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SP 2.3 - Ligeiramente grávida 
- Grávida!!! - logo agora, aos vinte e três anos, quando fui aprovada para ganhar uma bolsa de estudos na universidade!!! E como eu vou contar isso para o Saulo, estamos apaixonados, mas ele está desempregado... Aí, que enjoo horrível toda manhã, só dá pra comer um pão seco. E essa barriga, que parece que não vai parar de crescer? Doralice, enche a médica de perguntas... 
Em outra consulta ela volta e mais uma vez um monte de dúvidas: - Nem acredito Doutora, minha pele era linda, agora tem umas manchas escuras nas minhas bochechas e nos bicos dos seios. Que, aliás, estão imensos... e a Insônia? - É difícil dormir virada para o lado esquerdo, como você pediu, não estou acostumada! Ainda bem que não perdi o apetite sexual. Nem eu e nem o Saulo. E Doutora, por que tenho que fazer exames todos os meses? É um sem fim de exames. Ao sair, comenta com sua irmã que lhe acompanhou nesta consulta: - Todo mês passo na UBS, ou com a enfermeira ou com a médica. Medem minha barriga com a fita métrica e agora, mais para o final da gestação, fazem toda vez toque vaginal. A Doutora falou que o meu açúcar está no limite máximo do normal! Nesta semana a ACS irá lá em casa para que eu vá conhecer o hospital onde eu vou ganhar o neném, quando chegar a hora... Chega em casa junto com Saulo e já vai contando: - Eu gostei muito de fazer o ultrassom e de ouvir o coraçãozinho do bebê batendo rápido. A médica perguntou se eu queria saber o sexo e eu disse primeiro que não, que preferia surpresa como combinamos. Saulo beija Doralice... Mas... tenho que confessar: - não aguentei. Vai ser menino. Ai! Uma dorzinha no pé da barriga. Passou. Nesses últimos dias a barriga tem ficado mais dura, cada vez mais frequente. Bem que a enfermeira avisou. Saulo, corra, que a bolsa rompeu!!! 
Termos desconhecidos: nenhum 
Identificação de problemas:
- Grávida aos vinte e três anos, quando foi aprovada para ganhar uma bolsa de estudos na universidade;
- Saulo desempregado;
- Enjoo toda manhã;
- Manchas escuras nas bochechas e nos bicos dos seios;
- Insônia recorrente;
- Falta de informações e ansiedade;
- Açúcar no limite máximo;
- Fazem toda vez toque vaginal (mais para o final da gestação); 
- Ausência de informação prévia, antes dos procedimentos propedêuticos 
Hipóteses de explicação:
· Insônia: Pode estar relacionada a posição ou a níveis de ansiedade como por exemplo por Saulo está desempregado
· Açúcar: resistência insulínica pode estar relacionada a gestação;
· Manchas escuras na pele e no bico dos seios: as alterações hormonais são o principal motivo para o aparecimento dessas manchas, em especial no rosto conhecidas como melasma. Também é possível o aparecimento dessas manchas nos seios. 
· Enjoos: o maior motivo é o aumento na produção de progesterona. 
· Toque vaginal: vai avaliar a evolução da gravidez e verificar o risco de parto prematuro, verificar dilatação do colo do útero durante o trabalho de parto.
Questões de aprendizagem:
1. Descrever as alterações fisiológicas durante a gravidez
2. Entender as mudanças físicas, hormonais e psicológicas
3. Descrever a importância do pré-natal, os exames físicos, laboratoriais e de imagem, de acordo com o trimestre da gestação
4. Identificar os exames (físicos e complementares) que devem ser realizados durante o pré-natal e qual a periodicidade destes. (toque vaginal)
5. Entender a respeito da diabete gestacional (como prevenir, tratamento, diagnóstico, fatores de risco)
6. Entender como deve ser a relação médico-paciente em consultas de pré-natal
 Referências:
FEBRASGO - Ginecologia e Obstetrícia
Tratado de Ginecologia de Berek Novak
Freitas - Rotinas de Ginecologia
Manual da UNIFESP
Rezende
Manual do MS
Zugaib
PRÉ-NATAL E PUERPÉRIO - ATENÇÃO QUALIFICADA E HUMANIZADA 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pre-natal_puerperio_atencao_humanizada.pdf
MARTINS-COSTA, Sérgio. Rotinas em obstetrícia. 7. Porto Alegre ArtMed 2017 1 recurso online ISBN 9788582714102
Experiência pessoal:
Acredito ter tido uma participação satisfatória, seguindo os preceitos de respeito à fala dos colegas, solicitando o momento da minha participação, consegui ter mais atenção, para encaixar minha fala no contexto. Esta SP foi muito satisfatória a discussão, com boa participação do grupo, onde todos puderam expor seus conhecimentos. O tutor sempre guiando muito bem a condução dos alunos. Continuo abaixo com meu portfólio expositivo, pois facilita a minha participação na aula.
Alterações Fisiológicas da Gravidez
Toda gestante experimenta no transcorrer da gravidez uma série de alterações multissistêmicas em seu corpo. O conhecimento dessas alterações é fundamental, visando reconhecer quais são fisiológicas e quais são patológicas. As mudanças que ocorrem no organismo materno são decorrentes de reações ao concepto, alterações hormonais, modificações bioquímicas, e modificações anatômicas e mecânicas geradas pelo crescimento do feto ao longo da gravidez. Praticamente todos os sistemas apresentam mudanças funcionais ou estruturais com a evolução da gestação.
Alterações no Trato Gastrointestinal:
O trato gastrointestinal é um dos aparelhos que mais marcadamente apresentam alterações e acabam gerando sintomas na maior parte das gestantes. A elevação fisiológica dos níveis de progesterona é responsável pela lentificação do esvaziamento gástrico e do trânsito intestinal, gerando e exacerbando queixas com náusea, vômitos, constipação e distensão abdominal.
A náusea e o vômito surgem desde o início da gestação, atingindo o pico de intensidade por volta de 9 semanas e melhora dos sintomas em torno de 12 semanas. A elevação da progesterona também proporciona relaxamento do esfíncter esofagiano inferior. Isto, associado ao aumento da pressão abdominal (decorrente do desenvolvimento da gravidez), provoca o clássico quadro de pirose e refluxo. Existe também tendência à estase biliar e formação de cálculos biliares.
Alterações Metabólicas:
As alterações metabólicas são inúmeras, sendo as mais significativas a retenção hídrica, o ganho ponderal e as alterações do metabolismo glicídico. O ganho ponderal adequado para uma grávida depende do seu estado nutricional pré-gestacional. Grávidas com baixo peso (IMC < 18,5 Kg/m2) devem ganhar de 12,5 a 18 kg; aquelas eutróficas (IMC 18,5 a 24,9 Kg/m2), de 11 a 16 kg; as com sobrepeso (IMC 24,9 a 29,9 Kg/m2), 7 a 11,5 kg e as obesas (IMC > 30 Kg/m2) de 5 a 9 kg.
Fisiologicamente, ao longo da gravidez, existe retenção hídrica aproximada de 8 a 10 litros, havendo aumento do volume plasmático e dos volumes intra e extra celular. O principal envolvido no aumento da retenção hídrica é o hiperaldosteronismo secundário da gravidez, que eleva a retenção de sódio e de tal modo “puxa” a água. O aumento do volume circulante acaba por gerar queda da osmolaridade plasmática, da pressão oncótica e do limiar de sede.
O metabolismo da glicose é profundamente alterado pela gravidez, sendo a mesma, um estado diabetogênico. Ocorre fisiologicamente hipoglicemia de jejum, hiperglicemia pós-prandial e hiperinsulinemia, com objetivo de permitir concentrações mais elevadas de glicose plasmática e maior oferta de glicose ao feto. A glicose é transferida ao feto pelo mecanismo de difusão facilitada. As concentrações fetais são aproximadamente 20 mg/dl inferiores aos níveis maternos. Esses efeitos no metabolismo glicídico ocorrem devido a atuação de hormônios contra reguladores da insulina, dentre eles o Hormônio Lactogênio Placentário, a progesterona e o cortisol.
Alterações Hemodinâmicas:
As principais alterações hemodinâmicas que ocorrem no decorrer da gravidez são aumento da frequência cardíaca entre 10 e 15 batimentos por minuto, aumento do débito cardíaco (com pico entre 20 e 24 semanas), aumento da pressão venosa. Esta última em função do crescimento uterino, causando compressão dos vasos pélvicos e da veia cava inferior. Existe queda da resistência vascular periférica, da pressão arterial (queda de 3 a 4 mmHg na pressão sistólica e 10 a 15 mmHgna pressão diastólica) e do retorno venoso.
Alterações Hematológicas:
A principal das alterações hematológicas é a anemia fisiológica da gravidez. Durante a gestação ocorre grande aumento do volume plasmático (40 a 50%) e um aumento proporcionalmente menor da massa eritrocitária (20 a 30%). De tal forma que existe hemodiluição, resultando na anemia gestacional. Apesar de existir aumento da massa eritrocitária total, esse é menor do que o aumento de volume plasmático, de tal forma que existe queda do hematócrito e queda da concentração de hemoglobina.
Existe tendência à leucocitose, sendo aceitos níveis de 8000 a 12000 leucócitos por mm3. No puerpério, pode-se observarfisiologicamente níveis até 20000 leucócitos/mm3. A contagem de plaquetas em geral está inalterada, porém em 5% das gestações pode ocorrer trobocitopenia gestacional. No tocante a coagulação sanguínea, pode-se considerar a gestação e puerpério, estados de hipercoagulabilidade, havendo aumento de atividade dos fatores VII, VIII, X e FVW e diminuição de atividade dos fatores XI, XIII, proteína S e cofator da Proteína C.
Alterações Respiratórias:
Dentre as alterações respiratórias existe aumento de volume corrente e redução do volume residual pulmonar e da capacidade residual funcional. As modificações anatômicas na dinâmica ventilatória decorrem da elevação diafragmática em torno de 4 cm e do aumento de 2 cm do diâmetro transverso da caixa torácica. Durante a gestação ocorre hiperventilação, havendo de tal modo redução da pressão de CO2 e alcalose respiratória compensada. Existe elevação do 2- 3 difosfoglicerato (2-3DPG) e com isso o deslocamento para direita da curva de dissociação do oxigênio, facilitando a liberação de O2 para o feto.
Alterações Osteoarticulares:
Dentre as alterações osteoarticulares existe mudança do centro de gravidade materno, aumento da lordose lombar e ampliação da base de sustentação decorrente do crescimento uterino e aumento de peso da gestante. Em função dessas alterações, existe mudança do padrão de marcha da mulher, que adquire o padrão de marcha anserina, semelhante ao andar de um ganso.
Alterações da Função Renal e Urinária:
Durante a gravidez existe marcante alteração da função renal e urinária. Ocorre aumento do fluxo plasmático renal (em torno de 60 a 80%) e da taxa de filtração glomerular (50%), resultando em hipertrofia e aumento do peso renal em torno de 30%. Pode haver dilatação ureteral e pielocalicial e por fim pode ocorrer hidronefrose em função do crescimento uterino.
Alterações da Fisiologia e da Anatomia Mamária:
Desde o início da gestação existem marcantes alterações da fisiologia e da anatomia mamária. Com 5 semanas de gravidez a paciente costuma relatar congestão mamária, aumento de volume mamário e mastalgia. Na oitava semana existe o aparecimento dos tubérculos de Montgomery, que são glândulas sebáceas especializadas hipertrofiadas. A rede venosa de Haller decorre do aumento da vascularização mamária e representa a visualização de maior trama vascular na mama, geralmente identificada a partir de 16 semanas. Com o decorrer da gravidez identifica-se o sinal de Hunter. Este decorre do aumento de pigmentação do complexo aréolo- papilar, originando a aparência de uma aréola secundária.
Alterações Ginecológicas:
As alterações ginecológicas são marcantes e se iniciam logo no início da gestação. As principais alterações podem ser resumidas na tabela a seguir:
Outras Alterações:
Além dos sinais acima descritos, existe:
- O crescimento uterino decorrente de hiperplasia e hipertrofia das fibras musculares lisas.
- Alteração no muco cervical, que se torna mais viscoso, espesso e não cristaliza
- Redução da motilidade tubária
- Alteração no pH vaginal, que adquire característica mais ácida 
- A percepção de batimentos cardiofetais e de partes fetais ao exame físico.
Fonte: https://blog.jaleko.com.br/alteracoes-fisiologicas-da-gravidez/ 
Considerações gerais acerca das alterações fisiológicas e psicológicas da gravidez
As alterações fisiológicas ocorridas durante a gravidez sejam elas sutis ou marcantes, estão entre as mais acentuadas que o corpo humano pode sofrer, gerando medos, dúvidas, angústias, fantasias ou simplesmente curiosidade em relação às transformações ocorridas no corpo (COSTA e col., 2010)
O início e o desenvolvimento de uma gestação são percebidos como fenômenos complexos, embora não sejam caracterizados como um estado patológico. Durante esse estágio, ocorrem profundas alterações psicológicas, orgânicas e fisiológicas, repercutindo psíquica e socialmente na vida da mulher e de seus familiares, podendo inclusive ser considerado um episódio de crise no ciclo evolutivo de muitas mulheres (COSTA e col., 2010).
A percepção das gestantes sobre as modificações provenientes da gravidez está direcionada ao aumento de peso, das mamas e do abdome, sendo que estas modificações são destacadas de forma distinta por cada mulher, de acordo com o período gestacional em que se encontram, sendo o segundo e terceiro ressaltados como períodos em que ocorrem as mais significativas modificações corporais (COSTA e col., 2010).
O estudo de Costa e colaboradores obtiveram as seguintes declarações das gestantes sobre as modificações ocorridas em seu corpo: 
Aumento do peso corporal no segundo e terceiro trimestres
“Tenho consciência que vou ganhar muito mais peso durante a gestação, sei que isso vai acontecer com certeza. A gente engorda mesmo, todo mundo já sabe. O aumento do peso já é esperado”. 
Esta declaração aponta a certeza do ganho de peso durante a gestação, processo este considerado natural durante o período gravídico devido ao aumento das necessidades nutricionais e metabólicas maternas para o correto desenvolvimento e crescimento fetal, fazendo com que a gestante tenha seu peso aumentado em alguns quilos (MONTENEGRO e REZENDE, 2008; KAC e VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ, 2005). Salienta-se, porém que, logo após o parto, as mulheres costumam readquirir as condições corpóreas anteriores à gestação.
Aumento do volume das mamas no terceiro trimestre
“Durante a gravidez os seios aumentam muito de tamanho pra que a gente possa amamentar. Os seios ficam doloridos porque crescem, acho que é por causa da produção do leite”.
O aumento de volume das mamas na gravidez está diretamente associado ao processo de amamentação. Em ensaio acerca de estudos publicados desde o ano 2000 sobre a amamentação são destacadas: a importância desta ao início da vida e suas implicações para a saúde da criança, constituindo-se na intervenção isolada em saúde pública com o maior potencial para a diminuição da mortalidade infantil; além das implicações do aleitamento materno para a saúde da mulher, dentre as quais, a amenorréia pós-parto e, conseqüentemente, maior espaçamento intergestacional (TOMA e REA, 2008 ; (ARAÚJO E REA, 2006). 
Aumento da região abdominal no segundo e terceiro trimestres: 
O que mais cresce de tudo durante a gravidez é a barriga, para que a criança possa crescer direitinho. A barriga cresce mesmo.
Assim como o aumento das mamas, o abdômen também sofre uma expansão de volume à medida que o útero em crescimento se estende para dentro da cavidade abdominal. A distensão abdominal constitui-se um dos sinais mais expressivos da gestação (COIMBRA e col., 2003). Os discursos demonstraram que as modificações relatadas pelas gestantes são as mais visíveis durante o período gravídico, sem maior aprofundamento. 
Alterações psicológicas durante a gestação 
Esta categoria diz respeito aos relatos sobre mudanças psicológicas ocorridas com a gestante durante o período gestacional. De modo geral o trabalho realizado por (PICCININI e col., 2008) constatou que as gestantes referiram que seus sentimentos foram intensificados com a situação da gravidez. A seguir algumas declarações das participantes da pesquisa:
"Eu tô mais frágil. Eu já sou sensível, mas agora, grávida, eu fiquei bem mais".
As transformações psicológicas foram percebidaspelas gestantes tanto com um sentimento de satisfação:
"Eu sinto mais tranquila, mais calma, mais compreensiva com as pessoas, antes eu era muito agitada (...) Eu era muito fechada, e eu me abri".
Como de inadequação:
“Tu ficas mais propensa a chorar com mais facilidade, né, qualquer coisa assim. Um dia eu derrubei um negócio no chão e fiquei bem chateada". 
Essa inadequação foi especialmente sentida quando a sua natureza e/ou a intensidade dos sentimentos não lhes parecia condizer, na maioria das vezes, com a situação real que estava sendo vivenciada por elas.
Destacam-se, por último, os relatos das gestantes que expressaram conformidade diante das mudanças psicológicas percebidas na gestação, entendendo que estas eram inerentes à condição e esperadas nesse período:
"Durante a gravidez tu se irrita com qualquer coisa, com as pessoas, mas eu sei que isso é normal e não fico falando para todo mundo as questões".
Esta categoria abrange as impressões das gestantes sobre seu relacionamento com o companheiro e as repercussões da gestação na vida conjugal. De modo geral, elas se mostraram satisfeitas em relação às mudanças ocorridas, especialmente pelo fato de os companheiros terem passado a dividir mais as tarefas dentro de casa:
"Eu tive que diminuir mais as minhas atividades em casa, e ele foi me dando mais apoio, é bem legal". 
Outra razão para a satisfação das gestantes foi o fato de perceberem, com a gravidez, maior solidez no relacionamento conjugal:
"A gente se uniu mais (...) a gravidez foi a melhor coisa para o relacionamento, criou solidez que antes não tinha".
Ademais, as gestantes perceberam-se satisfeitas pôr o bebê preencher um espaço que estava livre na vida do casal:
"Eu acho que vai preencher assim um espaço do casal (...) vai melhorar, porque a gente se dá super-bem e eu acho que faltava um complemento, um filho".
As gestantes também revelaram sentimento de insatisfação diante das mudanças observadas na relação conjugal. Elas se viram tolhidas pelos companheiros em sua capacidade de realizar as tarefas do dia-a-dia:
"Tudo ele quer fazer. Antes não era assim, agora ele não me deixa fazer nada, tá sempre ali (...) me incomoda demais". 
A insatisfação teve como base também um sentimento de ciúme e insegurança em relação ao companheiro:
"Eu fiquei com ciúmes dele sair sem mim, me senti em segundo plano, tipo começa a ser deixada para trás, me deixando em casa" - como com o próprio bebê: "A gente sabe que não é mais só nós dois, e eu digo: só o que falta é tu ficar olhando para J. [a bebê] e esquecer de mim". 
Outro sentimento verbalizado pelas gestantes foi o de irritação em relação ao companheiro, especialmente no início da gravidez:
"Aí no começo da gravidez ele colocava aquele perfume e eu me irritava!".
Em relação às mudanças nos hábitos do casal diante da gravidez, elas relataram uma diminuição na frequência de relações sexuais, tanto pelo fato de o bebê passar a ser o centro de interesses como (e principalmente) pelo medo deles de machucar o bebê:
"Alguma coisa no sentido de sexo, assim, sabe, ele fica meio com medo de machucar o nenê".
Além disso, foram mencionadas alterações na organização orçamentária do casal, visando proporcionar melhor qualidade de vida ao bebê:
"A gente só pensava em viagem, [agora] a gente começou a economizar, a gente quer dar para ele de tudo do bom e do melhor" (G23). 
Por tanto levando-se em conta a relevância do período gestacional, tanto para a gestante e seu marido como para o bebê, é importante que se busque compreender a dinâmica psíquica desse momento e sua contribuição para a constituição da maternidade.
Logo diante de todas estas mudanças e revivências psíquicas, a experiência de gestar leva a uma exacerbação da sensibilidade da mulher, o que a torna também suscetível a vários distúrbios emocionais (RAPHAEL-LEFF, 2000). 
Assim, a gravidez pode tanto desencadear uma crise emocional para as gestantes como inaugurar um potencial de adaptação e resolução de conflitos até então desconhecido ((ARAGÃO, 2006). A maneira como a mulher lida com todas estas mudanças do período gestacional deverá influenciar fortemente a relação futura com a criança (MALDONADO, 1997).
Fonte: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/download/2324/3608 
 
Importância do pré natal
Trimestre da gravidez no momento em que iniciou o pré-natal:
− Abaixo de 13 semanas - 1° trimestre
− Entre 14 e 27 semanas - 2° trimestre
− Acima de 28 semanas - 3° trimestre
Roteiro da Primeira Consulta
História clínica
• Identificação:
− Idade;
− Cor;
− Naturalidade;
− Procedência;
− Endereço atual.
• Dados sócio-econômicos:
− Grau de instrução;
− Profissão/ocupação;
− Situação conjugal;
− Número e idade de dependentes (avaliar sobrecarga de trabalho doméstico);
− Renda familiar per capita;
− Pessoas da família que participam da força de trabalho;
− Condições de moradia (tipo, nº de cômodos);
− Condições de saneamento (água, esgoto, coleta de lixo).
• Motivos da consulta:
− Assinalar se foi encaminhada pelo agente comunitário ou se procurou diretamente a unidade;
− Se existe alguma queixa que a fez procurar a unidade -descrevê-la.
• Antecedentes familiares - especial atenção para:
− Hipertensão;
− Diabetes;
− Doenças congênitas;
− Gemelaridade;
− Câncer de mama;
− Hanseníase;
− Tuberculose e outros contatos domiciliares (anotar a doença e o grau de parentesco).
• Antecedentes pessoais - especial atenção para:
− Hipertensão arterial;
− Cardiopatias;
− Diabetes;
− Doenças renais crônicas;
− Anemia;
− Transfusões de sangue;
− Doenças neuropsíquicas;
− Viroses (rubéola e herpes);
− Cirurgia (tipo e data);
− Alergias;
− Hanseníase;
− Tuberculose.
• Antecedentes ginecológicos:
− Ciclos menstruais (duração, intervalo e regularidade);
− Uso de métodos anticoncepcionais (quais, por quanto tempo e motivo do abandono);
− Infertilidade e esterilidade (tratamento);
− Doenças sexualmente transmissíveis (tratamentos realizados, inclusive do parceiro);
− Cirurgias ginecológicas (idade e motivo);
− Mamas (alteração e tratamento);
− Última colpocitologia oncótica (Papanicolau ou "preventivo", data e resultado).
• Sexualidade:
− Início da atividade sexual (idade da primeira relação);
− Desejo sexual (libido);
− Orgasmo (prazer);
− Dispareunia (dor ou desconforto durante o ato sexual);
− Prática sexual nesta gestação ou em gestações anteriores;
− Número de parceiros.
• Antecedentes obstétricos:
− Número de gestações (incluindo abortamentos, gravidez ectópica, mola hidatiforme);
− Número de partos (domiciliares, hospitalares, vaginais espontâneos, fórceps, cesáreas - indicações);
− Número de abortamentos (espontâneos, provocados, complicados por infecções, curetagem pós-abortamento);
− Número de filhos vivos;
− Idade na primeira gestação;
− Intervalo entre as gestações (em meses);
− Número de recém-nascidos: pré-termo (antes da 37ª semana de gestação), pós-termo (igual ou mais de 42 semanas de gestação);
− Número de recém-nascidos de baixo peso (menos de 2.500 g) e com mais de 4.000 g;
− Mortes neonatais precoces - até sete dias de vida (número e motivos dos óbitos);
− Mortes neonatais tardias - entre sete e 28 dias de vida (número e motivo dos óbitos);
− Natimortos (morte fetal intra-útero e idade gestacional em que ocorreu);
− Recém-nascidos com icterícia neonatal, transfusão, hipoglicemia neonatal, exsanguinotransfusões;
− Intercorrência ou complicações em gestações anteriores (especificar);
− Complicações nos puerpérios (descrever);
− Histórias de aleitamentos anteriores (duração e motivo do desmame);
− Intervalo entre o final da última gestação e o início da atual.
• Gestação atual:
− Data do primeiro dia/mês/ano da última menstruação - DUM (anotar certeza ou dúvida);
− Data provável do parto - DPP;
− Data da percepção dos primeiros movimentos fetais;
− Sinais e sintomas na gestação em curso;
− Medicamentos usados na gestação;
− A gestação foi ou não desejada;
− Hábitos: fumo (número de cigarros/dia), álcool e uso de drogasilícitas;
− Ocupação habitual (esforço físico intenso, exposição a agentes químicos e físicos potencialmente nocivos, estresse).
Exame Físico
• Geral:
− Determinação do peso e avaliação do estado nutricional da gestante;
− Medida e estatura;
− Determinando da frequência cardíaca;
− Medida da temperatura axilar;
− Medida da pressão arterial;
− Inspeção da pele e das mucosas;
− Palpação da tireóide;
− Ausculta cardiopulmonar;
− Exame do abdome;
− Palpação dos gânglios inguinais;
− Exame dos membros inferiores;
− Pesquisa de edema (face, tronco, membros).
• Específico: gineco-obstétrico− exame de mamas (orientado, também, para o aleitamento materno);
− Medida da altura uterina;
− Ausculta dos batimentos cardiofetais (entre a 7ª e a 10ª semana com auxílio do Sonar Doppler, e após a 24ª semana, com Pinard).
− Identificação da situação e apresentação fetal (3º trimestre);
− Inspeção dos genitais externos;
− Exame especular:
a) inspeção das paredes vaginais;
b) inspeção do conteúdo vaginal;
c) inspeção do colo uterino;
d)coleta de material para exame colpocitológico (preventivo de câncer), conforme Manual de Prevenção de Câncer Cérvico-uterino e de Mama;
− Toque vaginal;
− Outros exames, se necessários;
− Educação individual (respondendo às dúvidas e inquietações da gestante)
Fonte: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_11.pdf 
Fonte: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_11.pdf

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