebra alguns paradigmas da teoria econômica da época, além de apresentar soluções para os problemas de então, inclusive para o alto índice de empregabilidade. Ademais, Keynes apresentou a teoria da demanda efetiva, ou seja, se existir algum gasto com investimento, consequentemente devem ser ampliados os gastos de consumos, o que implica um efeito multiplicador da renda dentro da economia. Sendo assim, a soma desses gastos (investimento + consumo) vão construir a função de consumo da demanda agregada (demanda efetiva), conforme Keynes acreditava. 16Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Trazendo para os dias atuais, podemos correlacionar a teoria keynesiana e a Lei de Responsabilidade Fiscal, nos artigos 15, 16 e 17, que tratam sobre a geração de despesas. Nesses artigos, são apresentados mecanismos para controlar os gastos públicos em sua totalidade, independentemente do tipo de gasto, seja ele corrente ou capital. Vale ressaltar que os gastos realizados com investimentos geram gastos de consumos e devem ser pensados em sua relação com o investimento, bem como com o valor para o seu funcionamento. Por exemplo, o valor de investimento para construção da escola, bem como os gastos de consumos para funcionamento dessa escola, após a sua construção. A partir do ano de 1929, a depressão da atividade econômica acabou gerando um alto índice de desemprego. Dessa forma, a economia passou a necessitar de maior participação do Estado para elevar os níveis de consumos que impactavam a renda de modo positivo. Dessa forma, podemos dizer que Keynes defendia que o Estado participasse da Economia por meio do consumo-investimento sobre a ótica de tributação-gastos. Nesse sentido, Keynes apresentou algumas estratégias para a participação do governo, quais sejam: Sistema de controle da moeda e crédito; Reformulação da poupança e das relações entre emprestadores e tomadores; Definição da política nacional baseada no tamanho da população. Ou seja, Keynes defendia que o Estado deveria intervir somente na poupança, investimento e controle populacional, pois as demais questões são consequências destas. 1.6 Direito Financeiro Podemos dizer que atividade financeira do Estado é estudada dentro da ciência financeira, bem como está inserida na ótica do direito financeiro. Sendo assim, o direito financeiro estuda a atividade financeira a partir de um ponto de vista prático. 17 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Além disso, o direito financeiro é um ramo do direito público que atua em conjunto com o direito econômico e o direito tributário. O objetivo principal desse direito é disciplinar e regulamentar a atividade financeira do Estado, exceto ao que se refere à tributação, sendo esta um objeto de estudo do direito tributário. 1.6.1 Objeto de Estudo Como foi visto anteriormente, o principal objeto de estudo do direito financeiro é atividade financeira do Estado. Diante disso, o objeto de estudo do direito financeiro é o mesmo objeto de estudo das ciências financeiras. Contudo, a ciência das finanças estuda a ótica especulativa; já o direito financeiro estuda a ótica prática. Ademais, atribui-se a esse ramo do direito público a implantação de normas legais que possibilitam ao Estado executar sua atividade financeira, além de estabelecer limites para a sua execução com o intuito de garantir a segurança da população. Figura 02 – Campo de Atuação do Direito Financeiro Fonte: Elaborado pelo autor, 2019 Direito Financeiro Receitas Públicas Despesas Públicas Orçamentos Públicos Créditos Públicos 18 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Podemos observar na figura 2, os campos de atuação do direito financeiro. Assim, o direito financeiro atua nas despesas públicas, nas atividades exercidas pela Estado para adquirir receitas, seja por meio de exploração de fontes próprias, atividades comerciais, bem como pela arrecadação de tributos. Além de atuar no orçamento e créditos públicos. De modo geral, podemos dizer que o direito financeiro é o disciplinador normativo da atividade financeira do Estado, além de atuar na gestão fiscal (atualmente por meio da Lei de Responsabilidade Fiscal), ou seja, envolve a regulamentação jurídica do orçamento, dessa forma, complementando-se com os gastos públicos e seus controles. Além disso, envolve a tributação de modo geral, respeitando, contudo, as matérias do direito tributário. O direito financeiro é responsável ainda, pela gestão patrimonial sobre uma ótica financeira, além de regulamentar os créditos públicos e de atuar na moeda, bem como nas repartições das receitas tributárias. 1.6.2 Normas Gerais A atividade financeira do Estado busca atender a três necessidades. Observemos a figura 3. Figura 03 – Necessidades Públicas Básicas Fonte: elaborado pelo autor, 2019 Atividade Financeira do Estado Prestação de Serviço Exercício do poder de Polícia Intervenção Econômica 19 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Como já estudamos anteriormente, o direito financeiro busca disciplinar a atividade financeira do Estado. Diferentemente da ciência das finanças que estuda a parte teórica, o direito financeiro busca estudar a prática. Sendo assim, para compreendê-lo faz-se necessário estudar algumas normativas. As normativas gerais são expedidas pelo Congresso Nacional e são aplicáveis a qualquer esfera governamental (União, estadual, municipal e DF) com o intuito de atuar como princípios, orientando e operando a integração do ordenamento jurídico. A Constituição Federal, em seu art. 21, incumbe o Estado da prestação de serviços públicos (União); no art. 30 incumbe os Munícipios da prestação de serviços públicos com interesse local. O art. 25 libera o Estado prestação de serviços de gás canalizados. Em seu art. 174, a Constituição Federal regulamenta a atividade financeira econômica; no art. 175 concede ao Estado o direito de concessão pública; no art. 173 concede ao Estado o direito de exploração econômica, além de atuar em regime de monopólio, art. 177; ademais deve exercer papel de polícia artigos 182 e 192, além de documentar a vida política, econômica e pessoal da nação. Os serviços públicos são organização dos recursos pessoais e materiais necessários para atuação do Estado, ora são meios de obtenção de recursos financeiros através de concessões e permissões do Estado. Observemos o art. 21 e art. 175 da Constituição Federal. Art. 21. Compete à União: [...] X – manter o serviço postal e o correio aéreo nacional; XI – explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais; XII – explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: a) os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens; b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos; c)a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária; d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território; e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros; f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; 20 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. [...] XV – organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional; [...] XXII – executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; XXIII – explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional; b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas; d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa; [...] Art. 175. Incumbe ao poder público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, 1988) Além disso, o poder de polícia tem previsão legal no art. 78 do Código Tributário Nacional e o Estado intervém na economia conforme o § 4º do art. 173 da Constituição Federal. Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interêsse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966) (CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, 1966) Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 4º A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, 1988) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ACP/acp-31-66.htm#art7segunda 21 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.6.3 Competência É de responsabilidade da União legislar sobre as normas gerais, contudo, o Estado possui competência suplementar, ou seja, não existindo uma legislação federal, o Estado fica com a legislação plena. Porém, se vier a ter alguma Lei Federal, ela contrapõe-se à Lei Estadual. Sendo assim, somente serão válidas as normativas que não contrariam a Legislação Federal. Desse modo, temos as competências abaixo: Na ótica do direito financeiro existe uma concorrência entre a União, os Estados e o DF no que tange às competências; A União está incumbida da implantação de normas gerais; As edições de normas gerais não são competências do Estado; Não existindo uma legislação federal, a legislação estadual tem competência plena; Caso sobrevenha alguma legislação federal, a legislação estadual é revogada. 1.6.4 Relacionamento O direito financeiro se relaciona com outros direitos. Vejamos a relação entre o direito financeiro e o direito administrativo e, posteriormente, entre o direito financeiro e o direito tributário. Podemos dizer que o direito financeiro gerencia as arrecadações do Estado obedecendo ao princípio da legalidade. Por outro lado, o direito administrativo gerencia os bens do Estado obedecendo ao princípio da discricionariedade. Além disso, o direito financeiro é responsável pela arrecadação, gestão e aplicação desses recursos. Por outro lado, o direito tributário é um ramo do direito financeiro, que se preocupa com a arrecadação de tributos. 1.6.5 Fontes O direito financeiro está baseado em duas fontes: Fontes Materiais: são os fatos financeiros agregantes ao direito financeiro. Fontes Formais: é a própria legislação, ou seja, uma normativa social de caráter obrigatório. 22 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 2 – ORÇAMENTO PÚBLICO No ano de 1830, foi criado o primeiro orçamento público brasileiro, com base na Constituição de 1824 e confirmada posteriormente pela atual Constituição (1988). Inicialmente, o orçamento era concebido como um mero instrumento político para controlar as finanças. Contudo, com o passar do tempo, ele se tornou um grande mecanismo da administração pública. Entende-se por orçamento público o mecanismo utilizado pelo governo para estimar a sua arrecadação anual e a fixação de gastos durante o ano. É um instrumento de planejamento, integrado com o plano de ação do governo. Neste capítulo, estudaremos melhor sobre o orçamento público. 2.1 Conceito Podemos definir orçamento como um instrumento de planejamento que está ligado ao plano de ação do governo, composto por atos previstos pelo Legislativo e autorizados pelo Executivo. De modo geral, podemos dizer que é um “documento” no qual se encontra a previsão de receitas e despesas por um tempo determinado. Ou seja, podemos entender que o orçamento público é o documento que apresenta a atividade financeira do Estado, demonstrando as receitas arrecadas e as despesas previamente autorizadas pela legislação para o funcionamento do poder público. Vale ressaltar que existe a obrigatoriedade da previsão de despesas e que o orçamento é uma condição para sua liberação. Sendo assim, o orçamento público é a previsão de todas as receitas e os gastos previstos por um período determinado. Ou seja, é o planejamento pelo qual o governo, independente da sua esfera (federal, municipal ou estadual), realiza uma previsão de todas as receitas de exercício financeiro estabelecido e realiza uma previsão de gastos já autorizados. Vejamos o exemplo de projeto de orçamento aprovado para o Governo Federal do ano de 2019, por meio do Projeto de Lei do Congresso Nacional n° 27, de 2018, que se tornou uma norma por meio da Lei nº 13.808 de 15/01/2019. Observemos a figura 4. 23 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma partedeste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. ATENÇÃO! O orçamento público está longe da sua efetividade, lamentavelmente, no Brasil existem muitos desvios na realização dos gastos públicos. Figura 04 – Orçamento Público Federal em Síntese – 2019 Fonte: Senado Notícias, 2018. 24 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 2.2 Legislação Aplicada ao Orçamento Público No Brasil, o orçamento público é regulamentado pela legislação sobre a Lei nº 4.320/64, além disso está previsto na Constituição Federal de 1988, e também nas demais normas, portarias, dentre outras. A lei nº 4.320/64, conhecida também como Lei de Direito Financeiro, apresenta as hipóteses previstas na Lei Orçamentária Anual (LOA). Ademais apresenta como deve ser executado o orçamento e seu controle durante seu ano de exercício. Além disso, estipula que o Governo deverá apresentar suas receitas por fontes e despesas por funções, apresentando um quadro demonstrativo. Podemos encontrar a seguinte ementa na lei n° 4.320/64: “Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. Já na Constituição Federal de 1988, encontramos a normativa que define que é responsabilidade do Poder Executivo a elaboração de leis orçamentárias, além de discorrer sobre o Plano Plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais. 2.3 Aspectos Orçamentários Tabela I – Aspectos Orçamentários Aspectos Orçamentários Descrição Aspecto Administrativo No ponto de vista administrativo, o orçamento é visto como uma ferramenta de planejamento do Estado, pela qual o Estado busca saber de quanto precisa dispor para atender às necessidades da coletividade. Aspecto Econômico Pelo ponto de vista econômico, o orçamento público é um instrumento para o governo extrair recursos da sociedade e dispor esses recursos em determinadas áreas. Aspecto Jurídico Observando pela ótica jurídica, o orçamento é um instrumento legal, previsto pela legislação, com o 25 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. objetivo de definir os limites a serem respeitados pelo governo. Aspecto Técnico Sobre uma visão técnica, são estabelecidas regras metodológicas para finalidade do orçamento de acordo, com os demais aspectos. Aspecto Político E por fim, sobre uma ótica política, as decisões de distribuições das receitas, ou seja, as aplicações dessas receitas impactam diretamente a coletividade, ou seja, impactam os grupos econômicos e as classes sociais. Fonte: elaborado pelo autor, 2019 2.4 Tipos de Orçamentos Públicos na Ótica da LOA A Lei Orçamentária Anual divide os orçamentos públicos em três tipos, sendo eles: orçamento fiscal, orçamento de investimento das empresas e orçamento da seguridade social. Vejamos sobre cada um deles abaixo: Figura 05 – Tipos de Orçamentos Fonte: elaborado pelo autor, 2019. Orçamento Fiscal Investimento das Empresas Seguriedade Social 26 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Orçamento Fiscal Entende-se por orçamento fiscal as receitas ingressas na União, por meio dos fundos, órgãos e entidades da administração, excluindo as receitas vinculadas à Seguridade Social. Orçamento da Seguridade Social Entende-se por orçamento da seguridade social as receitas ingressas por meio dos fundos, órgãos e entidades da administração ligados à Seguridade Social, ou seja, às áreas de saúde, previdência social e assistência social. IMPORTANTE! Parte do orçamento fiscal é destinada para a complementação das verbas, com o objetivo de custear esses serviços. Orçamento de Investimentos das Empresas Entende-se por orçamento de investimentos das empresas os investimentos realizados pelas empresas estatais com seus recursos próprios, independentes da União. 2.5 Tipos de Orçamentos em uma Ótica Geral Não existe um consenso geral sobre os tipos de orçamentos, contudo, em uma ótica histórica, podemos observar alguns tipos de orçamentos. 2.5.1 Orçamento Clássico ou Orçamento Tradicional Esse orçamento consiste em plano contábil, tendo em vista a limitação das atividades do Estado e o regime rígido dos controles das despesas públicas. Vale ressaltar que esse orçamento era visto somente como instrumento contábil, não tendo nenhuma participação na gestão de recursos. Além disso, os recursos eram definidos pelos órgãos e entidades sobre uma base no passado, ou seja, sobre uma ótica de projeção de alocação de recursos 27 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. passados sem nenhum planejamento para a solução de problemas atuais, ou seja, não realizavam propostas de alocação de recursos específicas para a soluções desses problemas atuais. De modo geral, podemos dizer que não havia uma preocupação com a finalidade do Estado, com as metas a serem alcançadas e muito menos com programas de atividades-meio. Sendo assim, o orçamento tradicional ou clássico ficou conhecido vulgarmente como “Lei dos Meios”. Dentre os aspectos que marcam os orçamentos públicos, três são explícitos no orçamento clássico: Aspecto Político: nessa ótica, o orçamento clássico era um mecanismo para o Poder Legislativo controlar o Poder Executivo, por meio das normas aprovadas, da programação dos gastos públicos, bem como de seus respectivos meios de financiamento. Aspecto Financeiro: sob essa ótica, o orçamento clássico era um instrumento de controle financeiro. Aspecto Jurídico: sobre a visão jurídica, o orçamento clássico foi caracterizado como uma função orçamentária durante o liberalismo econômico, quando eram estabelecidos procedimentos e normas legais. Vale ressaltar que o aspecto econômico era colocado em segundo plano, pois, nessa época, o equilíbrio financeiro era sua fundamentação. Nesse período, ainda não se estudava a participação do Estado na economia como um agente motivador para seu crescimento. Sendo assim, podemos dizer que a elaboração do orçamento tradicional ou clássico tinha como principal objetivo gastar pouco, ou seja, era uma visão do que se arrecadava e do que podia gastar. E por fim, no aspecto técnico, o orçamento tradicional ou clássico era visto como bidimensional, pois apresentava duas funções de controle para a classificação das despesas públicas: Classificação institucional: sobre essaótica, o orçamento clássico buscava identificar a responsabilidade das unidades ou dos órgãos orçamentários. 28 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Objeto de gasto: sobre essa ótica, o orçamento clássico servia para identificar os tipos de despesas que estavam sendo gastos, por exemplo, gasto material. Vejamos um exemplo de orçamento tradicional ou clássico na tabela 2. Tabela 2 – Orçamento Clássico ou Tradicional Receitas Despesas Tributos (T) Custo (C) Taxas (N) 80.000 Pessoal (P) 75.000 Impostos (I) 10.000 Manutenção (M) 25.000 Total Tributos (N+I) 90.000 Total Custo (P+M) 100.000 Empréstimos (E) Investimento (I) Empréstimo 20.000 Obras 10.000 Total Empréstimos 20.000 Total Investimento 10.000 Total (T + E) 110.000 Total (C + I) 110.000 Fonte: elaborado pelo autor, 2019. 2.5.2 Orçamento Moderno O orçamento moderno é uma evolução do orçamento público. Isso se deu após a Segunda Guerra Mundial, quando o processo orçamentário passou a se preocupar com a eficiência. Essas mudanças se originaram na crise do sistema capitalista, quando se observou que mercado não conseguia apresentar soluções para questões macroeconômicas. O orçamento moderno pode se dividir em dois grandes tipos, sendo eles: orçamentos de desempenho e orçamento-programa. 2.5.2.1 Orçamento de Desempenho ou de Realizações O orçamento de desempenho ou de realizações é uma evolução do orçamento tradicional ou clássico. Nesse orçamento fica evidente a preocupação com o gerenciamento dos gastos públicos e seus resultados. Buscando a eficiência e eficácia do setor público. 29 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Esse orçamento é constituído pela explicitação dos itens gastos pelas unidades públicas, além da explicitação dos programas, diferenciando-se, dessa forma, o modelo tradicional ou clássico. Observamos alguns aspectos, que merecem destaques: Aspecto Gerencial: sob essa ótica, o orçamento deixa de ser um mero instrumento contábil, e passa a ser um instrumento de apoio gerencial, proporcionando com isso um controle e uma avaliação das atividades desempenhadas pela unidade. Aspecto Econômico: sob essa ótica, o Estado deixa de ser neutro e passar a intervir na economia, de modo que o orçamento é utilizado como um instrumento de política fiscal. 2.5.2.2 Orçamento-Programa O sistema orçamentário atual é uma evolução do sistema orçamentário paralelamente ao crescimento dos governos representativos e das suas atividades econômicas. Esse orçamento está ligado ao planejamento e às metas do governo, ou seja, aos objetivos do governo em período determinado. Sendo assim, podemos definir orçamento-programa como um plano de trabalho do governo composto por ações a serem realizadas, bem como pela identificação dos recursos necessários à sua aplicação. Levam-se em conta as prioridades e estruturas do planejamento, discriminando-os conforme abaixo: Ênfase na finalidade e não nos meios; Identificar as ações às quais o poder público destinará seus recursos; Apresentar os responsáveis pela destinação dos recursos; Especificar os resultados esperados. Podemos dizer que o programa é um mecanismo governamental que tem como finalidade a concretização das metas estabelecidas pelo governo, com mensurações baseadas nos indicadores presentes no Plano Plurianual. 30 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 6 – Orçamento-Programa Fonte: CREPALDI e CREPALDI, 2013. Assim, temos nesse sistema o orçamento como um instrumento de gerenciamento e planejamento que possibilita ações gerenciais, bem como um controle e uma avaliação dos resultados. Vejamos as vantagens desse tipo de orçamento na figura 7. Figura 7 – Vantagens do Orçamento-Programa Fonte: CREPALDI e CREPALDI, 2013. Vejamos, no esquema apresentado na figura 8, as etapas para elaboração do orçamento Programa. 31 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 8 – Elaboração Orçamento-Programa Fonte: elaborado pelo autor, 2019. Apesar de uma aparência simples, o orçamento-programa apresenta uma mudança na estrutura de planejamento governamental, passando o orçamento público de uma mera ênfase no meio, se importando com os resultados, ou seja, com os fins. Vejamos as principais características desse modelo orçamentário na figura 9. Determinação da Situação Identificar os problemas existentes. Diagnóstico da Situação Identificar as causas do surgimento do problema. Apresentação de Soluções Identificar as opções viáveis para resolver o problema. Estabelecer Prioridades Ordenar as soluções encontradas. Definir os objetivos Estabelecer o que será feito e os resultados esperados. Definir as tarefas Identificar as ações necessárias para cumprimento dos objetivos. Definir os recursos Arrolar os meios, por exemplo, recursos humanos. Definir os meios financeiros Definição do valor monetário necessário para a realização das atividades (Custo Financeiro). 32 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 9 – Principais Características do Orçamento-Programa Fonte: CREPALDI e CREPALDI, 2013. Podemos dizer que existe uma lógica entre orçar e planejar. O planejamento ocorre quando é identificado um problema junto à coletividade, definindo ações para soluções desse problema, considerando-se os recursos disponíveis. Além disso, uma gestão orçamentária baseada no orçamento por programas tem como objetivo uma transparência na aplicação dos recursos públicos e consequentemente na obtenção de resultados. Sendo assim, toda ação governamental será organizada e está apresentada em programas, que são definidos para resolver um problema determinado pela sociedade. Observamos as principais diferenças entre o modelo clássico ou tradicional e o modelo orçamento-programa, conforme a figura 10. 33 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito doGrupo Prominas. Figura 10 – Diferença entre Orçamento Clássico e Orçamento-Programa Fonte: CREPALDI e CREPALDI, 2013. 2.6 Instrumentos Orçamentários em Síntese O sistema orçamentário brasileiro é composto por três instrumentos principais, sendo eles: LOA, LDO PPA. Podemos apresentar uma síntese desses instrumentos por meio da tabela 3. Tabela 3 – Síntese das Leis Orçamentárias PPA LDO LOA Definição O Plano Plurianual (PPA) é um planejamento de médio prazo, que deve ser realizado por meio de lei. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabelece quais serão as metas e prioridades para o ano seguinte. A Lei Orçamentária Anual (LOA) estabelece os Orçamentos da União, por intermédio dos quais são 34 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. estimadas as receitas e fixadas as despesas do governo federal. Vigência 4 anos 1 ano 1 ano Prazos Encaminhamento até final de agosto do primeiro ano de mandato. Devolução em meados de dezembro. Encaminhamento em meados de abril. Retorno para sanção no final de junho. Encaminhamento até final de agosto. Devolução em meados de dezembro. Características Objetivos e prioridades de governo (programa governamental). Integração entre planejamento e orçamento. Estímulo a parcerias. Dividido entre base estratégica e programas. Metas e prioridades de governo (política fiscal). Alteração na política tributária. Política das agências de fomento. Orçamento fiscal, de investimentos e da seguridade social. Demonstrativo da renúncia de receitas. Redução das desigualdades regionais (critério populacional). Utilização de créditos adicionais. Decreto de programação orçamentária e financeira. LRF Expansão das despesas continuadas deve ter compatibilidade com o PPA (art. 16, II da LRF). Equilíbrio entre receitas e despesas. Critérios para Demonstrativo da compatibilidade do orçamento com as metas fiscais. 35 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Obrigatoriedade de todos os entes no que se refere a publicação do PPA. limitação de empenho. Avaliação de custos. Limitação despesas obrigatórias de caráter continuado. Regras para transferências financeiras. Anexo de Metas e Anexo de Riscos Fiscais. Reserva de contingência como proporção da RCL anual. Destaque para despesas e receitas envolvidas com o pagamento da dívida. Fonte: Adaptada Nascimento, 2014. 2.7 Ciclo Orçamentário Entende-se por ciclo orçamentário o processo sequencial do orçamento público, ou seja, um processo que elabora, aprova, executa, controla e avalia os programas do setor público nos aspectos físicos e financeiros. O ciclo possui quatro fases, sendo elas: Elaboração da proposta orçamentária; Discussão e Aprovação da Lei Orçamento; Execução Orçamentária e Financeira; Controle. A primeira fase do ciclo é a elaboração da proposta orçamentária. Nessa fase, devem ser apresentadas as estimativas de receitas e fixadas as despesas, que devem ser apresentadas de forma padronizada e discriminada, conforme as exigências das normas legais. A segunda fase do ciclo é a fase em que a proposta é encaminhada para o Poder Legislativo para ser discutida. Após sua aprovação, será encaminhada para o Poder Executivo para sanção. 36 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Na fase do ciclo, temos a execução orçamentária e financeira. Nessa etapa são definidas as quotas das unidades orçamentárias. Esse procedimento tem que estar de acordo com a LDO. Também são realizadas as arrecadações de receitas, bem como suas aplicações. E por fim, temos a quarta fase, uma etapa que é realizada por órgãos internos e externos, que vão verificar se as aplicações ocorreram conforme previsto na LOA. 2.8 Créditos Adicionais Entende-se por créditos adicionais, despesas autorizadas não previstas na LOA, podendo ser classificadas em suplementares e especiais, e extraordinárias. Créditos suplementares são créditos para suplementar orçamento, encaminhados ao Congresso pelo Presidente por meio do Projeto de Lei. Por outro lado, temos os créditos especiais que são destinados às despesas que não possuem um orçamento específico. Já os créditos extraordinários, são destinados para fins de urgências e imprevisíveis, por exemplo, guerra. São encaminhados ao Congresso pelo Presidente por meio de Medidas Provisórias. 2.9 Gestão Democrática e Orçamento Participativo O orçamento participativo é um instrumento que permite a participação dos cidadãos nas discussões orçamentárias, gerando assim uma gestão democrática. Contudo, nesse processo, é o governo que direciona as discussões e abre espaço para ouvir os cidadãos. Porém, essa participação no orçamento pode gerar discussões entre os envolvidos, por exemplo, podem ocorrer conflitos de interesses entre os governantes, por outro lado, pode existir desinteresse por parte da população. Sendo assim, podemos concluir que o orçamento participativo precisa evoluir muito ainda em nossa nação. Entretanto, é um instrumento democrático, permitindo assim à sociedade participar do orçamento público e ser ouvida pelos governantes. Vale ressaltar que o orçamento participativo é utilizado em nível municipal. 37 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 3 – RECEITAS E DESPESAS Afinal, o que é Administração Financeira e Orçamentária – AFO? AFO é tudo isso que estamos estudando, ou seja, é uma disciplina que busca estudar a atividade financeira do Estado. O Estado realiza sua atividade financeira por meio do Orçamento Público, pelo qual os cidadãos podem visualizar as receitas e despesas do Governo. Nesse último capítulo, nos dedicaremos ao estudo das receitas e despesas provenientes do Estado. 3.1 Princípios Orçamentários Entende-se por princípios orçamentários as bases norteadoras que devem ser observadas durante a LOA. Esses princípios buscam manter um sistema orçamentário estável e consistente. Sendo assim, são as bases que devem orientar o ciclo orçamentário. Princípio da universalidade De acordo com esse princípio, o orçamento público necessita apresentar todas as receitas e despesas provenientes da União e seus órgãos, sejam elas diretas ou indiretas. Esse princípio não se aplica ao PPA, tendo em vista que algumas receitas e despesas não constam nesse plano. Princípio da anualidade De acordo com esse princípio, o orçamento público deve ser elaborado e aprovado paraexecução dentro do período de um ano. Princípio da unidade De acordo com esse princípio, o orçamento público deve ser único, ou seja, deve existir somente um orçamento para cada ente da Federação. 38 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Princípio do orçamento bruto De acordo com esse princípio, as despesas e receitas devem constar conforme seu valor bruto, ou seja, sem deduções. Princípio da exclusividade Esse princípio tem como objetivo limitar o conteúdo da Lei Orçamentária, ou seja, busca evitar que o orçamento seja utilizado para aprovação de assuntos que não são pertinentes ao orçamento. Princípio da quantificação dos créditos orçamentários De acordo com esse princípio, é vedada a concessão ou utilização de créditos ilimitados. Princípio da especificação De acordo com esse princípio, as receitas e despesas devem ser discriminados, apresentando-se as suas origens, bem como a aplicação dos recursos. Princípio da proibição do estorno De acordo com esse princípio, o administrador não tem autonomia para transferir, remanejar ou transpor os recursos sem autorização prévia. Princípio da publicidade De acordo com esse princípio, as decisões orçamentárias só têm validades após sua publicação na imprensa. Princípio da legalidade De acordo com esse princípio, todas a leis orçamentárias e de créditos adicionais devem ser encaminhadas do Poder Executivo para o Legislativo para discussão e aprovação em congresso. 39 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Princípio do equilíbrio orçamentário De acordo com esse princípio, as despesas autorizadas não podem ser superiores à previsão de receitas. Princípio da não afetação das receitas De acordo com esse princípio, nenhuma receita de tributação (impostos) poderá ser reservada ou comprometida com determinados gastos, exceto casos previstos pela Constituição. Princípio da gestão orçamentária participativa De acordo com esse princípio, no âmbito municipal será utilizada a gestão orçamentária participativa. Princípio da clareza De acordo com esse princípio, o orçamento público deve ser apresentado de forma clara e de fácil entendimento. Princípios gerais Esses princípios estão ligados tanto à receita quanto às despesas, podendo ser divididos em materiais ou formais. Princípios materiais: estão ligados à essência do processo orçamentário, por exemplo, universalidade. Por outro lado, os princípios legais são os princípios que visam atender às formalidades sem impactar a LOA, por exemplo, clareza. Princípio específicos Esses princípios estão relacionados somente à receita, podendo ser subdivididos em três princípios, sendo eles: Princípios da uniformidade: o orçamento deve apresentar suas informações de forma padronizada, permitindo a comparação com anos anteriores. Princípios da legalidade da tributação: estão ligados à limitação do poder público de tributar. 40 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Princípios da precedência: o poder do Legislativo deve autorizar de forma prévia as despesas. 3.2 Receita Pública A palavra receita é utilizada mundialmente pela área contábil para indicar uma variação positiva na situação líquida patrimonial. Contudo, receita pública pode ser apresentada em dois sentidos: amplo ou restrito. Receita Pública no sentido amplo: entende-se como todas as entradas ou ingressos de bens ou direitos, por um período de tempo determinado, no qual o Estado utiliza esses recursos para financiar seus gastos e, dependendo do passivo, elas não são incorporadas ao patrimônio público. Receita Pública no sentido restrito: entende-se como todas as entradas ou ingressos de bens ou direitos, por um período de tempo determinado, as quais são incorporados ao patrimônio público sem compromisso de devolução. 3.2.1 Classificação por Natureza As naturezas das receitas orçamentárias buscam identificar as origens das receitas para o cofre público. Para uma melhor identificação desses ingressos nos cofres públicos, o código é desdobrado em níveis, formando assim o código identificador da receita. Primeiro Nível: Categoria econômica Segundo Nível: Origem Terceiro Nível: Espécie Quarto Nível: Rubrica Quinto Nível: Alínea Sexto Nível: Subalínea Tabela 4 – Código Identificador da Receita X Y Z W TT KK Categoria econômica Origem Espécie Rubrica Alínea Subalínea Fonte: Mendes, 2015 41 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3.2.1.1 Categoria econômica Neste nível, é obedecido o critério econômico. Dessa forma, é possível mensurar os impactos das decisões do governo na economia nacional. Pode ser dividida em quatros grupos. Receitas correntes: essas receitas estão ligadas à imposição do Estado, ou seja, são receitas provenientes da tributação e contribuições. Receitas de capital: essas receitas são originadas dos recursos financeiros provenientes de dívidas, da conversão de dinheiro em bens ou direitos. Receitas intra-orçamentárias: são provenientes de operações realizadas entre os departamentos públicos integrantes do orçamento fiscal e a seguridade social, alocados na mesma esfera no governo. 3.2.1.2 Origem Neste nível, o principal objetivo é identificar as procedências das receitas públicas, ou seja, identificar a fonte das receitas públicas ingressas aos cofres públicos. Tabela 5 – Origens das Receitas Receitas Correntes Receitas de Capital 1. Receita Tributária 1. Operação de Crédito 2. Receita de Contribuições 2. Alienação de bens 3. Receita Patrimonial 3. Amortização de Empréstimos 4. Receita Agropecuária 4. Transferências de Capital 5. Receita Industrial 5. Outras Receitas de Capital 6. Transferências correntes 9. Outras receitas correntes Fonte: Mendes, 2015 3.2.1.2.1 Origem das receitas correntes Para custeio das atividades governamentais são necessários recursos financeiros. Dessa forma, o Estado utiliza dos tributos como uma fonte de arrecadação. O que caracteriza o tributo é seu fato gerador. 42 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Segundo o Código Tributário Nacional – CTN, em seu artigo 3º, podemos definir tributo como “toda prestação pecuniária compulsória, emmoeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, 1966, s.p.)”. Além disso, o CTN divide o tributo em três espécies, conforme seu art. 5º: “os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria (CTN, 1966, s.p.)”. Segundo CTN em seu art. 16, os impostos podem ser definidos como “o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independentemente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte (CTN, 1966, s.p.).” De acordo CTN, em seu art. 77, as taxas: cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição (CTN, 1966, s.p.). De acordo CTN, em seu art. 81, contribuição de melhorias: A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado (CTN, 1966, s.p.). 3.2.1.2.2 Origem de receitas de contribuições Essas receitas estão ligadas a ingressos provenientes da seguridade social, além de contribuições para iluminação pública, dentre outros. Contribuições sociais: essas receitas estão ligadas ao custeio da seguridade social. Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico: esse tipo de receita afeta um determinado setor da economia, com sua finalidade qualificada pela Constitucionalidade e estabelecida por um motivo específico. Contribuições para Serviços de Iluminação Pública: são receitas, cujo principal objetivo é custear os serviços de iluminação pública. Contribuições de Interesse das Categoriais Profissionais: são receitas provenientes de contribuições de determinadas classes profissionais, para as quais contribui a sua entidade instrutora, por exemplo, CRM. 43 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3.2.1.2.3 Demais Origens Receita Patrimonial: são receitas provenientes de investimentos, ou seja, rendimentos de investimentos sobre algum ativo. Receita agropecuária: são receitas provenientes das atividades agropecuárias, de origem animal ou vegetal. Receita Industrial: são receitas provenientes das atividades industriais, conforme a classificação do IBGE. Receita de serviços: são receitas provenientes da prestação de serviços. Exemplo: Transporte. Transferência Corrente: são receitas provenientes de transferência entre partes, com o objetivo de aplicar em despesas correntes. Outras receitas correntes: são receitas provenientes de origens não classificadas anteriormente. 3.2.1.2.4 Origens Receita Capital Operação de crédito: são receitas provenientes da colocação de títulos públicos ou contratação de crédito de terceiros (empréstimo ou financiamento), podendo ser interno ou externo e passíveis de serem obtidas junto a empresas do setor público ou do setor privado. Alienação de bens: são receitas provenientes das alienações de bens móveis ou imóveis do poder público. Amortização de Empréstimos: são receitas provenientes dos retornos de empréstimos pagos ao poder público. Transferência de capital: são receitas provenientes de transferência entre parte, com o objetivo de aplicar em despesas de capital. Outras receitas correntes: são receitas provenientes de origens não classificada anteriormente. 3.2.1.3 Espécie Nesta etapa é realizada uma classificação de acordo com a origem, qualificando melhor o fato gerador dessas receitas, por exemplo, origem tributária espécie impostos. 44 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3.2.1.4 Rubrica Nesta etapa é realizado um detalhamento da espécie, ou seja, a rubrica tem como objetivo especificar a espécie. 3.2.1.5 Alínea Nesta etapa, a rubrica é qualificada, podemos dizer que alínea é onde é apresentado o nome receita. 3.2.1.6 Subalínea Essa é a etapa mais analítica da receita, e na qual consta o seu valor. 3.2.1.7 Detalhamento de código Esta etapa é facultativa e é o sétimo nível. Ela é utilizada quando não há detalhamento claro do código. Geralmente, esse detalhamento ocorre na alínea e subalínea, mas caso o governo julgue necessário poderá usar um novo código nesse nível. Vejamos um exemplo de detalhamento de código. Tabela 6 – Detalhamento do Código 1112.04.10 1 Categoria Econômica Receitas Correntes 1 Origem Receitas Tributárias 1 Espécie Impostos 2 Rubrica Imposto sobre Patrimônio e a Renda 04 Alínea Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza 10 Subalínea Pessoas Físicas Detalhamento do código Não Há. Fonte: Adaptado Mendes, 2015 3.2.2 Classificação por fontes Podemos dizer que a classificação por fontes de recursos é composta por três dígitos. O primeiro consta o grupo das fontes de recursos, o segundo e o terceiro apresentam as especificações desses recursos. 45 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Tabela 7 – Grupo de Fontes de Recursos Primeiro Dígito 1 - Recursos do Tesouro – exercício corrente 2 - Recursos de outras fontes – exercício corrente 3 - Recursos do Tesouro – exercício anteriores 6 – Recursos de outras fontes – exercício anteriores 9 – Recursos condicionados Fonte: Mendes, 2015 Recursos do tesouro: são gerenciados de forma centralizada pelo Executivo, ou seja, o Executivo tem a responsabilidade de controlar a disponibilidade desse recurso. Recursos de outras fontes: esses recursos são gerenciados de forma descentralizada, o que significa que sua arrecadação e seu controle estão sobre as entidades e os órgãos arrecadadores. Exercício corrente ou exercícios anteriores: conforme o próprio nome informa, são as segregações entre recursos arrecadados anteriormente ou dentro desse exercício. Recursos condicionados: são recursos previstos na receita orçamentária, contudo, necessitam da aprovação do legislativo para integrar os recursos. Vejamos um exemplo de classificação por fontes, fonte 152: Recursos do Tesouro – exercício corrente (1); resultado do Banco Central (52). 3.2.3 Classificação por identificador de resultado primário Podemos classificar as receitas, ainda, como primárias ou financeiras. Receita primária é quando seu valor é incorporado na apuração do resultado primário. Por outro lado, consideram-se receitas financeiras aquelas que não são apuradas no resultado primário. Exemplo de receitas financeiras: receitas provenientes de privatização. Exemplo de receita primária: receitas provenientes de tributos. 3.2.4Classificação pela forma de ingresso De acordo com a forma de ingresso, as receitas podem ser classificadas em orçamentárias e extraorçamentárias. 46 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Orçamentárias: são receitas que integram o Patrimônio Público e são utilizadas para custear os gastos públicos. Extraorçamentárias: são receitas que não estão previstas no orçamento público, são passivos exigíveis do ente, ou seja, seu pagamento não necessita de autorização prévia do legislativo. 3.2.5 Outras Classificações Além das classificações estudadas, as receitas ainda podem ser classificadas em quatros grupos. O primeiro grupo é dado de acordo com sua procedência, podendo ser classificado em originárias ou derivadas. As originárias são receitas provenientes do setor privado, economia ou direito privado. As derivadas são receitas provenientes do setor público, economia ou direito público. O segundo grupo é o poder de tributação, no qual as receitas são classificadas de acordo com o poder de tributar dos entes federativos e distribuídas conforme seu ente federativo. O terceiro grupo é de afetação patrimonial, podendo ser classificado em efetivas ou não efetivas. As receitas efetivas aumentam o patrimônio líquido. As não efetivas, por sua vez, não alteram o patrimônio público. E por fim, temos o quarto grupo que é classificado de acordo com sua periodicidade, podendo ser ordinárias e extraordinárias. Ordinárias: são receitas regulares, ou seja, aquelas que ocorrem em cada exercício financeiro, por exemplo, IPVA. Extraordinárias: são receitas que não integram o orçamento, podendo ocorrer de forma eventual, por exemplo, doação. PARA SABER MAIS! Dívida Ativa: podemos dizer que a dívida ativa é uma espécie de crédito público, previsto na Lei nº 4.320/64. Taxa vs. Preço Público: Preço público é uma receita proveniente da intervenção do Estado na atividade econômica, podemos dizer que o preço público é facultativo e visa o lucro. Por outro lado, a taxa tem como principal objetivo o ressarcimento e está inserida no patrimônio público, além disso, é obrigatória. 47 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3.3 Despesa Pública Entende-se por despesas públicas a aplicação de recursos financeiros por meio de uma autorização legislativa. Podemos dizer que as despesas públicas têm um papel fundamental na Gestão Pública, pois, por meio das despesas, conseguimos mensurar a qualidade dos gastos públicos, bem como estabelecer seus limites por meio de legislação. 3.3.1 Estrutura da Programação Orçamentária da Despesa A estrutura da programação orçamentária da despesa é dividida em programação qualitativa e programação quantitativa. Programação qualitativa (figura 13) tem como objetivo responder de forma clara as perguntas básicas do ato de orçar. Por outro lado, a programação quantitativa tem como objetivo definir a quantidade de bens e serviços a serem entregues (dimensão física – figura 11) e quantificar o montante necessário para desenvolver a ação orçamentária (dimensão financeira – figura 12). Figura 11 – Programação Quantitativa – Dimensão Física Fonte: Manual Técnico de Orçamento - MTO, 2018 Figura 12 – Programação Quantitativa – Dimensão Financeira Fonte: Manual Técnico de Orçamento, 2018 48 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 13 – Programação Qualitativa Fonte: Manual Técnico de Orçamento, 2018 Vejamos um exemplo de estrutura da programação orçamentária da despesa na figura 14. Figura 14 – Código-Exemplo da Estrutura Completa da Programação Fonte: Manual Técnico de Orçamento, 2018 49 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3.3.2 Classificação da Despesa por Esfera Orçamentária Na Lei Orçamentária Anual, a esfera orçamentária tem como objetivo identificar se o orçamento é fiscal, seguridade social ou investimento das empresas estatais, conforme consta no § 5º do art. 165 da CF. “Orçamento Fiscal – F (código 10): referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público” (MTO, 2018, p. 34); “Orçamento da Seguridade Social – S (código 20): abrange todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público” (MTO, 2018, p. 34); “Orçamento de Investimento – I (código 30): orçamento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto” (MTO, 2018, p. 34). 3.3.3 Classificação Institucional Podemos dizer que a classificação institucional está ligada às estruturas organizacionais e administrativas, podendo ser compreendida em dois níveis, sendo eles: órgão orçamentário e unidade orçamentária. A classificação institucional possui um código composto por cinco dígitos, sendo os dois primeiros para identificação do órgão orçamentário e os três últimos para identificação das unidades orçamentárias, conforme se observa na figura 15: Figura 15 – Código Classificação Institucional Fonte: MTO, 2018 3.3.4 Classificação Funcional Podemos dizer que a classificação funcional busca responder em que área a despesa será realizada, sendo composta por função e subfunção. A classificação funcional possui um código composto por cinco dígitos, sendo os dois primeiros para 50 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. identificação da função e os três últimos para identificação das subfunções. Vejamos a figura 16: Figura 16 – Código Classificação Funcional Fonte: MTO, 2018 Entende-se por função as atuações do setor público, por exemplo, educação e saúde. Entende-se por subfunção a atuação governamental inferior ao agregado de função. Vejamos alguns exemplos na figura 17: Figura 17 – Exemplos Função e Subfunção Fonte: MTO, 2018 3.3.5 Estrutura Programática O governo estrutura programas com o intuito de atingir seus objetivos definidos no PPA. Os programas são divididos em dois grupos: Programa Temático e Programa de Gestão, Manutenção e Serviços ao Estado. Entende-se por programa temático, os programas que são orientados para a entrega de bens e serviços para a nação. Entende-se por Programade Gestão, Manutenção e Serviços ao Estado, os conjuntos de ações que visam apoiar a gestão, a atuação governamental, ou seja, as iniciativas não tratadas no programa 51 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. temático. Observamos na figura 18, a integração do PPA com as ações orçamentárias. Figura 18 – Integração das ações orçamentárias com o PPA Fonte: MTO, 2018 As ações orçamentárias podem ser classificadas conforme as suas características, podendo ser de Atividade: mecanismos utilizados de forma contínua para atingir o objetivo do programa; de Projeto: mecanismos utilizados de forma eventual para atingir o objetivo do programa; ou de Operação especial: são despesas que não têm contribuição no aperfeiçoamento, expansão ou manutenção das ações governamentais. 3.3.6 Plano Orçamentário Plano Orçamentário – PO é uma identificação orçamentária, de caráter gerencial (não constante da LOA), vinculada à ação orçamentária, que tem por finalidade permitir que, tanto a elaboração do orçamento quanto o acompanhamento físico e financeiro da execução, ocorram num nível mais detalhado do que o do subtítulo/localizador de gasto (MTO, 2018, p. 47). . O plano orçamentário pode se apresentar de quatro maneiras, sendo elas: “Produção pública intermediária: quando identifica a geração de produtos ou serviços intermediários ou a aquisição de insumos utilizados na geração do bem ou serviço final da ação orçamentária” (MTO, 2018, p. 48). 52 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. “Etapas de projeto: quando representa fase de um projeto cujo andamento se pretende acompanhar mais detalhadamente” (MTO, 2018, p. 48). “Mecanismo de acompanhamento intensivo: quando utilizado para acompanhar um segmento específico da ação orçamentária” (MTO, 2018, p. 49). “Funcionamento de estruturas administrativas descentralizadas: quando utilizado para identificar, desde a proposta orçamentária, os recursos destinados para despesas de manutenção e funcionamento das unidades descentralizadas” MTO, 2018, p. 49). 3.3.7 Classificação das Despesas Tabela 8 – Classificação das Despesas Quanto à Natureza Despesas orçamentárias: As despesas orçamentárias são aquelas previstas no orçamento, ou seja, despesas fixadas na lei orçamentária. Despesas extraorçamentárias: são aquelas de exercícios anteriores e que não precisam de autorização prévia. Quanto à categoria econômica Despesas correntes: são despesas que não contribuem para aquisição de bens capitais. Divididas em dois grupos: Despesas de Custeio e Transferências Correntes. Despesas de capital: são despesas que contribuem para aquisição de bens capitais. Divididas em três grupos: Investimentos, Inversões financeiras e Transferências de capital Quanto à Afetação Patrimonial Despesas efetivas: são aquelas que impactam o balanço patrimonial, gerando uma redução líquida. Despesas não efetivas: são aquelas que não impactam o balanço patrimonial. Quanto à Regularidade Ordinárias: são as despesas “fixas”, ou Extraordinárias: são despesas de caráter 53 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. seja, para manutenção das atividades públicas. esporádico. Quanto à Competência Institucional Federal: despesas que competem à União. Estadual: despesas que competem ao Estado. Municipal: despesas que competem ao Município. Fonte: elaborado pelo autor, 2019. INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS MENDES, Sérgio. Administração Financeira e Orçamentária: teoria e questões. 5. ed. São Paulo: Método, 2015. CREPALDI, Guilherme Simões; CREPALDI, Silvio Aparecido. Orçamento Público: planejamento, elaboração e controle. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. 54 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: [s. n.], 1988. BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Código Tributário Nacional, Brasília, 25 out. 1966. BRASIL. Manual Técnico de Orçamento. Brasília: [s. n.], 2018. Disponível em: http://www.planejamento.gov.br/assuntos/orcamento-1/informacoes- orcamentarias/arquivos/MTOs/mto_atual.pdf. Acesso em: 15 ago. 2019. CREPALDI, Guilherme Simões; CREPALDI, Silvio Aparecido. Orçamento Público: planejamento, elaboração e controle. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=m4VnDwAAQBAJ&pg=PT15&dq=or%C3%A7 amento+p%C3%BAblico&hl=pt- BR&sa=X&ved=0ahUKEwj9moG5mIbkAhVqGbkGHaQuA7wQ6AEIODAD#v=onepag e&q=or%C3%A7amento%20p%C3%BAblico&f=false. Acesso em: 9 ago. 2019. GASPARI, Adriana. Orçamento Público Para Concursos. Salvador: [s. n.], 2017. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=9g96DwAAQBAJ&printsec=frontcover&dq=or %C3%A7amento+p%C3%BAblico&hl=pt- BR&sa=X&ved=0ahUKEwj9moG5mIbkAhVqGbkGHaQuA7wQ6AEIKTAA#v=onepag e&q=or%C3%A7amento%20p%C3%BAblico&f=false. Acesso em: 9 ago. 2019. MENDES, Sérgio. Administração Financeira e Orçamentária: teoria e questões. 5. ed. São Paulo: Método, 2015. NASCIMENTO, Edson Ronaldo. Gestão Pública. São Paulo: Saraiva, 2014. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=KDpnDwAAQBAJ&printsec=frontcover&dq=ge st%C3%A3o+p%C3%BAblica&hl=pt- BR&sa=X&ved=0ahUKEwjohaf6mYbkAhWdGbkGHd4eDcsQ6AEISzAG#v=onepage &q=gest%C3%A3o%20p%C3%BAblica&f=false. Acesso em: 10 ago. 2019. http://www.planejamento.gov.br/assuntos/orcamento-1/informacoes-orcamentarias/arquivos/MTOs/mto_atual.pdf http://www.planejamento.gov.br/assuntos/orcamento-1/informacoes-orcamentarias/arquivos/MTOs/mto_atual.pdf