CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 2
429 pág.

CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 2


DisciplinaCiência Política I37.458 materiais720.724 seguidores
Pré-visualização50 páginas
pouco idóneo e seguro, a fiança 
será reforçada, e para esse fim a autoridade 
acima mencionada mandará vir \u25a0á sua 
presença o réo, e debaixo de prisão, se não 
obedecer logo que se lhe intimar a ordem. 
(Art. 110 do Código do Processo Criminal.) 
Art. 308. Aos fiadores serão dados os 
auxílios necessários para a prisão do réo, 
qualquer que seja o estado do seu livramento : 
1.° Se elle quebrar a fiança. 
i 
248 
2.° Se fugir depois de ter sido con-
demnado, e antes de principiar a cumprir 
a sentença. 
3.' Se, notificado pelo fiador para apre-
sentar outro que o substitua, dentro da 
prazo de quinze dias, se assim o não fizer. 
Art. 309. Estes auxílios, quando os re-J 
quererem os fiadores, lhes serão dados, 
não só pelas autoridades que tiverem for-
mado as culpas e concedido as fianças, e 
que faraó expedir os mandados de prisão, 
mas também por quaesquer outras em 
cujos distríctos se acharem os réos, sendo-
lhes apresentados os ditos mandados. 
Art, 310. A fiança ficará sem effeito, e 
o ré*o será recolhido á prisão: 
1.° Se elle a não reforçar no caso âo 
art-. 307 deste Regulamento. 
2.° Se, desistindo da fiança o primeiro 
fiador, não apresentar outro, na forma e 
no prazo do art. 308, § 3o do mesmo Regu-
lamento. 
249 
Nestes casos, porém, não se haverão os 
fiadores por desobrigados emquanto os 
réos,não forem effectivamente presos, ou 
não tiverem prestado novos fiadores. 
Art. 311. A fiança se julgará quebrada 
de direito: I 
I 1." Quando o réo deixar de comparecer 
nas sessões do jury, ao que se obrigará 
pelo termo de que trata o art. 302 deste 
Regulamento, não sendo dispensado do 
comparecimento pelo juiz de direito, por 
justa causa (170). 
2.° Quando o réo, depois de afiançado, 
commetter delicto de ferimento, offensa 
physica, ameaça, calumnia, injuria, ou 
damno contra o queixoso ou denunciante, 
contra o presidente do jury, ou promotor 
publico, sendo por qualquer dos mesmos 
delictos pronunciado. 
(170) O juiz não pode conceder esta dispensa para o 
dia do julgamento, em que a presença do próprio réo é 
indispensável para o interrogatório e outras diligencias. \u2014
AT. de 30 de Outubro de 1843, n. 82. 
250 
Art. 312. O julgamento do quebramento 
da fiança no primeiro caso do artigo ante-
cedente, será feito pelo juiz de direito logo 
que, feita a chamada dos réos afiançados, 
elles não comparecerem. Este julgamento se 
incluirá na acta, e o sobredito juiz dará logo 
todas as necessárias providencias para que 
seja capturado o réo. 
Art. 813. O julgamento do mesmo que-
bramento no segundo caso do dito artigo, 
será proferido a requerimento do promotor, 
da parte ou ex officio, pelo juiz perante quem 
se achar o processo, logo que fôr apresentada 
a certidão da pronuncia pelos delictos de que 
trata o mesmo art. 311, § 2* deste 
Regulamento, procedendo a uma informação 
summaria sobre a identidade da pessoa, 
quando a esse respeito haja alguma duvida. 
Art. 314. Pelo quebramento da fiança o 
réo perderá a metade daquella quantia que o 
juiz tiver accrescentado ao 
251 
arbitramento dos peritos, na forma do art. 109 
do Código do Processo, e ficará sujeito a ser 
julgado á revelia, se ao tempo do julgamento 
não tiver ainda sido preso (171). 
Art. 315. O réo perderá a totalidade do 
valor da fiança, quando, sendo con-demnado 
por sentença que tenha passado em julgado, 
fugir antes de ser preso. 
Art. 316. O producto do quebramento das 
fianças, nos casos dos artigo s antecedentes, é 
pertencente ás camarás muni-cipaes, que 
promoverão a sua cobrança pelos meios 
competentes, deduzida primeiramente a 
importância da indemnização da parte e 
custas. 
Art. 317. Se o réo afiançado que for 
condemnado não fugir, e puder soffrer a 
(171) O réo de crime aGançavel, que não prestou fiança, 
nem estava preso no dia da abertura da sessão do jury, 
se. o seu nome estiver incluído no edital de convocação, 
e fôr preso antes do dia do julgamento, será admiltido a 
defender-se, sendo esta a intelfigencia do art. 314 deste 
Reg. \u2014 Av. do 1* de Agosto de 1859. 
 
 
252 
pena, roas não tiver a esse tempo meios para 
a indemnização da parte e custas, o fiador 
será obrigado a essa indemnização e custas, e 
perderá a parte do valor da fiança destinada a 
esse fim, mas não o que corresponde á multa 
substitutiva da pena. (Art. 45 da Lei de 3 de 
Dezembro de 1841.) (172) 
 
CAPITULO XI. 
Dos preparatório* da accusaçâo (173)) da aceiuaçào e da 
sentença. 
Art. 318. Decretada a pronuncia pelo chefe 
de policia, fará elle, o mais breve- 
(172) O art. IA, $ 7* da Lei n. 2033 de 20 de Se-
tembro de-1871, derogando o art. Itõ da Lei de 3 de 
Dezembro de 1841, virtualmente tem derogado este 
art. 317. 
(173) Dispõe o Reg. n. A82A de 22 de Novembro 
de 1871: 
Art. 2ú. Nas comarcas especiaes o jury será presi-
dido por um desembargador da respectiva Relação, não 
contemplados os que servirem no tribunal do com-
mercio. 
S 1.° Para presidir aos julgamentos em cada sessão 
diária do jury nestas comarcas, designará o presidente da 
 
 
PP 
253 
Relação o desembargador a quem tocar por escala, se-
gundo a ordem da antiguidade. 
§ 2." Nas mesmas comarcas serão successivamente 
exercidas pelos juizes de direito, que não tiverem varas 
privativas, as aitriboições, que competião aos juizes ma* 
nicipaes, quanto aos actos preparatórios para o julga-
mento perante o jury, e bem assim a de proceder ao 
sorteio dos jurados. 
g 3.° Incnmbe-lhes igualmente presidir ás sessões pre-
paratórias até baver numero legal de juizes de facto; 
«devendo, neste caso, participar ao desembargador a quem 
competir a presidência eflectiva, afim de assumi-la. H 
§ u.° As sessões do jury nas ditas comarcas serão 
convocadas por determinação do presidente da Relação, 
que para esse fim officiará opportnnamente ao juiz de 
direito respectivo. 
S 5.° Três dias antes da reunião do jury o mesmo 
juiz de direito fará remetter os processos que tiverem 
de ser julgados ao secretario da Relação, que os apre-
sentará logo ao presidente para distribui-los pelos desem-
bargadores. 
Ficará em mão do escrivão do jury para proceder á 
chamada de que trata o art. 2&o do Código do Processo, 
um rol assigaado pelo juiz de direito, contendo os nomes 
dos réos presos, dos que se livrão soltos ou afiançados, dos 
accusadores ou autores e das testemunhas notificadas. 
Se durante a sessão forem preparados novos processos, 
praticar-se-ha do mesmo modo. 
§ 6." Salvo por motivo de interesse publico e a re-
querimento do promotor, não é permittido alterar a or-
dem do julgamento dos processos determinada: 1% pela 
preferencia dos réos presos aos afiançados; 2°, entre os 
mesmos presos, pela antiguidade da prisão de cada um; 
e, com igual antiguidade, pela prioridade da pronuncia, 
prevalecendo também essa prioridade entre oa réos 
afiançados. 
Esta disposição é commum para os julgamentos em 
todas as comarcas. 
$ 7.° Encerrada a sessão periódica do jury, combinarão 
 
254 
mente que fôr possível, remetter o pro-
cesso ao escrivão do jury respectivo (o 
qual fica exercendo, perante o juiz muni-
cipal, as funcçòes que exercia o escrivão 
entre si os desembargadores que houverem presidido 
aos julgamentos, e de commum accordo farão o 
relatório determinado pelo art. 180 do Regulamento n. 
ISO de 81 de Janeiro de 1842, sendo assignado pelo 
mais antigo. 
Art. 25. Não havendo sessão do jury em algum termo, 
o réo poderá ser julgado em outro termo mais vizinho 
da mesma comarca, se assim o requerer e o promotor 
publico ou a parle acensadora convier. 
Independentemente de convenção de parles, sempre 
qne não ror possível effectuar o julgamento do réo no 
districlo da culpa, terá lugar no jury do termo mais vi-
zinho, com preferencia o da