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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 2

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de direito da capital da mesma 
provinda. 
Art. 10. Aos chefes, delegados e subdelegados de policia, 
além das suas actuaes attribuiçõcs, tão somente restringidas 
pelas disposições do artigo antecedente, fica pertencendo o 
preparo do processo dos crimes, de que trata o art. 12, § 7* 
do Código do Processo Criminal até á sentença exclusiva-
mente. Por escripto serão tomadas nos mesmos processos, 
com os depoimentos das testemunhas, as exposições da 
accusação e defesa; e os competentes julgadores,- antes 
de proferirem suas decisões, deveráõ rectificar o processo 
no que fôr preciso. 
§ 1.° Para a formação da culpa nos crimes communs 
as mesmas autoridades policiaes deveráõ em seus distric-
tos proceder ás diligencias necessárias para descobrimento 
dos factos criminosos e suas circumstancias, e transmit-
tiráõ aos promotores públicos, com os autos de corpo de 
delicto e indicação das testemunhas mais idóneas, todos 
os esclarecimentos colligidos; e desta remessa ao mesmo 
tempo darão parte á autoridade competente para a for-
mação da culpa. 
§ 2." Pertence-lhes igualmente a concessão da fiança 
provisória. 
E o Reg. n. 4824 de 22 de Novembro do mesmo 
anno, diz: {Segue-) 
140 
autoridades criminaes, compete, nos termos 
do art. 59 do presente Regulamento, salvo o 
caso do art. 60 : 
1. ° Proceder a auto de corpo de delicto e 
formar culpa aos delinquentes e aos offi-
ciaes que perante elles servirem (88 a e 89). 
Arr. 10. As attribuições do chefe, delegados e subde-
legados de policia subsistem, com as seguintes reducções : 
1.* A da formação da culpa e pronuncia nos crimes 
com m uns. 
2.° A do julgamento dos crimes do art. 12, § 7* do 
Código do Processo Criminal, e do julga mento das infrac-
ções dos termos de segurança e de bem-viver. 
Art. 11. Compete-Ihes, porém: 
1." Pieparar os processos dos crimes do art. 12, § 7o 
do citado Código; procedendo ex-officio quanto aos cri-
mes pnliciaes. 
2." Proceder ao inquérito policial e a todas as diligen-
cias para o descobrimento dos factos criminosos e suas 
circunstancias, inclusive o corpo de delicto (88 a). 
3." Conceder fiança provisória. ' 
Art. 12. Permanece salva ao cbefe de policia a facul-
dade de proceder á formação da culpa e pronunciar no 
caso do art. 60 do Regulamento n. 120 de 31 de Janeiro 
de 1842, com recurso necessário para o presidente da 
Relação do districto, na corte e nas províncias do Rio de 
Janeiro, S. Paulo, Minas, Bahia, Sergipe, Pernambuco, 
Alagoas, Parahyba e Maranhão; e nas outras, para os juizes 
de direito daa respectivas capitães, emquanto não se fa-
cilitarem as communicações com as sedes das Relações. 
(88 a) Vide nota 42. 
(89) Havendo o cbefe de policia da província das Ala-
goas pronunciado no termo da capital alguns indivíduos 
141 
por crimes commettidos na comarca das Alagoas, foi o 
governo consultado a respeito, e, tendo sido ouvida a 
secção de justiça do conselho d'Estado, expedio-se o Aviso 
de 20 de Agosto de 1851, decidindo o seguinte: 
< Que o chefe de policia era Incompetente para formar 
culpa a indivíduos não domiciliários no termo da capital 
da provinda onde elle se achava, e que nSo Unhão com-
mettido ahi os crimes pelos quaes elle os fez processar. 
É certo que o art. 4°, § 1° da Lei de 3 de Dezembro de 
1841 estabelece que aos chefes de policia em toda a pro-
víncia e na corte compete, entre outras attribuições, a 
de proceder a auto de corpo de delicio e formar culpa 
aos delinquentes,; mas, se isto é assim, obvio é também 
que esta regra não destruio, nem podia destruir, sem in-
versão das máximas de uma sã jurisprudência, a outra 
que considera districto da culpa, para ser ahi processado, 
aquelle em que o delicto é commettido, em que reside o 
réo, conforme o art. 160, na ultima parte do § 3°, e o 
art. 267 e outros. Esta disposição tem um fundamento 6 
um fim de incalculável justiça. O fundamento é a verdade 
intuitiva de que o lugar onde se commette o delicto, ou 
aquelle onde reside o réo, é uma condição da mais alta 
importância na formação da culpa, visto que só ahi pôde o juiz processante colher com mais segurança informações 
exactas e completas na investigação do facto criminoso e 
de todas as suas circumstantías, bem como no 
descobrimento do seu autor e dos que nelle tiverão 
alguma parte. O fim da disposição consiste em dar am-
plas garantias, assim á sociedade, como aos indivíduos, 
evitando-se ao mesmo tempo, tanoquanto é possível, os 
dous escolhos em que algumas vezes naufraga a justiça 
humana—a impunidade ou a vingança—. Assim é que o 
Reg. de 31 de Janeiro de 1842, respeitando esta regra 
de justiça, que não foi alterada pela Lei de 3 de Dezembro 
de 1841, determinou no art. 59 que os chefes de policia 
exercião por si mesmos e immecUatameote as attribuições 
mencionadas nos §§ 1°, 2% 3o, 4% 5o, 6", 7o, 11* e 12° do 
artigo antecedente, sendo orna delias (designada no 8 4°) 
a de proceder a auto de corpo de delicto 
142 
dentro do termo da capital cm qne residirem, e nos outros 
somente quando nelles se acharem, ou por intermédio dos 
seus delegados on subdelegados. Mostrando-se, pois, qoe 
os delictos por que forão processados os réos de que se 
trata não forão commettidos no termo da capital da pro-
víncia, em que residia o chefe de policia; que elle não 
se achava no lugar do delicto quando este se commet-
teu, e que depois de commettido o delicto não se veri-
ficou a hypothese do art. 60 do mesmo Reg., mandando 
o presidente da provincia que o chefe de policia se pas-
sasse temporariamente para o termo em que o delicto 
se commettêra, afim de proceder-se alli a ama investi-
gação mais escrupulosa e imparcial, no caso de se acharem 
envolvidas nos acontecimentos que occorrêrão pessoas cajá 
prepotência tolhesse a marcha regular da justiça do lugar; 
e constando outrosim que todos os réos, á excepção de 
um, Unhão o seu domicilio fora do termo da capital da 
provincia, é claro que não se deu ama das condições 
legaes que podem conferir jurisdicção ao chefe para formar 
culpa aos delinquentes; sendo por consequência, mani-
festamente nullo o processo que se instaurou. Nem pode 
repular-se procedente o argumento de que a doutrina 
do Reg. de 31 de Janeiro de 1842, nos artigos citados, 
não podia restringir a disposição ampla e absoluta que 
se encontra no art. u* da Lei de 3 de Dezembro de 1841, 
em virtude da qual os chefes de policia são competentes 
para formar culpa aos delinquentes em toda a provincia; 
pois é fácil de comprehender que o Regulamento man-
teve intacta esta jurisdicção, que a lei conferio aos chefes 
de policia, limitando-se a estabelecer, conforme os prin-
cípios de uma jurisprudência sã e luminosa, sanecionados 
pela legislação pátria, as condições que são indispensáveis 
para puderem os chefes de policia exercer esta jurisdic-
ção. O Regulamento está portanto em perfeito accôrdo e 
harmonia com o preceito do art. 102 § 12 da Consti-
tuição, que autorisa o poder executivo para expedir os 
Decretos, Insirucções e Regulamentos que forem adequados 
á boa execução das Leis. • O Av. de 19 de Maio de 
1862 confirmou a mesma 
143 
2.° Conceder fiança, na forma das leis, 
aos réos que pronunciarem ou prenderem, 
3.° Prender os culpados, ou o sejâo no 
seu, ou em outro juízo. 
4.* Conceder mandados de busca. 
5.° Formar culpa em toda a província 
aos seus delegados, subdelegados e subal-
ternos, quando o mereção. 
SECÇÃO n. Das attribuições 
dos juizes de direito (90), 
Art. 199. Os juízes de direito serão no-
meados na conformidade do art. 24 da Lei 
doutrina.—Igual confirmação recebeu do Av. de 28 de 
Novembro de 1865. 
(90) Os juizes de direito e promotores públicos são 
obrigados a residir dentro da villa ou cidade principal da 
comarca, pela importância do foro, e que será designada 
pelo presidente da província com