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01 Direito de Família - anotações aula

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Direito de Família
Aula dia 14/02/2022
ibdfam – instituto brasileiro de direito de família – muitos materiais; site da Maria Berenice dias e suas obras; site e instagram do conrado paulino da rosa.
tjrs e tjmg são inovadores no direito de família
o objeto do nosso estudo é a família e não conseguimos definir um conceito para família, pois existe o princípio da pluralidade. No CC de 1916 existia um modelo de família, que era o patriarcal e existia um pai e uma mãe. cada membro possuía uma função: o chefe da família era o pai, a mãe era submissa. Quem não fazia parte daquele modelo de família era excluído. Mas com o passar do tempo isso foi mudando, a sociedade foi mudando, e as pessoas não queriam mais se juntar só pelo casamento. Antigamente falavam que a família legítima seguia os princípios da lei, que era o pai, mãe e filhos. Por isso que chamam de filhos legítimos e ilegítimos. naquela época o casamento era para toda a vida e isso não era de acordo com os desejos humanos. então com muita luta dos advogados e companhia limitada essa concepção mudou.
art 226 da CF. a abertura semântica e interpretativa deste dispositivo legal foi possível reconhecer outros tipos de famílias. o casamento ainda é uma forma solene, que vem lá do código de 16 e migra para o código civil de 2002 sem muitas mudanças. algumas pessoas dizem que é o negócio jurídico mais complexo que existe.
união estável = é uma forma de constituir família, que é composta por 2 pessoas, um casal, que pode ser homo ou hetero afetivo. em termos jurídicos é muito parecida com o casamento. pode ter ou não um documento legitimando a união estável. a primeira vez que se reconheceu união estável foi em 1988, no art. 226 da CF. antes quem vivia em união estável vivia em concubinato, que não garantia direitos, era o que chamávamos de sociedade de fato (hoje é errado falar assim, isso serve para empresas apenas). 
somente na década de 60 ou 70, com o estatuto da mulher casada é que as mulheres tiveram seus direitos de trabalhar fora e etc garantidos.
no art 226 da CF diz que (§ 3°) para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável
CAPÍTULO VII
Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
a primeira vez que fixou um tempo para ser considerada a união estável foi a Lei n° 8.971/94 (que está revogada) caracterizou a união estável por 5 anos ou ter filhos. Mas aí começou a aparecer muitos casos em que esta lei não se encaixava e gerava injustiças no Judiciário. Diante disso, a Lei n° 9.278/96 veio regulamentar a união estável, mas não fixa tempo mínimo ou condições que caracterizam a união estável.
Conceito de união estável sem documento = a união estável é uma convivência pública (todos sabem que são um casal), notória, contínua, duradoura, com intuito de formar família – precisa de todos estes requisitos, é um rol taxativo
uma união estável pode ser reconhecida por uma escritura pública (efeito erga omnes – para terceiros) ou contrato particular. escritura pública é feita no tabelionato.
se já tem escritura pública e a união estável acabou, tem q ser feito a destituição/dissolução da união estável, que pode ser feito de forma judicial ou pelo cartório. quando já tem filhos vai ser sempre judicial. Nestes casos, as partes vão entrar com uma ação de reconhecimento e dissolução de união estável.
casamento só no religioso é uma união estável, pois civilmente não está casada. Tem que cumprir os requisitos dispostos em lei para que ele seja válido civilmente também.
comunhão parcial de bens = tudo o que é recebido antes do casamento ou gratuitamente durante o casamento para somente um deles, após o casamento vai ser dividido para cada um deles. o que era de fulano continua sendo do fulano e o que era da fulana continua sendo da fulana. tudo o que for conseguido onerosamente (fruto do trabalho, com valor, etc) vai ser dividido equitativamente entre o casal. 
para o Estado, é bom que as pessoas casem ou tenham escritura pública de união estável, pois assim eles conseguem ter controle estatal. Para quem já tem escritura pública de união estável, é facilitado se casar, que não vira retroativo. 
na união estável não altera o nome. existem algumas jurisprudências que permitem isso, mas não é comum. aí tem que entrar com um processo para mudar o nome ou casar de uma vez.
para configurar uma união estável, eu não preciso de uma dissolução documental do casamento, por exemplo. Só a separação de fato já basta. EX: me separei do fulano hoje e vou direto para a casa do ciclano, isso já vai ser uma união estável, pois eu estarei separada de fato.
a união estável é informal, sem muita intervenção do Estado, tem o propósito de deixar as partes escolherem. não existe hierarquia entre união estável e casamento.
união estável dá direito a pensão, independente do regime de bens.
união estável no CC = 1.723 até 1.727
família monoparental = apenas 1 dos pais e seus filhos
família recomposta / mosaico = pega os casos e forma uma família nova
família anaparental = a na frente de sem vínculo de parentesco, uma família formada por 2 amigos, segundos primos (o direito não considera parente os filhos dos primos) – jurisprudência reconhece
família homoafetiva = 2 homens ou 2 mulheres – tem resolução do CNJ
família paralelo ou simultânea = quando tem uma outra família ao mesmo tempo e uma família não sabe da outra. fere o princípio da monogamia.
família poliafetiva = mister katra – várias mulheres e famílias ao mesmo tempo, todas se reconhecem – está proibida fazer escritura pública com 2 mulheres e 1 homem ou ao contrário. fere o princípio ou regra da monogamia.
família uma ou single = morar sozinha
@family = família virtual.
coparentalidade = possibilidade da contratação de uma empresa que vai encontrar alguém para ter um filho comigo. possibilidade de 2 pessoas compartilharem o sonho de ter um filho, apenas isso. no contrato já é designado o nome, alimentos, plano de saúde, etc.
multiespécie = com humanos e animais.
eudemonista = família de harmonia, de paz, amor, utopia.
disfuncional = briga, discórdia
aula dia 24/02/22:
princípios:
01. dignidade da pessoa humana: art. 1°, III, CF/88
02. Isonomia: art. 226, § 5°, CF/88 – estatuto da mulher casada, de 1962 – cogestão: art. 1.567 parágrafo único do CC – igualdade nas relações familiares, sociais, políticas.
devemos tratar todos com equidade e não igualdade, pois tratar todos com igualdade pode gerar injustiças.
03. livre planejamento familiar: o estado não deve interferir na autonomia do nosso núcleo familiar. então eu posso ter quantos filhos eu quiser, ninguém pode me dizer isso ou aquilo, mas eu tenho responsabilidade. desta forma, eu não posso colocar 12 filhos no mundo se eu não tenho condição de cuidar. no art. 227 da CF/88 e no art. 1.511 do CC. Também temos a lei do planejamento familiar, n° 9.263/96, em seu art. 10. tem 2 ADIs tramitando, uma é a 5.097 e a outra é a 5.911 (os artigos foram mantidos)
04. não discriminação de filhos: art. 227, § 3° e art. 1.596 do CC. meação = parte que cabe a cada um na partilha de bens.
05. afetividade: art. 226, §3° da CF. Afeto não significa amar. filme: a filha perdida. afetar = se relacionar, ter convivência, cuidar. afeto é valor jurídico porque é um cuidado. os pais têm o dever de cuidar dos filhos dos 0 aos 18 anos. se eles não cuidarem dos filhos, eles podem responder por abandono afetivo. É uma ação em que vai ser discutido se eu tenho direito a um dano moral em que um dos pais abandona afetivamente um filho. o abandono afetivo não visa substituir amor por dinheiro, mas sim uma função pedagógica. visa buscar uma reparação financeira pela falta do cuidado. não é monetizar o amor, mas chamar a atenção para que isso não aconteça mais. a prescrição deste direito é de 3 anos, igual ao da responsabilidade civil, queestá no art. 206, § 3° do CC. este prazo começa a correr a partir da maioridade. também existe o abandono afetivo inverso, que é quando os pais processam os filhos por abandono afetivo e neste caso não existe prescrição. nestes casos, a responsabilidade civil é subjetiva e tem os 4 requisitos da responsabilidade civil que tem de ser comprovados. então não basta alegar, tem de comprovar no processo.
06. solidariedade/fraternidade: mútua assistência que gera pensão alimentícia. pode ser entre pai e filho, filho e pai, companheiros.
07. pluralidade famílias: já vimos acima.
algumas características do direito das famílias: 
· é personalíssimo: exceções = regime de bens que tem cunho patrimonial;
· irrenunciáveis – indisponíveis erga omnes = eu não posso abdicar, desistir de forma absoluta. renunciar é diferente de dispensar. por exemplo, os alimentos são irrenunciáveis. o art. 1.707 do CC estabelece que os alimentos são irrenunciáveis. quando o filho já atingiu a maioridade e entra com processo de exoneração, não precisa dar vista ao MP, porque já atingiu a maioridade.
· intransmissível = não posso transmitir o poder familiar que eu tenho sob minha filha para a minha mãe, ela pode ter a guarda, mas o poder familiar É DOS PAIS.
· impenhorável = não pode ser objeto de ação de execução/penhora para a pessoa que ganha. EX: meu pai deve alimentos para mim, posso pedir penhora do bem de família dele? neste caso sim, é uma exceção da lei.
· imprescritível = a ação de alimentos não tem prazo, ela visa condenar alguém a pagar alimentos. como vai ser um cumprimento de sentença, em o prazo prescricional de 2 anos, segundo o art. 206, § 2, do CC. Lembrando que enquanto o poder familiar está instituído o tempo/prazo prescricional fica congelado. essa situação só se resolve, o tempo só volta a fluir com a destituição do poder familiar, que é quando o filho atinge 18 anos. então, se o filho não entrou antes de atingir a maioridade, ele tem até os 20 anos para entrar com essa ação. lembrando também que é preciso comprovar o binômio necessidade/possibilidade nestas ações de alimentos. exoneração de alimentos precisa de ação. quando a pessoa é casada, tira a responsabilidade de mútua assistência do pai e passa para o marido.
· não admite condição ou termo = EX: eu quero fazer um pacto antenupcial em que eu quero colocar que se meu companheiro me colocar me situação de humilhação perante a sociedade, eu terei direito ao divórcio. isso é uma coisa futura e incerta. o brasil não admite, alguns países como os EUA sim. o direito brasileiro diz que se eu casei e fui traída e querer buscar uma indenização por dano moral, eu devo ajuizar uma ação de danos morais e não prever isso em um contrato. o direito brasileiro também não admite casamento com data de fim, como no México que existe. também não posso adotar uma criança com a condição de que ela seja obediente. É um risco que corremos.
relações de parentesco: 
o direito limita os parentes. isso vale para todo o direito, não só para direito de família.
o legislador faz 2 núcleos de parentesco: natural e afinidade
natural = minha família, ou seja, toda relação que tenho com meus familiares, que pode ser consanguínea (DNA/biológica), socio afetiva, adoção, tecnologias reprodutivas – sem distinção. estão inclusos os pais, filhos, irmãos, tios, avós, bisavós, etc.
afinidade = família do meu cônjuge/convivente. sogro, sogra, cunhados, enteados, etc. o enteado só migra para parente natural se tiver decisão judicial. 
o legislador traz 2 categorias e a primeira coisa que devemos fazer é tipificar: minha cunhada é parente por afinidade; minha prima é parente natural.
o legislador entende que o parente natural tem um vínculo mais forte, é indissolúvel, vai ser para sempre. já os parentes por afinidade são dissolúveis. EX: eu posso me casar com ex cunhado, pois não tem mais vínculo.
entretanto, a lei diz que (art. 1.595, § 2°) na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. por isso, uma vez sogra, sempre sogra, porque a sogra está como se fosse minha mãe. uma vez enteado, sempre enteado, pois está como meu filho. por este motivo, moralmente, a sociedade e o direito (no art. 1.521) vedam casamento com ex parentes afetivos em linha reta.
o legislador criou a lógica da linha e do grau. o parentesco natural e por afinidade devem ser considerados na linha reta e na linha colateral.
linha reta é uma relação de ascendente com descendente. pais e filhos, netos, bisnetos, etc.
linha colateral ou transversal são os outros parentes. nesta linha, eu devo buscar meu ascendente comum. irmãos, tios, primos, sobrinhos.
essa lógica da linha reta e colateral eu também vou aplicar nos parentes por afinidade.
na linha reta natural, a relação de parentesco é infinita. já na linha colateral, o legislador limitou até o quarto grau, vai até o primo. por afinidade, o legislador indica que na linha reta é infinito, mas na linha colateral vai apenas até o segundo grau, que é a cunhada.
como que eu faço para contar grau? não importa se é parentesco natural ou por afinidade, a contagem de grau respeita as gerações. sempre tem que ter 2 pessoas: qual a relação de parentesco entre mim e fulana?
entre mim e meu avô, o parentesco é natural, de linha reta e de 2° grau. 
na linha colateral, como eu conto grau? sempre tenho que achar o ascendente comum. se eu quero achar meu irmão, o ascendente comum é a mãe, então é 2° grau. se eu quero achar minha prima, que é de 4° grau, eu conto de mim até minha mãe (1° grau), da minha mãe até meus avós (2° grau), dos meus avós até meu tio (3° grau) e do meu tio até minha prima (4° grau). 
Aula dia 14/03:
Art. 1.521. Não podem casar: é um artigo de interesse público, interessa a todos. então todos nós temos de avisar o estado de algum impedimento para casamento.
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
No Brasil prevalece a monogamia. Quando ocorre a bigamia, ela é nula, porque vai prevalecer apenas o primeiro casamento. primeiro tem que ocorrer um casamento com uma cronologia, com uma data de início e depois outro, com outra cronologia, com outra data de início (é diferente de quando ocorre um casamento, se desmancha de fato e aí então nasce uma união estável) a bigamia fere a ordem pública. quando uma família, uma relação é considerada imoral, errada, são chamadas de concubinas, é um concubinato. Se vier um estrangeiro pra cá, onde no país dele é reconhecido a bigamia e aqui ele quer reconhecer os 3 casamentos que ele tem, infelizmente não vai conseguir, porque aqui é a monogamia.
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. Por uma questão de ordem moral, eu não posso me casar com quem matou meu falecido cônjuge.
Espécies: resultante de parentesco, decorrência de crime e bigamia
resultante parentesco: art. 1521 I a V
Decreto 3.242 de 1942 autoriza o casamento entre tio e sobrinho, mas para que isso ocorra, o decreto exige exames que essa união não vai trazer consequência para os filhos. seria uma prova, exames genéticos. esse decreto é válido até hoje, mesmo com o Código Civil de 2002, porque o CC é uma lei geral e Lei geral não revoga lei especial (o decreto é uma lei especial)
Oposição do casamento: art. 1522 CC
Art. 1.522. Os impedimentos podem ser opostos, até o momento da celebração do casamento, por qualquer pessoa capaz.
Parágrafo único. Se o juiz, ou o oficial de registro, tiver conhecimento da existência de algum impedimento, será obrigado a declará-lo.
até a celebração: após art. 1548 CC
Art. 1.548. É nulo o casamento contraído:
I - (Revogado) ; 
II - por infringência de impedimento.
o art. 1521 é um artigo de interesse público, interessa a todos. entãotodos nós temos de avisar o estado de algum impedimento para casamento. o momento para fazer isso é antes do casamento ou até a data da celebração, em cartório de registro civil. ficam editais informando que tais pessoas vão se casar e até a data da celebração do casamento, qualquer pessoa pode chegar no cartório e dizer que esse casamento não pode ser realizado. essa denúncia tem de ser por escrito e a pessoa que está denunciando tem de assinar. a partir da denúncia vai pro MP e o MP (representante do estado/fiscal da lei) tem de buscar provas, porque isso é de interesse do estado. se causar dano aos que vão se casar e for comprovado que a denúncia é improcedente, cabe recurso de danos morais, materiais e tudo o que couber.
Legitimidade: art. 1549 CC
Art. 1.549. A decretação de nulidade de casamento, pelos motivos previstos no artigo antecedente, pode ser promovida mediante ação direta, por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público.
forma: art. 1529 CC
Art. 1.529. Tanto os impedimentos quanto as causas suspensivas serão opostos em declaração escrita e assinada, instruída com as provas do fato alegado, ou com a indicação do lugar onde possam ser obtidas.
Ação judicial – nulidade do casamento (tem efeitos ex tunc)
não há tempo para pedir a nulidade do casamento, é um direito imprescritível.
o nulo no direito civil é ex tunc. então após essa nulidade, as partes vão voltar ao estado que se encontravam antes do casamento. mas quando isso não se faz possível, são aplicadas as regras do divórcio, onde vai haver uma separação de bens, guardo dos filhos e fixação de alimentos.
isso é depois de o casamento já ter sido realizado e vai gerar uma sentença que vai anular o casamento.
OBS: UNIÃO ESTÁVEL É INFORMAL
causas suspensivas (art. 1523, 1524 CC)
CAPÍTULO IV
Das causas suspensivas
Art. 1.523. Não devem casar:
I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros;
II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal;
III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal;
IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas.
Parágrafo único. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I, III e IV deste artigo, provando-se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II, a nubente deverá provar nascimento de filho, ou inexistência de gravidez, na fluência do prazo.
Art. 1.524. As causas suspensivas da celebração do casamento podem ser argüidas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes, sejam consangüíneos ou afins, e pelos colaterais em segundo grau, sejam também consangüíneos ou afins.
É quando o legislador diz “você não deveria se casar agora, vai fazer outras coisas, estudar, etc.” o legislador diz que existem algumas situações em que as pessoas não deveriam se casar, mas se elas não seguirem estes conselhos, depois não vem chorar as pitangas.
existem 4 hipóteses de causa suspensiva do casamento, onde o legislador está dando um conselho para a pessoa não se casar naquele momento, mas não impede, só vai ter sanções depois:
I – Viúva = não case antes de fazer a partilha de bens do seu falecido cônjuge, principalmente se você tem filhos. o legislador está tentando proteger o patrimônio e a criança.
II – 10 meses = o legislador fala “mulher, se você se divorciou, espere no mínimo 10 meses antes de casar de novo! Isso porque você pode estar grávida do ex, se relacionar com o atual e não saber quem é o pai da criança”.
III – Divórcio/partilha = se você tiver filhos ou não, não case antes de fazer o divórcio (nem pode) e a partilha de bens do antigo casamento.
IV – Tutela/curatela = se eu sou tutor ou curador, eu não posso casar com o meu tutelado ou curatelado e nem arranjar casamento com alguém próximo de mim. O legislador está tentando proteger o patrimônio do tutelado/curatelado impedindo que o tutor/curador de o golpe do baú em seu tutelado/curatelado casando parentes próximos com ele.
Oposição: art. 1524 CC
Legitimidade: os parentes na linha reta e colateral de até 2° grau podem apresentar essa oposição
se eu tiver que invocar uma ação judicial aqui, eu vou pedir o regime de separação de bens. se a pessoa não quiser respeitar o conselho do legislador e casar rápido, o casamento vai ser válido. só se alguém entrar com uma ação judicial daí a consequência é que o juiz vai determinar o regime de separação universal de bens para proteger o patrimônio dos que casaram. não tem prazo para entrar com essa ação, é um direito imprescritível.
espécies de casamento:
01. casamento por procuração: art. 1542 CC
o legislador gosta que as pessoas casem, então ele tenta facilitar isso. essa procuração tem de ser pública com poderes especiais, que eu faço no tabelionato ou no consulado, no exterior. ela tem validade de 90 dias, se perder esse prazo, tem de fazer uma nova. é possível revogar essa procuração, por isso o casamento é anulável em um prazo de 180 dias a partir do reconhecimento deste casamento. se o que vai casar por procuração morre, a procuração morre junto, não tem como mais casar.
02. casamento nuncupativo (em viva voz)
Art. 1.540. Quando algum dos contraentes estiver em iminente risco de vida, não obtendo a presença da autoridade à qual incumba presidir o ato, nem a de seu substituto, poderá o casamento ser celebrado na presença de seis testemunhas, que com os nubentes não tenham parentesco em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau.
previsto no art. 1540 e acontece quando um dos contraentes está com uma moléstia grave. os que vão casar podem chamar alguém que vai representar um juiz de paz para realizar a solenidade em um hospital, no leito de morte, etc. tem de ter 6 testemunhas que não sejam parentes em linha reta nem colateral de nenhuma das partes e após essas testemunhas vão ter que ir em juízo, em uma audiência, afirmar que esse casamento aconteceu. o prazo para entrar com essa ação judicial é de 10 dias e aí o juiz vai emitir uma sentença mandando o cartório reconhecer. é como se fosse a última vontade do que está doente. o juiz pode reconhecer o casamento após a morte de alguém. os efeitos são retroativos a data da celebração.
03. casamento putativo
Art. 1.561. Embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges, o casamento, em relação a estes como aos filhos, produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória.
§ 1 o Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão.
§ 2 o Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão.
Art. 1.563. A sentença que decretar a nulidade do casamento retroagirá à data da sua celebração, sem prejudicar a aquisição de direitos, a título oneroso, por terceiros de boa-fé, nem a resultante de sentença transitada em julgado.
está previsto no art. 1561 e 1563 = casamento de boa-fé, mas nulo ou anulável, ou seja, eles não sabiam (boa-fé). EX: eram irmãos unilaterais e não sabiam, o casamento vai ser nulo, com efeitos ex tunc. é como se fosse um divórcio, para o patrimônio, guarda de filhos, alimentos, pois preserva os efeitos para quem está de boa-fé.
quando é de boa-fé vai ser como um divórcio no que concerne. se for de má-fé, vai retornar ao status quo se for nulo.
nulo = efeitos ex tunc (retroativos) – se as pessoas eram solteiras, vão voltar a ser solteiras, se eram viúvas, vão voltar a ser viúvas. volta ao status quo.
anulável = efeitos ex nunc (dali para a frente)
04. separação de corpos = como uma MPU. Muito usada antes da Lei Mariada Penha. Hoje em dia caiu em desuso.
prova do casamento 
eu provo que uma pessoa é casada com a certidão atualizada (prova originária). Mas se o cartório pegou fogo e não tem como a pessoa tirar a certidão atualizada, as pessoas tem que fazer a prova de que aquele casamento efetivamente existiu: documentos dos filhos, fotografias, documentos antigos, etc. na dúvida, a sentença vai ser sempre em favor do casamento, tipo in dubio pro réu, neste caso, in dubiu pro matrimônio.
prova de casamento no exterior: se eu me casei em Las Vegas, não basta trazer a certidão do exterior para cá. precisa pegar a certidão de casamento exterior, ir no consulado e protocolar, com tradução juramentada. e se não tem consulado, pode ser por apostilamento, que é um processo administrativo no exterior. para fazer esse registro no Brasil, o prazo é de 180 dias a partir de quando o casal vem para o Brasil.
para brasileiros = cartório de registro civil
para estrangeiros = cartório de títulos e documentos
responsabilidade civil: no art. 186 e 187 do CC estabelece a regra geral da responsabilidade civil, que é a responsabilidade SUBJETIVA. e para isso eu tenho que comprovar os 4 elementos:
a) ação/omissão
b) culpa/dolo
c) dano
d) nexo causal
eu vou comprovar isso através das provas. No direito de família, vamos usar também a responsabilidade civil SUBJETIVA.
Aula dia 21/03:
Inexistência do casamento:
Hoje é muito mais fácil eu entrar com uma ação de divórcio do que de ação de nulidade, anulabilidade ou inexistente do casamento.
Um fulano criou uma teoria chamada ponteana / pontes de Miranda em que os negócios jurídicos, para que existam juridicamente, há uma escada que os atos jurídicos devem subir:
primeiro degrau: plano da existência – tem que ter manifestação de vontade livre e consciente, objeto idôneo e forma. se conseguir esses 3 requisitos, pode subir um degrau.
segundo degrau: plano da validade (está previsto no art. 104 do CC) – precisa de agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei. se cumprir esses requisitos pode subir de degrau.
terceiro degrau: plano da eficácia – estabelece cláusulas que podem ser uma condição, um termo, modo ou encargo, etc.
esses degraus valem para qualquer ato jurídico, inclusive para o casamento, que é um dos mais formais e solenes que existem.
se um negócio jurídico não tiver um dos requisitos do plano de existência, podemos propor uma ação de inexistência
se um negócio jurídico não tiver um dos requisitos do plano da validade, podemos propor uma ação de invalidade.
o terceiro degrau são cláusulas acessórias obrigatórias, ou seja, se não existir não existem, mas se existirem são obrigatórias. Já no casamento não existe este terceiro degrau. O plano da eficácia está fora do casamento, não existe no casamento.
Como o casamento é um ato especial, com o propósito de constituir família, não tem um objeto, e este plano precisa ser adaptado e o legislador faz isso.
Inexistência do casamento: precisamos que o casamento exista para daí analisar se ele é nulo ou anulável. 
Quais são os requisitos para que o casamento exista? Manifestação de vontade livre, consciente e desimpedida; Agente capaz; forma prescrita ou não defesa em lei (não posso confundir casamento com união estável. Então, no casamento precisa ir no cartório, blá blá blá. O casamento é formal e a união estável é casual); Não tem objeto, porque são pessoas que se casam com o objetivo de constituir família, não é alto material. Se faltar um destes requisitos, podemos propor a ação declaratória de inexistência do casamento. 
Quais são os efeitos dessa ação? Ex tunc, porque retroage a data da celebração. Tem interesse público nesta ação. Quanto tempo tenho para entrar com essa ação? Não há tempo, é um direito imprescritível. O juiz não pode decretar de ofício, tem de ter provas.
Casamento inválido = Nulo
o casamento existiu, está comprovado. Agora eu preciso ver se ele é válido. Para isso, precisa ter agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, de forma prescrita ou não defesa em lei. Mas para o casamento tem requisitos especiais.
quando o casamento vai ser nulo? Quando o legislador fala “não pode casar” tem interesse público e quando contrariadas o casamento é nulo. casamento nulo, as hipóteses estão no art. 1.548 do CC, que remete aos impedimentos do casamento (que estão no art. 1.521)
Art. 1.548. É nulo o casamento contraído:
I - (Revogado) ;
II - por infringência de impedimento.
Art. 1.521. Não podem casar: (esses são os impedimentsos)
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive (até o tio);
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas; (bigamia)
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. (infringe regra moral)
o casamento é nulo no art. 1.521, ou seja, quando há vínculo de parentesco, bigamia ou crime, basicamente.
Se por acaso ninguém manifestou no cartório até a data de celebração do casamento, tem que entrar com uma ação de anulação.
A simulação também torna o negócio jurídico nulo, ou seja, pode tornar o casamento nulo (que está no art. 167 do CC)
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.
§ 1 o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem;
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.
Qualquer pessoa tem legitimidade para propor uma ação de anulação absoluta do casamento, inclusive o MP. É um direito imprescritível, então pode ser proposta a qualquer tempo. Possui efeitos ex tunc e retorna ao status quo antes da celebração, então se a pessoa era solteira volta a ser solteira. É de interesse público. Se o MP não for o autor, o MP deve ter vistas. Quando há interesse público, o MP tem de ter vistas. Pode ter revelia, ou seja, quando não tem defesa, tudo o que foi alegado é presumidamente verdadeiro. Entretanto, mesmo que a revelia se verifique, os efeitos não se aplicam, pois precisam ter provas e são direitos indisponíveis. Ou seja, a revelia pode ser caracterizada, mas os efeitos não se aplicam. O juiz pode declarar de ofício, desde que tenha prova produzida nos autos, ele não pode ter dúvidas, ele tem de ouvir as duas partes. EX: ele recebeu a certidão de que as partes eram irmãos. A nulidade pode ser alegada mesmo após a morte (porque pode ter efeito patrimonial e afetar os herdeiros, mas nesse caso o prazo máximo é 10 anos). O nulo é punk. A sentença de nulidade é a maior pena que temos no direito civil, tirando a prisão por não pagamento de alimentos. 
Casamento anulável:
É de interesse particular, ou seja, o MP não pode invocar, somente as partes e os herdeiros. Tem prazo decadencial para invocar a ação. Prazo decadencial é diferente de prescrição. A decadência gera uma ação desconstitutiva / constitutiva negativa, com efeitos ex nunc, ou seja, os efeitos vão ser da sentença para o futuro, não retroage. Com exceção do estado civil, que vai retornar ao status quo de antes da celebração.
hipóteses de casamento anulável:
01. em relação a idade e a questão da assistência = art. 1550, I – foi revogado e agora é uma questão de NULIDADE.
Art. 1.550. É anulável o casamento:
I - de quem não completou a idade mínima para casar;
02. art. 1550, II – falta de autorização para representação legal = se um menor de idade não tem autorização dos pais para se casar, precisa de alvará do juiz. Se por acaso, o cartório não ver isso e deixar passar, o casamento pode ser anulável. Tem prazo decadencial de 180 dias a partir dos 18 anos do menorse for o menor que está pedindo. Já se for o representante legal que está pedindo a anulação, tem 180 dias para pedir a partir da celebração do casamento. Se for os herdeiros que estão pedindo, é 180 dias a partir da data do óbito dos cônjuges. Quem pode pedir a anulação é o próprio menor, os herdeiros, os representantes legais. 
Art. 1.550. É anulável o casamento:
II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal;
03. erro essencial sobre as qualidades da pessoa = tem de ser qualidades desconhecidas antes do casamento, tornou-se conhecida após o casamento e tornou a vida insuportável/insustentável. Está previsto no art. 1557, do Inciso I ao IV. Prazo decadencial de 3 anos. Hipóteses: erro sobre identidade (pode ser uma identidade física, de gênero, vinculada a uma questão de honra, ou seja, a pessoa se mostrava de uma forma e depois que casei descobri que era muito diferente – precisa ter sentença condenatória), honra e boa fama; Ignorância crime ultrajante (não sabia antes sobre esse crime e ficou sabendo depois); defeito irremediável (no Brasil, tem anulação de casamento por insignificância peniana) – coabitação não valida 1559; doença mental grave – coabitação não valida (1559) – foi revogado. 
Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado;
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida conjugal;
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência;  
IV - (Revogado) . 
Art. 1.559. Somente o cônjuge que incidiu em erro, ou sofreu coação, pode demandar a anulação do casamento; mas a coabitação, havendo ciência do vício, valida o ato, ressalvadas as hipóteses dos incisos III e IV do art. 1.557.
04. coação moral – art. 1558 CC = pressão psicológica em que uma pessoa só se casou por conta destas ameaças. Tem prazo de 4 anos a partir da data de celebração. A doutrina fala que coação física seria impedimento da expressão de vontade livre e consciente, desta forma seria inexistência. Se deixar passar o prazo, ratifica o casamento por coabitação.
Art. 1.558. É anulável o casamento em virtude de coação, quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a saúde e a honra, sua ou de seus familiares.
05. Incapacidade de manifestação de vontade – art. 1560, I:
Art. 1.560. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de:
I - cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550;
II - dois anos, se incompetente a autoridade celebrante;
III - três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557;
IV - quatro anos, se houver coação.
§ 1 o Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento dos menores de dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade; e da data do casamento, para seus representantes legais ou ascendentes.
§ 2 o Na hipótese do inciso V do art. 1.550, o prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração.
Art. 1.561. Embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges, o casamento, em relação a estes como aos filhos, produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória.
§ 1 o Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão.
§ 2 o Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão.
06. mandatário – art. 1560, § 2° = 180 dias da data do conhecimento da celebração do casamento
07. autoridade celebrante – art. 1560, II = autoridade celebrante tem área de jurisdição, se estiver fora dessa área pode pedir a anulação do casamento
tanto o nulo quanto o anulável, volta ao status quo do estado civil.
A filiação foi separada do casamento em 1988, ou seja, filhos de mãe solteira, de tecnologia reprodutiva, etc tem seus direitos garantidos. Antes eram só os filhos fruto do casamento que tinham direitos.
Aula dia 18/04:
A doutrina estabelece 3 efeitos do casamento:
efeitos sociais:
· art. 1723 (intuito de formar família matrimonial);
· 1597 (presunção legal da paternidade – desde a Roma antiga diziam que a mãe é fácil de identificar, porque a barriga cresce, ela vai parir, etc. mas o pai não dá pra prever, então se presume que o pai da criança é o marido da mãe da criança ou seu companheiro em monogamia, pois o legislador imagina que não existe traição, etc. é uma presunção, e a presunção pode ser ilidida – rompida. tem uma ação tramitando para aplicar isso na união estável também, mas até hoje ainda não pode ser aplicado);
· art 5, II (emancipação – o casamento emancipa as pessoas. então se ela já tem idade núbil, ou seja, 16 anos, precisa ser assistida ou de alvará, se não tiver isso o casamento é anulável. se discute até hoje se a emancipação se aplica a união estável, então eu não posso afirmar que uma pessoa em união estável está emancipada);
· mudança do estado civil (a pessoa fica conhecida na sociedade como casada).
efeitos pessoais / relação entre os cônjuges / direitos e deveres entre os cônjuges (direito pra um e dever pro outro): 
· art. 1566, I – fidelidade (princípio da monogamia. a fidelidade é um dever? sim. cabe dano moral? depende da situação, se alguém for exposto ao ridículo, se feriu algum direito da personalidade);
· art. 1566, II – vida comum, vida sob o mesmo teto (coabitação = morar junto. morar junto para que? para constituir família, para procriar. procriar como? com relações sexuais. então isso tudo é o debitum conjugal, que é o débito conjugal que foi pensado pela Igreja para formar o esquema perfeito. Antigamente, quando alguém saia de casa sem se divorciar, tinha o abandono de lar e isso tinha algumas sanções, como a perda de patrimônio, mas isso não existe mais, o que tem hoje é a usucapião familiar, ou seja, quando um dos cônjuges saí do lar por um período de 2 anos e a prescrição – tempo - torna uma pessoa titular da propriedade, o imóvel tem de ser de até 250m – se discute se é o tamanho da casa ou do terreno. a vida comum é um dever, mas é um dever relativizado, porque ninguém é obrigado a morar junto, não gera nenhuma consequência);
· art. 1566, III – mútua assistência, que é financeira e afetiva (é tão forte que quando o casamento acaba ainda pode haver pensão alimentícia, conforme art. 1568);
· art. 1566, IV – sustento (alimentação – direito irrenunciável – binômio necessidade e possibilidade), guarda (unilateral ou compartilhada – o termo direito de visitas está desatualizado, o mais adequado é direito de convivência. hoje só existe 2 tipos de guarda que são a compartilhada e a unilateral. a guarda alternada – 15 dias com um e 15 dias com outro – não está prevista em lei e tem estudos que dizem que o ir e vir não é benéfico para a criança. Na guarda unilateral precisa pagar pensão alimentícia, na compartilhada esse valor diminui um pouco, porque as despesas devem ser compartilhadas também, mas como tem de estabelecer uma residência base, na maioria das vezes tem de pagar também) e educação dos filhos (abandono intelectual. A educação se divide em 2 aspectos: formal – ir para a escola – e informar – educação, regras, gentileza, valores, etc. o abandono intelectual gera perda do poder familiar – quando os pais não mandam seus filhos para a escola. todas as famílias precisam mandar suas crianças para a escola, não pode só estudar em casa, TEM DE IR PARA A ESCOLA TAMBÉM. estudar somente em casa é uma prática ilícita que caracteriza crime e pode destituir os pais do poder familiar);
· art. 1566,V – respeito e consideração mútua (família eudaimonista);
· art. 1565 – acréscimo do nome (se posso me casar e manter meu sobrenome. EX: maria santos casa com José Soares, pode continuar o nome igual, como também o José pode incrementar o santos e a maria ficar só santos, o que não pode é tirar um sobrenome, só acrescentar. Então, os cônjuges podem não alterar seus sobrenomes, o marido pode adotar o sobrenome da esposa ou a esposa pode adotar o sobrenome do marido. e se eu tiver 2 sobrenomes, meu marido pode pegar somente o último);
· art. 1567 – cogestão (administração conjunta do patrimônio).
efeitos patrimoniais:
· art. 1639 – regime de bens, que é como se fosse um estatuto patrimonial entre os cônjuges, as modalidades são estabelecidas por lei ou convenção. 
Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver.
§ 1 o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.
§ 2 o É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros.
Espécies de regimes de separação de bens:
a) regime legal: art. 1640, caput do CC – Marco Lei n° 6.515/77 – Lei Divórcio / comunhão parcial
Art. 1.640. Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial.
Parágrafo único. Poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar por qualquer dos regimes que este código regula. Quanto à forma, reduzir-se-á a termo a opção pela comunhão parcial, fazendo-se o pacto antenupcial por escritura pública, nas demais escolhas.
b) regime compulsório: art. 1641 do CC – separação de bens
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento:
I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento;
II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos;  
III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial.
convenção de nubentes: art. 1640 do CC, 1653 do CC 
Art. 1.653. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se não lhe seguir o casamento.
pacto antenupcial (é um documento que eu faço):
a) forma exigida pela lei = escritura pública
b) mesclar regime de bens = é permitido pelo art. 1655/CC
c) revogável = antes da celebração – posso me arrepender
d) doações = bens reservados – art. 1668, IV, CC
e) menores e assistência dos genitores = se quem está casando tem idade núbil, é relativamente incapaz e precisa de assistência para casar e para fazer o pacto. o pacto é um documento apartado, como se fosse um estatuto da pessoa jurídica. Art. 1654/CC. Este menor pode escolher o regime de bens, mas precisa de assistência do genitor.
f) efeitos jurídicos perante terceiros = art. 1657/CC – se eu fizer um pacto antenupcial onde estará estabelecido o regime de separação de bens, eu preciso levar para averbar este pacto no registro de imóveis. o pacto só vai ter eficácia com o casamento, então não adiante levar antes da celebração. Mas se eu não fizer essa averbação após a celebração do casamento, pode haver terceiros (credores) lesados, porque a cobrança vai depender do regime de separação de bens. o casamento pode ser uma simulação para enganar os credores, por isso é dever de quem casa pedir para averbar a certidão de casamento no cartório de registro de imóveis. Mas se não fizer a averbação, para os terceiros de boa-fé, vige o regime de comunhão parcial de bens, segundo o art. 1657/CC.
art. 1656 se refere a participação final nos aquestos (como regra, casamos com separação universal de bens e na separação, vai dividir os lucros). em todos os regimes, tem bens comuns (que vão ser divididos, que vão para meação) e bens particulares/próprios (não vão ser divididos). então, se eu casei com comunhão parcial de bens e eu tinha um ap antes de me casar, se eu me divorciar, esse bem não vai ser dividido, porque é próprio. mas se durante o casamento a gente compra um ap, aí sim vai ser dividido no divórcio. mas para fazer essa divisão, as vezes precisa vender o imóvel e isso se chama de outorga, que pode ser marital (anuência do homem) ou uxória (anuência da mulher). quem casa com participação final nos aquestos, precisa ter pacto antenupcial e exige escritura pública. essa escritura pública pode ter uma previsão de que nos bens particulares ele não exige anuência.
mutabilidade de regime de bens: art. 1639, §2° do CC
só pode alterar regime de bens por via judicial e precisa provar o consenso dos cônjuges, precisa ter o mesmo advogado, precisam justificar para o juiz quais os motivos pelos quais eles querem alterar o regime de bens e resguardar os direitos perante terceiros de boa-fé. para que eu consiga resguardar os direitos dos terceiros, eu preciso provar que eles não têm dívidas, porque se aparecerem credores, estes credores não podem ser prejudicados com a mudança de regime de bens. como regra, o efeito é ex nunc. o art. 977 do CC está no direito empresarial e trouxe uma regra que se eu quiser fazer uma sociedade com meu marido, não podemos fazer se formos casados com comunhão universal de bens.
administração e disponibilidade do patrimônio:
quando casamos, não temos mais a liberdade que tínhamos quando solteiros. a ideia do legislador é proteger a família e não a pessoa, então em muitos negócios vai ser exigida a anuência, principalmente se for relacionado ao patrimônio, com o objetivo de proteger o patrimônio.
o art. 1647 indica quando precisa da concordância: os atos que dependem da autorização, exceto separação com pacto: 
I – alienar/gravar imóveis com ônus real (alienar é todo tipo de disposição, venda, doação. gravar imóvel com ônus real é hipotecar e pode comprometer a propriedade se eu não pagar, porque o credor vai ficar com o imóvel)
a partir daqui vai ser no caso de participação final nos aquestos
II – pleitear – bens particulares (na participação final dos aquestos, se o bem for particular, não precisa de anuência)
III – Fiança/aval (fiador e avalista precisam de anuência, só não precisa na separação de bens e é entendido majoritariamente que na união estável também não precisa)
IV – doação de bens comuns remuneratórios (se é uma doação de bem comum, preciso de anuência do cônjuge, mas se for doação para diminuir uma dívida, ai não precisa de anuência)
NÃO PRECISA DE ANUÊNCIA QUANDO É SEPARAÇÃO DE BENS
SE NÃO CONSEGUIR ANUÊNCIA, PRECISA DE SUPRIMENTO JUDICIAL, QUE É O ALVARÁ. AGORA, SE EU NÃO BUSQUEI ESTE ALVARÁ, O NÃO ANUENTE PODE BUSCAR A ANULAÇÃO DESTE ATO EM ATÉ 2 ANOS APÓS A SEPARAÇÃO DO CASAL.
Aula dia 25/04:
O fim do casamento:
o divórcio é um ato unilateral, não depende da vontade dos dois, apenas uma parte precisa querer.
O casamento termina pelo divórcio ou pela morte. Os efeitos da morte irei ver no direito de sucessões.
Divórcio:
01. origem: o objetivo inicial do casamento é que as pessoas ficassem juntas para sempre, por causa da perspectiva religiosa do casamento e da sacralidade que era uma tradição do casamento ser até que a morte separe. Porém, com o tempo, a sociedade começou a ver que algumas pessoas não conseguiam ficar juntos para sempre e aí surgiu o desquite. depois do desquite foi reconhecida a separação (é uma medida preparatória que ainda permitia a reconciliação ou o divórcio, era como se fosse um tempo. Primeiro era de 3 anos de tempo, depois 2 ou 1 ano, dependia do caso), a partir da década de 70. só depois é que foi reconhecido o divórcio. A ideia inicial do legislador era deixar essas pessoas unidas, por isso demorou tanto tempo para que o divórcio surgisse. 
Fundamentos legais: 
· art. 226, § 6° da CF – em 2010 tivemos uma alteração neste art. que o casamento termina com o divórcio. Agora não tem mais aquele esquema da separação (do tempo para as pessoas pensarem se querem voltar ou terminar mesmo). O objetivo é dar mais autonomia para as pessoas, porque a ideia da separação ainda está ligada a ideiada sacralidade. Se casou em um dia, no outro pode separar se quiser, o Estado não se opõe a isso.
· arts. 1571 até 1582 do CC – o texto da lei, mesmo que atualizado, possui muitas mudanças, mas são tácitas. Por isso, se eu ler somente a letra fria da lei e não ler uma doutrina e/ou jurisprudência eu vou errar o entendimento.
· Lei n° 11.441/07 – permitiu que o divórcio, em algumas situações, possa ser feito de forma extrajudicial (cartório), mas para isso, eu preciso seguir esta lei, mas a lei é de 2007 e não mudou. Já a Resolução 220/16 do CNJ não alterou a Lei, mas exigiu outras coisas e essa resolução é adotada pacificamente tanto na doutrina, na jurisprudência e no cartório.
· Lei n° 6.515/77, Lei do Divórcio – fala do rito do divórcio, que é uma lei especial. O CPC também fala deste rito, mas não alterou muito do que dizia o velho e esta lei regulamente de forma mais precisa.
Como então eu posso dissolver o casamento? 
· pela morte (meu estado civil vai alterar para viúva, averba-se a morte do meu marido no registro civil por eu ser viúva. posso me casar de novo, isso significa que acabou o casamento e acabou o vínculo conjugal com o de cujus);
· separação (meu estado civil vai ser separada. vai haver a averbação da separação no registro civil. a separação dissolve o casamento, mas não o vínculo conjugal, porque se eu estou separada eu posso voltar para o casamento como se nada tivesse acontecido ou me divorciar. não posso me casar de novo); 
· divórcio (a pessoa passa a ser divorciada, rompe com o casamento e com o vínculo conjugal, pode se casar de novo)
· ou por ele ser nulo ou anulável (se o casamento for declarado nulo ou por sentença descongestiva. o meu estado civil volta ao status quo de antes. termina o casamento e extingue o vínculo conjugal), segundo o art. 1571 do CC.
o término do casamento não necessariamente acaba com o vínculo conjugal, pois ainda temos a possibilidade da separação.
a separação é um instituto jurídico que está meio em desuso, mas os tribunais superiores entendem que ela ainda existe. A separação, que é uma medida preparatória para o divórcio, pode acontecer de várias formas. Está prevista no CPC do 731 ao 733.
formas de separação:
· consensual (pode ser judicial ou extrajudicial) – quando os 2 querem se separar, vai ser feito um acordo de separação consensual e tem que ter um advogado junto para fazer esse acordo. pode ser judicial ou em cartório. para que seja em cartório, é feita uma minuta, os casados assinam, fazem uma escritura pública da separação e assinam. mas para fazer uma separação consensual em cartório é preciso preencher alguns requisitos: não ter filhos menores ou incapazes, a mulher não pode estar grávida e precisa do consenso dos dois. se não preencher esses requisitos tem que ser judicial. exige 1 ano de casados, tanto em juízo como em cartório, é exigência prevista em lei, e se não cumpre este requisito tem de ser a litigiosa;
· litigiosa (somente judicial) – porque tem um litígio. por isso vai ter que ser judicial. mesmo quando não estão brigando, se não tiver 1 ano de casados tem de ser litigiosa. se a separação for litigiosa, eu tenho que fundamentar. esse fundamento legal para separação está previsto nos arts. 1572 e 1573 do CC, mas teve alteração doutrinária / jurisprudencial;
fundamentação separação litigiosa:
art. 1572 e 1573 do CC – sanção: quando tem um cônjuge culpado, por exemplo, quando há uma traição. ISSO ESTÁ REVOGADO TACITAMENTE, não se discute mais quem tem culpa.
art. 1572, 2° e 3° do CC – remédio: quando um dos cônjuges fica doente e o outro não quer mais ficar junto com o doente, ou vice e versa. esqueceram aquela parte “na saúde e na doença”. tem uma consequência quando quem está pedindo a separação é quem está saudável E SE o regime for de comunhão parcial de bens, o cônjuge que não está doente fica com uma quota parte menor, quando é uma doença grave e levando em consideração a idade do outro. o cônjuge doente ficaria com 75% do patrimônio.
art. 1572, 1° do CC – falência: é requerida 1 ano depois da separação de fato. o casamento faliu. 
· judicial – em juízo;
· extrajudicial – em cartório;
· separação de fato – romper o relacionamento sem tomar nenhuma medida judicial ou extrajudicial. cessa os efeitos jurídicos do patrimônio. não tenho mais dever de fidelidade, o regime de bens do casamento não vale mais. por isso o magistrado pede para informar quando houve a separação;
· separação de corpos – o estado impõe que a pessoa saia de casa, com uma medida protetiva. pode ser através de liminar também, por uma violência psicológica ou patrimonial. era muito usada antes da Lei Maria da Penha, mas agora se utiliza mais o instituto jurídico da Medida Protetiva da Lei Maria da Penha. aqui também cessa os efeitos do casamento, do patrimônio.
todas essas separações, não importa a forma, gera um efeito jurídico que é cessar/paralisar os efeitos jurídicos do casamento.
Divórcio:
espécies de divórcio:
· Consensual – pode ser judicial ou extrajudicial. requisitos: não ter filhos menores, incapazes ou não estar grávida, ter o consenso e no divórcio não precisa ter 1 ano de casados;
· litigioso – é judicial. se tiver filhos vão fixar a guarda, direito de convivência, alimentos. pode voltar a usar o nome de solteira. vai ter a partilha de bens. leva tempo para essa ação;
· indireto – art. 1580 do CC;
Art. 1.580. Decorrido um ano do trânsito em julgado da sentença que houver decretado a separação judicial, ou da decisão concessiva da medida cautelar de separação de corpos, qualquer das partes poderá requerer sua conversão em divórcio.
§ 1 o A conversão em divórcio da separação judicial dos cônjuges será decretada por sentença, da qual não constará referência à causa que a determinou.
§ 2 o O divórcio poderá ser requerido, por um ou por ambos os cônjuges, no caso de comprovada separação de fato por mais de dois anos.
· direto – quando há conversão da separação em divórcio. Art. 1580, 2° do CC;
· ? divórcio impositivo ? – quando o juiz não ouve a outra parte, só o autor. Ainda está sendo discutido.
partilha de bens: art. 1581 do CC
Art. 1.581. O divórcio pode ser concedido sem que haja prévia partilha de bens.
todo processo pode ter citação por edital desde que esgotadas as possibilidades de encontrar o réu.
O CPC prevê que tenhamos no mínimo 2 audiências para divórcio: uma de mediação e outra de instrução. O CPC diz que esta audiência de conciliação não é opcional. e mediação não pode ser feita pelo juiz ou pelo assessor do juiz, os mediadores tem de ser pessoas neutras e que consigam ouvir as partes, promover um espaço de fala.
conciliação = quando não há vínculo entre as partes.
mediação = mediadores que podem ser 1 ou mais e que são capacitados, tem um curso de capacitação e estes possuem estratégias para aplicar. a pessoa tem a oportunidade de falar, não o advogado. os advogados podem propor solução, o mediador não pode. as partes tem de propor soluções. quando há vínculo entre as partes.
Também existe a constelação familiar, que é bem criticada.
Aula dia 16/05:
Bem de família:
tem 2 espécies de bem de família e não posso me defender: 
01. instituído / convencional = o bem de família teve sua origem no ano de 1839, no Texas, EUA, que para superar uma crise econômica, conferiu proteção às propriedades das famílias que lá residiam através da promulgação de uma lei. tem o status de política pública para que não se transformasse em um problema social. é instituído pelo código civil e tem regras. se o bem for transformado em bem de família, ele fica impenhorável e inalienável. se eu só tenho um imóvel não preciso transformá-lo em bem de família, porque daí ele entra na lei n° 8.009/90. ele fica impenhorável com relação a dívidas futuras e não dívidas pretéritas. e não precisa reconhecer judicialmente que é bem de família, porque vai ficar gravada na matrícula do imóvel. tem que fazer uma escritura pública, cumprir os requisitos da lei e levar no registro de imóveis para averbar a matrícula. pode ser feita inter vivos, quando eu e meu maridotemos vários imóveis e decidimos que o de palmitos vai ser bem de família. ou pode ser também por testamento (causa mortis), que só vai ter efeitos jurídicos quando aquela pessoa morrer. eu preciso ter legitimidade para instituir aquele imóvel como bem de família, ou seja, preciso ser capaz e cumprir os requisitos legais. o objeto é o bem principal (pode ser urbano ou rural), pertenças, acessórios e valores mobiliários. este instituto vai proteger uma classe média alta. LER O ART. 1.715 DO CC: se a dívida da pessoa for uma dívida tributário ou despesas de condomínio, o credor pode penhorar o bem de família para quitar essas dívidas. Será que são somente essas dívidas que quebram essa proteção da impenhorabilidade ou também tem outras dívidas? eu posso alegar as exceções do art. 3° da lei n° 8.009/90 para permitir a penhora de um bem de família instituído? sim, segundo o art. 1.711 do CC: diz que mesmo sendo um bem de família instituído, aplica-se a ele as disposições da lei especial, que é a lei n° 8/009/90.
Art. 1.711. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial.
Parágrafo único. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada.
Art. 1.715. O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição, salvo as que provierem de tributos relativos ao prédio, ou de despesas de condomínio.
Parágrafo único. No caso de execução pelas dívidas referidas neste artigo, o saldo existente será aplicado em outro prédio, como bem de família, ou em títulos da dívida pública, para sustento familiar, salvo se motivos relevantes aconselharem outra solução, a critério do juiz.
além disso, precisa ter alguns requisitos, que é: solvência – o valor do imóvel não pode ser superior a 1/3 do patrimônio líquido do solvido, ou seja, precisa ter mais débitos do que créditos; precisa dar publicidade – editais do cartório de registro de imóveis (30 dias). quem pode se beneficiar são os cônjuges, conviventes e mais ainda os filhos menores ou os incapazes (deficientes mentais). o efeito é SEMPRE futuro, mesmo que eu faça por escritura pública e não testamento. 
OBS: toda essa documentação vai para o cartório e não para o poder judiciário.
OBS 2: não basta fazer só escritura pública, precisa ser levada para averbação no cartório.
quando tem a averbação da escritura pública vai ter o efeito ex nunc. e quando tiver testamento vai ter o óbito e daí vai ter a sucessão e daí os efeitos ex nunc também (a partir daí).
por quanto tempo fica ativa a blindagem patrimonial do bem de família? vitalício para os instituidores (cônjuges, conviventes, filhos menores ou deficientes mentais.
extinção: eu só consigo retirar a tarja de bem de família por vontade minha se eu entrar com uma ação judicial e neste processo eu vou ter que provar que eu não consigo mais manter aquele imóvel como bem de família, por exemplo, que eu quero vender para bancar um tratamento de saúde, que a manutenção é muita cara, etc. vai ter vistas ao MP e a princípio vão propor que seja instituído outro bem de família de menor valor e depois vão permitir que seja levantada a tarja de bem de família.
como é só para filhos menores, quando eles completam a maioridade eles não são mais beneficiários desse instituto (não quer dizer que não são herdeiros).
e se os cônjuges divorciarem? não exclui a cláusula do bem de família, porque quando eles fizerem a separação de bens alguém vai ficar com o imóvel. a não ser que precisem vender, daí o juiz tem de autorizar a venda. isso está fundamentado no art. 1.721.
Art. 1.721. A dissolução da sociedade conjugal não extingue o bem de família.
Parágrafo único. Dissolvida a sociedade conjugal pela morte de um dos cônjuges, o sobrevivente poderá pedir a extinção do bem de família, se for o único bem do casal.
como eu faço para provar que meu bem de família foi instituído como bem de família? é só tirar uma certidão atualizada da matrícula do imóvel.
se os filhos já são maiores e não tem nenhum deficiente mental e os pais morrem, o bem vai ir para os herdeiros, ou seja, filhos E SEM ESSA CLÁUSULA DE BEM DE FAMÍLIA.
02. legal – da lei n° 8.009/90 = na década de 90 o legislador brasileiro instituiu essa lei para proteger a classe social mais pobre. se tem só um imóvel no nome e a família vive lá, não pode ser penhorado. é aquilo que eu já vi nos processos. eu não preciso fazer absolutamente nada para que ele seja considerado bem de família. a lei n° 8.009 garante a impenhorabilidade do bem, mas não a inalienabilidade.
o art. 3° da lei traz 7 exceções para a impenhorabilidade, sendo que o inciso I está revogado. como que eu provo que meu bem de família é meu bem de família? por decisão judicial. 
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:
II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato;
III – pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela dívida; 
IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar;
V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar;
VI - por ter sido adquirido com produto de crime (tráfico, contrabando) ou para execução de sentença penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.
VII - por obrigação decorrente de fiança (quando eu sou fiadora e a pessoa não paga a dívida, daí eu, enquanto fiadora, vou ter que me lascar e perder meu bem de família para pagar a dívida de outra pessoa) concedida em contrato de locação. 
o bem de família está conectado com o direito fundamental de moradia
Aula dia 30/05:
Relações parentais: filiação
Ação de investigação de paternidade = vai fazer o teste de DNA para saber quem é o pai. essa ação é declaratória e constitutiva, gera efeitos pessoais, patrimoniais e sociais
Já a ação de reconhecimento da origem genética é para, por exemplo, quando uma criança é adotada, descobrir quem são seus pais biológicos. essa ação é declaratória, não gera efeitos, porque com a ação de adoção, extingue o poder familiar dos pais biológicos e passa para os adotivos. art. 48 do ECA.
CF estabelece que filho é filho, não importa aonde ele foi concebido. o CC tem um capítulo que me dá o direito material para fundamentar o direito, falando quem é pai, quem é mãe. lei especial 8.560/92 de investigação de paternidade. ECA sobre os direitos das crianças e adolescentes.
três tipos de filiação; biológica, socio afetiva e tecnologias reprodutivas
fundamentação da filiação socio afetiva: 
Art. 1.605. Na falta, ou defeito, do termo de nascimento, poderá provar-se a filiação por qualquer modo admissível em direito:
I - quando houver começo de prova por escrito, proveniente dos pais, conjunta ou separadamente;
II - quando existirem veementes presunções resultantes de fatos já certos.
Art. 1.606. A ação de prova de filiação compete ao filho, enquanto viver, passando aos herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz.
Parágrafo único. Se iniciada a ação pelo filho, os herdeiros poderão continuá-la, salvo se julgado extinto o processo.
como se presume quem é o pai e a mãe:
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos:
a mãe é fácil de saber quem é
I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecidaa convivência conjugal; (casaram, a mulher era virgem, transaram e até 180 dias depois a criança nasce. então o marido é declarado o pai. se a criança nascer 180 dias antes do casamento, então eles não seguiram a regra e transaram antes do casamento ou houve traição. em decorrência desta dúvida, o pai tem de declarar que é pai da criança ou não)
II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da sociedade conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do casamento; (porque transaram antes da dissolução do casamento)
III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o marido;
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga;
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido.
tecnologias reprodutivas: inseminação artificial, fertilização em vitro e maternidade de substituição (barriga de aluguel) – no Brasil as 3 são permitidas.
a tecnologia reprodutiva pode ser homologa ou heteróloga. todas as 3 possibilidades de cima podem ser homologas ou heterólogas. homologas é quando o material genético é do casal, dos 2 estão tentando ter filho e não conseguem. a lei estabelece que após 1 ano tentando já pode partir para uma tecnologia. essas técnicas reprodutivas estão vinculadas a resolução do conselho federal de medicina. não pode usar uma tecnologia reprodutiva só para não estragar o corpo, tem que ser indicação médica. heteróloga é quando o material genético é de doador, seja o espermatozoide ou o óvulo, ou os dois. isso porque as vezes um do casal tem problema para ter filhos ou as vezes os dois e também com casais homoafetivos.
multiparentalidade: teoria tridimensional do direito de família – Belmiro Welter
contestação de parentalidade – é uma negatória da parentalidade. prazo é imprescritível (art. 1.601 do CC). legitimidade para pleitear a ação – é do pai e da mãe (art. 1.602 do CC). pode ser biológico, socio afetivo. quem faz a prova de filiação (que é filho de fulano) é o filho (art. 1.606 do CC) e pode ser usada a certidão de nascimento (art. 1.603 do CC), mas se não tem pai ou mãe registral pode ser comprovada a posse do estado de filho, que é comprovar que tem afetividade, que em convivência.
como se reconhece parentalidade? pode ser voluntário, por vontade; pode ser oficioso, quando o estado busca; ou pode ser judicial, quando se entra com uma ação de investigação de paternidade.
voluntário = esse reconhecimento, normalmente, é que aconteça quando a criança nasce. é o desejado pelo direito. não se pode reconhecer com condição (só vou te reconhecer se você for um bom filho, depois que você fizer 18 anos, etc). essa forma tem 4 possibilidades: voluntariamente pode ser no momento em que a criança nasce, com registro; ou, segundo os provimentos, em momento posterior (ex: provimento de 2010 do CNJ – projeto pai legal – o pai pode a qualquer momento reconhecer o filho em cartório, juntamente com a genitora acompanhando a criança). pai socio afetivo também pode registrar o filho, indo ao cartório, desde que não tenha outro pai no registro e quando o filho já tiver 12 anos; mas, se já tem um pai registral e quer reconhecer um pai socio afetivo ou a criança tem menos de 12 anos, tem de ser judicial. Sempre lembrando que como se trata de menores de 18 anos, tem de ter um representante legal para ela, que no caso seria a mãe. O voluntário também pode ser por escritura pública, que é quando o pai não pode ir pra palmitos no cartório, dai faz uma escritura pública, reconhece em cartório e manda pra palmitos, dai o filho maior, ou, se for menor acompanhado pela mãe, vão ao cartório; pode deixar para testamento (art. 1.610) ou em manifestação perante o juiz.
oficiosa = hoje é muito difícil registrar um filho só no nome da mulher, porque existe a lei de investigação de paternidade, desde 1992, e essa lei criou um tramite obrigatório de investigação de paternidade. a mulher vai no cartório registrar a criança e diz que não sabe quem é o pai. ela assina um termo dizendo que não indicou pai e SEM ELA SABER o cartório manda esse termo para o Juízo e começa um processo oficioso (porque é de ofício). então vai seguir o tramite deste tipo de processo. NINGUÉM ENTROU COM ESSA AÇÃO, O CARTÓRIO É OBRIGATÓRIO A MANDAR.
Ação de investigação de paternidade (judicial): súmula 301 do STJ, se o possível pai se negar a fazer o teste de DNA, vai haver a presunção de paternidade por meio desta súmula. arts. 231 e 232 do CC. art. 1.611 do CC – autorização para morar lar conjugal.

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