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DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade

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a todos que os cometeram;
f) parcial ou restrita: menciona fatos, mas exige o preenchimento de algum requisito (p. ex.: anistia que só
atinge réus primários);
g) incondicionada: não exige a prática de nenhum ato como condição;
h) condicionada: exige a prática de algum ato como condição (p. ex.: deposição de armas).
Competência: é exclusiva da União (CF, art. 21, XVII) e privativa do Congresso Nacional (CF, art. 48,
VIII), com a sanção do Presidente da República, só podendo ser concedida por meio de lei federal.
Revogação: uma vez concedida, não pode a anistia ser revogada, porque a lei posterior revogadora
prejudicaria os anistiados, em clara violação ao princípio constitucional de que a lei não pode retroagir
para prejudicar o acusado (CF, art. 5º, XL).
Efeitos: a anistia retira todos os efeitos penais, principais e secundários, mas não os efeitos extrapenais.
Desse modo, a sentença condenatória definitiva, mesmo em face da anistia, pode ser executada no juízo
cível, pois constitui título executivo judicial. Quanto a outros efeitos extrapenais já decidiu o Supremo
Tribunal Federal: "a anistia, que é efeito jurídico resultante do ato legislativo de anistiar, tem a força de
extinguir a punibilidade, se antes da sentença de condenação, ou a punição, se depois da condenação.
Portanto, é efeito jurídico, de função extintiva no plano puramente penal. A perda de bens, instrumentos
ou do produto do crime é efeito jurídico que se passa no campo da eficácia jurídica civil; não penal,
propriamente dito. Não é alcançada pelo ato de anistia sem que na lei seja expressa a restituição desses
bens" (RT, 560/390.).
Crimes insuscetíveis de anistia: de acordo com a Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, são insuscetíveis
de anistia os crimes hediondos, a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o
terrorismo, consumados ou tentados.
Indulto e graça em sentido estrito
Conceito: a graça é um benefício individual concedido mediante provocação da parte interessada; o
indulto é de caráter coletivo e concedido espontaneamente. Na conceituação de José Frederico
Marques, "o indulto e a graça no sentido estrito são providências de ordem administrativa, deixadas a
relativo poder discricionário do Presidente da República, para extinguir ou comutar penas. O indulto é
medida de ordem geral, e a graça de ordem individual, embora, na prática, os dois vocábulos se
empreguem indistintamente para indicar ambas as formas de indulgência soberana. Atingem os efeitos
executórios penais da condenação, permanecendo íntegros os efeitos civis da sentença condenatória"
(Tratado, cit., v. 3, p. 425-426.). A Constituição Federal não se refere mais à graça, mas apenas ao
indulto (CF, art. 84, XII). A LEP passou, assim, a considerar a graça como indulto individual.
Competência: são de competência privativa do presidente da República (CF, art. 84, XII), que pode
delegá-Ia aos ministros de Estado, ao procurador-geral da República ou ao advogado-geral da União
(parágrafo único do art. 84).
Efeitos: só atingem os efeitos principais da condenação, subsistindo todos os efeitos secundários penais e
extrapenais. Exemplo: o indultado que venha a cometer novo delito será considerado reincidente, pois o
benefício não lhe restitui a condição de primário. A sentença definitiva condenatória pode ser executada
no juízo cível.
Formas: plenos, quando extinguem toda a pena, e parciais, quando apenas diminuem a pena ou a
comutam (transformar em outra de menor gravidade).
Indulto condicional: é o indulto submetido ao preenchimento de condição ou exigência futura, por parte
do indultado, tal como boa conduta social, obtenção de ocupação lícita, exercício de atividade benéfica à
comunidade durante certo prazo etc. Caso a condição seja descumprida, deixa de subsistir o favor,
devendo o juiz determinar o reinício da execução da pena (Aloysio de Carvalho Filho, Comentários ao
Código Penal, 4. ed., São Paulo, Forense, 1958, v. 4,p. 189.).
Recusa da graça ou indulto: só se admite no indulto e graça parciais, sendo inaceitável a recusa da graça
ou do indulto, quando plenos (CPP, art. 739).
Procedimento do indulto individual: a graça, também chamada de indulto individual, em regra, deve ser
solicitada (LEP, art. 188):
a) o requerimento pode ser feito pelo próprio condenado, pelo Ministério Público, pelo Conselho
Penitenciário ou pela autoridade administrativa responsável pelo estabelecimento onde a pena é cumprida;
b) os autos vão com vista ao Conselho Penitenciário para parecer (a menos que este tenha sido o autor
do requerimento);
c) em seguida, o Ministério Público dará seu parecer (LEP, art. 67);
d) os autos são encaminhados ao Ministério da Justiça e, de lá, submetidos a despacho do Presidente da
República ou das autoridades a quem delegou competência (CF, art. 84, parágrafo único);
e) concedido o indulto individual, o juiz o cumprirá, extinguindo a pena (indulto pleno), reduzindo-a ou
comutando-a (indulto parcial).
Procedimento do indulto coletivo: o indulto coletivo é concedido espontaneamente por decreto
presidencial. Segundo Mirabete, "ele abrange sempre um grupo de sentenciados e normalmente inclui os
beneficiários tendo em vista a duração das penas que lhe foram aplicadas, embora se exijam certos
requisitos subjetivos (primariedade etc.) e objetivos (cumprimento de parte da pena, exclusão dos autores
da prática de algumas espécies de crimes etc.)" (Manual, cit., v. 1, p. 382.). Pode-se citar a título de
exemplo o Decreto n. 1.860, de 11 de abril de 1996, que não beneficia os condenados pelos crimes
previstos no art. 157, § 2º, II e I1I, do Código Penal, tentados ou consumados. Concedido o indulto por
meio de decreto, deverá ser anexada aos autos cópia do decreto, quando então o juiz declarará extinta a
pena ou ajustará a pena aos termos do decreto no caso de comutação (LEP, art. 192). O juiz poderá
atuar de ofício, a requerimento do interessado, do Ministério Público, ou por iniciativa do Conselho
Penitenciário ou de autoridade administrativa (LEP, art. 193).
Quanto ao momento para aferição dos requisitos objetivos e subjetivos do indulto, há posicionamento no
sentido de que o exame dos requisitos objetivos e subjetivos deve ser feito com base na situação do
sentenciado à época do decreto e não no momento da decisão concessiva do benefício pelo juiz. Há, por
outro lado, posicionamento no sentido de que a análise das condições deve ser feita por ocasião da
sentença e abrange todo o período a ela antecedente, antes e depois da publicação do decreto. Desse
modo, ao contrário do direito adquirido, o candidato ao indulto ou redução de pena tem somente
expectativa de direito, devendo reunir todos os pressupostos legais no momento da decisão judicial (RT,
559/323.).
Momento da concessão: só após o trânsito em julgado da condenação. A jurisprudência tem admitido
após o trânsito em julgado para a acusação, ainda que caiba recurso da defesa (RTJ, 66/58 e 33/58.). A
obtenção de tal benefício nesse momento não toma prejudicada a apelação que visa à absolvição do réu
que vem a ser indultado, uma vez que permanece o seu interesse no julgamento (STF, RT, 518/438.).
Com efeito, o provimento do apelo poderá trazer conseqüências mais abrangentes ao indultado do que o
próprio indulto, porquanto este somente extingue a pena.
Crimes insuscetíveis de graça ou indulto: de acordo com a Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, são
insuscetíveis de graça ou indulto os crimes hediondos, a prática de tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins e o terrorismo, consumados ou tentados. Parte da doutrina insurge-se contra
a proibição do indulto pela Lei de Crimes Hediondos. Argumenta que a Constituição só proibiu a anistia e
a graça, não autorizando outras restrições ao jus libertatis. Sem razão, contudo. A Constituição é um
texto genérico, e, por essa razão, não se exige preciosismo técnico em suas disposições. Quando o
constituinte menciona o termo "graça", o faz em seu sentido amplo (indulgência