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Direito de Família - Resumo Completo (aula Katia Regina)

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ação sobre alimentos, vai requerer ao juiz que fixe elementos provisórios – vai analisar a PI e, se estiver de acordo com a lei que trata do rito especial sobre ação de alimentos, se na inicial estiver comprovado o parentesco (certidão de nascimento/casamento.. o problema é da união estável, que não tem a prova pré-constituída) e a obrigação alimentar do devedor. Juiz vai fixar os alimentos provisórios e intimar o réu pra audiência prévia de conciliação – juiz fixa os alimentos provisórios initio litis. 
	Nessa ação de investigação de paternidade cumulada com a de alimentos não tem prova pré-constituída, você tá buscando a prova da paternidade – Lei 8.560, art. 7º - fala do momento que o juiz vai fixar os alimentos. Entretanto, S. 277, STJ – mesmo que os alimentos sejam fixados na sentença, eles serão devidos a partir da citação (o que constitui em mora o devedor é a citação) – p.s: se exame de DNA volta positivo, MP tá requerendo antes da sentença a fixação dos elementos.
Imprescritibilidade da ação investigatória
Ação de Estado – é imprescritível
Efeitos da sentença proferida (V. Súm. 149, STF: é imprescritível a ação de investigação de paternidade mas não o é a de petição de herança):
- direito ao estado de filho
- direito ao nome paterno
- direito a alimentos
- direitos sucessórios
	A ação investigatória é imprescritível, mas a de petição de herança não - prescreve hoje em 10 anos.
Imprescritibilidade mesmo quando demande o cancelamento ou anulação de paternidade jurídica já existente (neste caso, a imprescritibilidade pode ser passível de críticas quando desprezar a paternidade socioafetiva).
- Ver art. 1.604, CC e art. 1.601.
	Até que ponto a imprescritibilidade das ações de estado vai afetar uma paternidade jurídica já existente? Até que ponto você pode desconstituir uma paternidade em prol apenas do laço afetivo? Se você pode destituir a paternidade jurídica porque não corresponde à biológica mesmo já havendo vínculo afetivo? Não existe uma resposta, tem que analisar no caso concreto tendo em vista o melhor interesse da criança (STJ tem levado isso muito em consideração) – não há uma verdade absoluta.
Outras questões polêmicas
Meios de prova:
. Recusa à realização do exame de DNA (art. 5º, II, X, CF/88)
Art. 231, CC/02 – Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa.
Art. 232 – A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova de que pretendia obter com o exame.
Súmula 301, STJ aprovada em outubro de 2004: “Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum da paternidade.”
Projeto de Lei 6.960/02 - 
	Doutrina começou a questionar – diante do DNA, qual seria o possível obstáculo? Recusa do suposto pai a se submeter ao exame de DNA. Réu se recusava alegando a intangibilidade do corpo, pessoa não é obrigada a produzir prova contra si mesma. Inicialmente, os tribunais e juízes entendiam essa recusa devia ser analisada em conjunto com as outras provas constantes dos autos. Ela não tinha uma conseqüência absoluta, devia ser analisada em conjunto com as outras provas – se as outras provas caminhassem também no sentido de indicar a paternidade, seria julgado procedente. A recusa, por si só, se tivesse colidindo com as provas dos autos, que fossem contrárias à paternidade, ela não teria condições de reverter. Esse entendimento já foi!
	Depois veio um segundo entendimento, que é o que prevalece hoje – S. 301, STJ. Ainda que o autor não faça uma única prova de qualquer relacionamento entre a mãe e o suposto pai, ainda que ele não faça nenhuma prova no sentido da paternidade, a simples recusa do réu em se submeter à realização do DNA ordenada pelo juiz gera a presunção relativa de paternidade – ele só vai poder refutar isso sem fazer o exame de DNA provando esterilidade (não adianta alegar que a mulher teve relações sexuais com vários parceiros no período da concepção – isso não prova que o filho não é dele).
Outras tendências
- “0 princípio do abuso do direito corresponde á passagem da concepção individualista (ou absoluta) do direito subjetivo, de total soberania privada, a uma concepção relativista (ou socializante) do mesmo. Tal passagem deu-se através do reconhecimento de que o aspecto funcional é característico do direito tanto quanto o seu aspecto estrutural. O direito subjetivo não se qualifica apenas por seu conteúdo pré-definido pelo legislador (pressuposto fático) mas principalmente pelas circunstâncias do seu exercício. Abusivo é, pois, o ato exercido em contrariedade à finalidade do direito, ao seu espírito, à sua função social. Abusivsa, nesta diapasão, é a recusa do suposto pai à submissão à ordem judicial para comprovação, ou negação, da sua paternidade, devendo o “egoístico direito À recusa”, como denominou o Min. Ilmar Gakvai ser suplantado pelo interesse do pretense filho a respeito de sua origem genética.
(...) A perícia compulsória, então, se, em princípio, repugna aqueles que, com razão, vêem o corpo humano como bem jurídico intangível e inviolável, parece ser providência necessária e legítima, a ser adotada pelo juiz, quando ter por objetivo impedir que o exercício contrário à finalidade de sua tutela prejudique, como ocorre no caso do reconhecimento do estado de filiação, direito de terceiro, correspondente à dignidade de pessoa em desenvolvimento, interesse este que é, a um só tempo, público e individual.
(Maria Celina Bodin de Moraes. O direito personalíssimo à filiação e a recusa ao exame de DNA, p. 230 – 232).
Ver HC 71.373 – pai impetra HC pois seria levado coercitivamente ao laboratório fazer exame de DNA – ele ganhou por 6X4 – intangibilidade do corpo, princípio de não obrigatoriedade de produzir provas contra si mesmo X direito do filho.
	3ª posição: Maria Celina e Kátia concorda - Exame de DNA permitiu o acesso à verdade biológica – réu se recusar a se submeter a ele é abuso de direito – está em conflito o direito de não fazer prova contra si mesmo, de intangibilidade do seu corpo e o direito do filho, mas este preponderaria. Maria Celina entende que o réu pode ser levado de baixo de vara, de maneira coativa, para realizar o exame.
	A grande maioria dos tribunais aplica hoje a S. 301, STJ.
COISA JULGADA NAS AÇÕES DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE
Ação de investigação de paternidade proposta pelo MP, como substituto processual, faz coisa julgada para o substituído?
Art. 472, CPC – “... Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros.
Na ação de investigação de paternidade proposta pelo MP, tem que se intimar o menor (legitimidade do MP é só quando o filho é menor!!!!!). Se o MP não for acompanhado do menor, o juiz vai citá-lo para que ele compareça ao processo – faz coisa julgada para ele. Se ele não for citado, a coisa julgada não o atinge e depois ele poderia propor ação investigatória contra esse mesmo pai.
	Mas e hoje que temos o exame de DNA, como fica a questão da coisa julgada? O problema é com as milhares de ações que foram julgadas antes de o exame de DNA ter sido introduzido no Brasil. Hipótese: ação foi julgada procedente, mas partes resolvem fazer um exame de DNA extrajudicialmente – se dá negativo, vai fazer o que? Tentar desconstituir a paternidade alegando que o vínculo não existe? Há entendimento em ambos os sentidos. Pode ocorrer também o contrário – ação tinha julgado improcedente e DNA dá positivo. 
	Há aqueles que entendem pela relativização da coisa julgada REsp 226.436/PR
EMENTA: (...)
I – Não excluída expressamente a paternidade do investigado na primitiva ação de investigação de paternidade, diante da precariedade da prova e da ausência de indícios suficientes a caracterizar tanto a paternidade como a sua negativa, e considerando que, quando do ajuizamento da primeira ação, o exame pelo DNA ainda não era disponível e nem havia notoriedade a seu respeito, admite-se o ajuizamento da ação

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