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CRISTO FACULDADE DO PIAUÍ – CHRISFAPI CURSO DE BACHARELADO EM ODONTOLOGIA DISCIPLINA: DENTÍSTICA I BLOCO IV PROFESSORA: HELLEN SÂMIA Manual de Aulas Práticas Fonte: Manual de Dentística I da UNESP - 2010 2 APRESENTAÇÃO Para o exercício da Dentística é necessário que se tenha um conceito bem definido de preparo de cavidades e de restaurações, além de habilidade manual razoavelmente desenvolvida. Este treinamento preliminar e indispensável é dado pela Disciplina de Dentística Operatória, onde os trabalhos são realizados em manequins, em blocos de gesso e resina. Os exercícios apresentados neste Roteiro de Aulas Práticas procuram oferecer situações variadas e próximas da realidade a ser encontrada posteriormente na clínica, além de treiná-los o máximo possível para que, no próximo ano, sintam-se seguros para atender os primeiros pacientes. O objetivo deste manual não é esgotar os assuntos referentes à Dentística, mas apenas orientar os alunos durante as atividades práticas diárias. Desta maneira, a complementação da parte teórica deverá incluir consultas a livros, revistas e periódicos de circulação recente e de autores consagrados no meio odontológico, além da participação efetiva em todas as aulas teóricas. Com a finalidade de treinamento e desenvolvimento das habilidades manuais serão realizados preparos cavitários executados, quase na sua totalidade, com equipamentos de baixa rotação e instrumentos manuais. Complementando o treinamento, alguns dentes naturais serão preparados com equipamento de alta velocidade, simulando as condições clínicas e propiciando ao aluno avaliar as diferentes possibilidades de corte. Com o treinamento oferecido e a participação efetiva e consciente dos alunos, conseguiremos que todos cheguem a uma condição média de trabalho, compatível com as necessidades das atividades dos próximos anos. Bom proveito e felicidades!! 3 1 INSTRUMENTAL EM DENTÍSTICA Este capítulo tem por objetivo ajudar o aluno a reconhecer os instrumentos solicitados na lista de materiais, facilitando, desta forma, a sua aquisição e manipulação. 1.1 Instrumentos manuais diversos Espelho Clínico Pinça Clínica Sonda exploradora dupla Espátula de inserção n°1 4 Escavadores de dentina ou curetas Vista da ponta ativa Pinça Müller para carbono Aplicador de Cimento de Hidróxido de Cálcio Duplo 1.2 Instrumentos para restaurações em amálgama Condensadores de Ward 5 Esculpidores de Hollenback Esculpidor discóide e cleoide Esculpidores de Frahn Brunidores para amálgama 29 e 33 Brunidor de Hollenback n°6 3S 6 1.3 Instrumentos cortantes manuais Machado bi-angulado para esmalte 14/15 Recortadores de margem gengival 28 e 29 7 1.4 Instrumental acessório Perfurador de Ainsworth Pinça de Palmer Porta Amálgama Pinça hemostática tipo mosquito de ponta curva 8 Tesoura íris reta de ponta afilada Porta matriz tipo Tofflemire (A fenda apontada pela seta e o longo eixo do instrumento devem formar um ângulo de 90°) 24 A Espátulas número 22 e 24 (RÍGIDA) Alicate de bico chato e alicate para rebite Cabo para bisturi n°3 22 9 Grampos cervicais para isolamento absoluto. Arco de Ostby Pote Dappen 1.5 Grampos cervicais para isolamento Os grampos apresentados a seguir permitem a resolução da grande maioria das situações clínicas diárias. O grampo 200 foi idealizado para molares inferiores. O 202 também é recomendado para molares inferiores, sobretudo os volumosos. O grampo 205 é recomendado para molares superiores. O grampo 14A foi idealizado para molares não completamente irrompidos, nos quais o equador do elemento dental se encontra recoberto pelo tecido gengival, ou para dentes severamente destruídos. O grampo 207 é recomendado para pré- molares superiores e inferiores, enquanto o 209 é indicado principalmente para pré-molares inferiores. O grampo 210 é indicado para incisivos, caninos e, em alguns casos, também para pré-molares. O grampo 212M é utilizado para o tratamento de lesões localizadas na região cervical vestibular de pré-molares, caninos e incisivos, agindo como um retrator do tecido gengival. 10 1/2 1 2 4 6 245 57 33 1/2 34 329 330 169 1/2 1 2 4 6 56 33 1/2 34 1.6 Instrumentos rotatórios A seguir estão apresentadas as brocas e pontas diamantadas que serão utilizadas nos procedimentos de preparo cavitário. Kit de brocas carbide para alta rotação Kit de brocas carbide para contra-ângulo 11 1090 A 1091A 1092A 1342 1061 3070 2134 2135 3193 1031 1032 1033 1011 1012 1013 1149 1150 1141 2143 2137 Kit de pontas diamantadas para alta rotação Pontas diamantadas douradas para acabamento de resina composta 12 Adaptador p/ baixa rotação Mandril para contra ângulo Escova de Robinson plana Escova de Robinson cônica Taça de borracha Cone de Borracha Brocas Multilaminadas (12 lâminas) para acabamento de amálgama Instrumentos diversos Kit de borrachas abrasivas para polimento de resina composta 13 Kit de borrachas abrasivas para polimento de amálgama (marrom, verde e azul) 1.7 Peças de mão Caneta de alta rotação Contra-ângulo Micro-Motor 14 2 AFIAÇÃO DOS INSTRUMENTOS MANUAIS É comum que os instrumentos cortantes venham a apresentar uma queda em sua eficiência com o passar do tempo. Isso ocorre devido à perda de sua afiação em virtude do atrito da lâmina com os tecidos duros. Portanto, para que possamos tirar o máximo de desempenho destes instrumentos é fundamental que façamos uma afiação em tempos regulares ou sempre que necessário. A afiação pode ser mecânica ou manual. A afiação manual é realizada utilizando uma pedra abrasiva de óxido de alumínio plana de granulação extra fina, com dimensões aproximadas de 2,5cm X 12,5cm, lubrificada com uma fina camada de um óleo bem fluido. Inicialmente deve-se posicionar o bisel do instrumento sobre a pedra na angulação correta, evitando alterá-lo, como se observa na Figura 5.1. Figura 5.1 – Preservação do bisel durante a afiação. O instrumento deve ser segurado firmemente e, em seguida, deve-se movimentar a pedra mantendo o instrumento parado, conforme pode ser visualizado na Figura 5.2. A movimentação da pedra permite que o ângulo de desgaste seja mantido com mais exatidão. Para que a movimentação da pedra se torne mais fácil é conveniente colar em sua porção inferior uma lâmina de madeira com as mesmas dimensões. Figrua 5.2 – Movimentação da pedra. 15 Por outro lado, pode-se optar também em manter a pedra parada e movimentar o instrumento, conforme mostrado na Figura 5.3. Figura 5.3 – Movimentação do instrumento. Deve-se posicionar o instrumento de forma que o seu bisel toque firmemente a pedra. O movimento deve ocorrer no sentido da borda cortante, como evidenciado na Figura 5.4. Durante o movimento de retorno, nenhuma pressão deve ser exercida, de forma a otimizar o grau de afiação a ser conseguido. Figura 5.4 – Movimentação no sentido da borda cortante Durante esse procedimento, é importante que a angulação do bisel do instrumento seja verificada e seja mantida correta. Os biséis devem ser mantidos em cerca de 45° com a face da lâmina, conforme observado na Figura 5.5. Figura 5.5 - A - o ângulo é muito grande, o que resulta em pequena eficiência de corte. B - o ângulo está correto. C – o ângulo é muito agudo, o que pode resultar num embotamento prematuro pelo amassamento do fio de corte da lâmina. 16 Os instrumentos que apresentam lâminas curvas,como os esculpidores de Hollemback ou o cleóide devem ser afiados girando-se a mão em arco, de forma a rodar a lâmina sobre a pedra, ao mesmo tempo em que se faz o movimento do instrumento sobre ela, conforme mostrado na Figura 5.6 Figura 5.6 – Afiação de instrumentos com lâminas curvas. Para a afiação mecânica pode-se utilizar discos abrasivos como os de carborundum ou pedras montadas. É importante lembrar que a angulação do bisel deve sempre ser mantida (Figura 5.7). Figura 5.7 – Afiação mecânica. 17 Os instrumentos que possuem um dos lados convexo e o outro plano, como as curetas de dentina e o esculpidor cleóide, podem ser afiados utilizando pedras montadas, como mostrado na Figura 5.8, realizando o desgaste na parte plana. Figura 5.8 – Afiação com pedras montadas. A qualidade da afiação conseguida pode ser testada raspando o instrumento sobre a unha. Se raspas forem removidas é sinal que a afiação foi satisfatória (Figura 5.9). Figura 5.9 – Teste da qualidade da afiação. 18 3 FORMAS DE PREENSÃO DOS INSTRUMENTOS MANUAIS E PONTOS DE APOIO 3.1 FORMA DE PREENSÃO A - Dentes inferiores - forma de caneta modificada (Figura 7.1 ). B - Dentes superiores do lado esquerdo - caneta modificada e invertida (Figura 7.2). C - Dentes superiores do lado direito - dígito palmar (Figura 7.3). 19 3.2 POSIÇÕES DE APOIO E VISÃO DOS DENTES A SEREM TRATADOS A obtenção de um correto ponto de apoio é fundamental para a precisão dos trabalhos. Os apoios extra-bucais e na arcada oposta devem a princípio ser evitados, devido à possibilidade de movimentação por parte do paciente. Sempre que possível devemos optar por um apoio nos dentes próximos ao local no qual estamos realizando a intervenção. Nos dentes anteriores, temos a possibilidade de visualizar diretamente as superfícies a serem tratadas. Contudo, em algumas regiões, isso se torna bastante difícil, senão impossível, razão pela qual lançamos mão da visão indireta, através da imagem refletida em um espelho bucal (Figura 7.4) A) ARCADA INFERIOR Nesta arcada utiliza-se a preensão do instrumento manual em forma de caneta modificada com apoio nos dentes do mesmo arco, próximos ao preparo (Figura 7.5). 20 O uso do espelho para o afastamento da musculatura jugal facilita o preparo na face vestibular. O ponto de apoio é feito nos dentes adjacentes (Figura 7.6). O uso do espelho para o afastamento da musculatura da língua facilita o preparo na face lingual. O ponto de apoio é feito nos dentes adjacentes (Figura 7.7). 21 B) ARCADA SUPERIOR Nesta arcada utiliza-se a preensão em forma de caneta modificada invertida. No lado direito do paciente, o uso do espelho clínico melhora a iluminação do local de trabalho e possibilita a visão indireta. O ponto de apoio é realizado nos dentes adjacentes da mesma arcada (Figura 7.8). No lado esquerdo, uso do espelho clínico melhora a iluminação do local de trabalho e possibilita a visão indireta, além de propiciar o afastamento da musculatura jugal. O ponto de apoio é realizado na mesma arcada, no lado oposto (Figura 7.9). 22 4 MANUTENÇÃO DAS PEÇAS DE MÃO DE ALTA E BAIXA ROTAÇÃO. As turbinas são aparelhos mecânicos que usamos na Odontologia com a finalidade de movimentar os instrumentos de corte ou abrasão para o preparo de cavidades. Elas podem ser impulsionadas com ar comprimido, água e gás. As movidas a ar comprimido utilizam como fonte um compressor, ou atualmente, o ar comprimido em cilindros, com uma grande pressão. 4.1 Cuidados a serem dispensados 4.1.1 Quanto ao equipamento Não bater com a sua ponta ativa em equipos, armários ou no chão. Lubrificá-lo pelo menos duas ou três vezes ao dia, dependendo da sua utilização. A lubrificação deverá ser feita com óleo mineral leve de baixa viscosidade para não travar o sistema de rolamentos. As turbinas de colchão de ar não requerem lubrificação, pois o sistema não se movimenta com atrito metal x metal e sim com uma câmara de ar entre as peças. Idealmente estes aparelhos devem ser autoclavados de um paciente para outro, ou pelo menos receber uma antissepsia com um produto indicado. Uma turbina deverá estar envolvida com um plástico especial de autoclavagem. Este plástico tem uma propriedade especial que, ao aquecer, abre os poros permitindo passagem de vapor ativado sobre as bactérias. Com o resfriamento estes vapores saem e os poros se fecham impedindo o retorno das mesmas para dentro, tornando assim as turbinas estéreis. Não se devem esterilizar turbinas na estufa, pois elas possuem vedantes de borracha que se danificariam, bem como eliminaria a lubrificação por volatização do óleo lubrificante. 4.1.2 Quanto à colocação das brocas ou pontas. O saca-brocas deverá ser usado com muito cuidado para não danificar a broca ou pedra montada, bem como a pinça do rotor. Não devemos usar brocas ou pedras longas descentralizadas, pois além de causarmos desconforto ao paciente prejudicaríamos o balanceamento da turbina. 23 Os saca-brocas devem ser esterilizáveis. 4.1.3 Quanto ao paciente A turbina deverá ser a mais silenciosa possível para não prejudicar o paciente e o profissional, produzindo surdez ou perda da acuidade auditiva. A turbina deverá ser a mais balanceada possível para não provocar desconforto ao paciente (vibração). Não utilizar brocas ou pedras já em condições precárias, pois danificam o aparelho (sobrecarga) e produzem aquecimento da estrutura cortada. Não confundir turbinas de alta rotação com micro-motores, que são também turbinas. As de alta rotação deverão ser utilizadas com grande refrigeração água/ar, enquanto as de baixa são usadas sob refrigeração de água ou mesmo sem refrigeração. Não devemos deixar as pontas ativas destes instrumentos embotados com saliva, resíduos de corte dentário ou a mistura dos dois, pois danificam os rolamentos do rotor, bem como quebra da cadeia asséptica de esterilização. Tudo isto é válido para estes instrumentos atuais. No entanto, num futuro bem próximo poderemos ter o uso mais freqüente das novas tecnologias, como a irradiação laser e a abrasão a ar na remoção de tecido cariado e preparo cavitário. Quanto ao problema de esterilização, provavelmente também num futuro próximo estaremos utilizando produtos totalmente descartáveis, como já o fazemos com os contra ângulos de profilaxia. 24 5 PREPAROS DE CAVIDADES PARA AMÁLGAMA. Para todas as aulas práticas de preparo cavitário será necessário que o aluno traga o seguinte material básico: plástico para bancada avental de manga longa luvas de procedimento óculos de proteção mascara e gorro manequim micro-motor, contra-ângulo e caneta de alta rotação pinça clínica, espelho plano e explorador n° 5 kit de brocas e pontas diamantadas de alta e baixa rotação adaptador para contra-ângulo machado para esmalte 14/15 recortadores de margem gengival 28 e 29 curetas de dentina Pinça Müller para carbono Carbono para articulação Tiras de aço para matriz de 5 e 7mm Porta matriz tipo Tofflemeire Cunhas de madeira Condensador de Ward nº 00 5.1 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE I SIMPLES NOS DENTES 37 E 38. A. Introdução As cavidades de classe I são localizadas em sulcos, fóssulas e defeitos estruturais que se localizam nas faces oclusais de pré-molares e molares; nos 2/3 oclusais das faces vestibulares de molares inferiores e 2/3 oclusais das faces linguais de molares superiores; na região do tubérculo de Carabelli no 1° molar superior permanente; nos 2/3 incisais das faces vestibulares dos dentes anteriores; e na região do cíngulo nas faces linguais dos dentes anteriores superiores. 25São cavidades de classe I simples quando se localizam em apenas uma face do dente e composta quando englobam duas faces do dente, por exemplo, cavidade de classe I ocluso-lingual (OL) nos molares superiores. B. Posição manequim Operador Inferior esquerdo C. Visão Direta: Embora o exercício seja feito sob visão direta, o aluno deverá segurar o espelho na mão esquerda para melhorar a iluminação e também acostumar-se ao uso desse instrumento. Esta observação é válida para os demais exercícios. D. Manobras Prévias D1. Checagem dos contatos oclusais Antes de iniciar o preparo cavitário, um pedaço de carbono para articulação deve ser adaptado na pinça de Müller. Este deve ser posicionado entre as arcadas com o lado vermelho voltado para o dente que será preparado. Fazer os movimentos de lateralidade direita, esquerda e protusão. Virar o carbono de forma que o lado preto fique voltado para o dente a ser preparado, devendo o aluno fazer com que o manequim oclua sobre ele, deslocando o arco inferior com a mão num movimento de fechamento, o qual deve ser repetido algumas vezes, ate que as marcações dos contatos sejam observadas. E. Tempos Operatórios 1° tempo operatório: abertura da cavidade A abertura é realizada com a ponta diamantada 1011 ou 1012 ou broca esférica n° 2, montada em contra-ângulo com uso de adaptador e com sua haste perpendicular ao plano oclusal; ou com a ponta diamantada 1148 ou broca 245 também montada em contra-ângulo com uso de adaptador, posicionando- 26 se ligeiramente inclinada em relação ao plano oclusal, de modo que a aresta formada entre a base e a porção lateral a broca inicie a abertura (Figura 12.1). Executa-se uma perfuração na fóssula mesial ou na central acometida pela lesão. Geralmente, na clínica, esse passo já foi realizado pelo processo de cárie. Figura 12.1 – Pontas utilizadas para realização da abertura da cavidade. 2° tempo operatório: contorno Empregando-se um lápis 0.5mm deve-se desenhar o contorno do futuro preparo cavitário diretamente sobre o dente do manequim. Devemos lembrar que não poderão existir contatos oclusais na interface dente- restauração, sob risco de fratura das margens da restauração quando o dente entrar em função mastigatória. Desta forma, o contorno deve ser tal que os contatos oclusais ocorram ou na estrutura dental sadia, ou sobre o material restaurador a ser colocado. Na Figura 12.2 podemos observar um exemplo de contorno que geralmente é apresentado em preparo cavitário de classe I de molar inferior. Deve-se lembrar, porém, que o contorno do preparo vai depender exclusivamente da extensão da lesão, preservando-se ao máximo a estrutura dental sadia. Figura 12.2 – Exemplo de contorno do preparo de classe I no 36. Seta – cauda de andorinha. 27 Com a ponta diamantada 1148 ou com a broca 245, perpendicularmente à superfície oclusal, faz-se o contorno da cavidade até atingir tecido hígido. A profundidade da cavidade será de mais ou menos metade da parte ativa da ponta ou broca, o que corresponde a aproximadamente 1,5mm, independentemente se restar ou não alguma porção de tecido cariado na parede pulpar. A cavidade não deve ser aprofundada nesse momento para remover o tecido cariado remanescente. O contorno da cavidade será o mais conservador possível. 3° tempo operatório: forma de resistência Durante o contorno da cavidade é preciso assegurar superfícies adequadas de suporte para que tanto a estrutura dentária quanto o material restaurador resistam aos esforços mastigatórios. A forma de resistência caracteriza-se pelo preparo de paredes regulares e lisas, preparando-se paredes vestibulares (V) e linguais (L) planas e convergentes para a occlusal (Figura 12.3 A). Em cavidades estensas pode-se optar pela realização de paredes V e L perpendiculars à parede pulpar, e paralelas entre si. A parede pulpar deve ser plana e parelela ao plano oclusal (Figura 12.3). As paredes mesial (M) e distal (D) devem ser preferencialmente convergentes para oclusal, para aumentar a resistência da margem da restauração. Contudo, se a crista marginal estiver muito debilitada pela lesão de cárie, essas paredes devem ser ligeiramente expulsivas para oclusal, preservando sua resistência (Figura 12.3 B). A Figura 12.3 – A – amplitude do preparo e conformação das paredes vestibular, lingual e pulpar. B – conformação das paredes mesial e distal no caso de cristas marginais enfrequecidas. B 28 4° tempo operatório: forma de retenção É a forma dada ao preparo para impedir o deslocamento da restauração pela ação das forças que atuam sobre o dente, o que é obtido pela convergência das paredes. Quando forem preparadas paredes paralelas e a profundidade do prepare for maior do que a largura, isso já confere retenção ao material restaurador por atrito. Quando não se consegue um preparo mais profundo do que largo, há necessidade de realizar as retenções adicionais, que são pequenas reentrâncias realizadas sob as cúspides, ao nível dos diedros VP e LP, com a ponta diamantada 1131 ou broca tronco-cônica invertida nº 33 ½ ou esférica ½ (Figura 12.4). Figura 12.4 - Preparo mais largo do que profundo, necessitando de retenções adicionais. Outras medidas para se obter retenção são: paredes planas e regulares, extensão do preparo nos sulcos transversais evitando o deslocamento da restauração no sentido MD e a execução das "caudas de andorinha", contorno cavitário realizado nas fóssulas mesial e distal) (Figura 12.2 – Seta). Deve-se lembrar que a cauda de andorinha somente deve ser preparada quando a lesão acometer as fossas proximais e, após a remoção do tecido cariado, surgir essa conformação específica. Não se deve desgastar a estrutura dental hígida somente para se obter uma cauda de andorinha. 5° tempo operatório: remoção do tecido cariado 29 Deve ser realizada com brocas esféricas lisas de maior diâmetro compatível com a cavidade, em baixa rotação ou escavadores em forma de colher (curetas de dentina), somente nas regiões onde, após a realização do contorno, restou mais tecido cariado. O restante da parede pulpar não deve ser aprofundada. 6° tempo operatório: acabamento das paredes de esmalte Com o preparo da cavidade com pontas diamantadas nesse tipo de cavidade não deverão restar prismas de esmalte sem suporte, não sendo necessário nenhum tipo de acabamento das paredes de esmalte. 7° tempo operatório: limpeza da cavidade Todos os resíduos deverão ser removidos através de jatos de ar. CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO paredes planas, regulares e lisas; ângulos diedros do 1° grupo arredondados; ângulos diedros do 2° grupo arredondados; parede pulpar plana e paralela ao plano oclusal; paredes V e L ligeiramente convergentes para oclusal, ou perpendiculares à parede pulpar; paredes M e D convergentes para oclusal ou ligeiramente expulsivas para oclusal; presença de "cauda de andorinha" nas fossas mesial e distal quando a lesão de cárie atingir essas áreas; retenções adicionais sob as cúspides, às custas das paredes V e L, ao nível dos diedros VP e LP, se as paredes V e L forem pararelas e a cavidade for mais larga do que profunda. 30 12.2 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE I NO 34. Devido à presença da ponte de esmalte na face oclusal do primeiro pré- molar inferior, este preparo consta de duas pequenas cavidades, uma na fossa mesial e outra na fossa distal, realizando-se a abertura da mesma forma que no exercício anterior (Figura 12.5 A). Quanto à forma de contorno, essa deverá restringir-se às fossas mesial e distal, conservando-se íntegra a ponte de esmalte (Figura 12.5 B). A abertura deve ser tal que permita a penetração do instrumento condensador de Ward n°00. BFigura 12.5 – A – Abertura da cavidade; B – Contorno preservando a ponte de esmalte. A parede pulpar é inclinada em função da anatomia da câmara pulpar, que acompanha a anatomia da superfície oclusal. Para tal, o longo eixo da ponta diamantada ou broca deve estar perpendicular ao plano que passa pelos vértices das cúspides V e L (Figura 12.6). Figura 12.6 – Inclinação da parede pulpar no primeiro pré-molar inferior. A 31 Todas as paredes devem ser preparadas convergentes para oclusal com a ponta diamantada 1148 ou broca 245. Se a crista marginal estiver muito debilitada pela lesão de cárie, pode-se optar por deixá-las ligeiramente expulsivas para oclusal para preserver sua resistência. CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO paredes planas, regulares e lisas; ângulos diedros do 1° grupo arredondados; ângulos diedros do 2º grupo arredondados; parede pulpar ligeiramente inclinada, acompanhando a inclinação da face oclusal; paredes circundantes convergentes para oclusal; paredes mesial da caixa mesial e distal da caixa distal, em contato com as cristas marginais, convergentes para oclusal ou ligeiramente expulsivas para oclusal se a lesão fragilizou a crista marginal. 32 12.3 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE I COMPOSTA NOS DENTES 26 E 27 . Neste dente faremos dois tipos de preparos cavitários. O preparo de classe I simples na fossa mesial e classe I composta na fossa distal e sulco lingual. Numa situação clínica, a ponte de esmalte deverá ser incluída no preparo somente quando estiver solapada por cárie ou quando, após o preparo da cavidade, restar uma espessura menor que 1mm de estrutura separando as duas cavidades. A. Manobras Prévias A1. Checagem dos contatos oclusais. Posicionar o carbono entre as arcadas e fazer com que o manequim oclua sobre ele, deslocando o arco inferior com a mão num movimento de lateralidade e protrusão (lado vermelho do carbono), os quais devem ser repetidos algumas vezes, até que as marcações dos contatos em desoclusão sejam observadas. A seguir, faz-se o fechamento com o lado preto do carbono voltado para o dente a ser preparado de forma a se analisar os contatos em OC. B. Tempos operatórios 1 ° tempo operatório: abertura Feita com ponta diamantada 1011 perpendicular ao longo eixo do dente, ou com ponta diamantada 1148 ou broca 245, sendo que a haste deverá estar inclinada para que a aresta inicie a abertura, tanto na fossa mesial quanto na distal. 2° tempo operatório: contorno Devemos lembrar que não poderão existir contatos oclusais na interface dente-restauração, sob risco de ocorrência de fratura das margens da restauração quando o dente entrar em função mastigatória. Na Figura 12.8 podemos observar um exemplo do contorno aproximado que deverá possuir o preparo cavitário a ser realizado. Deve-se lembrar que o contorno do preparo deve ser exatamente o mínimo necessário para se atingir tecido dental hígido nas paredes circundantes, não devendo ser adotado nenhum contorno 33 exteriotipado. Figura 12.8 – Contorno aproximado do preparo. O contorno deve ser realizado com a ponta diamantada 1148 ou broca 245, com a haste paralela ao longo eixo do dente, até atingir o esmalte íntegro, tanto na porção mesial quanto na distal. Na porção distal, o preparo estende-se para o sulco lingual, formando um degrau entre a face oclusal e a lingual. Deve- se posicionar o instrumento rotatório paralelo à face lingual, penetrando no sulco cariado. A profundidade das caixas oclusais é de ½ da parte ativa da ponta diamantada ou broca e a caixa lingual estende-se até o limite do sulco, geralmente no terço médio da face lingual. O contorno será o mais conservador possível e as cristas marginais mesial e distal deverão ser preservadas. 3° tempo operatório: forma de resistência Caracteriza-se pelo formato de caixa na cavidade simples (porção mesial da face oclusal) e pelo formato de degrau na cavidade composta (na porção disto-lingual). Cavidade simples: Todas as paredes devem ser planas e convergentes para oclusal. A parede pulpar é plana e paralela ao plano oclusal. A parede mesial pode ser ligeiramente expulsiva para oclusal se a lesão tiver enfraquecido a crista marginal, de forma a preserver sua resistência. Cavidade composta: A parede axial é levemente expulsiva para oclusal, o que é obtido inclinando-se a broca em relação ao longo eixo do dente (Figura 12.9), e as paredes M e D da caixa lingual são convergentes para oclusal. Parede gengival paralela à parede pulpar. A broca deve ser então posicionada perpendicular à face lingual para definir melhor os ângulos MA e DA. 34 Figura 12.9 - Inclinação da parede axial. O acabamento das paredes é realizado diretamente com o instrumento rotatório. Deve-se realizar o arredondamento do ângulo áxio-pulpar com o recortador de margem gengival. 4° tempo operatório: forma de retenção Paredes planas, regulares e lisas, ângulos diedros do 2° grupo e triedros arredondados, profundidade maior que a largura, presença de "cauda de andorinha" nas fóssulas mesial e distal, dependendo da extensão da lesão, e, se necessário, retenções adicionais nos diedros MA e DA sob as cúspides, quando a cavidade for mais larga do que profunda, realizadas com a ponta diamantada 1031 ou a broca n° 33 ½ (Figura 12.10 B). Podem ser realizadas ainda retenções no nível dos diedros mésio-gengival e disto-gengival, na caixa lingual, utilizando a ponta diamantada 1061 ou broca cônica 169, como mostrado na figura 12.10 (A e B). A B Figura 12.10 – Localização das retenções adicionais. 35 5° tempo operatório: remoção do tecido cariado Broca esférica em baixa rotação de tamanho compatível com a cavidade. 6° tempo operatório: acabamento das paredes de esmalte Da forma como foram realizados os preparos, não deverão restar prismas de esmalte sem suporte. O aplainamento do cavo-superficial gengival da parede gengival deve ser realizado com o recortador de margem gengival. 7° tempo operatório: limpeza da cavidade Feita com jato de ar. CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO Cavidade simples (na fossa mesial): paredes planas, regulares e lisas; ângulos diedros do 1° grupo arredondados; ângulos diedros do 2° grupo arredondados; parede pulpar plana e paralela ao plano oclusal; paredes circundantes convergentes para oclusal; parede mesial ligeiramente expulsiva para oclusal, caso a crista marginal esteja muito debilitada. Cavidade composta (OL na porção distal): paredes planas, regulares e lisas; ângulos diedros do 1° grupo arredondados; ângulos diedros do 2° grupo e triedros arredondados; parede pulpar plana e paralela ao plano oclusal; paredes circundantes da caixa oclusal convergentes para oclusal; parede D da caixa oclusal ligeiramente expulsiva para oclusal caso a crista marginal esteja fragilizada; paredes M e D da caixa lingual convergentes para oclusal e para lingual; parede axial ligeiramente expulsiva para oclusal; parede gengival plana e paralela à parede pulpar; retenções adicionais, se necessário, sob a cúspide vestíbulo-distal 36 na caixa oclusal, no diedro VP, e ao nível dos diedros mésio-axial e disto-axial, na caixa lingual; aplainamento do cavo-superficial gengival; arredondamento do ângulo diedro do 3° grupo, áxio-pulpar. 37 12.4 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE I COMPOSTA NO 37. Este preparo é semelhante ao preparo de cavidade de classe I para amálgama no dente 26. No entanto, não há ponte de esmalte no elemento 37 e a extensão será realizada para vestibular a partir da fossa central (OV) (Figura 12.13). Figura 12.13 – Contorno e forma do preparo. 38 12.1 CAVIDADE DE CLASSE II TIPO "SLOT VERTICAL" NA MESIALDO 35. A. Introdução São preparos designados para a restauração de cáries interproximais dos dentes posteriores. A detecção precoce destas lesões proximais se dá, na maioria das vezes, através de radiografias interproximais. Essas lesões normalmente se localizam abaixo do ponto de contato entre dentes contíguos, devido à impactação alimentar ou à retenção de placa nessa área. A extensão destes preparos para a face oclusal deve ser estritamente necessária ou requerida para o acesso à lesão de cárie presente, para a remoção de esmalte desmineralizado e/ou para a remoção de esmalte sem suporte de dentina sadia. Este acesso à superfície proximal proporciona um preparo conservador, simples e autorretentivo. B. Instrumental Todo material clínico requerido para os preparos cavitários anteriormente citados. C. Posição manequim Operador Inferior esquerdo D. Visão Direta E. Manobras Prévias E1. Checagem dos contatos oclusais Da mesma forma como já descrito para os preparos de classe I. F. Tempos Operatórios 1° tempo operatório: Abertura Com a ponta diamantada 1011, em baixa velocidade realizamos um pequeno sulco (slot) no centro da crista marginal distal (Figura 11. 5.1). Para a execução deste preparo, o dente vizinho deverá ser protegido com uma tira matriz de aço inoxidável montada em porta matriz e estabilizada com cunha de madeira. 39 2° tempo operatório: Contorno Devemos lembrar que não poderão existir contatos oclusais na interface dente- restauração, sob risco de ocorrência de fratura das margens da restauração quando o dente entrar em função mastigatória. Desta forma, o contorno deve ser tal que os contatos oclusais ocorram ou na estrutura dental sadia ou sobre o material restaurador a ser colocado. Na Figura 11.5.2 podemos observar o contorno aproximado que deverá possuir o preparo a ser realizado. O " slot" é aprofundado em direção à parede gengival com a ponta diamantada 1148 ou broca 245, colocada paralela ao eixo longitudinal da coroa do dente até que se ultrapasse o ponto de contato. Com movimentos pendulares de vestibular para lingual, procedemos à penetração no sentido gengival até que atinja a lesão de cárie simulada. Com a confecção deste canal, esboçam-se as paredes: axial, gengival, vestibular e lingual (Figura 11.5.3). 40 O contato com o dente vizinho pode ou não ser rompido, porém nos casos em que este procedimento demandar em remoção de grande quantidade de tecido dental sadio, devemos considerar a possibilidade de não removê-lo. A decisão deve se basear no risco de cárie que o indivíduo apresenta. 3° a 4° tempos operatórios: Forma de resistência e retenção A forma de resistência do preparo é representada por paredes V e L planas e pela parede gengival plana e perpendicular ao longo eixo do dente. A parede axial deve ficar plana vestíbulo-lingualmente para proporcionar resistência, e ligeiramente expulsiva no sentido gêngivo -oclusal como forma de conveniência, de forma que possamos preparar adequadamente a parede gengival (Figura 11.5.4). As paredes vestibular e lingual devem convergir levemente para oclusal, para proporcionar assim a forma de retenção da restauração, evitando o seu deslocamento para oclusal e também preservando a crista marginal (Figura 11.5.5). 41 Dependendo do contorno da superfície proximal, pode ser conveniente preparar a curva reversa de Hollenback na parede vestibular da caixa proximal, de forma a aumentar a espessura do material restaurador na margem da restauração. Para evitar o deslocamento da restauração proximalmente (ou seja, em direção ao dente adjacente), retenções na forma de sulcos ou canaletas devem ser feitas nas paredes vestibular e lingual da caixa proximal. Com uma ponta diamantada 1061 ou broca carbide 169, em baixa rotação, um sulco é feito ao longo dos ângulos áxio- vestibular e áxio-lingual, se estendendo da parede gengival até o limite amelo-dentinário (Figura 11.5.6 A). Esses sulcos devem ter posições opostas e ser bem distintos (Figura B - setas). A regularização das paredes vestibular e lingual deve ser feita com machado para esmalte com movimento s ocluso-gengivais. O acabamento da parede gengival é dado com o machado 14-15, com movimentos vestíbulo-linguais. 5° tempo operatório: Remoção do tecido cariado. Broca esférica em baixa rotação. 42 6° tempo operatório: Acabamento das paredes de esmalte. O cavo-superficial gengival deve ser aplainado com os recortadores de margem gengival. O cavo-superficial gengival vestibular e lingual da caixa proximal deve ser regularizado com o machado 14-15. CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO Paredes vestibular e lingual ligeiramente convergentes para oclusal e expulsivas para proximal; Parede axial ligeiramente expulsiva para oclusal; Parede gengival plana e perpendicular ao longo eixo do dente; Curva reversa de Hollenback na parede vestibular Sulcos ao longo dos ângulos diedros áxio-vestibular e áxio-lingual, se estendendo da parede gengival até o limite amelo-dentinário; Aplainamento do ângulo cavo-superficial gengival. 43 12.2 PREPARO DE CLASSE II TIPO "SLOT HORIZONTAL" NA DISTAL DO DENTE 35. A. Introdução O acesso para uma lesão de cárie estritamente proximal pode também ser feito pelas superfícies vestibular ou lingual, preservando a superfície oclusal e a crista marginal. A escolha deste tipo de preparo é para lesões incipientes de cárie e está na dependência da localização destas lesões abaixo do ponto de contato e deslocadas vestibular ou lingualmente. Estas restaurações têm como vantagens a preservação de estrutura dental, um menor tempo de preparo e o fato de não estarem sujeitas a esforços diretos. B. Tempos operatórios 1 ° tempo operatório: Abertura Com a broca ou ponta diamantada esférica em baixa velocidade, iniciamos o acesso por vestibular (cárie deslocada vestibularmente), de maneira que as futuras paredes oclusal e gengival fiquem ligeiramente abaixo do ponto de contato e a aproximadamente 1 mm acima da gengiva marginal livre. Esta broca deve ser posicionada formando um ângulo agudo com a superfície proximal do dente. O dente vizinho deve ser protegido com uma tira de matriz de aço inoxidável em porta matriz, estabilizada com cunha de madeira. 2 ° tempo operatório: Contorno Após a penetração inicial, com a ponta diamantada 1090A posicionada paralelamente à superfície proximal do dente, procede -se a extensão da cavidade para lingual até atingir o extremo lingual da lesão. A sua profundidade no sentido mésio-distal deve ser de 1 e ½ vez do diâmetro da mesma (Figura 11.6.1). 44 Movimentando-se a broca no sentido ocluso-gengival, delimitam-se as paredes oclusal, gengival e axial com a porção lateral da broca e a parede lingual com sua extremidade. As paredes gengival e oclusal ficam paralelas entre si e perpendiculares à parede axial, que segue a inclinação da face proximal do dente. As paredes gengival e oclusal deverão formar um ângulo de 90° com a superfície externa do dente. 3° a 4° tempos operatórios: Forma de resistência e retenção A própria preservação da crista marginal constitui uma forma de resistência da estrutura dentária. As paredes circundantes da cavidade deverão formar um ângulo reto com a superfície externa do dente. Com a ponta diamantada cônica 1061 ou com a broca esférica ½ ou ¼ em baixa rotação, podem ser confeccionados sulcos ou canaletas nas paredes oclusal e gengival, junto aos diedros (Figura 11.6.2). 45 5° tempo operatório: Remoção do tecido cariado Broca esférica em baixa rotação. 6° tempo operatório: Acabamentodas paredes de esmalte. As paredes gengival, oclusal, lingual e axial são acabadas com o machado 14 e 15 de margem gengival, tracionando-se a face cortante do instrumento de uma extremidade a outra da parede (Figura 11.6.3). CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO Paredes oclusal, gengival e lingual formando um ângulo reto com a superfície proximal do dente. Parede axial paralela à superfície proximal. Sulcos ou canaletas nos ângulos axio-oclusal e axio-gengival. Paredes oclusal e gengival paralelas entre si e perpendiculares a axial Parede lingual perpendicular às paredes gengival e oclusal 46 12.3 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE II (MO) NO 36. A. Introdução Os preparos cavitários de classe II para amálgama correspondem àqueles localizados nas faces proximais de pré-molares e molares. Devido à maior difusão das medidas preventivas nas comunidades, ao maior empenho dos cirurgiões-dentistas no diagnóstico precoce das lesões de cárie, e ao desenvolvimento de instrumentais mais eficientes e materiais com melhores propriedades, atualmente temos condições de realizar preparos cavitários conservadores preservando ao máximo as estruturas dentárias, sem contudo, negligenciar os aspectos mecânicos necessários para a realização dos preparos cavitários para amálgama. B. Posição manequim Operador Inferior esquerdo C. Visão Direta D. Manobras Prévias D1. Checagem dos contatos oclusais. Da mesma forma como já descrito para os preparos anteriores. E. Tempos Operatórios 1 ° tempo operatório: abertura Com uma ponta diamantada esférica 1011 ou ponta diamantada 1148 ou broca 245, em baixa velocidade, realizamos uma perfuração na fossa mesial ou central da face oclusal. 47 2° tempo operatório: contorno Para a execução de uma cavidade de classe II, o dente vizinho ao preparo deverá ser protegido de um possível desgaste com um pedaço de tira de aço 48 inoxidável utilizada para confecção de matrizes, presa em porta matriz do tipo Tofflemire e estabilizada empregando uma cunha de madeira. Realizamos o contorno da caixa oclusal com a ponta diamandada 1148 ou broca 245, seguindo os mesmos procedimentos utilizados para o preparo de classe I. Após o contorno da caixa oclusal, tracionar a broca em direção ao ponto de contato do dente 36 com o 35, diminuindo a crista marginal mesial até aproximadamente 1mm de espessura. Em seguida, com movimentos pendulares de vestibular para lingual, pressionamos a broca no sentido gengival até atingir a lesão de cárie, ao mesmo tempo em que vamos diminuindo mais a espessura da parede mesial até que ela se rompa (Figura 12.16). Figura 12.16 – Confecção da caixa proximal. As paredes V e L serão convergentes para oclusal de forma a proporcionar uma forma auto-retentiva da caixa proximal e preservar a maior quantidade de tecido da crista marginal. Elas devem ser também ligeiramente expulsivas para proximal, para acompanhar a direção dos prismas de esmalte. Os contatos com o dente vizinho podem ser mantidos ou rompidos, dependendo da extensão da lesão. Embora a remoção do contato possa facilitar o acabamento das margens da restauração e a higiene da interface, essa separação não é necessária para os pacientes que fazem uso de fio dental. A separção pode ser checada por meio de uma sonda exploradoora (Figura 12.17). 49 Figura 12.17 – Expulsividade no sentido proximal. Rompimento eventual do contato. Sabemos que os longos eixos dos prismas de esmalte formam um ângulo de 90° com as tangentes que tocam a superfície dental na região do topo de cada prisma. Tendo isso em mente, é importante que, após o preparo cavitário, não restem prismas de esmalte sem suporte na região dos ângulos cavo-superficiais. A confecção das paredes vestibular e lingual da caixa proximal paralelas entre si permitiria que prismas sem suporte permanecessem, os quais, com o passar do tempo, fatalmente sofreriam um processo de fratura e levariam à formação de valamento marginal (Figura 12.18 A). A confecção destas paredes expulsivas no sentido proximal resolve este problema. Por outro lado, a margem vestibular da futura restauração em amálgama ficará muito fina, em virtude da conformação anatômica do dente, podendo ocorrer fratura do amálgama (Figura 12.18 B). Figura 12.18 – Conformação das paredes vestibular e lingual da caixa proximal de um preparo de classe II. A – Paredes paralelas no sentido áxio-proximal deixam prismas de esmalte sem suporte e condicionam a falhas devido à sua fratura. B – Paredes expulsivas deixam bordas de amálgama muito finas e frágeis, principamente na parede vestibular. C – Confecção da Curva Reversa na parede vestibular para permitir uma margem mais espessa para a restauração. A conformação anatômica dos molares inferiores, que têm as cúspides vestibulares maiores do que as linguais, faz com que o contorno da face proximal favoreça a ocorrência de bordas finas de restauração, principalmente na parede vestibular e não na lingual. Este problema é resolvido confeccionando-se na parede vestibular a chamada “Curva Reversa de 50 Hollenback”, idealizada por George M Hollenback. Ela é realizada fazendo com que a parede vestibular da caixa proximal tenha um contorno côncavo no sentido da superfície vestibular do dente (Figura 12.18 C). Esta curva é feita somente o suficiente para permitir uma margem de amálgama em 90° em relação à superfície externa proximal. Do lado lingual, ela é frequentemente desnecessária (Figura 12.19). Curva reversa Figura 12.19 – Importância da curva reversa na região proximal. A – Borda fina da restauração sujeita a fratura. B – Borda espessa proprociona resistência à restauração. A caixa proximal é sempre executada na direção do contato interproximal, independentemente do posicionamento dentário na arcada, isto é, se um dente estiver girovertido e fizer contato com seu vizinho à custa da face vestibular, nesta região é que será realizada a caixa proximal. A parede axial da caixa mesial deve ser ligeiramente expulsiva para oclusal, sendo essa expulsividade realizada pela inclinação da ponta diamantada 1148 ou da broca 245 (Figura 12.20). Figura 12.20 – Inclinação das paredes axial e distal. 51 3° tempo operatório: resistência Durante a realização do contorno já se realiza a forma de resistência cavitária representada por paredes V e L da caixa oclusal convergentes para oclusal. As paredes pulpar e gengival são planas e paralelas entre si. A parede axial também é plana e ligeiramente expulsiva para oclusal. A parede distal deve ser preferencialmente convergente para oclusal. Contudo, caso a crista marginal esteja muito fragilizada, é melhor optar por uma parede ligeiramente expulsiva para preservar sua resistência. O ângulo áxio-pulpar deve ser arredondado para evitar a concentração de esforços e aumentar a resistência final da restauração. Este arredondamento será executado com o recortador de margem gengival n° 29 raspando de vestibular para lingual e vice-versa (Figura 12.21). RMG 29 Figura 12.21 – Arredondamento do ângulo áxio-pulpar com o recortador de margem gengival 29. Ao final do preparo é importante que não restem prismas de esmalte sem suporte, os quais poderiam se fraturar com o passar do tempo e resultar em valamento nas margens. Para tal, é importante a atuação dos instrumentos cortantes manuais (Figura 12.24). Figura 12.24 – A utilização apenas de instrumentos rotatórios favorece a permanência de prismas de esmalte sem suporte que se fraturarão com o passar do tempo. 52 M 15 M 14 O aplainamento dos prismas de esmalte das paredes V e L da caixa proximal é feito com o machado 14-15 com seu bisel sempre voltado para o interiorda cavidade. O machado 14 faz o aplainamento da parede lingual e o 15 trabalha na parede vestibular (Figura 12.22). M 15 M 14 Figura 12.22 – Alisamento das paredes laterais da cavidade. O alisamento da parede gengival pode ser realizado com o machado 15 movimentado de L para V, ou o 14 movimentado de V para L, conforme mostrado abaixo (Figura 12.23). Figura 12.23 – Alisamento da parede gengival com o machado 14-15. O aplainamento das paredes distal e pulpar será realizado com a enxada monoangulada 26S, com movimentos de mesial para distal. 4° tempo operatório: retenção São responsáveis pela retenção a presença de paredes V e L convergentes para oclusal, da "cauda de andorinha" na região correspondente 53 à fossa distal, além das retenções adicionais, feitas sob as cúspides vestibulares e linguais, na caixa oclusal, realizadas com a ponta diamantada 1031 ou broca no 33 ½ em baixa velocidade (Figura 12.24 - setas). Figura 12.24 – Localização das retenções adicionais na caixa oclusal. Na caixa proximal podemos executar um sulco com a ponta diamantada 1061 ou com a broca cônica no 169, nos diedros vestíbulo-axial e línguo-axial, às custas das paredes V e L. Esse sulco será realizado pelo terço inferior da ponta ativa da broca até o ângulo áxio-pulpar (Figura 12.25). Figura 12.25 – Realização de retenções adicionais na caixa proximal. Na Figura 12.26 temos os locais que podem receber retenções adicionais, conforme as dimensões finais da cavidade. A Figura 12.26 – Localização das retenções adicionais na caixa proximal e na caixa oclusal. B 54 5° tempo operatório: remoção do tecido cariado Caso reste algum tecido cariado remanescente, a sua remoção será feita com brocas esféricas de diâmetro compatível com a lesão de cárie ou através dos escavadores em forma de colher (curetas de dentina). 6° tempo operatório: acabamento das paredes de esmalte Na região do ângulo cavo-superficial da parede gengival (na caixa mesial), poderão permanecer prismas de esmalte sem suporte que, nessa fase do preparo, serão removidos com o recortador de margem gengival n° 29, trabalhando de vestibular para lingual e vice-versa (Figura 12.27). RMG 29 Figura 12.27 – Aplainamento do ângulo cavo-superficial gengival. 7º tempo operatório: limpeza da cavidade Realizada com jato de ar. CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO Caixa oclusal: paredes planas, regulares e lisas; paredes V e L convergentes para oclusal; parede pulpar plana; parede distal convergente para oclusal ou expulsiva, caso a crista marginal esteja muito fragilizada (Figura 12.20); 55 A B ângulos internos arredondados. Caixa proximal: paredes planas, regulares e lisas; paredes V e L convergentes para oclusal (Figura 12.28 A) e ligeiramente expulsivas no sentido áxio-proximal (Figura 12.28 B); curva reversa de Hollenback na parede vestibular (Figuras 12.18 e 12.28 B seta); parede axial ligeiramente expulsiva para oclusal (Figura 12.20); parede gengival plana e paralela ao plano horizontal; ângulos diedros de primeiro grupo vestíbulo-gengival (VG) e línguo-gengival (LG) arredondados; ângulos diedros de segundo grupo arredondados; ângulos triedros vestíbulo-áxio-gengival (VAG) e línguo–áxio– gengival (LAG) arredondados; ângulo diedro de terceiro grupo áxio-pulpar (AP) arredondado (Figura 12.21); Cavo-superficial gengival aplainado (Figura 12.27). Figura 12.28 – Características finais do preparo. 56 12.4 PREPARO DE CAVIDADE DA CLASSE II MOD NO 25. Os procedimentos laboratoriais serão os mesmos do preparo anterior de cavidade de classe II, porém, realizando-se uma caixa proximal também na distal. Na figura 12.29 temos o contorno da cavidade. Figura 12.29 – Contorno do preparo. 57 12.5 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE V GRANDE NA VEST. DO 46. A. Introdução Esse preparo está indicado quando houver cárie nas faces livres do dente, no terço cervical vestibular ou lingual, quando a estética não for um fator imperioso. Considerações clínicas: este tipo de preparo é frequente em pacientes que não possuem uma boa higiene oral. A placa bacteriana formada na região cervical irá causar problemas periodontais e/ou cárie, portanto, além de restaurar, é conveniente educar o paciente quanto aos hábitos de higiene oral. Com o objetivo de treinamento, o preparo de cavidade de classe V no 36 deverá ser extenso. B. Tempos Operatórios 1 ° tempo operatório: abertura Em geral, esse tipo de cavidade já se encontra aberta. Caso não exista cavitação visível, deve-se optar pela implementação de medidas preventivas ao invés de realizer uma restauração. 2° tempo operatório: contorno É realizado com a ponta diamantada 1061 ou 1063 ou com a broca 169, onde suas laterais executam as paredes circundantes do preparo e a sua base faz a parede axial. As margens gengival e oclusal acompanham a curvatura da gengiva marginal, quando esta se apresenta normal. As margens mesial e distal podem ser estendidas até os ângulos axiais vestíbulo-mesial e vestíbulo- distal, dependendo da extensão da cárie. Figura 12.34 – Contorno da cavidade extensa. 58 3° tempo operatório: resistência A parede axial deverá acompanhar o contorno da face vestibular do dente no sentido M-D e G-O. Caso a face vestibular do dente seja convexa, a parede axial do preparo também será convexa (Figura 12.35). As paredes oclusal e gengival devem ser perpendiculares à parede axial e formar um ângulo de 90º com a superfície externa do dente, o que significa que elas devem ser expulsivas para a vestibular. As paredes mesial e distal devem ser ligeiramente divergentes para vestibular, de forma a acompanhar a inclinação dos prismas e formar um ângulo reto com a superfície externa do dente (Figura 12.35). Figura 12.35 – Conformação das paredes mesial e distal. 4° tempo operatório: retenção Normalmente, esse tipo de cavidade é mais larga do que profunda, além de ser expulsiva, sendo necessária a realização de retenções adicionais. Executa-se um sulco ao longo dos diedros ocluso-axial e gêngivo-axial, às custas da parede oclusal e da gengival, com a ponta diamantada 1031 ou a broca tronco-cônica invertida n° 33 ½ (Figura 12.37). 59 Figura 12.37 – Confecção das retenções adicionais. 5° tempo operatório: remoção de tecido cariado Realizado com broca esférica em baixa rotação de tamanho compatível com a cavidade. 6° tempo operatório: acabamento das paredes de esmalte Já é obtido ao se realizer o contorno da cavidade. Figura 12.38 – Aplainamento do cavo-superficial gengival. 7° tempo operatório: limpeza da cavidade É feita com jatos de ar. 60 CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO paredes planas, regulares e lisas; ângulos diedros de primeiro grupo arredondados; ângulos diedros de segundo grupo nítidos; parede axial convexa, acompanhando o contorno da face vestibular do dente; paredes oclusal e gengival expulsivas para a vestibular; paredes mesial e distal ligeiramente expulsivas no sentido línguo- vestibular; ângulo cavo-superficial gengival aplainado; retenções adicionais nos diedros AO e AG, às custas das paredes oclusal e gengival. Figura 12.39 – Características finais do preparo. 61 12.6 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE III DO 11 62 63 64