Resumo completo 3- Batista
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Resumo completo 3- Batista


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DIREITO CONSTITUCIONAL II
GILMAR, JOSE AFONSO E ALEXANDRE DE MORAES
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Três temas fundamentais na nossa Constituição:
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO \u2013 normas de organização na definição de Barrozo
FINALIDADES DO ESTADO \u2013 normas programaticas 
DIREITOS DECLARADOS \u2013 normas definidoras de direitos fundamentais
O Estado tem entao duas limitações pela constituição que o organiza: fins a alcançar e direitos a respeitar. O Estado não pode trilhar qq caminho.
Sigilo bancário: na CF é prevista a responsabilidade do Estado para investigar, acusar, processar, julgar e condenar. Quando se acessam os dados bancários numa investigação não se quebra o sigilo porque a informação prossegue sendo sigilosa para todos os demais públicos e em todas as demais situacoes. Essa a base do segredo de justiça. O direito à intimidade permanece.
No nosso estudo aqui os direitos fundamentais são o escudo para proteger o cidadão da ação do Estado, mas tais direitos têm ainda eficácia horizontal. Por ex, um empregador não pode indagar sobre a religião do potencial empregado pois este tem direito à isonomia.
Mutação constitucional \u2013 a C americana não previa isonomia pq ele surge no regime da escravidão. só surge previsão legal de igualdade depois da Secessao. Um cara chamado PLESSY entrou no bonde na Louisiana e sentou no asento dos brnacos. Juiz Ferguson o condenou. Na Suprema Corte, ele perdeu com um único voto a favor (HARLAN) . Os demais adotaram a tese de equal but separated. Ou seja, interpretaram que a tese da igualdade não é incompatível com a tese da segregação. Só na década de 50 se quebra essa decisão e declara a lei da segregação inconstitucional. NÃO MUDOU O TEXTO, APENAS A INTERPRETAÇÃO. Direito constitucional é dinâmico porque ele muda com a interpretação. (nota do mestre: ao menos o caso Plessy consolidou a tese da igualdade garantindo aos negros escolas iguais, transportes iguais. do negativo, se deve extrair o positivo)
Contraste entre a CF e a realidade justificado pela possibilidade de efetivação dos direitos ali consignados, inclusive por parte do judiciário.
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
É importante então entender os três grandes temas da Constituição, a interligação entre eles e as respostas que os casos reais vão dando à compreensão da Constituição, fundamento da interpretação tópica (direito a tratamento medico experimental se já iniciado que passou a existir).
Importante a ideia de pesos e contrapesos no Direito Constitucional. Cada poder hora controla, hora é controlado.
Principio da razoabilidade: so tem sentido quando se estabelece um padrão e apenas para uma situação se aceita uma execeção. Ex: impossibilidade de testes psicológicos em concursos públicos (validação só em estado probatório). Para policiais, depois de problemas práticos, se passou a prever analise psicológica com recurso a junta medica.
Cuidado com o termo separação dos poderes: eles são separados apenas estruturalmente, mas no funcionamento esses poderes se relacionam e devem guardar HARMONIA entre si. O Congresso aprova projeto de lei que para virar lei precisa da sanção do Presidente \u2013 Executivo, embora o STF mais à frente possa declará-lo inconstitucional. Ex: Senado julga o Presidente por crime de responsabilidade mas quem preside é o STF.
Por mais que a CF coloque os poderes estruturalmente separados no Brasil, há o predomínio do Executivo que tem o monopolio da forca e uma forte cultura de agigantamento.
08/08
Como os poderes se relacionam com as funções de legislar, administrar e prestar a jurisdição? Na pratica, cada poder exerce as três funções, assim viabilizando os pesos e contrapesos.
O que é legislar? É quando o poder publico por certo ato introduz na ordem jurídica uma norma abstrata e genérica. É produzir uma norma de conteúdo abstrato, que regra o comportamento da sociedade em relação àquele tema e que vale para todos os que integram tal sociedade e sejam destinatários da regra e, portanto, genérica. 
O Executivo legisla também quando edita uma Medida Provisória. O CFRB art 84, IV nos da a essência do que é ser chefe do poder Executivo \u2013 Presidente, Governadores, Prefeitos
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;
Os regulamentos possibilitam a uniformização da interpretação da lei. Eles estão está abaixo da lei mas estao no mesmo patamar de abstração (genérico e abstrato).
Ex: Direito Previdenciario \u2013 O auxilio reclusão mostra que a pena não é herdada e é tema tratado na Lei Federal 8213/91. se o cara foge, o que fazer? O Decreto 3048 regulamenta a Lei 8213/91 dizendo que se o cara foge o beneficio é suspenso de modo que todos os postos apliquem a mesma regra.
Não é, portanto, só o Legislativo que legisla.
O Judiciário também legisla, como na súmula vinculante (CF 103-B) Com a emenda 45 de 2004 o STF pode editar sumular vinculantes que solidificam o entendimento. O que é ela disciplinar de forma abstrata e genérica vale para todos.
O STF também tem uma função legislativa negativa, controlando a constitucionalidade por meio das ADIN.
Em meados dos anos 90, o STF estendeu para os servidores civis o mesmo aumento de 28% que havia sido dado aos servidores militares. Esse um dos primeiros exemplos de atuação positiva do STF.
O Mandado de Injunção é outro exemplo de atuação do Judiciário como legislador, hoje emblemático.
Outro exemplo: os Tribunais elaboram seus regimentos internos que regulam como transitam os seus processos. Não é só o STF que legisla.
NO DT, o dissídio coletivo é levado ao TST que dá uma sentença normativa que é generica e abstrata, valida para todos os trabalhadores vinculados à decisão.
IMPORTANTE: nem toda lei é um ato legislativo no seu conteúdo. Ex: se a Assembleia Legislativa do RS declara o prédio do TJ patrimônio do Estado, esse é um ato que é especifico e portanto não tem a generalidade nem a abstração que caracterizam as leis de conteúdo legislativo. Essas são leis de efeitos concretos que não tem conteúdo legislativo, são apenas atos administrativos.
ADMINISTRAÇÃO E PRESTAÇÃO DA JURISDIÇÃO \u2013 ambos, juiz e administrador, são aplicadores do direito. Para Kelsen, são 3 poderes mas apenas 2 funções: legislar e aplicar. IMPORTANTE: essa tese é superada hoje porque quando se elabora uma lei, as regras da Constituição têm que ser aplicadas. Por outro lado, na integração das leis pelo juiz, há um potencial criativo que mostra que o juiz não está limitado à aplicação da lei.
A função de LEGISLAÇÃO é mais facilmente definível, mas a ADMINISTRAÇÃO E PRESTAÇÃO DA JURISDIÇÃO são mais dificilmente diferenciadas. De fato são ambas aplicações do direito, mas há elementos diferenciadores. O juiz quando aplica o direito, o faz porque as partes pediram, porque houve provocação. As atividades administrativas, por outro lado, se passam de oficio. O poder publico contrata, licita, desapropria e não depende de provocação de ninguém, mas em outras situações o pode publico atua se é feito um requerimento: requer-se uma vaga na escola, requer-se uma aposentadoria, requer-se fazer um concurso.
Na função jurisdicional. a aplicação do direito em regra depende de provocação e na função administrativa nem sempre depende de provocação.
Na prestação jurisdicional quem aplica o direito, o faz em uma situação LITIGIOSA; é na situação de conflito que a jurusdição atua. A função administrativa aplica o direito em situações NÃO LITIGIOSAS.
A função jurisdicional envolve a aplicação do direito que depende de provocação para compor situações litigiosas.
Jurisdição voluntaria \u2013 o Estado deve buscar otimizar os meios que tem, e destina à magistratura atos que não são essencialmente jurisdição (Humberto Teodoro). A jurisdição voluntaria é jurisdição na forma, mas