Buscar

Prévia do material em texto

DIREITO CONSTITUCIONAL II
GILMAR, JOSE AFONSO E ALEXANDRE DE MORAES
3/8
Três temas fundamentais na nossa Constituição:
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO – normas de organização na definição de Barrozo
FINALIDADES DO ESTADO – normas programaticas 
DIREITOS DECLARADOS – normas definidoras de direitos fundamentais
O Estado tem entao duas limitações pela constituição que o organiza: fins a alcançar e direitos a respeitar. O Estado não pode trilhar qq caminho.
Sigilo bancário: na CF é prevista a responsabilidade do Estado para investigar, acusar, processar, julgar e condenar. Quando se acessam os dados bancários numa investigação não se quebra o sigilo porque a informação prossegue sendo sigilosa para todos os demais públicos e em todas as demais situacoes. Essa a base do segredo de justiça. O direito à intimidade permanece.
No nosso estudo aqui os direitos fundamentais são o escudo para proteger o cidadão da ação do Estado, mas tais direitos têm ainda eficácia horizontal. Por ex, um empregador não pode indagar sobre a religião do potencial empregado pois este tem direito à isonomia.
Mutação constitucional – a C americana não previa isonomia pq ele surge no regime da escravidão. só surge previsão legal de igualdade depois da Secessao. Um cara chamado PLESSY entrou no bonde na Louisiana e sentou no asento dos brnacos. Juiz Ferguson o condenou. Na Suprema Corte, ele perdeu com um único voto a favor (HARLAN) . Os demais adotaram a tese de equal but separated. Ou seja, interpretaram que a tese da igualdade não é incompatível com a tese da segregação. Só na década de 50 se quebra essa decisão e declara a lei da segregação inconstitucional. NÃO MUDOU O TEXTO, APENAS A INTERPRETAÇÃO. Direito constitucional é dinâmico porque ele muda com a interpretação. (nota do mestre: ao menos o caso Plessy consolidou a tese da igualdade garantindo aos negros escolas iguais, transportes iguais. do negativo, se deve extrair o positivo)
Contraste entre a CF e a realidade justificado pela possibilidade de efetivação dos direitos ali consignados, inclusive por parte do judiciário.
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
É importante então entender os três grandes temas da Constituição, a interligação entre eles e as respostas que os casos reais vão dando à compreensão da Constituição, fundamento da interpretação tópica (direito a tratamento medico experimental se já iniciado que passou a existir).
Importante a ideia de pesos e contrapesos no Direito Constitucional. Cada poder hora controla, hora é controlado.
Principio da razoabilidade: so tem sentido quando se estabelece um padrão e apenas para uma situação se aceita uma execeção. Ex: impossibilidade de testes psicológicos em concursos públicos (validação só em estado probatório). Para policiais, depois de problemas práticos, se passou a prever analise psicológica com recurso a junta medica.
Cuidado com o termo separação dos poderes: eles são separados apenas estruturalmente, mas no funcionamento esses poderes se relacionam e devem guardar HARMONIA entre si. O Congresso aprova projeto de lei que para virar lei precisa da sanção do Presidente – Executivo, embora o STF mais à frente possa declará-lo inconstitucional. Ex: Senado julga o Presidente por crime de responsabilidade mas quem preside é o STF.
Por mais que a CF coloque os poderes estruturalmente separados no Brasil, há o predomínio do Executivo que tem o monopolio da forca e uma forte cultura de agigantamento.
08/08
Como os poderes se relacionam com as funções de legislar, administrar e prestar a jurisdição? Na pratica, cada poder exerce as três funções, assim viabilizando os pesos e contrapesos.
O que é legislar? É quando o poder publico por certo ato introduz na ordem jurídica uma norma abstrata e genérica. É produzir uma norma de conteúdo abstrato, que regra o comportamento da sociedade em relação àquele tema e que vale para todos os que integram tal sociedade e sejam destinatários da regra e, portanto, genérica. 
O Executivo legisla também quando edita uma Medida Provisória. O CFRB art 84, IV nos da a essência do que é ser chefe do poder Executivo – Presidente, Governadores, Prefeitos
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;
Os regulamentos possibilitam a uniformização da interpretação da lei. Eles estão está abaixo da lei mas estao no mesmo patamar de abstração (genérico e abstrato).
Ex: Direito Previdenciario – O auxilio reclusão mostra que a pena não é herdada e é tema tratado na Lei Federal 8213/91. se o cara foge, o que fazer? O Decreto 3048 regulamenta a Lei 8213/91 dizendo que se o cara foge o beneficio é suspenso de modo que todos os postos apliquem a mesma regra.
Não é, portanto, só o Legislativo que legisla.
O Judiciário também legisla, como na súmula vinculante (CF 103-B) Com a emenda 45 de 2004 o STF pode editar sumular vinculantes que solidificam o entendimento. O que é ela disciplinar de forma abstrata e genérica vale para todos.
O STF também tem uma função legislativa negativa, controlando a constitucionalidade por meio das ADIN.
Em meados dos anos 90, o STF estendeu para os servidores civis o mesmo aumento de 28% que havia sido dado aos servidores militares. Esse um dos primeiros exemplos de atuação positiva do STF.
O Mandado de Injunção é outro exemplo de atuação do Judiciário como legislador, hoje emblemático.
Outro exemplo: os Tribunais elaboram seus regimentos internos que regulam como transitam os seus processos. Não é só o STF que legisla.
NO DT, o dissídio coletivo é levado ao TST que dá uma sentença normativa que é generica e abstrata, valida para todos os trabalhadores vinculados à decisão.
IMPORTANTE: nem toda lei é um ato legislativo no seu conteúdo. Ex: se a Assembleia Legislativa do RS declara o prédio do TJ patrimônio do Estado, esse é um ato que é especifico e portanto não tem a generalidade nem a abstração que caracterizam as leis de conteúdo legislativo. Essas são leis de efeitos concretos que não tem conteúdo legislativo, são apenas atos administrativos.
ADMINISTRAÇÃO E PRESTAÇÃO DA JURISDIÇÃO – ambos, juiz e administrador, são aplicadores do direito. Para Kelsen, são 3 poderes mas apenas 2 funções: legislar e aplicar. IMPORTANTE: essa tese é superada hoje porque quando se elabora uma lei, as regras da Constituição têm que ser aplicadas. Por outro lado, na integração das leis pelo juiz, há um potencial criativo que mostra que o juiz não está limitado à aplicação da lei.
A função de LEGISLAÇÃO é mais facilmente definível, mas a ADMINISTRAÇÃO E PRESTAÇÃO DA JURISDIÇÃO são mais dificilmente diferenciadas. De fato são ambas aplicações do direito, mas há elementos diferenciadores. O juiz quando aplica o direito, o faz porque as partes pediram, porque houve provocação. As atividades administrativas, por outro lado, se passam de oficio. O poder publico contrata, licita, desapropria e não depende de provocação de ninguém, mas em outras situações o pode publico atua se é feito um requerimento: requer-se uma vaga na escola, requer-se uma aposentadoria, requer-se fazer um concurso.
Na função jurisdicional. a aplicação do direito em regra depende de provocação e na função administrativa nem sempre depende de provocação.
Na prestação jurisdicional quem aplica o direito, o faz em uma situação LITIGIOSA; é na situação de conflito que a jurusdição atua. A função administrativa aplica o direito em situações NÃO LITIGIOSAS.
A função jurisdicional envolve a aplicação do direito que depende de provocação para compor situações litigiosas.
Jurisdição voluntaria – o Estado deve buscar otimizar os meios que tem, e destina à magistratura atos que não são essencialmente jurisdição (Humberto Teodoro). A jurisdição voluntaria é jurisdição na forma, masna sua essência é função administrativa. [assim como há leis que só são leis no aspecto formal]
CHIOVENDA vê a jurisdição como uma função substitutiva (da vontade das partes pela do Estado Juiz). Na função administrativa, não há essa substitutividade. 
Quem administra integra a relação, quem exerce jurisdição intervém na relaçao.
JURISDIÇÃO aplicação do direito, com provocação previa, situação litigiosa, quem exerce afasta a vontade das partes e exerce a sua.
ADMINISTRAÇÃO aplicação do direito, sem provocação previa, sem situação litigiosa, sem substituir vontade das partes
O Legislativo também tem função executiva (licitações, concursos publicos, CPIs). As CPIs investigam (não julgam nem legislam), cumprem atividade administrativa.
O Judiciário também tem função executiva (licitações, concursos publicos, concessão de férias aos servidores, juiz eleitoral fiscaliza processo eleitoral, inscrição de candidatos da eleição, registro de pesquisa eleitora na Justica eleitoral, apuração da eleição).
LEGISLATIVO EM ATIVIDADE JURISDICIONAL: por crime de responsabilidade, o presidente é julgado na Câmara e no Senado por iniciativa (denuncia) popular.
EXECUTIVO EM ATIVIDADE JURISDICIONAL: quem recorre de multas aciona a esfera recursal, jurisdicional. Precisa de ampla defesa, devido processo legal. respeito às garantias legais.
15 de agosto de 2011 DANIEL
Direito Constitucional II
O Poder Legislativo:
No Congresso Nacional podemos encontrar duas casas (bicameralismo). O Senado e a Câmara dos deputados.
Art.45, parágrafo primeiro, CF: trata da Câmara dos Deputados. Nesta é representado o povo, tanto que quanto maior a população dos estados, maior o numero de deputados.
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
§ 1º - O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados.
§ 2º - Cada Território elegerá quatro Deputados.
Art. 46, CF: o Senado garante a isonomia entre as unidades da federação, ele garante um igual peso as unidades que formam a federação brasileira. Cada estado possui três Senadores.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário.
§ 1º - Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.
§ 2º - A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços.
§ 3º - Cada Senador será eleito com dois suplentes.
Distinções entre Câmara e Senado:
-Na Câmara encontramos os representantes do povo e no Senado os dos estados (é garantidor da federação).
-Art. 14, CF: fala de direitos políticos e condições de elegibilidade. Uma delas é a idade mínima, para deputado é 21 anos, para Senadores, 35. 
-Art.45, CF: o mandato do Senador é de 8 anos, enquanto do deputado é de 4anos. A Câmara dos deputados, ao fim de cada legislatura (4anos) ela tem disputadas todas as suas cadeiras. Assim, em regra ela se renovaria por inteira a cada 4 anos. Se um certo deputado permanece neste cargo é porque ele foi reeleito. Já no Senado, nunca se encontra disponível simultaneamente todas as suas cadeiras, ele nunca passa por renovações totais já que há eleições para o Senado a cada 4 anos, sendo o mandato de 8 anos. Nas ultimas eleições, nós do RJ elegemos apenas 2 Senadores. Portanto, o Senado cumpre o papel de uma casa conservadora já que seus componentes tem uma idade mais avançada, tem maior tempo de mandato e, além disso, ela nunca se renova inteiramente, sempre um terço ou dois terços. Por outro lado, a Câmara cumpre um papel mais progressista por ter idade mínima menor, um mandato de 4 anos e a cada 4 anos é completamente renovada.
Obs.: Nossa política é uma política partidária, partidos que estão na Câmara reaparecem no Senado. Assim, o que se ajusta na Câmara reaparece no Senado. Logo, as casas não destoam tanto uma da outra porque os partidos são semelhantes. Isto explica porque é muito raro que no Brasil um projeto seja aprovado na Câmara e reprovado no Senado.
Obs.: Em termos de prestigio, o Senado está acima da Câmara (há ex-presidentes, ex-governadores, principais líderes dos partidos). 
Atenção - Por qual casa se inicia um projeto de lei complementar? Um projeto de lei de um deputado federal se inicia na Câmara, de um Senador se inicia no Senado. Contudo, há os casos de iniciativa extraparlamentar, como o projeto de lei do Presidente da Republica, do STF, do procurador geral da República, iniciativa popular, (art.61, parágrafo 2º, etc... Nestes casos extraparlamentares, deve-se considerar que tudo o que é novo deve levar inicialmente uma leitura progressista para depois se deparar com o conservadorismo. Logo, a primeira casa que contemplaria tais projetos seria a Câmara.
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição.
§ 2º - A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
-obs.: Qual seria a primeira a casa a contemplar proposta de emenda constitucional? (art. 60, CF) A letra da lei não especifica. Se partir da Câmara, iniciativa popular (também não está especificado, mas se supõe já que todos os que possuem a faculdade de realizar a proposta exercem a soberania que emana do povo) ou da Presidência da República, primeiro seria contemplada na Câmara. Caso provenha do Senado ou das Assembleias Legislativas, primeiro será observada no Senado.
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
-Há quem defenda o fim do Senado criando o unicameralismo. Esta pretensão objeta acabar com esta casa de forte concentração de poder político. Contudo, há uma grande dificuldade com a abolição do Senado. O parágrafo 4º do art.60, CF prevê a federação como cláusula pétrea. Caso o Brasil abolisse o Senado, estaria tendendo a também extinguir o federalismo. Isso ocorre porque pequenos estados tem força apenas no Senado por ter uma gama populacional menor e serem pouco representados na Câmara. Assim, com o fim do Senado estes estados seriam muito fragilizados. O Brasil continuaria sendo uma federação, porém mutilado já que haveriam estados muitopoderosos e outros menos populosos muito desprotegidos.
- A Câmara é uma representação do povo, mas tende a não possuir uma real proporcionalidade já que há mínimo e máximo para a quantidade de deputados na Câmara (mínimo 8, máximo 70 – art.45, parágrafo primeiro). 
No entanto, o governador do Rio Grande do Sul moveu uma ação direta de inconstitucionalidade ADI 815 contra o art.45, parágrafo primeiro, afirmando que o art.60, parágrafo 4º, pode ser interpretado no sentido de que todos os brasileiros devem ter um voto de mesmo peso, fato desrespeitado pela ideia de mínimo e máximo do número de deputados. (claramente o Rio Grande do Sul é um estado muito numeroso). Em resposta, o STF extinguiu esta ação direta de inconstitucionalidade sem julgamento do mérito por considerar tal pedido juridicamente impossível por tentar ajuizar uma ADI contra uma norma que emanou do Poder Constituinte Originário.
-Bahoff é aquele que acredita que é possível ajuizar uma ADI contra uma norma emanada do Poder Constituinte Originário quando esta não estiver em coerência ética com o sistema jurídico. 
-Legislar é a função preponderante do legislador. Além disso, deve o legislador fiscalizar a atividade do Estado e situações sociais de relevância. Esta atividade de legislação fica muito clara em comissões parlamentares de inquérito (ex.: surge um grupo de extermínio em determinado estado e se forma esta comissão). No entanto, na prática podemos observar uma certa inércia do legislador com relação a sua atuação de fiscalização.
-Art. 59, CF: processo legislativo. 
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
A medida provisória destoa das outros fatos enumerados. É a única opção que representa o fim do processo legislativo e não o começo. Esta provém de ato do Executivo. Contudo, o art.59 é feliz ao dizer que o processo legislativo “compreende” e não “produz”. Sempre que a lei utilizar a palavra processo representa atos ordenados e interligados, praticados seguidamente. O processo legislativo representa o conjunto de atos ordenados e interligados realizados com o fim de produzir as espécies do art.59, salvo a medida provisória. 
Obs.: ao falarmos de emenda (art.60, CF), esta foi objeto de uma proposta. Já o projeto é de atos de hierarquia inferior como os observados no art.59.
-Para José Afonso da Silva, a luz do art. primeiro, parágrafo único, deve-se ao máximo interpretar a Constituição no intuito de permitir o exercício de democracia direta. Assim, o povo também estaria autorizado a realizar uma proposta de emenda.
-Ao falarmos de lei ordinária não há isonomia entre as duas casas. A primeira casa possui maior poder de decisão. Isto ocorre, pois caso a segunda casa proponha emendas ao projeto, a primeira casa possui a faculdade de aprovar o seu próprio texto ou o texto com as emendas da segunda casa. (esta matéria será mais aprofundada). Já no caso das emendas constitucionais, a emenda ficará tramitando entre as duas casas até que ambas aprovem o mesmo texto, duas vezes com o quórum de três quintos. Assim, a segunda casa neste caso está em posição igual à primeira casa. Nesta situação podemos observar a rigidez constitucional, que possui um quórum maior (favorável de três quintos), há duas votações em cada casa e ambas as casas possuem a mesma força. 
Atenção: A emenda nasce quando um texto substancialmente igual (mesmo que formalmente distinto) , é aprovado duas vezes em cada casa com um quórum favorável de três quintos. Isso ocorre porque é muito comum que ocorram mudanças formais nos textos da emenda, NÃO SENDO JUSTO OU RAZOÁVEL QUE ESTA SEJA NOVAMENTE VOTADA PARA QUE SEJA APROVADA.
17/8
O projeto de lei complementar é um ato complexo desigual: mais de um órgão manifesta a vontade, mas não é necessário que a vontade coincida.
A emenda constitucional é ato complexo igual: manifestação de vontade de mais de um órgão essencialmente com o mesmo conteúdo. Cabem diferenças formais eventuais que não podem ser substanciais.
Art 60 § 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.
A CF diz que ambas as mesas devem promulgar concomitantemente e aqui está buscando consenso. Promulgar é reconhecer a existência de uma lei. 
LIMITES AO PODER CONSTITUINTE ORIGINARIO
LIMITES FORMAIS/PROCEDIMENTAIS
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio
Há na ordem jurídica a previsão de instrumentos para vencer estados de crise: são normas de estabilização constitucional, que levam a CF à normalidade. Uma legalidade extraordinária vigora nesses estados e por isso há vedação às emendas à CF nesses casos. São ao LIMITES CIRCUNSTANCIAIS.
LIMITACOES MATERIAIS – CLÁUSULA PÉTREA
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
O que se petrifica após essas definições? qual é a extensão do que aí está? há clausulas pétreas fora do art 60?
Leis não têm uma identidade permanente. O CPC mudou muito de 73 para cá; mudou seus princípios fundantes! Privilegiava a segurança jurídica em um processo seguro que passou a ser processo lento nos anos 90 quando a priorização passou a ser a celeridade e a efetividade, ainda que se perca em segurança. Ou seja, o CPC é outro!
Isso o que diferencia uma Constituição de uma lei: cada C tem sua identidade que deve ser preservada ao longo da sua história. O sucesso da C americana é essa preservação da identidade fundante com flexibilidade para acompanhar a evolução da sociedade.
Nota: quando o CNJ foi criado pela EC 45, se considerou que havia violação da separação dos poderes porque há componentes de fora do Judiciário. Mas o CNJ é órgão do próprio poder judiciário, composto por pessoas que não são do Judiciario, mas os elementos de controle externo são minoria (ver 103-B). 
Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 61, de 2009)
I - o Presidente do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 61, de 2009)
II - um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado pelo respectivo tribunal; 
III - um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, indicado pelo respectivo tribunal; 
IV - um desembargador de Tribunal de Justiça, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; 
V - um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; 
VI - um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; 
VII - um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; 
VIII - um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho; 
IX - um juiz do trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho;
X - um membro do Ministério Público da União, indicado pelo Procurador-Geral da República; 
XI um membro do Ministério Público estadual, escolhido pelo Procurador-Geral da República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual;
XII - dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
A EC 45 não criou a ideia de elementos estanhos na estrutura do judiciário: o art 94 da redação original já previao quinto constitucional. Também no art 93 é previsto que a OAB tem 1 vaga na banca da magistratura.
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:
I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação;
Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.
Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que, nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação.
As estruturas distintas dos poderes agem por pesos e contrapesos e isso é preservado.
Preservação da federação: o DT saiu da competência da justiça estadual e foi para a esfera federal. Isso aconteceu mas não houve violação da federação.
Reforma política: pretende-se que o voto passe a ser facultativo (isso não viola a clausula pétrea. O voto obrigatorio esta no 14)
Direitos e garantias individuais – nos direitos que constam do art 5º, o BEM JURIDICO tutelado é a individualidade. Não são direitos individuais por serem do individuo, mas porque tutelam o direito à individualidade que aos outros caberá respeitar numa sociedade PLURALISTA.
Direitos sociais são os que garantem o mínimo existencial.
Na interpretação literal, os direitos sociais não estão na clausula pétrea. HÁ UMA CONSTRUÇÃO: ninguém consegue construir sua individualidade na miséria, sem saúde e sem educação. Assim, haveria um núcleo pétreo nos direitos sociais que se atingidos “tendem a abolir os direitos individuais”.
Ingo Sarlet tem outra tese: os direitos sociais são pétreos não porque tendem a abolir os direitos e garantias individuais, mas porque a identidade da nossa C é o de uma C social. Atingindo esses direitos sociais se deturparia essa identidade. CUIDADO. Nesse raciocínio, se localizam clausulas pétreas para fora do art 60, § 4º, como a própria existência do MP. Na doutrina se vê que por dois caminhos se confere natureza pétrea ao MP:
ele seria o 4º Poder e sendo assim, faz parte da separação de poderes (Prof acha essa tese equivocada errada. MP tem autonomia financeira e administrativa, mas na essência há uma diferença essencial: Judiciario decide conflitos, Legislativo estabelece as regras; Executivo implementa políticas publicas. O MP não tem nenhuma atribuição decisória: ele promove investigação, provoca instancias outras que, elas sim, tomam decisões.
no art 127, o Poder Constituinte Ordinario diz que o MP é instituição permanente (essa mensagem ele deixa para o PCDerivado) e por isso não pode ser abolida ou mudada.
Iniciativa é a apresentação de projeto de lei: iniciativa parlamentar ou extra parlamentar (presidente, STF, TCU, projeto de lei de iniciativa popular etc). Saber se a iniciativa é parlamentar é importante porque varia a primeira casa (começa em cada casa o que tem iniciativa na sua estrutura). Se é extra parlamentar é sempre a Câmara que da inicio.
DIFERENCA SENADO X CÂMARA: o Senador tem 35 anos no mínimo, deputado 21; a Câmara tem propensão progressista e o Senado uma propensão mais conservadora. O que vem de fora começa na casa mais progressista.
Comissoes temáticas: cada casa tem as suas comissões, todas com papel básico de emitir pareceres e fazer audiências publicas. Elas realizam trabalhos preparatórios. Nem todo projeto de lei passa em todas as comissões (só nos que tem a ver) mas todos passam na Comissao de Constituição e Justica. 
Congresso hoje tem comissões com desempenho apenas burocrático. As frentes parlamentares são pluripartidárias e tratam de temas relevantes. funcionam. 
22 de agosto de 2011-
Direito Constitucional II DANIEL
Cont. leis ordinárias
Comissões temáticas:
Obs.: comissão de constituição e justiça – faz um controle preventivo de constitucionalidade. Tal controle é muito feito no Brasil pelo Poder Judiciário, sendo o controle deste órgão um controle jurisdicional e repressivo. Já o controle feito pela Comissão de Constituição é Justiça é um controle preventivo e político: PREVENTIVO já que se está aferindo a constitucionalidade de um projeto e não de uma lei já constituída e POLITICO por ser realizado por comissão composta por indivíduos eleitos pelo povo.
- Após o parecer das comissões temáticas, este orientará o que o plenário fará no momento de votar. 
-O quórum para deliberar a respeito de projeto de lei ordinária. Art.47, CF (regra geral): em sua literalidade não indica quórum para aprovar lei ordinária e sim qualquer tema para cuja deliberação do Congresso não há quórum específico. 
Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.
LEIS ORDINÁRIAS - Para leis ordinárias não há um quórum específico, assim, incide o art.47, CF. Além disso, para deliberar deve estar presente maioria absoluta (primeiro número inteiro após a metade e não “metade mais um”. Ex.: o Senado deve ter 41 Senadores presentes para deliberar), com aprovacao por maioria dos presentes.
Como o mínimo é de 41 Senadores, seriam necessários 21 para aprovação.
DIVERGENCIA -Gilmar Ferreira Mendes acredita que o art.47, CF afirma que devemos considerar a maioria dos votos e não a maioria dos presentes. Assim, não importa o número de congressistas que se abstiveram de votar. 
Ou seja, se há 41 Senadores presentes, mas 10 se abstém, 12 votam a favor e 9 contra, nesse critério o projeto de lei seria aprovado.
Berthier não acha esta tese legitimadora já que pode ser legislação ordinária aprovada com um número muito baixo de congressistas a favor.
SEGUNDA CASA -A primeira casa pode rejeitar ou aprovar o projeto de lei ordinária. Caso a primeira rejeite, o projeto não irá para a segunda. Caso a primeira aprove, irá para a segunda casa, que constitui a casa revisora (obs.: nossa política partidária demais representa que não ocorre esta divisão de conservadores e liberais como em tese na Câmara e Senado. tudo são partidos). Assim, a segunda casa, muitas vezes é uma casa apenas de homologação já que não raro observamos indivíduos de mesmos partidos e ideologias em ambas as casas, fazendo com que os problemas sejam resolvidos na primeira casa, onde se fazem as alianças.
- A segunda casa pode rejeitar o projeto, o que acaba com o mesmo. Além disso, pode aprova-lo (indo o projeto para o Presidente da República para sanção ou veto) ou emenda-lo, fazendo com que o projeto retorne para a primeira casa. 
RETORNO À PRIMEIRA CASA - Neste caso, a primeira pode reprovar o PL ou aprovar (respeitando o quórum do art.47, CF), com ou sem as emendas da segunda casa, sendo a sua resposta enviada para o Presidente da República. Assim, não há uma relação de isonomia entre as duas casas, a primeira casa tem uma posição de vantagem, já que mesmo que a segundam emende a decisão fica nas mãos da primeira casa. 
-A maioria dos debates ocorre na primeira casa devido aos argumentos supracitados.
-ATENÇÃO: 
A emenda constitucional é um ato complexo igual (ambos as casas manifestam vontade de mesmo conteúdo) já que nela Câmara e Senado duas vezes por 3/5 devem aprovar texto substancialmente igual. Assim, possuem ambas as casas a mesma força. 
Já as leis ordinárias constituem um ato complexo desigual, já que apesar de ambas as casas manifestarem sua vontade, estas vontades podem ser desiguais (porque há uma hierarquia entre as casas por ter a primeiramaior força de decisão.)
-Esta situação (a primeira casa ter maior hierarquia em sua manifestação de vontade) é uma decisão política do legislador para tentar tornar mais célere um ato que em regra já é lento.
SANÇAO E VETO DA LEI ORDINÁRIA PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Quem promulga as EC são as mesas do Senado e da Câmara.
-Art.66, CF: trata da questão da sanção e do veto do Pres. da Republica com relação ao projeto de lei ordinária.
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
§ 2º - O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
§ 3º - Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção.
§ 4º - O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto.
§ 5º - Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República.
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 7º - Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.
Prazo para sanção ou veto - parágrafo primeiro, art.66, CF:. 
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
Parágrafo terceiro: SILENCIO do Presidente = SANCAO =APROVACAO
§ 3º - Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção.
Assim, o veto deve ser expresso de acordo com o parágrafo primeiro, mas a sanção pode ser expressa ou tácita de acordo com o parágrafo terceiro. Atenção: o prazo correto é o expresso no parágrafo primeiro já que o parágrafo terceiro na literalidade passa uma informação errônea já que não revela corretamente que devem decorrer 15 dias úteis e não corridos.
-obs.: as 48hrs para informar ao pres. do Senado podem fluir fora dos 15 dias úteis.
-A sanção representa o fim do processo legislativo. Neste momento abandonamos a nomenclatura de projeto de lei e passamos a utilizar a expressão lei. Ainda devem ocorrer promulgação e publicação para que a lei tenha eficácia, porém, a lei já nasceu.
-Pode também o Pres. vetar (em alguns países autoritários, o veto é insuperável). Neste caso, no Brasil, o veto é relativo (art.66, parágrafo segundo, CF) e não absoluto. Assim, continua a existir o projeto de lei.
§ 2º - O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
-No caso de veto parcial, ele tem o poder de impedir e não de modificar. Assim, não pode o pres. vetar uma palavra (ex.: retirar a palavra “não” pode modificar completamente o significado do texto). Assim, proibir o veto a palavras demonstra-se que a atividade criativa é do poder legislativo, tendo o Executivo poder Executivo. Obs.: retirar artigos ou alíneas também pode modificar muito o sentido do texto, mas não é sempre.
ATENÇÃO -O veto dá continuidade ao processo legislativo. O pres. veta apresentando motivos e deve o Congresso apreciar estes motivos. Assim, o projeto retorna ao Congresso para que o Congresso aprecie o veto. Neste sentido, para vencer o veto é necessária maioria absoluta. Nesta situação há um quórum mais específico e mais elevado (art.66, parágrafo 4º, CF). 
§ 4º - O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto.
O quórum para afastar o veto é um quórum qualificado. O art. supracitado fala de seção conjunta (porém, não viraram um só colegiado. A seção é conjunta – pois há pressa - porém, bicameral). Primeiro votam os deputados federais. Caso não ocorra maioria absoluta de deputados federais, o veto já será mantido. Caso ocorra, os Senadores votam, devendo também atingir maioria absoluta para vencer o veto. Assim, apesar de ocorrer seção conjunta, cada casa vota separadamente. 
-obs.: Seção unicameral: o Congresso se une, as casas se unem, valendo cada deputado ou senador como um voto. (ex.: art.3º, ADCT revisão constitucional de 1993 – o Congresso funcionou de maneira unicameral – devendo atingir maioria absoluta).
-Em regra, é raro no Brasil vencer um veto, já que se deve atingir maioria absoluta de duas casas contra a vontade presidencial.
Obs.: escrutínio secreto: o voto é secreto. O que é ruim, pois a população deveria ter o direito de saber como estão votando os parlamentares em que estão votando.
-Em uma revisão const. cláusulas pétreas podem ser objeto de revisão?
-Parte da doutrina dizia que clausula pétrea jamais pode ser alterada.
-Outra parte afirma que a revisão é flexível e pode alterar cláusulas pétreas.
-O STF decidiu que c. pétreas limitam não só o poder de emendar assim, como poder de revisão de 1993.
24/8
VAI CAIR NA PROVA
Diferença entre promulgação e sanção de projetos de Lei
A SANÇAO se dá no curso do Processo legislativo e a PROMULGAÇAO se dá depois da aprovação, findo o processo legislativo
A SANCAO pode ser ATO ou FATO: ou ela é ato do presidente ou é resultado dos 15 dias úteis sem que o presidente se manifeste. PROMULGACAO sempre encerra uma manifestação de vontade: é sempre ATO.
SANCAO é centrada na pessoa do presidente. A PROMULGACAO sempre é ato, mas nem sempre do presidente da republica: se ele não o fizer em 48 horas o presidente do Senado e o VP do senado
§ 7º - Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.
 A SANÇAO TEM NATUREZA CONSTITUTIVA: altera a situação jurídica da lei
A PROMULGAÇÃO É ATESTAR QUE A LEI JÁ EXISTE: TEM NATUREZA DECLARATÓRIA (é a certidão de nascimento da lei)
CONSEQUENCIA: a sanção é a concordância positiva do Executivo ao que o Legislativo elaborou enquanto o veto é a resposta negativa. O destinatário de sanção e do veto então é sempre o Congresso.
A destinatária da promulgação é a sociedade. após a promulgação vem a publicação que atesta que a lei existe para a sociedade que deve a partir daquele momento cumpri-la obrigatoriamente.
O Congresso pode superar o veto do presidente ao projeto de lei. Assim, nem toda lei foi sancionada, mas toda lei foi promulgada.
NOTA: A posição da maioria da doutrina é que há dois atos, promulgação e publicação. Manoel Goncalves Ferreira Filho destaca que ao que está contido na publicação é a PROMULGACAO, é a mesma relação que há entre uma sentença e sua publicação.
VETO PARCIAL
O que se faz com as partes não vetadas? estão sancionadas tacitamente e já tem natureza de lei. Elas ficam aguardando a apreciação do veto no legislativo ou seguem para promulgação? Na nossa CF isso não está expresso. Para Berthier, melhor postura é fazer a parte não vetada aguardar o transito do Legislativo, mas na prática não é assim: a parte não vetada segue para promulgação e publicação.
RISCO: um Projeto de Lei de 15 artigos tem 5 vetados, por ex.; a parte não vetada viralei com 10 artigos e a parte vetada volta. Se o Congresso afastar esse veto, surge nova lei com novo escopo e nova data tratando do mesmo tempo. Risco de conflito intertemporal..
VETO TOTAL totalmente mantido (sem maioria no Congresso) – fim do processo legislativo e nenhum projeto nasceu . NÃO HÁ LEI
VETO TOTAL TOTALMENTE superado (maioria dos deputados foi contra o veto e depois maioria dos Senado contra o veto presidencial). NASCE LEI
VETO TOTAL PARCIALMENTE superado - NASCE LEI
VETO PARCIAL - a parte não vetada dá origem à lei. Quanto ao restante:
VETO totalmente mantido (sem maioria no Congresso) – fim do processo legislativo e nenhum projeto adicional nasceu 
VETO PARCIAL TOTALMENTE superado (maioria dos deputados foi contra e depois maioria dos Senados foi contra) . NASCE nova LEI
VETO PARCIAL PARCIALMENTE superado (maioria dos deputados aprovou e depois maioria dos Senados aprovou). NASCE nova LEI
NASCIMENTO DA LEI - sancao expressa, sancao tácita, ou quando o veto é superado.
A lei ordinaria é então um ato complexo duplamente desigual. 
1ª CASA QUER TEXTO X E A 2ª TEXTO Y. 
VETO DO PRESIDENTE PODE NÃO PREVALECER
PROCESSO LEGISLATIVO PARA A ELABORACAO DE LEIS COMPLEMENTARES
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.
Ou seja, uma LC demanda 41 votos no Senado. A LO tem mais flexibilidade; a LC é mais rígida. Entao são espécies normativas cujo quorum de aprovacao não é o mesmo.
A diferenciação entre as normas formalmente constitucionais x normas constitucionais vem sendo relativizadas e matérias que não eram constitucionais, por se tornarem relevantes a cada momento histórico, vão sendo considerados pela sociedade merecedores de tratamento constitucional. A eleição das clausulas pétreas também é o resultado de um juízo de valor do PCO.
Tudo que não foi tratado na Constituicao passou para a lei infraconstitucional. Ao se verificar o que ficou de fora se viu que havia temas que não deviam ser entregues à lei ordinária que se caracteriza pela sua flexibilidade (o quorum do 47 é baixo e até medida provisória pode fazer LO). Daí surgiram as Leis Complementares, com menor flexibilidade, para temas mais importantes que devem definidos com maior rigidez.
 O art 62 define os temas que não podem ser tratados por medida provisória (na lei delegada tb não pode), e os temas das LCs estão lá, protegidos.
LC é espécie normativa que trata de assunto que não tem espaço na Cosntituicao mas é relevante a ponto de merecer maior estabilidade.
Na doutrina há a seguinte classificação:
materia constitucional pétrea
materia constitucional não pétrea
materia paraconstitucional (para = próxima) => MATERIA DAS LCs
materia infraconstitucional
Se uma LO invadir materia destinada a LC ela é inconstitucional.
E o contrario? e se a LC tratar de tema que não é reservado à LC? Ela não é inconstitucional porque foi aprovada com quorum ainda maior que o da LO. Tem gente que pensa que depois que a LC sai da sua materia, ela estende a partir dali o seu campo irreversivelmente. Isso não faz sentido porque quem diz o que deve ser tratado na LC é a Constituição. 
MELHOR TESE: a LC que avança fora do seu campo é constitucional mas tem apenas forca de lei ordinária, podendo ser revogada por LO, o assunto pode ser tratado por medida provisória etc.
Quando se recepciona uma lei, se recepciona o conteudo e não a sua forma. O CTN era LO mas como tratava de tema que a C previa que devia ser tratado de LC, ele tem forca de lei complementar. 
SÓ TEM UM MOMENTO QUE A FORMA PESA – fenômeno da desconstitucionalização: existe artigo X da C de um país; nova C é promulgada e não trata do tema do artigo X mas ele combina com a C anterior. O que aconteceria? ele permaneceria vigente mas perderia a força de lei constitucional.
No Brasil, ISSO NÃO ACONTECE. A norma da Constituição anterior NUNCA É RECEPCIONADA, nem que fosse desconstitucionalizada porque o B não aceita esse fenômeno na sua jurisprudência.
As normas sobre o IPVA estavam na C de 1969 e poderiam ter sido desconstitucionalizadas; como isso não aconteceu, ficamos muito tempo sem lei de IPVA.
29/8
Supremo não há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, apenas campos claramente diferentes. No campo da O a lei C tem forca de O; no campo da C, a O é inconstitucional. Decisão COFINS
Ambas estão abaixo da Constituição; há temas que são específicos de lei ordinária e outros de lei complementar. Mas há uma zona cinzenta em que a ordinária tem a forca que lhe é própria e a C a sua força também predominante essa ultima.
CFRB Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder- lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente.
Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais
conselho da republica e conselho 
Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI - o Ministro da Justiça;
VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.
Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre:
I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;
II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.
§ 1º - O Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para participar da reunião do Conselho, quando constar da pauta questão relacionada com o respectivo Ministério.
§ 2º - A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da República. (lei sem adjetivar é LO)
imaginemos o caso
1º) LC deu função para o VP no Conselho da Republica e também tratou do seu papel monocratico com base no 79, parágrafo único.
2º ) Lei ordinária posterior baseada no 90, S 2º, tratou da mesma questão do VP como membro Conselho da Republica
TESE QUE ADOTA CAMPOS COMPLETAMENTE DISTINTOS: a LC no que tratou do papel monocrático do VP teve papel de LC mesmo, mas quando tratou do VP como membro do CR teve forca de LO porque esse campo era EXCLUSIVO DA LO. Quando veio a LO posterior, ela revogou o que disse a LC sobre isso.
PARA QUEM ADOTA A TESE DE UM CAMPO COMUM: VP como autoridade monocrática, só se pode tratar com LC; para falar do VP como membro do CR, só LO; mas o tema “VP no CR” é zona cinzenta, onde ambas as espécies atuam e prevalece a lei complementar. Havendo LC nessa zona cinzenta, ela prepondera sobre LO. A LO posterior que tratou do VP como membro do CR é inconstitucional porque no campo comum prevalece a LLC. Se não houvesse LC, a LO teria força.
Prova
Procedimento para elaborar LC é igual ao da Lei Ordinária.
PONTES DE MIRANDA disse que como as LCs já são aprovadas nas duas casas com maioria absoluta, não tem sentido submeter as LCs a veto. Não venceu esse tese pq:
o Presidente precisa justificar o seu veto. Ou seja, vetar não é só manifestação de vontade impeditiva; é impeditiva e motivada. 
nem sempre as casas aprovam o mesmo texto, então muitas vezes o voto da segunda casa não vale.
LEIS DELEGADAS
Para editar MP bastar identificar conveniência e oportunidade. Para fazer lei delegada, tem que fazer uma mensagem ao Congresso que delegue essa função legislativa a ele. Mensagem é o instrumento pelo qual o executivo se comunica com o Legislativo. As MPs, o Executivo as edita quando acha que é o momento, mas MP não é lei. 
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional.
§ 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os decompetência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: 
(AQUI TAMBEM SE VÊ QUE AS LCS TEM CRITERIO MAIS RIGIDO – NÃO SE EDITA MP NEM SE PRODUZ LEI DELEGADA SOBRE ELES. O CAMPO DAS LEIS DELEGADAS É O CAMPO DAS LOS)
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
§ 2º - A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º - Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda.
A mensagem é encaminhada pelo Presidente ao Congresso e é apreciada primeiro pela Câmara porque vem do Presidente (extraparlamentar). Não havendo quorum especifico no art. 68, o quorum é o do 47. 
Se após a aprovação, a lei extrapolou o escopo da delegação que lhe foi dada, como o congresso resolve essa sitacao?
LEI DELEGADA SOB CONDICAO SUSPENSIVA – ART 68 § 3º - Congresso pode solicitar que a lei delegada venha para o Congresso para ser referendada (não pode mudar – ou aprova ou veta). 
Se a resolucao não falar nada sobre referendo, a lei delegada é ato que o Presidente edita e tem forca imediata de lei. Nesse caso, se o texto vier com escopo a maior, a saída não é fazer uma ADIN porque se assim fosse o Congresso ficaria a mercê do STF. O Congresso tem como resolver isso sozinho (CRFB 49))
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;
ESSE DIREITO DO CONGRESSO É CHAMADO NA DOUTRINA DE VETO LEGISLATIVO. o Congresso faz isso por Decreto Legislativo PROVA
VI - mudar temporariamente sua sede;
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;  (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo;
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes;
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais;
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares.
COMO O CONGRESSO CONTROLA? VIA RESOLUCAO QUE DEMANDE REFERENDO ( ART 68, § 3º) OU PELO ART 49, V – VETO LEGISLATIVO.
A maioria dos livros fala que a resolução tem que dar um prazo mas a competência é do Congresso então B acha que a resolução pode a qq hora revogar a resolução ou prorrogá-la. O prazo não é vinculante para o Congresso,
Enquanto vigora a delegação ao Presidente, o Presidente fazer quantas leis ele achar necessárias – vale a ulitima – e o Congresso de legislar sobre aquele tema. No conflito entre lei ordinaria e lei delegada, vigora a posterior.
31/8
31 de Agosto
Direito Constitucional II
Medida Provisória – ato editado pelo presidente da república numa situação de relevância e urgênica. A medida previsória tende a ser lei, mas não é propiamente uma lei e nem tem força de lei – ela tem a mesma obrigatoriedade que a lei tem enquanto ela, a MP, está em vigor. tivesse força de lei, a MP revogaria a lei que substitui – mas, na verdade, a lei anterior só tem sua eficácia cessada por um tempo – não se trata de um caso de represtinação (processo de retorno de uma lei que se tornara inexiste). 
A MP é o início de um processo legislativo – enquanto a MP vigora, tramita o projeto de conversão em lei. 
Vamos estudar, então, como a MP tem seu rito para saber se irá se transformar em lei ou não. A MP vigora por 30 dias e, neste caso, o congresso delibera sobre sua conversão (art. 62 CF em sua primeira redação). Como o texto era simples demais, também o era lacunosa – e se o o congresso não respeitasse o prazo para decidir sobre sua conversão, o que fazer? Teoria das Reedições Sucessivas; O presidente poderia reeditar a MP de mesmo conteúdo da 1ª quantas vezes preciso até que o congresso se manifestasse – isso sempre teve a antipatia da doutrina do direito constitucional, embora tivesse tido a superviência do supremo. 
Muitas vezes se acusa a constituição de 88 como deveras analítica – aquela que detalha a questão dos direitos, da organização dos estados, ou seja, ela seria analítca em excesso. Mas se alguém disse que o problema da constituição é ser analítica, basta que provemos o contrário com o art. 62, sintético demais numa matéria que precisava ser detalhada. 
Para esgotar a temática e tratar a matéria de maneira suficientemente consistente, houve a emenda 32/2001 que alterou a redação do art. 62. Ela parece ter melhorado, mas podemos perceber que o executivo não perdeu tanta força assim – ele não tem mais a mesma aptidão para reeditar sucessivas vezes a MP, mas ainda subsiste certo poder.
Art. 62 § 3º –Este parág, se lido sozinho, induz a vários erros. “perder a eficácia desde a edição” – faz parecer que se não for convertida em lei, a MP sofre uma perda de eficácia retroativa, sem deixar verstígio no ordenamento jurídico. E, por incrível que pareça, é o contrário – enquanto ela vigorou, ela deixa seus efeitos remanescentes. 
A MP é editada e vigora por 60 dias (é o que o §3º diz). Ela é prorrogável por uma única vez por igual período (§7º). Se fosse só isso, quanto tempo vigoraria no máximo uma MP? 120 dias. Mas não é – vai entrar em cena uma outra previsão que vai estar prevista no art. 62, §4º - 120 dias não é a duração máxima da MP – é o tempo que o congresso, estando em funcionamento, tem para deliberar sobre sua conversão. Se durante o período houver um recesso, o prazo é suspenso, e enquanto não flui seu prazo a MP continua a vigir. Assim, se alguéme ditar uma MP no dia 20 de dezembro, o prazo pára de ser contado no dia 22 e não começa de novo até 1º de fevereiro – o prazo para o congresso não flui, mas a MP continua eficaz. Além disso, em julho há um outro recesso que gera similar consequência. Nesses prazos de recesso, não contam o prazo que o congresso tem para deliberar sobre o assunto.
! Não dá para dizer que só se reedita a MP uma vez. Antigamente, a cada 30 dias reeditava-se uma MP de mesmo conteúdo. Hoje, você não pode reeditar nem uma única vez; é uma única edição cuja vigência do ato é passível de ser prorrogado até os 120dias que tem o congresso para deliberar sobre a matéria. 
Como se passa o processo legislativo para que se saiba se aquele projeto de conversão vai ser votado no congresso?
Art. 62 § 9º - quanto maior for o assunto de um projeto de lei, maior será o número de comissões temáticas pelas quais deverá o projeto passar. No caso da MP que tem o prazo de 120 dias, é preciso que se tenha um processo mais abreviado – é por isso que existiria a comissão mista que concentra nela o que faria em cada casa as comissões temáticas. Que papel cumpre a comissão mista? Concentrar o trabalho que fariam diferentes comissões nas duas casas. Mas a comissão mista não fica circunscrita a isso – é possível que a Lei venha com o texto distinto que tinha a MP – isso significa que todo deputado federal ou senador ou comissão da câmara ou do senado pode alterar seu texto original. Essas emendas ao texto deverão ser apresentadas à essa comissão mista – é perante ela que deverão as emendas ao projeto de conversão serem apresentadas. 
Depois disso, o plenário de cada caso deverá votar – se é uma MP, a iniciativa foi do presidente e, por isso, a 1ª casa é a câmara – isso o art. 82 § 8º fala de maneira expressa. Tal como já conhecemos sistematicamente a constituição, esse art. seria desnecessário. Depois, passa ao Senado. 
Notemos como é um artigo fora de uma ordem lógica – ou seja, se pensarmos bem, a ordem aqui é desordem.
! O Congresso nacional faz controle de constitucionalidade? Quanto? Faz sim, nas comissões de constituição e justiça que implica num controle preventivo e político (porque feito numa casa legislativa) de constitucionalidade. O controle de constitucionalidade não está só entregue ao judiciário – o controle também existe no âmbito do congresso. 
Executivo e legislativo fazem, em rega, o controle preventivo. O controle repressivo quem faz é o judiciário pelo intrumento da ADI. Aí que está o ponto – o poder legislativo só faz controle preventivo como faz o presidente no veto? A emenda 32 trouxe uma mudança muito relevante – art. 62 § 5º - a deliberação de cada uma das casas sobre o mérito das MP dependerá de estar preenchidos os pressupostos constitucionais. Resumo da história – tanto na câmara quanto no senado, a votação tem uma dupla face – é preciso ver se a MP foi feita num contexto que a permite e se no seu conteúdo aprovam, se ela cumpre sua finalidade para a sociedade. E esse pode ser visto como uma forma de controle preventivo, porque se a Câmara rejeitar pq não viu atendidos os pressupostos constitucionais ou se o senado a rejeitar porque também não os viu preenchidos, a MP perde sua eficácia. Neste sentido, é indefensável que relevância e urgência é questão política e só o presidente mensura – o congresso também vai deliberar sobre isso – ele vai controlar politicamente atos em preparação e atos já vigentes – se a câmara disser que rejeita, ela perde eficácia porque ela é inconstitucional. Esse § é uma figura de destaque para pensar essa inovação que a emenda 32 trouxe.
§ 6º - vai tratar de um tema bastante conhecido da mídia – quando a MP bloqueia a pauta do congresso por estar em regime de urgência passado o quadragésimo quinto dia (45) de atraso. Na casa que estiver, é preciso apreciar primeiramente o projeto de conversão antes de votar qualquer outro projeto legislativo. Só a MP tem essa capacidade de obstar a pauta – o § 6º fala que ele breca as deliberações legislativas, mas CPI investigar, emitir pareceres, isso pode. Qual o problema desse regime de urgência? 1º - quando esse § nasceu, discutiu-se o seguinte: impor que o congresso delibere parece infringir o princípio constitucional da separação de poderes. Na doutrina, questionou-se sua legitimidade porque haveria uma ofensa à cláusula pétrea de separação de poderes. Mas essa tese não frutificou e persistiu a idéia de que o regime de urgência pode existir. Professor acredita que essa urgência representa um legítimo prejuízo ao princípio constitucional, mas quem mais se prejudica é a própria sociedade. Existe uma linha interpretativa que se adota hoje que entende que o o bloqueio que o regime de urgência gera é o da obstrução da pauta da sessão legislativa ordinária – mecânica interessante para privilegiar casos em que emendas de lei as vezes tem um objeto muito mais importante que tem uma MP que verse sobre um assunto específico. 
O final do artigo se desmembra em 4 opções: 
Conversão em lei; Vamos imaginar que a 1ª casa, câmara, vê atendidos os pressupostos constitucionais e aprova o texto e o senado também – no que houve a conversão em lei, a lei anterior está revogada.
Rejeição; quando expressamente uma das casas se posiciona contra – ou pq não preenche requesitos constitucionais ou não atende aos interesses da coletividade; volta a vigorar aquela lei anterior suspensa pela MP.
Perda de eficácia – Se a MP passa o prazo de 60 dias e mais 60, perderia a eficácia e voltaria a vigorar a lei anterior que havia sido suspensa. § 11. No meio disso, o MP estava vigorando. Nos 60 dias desde a rejeição ou desde a perda de eficácia, o congresso pode fazer um decreto legislativo. Se passados esses 60 dias e isso não for feito, a eficácia do MP permanece, não perdendo o rastro na via jurídica. Fazer um decreto legislativo em 60 dias é muito difícil. Ou seja, o que acaba acontecendo é que o presidente, mesmo sabendo que a MP legislativa pode parar de ter eficácia, pelo menos entre o periodo que ela é editada ate o momento que ela e rejeitada ou a perde, ela a tem. Ou seja, a MP é provisória no tempo, mas não nos seus efeitos. O presidente consegue legislar provisoriamente com efeitos permanentes.
Emenda à redação – Presidente sanciona ou veta. Vai que a Câmara aprova um PL de conversao com modificacoes. Se isso ocorre, § 12. Enquanto os 15 dias uteis que o presidente tem para vetar ou sancionar passam, a MP tem vigencia originalmente. 
Se ela é rejeitada ou sofre perda de eficácia, a MP pára de vigir, e a lei anterior volta. Se, porém, o Congresso quiser que seus efeitos cessem e retroajam, então, em 60 dias o congresso deve promulgar um decreto – isso, no entanto, nunca aconteceu, porque a quantidade de trabalho é muito grande. 
05/09
MEDIDA PROVISÓRIA
DECRETO LEG
CFRB ART 49 quando o Congresso delibera um Decreto Legislativo (basta que ambas as casas o aprovem), não depende de sanção do Presidente nem o Presidente pode vetar, então esse é um instrumento eficiente de pesos e contrapesos do Legislativo sobre o Executivo.
Congresso pode desconstituir os efeitos da medida provisória por meio de Decreto Legislativo. Ver CFRB 49, V
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;
VI - mudar temporariamente sua sede;
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;  (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dosplanos de governo;
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes;
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais;
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares.
Na falta de quorum especifico, a regra é a do art 47 (maioria relativa) e isso vale para os decretos legislativos.
 O Decreto Legislativo pode mudar de quorum em relaçao à materia. O DL do art 62 
VER 84, X E 49,IV – freios e contrapesos
CFRB 136/137 – decretação de estado de defesa ou de sitio instauram uma legalidade mais restritva par enfrentar uma crise. Quem os decreta é o Presidente, mas o Congresso deve depois autorizar previamente (sítio), aprovar depois (defesa) ou suspender (ambos), tudo por maioria absoluta. 
Prova: quorum para aprovar decreto legislativo depende da materia: em regra é a do 47, mas para algumas materias o quorum é de maioria absoluta.
CFRB 84, VIII – quem assina tratado é o Presidente de Republica ou quem o represente.. 
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
O art 49, I diz que compete ao Congresso resolver definitivamente sobre os tratados MAS NÃO É ASSIM. O Congresso só resolve definitivamente se disser NÃO; quando o Congresso aprovar e expedir o Decreto Legislativo com quorum do 47, ainda assim a decisão passa para o Presidente que pode ratificar ou não, e após ratificar perante os demais signat’rios, ainda precisa fazer o decreto de promulgação que é o que de fato vincula internamente.
Art 5º, § 3º dá uma nova via. Ele não diz que o tratado vira uma EC, mas que equivale a ela. É um Decreto Legislativo que tem o mesmo status de uma Emenda Constitucional (votados duas vezes em cada casa por 3/5). Nesse caso, o Presidente não tem que ratificar (o Presidente não ratifica as ECS!!!!!!).
Então, respeitado o disposto no § 3º, o tratado já vigora logo que aprovado no Congresso.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)   (Atos aprovados na forma deste parágrafo)
O quorum o artigo 5º, § 3º é uma determinação ou uma possibilidade? 
Proteção a infancia, mulhe, idoso, arregimentam votos e alcançar 3/5 é fácil. Mas tratar de direitos humanos em situações em que esteja envolvido o trabalho e o meio ambiente, isso envolve interesses conflitantes e pode não haver quorum para 3/5. Berthier diz que nesse caso pode fazer o rito do decreto legislativo com o rito do art. 47 (passa para o Presidente que ratifica ou não). O STJ e o STF dizem que tratados interncaionais de direitos humanos estarão com status acima.
A CFRB não diz como o tratado deixa de vigorar: é uma lacuna. Tema no STF no momento. Três teses :
Se o presidente tem o poder de ratificar (dar efeitos), também tem o poder de denunciar (retirar efeitos) minimizando o poder do Congresso nesse trâmite, já que as relações internacionais ficam pautadas apenas pelo Executivo
Na CF há um equilibrio de poderes. Nesse contexto, o presidente poderia denunciar mas o ato necessita de referendo do Congresso (aprovação por decreto legislativo). Denuncia sob condição resolutiva.
Presidente precisa pedir autorização do Congresso para denunciar o tratado
No âmbito federal, só existe decreto legislativo BICAMERAL porque é ato do Congresso.
RESOLUÇÕES
As deliberações do Senado (art 52) e da Câmara (art 51) são as resoluções.: ex os regimentos internos da Câmara e do Senado
Os cargos públicos são criados por lei. Isso vale para o Executivo, o Judiciário e o MP (a remuneração tb vem da lei). Mas os cargos públicos do Senado e da Câmara são criados por eles, mas a remuneração nesses casos é fixada por lei e o presidente pode vetar: pesos e contrapesos.
Resolucao em geral tem qorum do 47. Mas tal como os decretos legislativos as resoluções tem quorum especificado pela materia. Acusação da Câmara por crime de responsabilidade é por 2/3. 
os decretos legislativos em âmbito federal se4mpre são bicamerais; resoluções em regra são unicamerais, mas excepcionalmente vai existir resolução bicameral (Lei delegada: art 68 § 2º )
No âmbito de estados e municípios, todas as resoluções e os decretos legislativos são unicamerais. Para saber qual instrumento usar, deve-se pensar no paralelismo. Câmara e Senado criam cargos pode resolucao, então a canara legislativa municipal, estadual ou do DF também devera faze-lo por resolução. Municipios e Estados podem fazer tanto resolucoes quanto decretos legislativos, a depender da materia (simetria com o art. 49, 50 e 51)
12/09
Poder Legislativo como administrador – promocao de concursos públicos para preenchimento de seus cargos e atos de fiscalizacao
CFRB 58 § 3º 
CFRB Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.
§ 1º - Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva Casa.
§ 2º - às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa;
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;
III - convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições;
IV - receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas;
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão;
VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer.
§ 3º - As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.
Pela interpretação literal, os poderes de investigação da CPI são os dos juízes que, no Brasil, não têm poder investigatório. Entao a interpretação não é essa, literal. O juiz coleta provas, busca e apreende documentos, quebra sigilo de dados e telefone para poder julgar. O que o artigo quer dizer é que os mesmos atos que o juiz pratica para coletar provas e poder JULGAR a CPI pode praticar para poder INVESTIGAR (e não para julgar). Quando a CPI acha que o fato merece acusação ela indicia e encaminha para outra instituição que tem o poder de acusar, que é o MP.
A CPI tem esse poder enquanto colegiado, e não seus membros individualmente que nessa condição não se equiparam aos poderes monocráticos de instrução do juiz .
Clausula de reserva jurisdicional – a CPI enquanto colegiado, por mais que equiparadaao juiz, não pode realizar três atos protegidos pela reserva jurisdicional: não pode prender cautelarmente uma pessoa nem determinar interceptação telefônica ou violar domicílio. Ela só pode praticar tais atos com ordem judicial.
Há CPI nas Assembleias Legislativas, na Câmara Legislativa do DF e até nas Câmaras Municipais.
Não é so por meio de CPIs que o Legislativo admnistra. Há ainda os Tribunais de Contas.
No âmbito da atividade de legislar a entidade tem que prever no seu orçamento as receitas que poderá arrecadar e as despesas em que devera gastar no ano seguinte. A Lei das Diretrizes Orçamentárias da União é votada pelo Congresso. O Congresso primeiro a aprova e depois fiscaliza a sua execução. Como no seu quadro não há pessoas com o conhecimento necessário para essa avaliação, há esse órgão auxiliar do Poder Legislativo, o Tribunal de Contas.
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
§ 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.
§ 4º - O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.
Por mais que o TCU seja um órgão auxiliar do Poder Legislativo, ele tem poder decisório próprio e é capaz inclusive de condenar ou multar a autoridade por decisão lesiva ao interesse publico e pode sustar ato do poder público. A Lei 8443/92 é a que estrutura o TCU.
O problema são os municípios. Art 31
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.
§ 1º - O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver.
§ 2º - O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal.
§ 3º - As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.
§ 4º - É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.
Quem auxilia a câmara municipal? aparente confronto entre §1º e o § 4º . 
Três opções:
Câmara auxiliada pelo TCE (regra)
Câmara Municipal auxiliada pelo Tribunal de Contas do Municpio
Câmara Municioal auxiliada por um Tribunal de Contas dos Municipios (criado pelo estado)
Mas no § 4º fica vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.
Em 1988 havia 2 municípios que já tinham TCU: RJ e SP. Em outros locais, havia a o T dos municípios e em outros a Câmara municipal era auxiliada pelos TCEs. 
Foram mantidos os TCUs de RJ e SP mas nenhum outro município pode criar seu próprio Tribunal de Contas sem viloar o § 4º.
A regra é que as Câmaras municipais sao auxiliadas pelos TCEs, a não ser se algum estado criou um tribunal especifico para seus municípios ou se o municipio tem seu TC, caso de RJ e SP.
No art 71 por simetria (paralelismo) a CFRB esta falando genericamente dos TC dos municípios e dos estados.
Nas atividades do TC estão poderes de um tribunal propriamente dito: sao poderes de fiscalização e atos de conteúdo decisório que uma CPI não possui.
14/9
O TC tem atribuições decisórias: julgar contas dos administradores, pode sustar atos UNILATERAIS que abrem portas para prejuízos (71, X), comunicar ao Congresso sobre irregularidades contratuais (71, § 1º -> Congresso com atuacao como administrador).
CF 71 § 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
ESTATUTO DOS CONGRESSISTAS
Imunidade comporta duas espécies: 
imunidade formal: não impede que o congressista seja responsabilizado mas estabelece regras especificas para tanto: foro especial e a casa de origem pode impedir que seja processado durante mandato
imunidade material ou inviolabilidade: por certo comportamento congressista não pode ser responsabilizado (nem sanção penal nem responsabilidade civil) prova
CF Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
As normas constitucionais são regras (quando marcadas pela objetividade) e princípios (são juizos de valor). Regras são aplicadas ou não sao; princípios são ponderados.
Se o art 53 for entendido como regra, o congressista não seria imputável nem se ele proferissee palavras racistas, por ex. Na doutrina, o entendimento do 53 é de que é um principio, com o congressista podendo cometer abuso das prerrogativas (55, §1º)
53 § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal

Mais conteúdos dessa disciplina