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DJi - Penas Restritivas de Direitos - Penas Alternativas

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de decisão
transitada em julgado, por imperativo do princípio do estado de
inocência;
b) a nova condenação tornar impos sível o cumprimento da pena
alternativa.
Além disso, também haverá conversão quando:
a) o condenado não for encontrado para ser intimado do início do
cumprimento da pena;
b) houver o descumprimento injustificado da restrição imposta ou quando
o condenado praticar falta grave.
- antes de converter a pena restritiva de direitos em privativa de
liberdade, deve-se possibilitar ao condenado ampla defesa de seus
direitos, com a instauração do devido processo legal e a observância do
contraditório, pois esses princípios também devem ser observados na
execução penal, durante a qual subsiste o devido processo legal.
Regime aberto e "Sursis": a condenação não torna, em nenhum desses
dois casos, impossível o cumprimento da pena alternativa, razão pela qual
não acarreta a conversão em pena privativa de liberdade.
Regime fechado e semi-aberto: a condenação nesse caso torna
impossível o prosseguimento da execução da pena alternativa restritiva de
direitos, acarretando, por conseguinte, a sua conversão em privativa de
liberdade. Em se tratando de pena alternativa pecuniária, contudo, não
haverá a conversão, uma vez que não existe qualquer incompatibilidade
entre o cumprimento desta e a nova condenação.
Não-pagamento da multa substitutiva ou vicariante, por devedor solvente:
como vimos, com a Lei n. 9.714/98, essa espécie de multa passou a ser
regida pelo art. 44, § 2º, do CP, ficando revogado o art. 60, § 2º, do
Estatuto Repressivo. Entretanto, por não se tratar de pena restritiva de
direitos, não se submete às regras de conversão destas. Com efeito, à
multa vicariante aplica-se a regra do art. 51 do CP, com a redação dada
pela Lei n. 9.268/96, segundo a qual, para fins de execução, a multa será
considerada dívida de valor, estando proibida, de modo expresso e
indiscutível, a sua conversão em pena privativa de liberdade. A
conversão, portanto, somente terá incidência sobre as penas restritivas de
direitos em sentido estrito e restritivas de direitos pecuniárias.
Tempo de cumprimento da pena privativa de liberdade resultante de
conversão: convertida a pena restritiva de direitos em privativa de
liberdade, será deduzido o tempo em que o condenado esteve solto,
devendo ele cumprir preso somente o período restante. A lei determina,
no entanto, seja respeitado um saldo mínimo de 30 dias de detenção ou
reclusão, não podendo o agente ficar preso por menos tempo, ainda que
restassem menos de 30 dias para o cumprimento integral da pena
alternativa. Desse modo, se, operada a dedução, resultar um período
inferior, o condenado deverá ficar pelo menos 30 dias preso. Tratando-
se de prisão simples, não há exigência de período mínimo (CP, art. 44, §
4º). De acordo com a legislação anterior, desprezava-se o tempo de
cumprimento da pena restritiva, e o sujeito tinha de cumprir preso todo o
período correspondente à pena aplicada na sentença condenatória, o que
era profundamente injusto. Quanto às penas restritivas pecuniárias, como
não existe tempo de cumprimento de pena a ser descontado, o mais justo
é que se deduza do tempo de pena privativa de liberdade a ser cumprido
o percentualjá pago pelo condenado. Assim, se já tiver pago metade do
valor, somente terá de cumprir preso metade da pena privativa aplicada
na sentença condenatória.
- na hipótese de descumprimento de pena restritiva de direitos imposta
em transação penal, nas infrações de competência dos juizados especiais
criminais, o STF, por sua 2ª' Turma, adotou o entendimento de que a
sentença que aplica a penalidade por ocasião da audiência preliminar, de
que cuida o art. 76 da Lei n. 9.099/95, não é condenatória nem
absolutória, mas homologatória da transação penal. Desobedecidas as
restrições impostas, a conseqüência não será a conversão em pena
privativa de liberdade, mas a desconstituição do acordo penal e a
remessa dos autos ao Ministério Público para o oferecimento da
denúncia, dando-se início ao processo criminal pelas vias normais (STF,
HC 79.572-GO, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 29-2-2000.).
Penas alternativas pecuniárias
Prestação pecuniária: a prestação pecuniária consiste no pagamento em
dinheiro, à vista ou em parcelas, à vítima, a seus dependentes ou a
entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada
pelo juiz, não inferior a um salário mínimo, nem superior a 360 salários
mínimos. O Poder Judiciário não pode ser o destinatário da prestação,
pois, apesar de ter destinação social, não é entidade. O montante será
fixado livremente pelo juiz, de acordo com o que for suficiente para a
reprovação do delito, levando-se em conta a capacidade econômica do
condenado e a extensão do prejuízo causado à vítima ou seus herdeiros.
Em hipótese alguma será possível sair dos valores mínimo e máximo
fixados em lei, não se admitindo, por exemplo, prestação em valor
inferior a um salário mínimo, nem mesmo em caso de tentativa.
Deve-se frisar que o legislador, ao fixar o teto máximo da prestação
pecuniária em 360 salários mínimos, seguiu critério diverso daquele que
regulamenta a perda de bens e valores (CP, art. 45, § 3º), no qual o
limite do valor é o total do prejuízo suportado pela vítima ou o do
provento obtido com o crime (o que for maior). A nosso ver, andou bem
o legislador, uma vez que, se limitasse o valor da prestação pecuniária ao
prejuízo suportado pelo ofendido, estaria inviabilizando sua aplicação
àqueles crimes em que não ocorre prejuízo, como, por exemplo, em
alguns delitos tentados. O valor pago será deduzido do montante de
eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os
beneficiários, o que vale dizer, a fixação da prestação pecuniária não
impede a futura ação civil reparatória (actio civilis ex delicto).
Importante notar que, se o juiz atribuir o benefício da prestação
pecuniária a alguma entidade, no lugar da vítima ou seus herdeiros, não
haverá dedução do valor na futura ação indenizatória, porquanto não
coincidentes os beneficiários. Admite-se que o pagamento seja feito em
ouro, jóias, títulos mobiliários e imóveis, em vez de moeda corrente.
Prestação inominada: no caso de aceitação pelo beneficiário, a prestação
pecuniária poderá consistir em prestação de outra natureza, como, por
exemplo, entrega de cestas básicas a carentes, em entidades públicas ou
privadas. A interpretação, aqui, deve ser a mais ampla possível, sendo,
no entanto, imprescindível o consenso do beneficiário quando o crime
tiver como vítima pessoa determinada. Damásio E. de Jesus entende que
a prestação inominada corresponde a uma espécie de "pena inominada",
o que feriria o princípio da legalidade, trazendo incertezas ao aplicador da
lei e ensejando dúvida a respeito do verdadeiro conteúdo da resposta
penal. Faz, porém, a seguinte ressalva: "o dispositivo, contudo, encontra-
se em consonância com as Regras de Tóquio, que recomendam ao juiz,
depois de arrolar dezesseis medidas penais alternativas (non-custodial
measures), a aplicação, se necessário e conveniente, de 'qualquer outra
medida que não envolva detenção pessoal'. Medida liberal, corresponde,
entretanto, ao ideal de justiça, pela qual ao juiz, nas infrações de menor
gravidade lesiva cometidas por acusados não perigosos, atribuir-se-ia o
poder de aplicar qualquer pena, respeitados os princípios da segurança
social e da dignidade, desde que adequada ao fato e às condições
pessoais do delinqüente"336. Convém ressaltar que essa pena não pode
consistir no pagamento em dinheiro, para que não se confunda com a
prestação pecuniária, nem na prestação de trabalho, pois, para essa
finalidade, já existe a prestação de serviços à comunidade.
Perda de bens e valores: trata-se da decretação de perda de bens
móveis, imóveis ou de valores, tais como títulos de crédito, ações etc.
Não pode alcançar bens de terceiros, mas apenas os bens do
condenado, já que a pena não pode passar de sua pessoa (CF, art. 5º,
XLV).