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CRISTO FACULDADE DO PIAUÍ – CHRISFAPI 
CURSO DE BACHARELADO EM ODONTOLOGIA 
DISCIPLINA: DENTÍSTICA I BLOCO IV 
PROFESSORA: HELLEN SÂMIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Manual de Aulas Práticas 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Manual de Dentística I da UNESP - 2010 
2 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
 
Para o exercício da Dentística é necessário que se tenha um conceito bem 
definido de preparo de cavidades e de restaurações, além de habilidade manual 
razoavelmente desenvolvida. Este treinamento preliminar e indispensável é dado pela 
Disciplina de Dentística Operatória, onde os trabalhos são realizados em manequins, 
em blocos de gesso e resina. 
Os exercícios apresentados neste Roteiro de Aulas Práticas procuram oferecer 
situações variadas e próximas da realidade a ser encontrada posteriormente na 
clínica, além de treiná-los o máximo possível para que, no próximo ano, sintam-se 
seguros para atender os primeiros pacientes. O objetivo deste manual não é esgotar os 
assuntos referentes à Dentística, mas apenas orientar os alunos durante as atividades 
práticas diárias. Desta maneira, a complementação da parte teórica deverá incluir 
consultas a livros, revistas e periódicos de circulação recente e de autores consagrados 
no meio odontológico, além da participação efetiva em todas as aulas teóricas. 
Com a finalidade de treinamento e desenvolvimento das habilidades manuais 
serão realizados preparos cavitários executados, quase na sua totalidade, com 
equipamentos de baixa rotação e instrumentos manuais. Complementando o 
treinamento, alguns dentes naturais serão preparados com equipamento de alta 
velocidade, simulando as condições clínicas e propiciando ao aluno avaliar as diferentes 
possibilidades de corte. Com o treinamento oferecido e a participação efetiva e 
consciente dos alunos, conseguiremos que todos cheguem a uma condição média de 
trabalho, compatível com as necessidades das atividades dos próximos anos. 
 
 
Bom proveito e felicidades!! 
3 
 
1 INSTRUMENTAL EM DENTÍSTICA 
 
Este capítulo tem por objetivo ajudar o aluno a reconhecer os instrumentos 
solicitados na lista de materiais, facilitando, desta forma, a sua aquisição e 
manipulação. 
 
1.1 Instrumentos manuais diversos 
 
 
 
 
 
Espelho Clínico 
 
 
 
 
Pinça Clínica 
 
 
 
 
 
Sonda exploradora dupla 
 
 
 
 
 
Espátula de inserção n°1 
4 
 
 
 
Escavadores de dentina ou curetas Vista da ponta ativa 
 
 
 
Pinça Müller para carbono 
 
 
 
 
 
Aplicador de Cimento de Hidróxido de Cálcio Duplo 
 
 
 
1.2 Instrumentos para restaurações em amálgama 
 
 
 
Condensadores de Ward 
5 
 
 
 
Esculpidores de Hollenback 
 
 
 
Esculpidor discóide e cleoide 
 
 
 
Esculpidores de Frahn 
 
 
Brunidores para amálgama 29 e 33 
 
 
 
Brunidor de Hollenback n°6 
3S 
6 
 
1.3 Instrumentos cortantes manuais 
 
 
 
 
 
 
Machado bi-angulado para esmalte 14/15 
 
 
 
 
 
 
 
 
Recortadores de margem gengival 28 e 29 
7 
 
1.4 Instrumental acessório 
 
Perfurador de Ainsworth 
 
 
Pinça de Palmer 
 
 
 
 
Porta Amálgama 
 
 
 
 
Pinça hemostática tipo mosquito de ponta curva 
8 
 
 
 
 
 
 
Tesoura íris reta de ponta afilada 
 
 
Porta matriz tipo Tofflemire (A fenda apontada pela seta e o longo eixo do 
instrumento devem formar um ângulo de 90°) 
 
 
24 A 
 
 
 
 
Espátulas número 22 e 24 (RÍGIDA) 
 
 
 
Alicate de bico chato e alicate para rebite 
 
 
Cabo para bisturi n°3 
22 
9 
 
Grampos cervicais para isolamento absoluto. 
 
 
Arco de Ostby Pote Dappen 
 
1.5 Grampos cervicais para isolamento 
 
Os grampos apresentados a seguir permitem a resolução da grande 
maioria das situações clínicas diárias. O grampo 200 foi idealizado para molares 
inferiores. O 202 também é recomendado para molares inferiores, sobretudo os 
volumosos. O grampo 205 é recomendado para molares superiores. O grampo 
14A foi idealizado para molares não completamente irrompidos, nos quais o 
equador do elemento dental se encontra recoberto pelo tecido gengival, ou para 
dentes severamente destruídos. O grampo 207 é recomendado para pré- 
molares superiores e inferiores, enquanto o 209 é indicado principalmente para 
pré-molares inferiores. O grampo 210 é indicado para incisivos, caninos e, em 
alguns casos, também para pré-molares. O grampo 212M é utilizado para o 
tratamento de lesões localizadas na região cervical vestibular de pré-molares, 
caninos e incisivos, agindo como um retrator do tecido gengival. 
 
10 
 
1/2 1 2 4 6 245 
57 33 1/2 34 329 330 169 
1/2 1 2 4 
6 56 33 1/2 34 
1.6 Instrumentos rotatórios 
 
 
A seguir estão apresentadas as brocas e pontas diamantadas que serão 
utilizadas nos procedimentos de preparo cavitário. 
 
Kit de brocas carbide para alta rotação 
 
 
Kit de brocas carbide para contra-ângulo 
11 
 
1090 A 1091A 1092A 1342 1061 
3070 2134 2135 3193 1031 
1032 1033 1011 1012 1013 
1149 1150 1141 2143 2137 
Kit de pontas diamantadas para alta rotação 
 
Pontas diamantadas douradas para acabamento de resina composta 
12 
 
Adaptador p/ baixa 
rotação 
Mandril para contra 
ângulo 
Escova de Robinson 
plana 
Escova de Robinson 
cônica 
Taça de borracha Cone de Borracha 
Brocas Multilaminadas (12 lâminas) para acabamento de amálgama 
 
 
Instrumentos diversos 
 
Kit de borrachas abrasivas para polimento de resina composta 
 
13 
 
Kit de borrachas abrasivas para polimento de amálgama (marrom, verde e azul) 
 
 
 
 
 
1.7 Peças de mão 
 
Caneta de alta rotação Contra-ângulo Micro-Motor 
14 
 
2 AFIAÇÃO DOS INSTRUMENTOS MANUAIS 
 
É comum que os instrumentos cortantes venham a apresentar uma queda 
em sua eficiência com o passar do tempo. Isso ocorre devido à perda de sua 
afiação em virtude do atrito da lâmina com os tecidos duros. Portanto, para que 
possamos tirar o máximo de desempenho destes instrumentos é fundamental 
que façamos uma afiação em tempos regulares ou sempre que necessário. A 
afiação pode ser mecânica ou manual. A afiação manual é realizada utilizando 
uma pedra abrasiva de óxido de alumínio plana de granulação extra fina, com 
dimensões aproximadas de 2,5cm X 12,5cm, lubrificada com uma fina camada 
de um óleo bem fluido. Inicialmente deve-se posicionar o bisel do instrumento 
sobre a pedra na angulação correta, evitando alterá-lo, como se observa na 
Figura 5.1. 
 
Figura 5.1 – Preservação do bisel durante a afiação. 
 
O instrumento deve ser segurado firmemente e, em seguida, deve-se 
movimentar a pedra mantendo o instrumento parado, conforme pode ser 
visualizado na Figura 5.2. A movimentação da pedra permite que o ângulo de 
desgaste seja mantido com mais exatidão. Para que a movimentação da pedra 
se torne mais fácil é conveniente colar em sua porção inferior uma lâmina de 
madeira com as mesmas dimensões. 
 
Figrua 5.2 – Movimentação da pedra. 
15 
 
Por outro lado, pode-se optar também em manter a pedra parada e 
movimentar o instrumento, conforme mostrado na Figura 5.3. 
Figura 5.3 – Movimentação do instrumento. 
 
Deve-se posicionar o instrumento de forma que o seu bisel toque 
firmemente a pedra. O movimento deve ocorrer no sentido da borda cortante, 
como evidenciado na Figura 5.4. Durante o movimento de retorno, nenhuma 
pressão deve ser exercida, de forma a otimizar o grau de afiação a ser 
conseguido. 
Figura 5.4 – Movimentação no sentido da borda cortante 
 
Durante esse procedimento, é importante que a angulação do bisel do 
instrumento seja verificada e seja mantida correta. Os biséis devem ser mantidos 
em cerca de 45° com a face da lâmina, conforme observado na Figura 5.5. 
 
Figura 5.5 - A - o ângulo é muito grande, o que resulta em pequena eficiência de corte. B - o 
ângulo está correto. C – o ângulo é muito agudo, o que pode resultar num embotamento 
prematuro pelo amassamento do fio de corte da lâmina. 
16 
 
Os instrumentos que apresentam lâminas curvas,como os esculpidores 
de Hollemback ou o cleóide devem ser afiados girando-se a mão em arco, de 
forma a rodar a lâmina sobre a pedra, ao mesmo tempo em que se faz o 
movimento do instrumento sobre ela, conforme mostrado na Figura 5.6 
 
 
Figura 5.6 – Afiação de instrumentos com lâminas curvas. 
 
Para a afiação mecânica pode-se utilizar discos abrasivos como os de 
carborundum ou pedras montadas. É importante lembrar que a angulação do 
bisel deve sempre ser mantida (Figura 5.7). 
 
 
Figura 5.7 – Afiação mecânica. 
17 
 
Os instrumentos que possuem um dos lados convexo e o outro plano, 
como as curetas de dentina e o esculpidor cleóide, podem ser afiados utilizando 
pedras montadas, como mostrado na Figura 5.8, realizando o desgaste na parte 
plana. 
 
 
Figura 5.8 – Afiação com pedras montadas. 
 
 
A qualidade da afiação conseguida pode ser testada raspando o 
instrumento sobre a unha. Se raspas forem removidas é sinal que a afiação foi 
satisfatória (Figura 5.9). 
 
 
 
 
Figura 5.9 – Teste da qualidade da afiação. 
18 
 
3 FORMAS DE PREENSÃO DOS INSTRUMENTOS MANUAIS E PONTOS DE APOIO 
 
3.1 FORMA DE PREENSÃO 
 
A - Dentes inferiores - forma de caneta modificada (Figura 7.1 ). 
 
 
B - Dentes superiores do lado esquerdo - caneta modificada e invertida (Figura 7.2). 
 
 
 
C - Dentes superiores do lado direito - dígito palmar (Figura 7.3). 
 
19 
 
 
 
3.2 POSIÇÕES DE APOIO E VISÃO DOS DENTES A SEREM TRATADOS 
 
A obtenção de um correto ponto de apoio é fundamental para a precisão 
dos trabalhos. Os apoios extra-bucais e na arcada oposta devem a princípio ser 
evitados, devido à possibilidade de movimentação por parte do paciente. 
Sempre que possível devemos optar por um apoio nos dentes próximos ao 
local no qual estamos realizando a intervenção. Nos dentes anteriores, temos a 
possibilidade de visualizar diretamente as superfícies a serem tratadas. 
Contudo, em algumas regiões, isso se torna bastante difícil, senão impossível, 
razão pela qual lançamos mão da visão indireta, através da imagem refletida 
em um espelho bucal (Figura 7.4) 
 
A) ARCADA INFERIOR 
Nesta arcada utiliza-se a preensão do instrumento manual em forma de 
caneta modificada com apoio nos dentes do mesmo arco, próximos ao preparo 
(Figura 7.5). 
20 
 
 
O uso do espelho para o afastamento da musculatura jugal facilita o 
preparo na face vestibular. O ponto de apoio é feito nos dentes adjacentes 
(Figura 7.6). 
 
O uso do espelho para o afastamento da musculatura da língua facilita o 
preparo na face lingual. O ponto de apoio é feito nos dentes adjacentes (Figura 
7.7). 
 
21 
 
 
B) ARCADA SUPERIOR 
Nesta arcada utiliza-se a preensão em forma de caneta modificada 
invertida. No lado direito do paciente, o uso do espelho clínico melhora a 
iluminação do local de trabalho e possibilita a visão indireta. O ponto de apoio é 
realizado nos dentes adjacentes da mesma arcada (Figura 7.8). 
 
No lado esquerdo, uso do espelho clínico melhora a iluminação do local 
de trabalho e possibilita a visão indireta, além de propiciar o afastamento da 
musculatura jugal. O ponto de apoio é realizado na mesma arcada, no lado 
oposto (Figura 7.9). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
4 MANUTENÇÃO DAS PEÇAS DE MÃO DE ALTA E BAIXA ROTAÇÃO. 
 
 
As turbinas são aparelhos mecânicos que usamos na Odontologia com a 
finalidade de movimentar os instrumentos de corte ou abrasão para o preparo 
de cavidades. Elas podem ser impulsionadas com ar comprimido, água e gás. 
As movidas a ar comprimido utilizam como fonte um compressor, ou 
atualmente, o ar comprimido em cilindros, com uma grande pressão. 
 
4.1 Cuidados a serem dispensados 
 
 
4.1.1 Quanto ao equipamento 
 
 Não bater com a sua ponta ativa em equipos, armários ou no chão. 
 Lubrificá-lo pelo menos duas ou três vezes ao dia, dependendo da sua 
utilização. 
 A lubrificação deverá ser feita com óleo mineral leve de baixa viscosidade 
para não travar o sistema de rolamentos. As turbinas de colchão de ar não 
requerem lubrificação, pois o sistema não se movimenta com atrito metal x 
metal e sim com uma câmara de ar entre as peças. 
 Idealmente estes aparelhos devem ser autoclavados de um paciente para 
outro, ou pelo menos receber uma antissepsia com um produto indicado. 
 Uma turbina deverá estar envolvida com um plástico especial de 
autoclavagem. Este plástico tem uma propriedade especial que, ao aquecer, 
abre os poros permitindo passagem de vapor ativado sobre as bactérias. Com 
o resfriamento estes vapores saem e os poros se fecham impedindo o retorno 
das mesmas para dentro, tornando assim as turbinas estéreis. 
 Não se devem esterilizar turbinas na estufa, pois elas possuem vedantes de 
borracha que se danificariam, bem como eliminaria a lubrificação por 
volatização do óleo lubrificante. 
 
4.1.2 Quanto à colocação das brocas ou pontas. 
 
 
 O saca-brocas deverá ser usado com muito cuidado para não danificar a 
broca ou pedra montada, bem como a pinça do rotor. 
 Não devemos usar brocas ou pedras longas descentralizadas, pois além de 
causarmos desconforto ao paciente prejudicaríamos o balanceamento da 
turbina. 
23 
 
 Os saca-brocas devem ser esterilizáveis. 
 
4.1.3 Quanto ao paciente 
 
 
 A turbina deverá ser a mais silenciosa possível para não prejudicar o 
paciente e o profissional, produzindo surdez ou perda da acuidade auditiva. 
 A turbina deverá ser a mais balanceada possível para não provocar 
desconforto ao paciente (vibração). 
 Não utilizar brocas ou pedras já em condições precárias, pois danificam o 
aparelho (sobrecarga) e produzem aquecimento da estrutura cortada. 
 Não confundir turbinas de alta rotação com micro-motores, que são também 
turbinas. As de alta rotação deverão ser utilizadas com grande refrigeração 
água/ar, enquanto as de baixa são usadas sob refrigeração de água ou 
mesmo sem refrigeração. 
 Não devemos deixar as pontas ativas destes instrumentos embotados com 
saliva, resíduos de corte dentário ou a mistura dos dois, pois danificam os 
rolamentos do rotor, bem como quebra da cadeia asséptica de esterilização. 
 
Tudo isto é válido para estes instrumentos atuais. No entanto, num 
futuro bem próximo poderemos ter o uso mais freqüente das novas tecnologias, 
como a irradiação laser e a abrasão a ar na remoção de tecido cariado e preparo 
cavitário. Quanto ao problema de esterilização, provavelmente também num 
futuro próximo estaremos utilizando produtos totalmente descartáveis, como já o 
fazemos com os contra ângulos de profilaxia. 
24 
 
5 PREPAROS DE CAVIDADES PARA AMÁLGAMA. 
 
 
Para todas as aulas práticas de preparo cavitário será necessário 
que o aluno traga o seguinte material básico: 
 
 plástico para bancada 
 avental de manga longa 
 luvas de procedimento 
 óculos de proteção 
 mascara e gorro 
 manequim 
 micro-motor, contra-ângulo e caneta de alta rotação 
 pinça clínica, espelho plano e explorador n° 5 
 kit de brocas e pontas diamantadas de alta e baixa rotação 
 adaptador para contra-ângulo 
 machado para esmalte 14/15 
 recortadores de margem gengival 28 e 29 
 curetas de dentina 
 Pinça Müller para carbono 
 Carbono para articulação 
 Tiras de aço para matriz de 5 e 7mm 
 Porta matriz tipo Tofflemeire 
 Cunhas de madeira 
 Condensador de Ward nº 00 
 
 
5.1 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE I SIMPLES NOS DENTES 37 E 38. 
 
 
A. Introdução 
 
 
As cavidades de classe I são localizadas em sulcos, fóssulas e defeitos 
estruturais que se localizam nas faces oclusais de pré-molares e molares; nos 
2/3 oclusais das faces vestibulares de molares inferiores e 2/3 oclusais das 
faces linguais de molares superiores; na região do tubérculo de Carabelli no 1° 
molar superior permanente; nos 2/3 incisais das faces vestibulares dos dentes 
anteriores; e na região do cíngulo nas faces linguais dos dentes anteriores 
superiores. 
25São cavidades de classe I simples quando se localizam em apenas uma 
face do dente e composta quando englobam duas faces do dente, por exemplo, 
cavidade de classe I ocluso-lingual (OL) nos molares superiores. 
 
B. Posição manequim Operador 
 
 
Inferior esquerdo 
 
 
C. Visão 
 
 
Direta: Embora o exercício seja feito sob visão direta, o aluno deverá 
segurar o espelho na mão esquerda para melhorar a iluminação e também 
acostumar-se ao uso desse instrumento. Esta observação é válida para os 
demais exercícios. 
 
D. Manobras Prévias 
 
D1. Checagem dos contatos oclusais 
 
 
Antes de iniciar o preparo cavitário, um pedaço de carbono para 
articulação deve ser adaptado na pinça de Müller. Este deve ser posicionado 
entre as arcadas com o lado vermelho voltado para o dente que será preparado. 
Fazer os movimentos de lateralidade direita, esquerda e protusão. 
Virar o carbono de forma que o lado preto fique voltado para o dente a 
ser preparado, devendo o aluno fazer com que o manequim oclua sobre ele, 
deslocando o arco inferior com a mão num movimento de fechamento, o qual 
deve ser repetido algumas vezes, ate que as marcações dos contatos sejam 
observadas. 
 
E. Tempos Operatórios 
 
 
1° tempo operatório: abertura da cavidade 
 
 
A abertura é realizada com a ponta diamantada 1011 ou 1012 ou broca 
esférica n° 2, montada em contra-ângulo com uso de adaptador e com sua haste 
perpendicular ao plano oclusal; ou com a ponta diamantada 1148 ou broca 245 
também montada em contra-ângulo com uso de adaptador, posicionando- 
26 
 
se ligeiramente inclinada em relação ao plano oclusal, de modo que a 
aresta formada entre a base e a porção lateral a broca inicie a abertura (Figura 
12.1). Executa-se uma perfuração na fóssula mesial ou na central acometida 
pela lesão. Geralmente, na clínica, esse passo já foi realizado pelo processo de 
cárie. 
 
 
Figura 12.1 – Pontas utilizadas para realização da abertura da cavidade. 
 
 
2° tempo operatório: contorno 
 
 
Empregando-se um lápis 0.5mm deve-se desenhar o contorno do futuro 
preparo cavitário diretamente sobre o dente do manequim. Devemos lembrar 
que não poderão existir contatos oclusais na interface dente- restauração, sob 
risco de fratura das margens da restauração quando o dente entrar em função 
mastigatória. Desta forma, o contorno deve ser tal que os contatos oclusais 
ocorram ou na estrutura dental sadia, ou sobre o material restaurador a ser 
colocado. Na Figura 12.2 podemos observar um exemplo de contorno que 
geralmente é apresentado em preparo cavitário de classe I de molar inferior. 
Deve-se lembrar, porém, que o contorno do preparo vai depender 
exclusivamente da extensão da lesão, preservando-se ao máximo a estrutura 
dental sadia. 
 
Figura 12.2 – Exemplo de contorno do preparo de classe I no 36. Seta – cauda de andorinha. 
 
 
27 
 
Com a ponta diamantada 1148 ou com a broca 245, perpendicularmente 
à superfície oclusal, faz-se o contorno da cavidade até atingir tecido hígido. 
A profundidade da cavidade será de mais ou menos metade da parte ativa da 
ponta ou broca, o que corresponde a aproximadamente 1,5mm, 
independentemente se restar ou não alguma porção de tecido cariado na parede 
pulpar. A cavidade não deve ser aprofundada nesse momento para remover o 
tecido cariado remanescente. O contorno da cavidade será o mais conservador 
possível. 
 
3° tempo operatório: forma de resistência 
 
 
Durante o contorno da cavidade é preciso assegurar superfícies 
adequadas de suporte para que tanto a estrutura dentária quanto o material 
restaurador resistam aos esforços mastigatórios. 
A forma de resistência caracteriza-se pelo preparo de paredes regulares 
e lisas, preparando-se paredes vestibulares (V) e linguais (L) planas e 
convergentes para a occlusal (Figura 12.3 A). Em cavidades estensas pode-se 
optar pela realização de paredes V e L perpendiculars à parede pulpar, e 
paralelas entre si. A parede pulpar deve ser plana e parelela ao plano oclusal 
(Figura 12.3). As paredes mesial (M) e distal (D) devem ser preferencialmente 
convergentes para oclusal, para aumentar a resistência da margem da 
restauração. Contudo, se a crista marginal estiver muito debilitada pela lesão de 
cárie, essas paredes devem ser ligeiramente expulsivas para oclusal, 
preservando sua resistência (Figura 12.3 B). 
 
A 
 
 
 
 
 
 
Figura 12.3 – A – amplitude do preparo e conformação das paredes vestibular, lingual e 
pulpar. B – conformação das paredes mesial e distal no caso de cristas marginais 
enfrequecidas. 
B 
28 
 
4° tempo operatório: forma de retenção 
 
 
É a forma dada ao preparo para impedir o deslocamento da restauração 
pela ação das forças que atuam sobre o dente, o que é obtido pela 
convergência das paredes. Quando forem preparadas paredes paralelas e a 
profundidade do prepare for maior do que a largura, isso já confere retenção ao 
material restaurador por atrito. Quando não se consegue um preparo mais 
profundo do que largo, há necessidade de realizar as retenções adicionais, que 
são pequenas reentrâncias realizadas sob as cúspides, ao nível dos diedros VP 
e LP, com a ponta diamantada 1131 ou broca tronco-cônica invertida nº 33 ½ ou 
esférica ½ (Figura 12.4). 
 
 
Figura 12.4 - Preparo mais largo do que profundo, necessitando de retenções adicionais. 
 
 
Outras medidas para se obter retenção são: paredes planas e regulares, 
extensão do preparo nos sulcos transversais evitando o deslocamento da 
restauração no sentido MD e a execução das "caudas de andorinha", contorno 
cavitário realizado nas fóssulas mesial e distal) (Figura 12.2 – Seta). Deve-se 
lembrar que a cauda de andorinha somente deve ser preparada quando a lesão 
acometer as fossas proximais e, após a remoção do tecido cariado, surgir essa 
conformação específica. Não se deve desgastar a estrutura dental hígida 
somente para se obter uma cauda de andorinha. 
 
 
5° tempo operatório: remoção do tecido cariado 
29 
 
Deve ser realizada com brocas esféricas lisas de maior diâmetro 
compatível com a cavidade, em baixa rotação ou escavadores em forma de 
colher (curetas de dentina), somente nas regiões onde, após a realização do 
contorno, restou mais tecido cariado. O restante da parede pulpar não deve 
ser aprofundada. 
 
6° tempo operatório: acabamento das paredes de esmalte 
 
 
Com o preparo da cavidade com pontas diamantadas nesse tipo de 
cavidade não deverão restar prismas de esmalte sem suporte, não sendo 
necessário nenhum tipo de acabamento das paredes de esmalte. 
 
7° tempo operatório: limpeza da cavidade 
 
 
Todos os resíduos deverão ser removidos através de jatos de ar. 
 
 
CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO 
 
 paredes planas, regulares e lisas; 
 ângulos diedros do 1° grupo arredondados; 
 ângulos diedros do 2° grupo arredondados; 
 parede pulpar plana e paralela ao plano oclusal; 
 paredes V e L ligeiramente convergentes para oclusal, ou 
perpendiculares à parede pulpar; 
 paredes M e D convergentes para oclusal ou ligeiramente expulsivas 
para oclusal; 
 presença de "cauda de andorinha" nas fossas mesial e distal quando a 
lesão de cárie atingir essas áreas; 
 retenções adicionais sob as cúspides, às custas das paredes V e 
L, ao nível dos diedros VP e LP, se as paredes V e L forem 
pararelas e a cavidade for mais larga do que profunda. 
30 
 
12.2 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE I NO 34. 
 
 
Devido à presença da ponte de esmalte na face oclusal do primeiro pré-
molar inferior, este preparo consta de duas pequenas cavidades, uma na fossa 
mesial e outra na fossa distal, realizando-se a abertura da mesma forma que 
no exercício anterior (Figura 12.5 A). 
Quanto à forma de contorno, essa deverá restringir-se às fossas mesial 
e distal, conservando-se íntegra a ponte de esmalte (Figura 12.5 B). A abertura 
deve ser tal que permita a penetração do instrumento condensador de Ward 
n°00. 
 
BFigura 12.5 – A – Abertura da cavidade; B – Contorno preservando a ponte de esmalte. 
 
 
A parede pulpar é inclinada em função da anatomia da câmara pulpar, 
que acompanha a anatomia da superfície oclusal. Para tal, o longo eixo da ponta 
diamantada ou broca deve estar perpendicular ao plano que passa pelos vértices 
das cúspides V e L (Figura 12.6). 
 
Figura 12.6 – Inclinação da parede pulpar no primeiro pré-molar inferior. 
A 
31 
 
Todas as paredes devem ser preparadas convergentes para oclusal com 
a ponta diamantada 1148 ou broca 245. Se a crista marginal estiver muito 
debilitada pela lesão de cárie, pode-se optar por deixá-las ligeiramente 
expulsivas para oclusal para preserver sua resistência. 
 
CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO 
 
 paredes planas, regulares e lisas; 
 ângulos diedros do 1° grupo arredondados; 
 ângulos diedros do 2º grupo arredondados; 
 parede pulpar ligeiramente inclinada, acompanhando a inclinação 
da face oclusal; 
 paredes circundantes convergentes para oclusal; 
 
 paredes mesial da caixa mesial e distal da caixa distal, em 
contato com as cristas marginais, convergentes para oclusal ou 
ligeiramente expulsivas para oclusal se a lesão fragilizou a crista 
marginal. 
32 
 
12.3 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE I COMPOSTA NOS DENTES 26 E 27 . 
 
Neste dente faremos dois tipos de preparos cavitários. O preparo de 
classe I simples na fossa mesial e classe I composta na fossa distal e sulco 
lingual. Numa situação clínica, a ponte de esmalte deverá ser incluída no preparo 
somente quando estiver solapada por cárie ou quando, após o preparo da 
cavidade, restar uma espessura menor que 1mm de estrutura separando as duas 
cavidades. 
 
A. Manobras Prévias 
 
A1. Checagem dos contatos oclusais. 
 
Posicionar o carbono entre as arcadas e fazer com que o manequim 
oclua sobre ele, deslocando o arco inferior com a mão num movimento de 
lateralidade e protrusão (lado vermelho do carbono), os quais devem ser 
repetidos algumas vezes, até que as marcações dos contatos em desoclusão 
sejam observadas. A seguir, faz-se o fechamento com o lado preto do carbono 
voltado para o dente a ser preparado de forma a se analisar os contatos em OC. 
 
B. Tempos operatórios 
 
 
1 ° tempo operatório: abertura 
 
 
Feita com ponta diamantada 1011 perpendicular ao longo eixo do dente, 
ou com ponta diamantada 1148 ou broca 245, sendo que a haste deverá estar 
inclinada para que a aresta inicie a abertura, tanto na fossa mesial quanto na 
distal. 
 
2° tempo operatório: contorno 
 
Devemos lembrar que não poderão existir contatos oclusais na interface 
dente-restauração, sob risco de ocorrência de fratura das margens da 
restauração quando o dente entrar em função mastigatória. Na Figura 12.8 
podemos observar um exemplo do contorno aproximado que deverá possuir o 
preparo cavitário a ser realizado. Deve-se lembrar que o contorno do preparo 
deve ser exatamente o mínimo necessário para se atingir tecido dental hígido 
nas paredes circundantes, não devendo ser adotado nenhum contorno 
33 
 
exteriotipado. 
 
Figura 12.8 – Contorno aproximado do preparo. 
 
 
O contorno deve ser realizado com a ponta diamantada 1148 ou broca 
245, com a haste paralela ao longo eixo do dente, até atingir o esmalte íntegro, 
tanto na porção mesial quanto na distal. Na porção distal, o preparo estende-se 
para o sulco lingual, formando um degrau entre a face oclusal e a lingual. Deve- 
se posicionar o instrumento rotatório paralelo à face lingual, penetrando no sulco 
cariado. 
A profundidade das caixas oclusais é de ½ da parte ativa da ponta 
diamantada ou broca e a caixa lingual estende-se até o limite do sulco, 
geralmente no terço médio da face lingual. 
O contorno será o mais conservador possível e as cristas marginais 
mesial e distal deverão ser preservadas. 
 
3° tempo operatório: forma de resistência 
 
 
Caracteriza-se pelo formato de caixa na cavidade simples (porção 
mesial da face oclusal) e pelo formato de degrau na cavidade composta (na 
porção disto-lingual). 
Cavidade simples: Todas as paredes devem ser planas e convergentes 
para oclusal. A parede pulpar é plana e paralela ao plano oclusal. A parede 
mesial pode ser ligeiramente expulsiva para oclusal se a lesão tiver 
enfraquecido a crista marginal, de forma a preserver sua resistência. 
Cavidade composta: A parede axial é levemente expulsiva para 
oclusal, o que é obtido inclinando-se a broca em relação ao longo eixo do dente 
(Figura 12.9), e as paredes M e D da caixa lingual são convergentes para oclusal. 
Parede gengival paralela à parede pulpar. A broca deve ser então posicionada 
perpendicular à face lingual para definir melhor os ângulos MA e DA. 
34 
 
 
 
 
Figura 12.9 - Inclinação da parede axial. 
 
O acabamento das paredes é realizado diretamente com o instrumento 
rotatório. Deve-se realizar o arredondamento do ângulo áxio-pulpar com o 
recortador de margem gengival. 
 
4° tempo operatório: forma de retenção 
 
Paredes planas, regulares e lisas, ângulos diedros do 2° grupo e triedros 
arredondados, profundidade maior que a largura, presença de "cauda de 
andorinha" nas fóssulas mesial e distal, dependendo da extensão da lesão, e, se 
necessário, retenções adicionais nos diedros MA e DA sob as cúspides, quando 
a cavidade for mais larga do que profunda, realizadas com a ponta diamantada 
1031 ou a broca n° 33 ½ (Figura 12.10 B). Podem ser realizadas ainda retenções 
no nível dos diedros mésio-gengival e disto-gengival, na caixa lingual, utilizando 
a ponta diamantada 1061 ou broca cônica 169, como mostrado na figura 12.10 
(A e B). 
 
 
 
A B 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12.10 – Localização das retenções adicionais. 
35 
 
5° tempo operatório: remoção do tecido cariado 
 
Broca esférica em baixa rotação de tamanho compatível com a cavidade. 
 
 
6° tempo operatório: acabamento das paredes de esmalte 
 
 
Da forma como foram realizados os preparos, não deverão restar 
prismas de esmalte sem suporte. O aplainamento do cavo-superficial gengival 
da parede gengival deve ser realizado com o recortador de margem gengival. 
 
7° tempo operatório: limpeza da cavidade 
 
 
Feita com jato de ar. 
 
 
CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO 
 
 
Cavidade simples (na fossa mesial): 
 paredes planas, regulares e lisas; 
 ângulos diedros do 1° grupo arredondados; 
 ângulos diedros do 2° grupo arredondados; 
 parede pulpar plana e paralela ao plano oclusal; 
 paredes circundantes convergentes para oclusal; 
 parede mesial ligeiramente expulsiva para oclusal, caso a crista 
marginal esteja muito debilitada. 
 
Cavidade composta (OL na porção distal): 
 paredes planas, regulares e lisas; 
 ângulos diedros do 1° grupo arredondados; 
 ângulos diedros do 2° grupo e triedros arredondados; 
 parede pulpar plana e paralela ao plano oclusal; 
 paredes circundantes da caixa oclusal convergentes para oclusal; 
 parede D da caixa oclusal ligeiramente expulsiva para oclusal 
caso a crista marginal esteja fragilizada; 
 paredes M e D da caixa lingual convergentes para oclusal e para 
lingual; 
 parede axial ligeiramente expulsiva para oclusal; 
 parede gengival plana e paralela à parede pulpar; 
 retenções adicionais, se necessário, sob a cúspide vestíbulo-distal 
36 
 
na caixa oclusal, no diedro VP, e ao nível dos diedros mésio-axial 
e disto-axial, na caixa lingual; 
 aplainamento do cavo-superficial gengival; 
 arredondamento do ângulo diedro do 3° grupo, áxio-pulpar. 
37 
 
12.4 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE I COMPOSTA NO 37. 
 
 
Este preparo é semelhante ao preparo de cavidade de classe I para 
amálgama no dente 26. No entanto, não há ponte de esmalte no elemento 37 e 
a extensão será realizada para vestibular a partir da fossa central (OV) (Figura 
12.13). 
 
 
 
 
Figura 12.13 – Contorno e forma do preparo. 
38 
 
12.1 CAVIDADE DE CLASSE II TIPO "SLOT VERTICAL" NA MESIALDO 35. 
 
 
A. Introdução 
São preparos designados para a restauração de cáries interproximais dos 
dentes posteriores. A detecção precoce destas lesões proximais se dá, na maioria 
das vezes, através de radiografias interproximais. 
Essas lesões normalmente se localizam abaixo do ponto de contato entre 
dentes contíguos, devido à impactação alimentar ou à retenção de placa nessa 
área. A extensão destes preparos para a face oclusal deve ser estritamente 
necessária ou requerida para o acesso à lesão de cárie presente, para a 
remoção de esmalte desmineralizado e/ou para a remoção de esmalte sem 
suporte de dentina sadia. Este acesso à superfície proximal proporciona um preparo 
conservador, simples e autorretentivo. 
 
B. Instrumental 
 
Todo material clínico requerido para os preparos cavitários anteriormente 
citados. 
 
C. Posição manequim Operador 
 
Inferior esquerdo 
 
D. Visão 
 
Direta 
 
E. Manobras Prévias 
 
E1. Checagem dos contatos oclusais 
 
Da mesma forma como já descrito para os preparos de classe I. 
 
F. Tempos Operatórios 
 
1° tempo operatório: Abertura 
 
Com a ponta diamantada 1011, em baixa velocidade realizamos um 
pequeno sulco (slot) no centro da crista marginal distal (Figura 11. 5.1). Para a 
execução deste preparo, o dente vizinho deverá ser protegido com uma tira matriz 
de aço inoxidável montada em porta matriz e estabilizada com cunha de madeira. 
39 
 
 
 
 
2° tempo operatório: Contorno 
 
Devemos lembrar que não poderão existir contatos oclusais na interface 
dente- restauração, sob risco de ocorrência de fratura das margens da restauração 
quando o dente entrar em função mastigatória. Desta forma, o contorno deve ser tal 
que os contatos oclusais ocorram ou na estrutura dental sadia ou sobre o material 
restaurador a ser colocado. Na Figura 11.5.2 podemos observar o contorno 
aproximado que deverá possuir o preparo a ser realizado. 
 
 
O " slot" é aprofundado em direção à parede gengival com a ponta 
diamantada 1148 ou broca 245, colocada paralela ao eixo longitudinal da coroa do 
dente até que se ultrapasse o ponto de contato. Com movimentos pendulares de 
vestibular para lingual, procedemos à penetração no sentido gengival até que atinja 
a lesão de cárie simulada. Com a confecção deste canal, esboçam-se as paredes: 
axial, gengival, vestibular e lingual (Figura 11.5.3). 
40 
 
 
 
 
 
O contato com o dente vizinho pode ou não ser rompido, porém nos casos 
em que este procedimento demandar em remoção de grande quantidade de tecido 
dental sadio, devemos considerar a possibilidade de não removê-lo. A decisão deve 
se basear no risco de cárie que o indivíduo apresenta. 
 
3° a 4° tempos operatórios: Forma de resistência e retenção 
 
A forma de resistência do preparo é representada por paredes V e L 
planas e pela parede gengival plana e perpendicular ao longo eixo do dente. 
A parede axial deve ficar plana vestíbulo-lingualmente para proporcionar 
resistência, e ligeiramente expulsiva no sentido gêngivo -oclusal como forma de 
conveniência, de forma que possamos preparar adequadamente a parede gengival 
(Figura 11.5.4). 
 
 
 
 
As paredes vestibular e lingual devem convergir levemente para oclusal, para 
proporcionar assim a forma de retenção da restauração, evitando o seu 
deslocamento para oclusal e também preservando a crista marginal (Figura 
11.5.5). 
41 
 
 
 
 
 
Dependendo do contorno da superfície proximal, pode ser conveniente 
preparar a curva reversa de Hollenback na parede vestibular da caixa proximal, de 
forma a aumentar a espessura do material restaurador na margem da restauração. 
Para evitar o deslocamento da restauração proximalmente (ou seja, em 
direção ao dente adjacente), retenções na forma de sulcos ou canaletas devem ser 
feitas nas paredes vestibular e lingual da caixa proximal. Com uma ponta 
diamantada 1061 ou broca carbide 169, em baixa rotação, um sulco é feito ao 
longo dos ângulos áxio- vestibular e áxio-lingual, se estendendo da parede 
gengival até o limite amelo-dentinário (Figura 11.5.6 A). Esses sulcos devem ter 
posições opostas e ser bem distintos (Figura B - setas). 
 
 
 
 
A regularização das paredes vestibular e lingual deve ser feita com machado 
para esmalte com movimento s ocluso-gengivais. O acabamento da parede 
gengival é dado com o machado 14-15, com movimentos vestíbulo-linguais. 
 
5° tempo operatório: Remoção do tecido cariado. 
 
Broca esférica em baixa rotação. 
42 
 
6° tempo operatório: Acabamento das paredes de esmalte. 
 
O cavo-superficial gengival deve ser aplainado com os recortadores de 
margem gengival. O cavo-superficial gengival vestibular e lingual da caixa proximal 
deve ser regularizado com o machado 14-15. 
 
CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO 
 
 Paredes vestibular e lingual ligeiramente convergentes para oclusal e 
expulsivas para proximal; 
 Parede axial ligeiramente expulsiva para oclusal; 
 Parede gengival plana e perpendicular ao longo eixo do dente; 
 Curva reversa de Hollenback na parede vestibular 
 Sulcos ao longo dos ângulos diedros áxio-vestibular e áxio-lingual, se 
estendendo da parede gengival até o limite amelo-dentinário; 
 Aplainamento do ângulo cavo-superficial gengival. 
 
 
 
43 
 
12.2 PREPARO DE CLASSE II TIPO "SLOT HORIZONTAL" NA DISTAL DO DENTE 
35. 
 
A. Introdução 
 
 
O acesso para uma lesão de cárie estritamente proximal pode também ser 
feito pelas superfícies vestibular ou lingual, preservando a superfície oclusal e a 
crista marginal. A escolha deste tipo de preparo é para lesões incipientes de cárie 
e está na dependência da localização destas lesões abaixo do ponto de contato e 
deslocadas vestibular ou lingualmente. 
Estas restaurações têm como vantagens a preservação de estrutura dental, 
um menor tempo de preparo e o fato de não estarem sujeitas a esforços diretos. 
 
B. Tempos operatórios 
 
 
1 ° tempo operatório: Abertura 
 
 
Com a broca ou ponta diamantada esférica em baixa velocidade, iniciamos o 
acesso por vestibular (cárie deslocada vestibularmente), de maneira que as futuras 
paredes oclusal e gengival fiquem ligeiramente abaixo do ponto de contato e a 
aproximadamente 1 mm acima da gengiva marginal livre. Esta broca deve ser 
posicionada formando um ângulo agudo com a superfície proximal do dente. 
O dente vizinho deve ser protegido com uma tira de matriz de aço 
inoxidável em porta matriz, estabilizada com cunha de madeira. 
 
2 ° tempo operatório: Contorno 
 
 
Após a penetração inicial, com a ponta diamantada 1090A posicionada 
paralelamente à superfície proximal do dente, procede -se a extensão da 
cavidade para lingual até atingir o extremo lingual da lesão. A sua profundidade no 
sentido mésio-distal deve ser de 1 e ½ vez do diâmetro da mesma (Figura 11.6.1). 
44 
 
 
 
 
 
 
Movimentando-se a broca no sentido ocluso-gengival, delimitam-se as 
paredes oclusal, gengival e axial com a porção lateral da broca e a parede lingual 
com sua extremidade. 
As paredes gengival e oclusal ficam paralelas entre si e perpendiculares à 
parede axial, que segue a inclinação da face proximal do dente. As paredes 
gengival e oclusal deverão formar um ângulo de 90° com a superfície externa do 
dente. 
 
3° a 4° tempos operatórios: Forma de resistência e retenção 
 
 
A própria preservação da crista marginal constitui uma forma de resistência 
da estrutura dentária. 
As paredes circundantes da cavidade deverão formar um ângulo reto com a 
superfície externa do dente. 
Com a ponta diamantada cônica 1061 ou com a broca esférica ½ ou ¼ 
em baixa rotação, podem ser confeccionados sulcos ou canaletas nas paredes 
oclusal e gengival, junto aos diedros (Figura 11.6.2). 
 
 
 
45 
 
5° tempo operatório: Remoção do tecido cariado 
 
 
Broca esférica em baixa rotação. 
 
 
6° tempo operatório: Acabamentodas paredes de esmalte. 
 
 
As paredes gengival, oclusal, lingual e axial são acabadas com o 
machado 14 e 15 de margem gengival, tracionando-se a face cortante do 
instrumento de uma extremidade a outra da parede (Figura 11.6.3). 
 
 
 
 
 
CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO 
 
 
 Paredes oclusal, gengival e lingual formando um ângulo reto com a 
superfície proximal do dente. 
 Parede axial paralela à superfície proximal. 
 Sulcos ou canaletas nos ângulos axio-oclusal e axio-gengival. 
 Paredes oclusal e gengival paralelas entre si e perpendiculares a axial 
 Parede lingual perpendicular às paredes gengival e oclusal 
46 
 
12.3 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE II (MO) NO 36. 
 
 
A. Introdução 
 
Os preparos cavitários de classe II para amálgama correspondem 
àqueles localizados nas faces proximais de pré-molares e molares. 
Devido à maior difusão das medidas preventivas nas comunidades, ao 
maior empenho dos cirurgiões-dentistas no diagnóstico precoce das lesões de 
cárie, e ao desenvolvimento de instrumentais mais eficientes e materiais com 
melhores propriedades, atualmente temos condições de realizar preparos 
cavitários conservadores preservando ao máximo as estruturas dentárias, sem 
contudo, negligenciar os aspectos mecânicos necessários para a realização dos 
preparos cavitários para amálgama. 
 
B. Posição manequim Operador 
 
 
Inferior esquerdo 
 
 
C. Visão 
 
 
Direta 
 
 
D. Manobras Prévias 
 
D1. Checagem dos contatos oclusais. 
 
Da mesma forma como já descrito para os preparos 
anteriores. 
 
E. Tempos Operatórios 
 
 
1 ° tempo operatório: abertura 
 
Com uma ponta diamantada esférica 1011 ou ponta diamantada 1148 ou 
broca 245, em baixa velocidade, realizamos uma perfuração na fossa mesial ou 
central da face oclusal. 
 
47 
 
2° tempo operatório: contorno 
 
Para a execução de uma cavidade de classe II, o dente vizinho ao preparo 
deverá ser protegido de um possível desgaste com um pedaço de tira de aço 
48 
 
inoxidável utilizada para confecção de matrizes, presa em porta matriz 
do tipo Tofflemire e estabilizada empregando uma cunha de madeira. 
Realizamos o contorno da caixa oclusal com a ponta diamandada 1148 
ou broca 245, seguindo os mesmos procedimentos utilizados para o preparo de 
classe I. Após o contorno da caixa oclusal, tracionar a broca em direção ao 
ponto de contato do dente 36 com o 35, diminuindo a crista marginal mesial até 
aproximadamente 1mm de espessura. Em seguida, com movimentos 
pendulares de vestibular para lingual, pressionamos a broca no sentido gengival 
até atingir a lesão de cárie, ao mesmo tempo em que vamos diminuindo mais a 
espessura da parede mesial até que ela se rompa (Figura 12.16). 
 
 
Figura 12.16 – Confecção da caixa proximal. 
 
 
As paredes V e L serão convergentes para oclusal de forma a 
proporcionar uma forma auto-retentiva da caixa proximal e preservar a maior 
quantidade de tecido da crista marginal. Elas devem ser também ligeiramente 
expulsivas para proximal, para acompanhar a direção dos prismas de esmalte. 
Os contatos com o dente vizinho podem ser mantidos ou rompidos, dependendo 
da extensão da lesão. Embora a remoção do contato possa facilitar o 
acabamento das margens da restauração e a higiene da interface, essa 
separação não é necessária para os pacientes que fazem uso de fio dental. A 
separção pode ser checada por meio de uma sonda exploradoora (Figura 12.17). 
49 
 
 
 
Figura 12.17 – Expulsividade no sentido proximal. Rompimento eventual do contato. 
 
Sabemos que os longos eixos dos prismas de esmalte formam um 
ângulo de 90° com as tangentes que tocam a superfície dental na região do topo 
de cada prisma. Tendo isso em mente, é importante que, após o preparo 
cavitário, não restem prismas de esmalte sem suporte na região dos ângulos 
cavo-superficiais. A confecção das paredes vestibular e lingual da caixa proximal 
paralelas entre si permitiria que prismas sem suporte permanecessem, os quais, 
com o passar do tempo, fatalmente sofreriam um processo de fratura e levariam 
à formação de valamento marginal (Figura 12.18 A). A confecção destas paredes 
expulsivas no sentido proximal resolve este problema. Por outro lado, a margem 
vestibular da futura restauração em amálgama ficará muito fina, em virtude da 
conformação anatômica do dente, podendo ocorrer fratura do amálgama (Figura 
12.18 B). 
 
 
Figura 12.18 – Conformação das paredes vestibular e lingual da caixa proximal de um preparo 
de classe II. A – Paredes paralelas no sentido áxio-proximal deixam prismas de esmalte sem 
suporte e condicionam a falhas devido à sua fratura. B – Paredes expulsivas deixam bordas de 
amálgama muito finas e frágeis, principamente na parede vestibular. C – Confecção da Curva 
Reversa na parede vestibular para permitir uma margem mais espessa para a restauração. 
 
A conformação anatômica dos molares inferiores, que têm as cúspides 
vestibulares maiores do que as linguais, faz com que o contorno da face 
proximal favoreça a ocorrência de bordas finas de restauração, principalmente 
na parede vestibular e não na lingual. Este problema é resolvido 
confeccionando-se na parede vestibular a chamada “Curva Reversa de 
50 
 
Hollenback”, idealizada por George M Hollenback. Ela é realizada 
fazendo com que a parede vestibular da caixa proximal tenha um contorno 
côncavo no sentido da superfície vestibular do dente (Figura 12.18 C). Esta 
curva é feita somente o suficiente para permitir uma margem de amálgama em 
90° em relação à superfície externa proximal. Do lado lingual, ela é 
frequentemente desnecessária (Figura 12.19). 
Curva reversa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12.19 – Importância da curva reversa na região proximal. A – Borda fina da restauração 
sujeita a fratura. B – Borda espessa proprociona resistência à restauração. 
 
A caixa proximal é sempre executada na direção do contato 
interproximal, independentemente do posicionamento dentário na arcada, isto é, 
se um dente estiver girovertido e fizer contato com seu vizinho à custa da face 
vestibular, nesta região é que será realizada a caixa proximal. 
A parede axial da caixa mesial deve ser ligeiramente expulsiva para 
oclusal, sendo essa expulsividade realizada pela inclinação da ponta diamantada 
1148 ou da broca 245 (Figura 12.20). 
 
Figura 12.20 – Inclinação das paredes axial e distal. 
51 
 
3° tempo operatório: resistência 
 
Durante a realização do contorno já se realiza a forma de resistência 
cavitária representada por paredes V e L da caixa oclusal convergentes para 
oclusal. As paredes pulpar e gengival são planas e paralelas entre si. A parede 
axial também é plana e ligeiramente expulsiva para oclusal. A parede distal deve 
ser preferencialmente convergente para oclusal. Contudo, caso a crista marginal 
esteja muito fragilizada, é melhor optar por uma parede ligeiramente expulsiva 
para preservar sua resistência. 
O ângulo áxio-pulpar deve ser arredondado para evitar a concentração 
de esforços e aumentar a resistência final da restauração. Este 
arredondamento será executado com o recortador de margem gengival n° 29 
raspando de vestibular para lingual e vice-versa (Figura 12.21). 
 
 
RMG 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12.21 – Arredondamento do ângulo áxio-pulpar com o recortador de margem gengival 29. 
 
Ao final do preparo é importante que não restem prismas de esmalte 
sem suporte, os quais poderiam se fraturar com o passar do tempo e resultar em 
valamento nas margens. Para tal, é importante a atuação dos instrumentos 
cortantes manuais (Figura 12.24). 
 
 
Figura 12.24 – A utilização apenas de instrumentos rotatórios favorece a permanência de 
prismas de esmalte sem suporte que se fraturarão com o passar do tempo. 
52 
 
M 
15 
M 
14 
O aplainamento dos prismas de esmalte das paredes V e L da caixa 
proximal é feito com o machado 14-15 com seu bisel sempre voltado para o 
interiorda cavidade. O machado 14 faz o aplainamento da parede lingual e o 15 
trabalha na parede vestibular (Figura 12.22). 
 
 
M 15 M 14 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12.22 – Alisamento das paredes laterais da cavidade. 
 
 
 
O alisamento da parede gengival pode ser realizado com o machado 15 
movimentado de L para V, ou o 14 movimentado de V para L, conforme 
mostrado abaixo (Figura 12.23). 
 
 
 
Figura 12.23 – Alisamento da parede gengival com o machado 14-15. 
 
 
O aplainamento das paredes distal e pulpar será realizado com a enxada 
monoangulada 26S, com movimentos de mesial para distal. 
 
4° tempo operatório: retenção 
 
São responsáveis pela retenção a presença de paredes V e L 
convergentes para oclusal, da "cauda de andorinha" na região correspondente 
53 
 
à fossa distal, além das retenções adicionais, feitas sob as cúspides 
vestibulares e linguais, na caixa oclusal, realizadas com a ponta diamantada 
1031 ou broca no 33 ½ em baixa velocidade (Figura 12.24 - setas). 
 
 
Figura 12.24 – Localização das retenções adicionais na caixa oclusal. 
 
Na caixa proximal podemos executar um sulco com a ponta diamantada 
1061 ou com a broca cônica no 169, nos diedros vestíbulo-axial e línguo-axial, 
às custas das paredes V e L. Esse sulco será realizado pelo terço inferior da 
ponta ativa da broca até o ângulo áxio-pulpar (Figura 12.25). 
 
 
Figura 12.25 – Realização de retenções adicionais na caixa proximal. 
 
 
Na Figura 12.26 temos os locais que podem receber retenções 
adicionais, conforme as dimensões finais da cavidade. 
 
A 
 
 
 
 
Figura 12.26 – Localização das retenções adicionais na caixa proximal e na caixa oclusal. 
B 
54 
 
5° tempo operatório: remoção do tecido cariado 
 
Caso reste algum tecido cariado remanescente, a sua remoção será 
feita com brocas esféricas de diâmetro compatível com a lesão de cárie ou 
através dos escavadores em forma de colher (curetas de dentina). 
 
6° tempo operatório: acabamento das paredes de esmalte 
 
Na região do ângulo cavo-superficial da parede gengival (na caixa 
mesial), poderão permanecer prismas de esmalte sem suporte que, nessa fase 
do preparo, serão removidos com o recortador de margem gengival n° 29, 
trabalhando de vestibular para lingual e vice-versa (Figura 12.27). 
 
 
RMG 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12.27 – Aplainamento do ângulo cavo-superficial gengival. 
 
 
7º tempo operatório: limpeza da cavidade 
 
Realizada com jato de ar. 
 
 
CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO 
 
Caixa oclusal: 
 
 paredes planas, regulares e lisas; 
 paredes V e L convergentes para oclusal; 
 parede pulpar plana; 
 parede distal convergente para oclusal ou expulsiva, caso a crista 
marginal esteja muito fragilizada (Figura 12.20); 
55 
 
A B 
 ângulos internos arredondados. 
 
 
Caixa proximal: 
 
 paredes planas, regulares e lisas; 
 paredes V e L convergentes para oclusal (Figura 12.28 A) e 
ligeiramente expulsivas no sentido áxio-proximal (Figura 12.28 B); 
 curva reversa de Hollenback na parede vestibular (Figuras 12.18 
e 12.28 B seta); 
 parede axial ligeiramente expulsiva para oclusal (Figura 12.20); 
 parede gengival plana e paralela ao plano horizontal; 
 ângulos diedros de primeiro grupo vestíbulo-gengival (VG) e 
línguo-gengival (LG) arredondados; 
 ângulos diedros de segundo grupo arredondados; 
 ângulos triedros vestíbulo-áxio-gengival (VAG) e línguo–áxio– 
gengival (LAG) arredondados; 
 ângulo diedro de terceiro grupo áxio-pulpar (AP) arredondado 
(Figura 12.21); 
 Cavo-superficial gengival aplainado (Figura 12.27). 
 
 
Figura 12.28 – Características finais do preparo. 
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12.4 PREPARO DE CAVIDADE DA CLASSE II MOD NO 25. 
 
 
Os procedimentos laboratoriais serão os mesmos do preparo anterior de 
cavidade de classe II, porém, realizando-se uma caixa proximal também na 
distal. Na figura 12.29 temos o contorno da cavidade. 
 
 
Figura 12.29 – Contorno do preparo. 
57 
 
12.5 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE V GRANDE NA VEST. DO 46. 
 
A. Introdução 
 
Esse preparo está indicado quando houver cárie nas faces livres do 
dente, no terço cervical vestibular ou lingual, quando a estética não for um fator 
imperioso. 
Considerações clínicas: este tipo de preparo é frequente em pacientes 
que não possuem uma boa higiene oral. A placa bacteriana formada na região 
cervical irá causar problemas periodontais e/ou cárie, portanto, além de 
restaurar, é conveniente educar o paciente quanto aos hábitos de higiene oral. 
Com o objetivo de treinamento, o preparo de cavidade de classe V no 36 deverá 
ser extenso. 
B. Tempos Operatórios 
 
1 ° tempo operatório: abertura 
 
Em geral, esse tipo de cavidade já se encontra aberta. Caso não exista 
cavitação visível, deve-se optar pela implementação de medidas preventivas ao 
invés de realizer uma restauração. 
 
2° tempo operatório: contorno 
 
 
É realizado com a ponta diamantada 1061 ou 1063 ou com a broca 169, 
onde suas laterais executam as paredes circundantes do preparo e a sua base 
faz a parede axial. As margens gengival e oclusal acompanham a curvatura da 
gengiva marginal, quando esta se apresenta normal. As margens mesial e 
distal podem ser estendidas até os ângulos axiais vestíbulo-mesial e vestíbulo- 
distal, dependendo da extensão da cárie. 
 
Figura 12.34 – Contorno da cavidade extensa. 
58 
 
3° tempo operatório: resistência 
 
A parede axial deverá acompanhar o contorno da face vestibular do 
dente no sentido M-D e G-O. Caso a face vestibular do dente seja convexa, a 
parede axial do preparo também será convexa (Figura 12.35). 
As paredes oclusal e gengival devem ser perpendiculares à parede axial 
e formar um ângulo de 90º com a superfície externa do dente, o que significa 
que elas devem ser expulsivas para a vestibular. 
As paredes mesial e distal devem ser ligeiramente divergentes para 
vestibular, de forma a acompanhar a inclinação dos prismas e formar um ângulo 
reto com a superfície externa do dente (Figura 12.35). 
 
 
 
Figura 12.35 – Conformação das paredes mesial e distal. 
 
 
4° tempo operatório: retenção 
 
 
Normalmente, esse tipo de cavidade é mais larga do que profunda, além 
de ser expulsiva, sendo necessária a realização de retenções adicionais. 
Executa-se um sulco ao longo dos diedros ocluso-axial e gêngivo-axial, às 
custas da parede oclusal e da gengival, com a ponta diamantada 1031 ou a 
broca tronco-cônica invertida n° 33 ½ (Figura 12.37). 
59 
 
 
 
 
 
 
Figura 12.37 – Confecção das retenções adicionais. 
 
5° tempo operatório: remoção de tecido cariado 
 
 
Realizado com broca esférica em baixa rotação de tamanho compatível 
com a cavidade. 
 
6° tempo operatório: acabamento das 
paredes de esmalte Já é obtido ao se realizer o 
contorno da cavidade. 
 
 
Figura 12.38 – Aplainamento do cavo-superficial gengival. 
 
 
7° tempo operatório: limpeza da cavidade 
 
 
É feita com jatos de ar. 
60 
 
CARACTERÍSTICAS FINAIS DO PREPARO 
 
 paredes planas, regulares e lisas; 
 ângulos diedros de primeiro grupo arredondados; 
 ângulos diedros de segundo grupo nítidos; 
 parede axial convexa, acompanhando o contorno da face 
vestibular do dente; 
 paredes oclusal e gengival expulsivas para a vestibular; 
 paredes mesial e distal ligeiramente expulsivas no sentido línguo- 
vestibular; 
 ângulo cavo-superficial gengival aplainado; 
 retenções adicionais nos diedros AO e AG, às custas das 
paredes oclusal e gengival. 
 
 
 
 
 
Figura 12.39 – Características finais do preparo. 
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12.6 PREPARO DE CAVIDADE DE CLASSE III DO 11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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