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MICROCORENTES Profa. Ma. Tânia Mara Ruivo MENS - Micro Electro Neuro Stimulation é o nome pelo qual se conhece a microcorrente, que, como o próprio nome sugere, é uma corrente de intensidade muito pequena, na faixa de microamperes. Definição A técnica de microcorrentes é uma terapia eletrostética que se baseia na aplicação de uma corrente elétrica por meio de eletrodos colocados na pele, sendo a polaridade revertida periodicamente. O termo “micro” é usado por causa da baixa amperagem utilizada quando se compara com outros tipos de correntes. Nesse caso, a técnica usa intensidade na faixa de microampères (μA) (BELL, 2013). A ideia por trás dos tratamentos usando microcorrentes é o fato de estas mimetizarem (imitarem) as correntes elétricas do corpo, sendo, por isso, con-sideradas um tipo de corrente elétrica fisiológica. As células encontradas no nosso corpo podem ser comparadas a baterias com correntes elétricas dentro da faixa de microamperagem (LAMBERT; BURGESS, 2004). Os tratamentos realizados com microcorrentes costumam ser bastante agradáveis, pois o cliente não sente nenhum tipo de desconforto. É uma técnica que causa desconforto mínimo, pois a baixa intensidade de corrente elétrica não é capaz de estimular fibras nervosas sensitivas, sendo classificadas como subsensorial (SOARES, 2012). Segundo Borges (2010), as microcorrentes têm atuação profunda, atingindo músculo, atuam na diminuição da dor e aceleram o processo de reparação tecidual. Estudos mostram que tratamentos com as microcorrentes ajudam a restabelecer a bioeletricidade dos tecidos após uma lesão, favorecendo o reparo. Efeito Eletrofisiológico No tecido saudável, a função bioelétrica está regulada. Entretanto, quando ocorre lesão, essa função bioelétrica muda, pois vai levar a um desbalanço da diferença de potencial elétrico, acarretando em perda da homeostase tecidual. A terapia de microcorrentes reestabelece o equilíbrio elétrico normal das células por meio de uma eletroestimulação externa ao corpo do cliente, levando a um retorno mais rápido das suas funções biológicas (HARIKRISHNA, 2018). Os efeitos eletrofisiológicos das microcorrentes na região lesionada irão promover aumento do fluxo de corrente tecidual de forma que ocorra recuperação do potencial elétrico alterado com a lesão. O resultado será um significativo aumento do ATP celular com regulação das funções celulares perdidas. CICATRIZAÇÃO O decréscimo do fluxo elétrico gerado pelo traumatismo diminui a função tecidual e, como consequência, a função de cura da lesão. O estímulo das microcorrentes leva os elétrons a reagir com as moléculas de água, induzindo a formação de ATP dentro da célula. O tecido lesionado é pobre em ATP e tem diminuição do suprimento sanguíneo, com consequente queda nos níveis de oxigenação e nutrição. A terapia com microcorrentes aumenta a síntese de ATP e o transporte de aminoácidos, estimulando a síntese proteica e favorecendo a regeneração tecidual. O aumento de ATP através da utilização de microcorrentes é da ordem de 500%, e o aumento da síntese de proteínas gira em torno de 30 a 40% SISTEMA LINFÁTICO As microcorrentes também agem sobre o sistema linfático, aumentando a mobilização de proteínas para dentro dos vasos linfáticos, de onde são devolvidas para o sangue. Ocorre aumento da eliminação de líquidos com diminuição do edema nos processos de cicatrização. EFEITOS SOBRE A PELE Alguns autores sugerem a utilização das microcorrentes no polo positivo para cicatrização tecidual e no polo negativo para inibição do crescimento bacteriano (função bactericida). A estimulação dos tecidos por corrente elétrica, é a base dos tratamentos que fazemos para “levantar” as estruturas da pele do nosso cliente. Esses tratamentos são conhecidos como lifting ou eletrolifting. É importante salientar que as microcorrentes não devem ser utilizadas para permear ativos, já que não apresentam capacidade de ionização. Técnica de Aplicação Higienizar a área tratada aplicando-se, em seguida, o gel condutor. É possível realizar a aplicação dos eletrodos de forma estática ou dinâmica de acordo com o equipamento. Na primeira, os eletrodos ficam em pontos fixos na região a ser tratada. Já no segundo caso, movimentam-se os eletrodos por meio de movimento semelhante à massagem. É importante que os eletrodos fiquem em contato com a pele do cliente o tempo todo, pois o estabelecimento da corrente elétrica demora alguns segundos para acontecer. Quanto à polaridade Os parâmetros de utilização dependem da patologia estética. Usamos a positiva para efeito de sedação, e a negativa para efeito de estimulação. A polaridade negativa também tem efeito bacteriostático. Polaridade negativa Áreas de pós-operatório de cirurgias plásticas para evitar contaminação. Protocolos de tratamento para acne. Inversão de polaridade Eletrolifting: técnicas de revitalização/rejuvenescimento Tratamento do FEG Quanto aos parâmetros de utilização Protocolo pós-operatório de cirurgias plásticas, em que ainda há edema e feridas, o modo estático. Na etapa de normalização, frequências em torno de 100 Hz e intensidade de 500 μA durante aproximadamente 30 minutos; Na etapa de bioestimulação, a frequência é de 1 Hz e a intensidade de 50 μA por 30 minutos. Protocolos de rejuvenescimento, flacidez dérmica e estrias o modo dinâmico. Idem ao anterior os parâmetros de frequência e intensidade na normalização e na bioestimulação. O tempo de duração do procedimento é menor, sendo sugeridos 10 minutos de aplicação para cada hemiface. Em áreas corporais, esse tempo pode aumentar ou é possível dividir as regiões em quadrantes usando tempos menores. Protocolos de fibroedema gelóide: modo dinâmico Frequências que variam de 100 a 200 Hz, intensidade de 200 a 300 μA e tempo de duração em torno de 5 minutos em áreas com tamanho de 20 cm2 As microcorrentes também podem ser usadas para tratamento de olheiras sanguíneas, que apresentam coloração roxa e acúmulo de hemoglobina, bem como olheiras vasculares, que são edematosas com cor azulada. Os parâmetros para melhorar edemas e microcirculação local. Frequência = 100 a 200 Hz Intensidade = 200 a 300 μA Finalização Ao final do procedimento, deve-se fazer a limpeza dos eletrodos com agente desinfetante, como álcool 70% ou clorexedine. Essa técnica pode ser realizada uma vez na semana, totalizando pelo menos 10 sessões, visto que os efeitos biológicos das microcorrentes são cumulativos. Indicações » Regeneração celular (revitalização cutânea) » Reparo tecidual (processos de cicatrização) » Tratamentos para rugas e linhas de expressão » Tratamentos para estrias » Tratamentos pré e pós-cirúrgicos » Tratamentos para flacidez tissular (aumento da síntese de colágeno) » Tratamentos pós-peeling para estimular a regeneração da pele » Tratamentos de acne (ações anti-inflamatória, bactericida e cicatrizante) » Tratamentos para prevenção do envelhecimento cutâneo Contraindicações » Neoplasias » Gestantes » Presença de marca-passo » Insuficiência cardíaca » Insuficiência renal » Hipertensão descompensada » Infecções » Pinos ou placas metálicas no corpo » Osteomielite