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Casos que geram Responsabilidade Conceito de Responsabilidade A responsabilidade civil deriva da agressão a um interesse jurídico em virtude do descumprimento de uma norma jurídica pré-existente, contratual ou não. Deriva-se do latim RESPONDERE, que seria a obrigação que alguém possui de assumir as consequências jurídicas de seus atos, seria um dever jurídico sucessivo e de SPONDEO, onde o devedor se vinculava ao credor nos contratos verbais, por intermédio de pergunta e resposta. SPONDESNE MIHI DARE CENTUM? SPONDEO. OU SEJA PROMETES ME DAR UM CENTO? PROMETO. Maria Helena Diniz “A aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros, em razão de ato do próprio imputado, de pessoa por quem ele responde, ou de fato de coisa ou animal sob sua guarda (responsabilidade subjetiva), ou ainda, de simples imposição legal (responsabilidade objetiva)”. Definição CASOS QUE GERAM RESPONSABILIDADE Todo dever estabelecido através de uma relação jurídica deve ser cumprido de forma que não prejudique outrem por inadimplemento da parte passiva da relação jurídica. O Direito civil brasileiro deve garantir que os deveres acordados sejam cumpridos de ambas as partes (credor e devedor). Trazendo normas que assegurem ao credor, o direito de receber que foi encomendado com o devedor. O grande objetivo da responsabilidade civil é ressarcir dano causado a outrem. ➔ Há diversas formas de contrair obrigações, sendo a partir do vínculo obrigacional que se estabelece entre pólo passivo e polo ativo, sob uma prestação, estes passam a constituírem deveres uns com os outros, e o não cumprimento deste dever originário, gera as responsabilidades. ➔ Em muitos casos, essa responsabilidade, não decorrente de um contrato bilateral, haja vista que há existência de responsabilidades decorrente da própria lei, como na responsabilidade extracontratual. ➔ A responsabilidade não se limita, também, só a esses casos como será analisado. Responsabilidade Contratual A responsabilidade contratual origina-se do não cumprimento contratual, originando um ilícito contratual, ou seja, de falta de adimplemento ou da mora no cumprimento de qualquer obrigação, assim, é o resultado da violação de uma obrigação anterior, gerando uma responsabilidade de caráter contratual. Seria esta então, referente à inexecução obrigacional. Art. 1056, CC Segundo o artigo 1056 do Código Civil, competirá ao devedor, comprovar a inexistência de sua culpa ou presença de qualquer excludente do dever de indenizar ➔ Decorrente de um contrato, onde duas pessoas concebem um vínculo de atributividade, criando consequentemente, obrigações. ➔ As partes envolvidas firmam um compromisso e ambas devem cumpri-las (PACTA SUNT SERVANDA). ➔ Quando uma parte não cumpre com o que foi pactuado haverá de reparar por esse inadimplemento. ➔ A prestação deve ser cumprida em conformidade com o acordado entre pólo ativo e passivo. Art. 313, CC “O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa”. Art. 389, CC “Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. Se o devedor não cumprir da forma pactuada entre as partes, poderá resultar no inadimplemento da obrigação, OBRIGATORIEDADE Princípio regente da responsabilidade contratual. Por este princípio da e o artigo 389 do Código Civil, a doutrina entende que existe intangibilidade dos contratos, e em regra, uma vez firmado e tendo validade, este não poderá ser modificado, nem mesmo revogado, a não ser que haja consentimento das partes. O contrato faz-se lei entre as partes (inter parts), e uma vez violada essa “lei particular”, nasce o direito da parte lesada em ser indenizada pela verificação da chamada culpa contratual. A culpa não é o essencial em determinados tipos de obrigações PORTANTO A responsabilidade é a consequência de um inadimplemento por parte do devedor. Art. 1058, CC Segundo este artigo, o ônus da prova cabe ao devedor, cujo mesmo deve provar ante o inadimplemento a inexistência de sua culpa ou algo que retire sua obrigação de indenizar o credor, como caso fortuito ou de força maior. ➔ Há responsabilidade contratual toda vez que uma obrigação originária não foi devidamente cumprida pelas partes envolvidas. ➔ Venosa ainda se aprofunda nos requisitos da responsabilidade contratual. ➔ O descumprimento do contrato, pode ser por culpa do devedor ou sem culpa, quando sem culpa, a obrigação extingue-se, segundo o art. 338, CC; com culpa, o inadimplente responde pelas perdas e danos, segundo o art 239. JURISPRUDÊNCIA RECURSO ESPECIAL N° 1.678.818 - SP (2017/0074702-5) Superior Tribunal de Justiça RELATOR: HERMAN BENJAMIN RECORRENTE: FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO RECORRIDO: BANCO POTTENCIAL S/A RECORRIDO: CONSTRUTORA OLECRAM RODRIGUES LTDA EMENDA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO ADMINISTRATIVO. OBRA EM ESCOLA PÚBLICA. NÃO CUMPRIMENTO DO PRAZO CONTRATUAL. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. EXCLUSÃO DO FIADOR DA CONDENAÇÃO. REVOLVIMENTO DOS FATOS E PROVAS. NECESSIDADE DE ANÁLISE DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. Trata-se de Recurso Especial destinado a reformar o Acórdão do Tribunal de origem que, não obstante tenha mantido a condenação da Construtora pelo inadimplemento do contrato administrativo (atraso na construção de obra em escola pública), excluiu da condenação instituição financeira que emitiu carta de fiança como garantia do contrato Avaliar o acerto ou desacerto do Acórdão do Tribunal de origem quanto à responsabilidade da instituição financeira em relação à carta de fiança oferecida por empresa contratada pela Administração Pública, após prévio procedimento licitatório, bem como a existência ou não de solidariedade em relação ao cumprimento da obrigação contratual, demanda reanálise do quadro probatório constante nos autos. É inviável, portanto, analisar a tese defendida no Recurso Especial, pois inarredável a revisão do conjunto probatório dos autos para afastar as premissas fáticas estabelecidas pelo acórdão recorrido. Aplica-se o óbice da Súmula 7/STJ (A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial). Ademais, o acolhimento da tese apresentada no Recurso Especial exigirá a apreciação do contrato administrativo celebrado entre a recorrente e a recorrida, incindindo o óbice da Súmula 5/STJ (A simples interpretação de cláusula contratual não enseja recurso especial). Precedentes: AgRg nos EDcl no REsp 1.074.256/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 26/10/2010, DJe 4/11/2010; AgInt no AREsp 945.968/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 1/3/2018, DJe 6/3/2018; AgInt no AREsp 1.128.574/RS, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 27/2/2018, DJe 9/3/2018. Recurso Especial não conhecido. Coube ao Tribunal, analisar a responsabilidade da instituição financeira no tocante a carta de fiança oferecida a empresa contratada pela Administração Pública, através de procedimento licitatório, bem como avaliar a existência ou não de uma obrigação solidária no cumprimento contratual. ANÁLISE DO CASO Responsabilidade extracontratual ➔ A responsabilidade extracontratual ou aquiliana é aquela cujo descumprimento decorre diretamente da lei, ou seja, não há um vínculo obrigacional através de um contrato entre as partes, mas sim, um vínculo legal. ➔ Direito romano, seria a base jurídica dessa espécie de responsabilidade civil, criando uma forma pecuniária de indenização do dano, assentada no estabelecimento de seu valor A responsabilidade extracontratual se resulta do inadimplemento normativo, ou seja, da prática de um ato ilícito por pessoa capaz ou incapaz (art. 156 CC),da violação de um dever fundado em algum princípio geral de direito (art. 159 CC), visto que não há vínculo anterior entre as partes, por não estarem ligadas por uma relação obrigacional. Caberá à vítima provar a culpa do agente. RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL OBJETIVA OU DECORRENTE DO ERRO SUBJETIVA OU DELITUAL Dano ou prejuízo ocorreu com culpa pelo agente Dano ou prejuízo ocorre sem culpa do agente Art. 927, CC “ Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.” http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art186 CÓDIGO CIVIL Assenta a culpa, em sentido amplo, abrangendo assim, a culpa em sentido estrito. E, para a vítima ser indenizada basta provar que o agente foi imprudente, imperito ou negligente, ou que este, agiu sem culpa, mas assumiu o risco- responsabilidade objetiva. JURISPRUDÊNCIA CASO: RECURSO ESPECIAL N° 1.728.079- RS (2018/0052028-7) Superior Tribunal de Justiça RELATOR: MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE: MARINA ANASTACIO GONÇALVES RECORRIDO: MUNICIPIO DO RIO GRANDE EMENDA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DO EVENTO DANOSO. SÚMULA 54/STJ. 1. Cinge-se a controvérsia a definir o termo inicial dos juros moratórios relativos ao dano moral em caso de responsabilidade civil extracontratual, em Ação Indenizatória por danos materiais e morais, decorrente de queda sofrida pela autora na calçada da rodoviária municipal, na qual o Município de Rio Grande foi vencido quanto aos danos morais. 2. Assiste razão à recorrente no que se refere ao termo inicial dos juros de mora. Isso porque, nos termos da Súmula 54/STJ, os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. 3. "Mesmo naquelas obrigações não quantificadas em dinheiro inicialmente ou ilíquidas, os juros moratórios fluem normalmente da data em que o devedor é constituído em mora, a qual, em se tratando de ato ilícito extracontratual, ocorre com o evento danoso, mercê do que dispõe o art. 398 do Código Civil de 2002. Assim, nas indenizações por danos morais decorrentes de responsabilidade extracontratual, os juros moratórios incidem desde o evento danoso" (AgRg no REsp 949.540/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 27/3/2012, DJe 10/4/2012). 4. Recurso Especial provido. Logo, por se tratar de uma responsabilidade extracontratual, os juros em mora incidem desde o evento danoso e sustenta ainda a violação do artigo 398 do Código Civil, que dispõem que nas “obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou”. ANÁLISE DO CASO Responsabilidade Pós Contratual Denominada responsabilidade pós-contratual (culpa post pactum finitum), esta vincula-se a violação dos deveres acessórios decorrentes do contrato que anteriormente foi firmado entre as partes. Art. 422, CC “Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé” DEVER DE INDENIZAR Quando na extinção do contrato a conduta de umas das partes não manteve-se da forma correta Encontra-se previsto nos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil de 2002. EXEMPLO DE RESPONSABILIDADE PÓS CONTRATUAL JURISPRUDÊNCIA CASO: O Tribunal de origem decidiu em conforme à jurisprudência consolidada na Súmula nº 8 do TST. EMENDA EMENTA : AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. CONTRATO DE TRABALHO EXTINTO. CLÁUSULA GERAL DA BOA-FÉ OBJETIVA. DEVER ANEXO DE LEALDADE. VIOLAÇÃO. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. RESPONSABILIDADE PÓS-CONTRATUAL. CULPA POST PACTUM FINITUM. Agravo de instrumento a que se dá provimento para determinar o processamento do recurso de revista, em face de haver sido demonstrada possível afronta ao artigo 422 do Código Civil, nos moldes do artigo 896, c, da CLT O exame dos autos revela que a Corte a quo proferiu decisão completa, válida e devidamente fundamentada, razão pela qual não prospera a alegada negativa de prestação jurisdicional. Recurso de revista de que não se conhece. ANÁLISE DO CASO Responsabilidade dos Pais, Tutores e Curadores Estes são responsáveis por toda atuação danosa atribuída a seus filhos menores, esta é de caráter objetivo, ou seja, seriam os pais obrigados a responder pelo independente da culpa, no caso do menor a responsabilidade é subsidiária e mitigada. DOS PAIS Art, 932, CC “ São também responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.” Cessa a responsabilidade dos pais se os filhos forem emancipados. ➔ Os tutores são designados quando os pais do menor falecem ou até mesmo quando são destituídos de suas famílias. ➔ Passando então os tutores a possuir a responsabilidade sobre o menor e a responder pelos atos praticados pelos mesmos. DOS TUTORES DOS CURADORES Os curadores são responsáveis pelos bens e o patrimônio, ou até mesmo se for o curador de um patrimônio público, responderá por este, e com o que ocorrer com o mesmo. JURISPRUDÊNCIA CASO: APELAÇÃO CÍVEL Nº 0000152-49.2012.8.24.0013, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA RELATOR: DESEMBARGADOR HELIO DAVID FIGUEIRA DOS SANTOS APELANTE: ADILSON FRITZEN E MARINÊS ALVES DO AMARAL APELADO: GUAREZI FRUTAS Ltda. ME E JANDIR PEROSS EMENDA APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO CONDENATÓRIA. RESPONSABILIDADE CIVIL POR FATO DE OUTREM. ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO. CONDUTOR ADOLESCENTE. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECONHECIDA CULPA CONCORRENTE. PROPRIETÁRIA REGISTRAL DO AUTOMÓVEL EXCLUÍDA DA LIDE. CONDENAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. INSURGÊNCIA DE AMBAS AS PARTES. APELO DO REQUERIDO. ALEGAÇÃO DE CULPA EXCLUSIVA DOS AUTORES E DE LICITUDE DA CONDUTA DAQUELE. INSUBSISTÊNCIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INCONTESTE O NEXO CAUSAL ENTRE AS AÇÕES DO RÉU E O DANO. PLEITO SUBSIDIÁRIO DE AFASTAMENTO DA PENSÃO MENSAL. VERBA DEVIDA. PRECEDENTES. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. A responsabilidade civil dos pais por ato ilícito dos filhos é objetiva, mas exige a comprovação de culpa ou dolo na ação destes (STJ, REsp 1436401/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, j. 02/02/2017) O adolescente que mesmo após de seus genitores, os quais já haviam proibido que dirigisse caminhões e jamais o ensinaram a conduzir o veículo, pega o automóvel saia em disparada, vitimando o filho dos autores o levando a morte da criança de 1 ano e 4 meses, em virtude de traumatismo craniano e de tórax. O acidente ocorreu no pátio da propriedade rural do requerido, quando o menino ali transitava, foi atingido pelo caminhão, com um ou ambos rodados traseiros direitos. ANÁLISE DO CASO Responsabilidade sobre os Animais A responsabilidade por fatos causados por animais tem sua origem no Direito Romano, segundo o qual o dominus era o responsável, mas exonerava-se abandonando o animal. Art. 1384, § 1 “Cada um é responsável não só pelo prejuízo que causa pelo seu próprio ato, mas também pelo que é causadopelas pessoas por quem deve responder ou das coisas de quem tem a guarda” Do Código de Napoleão ➔ O dono ou o que tem sua guarda é responsável pelo fato danoso, isto é, há presunção de culpa em face do proprietário da mesma. ➔ Para indenizar, deve se apurar quem estava com a coisa no momento em que o dano foi provocado. Art. 936, CC O dano, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Deste modo, existindo o dano causado pelo animal, identificado o seu dono, este será considerado culpado, e logo, responsável pela reparação ➔ Nos últimos anos deparamo-nos com um crescente número de incidentes envolvendo animais ferozes, por conta da falta de cautela e civilidade dos seus donos ou possuidores. ➔ A imprensa vem noticiando casos de ataques de cães ferozes, de raças agressivas como o pitbull e o rottweiller, que ocasionam danos graves e até a morte das vítimas. ➔ Com a mesma frequência, cabeças de gado invadem as rodovias de nosso país, ocasionando acidentes com veículos, danos de alta monta, inclusive a perda de vidas. ➔ A falta de zelo e cuidado crescentes e o processo de banalização no tratamento dos animais e por causa disso o crescente número de acidentes conduziu o legislador a asseverar o tratamento com relação a acidentes que envolvem animais. ➔ Caso o animal tenha sido furtado e sob a posse do ladrão atacar um terceiro: 1. Se o proprietário tiver faltado ao dever de guardar seu animal e o furto ocorreu, a responsabilidade recai sob o proprietário. 2. Se este dever foi cumprido, entretanto não sendo ainda assim suficiente se exonera o proprietário da culpa, e equipara-se o furto à força maior, ➔ Nos casos de invasão de rodovias por animais, quando não for possível identificar o dono ou detentor do animal, a jurisprudência admite que o administrador ou concessionário da rodovia também responda pelos referidos danos, mas cabe ação regressiva contra o dono do ser irracional, após identificá-lo. JURISPRUDÊNCIA CASO: APELAÇÃO CIVEL N º 994.110189-8 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO RELATOR: TEIXEIRA LEITE APELANTE: JAIR MARIANO DA SILVA E ANABELA MANTOVANI ROMAO E SILVA APELADO: CONDOMINIO EDIFICIO JARAGUA EMENDA INDENIZAÇÃO. Responsabilidade pelo fato da coisa -Ferimento no abdômen e região genital de funcionário de condomínio causados por ataque de cão da ração pitbulL Responsabilidade objetiva dos donos do animal Proprietários que descumpriram o dever de guarda e vigilância de seu animal feroz. Evento danoso causado por culpa exclusiva dos donos do animal Sentença que condenou no pagamento das despesas médicas e ressarcimento dos custos causados ao condomínio pela falta do funcionário. Recurso desprovido. (TJ-SP - APL: 994051101898 SP, Relator: Teixeira Leite, Data de Julgamento: 11/03/2010, 4ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 25/03/2010) Diante disso, não cabe dúvidas de que os apelantes devem arcar com as despesas decorrentes do episódio, sobre o entendimento de que o feroz animal não poderia estar em condições previsíveis de causar riscos a terceiros. ANÁLISE DO CASO Responsabilidade Médica Há a responsabilidade civil dos médicos quando agirem com negligência, imperícia ou imprudência, cabendo isto não somente aos médicos, mas também a profissões relacionadas, como Cirurgiões, Farmacêuticos e Dentistas, se o ato praticado provocar a morte, algum mal, lesão de qualquer grau ou o deixar inapto para o trabalho, estes, serão responsáveis e haverá, portanto, o dever de indenizar. Art 951, CC O disposto nos arts. 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho. ➔ Esta responsabilidade civil médica decorre de uma responsabilidade contratual, visto que, a relação jurídica formada entre o médico e seu paciente é uma espécie de locação de serviços sui generis, conjunta com a prestação dos serviços médicos, estes que podem ser pagos. ➔ Este contrato é firmado quando o paciente submete-se ao tratamento ou procedimento, de maneira expressa ou tácita, sendo muitas das vezes firmado de maneira verbal. Assim, caso ocorra um ato que gere a responsabilidade civil do médico, ou os outros relacionados, será analisado, culpa do profissional, de acordo com o artigo 951 do código Civil, essa culpa pode ser de caráter subjetivo, mas é necessária a comprovação para que seja reconhecido. JURISPRUDÊNCIA CASO: Apelação Cível nº 0002908-43.2010.8.26.0531 Comarca: Santa Adélia Apelante(s) Hideo Muramatsu Apelado(a)(s): Jaine Kemily Romanelli, menor impúbere representada por sua genitora Interessado: Município de Palmares Paulista Juiz Sentenciante: Dr.(a) Rodrigo Rissi Fernandes RELATOR: DJALMA LOFRANO FILHO EMENDA RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MÉDICO. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. DIAGNÓSTICO FALHO. NATUREZA DA LESÃO QUE, POR CAUTELA, EXIGIA O EXAME DE IMAGEM (RAIO-X). Paciente que sofreu fratura em seu antebraço esquerdo e, embora precisasse realizar exame por imagem, foi apenas medicada e liberada. Negativa do médico, ora apelante, de encaminhá-la a um hospital com mais recursos, para que pudessem ser realizados exames complementares. Procedimento incorreto, na consideração de não ter sido dispensado o cuidado necessário no atendimento, fazendo com que a autora, desprovida de recursos financeiros, buscasse ajuda de terceiros para ser atendida em hospital situado em outro Município. Reparação por dano moral devida pela conduta imperita e negligente do profissional. Dano moral fixado em R$ 10.000,00 (dez mil reais). Para saber a situação do paciente e proporcionar o devido tratamento, o que não foi realizado, o paciente apenas foi mandado para casa com uma medicação leve, que não é a adequada para sua situação, assim, de acordo com o disposto no código civil, este teria uma responsabilidade civil e o dever de indenizar, como o hospital era público foi condenado solidariamente ao médico. ANÁLISE DO CASO Responsabilidade dos Hoteleiros Os donos de hotéis, hospedarias e outros estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, são solidariamente responsáveis pelos danos causados a terceiros por seus hóspedes ou moradores. Art. 932, CC Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. ➔ Se o empregado do hotel quebre ou furte algo de uma hóspede, o hospedeiro irá responder por aquele objeto em questão. ➔ há o dever de indenizar, para restaurar a lesão patrimonial e moral, tendo assim, força de lei, de acordo com o código civil e também com o Código de Defesa do Consumidor. ➔ há duas formas de responsabilidade: 1. A primeira seria aquela tratada no artigo 932, onde o hospedeiro é responsável. 2. A segunda é aquela onde um hóspede causa dano para outro hóspede; caberia ao hospedeiro, impor uma série de regras a serem seguidas pelos hóspedes, regras e condutas ou até mesmo fazer uma seleção dos hóspedes, para evitar que isso possa ocorrer. Carlos Roberto Gonçalves As hipóteses cogitadas neste inciso são difíceis de ocorrer. Raramente se vê um dono de hotel ser responsabilizado por dano a terceiro causado por seu hóspede. Mas pode, eventualmente,ocorrer em atropelamentos verificados no pátio do hotel ou em brigas no interior da hospedaria, por exemplo. JURISPRUDÊNCIA CASO: Recurso Inominado - Segunda Turma Recursal Cível Nº 71003864550. Comarca de Rio Grande. HOTELARIA ACCOR BRASIL S.A. RECORRENTE: DILNEA MATTOS MACHADO RECORRIDO: ROGERIO ROSSI MACHADO RECORRIDO: GUILHERME THEO BERND RECORRIDO: MARION PEREIRA BERND RECORRIDO EMENDA RESPONSABILIDADE CIVIL. FURTO DE OBJETOS DO INTERIOR DE estabelecimento hoteleiro. CIRCUNSTÂNCIAS QUE CONDUZEM CONCLUSÃO DE VERACIDADE DA VERSÃO DOs AUTORes. sopesamento da prova em prol do consumidor. imediatidade e boa-fé. Neste caso, houve o furto dos documentos dos autores, e também houve a comprovação por parte dos autores, tendo o fato ocorrido no interior do estabelecimento hoteleiro em que estavam hospedados Neste caso, houve o furto dos documentos dos autores, e também houve a comprovação por parte dos autores, tendo o fato ocorrido no interior do estabelecimento hoteleiro em que estavam hospedados, na cidade de Paris, o que causou danos morais e materiais, neste caso foi condenado o hoteleiro no valor de R$ 7.369,70, de danos materiais e R$ 1.500,00, de danos morais. ANÁLISE DO CASO Responsabilidade do Empregador O empregador possui a responsabilidade civil de garantir e proporcionar ao empregador boas condições de trabalho, de acordo com os requisitos previstos na CLT, e também aquilo que está previsto para a categoria da profissão. O fornecimento de equipamentos de segurança, caso seja necessário para o desempenho adequado da função. Caso esses quesitos não sejam cumpridos, haverá a responsabilidade civil do empregador se houver acidentes. RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR OBJETIVASUBJETIVA Necessita da comprovação do Dano. Não necessita da comprovação do Dano. Está isento da responsabilidade civil o empregador, se o culpado do ocorrido, ou do acidente, for o próprio empregado, ou que o acidente tenha sido ocasionado por força maior, sem que tenha sido acarada pelo empregado ou pelo empregador, que não seja motivado por culpa de nenhum, assim, ficará a cargo do INSS, conceder beneficio ao empregado. JURISPRUDÊNCIA CASO: PROC. Nº. TRT.- 00267.2006. 312. 06.00.2 (RO) , Órgão Julgador: TERCEIRA TURMA, Juiz Redator: JOSÉ LUCIANO ALEXO DA SILVA, Recorrente : WELLINGTON JOSÉ DA COSTA, Recorrido: ETIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ETIQUETAS GIULI LTDA. Advogados: AMARO WANDERLEY DE SOUZA E ADEILDO FERREIRA PONTES, Procedência: 2ª VARA DO TRABALHO DE CARUARU - PE . EMENDA EMENTA: RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR, DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. O art. 186 do novo Código Civil determina que para que haja a reparação do dano é necessária a presença de três requisitos específicos, a lesividade do ato apontado, a verificação do dano e o nexo de causalidade entre o dano e o ato lesivo. Configurado nos autos que a recorrida contribuiu culposamente para a configuração do acidente de trabalho que vitimou o reclamante, causando lesão, dano estético na mão esquerda deste último, deve reparar o dano causado ao obreiro, pagando indenização respectiva Recurso do reclamante a que se dá parcial provimento. Neste caso, houve a responsabilidade civil do empregador, pois a o nexo causal, pois houver culpabilidade no ato lesivo, o que deixou o empregado com a mão lesionada definitivamente, assim, teria o empregador a responsabilidade de indenizar pelo dano causado. ANÁLISE DO CASO Responsabilidade do Transportador No que diz respeito a essa responsabilidade, a previsão legal encontra-se no Decreto-lei nº2.681/12- editado antes do Código Civil de 1916, cujo mesmo concede ao transportador responsabilidade objetiva, baseando-se na teoria do risco. ➔ Considerando que o transporte por si só é uma profissão de risco, a doutrina e a jurisprudência acharam fundamental instituir um regime ao transportador, atribuindo responsabilidade civil, vez que, o simples fato do exercício da atividade desguarnece o ofendido a sofrer um dano. Fábio Henrique Podestá Note-se que não se trata a rigor de uma investigação da culpa no sentido de que o pretendente à indenização deva provar que o agente não agiu com culpa. A alegação e, consequentemente, a prova de inexistência de culpa ou presença de alguma excludente ficam a cargo do transportador. Este, por exercer uma obrigação de resultado, deve cercar-se de segurança, seja quanto à atividade, seja quantos aos meios, a fim de que se possam evitar acidentes. Entretanto, sobrevindo o evento danoso, e, consequência da exploração da atividade, há que arcar com os ônus decorrentes, afastando nesse aspecto qualquer caráter subjetivo quanto a culpa. JURISPRUDÊNCIA CASO: RECURSO DE REVISTA - ACIDENTE DE TRABALHO - RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR - RESPONSABILIDADE OBJETIVA - DANOS MORAIS. EMENDA RECURSO DE REVISTA - ACIDENTE DE TRABALHO - RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR - RESPONSABILIDADE OBJETIVA - DANOS MORAIS. Resulta incontroverso dos autos que o Reclamante não conduzia o veículo, tendo sido, inclusive, socorrido por colega que o transportava até a zona urbana. Esta Corte possui firme jurisprudência no sentido de que, ao fornecer transporte para seu empregado no interesse do serviço, o empregador reputa-se responsável pelos danos porventura sofridos pelo trabalhador transportado. Precedentes. Desse modo, ainda que porventura reconhecida culpa de terceiro no ocorrido, não há como afastar a responsabilidade objetiva da Reclamada pelos danos causados ao Reclamante. Verificados o dano, o nexo de causalidade entre as atividades laborais e o acidente ocorrido, e desnecessária a culpa do empregador, reputam-se preenchidos os requisitos à reparação civil por responsabilidade objetiva, sendo devida a indenização pelos danos morais advindos do ocorrido. ANÁLISE DO CASO Conclusão ➔ Diante de tudo que foi abordado pelo grupo, passamos a entender que a responsabilidade civil não decorre somente de uma quebra contratual por exemplo, mas sim de todos os atos danosos que são capazes, que geram prejuízo ao próximo. Logo, é um importante instituto do ordenamento jurídico, vez que, em meio a conflitos no cumprimento de obrigação, tanto pactuado inter parts, como um descumprimento diretamente da lei, à parte lesada não pode ser injustiçada e ficar sem uma reparação, a modo que, o próprio Código Civil, assim não permite, determinando que, para cada ato danoso, lesivo, a parte ofendida terá direito a indenização, se estiver de acordo com os pressupostos exigidos para a responsabilidade civil de obrigar o agente a reparar outrem. ➔ Os casos expostos no presente trabalho são alguns dos vários que geram responsabilidade civil, tendo que, sempre que uma pessoa gerar dano a outrem terá que repará-lo, assim, diversos são os casos cujo Código Civil atribui responsabilidade civil. Agradecemos a atenção! INTEGRANTES: ALINE ALEXANDRE ANDERSON BARBARA MARIA BRUNA CAMILA A. CAROL P. CAROLINA S. DANILLO EDUARDO HUGO JEOVANNA JOSIELY