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FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 1 de 22 1 APOSTILA – FERIMENTOS E SEUS INTRUMENTOS: UMA ABOARDAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3ª CONFERÊNCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL Diego Lameirão – Engenheiro Eletricista (UFRJ) / Perito Criminal (PCERJ) FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 2 de 22 2 Sumário 1) A Perinecroscopia ............................................................................................ 3 2) Instrumento Contundentes e Ferimentos Contusos ........................................ 3 3) Instrumentos Cortantes e Ferimento Incisos .................................................. 5 4) Instrumentos Perfuro-cortantes e ferimento Perfuro-Incisos. ......................... 6 5) Instrumentos Corto-Contudentes e ferimentos Corto-Contusos ..................... 8 5) Instrumentos Perfuro-Contudentes e ferimentos Perfuro-Contusos ................ 9 6) Ferimentos Especiais .................................................................................. 10 7) Ferimentos Provocados por Projetis de armas de fogo ................................. 13 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................... 22 Locais De Crimes - Dos Vestígios À Dinâmica Criminosa. Autores: Jesus Antonio Velho - Karina Alves Costa - Clayton Tadeu Mota Damasceno - Millennium Editora .. 22 Perícia em Local de Morte Violenta (Criminalistica e Medicina Legal) – Edimar Cunico .......................................................................................................................... 22 Medicina Legal para Concursos Publicos – Samantha Pozzer Kuhleis .................. 22 Apostila de Formaçao Perito Criminal PCERJ 2013 – Sergio Henriques ............... 22 Calibres de Alta Energia ou Calibres de Alta Velocidade? - Infoarmas –João Bosco Parte 1 .......................................................................................................................... 22 Calibres de Alta Energia ou Calibres de Alta Velocidade? - Infoarmas –João Bosco Parte 2 .......................................................................................................................... 22 FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 3 de 22 3 1) A Perinecroscopia Do grego: Peri significa pele, Necro significa Cadáver e Copia significa Ocular. Logo é o exame ocular externo no Cadáver, exame imprescindível do Perito Criminal para a determinação do DDE e dinâmica do evento. Diferente do Perito Legista que realiza não só a Perinecroscopia, mas também a Necropsia como forma de terminar a causa da morte, o Perito Criminal realiza a Perinecroscopia como mais um elemento analisado no Local de Crime: o Cadáver Com a Perinecroscopia o Perito Criminal irá determinar ferimentos, equimoses e outros sinais da Medicina Legal, cruciais para a determinação da dinâmica e principalmente do DDM, já que os ferimentos levearão a determinação do INSTRUMENTO utilizado. Um caso interessante para entendermos melhor o conceito da aplicação da Perinecroscopia para o Perito Criminal é cadáveres encontrados na água, como um rio, por exemplo. Nesse caso, há Perinecroscopia será a única análise possível, o que não se diferiria do que o Legista faria. Pelo contrário, o Legista faria, inclusive um trabalho mais completo em melhores condições. Portanto, cadáveres encontrados na água dispensariam a perícia de local, por não haver uma dinâmica propriamente dita. 2) Instrumento Contundentes e Ferimentos Contusos Os instrumentos contundentes necessitam de certa quantidade de massa e velocidade para poderem de fato contundir. Quando falamos em contundir, falamos em agir de forma traumática na pele. Voltando a questão da massa e da velocidade, vejamos um exemplo simples: Um pedaço de papel pode ser arremessado em qualquer velocidade na cabeça de alguém que não irá traumatizar, afinal não tem uma massa suficiente para isso. Por mais que o papel seja dobrado, sua velocidade aumentaria, causando um impacto maior, mas ainda assim a massa não é suficiente. Outro exemplo: Uma pedra, se for apenas encostada na cabeça de alguém não irá traumatizar, porque a velocidade é muito baixa, apesar de ter massa suficiente. Vejamos alguns exemplos de instrumentos contundentes: • Martelo • Pedaço de madeira • Pedra FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 4 de 22 4 • Barra de ferro • Cassetetes • Socos • Chutes Os instrumentos contundentes podem ocasionar ferimentos contusos, escoriações (que são ferimentos contusos superficiais) ou equimoses. a) Ferimentos Contusos Eles serão geralmente irregulares com escoriação nos bordos, ou seja, os bordos serão sempre equimosados. Sangram menos que outros ferimentos devido ao esmagamentos dos vasos sanguíneos (hemostasia mecânica). Figura 1: Martelo provocou ferimentos contusos na face que se moldaram ao formato do ferimento b) Equimoses São derrames hemáticos em que o sangue extravasado se infiltra e coagula nas malhas do tecido. A intensidade e dimensão estão relacionados ao tipo de traumatismo e a estrutura da região atingida. Os tecidos frouxos, como o tecido celular subcutâneo das pálpebras, permitem a formação de grandes equimoses. Elas podem revelar o tipo de instrumento utilizado, segundo a sua conformação. Figura 2: Equimose revelando o formato do instrumento utilizado. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 5 de 22 5 Espectro Equimótico é a sucessão de cores que as equimoses vão revelando: Vermelho – 1ª Dia Negra – 2ª Dia ao 3ª Dia Azul – 3ª Dia ao 6ª Dia Verde – 7ª Dia ao 12ª Dia Amarela – 12ª Dia ao 17ª Dia 3) Instrumentos Cortantes e Ferimento Incisos Os instrumentos cortantes agem de forma linear em peles e órgãos, não gerando bordos equimosados. Caso gerem, terão uma outra denominação que será vista mais à frente. A seguir alguns exemplos de instrumentos cortantes: • Navalhas • Lâminas de barbear • Cacos de vidro • Facas Instrumentos cortantes geram ferimentos incisos. Conforme dito, esses ferimentos não têm vestígios traumáticos. Como a área de um corte é na teoria pequena, podem provocar hemorragia abundante devido a pressão de saída dos vasos sanguíneos já que a pressão é inversamente proporcional a área. Ferimentos Incisos na região anterior do pescoço são denominados de esgorjamento. Já na região posterior são denominados de degolamento. Figura 3: Exemplo de esgorjamento. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 6 de 22 6 Figura 4: Exemplo de degolamento. 4) Instrumentos Perfuro-cortantes e ferimento Perfuro-Incisos. Não veremos aqui a ação perfurante que provoca uma ferida punctória. Afinal, esse tipo de ação por si só dificilmente provocará um homicídio. No entanto, ela combinada com outras ações são bem comuns nos local de crime contra vida. A primeira que veremos é a ação Perfuro-Cortante. Ela Caracteriza-se por possuir uma ponta (que proporcionará ação perfurante) que culmina uma lâmina portadora de gume(s) que proporcionará ação cortante.A seguir alguns instrumentos desse tipo: • Facas • Canivetes • Espada • Tesoura Instrumentos perfuro-cortantes originam ferimentos perfuro-incisos. Eles apresentam bordas regulares e lisas, sem vestígios traumáticos e profundidade maior que o comprimento. Um estudo minucioso do formato do ferimento poderá permitir as seguintes caracterizações: número de lados cortantes da lâmina e forma de aplicação do golpe. Veremos cada caso desses a seguir. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 7 de 22 7 a) Caso 01: Faca (um gume) com incidência perpendicular Figura 5: Caso 01. Nesse caso, teremos um ângulo agudo (cauda de escoriação) que indica onde agiu o gume e outro mais arredondado, correspondendo ao dorso da lâmina do instrumento, assim como visto na Figura 32. b) Caso 02: Faca (um gume) com incidência obliqua ou Punhal (dois gumes) Figura 6: Caso 02. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 8 de 22 8 Nesse caso, teremos dois ângulos agudos, ou seja, duas caldas de escoriação, assim como visto na Figura 33. c) Caso 03: Incidência dupla da faca ou punhal Figura 7: Caso 03. Esse é um caso especial em que o agressor chega a remover parcialmente a faca, aplicando uma segunda ação no corpo da vítima. É importante para os operadores de direito interpretarem como uma insistência do agressor em sua ação. 5) Instrumentos Corto-Contudentes e ferimentos Corto-Contusos Apresentam ação contundente como visto nas ações contundentes, provocando então ação traumática e bordos equimosados. Além, de apresentam capacidade para formar feridas incisas. Podem culminar em esquartejamentos, mutilações ou decapitações. A seguir alguns exemplos de instrumentos Contudentes. • Enxadas • Machado • Pedaços de madeira • Foice Como você pode notar, foi colocado de propósito “Pedaço de Madeira” em instrumentos contundentes e instrumentos corto-contundentes. Foi apenas para mostrar que um mesmo instrumento pode ter mais de uma ação. Se um pedaço de madeira foi aplicado sem ser FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 9 de 22 9 com suas extremidades ele terá ação contundente, caso contrário ele terá ação corto- contundente, conforme Figura 35 a seguir. Figura 8: Ferimento corto-contuso e o instrumento que o provocou. Figura 9: ferimento corto-cuntuso provocado por uma enxada. 5) Instrumentos Perfuro-Contudentes e ferimentos Perfuro-Contusos Apresentam ação perfurante, bordos equimosados e feridas mais profundas que extensas, provocando ferimentos perfuro-contusos. Os projéteis de arma de fogo apresentam esse tipo de ação e serão vistos no próximo capítulos. A seguir, alguns exemplos de instrumentos perfuro-contudentes. • Prego • Vergalhão • PAF (Projetil de arma de fogo) FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 10 de 22 10 6) Ferimentos Especiais a. Evisceração Exposição das vísceras em decorrência de lesão corto-contusa, perfuro-contusa, incisa ou perfuro-incisa. Figura 10: Evisceração provocada por ação perfuro-contundente de projetil de arma de fogo de alta velocidade. Figura 11: Evisceração provocada por ação perfuro-cortante de uma faca. b. Laceração Ferida característica quando produz rasgadura e retalhamento dos tecidos. As bordas são irregulares e a pele avulsada. Podemos citar com exemplo uma coronhada com arma de fogo na região da cabeça. Figura 12: Ferida Lacerante provocada por uma pedra pontuda. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 11 de 22 11 c. Empalamento O Empalamento é um tipo de tortura que se originou nos séculos passados. Consiste em atravessar um instrumento Perfuro-Contundente na região anal, atravessando o corpo, como uma estaca, por exemplo. Figura 13: Foto tirada na Transilvânia onde mostra como eram feitos empalamentos nos séculos passados. d. Esquartejamento O conceito de esquartejamento é oriundo dos séculos passados. Como forma de tortura, amarravam todos os membros da vítima em quatro cavalos distintos. Em seguida, eles eram estimulados a correrem em direção opostas, mutilando os membros dela. Portanto, esquartejamento é a mutilação total dos quatro membros da vítima. Figura 14: Tronco de Cadáver originado de um esquartejamento. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 12 de 22 12 e. Espostejamento É a redução do corpo a fragmentos diversos e irregulares. Acidentes aéreos ou de trânsito, por exemplo, geralmente originam Cadáveres espostejados. Figura 15: Espostejamento. f. Mutilação A mutilação é a remoção total ou parcial de alguma parte do corpo. Figura 16: Cadáver que teve o membro inferior esquerdo totalmente mutilado. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 13 de 22 13 g. Decaptação É a remoção total da cabeça do Cadáver. Figura 17: Decaptação. 7) Ferimentos Provocados por Projetis de armas de fogo a) Armas de fogo de alma lisa As armas de fogo de alma lisa, ou seja as espingardas, têm o seus tipos de ferimentos formados definidos pelo tipo de Balim e pela distância até o alvo. Quanto ao tipo de Balins, podemos dividir em dois grandes grupos: Balins e Balote. Os balins serão diversas esferas de chumbo com pequenas dimensões. Os Balotes serão um único projetil de chumbo de dimensão maior. Balins Quanto mais distante do alvo, mais dispersos os balins chegarão ao alvo, provocando múltiplos ferimentos perfuro-contusos de bordos nítidos e invertidos de formato regular. Figura 18: Múltiplos ferimentos provocados por Balins dispersos. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 14 de 22 14 Quanto mais próximo do alvo, mais concentrados os balins chegarão ao alvo, provocando a partir de determinada distância um ferimento de bordos nítidos e invertidos de grandes proporções. Figura 19: Ferimento de grandes proporções provocados por Balins concentrados Balote Provocará uma lesão perfuro-contuso de bordos nítidos e invertidos de maiores dimensões em relação aos Balins. Figura 20: Lesões provocadas por balote. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 15 de 22 15 Figura 21: Balotes calibre .32. b) Ferimentos provocados por projetil de arma de fogo de alma raiada Nas armas de fogo de alma raiada os canos são providos, internamente, de estrias, o qual está constituído por um número equivalente de sulcos (as raias) e de cristas (os cheios) de forma helicoidal, alternada e paralelamente dispostos com regularidade, e se destina a imprimir aos projéteis, por forçamento, um movimento de rotação transversal à trajetória. Ferimentos de Entrada Serão ferimentos perfuro-contusosde bordos nítidos e invertidos de formato regular, que terão orlas, aréola e talvez zonas (dependendo da distância de disparo). Quanto mais impactarem perpendicularmente a um plano paralelo a pele, mais circular será o formato. Quanto mais obliquo, mais ovular será o ferimento. Figura 22: Ferimento provocado por entrada de projetil de arma de fogo de alma raiada. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 16 de 22 16 Como dito, os ferimentos de entrada de projetil de arma de fogo de alma raiada terão orlas. Elas são de três tipos: Orla de Escoriação A Orla de Escoriação é mais interna de todas. Ele é gerada pelo atrito do projetil com a pela, provocando uma contusão ao redor da pele através da ação mecânica. Orla de Enxugo As sujidades presentes no cano da arma de fogo são depositadas no projetil de arma de fogo devido ao atrito, com isso ao entrar em contato com a pele, ela “enxuga” o projetil, fazendo com que ele deposite essas sujidades na pele. Finalmente temos a Aréola Equimótica. Ela é resultante também da ação mecânica assim como a Orla de Escoriação. Só que no caso da Aréola ocorre um estiramento dos tecidos e ruptura dos vasos sanguíneos no entorno do ferimento, provocando uma equimose. No caso das Zonas, ela irão aparecer a partir de determinada distância de disparo. Isso vai depender do calibre e da arma de fogo utilizada. Para fins didáticos, consideraremos uma média fixa de distância de disparo. Orla de Escoriação Orla de Enxugo Aréola Equimótica FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 17 de 22 17 Figura 23: Orlas e Aréola. Zona de Tatuagem São Grãos de pólvora e resíduos metálicos que queimam a pele (de 5 cm até 50 cm de distância de disparo). Por serem uma queimadura, não podem ser limpas com uma lavagem. Zona de Esfumaçamento Gases e fumaças expelidas que se depositam na pele (até 30 cm de distância de disparo). Por serem sujidades depositadas na pele podem ser limpas como uma lavagem. Zona de Chamuscamento Pele queimada pela chama ao entorno do ferimento (cano até 5cm de disparo). Por ser uma queimadura, não pode ser limpa com uma lavagem. Figura 24: Zona de Tatuagem. Figura 25: Zona de Esfumaçamento. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 18 de 22 18 Figura 26: Zona de Chamuscamento. c) Tiro encostado Os tiros encostados será de dois tipos, a depender do tipo de tecido sob a pele Tecidos duros No caso de tecidos duros como os tecidos ósseos irã ocorrer a chamada Boca de Mina de Hoffman. Não encontrando espaço para a expansão necessária, os gases oriundos da combustão do tiro deslocam os tecidos moles dos planos ósseos subjacentes e provoquem uma verdadeira ruptura explosiva dos tecidos moles locais. Com a expansão dos gases e ruptura da pele local forma-se uma cratera, de bordas evertidas, inteiramente irregulares, Hoffman denominou de orifício em forma de boca de mina. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 19 de 22 19 Figura 27: Boca de Mina de Hoffman. Tecidos Moles Quando na presença de tecidos moles sob a pele forma-se o Sinal de Puppe-Werkgaertner. Ele é o epônimo dado a lesão que, nos tiros encostados, reproduz, sobre a pele, a extremidade aquecida da arma de fogo, deixando seu contorno impresso junto ao orifício de entrada do projétil. Figura 28: Sinal de Puppe-Werkgaertner. Como localiza-se na mão, sugere autodefesa. d) Lesão em sedenho É quando o projetil não atinge órgãos internos, atingindo a pele tangencialmente. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 20 de 22 20 Figura 29: Ferimento em Sedenho. e) Ferimento de Saída Serão ferimentos perfuro-contusos de bordos nítidos e evertidos de formato irregular. Figura 30: Ferimento de saída de projetil de arma de fogo. Quando o corpo se encontra encostado numa superfície rígida observamos o chamado Sinal de Romanese, que é a pele equimosada na superfície de saída. f) Ferimento de projetil de arma de fogo de alta de velocidade (fuzil) O ferimento provocado por projetil de arma de fogo de alta velocidade vai depender do momento de tombamento do projetil de arma de fogo de alta velocidade (fuzil) Tombamento antes de adentrar o corpo Caso o projetil de fuzil tombe antes de adentrar o corpo ele provocará um ferimento irregular na entrada de bordos invertidos. Por ter perdido velocidade, dificilmente FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 21 de 22 21 provocará um ferimento de saída. Esse tombamento pode ser provocado por um tiro a curta distância (já que demorar alguns metros para se estabilizar após a saída do cano) ou que tenha se desestabilizado no trajeto por impactar em algum objeto, por exemplo. Figura 31: Ferimento de entrada de projetil de alta velocidade (fuzil) que se desestabilizou antes de impactar no cabeça. Tombamento no momento que impacta no corpo Ao atingir um tecido duro como um tecido ósseo, o projetil pode tombar na entrada provocando uma explosão. Causando um ferimento de grandes proporções na entrada. Figura 32: Ferimento de entrada de projetil de alta velocidade (fuzil) de grandes proporções na região da Patela. Projetil tomba no interior do corpo Nesse caso a entrada será do mesmo perfil dos projetis de média velocidade. No entanto, a saída poderá ser com grandes proporções, com tanto que o projetil consiga empurrar a matéria presente no interior do corpo para fora do mesmo. FERIMENTOS E SEUS INSTRUIMENTOS: UMA ABORADAGEM COM CASOS DO RIO DE JANEIRO – 3 CONFERENCIA ONLINE DE PERÍCIA CRIMINAL. Página 22 de 22 22 Figura 33: Ferimento de saída de grandes proporções de projetil de arma de fogo de alta velocidade. Lembrando que poderão ocorrer situações de mais de uma saída por divisão do projetil ou projetil secundário, além de uma saída pequena (caso o projetil não tombe ou não consiga empurrar matéria suficiente, por exemplo). BIBLIOGRAFIA Locais De Crimes - Dos Vestígios À Dinâmica Criminosa. Autores: Jesus Antonio Velho - Karina Alves Costa - Clayton Tadeu Mota Damasceno - Millennium Editora Perícia em Local de Morte Violenta (Criminalistica e Medicina Legal) – Edimar Cunico Medicina Legal para Concursos Publicos – Samantha Pozzer Kuhleis Apostila de Formaçao Perito Criminal PCERJ 2013 – Sergio Henriques Calibres de Alta Energia ou Calibres de Alta Velocidade? - Infoarmas –João Bosco Parte 1 Calibres de Alta Energia ou Calibres de Alta Velocidade? - Infoarmas –João Bosco Parte 2 https://www.millenniumeditora.com.br/millennium-editora https://www.millenniumeditora.com.br/millennium-editora