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Brasília-DF. 
Educação para SaúdE pública 
E comunitária
Elaboração
Cintia Lupin Dimer
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APrESEntAção .................................................................................................................................. 4
orgAnizAção do CAdErno dE EStudoS E PESquiSA ..................................................................... 5
introdução ..................................................................................................................................... 7
unidAdE úniCA
Educação Em SaúdE Pública E comunitária .................................................................................. 9
CAPítulo 1
razõES Para EnSinar ............................................................................................................ 9
CAPítulo 2
o quE EnSinar .................................................................................................................... 16
CAPítulo 3
como EnSinar ................................................................................................................... 26
PArA (não) FinAlizAr ...................................................................................................................... 43
rEFErênCiAS .................................................................................................................................... 44
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem 
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela 
atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade 
de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos 
a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma 
competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para 
vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar 
sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a 
como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de 
forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões 
para refl exão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao 
fi nal, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e 
pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos 
e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a � m de que o aluno faça uma pausa e re� ita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele veri� que seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
re� exões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, � lmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
6
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Exercício de � xação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e � xação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não 
há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, 
que visam veri� car a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única 
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber 
se pode ou não receber a certi� cação.
Para (não) � nalizar
Texto integrador, ao � nal do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
introdução
A área de Saúde Público está invariavelmente atrelada ao ensino. Não há como trabalharmos 
questões relevantes à comunidade, sem que a educação esteja presente. 
Estamos falando de promoção de saúde, de apresentar conceitos e remover mitos e informações 
inadequadas, de tal forma a permitir que cada cidadão possa agir como um agente de saúde dentro 
da própria comunidade, ampliando o alcance dos profissionais e equipes multidisciplinares de 
Saúde Pública e permitindo dessa forma transmissão de conhecimentos e o estabelecimento de uma 
cultura voltada para a prevenção e a resolução de problemas que atingem toda a região. 
Vamos ao trabalho!
objetivos
 » Compreender o porquê do profissional de saúde ser também educador, o que deve 
ser ensinado e como os conhecimentos devem ser transmitidos. 
 » Compreender a importância do tema Saúde Pública. 
 » Apresentar instrumentos pedagógicos aplicados pelo profissional de saúde pública. 
9
unidAdE úniCA
EduCAção Em 
SAúdE PúbliCA E 
ComunitáriA
CAPítulo 1
razões para ensinar
Ensina-me
Quando era novo, mandei fazer numa tábua 
A canivete e nanquim a figura dum velho 
A coçar-se no peito por causa da sarna, 
Mas de olhar implorativo porque esperava que o ensinassem. 
Uma segunda tábua para o outro canto do quarto, 
Que devia representar um moço a ensiná-lo, 
Nunca mais foi feita. 
Quando era novo tinha a esperança 
De encontrar um velho que se deixasse ensinar. 
Quando for velho, espero 
Que se encontre um moço e eu 
Me deixe ensinar. 
Bertold Brecht, in ‘Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas’ . Tradução de Paulo 
Quintela.
Para encontrarmos as razões para ensinarmos, talvez um bom raciocínio seja nos perguntarmos por 
que devemos aprender. 
De uma forma intuitiva, podemos rapidamente responder que, se não tivéssemos a capacidade de 
aprendizagem, jamais teríamos passado para as fases seguintes da vida, construindo e carregando 
experiências, valores e conhecimento, talvez nosso maior patrimônio. Conhecer, no entanto, não é o 
mesmo que memorizar ou decorar, tampouco significa um processo passivo de absorção do que está 
sendo ensinado, como se fosse uma esponja.
10
unidAdE úniCA │ EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA
Aprender é muito mais. Uma das defi nições do dicionário Michaelis para aprendizado é:
“Denominação geral dada a mudanças permanentes de comportamento como 
resultado de treino ou experiência anterior; processo pelo qual se adquirem 
essas mudanças”.
Percebam que estamos falando de um processo que implica mudanças, que são permanentes, 
comportamentais e que não são simplesmente copiadas de algum lugar, mas fruto de treinamento 
ou experiência prévia. Neste momento, alguém poderia reclamar da palavra “permanente”, pois dá 
a ideia de ser imutável. Não é bem assim. A mudança, ao ser dita como permanente, signifi ca que, 
após uma experiência, ninguém fi ca impassível ao que foi experimentado, seja de forma positiva 
ou não. Assim, a mudança se dá. Rever opiniões e valoresnão signifi ca que a mudança não existiu.
Para exemplifi car, vamos dar um exemplo. Imaginem que vocês estão no meio de um jardim 
maravilhoso, com muitas árvores e fl ores. De forma súbita, um grande vento passa no local, 
espalhando as folhas e tudo que está na sua frente. Uma mudança ocorreu. Este momento não pode 
voltar atrás. Vocês podem então resolver limpar o jardim e deixá-lo como estava anteriormente, 
mas a mudança já ocorreu. A experiência já foi vivida e de forma permanente será parte de sua vida.
O mesmo se dá com o aprendizado. Quem aprendeu a ler e a escrever, em condições normais, jamais 
deixará de ser alfabetizado. Pode até não querer ler mais nada, mas a mudança já se processou e de 
forma permanente. Entenderam? É neste sentido, de experiência vivida e de transformações que o 
aprendizado se, faz permanente.
Qual a primeira coisa que aprendemos? É difícil dizer, sobretudo porque não nos lembramos, mas é 
fato que apenas com muito treino e perseverança conseguimos nos tornar eretos e caminharmos. Já 
perceberam as difi culdades para uma criança aprender a dar os primeiros passos? O que aconteceria 
se, na primeira queda, nós desistíssemos de caminhar?
Na internet há diversos vídeos disponíveis, na qual encontramos crianças tentando se equilibrar 
e dando os primeiros passos com muita difi culdade. Um dos vídeos, que acabou se tornando um 
clássico na internet, mostra a tentativa de uma linda menininha tentando utilizar seu vocabulário, 
ainda reduzido, para negociar com seu pai. Ela ainda não consegue se expressar direito, mas não 
deixa de reivindicar.
Alguns programas de auditório voltados para que as pessoas demonstrem suas habilidades artísticas 
têm revelado as que, em princípio, parecem estar no local errado. Infelizmente, o julgamento da 
aparência desses candidatos tem sido muito forte. Mas conhecemos o caso em que o mundo se 
rendeu maravilhado à voz de uma mulher que não apresentava o conceito clássico de beleza física, 
se mostrava simples e foi motivo de riso, até começar a cantar. Estamos falando de Susan Boyle e 
como este, muitos outros exemplos podem ser encontrados.
Por que será que as pessoas tinham esse pré-julgamento? De que forma ele pode 
interferir na aprendizagem? Será que não agimos assim, com frequência? De que 
forma o pré-julgamento pode di� cultar o trabalho da saúde pública?
11
EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA │ unidAdE úniCA
Geralmente quando vamos a um circo ou a algum espetáculo de magia, nos encantamos a tal ponto 
de acreditarmos na mágica, assim como aplaudimos mesmo quando a cena dá errada. Por quê? 
Pelo esforço de algo extraordinário que está sendo tentado. Mas quantas coisas extraordinárias são 
feitas todos os dias que não valorizamos? Em uma comunidade, não é extraordinário que pessoas 
se dediquem aos trabalhos voluntários para ajudar a coletividade? E o esforço de ser alfabetizado 
depois de idoso?
Encontramos com frequência exemplos de esforço associado com a habilidade, com exaustivos 
treinamentos, que devem ser admirados, vindos de situações que encontramos ao nosso redor, com 
fantásticas histórias de superação.
Temos ainda situações de aprendizado que buscam se aproximar da realidade de tal forma, a 
simular atendimentos em saúde, sobretudo em emergência, como nos cursos de Suporte de Vida, 
que utiliza manequins, dramatização e equipamentos reais. Todos profissionais de saúde devem 
realizar treinamentos e simulações com frequência.
Há, portanto, muitas razões para aprendermos algo novo e ninguém sabe o suficiente a ponto de não 
ter nada mais que aprender.
Já que discutimos o porquê de aprender, agora vamos estudar o porquê de ensinar.
Não há como aprendermos se não houver alguém disposto a ensinar, como também se não houver 
condições necessárias para tanto.
Para que o processo de ensino-aprendizagem possa ocorrer, algumas condições devem estar 
presentes.
1. Pessoa devidamente capacitada para o que se propõe a ensinar. Um músico 
pode ser um excelente professor de música e não saber quase nada de matemática. 
Se, no entanto, ele vai ensinar música, é o suficiente. Quando estamos discutindo a 
questão do ensino na Saúde Pública, sobretudo no que diz respeito a ensinar boas 
práticas sanitárias à comunidade, não estamos falando de ensino formal. Assim, 
desde que devidamente capacitado, o morador deve ser um importante elemento 
disseminador de informações para os que ali residem, atuando como “braço” dos 
profissionais de saúde.
2. Pessoas motivadas a aprender. Podemos ter excelentes professores, no 
entanto, se o tema a ser ensinado não for estimulante o suficiente para as pessoas, 
não haverá alunos. Muitas vezes nós acreditamos que o que temos para ensinar 
é muito importante e com frequência, é mesmo, mas se não houver um trabalho 
bem feito de sensibilização, poderá não haver a percepção por parte do aluno, com 
relação à necessidade de aprender. Imaginem uma situação, em que profissionais 
de saúde convoquem a comunidade de uma determinada região para uma reunião. 
Lá informam a todos, que eles precisam atuar de tal forma a combater o mosquito 
da dengue. Pedem colaboração de todos e vão embora. Se não explicarem, na 
12
unidAdE úniCA │ EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA
linguagem da população, o que é dengue, como se transmite, como se previne e as 
consequências, provavelmente não haverá sensibilização.
Em 1904, o Brasil viveu uma situação muito interessante e que pode retratar bem a questão do 
convencimento da população. Naquele ano, o governo brasileiro acertadamente determinou que 
a vacinação contra a varíola seria obrigatória. Àquela época, as condições sanitárias eram muito 
precárias, inclusive em grandes cidades, como o Rio de Janeiro. As epidemias eram comuns, como 
a Febre Amarela, a Varíola, entre outras. O Presidente da República era Rodrigues Alves, que veio a 
falecer antes de assumir o segundo mandato, vítima da chamada “Gripe Espanhola”.
A ideia da imunização compulsória foi do então chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública, 
o sanitarista Oswaldo Cruz.
Não existia, na época, a televisão. Os meios, portanto, de divulgação e conscientização da população 
quanto à necessidade da vacina e os riscos da doença eram muito precários. As pessoas não sabiam 
direito o que era a vacina e os agentes encarregados da imunização, muitas vezes, invadiam 
residências e pegavam as pessoas à força, o que levou à revolta da população. O descontentamento 
com o Presidente já era latente por outras razões, sobretudo a econômica, e a obrigatoriedade da 
vacinação levou a população às ruas, em um clima de desordem, com destruição de bondes, bens 
públicos, levando à revogação da lei e à convocação das Forças Armadas para que enfrentassem a 
crise. O saldo foi de 30 mortos, 110 feridos e mais de 1.000 detidos. Naturalmente que houve o 
interesse da oposição em explorar o episódio e havia uma tentativa de Golpe de Estado, em curso, 
que acabou sendo frustrada. Vejam como a falta de esclarecimentos e o desconhecimento, podem 
levar à graves consequências. A população não conhecia bem o que causava as doenças, em especial 
a Febre Amarela e a Varíola. Essa foi a primeira Campanha de Vacinação a ser empreendida pelo 
governo e, no entanto, não foram prestados os devidos esclarecimentos. Graças às ações de Oswaldo 
Cruz e dos profissionais de saúde da época, essas e outras doenças foram controladas nos anos 
seguintes.
3. Canal de comunicação eficiente. O que é um canal de comunicação? Quando 
enviamos alguma mensagem, temos um agente emissor e para que ela seja recebida, 
devemos ter um agente receptor.
Um sistema de comunicação, além do emissor e do receptor, deve ter uma fonte de informação e um 
canal de transmissão. A informação necessita ter as seguintes características.
 » Clara. Não pode dar margens à dúvidas, que, se existentes, devem ser sanadas.
 » Confiável. É fundamental que o que está sendo ensinado seja de fonte segura e, 
portanto, a informação esteja correta.» Interessante. Deve despertar curiosidade e atenção de quem irá aprender.
 » Coerente. Deve seguir uma linha que “faça sentido” com o contexto e com as ações 
que estão sendo ensinadas.
13
EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA │ unidAdE úniCA
 » Adequada. Deve ser voltada para a público-alvo, em todos aspectos, sobretudo a 
linguagem e nível de complexidade adotados.
 » Oportuna. Deve existir uma razão clara sobre o porquê do tema estar sendo 
ensinado. Em que contexto está inserido?
 » Adaptável. Deve permitir a adaptação conforme o público a ser ensinado.
Entre os principais problemas na transmissão do conhecimento ou de qualquer informação, 
podemos encontrar o que chamamos de vícios, que podem ser oriundos da emissão, da transmissão 
ou da recepção. São vícios de emissão quando a mensagem, por exemplo, não é clara ou gera 
ambiguidades. Na transmissão, uma série de problemas podem surgir, desde os decorrentes do 
meio físico (microfone não funciona, ruídos de transmissão etc.), como também os de recepção 
(informação inoportuna, não adequada, não compreendida etc.). 
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unidAdE úniCA │ EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA
No chamado Processo de Comunicação de Kotler, temos o seguinte esquema.
Figura 1. os elementos do processo de comunicações.
Emissor Codi�cador Mensagem Decodi�cador Receptor
Feedback
RUÍDO
Resposta
Fonte: KottlEr, 2000, p. 571. 
4. Recursos pedagógicos adequados. O que será utilizado para auxiliar na 
transmissão do conteúdo? A comunidade possui um auditório? É adequado, viável, 
oportuno e de fácil utilização, o uso de computador com projeção? O professor sabe 
usar essa ferramenta? O recurso é sempre uma ferramenta e jamais pode ser mais 
importante do que o conteúdo e a capacitação do professor. Não é possível a projeção? 
Que tal a dramatização? Ou o trabalho em grupos? Há muitas possibilidades como 
veremos mais adiante. 
Por que ensinar na área de Saúde Pública? Por que os profissionais de saúde devem atuar como 
tutores, professores ou monitores?
 » As atividades de saúde, sobretudo as preventivas, são mais efetivas quando há uma 
“cultura de prevenção”.
 » As culturas surgem a partir da compreensão e aceitação de determinados valores, 
comuns àquela comunidade que, ao serem replicados, passam a fazer parte dos 
“pilares” daquela população.
 » A área de Prevenção, na Saúde Pública, é essencial em uma série de ações, que vão 
das medidas sanitárias mais elementares à imunização, à preparação e resposta em 
desastres, entre outras.
 » Não há profissionais de saúde disponíveis o tempo todo e em todos locais onde 
se faz necessário, sendo fundamental que o conhecimento seja compartilhado e 
disseminado por agentes da comunidade.
 » O conhecimento adotado e repassado por pessoas da comunidade pode ser visto 
com mais confiança e tais agentes conhecem os pontos mais vulneráveis e as pessoas 
mais reticentes da comunidade.
15
EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA │ unidAdE úniCA
 » As informações transmitidas por profi ssionais de saúde desfazem mitos e permitem 
que o aprendizado seja mais confi ável e atualizado.
 » Ao repassar informações e compartilhar conhecimento, o profi ssional de saúde está 
também se reciclando e se atualizando.
Poderíamos citar muitas outras vantagens. Vocês se lembram de outras? Já tiveram a 
oportunidade de participar de projetos em comunidades? Como foi sua experiência? 
Re� ita e lembre-se do que foi positivo e o porquê dos pontos negativos. Como vocês 
se sentiram? O que poderia ser melhorado em uma próxima ação?
16
CAPítulo 2
o que ensinar
Aprender 
Depois de algum tempo você aprende a diferença, 
A sutil diferença entre dar uma mão e acorrentar uma alma, 
E você aprende que amar não é apoiar-se 
E que companhia nem sempre significa segurança, 
E começa aprender que beijos não são contratos, 
E presentes não são promessas. 
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, 
Com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança, 
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, 
Porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, 
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. 
Aprende que falar pode curar dores emocionais. 
Descobre que se leva anos para construir uma confiança 
E apenas segundos para destruí-la. 
E que você pode fazer coisas em um instante, 
Das quais se arrependerá pelo resto de sua vida. 
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer 
Mesmo a longa distância, 
E o que importa não é o que você tem na vida, 
Mas quem você tem na vida. 
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. 
Aprende que não temos que mudar de amigos 
Se compreendermos que os amigos mudam.
Percebe que o seu melhor amigo e você 
17
Educação Em SaúdE Pública E comunitária │ unidadE única
Podem fazer qualquer coisa ou nada 
E terem bons momentos juntos. 
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame 
Não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode,
Pois existem pessoas que nos amam, 
Mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver com isso. 
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém.
Algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com mesma severidade com que você julga 
Você será em algum momento condenado. 
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, 
O mundo não para para que você o conserte.
Aprende que tempo é algo que não pode voltar para trás, 
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, 
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. 
E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, 
E que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. 
E que a vida realmente tem valor, 
E que você tem valor diante da vida. 
E você finalmente aprende que nossas dúvidas são traidoras 
E nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, 
Se não fosse o medo de tentar... 
William Shakespeare
Este é um belo poema, que permite muitas reflexões... 
O que ensinar em Saúde Pública? Esta poderia ser uma pergunta que poderia parecer óbvia, mas 
não é. São muitos temas e assuntos e há necessidade de estabelecermos algumas prioridades, mas 
ao mesmo tempo, deixar espaço para temas que sejam necessários, dadas as características de cada 
comunidade. 
Vamos dar um exemplo. Imaginem uma comunidade que esteja bem próxima de uma área de 
grande risco pela presença de tanques de combustível ou indústrias. Na verdade, não deveria nem 
18
UNIDADE ÚNICA │ EDUCAção Em SAÚDE PÚblICA E ComUNItárIA
ter pessoas morando ali, mas, na prática, existe uma grande comunidade. É fundamental que essas 
pessoas saibam o que fazer diante de emergências, de vazamentos de combustível, bem como na 
prevenção de acidentes. 
Da mesma forma, o mundo inteiro está acompanhando, com perplexidade, o vazamento radioativo, 
no norte do Japão, decorrente de forte terremoto, seguido de Tsunami, em 11 de março de 2011, nas 
usinas nucleares de Fukushima. 
Várias lições serão tiradas desse triste episódio, mas uma delas é fácil de ser observada: o quanto a 
preparação é importante. Em 2004, um terremoto da mesma magnitude provocou tsunami no Oceano 
Índico e atingiu diversas regiões costeiras de diferentes países. Mais de 200. 000 pessoas perderam 
suas vidas, sobretudo pela falta de sistemas de alerta, de alarme e despreparo da população que não 
sabia o que fazer. No Japão, em 2011, o número de mortos em 29/3 era de 11. 000, com cerca de 16. 000 
desaparecidos. É uma tragédia sem precedentes naquele país, mas com um número de fatalidades dez 
vezes menor que o de 2004, e o grande responsável por essa diferença está no preparo da população 
japonesa para desastres naturais. Com relação aos que residem próximos às usinas nucleares, todos 
recebem treinamento de evacuação da região e os japoneses aprendem desde cedo, como agir em 
terremotos. Isso faz uma grande diferença. Ainda que, em desastrescom magnitude muito elevada, seja 
impossível evitar mortes, certamente muitas vidas foram poupadas. 
E o que dizer das tragédias relacionadas aos desmoronamentos decorrentes das chuvas e enchentes 
que assistimos todos os anos no verão, em nosso país? Como vocês, profissionais de Saúde Pública, 
atuariam de forma preventiva na região? Quem se lembra da tragédia de Itajaí, em 2008? E o que 
dizer das enchentes no Rio de Janeiro, em 2011? E o furacão Catarina, no sul do Brasil, em 2004?
Nos programas de Promoção da Saúde do Ministério da Saúde estão presentes as doenças mais 
prevalentes na população e que precisam ser prevenidas.
 » Doenças cardiovasculares
 » Trauma
 » Diabetes
 » Prevenção do câncer de mama
 » Prevenção do câncer de útero
 » Prevenção do câncer de próstata
 » Combate ao tabagismo
 » Incentivo à prática de atividades físicas
 » Promoção de alimentação saudável e combate a obesidade
 » Imunização da criança e do adulto
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EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA │ unidAdE úniCA
 » Incentivo à amamentação 
 » Incentivo ao pré-natal
 » Combate à mortalidade infantil
 » Combate das epidemias e endemias
 » Orientação a gestantes
 » Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis
 » Prevenção de Parasitoses e doenças infecto-contagiosas
 » Promoção de ações sanitárias básicas
 » Prevenção contra o uso de drogas
Só aqui temos trabalho para muito tempo, não? Quantos temas importantes... 
Como está a dengue em sua região? De que forma a comunidade está sendo 
mobilizada para ajudar nos esforços de controle da doença? Como o pro� ssional 
de saúde pública, no papel de educador, pode contribuir nesse processo?
Este é um exemplo em que é fundamental a ação dos profi ssionais de saúde, mas com o apoio da 
comunidade. Se não houver sensibilização e convencimento, é uma causa perdida. Lembram-se do 
que falamos sobre a Revolta da Vacina?
É fundamental que o profi ssional de Saúde Pública esteja capacitado a fornecer informações 
atualizadas e tirar as dúvidas da comunidade.
Todo profi ssional de saúde, é por natureza, um educador e deve ser um bom comunicador!
E a Gripe por H1N1? A gripe, chamada de “suína”, chegou a ser considerada 
Pandemia pela Organização Mundial de Saúde e embora a vacina tenha surgido 
e boa parte da população imunizada, como foram as campanhas? Vocês se 
lembram? Que críticas têm a fazer com relação à prevenção e ao combate em 
sua região? O que foi positivo? O que deveria ser modi� cado em campanhas 
futuras?
1. Relacione os pontos positivos e os negativos, com relação às medidas 
preventivas e de resposta às epidemias da dengue e da gripe H1N1, com 
base no papel de educador do pro� ssional de saúde pública. 
2. Se você fosse gestor, o que mudaria?
20
unidAdE úniCA │ EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA
3. As campanhas de esclarecimento da população têm sido adequadas?
4. A população deve ser atualizada sobre a evolução da epidemia ou isso irá 
apenas aumentar o pânico?
É importante que fi que claro que o profi ssional de saúde só pode prestar informações se estiver 
seguro e atualizado quanto ao que vai ser dito. 
Começamos a lista dos temas importantes, nos referindo às doenças cardiovasculares, principais 
causas de mortalidade em nosso país.
Mas o que deve ser abordado? O que pode ser prevenido? Sabemos que o principal fator de risco 
modifi cável no acidente vascular cerebral é o tabagismo. Uma das primeiras ações, portanto, deve 
ser o combate ao tabagismo. Como fazermos isto, discutiremos no capítulo seguinte. 
O que mais pode ser abordado? O incentivo à alimentação saudável (visando à diminuição do 
colesterol, à prevenção da diabetes, da síndrome metabólica, bem como da obesidade), à prática 
desportiva, ao stress descabido (ele é fundamental para que vivamos, já que é uma reação normal 
do organismo e necessária à tomada de decisões, mas não o chamado distress, que é o stress que nos 
faz mal). Para combate ao stress, que está muitas vezes associado à má alimentação, à ansiedade, 
a distúrbios do sono, ao tabagismo, à hipertensão arterial, há muitas medidas que podem ser 
propostas. 
Leiam estes artigos sobre stress:
LIPP, Marilda. Controle do estresse e hipertensão arterial sistêmica. Revista 
Brasileira Hipertens, vol. 14(2): 89-93, 2007.
Falamos também do trauma, principal causa de mortalidade entre os jovens. Prevenir o trauma é 
apenas pedir para as pessoas que, ao beberem, não dirijam? Certamente que não. O alcoolismo é uma 
doença que traz inúmeros problemas, desde a dependência do álcool, que já é grave, até o quadro 
demencial, além de doenças hepáticas graves e importante desagregação social e psíquica. É também 
um dos principais fatores de risco para acidentes domésticos, quedas, acidentes automobilísticos, 
incluindo atropelamentos, como também violência. 
Por que será que em locais onde a criminalidade está aumentando, uma das 
medidas a serem tomadas, na região, é coibir o consumo de bebida alcoólica 
após determinada hora? É comum assistirmos, em reportagens jornalísticas, 
jovens em frente às faculdades, ingerindo bebidas alcoólicas na rua, ao invés 
de estarem em sala de aula. De que forma, você avalia que essa é uma condição 
de saúde pública? As faculdades devem ter alguma responsabilidade nessa 
questão? Como abordar esses jovens, com vistas a reduzir o consumo de bebidas 
e evitar acidentes?
21
EduCAção Em SAúdE PúbliCA E ComunitáriA │ unidAdE úniCA
De que forma, vocês, pro� ssionais de saúde pública, podem ajudar no combate ao 
alcoolismo?
O que é uso recreativo, moderado e abusivo do álcool? 
Como abordar a questão nas comunidades?
As campanhas devem ser visualmente agressivas, mostrando o resultado da 
combinação trágica de direção com o álcool ou mais leves?
Os pais devem ser envolvidos na discussão sobre o alcoolismo dos jovens?
O tema da dependência do álcool remete-nos também ao uso de outras substâncias e a dependência 
química. 
Uma forma interessante de discutir esses temas, é a partir da exibição de fi lmes, seguido de debate. 
Nesse caso, vocês devem escolher o fi lme conforme a sua audiência, levando em consideração a 
complexidade do enredo, o nível de escolaridade do público-alvo, a faixa etária, entre outros. 
Algumas sugestões de � lmes abordando a questão da dependência química e que 
podem ser encontrados com facilidade nas locadoras. 
1. O � lme “28 dias”, com a atriz Sandra Bullock, aborda diferentes questões no universo 
de uma mulher que não tinha limites e era uma dependente química. O título deve-se ao 
tempo de internação proposto para a personagem, em uma clínica de desintoxicação. 
O � lme é do ano 2000 e tem como diretora Betty Thomas. 
2. “O destino de uma vida”, com a atriz Halle Berry, é um � lme que trata das 
consequências de uma mãe, dependente química, que perde a guarda de sua � lha 
por essa razão, e a luta dela para se curar e ao mesmo tempo ter sua � lha de volta. O 
� lme é de 1995 e a direção é de Stephen Gyllenhaal. 
3. “Diário de um adolescente” é um � lme estrelado por Leonardo di Caprio e trata 
da questão da dependência química por um adolescente. Foi lançado em 1995 e a 
direção é de Scott Kalvert. 
4. “Tra� c” acabou se tornando um clássico neste tema. Trata de diferentes questões 
relacionadas à dependência química e ao trá� co de drogas, com ótimos atores e a 
direção de Steven Soderbergh. O � lme é de 2000. 
5. “Quando um homem ama uma mulher”, é um filme de 1994, com a 
participação da atriz Meg Ryan; trata da questão do alcoolismo. A direção é de 
Luis Mandoki. 
Provavelmente vocês conhecem outros fi lmes que abordam esta temática e que podem ser utilizados. 
Cuidado apenas com aqueles que usam estereótipos ou tratam de forma jocosa ou preconceituosa 
essas questões. 
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O trauma também está associado ao uso de drogas, incluindo medicamentos adquiridos sem 
prescrição médica. Vários são os relatos de caminhoneiros dirigindo sob efeito de drogas,em 
especial, anfetaminas apelidadas de “rebite” ou “arrebite”, mas também, cocaína e álcool. Várias 
reportagens têm mostrado essa questão que atinge não apenas caminhoneiros, mas muitos 
motoristas, provocando acidentes graves. 
Os acidentes de trânsito e a violência urbana são comuns em sua cidade? Esse é um 
problema de saúde pública? Por quê?
Como abordar pessoas que trabalham em estradas, como caminhoneiros, para falar 
sobre os riscos das drogas estimulantes? Vocês estão preparados para responder 
possíveis perguntas? Vocês conhecem os problemas e os efeitos decorrentes das 
principais substâncias que levam à dependência química? 
Na qualidade de pro� ssional de saúde pública, vocês foram convidados a proferir 
uma palestra para um colégio de uma comunidade, com o tema da dependência 
química. Que abordagem vocês utilizaríam? Como será esta palestra?
O trauma também pode estar associado ao excesso de velocidade, à não utilização de capacete nos 
casos das motos, à não observação da travessia de pedestres nas faixas de segurança, ao uso do 
celular enquanto dirige, à desatenção às placas de sinalização, entre muitas outras causas. 
Muitas pessoas, por exemplo, acreditam que devem utilizar cintos de segurança apenas para não 
serem multadas. Grande erro. O cinto de segurança salva vidas! Deve ser usado por todos (sem 
exceção) que estão no veículo. Crianças menores de 10 anos devem estar no banco traseiro (com 
cinto) e as que ainda não tiverem tamanho sufi ciente para sentarem com o cinto, devem estar nas 
“cadeirinhas”, devidamente colocadas. Quando uma criança pode ir sentada no colo do motorista 
ou do acompanhante? NUNCA!
Se você fosse convidado a elaborar uma cartilha a ser distribuída aos motoristas, 
com vistas à prevenção de trauma em adultos e crianças, o que você escreveria? 
Liste, por tópicos, as ações de prevenção que devem ser tomadas. Cada tópico pode 
ser um tema para uma palestra. 
A Educação para o Trânsito é de grande importância e tem enorme relevância na saúde pública. 
Vejam quanto conteúdo a ser explorado!
Quando nos referimos ao trauma, não estamos falando apenas de acidentes automobilísticos, mas 
de qualquer situação súbita de agressão física ao organismo. Quedas, acidentes, ferimentos por 
arma branca, de fogo... tudo é trauma. 
De que forma, o pro� ssional de saúde pública está inserido no tema da violência 
urbana? Como ele pode atuar? De que maneira, ele pode educar? 
23
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O artigo abaixo trata dessa questão e recomendamos a leitura:
MINAYO, Maria Cecília de S. A violência social e a perspectiva da saúde pública. 
Caderno Saúde Pública. Rio de Janeiro, 10 (supplement 1): 07-18, 1994. 
Nas considerações � nais do trabalho acima, Minayo (1994), a� rma que:
A mensagem mais importante que se pode dar a partir do setor 
saúde é que, na sua maioria, os eventos violentos e os traumatismos 
não são acidentais, não são fatalidades, não são falta de sorte: eles 
podem ser enfrentados, prevenidos e evitados. 
Os acidentes são causas comuns de morbidade e mortalidade de crianças. Como preveni-los? 
Quem nunca ouviu histórias de crianças queimadas, afogadas, vítimas de choques elétricos, de 
envenenamento, entre outras situações em que “nossos pequeninhos” são vítimas da curiosidade 
normal da idade e descuido dos adultos? Acidentes acontecem em qualquer idade e local... 
Viram quantos temas a serem discutidos? Nem todos profi ssionais que querem atuar com saúde 
pública percebem que a prevenção de acidentes, de trauma, de desastres, do alcoolismo, da 
dependência química, é parte dessa área da Medicina. Saúde Pública é muito mais que agir em 
Políticas Públicas ou promover ações sanitárias em determinada região. 
Outro grande engano, que frequentemente ouvimos, é atrelar a saúde pública à pobreza. Embora 
comunidades mais pobres sejam, com certeza, razão de ação de profi ssionais de saúde pública, todos 
devem ser contemplados e motivo de preocupação. As epidemias não escolhem as pessoas com base 
no poder aquisitivo, nem os acidentes, nem os desastres naturais, nem as doenças... Lembrem-se 
disso!!
Palestras devem ser dadas em escolas públicas e privadas, sofi sticadas ou não, sobre a prevenção da 
gravidez na adolescência, o uso de drogas, o uso de preservativos nas relações sexuais, o combate ao 
tabagismo, a promoção da alimentação saudável. Todos devem ser conscientizados e todas as ações 
nesse sentido são de Saúde Pública. 
Veja os temas que elencamos como importantes e faça uma lista (não precisa 
entregar) de tópicos a serem abordados como conteúdos a serem ensinados. Você 
verá quanto existe a ser ensinado. Mas ensine apenas nas áreas em que estiver 
realmente capacitado e atualizado. 
Muitas pessoas associam o câncer à morte, por desconhecerem que esta é uma doença que muitas 
vezes pode ser prevenida e, com diagnóstico precoce, ser curada, embora existam tumores de difícil 
prevenção e, por não apresentarem sintomas precoces, são diagnosticados tardiamente. 
A maioria absoluta da incidência de câncer de pulmão recai sobre os tabagistas, de tal forma que o 
combate ao tabagismo é também uma forma de prevenção do câncer de pulmão, como também de 
boca, de língua, de bexiga. É fundamental, no entanto, que o tabagista queira abandonar o hábito 
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de fumar, caso contrário, os esforços serão inúteis. Este é um desafi o duplo para o educador e o 
profi ssional de saúde. 
Leiam os artigos abaixo, para aprofundamento da questão:
1. MENEZES, Ana et al. Risco de câncer de pulmão, laringe e esôfago 
atribuível ao fumo. Revista Saúde Pública 2002;36(2):129-34. 
2. ZAMBONI, Mauro. Epidemiologia do câncer do pulmão. J Pneumol 28(1) 
– jan.-fev. de 2002. 
O endereço eletrônico abaixo é sobre o “Controle do Tabagismo no Brasil”, do 
Ministério da Saúde:
<http://portal. saude. gov. br/portal/arquivos/pdf/Controle%20do%20Tabagismo%20
no%20Brasil. pdf>. 
Apesar de atualmente ser considerado “politicamente incorreto” fumar, ainda 
há muitos fumantes crônicos e jovens que resolveram fumar. O que levaria essas 
pessoas novas, com tanta informação a respeito sobre os malefícios do cigarro, a 
adotarem esse hábito?
Por exigência legal, em todos “maços” de cigarro, há fotos de pessoas com as mais 
diferentes doenças provocadas pelo cigarro e a informação: “O Ministério da Saúde 
adverte: Fumar pode causar... ” e, então, é colocado o nome de uma dessas doenças 
ou consequências. Vocês acreditam que essa medida tem sido e� caz? Como 
educador, qual seria a melhor abordagem?
O câncer de mama, possui fatores de risco conhecidos e a mamogra� a, associada 
à consulta ginecológica, são fundamentais para a avaliação das mulheres. Alguns 
exames podem ser necessários para completar o diagnóstico. Quantas mulheres no 
entanto tem acesso à ginecologia? E à mamogra� a?
O link abaixo é do Instituto Nacional do Câncer e apresenta o consenso para o câncer 
de mama. 
<http://www. inca. gov. br/publicacoes/Consensointegra. pdf>. 
Falamos também de diabetes, de obesidade, de síndrome metabólica e de muitas outras doenças 
e condições associadas. A atividade esportiva é de grande importância não apenas para ajudar no 
controle dessas doenças, mas para muitas outras, incluindo o câncer de intestino, além de melhorar 
o condicionamento físico, o humor e reduzir o stress. 
Poderíamos seguir em frente, mostrando quanto conteúdo está disponível e deve ser conhecido no 
campo da Saúde Pública. 
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Vejam, agora, artigos que abordam diretamente a questão da Saúde e Educação.
Leiam o artigo abaixo, sobre Educação e Saúde:
CANDEYAS, Neli Martins Ferreira. Conceitos de educação e promoção em saúde: 
mudanças individuais e mudanças organizacionais. Revista Saúde Pública, 31 (2): 
209-13, 1997. 
26
CAPítulo 3
Como ensinar
Ensinar
é um exercício
de imortalidade. 
De algumaforma
continuamos a viver
naqueles cujos olhos
aprenderam a ver o mundo
pela magia da nossa palavra. 
O professor, assim, não morre
jamais... 
Rubem Alves
Todos nós temos exemplos de professores bons e ruins. Eu me lembro até hoje de meus primeiros 
professores, os que realmente eram comprometidos, mas também me lembro dos que se limitavam 
a “passar” o conteúdo.
Vamos agora fazer um exercício de memória. Como eram e o que faziam os melhores professores 
para que os víssemos dessa forma?
 » Conheciam o que estavam ensinando.
 » Tinham comprometimento com o ensino.
 » Buscavam encontrar formas de interessar a turma para o tema a ser ensinado.
 » Incentivavam as perguntas e quando não sabiam as respostas (ninguém precisa 
saber de tudo), se propunham a buscá-la (e o faziam).
 » Compartilhavam experiências.
 » Tinham a sensibilidade de perceber as diferenças existentes entre os alunos e não 
apenas as respeitava, como personalizavam o atendimento e as demandas.
27
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 » Propunham atividades desafi adoras e interessantes.
 » Sabiam explicar, com paciência e muita didática...
Quer continuar a lista? Quanto mais escrever melhor, pois é no exemplo deles, 
que devemos nos apoiar. Pense nos professores bons e escreva em uma folha de 
papel, tudo que fazia você gostar das aulas deles (com foco na didática e postura 
utilizadas). Pense agora nos ruins. Por que eles eram ruins? Cuidado para não 
confundir o interesse (ou desinteresse) pela matéria, com professores ruins. Você 
pode não gostar de Matemática, mas ter um bom professor. Da mesma forma, 
você pode adorar anatomia e ter um professor ruim.
Como ensinar em Saúde Pública?
Antes de tudo, devemos ter as seguintes informações.
 » Tema da aula.
 » Objetivos da aula.
 » Formatação da aula (será uma palestra?).
 » Público-alvo (quem são os alunos, faixa etária média, escolaridade da turma em 
geral, onde reside a maioria, outras informações pertinentes).
 » Local da aula.
 » Data e horário.
 » Recursos necessários e os disponíveis (nem tudo que queremos está disponível).
Para uma aula de sucesso, devemos ter presentes os seguintes elementos.
Figura 2. Elementos de uma aula.
Sucesso
Conhecimento
Planejamento
Técnicas de Apresentação
Linguagem e Imagem
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imagem
Por que a imagem é importante?
Respondam. Qual dos dois alimentos, a seguir, vocês preferem provar?
Figura 3. alimentos opcionais.
ou
Ambos são pratos com alimentos parecidos, mas acredito que a maioria iria preferir o da esquerda, 
certo? Por quê? Principalmente porque parece mais apetitoso. O segundo lembra até “comida de 
hospital”... 
Quando você procura um médico, como espera encontrá-lo? Sujo, com roupas encardidas e barba por 
fazer (caso dos homens) ou devidamente trajado, com roupas limpas e aspecto de que sabe cuidar de 
si mesmo?
Nos ambulatórios de geriatria, percebemos, com frequência, idosos que vestem suas melhores roupas 
para irem à consulta, porque consideram esse momento importante e solene. Da mesma forma se 
arrumam para ir a uma missa ou a um outro evento que exija respeito. Por que o profi ssional que irá 
atendê-los não se veste da mesma forma?
Ao dar uma palestra, você deve estar vestido conforme a ocasião pede. Se a maioria dos alunos se 
veste de forma mais simples, você não precisa usar terno, mas tampouco vista-se de forma que não 
pareça à vontade ou que demonstre desrespeito ou pouco caso. Em locais onde a plateia estará com 
roupas mais sóbrias, o/a palestrante deverá estar vestido de acordo (saúde pública é para todos). 
Quais as regras gerais para a imagem do educador?
 » Roupas limpas. 
 » Aspecto de higiene impecável. 
 » Roupas adequadas ao público, local, clima e ocasião. 
 » Ausência de extravagâncias. 
 » Discrição no vestuário. O que deve atrair a atenção do aluno é o conteúdo do que 
está sendo ensinado e não o educador. 
29
Educação Em SaúdE Pública E comunitária │ unidadE única
 » Ausência de muitos objetos no bolso, para não atrair a atenção para eles. 
 » Jamais falar em público “mascando” chicletes ou com dentes mal escovados 
(cuidado com as palestras após o almoço). 
 » Uso pelas mulheres, se necessários, de brincos discretos. 
 » O palestrante deve ser neutro, portanto, evite adereços ou roupas que possam 
causar polêmica ou reações dos alunos. Tem tatuagem? Sem problemas, mas tente 
escondê-la durante a aula (ela não deve atrair a atenção do aluno, lembra-se?). O 
mesmo vale para piercings, homens com brincos, cortes de cabelos radicais e tudo 
o mais que possa desviar a atenção da turma. Fora do ambiente escolar, a vida é 
de vocês e utilizem o que acharem mais conveniente, mas acreditem, a imagem faz 
diferença... Lembre-se de que você nunca terá uma segunda oportunidade de causar 
uma primeira boa impressão. 
Talvez vocês digam que o conteúdo é o mais importante. E é mesmo, mas para chegar até ele, a 
imagem é fundamental para atrair a atenção e o interesse. Livro com aspecto de velho e mofado ou 
livro novo? Fruta com casca e cheiro estranho ou fruta cheirosa e saborosa?
Vocês estão certíssimos quando se preocupam com o conteúdo e por isso, no início de nossas 
explicações, nós começamos falando de conhecimento. Sem ele, o professor não pode chegar sequer 
a lecionar. Isso nada mais é que conteúdo. São aliados, portanto, o conteúdo (conhecimento), a 
imagem, a linguagem, o planejamento e as boas técnicas. 
De qualquer forma, já aconteceu alguma vez com vocês de chegarem em um local e se sentirem 
deslocados, ou porque estão muito arrumados e todos mais descontraídos ou ao contrário?
Um último comentário acerca da imagem. Fumar e beber em ambiente de ensino, sobretudo em 
saúde pública, nem pensar. Já ouvi de alguns que beber é ótimo para relaxar. Então o faça em casa, 
ou com os amigos, mas depois da aula... E sempre com moderação, lembrando-se da coerência do 
que você está ensinando: se beber não dirija... 
Como resumo do que podemos chamar de “poder da imagem”, lembre-se do seguinte.
 » Mimetize com o seu grupo. 
 » Escolha roupas adequadas à ocasião. 
 » Tenha cuidado com exageros e imagem desleixada. 
 » Não queira imitar os jovens. Para eles, a descontração pode ser adequada, mas você 
não é um adolescente. 
 » Apresente um visual adequado ao tipo de público presente. 
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 » Tenha muito cuidado com o humor. Palestras bem-humoradas são sempre 
interessantes, mas sem cair no ridículo ou em piadas com motivação étnica, religiosa 
ou política. 
 » Lembre-se de que, em muitas palestras, o recurso dos telões é utilizado e o que 
poderia parecer um pequeno descuido, pode ser ampliado para todos no auditório. 
 » Não utilize óculos escuros em ambiente fechado, o que não é considerado de bom 
gosto e impede a comunicação visual com os alunos.
 » Não utilize chinelos. O seu uso não é adequado de uma forma geral, havendo poucas 
exceções para essa regra, como aulas na areia de uma praia...
 » Tenha cuidado quando utilizar o microfone com fio, para que ele não caia de sua 
mão, quando o fio é pisado.
 » Para palestras em locais mais formais, uma aula ou apresentação, o uso, pelos 
homens, de um terno escuro, camisa branca e gravata em tom avermelhado é uma 
excelente combinação e frequentemente utilizada. Para as mulheres, nesse caso, o 
terninho é uma excelente opção.
 » O cuidado com a aparência diz respeito ainda à higiene pessoal, à postura adequada, 
à não utilização de cigarros e bebidas alcóolicas, a cabelos aparados e bem cuidados 
e sobretudo, a uma aparência profissional.
O poder da imagem é tão forte que, por ocasião das eleições para cargos eletivos, é comum, sobretudo 
nos de maior visibilidade, encontrarmos candidatos contratando consultoria de imagem e mudando, 
até mesmo de forma radical, o modo de se vestir, a maquiagem, o penteado. 
Uma tática muito utilizada por advogados de defesa queatuam em tribunal de júri é pedir aos seus 
clientes, réus no processo, que se apresentem de “barba feita” e o mais “arrumados” que puderem, 
de tal forma a não causar má impressão aos jurados. 
Não é por menos que as grandes empresas investem no visual de suas marcas e as propagandas 
mostram pessoas bonitas, bem vestidas, felizes. Vende mais com certeza!
Por que as propagandas de cigarro foram proibidas? Porque mostravam pessoas bonitas e bem 
sucedidas fumando, como se o cigarro fosse o responsável pela aparência e pelo sucesso delas. 
Chaves, Lima e Vasconcelos (1993), ao estudarem este tema, escreveram o artigo: “A imagem: da 
publicidade ao ensino” e assim resumiram:
A escola não deveria planear as suas estratégias educativas ignorando as 
características especiais das formas de comunicação atual, com especial 
incidência no mundo da imagem. O conhecimento de técnicas e estratégias 
usados pela publicidade poderá contribuir para uma melhor utilização da 
imagem no espaço escolar, como elemento desencadeador e facilitador na 
situação de ensino-aprendizagem. 
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Educação Em SaúdE Pública E comunitária │ unidadE única
Ainda sobre aparência, veja o que diz a matéria de Karin Sato, da Infomoney, publicada no site 
<www. administradores. com. br>:
Para 84% dos profissionais de Recursos Humanos, as pessoas que se vestem 
bem e cuidam da aparência conseguem crescer mais rapidamente no mercado 
de trabalho.
A revelação consta de uma pesquisa realizada pela Harris Interactive com 500 
profissionais da área de RH. Revelou-se também que, quando o assunto é a 
primeira impressão, 90% afirmam que dão mais importância à aparência do 
que à firmeza na hora de cumprimentar com as mãos.
linguagem
É fundamental que a linguagem a ser adotada, siga alguns princípios, para evitarmos “ruídos” de 
comunicação.
 » Seja claro em suas ideias.
 » Deixe sempre explícito quais são os objetivos do que está sendo ensinado. O que 
você pretende com a aula?
 » Preste atenção à dicção. Muitas pessoas simplesmente podem não entendê-lo se 
você não tiver uma articulação boa das palavras. Se necessário, busque auxílio com 
um fonoaudiólogo.
 » Use uma linguagem adequada à sua plateia. Você está falando para leigos ou 
profissionais? Qual a escolaridade do grupo? Cuidado, no entanto, para não infantilizar 
a turma e nem subestimar ou superestimar a capacidade de compreensão do grupo.
 » Não use gírias e jamais, palavrões.
 » O uso de regionalismos deve ser evitado, exceto se utilizado para explicar 
determinado ponto. Por exemplo, a mandioca é conhecida por macaxeira ou aipim, 
dependendo da região. Nesse caso, é importante que o palestrante conheça tais 
diferenças e as utilize de forma correta.
 » Fale de forma agradável, ou seja, em tom de voz que não seja monocórdico (aquela 
voz sonolenta que não muda nunca), não grite, nem fale muito baixo; use uma 
velocidade de voz que não seja muito lenta, mas também não seja acelerada.
 » Se você tem sotaque muito acentuado busque ajuda com um profissional de voz 
para ajudá-lo. Embora, em todo o Brasil, falemos português, há locais onde, devido 
ao regionalismo e o sotaque, por vezes não conseguimos nos entender.
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 » Aula bem-humorada é uma coisa. Fazer piadas o tempo todo, não. Você não está em 
um show de comédias.
 » Não faça em hipótese alguma brincadeiras ou comentários que discriminem as 
pessoas em função de cor, opção sexual, aparência física, credo religioso, nível 
educacional ou social, ou qualquer outra situação que soe como preconceituosa ou 
que irá deixar qualquer pessoa constrangida. Não coloque apelidos em ninguém.
 » Procure chamar as pessoas pelos nomes. Para isso, são utilizados os crachás, quando 
as turmas são grandes.
 » Pessoas mais velhas devem ser tratadas por senhor ou senhora. Não chame as 
pessoas por “pai”, “mãe”, “vôzinho”, “meu bem”, “minha fi lha”, “meu fi lho” e outros 
do gênero.
 » Se necessário, use microfone. Se não for possível, escolha local com boa acústica ou 
turmas menores.
 » Cuide de sua voz. Evite bebidas alcoólicas em excesso, água gelada, café em excesso. 
Dê descanso para suas cordas vocais. A água natural e a maçã são ótimas para a voz.
 » Cuidado com as palavras em outros idiomas. Só as utilize, se necessário, se tiver 
certeza de que todos entenderão e sem excessos. Nesse caso, a sua pronúncia deve 
ser excelente. Caso contrário, não as utilize.
 » Todos nós aprendemos sempre e não existe pergunta “idiota”. Se o aluno está 
perguntando, é porque não fi cou claro para ele. Cuidado com a arrogância e a 
prepotência. Ser profi ssional de saúde e de educação é uma lição diária de humildade.
Vocês conseguem se lembrar de outros pontos importantes na linguagem? Já 
assistiram a uma palestra cujo tema parecia interessante, mas foi monótona e 
cansativa? O que deu errado? Que características do palestrante deveriam ser melhor 
trabalhadas? E o contrário: um tema que parecia “chato” e foi muito interessante 
graças à didática do palestrante?
Conhecimento
Discutimos a forma e agora falamos do conteúdo. Uma casca belíssima, sem conteúdo ou um 
embrulho de presente, sem nada dentro, é apenas enganação. O mesmo ocorre com quem irá 
ensinar. 
Mesmo que o tema seja familiar, é importante que você prepare sua aula (como veremos a seguir) 
e que cada tópico seja devidamente estudado e atualizado, de tal forma a permitir que os alunos 
recebam as melhores informações sobre o que está sendo ensinado. 
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A atualização é algo que tem que ser feito regularmente e nas melhores fontes. Um profissional de 
saúde não pode deixar de se atualizar, pois vidas estão em “jogo”. É fundamental que saibam pelo 
menos o inglês instrumental, ou seja, ler artigos em inglês, já que essa é uma língua considerada 
como universal, principalmente na área de Saúde. 
Ao estudar e atualizar-se você terá condições (conteúdo) de transmitir esses conhecimentos para 
outras pessoas, lembrando-se sempre que “ninguém sabe tudo”, portanto, caso não saiba uma 
resposta, ao invés de tentar responder, diga que irá buscar as informações adequadas para poder 
dar o devido retorno ao aluno e não deixe de fazê-lo. 
Uma vez, estava entrevistando um candidato a um estágio e ele disse que não sabia nada de inglês. 
Nem ler artigos. Mais adiante, na entrevista, fiz a seguinte pergunta:
 » Você está no estágio e realizando um procedimento em que acredita estar 
completamente certo no que está fazendo, mas o seu supervisor chega e manda 
você parar e fazer de outra forma, o que você faria?
Mais que de pronto, ele respondeu:
 » Se eu tenho certeza de que estou correto, continuo fazendo e depois discuto a 
questão com o supervisor. 
Evidente, que ele não foi selecionado. Não vamos discutir a atitude do supervisor, pois não é 
ele quem está sendo avaliado, mas a do estagiário. Em primeiro lugar, ele está lá para aprender, 
portanto, o supervisor é quem dá as diretrizes, mas vejam a arrogância do aluno. Quando ele me 
disse isso, perguntei:
 » Se você não lê inglês, como se atualiza na área de Saúde?
 » Por meio dos meus amigos, de livros e traduções da internet, respondeu. 
 » E se os novos artigos tiverem sido publicados com novas condutas e você não tenha 
lido, justamente porque não sabe ler em inglês, você não poderia estar errado ou 
sua conduta ultrapassada?
O silêncio da resposta disse tudo. 
O artigo poderia ter sido publicado em inglês, em francês, em alemão, em chinês... não importa! O 
fato é que não sabemos tudo, então, temos que estar sempre atualizados e nunca acreditarmos que 
a última palavra é a nossa. 
Atualmente, sobretudo na área de Saúde, é fundamental para os profissionais, saber ler, pelo menos, 
inglês e espanhol, além do português, dada à necessidade de atualização. 
No Google e nas redes sociais (Facebook, Orkut), você encontrará diversas comunidades para ensino 
desses idiomas. Se puderpagar, há muitos cursos de inglês e espanhol instrumental, voltados para 
o uso do idioma nas atividades acadêmicas, mas não deixe de estudar. O site do CDC <www. cdc. 
gov>, por exemplo, está disponível em inglês e espanhol e é uma excelente fonte para pesquisa e 
atualização em saúde pública. 
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O português utilizado pelo tutor deve ser correto. Não é admissível que um profissional de saúde, ao 
lecionar, cometa erros básicos de concordância nominal, verbal e outros, gramaticais, como usar o 
plural corretamente. Ninguém precisa usar um português erudito, mas a língua deve ser bem falada. 
técnicas de apresentação
Há diversos formatos de apresentação e, da mesma forma, diferentes técnicas podem ser utilizadas. 
Tudo depende do objetivo do evento. 
Com relação aos formatos
Conferência: Geralmente é proferida por uma autoridade em um determinado assunto, de forma 
expositiva, não sendo usual que haja autorização para perguntas por parte da plateia e é comum 
que seja agendada no início ou no encerramento de congressos, simpósios e encontros com grande 
número de pessoas. Em congressos na área de Saúde, é habitual uma conferência na abertura, 
geralmente ministrada por um profissional de renome na especialidade ou tema do encontro. O 
conferencista pode utilizar de recursos audiovisuais ou simplesmente falar para o público. O tempo 
de uma conferência geralmente varia de 50 minutos a 1h. Uma conferência pode ser também um 
evento, que tem a formatação similar a um congresso ou um simpósio e, geralmente, conduz a 
efeitos mais práticos, com a elaboração final de um relatório ou de diretrizes. 
Palestra: Consiste na exposição de um tema específico, ministrada por alguém com treinamento 
e experiência no tema. Difere da conferência por diversas razões. Não é tão solene, não requer um 
público numeroso, tão pouco um evento de grande porte. Alguém da comunidade em que você 
mora, que queira reunir as pessoas para falar, por exemplo, sobre o combate ao mosquito da dengue, 
poderá fazer uma palestra. Basta um local onde estará a audiência e o palestrante, que utilizará os 
recursos que julgar possíveis e necessários. O tempo não deve ser superior a 50 minutos. Se o tema 
demanda um tempo maior, intervalos de cerca de 10 minutos devem ser programados a cada 50 
minutos de exposição. As palestras permitem perguntas e respostas. 
Aula: Ao comparar um professor dando uma aula com um palestrante, provavelmente você não 
verá nenhuma diferença. Realmente ela é sutil. As aulas, no entanto, fazem parte de um curso, 
com suas disciplinas e, portanto, possuem uma sequência de temas a serem abordados. Um tema 
pode ser dado em duas ou três aulas e, geralmente, o professor conhece a turma e passa exercícios 
de fixação. O palestrante, por sua vez, tem o tempo que foi a ele destinado para iniciar e concluir 
o assunto. Não há exercícios, nem correção de atividades, não sendo também usual que conheça a 
turma. As aulas também não devem ter tempo de duração superior a 50 minutos. A interação dos 
alunos com o professor é de grande importância. 
Colóquio: Geralmente é um trabalho escrito (texto) apresentado diante de uma turma. É muito 
utilizado no meio acadêmico, na conclusão de disciplinas ou como apresentação de trabalhos de 
grupo. Em espanhol, pode significar encontros semelhantes a simpósios. 
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Workshop: Esta é uma palavra, de origem inglesa, que significa literalmente “grupos de trabalho”. 
Nos workshops não são realizadas palestras ou conferências, mas a discussão de determinado tema, 
por um ou mais grupos. É comum que um grande tema seja subdividido em outros menores, em 
que cada um deles será discutido e depois apresentado a todos, com base na afinidade de interesse 
ou conhecimento dos participantes. Tem, como objetivo, apresentar soluções ou propostas para um 
determinado problema. Por exemplo. Um workshop sobre Assistência ao Idoso, em uma região. Este 
tema maior pode ser subdividido nos seguintes: Assistência de Enfermagem, Assistência Médica, 
Saúde Preventiva, Aspectos Legais, Aspectos Logísticos e Administrativos e muitos outros, conforme 
o caso. Para cada um desses temas, um grupo de especialistas e interessados (depende de quem foi 
convidado para o evento) irá se reunir e debater aquela questão específica. Levantar problemas e 
propor soluções. Ao final do evento, cada grupo faz as suas proposições, que podem ser encaminhadas 
para determinada esfera de decisão ou ser extraído um consenso. Nese caso, após a apresentação dos 
resultados, a audiência é consultada e a decisão da maioria é um consenso.
Consenso: É a opinião da maioria dos que se expressaram. Portanto, se não são especialistas, 
o consenso pode ser seriamente prejudicado e levado a conclusões desastrosas. Não significa 
necessariamente, também, que possui inquestionável validade científica e nem que é baseado em 
evidências clínicas. Os consensos médicos da Associação Médica Brasileira foram realizados a partir 
da elaboração de documentos baseados em evidência, propostos por cada sociedade de especialistas 
e versando sobre determinado tema. Esse tipo de consenso serve, na verdade, como uma diretriz a ser 
seguida, que em inglês é conhecido como guideline e representa o “estado da arte” naquele assunto 
e é, portanto, de alta relevância científica. Por outro lado, ao final de uma reunião da comunidade, 
foi consenso (opinião da maioria) que os moradores irão colaborar nas campanhas de prevenção 
da febre amarela, ou seja, aqui tem o sentido de compromisso e da aceitação pela maioria, de que o 
tema é relevante e foi aceito, mas carece de validação científica, o que não significa que não seja uma 
decisão válida e correta.
Mesa-Redonda: A mesa-redonda, que na verdade não precisa ter esse formato, é a reunião de 
pessoas, geralmente especialistas de um determinado tema, para debaterem um assunto maior, 
relacionado com suas áreas de especialização. Por exemplo, em uma mesa-redonda sobre Mortalidade 
Infantil, podemos ter um pediatra, um gestor de saúde, um profissional de saúde pública e um obstetra. 
Outros profissionais podem compor a Mesa, mas não é recomendável que tenha mais do que quatro 
debatedores. Cada um tem cerca de 15 minutos para falar do tema maior (Mortalidade Infantil), 
dentro de sua perspectiva de especialista. A presidência da Mesa fica a cargo de outro profissional, 
que não faz apresentação, mas atua como moderador e encaminha as perguntas para os convidados, 
podendo também perguntar, cabendo a ele, fazer o encerramento e apresentar as conclusões. Como 
realizar uma mesa-redonda em uma comunidade? O tema é saúde pública? Por meio da Associação 
dos Moradores, convide a população para um debate sobre o tema. À Mesa, estarão, por exemplo, 
o presidente da Associação dos Moradores, o Secretário de Saúde do Município (dependendo da 
necessidade e da magnitude do debate) ou o Chefe do Posto de Saúde da região, um profissional da 
saúde da família ou um enfermeiro ou um sanitarista. Percebam que não existe uma lista fechada de 
quem irá compor a Mesa. Tudo depende da necessidade e da realidade do local.
Quem gosta de esportes já assistiu, após os Jogos Olímpicos ou Copa do Mundo, em diferentes canais 
de televisão, debates com diferentes profissionais que exprimem suas opiniões sobre a participação 
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do Brasil, por exemplo. Essas reuniões são moderadas pelo apresentador. Isso nada mais é que uma 
mesa-redonda.
Naturalmente que as imagens acima são apenas exemplos para ilustrar o que foi dito, mas há muitas 
variações possíveis.
Com relação ao tipo de apresentação a ser feita
Aula Expositiva: É mais utilizada por conferencistas e muitos palestrantes. Alguns professores 
também preferem fazer aulas expositivas, que nada mais são do que falar por determinado 
tempo, sem interação direta com a turma. Eventualmente as perguntassão permitidas ao final 
da apresentação, mas em conferências, sobretudo as mais solenes, isso nem sempre é possível. 
Ao escolher fazer aulas expositivas, procure utilizar ferramentas complementares, para deixar 
a apresentação mais interessante, como slides, filmes, computador, projetor. Se você conhece a 
comunidade, pode permitir que as perguntas sejam feitas ao longo da exposição. No entanto, se 
a plateia é desconhecida, pode acontecer de você ficar sendo interrompido o tempo todo. Avalie 
bem o que é melhor. As aulas puramente expositivas, com o professor sentado o tempo todo, 
são extremamente cansativas e pouco atrativas. Caso esteja fazendo exposições, aprenda a se 
movimentar, a gesticular (sem exageros), como também a mudar a entonação da voz, conforme a 
situação. Uma forma boa de treinar é falar na frente de uma câmera e depois analisar o que pode ser 
melhorado e o que deve ser reforçado. Preste muita atenção aos vícios de linguagem e às repetições 
frequentes: tá, né, ok, certo...
Aulas Interativas: Neste formato, os alunos são estimulados a participar, seja porque o professor 
lança com frequência perguntas e problemas à turma, seja pela maior interação com os alunos. As 
perguntas não devem ser inquisitivas e lançadas para um determinado aluno, o que seria muito 
constrangedor, mas para a turma em geral. O cuidado aqui é não virar “bagunça”, com todos falando 
ao mesmo tempo. Casos particulares também não devem ser tratados em sala. É muito comum, 
em palestras na área de Saúde, que o aluno queira contar um caso médico ocorrido com ele, com 
familiar ou amigo. Geralmente são casos longos. Seja cordial, se for a primeira vez, deixe-o terminar 
e diga que embora haja muitos exemplos a serem contados ou muitos casos particulares, o tempo 
é curto e que, infelizmente, não é possível analisar ou comentar cada situação ou algo semelhante. 
É também comum que os alunos queiram realizar “consultas” em público ou falar mal de algum 
profissional de saúde. Nesses casos, já interrompa o discurso e diga, educadamente, que ali não é o 
local nem o momento adequado para tratar da questão e que ele deve procurar o Posto de Saúde ou, 
se necessitar de alguma outra orientação, que converse com você após a palestra. Você deve avaliar 
o que é mais recomendável. Seja sempre cordial, mas firme o suficiente para conseguir concluir o 
conteúdo a ser transmitido.
Trabalhos em Grupo: Uma outra forma de trabalhar com a turma é por meio dos trabalhos 
em grupo. Neste modelo, selecione de forma aleatória (evite deixar a formação de “panelinhas”) 
cada grupo, que não deve ser muito grande (ideal de 4 a 5 pessoas), para que examinem uma 
questão-problema e apresentem uma solução. Deixe que eles trabalhem em cada grupo, sem a sua 
interferência. Após determinado tempo, eles apresentam a solução. Há diversas variações possíveis, 
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mas basicamente a ideia é esta. O cuidado é não deixar todos falando alto ou que a sala vire uma 
confusão. Para tanto, separe fisicamente os grupos, conforme as possibilidades do local, e peça a 
todos que falem baixo. Se a solução apresentada não for boa, não faça críticas, sobretudo na frente 
dos demais. Tente entender o raciocínio utilizado e explique porque a opção não foi a mais adequada. 
Os trabalhos em grupo são geralmente bem recebidos e estimulam o raciocínio coletivo, sobretudo 
se é tratado um problema real. Certifique-se de que todos estão participando. 
Brainstorming: Este é um termo inglês que significa, literalmente, tempestade de ideias. Neste 
método, o moderador, geralmente alguém não pertencente ao grupo, podendo ser você, pega um 
quadro branco grande, ou uma cartolina, e divide em três colunas. Coloque lápis e canetas em cima 
de uma mesa, com vários pedaços de papel do mesmo tamanho e cor. Peça, então, para que as 
pessoas, por exemplo, escrevam nos papéis, um problema que elas identificam como prioritário na 
área de Saúde da comunidade. Após escreverem, devem colar os papéis na primeira coluna. Após 
todos terem colado, o moderador escreve na segunda coluna. Se o quadro for pequeno para três 
colunas, vai tirando as ideias repetidas. Dessa forma, o moderador ler em voz alta, todos problemas 
apresentados e em consenso com a turma, estabelecendo uma prioridade para cada um deles. A 
turma pode, então, ser dividida em grupos, não havendo necessidade disso, se ela for pequena, 
devendo apresentar sugestões para os problemas levantados. Ao final, cada grupo mostra as suas 
conclusões e novamente, de forma consensual, são escritas na coluna restante. Essas sugestões 
representam o consenso daquela comunidade para os problemas existentes e soluções que eles 
enxergam como viáveis. Você, como moderador, não tem o papel de dizer se a solução é boa ou 
não, mas a partir desse tipo de discussão, um documento pode ser elaborado e encaminhado para 
a autoridade competente, se for o caso ou mesmo poderá ver as ideias executadas pela própria 
comunidade. Pode haver também variações a partir desse tipo de encontro. Como utilizá-lo como 
técnica de apresentação? Da mesma forma, mas, ao invés da turma listar problemas da comunidade, 
poderá responder perguntas do tema a ser discutido e depois apresentar propostas de resolução.
Essas são as formas mais usuais e utilizadas e você irá discutir o melhor para sua turma.
Qualquer que seja o formato da apresentação, certifique-se, visando a um melhor redimento da 
turma, que:
 » aparelhos celulares estejam desligados ou na função de vibrar;
 » todos os alunos estão participando;
 » as conversas paralelas sejam desestimuladas;
 » os alunos se sintam à vontade para perguntar;
 » você adota uma postura profissional, sem ser arrogante ou prepotente;
 » as tarefas solicitadas representam um desafio, mas ao mesmo tempo estejam dentro 
da capacidade da turma em resolvê-las;
 » o tema seja interessante e aplicável à realidade do público-alvo;
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 » você está utilizando as melhores ferramentas disponíveis e está o mais atualizado 
possível no tema que está ensinando.
Planejamento
Uma vez que você já conhece os demais elementos necessários ao sucesso de uma apresentação, 
vamos falar do planejamento.
Tudo o que não é planejado é improvisado (estamos falando de situações que ficarão à mercê do 
acaso, da sorte) e a chance de fiascos é grande... A regra número um de qualquer apresentação é 
estar preparado.
Como fazer o planejamento de uma apresentação?
Vocês devem ter em mente que é necessário seguir um pequeno roteiro, como se fosse um check-list 
de ações a serem desenvolvidas.
roteiro para planejamento e preparação 
de uma apresentação
1. Tema.
2. Público-alvo e como serão realizadas as inscrições.
3. Objetivo (de uma forma geral o que se pretende com a apresentação. O que se espera 
dos alunos?).
4. Objetivos específicos (de forma mais particular, que pontos e aspectos serão 
discutidos e apresentados?).
5. Quem convidou ou solicitou a apresentação? Com que objetivo? Será paga ou 
gratuita? Há outros custos envolvidos?
6. Material a ser utilizado.
7. Considerações e necessidades do espaço físico ( número mínimo e máximo de alunos, 
tamanho da sala ou auditório e tudo que julgar importante para sua apresentação).
8. Data, local e horário propostos.
9. Palestrante (se necessário enviar curriculum, para onde deve ser mandado. 
Será apenas um conferencista, professor, tutor ou palestrante? Caso haja outros, 
especificar).
10. Tempo de palestra (especificar tempo de perguntas e debate, se for o caso).
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11. Formato da palestra (expositiva etc.). 
12. Instrumentos de avaliação (se for o caso).
13. Material didático a ser utilizado e distribuído.
Dizem que o que é combinado não é caro. Portanto, verifique todos os aspectos relacionados à sua 
apresentação. Se há honorários envolvidos, passagens, hospedagem ou qualquer outrotipo de 
custos, deixe tudo acertado previamente, de preferência por escrito, com quem está promovendo ou 
patrocinando o evento (seja ele em que formato for). Você é funcionário público? Será remunerado 
pela palestra ou ela já é parte de suas obrigações em sua função? Haverá deslocamentos? Há diárias 
envolvidas? Como será o traslado? Você terá que fazer um relatório? Há problemas ou limitações 
legais com sua apresentação? Cuidado com os direitos autorais!!
Ao preparar sua aula, para chegar ao cálculo do tempo necessário, siga o seguinte exemplo.
Palestra sobre Prevenção de Desastres
1. Caracterização dos desastres – 15 minutos
2. Tipos de desastres – 10 minutos
3. Fases dos desastres – 10 minutos
4. Prevenção de desastres: 
4.1 Vulnerabilidade, ameaça e risco – 10 minutos
4.2 Construção de mapas de risco – 10 minutos
4.3 Plano de desastre – 10 minutos
4.4 Plano de contingência – 10 minutos
4.5 Monitoramento dos desastres em potencial – 10 minutos
4.6 Apresentação de caso – 20 minutos
5. Discussão e perguntas – 15 minutos
6. Total: 125 minutos
Vocês se lembram de que dissemos que as aulas não devem ultrapassar mais que 45 ou 50 minutos 
sem intervalo?
Nesse caso, então, teríamos três tempos de aulas, com intervalos de cerca de 10 minutos. Assim, 
poderia a programação ser planejada da seguinte forma.
14h – Abertura, com apresentação do palestrante
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14h15min – 1o tempo da palestra
 » Caracterização dos desastres – 15 minutos
 » Tipos de desastres – 10 minutos
 » Fases dos desastres – 10 minutos
 » Vulnerabilidade e ameaça e risco- 10 minutos
15h – Intervalo (disponibilizar água, café)
15h10min – 2o tempo da palestra
 » Mapas de risco – 10 minutos
 » Construção de mapas de risco – 05 minutos
 » Plano de desastre – 10 minutos
 » Plano de contingência – 10 minutos
 » Monitoramento dos desastres em potencial – 10 minutos
15h55min – Intervalo (disponibilizar água, café)
16h05min – 3o tempo da palestra
 » Apresentação de caso – 20 minutos
 » Discussão e perguntas – 15 minutos (podendo ser prorrogado até 10 minutos se 
necessário)
16h50min – Encerramento
Naturalmente que não serão divulgados, na programação, os tópicos com os tempos que você 
destinou para cada um deles, pois esses são marcos seus, para ajudá-lo a dar sequência ao conteúdo 
sem se “perder”. Esses tempos também não são rígidos no sentido de que você tenha que colocar 
um relógio com alarme para tocar após 10 ou 15 minutos e você se lembrar de mudar de tópico. Se 
houver necessidade de se deter um pouco mais em um tópico, você compensa no seguinte. Mas, 
lembre-se, esse é um exemplo e foi você quem defi niu os tópicos e o tempo necessário. Você pode 
falar sobre desastres em meia hora ou em 40 horas ou até em um curso inteiro de mestrado. Tudo 
depende dos objetivos defi nidos.
Faça o planejamento de uma aula, em um tema que você tenha conhecimento, para 
poder praticar. Pense em todos os detalhes. Use-o como modelo, para suas próximas 
apresentações.
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O planejamento foi apresentado por último, para que vocês pudessem ter uma noção do “todo” e do 
que é necessário para se fazer um bom planejamento, mas, quando forem convidados para qualquer 
tipo de apresentação, a primeira coisa a ser feita, é planejar. 
Parem e pensem:
 » Quando sou convidado a dar uma aula ou palestra, como me sinto? Quais 
as minhas limitações?
 » Tenho medo ou muita ansiedade de falar em público?
 » Quais são meus medos?
Muitas pessoas têm medo ou não gostam de falar em público. Fazer um bom curso de oratória pode 
ajudar, mas há algumas dicas que também podem ser úteis.
 » Esteja sempre preparado e atualizado. 
 » Escolha o formato da apresentação que mais lhe agrada. Se você não gosta de 
multidões, as conferências podem ser complicadas e, caso tenha necessidade de 
atuar como conferencista, converse com um psicólogo sobre essa fobia e o quanto 
ela atrapalha você.
 » Se você atua apenas em palestras para comunidades, dê preferência aos trabalhos 
em grupo e workshops, em que todos são protagonistas e você não tem que dar 
aulas expositivas.
 » Pratique, na frente do espelho, ou melhor ainda, grave ou peça para alguém gravar 
sua apresentação, de tal forma a permitir correções futuras.
 » Quando estamos nervosos, com frequência não sabemos onde colocar as mãos, 
que podem estar “suando frio”, a boca pode estar seca, falamos baixo ou mesmo 
com vícios de linguagem. Pense nisso e estabeleça estratégias para lidar com essas 
questões.
 » Siga um ritual mental desde o momento em que está se arrumando até o início da 
palestra. Nesse ritual, pense nos detalhes e no que pode ser uma difi culdade. Nesse 
caso já pense na solução.
 » A pior situação é ser pego desprevenido ou despreparado. O que você fará se a sua 
apresentação não for compatível com o sistema de computador onde você dará a 
palestra? O público é inferior ou superior ao que você pensava. E agora?
 » Se você não se sente confortável em responder perguntas, em grandes eventos, já 
deixe o organizador do evento ter conhecimento prévio e verifi que a possibilidade 
das perguntas serem encaminhadas para posterior resposta, por e-mail por exemplo. 
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Mas responda sempre! Em comunidades menores ou palestras mais informais, fica 
mais fácil, pois você pode responder em grupos menores e o que não souber, não 
se sinta constrangido em assumir que não sabe, mas que irá buscar a resposta e de 
fato, faça isto.
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Para (não) Finalizar
Educação em Saúde Pública e Comunitária apresenta a vocês uma poderosa ferramenta para o 
aprimoramento dos processos de ensino, em especial, deste setor do qual são exigidos, cada vez 
mais, padrões de excelência na prestação de serviço à sociedade.
Se você é um profi ssional de saúde, sobretudo na área de Saúde Pública, é também um educador. 
Aquele do qual todos os alunos se lembrarão, com saudade, carinho e gratidão pelos conhecimentos 
transmitidos.
Desejamos-lhe sucesso.
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referências
ANTUNES, Mitsuko et al. Políticas públicas de educação-saúde. São Paulo: Alinea, 2009.
CHAVES, José Henrique; LIMA, Maria Izabel; VASCONCELOS, Maria Francisca. A imagem: da 
publicidade ao ensino. Revista Portuguesa de Educação. ISSN 0871-9187. 6:3 (1993) 103-111.
KOTLER, Philip. Administração de marketing. 10. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2000.
MALAGUTTI, William et al. Educação em saúde. São Paulo: Phorte Editora, 2010.
MONTEIRO, Estela et al. Reconstrução de ações de educação em saúde. Recife: Edupe, 
2008.
PIERANTONI, Celia Regina et al. Educação e saúde. São Paulo: Hucitec Editora, 2010.
PERES, Heloisa et al. Educação em saúde – Desafios para uma prática Inovadora. São Paulo: 
Difusão Editora, 2010.
SATO, Karin. Procura um novo emprego? Cuide da aparência antes de mandar currículo. 
Disponível em: <www.administradores.com.br>. Acesso em: 20 de março de 2011.
SILVA, Gilberto Tadeu Reis et al. Educação e Saúde. Editora Martinari, 2010.

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