DJi - Democracia representativa e democracia semidireta
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DJi - Democracia representativa e democracia semidireta


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comunidade nos Estados Unidos ocorreu no Oregon em 1904. E uma das razões
para o seu fortalecimento recente é que as pessoas estão exigindo maior prestação de contas. O aumento
desses projetos, juntamente com o plebiscito e o recall (que permite aos eleitores revogarem o mandato de
um representante eleito e que é legal em doze Estados), representa uma exigência inequívoca de partes dos
eleitores de prestação de contas do governo. Estes novos dispositivos, instrumentos-chaves na nova
democracia participativa, permitem às pessoas passar por cima dos processos representativos tradicionais e
moldar o sistema político com suas próprias mãos" (Megatendências, Livros Abril-Círculo do Livro, 1982,
pp. 162-163).
 Com a atual CF a iniciativa popular passou a existir, também no Brasil, mediante os arts. 1º, parágrafo
único, 61, caput, e § 2º, que dispõem: "Art. 1º... Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Art. 61. A
iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal ou, do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo
Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e
nos casos previstos nesta Constituição... § 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à
Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional e
distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada
um deles".
 Veto popular: do latim vetare, proibir, impedir, o veto popular significa a rejeição, pelo povo, de uma
medida governamentaL. Pode ocorrer no plebiscito ou no referendo. No Brasil, o veto é prerrogativa dos
chefes do Poder Executivo, como o Presidente da República, que pode vetar, total ou parcialmente, os
projetos de lei aprovados pelo Legislativo (CF, arts. 66, §§ 1º e 2º, e 84, VI), embora, com amparo no Art.
14, as coletividades que não desejarem ser elevadas a município, possam vetar esta medida.
Recall: O termos recall significa revogar, reparar, anular, e é esta, verdadeiramente, sua finalidade, permitir
que o eleitorado possa destituir, em manifestação direta, um órgão público que tenha afrontado a confiança
do povo e a dignidade do cargo.
 Nem o Poder Judiciário escapa ao raio de ação do recall, adotado em doze Estados da Federação norte-
americana. Como assinala, oportunamente, Darcy Azambuja, se com o referendum o povo americano pode
inutilizar certas leis, contrárias ao interesse coletivo, e com a iniciativa popular pode obrigar o Legislativo a
fazer leis socialmente úteis, uma outra forma, arrojada e singular, de democracia semidireta lhe permite anular
a ação dos juízes, quando estes, alegando o vício de inconstitucionalidade, se negam aexecutar certas leis
oriundas da iniciativa popular. É o recall das decisões judiciárias.
 Quando um juiz se nega a aplicar uma lei, por julgá-la inconstitucional, a maioria dos eleitores pode anular
a decisão, declarar inconstitucional a lei e obrigar a sua aplicação. Isso se dá - prossegue Azambuja -
principalmente em relação à legislação social que, segundo muitos autores americanos - a magistratura eletiva
de vários Estados tem entravado, por imposição do capitalismo que a elege. É, sem dúvida - finaliza - uma
forma audaciosa e perigosa, mas a única arma que o povo americano encontrou para combater um perigo
muito maior - a elegibilidade dos juízes.
 Theodore Roosevelt foi, a partir de 1912, o pioneiro na invocação do recall quanto às decisões
judiciárias, sendo o instituto adotado, modernamente, nos Estados do Oregon e da Califórnia. Não se aplica,
em nenhuma hipótese, às decisões da Suprema Corte.
William Bennett Munro, citado por Wilson Accioli, in Teoria Geral do Estado, Rio de Janeiro, Forense,
1985, p. 321, caracteriza magistralmente o recall dos cargos eletivos, assim: "Comumente vinculado à
democracia semidireta está o recall. Ele pode ser definido como o direito de um determinado número de
eleitores solicitar destituição imediata de um governador ou de qualquer outro detentor de cargo eletivo, e
obter que seu pedido seja submetido aos eleitores para que estes possam decidir. Uma petição destetipo,
estabelecendo as razões indicadoras da ação pretendida, é redigida e posta em circulação para receber as
assinaturas; quando suficientes assinaturas (usualmente um número igual a cinco por cento do eleitorado
registrado) forem obtidas, a petição é submetida às próprias autoridades que, em razão disso, ordenam uma
eleição para decidir sobre a matéria. Se a maioria dos eleitores se pronuncia em favor do recall, o funcionário
é destituído imediatamente; do contrário, ele continua no cargo. Ao contrário do impeachment, que é um
procedimento semijudicial normalmente usado para livrar o governo de um funcionário culpado de
atoscriminosos, o recall é um instrumento político indicado para assegurar a mais rigorosa responsabilidade
funcional ao eleitorado. Permite ao povo destituir qualquer detentor de cargo público que deixou de atender
à sua confiança. Torna a responsablidade funcional permanente e direta. Por outro lado, o recall é um
instrumento que pode, de modo fácil, ser usado erradamente. Mas ele tem sido, de fato, muito pouco usado.
Desde sua introdução, em 1908, apenas um governador e uma meia dúzia de outros importantes funcionários
estatais foram destituídos, o que parecia indicar que é geralmente visto como uma arma a ser mantida de
reserva, mais para uma emergência do que para o uso mais intenso" (The Government of United States, New
York, The MacMillan Company, 1959, p. 672). Entretanto, assinala Darcy Azambuja, o recall tem obtido,
ultimamente, larga aplicação em alguns estados norte-americanos, sendo seus alvos os órgãos dos três
Poderes da União. Um percentual de 20 a 25% do total de eleitores de cada Estado requer que o órgão seja
submetido ao recall. O recalled pode apresentar-se à reeleição, juntando à cédula do voto sua defesa. Se
reeleito, os peticionários do recall devem reembolsar o acusado das despesas feitas com a eleição, para o
que, aliás, presta, previamente, caução.
 Mandato imperativo: o mandato imperativo é o vínculo jurídico que liga o representante do povo aos seus
próprios eleitores, de modo que estes, na forma da lei, podem rescindir, dissolver esta ligação, em caso de o
candidato eleito não estar correspondendo aos anseios do eleitorado. Surgido por volta do século IX, na
Espanha, o mandato imperativo teve seu apogeu na França, até 1601, quando apareceu na voragem do
absolutismo nascente. Com o surgimento da chamada democracia representativa, desfez-se, sob o impacto
da doutrina de Siéy_s, o vínculo jurídico existente entre representantes e representados, porque o "mandato"
político referir-se-ia a toda a nação, e não apenas ao corpo eleitoral e, em face disto, a responsabilidade dos
parlamentares apurar-se-ia tão-somente nos casos rigidamente instituídos pela constituição.
 Embora empregado a partir de então, o termo mandato não casa bem com democracia representativa.
Vejamos: a expressão mandato vem do latim mandatum, espécie de pacto que, como já vimos no estudo da
democracia representativa, reforçado pela vinculação jurídica, portanto obrigatória, entre mandante e
mandatário. Tem, evidentemente, natureza contratual, consensual, e não institucional, como ocorre no
mandato político, cuja denominação correta seria, investidura. Abolido violentamente pelo furor
revolucionário na França, o mandato imperativo vai, aos poucos, retornando à prática política, menos por
suas virtudes intrínsecas, do que pela inegável desmoralização da representação política cunhada pela liberal-
democracia.
 Adotado em várias Constituições socialistas, como a soviética (arts. 104 e 107), a tchecoslovaca (Art.
4º), a albanesa (Art.