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p. 300
 Nietzsche (1844-1900) nasceu em Rocken, uma localidade da Alemanha atual. filho de um culto pastor protestante, estudou grego, latim, filologia e teologia. Mente brilhante, aos 24 anos tornou-se professor titular de filologia na universidade da Basileia, em uma época em que o hegelianismo ainda mantinha a hegemonia no mundo alemão. Ainda jovem, começou a sentir os sintomas de uma doença que o levaria progressivamente à deterioração física, a episódios de perda da consciência e a crises de loucura no final da vida. 
 Diferentemente da maioria dos filósofos, Nietzsche escreveu a maior parte de suas obras sob a forma de aforismos. Aforismo é uma máxima, isto é, uma sentença curta que exprime um conceito, um conselho ou um ensinamento. Exemplo: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos, por aqueles que não podiam escutar a música”.
 A força de “martelar” e o “martelo representam as críticas de Nietzsche à noção platônica da cultura ocidental (sensível, inteligível, o cristianismo).
 Para Schopenhauer, a essência do mundo seria a vontade (ou a vontade de viver). Entendida como um princípio presente em todas as coisas da natureza, a vontade seria uma pulsão ou impulso cego, carente de fundamentos ou motivos. no ser humano, essa vontade torna-se desejo consciente, o qual, não sendo satisfeito, provoca sofrimento. No entanto, o desejo satisfeito gera tédio, na medida em que alcançamos e temos o que já não desejamos. Assim, a vida oscilaria do sofrimento ao tédio como um pêndulo. 
 E essa vontade insaciável – como força que impulsiona todo indivíduo a afirmar sua existência sem pensar nos demais – seria a origem das lutas entre os seres humanos e, portanto, a origem de todas as dores e sofrimentos aos quais as pessoas estão condenadas. Assim, para Schopenhauer, a felicidade não passaria da cessação momentânea, um momento negativo dessas privações.
 A visão pessimista que Schopenhauer tinha da vida acabou decepcionando Nietzsche, pois este entendia a felicidade verdadeira como um sentimento pleno. Isso o levou a romper com o pensamento schopenhaueriano e passar a ser um de seus críticos mais contundentes (como o seria de muitos outros). Apesar disso, algumas de suas concepções guardariam certas semelhanças com as de Schopenhauer. um exemplo disso é o conceito de vontade de potência. 
 Muitos reduziram a vontade de potência a uma tese biológica que tentava justificar o espírito de competição dos seres humanos e seu apetite por poder, tendo inclusive sido utilizada pelo nazismo na defesa de suas pretensões dominadoras. hoje em dia, porém, predomina a interpretação de que a vontade de potência se refere não apenas a um conjunto de pulsões competitivas, sem outra finalidade que não seja a própria vida, mas também a um impulso de afirmação da vida na direção de uma transcendência criadora, que conduziria a uma plenitude existencial.
 Em análise, o filósofo alemão Nietzsche estabelece duas dimensões da realidade: o apolíneo e o dionisíaco, a partir dos deuses gregos Apolo (deus da razão, da clareza, da ordem) e Dionísio (deus da aventura, da música, da fantasia, da desordem), respectivamente.
 
 Você nunca sentiu que, às vezes, sua mente parece esconder uma parte de seu ser da outra parte de seu ser? É o que ocorre, por exemplo, quando de repente você se recorda de algo que lhe aconteceu na infância e havia ficado esquecido durante todo esse tempo. Ou quando você chora sem saber por que, diz alguma coisa sem querer ou faz algo que não sabe justificar. 
 Pois bem, foi a partir da observação dessas e de outras condutas “estranhas” que se formularam algumas concepções importantes para a compreensão da mente e do ser humano e que marcaram profundamente a cultura ocidental contemporânea.
Na passagem do século XIX para o século XX, o médico neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) concebeu uma teoria da mente que revolucionou a história do pensamento, em vários sentidos, e criou a psicanálise (definição em quadro adiante).
 De acordo com a teoria freudiana, o aparelho psíquico humano estaria estruturado em três instâncias ou esferas: id, superego e ego. 
 O id é a instância mais antiga do inconsciente e da psique de um indivíduo. Está presente desde seu nascimento. Nele dominam as pulsões, isto é, os impulsos corporais e os desejos inconscientes mais primitivos e instintivos.
Regido pelo princípio do prazer, o id empurra o indivíduo a buscar aquilo que lhe traz satisfação e a negar o que lhe traz insatisfação, desconhecendo as demandas da realidade e das normas sociais. Atua de maneira ilógica e contraditória (ver definições no próximo capítulo) e tem nos sonhos seu principal meio de expressão. apesar disso, o id seria o motor oculto do pensamento e da conduta humana. 
 O superego é outra instância do inconsciente, mas este se forma no processo de socialização da criança, principalmente a partir da interação com os pais e dos “nãos” que ela recebe, explícita ou implicitamente, durante toda a sua infância: “isso não pode”, “isso é feio”, e assim por diante.
 Esse conjunto de regras de conduta que a criança absorve de seu meio social vai constituindo um núcleo de forças inconscientes (o superego), que reprime os impulsos inaceitáveis do id. Portanto, o superego tem o “papel” de censurar e controlar nossos impulsos instintivos. Ele se expressa em nossa consciência moral e relaciona- -se com nosso eu ideal (ou ego ideal). 
 O ego, por sua vez, é a instância consciente e pré-consciente (potencialmente consciente) do aparelho psíquico. Ele interage com o mundo externo, ao mesmo tempo em que recebe as pressões das duas esferas inconscientes (o id e o superego). É regido pelo princípio da realidade, ligado às condições e exigências do mundo concreto. assim, o ego precisa lidar não apenas com as dificuldades da vida cotidiana, mas também resolver de maneira realista os conflitos entre seus desejos internos (as necessidades de prazer imediato do id) e seu senso moral (o superego).
 Freud também observou que, quando não consegue enfrentar diretamente essas demandas conflitantes, o ego costuma empregar diversos mecanismos de defesa, pelos quais os conteúdos censurados pelo superego são reprimidos (recalcados), mas acabam expressando-se de forma indireta na vida da pessoa (como em atos falhos, sonhos e projeções).
 Ato falho – ação de dizer ou fazer algo por engano, sem intenção, mas que seria, na verdade, a expressão de algum pensamento, juízo ou desejo reprimido. 
 Projeção – ação pela qual um indivíduo projeta em outra pessoa algo que ele não aceita e reprime em si mesmo, de forma inconsciente, mas que lhe pertence, como sentimentos, pensamentos ou desejos.
De acordo com a teoria freudiana, trazer à consciência esses conteúdos reprimidos e entendê-los ajudaria o indivíduo a lidar com seus medos e inibições e a se adaptar da melhor maneira possível à sua realidade concreta no presente.
Atividade: O “id”da teoria de Freud se relaciona com o conceito de “vontade de potência” de Nietzsche. A partir do que foi estudado escreva um conceito do que é:
- Id de Freud;
- Vontade de potência de Nietzsche.

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