Prévia do material em texto
Suporte Básico de Vida em Cardiologia Emergências Clínicas e Cardiológicas Assistência ao Politraumatizado Acidentes com Animais Peçonhentos Assistência ao Afogado Emergências Psiquiátricas Cesar Augusto dos Santos Junior; Adriano Bertola Vanzan; Vladimir Fernandes Chaves; Flávio Sampaio David; Carlos Eduardo Sá Ferreira; Espedito Rocha de Carvalho Junior; Sérgio Corrêa da Silva; Fernanda de Castro Cerqueira; Sergio Gottgtroy de Araújo; Simone de Oliveira Costa; Robson Fernando de Castro Torres; José Henriques Marques Neto; Rivelino Adriano Silva; Carlos José Cesário de Souza; Victor Pinheiro de Carvalho. Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP Manual Básico de Atendimento Pré-hospitalar 2ª EDIÇÃO Atualizada - 2018 Autores: Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 1 Dedicatória Aos militares que participaram da elaboração da 1ª edição do Manual CEPAP - 2014: Comandante: Ten. Cel. BM QOC Aurélio de Carvalho Sub-Comandante: Maj BM QOS/Méd Zoraia Oliveira Colaboradores: Ten. Cel. BM QOS- Enf Márcia Fernandes Mendes Araújo Maj BM QOS/Méd Maria Fernanda Lattanzi Bezerra de Melo Maj BM QOS/Méd Adriano Bertola Vanzan Cap BM QOS/Enf Vladimir Fernandes Chaves Cap BM QOS/Enf Flávio Sampaio David Cap BM QOS/Méd Carlos Otávio Santos Silva Cap BM QOS/Enf Gilson Clementino Hanzsman Cap BM QOS/Méd Roberto Fernandes Outeiro Júnior CapBM QOS/Méd Antônio Carlos Rodrigues Justo Cap BM QOS/Méd Andréia Pereira Escudeiro Ten BM QOS/Enf Cristiane Pontes Ten. BM QOA Sérgio Corrêa da Silva Ten. BM QOA Carlos Eduardo Sá Ferreira Sub Ten BM Q11 Robson Esteves Sub Ten BM Q11 Edmilton de Souza Sub Ten BM Q11 Luiz Carlos Siqueira Sub Ten BM Q11 Rubens Ferreira Lopes Sub Ten BM Q11 Simone de Oliveira Costa Sub Ten BM Q11 Danieli Bello Chimer da Silva Sub Ten BM Q11 Sandro Lucas da Silva Sub Ten BM Q11 José Henriques Marques Neto Sub Ten BM Q11 Robson Fernandes Castro Torres Sub Ten BM Q06 Flavio Henrique Cesário de Souza Sub Ten BM Q06 Valmir Rufino Vieira Sub Ten BM Q11 Valcir José de Almeida Sub Ten BM Q06 José Marcos Menezes Sub Ten BM Q11 Rivelino Adriano da Silva Sub Ten BM Q11 Leandro Lessa de Vasconcellos 3º Sgt BM Q11 Ana Paula Lopes 3º Sgt BM Q11 Alexander Simonato 3º Sgt BM Q11 Silvana Raquel Ferreira Q. de Olivieira ************************************************* Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 2 2ª Edição - 2018: Comandante: Ten Cel BM QOC Cesar Augusto dos Santos Junior Colaboradores: Ten Cel BM QOS/Enf Gilson Clementino Hanszman Maj BM QOS/Enf Cristiane Costa Marinho Pereira Cap BM QOA Walter Evangelista de Souza Ten BM QOA Evaldo Freitas Soares Sub Ten BM QBMP06/AxE Regina Célia Evangelista Silva Sub Ten BM QBMP11/TEM Elaine de Souza Cabral de Oliveira Sub Ten BM QBMP06/AxE Alexandre Belarmino Sub Ten BM QBMP11/TEM André Carlos Silva Anselmo 2 ̊ SGT BM QBMP11/TEM Alexander Simonato 2 ̊ SGT BM QBMP06/AxE José Luciano Sucupira Otero 2 ̊ SGT BM QBMP11/TEM Ana Paula Lopes das Neves 2 ̊ SGT BM QBMP11/TEM Silvana Raquel da Silva Ferreira CB BM QBMP06/AxE Mércia Jesus da Silva Conrado Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 3 CAPÍTULO I: SUPORTE BÁSICO DE VIDA 06 1 - CENA 07 2 - RCP EM ADULTOS E USO DO DEA/AED 12 3 - RCP EM CRIANÇAS 20 4 - RCP EM BEBÊS 27 5 - ASFIXIA EM CRIANÇAS 29 6 - ASFIXIA EM BEBÊS 32 7 - ASFIXIA EM ADULTOS 34 8 - ASFIXIA EM GESTANTES 35 CAPÍTULO II: EMERGÊNCIAS CLÍNICAS E CARDIOLÓGICAS 37 1 - ALTERAÇÕES DO ESTADO MENTAL 37 1.1 - Acidente Vascular Encefálico (AVE) 43 1.2 - Cefaléia / Enxaqueca 45 1.3 - Crise Convulsiva / Epilepsia 46 1.4 - Depressão Aguda / Tentativa de Suicídio 49 1.5 - Ataque de Pânico / Síndrome da Hiperventilação 49 1.6 - Hipoglicemia 50 2 - ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES 52 Desconforto Torácico 52 Hipertensão Arterial 56 3 - ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS 57 3.1 – Obstrução da Via Aérea 57 3.2 – Asma 58 3.3 – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) 59 3.4 – Causas Inflamatórias 61 3.5 – Populações Especiais 61 3.6 – Outras Causas 62 4 – DISTÚRBIOS CAUSADOS PELO CALOR E FRIO 62 ÍNDICE Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 4 4.1 – Hipotermia 63 4.2 – Distúrbios Causados pelo Calor 66 5 - INTOXICAÇÃO POR DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS 68 CAPITULO III: ASSISTÊNCIA AO POLITRAUMATIZADO NO APH 74 1 - ETAPAS INICIAIS DO SOCORRO – PERGUNTAS NORTEADORAS 74 2 - EXAME DO POLITRAUMATIZADO 79 3 - HEMORRAGIA E CHOQUE 86 4 - TRAUMATISMO CRÂNIO ENCEFÁLICO E RAQUIMEDULAR 92 5 - TRAUMA DE TÓRAX 93 6 - TRAUMA ABDOMINAL 97 7 - TRAUMA PÉLVICO E DE EXTREMIDADES 99 8 - TRAUMA EM SITUAÇÕES ESPECIAIS 106 8.1 Trauma na Gestante 106 8.2 Trauma na Criança 107 8.3 Trauma no Idoso 110 8.4 Queimaduras 112 9 - INCIDENTES COM MULTIPLAS VÍTIMAS 117 10 - MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 123 CAPITULO IV: ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS 134 1 - VENENOSOS X PEÇONHENTOS 134 2 - OFIDÍSMO 134 3 - ARANEÍSMO 137 4 - ESCORPIONISMO 142 CAPITULO V: ASSISTÊNCIA AO AFOGADO 145 1 - DADOS SOBRE AFOGAMENTO 145 2 - DEFINIÇÃO 146 3 - CLASSIFICAÇÃO E SOCORRO DO AFOGADO 146 4 - CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE E TRATAMENTO DO AFOGADO 149 Corpo de Bombeiros Militar do Estadodo Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 5 CAPITULO VI: EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS 152 1 - INTRODUÇÃO 152 2 - AVALIAÇÃO DA CENA NO ATENDIMENTO AOS PORTADORES DE TRANSTORNO MENTAL 154 3 - AVALIAÇÃO DA VÍTIMA DURANTE O ATENDIMENTO AOS PORTADORES DE TRANSTORNO MENTAL 155 4 - CONTENÇÃO FÍSICA E MECÂNICA DA VÍTIMA COM TRANSTORNO MENTAL 155 5 - REAVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DA VÍTIMA COM TRANSTORNO MENTAL 156 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 157 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 6 Capítulo I Suporte Básico de Vida No Brasil, o mal súbito é conhecido como um problema de saúde inesperado, sendo responsável pela morte de milhares de pessoas por ano. Os óbitos podem acontecer, muitas vezes, porque os cuidados imediatos não foram realizados corretamente. Destaca-se que dominar o conhecimento acerca do primeiro atendimento é fundamental para salvar vidas. Podemos afirmar que o primeiro atendimento em um caso de mal súbito possuí dois objetivos: evitar o agravamento do quadro e manter a vítima em condições de sobrevida até a chegada do socorro especializado. Cabe ressaltar que a situação mais grave de mal súbito é o colapso da vítima, com perda de consciência e ausência dos sinais vitais, ou seja, a Parada Cardiorrespiratória (PCR). Podemos afirmar, também, que qualquer sintoma clínico que resulta na perda ou queda do nível de consciência, como é o caso de uma crise convulsiva, ou de um desmaio, ou de uma grave dificuldade respiratória, é considerado um mal súbito. Destacamos que a contextualização do atendimento pré- hospitalar para as principais alterações clínicas serão abordadas posteriormente e neste capítulo, abordaremos o atendimento inicial à vítima que apresenta um quadro de PCR. Sublinhamos que aplicação da RCP (Reanimação Cardiopulmonar) de boa qualidade aumenta as chances de sobrevida de uma vítima em Parada Cardiorrespiratória (PCR). Neste contexto, cabe ressaltar que a maior causa de PCR súbita é a Fibrilação Ventricular (F.V. - atividade elétrica caótica que não gera função de bomba para o coração). A Fibrilação Ventricular, quando não tratada corretamente, pode levar a vítima ao óbito. O Suporte Básico de Vida (SBV) é o conjunto de procedimentos técnicos e medidas coordenadas que visam manter os órgãos vitais viáveis (cérebro e coração), até que seja iniciado o Suporte Avançado de Vida (SAV). Apesar de sua nomenclatura ser básica, ele é o pilar que antecede o SAV. A Desfibrilação Precoce deve sempre ser priorizada em eventos de PCR. No protocolo de RCP/DEA do CBMERJ recomenda-se que todo Bombeiro Militar (BM) deve utilizar o Desfibrilador Externo Automático (DEA), assim que Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 7 disponível. Buscando assim, obter êxito no procedimento e manter acesa a chama do lema “VIDAS ALHEIAS E RIQUEZAS SALVAR”. Em uma situação de PCR as manobras de RCP podem fazer toda a diferença para a vítima. Portanto, quanto mais precoce e eficaz for o atendimento, maiores serão as chances de sucesso. Isso é possível devido à presença de oxigênio residual no organismo da vítima depois de estabelecida a PCR. Ao iniciar a RCP precocemente (em até 4 minutos de sua ocorrência), as chances do cérebro sofrer danos serão menos prováveis. Após estes 4 minutos, as chances de recuperação sem sequelas neurológicas diminuem muito e, acima de 6 minutos, há uma maior probabilidade de danos irreparáveis devido à falta de oxigenação (hipóxia). Torna-se fundamental adotar os seguintes procedimentos: • Checar se o local é seguro; • Acionar precocemente o Sistema Médico de Emergência (SME); • Iniciar as compressões nos primeiros 10 segundos do início da PCR; • Comprimir o tórax com força e rapidez entre 100 e 120 compressões por minuto, deprimindo-o entre 5 e 6 cm. • Permitir o retorno total do tórax a cada compressão; • Minimizar interrupções nas compressões (não passar de 10 segundos cada intervalo das compressões); • Administrar as ventilações de forma eficaz; • Evitar ventilações em excesso; • Utilizar precocemente o DEA. 1 - CENA A avaliação da cena é a etapa na qual o Socorrista deve observar criteriosamente a segurança no local de atuação da sua equipe. Se houver risco na cena, a vítima só deverá ser abordada quando o risco for neutralizado. Nunca entre em um local que não esteja seguro Se o local em que você estiver não parecer seguro, saia imediatamente! Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 8 Ø Perguntas preliminares: a) A cena está segura? É importante reconhecer os possíveis riscos assim como as medidas a serem tomadas para a abordagem correta e segura da vítima. É necessário evitar ou eliminar os prováveis agentes causadores de lesões ou agravos à saúde, tais como fogo, explosão, eletricidade, fumaça, água, gás tóxico, tráfego, desmoronamentos, ferragens cortantes, materiais perigosos etc. Caso o controle desta situação esteja fora de sua governabilidade, acione imediatamente a ajuda necessária, por exemplo: Polícia Militar, equipes de resgate especializadas e concessionárias de energia elétrica, entre outras. b) O que aconteceu e como aconteceu? É indispensável para a tomada correta de decisão, que o Socorrista faça uma avaliação global do local do evento, incluindo a avaliação física da cena, dos transeuntes, dos familiares e da vítima. Em muitas situações a vítima parece bem, o que nos leva a subestimar a sua gravidade. Mas se levarmos em consideração o motivo que causou o evento clínico poderemos suspeitar de uma provável gravidade. Ø Cuidados na abordagem da vítima: Bio-proteção: Ao aproximar-se da vítima, o Socorrista deverá ter sempre em mente a sua própria segurança e utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI), pois o contato direto com sangue, urina, fezes, saliva, pode causar vários danos à saúde. Em caso de contato acidental com o sangue ou secreções da vítima, o socorrista deve proceder da forma a seguir: a) Se houver contato direto com a pele, lave-a com água corrente e sabão. Verifique se não há rachaduras, ressecamentos ou lesões no local. Caso haja, procure orientar-se com o profissional de saúde responsável pelo protocolo de acidente com material biológico de sua Unidade. b) Se houver contato direto com os olhos ou mucosas, lave-os imediatamente com água corrente abundante e siga o protocolo para acidente com material biológico de sua Unidade. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 9 Figura 1: Cadeia da sobrevivência AHA / (Fonte)American heart association® ATENÇÃO(1) Caso tenha sangue ou vômito na boca da vítima, aspire às vias aéreas; (2) Evite respiração boca a boca. Prefira os dispositivos de barreira para ventilação (máscara de bolso e dispositivo Bolsa-Válvula-Máscara – “AMBU”); (3) Utilize EPI em todos os atendimentos!!! Ø Cadeia de Sobrevivência A Cadeia ou corrente da sobrevivência (figura 1) representa elos importantes na sequência do atendimento, onde cada um desses elos representa procedimentos fundamentais no processo de atendimento à parada cardiorrespiratória. Nas diretrizes de 2015, estão representadas duas cadeias: Parada Cardiorrespiratória Intra- Hospitalar (PCRIH) e Parada Cardiorrespiratória Extra-Hospitalar (PCREH). / Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 10 Os profissionais de saúde deverão, simultaneamente, avaliar a responsividade, a respiração e o pulso carotídeo. FONTE: American heart association® Ø Abordagem Inicial a) Avaliação do nível de consciência Para avaliar a responsividade, posicione a vítima em decúbito dorsal (barriga para cima), segure-a pelos ombros com o objetivo de contê-la caso a mesma queira se levantar, e chame-a: “Senhor (a), está me ouvindo?” Ao mesmo tempo em que é avaliada a responsividade, o socorrista deverá observar se há movimentos respiratórios. Caso a vítima não responda e não respire, ou apresente respiração ineficaz tipo gasping (“peixe fora d’água”), solicite ajuda e inicie as manobras de RCP. Se a vítima apresentar movimentos respiratórios dentro de um padrão aceitável, o socorrista deverá atentar para a abertura das vias aéreas, permanecendo com a mão na testa (região frontal de crânio) e elevando o queixo da vítima (técnica descrita a seguir) e oferecer oxigênio suplementar através do uso de máscara facial com reservatório a um fluxo suficiente para manter a saturação de O2 acima de 92%. Caso haja necessidade de deixar a vítima para realizar algum procedimento, deve-se colocá-la em Posição Lateral de Segurança (P.L.S.). Essa técnica será descrita ainda neste capítulo. Com a sequência CAB, as compressões torácicas serão iniciadas o mais precocemente possível e o atraso nas ventilações será mínimo. O tempo necessário para aplicar o primeiro ciclo de 30 compressões torácicas, dura em média 18 segundos. C A B Compressões Torácicas Abrir as Vias Aéreas Boa Ventilação Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 11 b) Algoritmo de PCR em adultos para profissionais da saúde de SBV – atualização de 2015 FONTE: American heart association® Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 12 2 - RCP NO ADULTO E O USO DO DEA/AED A Reanimação Cardiopulmonar (RCP) consiste em comprimir o tórax e ventilar uma pessoa em Parada Cardiorrespiratória (PCR) na proporção 30 compressões X 02 ventilações, utilizando dispositivo de barreira e ininterruptamente caso não possua um dispositivo de barreira. Na abordagem de uma vítima, devemos sempre avaliar riscos próximos a esta pessoa, observando se há algo que possa colocar a vida do socorrista e de sua equipe em risco iminente. Após a checagem, devemos abordar a vítima segurando pelo ombro e perguntando “você está bem?” (Figura 1). Figura 1: Abordagem da Vítima / Nível de consciência Após avaliar que a mesma se encontra inconsciente, devemos olhar o tórax abrindo as vestes e observar se há respiração normal além de checar o pulso simultaneamente, este procedimento pode ser observado na (figura 2 e figura 3). ETAPAS AÇÃO 1 Posicionar a vítima na posição decúbito dorsal (de barriga para cima) em uma superfície rígida e plana 2 Retirar as vestes da vítima 3 Colocar a região hipotenar da mão (“calcanhar de sua mão”), posicionando a outra mão sobre a primeira entrelaçando os dedos para maior firmeza e posicionar sobre o tórax da vítima, ou seja, na metade inferior do esterno que coincide com a linha intermamilar. 4 Comprimir com os braços retos a uma profundidade próxima a 5 a 6 cm e uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto. 5 Após cada compressão, devemos deixar o tórax voltar à posição normal. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 13 Figura 2: Visão do profissional de saúde. Figura 3:Visão do Leigo, não profissional. Ao observar que a vítima não responde, não respira e não tem pulso, acione um serviço de emergência (192 ou 193) e solicite um DEA/AED. Figura 4: Pedido de ajuda / Acionamento do Socorro. Ø RCP - ADMINISTRAÇÃO DAS COMPRESSÕES E VENTILAÇÕES Após avaliar a “responsividade” da vítima e constatar que a mesma não responde, não respira e não tem pulso (checagem por profissionais de saúde), devemos acionar o sistema médico de emergência e solicitar um desfibrilador – DEA/AED (Figura 4). Logo em seguida a solicitação de ajuda, devemos iniciar as manobras de Reanimação CardioPulmonar (RCP) imediatamente, iniciando pelas compressões no tórax. A RCP se compõe em duas etapas principais: compressões e ventilações, na Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 14 Figura 5: Marcação do local da compressão. Figura 6: Técnica de compressão torácica. Figura 8: Técnica de compressão torácica e ventilação assistida com uso de bolsa-válvula- máscara qual devemos comprimir o tórax com certa força e rapidez promovendo um bombeamento de sangue oxigenado para os órgãos vitais, como o coração e o cérebro. Devemos comprimir o tórax, promovendo uma RCP de alta qualidade para manter uma boa perfusão de oxigênio já que este coração não está bombeando normalmente. Deve-se apoiar o “calcanhar da mão” na metade inferior do osso esterno do paciente e apoiando a outra mão sobre a primeira entrelaçando os dedos para uma maior segurança nas manobras (figuras 5, 6, 7 e 8). Os braços do socorrista deverão estar em um ângulo a 90º sobre o tórax do paciente e deprimindo este tórax a uma profundidade de 5 a 6 centímetros. Destacamos que, caso por algum motivo o socorrista não conseguir entrelaçar os dedos, este poderá segurar com sua segunda mão o punho, onde dará também firmeza para comprimir. Figura 7: Técnica de compressão torácica e ventilação assistida com uso de bolsa-válvula- máscara Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 15 Caso a RCP seja realizadasem um dispositivo de barreira, o socorrista poderá realizar apenas as compressões no tórax do paciente e revezando com outro socorrista a cada dois minutos. Lembramos que, com dois socorristas e sem dispositivo de ventilação, enquanto um realiza as compressões o segundo poderá deixar a via aérea aberta segurando e inclinando a cabeça mas, caso esteja sozinho, deverá apenas comprimir. Após as 30 compressões, caso haja um dispositivo de ventilação, devemos abrir as vias aéreas a fim de liberar a passagem de ar com a retirada da base da língua. A técnica consiste em inclinação da cabeça e elevação do queixo (Figuras 9 e 10). Destaca-se que se o socorrista administrar uma ventilação e o tórax não se elevar, deve então deixar a cabeça retornar à posição normal. Em seguida, abra as vias aéreas novamente, inclinando a cabeça e elevando o queixo. Depois, administre outra ventilação. Certifique-se de que o tórax se eleve. Não interrompa as compressões por mais de 10 segundos para administrar ventilações. Se o tórax não se elevar em 10 segundos, comece a comprimi-lo com força e rapidez novamente. Apesar da ventilação boca a boca oferecer poucos riscos, é contra indicada quando houver presença de sangue, secreções, fluidos ou ferimentos na boca, sendo entendido como situações que podem vir a oferecer riscos ao socorrista. Durante a RCP, a chance de contrair uma doença é pequena, ainda assim, alguns locais de Figura 10: Técnica de hiperextensão da cabeça. Figura 9: Técnica de hiperextensão da cabeça. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 16 trabalho exigem que os socorristas usem máscara de ventilação. Às máscaras são feitas de material sintético flexível que se encaixam sobre a boca e o nariz da pessoa doente ou lesionada (figura 11 e 12). Talvez seja necessário montar a máscara antes de usá-la. Se a máscara tiver uma extremidade afunilada, coloque a parte estreita da máscara no alto do nariz. Posicione a parte larga de modo a cobrir a boca da vítima (em caso de crianças pequenas a máscara será aplicada em posição invertida). Figura 11: Pocket Mask (Máscara de Bolso) Caso você tenha a mão um dispositivo como bolsa de ventilação e esteja em dupla com outro socorrista, posicione-se atrás da cabeça da vítima para adequar a máscara a face e administrar as ventilações (Figura 13). ETAPA AÇÃO 1 Coloque a máscara sobre a boca e o nariz da pessoa. 2 Incline a cabeça e eleve o queixo enquanto pressiona a máscara contra o rosto da pessoa. É importante produzir uma vedação impermeável entre o rosto da pessoa e a máscara enquanto o queixo é elevado para manter abertas as vias aéreas. 3 Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Aguarde que o tórax se eleve a cada ventilação administrada. Figura 13: Bolsa de Ventilação (bolsa-válvula-máscara) Figura 12: Ventilação sob máscara Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 17 Ø DESFIBIRLAÇÃO EXTERNA AUTOMÁTICA: Com estas etapas manteremos uma RCP executando os ciclos de 30 compressões x 02 ventilações, ou sem dispositivo de ventilação, apenas com as compressões sem parar até a chegada do DEA/AED. Um DEA/AED é uma máquina com um microprocessador integrado que pode aplicar choques no coração e ajudá-lo a voltar a funcionar normalmente. Se você iniciar a RCP imediatamente e após alguns minutos usar um DEA/DAE, terá maior chance de salvar uma vida. Os AEDs/DEAs são seguros, precisos e fáceis de usar. O DEA/DAE determina se a pessoa necessita de um choque e avisa para administrá-lo se necessário. Avisa inclusive quando é necessário certificar-se de que ninguém esteja tocando a vítima. As pás usadas para administrar o choque têm um diagrama que indica como posicioná-las no tórax pessoa. Siga o diagrama. As formas mais comuns de ligar um DEA/AED são pressionar o botão “ON” (Ligar) ou erguer a tampa do DEA/AED. Uma vez ligado o DEA/AED, ele indicará tudo o que você precisa fazer. Use o DEA/AED somente se a pessoa não responder e não estiver respirando ou apresentar gasping. Se você tiver acesso a um DEA/DAE, use-o IMEDIATAMENTE. Certifique- se de que ninguém esteja tocando a vítima antes de pressionar o botão “SHOCK” (Choque) (figura 15). Se não localizar um DEA/AED rapidamente, inicie a RCP Comprimindo com Força e rapidez. Etapa Ação 1 Ligar o DEA/DAE 2 Seguir os avisos visuais e sonoros, 3 Coloque os eletrodos no tórax do paciente conforme as (figuras 14 e 15) Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 18 Após a administração do choque, inicie imediatamente as compressões torácicas interrompendo apenas 10 segundos no máximo para executar as duas ventilações e faça a RCP até o DEA/AED sinalizar para interromper a RCP, para que ele possa novamente analisar e se necessário indicar outro choque. Mas, se o mesmo falar: “choque não indicado”, inicie imediatamente às manobras de RCP até a chegada do serviço médico de emergência, caso seja um profissional da saúde avaliar pulso. a) Cuidados na colocação das pás/eletrodos • Retirar excesso de pelos no tórax do paciente Caso a vítima tenha muito pelo no tórax, deve-se retirar com dispositivos de barbear ou até mesmo com as pás, cuidado para não rasgá-la (ideal ter uma reserva) • Secar o tórax Devemos secar todo tórax da vítima a fim de que o choque não se espalhe pela superfície e também para as pás colarem na pele. • Retirar adesivos de medicamentos Caso haja adesivos de medicamentos colados na pele, estes deverão ser retirados. • Cuidados com marcapasso implantado Se este paciente possuir um marcapasso implantado no local da posição das pás, deve-se colar o eletrodo cerca de 4 a 5 centímetros para o lado e para baixo, pois se colocar as pás em cima do aparelho, este poderá ser inutilizado. Figura 14: RCP após o Choque. Figura 15: Posições dos socorristas durante a aplicação do choque. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 19 Após a RCP e o choque, se a pessoa estiver respirando mas não estiver respondendo, vire-a de lado e aguarde que alguém com treinamento mais avançado assuma o socorro (Se for uma equipe de SME realizar avaliação e considerar remoção). Coloque a pessoa em posição lateral de segurança (Figuras 16 e 17), pois manterá as vias aéreas desobstruídas caso a pessoa vomite. Se a pessoa parar de respirar ou apresentar somente gasping, vire-a na posição decúbito dorsal e avalie a necessidade de RCP. Enquanto a pessoa que retornou aos batimentos aguarda o suporte avançado, devemos manter o desfibrilador ligado todo o tempo, mesmo que a cada dois minutos ele continue falando, pois este o manterá informado e monitorando o paciente todo o tempo.b) Resumo de Habilidades de RCP/adulto com DEA: Etapa Ação 1 Certifique-se de que o local é seguro. 2 Segure no ombro e chame. Verifique se a pessoa responde. Se a pessoa não responder, avance para a Etapa 3. 3 Peça ajuda. Peça à pessoa que o atender que telefone para o serviço médico de emergência e busque um DEA/DAE. Se ninguém puder ajudar, telefone para o número do serviço médico de emergência/ urgência e busque um DEA/DAE. 4 Verifique a respiração. Certifique-se de que a pessoa esteja sobre uma superfície firme e plana. Verifique a respiração. Se a pessoa não estiver respirando ou apresentar somente gasping, administre a RCP. Sem responder e sem respiração = RCP Figura 16: Socorrista executando a técnica de lateralização - PLS Figura 17: Vítima na posição lateral de segurança Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 20 3 - RCP EM CRIANÇAS RCP em criança e uso do DEA/AED: RCP é o ato de comprimir o tórax com força e rapidez e administrar ventilações. A RCP é administrada a alguém cujo coração tenha parado de bombear o sangue. 5 Comprima e administre ventilações executando 30 compressões e 2 ventilações. Compressões: Retire as roupas que atrapalharem. Coloque o “calcanhar de uma mão” sobre a metade inferior do esterno. Coloque o calcanhar da outra mão sobre a primeira mão. Comprima em linha reta de cinco a seis centímetros de profundidade, a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto no mínimo. Após cada compressão deixe o tórax retornar à sua posição normal. Comprima o tórax 30 vezes. Ventilações: Após 30 compressões, abra as vias aéreas com inclinação da cabeça e elevação do queixo. Com as vias aéreas abertas, faça uma ventilação normal. Use um dispositivo de barreira para empregar as ventilações. Caso não o tenha, comprima de forma ininterrupta. Administre duas ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Aguarde que o tórax se eleve a cada ventilação administrada. DEA/DAE: Use-o assim que o tiver à mão. Ligue-o erguendo a tampa ou pressionando o botão “ON” (Ligar). Siga os avisos. 6 Continue. Continue executando séries de compressões e ventilações até que a pessoa comece a respirar ou se mexer ou até que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. Etapa Ação 1 Certifique-se de que a criança está deitada com as costas sobre uma superfície firme e plana. 2 Retire as roupas que atrapalharem. 3 Coloque o “calcanhar de uma mão” sobre a metade inferior do esterno. 4 Comprima em linha reta cerca de cinco centímetros, a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto no mínimo. 5 Após cada compressão, deixe o tórax retornar à sua posição normal. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 21 Uma criança é alguém com mais de um ano de idade e que ainda não chegou à puberdade. Se estiver em dúvida se a pessoa é um adulto ou uma criança, considere-a adulta. Uma criança “responsiva” é aquela que se mexe, fala, pisca ou reage de alguma outra forma quando você a toca e pergunta se está bem. Uma criança que não “responde”, que não faz nada quando você a toca e pergunta se está bem, é considerada inconsciente. Comprimir o tórax com força e rapidez é a parte mais importante da RCP. Comprimindo o tórax você bombeia sangue para o cérebro e o coração. As pessoas muitas vezes não comprimem com força suficiente por temerem ferir a criança. Uma lesão é improvável, mas é melhor do que a morte. É melhor comprimir forte demais do que insuficientemente. Use uma única mão para as compressões. Se não conseguir comprimir 5 cm com uma mão, use as duas. Uma mão não é melhor do que duas, nem o contrário. Faça o que for necessário para comprimir o tórax cerca de 5 cm de profundidade.Não diferente do adulto, devemos, assim que observar uma criança caída ao solo, abordá- la segurando pelo ombro, como mostra a (figura 18). Em seguida devemos observar se há respiração normal, caso seja um profissional de saúde verificará pulso também. (figuras 19 e 20). Em seguida devemos pedir ajuda do serviço médico de emergência e solicitar um DEA/AED (figura 21). Caso não haja como pedir ajuda no momento ou está distante de um telefone, inicie imediatamente as manobras de RCP, pois a maioria das crianças para por problemas respiratórios e a RCP será fundamental neste primeiro momento. Após 5 ciclos de RCP, dirija-se a um telefone ou ache alguém para solicitar um DEA/AED e volte a executar as manobras de reanimação. Figura 18 Figura 19 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 22 As compressões são importantes na RCP e executá-las da maneira correta é cansativo. Quanto mais cansado(a) você estiver, menos eficazes serão as compressões. Se mais alguém souber aplicar RCP, faça revezamento. Reveze a cada 2 minutos mais ou menos, movendo-se rapidamente para minimizar ao máximo a pausa nas compressões. Lembrem-se, mutuamente, de comprimir 5 cm de profundidade a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto e permitir que o tórax retorne à sua posição normal após cada compressão (figuras 22 e 23). Ø Administrar ventilações Crianças, em geral, têm coração saudável. Normalmente o coração da criança para porque ela não consegue ou está tendo dificuldade para respirar. Em consequência disso, além das compressões, é muito importante administrar ventilações a uma criança (figura 23). As ventilações precisam fazer com que o tórax da criança se eleve. A elevação do tórax indica que a criança recebeu ar suficiente. As compressões formam a parte mais importante da RCP. Se você também puder administrar ventilações, ajudará a criança ainda mais. Antes de administrar ventilações, abra as vias aéreas. Figura 20 Figura 21 Figura 22 Figura 23 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 23 Ø Aplicação do DEA/AED O DEA/DAE determina se a criança necessita de um choque e lhe avisa para administrá-lo se necessário. Avisa inclusive quando é necessário certificar-se de que ninguém esteja tocando a criança. As pás usadas para administrar o choque têm um diagrama que indica como posicioná-las na criança. Siga o diagrama. Se não houver pás pediátricas ou um botão/interruptor pediátrico, use as pás de adulto. Se a criança tiver mais de 8 anos, use pás adultas (se estiver em dúvida se a criança tem mais de 8 anos, presuma que ela tem e use as pás adultas). Ao colocar as pás no tórax, deve-se ter cuidado para uma pá não tocar na outra. Se a criança for muito pequena, talvez seja necessário colocar uma pá no tórax e a outra nas costas da criança (figura 24). ETAPA AÇÃO 1 Ligar o DEA/DAE. 2 Verifique se há pás pediátricas ou um botão ou interruptor pediátrico 3 Use as pás pediátricas ou acione o botão ou interruptor pediátrico. 4 Seguir os avisos visuais e sonoros. ETAPA AÇÃO 1 Enquanto mantém as vias aéreas abertas, comprima o narizfechando-o. 2 Inspire normalmente e cubra a boca da criança com a sua boca. 3 Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Verifique se o tórax começa a elevar-se a cada ventilação administrada. Figura 24 Figura 25 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 24 Se for usar uma máscara de ventilação e se esta máscara tiver uma extremidade afunilada, coloque a parte estreita da máscara no alto (ponte) do nariz. Posicione a parte larga para cobrir a boca. Podemos usar como referência a técnica usada no capítulo anterior, pois é a mesma (figura 25). Figura 26: Fluxograma da utilização do DEA/AED em crianças. (fonte:American heart association®) Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 25 Ø Revisão do atendimento da criança em PCR Se houver outra pessoa com você durante a RCP ou se você puder gritar por ajuda e pedir a alguém que o ajude, peça a ela que telefone para o número do serviço médico de emergência/urgência enquanto você comprime com força e rapidez e administra as ventilações. Você executa as compressões e ventilações enquanto a Etapa Ação 1 Certifique-se de que o local é seguro. 2 segure pelo ombro e chame para certificar se a criança responde. Se a criança não responder, avance para a Etapa 3. 3 Solicite ajuda. Veja se alguém pode ajudá-lo (a). Peça a essa pessoa que telefone para o número do serviço médico de emergência/urgência e busque um DEA/DAE. 4 Verifique a respiração e cheque se a criança está respirando ou se apresenta gasping. Sem respiração e sem responder e/ou apenas gasping = EXECUTAR RCP Certifique-se de que a criança esteja sobre uma superfície firme e plana. 5 Administre a RCP executando 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações e em seguida telefone para o número do serviço médico de emergência/ urgência e busque um DEA/DAE. Compressões: - Retire as roupas que atrapalharem. - Coloque o “calcanhar de uma mão” sobre a metade inferior do esterno. - Comprima em linha reta cerca de 5 cm de profundidade, a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto. - Após cada compressão, deixe o tórax retornar à sua posição normal. - Comprima o tórax 30 vezes. Ventilações: - Após 30 compressões, abra as vias aéreas com inclinação da cabeça e elevação do queixo. - Abertas as vias aéreas, faça uma ventilação normal. - Comprima o nariz para cerrá-lo. Cubra a boca da criança com a sua boca. Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Aguarde que o tórax se eleve a cada ventilação administrada. DEA/DAE: - Use-o assim que o tiver à mão. - Ligue-o erguendo a tampa ou pressionando o botão “ON” (Ligar). Use pás pediátricas ou o botão/interruptor pediátrico. (Use pás de adulto se não houver pás pediátricas disponíveis). - Siga os avisos. 6 Continue. Continue executando séries de compressões e ventilações até que a criança comece a respirar ou se mexer ou até que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 26 outra pessoa telefona e busca o DEA/AED. A tabela abaixo resume as diferenças entre RCP em adultos e crianças: Após 5 ciclos de RCP, telefone para o número do serviço médico de emergência/urgência e busque um DEA/DAE, se isso ainda não tiver sido feito. Assim que o DEA/DAE estiver à mão, use-o. Depois de telefonar para o número de emergência/urgência, continue executando séries de 30 compressões e 2 ventilações até que a criança comece a responder ou que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. Permaneça na linha até que o atendente/operador do SME lhe diga que pode desligar. O atendente/operador fará perguntas sobre a emergência. E também poderá dar instruções sobre como socorrer a criança até que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. Responder às perguntas do atendente/operador não retardará a chegada do socorro. Se for possível leve o telefone com você para falar com o atendente/ operador ao lado da criança. O que é diferente O que fazer em um adulto O que fazer em uma criança Quando telefonar para o serviço médico de emergência/urgência Telefonar depois de verificar se há resposta. Telefonar após aplicar 5 séries de compressões e ventilações, caso esteja sozinho. Usar um DEA/DAE Use pás para adultos. Procure um botão ou interruptor pediátrico. • Use pás para crianças. Se não houver pás para crianças, use as de adultos. Se usar pás de adulto, certifique-se de que elas não se toquem. Profundidade da compressão Comprimir no mínimo 5 cm de profundidade. Comprimir cerca de 5 cm de profundidade. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 27 4 - RCP EM BEBÊS Um bebê é alguém com menos de 1 ano de idade. Na abordagem de uma criança com idade inferior a 1 ano, você espera que este se mexa, emita sons, pisque ou reaja de alguma outra forma quando você o estimula e grita seu nome. Um bebê que não “responde”, não faz nada quando você o toca e grita, considerar em PCR. Caso o Bombeiro esteja acompanhado, um militar telefona para o Serviço Médico de Emergência enquanto o outro inicia RCP. Caso o Bombeiro esteja sozinho, realizar 5 ciclos de 30 compressões X 2 ventilações e, só depois, solicita o apoio. Comprimir o tórax com força e rapidez é a parte mais importante da RCP. Comprimindo o tórax, você bombeia sangue para o cérebro e o coração. As pessoas muitas vezes não comprimem com força suficiente por temerem ferir o bebê. Uma lesão é improvável, mas, caso ocorra, será melhor do que a morte. É melhor comprimir forte demais do que insuficientemente. Se possível, coloque o bebê sobre uma superfície firme e plana acima do chão (caso não seja possível utilize o chão mesmo), como uma mesa. Isso facilita a administração da RCP. Ø Abordagem do Bebê As compressões são importantes na RCP e executá-las da maneira correta é cansativo. Quanto mais cansado(a) você estiver, menos eficazes serão as compressões. Se mais alguém souber aplicar RCP, reveze. Reveze a cada 2 minutos mais ou menos, movendo-se rapidamente para minimizar ao máximo a pausa nas compressões. Lembrem-se mutuamente de comprimir cerca de 4 cm de profundidade, a uma frequência de, pelo menos, 100 compressões por minuto e permitir que o tórax retorne à sua posição normal após cada compressão (figura 27). Se profissional da saúde, verifique o pulso braquial não menos que 5 segundos e não mais que 10 segundos (figura 27). Se ausente, inicie a RCP Bata no pezinho do bebê e chame, observe se respira normalmente, peça ajuda e inicie RCP. Figura 27: Sequência de atendimento a um bebê. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de EducaçãoProfissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 28 imediatamente. Lembrando que se pulso ausente, mas a frequência estiver abaixo de 60 batimentos por minuto, inicie imediatamente a RCP (figura 28). Bebês em geral têm coração saudável. Normalmente o coração do bebê para porque ele não consegue ou está tendo dificuldade para respirar. Em consequência disso, além das compressões, é muito importante administrar ventilações a um bebê. As ventilações precisam fazer com que o tórax do bebê se eleve. A elevação do tórax indica que o bebê recebeu ar suficiente. As compressões formam a parte mais importante da RCP. Se você também puder administrar ventilações, ajudará o bebê ainda mais (figura 28). Antes de administrar ventilações, abra as vias aéreas. Siga as seguintes etapas para abrir as vias aéreas. Ao inclinar a cabeça do bebê, não a empurre demais para trás, porque isso pode bloquear as vias aéreas. Evite pressionar a parte mole do pescoço ou abaixo do queixo. Se você administrar uma ventilação em um bebê e o tórax não se elevar, abra novamente as vias aéreas permitindo que a cabeça retorne a posição normal. Em seguida, abra as vias aéreas novamente, inclinando a cabeça e elevando o queixo e administre outra ventilação. Certifique-se de que o tórax se eleve. Não interrompa as compressões por mais de 10 segundos para administrar ventilações. Se o tórax não se elevar em até 10 segundos, comece a comprimi-lo com força e rapidez novamente. Caso você possua uma máscara de ventilação, coloque a parte afunilada para o queixo do bebê, pois se adaptará melhor evitando fuga durante as ventilações. Figura 28: RCP no bebê Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 29 Caso haja dois ou mais socorristas da área de saúde, a RCP poderá ser realizada com ciclos de 15 compressões para 2 ventilações, sendo que agora quem comprimir, deverá segurar o tórax da criança com os polegares, como mostra a figura 30. 5 - ASFIXIA EM CRIANÇAS A asfixia é provocada por alimento ou outro objeto preso na via área ou na garganta. O objeto impede que o ar chegue aos pulmões. Algumas asfixias são leves e outras graves. Se for grave, aja rápido. Retire o objeto para que a criança possa respirar. Ø Socorrendo uma Criança em Asfixia Etapa Ação 1 Se desconfiar que a criança está asfixiada, pergunte: “Você está sentindo dificuldade para respirar?”. Se ela acenar que sim, diga-lhe que você vai ajudar. 2 Fique atrás da pessoa. Abrace a pessoa de modo que suas mãos fiquem na parte da frente do corpo dela. Figura 29: Ventilação em bebê com o auxilio da máscara de ventilação Figura 30: Dois socorristas realizando RCP em bebê. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 30 3 Feche uma das mãos. 4 Coloque o lado do polegar da mão fechada ligeiramente acima do umbigo da criança e bem abaixo do esterno. 5 Agarre a mão fechada com a outra mão e faça compressões rápidas para cima no abdômen. 6 Faça compressões até que o objeto seja expulso e a pessoa possa respirar, tossir ou falar ou até que pare de responder. Se a criança em asfixia for obesa e você não puder abraçar totalmente a cintura, execute compressões torácicas, em vez de abdominais (Figura 33). Siga as mesmas etapas, exceto pelo local onde posicionar seus braços e mãos. Coloque seus braços por baixo das axilas da criança e suas mãos na metade inferior do esterno. Puxe diretamente para trás para aplicar as compressões torácicas. Figura 31: Sinais de obstrução de Via aérea. Figura 32: Manobra de desobstrução de via aérea. Figura 33: Manobra de desobstrução em criança obesa. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 31 Ø Como Socorrer uma Criança em Asfixia Que Deixa de Responder Se você fizer compressões numa criança, mas não conseguir remover o objeto que está bloqueando as vias aéreas, a criança irá parar de responder. Comprimir o tórax pode fazer com que o objeto seja expelido. Se a criança deixar de responder, siga estas etapas: Etapa Ação 1 Deite a criança sobre uma superfície firme e plana. 2 Segure pelo ombro e chame. 3 Peça ajuda. 4 Verifique a respiração. 5 Administrar 30 compressões. 6 Após 30 compressões, abra as vias aéreas. Se vir um objeto na boca, retire-o. 7 Administre 2 ventilações. 8 Repita a execução de séries de 30 compressões e 2 ventilações, Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série. 9 Após 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações, telefone para o serviço médico de emergência/urgência e busque um DEA/DAE. 10 Administre séries de 30 compressões e 2 ventilações, Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões, até que a criança comece a responder ou que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. Figura 34: Abra bem a boca da criança e procure o objeto. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 32 6 - ASFIXIA EM BEBÊS A asfixia é provocada por alimento ou outro objeto preso na via área ou na garganta. O objeto impede que o ar chegue aos pulmões. Algumas asfixias são leves e outras, graves. Se for grave, aja rápido. Retire o objeto para que o bebê possa respirar. Em caso de engasgo com líquidos (leite por exemplo) proceder da mesma forma que sólidos. Ação: Use a tabela a seguir para determinar se o bebê está em asfixia leve ou grave e o que fazer. Se o bebê Bloqueio nas vias aéreas E você deve • Conseguir emitir sons • Conseguir tossir alto Leve • Permanecer ao lado e deixá- lo tossir • Se estiver preocupado com a respiração do bebê, telefone para o número do serviço médico de emergência/ urgência mais próximo. • Não conseguir respirar ou tossir sem som ou não conseguir emitir sons Grave • Agir rapidamente • Siga as etapas de socorro para bebês em asfixia Figura 35 Figura 36 Figura 37 Figura 38 Figura 39 Figura 40 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 33 Um bebê que receber pancadas nas costas e compressões torácicas deve ser examinado por um profissional de saúde. Se você der pancadas nas costas e fizer compressões torácicas no bebê e ainda assim, não conseguir remover o objeto que está bloqueando as vias aéreas, o bebê deixará de responder. Comprimir o tórax pode fazer com que o objeto seja expelido. Se o bebê deixar de responder, siga estas etapas: ETAPA AÇÃO 1 Coloque o bebê com o rosto voltado para cima sobre uma superfície firme e plana acima do chão, como uma mesa. (figura 39) 2 Estimule o pezinho 3 Peça por ajuda. 4 Verifiquea respiração. 5 Comprima o tórax 30 vezes. 6 Após 30 compressões, abra as vias aéreas. Se vir um objeto na boca, retire-o. 7 Administre 2 ventilações. (figura 40) 8 Repita a execução de séries de 30 compressões e 2 ventilações, Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões. 9 Após 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações, telefone para o serviço médico de emergência/urgência. 10 Administre séries de 30 compressões e 2 ventilações, Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões, até que o bebê comece a responder ou que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. ETAPA AÇÃO 1 Segure o bebê com o rosto voltado para baixo com as pernas em seu cotovelo. Sustente a cabeça e a mandíbula do bebê com a mão. (figura 37) 2 Dê até 5 pancadas nas costas com o “calcanhar da outra mão”, entre as escápulas do bebê. (figura 37) 3 Se o objeto não for expelido após 5 pancadas nas costas, vire o bebê de frente, sustentando a cabeça. (figura 38) 4 Administre até 5 compressões torácicas, usando 2 dedos da outra mão para comprimir o tórax da mesma maneira que em RCP. (figura 38) 5 Repita as 5 pancadas nas costas e as 5 compressões torácicas até que o bebê consiga respirar, tossir ou chorar ou deixe de responder. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 34 7 - ASFIXIA NO ADULTO Etapa Ação 1 Se desconfiar que alguém esteja asfixiado, pergunte: “Está com dificuldade para respirar?”. Se a pessoa acenar que sim, diga-lhe que você vai ajudar. (figura 41) 2 Fique atrás da pessoa, abrace- a de modo que suas mãos fiquem na parte da frente do corpo dela. (figura 42) 3 Feche uma das mãos. 4 Coloque a mão fechada com o lado do polegar ligeiramente acima do umbigo da pessoa e bem abaixo do esterno. 5 Agarre a mão fechada com a outra mão e faça compressões rápidas para cima no abdômen da pessoa. 6 Faça compressões até que o objeto seja expulso e a pessoa possa respirar, tossir ou falar ou até que pare de responder. Figura 42 Figura 41 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 35 8 - ASFIXIA NA GESTANTE Se alguém estiver asfixiado e for obeso ou estiver nos últimos estágios de gravidez e você não conseguir envolver totalmente a cintura da vítima com seus braços, administre compressões no tórax em vez de no abdômen. Siga as mesmas etapas, exceto pelo local onde posicionar seus braços e mãos. Coloque seus braços por baixo das axilas e suas mãos na metade inferior do esterno. Puxe diretamente para trás para aplicar as compressões torácicas. Em todas as vítimas que deixam de responder ou se tornam inconscientes, você deverá posicioná-las ao solo com cuidado para não se ferirem, pedir ajuda e imediatamente aplicar séries de 30 compressões torácias durante dois minutos. Após, cheque se o corpo estranho saiu e se esta voltou a respirar, caso contrário inicie imediatamente as manobras de RCP até a chegada do socorro ou se esta acordar. Etapa Ação 1 Verifique se ela necessita de RCP. Administre a RCP, se necessário e se souber fazer isso. Se não souber como executar RCP, faça somente compressões torácicas. 2 Verifique se encontra objetos na boca a cada série de 30 compressões. 3 Continue a RCP até que ela fale, se mexa ou respire, ou até que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. Figura 43 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 36 Resumo de RCP e DEA/AED para adultos, crianças e bebês. Não ultrapassando 6 cm Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 37 Capítulo II Emergências Clínicas e Cardiológicas: Na primeira avaliação de um paciente vítima de uma urgência (necessita de resolução em um curto espaço de tempo) ou de uma emergência (necessita de resolução imediata) clínica, o socorrista deverá fazer algumas perguntas básicas sobre a doença atual e histórico do paciente. Para isso temos métodos mnemônicos que facilitam essa abordagem: OPQRST (Sobre a doença atual): O início: o que você estava fazendo quando a dor começou? Ela começou de repente ou aos poucos? Paliação/ provocação: Alguma coisa faz a dor parar, melhorar ou piorar? Qualidade: descreva a dor (queimação, facada, incômodo, penetrante) Região/ irradiação/ referida: você pode apontar o lugar onde a dor está? Ela permanece localizada ou se move? Severidade (intensidade): Que nota você dá para a dor em uma escala de 1 a 10, sendo 1 uma dor leve e 10 a maior dor que já sentiu? Tempo/ duração: Há quanto tempo está sentido isso? SAMPLER (Sobre o passado médico): Sinais e sintomas Alergias Medicamentos Passado médico (história) relevante Líquidos e lanches ingeridos (quando e o que?) Eventos que precederam o quadro atual Risco (fatores de risco). 1 - ALTERAÇÕES DO ESTADO MENTAL A alteração do estado mental de um paciente é um sinal frequente no contexto pré-hospitalar, denotando patologias potencialmente graves, e deve ser reconhecida prontamente pelo socorrista. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 38 Podem ser consideradas alterações no estado mental qualquer diminuição do estado de alerta de uma pessoa, dificuldade de cognição (percepção) ou um comportamento que se desvie do normal. Essas alterações podem ser diferentes de pessoa para pessoa, podendo variar de confusão mental até um déficit cognitivo significativo ou coma. O socorrista deve estar atento para os sintomas e o comportamento do paciente, assim como exame físico e exame auxiliares como glicemia capilar. A avaliação neurológica tem suas peculiaridades e será detalhado a seguir. Avaliação neurológica inicial: - Nível de Consciência: Em uma primeira abordagem, avalia-se a função cerebral e outras alterações neurológicas que possam ameaçar a vida. O nível de consciência (NC) deve ser sempre verificado. Um paciente com atenção limitada ou com discurso desconexo deve ser avaliado quanto a presença de hipoglicemia, desidratação, comprometimento cardiovascular, acidente vascular encefálico (AVE) ou traumatismo craniano. É interessante, se possível, identificar alguém próximo à vítima ou que tenha assistido ao ocorrido e que possa dar alguma informação para a formulação da hipótese diagnóstica. A maneira mais rápida e simples de avaliar o NC do paciente é o processo AVDN: 1. A Alerta a pessoa, local e dia Alerta e orientado (AOx3): Sabe dizer o próprio nome (pessoa), local e tempo Alerta e orientado (AOx2): Sabe dizer o próprio nome (pessoa) e local Alerta e orientado (AOx1): Sabe precisar somente o próprio nome (pessoa) 2. V Responsivo ao estímulo verbal3. D Responsivo à dor 4. N Não responsivo Ao classificar a resposta ao estímulo, deve-se graduar a vítima de acordo com a melhor resposta obtida. Por exemplo, um paciente desmaiado e que geme em Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 39 resposta a um chamado efusivo do socorrista teria um escore “V” na escala AVDN. A resposta ao estímulo tátil, como a compressão do leito ungueal, o escore seria “D”. A Ausência de resposta a estímulos verbais e táteis o escore seria “N”. Outra classificação de nível de consciência de uma vítima de trauma ou doença clínica grave é escala de coma de Glasgow (GSC, do inglês Glasgow Coma Scale). A GCS avalia as respostas da vítima quanto à abertura ocular e as melhores respostas verbal e motora. O cálculo do escore da GCS pode ser avaliado na tabela a seguir. Um escore de 8 ou menos costuma indicar a necessidade de manejo agressivo da via aérea, para sua proteção da broncoaspiração, devido ao rebaixamento do NC. Embora o maior escore possível seja 15, isso não significa que o paciente tenha capacidade mental plena. A avaliação da vítima não deve ser baseada somente em escalas, mas no conjunto do exame físico e história clínica. Escala de Coma de Glasgow (GCS) Abertura ocular Escore Melhor resposta verbal Escore Melhor resposta motora Escore Espontânea 4 Orientado e conversando 5 Obedece a comandos 6 Ao comando verbal 3 Confuso 4 Localiza a dor 5 À dor 2 Palavras desconexas 3 Movimentos incoordenados 4 Ausência de resposta 1 Gemidos ou sons incompressíveis 2 Flexão anormal (decorticação) 3 Ausência de resposta 1 Extensão anormal (descerebração ) 2 Ausência de resposta 1 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 40 A avaliação do NC é de extrema importância para verificar se as condições neurológicas e de perfusão do paciente estão normais, permitindo que problemas potencialmente mais graves e/ou fatais sejam identificados precocemente. A avaliação do Nível Consciência na vítima idosa Com o envelhecimento da população há o surgimento de doenças que alteram, de forma crônica, o nível de consciência do idoso podendo dificultar a primeira avaliação. É comum encontrarmos idosos confusos, desorientados, agressivos e sem entender solicitações simples. Estes sintomas podem ser decorrentes de patologias crônicas como as síndromes demenciais (doença de Alzheimer, demência vascular, entre outras). É muito importante, ao avaliar a vítima idosa com alteração do NC, conversar com familiares ou pessoas próximas para obter informações sobre o seu estado neurológico prévio. O contrário também é importante pois não podemos diante de uma vítima idosa e confusa concluir que esse é o seu estado normal por algum quadro demencial. Mesmo o idoso que já tenha uma alteração cognitiva prévia pode ter o quadro exacerbado por outra patologia. Podemos encontrar, por exemplo, um idoso com quadro de infecção urinária mais sonolento, confuso, agitado e/ou agressivo, podendo, inclusive, ser vítima de quedas. Estes sintomas também podem estar presentes na desidratação, hipoglicemia, hiperglicemia, hiponatremia (sódio baixo no sangue), infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), pneumonia, (entre outras patologias). Importante: toda vítima com alteração de seu nível de consciência deve ser levada para uma unidade de saúde e ser avaliada pelo médico com exames clínico e neurológico completo, além de exame laboratorial para identificação do fator desencadeante e tratar de modo adequado para prevenir agravos à saúde da vítima. - Motricidade: É importante avaliar se o paciente mobiliza os 4 membros, pois a assimetria pode ser indicativa de lesão neurológica cerebral focal, como um acidente vascular cerebral ou lesão de um nervo periférico ocasionando a falta de movimento do membro. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 41 O paciente que obedece e executa comandos como: “aperte a minha mão”; “segure esse objeto”; “coloque a ponta do dedo no nariz”; “levante a perna direita”, mostra uma boa condição de lucidez e de domínio corporal. Se o paciente não obedece às ordens solicitadas por déficit motor ou tem dificuldade em realizá-las, pode indicar a uma série de patologias como doenças desmielinizantes, acidentes vasculares, tumores cerebrais, entre outros. Portanto, a preservação dos movimentos coordenados, incluindo a marcha, no paciente são sempre bons indicadores de normalidade no sistema nervoso. - Sensibilidade: Esta é uma avaliação importante nos pacientes com suspeita de lesão cerebral, lesão da coluna vertebral ou lesão de nervo periférico. Quando há lesão neurológica de uma determinada região do corpo, como um segmento da coluna vertebral, o paciente normalmente refere que há perda total da sensibilidade da região correspondente e/ou percepção de formigamento, dormência, agulhamento, ou choque. - Avaliação Pupilar As pupilas dão uma impressão útil sobre o estado neurológico do paciente. No estado neurológico normal, as pupilas são iguais, redondas e rapidamente reativas à estimulação pela luz direta. Em pacientes com nível de consciência rebaixado ou em coma, a pupilas podem ser uma forma importante de avaliação da gravidade da lesão neurológia. O início da avaliação pupilar é determinado pela observação do diâmetro, da forma e da simetria com a pupila contralateral. Pupilas assimétricas podem indicar de lesão focal cerebral (ex: AVC, tumor cerebral). Pupilas com diâmetros pequenos (puntiformes) e simétricas podem ser indicativas de lesão difusa cerebral (ex: intoxicação por organofosforato). Pupilas com diâmetros aumentados e simétricos podem denotar sofrimento cerebral (hipóxia) ou intoxicação por drogas (cocaína). A avaliação da pupila à reação da luz direta é outro meio de complementar o exame neurológico. A pupila reage à luz normalmente diminuindo seu diâmetro. A luz, ao incidir sobre uma das pupilas, a faz contrair simultaneamente com a pupila contralateral em um paciente sem lesão neurológica significativa. Qualquer alteração Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 42 da reação da pupila à luz é decorrente de lesão cerebral, principalmente se as pupilas estão dilatadas e não reativas, denotando dano grave ao cérebro. Não podemos esquecer que há pacientes que foram submetidos à cirurgia ocular e que devido a isto podem ter alterações na forma pupilar. Na dúvida, se possível, devemos sempre nos informar se a vítima foi submetida a alguma cirurgia ocular. - Manifestações Clínicas 1. Estado mental alterado: confusão mental, mudanças de comportamento, entre outros. 2. Delirium: Alteração aguda na cognição, temporária, com períodos de maior e menor intensidade, podendo estar associada a alucinações e delírios. Pode ser confundida com demência, porém esta apresenta alteração crônica da função cerebral. 3. Síncope: É a perda súbita e transitória da consciênciae do tônus postural por baixa da perfusão cerebral, com recuperação espontânea. 4. Tonteira/ vertigem: Tonteira é uma queixa inespecífica que pode corresponder à sensação de quase síncope e vertigem é uma sensação anormal de movimento. Podem estar associadas a tinido, zumbido ou ruído nos ouvidos. 5. Convulsão: Pode ser generalizada (envolvendo perda de consciência), associada a movimentos tônico-clônicos, incontinência urinária e fecal e mordedura da língua, ou pode ser uma convulsão focal que afete apenas uma parte do corpo, sem perda de consciência, mas com possível redução da consciência. 6. Cefaléia: Dor na dor na cabeça que deve ser caracterizada como aguda (possibilidade: de AVC hemorrágico, tumor cerebral) ou crônica (possibilidade: enxaqueca, cefaléia tensional, dor miofacial). 7. Ataxia/ distúrbio da marcha: Perda de controle muscular e coordenação dos movimentos, causando instabilidade do tronco, marcha instável, movimentos oculares anormais ou diplopia (visão dupla). 8. Déficit neurológico focal: qualquer perda localizada da função neurológica, como fraqueza, dormência ou perda do movimento em parte de um membro ou em todo ele, ou em um lado do corpo ou da face. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 43 9. Outros sintomas: amnésia (esquecimento), movimentos corporais involuntários, distúrbios visuais e/ou auditivos, náuseas e vômitos, disfagia (dificuldade de engolir), paresias e paralisias, distúrbios de sensibilidade, dores radiculares (dor de origem nervosa com sensação de formigamento ou compressão), perda ou relaxamento esfincterianos (sem controle voluntário urinário e fecal), distúrbios do sono. São várias as patologias que podem cursar com alterações neurológicas. Detalharemos a seguir as mais frequentes no ambiente pré-hospitalar. 1.1 - Acidente Vascular Encefálico (AVE): O acidente vascular encefálico (AVE), também conhecido como acidente vascular cerebral (AVC) é caracterizado pela interrupção aguda do fluxo de sangue para determinada região do encéfalo, causando a morte dos neurônios (células do sistema nervoso). Os AVEs são classificados em isquêmicos e hemorrágicos. No AVE isquêmico um trombo ou êmbolo causa obstrução de um vaso, diminuindo o fluxo de sangue para o cérebro. No AVE hemorrágico há a ruptura do vaso sanguíneo, de determinada região cerebral, causando extravasamento de sangue para o tecido cerebral, ventrículos cerebrais ou na cavidade subaracnóide (espaço entre as membranas que revestem o cérebro). Os sintomas do AVC podem ocorrer isoladamente; entretanto, em geral os pacientes exibem uma série de sintomas, que podem ser sutis ou graves. Algumas vezes, os sintomas são incapacitantes, e o paciente não consegue fazer coisas simples como telefonar para pedir ajuda, devido a alteração do estado mental, a afasia (dificuldade na fala) ou a hemiplegia (paralisia em um lado do corpo), entre outros. Sinais e Sintomas: 1. Fraqueza ou formigamento de início súbito na face, no braço ou na perna, especialmente de um lado do corpo. 2. Confusão mental ou perda de consciência. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 44 3. Alteração da fala ou compreensão. 4. Alteração na visão, em um ou ambos os olhos. 5. Alteração do equilíbrio ou coordenação dos movimentos, tonteira ou alteração no andar. 6. Cefaléia súbita, por vezes intensas, e sem causa aparente (normalmente relacionado ao AVC hemorrágico). 7. Náuseas e vômitos. A determinação do tempo do início do AVC é de extrema importância para determinar a indicação de tratamento. Consideramos o momento inicial do quadro a última vez em que a vítima foi vista em seu estado normal. O tempo é determinante para o tratamento. Existem algumas escalas que facilitam a identificação de uma vítima de AVE e que também podem ser usadas para o acompanhamento do paciente já no ambiente hospitalar. Uma das mais utilizadas é a escala de Cincinnati (Cincinnati Stroke Scale). Escala de Cincinnati Sinais e Sintomas Como testar Normal Anormal Queda facial Pede-se para o paciente mostrar os dentes ou sorrir. Ambos os lados da face se movem igualmente. Um lado da face não se move tão bem quanto o outro. Debilidade dos braços O paciente fecha os olhos e mantém os braços estendidos. Ambos os braços movem-se igualmente ou não se movem. Um braço não se move ou cai, quando comparado ao outro. Fala anormal Pede-se para o paciente dizer “o rato roeu a roupa do rei de roma” Usa as palavras corretas, com pronúncia clara. Pronuncia palavras ininteligíveis, usa palavras incorretas ou é incapaz de falar. Existem outros diagnósticos que devem ser lembrados no diagnóstico diferencial, como: enxaqueca, intoxicação aguda por álcool ou outras drogas, paralisia de Bell, dissecção da artéria carótida ou da artéria vertebral, anormalidades eletrolíticas, esclerose múltipla, infecções no sistema nervoso central, transtorno Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 45 psiquiátrico, entre outros. Lembrando que esses diagnósticos necessitam de exames complementares no hospital. O ataque isquêmico transitório (AIT) pode ter os mesmos sinais de sintomas de um AVC, porém observa-se resolução do quadro dentro de 24h, sendo, na maioria das vezes, em até uma hora. De acordo com a National Stroke Association, cerca de 10% desses pacientes irão sofrer AVC em 90 dias, e cerca de 50%, em 2 dias. O AIT é um sinal de alerta que não deve ser ignorado. entretanto, precede apenas 1 em cada 8 casos de AVC. Tratamento: A prioridade imediata no contexto pré-hospitalar é considerar a possibilidade da vítima estar sofrendo um AVC isquêmico e transportá-la, o mais rápido possível para um centro hospitalar para tratamento imediato (período de até 4,5h do início do evento), e assim, tentar reverter as complicações, reduzindo a mortalidade e morbidade do AVC isquêmico, onde neste período, poderá receber tratamento trombolítico (Alteplase) ou tromboembolectomia (extração do trombo da artéria cerebral). Estes pacientes deverão ser levados para unidades hospitalares especializadas em AVC. 1. Na primeira avaliação, devemos seguir o ABC da vida, observando a via aérea e a ventilação do paciente principalmente. 2. Administrar oxigênio se a saturação estiver abaixo de 94%. 3. Manter o paciente na posição de Fowler ou decúbito dorsal com ligeira elevação da cabeça. 4. Não reduzir a pressão arterial, exceto se ela se mantiver acima de 220x120mmHg, quando na presença ou sob orientação da equipe saúde habilitada. 5. A temperatura deve ser reduzida se estiver acima do normal, pois pode aumentar a lesão cerebral isquêmica. 1.2 - Cefaléia/ Enxaqueca A cefaléia pode ocorrer isolada ou associada a outro sintomas, e pode ser decorrente de inúmeras patologias como infecções, crise hipertensiva, acidente Posição de Fowler Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar -CEPAP 46 vascular encefálico isquêmico, hemorragia intracraniana, traumatismo craniano, tumor cerebral, entre outros. A enxaqueca consiste em cefaléias intensas e recorrentes acompanhadas de sintomas neurológicos incapacitantes, como distúrbios visuais ou cognitivos, tonteira, náuseas e vômitos. Pode durar de 4 até 72h e os principais achados são cefaléia, fotofobia (sensibilidade à luz), náuseas/ vômitos, hipersensibilidade a sons ou odores e história prévia de enxaqueca. Devemos sempre estar atentos aos sintomas associados, assim como anormalidades dos sinais vitais como febre e hipertensão. Tendo em vista o diagnóstico diferencial com AVE e hemorragia intracraniana, sempre transporte o paciente até uma unidade que possa fazer a sua avaliação médica. 1.3 - Crise Convulsiva/ Epilepsia A convulsão ou Crise Convulsiva é um episódio de disfunção neurológica causada por atividade neuronal anormal e transitória no córtex cerebral que pode causar a perda ou alteração da consciência, convulsões ou tremores, alterações comportamentais, mudanças subjetivas na percepção (paladar, odor, medo), incontinências e outros sintomas. Ela pode ocorre como condição primária ou secundária a uma anormalidade subjacente. A epilepsia é uma condição em que uma anormalidade persistente no cérebro leva a crises convulsivas recorrentes. As convulsões podem ser classificadas em generalizadas ou focais. As focais ocorrem geralmente em um só hemisfério cerebral e o paciente costuma manter a consciência, porém pode apresentar alterações do estado mental, da responsividade e do comportamento. As convulsões generalizadas geralmente estão associadas à perda de consciência e são subdividas em ausências, atônicas, tônicas, clônicas e tônico- clônicas. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 47 Durante uma crise generalizada, o paciente pode apresentar obstrução da via aérea ou pode não respirar adequadamente, dessa forma o profissional que presta o primeiro atendimento deve estar atento à manutenção das vias aéreas. As crises focais são as mais frequentes no paciente com epilepsia e duram, em geral, 1 a 3 minutos, no entanto podem evoluir para perda de consciência e crises generalizadas. Existem dois subtipos de crise focal: Crise focal com manutenção da consciência e da percepção: pode se apresentar, por exemplo, como um movimento rítmico e involuntário de um membro, estando o paciente acordado e consciente da crise convulsiva durante todo o tempo. Crise focal com comprometimento da consciência e da percepção ou da responsividade: pode ocorrer como uma alteração comportamental com o paciente consciente, mas sem perceber o ambiente a sua volta, por exemplo. O paciente podem ser tornar agressivo e resistir a qualquer tipo de contato ou contenção física. Deve sempre ser abordado com cuidado. Principais achados de uma crise focal: 1. Estado mental alterado. 2. Movimentos rítmicos focais ou generalizados, descontrolados. 3. Olhar perdido no espaço ou ataque de queda, tremor das pálpebras. 4. Grunhidos, repetição de palavras ou frases, riso, gritos, choro. 5. Tira a roupa, anda no meio do trânsito, anda sem rumo. 6. Automatismo. 7. Estado pós convulsivo descrito pela família, pelos amigos ou por cuidadores. Tratamento: 1. Proteção da via aérea. 2. Administração de oxigênio ou ventilação se necessário, sempre atentando para o risco de broncoaspiração (aspiração de secreções ou vômito). Considerar o uso de uma via aérea nasal (equipes de saúde habilitadas). Sequência de atendimento a crise convulsiva Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 48 3. Proteção de lesões (providenciar acolchoamento e retirada de objetos próximos que possam machucar o paciente). 4. Providenciar um acesso venoso (equipes de saúde habilitadas). 5. Verificar os níveis de glicemia. 6. Tratar hipertermia, se necessário. 7. Colocar o paciente em decúbito lateral ou posição de recuperação. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar - Benzodiazepínicos: Primeira linha. Considerar em crises convulsivas maiores que 5 minutos. Se a via intravenosa não for possível de início, pode-se aplicar por via intramuscular (IM), intranasal (IN), intraóssea (IO) ou retal. As medicações mais usadas são: diazepam (IV), Midazolam (IV, IM, IN e retal – utilizado em gel para crianças e lactentes) e o lorazepam (IV). - Agentes de segunda linha: fenitoína e fenobarbital. - Cetamina: há evidência de que esse medicamento pode controlar de modo efetivo o estado de mal epiléptico, particularmente se for resistente ao fenobarbital. - Anestésicos gerais: último recurso. Ex: propofol. Nem todos os pacientes adultos precisam de transporte para hospital para avaliação. Se o paciente no estado pós-ictal (pós-convulsivo) estiver recuperando a consciência, talvez ele possa não ser removido, mas para isso deve haver um médico no local ou deve haver o contato com uma equipe médica que possa orientar o socorrista (Regulação Médica). Neste sentido, se o paciente estiver na maioridade, voltar ao seu estado de consciência, estiver totalmente orientado, com estado mental normal e for considerado como capaz de compreender e aceitar os riscos de não ir ao hospital para avaliação, ele tem o direito de recusar ser transportado. A equipe do socorro deve incentivar o paciente a informar o seu médico assistente da ocorrência de uma crise convulsiva para acompanhamento e ajuste de medicação. Os pacientes que sofrem uma crise convulsiva pela primeira vez devem ser sempre transportados para o hospital, assim como crianças com crise convulsiva Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 49 (mesmo que convulsão febril), vítimas de trauma, gestantes, crises convulsivas ocorridas dentro d’água, pacientes idosos ou diabéticos e se há evidências de uma possível aspiração. Caso especial: Convulsão Febril Geralmente produzidas por febre em crianças entre 6 meses e 3 anos de idade. São, em grande maioria, inócuas e duram entre alguns segundos a 15 minutos, tendo em média 2 minutos. A criança deve ser removida para o hospital e devemos manter a via aérea, administrar oxigênio, tomar medidas que melhorem a hipertermia (como retirada de roupas muito quentes e resfriamento, estando atentos para não causar tremores), verificar a glicemia capilar e outras alterações neurológicas. 1.4 - Depressão Aguda/ Tentativa de Suicídio: O suicídio ocorre quando uma pessoa põe fim deliberadamente à própria vida. Há tentativa de suicídio quando a pessoa tenta cometer suicídio mas não tem sucesso. A fisiopatologia da depressão é multifatorial. Podemos observar história familiar de depressão, abuso de álcool, estresse emocional e outras causas orgânicas. Ela pode se manifestar de várias formas e os principais achados incluem: fadiga, desânimo, sensação de desamparo, esquecimento, alterações de apetite e peso, diminuição nas funções normais como raciocínio e fala, embotamento ou depressão afetiva; O diagnóstico diferencial principal é a intoxicação por substâncias, mas também anormalidades eletrolíticas, cefaléia, psicose, infecções, tumor, entre outros. O tratamento é feitoprincipalmente com foco no suporte básico e suporte psicológico, permanecendo atento para o declínio no nível de consciência e manutenção da via aérea, respiração e circulação. 1.5 - Ataque de Pânico/ Síndrome da Hiperventilação: O transtorno do pânico é um fenômeno angustiante para os pacientes. A causa subjacente é psiquiátrica. Trata-se de uma variante da ansiedade, caracterizada por início súbito de medo intenso (infundado). Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 50 Pode haver história familiar ou pessoal de eventos semelhantes. O abuso de substâncias pode precipitar as crises. O principais achados incluem: início súbito de medo ou ansiedade, palpitações, tremores, dispnéia, sensação de opressão, dor ou desconforto torácicos, tonteira, sensação de desfalecimento, calafrios ou ondas de calor, medo de morrer. O tratamento é apenas sintomático e depende do que o paciente se queixa. 1.6 - Hipoglicemia: A Diabetes Mellitus é uma doença crônica muito comum e suas complicações são diversas, sendo a hipoglicemia um complicador importante em situações de emergência, e a mais comum. A hipoglicemia é caracterizada por um nível anormalmente baixo de glicose no sangue, geralmente abaixo de 70 mg/dl (<3,3mmol/L). É importante não considerar apenas este número, pois pacientes com níveis altos de glicemia e com redução rápida de seus valores, podem ter sintomas de hipoglicemia mesmo com valores acima de 70 mg/dL. A hipoglicemia não tratada está associada à morbidade e mortalidade significativas. A hipoglicemia pode estar relacionada às vítimas insulinodependentes resultante da administração de insulina em excesso e/ou do consumo inadequado de alimentos ou de mudança do programa terapêutico. Nos diabéticos não insulinodependentes a hipoglicemia está muito relacionada ao uso de hipoglicemiante oral com meia vida longa, principalmente em pacientes idosos. A hipoglicemia em pacientes não diabéticos é denominada hipoglicemia de jejum (mais comum em doença hepática grave, tumores pancreáticos, defeitos enzimáticos, superdosagem de fármacos e infecção grave) ou hipoglicemia pós- prandial (mais comum em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica). A hipoglicemia em situações extremas pode levar à perda de consciência, ou a crises convulsivas, sendo muito graves e necessárias medidas imediatas. Em uma primeira análise, pacientes que estejam fazendo hipoglicemia parecem fazer eventos neurológicos agudos como um acidente vascular encefálico. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 51 Principais sinais e sintomas: Conduta: 1. Abordar a vítima avaliando o nível de consciência e realizando o exame ABC da vida. 2. Avalie os sinais vitais e realize o exame de glicemia capilar. 3. Pacientes acordados, alertas e com capacidade de deglutir oferecer suco, lanches, gel de açúcar. 4. Pacientes com rebaixamento do NC, sem capacidade de deglutir, obter um acesso venoso e infundir 50 mL de solução de glicose à 10%. Lembrar de realizar este atendimento em comum acordo com a regulação médica. 5. Repetir a glicemia capilar se necessário e repetir a solução de glicose 10% Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: - Em falta de acesso venoso fazer Glucagon 1 a 2 mg IM. - Manter soro glicosado 10% continuo até a chegada hospitalar, nos casos de hipoglicemia resistente. Mesmo que a vítima recobre a consciência é prudente encaminhar para uma unidade hospitalar para se descartar problemas de ordem metabólica, infecciosa e/ou neurológica. Além disso, o paciente pode ter utilizado medicações de ação longa e pode apresentar um novo episódio de hipoglicemia em um intervalo muito curto. Caso especial: Cetoacidose diabética Caracteriza-se pela concentração plasmática de glicose maior que 350mg/dL (>19,4mmol/L), produção de cetonas, nível sérico de bicarbonato menor que 15mEq/L e acidose metabólica. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 52 O fator desencadeante mais comum é a interrupção do esquema de insulina, no paciente portador de diabetes melito, ou infecção. A cetoacidose diabética, sem os exames apropriados, é de difícil distinção de outras patologias como a sepse (infecção generalizada), gestantes em condições especificas, abuso de álcool, entre outros. Os principais sinais e sintomas são: náuseas e vômitos, dor abdominal (principalmente em crianças), taquipnéia/hiperpneia (respiração rápida), hálito com odor de frutas, fadiga e fraqueza, aumento da diurese, alteração do nível de consciência, hipotensão ortostática (ao ficar de pé), arritmia cardíaca, convulsões e choque. O tratamento deve ser realizado em uma unidade hospitalar, já que é baseado em hidratação vigorosa e insulinoterapia. No ambiente pré-hospitalar o atendimento é restrito ao suporte com manutenção da via aérea, respiração e circulação, além de hidratação (realizada pela equipe de saúde habilitada). 2 – ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES: 2.1 - Desconforto Torácico (Precordiagia) O desconforto torácico inclui não somente a dor, mas também sintomas como sensações de aperto, esmagamento, queimação e pontada. São numerosas as causas para essas manifestações, podendo ter origem em diversos sistemas. As causas mais comuns estão descritas no quadro abaixo. Causas de dor torácica Cardiovasculares Pulmonares Gastrintestinais Sind. coronariana aguda Embolia pulmonar Ruptura esofágica Insuficiência cardíaca congestiva Pneumotórax hipertensivo Colecistite Dissecção aórtica Infecções respiratórias Dispepsia Tamponamento cardíaco Pleurisia Doença do refluxo gastroesofágico Arrtimia Hérnia hiatal Pancreatite Doença ulcerosa péptica Dados de Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 53 A dor torácica pode ser consequência tanto de patologias agudas e potencialmente graves quanto de patologias crônicas de menor gravidade. Entretanto, os profissionais que realizam o primeiro atendimento a um paciente com essa queixas devem sempre ter alto índice de suspeição para as patologias mais graves. Alguns outros sintomas podem estar associados à dor torácica, como: 1. Diaforese (sudorese e pele fria) 2. Hemoptise (tosse com sangue) 3. Síncope (desmaio) ou sensação de síncope 4. Dispnéia (falta de ar) 5. Náuseas e vômitos Na primeira abordagem, devemos priorizar quaisquer sinais e sintomas que possam nos fazer pensar em causas potencialmente fatais de desconforto torácico, considerando-se sempre a possibilidade de síndrome coronariana aguda, que detalharemos um pouco mais a seguir. Síndrome Coronariana Aguda (SCA) Nas diretrizes atuais do AHA (American Heart Association), a síndrome coronariana aguda abrange a angina estável, a angina instável e o infarto agudo do miocárdio. Ela ocorre por uma alteração da relação oferta/demanda de oxigênio ao coração ou por uma interrupção abrupta do suprimento de sanguepara coração. São os principais fatores de risco para a doença coronariana a hipertensão arterial, o diabetes, a dislipidemia (colesterol alto), a obesidade, o sedentarismo e o tabagismo. Devemos lembrar que esses fatores são evitáveis e/ou tratáveis com medicações rotineiras. A SCA necessita de avaliação médica o mais rápido possível para que o tratamento seja iniciado e assim mais células miocárdicas sejam poupadas e não sofram necrose. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 54 A dor torácica de origem cardíaca geralmente tem características como uma dor no peito fortemente opressiva com irradiação para o dorso, membro superior esquerdo e/ou mandíbula, podendo durar de minutos a horas. Outros sinais e sintomas que podem estar associados são: pele fria e sudoreica, palidez cutânea intensa, sensação de morte iminente, além de náuseas e vômitos. Lembrando sempre que pacientes idosos, diabéticos e mulheres acima de 50 anos podem apresentar síndrome coronariana aguda sem desconforto torácico, evoluindo com sinais e sintomas de descompensação cardíaca como dispnéia (falta de ar), sensação de desmaio e cianose de extremidades ou até mesmo sinais mal definidos como desconforto abdominal e náuseas. A síndrome coronariana geralmente é decorrente de doença aterosclerótica coronariana (placas de gordura e cálcio que obstruem as artérias) e alguns fatores como estresse, traumas, infecções e/ou exercício físico, podem desencadear essa alteração da demanda/oferta de sangue ao coração. É importante lembrar da necessidade da urgência de reconhecimento dos sinais e sintomas da dor torácica de origem cardíaca e do rápido transporte em segurança para um centro médico mais próximo. O paciente deve ser prontamente avaliado, colocado em uma posição confortável, ser ofertado oxigênio a fim de manter a saturação de oxigênio acima de 94%, manter a cabeceira da maca elevada, proibir a ingestão oral de alimentos ou líquidos e realizar o contato com o hospital mais próximo, ou com a regulação médica. Tentar realizar perguntas básicas rápidas (anamnese) como (OPQRST): 1. Uso de medicações 2. Histórico de alergias 3. Doenças prévias 4. Cirurgias prévias como cirurgias cardíacas e/ou implante de stents coronarianos (ou se caso teve indicação de tais procedimentos e não realizou) 5. O que estava fazendo quando a iniciou a dor 6. Existem fatores que pioram ou melhoram o sintoma 7. Tempo decorrido do início da dor 8. Tipo de dor (queimação, pontada, incômodo, aperto...) 9. Intensidade (pontuando entre 1 e 10, sendo 1 uma dor leve e 10 a pior dor já sentida pelo paciente Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 55 No atendimento pré-hospitalar, caso não haja contra-indicação, e quando na presença ou sob orientação de um médico, costuma-se fazer a utilização de 162mg a 325mg de ácido acetilsalicílico (2 a 4 comprimidos de 100mg – aspirina infantil), administração de oxigênio e nitroglicerina sublingual (1 comprimido de 0,4mg) em pacientes que permaneçam com pressão arterial sistólica acima de 90 mmHg. No hospital alguns exames serão realizados para confirmar ou descartar a síndrome coronariana aguda. Exames comumente solicitados são: eletrocardiograma de 12 derivações, radiografia de tórax e dosagem de enzimas cardíacas. Conforme o resultado podem ser solicitados ecocardiograma e, se necessário, cateterismo cardíaco e/ou cirurgia de revascularização miocárdica. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: - Ácido acetilsalicílico: 162mg a 325mg (2 a 4 comprimidos de AAS infantil) mastigados ou deglutidos. Administrar nos pacientes com dor torácica, exceto se alérgicos, ou se há crise de asma ou história de episódio recente de sangramento por úlcera. O socorrista ou o próprio paciente podem ser orientados por uma equipe de saúde, por atendimento remoto, a administrar essa medicação. - Oxigênio: Administrar 10 a 15L/min de oxigênio por máscara não reinalante a todos os pacientes com dispnéia, sinais de insuficiência cardíaca, choque ou saturação de oxigênio menor que 94%. Se houver dispneia intensa ou edema agudo pulmonar secundário deve-se administrar por ventilação por pressão positiva não invasiva (CPAP ou BiPAP) ou bolsa-válvula-máscara. - Estabelecer acesso endovenoso preferencialmente antes de administração de nitroglicerina. - Nitroglicerina: via sublingual (0,4mg) ou por spray dosimetrado, a cada 3 a 5 minutos enquanto a pressão sistólica permanecer acima de 90mmHg. Deve-se atentar para o uso da nitroglicerina em pacientes com infarto de ventrículo direito. Não deve ser usada em pacientes com hipotensão, bradicardia grave e taquicardia, assim como em pacientes que fizeram uso de inibidores da fosfodiesterase (sildenafila, tadalafila, vardenafila) para disfunção erétil nas últimas 24 a 48h. Não administrar sem que haja monitorização cautelosa da pressão arterial. Manter o paciente sentado ou deitado durante a administração. Pode-se iniciar uma infusão de nitroglicerina para controle mais definitivo da dor e da pressão arterial com 10mcg/min. Titular até o alívio da dor aumentando a dose com 10mcg a cada 3 a 5 minutos. - Considerar morfina: 2 a 8mg endovenoso, titulando conforme o desconforto torácico. Pode ser administrada uma vez de 1 a 5mg em um paciente com IAMCSST cujo desconforto não tenha sido aliviado com nitroglicerina e oxigênio. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 56 - Administração pré-hospitalar de inibidores orais do difosfato de adenosina (ADP) tem sido considerada como potencialmente útil para pacientes com IAMCSST. - Administração pré-hospitalar de fibrinolíticos é controversa. Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 2.2 - Hipertensão Arterial A hipertensão arterial geralmente é uma doença silenciosa, multifatorial, caracterizada por elevação sustentada da pressão arterial com níveis pressóricos maiores que 130x 80 mmhg. Apresenta uma prevalência elevada na população acima de 60 anos. Mantém associação com doenças como acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio, doença vascular periférica, insuficiência cardíaca e insuficiência renal, sendo sua descoberta realizada às vezes no primeiro atendimento de uma crise hipertensiva, já com lesão desses órgãos. Entre os fatores de risco modificáveis encontramos a diminuição da ingestão de sódio, a diminuição no consumo de álcool e o início de atividade física regular. Pacientes hipertensos com sintomas como: dor de cabeça, visão turva, dor torácica, alteração do nível de consciência e dispnéia, devem ser prontamente atendidos com avaliação dos sinais vitais como pressão arterial, oximetria de pulso e aferição da glicemia capilar. Devem ser colocados em posição confortável com a cabeceira elevada e ofertados oxigênio quando necessário para o transporte ao hospital mais próximo. Pacientes hipertensos sem sinais ou sintomas de descompensação dos órgãos alvos, devem ser orientados a procurar atendimento ambulatorial para controle pressórico. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJCentro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 57 3 - ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS Inúmeras são as patologia clínicas que podem causar dispnéia (falta de ar). Detalharemos mais adiante algumas causas mais frequentes encontradas pelo socorrista no ambiente pré-hospitalar. Quando abordamos uma vítima com queixa de falta de ar é importante, primeiramente, diferenciar se há sofrimento respiratório ou insuficiência respiratória. No sofrimento respiratório, manobras de reanimação simples, como administração de oxigênio suplementar ou ventilação com pressão positiva por meio de dispositivo de bolsa-válvula-máscara, são o suficiente para a melhora. No entanto, se encontrarmos sinais de insuficiência respiratória, devemos implementar as medidas imediatas de reanimação, como uso de dispositivos de via aérea supraglótica, tubo laríngeo ou intubação orotraqueal (somente para profissionais habilitados de saúde), para manter a via aérea e a ventilação do paciente. Sinais de Alerta para a Insuficiência respiratória Iminente Frequencia respiratória > 30 ou < 6 respirações/minuto Saturação de oxigênio <90% Uso de múltiplos grupos de músculos acessórios Incapacidade de ficar deitado em posição supina Taquicardia com freqüência >140 batimentos/minuto Alteração do estado mental Incapacidade de eliminar secreção/ muco oral Cianose de leitos ungueais ou lábios Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. Causas mais frequentes de dificuldade respiratória no ambiente pré-hospitalar: 3.1 - Obstrução da via aérea A principal causa de obstrução de via aérea no paciente adulto inconsciente é a queda de língua, que já foi abordada em capítulos anteriores nessa edição do manual. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 58 Em crianças e lactentes, a causa mais frequente de obstrução de vias aéreas é a aspiração de corpo estranho, devendo-se realizar as manobras de tentativa desobstrução conforme já detalhado no capítulo de asfixia desta edição. 3.2 - Asma A asma é uma doença pulmonar obstrutiva das vias aéreas inferiores, em que há relato de episódios anteriores de dificuldade respiratória com fatores precipitantes. É uma causa comum de atendimento em emergência, responde por uma alta taxa de internações anuais e apresenta alto índice de reinternação principalmente por não adesão ao tratamento. Os achados precoces de asma incluem um ou mais dos sinais e sintomas abaixo: 1. Roncos e sibilos 2. Dispnéia 3. Aperto no tórax 4. Sinais de infecções respiratórias recentes e/ou exposição a alérgenos como rinorréia (nariz escorrendo), congestão (entupimento), cefaléia, faringite (dor de garganta), rouquidão, tosse e mialgias (dor no corpo). Na elaboração de um diagnóstico de asma, um episódio somente de roncos e sibilos não fecha o diagnóstico. Surtos repetidos são necessários para identificar a provável causa. Outras doenças que se manifestam com sinais de roncos, sibilos e dispnéia são as pneumonias virais ou bacterianas, disfunção ventricular por infarto agudo do miocárdio e doença pulmonar obstrutiva crônica. Em crianças, essas manifestações devem levar em conta o diagnóstico diferencial com alterações de doenças cardíacas congênitas além de obstrução de via aérea por aspiração de corpo estranho. Indicadores de exacerbação grave da asma incluem: 1. Saturação de oxigênio <92% 2. Taquipneia 3. Consulta no setor de emergência ou hospitalização frequentes e/ou recentes 4. Qualquer história de intubação por asma Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 59 5. Picos de fluxo <60% dos valores previstos 6. Uso de musculatura acessória e retração 7. Duração dos sintomas > 2 dias 8. História de uso frequente de corticosteroides e uso atual de teofilina No primeiro atendimento deve ser ofertado oxigênio suplementar ao paciente em sofrimento respiratório e deve-se atentar para os sinais de sintomas de alerta da insuficiência respiratória iminente. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: A terapia deve ser escalonada conforme a gravidade da exacerbação. - Salbutamol: Beta agonista de uso inalatório (primeira linha). Deve ser usado 2,5 a 5mg a cada 20 minutos por três doses ou de forma contínua, seguido por 2,5 a 10mg a cada 1 a 4 horas conforme a necessidade. Em crianças, administra-se 0,15mg/kg Dose mínima 2,5mg) a cada 20 minutos, seguido por 0,15mg a 0,3mg/kg a cada 1 a 4 horas conforme indicado pela condição do paciente , até 10mg. - Beta 2 agonistas parenterais: Usar com cautela, devido ã tendência a causar hipertensão aumentar o trabalho cardíaco e a demanda de oxigênio. A terbutalina 0,25mg ou a epinefrina 0,3mg a 1:1000 intramuscular podem auxiliar o agonistas inalatórios. - Ipatrópio: 0,5mg a cada 20 minutos até três doses, e depois, conforme a necessidade. Maior efeito em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica ou com história de tabagismo. - Corticosteróides: Metilprednisolona 40 a 125mg, endovenoso, em adultos ou 2mg/kg em pacientes pediátricos. Triancinolona, intramuscular, 60mg em adultos ou 0,3 a 0,3mg/kg em crianças maiores de 6 anos. O efeito dos corticosteróides pode levar horas até o seu início. - Sulfato de magnésio: 2g ao longo de 30 a 60 minutos, ajudando a relaxar a musculatura lisa dos brônquios. - Mistura gasosa de hélio e oxigênio (Heliox): pouco usado. Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 3.3 - Doença Pulmonar Obstrutiva crônica (DPOC) É uma obstrução do fluxo de ar causada por bronquite crônica ou associada ao enfisema pulmonar. É mais prevalente em homens do que em mulheres, principalmente brancos. A incidência aumenta conforme a idade, especialmente nos fumantes. Os sinais e sintomas mais comuns que podemos observar em um paciente portador de DPOC são: tórax em formato de barril, sibilância (assobios com a respiração), dispnéia, uso da musculatura acessória, tosse crônica, elevação da Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 60 pulsação jugular, edema periférico (inchaço), intolerância aos esforços (casos avançados) e infecções respiratórias de repetição. Exacerbação aguda da DPOC Sinais e sintomas de alerta Dispnéia Saturação <90% Tosse produtiva ou não Taquipnéia (>30 resp/min) Intolerância aos esforços Cianose periférica ou central Sibilância Alterações do estado mental por hipercapnia (excesso de gás carbônico) Dor ou desconforto torácico Sudorese Ortopnéia (incapacidade de permanecer deitado devido à falta de ar). O tratamento inicial é realizado com a oferta de oxigênio suplementar de baixo fluxo, por cânula nasal ou máscara de venturi, mantendo a saturação em pelo menos 94%. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: A terapia deve ser escalonada conforme a gravidade da exacerbação. - Se o paciente permanecer hipoxêmico com oxigênio de baixo fluxo (<80% de saturação) e as extremidades estiverem pálidas ou cianóticas, deve-se aplicar máscara não reinalante e preparar-se para o manejo agressivo das vias aéreas. Alguns estudos sugerem um teste com máscara CPAP antes da intubação de pacientes DPOC alertas e com hipercapnia aguda. - Salbutamol: Betaagonistsa de uso inalatório, embora não tão efetivos quanto na asma, devem ser utilizados assim que se garantir a via aérea. Deve ser usado 2,5 a 5mg a cada 20 minutos por três doses ou de forma contínua, seguido por 2,5 a 10mg a cada 1 a 4 horas conforme a necessidade. - Beta 2 agonistas parenterais: Usar com cautela, devido ã tendência a causar hipertensão aumentar o trabalho cardíaco e a demanda de oxigênio. A terbutalina 0,25mg ou a epinefrina 0,3mg a 1:1000 intramuscular podem auxiliar o agonistas inalatórios. - Ipatrópio: 0,5mg a cada 20 minutos até três doses. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 61 - Corticosteróides: Metilprednisolona 40 a 125mg, endovenoso, em adultos. Triancinolona, intramuscular, 60mg em. - A ventilação mecânica invasiva está indicada quando, apesar de terapia agressiva, o paciente tem alteração do estado mental, acidose, fadiga respiratória e hipóxia. Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 3.4 - Causas inflamatórias e infecciosas Infecções de vias respiratórias superiores (Ex: faringite, sinusite,...) e inferiores (Ex: Pneumonia, tuberculose,...) por vezes cursam com dificuldades respiratórias. Entretanto, devemos lembrar que outra causas infecciosas ou inflamatórias, como pancreatite, colecistite (inflamação da vesícula), úlcera perfurada, feridas extensas, infecção urinária grave, entre outras, também podem levar a dificuldade respiratória, principalmente pelo aumento da demanda de oxigênio nas áreas acometidas. Destaca-se, nesses casos, a sepse (infecção generalizada) que pode levar à insuficiência respiratória. Devemos lembrar que não é o papel do socorrista realizar o diagnóstico do sofrimento ou da insuficiência respiratória, e sim levar o primeiro suporte ao paciente até que o mesmo seja atendido por um profissional de saúde habilitado e/ou que seja transportado a uma unidade de saúde. 3.5 - Populações Especiais Pacientes idosos: esse paciente apresenta uma ampla gama de alterações fisiológicas que podem prejudicar a capacidade do organismo de oxigenar o sangue. Como esse alterações são graduais ao longo da vida, o paciente normalmente encontra-se compensado. No entanto, qualquer alteração que cause um desequilíbrio no organismo desse paciente, pode resultar em sofrimento ou insuficiência respiratória. É um paciente que deve ser avaliado com cautela e que nunca devemos subestimar os sintomas, já que o quadro pode evoluir gravemente em pouco tempo. Pacientes Obstétricas: A fisiologia pulmonar muda na gestação, reduzindo a reserva respiratória devido à elevação da demanda de oxigênio. Uma descompensação respiratória pode ocorrer rapidamente. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 62 Pacientes Obesos: o aumento da massa corporal eleva a demanda de energia para atividades rotineiras, além de limitar a expansão dos pulmões na inspiração, principalmente em decúbito. 3.6 - Outras Causas A dificuldade respiratória também pode ocorrer em distúrbios cardiovasculares, neuromusculares e metabólicos comuns, como hipoglicemia, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio além de intoxicações, mas essas causas são discutidos em outras seções deste manual. 4 - DISTÚRBIOS CAUSADOS PELO AMBIENTE Em uma cidade com a do Rio de janeiro, imaginamos que a lesão grave por exposição ao frio não ocorre. Porém, enquanto a hipotermia é tipicamente associada ao clima frio, ela também pode ocorrer em condições não tão extremas, mas que levem a temperatura corporal a cair para menos de 35,6°C. Situações como surfistas e nadadores expostos a águas muito frias, vítimas de naufrágios que permaneceram por muito tempo na água ou idosos e crianças expostos a temperaturas muito baixas de um ar condicionado, por exemplo. Por outro lado, a exaustão pelo calor é uma condição bastante comum nessa região, principalmente no verão. O corpo humano tem dois sistemas para regular a temperatura: a regulação comportamental (esforço consciente do indivíduo em reduzir o desconforto térmico) e a termorregulação fisiológica (resultando em suor no calor excessivo e no tremor no frio extremo por exemplo). A manutenção e a dissipação da temperatura corporal podem ser feitas através dos seguintes fenômenos: 1. Radiação: transferência de energia de um objeto mais quente para um mais frio na forma de energia eletromagnética. Ex: calor vindo do chão quente, calor emitido pelo sol,.. 2. Condução: transferência de calor entre dois objeto que estão em contato um com o outro. Ex: corpo em contato com chão frio. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 63 3. Convecção: transferência de calor de um objeto sólido para um objeto que o envolve, mas que esta sob outra forma, como liquido ou ar. Ex: nadador na água. 4. Evaporação: do suor no estado líquido para o vapor. Os extremos de temperatura podem causar lesões graves e potencialmente fatais. Dessa forma, detalharemos os principais sinais e sintomas, assim como o atendimento inicial a vítimas expostas a essas condições. 4.1 - Hipotermia: A hipotermia é o resfriamento generalizado do organismo que ocorre pela exposição a temperaturas baixas, sendo o organismo incapaz de retornar às funções corporais normais. A gravidade da hipotermia é proporcional ao tempo de exposição ao frio e ao meio em que a vítima se encontra. A transferência de calor corporal é até 25 vezes mais rápida em meio líquido do que no ar, por esse motivo a hipotermia ocorre mais rapidamente em vítimas imersas em ambiente líquido. Crianças, principalmente os recém nascidos, e os idosos são mais propensos a hipotermia. Assim como os desabrigados, desnutridos e pessoas com alteração do nível de consciência por ingestão alcoólica. Uma pessoa que consumiu álcool também é mais susceptível à hipotermia, pois ele bloqueia a produção de glicose no corpo e inibe o tremor máximo para a produção de calor. O organismo necessita da glicose para manter a contração muscular durante os tremores, dessa forma, é comum a hipoglicemia após longos períodos de exposição ao frio extremo. Essa alteração deve ser corrigida assim que possível para se manter o mecanismo termorregulador. Para se fazer o diagnóstico de hipotermia (temperatura <35°C medida por termômetro retal), sempre deve se ter em mente essa possibilidade, mesmo que as Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 64 condições ambientais não sejam altamente propícias. Os sinais e sintomas se tornam mais severos com a progressão da hipotermia. Não esqueça que os termômetros comuns de mercúrio só marcam até 35°C. A classificação da hipotermia de acordo com o guideline da AHA 2010, no qual se baseia o tratamento, se dá da seguinte forma: 1. Hipotermia leve (32 a 35°C): vítima com tremores, com queixa de frio, falta de coordenação motora e confusão mental (em alguns casos), pele fria e pálida. 2. Hipotermia moderada (30 a 32°C):cessam os tremores, ocorre queda da pressão arterial, o pulso se torna lento e irregular (palpar pulso central). A frequência respiratória diminui (até 2 respirações por minuto) e as pupilas reagem lentamente ou permanecem fixas e dilatadas, ocorrendo a diminuição importante do nível de consciência. O eletrocardiograma pode identificar fibrilação atrial (mais comum). 3. Hipotermia grave (<30°C): ocorre queda maior da pressão arterial, piora do nível de consciência com evolução para o coma, diminuição acentuada da frequência respiratória, eletrocardiograma pode identificar até mesmo fibrilação ventricular (FV). Manejo Inicial da vítima de hipotermia: 1 - A avaliação inicial ocorre com o A-B-C-D-E. Estabilização de via aérea com oferta de oxigênio, checagem da circulação e, quando possível, colocar a vítima em local aquecido, retirando roupas molhadas e agasalhar com cobertores e mantas térmicas. Em pacientes com hipotermia severa o aquecimento ativo poderá ser realizado com soro aquecido. 2 - Avaliar o nível de glicemia através do glicosímetro e ofertar glicose quando necessário. Pacientes conscientes podem receber oferta de glicose por via oral através de bebidas aquecidas e alimentos. Nos pacientes com queda do nível de consciência, a oferta deve ser feita por via venosa. 3 - Colocar o paciente em posição confortável e realizar a transferência para hospital próximo. Manter avaliação dos sinais vitais durante o transporte. Em caso de parada cardiorrespiratória, manter a ressuscitação cardiopulmonar por tempo prolongado, Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 65 até que ocorra elevação da temperatura para 35°C. O coração em hipotermia grave responde mal às drogas vasoativas e à desfibrilação elétrica. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: - Vítimas de hipotermia e inconscientes devem ter sua via aérea protegida (intubação). - Desfibrilar se necessário e retomar a RCP. - Adiar o uso de medicamentos cardíacos e desfibrilação subsequente até que a temperatura esteja acima de 30°C. Se possível iniciar os procedimentos com oxigênio aquecido e úmido e soluções aquecidas, além de uso de técnicas efetivas para evitar a perda de calor. - Para hipotermia moderada e grave o aquecimento passivo somente não é o suficiente. Sugestão de leitura complementar: algoritmo referenciado do PHTLS Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. Caso especial: Hipotermia por Imersão O maior risco ocorre quando a imersão acontece em águas com temperaturas menores que 25°C. Uma vez que a dissipação do calor é 24 vezes maior do que a do ar, a hipotermia ocorre mais comumente nessa situação. Indivíduos vítimas de imersão em água fria e sem previsão de serem retirados do local devem procurar minimizar as perdas de calor usando a postura de redução de perda de calor (HELP – permanecer com as pernas e braços cruzados junto ao corpo) ou a posição de agrupamento (técnica de Huddle) com múltiplas vítimas de imersão se unindo. A principal preocupação com a vítima de imersão é a morte rápida resultando de pânico que leva à aspiração de água e afogamento. Mas existem outras três fases em que a vítima pode ir à óbito. 1. Primeira fase: resposta ao choque por frio - com resfriamento rápido da pele, vasoconstricção periférica, um “reflexo do engasgamento”, e a inabilidade de apneia, hiperventilação e taquicardia. Pode haver morte súbita em alguns minutos, além de síncope ou convulsões. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 66 2. Segunda fase: incapacitação causada pelo frio – com resfriamento significativo nos próximos 5 a 15 minutos, tendo efeito danoso a motricidade fina e global das extremidades, com má coordenação, perda de força e incapacidade de nadar. 3. Terceira fase: início da hipotermia – se a vítima não é capaz de se manter na superfície da água por causa da fadiga e da hipotermia, pode acontecer a aspiração e o afogamento. 4. Quarta fase: Colapso peri-resgate – Observado em 20% das vítimas que sobrevivem até a fase quatro. Até 90 minutos do transporte e até 24h após o resgate. Pode ocorrer devido à queda posterior da temperatura interna, colapso da pressão arterial e alterações como hipóxia, acidose ou alterações rápidas do pH que induzem a fibrilação ventricular. Outras leões causadas pelo frio: - Desidratação: evaporação do suor, perda de calor pelo aumento da respiração e diurese induzida pelo frio. - Lesão por contato com superfícies congeladas: queimadura pelo frio. - Urticária pelo frio: coceira, vermelhidão e inchaço da pele. - Eritema pérnio (frieiras): coceira, sensibilidade bolhas arroxeadas nas superfícies extensoras dos dedos principalmente. - Ceratite solar (cegueira da neve): ocorre dentro de 1h, mas aparece somente após 6 a 12h da exposição. Levam ao lacrimejamento excessivo, dor, vermelhidão, inchaço das pálpebras, dor quando se olha para a luz, cefaleia e visão nebulosa. Deve-se cobrir os olhos e levar o paciente para atendimento médico. - Lesão cutânea localizada pelo frio: podem ser congelantes e não congelantes. Deve ser removido para uma unidade hospitalar. 4.2 - Distúrbios causados pelo calor: a) Exaustão pelo calor: Temperatura corporal menor que 40,5°C, geralmente em pessoas que estão em estados de depleção de volume (ingesta hídrica insuficiente ou Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 67 atividades em ambientes muito quentes sem a reposição de líquidos). Se houver alteração do nível de consciência é mais provável que seja um caso de insolação. Sinais e sintomas: 1. Fraqueza, mal estar e letargia. 2. Cefalia, vertigem. 3. Náuseas e vômitos. 4. Taquicardia, transpiração. 5. Dor abdominal. 6. Câimbras musculares. b) Intermação ou insolação: Temperatura corporal de até 42°C ou mais. O corpo não é mais capaz de regular a temperatura, a alterações do estado mental e falha de múltiplos órgãos. Sinais e sintomas: 1. Confusão mental. 2. Hiperventilação, taquicardia e hiperventilação. 3. Insuficiência cardíaca, edema pulmonar, distúrbio hidroeletrolítico. 4. Sangramento gastrintestinal, disfunção hepática. Tratamento: Atendimento primário de vias aéreas, respiração e circulação. Iniciar medidas de resfriamento (ex: imersão em água ou uso de lençóis molhados) e transporte para uma unidade hospitalar. Retirar as roupas do paciente e monitorar a temperatura. Interromper as manobras de resfriamento quando a temperatura cair para abaixo de 39°C. Se houver choque hipovolêmico deve-se iniciar a reposição de fluidos (profissional de saúde habilitado) mantendo-se a pressão arterial média (PAM) em 60mmHg. c) Síncope pelo calor: Temperatura corporal geralmente acima de 40°C. É associado principalmente a pessoas com doenças pré-existentes como desidratação. A fisiopatologia da síncope associada ao exercício é semelhante, já que o sangue tende a permanecer no sistema periférico deixando o retorno venoso mais lento e gerando uma hipoperfusão cerebral momentânea. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJCentro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 68 Tratamento: é feito pela retirada do paciente do ambiente com temperatura elevada e hidratação. d) Hiponatremia associada ao exercício: a hiponatremia é diminuição excessiva do sal no organismo. Isso pode acontecer em atletas durante períodos de exercício extenuante (ex: maratonas). A causa mais comum é o consumo excessivo de água sem ingestão de sódio adequada, para repor a perda pelo suor. Sinais e sintomas: 1. Leves: Tonteira, náuseas, vômitos, cefaleia (Sódio entre 135 e 130mmol/L). 2. Moderadas: Confusão mental e desorientação (Sódio entre 130 e 125mmol/L). 3. Graves: consciência alterada, letargia, edema pulmonar, convulsões ecoma (Sódio < 125mmol/L). Tratamento: Restringir a ingestão de água, administrando alimentos com sal ou solução salina. Se não houver resposta, sequência ABC, ofertar oxigênio a 15l/min, solução salina hipertônica bolus de 100ml a 3 (somente se na presença de um médico) repetindo até uma vez após 10min. Transportar o paciente o mais brevemente possível para o hospital na posição sentada ou decúbito lateral esquerdo. e) Outras alterações pelo calor: 1. Rash cutâneo pelo calor (brotoeja): resfriar e secar a área afetada. 2. Edema causado pelo calor (inchaço): edema leve. Retirar roupas e adornos apertados. 3. Câimbras musculares causadas pelo calor: alongamento, permanecer em ambiente fresco, reposição líquida contendo sal como chás ou isotônicos. 4. Tetania causada pelo calor: exposição ao calor curta eintensa, resultando em hiperventilação que leva a dormência, formigamento, espasmos musculares. É autolimitada e deve-se realizar somente a retirada da fonte de calor. 5 – INTOXICAÇÕES POR DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS Os agentes tóxicos podem ser substâncias químicas industrializadas ou naturais, como por exemplo: peçonhas animais, medicamentos, produtos químicos, pesticidas, gases, vapores, drogas ilícitas, etc. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 69 No ambiente pré-hospitalar temos algumas substâncias mais comuns como causa de intoxicação. Inicialmente, tratar de uma vítima de intoxicação não é diferente de tratar outra vítima não intoxicada. A cena deve ser SEMPRE avaliada para que não haja riscos para o socorrista e/ou sua equipe e deve ser solicitada ajuda, se necessária. Uma vez assegurado, o socorrista pode iniciar a avaliação do paciente. As informações importantes a serem colhidas, quando possível, são o tipo de droga, a quantidade, como foi administrada (ingerida, aspirada, fumada, injetada), se já era usada antes, durante quanto tempo e se foi misturada com outra substância. No caso de pacientes agitados ou agressivos, o socorrista deve sempre manter a calma, sendo tranquilizador e não ameaçador para o paciente. Se o paciente está sonolento ou inconsciente, devemos iniciar as manobras de proteção das vias aéreas, até que o paciente acorde ou que seja possível instalar uma via aérea definitiva (suporte avançado). a) Organosfosforados e Carbamatos (Ex: pesticidas, chumbinho): Sinais e sintomas como miose (pupilas puntiformes), sudorese, lacrimejamento, diurese, defecação, bradicardia, broncorreia (secreção nos brônquios), vômitos, miofasciculações (tremores musculares), edema pulmonar, convulsões, hipertensão, coma, paralisia, insuficiência respiratória. Tratamento: Usar equipamento de proteção individual, priorizar o manejo da via aérea, monitorização cardíaca e lavagem gástrica/carvão ativado (se passado menos de 1h da ingestão). Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Atropina 1 a 5mg a cada 5 minutos, dependendo dos sintomas. A pralidoxima (2-PAM) pode ser considerada apenas para organofosforados. b) Ácidos (ácido de bateria, limpadores de ralo, ácido clorídrico, entre outros) e Álcalis (limpadores de ralo, fertilizantes, reveladores fotográficos, entre outros): Sinais e sintomas como sensação de queimação na cavidade oral, faringe e esôfago; disfagia (dificuldade para engolir), sofrimento respiratório, ulcerações ou bolhas, sintomas de perfuração do esôfago como dor torácica ou enfisema subcutâneo. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 70 Tratamento: irrigar a boca com grande volume de água, beber água ou leite (250ml). Não induzir vômitos e nem realizar lavagem gástrica. Se a contaminação for nos olhos, irrigar por 15 minutos com água ou soro fisiológico. Se for na pele, irrigar por 5 minutos. Transportar o paciente o mais rápido possível para um ambiente hospitalar. c) Benzodiazepínicos, sedativo-hipnóticos e tranquilizantes: São pacientes com quadro clínico variável podendo apresentar hipotensão (pressão baixa), perda dos reflexos protetores da via aérea, diminuição dos reflexos tendinosos profundos, confusão, sonolência, estupor e coma. Tratamento: No pré-hospitalar, o cuidado mais importante é a proteção contra a broncoaspiração e queda da língua, além de administração de oxigênio suplementar. d) Antidepressivos tricíclicos: Podem apresentar boca seca, taquicardia, retenção urinária, constipação, midríase (pupilas dilatadas), borramento da visão, depressão respiratória confusão mental, alucinações, hipertermia (temperatura corporal elevada), arritmias ventriculares e convulsões. Tratamento: Não há antídoto. O carvão ativado pode ser prescrito se a ingestão ocorreu há menos de 1h. Manter suporte básico de vida. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Monitorização cardíaca, acesso intravenoso e administração de grandes quantidades de bicarbonato de sódio (em geral mais de 4 ampolas), para manter o complexo QRS<110ms.Agitação, tremor e convulsões devem ser tratados com doses escalonadas de benzodiazepínicos. e) Opióides e Opiáceos (fentanila, morfina, metadona, oxicodona, hidrocodona, meperidina, propoxifeno, heroína, codeína e ópio): Podem ser administrados por via oral, intranasal (aspiração), intradérmica (picadas na pele), intravenosa ou por inalação (fumo). Os sinais e sintomas podem ser euforia ou irritabilidade, sudorese, miose (pupila puntiforme), câimbras abdominais, náuseas e vômitos, depressão do sistema nervoso central, depressão respiratória, hipotensão, bradicardia ou taquicardia e edema pulmonar. Tratamento pré-hospitalar: manejo da via aérea, respiração e circulação. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 71 Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Administração precoce de naloxone. Considerar a contenção do paciente antes da administração, pois o paciente acorda agressivo. f) Etanol: A maior parte do álcool ingerido é absorvido em até uma hora. Os sinais e sintomas variam de acordo com a quantidade ingerida. Efeitos do etanol em relação à concentração de álcool no sangue 0,02% <25 mg/dl Efeitos pouco evidentes, discreta intensificação do humor 0,05% <25 mg/dl Desinibição, sensação de calor, rubor da pele, prejuízo leve do julgamento 0,10% 25-50 mg/dl Fala discretamente arrastada, perda do controle motor fino, labilidade emocional, riso inapropriado 0,12% 50-100 mg/dl Dificuldades de coordenação e equilíbrio, prejuízo importante da cognição e do julgamento 0,20% 100-250 mg/dlResponsivo a estímulos verbais, fala muito arrastada, marcha cambaleante, diplopia (visão dupla), dificuldade para se manter de pé, perda de memória 0,30% 100-250 mg/dl Pode ser acordado por estímulos dolorosos, respiração profunda e ruidosa 0,40% 250-400 mg/dl Não responsivo, incontinência, hipotensão, respiração irregular 0,50% >400mg/dl Possibilidade de morte por apnéia, hipotensão ou aspiração de vômitos Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. Tratamento no pré-hospitalar: manejo da via área, acesso intravenoso para reposição de fluidos e eletrólitos (equipe de saúde habilitada), descartar hipoglicemia. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Reposição de fluidos e eletrólitos. Considerar naloxone se o paciente se mantiver irresponsivo ou com depressão respiratória, pensando no uso prévio de opióides. A tiamina pode estar indicada no consumo de grandes quantidades de álcool, assim como a hemodiálise. g) Cocaína e Crack: Agitação e pupilas dilatadas (midríase) são os principais sinais de intoxicação por cocaína/crack, podendo estar associados a hipertensão ou Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 72 hipotensão, taquicardias ou arritmias, taquipneia ou hiperpneia, IAM induzido por cocaína, hipertermia, agressividade, confusão, alucinações, convulsões, cefaleia, paranoia e comportamento antissocial. O risco de ocorrer um acidente vascular encefálico está significativamente aumentado, além do risco de morte súbita. A segurança da equipe de socorro deve ser uma prioridade, podendo ser necessário o auxílio policial. Tratamento: oxigênio suplementar, acesso, venoso, monitorização cardíaca e oximetria de pulso. Descartar a hipoglicemia. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Evitar o uso de epinefrina e beta bloqueadores. Podem ser usados antiarrítmicos (lidocaína, bloqueadores dos canais de cálcio), anticonvulsivantes, anti-hipertensivos (alfa-bloqueadores como a fentolamina ou vasodilatores como nitroprussiato), benzodiazepínicos conforme a necessidade. Irrigação intestinal ou dose única de carvão ativado no caso de ingestão de pacotes de cocaína. Tratar mioglobinúria, se presente. Os efeitos costumam ser passageiros e geralmente o paciente pode ser liberado após 2 a 6 horas. h) Alucinógenos (LSD, cetamina, MDMA, MDA, MMDA, canabinóides): Os pacientes podem exibir comportamento perigoso, alterações de estado mental, pensamento delirante ou paranoide, ilusões visuais, hipertensão e taquicardia. Tratamento: Em geral, apresentam, agudamente, poucos efeitos colaterais. Alguns usuários podem apresentar comportamento agressivo, necessitando de contenção. Podem precisar também de atendimento devido a lesões traumáticas. Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Intoxicações por LSD podem necessitar de benzodiazepínicos ou antipsicóticos (haldol pode estar indicado). O efeito da droga dura 8 a 12h, porem os efeitos psicóticos podem persistir por dias. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 73 Capitulo III Assistência ao Politraumatizado no APH De acordo com o DATASUS 2014, as causas externas compõem a principal causa de morte em indivíduos jovens na faixa etária compreendida entre 10 e 29 anos de idade, sendo a 3º causa de morte entre todas as faixas etárias. Apenas na quinta década de vida é que o câncer e as doenças cardiovasculares se comparam ao trauma como principais causas de morte. Destacamos ainda, que 80% das mortes na adolescência e 60% das mortes na infância, decorrem de trauma. Em alguns casos, é possível evitá-la através de intervenções simples tais como: manter a via aérea desobstruída, imobilizar a coluna vertebral, assegurar uma respiração patente, ocluir feridas abertas no tórax, manter uma temperatura normal e conter as hemorragias externas, são exemplos de procedimentos críticos e eficientes que podem ser realizados até a chegada do socorro especializado. Os Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro devem ter como rotina avaliar as condições do evento durante o trajeto entre a Unidade de Bombeiro Militar e o local do evento baseando-se no maior número de informações colhidas desde a solicitação do socorro, obtendo detalhes quanto à natureza do incidente de trauma, número de vítimas, condições locais (iluminação, exposição a produtos perigosos, risco de desabamento, explosões, etc.) e a necessidade de solicitar apoio de socorro avançado de saúde e/ou outros órgãos (Polícia Militar, Companhia de Engenharia de Tráfego, Guarda Municipal, concessionárias de energia, água e esgoto, dentre outras). 1- ETAPAS INICIAIS DO SOCORRO – PERGUNTAS NORTEADORAS: A base do conhecimento do socorrista provém de várias fontes, incluindo treinamento pessoal, perfil profissional, cursos de especialização, Instruções Técnico profissionais (ITP) e a experiência de campo. Destacamos que o início de todo atendimento ao trauma no ambiente pré-hospitalar, perpassa pela realização de perguntas norteadoras. Neste contexto, o socorrista deve questionar-se acerca das seguintes indagações: Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 74 1- Qual foi a Cinemática do Trauma? 2- A cena está segura e qual é a impressão geral da vítima? 3- Qual é o Número de vítimas e qual a necessidade solicitar de apoio? 4- Qual Equipamento de Proteção Individual (EPI) devo utilizar além da Biossegurança? a) Cinemática do Trauma A aplicação dos princípios da cinemática do trauma na avaliação da vítima ajuda a prever lesões que de outra forma poderiam passar sem serem percebidas. Deixar de suspeitar de lesões, por não avaliar adequadamente a cinemática, pode ter um impacto desastroso no prognóstico do paciente. Neste contexto, ressaltamos que diferentes tipos de acidentes apontam para um padrão diferente de lesão na vítima. Essa interpretação, acerca da cinemática, realizada pelo socorrista, direciona o exame que será realizado na vítima, a fim de descobrir o trauma grave. Gravidade do incidente a partir da avaliação da Cinemática do Trauma: AVALIANDO A VÍTIMA: AVALIANDO O LOCAL – CENA Alteração do nível de consciência Morte de um dos ocupantes do veículo Dificuldade para falar Ejeção de um dos ocupantes Palidez, Sudorese, Pele fria. Queda maior que 2 X a altura da vítima Sangramento massivo em jatos. Colisão com velocidade maior 32 Km/h. Dor intensa no pescoço Danos severos ao veículo Lesão penetrante cabeça, pescoço e tronco Atropelamento Fratura de clavícula, Traumatismo craniano, Traumatismo de coluna vertebral, trauma de tórax, trauma abdominal e trauma bacia e extremidades Queda de moto Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 75 b) Segurança da Cena e Impressão Geral A primeira preocupação do socorrista quando chegar ao local do incidente de trauma deve ser: A própria segurança, depois da equipe e posteriormente a segurança da vítima. Ninguém deve tentar realizarum socorro se não for habilitado a fazê-lo e nenhum membro da equipe deve se tornar uma vítima, pois isso impedirá que a equipe esteja apta a atender outras pessoas, aumentará o número de vítimas e diminuirá a disponibilidade de socorristas, o que resultará na desestabilização da equipe e retardo do atendimento. Além da segurança da guarnição, a segurança da vítima também deve ser garantida. Toda vítima de lesão traumática deverá ser transportada para um local seguro antes mesmo da abordagem inicial e instituição do tratamento das lesões. Ao chegar à cena, o socorrista deve também estar atento para realizar uma impressão geral da vítima. A impressão geral é um procedimento que busca uma visão simultânea ou geral da posição em que a vítima se encontra e seus estados respiratório, circulatório e neurológico, a fim de identificar qualquer problema externo significativamente grave. Ao realizar a impressão geral, o socorrista já terá dado uma olhada rápida, em torno de 10 a 15 segundos, na vítima, efetuando num primeiro momento um exame global de sua condição e uma avaliação da possibilidade de risco iminente de morte. Destacamos três prioridades na chegada à cena: 1- Avaliar a cena e estabelecer a segurança na operação; 2- Reconhecer a existência de múltiplas vítimas e desastres. Neste caso as prioridades mudam, pois em vez de destinar os recursos à vítima mais grave, deve-se dirigir-se ao maior número de vítimas possíveis, executando uma triagem diferenciada, assunto este que será abordado posteriormente e; 3- Examinar a vítima (Nível de consciência, A, B, C, D e E) Exemplos de condições que oferecem risco à Segurança da Cena: 1. Condições climáticas e ambientais desfavoráveis ao atendimento; 2. Ausência de Policiamento; Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 76 3. Armas de qualquer natureza; 4. Tráfego de veículos no local; 5. Exposição a explosivos, material inflamável e produtos perigosos; 6. Fios energizados expostos; 7. Iluminação local inadequada; 8. Sangue e fluidos corporais; 9. Estruturas colapsadas; 10. Posicionamento e sinalização inadequados da viatura de socorro durante o atendimento. c) Número de Vítimas e Necessidade de Apoio (recursos adicionais) Quando a situação no local exigir recursos que excedam a capacidade da viatura e da equipe, quer seja pelo número de vítimas, quer pela complexidade das lesões encontradas, a melhor conduta é solicitar apoio imediatamente. Em relação ao número de vítimas, o socorrista deve confirmar, com assertividade, o quantitativo das mesmas. Desta forma, destacamos alguns pontos que devem ser avaliados: a cinemática do trauma, o local do incidente, as condições da estrada, condições climáticas adversas, acidente noturno, a presença de barrancos e desfiladeiros, o número de automóveis envolvidos e o relato das testemunhas do incidente. Reiteramos que todo serviço de atendimento pré-hospitalar possui um sistema organizado de Regulação Médica. E desta forma, a atividade de atendimento direto ao paciente na cena deve ser regulada, possibilitando o apoio operacional necessário ao socorrista. d) Biossegurança – EPI Antes de abordar a(s) vítima(s), tendo garantido a segurança da cena e já ciente das informações sobre a situação do incidente, o socorrista deve utilizar todo o equipamento de proteção individual (EPI) disponível e adequado à necessidade do momento: óculos de proteção, luvas de látex, máscaras e protetores faciais, capacetes (quando indicados), roupas especiais e etc. Os riscos biológicos mais comuns no atendimento as vítimas de trauma estão relacionados principalmente a sangramentos e outros fluidos e eliminações corporais (vômitos, urina e/ou fezes). Os principais riscos na exposição a esses fluidos estão Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 77 associados a contaminação por vírus dos tipos HIV e os das hepatites, sendo a hepatite B o maior potencial de contaminação. Por essa razão é de grande importância que o bombeiro militar esteja devidamente protegido ao realizar atendimento a vítimas de trauma. Caso ocorra algum tipo de exposição, tal como perfurações e/ou respingos de sangue nos olhos, por parte dos componentes das guarnições, estes devem imediatamente comunicar a equipe de saúde de sua unidade ou ao seu superior para que os devidos cuidados preventivos sejam iniciados. Roteiro de avaliação situacional para o atendimento ao trauma: PERGUTAS NORTEADORAS ETAPAS INICIAIS 1 O que aconteceu? Por que solicitaram o socorro? Cinemática do Trauma 2 Como aconteceu o incidente? Qual foi mecanismo ou cinemática (biomecânica) do trauma e que forças e energias provocaram as lesões da(s) vítima(s)? Existe algum outro fator relacionado à vítima (alteração clínica) que possa ter desencadeado o trauma? Cinemática do Trauma 3 A cena encontra-se realmente segura? Há produto perigoso na cena? Segurança da Cena 4 Qual a impressão geral do paciente? (Avaliar posição vítima, comunicação verbal, respiração e sangramento externo) Segurança da Cena e Impressão Geral 5 Qual o número de vítimas envolvidas e qual a idade de cada uma delas? Número de Vítimas 6 Há necessidade de apoio de socorro avançado ou de mais recursos de pessoas e/ou viaturas? Necessidade de Apoio 7 Há necessidade de acionar apoio de outras instituições (CET, GM, PM, Cia de Energia, Cia de Água e Esgoto, etc.)? Necessidade de Apoio 8 Há necessidade de apoio com equipamento especializado (guindaste, reboque, etc.)? Necessidade de Apoio 9 Há necessidade de Socorro Aeromédico? Necessidade de Apoio 10 Qual EPI devo utilizar para o atendimento? Há necessidade de EPI especial para o atendimento? Biossegurança Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 78 2- EXAME DO POLITRAUMATIZADO O Exame do politraumatizado é a pedra fundamental para o melhor tratamento da vítima. Para a vítima traumatizada, bem como para qualquer paciente numa emergência, a avaliação é a base para todas as decisões de atendimento e transporte. Primeiramente devemos determinar a condição atual da vítima para detectar condições que ameacem a vida e quais intervenções de urgência e reanimação serão iniciadas e condições que requeiram atenção sejam identificadas e tratadas antes da remoção da vítima para o hospital de referência, para que a mesma possa suportar o transporte e receber seu tratamento definitivo no ambiente intra-hospitalar. Caso haja tempo e a vítima apresente condições é recomendado realizar uma avaliação secundária, para identificar lesões que ameacem os membros ou que não estão comprometendo a vida. De modo geral, essa avaliação ocorre durante o transporte da vítima para o hospital. Todas essas etapas são realizadas de forma rápida e eficiente, com o objetivo de minimizar o tempo gasto no local. Vítimas críticas não devem permanecer no local, a não ser que estejam encarcerados ou existam outras complicações que impeçam o transporte rápido. Levar a vitima politraumatizado para tratamento cirúrgico definitivo em um mínimo de tempo, após a instalação da lesão é prioridade porque geralmente o politraumatizado grave que não respondeao tratamento inicial e está provavelmente com hemorragia interna. O tempo estimado de cena não deve ultrapassar 10 minutos para que a vítima esteja tendo seu tratamento definitivo ainda dentro da primeira hora do evento ocorrido (Hora de Ouro). Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 79 a) Avaliação Primária do Politraumatizado: NC- Nível de consciência A- Abertura das Vias Aéreas e estabilização da coluna cervical B- (Boa) Ventilação C- Circulação (perfusão e controle de hemorragias) D- Déficit neurológico E- Exposição e ambiente O exame primário é dividido em seis etapas que devem ser seguidas de forma sistemática para que nenhuma informação sobre as condições da vítima seja negligenciada. NC- Nível de consciência: No momento da avaliação do nível de consciência o socorrista deve focar somente em duas vertentes, consciente ou inconsciente e rapidamente determinar se a vítima preserva ou não a via aérea patente. Estimar a escala de Glasgow de coma para determinar se é inferior a 9 também pode auxiliar o Bombeiro, contudo não é necessária sua aplicação nesse primeiro momento. O método recomendado pelo CBMERJ para o socorrista avaliar o nível de consciência é o AVDI (Alerta, Resposta Verbal, Resposta ao estimulo doloroso e inconsciência). Avaliação do nível de consciência. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 80 A - Abertura de vias aéreas e estabilização da coluna cervical: O objetivo dessa etapa é checar rapidamente se a vítima respira e garantir que não haja nenhuma obstrução à passagem do ar. Caso haja algum tipo de obstrução, deve ser corrigida imediatamente, pois a obstrução leva à redução da quantidade de oxigênio no organismo (hipóxia). Esta hipóxia é uma importante causa de morte que pode ser evitada com o emprego de algumas manobras simples. Nos casos de traumatismo, devemos atentar para a presença de: queda de língua, presença de corpo estranho na cavidade oral, traumas de face, secreções (sangue e vômito). Técnica de abertura de boca com os dedos cruzados (figura 1) e Técnica estabilização manual da coluna cervical e elevação modificada da mandíbula (figura 2): O socorrista deve estabilizar a coluna cervical da vítima segurando sua cabeça apoiada sobre uma superfície rígida e elevando a mandíbula empurrando para cima os dois ângulos da mandíbula com os dedos indicadores ou polegares. Caso haja muita secreção ou sangue e o aspirador não esteja disponível, o socorrista deve realizar o rolamento a 90º e fazer varredura digital com compressas de gazes. No pré-hospitalar a técnica de aspiração respeita os seguintes critérios: pré- oxigenação e re-oxigenação no intervalo da aspiração, aspiração por até 10 segundos, a aspiração deve acontecer durante a retirada do cateter, preferencialmente o cateter deve ser rígido, a prioridade é a aspiração da cavidade oral e vítimas com TCE e suspeita de fratura da base do crânio tem contra indicação de aspiração nasal. Figura 1 Figura 2 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 81 Medição , aplicação e adaptação da cânula orofaríngea na vítima Outro recurso disponível é o uso de cânulas orofaríngeas. A finalidade desse dispositivo é manter a base da língua distante da região da passagem do ar. O socorrista deve medir a cânula antes de introduzi-la, a técnica de mensuração e introdução da cânula é a seguinte: após identificar o equipamento o socorrista deve medir a cânula do ângulo da mandíbula ou do lóbulo da orelha até a comissura labial da vítima, certificando-se que o tamanho é compatível com a vítima. Deve-se introduzi-la direcionando-a para o palato duro (céu da boca) e quando encontrar a primeira resistência gira-se a mesma acabando de introduzi-la. Em crianças é necessário ter um abaixador de língua e a cânula deve ser introduzida no mesmo sentido que irá permanecer na cavidade oral. B- (Boa) Ventilação: Ao avaliar a ventilação, o socorrista deve atentar para a presença ou não de respiração e determinar a qualidade da mesma através do método “VER, OUVIR e SENTIR” estimando sua frequência e profundidade para decidir qual procedimento irá tomar. Vítimas que não respiram e, de um modo geral, vítimas inconscientes que respiram acima 24 e abaixo de 08 incursões respiratórias por minuto necessitam de suporte ventilatório, e as demais necessitam de oxigênio suplementar. Ao detectar alteração na respiração da vítima, o socorrista deve inspecionar o pescoço e o tórax (anterior e posterior) da vítima procurando sinais como: alteração de jugulares, hematomas e feridas no tórax. No caso de existência de ferida aspirativa no tórax uma medida salvadora é a oclusão da ferida. Essa medida deve ser reavaliada periodicamente, visto que pode se tornar o pneumotórax fechado em hipertensivo. Caso isso ocorra deve-se retirar temporariamente (por alguns segundos) a oclusão até que o desconforto respiratório (taquicardia, taquipnéia, entre outros sinais) seja novamente aliviado e então reaplicar a oclusão. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 82 Toda vítima de trauma necessita de oxigenioterapia para prevenir a lesão secundária causada pela hipóxia. C- circulação: O choque hemorrágico, causado pelas hemorragias internas, é a maior causa de morte no trauma. Ao avaliar o sistema circulatório, socorrista deve buscar hemorragias externas e sinais de hipoperfusão tais como: palidez cutânea, pele fria e pegajosa, pulso radial fino e rápido, enchimento capilar superior a 2 segundos e respiração rápida, que são todos sinais precoces de estado de choque hipovolêmico. Na presença de sangramentos vultuosos em membros que não são controlados com curativo compressivo, o socorrista deve considerar aplicação de torniquete. Execução da técnica “Ver, Ouvir e Sentir”. Oferta de O2 Suplementar sob máscara Suporte ventilatório enriquecido com O2 Oclusão de ferida aspirativa Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 83 D - Déficit neurológico: Ao avaliar o déficit neurológico o socorrista deve minimamente reavaliar o nível de consciência, verificar o padrão das pupilas e as condições de sensibilidade e motricidade, avaliando força e movimentos. Pode ainda calcular a escala de coma Glasgow de coma que varia de 3 a 15, avaliando a abertura ocular, a resposta verbal e a resposta motora e quanto menor o valor, mais grave é o quadro da vítima. Importante ressaltar que durante a avaliação da abertura ocular o Bombeiro deve avaliar as pupilas também. Avaliação de pulso e temperatura. Avaliação do pulso e perfusãotecidual. Verificação, comparativa, de pulso central e periférico. Exame de foto reação pupilar. Exame de verificação de força e motricidade. Avaliação de pulso, motricidade e sensibilidade. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 84 E - Exposição e Ambiente: Durante a avaliação é feita a exposição da vítima que tem por finalidade identificar lesões ou sinais de traumatismos fechados (exemplo a visualização de um hematoma abdominal), porém o socorrista deve atentar para o ambiente e prevenir a hipotermia expondo o necessário e aquecendo a vítima após terminar a avaliação primária. A exposição deve ser criteriosa e objetiva. O socorrista deve ainda ter em mente que vítimas de trauma sofrem agravo no seu estado geral quando expostas a baixas temperaturas. A hipotermia pode agravar o estado de choque hemorrágico, pois interfere nas respostas fisiológicas compensatórias. Roupas molhadas, ar condicionado da viatura, eventos em regiões climáticas de baixa temperatura, são situações que podem levar ao quadro de hipotermia. Ao término da avaliação primária, o socorrista deve concluir com um diagnóstico sindrômico como, por exemplo, o estado de choque e caso seja identificado risco iminente de morte para a vítima, o socorrista esta autorizado a interromper a avaliação primária logo após a avaliação da circulação e retomar a avaliação no interior da ambulância a caminho do hospital. Reavaliação: A reavaliação consiste na verificação do nível de consciência, A, B, C, pescoço, tórax, abdome e checagem de procedimentos tais como: acesso venoso, imobilizações e curativos e sinais vitais. Esta deve ser sempre realizar a cada 5 minutos em vítimas graves e sempre que realizar algum procedimento. Exposição da vítima. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 85 b) Avaliação Secundária do Politraumatizado: A avaliação secundária consiste na avaliação sistematizada e minuciosa da vítima como alguém que visa buscar lesões que não foram percebidas durante a avaliação primária, tal avaliação, segue a sequência crânio podal onde o socorrista deve passar por todos os seguimentos corporais (Cabeça, pescoço, tórax, abdome, cintura pélvica, MMIS, oco axilar e região dorsal), na avaliação dos sinais vitais utilizando equipamentos de monitorização, e no colhimento da história AMPLAS (Alergias, Medicações, Prenhes, Líquidos e alimentos, Ambiente do Evento e Sinais e Sintomas). Em vítimas graves é comum que a equipe acabe por não realizar todo o exame secundário devido a necessidade de manter as reavaliações, realizando apenas a coleta da história e verificação dos sinais vitais. 3- HEMORRAGIAS E CHOQUE: a) Choque Hipovolêmico (hemorrágico): Relacionado com perda de volume sanguíneo circulante. Perfusão orgânica inadequada. “O Choque Hipovolêmico é a causa mais comum de choque no doente traumatizado”. CLASSIFICAÇÃO DO CHOQUE HIPOVOLÊMICO: O choque hemorrágico pode ser dividido em quatro classes, dependendo da gravidade da hemorragia, conforme abaixo: Hemorragia classe I: Estágio de poucas manifestações clínicas. Os mecanismos de compensação estão agindo e auxiliam a manutenção da pressão arterial estabilizada. Hemorragia Classe II: A maioria dos adultos consegue compensar esta perda de sangue, ativando o sistema nervoso simpático (adrenalina na corrente sanguínea) que manterá a pressão arterial estável = choque compensado! Hemorragia classe III: a maioria das vítimas não consegue compensar esta perda de volume, e ocorre hipotensão. Muitos desses doentes necessitam de transfusão sanguínea e intervenção cirúrgica. Hemorragia Classe IV: estágio de choque grave. Essas vítimas geralmente têm poucos minutos de vida. A sobrevida depende de controle imediato da hemorragia Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 86 (cirurgia quando necessária) e reanimação agressiva, incluído transfusão de sangue e plasma, com mínimo de solução cristaloide. Avaliação do Choque Hemorrágico de Acordo com sua Classe: Qnt Perda Classe I Classe II Classe III Classe IV Perda de Sangue (ml) Até 750 750-1.500 1.500 - 2000 > 2.000 % do volume Até 15% 15% -30% 30%-40% >40% Pulso <100 100-120 120-140 >140 Pressão Arterial Normal Normal Diminuída Muito diminuída Pressão de pulso Normal ou aumentada Diminuída Diminuída Diminuída Frequência Ventilatória 14-20 20-30 30-40 >35 Estado Mental Ansiedade bem discreta Ansiedade leve Ansiedade, confusão Confusão, letargia Débito urinário (ml/h) >30 ml 20-30 5-15 Imperceptível Reposição de fluidos Cristalóide Cristalóide Cristalóide + sangue Cristalóide + sangue Fonte: Modificado de American Collegeof Surgeons Committee: Advanced Trauma Life Support for doctors, student course manual, 9th Perda Sanguínea Associada às Fraturas: Tipo de Fratura Perda Aproximada (ml) Costela 125 Rádio e ulna 250-500 Úmero 500-700 Tíbia e fíbula 500-1000 Fêmur 1000-2000 Pelve 1000- intensa Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 87 b) Choque Distributivo: está relacionado com as alterações do tônus vascular decorrentes de várias causas diferentes. O choque distributivo pode ocorrer em virtude da perda do controle do sistema nervoso autônomo sobre a musculatura lisa que controla o tamanho dos vasos sanguíneos ou da liberação de substâncias químicas que causam vasodilatação periférica. Essa perda pode ser causada por trauma de medula espinhal, simples desmaio, infecções graves ou reações alérgicas. Ex: choque neurogênico (hipotensão), choque séptico, choque anafilático. c) Choque Cardiogênico: relacionado com a interferência na função de bombeamento do coração. É toda alteração que leva à falha no mecanismo de bombear sangue. Ex: Tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, arritmias. Sinais Associados aos Tipos de Choque: Sinais Vitais Hipovolêmico Neurogênico Séptico Cardiogênico Temperatura da pele Fria, pegajosa Quente, seca Fria pegajosa Fria pegajosa Coloração da pele Pálida, cianótica Rosada Pálida Pálida, cianótica Pressão arterial Diminuída Diminuída Diminuída Diminuída Nível de consciência Alterado Lúcido Alterado Alterado Enchimento capilar Retardado Normal Retardado Retardado Ø Tratamento: ü Garantia de oxigenação (via aérea e ventilação adequada). FiO2 > 0,85. ü Identificação de hemorragias (controle de hemorragias externas) ü Transporte rápido ao centro de tratamento definitivo. ü Administrar fluidos durante o transporte, conforme adequado. ü Manutenção da temperatura corpórea. (aquecer a vítima) Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar- CEPAP 88 Ø Etapas de controle da hemorragia externa no ambiente pré-hospitalar são: ü Pressão manual direta ü Curativos compressivos (bandagens, gaze, atadura) ü Torniquetes (membros) O controle da hemorragia externa deve ocorrer por etapas. Em locais onde torniquetes não podem ser colocados (tronco ou pescoço), agentes hemostáticos podem ser utilizados. Ø Torniquetes - Orientação: Caso uma hemorragia externa não possa ser controlada por pressão, a aplicação do torniquete é a etapa lógica seguinte o qual também deve ser utilizado quando houver síndrome do esmagamento e amputação traumática. Cabe ressaltar que o torniquete é um equipamento industrializado disponível e comercializado no Brasil, porém seu custo ainda é muito elevado, desta forma o CBMERJ orienta os bombeiros militares improvisarem de duas formas respeitando os seguintes princípios: Largura da bandagem: Deve ter cerca de 10 cm. Local da aplicação: Proximal ao ferimento – cerca de 10 cm ou um punho cerrado. Caso o torniquete não interrompa completamente a hemorragia, então outro deve ser colocado proximal ao primeiro. Força: Deve ser apertado o suficiente para bloquear o fluxo arterial. Tempo: Podem ser usados com segurança por até 120 a 150 minutos até a sala de cirurgia, sem lesões nervosas ou musculares. Identificar no torniquete a hora de colocação. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 89 Observação O torniquete industrializado e as bandagens elásticas deverão ser, preferencialmente, a escolha em casos de hemorragias não controladas, entretanto, na ausência dos materiais em questão, poderá ser utilizado como meios de fortuna, câmara de ar de bicicleta ou torniquete improvisado com material rígido e tecido. Ø Administração de Fluidos – reanimação volêmica: Vítimas de choque hemorrágico devem ser submetidas a medidas que controlem a hemorragia externa, receber quantidades mínimas de solução eletrolítica por via intravenosa ou intraóssea e ser rapidamente transportado ao hospital. A administração de um volume limitado de solução eletrolítica antes da reposição de sangue é a abordagem correta durante o transporte ao hospital. Como resultado da superinfusão de cristalóide terá maior quantidade de fluido intersticial (edema), resultando em menor transferência de oxigênio às hemácias resultando em mais hipoxia tecidual. O objetivo NÃO é elevar a pressão arterial a níveis normais, mas fornecer a quantidade de fluido necessária à manutenção da perfusão e continuar o suprimento de hemácias oxigenadas ao coração, cérebro e pulmões. Hemorragias descontroladas: Atentar para hemorragias nos seguintes locais: tórax, abdômen, pelve e fêmur, devido ao grande potencial de sangramento. A administração de cristalóides IV com objetivo de manter uma pressão arterial sistólica em um intervalo 80 a 90 mmhg, é conhecida como hipotensão permissiva. Este conceito é a tentativa de manter a pressão arterial da vítima abaixo dos níveis de normalidade até a chegada ao hospital de origem. Uma grande quantidade de volume pode causar hemorragia Torniquete industrializado Bandagem elástica industrializada Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 90 intratorácica, intra-abdominal e retroperitoneal. Após a chegada ao hospital, a administração de fluidos é continuada, com plasma e sangue. Hemorragias controladas: Doentes com hemorragia externa importante, que foi controlada, podem ser mantidos com uma estratégia de reanimação volêmica mais agressiva, desde que o socorrista não tenha razões para suspeitar de lesões intratorácica, intra-abdominais ou retroperitoniais associadas. Os adultos em Choque Classe II, III ou IV devem receber um bolus inicial de 1 a 2 litros de solução cristalóide. As crianças podem receber um bolo inicial de 20 ml/kg de solução cristalóide. A caminho do hospital devemos monitorar: sinais vitais, incluindo pulso, frequência ventilatória e pressão arterial. Podem haver 03 respostas a essa reposição volêmica inicial: Resposta rápida: sinais vitais voltam ao normal e assim permanecem. Paciente perdeu cerca de 20% de volemia e a hemorragia cessou. Resposta transitória: inicialmente os sinais vitais melhoram, contudo, na evolução pioram e a vítima volta a entrar em choque. Perdeu 20 a 40% de volemia. Resposta mínima ou ausente: não apresentam quase nenhuma alteração dos sinais vitais, após administração de 1 a 2 litros de volume. Os grupos de resposta transitória e ausente têm uma hemorragia contínua, provavelmente interna. A melhor conduta nesses doentes é manter um estado de hipotensão permissiva, e os líquidos IV devem ser administrados até que se obtenha uma pressão arterial sistólica na faixa de 80 a 90 mmhg. OBS: Lesões no Sistema Nervoso Central – a hipotensão foi associada a um aumento de mortalidade no quadro de lesão cerebral traumática (LCT). Diretrizes do trauma recomendam manter uma pressão arterial sistólica acima de 90 mmhg em doentes com suspeita de LCT. Para atingir esse objetivo, pode ser necessária uma reanimação volêmica agressiva, aumentando os riscos de hemorragia recorrente de lesões internas associadas. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 91 4- TRAUMATISMO CRÂNIO ENCEFÁLICO E RAQUIMEDULAR: A Cabeça é a região do corpo mais lesada em pacientes politraumatizados. Destes 80% apresentarão TCE leve. A principal causa é a colisão automobilística seguida de queda, principalmente nos idosos. Cerca de 2 a 5% destas vítimas apresentará TRM associado. A injúria cerebral traumática contribui em 50% nas mortes em vítimas de politrauma. A mortalidade em TCE moderado chega a 10% e no TCE grave a 30%. Alguma sequela com déficit neurológico permanente ocorre em 50 a 99% destas vítimas. As lesões no tecido cerebral ocorrem por aplicação direta de forças externas sobre o cérebro e por lesões de contragolpe pelo movimento deste dentro da caixa craniana. A lesão primária ocorre no momento do trauma e não pode ser evitada, já a lesão secundária será decorrente da má oxigenação ou da diminuição da perfusão do tecido cerebral e pode ser evitada com a proteção das vias aéreas e com o fornecimento de oxigênio. Sinais que devem servir de alerta quanto a gravidade do TCE são: alteração do nível de consciência, concussão cerebral, sangramento pelo ouvido ou nariz, convulsões, pupilas anisocóricas e trismo. Após avaliação rápida da cena e abordagem inicial a prioridade é o ABC com estabilização manual da coluna cervical durante abordagem das vias aéreas no “A”. Deve ser realizada avaliação da motricidade e sensibilidade das extremidades durante o exame dos membros. A lesão da coluna vertebral pode estar associada à lesão medular e esta pode ser completa ou incompleta. Nas lesões medulares completas ocorre ausência de função motora e sensitiva abaixo do local da lesão, com pouca chance de recuperação. Nas lesões medulares incompletas a função motora ou sensitiva pode estar presente com chances de recuperação. O suporte de vida ABC com aberturadas vias aéreas através da elevação modificada de mandíbula e estabilização da coluna cervical, previne a lesão secundária da medula. O alinhamento da coluna cervical com colocação de colar cervical apenas limita os movimentos de extensão e flexão da coluna cervical e não previne os movimentos de lateralização e rotação. Um colar rígido faz com que a Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 92 carga inevitável entre cabeça e tronco seja transferida da coluna cervical para o colar, eliminando ou minimizando a compressão cervical que de outra forma ocorreria. É importante testar a sensibilidade e a motricidade antes e após qualquer mobilização da vítima, não esquecendo de anotar no formulário específico, para proteção do socorrista, contra processos e para propiciar o fator continuidade do serviço. 5- TRAUMA DE TÓRAX: O trauma de tórax pode ser fechado ou penetrante. Aproximadamente 15% a 20% de todas as lesões de tórax requerem cirurgia para tratamento definitivo as restantes são tratadas apenas com intervenções simples (ex.: dreno de tórax). a) Trauma penetrante: Um objeto transfixa a parede torácica penetra na cavidade e lesa os órgãos internos do tórax. A ferida favorece a entrada rápida de ar no espaço pleural, os tecidos e os vasos lesados sangram para o espaço pleural, os alvéolos que ficam cheios de sangue não participam das trocas gasosas. b) Trauma Fechado: No trauma fechado, o mecanismo é menos direto. A força é aplicada na parede torácica e transmitida para os órgãos internos, a onda de choque pode lacerar o tecido pulmonar e os vasos sanguíneos. Assim pode levar a sangramento para dentro dos alvéolos. O impacto causado na oxigenação e na ventilação é o mesmo. c) Fratura de costelas: É a lesão torácica mais comum. É mais freqüente nas costelas 4 e 8, lateralmente. Podem estar associadas as lesões de fígado e de baço. As queixas mais comuns nas fraturas simples de costelas são a dor e a falta de ar. d) Tórax instável: Duas ou mais costelas adjacentes fraturadas em mais de um local (movimento paradoxal), existe uma força (energia cinética) suficiente para causar contusão pulmonar. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 93 e) Contusão Pulmonar: Lesão do tecido pulmonar ocasionada por impacto com significativa transmissão de energia cinética, ocorrida no trauma fechado. A troca gasosa fica prejudicada, complicação potencialmente letal do trauma de tórax. f) Pneumotórax: Ocorre em até 20% dos traumas graves de tórax. Podemos classificar como simples (fechado), aberto ou hipertensivo (evolução do simples / ou do aberto) . É importante evitar a transformação de simples em hipertensivo. Pode ser necessária a descompressão por punção. O pneumotórax hipertensivo é uma lesão com risco iminente de morte. Sinais e sintomas de pneumotórax: Simples Fechado ou penetrante: Murmúrio vesicular diminuído ou ausente, desconforto respiratório moderado, taquipnéia, hipertimpanismo e dor. Hipertensivo Fechado ou penetrante: Murmúrio vesicular diminuído ou ausente, desconforto respiratório intenso, comprometimento hemodinâmico turgência jugular, hipertimpanismo e desvio de traquéia (sinal tardio). g) Hemotórax: Pode ocorrer no trauma fechado ou penetrante. Apresenta acúmulo de sangue na cavidade pleural. A energia que atinge a região torácica promove lesão das estruturas acondicionadas na cavidade resultando em sangramento interno. Diferencia-se do pneumotórax pelos sinais e sintomas que são: sinais de choque hipovolêmico, jugulares colabadas, ausculta pulmonar diminuída ou abolida, macicez à percussão, dor à palpação, pode apresentar fratura de arcos costais gerando a instabilidade óssea. h) Tamponamento Pericárdico: Mais comum nos ferimentos penetrantes, contudo também pode ocorrer nos traumatismos contusos e ainda em casos crônicos como pericardites. Se caracteriza por apresentar uma quantidade de sangue no saco pericárdico. Esse sangue que se Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 94 acumula no saco pericárdico impede que o coração realize seu enchimento normal (pré-carga). Resultando assim em uma má perfusão por diminuição do volume sanguíneo ejetado para a circulação. É um quadro grave que requer rápida intervenção. No ambiente pré-hospitalar os recursos por vezes são insuficientes, a presença de um profissional médico habilitado para realizar “pericardiocentese” aumentará em muito as condições de melhora desse quadro. São Sinais clássicos: Turgência de jugular, hipotensão arterial, bulhas cardíacas abafadas e pulso paradoxal (durante a inspiração o pulso radial some). i) Avaliação do Tórax no Pré – hospitalar: O tórax deve ser avaliado na busca de sinais de lesões causadoras de transtornos respiratórios, tais como: Enfisema subcutâneo, assimetria do movimento torácico, hematomas, deformidades, dor à palpação e crepitação, perfurações e etc. Outros sinais que sugerem lesões torácicas podem se manifestar nas estruturas do pescoço, tais como: Alterações nas jugulares (turgidez e colabamento) e desvio de traquéia. Em caso de perfuração o dorso deverá, obrigatoriamente, ser inspecionado. Inspeção: Consiste em localizar, por observância, as possíveis lesões do tórax. A varredura visual deverá ocorrer em toda extensão torácica e de forma criteriosa. Palpação: O socorrista deve se posicionar de frente para a vítima e com as duas mãos deverá seguir a clavícula com a ponta dos dedos procurando por alguma deformidade ou crepitação. Deverá ainda, com as duas mãos, comprimir levemente o tórax na altura do peitoral procurando sinais de instabilidade. O socorrista, com as mãos na lateral da caixa torácica, comprime o gradil costal buscando crepitação e sinais de instabilidade da caixa torácica, terminando esse movimento com a palpação do osso esterno. Ausculta: A ausculta pulmonar deverá ser comparativa entre ápice/ápice e base/base, buscando alterações em murmúrios vesiculares. As bulhas cardíacas também deverão ser auscultadas no intuito de perceber se há abafamento, diminuição ou ausência. Percussão: A utilização desta técnica busca, através do som, identificar se existe sangue ou ar na cavidade torácica. Som timpânico remete a existência de ar na cavidade (pneumotórax), som maciço remete a existência de sangue na cavidade torácica (hemotórax). Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 95 Sequência do exame do tórax: passo 1 passo 2 passo 3 passo 4 Passo 5 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de EducaçãoProfissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 96 Intervenções e ações no atendimento ao trauma de tórax: ü Avaliação do nível de consciência; ü Abertura de vias aéreas com estabilização da coluna; ü Avaliação da qualidade da respiração; ü Oferecer oxigênio sob máscara em alto fluxo; ü Avaliar necessidade de ventilação assistida por meio de bolsa-válvula- máscara; ü Exame do pescoço buscando desvio de traquéia e alterações em jugulares; ü Inspeção do tórax, buscando alterações de simetria, deformidades e dor; Ausculta pulmonar e cardíaca; ü Curativo oclusivo em feridas aspirativas. Resumo: A cavidade torácica contém os órgãos vitais que oxigenam e distribuem sangue para todo o corpo. Apenas algumas poucas intervenções fundamentais podem ser feitas no local. O reconhecimento e o tratamento precoce das lesões torácicas melhoram o prognóstico dos pacientes que sofreram traumas no tórax. 6- TRAUMA ABDOMINAL: O abdômen representa no corpo humano uma das regiões mais críticas no que diz respeito a vítimas de trauma, principalmente quando associados ao choque hipovolêmico (hemorrágico). Conforme as evidências, em vítimas que apresentam Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 97 sinais de choque, mesmo não tendo lesões aparentes, devemos suspeitar de lesões em algum órgão, pois há presença de vísceras maciças e vasos calibrosos, que têm como uma das características principais gerar sangramento abundante quando acometido. Logo, podemos entender que as lesões abdominais, quando não reconhecidas, acabam sendo uma das maiores causas de morte em vítimas de trauma, não apenas pelas características desse tipo de trauma, mas também pela difícil avaliação no ambiente pré-hospitalar. O trauma abdominal pode ser resultante de: Ferimentos penetrantes – Neste caso temos as lesões por armas de fogo, armas brancas e outros objetos que podem penetrar no abdômen durante um evento traumático. No caso das armas de fogo, o órgão mais acometido é o intestino delgado e no caso das armas brancas, temos o fígado como o órgão mais atingido. Trauma fechado – Podemos citar: contusão, compressão, cisalhamento ou esmagamento. Neste tipo de trauma o fígado é o órgão mais acometido e nas lesões por desaceleração o órgão mais acometido é o baço. Exame do abdômen no pré-hospitalar: O abdômen deve ser avaliado à procura de lesões de partes moles que podem gerar dor, rigidez e, mais tardiamente, distensão. Inspeção: Devemos avaliar o contorno abdominal, verificando se está plano ou distendido. No caso de distensão pode haver uma hemorragia interna significativa ou então, distensão gástrica. Reiteramos que a palpação oferece pouco benefício, podendo ser desconsiderada no ambiente pré hospitalar. Intervenções e ações no atendimento ao trauma abdominal: ü Reconhecimento ou suspeição e transporte rápido para o hospital mais adequado; ü Oxigênio suplementar ou suporte ventilatório quando necessário; ü Acesso venoso durante o transporte com infusão criteriosa de volume (apenas para manter PAS entre 80 e 90 mmhg). Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 98 Casos Especiais: a) Objetos empalados / encravados: Não devem ser retirados ou manipulados, sob o risco de iniciar e/ou aumentar o sangramento. As ações neste caso devem estar voltadas para a estabilização desse objeto, pois a retirada deve ocorrer apenas no centro cirúrgico. Em alguns casos, o objeto pode ser cortado, para facilitar a extricação e/ou mobilização da vítima e posteriormente o seu transporte. b) Evisceração: Ocorre quando um segmento do intestino ou de outro órgão abdominal fica exposto. Nestes casos, não devemos tentar reintroduzir as vísceras, apenas protegê-las com curativo limpo ou estéril umedecido com solução salina, na falta de um pano ou gaze, podemos utiulizar um saco plástico limpo, considerando que quando as vísceras permanecem expostas, necrosam rapidamente. 7- TRAUMA PÉLVICO E DE EXTREMIDADES: As lesões musculoesqueléticas demandam do socorrista o reconhecimento de lesões que representam risco à vida do doente, sem que o mesmo desconsidere os princípios da avaliação primária. O socorrista, ao observar a cinemática do trauma tem a oportunidade de estimar, pela troca de energia entre o agente causador da lesão e a vítima, as possíveis lesões que proporcionem risco à vida, ao passo que realiza as intervenções necessárias para manter a sobrevida do doente no trauma. Embora as lesões musculoesqueléticas nas vítimas de trauma raramente apresentem risco de morte, fraturas podem gerar Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 99 sangramentos extremamente significativos, como é o caso das fraturas de fêmur e pelve, podendo o doente adulto perder aproximadamente 1000 a 2000 ml de sangue. As fraturas são classificadas genericamente em fraturas fechadas ou fraturas expostas. As fraturas fechadas são aquelas nas quais não ocorrem rompimentos dos tecidos pelo osso fraturado. Os sinais observados nas fraturas fechadas identificam- se por: deformidade do membro, crepitação ou instabilidade óssea, dor, edema e hematomas. O socorrista deverá sempre considerar relevante as queixas do doente, uma vez que nem sempre estará evidente a deformidade no membro. As fraturas expostas são definidas pelo rompimento tecidual (músculo e pele) causado pelo osso fraturado. Nas fraturas expostas vale ressaltar que pode ocorrer a contaminação do osso exteriorizado, podendo causar infecção óssea e complicações no processo de cura. Por vezes, o socorrista poderá ter dificuldade na identificação de fraturas, uma vez que o osso fraturado pode sair após o rompimento do tecido, retornando seguidamente. Nesses casos, são consideradas fraturas expostas até a confirmação do médico especialista. Como citado anteriormente, fratura de ossos longos podem proporcionar sangramentos significativos, comprometendo a hemodinâmica do paciente, podendo causar choque hemorrágico. A fratura bilateral de fêmur, bem como a fratura de pelve podem gerar perdas sanguíneas vultuosas pelo potencial de lesões vasculares, ósseas e de órgãos adjacentes. Exame da vítima (avaliação dos membros) Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 100 a) Tratamento de Extremidades no APH: O socorrista ao realizar o tratamento de fraturas no ambiente pré-hospitalar, deve priorizar o controle de hemorragias com objetivo de evitar o choque hemorrágico, principal causa de morte no trauma. A manipulação do membro fraturado deve ser a menor possível, sempre sendo efetuada pelas articulações. Após expor a lesão da vítima, o socorrista avaliará o pulso distal, motricidade e sensibilidade do membro lesionado, com objetivo de identificar possíveis lesões vasculares ou neurológicas e efetuando, posteriormente, o alinhamento do membro para a posição anatômica. Não havendoresistência ou dor relevante durante a manipulação do membro, o mesmo deve ser posicionado para estabelecimento da imobilização. O alinhamento do membro em posição anatômica, geralmente proporciona melhor perfusão e função neurológica, ao passo que ocorre a descompressão de artérias e nervos após alinhamento da fratura. Nas fraturas expostas, o socorrista deve lavar com solução salina ou água destilada o ferimento e só após tentar alinhar o membro. Diante de qualquer tipo de resistência, sendo nas fraturas fechadas ou expostas, o socorrista deverá imobilizar na posição encontrada. O estabelecimento da imobilização consiste na aplicação de tala por todo o osso fraturado, logo, a tala imobilizadora deverá abranger a articulação anterior e posterior ao sítio da fratura, tendo como objetivo não movimentar o segmento fraturado. Na execução da imobilização o socorrista deve atentar para: ü Retirada de acessórios, jóias, relógios ou qualquer objeto que possa comprometer a circulação sanguínea; ü Em talas rígidas, acolchoar para evitar desconforto e minimizar a chance do surgimento de úlceras de pressão; ü Antes e depois da imobilização, avaliar pulso, motricidade e sensibilidade no membro; ü Considerar aplicação de compressas frias na extremidade do membros fraturado, com intuito de diminuir a dor e edema, bem como elevar o membro fraturado quando possível. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 101 b) Tratamento de lesões pélvicas no APH: O tratamento de fraturas pélvicas no cenário do atendimento pré hospitalar é de suma importância em relação ao manejo do doente, na estabilização, e no transporte rápido a unidade hospitalar. O potencial de gravidade na vítima de trauma deve sempre ser considerado, pelas chances de hemorragia interna maciça. Neste contexto, durante a avaliação primária, o socorrista deve atentar para a inspeção da pelve e considerar que a palpação da mesma vem sendo altamente discutida quanto à possibilidade de agravo e, desta forma, não é estimulada. O socorrista, ao efetuar a avaliação primária e identificar possíveis lesões (dor, deformidades e cinemática do trauma sugestiva), deve atuar de forma rápida, objetiva, estabelecendo medidas adequadas para a estabilização da região. Atualmente o uso de cintas pélvicas são questionáveis antes do conhecimento das características específicas de uma fratura. Uma boa opção em alguns tipos de fraturas de pelve instáveis é o uso de um lençol envolto na parte inferior pélvica amarrando como um cinturão. c) Fraturas de Fêmur: As fraturas de fêmur correspondem a estimativa de grande perda sanguínea interna, de aproximadamente de 1.000 a 2000 mililitros de sangue por fratura na vítima adulta. A fratura de fêmur tem uma grande propensão a evoluir para uma fratura exposta, principalmente se esta ocorrer no terço médio, uma vez que, pela contração da musculatura considerada uma das mais fortes do corpo humano, a extremidade fraturada pode facilmente romper os tecidos, bem como lesar artérias, veias e nervos. A imobilização do membro deve seguir os princípios básicos, abrangendo as articulações distais e proximais, e o transporte deve ser efetuado com a vítima sobre prancha longa a unidade hospitalar. Compressão pélvica com lençol - (cinturão) Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 102 Luxação de ombro esquerdo d) Luxações: As luxações são o desencaixe de dois ossos em suas articulações, geralmente proveniente da ruptura dos ligamentos que as sustentam e lhes dão estabilidade. Durante abordagem da vítima é difícil identificar clinicamente se ocorreu uma fratura ou luxação. Existem características em relação à deformidade do membro que indicam a provável lesão, tendo como exemplo a fratura de colo de fêmur que, geralmente, apresenta o encurtamento do membro com rotação externa. Em luxações na articulação coxo- femural, geralmente observa-se o encurtamento do membro com rotação interna. O socorrista deverá imobilizar as luxações na posição encontrada, atentando sempre para os critérios anteriormente citados referentes a avaliação de pulso, motricidade e sensibilidade, coloração do membro lesionado e avaliando sempre a necessidade da aplicação de tipóias na sustentação do membro. e) Entorses: A entorse ocorre pela torção de uma articulação causando dor, edema com a presença ou não de hematoma. Os ligamentos da região afetada foram distendidos ou rompidos ocasionando assim os sintomas anteriormente citados. O socorrista deverá proceder com os princípios de avaliação (inspeção, checagem de pulso, motricidade e sensibilidade do membro), imobilização e condução da vítima à unidade hospitalar para efetuar exame radiológico e avaliação médica confirmando ou não a entorse. f) Amputações: As amputações ocorrem quando um segmento do corpo é separado na sua totalidade ficando totalmente desprovido de sangue oxigenado. As amputações podem ser consideradas totais ou parciais. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 103 Amputação traumática de mão esquerda Nas amputações totais pode ocorrer a retração das artérias e veias, bem como a formação de coágulos que podem contribuir para diminuição da perda sanguínea. As amputações parciais costumam apresentar hemorragias vultuosas, pois os fenômenos descritos acima não acontecem. Diante de hemorragias não contidas pela compressão direta do ferimento, efetuar o torniquete como a segunda técnica para a hemostasia. Os cuidados com o segmento amputado são fundamentais para viabilizar o procedimento de implante. São eles: 1 - Lavar o segmento amputado com Solução Ringer Lactato (RL), com objetivo de retirar sujidades; 2 - Cobrir segmento amputado com gaze estéril umedecendo com solução ringer lactato (RL); 3 - Colocar segmento amputado dentro de um saco plástico, posteriormente colocar dentro de outro saco contendo gelo se possível moído. 4 - Identificar o saco e transportar juntamente com o paciente até a unidade hospilar. O socorrista deve atentar para o transporte rápido a uma unidade hospitalar de referência, considerando que, quanto mais tempo o membro fica desprovido de oxigênio, menos chance terá para reimplantar. Observação: Em hipótese alguma o segmento deverá permanecer em contato direto com o gelo. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 104 g) Síndrome Compartimental X Síndrome do Esmagamento: A síndrome compartimental e a síndrome do esmagamento são acometimentos inerentes ao trauma músculo esquelético, onde o bombeiro necessita de um conhecimento básico para o manejo do paciente bem como a tomada de decisão orientada pela coordenação médica responsável pela regulação do atendimento. A síndrome compartimental se dá pelo aumento de pressão subfascial em um membro, comprometendo o aporte desangue oxigenado. A hemorragia proveniente de lesões vasculares ou de fratura, ou o inchaço (edema), causa o aumento da pressão entre o músculo e a fáscia (tecido conjuntivo que envolve músculos nas extremidades), gerando insquemia (diminuição da chegada de sangue oxigenado aos tecidos). Tendo como exemplo de causa do fenômeno acima citado podemos considerar uma imobilização mal feita, onde há uma atadura ou tala muito apertada. O socorrista deverá atentar para os sinais da síndrome compartimental que inicialmente podem ocorrer como dor, prurido (coceira), formigamento, dormência, entre outros. Os sinais mais tardios consistem na ausência de pulso, palidez e paralisia do membro. O tratamento da síndrome compartimental é realizado no hospital através do procedimento cirúrgico chamado fasciotomia (incisão da pele e da fáscia para a descompressão do local afetado). O profissional deverá observar os procedimentos das imobilizações e curativos efetuados, evitando pressão excessiva, estabelecer contato com a regulação médica e seguir as diretrizes determinadas. A Síndrome do Esmagamento ou Rabdomiólise traumática provém da insuficiência dos rins após uma lesão muscular gravíssima, que gera condição clínica que pode levar à morte do doente. A destruição do músculo em situações de esmagamento, libera uma proteína chamada mioglobina que ao cair na corrente sanguínea e chegar aos rins, leva à insuficiência renal aguda (IRA). A destruição do músculo também libera potássio em grandes quantidades podendo causar arritmias cardíacas. Sabendo das consequências que podem ocorrer quando, por exemplo, um membro esmagado for liberado, o socorrista deverá além de todos os procedimentos relativos ao exame primário, bem como as intervenções necessárias para manter a Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 105 sobrevida da vítima, deverá estabelecer contato com a regulação médica, solicitando autorização para aplicação de um torniquete antes retirada do membro esmagado. 8- TRAUMAS EM SITUAÇÕES ESPECIAIS: 8.1 Trauma na Gestante: As alterações que ocorrem, naturalmente, durante a gravidez são fundamentais para o desenvolvimento do feto, bem como, para preparar a gestante para o parto. Portanto, torna-se fundamental que sejam conhecidas pela equipe que atua em emergência. Se a equipe não possui este conhecimento pode confundir situações fisiológicas com situações patológicas e, com isso, realizarem interpretações equivocadas dos dados apresentados e aplicarem condutas inapropriadas. Alterações morfológicas: No primeiro trimestre da gravidez o útero encontra-se protegido pelos ossos da bacia e a espessura das suas paredes está aumentada. No segundo trimestre o útero deixa de ser protegido pela pelve, passando a ser abdominal, porém o feto é protegido por grande quantidade de líquido aminiótico. No terceiro trimestre o útero atinge as suas maiores dimensões, as suas paredes tornam-se mais finas e a quantidade de líquido aminiótico diminui, ficando então o feto mais susceptível ao trauma neste período. Em relação à placenta, sabe-se que esta atinge o seu tamanho máximo entre a 36ª e a 38ª semanas e que a quantidade de fibras elásticas é pequena, o que predispõe a falta de adesividade entre a placenta e a parede uterina, induzindo a complicações como o descolamento da placenta. O feto é considerado viável a partir da 28ª semana e é considerado prematuro quando tiver menos de 2,5 Kg. Quanto maior for a idade gestacional (aumento uterino) maior será a probabilidade de trauma, mas a possibilidade de lesões de outros órgãos diminui, pois o útero funciona como barreira protetora dos órgãos abdominais. Neste tipo de trauma devemos estar atentos para algumas alterações fisiológicas que são características nas vítimas gestantes: ü FC aumenta 15 a 20 bpm no 3° trimestre; Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 106 ü PA reduz 5 a 15 mmHg no 2° trimestre (depois retorna ao normal); ü Volume sanguíneo aumenta em 50% ATENÇÂO Pode ocorrer perda de 30 a 35% de sangue sem que apareçam sinais de hipovolemia. Condutas no APH: ü Transportar a gestante deitada sobre o lado esquerdo, desde que não tenha indicação de imobilização de coluna. ü Se imobilizada, elevar o lado direito da prancha em 10 a 15 cm; ü Se a vítima não puder ser girada, elevar a perna direita para deslocar o útero para o lado esquerdo. Exame secundário (sinais de alerta): ü Sangramento vaginal; ü Lesões pélvicas maternas; ü Lesões útero/vagina; ü Sinais e Sintomas de DPP; ü Irritabilidade/sensibilidade/contratilidade uterina; ü Movimentação e Batimento cardíaco fetal. O decúbito Lateral Esquerdo faz parte do tratamento. O melhor tratamento para o feto é o tratamento materno adequado. 8.2 Trauma na Criança Durante o atendimento a uma criança politraumatizada é fundamental incluir o responsável pelo menor no processo, pois uma das principais dificuldades é lidar com os responsáveis, que desejam colaborar, porém encontram-se, geralmente, agitados, preocupados ou descontrolados. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 107 A melhor maneira de ganhar a confiança dos pais é demonstrar confiança, não afastá-los do paciente durante o atendimento, ou seja, permitir que participem do socorro. O traumatismo da cabeça é a causa mais comum de óbito após trauma em crianças. As lesões da cabeça são mais frequentes na criança devido ao tamanho e peso desta em relação ao corpo. As crianças costumam apresentar um prognóstico melhor do que adulto com o mesmo grau de lesão e a recuperação pode ser completa mesmo em pacientes com lesões graves. O traumatismo de abdome representa a segunda causa de óbito por trauma em pacientes pediátricos. Sua principal manifestação é o choque hemorrágico causado pela rotura do fígado e do baço. Estes órgãos são menos protegidos pelas costelas e são relativamente maiores em crianças, portanto o profissional deve estar atento aos sinais de choque, bem como, aos sinais de trauma fechado. A parede torácica é mais elástica em crianças do que em adultos diminuindo a chance de lesões como tórax instável e tamponamento cardíaco, após o traumatismo de tórax. Na avaliação da cena devem-se observar as condições que levaram ao trauma, por exemplo: em caso de colisão, deve-se observar se a criança estava sendo transportada adequadamente. O controle da cervical, após instalação dos dispositivos de imobilização, poderá contar com a participação do responsável. Assim o mesmo poderá acompanhar a avaliação da via aérea (A), avaliação da respiração (B) e avaliação da circulação (C). Quanto a avaliação do nível de consciência, este é um excelente indicador de traumatismo de crânio. O profissional poderá utilizar como parâmetro a variação da pontuação na escala de glasgow adaptada para pediatria. As contusões abdominais, equimoses provocadas por cintos de segurança, dor abdominal em pacientes pediátricos representam indicações de transporte rápido (load and go). Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJCentro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 108 Sinais de alerta no traumatismo de tórax: ü Dispnéia; ü Taquipnéia (crianças > 40 irpm) e (lactente > 60 irpm) – loadand go; ü Batimentos de asa de nariz; ü Retrações supra-esternais, intercostais e subcostais. Conduta pré-hospitalar: Adotar medidas de auto-proteção é fundamental, mesmo quando se tratar de crianças. Lembre-se que o trauma pode gerar secreções, sangue e eliminações de fluidos corporais. Manter as vias aéreas abertas com manobras manuais e estabilização manual da cabeça e pescoço e determinar, após a abertura da via aérea, se a vítima apresenta respiração adequada. O profissional deverá iniciar a assistência ventilatória com máscara, caso a respiração esteja ausente ou inapropriada. As causas mais comuns de obstrução de vias aéreas em crianças, vítimas de trauma, são a queda de língua e a presença de corpo estranho. Estabilizar a cabeça e o pescoço manualmente, o colar cervical só é aplicado no final da avaliação rápida, em virtude da criança apresentar baixa tolerância a imobilização cervical. Em crianças menores de um ano considerar a necessidade de instalar um coxim sob os ombros para promover alinhamento da cabeça, coluna cervical e corpo. Avaliar a respiração através da visualização da expansão do tórax/abdome, ouvir sons expiratórios e/ou sentir a respiração (ver, ouvir e sentir) e quando necessário avaliar a frequência observando a faixa etária que são: 20 IRPM para pacientes menores que um ano de idade e 15 a 20/min para crianças maiores e adolescentes. Não esquecerde ofertar oxigênio se saturação estiver menor de 95%. A avaliação da circulação deve ser feita através da palpação do pulso braquial, em crianças, juntamente com a avaliação de hemorragias externas. Os locais de sangramento óbvios devem ser controlados para manter a circulação. Como o volume sanguíneo da criança é de 80 a 90 ml/kg sangramentos com perdas que seriam bem toleradas em um adulto podem causar o choque em crianças. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 109 Assim, torna-se fundamental o controle da hemorragia para prevenir grandes perdas sanguíneas e o choque. 8.3 Trauma no Idoso: Alterações fisiológicas: Cardiovascular O miocárdio apresenta alterações importantes, pois ocorrem mudanças em sua estrutura tal como: acúmulo de gordura, que juntamente com outras alterações como a calcificação das valvas compromete a resposta cardíaca quando há necessidade de compensação. A contração e a capacidade diminuem tanto em repouso como em atividade física levando a diminuição na oferta de oxigênio para a massa cardíaca. Isto acende um alerta quando necessário realizar reposição volêmica. Respiratório: A frequência respiratória diminui devido às alterações estruturais e funcionais. A parede torácica sofre alterações devido à calcificação da cartilagem produzindo baixas no volume e difusão do oxigênio, assim a resposta ventilatória e elasticidade pulmonar diminuem. Sistema digestório: Apresenta alterações estruturais de motilidade e da função secretória o que leva a uma lentidão no esvaziamento do estômago. Este fato leva a aumento do risco de refluxo e broncoaspiração. Aparelho gênitourinário: O rim sofre modificações importantes, tais como: redução em seu peso, esclerose em vasos renais, diminuição na capacidade de filtração glomerular ocasionando drástica diminuição no volume filtrado. A avaliação do idoso vítima de trauma não pode ser isolada, ou seja, avaliar somente o evento e seus componentes. Portanto lembre-se das possíveis alterações que podem agravar a clínica da vítima, como: Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 110 ü Diminuição da atividade simpática ü Redução da complacência cardíaca e pulmonar ü Capacidade de difusão pulmonar diminuida ü Enfraquecimento muscular intercostal ü Redução da resposta renal à depleção de volume Co – morbidades: ü Uso crônico de diuréticos ü Desnutrição ü Oclusão vascular por ateroesclerose ü Medicação vasodilatadora ü Beta-bloqueadores ü Marcapasso Reposição volêmica: O idoso tolera mal a hipotensão e tem mecanismos compensatórios menos eficientes. A tolerância à sobrecarga de volume também é pequena assim as margens para a reposição volêmica tornam-se estreitas. Respiração: A disponibilização de oxigênio a nível pulmonar está antecipadamente reduzida no idoso. Fraturas de costelas podem comprometer a dinâmica respiratória e gerar atelectasias. Trauma de crânio: O trauma de crânio no idoso tem o potencial de gerar HEMATOMAS cujo diagnóstico pode ser difícil no paciente previamente comprometido neurologicamente, portanto devemos SUSPEITAR SEMPRE, especialmente quando há mudança no status mental do paciente. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 111 Resumo: Nível de consciência, A B C D E Imobilização cervical/Avalie coxim Reposição volêmica cuidadosa e criteriosa Reavalie periodicamente/Ausculta pulmonar Oxigênio suplementar / 100% Mantenha monitorado Morbidade e mortalidade “O efeito do envelhecimento diminuindo a “reserva fisiológica” somado às patologias pré-existentes aumenta a morbidade e a mortalidade pelo trauma” 8.4 Queimaduras: Pele: Maior órgão do corpo, órgão dos sentidos sendo responsável pelo controle da temperatura, atua como barreira de proteção além de controlar a perda de água e eletrólitos. Tipos de queimaduras: Depende do agende causador podendo ser decorrente de acidentes por chama, natureza elétrica, química, radiação, vapor ou líquido aquecido. Gravidade da queimadura: A gravidade da queimadura vai depender do agente causador, da extensão da área afetada que é avaliada pela percentual de superfície corporal acometida, da profundidade das camadas da pele envolvidas, da idade da vítima (lembrando que os extremos de idade apresentam pior evolução clínica), além das condições clínicas da vítima tais como doenças pré-existentes como: diabetes, hipertensão arterial e traumatismos associados à queimadura como por exemplo: traumatismo craniano, trauma de tórax e etc. Um ponto que merece destaque são as vítimas que sofrem queimaduras das vias aéreas por inalação, sendo esse fato por si só gerador de grande gravidade, independentemente dos fatores acima listados. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 112 Ao atingir mais de 40% da área corporal, as queimaduras poderão provocar a morte, e acima de 70% da superfície do corpo atingida as chances de sobreviver são mínimas. Regra dos “9”: Modelo representativo da Regra dos 9. A consequência mais grave das queimaduras é a porcentagem da área corporal atingida (regra dos 9). A maneira mais simplespara esta avaliação, embora seja imprecisa, é calcular a área queimada através da “palma da mão do acidentado”, que corresponde à 1% de sua superfície corpórea. De acordo com esta informação temos a seguinte classificação: ü Portador de queimaduras: o acidentado tem menos de 15% da área corporal atingida. ü Grande queimado: a área corporal atingida ultrapassa 15% (aproximadamente 15 palmos) Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 113 Queimaduras de 1º e 2º graus: 1º grau: Atingem somente a epiderme, causando vermelhidão, inchaço, dor local, às vezes insuportável, sem formação de bolhas. (Queimaduras superficiais) Característica: rubor, calor, dor. 2º grau: Atingem as camadas mais profundas da pele, envolvendo epiderme e porções variadas da derme subjacente. Causam formação de bolhas, pele avermelhada, com leito da ferida brilhante, com manchas e coloração variável, dor, inchaço, desprendimento de camadas da pele, e possível estado de choque. (Queimaduras de espessura parcial) Característica: formação de bolhas, dor, leito da ferida é brilhante. Bolha ou Flictena: Separação entre a epiderme e a derme. Imagem de flictena (bolha) em MSE. Imagens de Queimaduras de primeiro e segundo grau. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 114 Queimaduras de 3o grau e 4º grau 3º grau: Esta lesão envolve toda a espessura da pele. Essas queimaduras podem apresentar diversas aparências. Com maior frequência estes ferimentos são espessos, secos, esbranquiçados, com aparência semelhante a couro. Em casos mais graves, a pele parece chamuscada, com visível trombose de vasos sanguíneos. (Queimaduras de espessura completa). As vítimas com queimaduras de 3º grau sentem dor. Estas lesões estão cercadas por áreas de queimadura de 2º grau e 1º grau. Característica: aparência similar a couro, coloração branca a chamuscada, tecido morto, presença de dor. 4º grau: São lesões que acometem não só todas as camadas da pele, mas também o tecido adiposo subjacente, os músculos, os ossos ou os órgãos internos. Queimadura de via aérea Pode ocorrer devido à inalação de vapor ou gás aquecido levando a edema das vias aéreas, apresentando como sinais rouquidão (precoce) e estridor (tardio) correspondendo a 85% de obstrução. (Imagem 11) Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 115 Tratamento da vítima queimada: Deve ser iniciada com a avaliação da área queimada e caso seja maior que 20% demonstra gravidade. Prosseguir retirando anéis e pulseiras da área lesada, pois após o início do edema se torna impossível sua retirada, podendo desempenhar papel de garrote. Esfriar as queimaduras recentes com solução salina ou água estéril em temperatura ambiente (a lavagem dos ferimentos com água deverá ser avaliada com cautela, pois em casos de queimaduras por pós químicos esta não é recomendada). As áreas lesadas devem ser cobertas com gaze limpa. A hipotermia em grandes queimados deve ser prevenida com aplicação de mantas sobre a vítima, após sua avaliação. Queimadura elétrica: A queimadura elétrica apresenta na maioria das vezes pouca extensão superficial e grande extensão na profundidade, ocorrendo até lesão muscular, podendo acarretar um quadro de rabdomiólise com grande risco de insuficiência renal pelo depósito de mioglobina nos túbulos renais. Há risco de queda pela tetania acarretada pelo choque com trauma contuso associado e risco de trombose venosa profunda por alterações na coagulação. Pode ocorrer parada cardíaca pelo aparecimento de arritmias cardíacas. Queimadura por radiação Na queimadura por radiação ocorre morte tecidual pela absorção da energia nuclear deve ser dada atenção especial na avaliação da cena com solicitação de apoio devido aos produtos perigosos. A abordagem médica só deve ser realizada após a extricação e descontaminação da vítima. Imagem 11: Edema de vias aéreas causado por queimadura Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 116 Queimadura química: Da mesma maneira a avalição da cena merece atenção especial com solicitação de apoio os cuidados médicos só serão realizados após extricação e descontaminação da vítima. A gravidade da queimadura química dependerá do tempo de exposição, da natureza e concentração do agente. Ácidos irão queimar por necrose de coagulação e álcalis por liquefação, com maior penetração tecidual. Vítimas que devem ser encaminhadas ao CTQ (Centro de Tratamento de Queimados): Vítimas que apresentem lesão por inalação, com queimaduras de 2ºgrau maior que 10% SCQ, queimaduras de 3ºgrau, queimaduras de face, mãos, pés, grandes articulações e genitália, assim como queimadura elétrica ou química, politraumatizados com área extensa queimada, após estabilização do outro trauma e crianças. 9- INCIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS: Problematizando o atendimento nos acidentes com múltiplas vítimas: Quando abordamos o trauma, temos a necessidade de nos remeter aos protocolos internacionais de atendimento pré e intra-hospitalar, pois os mesmos nos direcionam a buscar as possíveis gravidades nos pacientes, de acordo com a cinemática do trauma envolvido. Para um incidente com múltiplas vítimas, necessitamos neste momento de usar ferramentas semiológicas apropriadas para essas ocasiões, pois o atendimento em desastres, inicialmente, é para quem apresenta maior possibilidade de sobrevivência, reduzindo assim a morbimortalidades dos pacientes, do que atender primeiramente o paciente mais grave. A avaliação de desastres é baseada em atendimentos de medicina de guerra, onde o lema é:“fazer o melhor para o maior número possível de vítimas”. Organizamos o atendimento pré-hospitalar em três etapas, chamadas de “Três Ts do incidente com múltiplas vítimas” que compreendem em: triagem, tratamento e transporte Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 117 Protocolo Internacional de Triagem em Acidente com Múltiplas Vítimas: Método S.T.A.R.T.: O método S.T.A.R.T. (Simple Triage And Rapid Treatment) é o método de triagem mais difundido e aplicado no mundo de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e que pode ser feita por profissionais de saúde, socorristas e até leigos, desde que sejam devidamente treinados. Avalia-se a vítima e classifica-se a mesma por prioridade, destacando-a por uma forma padronizada de cores reconhecida internacionalmente onde: VERMELHA - Vítima grave; AMARELA - Vítima estável que apresenta potencial para gravidade e que não deambula; VERDE - Vítima sem gravidade aparente, com lesões superficiais e que deambula; PRETA- Considerada em óbito ou fora de possibilidades terapêuticas. No método START, as ferramentas semiológicas utilizadas são avaliadas através de três manifestações clínicas, chamadas de R.P.M. onde se avalia parâmetros de: Respiração, Perfusão e status Mental. Trata-se de uma avaliação rápida, preconizada que seja feita em até sessenta segundos. Avaliação START Referências Semiológicas de Normalidade Referências Semiológicas com Alteração RESPIRAÇÃO Abaixo de 30 incursões por minuto Acima de 30 incursões por minuto PERFUSÃO CAPILAR Abaixo de 2 segundos Acima de 2 segundos STATUS MENTAL / NÍVEL DE CONSCIÊNCIA Lúcido e orientado atendendo as solicitações Desorientado ou Inconsciente Coordenação Médica Geral Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 118 Avaliação R.P.M.: Respiração: Observar movimentos inspiratórios e expiratórios que estejam em até 30 incursões por minuto. Em situações traumáticas, todo e qualquer paciente que esteja taquipneico entrará em um quadro de fadiga respiratória, havendo a necessidade de suporte ventilatório imediatamente. Em casos de bradipnéia ou de respiração com assimetria torácica, considerar gravidade e necessidade de suporte ventilatório. Perfusão Capilar: ü Pressionar a polpa digital ou o leito ungueal e soltar rapidamente. ü Se a perfusão voltar em até dois segundos considerar normal. ü Caso o paciente apresente uma perfusão lentificada, devemos considerar a diminuição de perfusão por hipotensão. ü No trauma hipotensão é déficit circulatório por provável hipovolemia ou mecanismo de bomba cardíaca lesionada. Status Mental: ü Avaliar nível de consciência. ü Quaisquer alterações no sensório em vítimas politraumatizadas direcionarão o diagnóstico para baixo débito cerebral (hipovolemia) ou lesão direta no encéfalo (edema ou sangramento). Portanto, em grande resumo, classificamos as vítimas da seguinte forma: Vítima que deambula e obedece a comandos é classificada como verde, pois entende-se que o R.P.M. está mantido em uma vítima que anda. É necessário lembrar que a avaliação pelo método START é uma triagem de prioridade de atendimento em situações de desastres, portanto neste momento de avaliação não cabe diagnóstico diferencial nem tão pouco ser usado em rotina de atendimento clínico ou em um atendimento individualizado. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 119 Vítima que respira normalmente, e que apresenta uma perfusão periférica sem alterações, que esteja lúcida, mas não deambula é classificada como amarela. Vítima que apresenta alterações na respiração principalmente taquipnéia e/ou que esteja com perfusão periférica lentificada e/ou que apresente alteração neurológica é classificada como vermelha. Vítima que não respira, abre-se a via aérea e mesmo assim não apresenta reflexo respiratório ou com lesões incompatíveis com a vida ou fora de possibilidade terapêutica é classificada como preta. Abaixo o fluxograma do método START: Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 120 Tratamento em desastres: É o local que deve ser direcionado as vítimas após a triagem e estabelecida em uma área segura. Na área de tratamento devemos realizar o que chamamos de “triagem secundária”, pois se houver alguma não conformidade no momento da triagem ou uma mudança no quadro clínico da vítima até a chegada a área de tratamento, a mesma deverá ser reclassificada pelo método START. Fitas adesivas para triagem de vítimas Cartão para triagem de vítimas Preto Preto Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 121 Na área de tratamento, devemos manter uma distância visual entre vítimas conscientes em relação a vítimas graves ou mortas, com o intuito de manter um controle emocional na cena. A equipe da área de tratamento deve tratar apenas os chamados vilões do acidente com múltiplas vítimas que são: permeabilização das vias aéreas, contenção de hemorragias e oclusão de feridas abertas no tórax. Os cuidados e intervenções na área de tratamento são necessárias para estabilizar a vítima em suas lesões mais críticas. O exame primário do politraumatizado deve ser realizado e deve ser realizado pela equipe de APH que irá transportar a vítima para o hospital. O modelo em cruz é o recomendado, mas a adaptação a esta regra dependerá única exclusivamente da cena do desastre e da manutenção da segurança. Durante o tratamento, o socorrista deve atentar para contaminação cruzada trocando de luvas toda vez que for manipular um paciente diferente. Transporte: Após a estabilização da vítima, conduzi-la por meios adequados é uma outra forma de minimizar os problemas ocasionados pelos desastres. A regra é simples: Vítima grave deve ser levada por recurso avançado (ambulância ou transporte aéreo, quando este recurso estiver disponível) e vítimas de menor gravidade em recurso intermediário ou básico. Área de tratamento em forma de cruz. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 122 Essa regra se modifica dependendo dos recursos disponíveis em cada situação específica de desastre, onde a falta de recursos é uma característica a ser considerada. As vítimas verdes podem ser transportadas em veículos comuns como: carros de passeio, vans e ônibus, desde que tenham sido classificadas pelo método START e reavaliadas na área de tratamento verde. Após essa separação, as vítimas verdes devem ser acompanhadas neste transporte por um profissional de saúde, devidamente capacitado em atendimento pré-hospitalar. O médico Regulador tem papel fundamental no momento do transporte, ele que avaliará para qual hospital será transportada as vítimas distribuindo-as de maneira coerente para os hospitais disponíveis, avaliando o tempo de chegada, a gravidade da vítima e o tipo de recurso que o mesmo oferece. 10- MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS: Destacamos que as vítimas de trauma requerem cuidados específicos durante o atendimento pré-hospitalar. Nessa perspectiva, ressaltamos a necessidade de cautela e prudência da equipe de socorro ao manipular a vítima de trauma durante todo o atendimento, que implica em procedimentos de movimentação da vítima na cena, transporte e chegada a unidade hospitalar de referência. Os conceitos e técnicas apresentadas nesse capítulo têm como objetivo evitar o agravamento de lesões primárias da vítima e promover condições ergonômicas adequadas pelas equipes de atendimento pré-hospitalar. Mobilização: consideramos que o termo refere-se às técnicas aplicadas no manuseio e movimentação das vítimasde trauma. Suas indicações ocorrem de acordo com os aspectos do cenário e a condição geral da vítima. Imobilização: consideramos que o termo refere-se ao uso de dispositivos a serem utilizados nas vítimas, visando alinhamento, estabilização e/ou fixação de partes do corpo, afim de que movimentos indesejados não agravem lesões já existentes. Materiais básicos de imobilização: prancha longa com cintos e estabilizadores de cabeça, colar cervical e talas de membros. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 123 Preparação da vítima para retirada da cena e transporte: Ressalta-se que vítimas de trauma nem sempre estarão ao solo em posição ideal para serem mobilizadas (ex. colocadas na prancha). Neste contexto, pode ser necessário o alinhamento dos membros junto ao corpo, objetivando deixar a vítima em posição anatômica. Esse alinhamento é realizado sustentando os membros pelas articulações e posicionando- os, gradualmente, ao longo do eixo do corpo. Caso a vitima apresente algum tipo de restrição a esse movimento, ela deverá ser mobilizada e imobilizada mantendo a posição inicial do membro. TÉCNICAS DE MOBILIZAÇÃO E IMOBILIZAÇÃO: Rolamento 90°: Indicação: vítima em decúbito dorsal. Número mínimo de socorristas: três (3). Ao encontrar uma vítima em decúbito dorsal, e havendo a necessidade de transporte, a primeira decisão da equipe será: para qual lado deverá ser realizado o rolamento da vítima. A decisão mais convencional sugere que a vítima deva ser “rolada” para o lado contrário a lesão. Contudo, algumas condições da vítima e da cena podem requerer que o rolamento seja feito para cima do lado lesionado da vítima. Caberá a equipe decidir qual movimento agravará mais o estado geral da vítima, e assim realizar a técnica. Após decisão da equipe acerca do rolamento da vítima, a prancha deverá ser posicionada do lado contrário ao posicionamento dos socorristas. Figura 1 Figura 2 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 124 Considerando a equipe mínima para o atendimento, um dos socorristas deve se posicionar por trás da vítima e com as mãos espalmadas, estabilizar a cabeça da vítima (imobilização manual da cabeça) e, obrigatoriamente, manter pelo menos um dos joelhos no chão, conforme figura 1. Os outros dois socorristas, devem se posicionar no lado para o qual decidiram realizar o rolamento, conforme figura 2. O socorrista líder deve ficar na altura do tórax, colocando a mão na cintura escapular (ombro), enquanto sua outra mão será posicionada na cintura pélvica, sustentando juntamente o braço da vítima. O terceiro socorrista deve se posicionar ao lado do socorrista líder. Ambos devem manter um dos joelhos ao solo e outro elevado visando maior estabilidade, atentando para que os mesmos joelhos estejam ao solo e levantados. A mão do terceiro socorrista, mais próxima ao socorrista líder deverá ser posicionada na região pélvica distal da vitima, ao lado da mão do socorrista lide, formando um “X”, enquanto sua outra mão será posicionada no joelho distal da vítima, conforme figura 2. Uma vez posicionada a equipe e a prancha, o rolamento 90° deverá ser realizado - movimento em bloco. O socorrista que está na cabeça é responsável pelo sincronismo do movimento, pois será ao seu comando que a equipe irá realizar a técnica, conforme figura 3. Figura 3 Após o exame do dorso (crânio, pescoço e coluna), realizado pelo líder, com mão que está na região pélvica, a equipe se prepara para a colocação da vítima na prancha. Nesse momento, o terceiro socorrista, libera sua mão da cintura pélvica ou do joelho da vítima e traz a prancha para o mais próximo possível da vítima, Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 125 conforme figura 4. Havendo uma quarta pessoa disponível no local, ela poderá posicionar a prancha junto a vítima. Figura 4 Ressaltamos que uma vez colocada na prancha, é provável que a vítima ainda precise de ajustes na sua posição. Neste contexto, o socorrista líder “cavalgará” a vítima na altura do tórax posicionando as suas mãos sob os ombros ou entre as axilas, enquanto o terceiro socorrista “cavalgará” a vítima na altura da região pélvica ficando atrás do líder, conforme figura 5. Ao comando do socorrista que está na cabeça, a equipe realizará um movimento de “arrasto”, em forma de zigue-zague diagonal para cima e para baixo, até a vítima atingir a posição correta na prancha. É importante nesse momento que os socorristas travem a prancha para ela não escorregar sobre o solo. Ressaltamos que a estabilização manual da cabeça da vítima só pode ser desconsiderada quando os demais recursos de imobilização de cabeça e pescoço já tiverem sido colocados de maneira eficaz. Figura 5 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 126 Rolamento 180° Indicação: vítima em decúbito ventral. Número mínimo de socorristas: três (3). Esta técnica consiste em mobilizar a vítima em bloco para cima de uma prancha longa, permitindo um devido alinhamento do corpo com a cabeça. Nesta perspectiva, diferentemente da técnica de rolamento a 90°, a prancha deverá ser colocada no lado oposto a face da vítima. Enfatizamos que o socorrista que estabiliza a cabeça deve estar atento para a posição adequada das mãos, onde o seu polegar deve estar voltado para a face da vítima, conforme figura 8. Os outros dois socorristas deverão se posicionar sobre a prancha, e realizar a pegada da vítima na mesma posição citada na técnica anterior, permitindo o cruzamento dos braços em “X”. Devemos considerar que, nesta posição, o socorrista líder poderá realizar o exame do dorso antes de iniciar a técnica de rolamento. Após Figura 9 Figura 8 Figura 7 Figura 6 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 127 a estabilização da cabeça, o posicionamento lateral dos socorristas e da prancha, a equipe estará apta para realizar o rolamento, conforme figura 9. Este rolamento ocorre em dois tempos. No primeiro, os socorristas, que estão sobre a prancha na lateral da vítima, realizarão o primeiro movimento de 90°, que deverá alinhar a cabeça e o corpo da vítima, conforme figura 10 e 11. Em seguida, com a vítima alinhada e lateralizada, o socorrista responsável pelo rolamento dará um novo comando e a vítima será rolada em bloco para cima da prancha, conforme figura 12 e 13. Ressaltamos que da mesma formacomo no rolamento a 90°, a vítima ao ser posicionada em cima da prancha poderá precisar ser ajustada de maneira segura. Neste contexto, a equipe realizará o posicionamento a cavaleiro e fará o arrasto em zigue-zague, conforme visto previamente no rolamento a 90°. Elevação a Cavaleiro: Indicação: vítima em decúbito dorsal que as condições clínicas/físicas sejam agravadas com a técnica de rolamento ou por impossibilidade de rolamento devido Figura 11 Figura 12 Figura 13 Figura 14 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 128 espaço insuficiente na cena. Esta técnica pode também ser um recurso em locais de difícil acesso e com vítimas em outros decúbitos. Número mínimo de socorristas: cinco (5). Para iniciar esta técnica, o socorrista um (1) estabilizará a cabeça, mantendo um joelho no chão, e a ponta do coturno do outro pé à frente. Isso o protegerá de ser atingido pela prancha, conforme figura 1. Os demais socorristas tomarão as seguintes posições: o socorrista dois (2) se posicionará na altura do tórax, segurando os ombros; o socorrista três (3) na altura da pelve, mantendo os braços da vítima entre seus braços; o socorrista quatro (4) na altura do joelho da vítima, conforme figura 14. O quinto elemento (socorrista ou não) ficará responsável em colocar a prancha embaixo da vítima, conforme figura 15. Assim que todos estiverem posicionados, e a prancha preparada com os cintos desafivelados e alinhados, o socorrista que estiver na cabeça dará o comando para elevação da vítima. Esse movimento deve ser realizado de maneira sincrônica, mantendo o alinhamento da coluna da vítima. A elevação deve ser o mínimo necessário para o posicionamento da prancha sob a região dorsal da vítima, conforme figuras 16 e 17. Figura 14 Figura 15 Figura 16 Figura 17 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 129 Procedimentos de imobilização: Após a colocação da vítima sobre a prancha longa, seguimos com as seguintes ações: COLOCAÇÃO DO COLAR CERVICAL – ORIENTAÇÕES: 1. Na aplicação da técnica de rolamento a 90°, orientamos que o colar cervical seja colocado na vítima após o rolamento, para possibilitar um exame mais adequado da região occipital e cervical da vítima. Lembrando que a estabilização manual é extremamente segura e precisa. 2. O socorrista que for realizar a colocação do colar deve estar posicionado de forma que permita a visualização da passagem do colar pela parte posterior do pescoço da vítima, assim como mensurar o tamanho do colar cervical. 3. Após a colocação do colar cervical, o socorrista deve aplicar os estabilizadores de cabeça (headblock), e seus respectivos tirantes (frontal e mentoniano), ressaltando que um dos socorristas não pode soltar a cabeça da vítima. 4. O tirante mentoniano deve ser o primeiro a ser colocado. Ele é posto sobre o colar cervical fazendo uso da abertura que possui. Após essa ação é que colocamos o tirante frontal e a finalização da fixação da cabeça. A partir desse momento não será mais necessário manter a imobilização manual da cabeça. FIXAÇÃO DA VÍTIMA NA PRANCHA COM OS CINTOS: Possuem a finalidade de manter a vítima fixada ao longo da prancha, prevenindo o risco de quedas e movimentos indesejados. Padrão de fixação dos cintos: (figuras 18 e 19) os cintos devem estar bem posicionados para atuarem de forma eficaz. O cinto superior deve ser posicionado na altura do tórax próximo a região axilar. O ajuste deve permitir a expansão do movimento respiratório. O cinto mediano deve ficar na altura da pelve. O cinto inferior deve ser colocado aproximadamente cinco (5) centímetros acima dos joelhos. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 130 TRANSPORTE DA PRANCHA COM 03 SOCORRISTAS: Ressaltamos que para erguer a prancha os socorristas devem executar dois movimentos à comando líder: o primeiro movimento até a altura dos joelhos e o segundo movimento acima, na posição ereta, conforme figuras 20, 21 e 22. A figura 23 demonstra o transporte de vítima com três (3) socorristas. Figura 18 Figura 19 Figura 20 Figura 21 Figura 22 Figura 23 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 131 TRANSPORTE DA PRANCHA COM 04 SOCORRISTAS: Ressaltamos que para erguer a prancha os socorristas devem executar dois movimentos à comando líder: o primeiro movimento até a altura dos joelhos e o segundo movimento acima, na posição ereta, conforme figuras 24, 25 e 26. A figura 27 demonstra o transporte de vítima com quatro (4) socorristas. RETIRADA DE CAPACETE: A indicação da retirada do capacete é ter acesso as vias aéreas da vítima, que eventualmente possam estar obstruídas ou em casos de inconsciência. Ressaltamos que a técnica deve ser precisa, pois a mobilização inadequada pode causar lesão Figura 24 Figura 25 Figura 26 Figura 27 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 132 secundária na coluna cervical. Portanto, a equipe de socorristas deve avaliar criteriosamente o procedimento, conforme a seguir: 1. São necessários dois socorristas para executar com segurança a técnica; 2. O primeiro socorrista estabiliza manualmente a cabeça por trás da vítima; 3. O segundo socorrista estabiliza manualmente a cabeça e o pescoço, apoiando uma das mãos sob a região posterior do pescoço da vítima e a outra na mandíbula. Mantendo a cabeça em posição neutra; 4. O primeiro socorrista, que está posicionado na cabeça da vítima, segura o capacete pelas abas laterais e vai tracionando-o cuidadosamente em sua direção; 5. Após a retirada do capacete, o primeiro socorrista mantém a estabilização manual da cabeça e pescoço. Sequência da Retirada de Capacete: passo 1 passo 2 passo 3 passo 4 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 133 passo 5 passo 6 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 134Capítulo IV Acidentes com Animais Peçonhentos: 1 - Venenosos X Peçonhentos São animais que possuem, em sua maioria, glândulas que armazenam substâncias venenosas utilizadas para proteção contra a ação de predadores ou ainda que os auxiliam na captura de suas presas. Animais venenosos: São animais que possuem veneno, mas não apresentam um aparelho específico para inocular nas suas possíveis vítimas. Ex: o veneno do sapo está em glândulas na sua pele. Animais Peçonhentos: São animais que possuem veneno e um aparelho específico para introduzi-lo no organismo da vítima. Eles possuem a capacidade de produzir, armazenar e inocular seu veneno. 2 - Ofidismo: Acidentes oriundos de picadas de cobra. 2.1 Características básicas das cobras: São animais predadores e se alimentam de peixes, moluscos, anfíbios, mamíferos, aves e até de outras cobras. Como não possuem braços ou garras para matar ou imobilizar suas presas, contam com o veneno para auxiliar nessa tarefa. A forma da boca das serpentes impede que elas mastiguem o alimento. Ao capturar uma presa, a cobra a engole inteira. O veneno serve para neutralizar esta presa e, assim, facilitar a captura da mesma, outra função do veneno é ajudar, a cobra, na Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 135 digestão da presa abatida, facilitando a absorção dos nutrientes necessários para sua sobrevivência. Tabela 1: Comparativo de serpentes peçonhentas X não peçonhentas. Quando em campo, a diferenciação da cobra coral falsa da cobra coral verdadeira é impossível de ser executada, portanto, tratar todas como peçonhenta. 2.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica: No Brasil há cerca de 260 espécies de serpentes, sendo que cerca de 40 são peçonhentas. Essas espécies de serpentes são dividas em gêneros, dos quais estudaremos: Crotalus, Bothrops, Lachesis, e Micrurus. O veneno de cada gênero de serpente possui composição diferente, conseqüentemente, ira provocar sintomas distintos, confira o esquema a baixo e entenda como cada grupo de veneno age no corpo da vítima de acidente com cobras peçonhentas. CARACTERÍSTICAS PEÇONHENTAS NÃO-PEÇONHENTAS CAUDA AFINA ABRUPTAMENTE AFINA GRADUALMENTE FOSSETA LACRIMAL OU LOREAL APRESENTA (exceto cobra coral) NÃO APRESENTA PUPILA VERTICAL REDONDA ESCAMAS CORPO = CABEÇA CORPO X CABEÇA PICADA UM OU DOIS ORIFICIOS MORDIDA DENTES DUAS PRESAS PEQUENOS E UNIFORMES ATITUDE (PERIGO) LENTAS E ENRODILHA AGEIS E PARTEM EM RETIRADA Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 136 Tabela 2: Comparativo de ação de veneno X gênero / espécie de serpentes: GÊNERO ESPÉCIE AÇÃO DO VENENO SORO ANTIOFÍDICO CROTALUS CASCAVEL HEMOLISANTE E PARALISANTE (neurotóxico) ANTI-CROTALICO BOTHROPS JARARACA NECROSANTE E COAGULANTE ANTI-BOTHROPICO LACHESIS SURUCUCU NECROSANTE E PARALISANTE (neurotóxico) ANTI-LACHESICO MICRURUS CORAL PARALISANTE (neurotóxico) ANTI-MICRURICO ANTI-ELAPÍDICO Existe um soro antiofídico genérico, ou seja, que serve para mais de um veneno. Contudo, as reações do corpo a ele são complicadas e podem deixar seqüelas. 2.3 Ação do Veneno: Necrosante: Destruição do tecido muscular no local da picada. Paralisante (neurotóxico): Paralisia dos músculos da vitima, impedindo a sua locomoção, ocorrendo em alguns casos à paralisia da musculatura respiratória. Coagulante: Promove um aumento significativo do fator de agregação plaquetária fazendo o sangue se transformar em um “mingau”. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 137 Hemolisante: Rompe a membrana das hemácias efetuando a “lise” ( destruição das células). Sintomas no Local da Picada: Dor, hemorragia, equimose ou hematoma. Condutas em ofidismo: ü Nunca tentar capturar a serpente, se possível, tente fotografar ou gravar na cabeça as características de cor ou barulho emitido pela cobra; ü Manter a vítima em repouso (a vítima não poderá efetuar nenhum tipo de movimento para não acelerar a metabolização do veneno); ü Realizar a assepsia do local; ü Retira anéis e pulseiras; ü Imobilizar o local da lesão (se for necessário); ü Monitorar os sinais vitais; ü Não amarrar membros fazendo um garrote e nem fazer torniquete (isso poderá piorar as condições da vítima, pois concentrará o veneno em uma região e não impedirá que ele circule pelo corpo da mesma); ü Não fazer cortes e nem chupar o local da picada (isso não retira o veneno); ü Transportar a vitima, de maca, imediatamente ao hospital mais próximo, pois apenas o soro poderá agir contra os sintomas. 3 - Araneismo: Acidentes oriundos de picadas de aranhas. 3.1 Características Básicas das Aranhas: Não são agressivas, abrigam-se sob folhas, troncos e árvores. Possuem hábitos noturnos. Têm quatro pares de patas. As patas podem ter garras nas pontas. Algumas espécies usam o primeiro par de patas como apêndices para capturar ou Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 138 segurar a presa. Na parte de trás do corpo, as aranhas possuem órgãos, chamados fiandeiras, que fabricam seda. São animais de hábitos noturnos e carnívoros. 2.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica: Viúva Negra (Latrodectus mactans): De coloração bonita e tamanho minúsculo, são espécies consideradas de importância médica e encontradas em áreas de restinga. Os casos de picada desta aranha não são frequentes em humanos e, geralmente, os ataques são promovidos pelas fêmeas. Seu veneno possui vários componentes químicos como o ácido aminobutírico, hialuronidase, fosfodiesterase, polipetídeos, além de proteínas como latrotoxinas, característica do grupo. Essas toxinas atuam sobre terminações nervosas sensitivas, provocando quadro doloroso no local da picada. Atuam também no sistema nervoso autônomo. O quadro clínico é dor no local da picada com intensidade variável, tipo mialgia, evoluindo para sensação de queimação (ocorrendo 15 a 60 min. após o acidente). Lesões puntiformes com uma ou duas perfurações de 1 a 2mm e edema discreto no local da picada. Pode ocorrer Hiperestesia na área da picada, placa urticariforme e infartamento ganglionar. Frequentemente há ocorrência de tremores, contrações espasmódicas dos membros, sudorese local, ansiedade, excitabilidade, insônia, cefaléia, prurido, eritema de face e pescoço, dor no tórax com sensação de morte eminente, taquicardia inicial e hipertensão seguidas de bradicardia. Para tratamento dos sintomas recomenda-se a utilização de compressas mornas no local e o uso de analgésicos. Quando a dor é muito intensa, pode-se usar meperidina ou morfina. O tempo de permanência hospitalar para doentes não submetidos a soroterapia é de no mínimo 24 horas. O tratamento com soro Antilatrodectus (SALatr) - SORO ANTIARACNÍDEO - é indicado nos casos graves. A melhora do pacienteocorre de 30 min a 3h após a soroterapia. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 139 Aranha Marrom (Loxosceles): Essas aranhas são animais do gênero Loxosceles, mas que comumente são chamadas de aranhas marrons no Brasil. São amarronzadas, variando o tom, e algumas possuem um desenho no cefalotórax e podem medir até 4 cm (o corpo mede apenas um terço disso). É distribuída por quase todo planeta, tendo mais de 30 espécies só na América do Sul. É uma das aranhas que mais gera mortes no mundo e tem o veneno mais tóxico entre as aranhas brasileiras. Podem ser encontradas em áreas livres, entre frestas de troncos, folhas secas, rochas, dentro de casa embaixo ou atrás de móveis, em galpões, etc. As aranhas marrons não são agressivas. Os ataques a humanos ocorrem como defesa quando, sem querer, alguém toca nela. É comum acidentes com estes animais na hora de por calçados ou roupas, onde elas estão escondidas, ou são vítimas que colocaram a mão em alguma fresta. Mas não é comum elas atacarem sem ser por defesa, quando se sentem comprimidas. A picada não é dolorida, mas cerca de 14 horas depois há desenvolvimento de edema (inchaço) e eritema (vermelhidão), podendo ser acompanhado de prurido (coceira). Sua toxina é hemolítica, podendo não causar problemas apenas na área picada, mas na região visceral, levando o indivíduo a ter febre, urinar escuro e sem tratamento adequado pode gerar necrose no tecido local da picada, falência renal e óbito. A conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar, solicitar ajuda e levar a vítima, o mais rápido possível, para o atendimento médico para que possa tomar o soro antiaracnídeo. Armadeira (Phoneutria): Essas aranhas não constroem teias para capturar suas presas, elas imobilizam a vítima com o auxílio do veneno. Estas aranhas caracterizam-se pela disposição dos olhos em três filas (2-4-2); no abdômen há pares de manchas claras formando uma faixa longitudinal. As pernas apresentam espinhos negros implantados em manchas claras. Sua marca registrada é o comportamento defensivo em posição ereta, com movimentos laterais do corpo e com as pernas dianteiras elevadas: tal comportamento originou seu nome popular. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 140 Estão distribuídas por quase toda a América Central e do Sul, desde a Guatemala até o norte da Argentina, podendo ser encontradas em bananeiras, folhagens, entre madeiras e pedras empilhadas e no interior de residências. As aranhas armadeiras possuem um veneno extremamente ativo em seres humanos, aliado ao seu sinantropismo, ou seja, sua adaptação em ambientes urbanos, faz com que as armadeiras sejam responsáveis por boa parte dos acidentes com artrópodes peçonhentos no Brasil. Por outro lado, algumas propriedades farmacológicas instigam cientistas que buscam por aplicações biotecnológicas de compostos derivados das toxinas presentes no veneno. Os acidentes provocados por Phoneutria ocorrem durante o ano todo, aumentando a incidência nos meses de abril e maio. Este período coincide com a época de acasalamento das armadeiras, o que as torna mais ativas. As ações do seu veneno causam retardo da inativação dos canais neuronais de sódio, o que pode provocar despolarização das fibras musculares e terminações nervosas sensitivas, motoras e do sistema nervoso autônomo, favorecendo a liberação de neurotransmissores, principalmente acetilcolina e catecolaminas. Também isola peptídeos que podem induzir a contração da musculatura lisa vascular e aumentar a permeabilidade vascular, independentemente da ação dos canais de sódio. No quadro clínico de um acidente com armadeiras predominam as manifestações locais. A dor imediata é o sintoma mais frequente; apenas 1% dos casos apresentam-se assintomáticos após a picada. Sua intensidade é variável, podendo se irradiar até a raiz do membro acometido. Outras manifestações que podem ocorrer são: edema, eritema, parestesia e sudorese no local da picada (onde podem ser encontradas as marcas de dois pontos de inoculação), priapismo, choque anafilático e edema pulmonar. Os acidentes são classificados em Leve, Moderado e Grave: • Leve: Predominam as manifestações locais como dor, inchaço, vermelhidão da pele e suor na região da picada. Pode aparecer a marca da picada. • Moderado: Além das manifestações locais, observam-se alterações sistêmicas como aceleração da frequência dos batimentos cardíacos, aumento na pressão sanguínea, suor, agitação e vômito. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 141 • Grave: Ocorrem principalmente em crianças que apresentam, além das manifestações já descritas, vômito profuso, ereção peniana involuntária persistente, diarreia, diminuição da frequência dos batimentos cardíacos, pressão sanguínea baixa, arritmia cardíaca, edema agudo de pulmão e choque. A conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar, solicitar ajuda e levar, o mais rápido possível, a vítima para o atendimento médico para que possa ser administrado o soro antiaracnídeo. Aranha de Jardim (Lycosa erythrognatha): A aranha-de-jardim, também conhecida como aranha-de- grama ou aranha-lobo (Lycosa erythrognatha) é uma espécie de aranha da família Lycosidae. Esta aranha possui aproximadamente 5 cm de comprimento. Apresenta coloração marrom-clara ou cinzenta, ventre negro e quelíceras com pêlos alaranjados ou avermelhados. Na parte dorsal do abdome, há um desenho negro em forma de seta, bem característico da espécie. O veneno da aranha-de-grama causa uma dor intensa, com sensação de queimação e formigamento, e pode provocar reações alérgicas como sudorese no local da picada. Mas geralmente a mordida não causa problemas tão graves. Dada a ação meramente proteolítica do veneno, não há necessidade de soroterapia específica. A conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar, solicitar ajuda e levar, o mais rápido possível, a vítima para o atendimento médico para que possa tratar os sintomas de forma correta. Condutas em Araneismo: ü As picadas de Aranha deverão ter maior atenção, pois, acidentes com aranha marrom e viúva negra o soro anti-aracnídeo se fará necessário; ü Não tente capturar e nem apanhe com as mãos a aranha, isso poderá provocar outro acidente; ü Fique atento aos sinais vitais; ü Não realizar torniquetes; ü Não tentar chupar o veneno; ü Sempre valorize um acidente com aranhas. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 142 4 - Escorpianismo: Acidentes derivados de picadas de escorpiões. 4.1 Características Básicas dos Escorpiões: Os escorpiões são animais de corpo alongado que possuem quatro pares de patas, um par de pinças no extremo anterior e apresentam um ferrão com glândulas de veneno na ponta da "cauda" articulada. Quando se sentem perturbados, picam com facilidade, causando muita dor, e podem provocar até a morte em crianças e pessoas debilitadas. As espécies que habitam o estado doRio de Janeiro têm coloração e hábitos que as confundem com o ambiente em que vivem. Entre essas espécies encontramos com muita frequência o "escorpião-amarelo" (Tityus serrulatus), que é considerado o escorpião mais perigoso da América do Sul. Os escorpiões procuram alimento durante a noite e, frequentemente, penetram nas residências humanas, onde se instalam sem serem notados, pois durante o dia "desaparecem" em esconderijos escuros e úmidos. Para capturar alimento e para defesa utilizam-se do ferrão venenoso. Os escorpiões se proliferam sob pedras, frestas de pedras e barrancos, debaixo de cascas de árvores, em paredes e muros mal rebocados, madeira empilhada, entulhos, caixas de gordura, ralos, forros, etc. Gostam muito de umidade, pouca luz e insetos em abundância (principalmente baratas e outros insetos do gênero). A picada de escorpião causa muitos transtornos ao organismo humano: dor imediata, sudorese, febre, sensação de frio, contrações musculares, irregularidades cardio-respiratórias, e pode levar à morte. Qualquer acidente com escorpião deve ser avaliado por um médico. Em várias regiões do estado do Rio de Janeiro e em outros estados da região sudeste tem ocorrido um significativo aumento na ocorrência de escorpiões. Medidas de prevenção para evitar acidente com escorpiões: • Manter jardins e quintais limpos; evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas; evitar secar roupas no chão ou em cercas e muros. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 143 • Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras e outras) junto a paredes e muros das casas; manter a grama aparada; limpar periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a dois metros junto das casas; • Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, pois os escorpiões podem se esconder neles e picar ao serem comprimidos contra o corpo; combater a proliferação de insetos, para evitar o aparecimento de escorpiões que deles se alimentam; verificar a presença de escorpiões em hortifrutigranjeiros e outros produtos; • Vedar frestas e buracos em paredes, ralos, assoalhos e vãos entre o forro e paredes para impedir o trânsito de escorpiões pela residência. 4.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica: Tityus Bahienses: Também conhecido como escorpião-preto, é uma espécie de escorpião do Leste e Centro do Brasil. Mede 6 cm de comprimento, tem coloração marrom muito escura e patas castanhas. Tityus Serrulatus: Coloração amarelada, encontrado nas cidades, mede 6 cm e seu veneno é duas vezes mais potente que o de o de gênero Tityus bahienses. Sintomatologia: Varia de leve (dor intensa, eritema e flictena), moderada (sudorese intensa, tontura, vômito, sialorréia e arritmias) e grave (convulsão, edema pulmonar, coma, insuficiência cardíaca, bradicardia, hipotermia e Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 144 choque). A gravidade dos sintomas esta relacionada com proporção entre a quantidade do veneno injetado, massa corporal do individuo picado, espécie e tamanho do escorpião, da sensibilidade ao veneno e do retardo no atendimento. Condutas em escorpionismo: ü A maioria das picadas de escorpião não necessitam de tratamento; ü Os casos graves de acidentes com escorpiões podem precisar de soro antiescorpiônico; ü Em alguns casos são utilizados antiinflamatórios não esteróides; ü Cuidado redobrado com idosos e crianças, o acidente com eles será sempre considerado grave. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 145 Capitulo V Assistência ao Afogado 1 - Dados Sobre Afogamento no Brasil: A Organização Mundial da Saúde estima que 0,7% de todas as mortes no mundo - ou mais de 500 mil mortes a cada ano - são devidas a afogamento não intencional. O afogamento é uma das principais causas de morte em crianças e adultos jovens no mundo, embora estejamos quantificando apenas 6% do problema. Para a sociedade em geral, a palavra “afogamento” remete ao salvamento e às medidas de primeiros socorros, no entanto a ferramenta de maior eficácia na luta contra os afogamentos é a prevenção. A tragédia do afogamento no Brasil está presente em nosso dia-a-dia com 17 mortes diárias (ano 2013). O resgate é um dos componentes vitais para salvar o paciente e os primeiros cuidados são fornecidos em um ambiente altamente hostil - a água e suas imediações. Saber realizar o suporte básico de vida ainda dentro da água (ventilações dentro da água) e acionar o suporte avançado pode fazer a diferença entre a vida e a morte do paciente. • Afogamento é 2ª causa óbito de 1 a 9 anos, 3ª causa de 10 a 19 anos, e 4ª causa de 20 a 25. • A cada 84 min morre afogado um brasileiro – cerca de 6.000 todos os anos. • Homens morrem 6 vezes mais. • O Norte do Brasil tem a maior mortalidade • 51% de todos os óbitos ocorrem até os 29 anos. • 75% dos óbitos ocorrem em rios e represas. • 51% das mortes na faixa de 1 a 9 anos de idade ocorrem em piscinas de residências. • Crianças < 9 anos se afogam mais em piscinas e em residências • Crianças > 10 anos e adultos se afogam mais em águas naturais (rios, represas e praias). • Os incidentes não fatais chegam a mais de 100.000 casos ao ano • Trauma raquimedular é menos comum em praias oceânicas onde a água é mais clara (0,09% de todos os salvamentos realizados por guarda-vidas). Sua incidência é maior em rios, cachoeiras, lagos e locais onde a visibilidade da água não é boa. • Estima-se que 94% da informação sobre os acidentes aquáticos em nosso país seja desconhecida por subnotificação. • 2% de todos os resgates realizados por guarda-vidas necessitam de cuidados médicos, e 0,5% necessitam de ressuscitação cardiopulmonar (RCP). ONDE ACONTECEM? ÁGUAS NATURAIS = 90% - 25% rios com correnteza Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 146 - 20% represa - 13% remanso de rio - 5% lagoas - 5% inundações - 3% baía - 2% cachoeiras - 2% córrego - 15% praias oceânicas ÁGUAS NÃO NATURAIS = 8,5% - 2.5% banheiros, caixas de água, baldes e similares - 2% galeria de águas fluviais - 2% piscinas - 2% poço DURANTE TRANSPORTE COM EMBARCAÇÕES = 1,5% 2 - Definição: Nova definição de afogamento e terminologia foi estabelecida por consenso em 2002, em uso pela Organização Mundial de Saúde. 1. Afogamento é a “aspiração de líquido não corporal por submersão (abaixo da superfície do líquido) ou imersão (água na face)”. Pessoa resgatada da água com evidência de aspiração de líquido: tosse ou espuma na boca ou nariz. 2. Resgate é a retirada de vítima viva da água sem tosse ou espuma na boca ou nariz. Quando consciente, pode ser liberada no local pelo socorrista, sem necessidade de atendimento médico. Todos os casos podem apresentar hipotermia, náuseas, vômitos, distensão abdominal, tremores, cefaleia, cansaço, dores musculares e outros sintomasinespecíficos. 3. Já cadáver por afogamento, trata-se da “morte por afogamento sem chances de iniciar reanimação. Identificada por tempo de submersão maior que uma hora ou sinais evidentes de morte, como rigidez cadavérica, livor, ou decomposição corporal”. O afogamento, quanto ao desfecho, pode ser fatal ou não fatal. Como visto, qualquer incidente de submersão ou imersão sem evidência de aspiração deve ser considerado um resgate da água, não um afogamento. Termos como "quase afogamento" (neardrowning), "afogamento seco ou molhado", "afogamento ativo e passivo" e "afogamento secundário (re-afogamento horas após o evento)" ou apenas “submersão” são obsoletos e devem ser evitados. 3-Classificação e Socorro do Afogado: • Quanto ao tipo de água (importante para campanhas de prevenção) • Quanto à Causa (identifica a doença relacionada ao afogamento): Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 147 1 - afogamento primário: quando não existem indícios de uma causa base. 2 - afogamento secundário: quando existe alguma causa que impediu a vítima de se manter na superfície da água, precipitando o afogamento. • Quanto à Gravidade (ver figura 2) Figura 1:Cadeia da sobrevivência no afogamento. Prevenção: Apesar da ênfase no resgate e no tratamento, a prevenção permanece a mais poderosa intervenção e a de menor custo, podendo evitar mais de 85% dos casos de afogamento. Campanhas de educação na prevenção podem ser visualizadas em www.sobrasa.org. Reconheça o afogamento e peça para ligarem para o 193 Qualquer atitude de ajuda deve ser precedida pelo reconhecimento de que alguém está se afogando. Ao contrário da crença popular, o banhista em apuros não acena com a mão e tampouco chama por ajuda. Encontra-se tipicamente em posição vertical, com os braços estendidos lateralmente, batendo com os mesmos na água. Indivíduos próximos da vítima podem achar que ele está apenas brincando na água. A vítima pode submergir e emergir sua cabeça diversas vezes, enquanto está lutando para se manter acima da superfície. Como a respiração instintivamente tem prioridade, a vítima é geralmente incapaz de gritar por socorro. Ao reconhecer que uma vítima está se afogando, a prioridade inicial é dar o alarme. Peça que alguém ligue 193 (Corpo de Bombeiros) ou 192 (SAMU) e avise o que e onde está acontecendo, assim como o que pretende fazer. Só então o socorrista deverá partir para realizar o resgate, caso seja capaz. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 148 Forneça dispositivo de flutuação Fornecer flutuação é uma estratégia muito importante, mas pouco utilizada, apesar de ganhar tempo valioso até a chegada do serviço de emergência. A maioria das ações de resgate por leigos tende a se concentrar em retirar a vítima da água, mesmo que para isto exista um alto risco de vida ao resgatista. É fundamental que profissionais de saúde tomem precauções para não se tornar uma segunda vítima na hora de ajudar. Portanto, a prioridade inicial nas ações de resgate é oferecer flutuação, se possível sem entrar na água. Dispositivos de flutuação nem sempre estão disponíveis na cena, mas pode-se improvisar com objetos tais como garrafas de plástico vazias, pranchas de surf, geladeira ou outros materiais em isopor e espumas diversas. Remover da água - só se for seguro Após oferecer flutuação e interromper o processo de submersão, a próxima ação é retirar a vítima da água. Sempre que possível, ajude a retirá-la sem entrar totalmente na água, apontando direções mais próximas e seguras para que a própria vítima tente o auto salvamento. Se não for possível, na sequência, tente utilizar técnicas de arremesso de cabo. Se essas medidas mais seguras falharem, considerar a entrada na água se, e somente se, tiver treinamento e condicionamento para tanto. A fim de mitigar o risco de afogamento para o socorrista, deve-se trazer um objeto de flutuação para interpor entre o ele e a vítima. É importante considerar, na dependência da experiência do socorrista, realizar ventilações de resgate (boca-a-boca) para o afogado inconsciente (0.5% das ocorrências), ainda dentro da água, durante o salvamento. A ventilação ainda dentro da água proporciona à vítima uma probabilidade 4 vezes maior de sobrevivência livre de dano neurológico. Infelizmente, compressões torácicas não podem ser realizadas de maneira eficaz na água. Ventilação dentro da água não permite o uso de barreiras de proteção (máscara), por impossibilidade técnica, sendo aconselhável a realização do boca-a-boca. A incidência relatada na literatura de risco de contágio por HIV ou vírus das hepatites (B e C) é muito baixa (centesimal a decimal). É recomendável ainda assim, que todos os profissionais de saúde sejam vacinados para hepatite B. O risco é um pouco mais elevado com a presença de vômito ou sangue visíveis na cavidade oral, quando deve ser evitada a ventilação boca-a-boca. Métodos de ventilação dentro da água: • Sem equipamento de flutuação – só é recomendável com dois socorristas ou com um socorrista em água rasa. • Com equipamentode flutuação – Pode ser realizado com apenas um socorrista, mas deve ter treinamento para tal procedimento. O material de Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 149 flutuação deve ser utilizado no tórax superior, promovendo uma espontânea hiperextensão do pescoço e a abertura das vias aéreas. Considerando a baixa incidência de TRM nos salvamentos aquáticos e a possibilidade de desperdício de precioso tempo para iniciar a ventilação e oxigenação, a imobilização de rotina da coluna cervical durante o resgate aquático em vítimas de afogamento sem sinais de trauma não é recomendada. Suporte de Vida Básico e Avançado O transporte da vítima para fora da água deve ser realizado de acordo com o nível de consciência, mas preferencialmente na posição vertical para evitar vômitos e demais complicações de vias aéreas. Em caso de vítima exausta, confusa ou inconsciente, transporte em posição mais próxima possível da vertical, mantendo a cabeça acima do nível do corpo sem, contudo, obstruir as vias aéreas. Ao chegar à área seca, o corpo da vítima deve ser orientado paralelo à direção do espelho d'água, o mais horizontal possível, em decúbito dorsal, distante o suficiente da água a fim de evitar as ondas. Se estiver consciente, coloque o afogado em decúbito dorsal com o tronco elevado a 30º. Se estiver inconsciente, porém ventilando, coloque a vítima em posição lateral de segurança sobre o decúbito lateral direito.As tentativas de drenagem da água aspirada são extremamente nocivas e devem ser evitadas. A manobra de compressão abdominal (Heimlich) nunca deve ser realizada como meio para eliminar água dos pulmões, pois é ineficaz e gera riscos significativos de vômitos e bronco-aspiração. Durante a ressuscitação, colocar a cabeça da vítima abaixo do nível do corpo, na tentativa de drenar água das vias aéreas, aumenta a probabilidade de vômito em mais de cinco vezes, com aumento de 19% na mortalidade. O vômito ocorre em mais de 65% das vítimas que necessitam de ventilação assistida e em 86% dos que necessitam de RCP. Mesmo naqueles que não necessitam de intervenção após o resgate, o vômito ocorreem 50%. Em caso de vômitos, role a vítima lateralmente e remova o vômito com varredura digital (mãos com luvas e gaze) ou aspiração e continue prestando a assistência ventilatória. 4 - Classificação da Gravidade e Tratamento do Afogado: Observações sobre o grau 6 – PCR (figura 2) - DEA não tem utilidade em casos de afogamento primário, pois a PCR é de causa respiratória (hipoxemia/hipóxia) e, portanto, ocorre em atividade elétrica sem puso/assistolia na quase totalidade dos casos, quando não há indicação de desfibrilação. No entanto o DEA é útil em situações de praias e balneários com grande frequência de PCR em fibrilação ventricular (FV), afogamento secundário, de pessoas com doença prévia. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 150 - RCP deve ser realizada no local, pois é onde terá a maior probabilidade de sucesso. Nos casos do retorno da circulação espontânea e respiratória, monitore a vítima com muita atenção até a chegada da equipe médica, pois ainda não esta fora de risco de uma nova parada cardiorrespiratória. - Quando vale à pena a RCP em afogamento? Todos os afogados em PCR com um tempo de submersão inferior a uma hora devem receber RCP. Três fatos juntos ou isolados, explicam o maior sucesso da RCP nos afogados – o “reflexo de mergulho”, a continuação da troca gasosa de O2 - CO2 após a submersão, e a hipotermia. O Centro de Recuperação de Afogados (CRA) tem registrados 13 casos de PCR com submersão maior do que 7 minutos, sendo 8 com mais de 14 minutos ressuscitados com sucesso (2003). Todos os casos de PCR que não apresentem rigidez cadavérica, sinais de decomposição corporal ou livores. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 151 - Quando parar as manobras de RCP em afogados? 1o - Se houver recuperação da circulação espontânea (respiração, movimentos e ritmo cardíaco organizado ao monitor, com pulso carotídeo); 2o - em caso de exaustão dos socorristas ou; 3o - ao entregar o afogado a uma equipe médica. Existem casos descritos de sucesso na reanimação de afogados após 2 horas de manobras, e casos de recuperação sem danos ao cérebro com até 1 hora de submersão. Para a equipe médica, a ressuscitação deve ser encerrada apenas quando a vítima estiver com temperatura corporal acima de 34oC e mantiver-se em assistolia. Caso contrário, a ressuscitação deverá ser mantida. - Suporte Avançado de Vida no local Ao contrário de opiniões passadas, levar o equipamento médico à vítima, ao invés de levá-la ao hospital, poupa um tempo precioso aos casos de afogamento. O tratamento médico avançado é instituído de acordo com a classificação do afogamento no local do incidente onde todo atendimento inicial básico foi iniciado. Desta forma em situações críticas de atendimento avançado a casos de afogamento, prepare-se para ficar ao menos por 15 a 30 minutos no local do incidente. A aspiração das vias aéreas antes da intubação é geralmente necessária, mas não deve ser excessiva a ponto de prejudicar a própria ventilação. Uma vez intubada, a vítima pode ser ventilada e oxigenada adequadamente, mesmo na presença de edema pulmonar. O acesso venoso periférico é a via preferencial para administrar drogas. A dose de adrenalina utilizadas durante a RCP é a mesma recomendada pela American Heart Association para qualquer PCR, 1 mg IV em bolus a cada 3 minutos de RCP. Indicações de Internação: A hospitalização é recomendada para todos os pacientes com grau de afogamento 2 a 6. Pacientes grau 3 a 6, geralmente precisam de intubação e ventilação mecânica e devem ser internados em Unidade de Terapia Intensiva. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 152 Capítulo VI Emergências Psiquiátricas 1 - INTRODUÇÃO 1.1 Conceitos e Definições Sobre a Saúde Mental: A OMS preconiza que a saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental, social. Ainda de acordo com dados da OMS (2010), os estudos indicam que uma em cada duas pessoa, no mundo, sofrerá de algum problema relacionado a saúde mental. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria cerca de 30% da população brasileira irá desenvolver algum transtorno mental ao longo de sua vida. A atual política nacional de saúde mental nasceu das experiências européias que buscavam mudanças no modelo assistencial aos portadores de transtorno mental. A reforma psiquiátrica brasileira foi baseada na reforma psiquiátrica italiana, cujo principal expoente foi Franco Basaglia, em 2001 foi promulgada a lei 10.216 de autoria do Deputado Paulo Delgado, esta lei implementou a modificação do modelo baseado em internações nos hospitais psiquiátricos para o modelo comunitário ,com uma rede integrada de CAPS, NAPS, Hospital Dia, ambulatórios de saúde mental, residências terapêuticas e setores em hospitais gerais para o atendimento a emergências psiquiátricas com tempo máximo de internação. Foi estabelecido pela lei a redução progressiva de leitos, estas ações têm como finalidade a reinserção social dos portadores de transtorno mental na sociedade. • Principais Causas e Alterações no Transtorno Mental: Polanczyk (2009) afirma que os agentes etiológicos das psicopatologias são multifatoriais que se inter-relacionam entre si e observamos três características causais das psicopatologias: • Nas características individuais de cada pessoa temos (fatores biológicos, genéticos e psicológicos); • Nas características ambientais (ações de familiares, relacionamentos interpessoais, exposição a eventos estressores); • Características sociais (rede de apoio social e nível socioeconômico). Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 153 A alucinação e o delírio são as alterações mais encontradas nas psicopatologias, além da agitação psicomotora seguida de agressividade nos casos graves. Delírio: Envolve alterações do pensamento com equívocos da realidade, sobre algo que existe, porém distorcido, como numa perseguição imaginária; Alucinações: São percepções falsas, tais como ouvir, ver ou sentir algo que não existe. Diversos problemas enfrentados na infância podem produzir problemas psiquiátricos na fase adulta. De acordo com o Ministério da saúde, 3% da população sofre com transtornos mentais severos e persistentes, mais de 6% da população brasileira apresenta transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso abusivo de álcool e drogas, necessitando de atendimento em saúde mental. Murray e Lopes (1996 Apud Brasil, 2003) afirmam que estudos realizados pela Universidade de Harvard apontam que, das dez doenças mais incapacitantes em todo o mundo, cinco são de origem psiquiátrica: Depressão, transtorno afetivo bipolar, alcoolismo, esquizofrenia e transtorno obsessivo-compulsivo. Principais Problemas de Saúde Mental Encontrados no Ambiente Pré- hospitalar: • Tentativa de suicídio; • Intoxicação e abstinência por álcool e drogas; • Surto psicótico de origem orgânica ou funcional; • Comportamentoagressivo com ameaça iminente à própria integridade física ou de terceiros. • Transtornos de humor. Legislações que Amparam o Atendimento aos Portadores de Transtorno Mental no Ambiente Pré-hospitalar: Lei 8080/90 e 8142/90 são as leis orgânicas que regulamentam o sistema único de saúde, preconizam a atenção integral, acesso universal e com rede hierarquizada e descentralizada dos serviços de saúde. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 154 Lei 10.216 /2001 a lei que regulamenta a assistência aos portadores de transtorno mental, seus direitos e estabelece diretrizes sobre desinstitucionalização. Lei Estadual 2.920 autoriza o poder executivo a criar uma central de atendimento emergencial de remoções de portadores de transtorno mental sob a coordenação do CBMERJ. Portaria nº 2048/GM, de 5 de novembro de 2002, que institui o Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência Portaria Nº 1.864, de 29 de setembro de 2003, institui o componente pré- hospitalar móvel da Política Nacional de Atenção às Urgências, por intermédio da implantação de Serviços de Atendimento Móvel de Urgência em municípios e regiões de todo o território brasileiro: SAMU- 192. Resolução do conselho federal de medicina nº 2057/2013, cap. vi, artigo 16 inciso 3, prescrição medica para contenção física ou mecânica. Resolução do COFEN nº 427/2012 que autoriza a contenção em casos de urgência e emergência sob a supervisão do enfermeiro. Protocolo operacional padrão (POP) CBMERJ nº16: estabelece que compete ao COGS (GSE-SAMU) regular o atendimento de emergência aos portadores de transtorno mental na cidade do Rio de Janeiro, com viaturas do CBMERJ e do SAMU; Cabe ao CBMERJ no Estado do Rio de Janeiro apoiar as equipes do samu ou orgãos similares nas emergências psiquiátricas. 2 - AVALIAÇÃO DA CENA NO ATENDIMENTO AOS PORTADORES DE TRANSTORNO MENTAL - Avaliar ao chegar no local, os riscos para a guarnição como: agitação, agressividade (com fala ameaçadora, objetos quebrados na cena, presença de lesões) e desorientação (discurso com delírios ou alucinações); - As viaturas deverão chegar ao local do evento de forma discreta; - Em nenhum momento a equipe de socorro deverá colocar-se em perigo. - Procurar colher histórico das patologias e das crises anteriores. - Certificar-se que o ambiente está seguro para a vítima, seus familiares e a guarnição envolvida no atendimento. - Caso seja necessário solicite apoio policial. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 155 - Isolar o local, impedindo a aproximação de curiosos. 3 - AVALIAÇÃO DA VÍTIMA DURANTE O ATENDIMENTO AOS PORTADORES DE TRANSTORNO MENTAL A abordagem ao PTM deve ocorrer de forma tranquila, com um único socorrista como interlocutor, porém de forma firme, com linguagem clara, mostrando a sua intenção de ajuda-lo, para estabelecer um vínculo de confiança, mantenha uma distância segura durante a abordagem. Os demais componentes da guarnição deverão manter uma certa distância É fundamental que o socorrista escute a vítima com atenção e demonstre interesse para consolidar o vínculo, mantendo contato visual enquanto ele fala, não emita nenhuma crítica. - Informe a vítima sobre o que será realizado, mantendo sempre a cordialidade. - Jamais discutir com a vítima. - Não concordar com suas alucinações e delírios, porém não censurar. - Controle a vítima de maneira que acredite que está fazendo sua própria vontade, tentando a condução da vítima pelo diálogo. 4 - CONTENÇÃO FÍSICA E MECÂNICA DA VÍTIMA DE TRANSTORNO MENTAL Cabe ao MÉDICO regulador ou assistente prescrever a contenção física/mecânica do Portador de Transtorno Mental (PTM). Na ausência do profissional médico, em situações de risco iminente para saúde do PTM ou da equipe, cabe ao ENFERMEIRO prescrever tal procedimento. Resolução/COFEN-427/12 Caso não obtenha êxito pela intervenção verbal e necessite da contenção mecânica. O ideal seria a contenção por um grupo de oito pessoas, com dois a nível da cabeça, dois no ombro, dois no quadril e dois nas pernas, segundo o POP nº 16 do CBMERJ. De acordo com o manual de enfermagem em emergências da SESDF são preconizadas 5 pessoas nesta contenção, sendo um elemento em cada membro da Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 156 vítima e um se posicionara atrás segurando a cabeça com uma das mãos e outra mão no peito da vítima deslocando-o para trás. Poderão ser utilizados espectadores externos que demonstrem preparo para colaborar. Deve-se manter o contato verbal com a vítima durante a contenção, tentando acalmá-la, informando que tal medida é para protegê-la. Utilizar quatro faixas acolchoadas com algodão ortopédico uma em cada membro na prancha longa fixar com tirantes e head block. • Contenção física: Caracteriza-se pela imobilização do paciente por várias pessoas da equipe que o seguram firmemente ao solo. Mantovane et al 2010. • Contenção mecânica: Caracteriza-se pelo uso de faixas de couro ou tecido, em quatro ou cinco pontos que fixam o paciente ao leito. Mantovane et.al 2010. Revistar a vítima em busca de drogas, armas ou objetos que representem algum risco. 5 - REAVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DA VÍTIMA COM TRANSTORNO MENTAL Avalie cuidadosamente o paciente de forma constante objetivando detectar possíveis síndromes organo-mentais, pois nestes casos os pacientes devem ser atendidos por profissionais da clínica médica. Deve ser avaliado a cada 30 minutos: nível de consciência, sinais vitais, estado dos membros contidos e impressões do paciente. Em todos os procedimentos realizados, deve-se falar o que será feito, sempre num clima de cordialidade, mantendo o profissionalismo. Lembrem-se: todo portador de transtorno mental é um ser humano, que necessita de cuidados e atenção, como todos nós Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 157 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: AMLS (advanced medical life support) Atendimento Pré-hospitalar às Emergências Clínicas -1ª edição - editora elsevier, 2014. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Atualizações das Diretrizes de RCP e ACE. EUA: American Heart Association, 2010. 03- 04 p.Disponível em: <https://eccguidelines.heart.org/wp-content/uploads/2011/02/2011-AHA- Guidelines-Highlights-Portuguese.pdf>.Acesso em: 09 mai. 2017. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Atualizações das Diretrizes de RCP e ACE. EUA: American Heart Association, 2015. 4 p.Disponível em: <https://eccguidelines.heart.org/wp-content/uploads/2015/10/2015-AHA- Guidelines-Highlights-Portuguese.pdf>.Acesso em: 09 mai. 2017. A.Schmidt, D. Szpilman, I. Berg,J. Sempsrott, P. Morgan; A call for theproperactionondrowningresuscitation.<http://dx.doi.org/10.1016/j.resuscitation.20 16.04.019. Beck EF, Branche CM, Szpilman D, Modell JH, Birens JJLM, A New DefinitionofDrowning: TowardsdocumentationandPreventionof a Global Health Problem; Bulletinof World Health Organization - November 2005, 83(11).BLOOM, B.S. et al. Taxonomy of Educational Objectives: The Classification of Educational Goals. B. S. Bloom (Ed.) David McKay Company, Inc. 1956. BRASIL, portaria MS Nº2048, de 5 de novembro de 2002. BRASIL, Ministério da Saúde. Reforma Psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Brasília: MS, 2005. Disponível em: <http:// www.bvsms.gov.br/bvs>: Acesso em 06 de junho de 2017. BRASIL, Escola Nacional de Saúde Pública /Fundação Oswaldo Cruz/Organização Mundial da Saúde. Relatório sobre saúde mental e desenvolvimento. Rio de Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 158 Janeiro: ENSP/FIOCRUZ/OMS,2010. Disponível em: <http:// www.bvsms.gov.br/bvs. Acesso em 06 de junho de 2017. BRASIL, Agência Nacional de Saúde Suplementar. Diretrizes Assistenciais em Saúde Mental na saúde Suplementar. Rio de Janeiro: ANS,2008. Disponível em:<http://www.ans.gov.br/images/stories/Plano_de_saude e_Operadoras/ Area_do_consumidor/diretrizes_assistenciais.pdf. Acesso em: 05 de junho de 2017. BRAZ, A.O., DEMARTINI, L. S., FRANÇA, P. V., MARTINS, A., SANTORO, D.C., 2009,“O mal súbito e suas notificações: ocorrência de atendimento no Estado do Rio de Janeiro pelo Corpo de Bombeiros”, 61º Congresso Brasileiro de Enfermagem, , Fortaleza, CE, Brasil. BRUNNER/ SUDDARTH – tratado de enfermagem médico cirurgica, editora guanabara koogan, 2014. Corpo de bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Atendimento ao Portador de Transtorno Mental. Protocolo Operacional Padrão (POP nº16). Rio de Janeiro:2013.Disponível:em:<http://pop.cbmerj.rj.gov.br/arquivos/II_16_Atendiment o_PTM_AN.pdf. Acesso em: 04 de junho de 2017. DATASUS, 24 de Setembro de 2014. Disponível em: http://datasus.saude.gov.br/noticias/atualizacoes/536-programa-detecta-a-ocorrencia- de-infarto-do-miocardio-em-tempo-habil-para-um-melhor-tratamento-dados-do- datasus-indicam-que-a-taxa-de-mortalidade-ainda-e-muito-alta-no-brasil. Acesso em 10 mai. 2017. FERRAZ, R. M., HARGREAVES, L. H. H., 2016, “Manejo da Parada Cardiorrespiratória no Pré-Hospitalar”, In: HARGREAVES, L. H. H., DANTAS, R. A. N. (Org.), Atendimento Pré-Hospitalar & Múltiplas Vítimas/Catástrofes, Módulo I, cap. 6, 1ª edição, 720 p., ISBN 978-85-88656-68-0. Rio de Janeiro: Águia Dourada. FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 159 GONZALEZ, M. M. et al., 2013, “I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia”, Sociedade Brasileira de Cardiologia, v. 101, n. 2, supl. 3, agosto de 2013. Disponível em: <http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>, acesso em 21/05/2017. GONGORA, M. A. N, Construção terminológica e conceitual do controle aversivo: período Thorndike-Skinner e algumas divergências remanescentes. Temas psicol. vol.17 no.1 Ribeirão Preto 2009. Instituto Vital Brasil. Disponível em: < http://www.vitalbrazil.rj.gov.br> JoostBierens, Robert Berg, Peter Morley, David Szpilman, David Warner. Drowning. In: Norman A. Paradis, Henry R. Halparin, Karl B. Kern, VolkerWenzel, Douglas A. Chamberlain. Cardiacarrest. The scienceandpracticeofresuscitation medicine. Cambridge University Press 2007: 1088-1102. PHTLS (Pré-Hospital Trauma Life Support). Suporte Pré-hospitalar de Vida no Trauma). 8 ̊Edição. Jones e Bartlett Learning, 2017. RIO DE JANEIRO, portaria CBMERJ Nº 886 de 23 de fevereiro de 2016 Cria o curso de socorrista, no âmbito do Corpo de Bombeiro Militar do Estado do Rio de Janeiro, e das providências, publicado no boletim SEDEC/CBMERJ 046 de 14 de março de 2016. RIO DE JANEIRO, portaria CBMERJ 449 de 06 de março de 2016 Normas Gerais de Ação (NGA) para o atendimento pré-hospitalar do CBMERJ publicada no boletim SEDEC/ CBMERJ 052 de 21 de março de 2006. Santos CI, VIEIRA NS. Aprendizagem organizacional: do taylorismo ao ócio criativo, Propad/ UFPE, UFPI. SOUZA, J. R. M., COELHO FILHO, O. R., COELHO, O. R., 2006, “Como Diagnosticar e Tratar Fatores de risco cardiovascular”, Grupo Editorial Moreira Jr, p. 29-37, São Paulo, Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 160 SP,Brasil.Disponívelem:<http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_m ateria=348>, acesso em 21/06/2016. Szpilman D, Bierens JJLM, Handley AJ, Orlowski JP. Drowning: CurrentConcepts. N Engl J Med2012;366:2102-10. http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMra1013317) Szpilman D. Afogamento – Boletim epidemiológico no Brasil - Ano 2015 (ano base de dados 2013). Publicado on-line em http://www.sobrasa.org/?p=23335, Outubro de 2015. Trabalho elaborado com base nos dados do Sistema de Informação em Mortalidade (SIM) tabulados no Tabwin - Ministério da Saúde - DATASUS – 2014. Acesso on-line http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php Outubro de 2015 (ultimo ano disponível 2013) Szpilman David, Tipton Mike, Sempsrott Justin, Webber Jonathon, BierensJoost, Dawes Peter, Seabra Rui, Barcala-Furelos Roberto, Queiroga Ana Catarina, Drowningtimeline: a new systematicmodelofthedrowningprocess, American JournalofEmergency Medicine (2016), doi: 10.1016/j.ajem.2016.07.063. SubmittedJune 1, andacceptedat July 28, 2016. Szpilman D, Webber J, Quan L, Bierens J, Morizot-Leite L, Langendorfer SJ, Beerman S, Løfgren B. Creating a Drowning Chain ofSurvival. Resuscitation. 06/2014; DOI: 10.1016/j.resuscitation.2014.05.034 SzpilmanD.& Soares M., In-waterresuscitation— is it worthwhile? Resuscitation63/1 pp. 25-31 October 2004 Szpilman D; Near-drowninganddrowningclassification: A proposaltostratifymortalitybasedontheanalysisof 1,831 cases, Chest; Vol 112; Issue3;1997. SZPILMAN D, ORLOWSKI JP, BIERENS J. DROWNING. In: Vincent JL, Abraham E, Moore AF, Kochanek P, Fink M(ed). TextbookofCriticalCare, 6th edition - Chapter 71; Pg 498-503; Elsevier Science 2011. TIMERMAN, S. et al., 2005, Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitação (ILCOR). Papel nas novas diretrizes de ressuscitação cardiopulmonar e cuidados cardiovasculares de emergência 2005-2010, Arq. Bras. Cargiol., v. 87, n. 5, São Paulo, SP, Brasil, novembro de 2010. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 161 VOGT MSL, ALVES ED. Revisão teórica sobre educação de adultos para aproximação com a andragogia, Educação Santa Maria, 2005, V.30 (2):195 -214. WERNICK P, Fenner P andSzpilman D; ImmobilizationandExtractionofSpinal Injuries; section 5(5.7.2) Rescue – RescueTechniques, in Hand Book onDrowning: Prevention, RescueandTreatment, editedbyJoostBierens, Springer-Verlag, 2005, pg 291-5.