Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual
2021 (Curso Regular)
Autor:
Paulo H M Sousa
Aula 09
24 de Fevereiro de 2021
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 
87 
Sumário 
Considerações iniciais ........................................................................................................................................ 3 
II. Transmissão .................................................................................................................................................... 5 
1. Cessão de crédito ....................................................................................................................................... 6 
2. Assunção de dívida ..................................................................................................................................... 9 
III. Adimplemento............................................................................................................................................. 13 
1. Teoria geral do pagamento ...................................................................................................................... 13 
1.1. Sujeitos .................................................................................................................................................. 14 
A. Quem deve pagar ....................................................................................................................................................... 14 
B. A quem se deve pagar ................................................................................................................................................ 17 
1.2. Objeto .................................................................................................................................................... 18 
1.3. Lugar...................................................................................................................................................... 20 
1.4. Tempo .................................................................................................................................................... 21 
1.5. Prova ..................................................................................................................................................... 23 
2. Meios alternativos de pagamento ........................................................................................................... 25 
2.1. Pagamento em consignação ................................................................................................................. 26 
2.2. Pagamento com sub-rogação ............................................................................................................... 28 
A. Legal ........................................................................................................................................................................... 29 
B. Convencional .............................................................................................................................................................. 29 
2.3. Imputação ............................................................................................................................................. 30 
2.4. Dação .................................................................................................................................................... 31 
2.5. Novação ................................................................................................................................................ 33 
2.6. Compensação ........................................................................................................................................ 35 
2.7. Confusão ................................................................................................................................................ 38 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
87 
2.8. Remissão ............................................................................................................................................... 39 
3. Teoria do adimplemento substancial ....................................................................................................... 41 
Legislação Pertinente ....................................................................................................................................... 46 
Adimplemento ................................................................................................................................................................ 46 
Jurisprudência Correlata .................................................................................................................................. 50 
Adimplemento ................................................................................................................................................................ 50 
Jornadas de Direito Civil ................................................................................................................................... 54 
Adimplemento ................................................................................................................................................................ 54 
Considerações finais ......................................................................................................................................... 55 
Questões Comentadas ..................................................................................................................................... 55 
Listas de Questões ........................................................................................................................................... 76 
Gabaritos .......................................................................................................................................................... 86 
 
 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
87 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Inicialmente, lembro que sempre estou disponível, para você, aluno Estratégia, no Fórum de Dúvidas do 
Portal do Aluno e, alternativamente, também, nas minhas redes sociais: 
 
prof.phms@estrategiaconcursos.com.br 
 
prof.phms 
 
prof.phms 
 
prof.phms 
 
Fórum de Dúvidas do Portal do Aluno 
Se a Teoria da obrigação como processo de Clóvis Veríssimo do Couto e Silva mira a satisfação dos interesses 
do credor, e o credor se satisfaz com o adimplemento, é de se imaginar quão importantes são os temas desta 
aula. O adimplemento em sentido amplo traça o caminho para que tal satisfação seja atingida. 
Antes disso, porém, o processo obrigacional pode se desenvolver de maneira anômala. Isso porque, em se 
tratando de obrigação, há de se ter em mente que o vínculo obrigacional liga o credor ao devedor de maneira 
pessoal (mas não personalíssima). Como as obrigações precisam ser maleável – daí tantas modalidades –, é 
de se imaginar que exista a possibilidade de manter o vínculo obrigacional com a substituição dos sujeitos. 
Trata-se da transmissão das obrigações. As modalidades de transmissão, consequentemente, ocorrerão 
quando se substitui o credor ou o devedor, a cessão de crédito e a assunção de dívida, respectivamente. 
Posteriormente, você verá o adimplemento em sentido estrito e, num terceiro momento, o adimplemento 
em sentido amplo, caracterizado pelo que o CC/2002 chama de “meios alternativos de pagamento”. O nome 
é tecnicamente inadequado, porque nas “modalidades do adimplemento em sentido amplo”, o nome 
tecnicamente correto, nem sempre há pagamento (como na dação) e às vezes nem mesmo adimplemento 
(caso da remissão). 
Por fim, vou apresentar a você um dos desdobramentos mais importantes da Teoria da obrigação comoprocesso. Essa teoria não apenas torna a compreensão do Direito das Obrigações “lógica”, como também 
traz consequências importantíssimas na percepção do fenômeno obrigacional. 
Trata-se da Teoria do adimplemento substancial, cujo norte (e sul, e leste, e oeste, eu diria) é precisamente 
a Teoria da obrigação como processo. Se o sentido da obrigação é sua extinção com a satisfação dos 
interesses do credor, por vezes é necessário conter a “sanha” creditícia para que o processo obrigacional 
chegue ao fim de maneira mais adequada. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
87 
Vale dizer, em algumas situações o adimplemento se vislumbra tão proximamente que permitir ao credor 
dar cabo do pacto (por meio da rescisão, rectius, resolução) seria um contrassenso. É o caso de manter o 
vínculo, ainda que contra a vontade do próprio credor que se quer ver satisfeito. 
E qual é o ponto do seu Edital que eu analisarei nesta aula? Veja: 
Direito das obrigações II 
 
 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
87 
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 
II. TRANSMISSÃO 
Não mais se consideram as obrigações personalíssimas, como se fazia no Direito Romano. Outrora, a 
obrigação recaía, em última análise, sobre o devedor em si, fisicamente, sobre seu próprio corpo. 
Vale dizer, o credor poderia, se fosse o caso, reclamar “o corpo” do devedor. O exemplo literário de 
Shakespeare é bastante elucidativo: uma libra de carne do jovem mercador veneziano se ele não cumprir 
com o contrato! 
Lembre-se de que o status libertatis do cidadão romano poderia ser alterado e ele, então, passaria à condição 
de escravo. Apesar de os romanos sustentarem a escravidão em larga escala por intermédio da guerra, havia 
também a escravidão por dívida. 
Não fazia sentido que a obrigação pudesse ser transmitida de maneira ampla. Transmitir o débito para outro 
devedor significava que ele seria escravizado, em caso de inadimplemento, por dívida com a qual não 
concordara. Transmitir o crédito para outro credor significava que o devedor teria por senhor pessoa com a 
qual não acordara. 
Não vou me ater aos aspectos mais aprofundados da questão, mas como o contrato romano era solene, de 
fundo místico-religioso, havia uma ligação muito forte entre a “pessoa” do credor e a “pessoa” do devedor. 
Por isso, a transmissão era vedada. 
Com o desenvolvimento da sociedade romana e o incremento das relações mercantis, essa “trava” se tornou 
incômoda. A partir de grande esforço pretoriano, soluções foram construídas. A mais notável delas era a que 
permitia enviesadamente a proibida transmissão, sem que efetivamente fosse a dívida transmitida. A saída 
for criar uma nova relação jurídica que tinha em sua gênese a extinção da outra. 
Ou seja, não se tratava de transmissão de uma obrigação propriamente dita, ainda que no campo dos efeitos, 
fosse... A elegante saída permitia manter a vedação à transmissão das obrigações e, ao mesmo tempo, a 
permitir! 
Trata-se da novação, um dos institutos de Direito das Obrigações mais incompreendidos. E poucos o 
compreendem adequadamente justamente em razão de não conseguirem enxergar razão ou aplicação a 
esse instituto. Muitos a confundem com outros institutos próximos, como a cessão de crédito, a assunção 
de dívida, a cessão de posição contratual e a dação em pagamento. 
Em que pese fundamental no Direito Romano, a novação se tornou instituto em franco desuso. Isso porque, 
ao contrário do Direito antigo, no Direito contemporâneo, admite-se a negociabilidade dos bens incorpóreos, 
além dos corpóreos. 
As relações obrigacionais não podem mais ser personalíssimas, místicas ou solenes. O nascente capitalismo 
exigia radical mudança na percepção a respeito do “vínculo” (veja como o termo ainda evoca um certo 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
87 
sentimento de pessoalidade, de confiança, de reciprocidade muito peculiar). A obrigação se torna 
patrimonial. 
Tornou-se claro, assim, com o desenvolvimento da literatura jurídica dogmática, que os créditos e débitos 
seriam elementos do patrimônio dos indivíduos e, mesmo incorpóreos, poderiam ser negociados. Ou seja, a 
partir do princípio fundamental da liberdade, que é irmão siamês do princípio da autonomia privada, há 
transmissibilidade quase plena de créditos e débitos. 
Abrem-se, então, duas formas de o fazer: 
1. CESSÃO DE CRÉDITO 
É o negócio jurídico pelo qual o titular de um crédito, chamado cedente, transfere esse crédito para um 
terceiro, chamado de cessionário, perante o devedor, chamado de cedido. A relação jurídica continua a 
mesma, altera-se apenas o titular do crédito. 
Essa cessão pode ser onerosa ou gratuita. Em geral, a cessão é livre, entretanto há exceções, nas quais não 
se pode operar a cessão de crédito, segundo o art. 286 do: 
 
No segundo caso, vê-se proibição voluntária à cessão. Poderia ser feita, mas as partes acordaram por não a 
fazer. Por isso, a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não 
constar do instrumento da obrigação. 
 
(TRT-8ª Região / TRT-8ª Região – 2015) Sobre as obrigações no Código Civil Brasileiro, é CORRETO 
afirmar que: 
A) Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, com culpa do devedor, se lhe torne impossível 
abster-se do ato, que se obrigou a não praticar. 
B) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não se estipulou. 
C) A solidariedade na obrigação não se presume; resulta da lei, costume ou da vontade das partes. 
1. A Lei veda a cessão de 
crédito
2. A vontade das partes não 
permite
3. A natureza do crédito não 
permite a livre cedibilidade
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
87 
D) Importará renúncia da solidariedade passiva, a propositura de ação pelo credor apenas contra um 
ou alguns dos devedores. 
E) O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a 
convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de 
boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, na dicção do art. 250: “Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, 
sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar”. 
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 252: “Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao 
devedor, se outra coisa não se estipulou”. 
A alternativa C está incorreta, pela previsão do art. 265: “A solidariedade não se presume; resulta da 
lei ou da vontade das partes”. 
A alternativa D está incorreta, conforme o art. 275, parágrafo único: “Não importará renúncia da 
solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores”. 
A alternativa E está correta, na literalidade do art. 286: “O credor pode ceder o seu crédito, se a isso 
não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da 
cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação”. 
O devedor pouco ou quase nada pode fazer em relação à cessão de crédito. Existência, validade e eficácia da 
cessão operam-se independentemente da anuência ou concordância do cedido. 
O devedor deve ser meramente notificado para tomar conhecimento da cessão e, deste modo, 
surtir-lhe os efeitos, nos termos do art. 290. Assim, válida a notificação judicial ou extrajudicial 
e se tem por notificado mesmo o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou 
ciente da cessão feita. Do contrário, o pagamento feito por ele ao cedente é válido,não 
podendo o cessionário, posteriormente, alegar falta de pagamento, segundo o art. 292. 
O cedente, em regra, responde pela existência do crédito perante o cedido (presunção relativa), mas não 
responde pela solvência do devedor-cedido (presunção relativa, igualmente), na dicção dos arts. 295, 296 e 
297. Essa é a chamada cessão pro soluto. No entanto, na cessão de crédito gratuita, responde apenas pela 
existência em caso de má-fé, de não no geral, como acontece em regra nas cessões a título oneroso. 
Porém, a vontade das partes pode alterar essas presunções, mas sempre sendo o limite da responsabilidade 
o valor pelo qual foi realizada a cessão de crédito. Se o credor se responsabiliza pela solvência do devedor-
cedido, teremos uma cessão de crédito pro solvendo. Nesse caso, não responde ele por mais do que 
recebeu, acrescido dos juros, das despesas da cessão e das despesas que o cessionário teve com a cobrança, 
segundo o art. 297. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
87 
O credor não pode afastar a responsabilidade pela existência do crédito em duas situações: nas cessões 
onerosas e nas cessões gratuitas nas quais agiu de má-fé; nestes dois casos, a cessão será sempre, ao 
menos, pro soluto. 
 
 
Qual é o objeto da cessão de crédito? Em geral, a presunção, relativa, é de que o objeto inclui os acessórios 
do crédito (conforme estabelece o art. 287, regendo o princípio da gravitação jurídica). Presume-se também, 
na interpretação do art. 289, que há transmissão das garantias, que são acessórias ao crédito, como fiança, 
caução, penhor, hipoteca. Especificamente quanto à hipoteca, o referido dispositivo estabelece que o 
cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel. 
Para a validade e eficácia inter partes da cessão não é necessária a adoção de 
formalidades especiais. No entanto, para que ela tenha eficácia perante terceiros (erga 
omnes), é necessário que adote a forma escrita, por instrumento público ou particular 
revestido das solenidades do art. 654, §1° (“indicação do lugar onde foi passado, a 
qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a 
designação e a extensão dos poderes conferidos”), conforme disposto no art. 288. 
O Enunciado 618 da VIII Jornada de Direito Civil esclarece que o devedor não é terceiro para fins de aplicação 
do art. 288. Ou seja, basta a notificação prevista no art. 290 para que a cessão de crédito seja eficaz perante 
ele. A ineficácia relativa não se relaciona ao cedente, cedido e cessionário, portanto. 
• Regra
• Cedente responde pela existência da dívida
• Cedente não responde pela solvência do devedor-cedido
• Inafastável a responsabilidade: cessões onerosas e cessões
gratuitas de má-fé
Cessão pro soluto
• Exceção
• Cedente responde pela existência da dívida
• Cedente responde pela solvência do devedor-cedido, até o
limite do valor da cessão, mais juros, despesas da cessão e
despesas que o cessionário teve com a cobrança
Cessão pro solvendo
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
87 
O devedor cedido deve ser pura e simplesmente comunicado de tal cessão. Ou seja, a única coisa que o 
credor deve fazer é notificá-lo da cessão, sem que o devedor possa embaraçar a transmissão do crédito. Veja 
que, independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer os atos 
conservatórios do direito cedido, deixa claro o art. 293. 
Entretanto, este não pode ser prejudicado com a cessão de crédito. Ou seja, os ônus e as vantagens devem 
ser mantidas tal qual em relação ao credor original. O cedido pode opor todas as exceções que detinha 
contra o credor originário (as que lhe competiam e as de que teve conhecimento até a cessão), na forma 
do art. 294. 
Tome cuidado, porém, pois o art. 377 estabelece que o devedor que, notificado, nada opõe à 
cessão que o credor faz a terceiros, não pode opor ao cessionário a compensação, que antes 
da cessão teria podido opor ao cedente. Se, porém, a cessão não lhe tiver sido notificada, 
poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente. Ou seja, 
se o devedor “dorme no ponto” e não alega a compensação quando da cessão, perde a 
oportunidade. 
Tendo por base o mesmo raciocínio, estipula o art. 298 que o crédito, uma vez penhorado, não pode mais 
ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. Não obstante, se o devedor pagar ao credor 
do crédito penhorado, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os 
direitos de terceiro. Em resumo, o crédito penhorado não pode ser transferido, mas se for, e o devedor 
pagar ao credor-cessionário sem saber da penhora, está liberado. 
Se o crédito se representa por título, prevalece a cessão na qual o título foi entregue, seguindo a regra do 
art. 291. Se não houver a tradição do título em nenhuma cessão, prevalece a que primeiro foi notificada ao 
devedor cedido. Quando o crédito constar de escritura pública, prevalece a prioridade da notificação. 
Esse conjunto de regras é interessante, e mostra bem a “lógica” das Obrigações. A quem tenho de pagar? 
Ao credor. Mas e quem é o credor? Quem apresenta a mim o título. E se não tem título? A quem me cobra 
primeiro. E se for uma dívida estabelecida em escritura pública? A quem me cobra primeiro. 
A doutrina classifica ainda a cessão de crédito de maneira profusa. Quanto à origem, a cessão de crédito 
pode ser legal (determinada por lei), judicial (ordenada pelo Juízo) ou convencional (ex voluntate, o mais 
comum). Quanto à onerosidade, pode ser onerosa (“compra” de créditos, remunerada) ou gratuita 
(“doação” de créditos). Por fim, quanto à extensão, pode ser ela total ou parcial, dependendo da 
transferência integral ou não do crédito ao cessionário, respectivamente. 
2. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA 
Também chamada de cessão de débito, na assunção há uma relação jurídica obrigacional entre 
credor e devedor, na qual este transmite sua dívida a um assuntor, mediante expressa 
anuência do credor, na dicção do art. 299 do CC/2002. A anuência deve ser expressa, pois o 
silêncio será interpretado como recusa, portanto, como estabelece o parágrafo único do artigo 
(quem cala, aqui, não consente). Isso porque, tendo em vista a responsabilização patrimonial do 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
87 
devedor e do assuntor, faz toda diferença para o credor ter um devedor a outro, para que sua satisfação 
seja. 
 
(TRF / TRF-2ª Região – 2017) Assinale a opção correta: 
A) É nula a cessão de crédito celebrada de modo verbal. 
B) A cessão de crédito celebrada por escrito particular, para que seja oponível a terceiros, deve ser 
levada a registro, em regra no Cartório de Títulos e Documentos. 
C) A validade da cessão de crédito previdenciário, no plano federal, depende de escritura pública. 
D) A assunção de débito, realizada através de escritura pública, é oponível ao credor 
independentemente de seu assentimento. 
E) As exceções comuns, não pessoais, que o devedor tenha para impugnar o crédito cedido devem ser 
comunicadas ao cessionário imediatamente após o devedor ser notificado da cessão, sob pena de não 
mais poderem ser arguidas, sem prejuízo do regresso contra o cedente. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, como se extrai do art. 288: “É ineficaz, em relação a terceiros, a 
transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento 
particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654”. 
A alternativa B está correta, na dicção do supracitado art. 288. 
A alternativa C está incorreta, em conformidade com o art. 114 da Lei 8.213/1991: “Salvo quantoa 
valor devido à Previdência Social e a desconto autorizado por esta Lei, ou derivado da obrigação de 
prestar alimentos reconhecida em sentença judicial, o benefício não pode ser objeto de penhora, 
arresto ou sequestro, sendo nula de pleno direito a sua venda ou cessão, ou a constituição de qualquer 
ônus sobre ele, bem como a outorga de poderes irrevogáveis ou em causa própria para o seu 
recebimento”. 
A alternativa D está incorreta, na dicção do art. 299: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do 
devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se 
aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. 
A alternativa E está incorreta, conforme o art. 294: “O devedor pode opor ao cessionário as exceções 
que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
87 
contra o cedente”. Aqui, ao que me parece, a banca queria confundir o candidato com o art. 377, que 
tratada da compensação, especificamente: “O devedor que, notificado, nada opõe à cessão que o 
credor faz a terceiros dos seus direitos, não pode opor ao cessionário a compensação, que antes da 
cessão teria podido opor ao cedente. Se, porém, a cessão lhe não tiver sido notificada, poderá opor ao 
cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente”. 
Em regra, o silêncio importa em recusa, como dito. Porém, há uma exceção prevista no art. 303, 
que estabelece que quando o adquirente de imóvel hipotecado assume o pagamento do 
crédito garantido, se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do 
débito, entender-se-á dado o assentimento (quem cala, aqui, consente). 
Essa regra se limita à notificação feita pelo próprio devedor? Imagine que é o próprio assuntor 
a fazer a notificação, já que tem ele interesse próprio na assunção, dado que com ela o imóvel, que ele está 
a adquirir, será, ao final, transferido a ele. Seria adequado supor que a notificação dele fosse irrelevante? 
Evidente que não. Não à toa, o Enunciado 424 da V Jornada de Direito Civil estabelece que a comprovada 
ciência de que o reiterado pagamento é feito por terceiro no interesse próprio produz efeitos equivalentes 
aos da notificação supramencionada. 
E basta o credor replicar o pedido alegando não ter intenção de fazê-lo? Não. De acordo com o Enunciado 
353 da IV Jornada de Direito Civil, a recusa do credor, quando notificado pelo adquirente de imóvel 
hipotecado comunicando-lhe o interesse em assumir a obrigação, deve ser justificada. 
 
 
Em alguma medida, o devedor original responde pela solvência do assuntor, pois segundo o art. 299, o 
devedor primitivo continua responsável se o assuntor, “ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o 
ignorava”. Ou seja, o devedor não precisa ter agido de má-fé, pois mesmo de boa-fé e desconhecendo a 
insolvência do assuntor, responderá perante do credor. 
Evidente que as partes, ao celebrar a assunção de dívida, podem não apenas estabelecer que o assuntor 
responda pela solvência, como também se torne devedor solidário. Nesse sentido, o Enunciado 16 da I 
Credor tem que aceitar? 
SIM
E se silenciar? 
RECUSOU!
Exceção? SIM, adquirente de 
imovel hipotecado, em 30 dias, 
aceitou
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
87 
Jornada de Direito Civil prevê que é possível da assunção cumulativa da dívida (coassunção) quando dois 
ou mais devedores se tornam responsáveis pelo débito com a concordância do credor. 
Seguindo a lógica da transmissão, o novo devedor não pode opor ao credor as exceções 
pessoais que competiam ao devedor primitivo, nos termos do art. 302, já que as exceções 
pessoais são intransmissíveis, justamente por serem pessoais. Isso é reforçado pelo art. 376, 
que expressamente estabelece que aquele que se obriga por terceiro não pode compensar 
essa dívida com a que o credor dele lhe dever. 
Porém, se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, 
salvo as prestadas por terceiros. A exceção ocorre na situação em que o terceiro conhecia o vício que 
contaminava a assunção, circunstância na qual ele continua obrigado, segundo a regra do art. 301. 
O Enunciado 423 da V Jornada de Direito Civil, aprofundando o tema, estabelece que essa norma deve ser 
interpretada de forma a também abranger os negócios jurídicos nulos. Isso significa, consequentemente, a 
continuidade da relação obrigacional originária em vez de “restauração”, porque, envolvendo hipótese de 
transmissão, aquela relação nunca deixou de existir. 
Com a assunção, em regra, são extintas todas as garantias especiais sobre a dívida, exceção feita para a 
participação e concordância dos garantidores na transmissão da dívida, do modo como estabelecido no art. 
300. Mas que garantias são essas? 
TODAS! Todas as que forem prestadas pelo próprio devedor ou por terceiro. Garantia geral 
é a garantia que está intrinsecamente ligada à obrigação, qual seja, a possibilidade que o 
credor tem de devassar todo o patrimônio do devedor, salvo as exceções legais (bem de 
família e bens impenhoráveis). Garantias especiais são outras, que não a geral, que se 
subdividem em reais (relativas a coisas, como a hipoteca) ou pessoais/fidejussórias 
(relativas a pessoas, como a fiança). Assim, independentemente de que garantia é (real ou 
pessoal/fidejussória) ou de quem a prestou (devedor, garantidor ou terceiro), elas se extinguem, na esteira 
do que prevê o Enunciado 422 da V Jornada de Direito Civil. 
Nesse sentido, o Enunciado 352 da IV Jornada de Direito Civil, corroborando e esclarecendo essa posição, 
prevê que as garantias prestadas por terceiros se extinguem com a assunção da dívida, salvo concordância 
deles; ao passo que as garantias prestadas pelo devedor primitivo somente se mantêm se este concordar 
com a assunção. 
 
(FCC / DPE-BA – 2016) Sobre a cessão de crédito e a assunção de dívida, é correto afirmar: 
A) a cessão de crédito não depende da anuência do devedor para que seja válida. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
87 
B) o fiador do devedor originário segue responsável pela dívida em caso de assunção por terceiro. 
C) na cessão de crédito há novação subjetiva passiva em relação à relação obrigacional originária. 
D) com a cessão de crédito, cessam as garantias reais e pessoais da dívida. 
E) terceiro pode assumir a obrigação do devedor com o consentimento expresso do credor, 
exonerando o devedor primitivo, ainda que o credor ignorasse que o assuntor fosse insolvente ao 
tempo da assunção de dívida. 
Comentários 
A alternativa A está correta, pois o art. 286 não exige anuência do devedor (“O credor pode ceder o 
seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a 
cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do 
instrumento da obrigação)”. 
A alternativa B está incorreta, na forma do art. 300: “Salvo assentimento expresso do devedor 
primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele 
originariamente dadas ao credor”. 
A alternativa C está incorreta, já que a cessão de crédito e a novação não se confundem. Na cessão de 
crédito o vínculo e a obrigação se mantém, ao passo que na novação ambos se extinguem, com a 
criação de nova obrigação. 
A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 287: “Salvo disposição em contrário, na cessão de 
um crédito abrangem-se todos os seus acessórios”. 
A alternativa E está incorreta, conforme o art. 299: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do 
devedor,com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se 
aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. 
III. ADIMPLEMENTO 
1. TEORIA GERAL DO PAGAMENTO 
O pagamento em sentido estrito (stricto sensu), na linguagem ponteana, chamado atecnicamente por boa 
parte da doutrina de “pagamento direto”, trata da perspectiva comum do adimplemento pelo solvens (o 
devedor, na linguagem geral) para o accipiens (o credor, na linguagem geral). Importante notar aqui como a 
Teoria da obrigação como processo cai como uma luva na compreensão adequada do fenômeno do 
pagamento, deixando sua perspectiva lógica e evitando que você tenha que “decorar” um sem-número de 
regras aparentemente desconexas. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
87 
1.1. SUJEITOS 
A. Quem deve pagar 
Obviamente, quem deve prestar é o devedor, mas, nesse sentido, ele não pode ficar à mercê do credor. Em 
alguns casos, pessoa diversa da relação obrigacional, um terceiro, pode cumprir a obrigação, mas sempre 
para facilitar o adimplemento, a satisfação do credor. 
O terceiro pode se apresentar de três modos distintos: 
 
 
(MPE-SC / MPE-SC – 2016) Segundo o Código Civil, qualquer interessado na extinção da dívida pode 
pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Tal direito 
também cabe ao terceiro não interessado, desde que realize o pagamento em nome e à conta do 
devedor, salvo oposição deste. 
Comentários 
O item está correto, na literalidade rasa do art. 304 (“Qualquer interessado na extinção da dívida pode 
pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor”) cumulado 
com seu parágrafo único (“Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta 
do devedor, salvo oposição deste)”. 
A. Em nome e por conta do 
devedor
• De modo genérico, será uma 
representação do devedor 
(representante ou procurador)
B. Interessado, em nome 
próprio
• Pode ser que o terceiro, a 
despeito de alheio, tenha 
interesse jurídico na prestação
• É o caso, por exemplo, do 
fiador
C. Desinteressado, em nome 
próprio
• Não detém interesse jurídico 
no cumprimento da prestação, 
mas possui um interesse 
outro.
• É o caso do pai que paga pelo 
prejuízo causado pelo filho, já 
maior
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
87 
No primeiro caso, a relação jurídica havida entre o devedor e o terceiro é irrelevante do ponto de vista 
jurídico. Exemplifiquei com o representante porque ele parece a figura mais óbvia. No entanto, nada impede 
que ele faça o pagamento “em nome e por conta do devedor” com patrimônio próprio, a exemplo de uma 
doação. De qualquer forma, completamente irrelevante a situação, já que ele não terá direito algum contra 
o devedor. 
Nos dois primeiros casos, o credor não pode se negar a receber, sob pena de incorrer em 
mora, passando, então, a caber a ação de consignação em pagamento. Já no terceiro caso, 
mesmo que o credor não aceite receber, a recusa não caracteriza mora do credor. Assim, o 
devedor (ou o terceiro) não pode valer-se da consignação em pagamento. Em regra, isso 
acontecerá quando o credor quer que os efeitos da mora atinjam o devedor (como no 
inadimplemento do aluguel, cuja consequência é o despejo, desejado pelo credor). 
O terceiro juridicamente interessado que paga se sub-roga na posição do credor na relação jurídica 
obrigacional (art. 346, inc. III). Ele tem, portanto, todos os privilégios que o credor original tinha em relação 
ao credor, exceto os pessoais na forma do art. 305. 
Já o terceiro desinteressado tem direito, apenas e tão somente, àquilo que pagou, ou seja, ele não se sub-
roga na posição do credor e perde todos os privilégios, garantias e preferências daquele, nos termos do 
mesmo artigo. Inclusive, prevê o art. 305, parágrafo único, se ele fizer o pagamento antes do vencimento 
da dívida, só poderá exigir o reembolso quando do vencimento, de modo a não onerar o devedor. 
Em se tratando de terceiro juridicamente interessado a sub-rogação é automática, pelo que a existência da 
dívida prescinde de prova por parte do terceiro. Já no caso de pagamento realizado por terceiro 
juridicamente desinteressado, ele terá de provar não apenas a existência da dívida, como também o 
pagamento por si realizado. 
 
(MPT / MPT – 2017) Analise as seguintes proposições relativas às obrigações, segundo o Código Civil: 
I - A obrigação indivisível assim se mantém mesmo quando se resolva em perdas e danos. Assim, ainda 
que a culpa pelo perecimento do seu objeto seja de apenas um dos devedores, todos respondem pela 
indenização por inteiro, e aquele que assim responder sub-roga-se no direito do credor em relação aos 
demais coobrigados. 
II - Nas obrigações solidárias, a qualquer tempo poderá o devedor escolher a qual dos credores 
solidários pagar, e, sendo o pagamento integral feito pelo devedor a qualquer deles, extingue- se a 
obrigação. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
87 
III - As condições adicionais que forem pactuadas entre o credor e um dos devedores solidários não 
poderão se estender aos demais devedores caso venham a agravar a situação destes, sendo, porém, 
permitidas se acompanhadas dos respectivos consentimentos. 
IV - O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome tem direito a reembolsar-se do 
que pagou, sub-rogando-se no direito do credor. 
Assinale a alternativa CORRETA: 
A) Apenas as assertivas I e IV estão corretas. 
B) Apenas as assertivas I e II estão corretas. 
C) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas. 
D) Apenas a assertiva III está correta. 
Comentários 
O item I está incorreto, como estabelece o art. 263: “Perde a qualidade de indivisível a obrigação que 
se resolver em perdas e danos”. 
O item II está incorreto, porque apesar de o art. 269 (“O pagamento feito a um dos credores solidários 
extingue a dívida até o montante do que foi pago”) confirmar a segunda parte da assertiva, a primeira 
está errada, a teor do art. 268 (“Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor 
comum, a qualquer daqueles poderá este pagar”), que estabelece o livre pagamento ao credor ATÉ 
que ele seja demandado por algum dos credores, e não “a qualquer tempo”. 
O item III está correto, na literalidade do art. 278: “Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, 
estipulada entre um dos devedores solidários e o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem 
consentimento destes”. 
O item IV está incorreto, dada a previsão contrária do art. 305: “O terceiro não interessado, que paga 
a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos 
direitos do credor”. 
A alternativa D está correta, portanto. 
Em quaisquer casos, porém, se o terceiro paga sem o conhecimento do devedor ou contra a 
vontade deste e o devedor tinha meios para não pagar a dívida (“meios para ilidir a ação”, 
como diz o art. 306), tal adimplemento não se mostra útil ao devedor, que não terá o dever de 
ressarcir o terceiro, conforme estabelece o referido artigo. É o caso do devedor que teria a 
exceção de prescrição ou a exceção de compensação a alegar contra o credor. 
Além disso, o art. 307 deixa claro que só tem eficácia o pagamento que importar transmissão 
da propriedade quando feito por quem possa alienar a coisa em prol da qual o pagamento foi realizado. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
87 
Ou seja, se o terceiro cumpre a prestação entregando coisa ao credor, deve esse terceiro ou o devedor tero 
poder de aliená-la, ou seja, o domínio da coisa é ou do próprio devedor, ou do terceiro solvente. 
Excetuando a regra geral, o parágrafo único prevê que se for dada em pagamento coisa fungível, não pode 
aquele que adimple reclamar do credor que, de boa-fé, recebeu a coisa e a consumiu, ainda que o solvente 
não tivesse o direito de aliená-la (venda a non domino). Trata-se de pagamento ineficaz, portanto. 
O terceiro prejudicado, legítimo proprietário do bem, deve requerer perdas e danos daquele que entregou 
a coisa ao credor inadvertidamente. Se o consumo foi de má-fé, pode o legítimo proprietário, ao contrário, 
manejar a ação contra o credor que recebeu o bem. A mesma solução cabe se o credor ainda não consumiu 
a coisa. Vê-se, aqui, que o pagamento é ineficaz, pois o credor perderá a coisa em favor do legítimo 
proprietário e a dívida subsistirá em sua integralidade. 
B. A quem se deve pagar 
Novamente, é óbvio que o pagamento é voltado ao credor, como é natural, nos termos do art. 308. No 
entanto, o mais importante não é o óbvio, mas as peculiaridades nem tão óbvias assim... 
Se o credor morre, seus sucessores assumem sua posição, assim como na transmissão do débito (terceiro 
sub-rogado na posição do credor, que, tendo interesse, pagou a dívida), na solidariedade passiva (devedor 
que adimple torna-se credor dos demais devedores) ou na procuração (o procurador tem poderes para 
receber). 
Em relação aos incapazes, o art. 310 traça as linhas gerais, estabelecendo que não se pode pagar a quem 
se sabe incapaz de dar quitação, sob pena de ineficácia, salvo se o devedor conseguir provar que o incapaz 
efetivamente recebeu o benefício pelo pagamento. É o caso da velha máxima “quem paga mal, paga duas 
vezes”, tão importante à “lógica” do Direito das Obrigações. 
Porém, em se tratando de relativamente incapaz, não poderá alegar incapacidade se ocultou sua idade, 
fazendo o devedor crê-lo capaz, na regra do art. 180. Aqui se vê a aplicação da Teoria da Aparência, em 
homenagem ao princípio da boa-fé objetiva e à vedação ao comportamento contraditório (venire contra 
factum proprium). 
Igualmente, o art. 312 estabelece que se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita 
sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que 
poderão constranger o devedor a pagar de novo. O devedor tem ressalvado o regresso contra o credor 
(ação in rem verso), mas será constrangido a pagar novamente aos credores de seu credor (“quem paga 
mal, paga duas vezes”). 
Portanto, em regra, o devedor deve pagar ao sujeito a quem o pagamento será eficaz, ou seja, 
à pessoa que detém o poder de quitação, segundo afiança o art. 311. A exceção, claro, fica por 
conta das circunstâncias fáticas que contrariam essa presunção juris tantum. 
Daí nasce a regra do art. 309, que estabelece que o pagamento feito a credor putativo é eficaz, 
mesmo que se comprove não ser ele o verdadeiro credor. Credor putativo é aquele que detém 
todas as características do credor, embora não o seja. Aplica-se, então, a Teoria da Aparência. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
87 
Exemplo é o pagamento da taxa de condomínio a síndico que foi eleito em assembleia nula por vício de forma 
e posteriormente é retirado do cargo. Porém, a regra só vale se o devedor agiu de boa-fé e o erro é escusável. 
Tal presunção, não obstante, é relativa, ou seja, o devedor tem de tomar as cautelas necessárias para não se 
ver forçado a pagar novamente. 
Atente para um detalhe técnico. Em que pesem os arts. 308, 309 e 310 usarem os termos 
“valer”, “válido” e “não valer”, dando a impressão de que o pagamento trata do plano da 
validade, isso é mera impressão! O Enunciado 425 da V Jornada de Direito Civil, de maneira 
técnica e antenada com a teoria ponteana, prevê que o pagamento repercute no plano da 
eficácia, e não no plano da validade. 
1.2. OBJETO 
Vale lembrar, novamente, que o objeto de um Direito Obrigacional é tanto o objeto imediato (a prestação) 
quanto o objeto mediato (a coisa). Três princípios são importantes para a análise do objeto e sua prova: 
 
Parte da doutrina entende que o princípio da exatidão da prestação comporta uma exceção. Isso porque 
o art. 916 do CPC permite ao devedor, no prazo dos embargos, uma espécie de “moratória legal”. Nesse 
caso, se depositar 30% do valor devido, pode requerer o pagamento do valor remanescente em seis parcelas 
(com os acréscimos legais). 
• O credor não é obrigado a receber coisa diversa da devida, ainda que esta seja mais
valiosa, nos termos do art. 313. Igualmente, não obstante o objeto da prestação ser
divisível, o credor não pode ser compelido a receber em partes, parcelas, aquilo que não
foi convencionado em diferentes prestações, na regra do art. 314.
Exatidão da prestação
• Se há dever de prestar determinada quantia em dinheiro, esse dever corresponde a
quanto ali está nominalmente escrito ou o valor correspondente àquela quantia
indicada, segundo o art. 315. Há duas exceções, adiante vistas.
Nominalismo
• São nulas as obrigações que estabelecem obrigação de pagar em ouro ou moeda
estrangeira, ou ainda a indexação do valor a pagar em moeda estrangeira ou ouro, salvo
disposição legal em contrário, consoante regramento específico do art. 318.
Curso obrigatório da moeda nacional
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
87 
No entanto, tal situação não me parece configurar “exceção”, já que, no caso, há o acréscimo de custas 
processuais e honorários advocatícios à prestação original. Essa situação descaracteriza a “exatidão da 
prestação” porque o devedor arcará com os encargos (custas, honorários, multa e juros). 
O nominalismo admite duas exceções. A primeira quando se convenciona correção monetária 
pelas partes, nos termos do art. 316. A segunda, consoante regra do art. 317 do CC/2002, 
quando por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da 
prestação devida no momento de sua execução (Teoria da imprevisão). Nesse caso, em vista 
do princípio do valorismo, poderá o juiz corrigir o valor a pedido da parte, de modo que 
assegure, quanto possível, o valor real da prestação. 
Já o princípio do curso obrigatório da moeda nacional é excepcionado, de regra, nos casos em que se 
envolvem obrigações transnacionais ou de câmbio. É lex mercatoria que os contratos de importação e 
exportação tenham previsão de pagamento em moeda estrangeira (obrigação valutária), notadamente o 
dólar estadunidense, em razão da estabilidade. 
O mesmo vale para licitações de determinados serviços e produtos muito específicos, havendo lanço 
internacional, como plataformas petrolíferas ou manutenção de aeronaves. Outros contratos ainda 
permitem a indexação ao ouro (cláusula-ouro), mas isso é absolutamente incomum. 
Nada impede que seja determinada obrigação fixada em moeda estrangeira, desde que o valor seja 
convertido para Real (a moeda de curso forçado, segundo o art. 1º da Lei 10.192/2001, que trata das normas 
complementares ao Plano Real, este regido pela Lei 9.069/1995). O STJ, nesse sentido, já se pronunciou a 
respeito, reconhecendo a possibilidade de se converter o valor da dívida para a moeda nacional na data da 
quitação (REsp 1.342.000). Assim, incabível o pagamento em moeda estrangeira, diretamente, apenas. 
 
(FAURGS / TJ-RS – 2016) Considere as afirmações abaixo, sobre o adimplemento da obrigação. 
I - O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome sub-roga-se nos direitos do 
credor, desde que notifique previamente o devedor e este não apresente oposição. 
II - A eficácia típica reconhecida da aplicação da teoria do adimplemento substancial é a extinção da 
obrigação nas hipóteses de pagamento parcial feito de boa-fé. 
III - O direito brasileiro,nas dívidas em dinheiro, adota o princípio do nominalismo, admitindo, contudo, 
que as partes convencionem cláusula de escala móvel. 
Quais estão corretas? 
A) Apenas I. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
87 
B) Apenas II. 
C) Apenas III. 
D) Apenas I e II. 
E) Apenas II e III. 
Comentários 
O item I está incorreto, na literalidade do art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a dívida em 
seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do 
credor”. 
O item II está incorreto, já que o adimplemento substancial não tem o condão de extinguir a dívida, 
mas apenas evitar que o credor se utilize de meios mais gravosos na cobrança da dívida. 
O item III está correto, como se extrai do art. 316: “É lícito convencionar o aumento progressivo de 
prestações sucessivas”. 
A alternativa C está correta, portanto. 
1.3. LUGAR 
O lugar do pagamento costuma ser deixado à escolha das partes, da lei, ou mesmo da natureza 
da obrigação ou das circunstâncias do caso, conforme manda o art. 327. Se não houver escolha, 
norma, ou não for da natureza da obrigação nem se puder visualizar pelas circunstâncias do caso, 
presume-se que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor (obrigação quérable ou 
quesível), segundo o mesmo dispositivo. 
Contrariamente, se for reputado o pagamento no domicílio do credor, a obrigação será portable (ou 
requerível). E por que razão o pagamento se dá, em regra, no domicílio do devedor? Basta lembrar da 
“lógica” do Direito Civil, no caso, do Direito das Obrigações: “satisfação dos interesses do credor”. Quem tem 
mais probabilidade de deixar de se deslocar por “preguiça” ou “inventar” uma desculpa para não se deslocar, 
o credor ou o devedor? 
Evidente que o devedor. O credor, interessado no pagamento, certamente envidará mais esforços para se 
ver satisfeito. Como a “lógica” é o adimplemento, preferível que a obrigação seja quérable, ou seja, que eu 
obrigue o credor a buscar a prestação. 
Se o pagamento puder ser feito em dois ou mais lugares, presume-se que o credor pode efetuar a escolha, 
consoante estipulado pelo art. 327, parágrafo único. Veja aí uma das raras hipóteses em que o credor é 
chamado a escolher. Você já sabe a razão para isso ser excepcional, claro: a “lógica” do Direito das 
Obrigações” de facilitar o pagamento pelo devedor. Se o pagamento for relativo a coisa imóvel ou a 
prestação relativa à coisa imóvel, presume-se que o pagamento deve ser feito no local onde se encontra o 
bem imóvel (art. 328). 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
d
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
87 
Há duas situações nas quais se pode alterar o local do pagamento. Primeiro, o art. 329 dispõe 
que o devedor pode pagar em local diverso do convencionado, por motivo grave e alheio a 
ele, quando sem prejuízo ao credor. Segundo, o art. 330 estabelece que, em face da realidade, 
quando o pagamento for reiteradamente feito em local diverso do convencionado faz 
presumir renúncia do credor em relação ao local de pagamento. 
Trata-se de clara aplicação do princípio geral do direito venire contra factum proprium, a vedação ao 
comportamento contraditório. Não pode o credor aceitar receber a prestação em local diverso e, de uma 
hora para outra, pretender receber “no local contratado”, de maneira contraditória. A situação, além disso, 
também exemplifica, com maestria, caso de supressio ou Verwirkung (situações nas quais a pessoa não 
exercita seu exercício no tempo adequado, pelo que o transcurso do tempo torna seu exercício abusivo). 
 
 
1.4. TEMPO 
Podemos classificar as obrigações em: 
 
• Domicílio do devedor
Regra
• Pluralidade de lugares: escolha cabe ao credor
• Imóveis: local no qual se situa o imóvel
Exceções
• Motivo grave e alheio ao devedor
• Pagamento reiteradamente feito em lugar outro
Alteração
• Aquelas nas quais não se encontra fixado termo ou condição.
Puras
• São aquelas que estão sujeitas a termo ou condição (o mais comum é o “prazo”).
Impuras
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
f
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
87 
Salvo determinação contrária em Lei, as obrigações puras podem ser exigidas a 
qualquer tempo do devedor, para que imediatamente pague, nos termos do art. 331. 
Assim, as obrigações puras exigem interpelação. Apesar do silêncio da norma, não 
parece adequado que o credor possa exigir o cumprimento da obrigação 
imediatamente e a obrigação tenha de ser cumprida imediatamente. 
Raciocínio inverso induziria chancela ao abuso de direito. Evidente que quando uma pessoa empresta R$50 
a outra, é lícito exigir o pagamento imediato. Já no caso de uma dívida de R$500 mil, não é crível que o 
pagamento tenha de ser feito de imediato. Ninguém anda com esse montante na carteira, poucas pessoas 
possuem esse valor em seu patrimônio e menos ainda, imediatamente. 
Por isso, necessário, em casos como esse, que se dê prazo ao devedor para que o faça. É esse, inclusive, o 
raciocínio empregado pelo CPC quando da execução das obrigações de dar, fazer e não fazer. Não há prazo 
preestabelecido, valendo aí a aplicação da boa-fé objetiva, pelo intérprete, no caso concreto. 
Nas obrigações sujeitas a termo, ao contrário, considera-se como momento para cumprimento na ocorrência 
do efeito (dies interpellat pro homine, o dia interpela pelo homem); nas obrigações sob condição, considera-
se como momento para cumprimento a data em que o devedor tomou ciência do implemento da condição, 
conforme estabelece o art. 332. 
E como se saberá quando o devedor tomou ciência? A quem compete o ônus probatório? O mesmo 
dispositivo esclarece que cabe ao credor a prova de que o devedor teve ciência do implemento da condição. 
Via de regra, em se tratando de obrigação a termo, somente pode exigir o credor quando do termo 
(novamente, dies interpellat pro homine). A regra, no entanto, comporta exceção. O CC/2002 excepciona a 
exigibilidade do pagamento pelo credor antes do prazo nos casos previstos no art. 333 (rol 
exemplificativo): 
I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; 
II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor; 
III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, 
e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. 
Evidencia-se que o rol do art. 333 não é taxativo (numerus clausus) com a recorrente previsão nos contratos 
de que o inadimplemento de uma parcela faz vencer automaticamente as demais. A hipótese não se 
enquadra em nenhum dos incisos do referido artigo, mas é plenamente válida, em consonância com a lex 
mercatoria. 
Ressalte-se que o parágrafo único desse artigo estabelece que, nesses casos, se houver, no débito, 
solidariedade passiva, não se reputará vencido quanto aos outros devedores solventes. Ou seja, adianta-
se o pagamento somente para o insolvente, ainda que solidária passivamente a dívida. 
Trata-se de aplicação a “lógica” do Direito das Obrigações. Se a obrigação solidária toca aos sujeitos, e a 
insolvência atinge apenas um deles, não há sentido em antecipar o vencimento em relação aos demais. Isso 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
a
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
87 
porque o objeto da prestação permaneceu o mesmo, mudou-se apenas a garantia do vínculo em relação a 
um dos sujeitos. 
1.5. PROVA 
A prova se dá pela quitação. Na hipótese de recusa do credor a dar a quitação, pode inclusive 
o devedor reter o pagamento ou consigná-lo, conforme estabelecido pelo art. 319. Essa quitação 
sempre pode ser feita por instrumento particular. 
Em se tratando de instrumentoparticular, esclarece o Enunciado 18 da I Jornada de Direito Civil 
que ela pode ser dada por meios eletrônicos ou por quaisquer formas de “comunicação a 
distância”, assim entendida aquela que permite ajustar negócios jurídicos e praticar atos jurídicos sem a 
presença corpórea simultânea das partes ou de seus representantes. 
Nesses casos, a quitação é igualmente regular. Exemplo é a quitação por e-mail ou por Whatsapp, válidas, 
portanto. Sinal dos tempos, dado que boa parte das relações jurídicas contemporâneas se processa 
virtualmente, não havendo razão para invalidar a prova do pagamento nessas hipóteses, evidentemente. 
No entanto, pode a quitação, mesmo que particular, dar-se de maneira livre? Em que pese a forma seja livre 
(princípio da liberdade de formas, fundamental no direito patrimonial), o conteúdo não é. Deve a quitação 
conter os dados essenciais do pagamento a que se refere o art. 320, quais sejam: 
O valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o 
lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. 
No caso de mero recibo, são desnecessários os requisitos anteriores, por força do parágrafo único do art. 
320, reconhecendo-se o pagamento pelos seus termos ou pelas circunstâncias do caso. É o que acontece 
frequentemente na prática, novamente, em homenagem à liberdade de formas, necessária ao trânsito 
jurídico. 
Você, que tem uma obrigação comigo, me paga. Eu emito um recibo, apenas colocando o valor e assinando. 
Como travamos uma única relação obrigacional, é fácil saber que a ausência de datação não implica prejuízo. 
Como você porta o recibo, inegável a ausência de questionamento a respeito da ausência do seu nome. 
Mais uma vez, é a “lógica” do Direito das Obrigações. As obrigações precisam se pautar pela simplicidade, 
agilidade e informalidade. O trânsito jurídico, num sistema de trocas capitalista, exige essa maleabilidade, 
sob pena de o Direito se tornar um empecilho desnecessário e intransponível ao fluxo do mercado. 
No mais, cotidianamente, é comum que as relações obrigacionais se pautem por mais informalidade ainda. 
A esmagadora maioria das obrigações se celebra oralmente; entrega-se o pagamento oralmente; dá-se 
quitação oral. Para facilitar as coisas, o CC/2002 apresentada inúmeras presunções relativas (juris tantum) 
relativas ao pagamento, que podem ser afastadas pelas partes, a se destacar: 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
3
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
87 
 
Segundo o art. 321, se a dívida for cartularizada, ou seja, estiver contida num título (uma nota promissória, 
por exemplo), a quitação geralmente consiste na mera entrega do título ao devedor (eu entrego o dinheiro 
e o credor me devolve a promissória). Assim, nesses casos, pode o devedor exigir, retendo o pagamento 
em caso de negativa, declaração do credor que inutilize o título desaparecido. 
E por que isso? Porque os arts. 321 e 324 apenas estabelecem que há uma presunção de pagamento no caso 
de entrega/destruição do título. Porém, como o credor pode provar que entregou ou destruiu o título por 
erro, é prudente ao devedor exigir declaração de quitação. 
Por outro lado, no caso de entrega/destruição do título, o credor tem exíguo prazo de 60 dias para provar 
em contrário, como estabelece o parágrafo único do art. 324. Apesar de o art. 325 estabelecer que o devedor 
presumivelmente arque com as despesas de quitação, se ocorrer aumento por fato do credor, suportará este 
a despesa acrescida. 
Veja que o art. 323 (quitação do capital presume a quitação dos juros) encarta novamente o princípio da 
gravitação jurídica. Esse princípio, que se vê já na Parte Geral, a respeito dos bens, volta no Direito das 
Obrigações e volta no Direito das Coisas. Ou seja, é um elemento da “lógica” jurídica fundamental para que 
se evite o “decoreba”. 
• A entrega do título faz presumir seu pagamento
Art. 324
• A destruição do título faz presumir seu pagamento
Art. 321
• Nas prestações periódicas, a quitação da última parcela faz presumir a quitação das
anteriores
Art. 322
• Havendo quitação do capital sem reserva dos juros, presume-se que estes foram pagos
juntamente com o capital
Art. 323
• As despesas com a quitação ficam a cargo do devedor, mesmo em havendo aumento
Art. 325
• Se o pagamento tiver que ser feito por medida ou peso, presume-se a adoção da medida
ou peso do lugar de execução da prestação
Art. 326
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
9
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
87 
Por fim, o art. 326 visa a evitar o problema das medidas “populares”, não oficiais, muito recorrentes quando 
ainda se adotava o sistema imperial de medidas de maneira corrente, antes da criação do SI – Système 
international d'unités (metro, quilograma e segundo). 
A partir daí, com base nas medidas básicas e derivadas, o SI permite algumas medidas, incluindo aí o hectare 
(ha), a medida de área de terras adotada pelo INMETRO. No entanto, continua habitual o uso do alqueire 
(al), medida essa que varia dramaticamente. 
Só a título de curiosidade, apenas em Portugal, de onde o Brasil importa a medida, há quase uma dúzia de 
“alqueires” diferentes, com base em diversas medidas do “litro” (que nada tem a ver com a medida de 
volume do SI, ainda que a medida da área se conecte, na origem, com a do volume de produtos agrícolas). 
No Brasil, o alqueire paulista corresponde a 50 braças por 50 (ou 1,21 ha), ao passo que o “alqueirão” da 
região de Cabrália (BA e MG) corresponde a 200 braças por 200 (19,36 ha). 
Assim, quando compro um sítio de 1 alqueire, comprei 1,21 ha ou 19,36 ha? Depende de onde comprei, já 
que o CC/2002 determina o uso da medida local, do local da execução da prestação. Fica a curiosidade para 
“descomprimir” um pouco desses temas tão áridos. 
2. MEIOS ALTERNATIVOS DE PAGAMENTO 
Pontes de Miranda classifica as hipóteses de adimplemento em sentido amplo (lato sensu), chamadas pelo 
CC/2002 de “meios alternativos de pagamento”, atecnicamente, e por parte da doutrina de “pagamento 
indireto”, a partir da satisfação do credor e a partir da liberação do devedor. Judith Martins-Costa, nos 
“Comentários ao novo Código Civil” sintetiza o pensamento ponteano estabelecendo essa classificação em 
três hipóteses: 
a) a satisfação com liberação (o que se verifica no comum dos casos); b) a satisfação sem a 
liberação (no caso de substituição do credor); c) a satisfação sem adimplemento (quando decorre 
de fato natural, ou de ato ou de fato de terceiro, ou do próprio devedor e da eliminação do 
escopo ou do interesse do credor, quando não pode mais ser realizado, ou não existe). 
A classificação permite compreender com mais perfeição as hipóteses de adimplemento, bem como evitar 
as confusões comuns entre institutos semelhantes, como a dação em pagamento e a novação objetiva e a 
novação subjetiva passiva e a assunção de dívida. No entanto, como essa classificação é bastante teórica, e 
exige uma dose aprofundada de Direito Civil, acho melhor deixá-la de lado. 
Outros, a exemplo de Flávio Tartuce, distinguem as hipóteses de adimplemento em sentido amplo a partir 
da unilateralidade (pagamento em consignação, imputação e sub-rogação legal) versus a bilateralidade (sub-
rogação convencional, dação, novação, compensação, confusão e remissão). Igualmente, a classificação me 
parece desnecessária, dado que basta compreender a teoria do fato jurídico para classificar qualquer 
instituto de Direito Civil, sem exceção, evitando assim o famigerado “decoreba”. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
87 
2.1. PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO 
Há situações nas quais o devedor quer pagar, mas é impossibilitado, por empecilho criado pelo 
credor,culposamente ou não. O direito de efetuar o pagamento mediante consignação surge 
apenas a partir da recusa do credor em receber, ou a partir de outros obstáculos alheios ao 
devedor, reconhecido pelo direito como ensejadores de tal fato. O art. 335 descreve apenas de 
modo exemplificativo os casos em que cabe a consignação, porém não os esgota. Em linhas 
gerais, cabe a consignação em pagamento se (evidentemente que se trata de rol 
exemplificativo, apenas): 
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na 
devida forma; 
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; 
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar 
incerto ou de acesso perigoso ou difícil; 
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; 
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. 
Exemplificativamente, cabe a consignação quando o credor se recusa a receber (para causar a mora do 
devedor); quando exige pagamento além do devido; discorda do montante a ser pago; deixa de ir receber 
(no caso de obrigação quérable, a regra); recusa-se a dar quitação; recusa-se a dar a quitação correta; 
ausenta-se do domicílio, passa a residir em local incerto ou perigoso; quando o devedor não sabe exatamente 
a quem pagar ou o objeto do pagamento está em litígio. 
No caso de coisa litigiosa, o devedor não sabe a quem prestar. Nesse caso, o art. 344 estabelece que ele se 
exonera mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento 
do litígio, assume o risco do pagamento. A dica do Código é sábia: não sabe a quem pagar, consigne, sob 
pena de pagar novamente! 
Inversamente, se a dívida vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente excluir, 
poderá qualquer um deles requerer a consignação, evitando assim a prescrição durante a disputa (art. 345). 
A consignação cabe, inclusive, nos casos em que a prestação ainda é indeterminada, na regra do art. 342. 
Nesse caso, se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado para fazê-la. E se, citado, 
ele silenciar? Nessa situação, ele perde o direito de escolher, o qual passa ao devedor, que pode depositar a 
coisa que quiser. 
Mesmo terceiros podem exercer a consignação em pagamento de determinada obrigação. São os casos do 
terceiro juridicamente interessado e daquele que presta em nome e por conta do devedor, como já visto 
anteriormente. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
87 
A consignação dá-se mediante depósito judicial (consignação de natureza processual) ou extrajudicial 
(consignação de natureza material) da prestação para liberação do devedor. Ou seja, há duas espécies de 
consignação distintas, previstas no art. 334: 
 
Caso tenha sido manejada a consignação extrajudicial, e no caso de silêncio do credor, considera-se liberado 
o devedor e a quantia fica à disposição do credor (art. 539, §2º do CPC/2015, que consolida o clássico ditado 
popular “quem cala consente”). Se o credor recusa o pagamento, deve o devedor propor a consignação 
extrajudicial, provando à instituição financeira que propôs a lide, exige o STJ. 
Se a consignação for feita quanto às pessoas, ao tempo, ao modo e ao local devidos, 
conforme exige o art. 336, ela será julgada procedente. Consequentemente, fica liberado o 
devedor e há condenação do credor ao pagamento de todas as custas e despesas 
processuais, na forma do art. 343. 
A doutrina, em geral, silencia a respeito, mas há quem repute que em se tratando de consignação de 
pagamentos sucessivos, o pagamento a destempo de uma parcela não afastaria totalmente a procedência 
do pedido, de per si. Nesses casos, na esteira da legislação processual, haveria procedência parcial, com 
distribuição da sucumbência de maneira proporcional ao (in)adimplemento havido. 
Esse depósito deve ser feito no lugar do pagamento para que cessem para o depositante os juros da dívida 
e os riscos, salvo se for julgado improcedente, como leciona o art. 337. Feito o depósito, o art. 338 estabelece 
que enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer 
o levantamento, pagando as respectivas despesas. 
Depois de contestar a lide ou aceitar o depósito, o credor que concordar com levantamento perde a 
preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada. Ademais, ficam, na dicção do 
art. 340, desobrigados os codevedores e fiadores que não tenham anuído. 
Em havendo pluralidade de devedores e/ou fiadores, prevê o art. 339 que, julgado procedente o depósito, o 
devedor não pode levantar os valores, mesmo que o credor consinta, senão de acordo com os outros 
devedores e fiadores. 
Por outro lado, se a consignação for julgada improcedente, essa improcedência faz aplicar, 
retroativamente, todos os ônus do inadimplemento, além de fazer imputar-se ao devedor 
todas as custas e despesas decorrentes da consignação, na forma do art. 337 c/c art. 343, 
ambos do CC/2002. Veja que o devedor fica em situação delicada, e exige-se dele boa-fé. 
• Só pode ser feita quando se tratar de obrigação de dar
pecuniáriaExtrajudicial
• Tem aplicação para todas as obrigações de dar e
subsequentemente à consignação extrajudicial recusada
pelo credor
Judicial
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
87 
Isso porque, em termos práticos, as demandas judiciais não costumam ser, infelizmente, muito rápidas. Por 
isso, se o devedor consigna a coisa a menor (inadvertidamente ou de má-fé mesmo), sofrerá todos os ônus 
pela escolha inadequada. Se a lide durar alguns anos, é fácil perceber como o montante devido pode 
facilmente atingir cifras bastante elevadas. 
Infelizmente é muito comum, na realidade, vermos “consultorias especializadas” em reduzir parcelas de 
financiamentos bancários dos mais diversos. Muitos, de má-fé, induzem o consumidor a crer que é possível 
“baixar a parcela pela metade”. Faz-se isso consignando-se o valor a menor e, no final da lide, em que pese 
o consumidor vencer alguns pontos, perde outros. 
Evidente que requerem a consignação em valor menor, de modo a captar a clientela. Do contrário, se 
requeressem a consignação do valor integral (caso no qual o consumidor, vencedor da demanda, levantaria 
os valores excedentes), teriam ou de receber ao final (o que é um risco alto, dada a procedência pequena da 
demanda) ou de cobrar o valor da “consultoria” junto com a parcela (o que contrariaria a propaganda de 
“baixar a parcela”). 
Os juros bancários, é sabido e ressabido, são bastante elevados – e é irrelevante juridicamente a razão. Isso 
gera um passivo grande e mesmo que a pessoa acabe ganhando em parte a lide, o valor consignado cobre 
parte diminuta do débito. O consumidor acaba pagando um valor semelhante ao que pagaria à vista pelo 
bem, fica sem ele (numa alienação fiduciária em garantia, pela busca e apreensão) e ainda continua a dever 
à instituição financeira. 
É um ciclo perverso, que se reproduz continuamente. Pessoas desavisadas persistem no erro e continuam a 
cair nesse “golpe”. A conduta abusiva em consignar, assim, volta-se contra a própria pessoa, golpeada por si 
mesma, na ganância de pagar por um bem, a prazo, o mesmo valor que pagaria à vista (o que é ilógico, em 
termos econômicos, evidentemente). 
2.2. PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO 
Geralmente, o pagamento é realizado pelo próprio devedor. Não nesse caso. Primeiro ocorre 
o pagamento feito por outrem e, posteriormente, a sub-rogação deste no lugar do credor. 
Nesses casos, o sujeito sub-roga-se, assume a posição do credor, com todos os bônus da 
assunção. 
Assim, o CC/2002 trata, aqui, apenas da sub-rogação pessoal ativa. Inversamente,inexiste sub-
rogação pessoal passiva. Além disso, como eu disse quando distingui o Direito das Coisas do Direito das 
Obrigações, há hipóteses de sub-rogação real (espécie de obrigações híbridas ou obrigações propter rem). 
Como essa hipótese obedece a um regime peculiar, não cabe tratar dela aqui. 
O credor fica satisfeito porque recebeu sua prestação, mas o devedor não é liberado, pois continua a dever, 
agora a outrem. A sub-rogação pode ser de suas espécies, como regula o CC/2002. Atente porque é 
frequente as provas cobrarem a distinção, que nem sempre aparece de maneira clara num primeiro 
momento: 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
87 
A. Legal 
A sub-rogação legal (automática ou ex lege) ocorre quando o efeito da sub-rogação ocorre pura e 
simplesmente por determinação da Lei (pleno jure, ou de pleno direito). Ou seja, não se pode afastar a 
aplicação da norma que ordena a sub-rogação. Ela ocorre automaticamente, cumpridas as exigências legais. 
As hipóteses de sub-rogação legal encontram-se no art. 346: 
I - do credor que paga a dívida do devedor comum; 
II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro 
que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; 
III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou 
em parte. 
Assim, fiador sou, posso vir a ser obrigado a pagar a dívida locatícia. Ao pagá-la, sub-rogo-me na posição do 
credor, sem que o credor-locador precise deixar isso expresso na quitação ou sem que eu precise exigir que 
ele libere o devedor-afiançado mediante sub-rogação. Sub-rogo-me e ponto. 
Usei o exemplo da fiança apenas porque é o mais visual e comum, mas atente porque a fiança tem 
peculiaridades em relação à sub-rogação. O momento, porém, não é oportuno para analisar as questões a 
respeito da fiança, tema típico do Direito dos Contratos. 
Nos casos de sub-rogação legal, segundo o art. 350, o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações 
do credor, senão até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor. Assim, a garantia real 
(penhor) dada pelo devedor ao credor originário se limita ao valor desembolsado pelo terceiro; se o devedor 
continuar inadimplente, e mais juros correrem, estes não estão englobados na garantia pignoratícia, 
consequentemente. 
B. Convencional 
A sub-rogação convencional (não automática ou ex voluntate) ocorre quando um terceiro interessado 
providencia meios para pagamento e satisfação do credor, substituindo-se na posição originariamente 
titularizada pelo credor, na forma do art. 347. Ambas as situações se assemelham, sendo que o que as 
diferencia é apenas com quem o terceiro “negociou”, o credor ou o devedor, respectivamente: 
I - quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus 
direitos; 
II - quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a 
condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito. 
No caso do inc. I, segundo o art. 348, valem as regras da cessão de crédito. Assim, a sub-rogação 
convencional passa a ter o mesmo tratamento legislativo da cessão de crédito, por isso é muito comum que 
se confunda a cessão de crédito com o pagamento com sub-rogação convencional. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
87 
Não se confundem, porém, os institutos. Na cessão de crédito, pode a transmissão ocorrer a título oneroso 
ou gratuito; o pagamento com sub-rogação é sempre oneroso, pois se trata de pagamento. Na cessão de 
crédito, não há pagamento, ainda que o terceiro adquira o crédito onerosamente (o valor, no entanto, não 
necessariamente corresponde ao valor do crédito; via de regra, “compram-se” créditos com deságio). 
Em todos os casos, seja pagamento com sub-rogação legal, seja convencional, a relação 
jurídica obrigacional não se extingue e permanece sendo a mesma. Ocorre apenas a 
alteração do sujeito no polo, ou seja, ocupa a pessoa do terceiro o polo do credor. O terceiro 
passa a ter a titularidade, com toda amplitude originária, de todos os poderes, acessórios, 
garantias, pretensões do credor, nos termos do art. 349. 
Igualmente, em qualquer caso, segundo o art. 351, o credor originário, só em parte reembolsado, terá 
preferência ao sub-rogado, na cobrança da dívida restante, se os bens do devedor não chegarem para saldar 
inteiramente o que a um e outro dever. 
Nos “Comentários ao novo Código Civil”, Judith Martins-Costa aduz que a sub-rogação voluntária só poderia 
ser realizada a título gratuito. Em havendo sub-rogação voluntária, o sub-rogado não poderia exigir do 
devedor valor superior ao pago por ele mesmo ao credor. Do contrário, a sub-rogação voluntária significaria 
cessão de crédito. 
Assim, se você tem uma dívida de R$100 com Pedro e eu efetuo o pagamento de R$80, liberando você da 
prestação, eu só poderia cobrar de você, por ter me sub-rogado, R$80 e não R$100. Veja que o art. 350, em 
sua interpretação a contrario sensu, parece militar em contrário, exigindo tal restrição apenas no caso de 
sub-rogação legal, mas não na convencional, com o que concordam Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo 
Pamplona Filho. 
2.3. IMPUTAÇÃO 
A imputação do pagamento tem aplicação nas situações em que o mesmo devedor se encontra obrigado em 
diferentes relações jurídicas obrigacionais perante o mesmo credor, conforme prevê o art. 352. Ou seja, 
possui ele várias dívidas com o mesmo credor. 
Em princípio cabe ao devedor a escolha de qual obrigação ele está cumprindo, conforme estabelece o art. 
352. Nada impede, também, que as partes escolham que será o credor a fazê-lo. Porém, se ele não o fizer, 
e o credor der quitação de uma delas e o devedor? aceitar, sem oposição, a quitação torna-se perfeita. A 
exceção fica por conta da imputação feita com violência (coação) ou dolo, que anula a quitação. 
Como se fará a imputação? Imputação tem o sentido “penal” do termo de indicar, apontar. Ou seja, a 
disciplina da imputação estabelece os critérios os quais se utilizam para indicar, apontar, dar a quitação dos 
débitos, consoante o art. 353. São três: 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
87 
 
Apesar do silêncio legal, a doutrina aponta ainda um quarto critério de imputação. No caso de inexistir juros 
(impossível a imputação pelo primeiro critério), sendo as dívidas todas vencidas ao mesmo tempo 
(impossível a imputação pelo segundo), e sem distinção de onerosidade (terceiro), deve o pagamento ser 
distribuído em relação a todas as obrigações, proporcionalmente. 
2.4. DAÇÃO 
Já estudamos que o credor não é obrigado a receber coisa diversa da devida, ainda que mais valiosa. Quando, 
entretanto, o devedor oferece coisa diversa da devida e o credor aceita receber, para liberação total ou 
parcial da obrigação, opera-se a dação em pagamento, segundo o art. 356. 
Ou seja, ela é um acordo sobre o pagamento por oferta feita pelo devedor e aceitação do credor de coisa 
diversa da devida. A dação em pagamento pode ocorrer no caso de substituição de dinheiro por coisa, seja 
móvel, seja imóvel (datio rem pro pecuni), tanto quanto no caso de substituição de uma coisa por outra (datio 
rem pro re), ou mesmo de dinheiro por abstenção (obrigação negativa), coisa por fato (obrigação positiva) 
etc. 
Se for dada uma coisa em pagamento, segue-se um regramento; se um crédito, regramento diferente: 
 
• Primeiro imputa-se o pagamento dos juros para depois imputar o pagamento do 
principal, segundo o art. 354 
Acessoriedade
• Se todas as dívidas são iguais, quitam-se primeiro as dívidas mais antigas (vencidas 
primeiro) em detrimentodas mais novas
Tempo
• Se todas as dívidas forem vencidas, líquidas e exigíveis, o credor deve imputar o
pagamento às mais onerosas (com mais juros, encargos de rolagem etc.)
Onerosidade
• Se for dada coisa em dação em pagamento, uma vez
fixado o preço da coisa, vigem as regras da compra e
venda, como exigência do art. 357Coisa
• Se for entregue um crédito em dação em pagamento,
as regras da cessão de crédito passarão a viger, nos
termos do art. 358Crédito
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
87 
O que ocorre se o devedor dá em pagamento uma coisa e, posteriormente, por decisão judicial o credor a 
perde, em face do reconhecimento da evicção? A dação é desfeita e retorna-se à dívida anterior, conforme 
regra do art. 359. Por exemplo, você deve me entregar uma Ferrari, mas concordamos em substituí-la por 
um Rolls-Royce. Se eu perco o Rolls-Royce por evicção (você fez uma importação fraudulenta), a dação se 
desfaz e eu posso exigir a Ferrari novamente, sem prejuízo. 
A exceção fica nos casos de fiança, hipoteca e penhor. Nesses casos, os fiadores, os credores 
hipotecário e pignoratício passam a não mais responder pela dívida, ainda que tenha havido 
evicção. Assim, o fiador não será atingido (art. 838, inc. II), ou seja, se o devedor dá em 
pagamento algo e o credor aceita e, posteriormente, perde a coisa, por evicção, o fiador não 
responderá mais pela dívida. 
Em qualquer caso, os direitos de terceiros de boa-fé não serão atingidos (ou seja, o sujeito que recebeu a 
propriedade não a perderá), consoante estipula o art. 359. Nesses casos, o credor arcará com o prejuízo e 
terá de regredir contra o devedor. Voltando ao exemplo anteiror, perdi o Rolls-Royce por evicção, mas você 
já vendeu a Ferrari a um terceiro, que comprou de boa-fé. Nesse caso, eu não posso regredir contra ele (pela 
boa-fé), só me restando perdas e danos contra você. 
 
(FGV / Câmara Municipal-Salvador (BA) – 2018) Carlos, devedor de Paula, oferece à sua credora, na 
data prevista para o pagamento, o automóvel XYZ para solver a dívida de R$ 30.000,00 (trinta mil 
reais). Paula aceita a oferta, mas, após 60 (sessenta) dias da tradição e registro da transferência do 
veículo na autarquia de trânsito, o bem veio a ser apreendido pela autoridade policial. No dia 
seguinte, Paula descobriu que, após o registro da transferência, a autarquia de trânsito recebeu 
ordem judicial de apreensão do veículo, por força de sentença transitada em julgado que 
reconhecera ser Joaquim o proprietário do automóvel. 
Diante desses fatos, Paula faz jus: 
A) à indenização a ser paga por Joaquim, que corresponderá ao valor da dívida extinta; 
B) ao valor da dívida, acrescida de juros legais incidentes a partir da data da perda do bem, a ser 
cobrada de Carlos; 
C) à retenção do veículo, até recebimento da indenização pelo valor do veículo, a ser paga por Carlos 
ou Joaquim; 
D) ao pagamento do valor da dívida por Carlos, acrescido dos encargos moratórios a partir do 
vencimento; 
E) a reaver o valor da dívida de Carlos, sob pena de enriquecimento sem causa do ex-devedor. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
87 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que, em havendo a mora, necessário incluir os encargos no valor 
devido, mesmo na dação em pagamento. 
A alternativa B está incorreta, como se extrai do art. 359: “Se o credor for evicto da coisa recebida em 
pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados 
os direitos de terceiros”. 
A alternativa C está incorreta, dado que não pode o credor-evito reter o veículo, evidentemente, sob 
pena, inclusive, de crime de desobediência. 
A alternativa D está correta, pois, conforme o supracitado art. 359, a dívida original ressurge, como se 
a dação nunca houvesse ocorrido. 
A alternativa E está incorreta, pelas razões acima declinadas. 
Orlando Gomes ainda narra hipótese peculiar. Segundo ele, não haveria dação em pagamento (datio pro 
soluto), mas “dação em função de pagamento” (datio pro solvendo), quando o devedor assume obrigação 
nova, sem extinguir a anterior para facilitar o pagamento. Assim, você, devendo a mim R$100, dá um cheque 
de terceiro para “garantir” a dívida; se o cheque volta sem fundos, cobro a dívida original, e não o cheque, 
“garantidor”, “facilitador” do pagamento. 
Essa hipótese se aproxima bastante da assunção de dívida cumulativa, na qual um terceiro assume a dívida 
alheia sem que o devedor originário se desincumba dela. A diferença é que na assunção de dívida cumulativa 
há uma alteração do sujeito obrigacional, ao passo que na “dação em função de pagamento” (datio pro 
solvendo) há a alteração do objeto obrigacional. 
2.5. NOVAÇÃO 
A novação ocorre quando surge uma nova obrigação com o condão de extinguir a anterior. Ou seja, a 
novação traz em si uma operação tríplice: desfazimento da relação jurídica obrigacional original (1), para que 
com ânimo de novar (2), constitua-se nova relação (3). 
Com ela, criam-se novos direitos e obrigações para as partes, que não se ligam às obrigações anteriores, 
novadas. Sua principal utilidade é em relação aos efeitos, pois a novação extingue a obrigação anterior 
com todas as suas garantias, acessórios, exceções pessoais, privilégios creditórios e solidariedade, salvo 
estipulação em contrário (novação parcial), conforme se estabelece nos arts. 364 e 365. 
No entanto, se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação, a novação 
não incluirá o penhor, a hipoteca ou a anticrese, ainda que o credor as ressalve na extinção. E, no caso de 
solidariedade passiva, se a novação ocorrer com um dos devedores solidários, somente sobre os bens deste 
subsistem as preferências e garantias do crédito novado. Os outros devedores solidários ficam por esse fato 
exonerados. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
87 
Além disso, caso a dívida tenha fiador, importa exoneração dele a novação feita sem seu consenso com o 
devedor principal, como está na regra do art. 366. Evidente a disposição, já que não se poderia imputar ao 
fiador obrigação com a qual não anuiu. 
Requer-se, na novação, que a obrigação anterior seja devida, válida e exigível. Por isso, 
obrigações extintas, inexistentes ou nulas não podem ser novadas (não se pode extinguir o que 
inexiste, já está extinto ou se aproveitar o que é nulo). No entanto, obrigações anuláveis podem 
ser novadas, conforme permissivo do art. 367, como, p.ex., no caso de uma obrigação assumida 
por relativamente incapaz ou uma obrigação natural. 
Quanto ao ânimo de novar, pode ser ele expresso ou tácito, mas ambas as partes devem ter a vontade 
específica de criar uma nova obrigação com a intenção de extinguir a anterior, conforme exige o art. 361. Do 
contrário, a segunda dívida apenas confirma a primeira. 
Assim, sendo a dívida novada, a anterior se extingue, pelo que não há mais como se questionar os termos 
desta. O STJ, a seu turno, na Súmula 286, prevê expressamente que a renegociação de dívidas ou a 
confissão de dívida não impedem a discussão sobre ilegalidades da obrigação anterior. 
Evidente, nesses casos, que o Judiciário não pode chancelar o abuso de direito, impondo ao devedor regra 
draconiana. Essa regra tem fundamento e razão de ser no Direito Romano, pautado pela pessoalidade da 
obrigação de maneira muito forte, mas não no Direito contemporâneo, pautado pelo princípio da boa-fé 
objetiva. 
De acordo com o art. 360, são três espécies de novação: 
I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior; 
II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor;III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o 
devedor quite com este. 
Pela dicção do artigo, é possível visualizar três espécies de novação, a novação objetiva, vista quando se 
substitui o objeto da prestação, a novação subjetiva ativa, no caso de substituição do credor, e a novação 
subjetiva passiva, que ocorre na substituição do devedor. É possível, ainda, a novação mista ou complexa, 
quando concorrerem a substituição tanto do sujeito (ativo ou passivo) quanto do objeto. 
Se há substituição do devedor (novação subjetiva passiva), este não precisa expressar sua concordância. 
Inclusive, pode a novação ser feita contra sua vontade, como estabelece o art. 362. Aí, pode-se reconhecer 
duas espécies de novação subjetiva passiva. Uma delas ocorre quando o devedor acorda com o credor sua 
substituição, ficando quite com ele (previsão genérica do art. 360, inc. II); trata-se da novação subjetiva 
passiva por delegação. Por outro lado, pode ser que o credor substitua o devedor, sem seu consentimento 
ou mesmo com sua oposição; dando-se por quitado quanto a ele (previsão do art. 362); trata-se, nesse caso, 
de novação subjetiva passiva por expromissão. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
87 
 
 
Assumindo novo devedor, se ele for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o 
devedor originário, salvo se este obteve por má-fé a substituição, conforme determina o art. 363, no caso da 
delegação. Se o credor o fez sem o consentimento do devedor ou contra sua vontade, no caso da 
expromissão, não há como aquele regredir contra este, evidentemente. 
2.6. COMPENSAÇÃO 
É comum que as pessoas distintas tenham obrigações recíprocas. Em tese, cada uma dessas obrigações 
deveria ser paga individualmente; porém, a compensação visa a eliminar movimentações inúteis: se devo a 
alguém e alguém me deve, nada mais fácil do se permitir que ninguém mais deva nada ao outro, segundo 
o art. 368. É a lei do menor esforço. 
Igualmente, evita-se que aquele que tem um crédito e um débito venha a pagar e posteriormente não 
receba a sua parte. Ou seja, há um papel de garantia na compensação, ao lado do papel simplificador, mais 
visível à primeira olhada. 
Exige-se, para a compensação, que as obrigações sejam homogêneas, líquidas, exigíveis e fungíveis (art. 
369). Igualmente, mesmo a obrigação fungível será incompensável quando diferir o objeto em sua 
qualidade, desde que isso esteja em contrato, especificadamente. É o caso da obrigação de dar coisa incerta, 
na qual se especifica uma peculiar qualidade, que torna as coisas diversas, em termos econômicos. Exemplo 
é a obrigação de entregar uma caixa de vinho, mutuamente compensável, mas incompensável no caso de 
divergirem na qualidade. 
Es
p
éc
ie
s 
d
e 
N
o
va
çã
o
Objetiva
Subjetiva
Ativa
Passiva
Expromissão
Delegação
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
87 
A exceção à exigência de liquidez e exigibilidade é a dívida com prazo de favor, ou seja, 
naquelas que eu dou mais prazo para o devedor (moratória). Nesse caso, ainda que tenha 
dado mais prazo, posso compensar a dívida com dívida que eu tenha com ele, segundo o art. 
372. Evita-se, assim, que um credor malandro exija dilatação do prazo ao outro para depois 
cobrar dele a dívida sem possiblidade de compensação. 
Essa compensação pode ser parcial (restrita ou propriamente dita), quando se compensa uma obrigação 
integral de um credor com a obrigação parcial de outro credor. Ou seja, você me deve R$100 e eu devo a 
você R$50; compensam-se, pelo que você me deve apenas R$50. Total (plena ou extintiva) será a 
compensação que envolve a totalidade das obrigações. Assim, você me deve R$100 e eu devo R$100 a você; 
ninguém mais deve nada ao outro. 
Apesar de compensáveis, quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar, deve-se, primeiro, 
deduzir as despesas necessárias, para, então, fazer-se a compensação, conforme prescreve o art. 378. Apesar 
de cumprir os requisitos legais, algumas obrigações são incompensáveis por força de lei (art. 373, incisos, e 
art. 375). Por quê? 
 
À exceção da última, que trata de incompensabilidade voluntária, as demais espécies caracterizam 
incompensabilidade por força de lei. A vedação à compensação por pacto (cláusula excludente de 
compensabilidade) ocorre recorrentemente em relações empresariais nas quais há um volume substancial 
• Roubo de quem me deve para "receber" a dívida que a pessoa tinha comigo. Isso
ocasionaria um fomento ao crime
Dívida proveniente de esbulho, furto ou roubo
• Deixo meu veículo no estacionamento e a pessoa não me devolve, compensando o valor
dele com uma dívida que eu tinha. Isso quebraria a confiança contratual
Dívida proveniente de comodato ou depósito
• A natureza de subsistência da dívida alimentar não recomenda
Dívida proveniente de alimentos
• Permitir o inverso seria ilógico, pois não posso compensar uma dívida com algo
impenhorável
Dívida cujo objeto é impenhorável
• Em regra não pode, para evitar prejuízos aos credores, conforme limita a Lei de
Recuperação e Falências
Durante processo falimentar
• As partes podem expressamente vedar a compensação
Dívida cuja convenção proíbe
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
87 
de transferências entre as partes, pelo que a compensação poderia facilmente gerar confusão a respeito do 
fluxo de pagamentos. 
Com a regra do art. 85, §4º, do CPC/2015, os honorários advocatícios também se tornaram incompensáveis 
no caso de sucumbência recíproca. Isso porque, no novel regramento processual, os honorários passaram a 
ter natureza alimentar também. 
Haveria ainda uma terceira hipótese de compensação, ao lado da compensação legal e voluntária: a 
compensação judicial. Ocorre compensação judicial quando o juiz determina a compensação de obrigações 
recíprocas entre autor e réu, seja por reconvenção ou pedido contraposto, seja nos casos das ações dúplices, 
como as ações possessórias (REsp 1.524.730). 
Em regra, somente o devedor pode compensar dívida que tem com o credor, e vice-versa. Não pode terceiro 
pretender compensar dívida alheia, obviamente, dado que não participa ela da relação creditícia. 
Por isso, se eu me obrigo por você, devedor de R$100 de um dado credor, não posso eu fazer compensação 
entre a sua dívida de R$100 com esse credor e a dívida que o credor tem comigo, no mesmo valor de R$100. 
Essa é a redação do art. 376: 
Obrigando-se por terceiro uma pessoa, não pode compensar essa dívida com a que o credor dele 
lhe dever. 
Excepcionalmente, porém, essa regra é mitigada no caso do fiador. Pela previsão do art. 371, 
o devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever. No entanto, o fiador 
pode fazer compensação entre aquilo que o credor do afiançado lhe deve com a dívida do 
afiançado com o credor. Ou seja, sendo eu seu fiador, posso compensar o que o locador me 
deve com aquilo que você, devedor-afiançado, deve ao locador. 
A razão para isso foi vista anteriormente, quanto ao sujeito do pagamento (“quem deve pagar”), pois o fiador 
tem interesse jurídico no adimplemento. Caso o devedor-afiançado descumpra, pode o fiador ser chamado 
a responder não apenas pelo débito, como também pelas prestações acessórias (juros, multa, correção 
monetária etc.). 
Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão observadas as regras 
estabelecidas quanto à imputação do pagamento (regra do art. 379). Em qualquer situação, não pode a 
compensação prejudicar terceiros (como exige o art. 380). Assim, “o devedor que se torne credor do seu 
credor, depois de penhorado o crédito deste, não pode oporao exequente a compensação, de que contra o 
próprio credor disporia”. 
A redação da parte final do art. 380 parece complexa, mas, ao fim e ao cabo, é simples. Eu devo R$100 para 
Geraldo, em 5/5/2015 (ele é meu credor, portanto). Geraldo, então, torna-se meu devedor por R$100, em 
20/5/2015. Nada mais óbvio do que compensarmos as dívidas. 
Ocorre, porém, que antes de eu ter um crédito perante Geraldo, eu só devia a ele (em 5/5/2015); e devia 
R$100. Geraldo, em 10/5/2015, torna-se seu devedor. Você cobra, mas ele não paga. Você o executa e em 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
87 
18/5/2017 você penhora precisamente o crédito que Geraldo tem a receber de mim. Posso eu compensar 
meu crédito com Geraldo com o débito que Geraldo tem comigo? 
Evidente que não, ou a sua penhora perderá completamente o efeito. Ao invés de ficar com os R$100 que 
eu teria de pagar a Geraldo, você fica sem nada. Eu e Geraldo saímos ilesos. Percebe como isso violaria a 
primeira parte do art. 380 (“Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro”)? 
Daí a proibição. O Código foi, como de hábito, elegante e sábio, mas a redação peca um pouco, à primeira 
vista. No entanto, quando bem compreendida, fica evidente a “lógica” do dispositivo e se torna 
desnecessário decorar mais uma regra. 
Atente para a previsão do art. 377, que conjuga a compensação com a cessão de crédito, instituto típico da 
transmissão das obrigações. Na cessão de crédito, o devedor deve ser meramente notificado, para que pague 
ao novo devedor, e não ao primitivo. Não interessa ao credor ou ao cessionário se o devedor concorda ou 
não com a cessão; ela se faz e ponto. 
Mas, suponha que o devedor se opõe à cessão justamente porque não pretende pagar, efetivamente, já que 
pode ele compensar a dívida com dívida que o credor lhe deve. Se o cedente ceder o crédito, o devedor não 
poderá opor a compensação em face do cessionário. 
Pela aplicação da regra do art. 376, não poderia ele compensar mais a dívida, e, nesse caso, a cessão lhe seria 
prejudicial. Para evitar esse problema, compreende-se que o devedor pode opor exceção de compensação 
ao cessionário. No entanto, ele deve fazer isso quando da notificação. Se não se opuser com a notificação, 
presume-se que não pretende compensar; se se opuser, pode compensar; se não for noticiado, igualmente 
pode se opor. 
Veja que as regras dos arts. 376, 377 e 380 se complementam, de maneira “lógica”. A compensação não 
pode prejudicar o credor, o devedor ou o terceiro. Prejudicaria o credor se o terceiro assumisse o pagamento 
pelo devedor, e compensasse (art. 376). Prejudicaria o devedor se o crédito fosse cedido e ele não pudesse 
compensar (art. 377). Prejudicaria o terceiro se a compensação lhe retirasse direito patrimonial (art. 380). 
Por fim, o natimorto art. 374 estendia as regras gerais da compensação às dívidas tributárias. 
Atente, portanto, porque em relação à compensação de uma dívida tributária com uma dívida 
do Estado consolidada num precatório temos peculiaridades bastante grandes, conforme se 
verifica na leitura da Lei 12.431/2011, minudenciada pela Resolução 115/2010 (modificada pela 
Resolução 145/2012 do mesmo CNJ). 
Esse é um assunto relevante lá no Direito Tributário. Ao final da aula, você verá, eu adicionei a parte da Lei 
que trata sobre o tema, para que você já vá dando uma olhada! Meu objetivo não é discutir o tópico porque 
ele é tipicamente analisado pelo Direito Tributário, dadas as numerosas peculiaridades. 
2.7. CONFUSÃO 
Trata-se da reunião das qualidades de credor e de devedor de uma mesma obrigação em uma mesma 
pessoa, seja por ato inter vivos, seja causa mortis, nos termos do art. 381. Ocorrerá confusão, por exemplo, 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
87 
quando a Companhia A, que deve R$100 à Companhia B, é incorporada pela Companhia B. Nesse caso, credor 
e devedor se tornaram a mesma pessoa. 
Por exemplo, eu devo para um tio cujo único herdeiro sou eu. Se meu tio falece, passo a ser credor (na 
qualidade de herdeiro) de mim mesmo. A confusão só ocorre quando não puder ser restabelecida a 
situação anterior, pois, do contrário, ela é desfeita, segundo o art. 384. 
A confusão, em si, já é uma figura peculiar e rara. A situação de desfazimento da confusão é peculiaríssima 
e raríssima. Por exemplo, eu devo um valor a meu tio. Abre-se a sucessão provisória pela morte presumida 
dele, desaparecido há mais de um ano, segundo a regência das regras vistas na Parte Geral. Minha dívida se 
confunde com o crédito que recebo por direito sucessório, pelo que não mais preciso pagar (para mim 
mesmo, no caso). Meu tio, presumidamente morto, antes de haver a sucessão definitiva, reaparece. Nesse 
caso, dívida é restaurada, inclusive, com todos os acessórios. 
A confusão pode ser total (própria) ou parcial (imprópria), sendo que a primeira 
extingue a obrigação em sua integralidade e a segunda, parcialmente, apenas. Se 
houver solidariedade numa confusão parcial, a solidariedade persiste no restante da 
dívida, como estabelece o art. 383. 
Essa regra nada mais é do que consequência da “lógica” da solidariedade. Se a 
solidariedade é elemento subjetivo da obrigação e a compensação trata do objeto (a dívida), em havendo 
confusão parcial, nada muda em relação ao sujeito, mas apenas no tocante ao objeto, de maneira limitada. 
2.8. REMISSÃO 
A remissão é o acordo pelo qual o credor perdoa a dívida do devedor com sua aceitação, conforme exige o 
art. 385. A remissão exige, portanto, acordo entre credor e devedor para extinção da obrigação. 
Ou seja, diferentemente da renúncia, que é negócio jurídico unilateral (produz efeitos na esfera jurídica 
alheia independentemente de sua atuação), a remissão é negócio jurídico bilateral, apta a produzir efeitos 
jurídicos apenas quando há concordância. 
Como de hábito, não há que se falar em remissão em prejuízo a terceiros. Aqui, há intrínseca conexão entre 
o instituto da remissão e o instituto da fraude contra credores. Se a remissão for feita de modo a fraudar o 
credor, anulável será. Vale dizer, mesmo que o devedor desconheça sua insolvência, ao fazer a remissão de 
dívida de um devedor seu, comete fraude. 
A remissão pode ser expressa, quando feita por instrumento escrito, público ou particular, quando o credor 
expressamente perdoa a dívida do devedor, nos termos do art. 386. Pode também ser tácita, quando o 
credor entrega a cártula da obrigação ao devedor, que a aceita, segundo o mesmo artigo. 
Aqui, cuidado! O art. 324 prevê que a entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. Já o 
art. 386 determina que a devolução voluntária do título da obrigação, quando por escrito particular, significa 
remissão da dívida. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
87 
Evidente que o art. 324 trata de obrigação cartularizada (título de crédito), ao passo que o art. 386 versa a 
respeito de obrigação não cartularizada. Assim, se devolvo a nota promissória que você me deu, presume-
se o pagamento, e não remissão (art. 324). Se, inversamente, devolvo a você o contato no qual se pode 
encontrar a causa da dívida que você tem comigo, há remissão, e não pagamento (art. 386). 
Para tanto, o credor tem de ser capaz de alienar e o devedor capaz de adquirir. Igualmente, exige que a 
cártula seja particular. Assim, se devolvo a nota promissória a você, sem pagamento, presume-se remissão, 
se você a aceita. 
Cuidado, porém, pois o art. 387 estabelece que a restituição voluntária do objeto 
empenhado prova a renúncia do credor à garantia real, mas não a extinção da dívida. Assim, 
se devolvo as joias que você empenhou a mim, presume-se queabri mão da garantia 
pignoratícia, mas não da obrigação (dívida) em si. 
Quando há uma dívida com devedores solidários, se o credor perdoa um deles, os demais continuam 
devedores solidários, mas descontada a cota-parte daquele que foi perdoado, conforme regular o art. 388. 
Assim, se A, B e C devem a X a quantia de R$90, ao perdoar R$30 de A, X pode continuar a cobrar de R$60 
de B e C, solidariamente. Assim, pode-se falar em remissão parcial ou remissão total de uma obrigação, a 
depender do caso. 
 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
87 
 
3. TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL 
Quando há inadimplemento, automaticamente surgem para o credor duas possibilidades. Primeiro, pode ele 
cobrar o devedor pelo restante da dívida, mais perdas e danos, se for o caso, mantendo-se o vínculo 
contratual. Segundo, pode resolver o contrato, desfazendo-se a relação com retorno ao status quo ante, 
com, se for o caso, a tomada de medidas específicas, como a reintegração de posse ou a busca e apreensão 
do bem. 
Em regra, portanto, todo inadimplemento gera o direito de haver resolução do 
contrato, que é uma faculdade para o credor cuja satisfação tornou-se impossível. 
Entretanto, por vezes a resolução é sanção demasiado forte ao inadimplente, em 
vista do adimplemento próximo. 
Trata-se da materialização mais evidenciada da Teoria da obrigação como processo, de Clóvis Veríssimo do 
Couto e Silva. O processo obrigacional, visto a partir de sua perspectiva dinâmica e finalística, encerra-se com 
o adimplemento. É isso que se espera de toda relação jurídica obrigacional: “satisfação dos interesses do 
credor”. 
Essa satisfação, que se encontra com o adimplemento em sentido estrito, por vezes também pode ocorrer 
com o adimplemento em sentido amplo, como visto extensamente. O inadimplemento, ao contrário, obsta 
que o resultado visado na relação jurídica obrigacional seja alcançado; vale dizer, o credor resta insatisfeito. 
M
o
d
al
id
ad
es
 e
sp
ec
ia
is
d
o
 p
ag
am
e
n
to
Consignação em pagamento
Extrajudicial
Judicial
Pagamento com Sub-rogação
Convencional
Legal
Imputação ao pagamento
Dação em pagamento
Novação
Objetiva
Subjetiva
Compensação
Confusão
Remissão
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
87 
O inadimplemento, como ainda mostrarei a você mais adiante, não se dá apenas de um modo. Em termos 
matemáticos, o inadimplemento de uma dívida de 100 pode ocorrer quando ainda devidos 100 ou quando 
devido apenas 1, já adimplidos 99. Em ambos os casos, há inadimplemento. Em ambos os casos, não há 
satisfação do credor. No entanto, eu perguntaria a você: matematicamente, é a mesma coisa? 
Evidente que não. No inadimplemento de 99, a satisfação do credor está distante; o adimplemento foi de 
grande monta. No inadimplemento de 1, a satisfação do credor está próxima, o adimplemento foi de 
pequena monta. 
No primeiro caso, a frustração do credor é plena e o resultado esperado da obrigação (o adimplemento) 
mostra-se estatisticamente distante. Pouco provável que o devedor cumpra a bom termo sua obrigação. Já 
no segundo, o adimplemento está muito próximo, havendo probabilidade alta de satisfação do credor. 
Seria adequado dar tratamento igual a ambas as situações? Evidente que não. Por isso, no caso do 
descumprimento insignificante, de proporções mínimas, que não afeta os efeitos do contrato, há 
relativização do art. 475 (a partir do qual se permite a resolução, mais perdas e danos). 
Isso porque, no caso de uma dívida de 1, o cumprimento do objetivo obrigacional está tão próximo que 
permitir o retorno ao status quo ante seria, em realidade, desvirtuar esse objetivo. Vale dizer, por razões de 
facilidade, o próprio credor deixa de buscar o objetivo obrigacional. 
Pragmaticamente falando, à instituição financeira é muito mais fácil dar cabo do contrato e buscar o bem 
objeto do financiamento via busca e apreensão do que aguardar o cumprimento de 1. Infelizmente, nem 
sempre a via processual ordinária (de cobrança) se mostra efetiva, dados os inúmeros entraves à execução. 
Não obstante, a resolução do contrato mostra-se excessivamente onerosa ao devedor, que até teria 
condições de adimplir, se o credor lhe permitisse prazo de graça. O mesmo vale para o segurado que adimple 
o prêmio contratual em atraso. 
Em regra, basta que ele o faça e a seguradora jamais reclama o pagamento, desde que ele o faça com os 
acessórios, juros e multa. No entanto, basta que o sinistro ocorra no dia subsequente ao pagamento não 
realizado para que a seguradora extinga o contrato, deixe de pagar a indenização e devolva o valor do prêmio 
pago em atraso. 
Essas situações evidentemente iníquas permitem a aplicação da Teoria do Adimplemento Substancial 
(substancial performance). Sua caracterização dá-se por aplicação dos princípios da boa-fé objetiva e da 
função social do contrato, além da vedação ao enriquecimento ilícito, todos eles regrados pelo CC/2002. 
Aqui se vê como a busca pela “satisfação dos interesses do credor” não é inconsequente. Vê-se, também, 
como os interesses do credor não podem simplesmente gerar uma submissão do devedor aos caprichos do 
credor, numa espécie de “direito potestativo” creditório desmesurado. Mas quais as exigências? Para aplicar 
essa teoria é necessário: 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
87 
 
 
(FCC / DPE-MA – 2015) Bruno adquiriu um veículo mediante contrato de alienação fiduciária, em 300 
parcelas no valor de R$ 200,00 (duzentos reais) cada. Bruno pagou pontualmente as parcelas até 
que, faltando apenas seis prestações para o adimplemento, não teve condições de realizar o 
pagamento. Diante da impontualidade de Bruno, a instituição financeira ajuizou ação de busca e 
apreensão do veículo. Na condição de defensor público atuando em favor de Bruno, para defendê-
lo neste pedido de busca e apreensão, é correta a alegação de abuso do direito por parte da 
instituição financeira por aplicação da 
A) autonomia da vontade. 
B) vedação de cláusula comissória. 
C) exceção do contrato não cumprido. 
D) vedação legal de busca e apreensão em alienação fiduciária. 
E) teoria do adimplemento substancial. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, porque a autonomia da vontade daria ensejo à busca e apreensão, 
interesse contrário ao do devedor. 
A alternativa B está incorreta, pois não há vedação a cláusula resolutiva expressa nesse tipo de 
contrato. 
A alternativa C está incorreta, já que a instituição financeira já cumpriu a parte dela na avença. 
A alternativa D está incorreta, porque a lei especial textualmente permite a brusca e apreensão 
mencionada. 
Cumprimento 
expressivo do 
contato
Realização da 
prestação 
correspon-
dente ao fim 
visado
Preservação da 
boa-fé objetiva 
do devedor na 
execução
Preservação do 
equilíbrio 
contratual
Ausência de 
enriqueci-
mento sem 
causa e abuso 
de direito
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
87 
A alternativa E está correta, dado que esse seria o fundamento da vedação à busca e apreensão. 
Chamo atenção para o julgado no REsp 1622555/MG, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. p/ Acórdão 
Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/02/2017, DJe 16/03/2017, citado 
em outro momento. 
A aplicação da teoria simplesmente não apaga o débito, com o “perdão” do devedor, que devedor continua 
sendo. A aplicação da teoria apenas obsta a resolução unilateral do contrato, impede que o credor maneje 
a exceção de contrato não cumprido e veda que ele use de meios mais gravosos na execução do débito.Veja-se que igualmente não se obsta ao credor perseguir seu crédito, inclusive lançando mão dos demais 
instrumentos materiais e processuais disponíveis. Caso o devedor resista à cobrança da dívida, o credor pode 
se valer de meios mais gravosos, a posteriori. 
Ainda que não tenha previsão legal, a teoria do adimplemento substancial é construção doutrinária e 
jurisprudencial. Ela se encontra prevista no Enunciado 361 da IV Jornada de Direito Civil, que prevê que o 
adimplemento substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a fazer preponderar a 
função social do contrato e o princípio da boa-fé objetiva, balizando a aplicação do art. 475. 
Aprofundando a questão, o Enunciado 586 da VII Jornada de Direito Civil exige para a caracterização do 
adimplemento substancial que se levem em conta tanto aspectos quantitativos quanto qualitativos. Ou seja, 
não apenas se trata de adimplemento substancial ou não quando determinado “percentual” de pagamentos 
é atingido, de maneira absolutamente objetiva e distanciada da teoria original. 
Mais recentemente, inclusive, a jurisprudência vem barrando os excessos à aplicação um tanto 
indiscriminada dessa teoria, de modo a reduzir seu âmbito de aplicação. O STJ, por exemplo, impede a 
aplicação da Teoria do Adimplemento Substancial aos contratos regidos por lei especial. 
 
(FAPEC / MPE-MS – 2015) Tendo em vista o Livro das Obrigações, assinale a alternativa correta: 
A) A Teoria Dualista, referente ao vínculo obrigacional, dispõe que a obrigação é composta por Schuld 
(responsabilidade) e Haftung (débito). Contudo, a doutrina entende que é possível haver situações em 
que há o débito sem responsabilidade, como no caso das obrigações naturais, mas não se admite 
responsabilidade sem a existência do débito por ferir o elemento subjetivo da relação obrigacional. 
B) O instituto do duty to mitigate the loss se refere à necessidade de mitigar o agravamento da situação 
do devedor quando instado a cumprir determinada obrigação, entretanto sua aplicação foi rechaçada 
totalmente pelo Superior Tribunal de Justiça em razão de subtrair as chances reais do credor de 
satisfazer o crédito existente em seu favor. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
87 
C) A teoria do adimplemento substancial relativiza o direito do credor de, havendo inadimplemento, 
pleitear a resolução do vínculo obrigacional, motivo pelo qual o STJ concluiu pela sua inaplicabilidade 
no Brasil. 
D) A novação pode ser subjetiva ativa – em que há mudança de credores – ou subjetiva passiva – em 
que há mudança de devedores –, sendo imprescindível a criação de nova obrigação. Na novação 
subjetiva passiva, ainda há a possibilidade de se mudar o devedor original, contando com a participação 
dele, o que configura a novação subjetiva passiva por delegação, ou então ocorrer a mudança de 
devedor sem a participação do antigo devedor, o que é denominado de novação subjetiva passiva por 
expromissão. 
E) Nas obrigações solidárias, há uma pluralidade de devedores e credores, cada um obrigado ou com 
direito ao todo da dívida. A solidariedade resulta apenas da lei, sendo os exemplos mais expressivos 
daquela as obrigações in solidum. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, exemplificando-se o débito sem responsabilidade no caso da obrigação 
cuja pretensão prescreveu (o débito permanece e se houver pagamento, com presunção de renúncia 
à prescrição por ato incompatível com seu reconhecimento) e a responsabilidade sem débito no caso 
da responsabilidade por fato de outrem, como no caso dos pais pelos danos causados pelos filhos (ao 
pais não têm débito, mas são responsáveis). O erro, portanto, está no final da assertiva. 
A alternativa B está incorreta, já que o STJ reiteradamente aplica essa teoria. 
A alternativa C está incorreta, novamente, aplicando-se a referida teoria seguidamente. Atente, 
porém, para as mudanças pelas quais a Corte passou nos últimos tempos, de modo a restringir a 
aplicação. 
A alternativa D está correta, sendo esse precisamente o entendimento esposado ao longo da aula a 
respeito das espécies de novação. 
A alternativa E está incorreta, e muito incorreta e incorreta em várias passagens. 1) Solidariedade pode 
ser de vários devedores OU credores, não E. 2) A solidariedade pode decorrer da vontade, não apenas 
da lei. 3) Obrigação in solidum não é exemplo de obrigação solidária. 
está correta, pois o art. 286 não exige anuência do devedor (“O credor pode ceder o seu crédito, se a 
isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva 
da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da 
obrigação)”. 
A alternativa B está incorreta, na forma do art. 300: “Salvo assentimento expresso do devedor 
primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele 
originariamente dadas ao credor”. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 
87 
A alternativa C está incorreta, já que a cessão de crédito e a novação não se confundem. Na cessão de 
crédito o vínculo e a obrigação se mantém, ao passo que na novação ambos se extinguem, com a 
criação de nova obrigação. 
A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 287: “Salvo disposição em contrário, na cessão de 
um crédito abrangem-se todos os seus acessórios”. 
A alternativa E está incorreta, conforme o art. 299: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do 
devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se 
aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. 
Talqualmente a novação subjetiva passiva, a assunção de dívida com a concordância do devedor (assunção 
por delegação) ou mesmo sem o conhecimento deste (assunção por expromissão). Na assunção por 
expromissão, pode o devedor ficar liberado (assunção por expromissão liberatória) ou pode apenas o 
assuntor passar a integrar o polo passivo, como uma espécie de “garante” (assunção por expromissão 
cumulativa, anteriormente mencionada). 
De qualquer forma, atente para não confundir a assunção de dívida com a novação subjetiva passiva... Nesta, 
extingue-se a relação jurídica anterior, ao passo que naquela a obrigação permanece incólume, alterando-
se apenas o polo passivo. 
LEGISLAÇÃO PERTINENTE 
Adimplemento 
No que tange aos temas que você viu hoje, não há questionamentos que vão muito além do próprio CC/2002, 
relativamente à legislação. Por isso, limitar-me-ei às regras de compensação tributária, que não se aplicam 
exatamente ao Direito Civil, mas que, com certa frequência, acabam “dando o ar da graça aqui e acolá”. 
A Lei 12.431/2011 trata da possibilidade de compensação de débitos tributários com precatórios. Como o 
tema é complexo, vou apenas trazer a redação da Lei, fazendo menção à Resolução 115/2010 do CNJ. Acho 
que vale uma olhada, para evitar ser pego desprevenido pelo examinador: 
Art. 30. A compensação de débitos perante a Fazenda Pública Federal com créditos provenientes 
de precatórios, na forma prevista nos §§ 9º e 10 do art. 100 da Constituição Federal, observará 
o disposto nesta Lei. 
§1º Para efeitos da compensação de que trata o caput, serão considerados os débitos líquidos e 
certos, inscritos ou não em dívida ativa da União, incluídos os débitos parcelados. 
§2º O disposto no §1º não se aplica a débitos cuja exigibilidade esteja suspensa, ressalvado o 
parcelamento, ou cuja execução esteja suspensa em virtude do recebimento de embargos do 
devedor com efeito suspensivo, ou em virtude de outra espécie de contestação judicial que 
confira efeito suspensivo à execução. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
87 
§3º A Fazenda Pública Federal, antes da requisição do precatório ao Tribunal, será intimada para 
responder, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre eventual existência de débitos do autor da ação, 
cujos valores poderão ser abatidos a título de compensação. 
§4º A intimação de que trata o §3º será dirigida ao órgão responsável pela representação judicial 
da pessoa jurídica devedora do precatório na ação de execução e será feita por mandado, que 
conterá os dados do beneficiário do precatório, em especial o nome e a respectiva inscrição no 
Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). 
§5º A informação prestada pela Fazenda Pública Federal deverá conter os dados necessários para 
identificação dos débitos a serem compensados e para atualização dos valores pela contadoria 
judicial. 
§6º Somente poderão ser objeto da compensação de que trata este artigo os créditos e os 
débitos oriundos da mesma pessoa jurídica devedora do precatório. 
Art. 31. Recebida a informação de que trata o §3º do art. 30 desta Lei, o juiz intimará o 
beneficiário do precatório para se manifestar em 15 (quinze) dias. 
§1º A impugnação do beneficiário deverá vir acompanhada de documentos que comprovem de 
plano suas alegações e poderá versar exclusivamente sobre: 
I - erro aritmético do valor do débito a ser compensado; 
II - suspensão da exigibilidade do débito, ressalvado o parcelamento; 
III - suspensão da execução, em virtude do recebimento de embargos do devedor com efeito 
suspensivo ou em virtude de outra espécie de contestação judicial que confira efeito suspensivo 
à execução; ou 
IV - extinção do débito. 
§2º Outras exceções somente poderão ser arguidas pelo beneficiário em ação autônoma. 
Art. 32. Apresentada a impugnação pelo beneficiário do precatório, o juiz intimará, 
pessoalmente, mediante entrega dos autos com vista, o órgão responsável pela representação 
judicial da pessoa jurídica devedora do precatório na ação de execução, para manifestação em 
30 (trinta) dias. 
Art. 33. O juiz proferirá decisão em 10 (dez) dias, restringindo-se a identificar eventuais débitos 
que não poderão ser compensados, o montante que deverá ser submetido ao abatimento e o 
valor líquido do precatório. 
Parágrafo único. O cálculo do juízo deverá considerar as deduções tributárias que serão retidas 
pela instituição financeira. 
Art. 34. Da decisão mencionada no art. 33 desta Lei, caberá agravo de instrumento. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
87 
§1º O agravo de instrumento terá efeito suspensivo e impedirá a requisição do precatório ao 
Tribunal até o seu trânsito em julgado. 
§2º O agravante, no prazo de 3 (três) dias, requererá juntada, aos autos do processo, de cópia da 
petição do agravo de instrumento e do comprovante de sua interposição, assim como a relação 
dos documentos que instruíram o recurso. 
§3º O agravante, no prazo de 3 (três) dias, informará o cumprimento do disposto no § 2o ao 
Tribunal, sob pena de inadmissibilidade do agravo de instrumento. 
Art. 35. Antes do trânsito em julgado da decisão mencionada no art. 34 desta Lei, somente será 
admissível a requisição ao Tribunal de precatório relativo à parte incontroversa da compensação. 
Art. 36. A compensação operar-se-á no momento em que a decisão judicial que a determinou 
transitar em julgado, ficando sob condição resolutória de ulterior disponibilização financeira do 
precatório. 
§1º A Fazenda Pública Federal será intimada do trânsito em julgado da decisão que determinar 
a compensação, com remessa dos autos, para fins de registro. 
§2º No prazo de 30 (trinta) dias, a Fazenda Pública Federal devolverá os autos instruídos com os 
dados para preenchimento dos documentos de arrecadação referentes aos débitos 
compensados. 
§3º Recebidos os dados para preenchimento dos documentos de arrecadação pelo juízo, este 
intimará o beneficiário, informando os registros de compensação efetuados pela Fazenda Pública 
Federal. 
§4º Em caso de débitos parcelados, a compensação parcial implicará a quitação das parcelas, 
sucessivamente: 
I - na ordem crescente da data de vencimento das prestações vencidas; e 
II - na ordem decrescente da data de vencimento das prestações vincendas. 
§5º Transitada em julgado a decisão que determinou a compensação, os atos de cobrança dos 
débitos ficam suspensos até que haja disponibilização financeira do precatório, sendo cabível a 
expedição de certidão positiva com efeitos de negativa. 
§6º Os efeitos financeiros da compensação, para fins de repasses e transferências 
constitucionais, somente ocorrerão no momento da disponibilização financeira do precatório. 
§7º Entende-se por disponibilização financeira do precatório o ingresso de recursos nos cofres 
da União decorrente dos recolhimentos de que trata o §4º do art. 39. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
49 
87 
§8º Os valores informados, submetidos ao abatimento, serão atualizados até a data do trânsito 
em julgado da decisão judicial que determinou a compensação, nos termos da legislação que 
rege a cobrança dos créditos da Fazenda Pública Federal. 
Art. 37. A requisição do precatório pelo juiz ao Tribunal conterá informações acerca do valor 
integral do débito da Fazenda Pública Federal, do valor deferido para compensação, dos dados 
para preenchimento dos documentos de arrecadação e do valor líquido a ser pago ao credor do 
precatório, observado o disposto no parágrafo único do art. 33. 
Art. 38. O precatório será expedido pelo Tribunal em seu valor integral, contendo, para 
enquadramento no fluxo orçamentário da Fazenda Pública Federal, informações sobre os valores 
destinados à compensação, os valores a serem pagos ao beneficiário e os dados para 
preenchimento dos documentos de arrecadação. 
Art. 39. O precatório será corrigido na forma prevista no §12 do art. 100 da Constituição Federal. 
§1º A partir do trânsito em julgado da decisão judicial que determinar a compensação, os débitos 
compensados serão atualizados na forma do caput. 
§2º O valor bruto do precatório será depositado integralmente na instituição financeira 
responsável pelo pagamento. 
§3º O Tribunal respectivo, por ocasião da remessa dos valores do precatório à instituição 
financeira, atualizará os valores correspondentes aos débitos compensados, conforme critérios 
previstos no §1º, e remeterá os dados para preenchimento dos documentos de arrecadação à 
instituição financeira juntamente com o comprovante da transferência do numerário integral do 
precatório. 
§4º Ao receber os dados para preenchimento dos documentos de arrecadação de que trata o 
§3º, a instituição financeira efetuará sua quitação em até 24 (vinte e quatro) horas. 
§5º Após a disponibilização financeira do precatório, caberá restituição administrativa ao 
beneficiário de valores compensados a maior. 
Art. 40. Recebidas pelo juízo as informações de quitação dos débitos compensados, o órgão 
responsável pela representação judicial da pessoa jurídica devedora do precatório na ação de 
execução será intimado pessoalmente, mediante entrega dos autos com vista, para registro da 
extinção definitiva dos débitos. 
Art. 41. Em caso de cancelamento do precatório, será intimada a Fazenda Pública Federal para 
dar prosseguimento aos atos de cobrança. 
§1º Em se tratando de débitos parcelados, uma vez cancelado o precatório, o parcelamento será 
reconsolidado para pagamento no prazo restante do parcelamento original, respeitado o valor 
da parcela mínima, se houver. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
87 
§2º Se o cancelamentodo precatório ocorrer após a quitação dos débitos compensados, o 
Tribunal solicitará à entidade arrecadadora a devolução dos valores à conta do Tribunal. 
Art. 42. Somente será objeto do parcelamento de que trata o art. 78 do Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias (ADCT) o valor líquido do precatório a ser pago ao beneficiário, após 
abatimento dos valores compensados com os créditos da Fazenda Pública Federal e das 
correspondentes retenções tributárias. 
Parágrafo único. Os débitos compensados serão quitados integralmente, de imediato, na forma 
do §4º do art. 39. 
JURISPRUDÊNCIA CORRELATA 
Adimplemento 
Cuidado, pois a regra de imputação ao pagamento vale para qualquer obrigação, ao menos inicialmente. Não 
obstante, o entendimento sumulado no STJ esclarece que as regras de imputação ao pagamento previstas 
no CC/2002 não se aplicam às dívidas de natureza tributária: 
STJ Súmula 464 08/09/2010 
A regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil não se aplica às 
hipóteses de compensação tributária. 
A primeira decisão do STJ a respeito da aplicação da Teoria do Adimplemento Substancial é de 1997, 
relativamente à ausência de pagamento, por um segurado, da última prestação do prêmio do contrato. 
Isso ensejaria, portanto, a extinção do contrato. A extinção do contrato, por sua vez, permitiria à Seguradora 
não pagar a indenização pelo sinistro havido. O STJ entendeu que essa situação caracterizaria abuso de 
direito e violação da boa-fé objetiva, ante a aplicação da referida Teoria: 
SEGURO. INADIMPLEMENTO DA SEGURADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ÚLTIMA PRESTAÇÃO. 
ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. RESOLUÇÃO. A COMPANHIA SEGURADORA NÃO PODE DAR POR 
EXTINTO O CONTRATO DE SEGURO, POR FALTA DE PAGAMENTO DA ULTIMA PRESTAÇÃO DO 
PREMIO, POR TRES RAZÕES: A) SEMPRE RECEBEU AS PRESTAÇÕES COM ATRASO, O QUE ESTAVA, 
ALIAS, PREVISTO NO CONTRATO, SENDO INADMISSIVEL QUE APENAS REJEITE A PRESTAÇÃO 
QUANDO OCORRA O SINISTRO; B) A SEGURADORA CUMPRIU SUBSTANCIALMENTE COM A SUA 
OBRIGAÇÃO, NÃO SENDO A SUA FALTA SUFICIENTE PARA EXTINGUIR O CONTRATO; C) A 
RESOLUÇÃO DO CONTRATO DEVE SER REQUERIDA EM JUIZO, QUANDO SERA POSSIVEL AVALIAR 
A IMPORTANCIA DO INADIMPLEMENTO, SUFICIENTE PARA A EXTINÇÃO DO NEGOCIO (REsp 
76.362/MT, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 11/12/1995, DJ 
01/04/1996, p. 9917). 
A segunda decisão do STJ a respeito da aplicação da Teoria do Adimplemento Substancial é de 2001, agora 
relativamente à ausência de pagamento, por um adquirente, da última prestação do contrato de alienação 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
87 
fiduciária. Isso ensejaria, assim, a extinção do contrato. A extinção do contrato, por sua vez, permitiria ao 
banco manejar a busca e apreensão do veículo alienado fiduciariamente e objeto do financiamento. O STJ 
entendeu que essa situação caracterizaria abuso de direito e violação da boa-fé objetiva, ante a aplicação da 
referida Teoria, mais uma vez: 
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. Busca e apreensão. Falta da última prestação. Adimplemento 
substancial. O cumprimento do contrato de financiamento, com a falta apenas da última 
prestação, não autoriza o credor a lançar mão da ação de busca e apreensão, em lugar da 
cobrança da parcela faltante. O adimplemento substancial do contrato pelo devedor não autoriza 
ao credor a propositura de ação para a extinção do contrato, salvo se demonstrada a perda do 
interesse na continuidade da execução, que não é o caso. Na espécie, ainda houve a consignação 
judicial do valor da última parcela. Não atende à exigência da boa-fé objetiva a atitude do credor 
que desconhece esses fatos e promove a busca e apreensão, com pedido liminar de reintegração 
de posse (REsp 272.739/MG, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado 
em 01/03/2001, DJ 02/04/2001, p. 299). 
O STJ entendeu, pela parte final do acórdão, que é cabível indenização por danos morais em face de 
transtornos causados pela rescisão de um contrato de maneira abusiva pela contraparte, quando possível 
a aplicação da teoria do adimplemento substancial. Ou seja, violou direito de personalidade pelo abuso na 
rescisão do contrato no qual houve adimplemento substancial? Dano moral! 
No entanto, esse raciocínio não se aplica, não cabendo falar em dano moral, quando há busca e apreensão 
decorrente de inadimplemento de financiamento garantido por alienação fiduciária lastreada no 
permissivo do Decreto-Lei 911/1969. Ou seja, houve busca e apreensão de bem financiado com alienação 
fiduciária do DL 911/69? Não cabe dano moral! 
Tome cuidado com esse entendimento, já que ele traz uma regra e uma exceção, portanto. Por isso, resolvi 
deixar o julgado praticamente na íntegra, pra você acompanhá-lo em detalhe e evitar confusão na hora da 
prova: 
RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR 
DANOS MORAIS E MATERIAIS. TRANSTORNOS RESULTANTES DA BUSCA E APREENSÃO DE 
AUTOMÓVEL. FINANCIAMENTO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. INADIMPLEMENTO 
PARCIAL. AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO DE APENAS UMA DAS PARCELAS CONTRATADAS. 
INAPLICABILIDADE, NO CASO, DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL DO CONTRATO. 
BUSCA E APREENSÃO. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO DECRETO-LEI Nº 911/1969. EXERCÍCIO 
REGULAR DE DIREITO. DEVER DE INDENIZAR. INEXISTÊNCIA. PEDIDO DE DESISTÊNCIA RECURSAL. 
INDEFERIMENTO. TERMO FINAL PARA APRESENTAÇÃO. INÍCIO DA SESSÃO DE JULGAMENTO. 
1. Ação indenizatória promovida por devedor fiduciante com o propósito de ser reparado por 
supostos prejuízos, de ordem moral e material, decorrentes do cumprimento de medida liminar 
deferida pelo juízo competente nos autos de ação de busca e apreensão de automóvel objeto de 
contrato de financiamento com cláusula de alienação fiduciária em garantia. 
2. Recurso especial que veicula pretensão da instituição financeira ré de (i) ver excluída sua 
responsabilidade pelos apontados danos morais, reconhecida no acórdão recorrido, por ter 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
87 
agido, ao propor a ação de busca e apreensão do veículo, em exercício regular de direito e (ii) ver 
reconhecida a inaplicabilidade, no caso, da "teoria do adimplemento substancial do contrato". 
4. A teor do que expressamente dispõem os arts. 2º e 3º do Decreto-Lei nº 911/1969, é 
assegurado ao credor fiduciário, em virtude da comprovação da mora ou do inadimplemento das 
obrigações assumidas pelo devedor fiduciante, pretender, em juízo, a busca e apreensão do bem 
alienado fiduciariamente. O ajuizamento de ação de busca e apreensão, nesse cenário, constitui 
exercício regular de direito do credor, o que afasta sua responsabilidade pela reparação de danos 
morais resultantes do constrangimento alegadamente suportado pelo devedor quando do 
cumprimento da medida ali liminarmente deferida. 
5. O fato de ter sido ajuizada a ação de busca e apreensão pelo inadimplemento de apenas 1 
(uma) das 24 (vinte e quatro) parcelas avençadas pelos contratantes não é capaz de, por si só, 
tornar ilícita a conduta do credor fiduciário, pois não há na legislação de regência nenhuma 
restrição à utilização da referida medida judicial em hipóteses de inadimplemento meramente 
parcial da obrigação. 
6. Segundo a teoria do adimplemento substancial, que atualmente tem sua aplicação admitida 
doutrinária e jurisprudencialmente, não se deve acolher a pretensão do credor de extinguir o 
negócio em razão de inadimplemento que se refira a parcela de menos importância do conjunto 
de obrigações assumidas e já adimplidas pelo devedor. 
7. A aplicação do referido instituto, porém, não tem o condão de fazer desaparecer a dívida não 
paga, pelo que permanece possibilitado o credor fiduciário de perseguir seu crédito 
remanescente (ainda que considerado de menor importância quandocomparado à totalidade da 
obrigação contratual pelo devedor assumida) pelos meios em direito admitidos, dentre os quais 
se encontra a própria ação de busca e apreensão de que trata o Decreto-Lei nº 911/1969, que 
não se confunde com a ação de rescisão contratual - esta, sim, potencialmente indevida em 
virtude do adimplemento substancial da obrigação (REsp 1255179/RJ, Rel. Ministro RICARDO 
VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/08/2015, DJe 18/11/2015). 
No entanto, o mesmo STJ, contrariando visão outrora consagrada acerca do cabimento da aplicação da teoria 
do adimplemento substancial nos casos de financiamento, mais recentemente passou a entender que 
descabe a aplicação da teoria do adimplemento substancial em se tratando de alienação fiduciária regida 
por lei especial. O fundamento – bastante rasteiro e inadequado, a meu ver – é a incompatibilidade da dela 
com o Decreto-Lei 911/1969, que não prevê limitações à busca e apreensão, a despeito de ela derivar dos 
princípios contratuais da boa-fé objetiva e da função social do contrato, aplicáveis ao regime contratual em 
sentido amplo, e não apenas ao regime do CC/2002: 
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO DE 
VEÍCULO, COM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA REGIDO PELO DECRETO-LEI 911/69. 
INCONTROVERSO INADIMPLEMENTO DAS QUATRO ÚLTIMAS PARCELAS (DE UM TOTAL DE 48). 
EXTINÇÃO DA AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO (OU DETERMINAÇÃO PARA ADITAMENTO DA 
INICIAL, PARA TRANSMUDÁ-LA EM AÇÃO EXECUTIVA OU DE COBRANÇA), A PRETEXTO DA 
APLICAÇÃO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. DESCABIMENTO. ABSOLUTA 
INCOMPATIBILIDADE DA CITADA TEORIA COM OS TERMOS DA LEI ESPECIAL DE REGÊNCIA. 
RECONHECIMENTO. REMANCIPAÇÃO DO BEM AO DEVEDOR CONDICIONADA AO PAGAMENTO 
DA INTEGRALIDADE DA DÍVIDA, ASSIM COMPREENDIDA COMO OS DÉBITOS VENCIDOS, 
VINCENDOS E ENCARGOS APRESENTADOS PELO CREDOR, CONFORME ENTENDIMENTO 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
87 
CONSOLIDADO DA SEGUNDA SEÇÃO, SOB O RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS (REsp 
n. 1.418.593/MS). INTERESSE DE AGIR EVIDENCIADO, COM A UTILIZAÇÃO DA VIA JUDICIAL ELEITA 
PELA LEI DE REGÊNCIA COMO SENDO A MAIS IDÔNEA E EFICAZ PARA O PROPÓSITO DE COMPELIR 
O DEVEDOR A CUMPRIR COM A SUA OBRIGAÇÃO (AGORA, POR ELE REPUTADA ÍNFIMA), SOB 
PENA DE CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE NAS MÃOS DO CREDOR FIDUCIÁRIO. 
DESVIRTUAMENTO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL, CONSIDERADA A SUA 
FINALIDADE E A BOA-FÉ DOS CONTRATANTES, A ENSEJAR O ENFRAQUECIMENTO DO INSTITUTO 
DA GARANTIA FIDUCIÁRIA. VERIFICAÇÃO. (REsp 1622555/MG, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. 
p/ Acórdão Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/02/2017, DJe 
16/03/2017). 
Reiterando casos já julgados anteriormente, o STJ manteve inalterada a jurisprudência, mantendo-se fiel aos 
precedentes anteriores. Trata-se de conjugação do art. 349, a respeito da sub-rogação, com o art. 206, §3º, 
inc. I, que delimita prazo trienal. 
Nos contratos de locação, quando o fiador adimple a dívida do afiançado, sub-roga-se nos direitos do credor. 
Como o fiador se sub-roga no direito do locador-credor quanto aos créditos do locatário-afiançado, o prazo 
prescricional para o primeiro é igual ao do segundo; vale dizer, se o credor tem 3 anos, contados da data do 
débito, para cobrar, o fiador tem 3 anos para cobrar do afiançado o valor desembolsado. A única diferença 
é a contagem do prazo, que para o fiador se inicia na data da qual ele pagou os valores devidos pelo 
afiançado ao credor (mais uma vez, aplica-se aqui a teoria da actio nata): 
CONTRATO DE LOCAÇÃO. PAGAMENTO DE DÉBITO PELO FIADOR. SUB-ROGAÇÃO. DEMANDA 
REGRESSIVA AJUIZADA CONTRA OS LOCATÁRIOS INADIMPLENTES. MANUTENÇÃO DOS MESMOS 
ELEMENTOS DA OBRIGAÇÃO ORIGINÁRIA, INCLUSIVE O PRAZO PRESCRICIONAL. PRESCRIÇÃO 
TRIENAL. ART. 206, § 3º, I, DO CÓDIGO CIVIL DE 2002. É trienal o prazo de prescrição para fiador 
que pagou integralmente dívida, objeto de contrato de locação, pleitear o ressarcimento dos 
valores despendidos contra os locatários inadimplentes (REsp 1.432.999-SP, Rel. Min. Marco 
Aurélio Bellizze, por unanimidade, julgado em 16/5/2017, DJe 25/5/2017). 
O STJ entende que a cláusula penal moratória tem natureza eminentemente indenizatória, quando fixada de 
maneira adequada. Por isso, havendo cláusula penal para prefixar a indenização, não cabe a cumulação 
posterior com lucros cessantes. 
A Corte entendeu que a cláusula penal constitui pacto secundário acessório – uma condição –, por meio do 
qual as partes determinam previamente uma multa (usualmente em pecúnia). Essa multa consubstancia 
indenização para o caso de inadimplemento absoluto ou de cláusula especial, hipótese em que se denomina 
cláusula penal compensatória. Inversamente, se estabelecida para prefixação de indenização para o 
inadimplemento relativo (quando ainda se mostrar útil o adimplemento, ainda que tardio), a multa recebe 
o nome de cláusula penal moratória. 
Nesse caso, quando não demonstrado dano além dos regularmente esperados da inadimplência, já 
cobertos pela cláusula penal moratória, não pode a parte simplesmente requerer indenização suplementar 
àquela estabelecida no instrumento contratual que redigiu: 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
87 
STJ Tema 970 
A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação, 
e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros 
cessantes. 
Há a possibilidade de inversão da cláusula penal estipulada exclusivamente para o adquirente em desfavor 
da construtora, nos casos de atraso na entrega de imóvel? O STJ ressaltou que a tendência mundial é a de se 
exigir reciprocidade entre as penalidades impostas ao consumidor e ao fornecedor. 
Por isso, mostra-se abusiva a prática de se estipular penalidade exclusivamente ao consumidor, para a 
hipótese de mora ou inadimplemento contratual absoluto, ficando isento de tal reprimenda o fornecedor 
em situações de análogo descumprimento da avença. Ainda assim, a simples inversão da penalidade 
contratual poderia dar origem a enriquecimento sem causa do adquirente do imóvel. 
A Corte entende que nos casos de obrigações de natureza heterogênea (obrigação de fazer e obrigação de 
dar), impõe-se sua conversão em dinheiro, apurando-se valor adequado e razoável para arbitramento da 
indenização pelo período de mora, vedada sua cumulação com lucros cessantes. A multa compensatória 
referente à obrigação de pagar (de dar) não pode incidir sobre todo o preço do imóvel que deveria ter sido 
entregue (obrigação de fazer). Como a cláusula penal compensatória visa indenizar, não é possível a 
cumulação com lucros cessantes: 
STJ Tema 971 
No contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, havendo 
previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, deverá ela ser 
considerada para a fixação da indenização pelo inadimplemento do vendedor. As obrigações 
heterogêneas (obrigações de fazer e de dar) serão convertidas em dinheiro, por arbitramento 
judicial. 
JORNADAS DE DIREITO CIVIL 
Adimplemento 
O versar a respeito da Teoria da Imprevisão, o art. 317 menciona a expressão “motivos imprevisíveis”. 
Motivo, nesse caso, tem o sentido de causa, apenas, ou também de resultados? Segundo o Enunciado 17 da 
I Jornada de Direito Civil, “motivos imprevisíveis” deve abarcar tanto causas de desproporção não 
previsíveis como também causas previsíveis, mas de resultados imprevisíveis: 
I Jornada de Direito Civil - Enunciado 17 
A interpretação da expressão "motivos imprevisíveis" constante do art. 317 do novo Código Civil 
deve abarcar tanto causas de desproporção não-previsíveis como também causas previsíveis, 
mas de resultados imprevisíveis. 
PauloH M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
55 
87 
Os arts. 30 e ss. da Lei 12.431/2011 tratam da possibilidade de compensação de débitos tributários com 
precatórios. Eu, anteriormente, enumerei os dispositivos dessa lei para que, se fosse o caso, você desse uma 
olhada, a título de curiosidade, já que essa é matéria tipicamente de Direito Tributário. 
Nesse sentido, o Enunciado 19 da I Jornada de Direito Civil deixava claro já que a matéria de compensação 
não se rege pelo disposto no art. 374, sejam os precatórios da União, dos Estados, dos Municípios, ou mesmo 
no Distrito Federal: 
I Jornada de Direito Civil - Enunciado 19 
A matéria da compensação no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais de estados, do Distrito 
Federal e de municípios não é regida pelo art. 374 do Código Civil. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Chegamos ao final desta aula! As questões a respeito da transmissão (em menor medida) e do adimplemento 
(em maior medida) são relevantíssimas nas provas. Percebe-se que a Teoria da obrigação como processo 
não é apenas “teórica”, mas permite que determinados institutos jurídicos sejam revistos e melhor 
compreendidos, a partir da “lógica” sistemática. 
Quaisquer dúvidas, sugestões, críticas ou mesmo elogios, não hesite em entrar em contato comigo. Estou 
disponível preferencialmente no Fórum de Dúvidas do Curso, mas também nas redes sociais, claro. Estou 
aguardando você na próxima aula. Até lá! 
Paulo H M Sousa 
QUESTÕES COMENTADAS 
TRANSMISSÃO 
Juiz 
1. (FCC – TJ/AL – Juiz Substituto – 2019) Por conta de mútuo oneroso, João devia a Teresa a 
importância de cem mil reais. No intuito de ajudar o amigo em dificuldade, Leopoldo assumiu para si a 
obrigação de João, para o que houve expressa anuência de Teresa. Nesse caso, 
a) João ficará exonerado da dívida, salvo se Leopoldo, ao tempo da assunção, fosse insolvente e Teresa 
ignorasse essa sua condição. 
b) Leopoldo poderá opor a Teresa as exceções pessoais que competiam a João. 
c) se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito de João, sem nenhuma garantia, 
independentemente de quem a tenha prestado. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
87 
d) preservam-se as garantias especiais originariamente dadas a Teresa por João, independentemente do 
assentimento dele. 
e) João responderá apenas pela metade da dívida, ainda que Leopoldo não cumpra a obrigação assumida 
perante Teresa. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois a alternativa nos apresenta a literalidade do art. 299: “É facultado a 
terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o 
devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. 
A alternativa B está incorreta, de acordo com o art. 302: “O novo devedor não pode opor ao credor as 
exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo”. 
A alternativa C está incorreta, conforme preconiza o art. 301: “Se a substituição do devedor vier a ser 
anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto 
se este conhecia o vício que inquinava a obrigação”. 
A alternativa D está incorreta, como prevê o art. 300: “Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, 
consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas 
ao credor”. 
A alternativa E está incorreta, dado que, conforme dito anteriormente, é facultado ao terceiro (Leopoldo) 
assumir a obrigação do devedor (João) perante a credora (Teresa), desde que essa dê seu consentimento 
expresso anuindo a substituição do devedor primitivo. 
2. (TRF / TRF-2ª Região – 2017) Assinale a opção correta: 
a) É nula a cessão de crédito celebrada de modo verbal. 
b) A cessão de crédito celebrada por escrito particular, para que seja oponível a terceiros, deve ser levada a 
registro, em regra no Cartório de Títulos e Documentos. 
c) A validade da cessão de crédito previdenciário, no plano federal, depende de escritura pública. 
d) A assunção de débito, realizada através de escritura pública, é oponível ao credor independentemente de 
seu assentimento. 
e) As exceções comuns, não pessoais, que o devedor tenha para impugnar o crédito cedido devem ser 
comunicadas ao cessionário imediatamente após o devedor ser notificado da cessão, sob pena de não mais 
poderem ser arguidas, sem prejuízo do regresso contra o cedente. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, como se extrai do art. 288: “É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão 
de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das 
solenidades do § 1o do art. 654”. 
A alternativa B está correta, na dicção do supracitado art. 288. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 
87 
A alternativa C está incorreta, em conformidade com o art. 114 da Lei 8.213/1991: “Salvo quanto a valor 
devido à Previdência Social e a desconto autorizado por esta Lei, ou derivado da obrigação de prestar 
alimentos reconhecida em sentença judicial, o benefício não pode ser objeto de penhora, arresto ou 
sequestro, sendo nula de pleno direito a sua venda ou cessão, ou a constituição de qualquer ônus sobre ele, 
bem como a outorga de poderes irrevogáveis ou em causa própria para o seu recebimento”. 
A alternativa D está incorreta, na dicção do art. 299: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, 
com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo 
da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. 
A alternativa E está incorreta, conforme o art. 294: “O devedor pode opor ao cessionário as exceções que 
lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o 
cedente”. Aqui, ao que me parece, a banca queria confundir o candidato com o art. 377, que tratada da 
compensação, especificamente: “O devedor que, notificado, nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros 
dos seus direitos, não pode opor ao cessionário a compensação, que antes da cessão teria podido opor ao 
cedente. Se, porém, a cessão lhe não tiver sido notificada, poderá opor ao cessionário compensação do 
crédito que antes tinha contra o cedente”. 
3. (FCC / TJ-SC – 2017) Na transmissão das obrigações aplicam-se as seguintes regras: 
I. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário 
pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por 
título gratuito, se tiver procedido de má-́fé́. 
II. Na assunção de dívida, o novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao 
devedor primitivo. 
III. Salvo estipulação em contrário, o cedente responde pela solvência do devedor. 
IV. O cessionário de crédito hipotecário só́ poderá ́ averbar a cessão no registro de imóveis com o 
consentimento do cedente e do proprietário do imóvel. 
V. Na assunção de dívida, se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas 
as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiro, exceto se este conhecia o vício que inquinava a 
obrigação 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
a) III, IV e V. 
b) II, III e IV. 
c) I, II e IV. 
d) I, III e V. 
e) I, II e V. 
Comentários 
O item I está correto, na literalidade do art. 295: “Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se 
responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a 
mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé”.Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
87 
O item II está correto, na previsão do art. 302: “O novo devedor não pode opor ao credor as exceções 
pessoais que competiam ao devedor primitivo”. 
O item III está incorreto, de acordo com o art. 296: “Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde 
pela solvência do devedor”. 
O item IV está incorreto, segundo o art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer 
averbar a cessão no registro do imóvel”. 
O item V está correto, como estabelece o art. 301: “Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-
se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conhecia 
o vício que inquinava a obrigação”. 
A alternativa E está correta, consequentemente. 
4. (TRT-8ª Região / TRT-8ª Região – 2015) Sobre as obrigações no Código Civil Brasileiro, é CORRETO 
afirmar que: 
a) Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, com culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se 
do ato, que se obrigou a não praticar. 
b) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não se estipulou. 
c) A solidariedade na obrigação não se presume; resulta da lei, costume ou da vontade das partes. 
d) Importará renúncia da solidariedade passiva, a propositura de ação pelo credor apenas contra um ou 
alguns dos devedores. 
e) O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção 
com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não 
constar do instrumento da obrigação. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, na dicção do art. 250: “Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem 
culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar”. 
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 252: “Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, 
se outra coisa não se estipulou”. 
A alternativa C está incorreta, pela previsão do art. 265: “A solidariedade não se presume; resulta da lei ou 
da vontade das partes”. 
A alternativa D está incorreta, conforme o art. 275, parágrafo único: “Não importará renúncia da 
solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores”. 
A alternativa E está correta, na literalidade do art. 286: “O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se 
opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não 
poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação”. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
87 
ADIMPLEMENTO 
Juiz 
5. (CESPE – TJ/SC – Juiz Substituto – 2019) A multa estipulada em contrato que tenha por objeto evitar 
o inadimplemento da obrigação principal é denominada 
A) multa penitencial. 
B) cláusula penal. 
C) perdas e danos. 
D) arras penitenciais. 
E) multa pura e simples. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, porque a multa penitencial se liga ao exercício do direito de arrependimento, 
e não ao inadimplemento. É o caso, por exemplo, da multa prevista no art. 4º (“Durante o prazo estipulado 
para a duração do contrato, não poderá o locador reaver o imóvel alugado. Com exceção ao que estipula o 
§ 2o do art. 54-A, o locatário, todavia, poderá devolvê-lo, pagando a multa pactuada, proporcional ao período 
de cumprimento do contrato, ou, na sua falta, a que for judicialmente estipulada”) da Lei 8.245/1991, a Lei 
de Locações. Não há inadimplemento, mas “arrependimento de morar no imóvel, pelo locatário, ainda no 
prazo contratual”. 
A alternativa B está correta, como se extrai do art. 408: “Incorre de pleno direito o devedor na cláusula 
penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora”. Descumprir 
culposamente a obrigação é inadimplemento. 
A alternativa C está incorreta, dado que as perdas e danos são uma consequência do inadimplemento, mas 
exigem efetivo prejuízo de prova dele, como se vê pelo art. 402: “Salvo as exceções expressamente previstas 
em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que 
razoavelmente deixou de lucrar” 
A alternativa D está incorreta, pois as arras se vinculam a “segurar o negócio” e/ou iniciar o pagamento Vide 
o art. 417: “Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou 
outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação 
devida, se do mesmo gênero da principal”. 
A alternativa E está incorreta, já que “multa pura e simples” é conceito genérico e atécnico no âmbito do 
adimplemento. 
6. (CESPE – TJ/PR – Juiz Estadual Substituto – 2019) De acordo com o Código Civil, nas consignações 
em pagamento, o ato de depósito efetuado pelo devedor faz cessar 
A) os juros da dívida e impede o levantamento do valor depositado pelo devedor até que seja aceito ou 
impugnado pelo credor. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 
87 
B) os riscos e os juros da dívida; uma vez declarada aceitação pelo credor, o depósito não mais pode ser 
levantado pelo devedor. 
C) os riscos, mas o juros da dívida continuam a correr até a declaração de aceitação do credor. 
D) os riscos e os juros da dívida, podendo o devedor requerer o levantamento do depósito mesmo após 
aceitação do credor. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que o valor poderá ser levantado pelo devedor enquanto o credor não 
aceitar ou impugnar, conforme art. 338. 
A alternativa B está correta, na conjugação do art. 337 (“O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, 
cessando, tanto que se efetue, para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado 
improcedente”) com o art. 338 (“Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, 
poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para 
todas as consequências de direito”). 
A alternativa C está incorreta, pois os juros também cessam, conforme o supracitado art. 337. 
A alternativa D está incorreta, porque o devedor só poderá requerer o levantamento enquanto o credor não 
aceitar. 
7. (CESPE / TJ-PA - 2019) A respeito das características das obrigações solidárias, julgue os itens 
seguintes. 
I - A impossibilidade da prestação, de forma culposa, acarreta a extinção da solidariedade passiva, em face 
da conversão da prestação originária no equivalente pecuniário e perdas e danos. 
II - A suspensão da prescrição em favor de um dos credores solidários apenas aproveita aos outros se a 
obrigação for indivisível. 
III – Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair 
a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado 
IV – O devedor que paga a um dos credores solidários se desonera da prestação, desde que exija do 
recebedor a caução de ratificação dos demais cocredores. 
Estão certos apenas os itens 
a) I e III. 
b) I e IV. 
c) II e III. 
d) I, II e IV. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
61 
87 
e) II, III e IV. 
 
Comentários 
A afirmativa I está errada, nos termos do art. 279: " Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos 
devedores solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só 
responde o culpado". 
A afirmativa II está certa, pois traz a literalidade do art. 201: "Suspensa a prescrição em favor de umdos 
credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação for indivisível". 
A afirmativa III está certa, nos exatos termos do art. 365: "Operada a novação entre o credor e um dos 
devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e 
garantias do crédito novado. Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados". 
A afirmativa IV está errada, segundo previsão do art. 269: "O pagamento feito a um dos credores solidários 
extingue a dívida até o montante do que foi pago". 
Logo, a alternativa C está correta, pois apresenta como certas as afirmativas II e III. 
8. (CESPE – TJ/CE – Juiz Estadual Substituto – 2018) 
Julgue os itens seguintes, a respeito do pagamento e de sua disciplina no Código Civil. 
I O credor não pode se recusar a receber pagamento parcial. 
II O pagamento pode ser feito por terceiro não interessado. 
III Se forem designados dois ou mais lugares para o pagamento, a escolha caberá ao credor. 
Assinale a opção correta. 
a) Nenhum item está certo. 
b) Apenas o item I está certo. 
c) Apenas o item III está certo. 
d) Apenas os itens I e II estão certos. 
e) Apenas os itens II e III estão certos. 
Comentários 
A questão foi anulada, porque o item I, mal redigido, causou confusão no candidato. Nada nos impede de 
analisar a questão, de toda sorte. 
O item I está incorreto, conforme dispõe o art. 314: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação 
divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se 
ajustou”. Anulada a questão porque, se tiver sido ajustado pagamento em parcelas (parcial), o credor será 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
62 
87 
obrigado a aceitar o pagamento parcial. Não bastasse isso, o CPC permite pagamento parcial, caso o devedor 
espontaneamente ofereça, desde que cumpridos os requisitos legais. 
O item II está correto, conforme expresso no art. 304, caput e parágrafo único: “Qualquer interessado na 
extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do 
devedor. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo 
oposição deste”. 
O item III está correto, de acordo com a previsão do caput e do parágrafo único do art. 327: “Efetuar-se-á o 
pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário 
resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias. Designados dois ou mais lugares, cabe ao 
credor escolher entre eles. 
Portanto, a alternativa E está correta, pois nos apresenta os itens II e III como certos. 
9. (VUNESP / TJ-RS – 2018) André devia a quantia de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) em dinheiro 
a Mateus. Maria era fiadora de André. Mateus aceitou receber em pagamento pela dívida um imóvel 
urbano de propriedade de André, avaliado em R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) com área de 200 m2 e deu 
regular quitação. Entretanto, o imóvel estava ocupado por Pedro, que o habitava há mais de cinco anos, 
nele estabelecendo sua moradia. Pedro ajuizou ação de usucapião para obter a declaração de propriedade 
do imóvel que foi julgada procedente. Na época em que se evenceu, o imóvel foi avaliado em R$ 65.000,00 
(sessenta e cinco mil reais). A respeito dos efeitos da evicção sobre a obrigação originária, é possível 
afirmar que a obrigação originária 
a) foi extinta com a dação em pagamento. André será responsável perante Mateus pelo valor 
correspondente ao bem imóvel perdido, na época em que se evenceu. Maria está liberada da fiança 
anteriormente prestada. 
b) foi extinta com a dação em pagamento. André será responsável perante Mateus pelo valor 
correspondente ao bem imóvel perdido, na época em que houve a dação em pagamento. Maria está liberada 
da fiança anteriormente prestada. 
b) é restabelecida, mas não contará mais com a garantia pessoal prestada por Maria. Em razão da evicção, a 
obrigação repristinada terá por objeto o valor equivalente ao bem na época em que se evenceu. 
b) é restabelecida, pelo seu valor original, em razão da evicção da coisa dada em pagamento, mas sem a 
garantia pessoal prestada por Maria, tendo em vista que o credor aceitou receber objeto diverso do 
constante na obrigação originária. 
e) é restabelecida, em razão da evicção da coisa dada em pagamento, inclusive com a garantia pessoal 
prestada por Maria. Contudo, em razão da evicção, a obrigação repristinada terá por objeto o valor 
equivalente ao bem na época em que se evenceu. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que em face da evicção, a dação em pagamento não produz efeitos. Assim, 
a obrigação originária é totalmente reestabelecida, como se extrai do art. 359: “Se o credor for evicto da 
coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, 
ressalvados os direitos de terceiros”. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
87 
A alternativa B está incorreta, pois conforme foi dito anteriormente, a obrigação original é reestabelecida. 
Logo, André continua responsável perante Mateus. 
A alternativa C está incorreta, pois a fiadora Maria será liberada, conforme preconiza o art. 838, inc. III: “O 
fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado se o credor, em pagamento da dívida, aceitar amigavelmente 
do devedor objeto diverso do que este era obrigado a lhe dar, ainda que depois venha a perdê-lo por 
evicção”. 
A alternativa D está correta, pois apresenta a aplicação conjunta do art. 359 e do art. 838, inc. III, 
supratranscritos. 
A alternativa E está incorreta, dado que o valor restabelecido é o da dívida original, não o inerente ao bem 
na época em que ocorreu a dação em pagamento, como a questão quer fazer crer. 
10. (ENAMAT – TST – Juiz do Trabalho Substituto – 2017) Abelardo celebrou contrato com a Papelaria 
P Ltda., por meio do qual aquele se comprometeu a solicitar e comprar desta, pelo período de vinte meses, 
uma quantidade mensal de quinhentas resmas de papel A4, razão pela qual o valor de cada resma tornou-
se bastante convidativo para o comprador, que utilizava o papel como matéria-prima para o seu exercício 
profissional. Restou acordado, também, que, se o comprador deixasse de efetuar as compras mensais 
antes do término do prazo avençado, teria que pagar multa correspondente a cinco mensalidades. 
Abelardo solicitou e comprou as resmas por dezesseis meses, momento em que deixou de as requerer, 
rompendo o contrato. A Papelaria P Ltda. ajuizou ação postulando o pagamento das cinco mensalidades 
previstas contratualmente. Nesse caso hipotético, Abelardo 
a) terá que pagar apenas quatro mensalidades, pois estas seriam as correspondentes para completar a 
vigência total do contrato, independentemente do fornecimento de resmas pela Papelaria P Ltda. 
b) fará jus à redução equitativa do montante da penalidade, em face da manutenção do equilíbrio da relação 
contratual e tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. 
c) terá que pagar as cinco mensalidades contratualmente previstas, considerando que o valor da penalidade 
não excede o valor da obrigação principal do contrato e que a autonomia da vontade autoriza a livre 
estipulação da penalidade. 
d) não precisará pagar o valor da penalidade, em face do adimplemento substancial do contrato. 
e) terá que pagar o valor correspondente ao preço de mercado equivalente a duas mil resmas. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois o juiz deverá reduzir a multa equitativamente, visando manter o 
equilíbrio da relação contratual. 
A alternativa B está correta, já que o pagamento da multa ainda ocorrerá, mas será reduzido de forma 
proporcional pelo juiz, dado o que dispõe o art. 413:“A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo 
juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for 
manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio”. 
A alternativa C está incorreta, porque há uma desproporção no cumprimento da penalidade prevista. Não 
seria razoável que fosse pago um valor acima do que falta para o cumprimento integral da obrigação, 
devendo o juiz reduzir tal valor, buscando o equilíbrio da relação contratual. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
87 
A alternativa D está incorreta, uma vez que, nesse caso, não há que se falar em adimplemento 
substancial, já que houve apenas uma imposição de penalidade, mas não a perda do bem. 
A alternativa E está incorreta, já que não existe tal previsão, nem na lei, nem na vontade das partes. 
11. (TRT-4ª REGIÃO / TRT-4ª REGIÃO (RS) – 2016) Assinale a assertiva incorreta sobre adimplemento e 
extinção das obrigações. 
a) qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios 
conducentes à exoneração do devedor 
b) é ilícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. 
c) o credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. 
d) a compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. 
e) a confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. 
Comentários 
A alternativa A está correta, segundo o art. 304: “Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, 
usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor”. 
A alternativa B está incorreta, dada a previsão inversa do art. 316: “É lícito convencionar o aumento 
progressivo de prestações sucessivas”. 
A alternativa C está correta, já que ele não é obrigado, mas pode, na dicção do art. 313: “O credor não é 
obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa”. 
A alternativa D está correta, na transcrição do art. 369: “A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, 
vencidas e de coisas fungíveis”. 
A alternativa E está correta, de acordo com o art. 382: “A confusão pode verificar-se a respeito de toda a 
dívida, ou só de parte dela”. 
12. (CESPE / TJ-AM – 2016) Em cada uma das seguintes opções, é apresentada uma situação hipotética, 
seguida de uma assertiva a ser julgada conforme institutos relacionados ao adimplemento das obrigações. 
Assinale a opção que apresenta a assertiva correta. 
a) Após ter efetuado o pagamento de determinada dívida, Lauro constatou que, antes desse pagamento, tal 
dívida se encontrava prescrita. Nessa situação, Lauro poderá requerer a restituição do valor pago, mas o 
credor só estará obrigado a devolver o principal, sem atualização monetária nem incidência de juros de mora. 
b) Em situação típica de solidariedade passiva, Jorge era credor de Matias, Pedro e Vênus, mas, verificando 
a crítica situação financeira de Matias, resolveu perdoar-lhe a dívida. Nessa situação, não pode o credor 
comum conceder remissão da dívida a apenas um dos codevedores, razão por que o perdão concedido a 
Matias alcançará Pedro e Vênus. 
c) João foi fiador de Pedro em contrato de locação e pagou a dívida inteira referente a seis meses de aluguéis 
em atraso. Nessa situação, houve sub-rogação legal e João adquiriu todos os direitos, ações, privilégios e 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
87 
garantias do credor primitivo, podendo, inclusive, consoante entendimento pacificado pelo STJ, penhorar o 
atual imóvel residencial do locatário afiançado. 
d) Verificando que seu amigo Paulo não tinha condições de quitar dívida em dinheiro contraída com Manoel, 
Carlos dirigiu-se ao credor e disse querer assumir a obrigação. Nessa situação, se Manoel aceitar Carlos como 
novo devedor, em substituição a Paulo, não será necessária a concordância deste, hipótese em que haverá 
novação subjetiva passiva por expromissão. 
e) Júlio tem direito a indenização correspondente a R$ 5.000 em razão da meação de bens comuns que 
ficaram com sua ex-cônjuge Maria. Entretanto, Júlio deve a Maria R$ 2.000 a título de alimentos. Nessa 
situação, Júlio poderá compensar as dívidas, já que, na hipótese, há reciprocidade de obrigações, sendo as 
dívidas líquidas, atuais e vencidas. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, dada a previsão de irrepetibilidade do art. 882: “Não se pode repetir o que se 
pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível”. 
A alternativa B está incorreta, já que, pela dicção do art. 277 há possibilidade de o credor remitir apenas um 
dos codevedores: “O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não 
aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada”. 
A alternativa C está incorreta, pois o STJ já fixou o entendimento de que a penhorabilidade não alcança o 
afiançado: “LOCAÇÃO. FIADOR QUE PAGA A DÍVIDA AO LOCADOR. SUB-ROGAÇÃO LEGAL. EXECUÇÃO 
CONTRA O LOCATÁRIO-AFIANÇADO. BEM DE FAMÍLIA. PENHORA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL (REsp 
255.663/SP, Rel. Ministro EDSON VIDIGAL, QUINTA TURMA, julgado em 29/06/2000, DJ 28/08/2000, p. 125). 
A alternativa D está correta, já que a modalidade de novação prevista no art. 362 (“A novação por 
substituição do devedor pode ser efetuada independentemente de consentimento deste”) é chamada de 
expromissão. 
A alternativa E está incorreta, pela vedação da natureza do crédito e da previsão do art. 1.707: “Pode o 
credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito 
insuscetível de cessão, compensação ou penhora”. 
13. (FAURGS / TJ-RS – 2016) Considere as afirmações abaixo, sobre o adimplemento da obrigação. 
I - O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome sub-roga-se nos direitos do credor, 
desde que notifique previamente o devedor e este não apresente oposição. 
II - A eficácia típica reconhecida da aplicação da teoria do adimplemento substancial é a extinção da 
obrigação nas hipóteses de pagamento parcial feito de boa-fé. 
III - O direito brasileiro, nas dívidas em dinheiro, adota o princípio do nominalismo, admitindo, contudo, que 
as partes convencionem cláusula de escala móvel. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
87 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) Apenas II e III. 
Comentários 
O item I está incorreto, na literalidade do art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu 
próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor”. 
O item II está incorreto, já que o adimplemento substancial não tem o condão de extinguir a dívida, mas 
apenas evitar que o credor se utilize de meios mais gravosos na cobrança da dívida. 
O item III está correto, como se extrai do art. 316: “É lícito convencionar o aumento progressivo de 
prestações sucessivas”. 
A alternativa C está correta, portanto. 
14. (TRT-16ª REGIÃO / TRT-16ª REGIÃO (MA) – 2015) Em tema de obrigações: 
a) A ação de in rem verso visa à compensação das perdas e danos sofridos em razão do enriquecimento sem 
causa. 
b) O terceiro não interessado, ao realizar o pagamento da dívida de outrem em seu próprio nome, tem direito 
tanto ao reembolso do que adimpliu quanto à subrogação dos direitos do credor. 
c) Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, deverá o credor, obrigatoriamente, aceitar a coisa, 
abatido de seu preço o valor que perdeu, haja vista a ausência de culpa do devedor. 
d) O pagamento de dívida prescrita constitui-seem verdadeira renúncia do favor da prescrição pelo devedor. 
e) Em observância à vedação do enriquecimento sem causa, é vedado às partes convencionar o aumento 
progressivo das prestações sucessivas. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, voltando-se a ação in rem verso se aplica à repetição dos valores pagos com 
enriquecimento sem causa à contraparte, e não como compensação. 
A alternativa B está incorreta, na literalidade do art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a dívida em 
seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor”. 
A alternativa C está incorreta, nos termos do art. 235: “Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, 
poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu”. 
A alternativa D está correta, dado que a obrigação mutilada constitui verdadeiro vínculo obrigacional, 
presumindo-se o pagamento como renúncia que impede a repetição. 
A alternativa E está incorreta, como se extrai do art. 316: “É lícito convencionar o aumento progressivo de 
prestações sucessivas”. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67 
87 
15. (TRT 16ª REGIÃO / TRT-16ª REGIÃO (MA) – 2015) Examine as proposições seguintes e assinale a 
alternativa CORRETA: 
I. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não mencionados, salvo se o contrário resultar 
do título ou das circunstâncias do caso. 
II. Nas obrigações de fazer, acaso seja impossível o cumprimento da obrigação por culpa do devedor, este 
deverá ressarcir o credor por perdas e danos. 
III. Na assunção de dívida por terceiro, qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que aceite a 
assunção, interpretando-se, porém, o seu silêncio como recusa. 
IV. A quitação sempre poderá ser dada por instrumento particular, devendo designar o valor e a espécie da 
dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a 
assinatura do credor, ou do seu representante. 
V. O credor não é obrigado a aceitar o pagamento de prestação diversa da que lhe é devida, mesmo que seja 
mais valiosa. 
a) Somente as proposições II e IV estão corretas. 
b) Somente as proposições I e V estão incorretas. 
c) Somente a proposição III está correta. 
d) Todas as proposições estão corretas. 
e) Todas as proposições estão incorretas. 
Comentários 
O item I está correto, segundo o art. 233: “A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora 
não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso”. 
O item II está correto, pela previsão da segunda parte do art. 248: “Se a prestação do fato tornar-se 
impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e 
danos”. 
O item III está correto, de acordo com o a parágrafo único do art. 299: “Qualquer das partes pode assinar 
prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa”. 
O item IV está correto, em transcrição do art. 320: “A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento 
particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o 
tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante”. 
O item V está correto, conforme o art. 313: “O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe 
é devida, ainda que mais valiosa”. 
A alternativa D é a correta, portanto. 
16. (TRT 16ª Região / TRT-16ª Região – 2015) Examine as proposições seguintes e assinale a alternativa 
CORRETA: 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
68 
87 
I. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não mencionados, salvo se o contrário resultar 
do título ou das circunstâncias do caso. 
II. Nas obrigações de fazer, acaso seja impossível o cumprimento da obrigação por culpa do devedor, este 
deverá ressarcir o credor por perdas e danos. 
III. Na assunção de dívida por terceiro, qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que aceite a 
assunção, interpretando-se, porém, o seu silêncio como recusa. 
IV. A quitação sempre poderá ser dada por instrumento particular, devendo designar o valor e a espécie da 
dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a 
assinatura do credor, ou do seu representante. 
V. O credor não é obrigado a aceitar o pagamento de prestação diversa da que lhe é devida, mesmo que seja 
mais valiosa. 
a) Somente as proposições II e IV estão corretas. 
b) Somente as proposições I e V estão incorretas. 
c) Somente a proposição III está correta. 
d) Todas as proposições estão corretas. 
e) Todas as proposições estão incorretas. 
Comentários 
O item I está correto, segundo o art. 233: “A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não 
mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso”. 
O item II está correto, na dicção do art. 248: “Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do 
devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa do dele, responderá por perdas e danos”. 
O item III está correto, conforme o art. 299: “Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que 
consinta na assunção da vívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa”. 
O item IV está correto, como prevê o art. 320: “A quitação sempre poderá ser dada por instrumento 
particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o 
tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante”. 
O item V está correto, na literalidade do art. 313: “O credor não é obrigado a aceitar o pagamento de 
prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa”. 
A alternativa D está correta, portanto. 
17. (FCC / TJ-PI – 2015) Carlos é locatário de imóvel, em contrato celebrado com Romero no polo de 
locador. Rodolfo é o fiador das obrigações locatícias, renunciando ao benefício de ordem. Carlos não pagou 
o aluguel, porque é credor de Romero em razão de outro contrato, sendo essa dívida superior ao valor dos 
aluguéis não pagos. Nesse caso, 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
69 
87 
a) o fiador recupera o benefício de ordem a que renunciou, e pode exigir que a dívida seja em primeiro lugar 
cobrada do afiançado, e não poderá pagar a dívida com desconhecimento ou oposição do afiançado, pois se 
o fizer perderá o direito de reembolso. 
b) o fiador terá de ajuizar ação de consignação em pagamento, para livrar-se da mora, alegando dúvida 
acerca da titularidade do crédito. 
c) em ação de cobrança movida por Romero, Rodolfo não pode alegar compensação, mas se ele pagar os 
aluguéis, com o conhecimento de Carlos, terá direito ao reembolso. 
d) em ação de cobrança movida por Romero, Rodolfo pode alegar compensação, mas se ele pagar os 
aluguéis, com desconhecimento ou oposição de Carlos, o afiançado não está obrigado a reembolsá-lo. 
e) ao fiador é irrelevante a possibilidade de compensação, porque só o devedor pode compensar com o 
credor o que este lhe dever, por isso, se demandado, Rodolfo terá de pagar a dívida, exceto se houver 
oposição do afiançado. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que não se “recupera” o benefício de ordem renunciado. 
A alternativa B está incorreta, porque o fiador tem outro mecanismo de defesa contra o locador-credor, 
como veremos adiante, pelo que se torna desnecessária a consignação em pagamento, no caso. 
A alternativa C está incorreta, na previsão da segunda parte do art. 371: “O devedor somente pode 
compensar com o credor o que estelhe dever; mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor 
ao afiançado”. 
A alternativa D está correta, pois Carlos poderia ilidir a ação, evitando a cobrança, a teor do art. 306: “O 
pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor, não obriga a reembolsar 
aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação”. 
A alternativa E está incorreta, dado que a segunda parte do art. 371, supramencionado, excepciona a regra 
geral prevista no art. 376 (“Obrigando-se por terceiro uma pessoa, não pode compensar essa dívida com a 
que o credor dele lhe dever”). 
18. (FUNDEP / TJ-MG – 2014) Sobre o adimplemento e a extinção das obrigações, assinale a alternativa 
INCORRETA. 
a) A novação dá-se, dentre outras formas, quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído 
ao antigo, ficando o devedor quite com este. 
b) A novação, quando se realiza por substituição do devedor, não pode ser efetuada independentemente de 
consentimento deste. 
c) A novação, operada entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair 
a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado. Os outros devedores solidários 
ficam por esse fato exonerados. 
d) Na novação, não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a segunda obrigação 
confirma simplesmente a primeira. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
70 
87 
Comentários 
A alternativa A está correta, conforme prevê o art. 360, inc. III: “Dá-se a novação quando, em virtude de 
obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este”. 
A alternativa B está incorreta, dada a previsão contrária do art. 362: “A novação por substituição do devedor 
pode ser efetuada independentemente de consentimento deste”. 
A alternativa C está correta, segundo o art. 365: “Operada a novação entre o credor e um dos devedores 
solidários, somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do 
crédito novado. Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados”. 
A alternativa D está correta, deixa claro o art. 361: “Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas 
inequívoco, a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira”. 
19. (VUNESP / TJ-SP – 2013) No que se refere à compensação, pode-se afirmar que 
a) apesar da regra geral de que o devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever, ao 
fiador é permitido compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado. 
b) tendo o art. 369 do Código Civil instituído a compensação legal, nula será a disposição contratual que não 
dê a uma das partes desse ajuste o direito de recorrer à compensação, mantendo-a, todavia, facultada à 
outra parte. 
c) se duas partes são reciprocamente credoras de quantias líquidas, mas uma das dívidas não é exigível ainda, 
enquanto a outra já o é, o credor da dívida exigível não poderá cobrá-la enquanto a outra não se tornar 
exigível. 
d) se Caio deve a Tício R$ 100,00 por conta de um mútuo que este fez àquele, e Caio ganhou aposta de Tício 
no mesmo valor, a compensação entre os débitos não poderá ser recusada nem por um e nem por outro. 
Comentários 
A alternativa A está correta, de acordo com o art. 371: “O devedor somente pode compensar com o credor 
o que este lhe dever; mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado”. 
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 375: “Não haverá compensação quando as partes, por mútuo 
acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma delas”. 
A alternativa C está incorreta, obviamente, já que o credor de dívida exigível pode a exigir, 
independentemente das demais circunstâncias creditícias ou debitórias. 
A alternativa D está incorreta, já que a dívida de jogo constitui obrigação natural, inexigível judicialmente 
(“Art. 814. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se pode recobrar a quantia, 
que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito”) e, 
portanto, incompensável sem a aquiescência da outra parte. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
71 
87 
Promotor 
20. (MPE/MS – MPE/MS – Promotor de Justiça Substituto- 2018) Considere como Verdadeiras (V) ou 
Falsas (F) as proposições a seguir: 
I. Quanto aos bens reciprocamente considerados, podemos afirmar que a pertença é um acessório sobre o 
qual não incide o princípio da gravitação jurídica. 
II. Na hipótese da inexecução de contrato, não é possível a cumulação da perda das arras com a imposição 
da cláusula penal compensatória, sob pena de ofensa ao princípio do non bis in idem. 
III. É imprescritível a ação de investigação de paternidade e a de petição de herança, por abordar direito 
fundamental, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
IV. Os juros moratórios fluem do evento danoso tão somente nos casos de responsabilidade aquiliana. 
V. A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide a partir da citação válida. 
Assinale a alternativa correta da sequência: 
a) V, V, F, F, V. 
b) V, F, V, V, V. 
c) F, V, F, F, F. 
d) F, F, V, V, V. 
e) V, V, F, V, F. 
Comentários 
O item I está correto, conforme dispõe o art. 94: “Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal 
não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das 
circunstâncias do caso”. 
O item II está correto, por força do entendimento do STJ: “É inadmissível a cumulação da cláusula penal 
compensatória com arras, prevalecendo esta última na hipótese de inexecução do contrato (REsp 
1.617.652)”. 
O item III está incorreto, segundo a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de 
paternidade, mas não o é a de petição de herança”. 
O item IV está correto, na medida do que dispõe a Súmula 54 do STJ: “Os juros moratórios fluem a partir do 
evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual”. 
O item V está incorreto, a teor da Súmula 362 do STJ: “A correção monetária do valor da indenização do 
dano moral incide desde a data do arbitramento”. 
Conclui-se, portanto, que a alternativa E está correta, na medida que apresenta a seguinte ordem: V, V, F, 
V, F. 
21. (MP-PR / MP-PR – 2018) Sobre pagamento, assinale a alternativa correta: 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 
87 
a) O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome se sub-roga nos direitos do credor. 
b) O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é sempre inválido. 
c) A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. 
d) O credor é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, se ela for mais valiosa. 
e) É ilícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, conforme dispõe o art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a dívida 
em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do 
credor”. 
A alternativa B está incorreta, de acordo com o que dita o art. 309: “O pagamento feito de boa-fé ao credor 
putativo é válido, ainda provado depois que não era credor”. 
A alternativa C está correta, pois é a transcrição literal do art. 324: “A entrega do título ao devedor firma a 
presunção do pagamento”. 
A alternativa D está incorreta, dada a disposição do art. 313: “O credor não é obrigado a receber prestação 
diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa”. 
A alternativa E está incorreta, como dispõe o art. 316: “É lícito convencionar o aumento progressivo de 
prestações sucessivas”. 
22. (MPT /MPT – 2017) Analise as seguintes proposições relativas às obrigações, segundo o Código 
Civil: 
I - A obrigação indivisível assim se mantém mesmo quando se resolva em perdas e danos. Assim, ainda que 
a culpa pelo perecimento do seu objeto seja de apenas um dos devedores, todos respondem pela 
indenização por inteiro, e aquele que assim responder sub-roga-se no direito do credor em relação aos 
demais coobrigados. 
II - Nas obrigações solidárias, a qualquer tempo poderá o devedor escolher a qual dos credores solidários 
pagar, e, sendo o pagamento integral feito pelo devedor a qualquer deles, extingue- se a obrigação. 
III - As condições adicionais que forem pactuadas entre o credor e um dos devedores solidários não poderão 
se estender aos demais devedores caso venham a agravar a situação destes, sendo, porém, permitidas se 
acompanhadas dos respectivos consentimentos. 
IV - O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome tem direito a reembolsar-se do que 
pagou, sub-rogando-se no direito do credor. 
Assinale a alternativa CORRETA: 
a) Apenas as assertivas I e IV estão corretas. 
b) Apenas as assertivas I e II estão corretas. 
c) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
73 
87 
d) Apenas a assertiva III está correta. 
Comentários 
O item I está incorreto, como estabelece o art. 263: “Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se 
resolver em perdas e danos”. 
O item II está incorreto, porque apesar de o art. 269 (“O pagamento feito a um dos credores solidários 
extingue a dívida até o montante do que foi pago”) confirmar a segunda parte da assertiva, a primeira está 
errada, a teor do art. 268 (“Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a 
qualquer daqueles poderá este pagar”), que estabelece o livre pagamento ao credor ATÉ que ele seja 
demandado por algum dos credores, e não “a qualquer tempo”. 
O item III está correto, na literalidade do art. 278: “Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, 
estipulada entre um dos devedores solidários e o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem 
consentimento destes”. 
O item IV está incorreto, dada a previsão contrária do art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a dívida 
em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do 
credor”. 
A alternativa D está correta, portanto. 
23. (MPE-SC / MPE-SC – 2016) Segundo o Código Civil, qualquer interessado na extinção da dívida pode 
pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Tal direito 
também cabe ao terceiro não interessado, desde que realize o pagamento em nome e à conta do devedor, 
salvo oposição deste. 
Comentários 
O item está correto, na literalidade rasa do art. 304 (“Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-
la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor”) cumulado com seu 
parágrafo único (“Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, 
salvo oposição deste)”. 
24. (MPT / MPT – 2012) À luz do Código Civil, assinale a assertiva INCORRETA: 
a) A compensação é um modo de extinção da obrigação. 
b) O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja 
dada. 
c) A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis; no entanto, em qualquer 
caso, as coisas fungíveis objeto das duas prestações não se compensarão, quando se verificar que diferem 
na qualidade. 
d) Salvo nos casos taxativamente previstos, a diferença de causa nas dívidas não impede a compensação. 
e) Não respondida. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
87 
Comentários 
A alternativa A está correta, na literalidade do art. 368: “Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e 
devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem”. 
A alternativa B está correta, conforme o art. 319: “O devedor que paga tem direito a quitação regular, e 
pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada”. 
A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 370: “Embora sejam do mesmo gênero as coisas 
fungíveis, objeto das duas prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, 
quando especificada no contrato”. 
A alternativa D está correta, conforme o art. 373: “A diferença de causa nas dívidas não impede a 
compensação, exceto...”. 
TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL 
Juiz 
25. (FCC / TJ-PE – 2013) A teoria do adimplemento substancial, adotada em alguns julgados, sustenta 
que: 
a) independentemente da extensão da parte da obrigação cumprida pelo devedor, manifestando este a 
intenção de cumprir o restante do contrato e dando garantia, o credor não pode pedir a sua rescisão. 
b) a prestação imperfeita, mas significativa de adimplemento substancial da obrigação, por parte do devedor, 
autoriza a composição de indenização, mas não a resolução do contrato. 
c) o cumprimento parcial de um contrato impede sua resolução em qualquer circunstância, porque a lei exige 
a preservação do contrato. 
d) a prestação imperfeita, mas significativa de adimplemento substancial da obrigação, por parte do devedor, 
autoriza apenas a resolução do contrato, mas sem a composição de perdas e danos. 
e) o adimplemento substancial de um contrato, por parte do devedor, livra-o das consequências da mora, 
no tocante à parte não cumprida, por ser de menor valor. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, porque a extensão do inadimplemento é essencial para a aplicação da teoria. 
A alternativa B está correta, aplicando-se ao cumprimento imperfeito em termos qualitativos a mesma regra 
do inadimplemento em termos quantitativos. 
A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões expostas na alternativa A. 
A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões expostas na alternativa B. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
75 
87 
A alternativa E está incorreta, já que não se afasta o dever de prestar, ainda que afastada a resolução. 
Promotor 
26. (FAPEC / MPE-MS – 2015) Tendo em vista o Livro das Obrigações, assinale a alternativa correta: 
a) A Teoria Dualista, referente ao vínculo obrigacional, dispõe que a obrigação é composta por Schuld 
(responsabilidade) e Haftung (débito). Contudo, a doutrina entende que é possível haver situações em que 
há o débito sem responsabilidade, como no caso das obrigações naturais, mas não se admite 
responsabilidade sem a existência do débito por ferir o elemento subjetivo da relação obrigacional. 
b) O instituto do duty to mitigate the loss se refere à necessidade de mitigar o agravamento da situação do 
devedor quando instado a cumprir determinada obrigação, entretanto sua aplicação foi rechaçada 
totalmente pelo Superior Tribunal de Justiça em razão de subtrair as chances reais do credor de satisfazer o 
crédito existente em seu favor. 
c) A teoria do adimplemento substancial relativiza o direito do credor de, havendo inadimplemento, pleitear 
a resolução do vínculo obrigacional, motivo pelo qual o STJ concluiu pela sua inaplicabilidade no Brasil. 
d) A novação pode ser subjetiva ativa – em que há mudança de credores – ou subjetiva passiva – em que há 
mudança de devedores –, sendo imprescindível a criação de nova obrigação. Na novação subjetiva passiva, 
ainda há a possibilidade de se mudar o devedor original, contando com a participação dele, o que configura 
a novação subjetiva passiva por delegação, ou então ocorrer a mudança de devedor sem a participação do 
antigo devedor, o que é denominado de novação subjetivapassiva por expromissão. 
e) Nas obrigações solidárias, há uma pluralidade de devedores e credores, cada um obrigado ou com direito 
ao todo da dívida. A solidariedade resulta apenas da lei, sendo os exemplos mais expressivos daquela as 
obrigações in solidum. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, exemplificando-se o débito sem responsabilidade no caso da obrigação cuja 
pretensão prescreveu (o débito permanece e se houver pagamento, com presunção de renúncia à prescrição 
por ato incompatível com seu reconhecimento) e a responsabilidade sem débito no caso da responsabilidade 
por fato de outrem, como no caso dos pais pelos danos causados pelos filhos (ao pais não têm débito, mas 
são responsáveis). O erro, portanto, está no final da assertiva. 
A alternativa B está incorreta, já que o STJ reiteradamente aplica essa teoria. 
A alternativa C está incorreta, novamente, aplicando-se a referida teoria seguidamente. Atente, porém, para 
as mudanças pelas quais a Corte passou nos últimos tempos, de modo a restringir a aplicação. 
A alternativa D está correta, sendo esse precisamente o entendimento esposado ao longo da aula a respeito 
das espécies de novação. 
A alternativa E está incorreta, e muito incorreta e incorreta em várias passagens. 1) Solidariedade pode ser 
de vários devedores OU credores, não E. 2) A solidariedade pode decorrer da vontade, não apenas da lei. 3) 
Obrigação in solidum não é exemplo de obrigação solidária. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
76 
87 
LISTAS DE QUESTÕES 
TRANSMISSÃO 
Juiz 
1. (FCC – TJ/AL – Juiz Substituto – 2019) Por conta de mútuo oneroso, João devia a Teresa a 
importância de cem mil reais. No intuito de ajudar o amigo em dificuldade, Leopoldo assumiu para si a 
obrigação de João, para o que houve expressa anuência de Teresa. Nesse caso, 
a) João ficará exonerado da dívida, salvo se Leopoldo, ao tempo da assunção, fosse insolvente e Teresa 
ignorasse essa sua condição. 
b) Leopoldo poderá opor a Teresa as exceções pessoais que competiam a João. 
c) se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito de João, sem nenhuma garantia, 
independentemente de quem a tenha prestado. 
d) preservam-se as garantias especiais originariamente dadas a Teresa por João, independentemente do 
assentimento dele. 
e) João responderá apenas pela metade da dívida, ainda que Leopoldo não cumpra a obrigação assumida 
perante Teresa. 
2. (TRF / TRF-2ª Região – 2017) Assinale a opção correta: 
a) É nula a cessão de crédito celebrada de modo verbal. 
b) A cessão de crédito celebrada por escrito particular, para que seja oponível a terceiros, deve ser levada a 
registro, em regra no Cartório de Títulos e Documentos. 
c) A validade da cessão de crédito previdenciário, no plano federal, depende de escritura pública. 
d) A assunção de débito, realizada através de escritura pública, é oponível ao credor independentemente de 
seu assentimento. 
e) As exceções comuns, não pessoais, que o devedor tenha para impugnar o crédito cedido devem ser 
comunicadas ao cessionário imediatamente após o devedor ser notificado da cessão, sob pena de não mais 
poderem ser arguidas, sem prejuízo do regresso contra o cedente. 
3. (FCC / TJ-SC – 2017) Na transmissão das obrigações aplicam-se as seguintes regras: 
I. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário 
pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por 
título gratuito, se tiver procedido de má-́fé́. 
II. Na assunção de dívida, o novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao 
devedor primitivo. 
III. Salvo estipulação em contrário, o cedente responde pela solvência do devedor. 
IV. O cessionário de crédito hipotecário só́ poderá ́ averbar a cessão no registro de imóveis com o 
consentimento do cedente e do proprietário do imóvel. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
77 
87 
V. Na assunção de dívida, se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas 
as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiro, exceto se este conhecia o vício que inquinava a 
obrigação 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
a) III, IV e V. 
b) II, III e IV. 
c) I, II e IV. 
d) I, III e V. 
e) I, II e V. 
4. (TRT-8ª Região / TRT-8ª Região – 2015) Sobre as obrigações no Código Civil Brasileiro, é CORRETO 
afirmar que: 
a) Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, com culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se 
do ato, que se obrigou a não praticar. 
b) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não se estipulou. 
c) A solidariedade na obrigação não se presume; resulta da lei, costume ou da vontade das partes. 
d) Importará renúncia da solidariedade passiva, a propositura de ação pelo credor apenas contra um ou 
alguns dos devedores. 
e) O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção 
com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não 
constar do instrumento da obrigação. 
ADIMPLEMENTO 
Juiz 
5. (CESPE – TJ/SC – Juiz Substituto – 2019) A multa estipulada em contrato que tenha por objeto evitar 
o inadimplemento da obrigação principal é denominada 
a) multa penitencial. 
b) cláusula penal. 
c) perdas e danos. 
d) arras penitenciais. 
e) multa pura e simples. 
6. (CESPE – TJ/PR – Juiz Estadual Substituto – 2019) De acordo com o Código Civil, nas consignações 
em pagamento, o ato de depósito efetuado pelo devedor faz cessar 
a) os juros da dívida e impede o levantamento do valor depositado pelo devedor até que seja aceito ou 
impugnado pelo credor. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
78 
87 
b) os riscos e os juros da dívida; uma vez declarada aceitação pelo credor, o depósito não mais pode ser 
levantado pelo devedor. 
c) os riscos, mas o juros da dívida continuam a correr até a declaração de aceitação do credor. 
d) os riscos e os juros da dívida, podendo o devedor requerer o levantamento do depósito mesmo após 
aceitação do credor. 
7. (CESPE / TJ-PA - 2019) A respeito das características das obrigações solidárias, julgue os itens 
seguintes. 
I - A impossibilidade da prestação, de forma culposa, acarreta a extinção da solidariedade passiva, em face 
da conversão da prestação originária no equivalente pecuniário e perdas e danos. 
II - A suspensão da prescrição em favor de um dos credores solidários apenas aproveita aos outros se a 
obrigação for indivisível. 
III – Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair 
a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado 
IV – O devedor que paga a um dos credores solidários se desonera da prestação, desde que exija do 
recebedor a caução de ratificação dos demais cocredores. 
Estão certos apenas os itens 
a) I e III. 
b) I e IV. 
c) II e III. 
d) I, II e IV. 
e) II, III e IV. 
 
8. (CESPE – TJ/CE – Juiz Estadual Substituto – 2018) Julgue os itens seguintes, a respeito do pagamento 
e de sua disciplina no Código Civil. 
I O credor não pode se recusar a receber pagamento parcial. 
II O pagamento pode ser feito por terceiro não interessado. 
III Se forem designados dois ou mais lugares para o pagamento, a escolha caberá ao credor. 
Assinale a opção correta. 
a) Nenhum item está certo. 
b) Apenas o item I está certo. 
c) Apenas o item III está certo. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
87 
d) Apenas os itens I e II estão certos. 
e) Apenas os itens II e III estão certos. 
9. (VUNESP / TJ-RS – 2018) André devia a quantia de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) em dinheiro 
a Mateus. Maria era fiadora de André. Mateus aceitou receber em pagamento pela dívida um imóvel 
urbano de propriedade de André, avaliado em R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) com área de 200 m2 e deu 
regular quitação. Entretanto, o imóvel estava ocupado por Pedro, que o habitava há mais de cinco anos, 
nele estabelecendo sua moradia. Pedro ajuizou ação de usucapião para obter a declaração de propriedade 
do imóvel que foi julgada procedente. Na época em que se evenceu, o imóvel foi avaliado em R$ 65.000,00 
(sessenta e cinco mil reais). A respeito dos efeitos da evicção sobre a obrigação originária, é possível 
afirmar que a obrigação originária 
a) foi extinta com a dação em pagamento. André será responsável perante Mateus pelo valor 
correspondente ao bem imóvel perdido, na época em que se evenceu. Maria está liberada da fiança 
anteriormente prestada. 
b) foi extinta com a dação em pagamento. André será responsável perante Mateus pelo valor 
correspondente ao bem imóvel perdido, na época em que houve a dação em pagamento. Maria está liberada 
da fiança anteriormente prestada. 
b) é restabelecida, mas não contará mais com a garantia pessoal prestada por Maria. Em razão da evicção, a 
obrigação repristinada terá por objeto o valor equivalente ao bem na época em que se evenceu. 
b) é restabelecida, pelo seu valor original, em razão da evicção da coisa dada em pagamento, mas sem a 
garantia pessoal prestada por Maria, tendo em vista que o credor aceitou receber objeto diverso do 
constante na obrigação originária. 
e) é restabelecida, em razão da evicção da coisa dada em pagamento, inclusive com a garantia pessoal 
prestada por Maria. Contudo, em razão da evicção, a obrigação repristinada terá por objeto o valor 
equivalente ao bem na época em que se evenceu. 
10. (ENAMAT – TST – Juiz do Trabalho Substituto – 2017) Abelardo celebrou contrato com a Papelaria 
P Ltda., por meio do qual aquele se comprometeu a solicitar e comprar desta, pelo período de vinte meses, 
uma quantidade mensal de quinhentas resmas de papel A4, razão pela qual o valor de cada resma tornou-
se bastante convidativo para o comprador, que utilizava o papel como matéria-prima para o seu exercício 
profissional. Restou acordado, também, que, se o comprador deixasse de efetuar as compras mensais 
antes do término do prazo avençado, teria que pagar multa correspondente a cinco mensalidades. 
Abelardo solicitou e comprou as resmas por dezesseis meses, momento em que deixou de as requerer, 
rompendo o contrato. A Papelaria P Ltda. ajuizou ação postulando o pagamento das cinco mensalidades 
previstas contratualmente. Nesse caso hipotético, Abelardo 
a) terá que pagar apenas quatro mensalidades, pois estas seriam as correspondentes para completar a 
vigência total do contrato, independentemente do fornecimento de resmas pela Papelaria P Ltda. 
b) fará jus à redução equitativa do montante da penalidade, em face da manutenção do equilíbrio da relação 
contratual e tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. 
c) terá que pagar as cinco mensalidades contratualmente previstas, considerando que o valor da penalidade 
não excede o valor da obrigação principal do contrato e que a autonomia da vontade autoriza a livre 
estipulação da penalidade. 
d) não precisará pagar o valor da penalidade, em face do adimplemento substancial do contrato. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
87 
e) terá que pagar o valor correspondente ao preço de mercado equivalente a duas mil resmas. 
11. (TRT-4ª REGIÃO / TRT-4ª REGIÃO (RS) – 2016) Assinale a assertiva incorreta sobre adimplemento 
e extinção das obrigações. 
a) qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios 
conducentes à exoneração do devedor 
b) é ilícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. 
c) o credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. 
d) a compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. 
e) a confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. 
12. (CESPE / TJ-AM – 2016) Em cada uma das seguintes opções, é apresentada uma situação hipotética, 
seguida de uma assertiva a ser julgada conforme institutos relacionados ao adimplemento das obrigações. 
Assinale a opção que apresenta a assertiva correta. 
a) Após ter efetuado o pagamento de determinada dívida, Lauro constatou que, antes desse pagamento, tal 
dívida se encontrava prescrita. Nessa situação, Lauro poderá requerer a restituição do valor pago, mas o 
credor só estará obrigado a devolver o principal, sem atualização monetária nem incidência de juros de mora. 
b) Em situação típica de solidariedade passiva, Jorge era credor de Matias, Pedro e Vênus, mas, verificando 
a crítica situação financeira de Matias, resolveu perdoar-lhe a dívida. Nessa situação, não pode o credor 
comum conceder remissão da dívida a apenas um dos codevedores, razão por que o perdão concedido a 
Matias alcançará Pedro e Vênus. 
c) João foi fiador de Pedro em contrato de locação e pagou a dívida inteira referente a seis meses de aluguéis 
em atraso. Nessa situação, houve sub-rogação legal e João adquiriu todos os direitos, ações, privilégios e 
garantias do credor primitivo, podendo, inclusive, consoante entendimento pacificado pelo STJ, penhorar o 
atual imóvel residencial do locatário afiançado. 
d) Verificando que seu amigo Paulo não tinha condições de quitar dívida em dinheiro contraída com Manoel, 
Carlos dirigiu-se ao credor e disse querer assumir a obrigação. Nessa situação, se Manoel aceitar Carlos como 
novo devedor, em substituição a Paulo, não será necessária a concordância deste, hipótese em que haverá 
novação subjetiva passiva por expromissão. 
e) Júlio tem direito a indenização correspondente a R$ 5.000 em razão da meação de bens comuns que 
ficaram com sua ex-cônjuge Maria. Entretanto, Júlio deve a Maria R$ 2.000 a título de alimentos. Nessa 
situação, Júlio poderá compensar as dívidas, já que, na hipótese, há reciprocidade de obrigações, sendo as 
dívidas líquidas, atuais e vencidas. 
13. (FAURGS / TJ-RS – 2016) Considere as afirmações abaixo, sobre o adimplemento da obrigação. 
I - O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome sub-roga-se nos direitos do credor, 
desde que notifique previamente o devedor e este não apresente oposição. 
II - A eficácia típica reconhecida da aplicação da teoria do adimplemento substancial é a extinção da 
obrigação nas hipóteses de pagamento parcial feito de boa-fé. 
III - O direito brasileiro, nas dívidas em dinheiro, adota o princípio do nominalismo, admitindo, contudo, que 
as partes convencionem cláusula de escala móvel. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
81 
87 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) Apenas II e III. 
14. (TRT-16ª REGIÃO / TRT-16ª REGIÃO (MA) – 2015) Em tema de obrigações: 
a) A ação de in rem verso visa à compensação das perdas e danos sofridos em razão do enriquecimento sem 
causa. 
b) O terceiro não interessado, ao realizar o pagamento da dívida de outrem em seu próprio nome, tem direito 
tanto ao reembolso do que adimpliu quanto à subrogação dos direitos do credor. 
c) Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, deverá o credor, obrigatoriamente, aceitar a coisa, 
abatido de seu preço o valor que perdeu, haja vista a ausência de culpa do devedor. 
d) O pagamento de dívida prescrita constitui-se em verdadeira renúncia do favorda prescrição pelo devedor. 
e) Em observância à vedação do enriquecimento sem causa, é vedado às partes convencionar o aumento 
progressivo das prestações sucessivas. 
15. (TRT 16ª REGIÃO / TRT-16ª REGIÃO (MA) – 2015) Examine as proposições seguintes e assinale a 
alternativa CORRETA: 
I. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não mencionados, salvo se o contrário resultar 
do título ou das circunstâncias do caso. 
II. Nas obrigações de fazer, acaso seja impossível o cumprimento da obrigação por culpa do devedor, este 
deverá ressarcir o credor por perdas e danos. 
III. Na assunção de dívida por terceiro, qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que aceite a 
assunção, interpretando-se, porém, o seu silêncio como recusa. 
IV. A quitação sempre poderá ser dada por instrumento particular, devendo designar o valor e a espécie da 
dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a 
assinatura do credor, ou do seu representante. 
V. O credor não é obrigado a aceitar o pagamento de prestação diversa da que lhe é devida, mesmo que seja 
mais valiosa. 
a) Somente as proposições II e IV estão corretas. 
b) Somente as proposições I e V estão incorretas. 
c) Somente a proposição III está correta. 
d) Todas as proposições estão corretas. 
e) Todas as proposições estão incorretas. 
16. (TRT 16ª Região / TRT-16ª Região – 2015) Examine as proposições seguintes e assinale a alternativa 
CORRETA: 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
82 
87 
I. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não mencionados, salvo se o contrário resultar 
do título ou das circunstâncias do caso. 
II. Nas obrigações de fazer, acaso seja impossível o cumprimento da obrigação por culpa do devedor, este 
deverá ressarcir o credor por perdas e danos. 
III. Na assunção de dívida por terceiro, qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que aceite a 
assunção, interpretando-se, porém, o seu silêncio como recusa. 
IV. A quitação sempre poderá ser dada por instrumento particular, devendo designar o valor e a espécie da 
dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a 
assinatura do credor, ou do seu representante. 
V. O credor não é obrigado a aceitar o pagamento de prestação diversa da que lhe é devida, mesmo que seja 
mais valiosa. 
a) Somente as proposições II e IV estão corretas. 
b) Somente as proposições I e V estão incorretas. 
c) Somente a proposição III está correta. 
d) Todas as proposições estão corretas. 
e) Todas as proposições estão incorretas. 
17. (FCC / TJ-PI – 2015) Carlos é locatário de imóvel, em contrato celebrado com Romero no polo de 
locador. Rodolfo é o fiador das obrigações locatícias, renunciando ao benefício de ordem. Carlos não pagou 
o aluguel, porque é credor de Romero em razão de outro contrato, sendo essa dívida superior ao valor dos 
aluguéis não pagos. Nesse caso, 
a) o fiador recupera o benefício de ordem a que renunciou, e pode exigir que a dívida seja em primeiro lugar 
cobrada do afiançado, e não poderá pagar a dívida com desconhecimento ou oposição do afiançado, pois se 
o fizer perderá o direito de reembolso. 
b) o fiador terá de ajuizar ação de consignação em pagamento, para livrar-se da mora, alegando dúvida 
acerca da titularidade do crédito. 
c) em ação de cobrança movida por Romero, Rodolfo não pode alegar compensação, mas se ele pagar os 
aluguéis, com o conhecimento de Carlos, terá direito ao reembolso. 
d) em ação de cobrança movida por Romero, Rodolfo pode alegar compensação, mas se ele pagar os 
aluguéis, com desconhecimento ou oposição de Carlos, o afiançado não está obrigado a reembolsá-lo. 
e) ao fiador é irrelevante a possibilidade de compensação, porque só o devedor pode compensar com o 
credor o que este lhe dever, por isso, se demandado, Rodolfo terá de pagar a dívida, exceto se houver 
oposição do afiançado. 
18. (FUNDEP / TJ-MG – 2014) Sobre o adimplemento e a extinção das obrigações, assinale a alternativa 
INCORRETA. 
a) A novação dá-se, dentre outras formas, quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído 
ao antigo, ficando o devedor quite com este. 
b) A novação, quando se realiza por substituição do devedor, não pode ser efetuada independentemente de 
consentimento deste. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
83 
87 
c) A novação, operada entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair 
a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado. Os outros devedores solidários 
ficam por esse fato exonerados. 
d) Na novação, não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a segunda obrigação 
confirma simplesmente a primeira. 
19. (VUNESP / TJ-SP – 2013) No que se refere à compensação, pode-se afirmar que 
a) apesar da regra geral de que o devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever, ao 
fiador é permitido compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado. 
b) tendo o art. 369 do Código Civil instituído a compensação legal, nula será a disposição contratual que não 
dê a uma das partes desse ajuste o direito de recorrer à compensação, mantendo-a, todavia, facultada à 
outra parte. 
c) se duas partes são reciprocamente credoras de quantias líquidas, mas uma das dívidas não é exigível ainda, 
enquanto a outra já o é, o credor da dívida exigível não poderá cobrá-la enquanto a outra não se tornar 
exigível. 
d) se Caio deve a Tício R$ 100,00 por conta de um mútuo que este fez àquele, e Caio ganhou aposta de Tício 
no mesmo valor, a compensação entre os débitos não poderá ser recusada nem por um e nem por outro. 
Promotor 
20. (MPE/MS – MPE/MS – Promotor de Justiça Substituto- 2018) Considere como Verdadeiras (V) ou 
Falsas (F) as proposições a seguir: 
I. Quanto aos bens reciprocamente considerados, podemos afirmar que a pertença é um acessório sobre o 
qual não incide o princípio da gravitação jurídica. 
II. Na hipótese da inexecução de contrato, não é possível a cumulação da perda das arras com a imposição 
da cláusula penal compensatória, sob pena de ofensa ao princípio do non bis in idem. 
III. É imprescritível a ação de investigação de paternidade e a de petição de herança, por abordar direito 
fundamental, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
IV. Os juros moratórios fluem do evento danoso tão somente nos casos de responsabilidade aquiliana. 
V. A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide a partir da citação válida. 
Assinale a alternativa correta da sequência: 
a) V, V, F, F, V. 
b) V, F, V, V, V. 
c) F, V, F, F, F. 
d) F, F, V, V, V. 
e) V, V, F, V, F. 
21. (MP-PR / MP-PR – 2018) Sobre pagamento, assinale a alternativa correta: 
a) O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome se sub-roga nos direitos do credor. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
84 
87 
b) O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é sempre inválido. 
c) A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. 
d) O credor é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, se ela for mais valiosa. 
e) É ilícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. 
22. (MPT / MPT – 2017) Analise as seguintes proposições relativas às obrigações, segundo o Código 
Civil: 
I - A obrigação indivisível assim se mantém mesmo quando se resolva em perdas e danos. Assim, ainda que 
a culpa pelo perecimento do seu objeto seja de apenas um dos devedores, todos respondem pela 
indenização por inteiro, e aquele que assim responder sub-roga-se no direitodo credor em relação aos 
demais coobrigados. 
II - Nas obrigações solidárias, a qualquer tempo poderá o devedor escolher a qual dos credores solidários 
pagar, e, sendo o pagamento integral feito pelo devedor a qualquer deles, extingue- se a obrigação. 
III - As condições adicionais que forem pactuadas entre o credor e um dos devedores solidários não poderão 
se estender aos demais devedores caso venham a agravar a situação destes, sendo, porém, permitidas se 
acompanhadas dos respectivos consentimentos. 
IV - O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome tem direito a reembolsar-se do que 
pagou, sub-rogando-se no direito do credor. 
Assinale a alternativa CORRETA: 
a) Apenas as assertivas I e IV estão corretas. 
b) Apenas as assertivas I e II estão corretas. 
c) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas. 
d) Apenas a assertiva III está correta. 
23. (MPE-SC / MPE-SC – 2016) Segundo o Código Civil, qualquer interessado na extinção da dívida pode 
pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Tal direito 
também cabe ao terceiro não interessado, desde que realize o pagamento em nome e à conta do devedor, 
salvo oposição deste. 
24. (MPT / MPT – 2012) À luz do Código Civil, assinale a assertiva INCORRETA: 
a) A compensação é um modo de extinção da obrigação. 
b) O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja 
dada. 
c) A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis; no entanto, em qualquer 
caso, as coisas fungíveis objeto das duas prestações não se compensarão, quando se verificar que diferem 
na qualidade. 
d) Salvo nos casos taxativamente previstos, a diferença de causa nas dívidas não impede a compensação. 
e) Não respondida. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
85 
87 
TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL 
Juiz 
25. (FCC / TJ-PE – 2013) A teoria do adimplemento substancial, adotada em alguns julgados, sustenta 
que: 
a) independentemente da extensão da parte da obrigação cumprida pelo devedor, manifestando este a 
intenção de cumprir o restante do contrato e dando garantia, o credor não pode pedir a sua rescisão. 
b) a prestação imperfeita, mas significativa de adimplemento substancial da obrigação, por parte do devedor, 
autoriza a composição de indenização, mas não a resolução do contrato. 
c) o cumprimento parcial de um contrato impede sua resolução em qualquer circunstância, porque a lei exige 
a preservação do contrato. 
d) a prestação imperfeita, mas significativa de adimplemento substancial da obrigação, por parte do devedor, 
autoriza apenas a resolução do contrato, mas sem a composição de perdas e danos. 
e) o adimplemento substancial de um contrato, por parte do devedor, livra-o das consequências da mora, 
no tocante à parte não cumprida, por ser de menor valor. 
Promotor 
26. (FAPEC / MPE-MS – 2015) Tendo em vista o Livro das Obrigações, assinale a alternativa correta: 
a) A Teoria Dualista, referente ao vínculo obrigacional, dispõe que a obrigação é composta por Schuld 
(responsabilidade) e Haftung (débito). Contudo, a doutrina entende que é possível haver situações em que 
há o débito sem responsabilidade, como no caso das obrigações naturais, mas não se admite 
responsabilidade sem a existência do débito por ferir o elemento subjetivo da relação obrigacional. 
b) O instituto do duty to mitigate the loss se refere à necessidade de mitigar o agravamento da situação do 
devedor quando instado a cumprir determinada obrigação, entretanto sua aplicação foi rechaçada 
totalmente pelo Superior Tribunal de Justiça em razão de subtrair as chances reais do credor de satisfazer o 
crédito existente em seu favor. 
c) A teoria do adimplemento substancial relativiza o direito do credor de, havendo inadimplemento, pleitear 
a resolução do vínculo obrigacional, motivo pelo qual o STJ concluiu pela sua inaplicabilidade no Brasil. 
d) A novação pode ser subjetiva ativa – em que há mudança de credores – ou subjetiva passiva – em que há 
mudança de devedores –, sendo imprescindível a criação de nova obrigação. Na novação subjetiva passiva, 
ainda há a possibilidade de se mudar o devedor original, contando com a participação dele, o que configura 
a novação subjetiva passiva por delegação, ou então ocorrer a mudança de devedor sem a participação do 
antigo devedor, o que é denominado de novação subjetiva passiva por expromissão. 
e) Nas obrigações solidárias, há uma pluralidade de devedores e credores, cada um obrigado ou com direito 
ao todo da dívida. A solidariedade resulta apenas da lei, sendo os exemplos mais expressivos daquela as 
obrigações in solidum. 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
86 
87 
GABARITOS 
TRANSMISSÃO 
Juiz
1. TJ/AL A 
2. TRF-2ª R B 
3. TJ-SC E 
4. TRT-8ª R E 
ADIMPLEMENTO 
Juiz
5. TJ/SC B 
6. TJ/PR B 
7. TJ-PA C 
8. TJ-RS E 
9. TJ-RS D 
10. TST B 
11. TRT-4ª R B 
12. TJ-AM D 
13. TJ-RS C 
14. TRT-16ª (MA) D 
15. TRT-16ª (MA) D 
16. TRT-16ª R D 
17. TJ-PI D 
18. TJ-MG B 
19. TJ-SP A 
Promotor 
20. MPE/MSE 
21. MP-PR C 
22. MPT D 
23. MPE-SC C 
24. MPT C 
TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601
 
 
 
 
 
 
 
 
 
87 
87 
Juiz
25. TJ-PE B 
Promotor 
26. MPE-MS D 
Paulo H M Sousa
Aula 09
Direito Civil p/ Magistratura Estadual 2021 (Curso Regular)
www.estrategiaconcursos.com.br
1964601

Mais conteúdos dessa disciplina