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Suporte Básico de Vida em Cardiologia 
Emergências Clínicas e Cardiológicas 
Assistência ao Politraumatizado 
Acidentes com Animais Peçonhentos 
Assistência ao Afogado 
Emergências Psiquiátricas 
Cesar Augusto dos Santos Junior; Adriano Bertola 
Vanzan; Vladimir Fernandes Chaves; Flávio 
Sampaio David; Carlos Eduardo Sá Ferreira; 
Espedito Rocha de Carvalho Junior; Sérgio Corrêa 
da Silva; Fernanda de Castro Cerqueira; Sergio 
Gottgtroy de Araújo; Simone de Oliveira Costa; 
Robson Fernando de Castro Torres; José Henriques 
Marques Neto; Rivelino Adriano Silva; Carlos José 
Cesário de Souza; Victor Pinheiro de Carvalho. 
Centro de Educação Profissional 
em Atendimento Pré-hospitalar -
CEPAP 
 
Manual Básico de Atendimento 
Pré-hospitalar 
2ª EDIÇÃO 
Atualizada - 2018 
 
Autores: 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
1 
 
 Dedicatória 
Aos militares que participaram da elaboração 
da 1ª edição do Manual CEPAP - 2014: 
Comandante: Ten. Cel. BM QOC 
Aurélio de Carvalho 
Sub-Comandante: Maj BM QOS/Méd 
Zoraia Oliveira 
Colaboradores: 
Ten. Cel. BM QOS-
Enf Márcia Fernandes Mendes Araújo 
Maj BM QOS/Méd 
Maria Fernanda Lattanzi Bezerra de Melo 
Maj BM QOS/Méd 
Adriano Bertola Vanzan 
Cap BM QOS/Enf 
Vladimir Fernandes Chaves 
Cap BM QOS/Enf 
Flávio Sampaio David 
Cap BM QOS/Méd 
Carlos Otávio Santos Silva 
Cap BM QOS/Enf 
Gilson Clementino Hanzsman 
Cap BM QOS/Méd 
Roberto Fernandes Outeiro Júnior 
CapBM QOS/Méd 
Antônio Carlos Rodrigues Justo 
Cap BM QOS/Méd 
Andréia Pereira Escudeiro 
Ten BM QOS/Enf 
Cristiane Pontes 
Ten. BM QOA 
Sérgio Corrêa da Silva 
Ten. BM QOA 
Carlos Eduardo Sá Ferreira 
 
Sub Ten BM Q11 
Robson Esteves 
Sub Ten BM Q11 
Edmilton de Souza 
Sub Ten BM Q11 
Luiz Carlos Siqueira 
Sub Ten BM Q11 
Rubens Ferreira Lopes 
Sub Ten BM Q11 
Simone de Oliveira Costa 
Sub Ten BM Q11 
Danieli Bello Chimer da Silva 
Sub Ten BM Q11 
Sandro Lucas da Silva 
Sub Ten BM Q11 
José Henriques Marques Neto 
Sub Ten BM Q11 
Robson Fernandes Castro Torres 
Sub Ten BM Q06 
Flavio Henrique Cesário de Souza 
Sub Ten BM Q06 
Valmir Rufino Vieira 
Sub Ten BM Q11 
Valcir José de Almeida 
Sub Ten BM Q06 
José Marcos Menezes 
Sub Ten BM Q11 
Rivelino Adriano da Silva 
Sub Ten BM Q11 
Leandro Lessa de Vasconcellos 
3º Sgt BM Q11 
Ana Paula Lopes 
3º Sgt BM Q11 
Alexander Simonato 
3º Sgt BM Q11 
Silvana Raquel Ferreira Q. de Olivieira 
 ************************************************* 
 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
2 
2ª Edição - 2018: 
Comandante: 
Ten Cel BM QOC Cesar Augusto dos Santos Junior 
 
Colaboradores: 
Ten Cel BM QOS/Enf Gilson Clementino Hanszman 
Maj BM QOS/Enf Cristiane Costa Marinho Pereira 
Cap BM QOA Walter Evangelista de Souza 
Ten BM QOA Evaldo Freitas Soares 
Sub Ten BM QBMP06/AxE Regina Célia Evangelista Silva 
Sub Ten BM QBMP11/TEM Elaine de Souza Cabral de Oliveira 
Sub Ten BM QBMP06/AxE Alexandre Belarmino 
Sub Ten BM QBMP11/TEM André Carlos Silva Anselmo 
2 ̊ SGT BM QBMP11/TEM Alexander Simonato 
2 ̊ SGT BM QBMP06/AxE José Luciano Sucupira Otero 
2 ̊ SGT BM QBMP11/TEM Ana Paula Lopes das Neves 
2 ̊ SGT BM QBMP11/TEM Silvana Raquel da Silva Ferreira 
CB BM QBMP06/AxE Mércia Jesus da Silva Conrado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
3 
 
CAPÍTULO I: SUPORTE BÁSICO DE VIDA 06 
1 - CENA 07 
2 - RCP EM ADULTOS E USO DO DEA/AED 12 
3 - RCP EM CRIANÇAS 20 
4 - RCP EM BEBÊS 27 
5 - ASFIXIA EM CRIANÇAS 29 
6 - ASFIXIA EM BEBÊS 32 
7 - ASFIXIA EM ADULTOS 34 
8 - ASFIXIA EM GESTANTES 35 
CAPÍTULO II: EMERGÊNCIAS CLÍNICAS E CARDIOLÓGICAS 37 
1 - ALTERAÇÕES DO ESTADO MENTAL 37 
 1.1 - Acidente Vascular Encefálico (AVE) 43 
 1.2 - Cefaléia / Enxaqueca 45 
 1.3 - Crise Convulsiva / Epilepsia 46 
 1.4 - Depressão Aguda / Tentativa de Suicídio 49 
 1.5 - Ataque de Pânico / Síndrome da Hiperventilação 49 
 1.6 - Hipoglicemia 50 
2 - ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES 52 
 Desconforto Torácico 52 
 Hipertensão Arterial 56 
3 - ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS 57 
 3.1 – Obstrução da Via Aérea 57 
 3.2 – Asma 58 
 3.3 – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) 59 
 3.4 – Causas Inflamatórias 61 
 3.5 – Populações Especiais 61 
 3.6 – Outras Causas 62 
4 – DISTÚRBIOS CAUSADOS PELO CALOR E FRIO 62 
ÍNDICE 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
4 
 4.1 – Hipotermia 63 
 4.2 – Distúrbios Causados pelo Calor 66 
5 - INTOXICAÇÃO POR DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS 68 
CAPITULO III: ASSISTÊNCIA AO POLITRAUMATIZADO NO APH 74 
1 - ETAPAS INICIAIS DO SOCORRO – PERGUNTAS NORTEADORAS 74 
2 - EXAME DO POLITRAUMATIZADO 79 
3 - HEMORRAGIA E CHOQUE 86 
4 - TRAUMATISMO CRÂNIO ENCEFÁLICO E RAQUIMEDULAR 92 
5 - TRAUMA DE TÓRAX 93 
6 - TRAUMA ABDOMINAL 97 
7 - TRAUMA PÉLVICO E DE EXTREMIDADES 99 
8 - TRAUMA EM SITUAÇÕES ESPECIAIS 106 
 8.1 Trauma na Gestante 106 
 8.2 Trauma na Criança 107 
 8.3 Trauma no Idoso 110 
 8.4 Queimaduras 112 
9 - INCIDENTES COM MULTIPLAS VÍTIMAS 117 
10 - MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 123 
CAPITULO IV: ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS 134 
1 - VENENOSOS X PEÇONHENTOS 134 
2 - OFIDÍSMO 134 
3 - ARANEÍSMO 137 
4 - ESCORPIONISMO 142 
CAPITULO V: ASSISTÊNCIA AO AFOGADO 145 
1 - DADOS SOBRE AFOGAMENTO 145 
2 - DEFINIÇÃO 146 
3 - CLASSIFICAÇÃO E SOCORRO DO AFOGADO 146 
4 - CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE E TRATAMENTO DO AFOGADO 149 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estadodo Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
5 
CAPITULO VI: EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS 152 
1 - INTRODUÇÃO 152 
2 - AVALIAÇÃO DA CENA NO ATENDIMENTO AOS PORTADORES DE 
TRANSTORNO MENTAL 154 
3 - AVALIAÇÃO DA VÍTIMA DURANTE O ATENDIMENTO AOS PORTADORES 
DE TRANSTORNO MENTAL 155 
4 - CONTENÇÃO FÍSICA E MECÂNICA DA VÍTIMA COM TRANSTORNO 
MENTAL 155 
5 - REAVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DA VÍTIMA COM TRANSTORNO 
MENTAL 156 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 157 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
6 
Capítulo I 
Suporte Básico de Vida 
 
No Brasil, o mal súbito é conhecido como um problema de saúde inesperado, 
sendo responsável pela morte de milhares de pessoas por ano. Os óbitos podem 
acontecer, muitas vezes, porque os cuidados imediatos não foram realizados 
corretamente. Destaca-se que dominar o conhecimento acerca do primeiro 
atendimento é fundamental para salvar vidas. Podemos afirmar que o primeiro 
atendimento em um caso de mal súbito possuí dois objetivos: evitar o agravamento 
do quadro e manter a vítima em condições de sobrevida até a chegada do socorro 
especializado. Cabe ressaltar que a situação mais grave de mal súbito é o colapso da 
vítima, com perda de consciência e ausência dos sinais vitais, ou seja, a Parada 
Cardiorrespiratória (PCR). 
Podemos afirmar, também, que qualquer sintoma clínico que resulta na perda 
ou queda do nível de consciência, como é o caso de uma crise convulsiva, ou de um 
desmaio, ou de uma grave dificuldade respiratória, é considerado um mal súbito. 
Destacamos que a contextualização do atendimento pré- hospitalar para as principais 
alterações clínicas serão abordadas posteriormente e neste capítulo, abordaremos o 
atendimento inicial à vítima que apresenta um quadro de PCR. 
Sublinhamos que aplicação da RCP (Reanimação Cardiopulmonar) de boa 
qualidade aumenta as chances de sobrevida de uma vítima em Parada 
Cardiorrespiratória (PCR). Neste contexto, cabe ressaltar que a maior causa de PCR 
súbita é a Fibrilação Ventricular (F.V. - atividade elétrica caótica que não gera 
função de bomba para o coração). A Fibrilação Ventricular, quando não tratada 
corretamente, pode levar a vítima ao óbito. 
O Suporte Básico de Vida (SBV) é o conjunto de procedimentos técnicos e 
medidas coordenadas que visam manter os órgãos vitais viáveis (cérebro e coração), 
até que seja iniciado o Suporte Avançado de Vida (SAV). Apesar de sua 
nomenclatura ser básica, ele é o pilar que antecede o SAV. A Desfibrilação Precoce 
deve sempre ser priorizada em eventos de PCR. 
No protocolo de RCP/DEA do CBMERJ recomenda-se que todo Bombeiro 
Militar (BM) deve utilizar o Desfibrilador Externo Automático (DEA), assim que 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
7 
disponível. Buscando assim, obter êxito no procedimento e manter acesa a chama do 
lema “VIDAS ALHEIAS E RIQUEZAS SALVAR”. 
 Em uma situação de PCR as manobras de RCP podem fazer toda a diferença 
para a vítima. Portanto, quanto mais precoce e eficaz for o atendimento, maiores 
serão as chances de sucesso. Isso é possível devido à presença de oxigênio residual 
no organismo da vítima depois de estabelecida a PCR. Ao iniciar a RCP 
precocemente (em até 4 minutos de sua ocorrência), as chances do cérebro sofrer 
danos serão menos prováveis. Após estes 4 minutos, as chances de recuperação sem 
sequelas neurológicas diminuem muito e, acima de 6 minutos, há uma maior 
probabilidade de danos irreparáveis devido à falta de oxigenação (hipóxia). 
Torna-se fundamental adotar os seguintes procedimentos: 
• Checar se o local é seguro; 
• Acionar precocemente o Sistema Médico de Emergência (SME); 
• Iniciar as compressões nos primeiros 10 segundos do início da PCR; 
• Comprimir o tórax com força e rapidez entre 100 e 120 compressões por 
minuto, deprimindo-o entre 5 e 6 cm. 
• Permitir o retorno total do tórax a cada compressão; 
• Minimizar interrupções nas compressões (não passar de 10 segundos cada 
intervalo das compressões); 
• Administrar as ventilações de forma eficaz; 
• Evitar ventilações em excesso; 
• Utilizar precocemente o DEA. 
1 - CENA 
A avaliação da cena é a etapa na qual o Socorrista deve observar 
criteriosamente a segurança no local de atuação da sua equipe. Se houver risco na 
cena, a vítima só deverá ser abordada quando o risco for neutralizado. 
Nunca entre em um local que não esteja seguro 
 
Se o local em que você estiver não parecer seguro, saia imediatamente! 
 
 
 
 
 
 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
8 
Ø Perguntas preliminares: 
a) A cena está segura? 
É importante reconhecer os possíveis riscos assim como as medidas a serem 
tomadas para a abordagem correta e segura da vítima. É necessário evitar ou eliminar 
os prováveis agentes causadores de lesões ou agravos à saúde, tais como fogo, 
explosão, eletricidade, fumaça, água, gás tóxico, tráfego, desmoronamentos, 
ferragens cortantes, materiais perigosos etc. Caso o controle desta situação esteja 
fora de sua governabilidade, acione imediatamente a ajuda necessária, por exemplo: 
Polícia Militar, equipes de resgate especializadas e concessionárias de energia 
elétrica, entre outras. 
b) O que aconteceu e como aconteceu? 
É indispensável para a tomada correta de decisão, que o Socorrista faça uma 
avaliação global do local do evento, incluindo a avaliação física da cena, dos 
transeuntes, dos familiares e da vítima. Em muitas situações a vítima parece bem, o 
que nos leva a subestimar a sua gravidade. Mas se levarmos em consideração o 
motivo que causou o evento clínico poderemos suspeitar de uma provável gravidade. 
Ø Cuidados na abordagem da vítima: 
Bio-proteção: 
Ao aproximar-se da vítima, o Socorrista deverá ter sempre em mente a sua própria 
segurança e utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI), pois o contato direto 
com sangue, urina, fezes, saliva, pode causar vários danos à saúde. Em caso de 
contato acidental com o sangue ou secreções da vítima, o socorrista deve proceder da 
forma a seguir: 
a) Se houver contato direto com a pele, lave-a com água corrente e sabão. 
Verifique se não há rachaduras, ressecamentos ou lesões no local. Caso haja, procure 
orientar-se com o profissional de saúde responsável pelo protocolo de acidente com 
material biológico de sua Unidade. 
b) Se houver contato direto com os olhos ou mucosas, lave-os imediatamente 
com água corrente abundante e siga o protocolo para acidente com material biológico 
de sua Unidade. 
 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
9 
Figura 1: Cadeia da sobrevivência AHA / (Fonte)American heart association® 
 
ATENÇÃO(1) Caso tenha sangue ou vômito na boca da vítima, aspire às vias aéreas; 
(2) Evite respiração boca a boca. Prefira os dispositivos de barreira para 
ventilação (máscara de bolso e dispositivo Bolsa-Válvula-Máscara – “AMBU”); 
(3) Utilize EPI em todos os atendimentos!!! 
 
 
Ø Cadeia de Sobrevivência 
 A Cadeia ou corrente da sobrevivência (figura 1) representa elos importantes 
na sequência do atendimento, onde cada um desses elos representa procedimentos 
fundamentais no processo de atendimento à parada cardiorrespiratória. Nas diretrizes 
de 2015, estão representadas duas cadeias: Parada Cardiorrespiratória Intra-
Hospitalar (PCRIH) e Parada Cardiorrespiratória Extra-Hospitalar (PCREH). 
 
 
 / 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
10 
Os profissionais de saúde deverão, simultaneamente, 
avaliar a responsividade, a respiração e o pulso carotídeo. 
FONTE: American heart association® 
 
Ø Abordagem Inicial 
 
a) Avaliação do nível de consciência 
Para avaliar a responsividade, posicione a vítima em decúbito dorsal (barriga 
para cima), segure-a pelos ombros com o objetivo de contê-la caso a mesma queira 
se levantar, e chame-a: 
“Senhor (a), está me ouvindo?” 
 Ao mesmo tempo em que é avaliada a responsividade, o socorrista deverá 
observar se há movimentos respiratórios. Caso a vítima não responda e não respire, 
ou apresente respiração ineficaz tipo gasping (“peixe fora d’água”), solicite ajuda e 
inicie as manobras de RCP. 
 
 
 
 
 
Se a vítima apresentar movimentos respiratórios dentro de um padrão 
aceitável, o socorrista deverá atentar para a abertura das vias aéreas, permanecendo 
com a mão na testa (região frontal de crânio) e elevando o queixo da vítima (técnica 
descrita a seguir) e oferecer oxigênio suplementar através do uso de máscara facial 
com reservatório a um fluxo suficiente para manter a saturação de O2 acima de 92%. 
Caso haja necessidade de deixar a vítima para realizar algum procedimento, deve-se 
colocá-la em Posição Lateral de Segurança (P.L.S.). Essa técnica será descrita ainda 
neste capítulo. 
Com a sequência CAB, as compressões torácicas serão iniciadas o mais 
precocemente possível e o atraso nas ventilações será mínimo. O tempo necessário 
para aplicar o primeiro ciclo de 30 compressões torácicas, dura em média 18 
segundos. 
 
 
 
 
 
 
C 
A 
B 
Compressões Torácicas 
Abrir as Vias Aéreas 
Boa Ventilação 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
11 
b) Algoritmo de PCR em adultos para profissionais da saúde de SBV – 
atualização de 2015 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: American heart association® 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
12 
2 - RCP NO ADULTO E O USO DO DEA/AED 
A Reanimação Cardiopulmonar (RCP) consiste em comprimir o tórax e 
ventilar uma pessoa em Parada Cardiorrespiratória (PCR) na proporção 30 
compressões X 02 ventilações, utilizando dispositivo de barreira e ininterruptamente 
caso não possua um dispositivo de barreira. 
 
 
Na abordagem de uma vítima, devemos sempre avaliar riscos próximos a esta 
pessoa, observando se há algo que possa colocar a vida do socorrista e de sua equipe 
em risco iminente. Após a checagem, devemos abordar a vítima segurando pelo 
ombro e perguntando “você está bem?” (Figura 1). 
 
 
Figura 1: Abordagem da Vítima / Nível de consciência 
 
Após avaliar que a mesma se encontra inconsciente, devemos olhar o tórax 
abrindo as vestes e observar se há respiração normal além de checar o pulso 
simultaneamente, este procedimento pode ser observado na (figura 2 e figura 3). 
 
ETAPAS AÇÃO 
1 Posicionar a vítima na posição decúbito dorsal (de barriga para cima) em uma 
superfície rígida e plana 
2 Retirar as vestes da vítima 
3 Colocar a região hipotenar da mão (“calcanhar de sua mão”), posicionando a 
outra mão sobre a primeira entrelaçando os dedos para maior firmeza e 
posicionar sobre o tórax da vítima, ou seja, na metade inferior do esterno que 
coincide com a linha intermamilar. 
4 Comprimir com os braços retos a uma profundidade próxima a 5 a 6 cm e uma 
frequência de 100 a 120 compressões por minuto. 
5 Após cada compressão, devemos deixar o tórax voltar à posição normal. 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
13 Figura 2: Visão do profissional de saúde. Figura 3:Visão do Leigo, não profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao observar que a vítima não responde, não respira e não tem pulso, acione um 
serviço de emergência (192 ou 193) e solicite um DEA/AED. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4: Pedido de ajuda / Acionamento do Socorro. 
 
Ø RCP - ADMINISTRAÇÃO DAS COMPRESSÕES E VENTILAÇÕES 
Após avaliar a “responsividade” da vítima e constatar que a mesma não 
responde, não respira e não tem pulso (checagem por profissionais de saúde), 
devemos acionar o sistema médico de emergência e solicitar um desfibrilador – 
DEA/AED (Figura 4). 
Logo em seguida a solicitação de ajuda, devemos iniciar as manobras de 
Reanimação CardioPulmonar (RCP) imediatamente, iniciando pelas compressões no 
tórax. A RCP se compõe em duas etapas principais: compressões e ventilações, na 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
14 
Figura 5: Marcação do local da compressão. Figura 6: Técnica de compressão torácica. 
Figura 8: Técnica de compressão torácica e 
ventilação assistida com uso de bolsa-válvula-
máscara 
qual devemos comprimir o tórax com certa força e rapidez promovendo um 
bombeamento de sangue oxigenado para os órgãos vitais, como o coração e o 
cérebro. 
Devemos comprimir o tórax, promovendo uma RCP de alta qualidade para 
manter uma boa perfusão de oxigênio já que este coração não está bombeando 
normalmente. 
Deve-se apoiar o “calcanhar da mão” na metade inferior do osso esterno do 
paciente e apoiando a outra mão sobre a primeira entrelaçando os dedos para uma 
maior segurança nas manobras (figuras 5, 6, 7 e 8). 
Os braços do socorrista deverão estar em um ângulo a 90º sobre o tórax do 
paciente e deprimindo este tórax a uma profundidade de 5 a 6 centímetros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Destacamos que, caso por algum motivo o socorrista não conseguir entrelaçar 
os dedos, este poderá segurar com sua segunda mão o punho, onde dará também 
firmeza para comprimir. 
Figura 7: Técnica de compressão torácica e 
ventilação assistida com uso de bolsa-válvula-
máscara 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
15 
Caso a RCP seja realizadasem um dispositivo de barreira, o socorrista poderá 
realizar apenas as compressões no tórax do paciente e revezando com outro 
socorrista a cada dois minutos. 
Lembramos que, com dois socorristas e sem dispositivo de ventilação, 
enquanto um realiza as compressões o segundo poderá deixar a via aérea aberta 
segurando e inclinando a cabeça mas, caso esteja sozinho, deverá apenas comprimir. 
Após as 30 compressões, caso haja um dispositivo de ventilação, devemos 
abrir as vias aéreas a fim de liberar a passagem de ar com a retirada da base da 
língua. A técnica consiste em inclinação da cabeça e elevação do queixo (Figuras 9 e 
10). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Destaca-se que se o socorrista administrar uma ventilação e o tórax não se 
elevar, deve então deixar a cabeça retornar à posição normal. Em seguida, abra as 
vias aéreas novamente, inclinando a cabeça e elevando o queixo. Depois, 
administre outra ventilação. Certifique-se de que o tórax se eleve. 
Não interrompa as compressões por mais de 10 segundos para administrar 
ventilações. Se o tórax não se elevar em 10 segundos, comece a comprimi-lo com 
força e rapidez novamente. 
Apesar da ventilação boca a boca oferecer poucos riscos, é contra indicada 
quando houver presença de sangue, secreções, fluidos ou ferimentos na boca, sendo 
entendido como situações que podem vir a oferecer riscos ao socorrista. Durante a 
RCP, a chance de contrair uma doença é pequena, ainda assim, alguns locais de 
Figura 10: Técnica de hiperextensão da 
cabeça. Figura 9: Técnica de hiperextensão da cabeça. 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-hospitalar - CEPAP 
16 
trabalho exigem que os socorristas usem máscara de ventilação. Às máscaras são 
feitas de material sintético flexível que se encaixam sobre a boca e o nariz da pessoa 
doente ou lesionada (figura 11 e 12). 
Talvez seja necessário montar a máscara antes de usá-la. Se a máscara tiver 
uma extremidade afunilada, coloque a parte estreita da máscara no alto do nariz. 
Posicione a parte larga de modo a cobrir a boca da vítima (em caso de crianças 
pequenas a máscara será aplicada em posição invertida). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11: Pocket Mask (Máscara de Bolso) 
 
 
 
Caso você tenha a mão um dispositivo como bolsa de ventilação e esteja em 
dupla com outro socorrista, posicione-se atrás da cabeça da vítima para adequar a 
máscara a face e administrar as ventilações (Figura 13). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ETAPA AÇÃO 
1 Coloque a máscara sobre a boca e o nariz da pessoa. 
2 Incline a cabeça e eleve o queixo enquanto pressiona a máscara contra o rosto da 
pessoa. 
É importante produzir uma vedação impermeável entre o rosto da pessoa e a máscara 
enquanto o queixo é elevado para manter abertas as vias aéreas. 
3 Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada). 
Aguarde que o tórax se eleve a cada ventilação administrada. 
Figura 13: Bolsa de Ventilação (bolsa-válvula-máscara) 
Figura 12: Ventilação sob máscara 
 Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ 
 
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17 
Ø DESFIBIRLAÇÃO EXTERNA AUTOMÁTICA: 
 
Com estas etapas manteremos uma RCP executando os ciclos de 30 
compressões x 02 ventilações, ou sem dispositivo de ventilação, apenas com as 
compressões sem parar até a chegada do DEA/AED. 
Um DEA/AED é uma máquina com um microprocessador integrado que pode 
aplicar choques no coração e ajudá-lo a voltar a funcionar normalmente. Se você 
iniciar a RCP imediatamente e após alguns minutos usar um DEA/DAE, terá maior 
chance de salvar uma vida. 
Os AEDs/DEAs são seguros, precisos e fáceis de usar. O DEA/DAE 
determina se a pessoa necessita de um choque e avisa para administrá-lo se 
necessário. Avisa inclusive quando é necessário certificar-se de que ninguém esteja 
tocando a vítima. As pás usadas para administrar o choque têm um diagrama que 
indica como posicioná-las no tórax pessoa. Siga o diagrama. 
As formas mais comuns de ligar um DEA/AED são pressionar o botão “ON” 
(Ligar) ou erguer a tampa do DEA/AED. Uma vez ligado o DEA/AED, ele indicará 
tudo o que você precisa fazer. 
 
Use o DEA/AED somente se a pessoa não responder e não estiver respirando ou 
apresentar gasping. 
 
Se você tiver acesso a um DEA/DAE, use-o IMEDIATAMENTE. Certifique-
se de que ninguém esteja tocando a vítima antes de pressionar o botão “SHOCK” 
(Choque) (figura 15). Se não localizar um DEA/AED rapidamente, inicie a RCP 
Comprimindo com Força e rapidez. 
 
Etapa Ação 
1 Ligar o DEA/DAE 
2 Seguir os avisos visuais e sonoros, 
3 Coloque os eletrodos no tórax do paciente conforme as (figuras 14 e 15) 
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18 
 
Após a administração do choque, inicie imediatamente as compressões torácicas 
interrompendo apenas 10 segundos no máximo para executar as duas ventilações e faça a RCP 
até o DEA/AED sinalizar para interromper a RCP, para que ele possa novamente analisar e se 
necessário indicar outro choque. Mas, se o mesmo falar: “choque não indicado”, inicie 
imediatamente às manobras de RCP até a chegada do serviço médico de emergência, caso seja 
um profissional da saúde avaliar pulso. 
a) Cuidados na colocação das pás/eletrodos 
 
• Retirar excesso de pelos no tórax do paciente 
Caso a vítima tenha muito pelo no tórax, deve-se retirar com dispositivos de barbear ou 
até mesmo com as pás, cuidado para não rasgá-la (ideal ter uma reserva) 
 
• Secar o tórax 
Devemos secar todo tórax da vítima a fim de que o choque não se espalhe pela 
superfície e também para as pás colarem na pele. 
 
• Retirar adesivos de medicamentos 
Caso haja adesivos de medicamentos colados na pele, estes deverão ser retirados. 
 
• Cuidados com marcapasso implantado 
Se este paciente possuir um marcapasso implantado no local da posição das pás, 
deve-se colar o eletrodo cerca de 4 a 5 centímetros para o lado e para baixo, pois se 
colocar as pás em cima do aparelho, este poderá ser inutilizado. 
Figura 14: RCP após o Choque. Figura 15: Posições dos socorristas durante a 
aplicação do choque. 
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19 
Após a RCP e o choque, se a pessoa estiver respirando mas não estiver 
respondendo, vire-a de lado e aguarde que alguém com treinamento mais avançado 
assuma o socorro (Se for uma equipe de SME realizar avaliação e considerar 
remoção). Coloque a pessoa em posição lateral de segurança (Figuras 16 e 17), pois 
manterá as vias aéreas desobstruídas caso a pessoa vomite. Se a pessoa parar de 
respirar ou apresentar somente gasping, vire-a na posição decúbito dorsal e avalie a 
necessidade de RCP. Enquanto a pessoa que retornou aos batimentos aguarda o 
suporte avançado, devemos manter o desfibrilador ligado todo o tempo, mesmo que a 
cada dois minutos ele continue falando, pois este o manterá informado e monitorando 
o paciente todo o tempo.b) Resumo de Habilidades de RCP/adulto com DEA: 
Etapa Ação 
1 Certifique-se de que o local é seguro. 
2 Segure no ombro e chame. 
Verifique se a pessoa responde. 
Se a pessoa não responder, avance para a Etapa 3. 
3 Peça ajuda. 
Peça à pessoa que o atender que telefone para o serviço médico de 
emergência e busque um DEA/DAE. 
Se ninguém puder ajudar, telefone para o número do serviço médico de 
emergência/ urgência e busque um DEA/DAE. 
4 Verifique a respiração. 
Certifique-se de que a pessoa esteja sobre uma superfície firme e plana. 
Verifique a respiração. 
Se a pessoa não estiver respirando ou apresentar somente gasping, 
administre a RCP. 
Sem responder e sem respiração = RCP 
Figura 16: Socorrista executando a 
técnica de lateralização - PLS 
Figura 17: Vítima na posição lateral de 
segurança 
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20 
 
 
3 - RCP EM CRIANÇAS 
 
RCP em criança e uso do DEA/AED: 
RCP é o ato de comprimir o tórax com força e rapidez e administrar 
ventilações. A RCP é administrada a alguém cujo coração tenha parado de bombear 
o sangue. 
5 Comprima e administre ventilações executando 30 compressões e 2 
ventilações. 
Compressões: 
Retire as roupas que atrapalharem. 
Coloque o “calcanhar de uma mão” sobre a metade inferior do esterno. 
Coloque o calcanhar da outra mão sobre a primeira mão. 
Comprima em linha reta de cinco a seis centímetros de profundidade, a uma 
frequência de 100 a 120 compressões por minuto no mínimo. 
Após cada compressão deixe o tórax retornar à sua posição normal. 
Comprima o tórax 30 vezes. 
Ventilações: 
Após 30 compressões, abra as vias aéreas com inclinação da cabeça e elevação 
do queixo. 
Com as vias aéreas abertas, faça uma ventilação normal. 
Use um dispositivo de barreira para empregar as ventilações. Caso não o tenha, 
comprima de forma ininterrupta. 
Administre duas ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Aguarde que o 
tórax se eleve a cada ventilação administrada. 
DEA/DAE: 
Use-o assim que o tiver à mão. 
Ligue-o erguendo a tampa ou pressionando o botão “ON” (Ligar). 
Siga os avisos. 
6 Continue. 
Continue executando séries de compressões e ventilações até que a pessoa 
comece a respirar ou se mexer ou até que alguém com treinamento mais 
avançado chegue e assuma o socorro. 
Etapa Ação 
1 Certifique-se de que a criança está deitada com as costas sobre uma superfície 
firme e plana. 
2 Retire as roupas que atrapalharem. 
3 Coloque o “calcanhar de uma mão” sobre a metade inferior do esterno. 
4 Comprima em linha reta cerca de cinco centímetros, a uma frequência de 100 
a 120 compressões por minuto no mínimo. 
5 Após cada compressão, deixe o tórax retornar à sua posição normal. 
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21 
Uma criança é alguém com mais de um ano de idade e que ainda não chegou 
à puberdade. Se estiver em dúvida se a pessoa é um adulto ou uma criança, 
considere-a adulta. 
Uma criança “responsiva” é aquela que se mexe, fala, pisca ou reage de 
alguma outra forma quando você a toca e pergunta se está bem. Uma criança que não 
“responde”, que não faz nada quando você a toca e pergunta se está bem, é 
considerada inconsciente. 
Comprimir o tórax com força e rapidez é a parte mais importante da RCP. 
Comprimindo o tórax você bombeia sangue para o cérebro e o coração. 
As pessoas muitas vezes não comprimem com força suficiente por temerem 
ferir a criança. Uma lesão é improvável, mas é melhor do que a morte. É melhor 
comprimir forte demais do que insuficientemente. 
Use uma única mão para as compressões. Se não conseguir comprimir 5 cm 
com uma mão, use as duas. Uma mão não é melhor do que duas, nem o contrário. 
Faça o que for necessário para comprimir o tórax cerca de 5 cm de profundidade.Não 
diferente do adulto, devemos, assim que observar uma criança caída ao solo, abordá-
la segurando pelo ombro, como mostra a (figura 18). Em seguida devemos observar 
se há respiração normal, caso seja um profissional de saúde verificará pulso também. 
(figuras 19 e 20). 
 
 
 
 
 
Em seguida devemos pedir ajuda do serviço médico de emergência e solicitar 
um DEA/AED (figura 21). Caso não haja como pedir ajuda no momento ou está 
distante de um telefone, inicie imediatamente as manobras de RCP, pois a maioria 
das crianças para por problemas respiratórios e a RCP será fundamental neste 
primeiro momento. Após 5 ciclos de RCP, dirija-se a um telefone ou ache alguém 
para solicitar um DEA/AED e volte a executar as manobras de reanimação. 
 
Figura 18 Figura 19 
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22 
 
 
 
 
 
 
 
As compressões são importantes na RCP e executá-las da maneira correta é 
cansativo. Quanto mais cansado(a) você estiver, menos eficazes serão as 
compressões. Se mais alguém souber aplicar RCP, faça revezamento. Reveze a cada 
2 minutos mais ou menos, movendo-se rapidamente para minimizar ao máximo a 
pausa nas compressões. Lembrem-se, mutuamente, de comprimir 5 cm de 
profundidade a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto e permitir 
que o tórax retorne à sua posição normal após cada compressão (figuras 22 e 23). 
 
 
 
 
 
 
 
Ø Administrar ventilações 
Crianças, em geral, têm coração saudável. Normalmente o coração da 
criança para porque ela não consegue ou está tendo dificuldade para respirar. Em 
consequência disso, além das compressões, é muito importante administrar 
ventilações a uma criança (figura 23). 
As ventilações precisam fazer com que o tórax da criança se eleve. A 
elevação do tórax indica que a criança recebeu ar suficiente. As compressões formam 
a parte mais importante da RCP. Se você também puder administrar ventilações, 
ajudará a criança ainda mais. Antes de administrar ventilações, abra as vias aéreas. 
Figura 20 Figura 21 
Figura 22 Figura 23 
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23 
Ø Aplicação do DEA/AED 
 
 
 
 
 
 
 
 
O DEA/DAE determina se a criança necessita de um choque e lhe avisa para 
administrá-lo se necessário. Avisa inclusive quando é necessário certificar-se de que 
ninguém esteja tocando a criança. As pás usadas para administrar o choque têm um 
diagrama que indica como posicioná-las na criança. Siga o diagrama. 
 Se não houver pás pediátricas ou um botão/interruptor pediátrico, use as pás 
de adulto. Se a criança tiver mais de 8 anos, use pás adultas (se estiver em dúvida se 
a criança tem mais de 8 anos, presuma que ela tem e use as pás adultas). Ao colocar 
as pás no tórax, deve-se ter cuidado para uma pá não tocar na outra. Se a criança for 
muito pequena, talvez seja necessário colocar uma pá no tórax e a outra nas costas da 
criança (figura 24). 
 
ETAPA AÇÃO 
1 Ligar o DEA/DAE. 
2 Verifique se há pás pediátricas ou um botão ou interruptor pediátrico 
3 Use as pás pediátricas ou acione o botão ou interruptor pediátrico. 
4 Seguir os avisos visuais e sonoros. 
ETAPA AÇÃO 
1 Enquanto mantém as vias aéreas abertas, comprima o narizfechando-o. 
2 Inspire normalmente e cubra a boca da criança com a sua boca. 
3 Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Verifique se o 
tórax começa a elevar-se a cada ventilação administrada. 
Figura 24 Figura 25 
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24 
Se for usar uma máscara de ventilação e se esta máscara tiver uma 
extremidade afunilada, coloque a parte estreita da máscara no alto (ponte) do nariz. 
Posicione a parte larga para cobrir a boca. Podemos usar como referência a técnica 
usada no capítulo anterior, pois é a mesma (figura 25). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 26: Fluxograma da utilização do DEA/AED em crianças. (fonte:American heart association®) 
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25 
Ø Revisão do atendimento da criança em PCR 
 
 
Se houver outra pessoa com você durante a RCP ou se você puder gritar por 
ajuda e pedir a alguém que o ajude, peça a ela que telefone para o número do serviço 
médico de emergência/urgência enquanto você comprime com força e rapidez e 
administra as ventilações. Você executa as compressões e ventilações enquanto a 
Etapa Ação 
1 Certifique-se de que o local é seguro. 
2 segure pelo ombro e chame para certificar se a criança responde. 
Se a criança não responder, avance para a Etapa 3. 
 
 3 Solicite ajuda. 
Veja se alguém pode ajudá-lo (a). 
Peça a essa pessoa que telefone para o número do serviço médico de 
emergência/urgência e busque um DEA/DAE. 
4 Verifique a respiração e cheque se a criança está respirando ou se apresenta 
gasping. 
Sem respiração e sem responder e/ou apenas gasping = EXECUTAR RCP 
Certifique-se de que a criança esteja sobre uma superfície firme e plana. 
 5 Administre a RCP executando 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações e em 
seguida telefone para o número do serviço médico de emergência/ urgência e 
busque um DEA/DAE. 
Compressões: 
- Retire as roupas que atrapalharem. 
- Coloque o “calcanhar de uma mão” sobre a metade inferior do esterno. 
- Comprima em linha reta cerca de 5 cm de profundidade, a uma frequência de 100 
a 120 compressões por minuto. 
- Após cada compressão, deixe o tórax retornar à sua posição normal. 
- Comprima o tórax 30 vezes. 
Ventilações: 
- Após 30 compressões, abra as vias aéreas com inclinação da cabeça e elevação 
do queixo. 
- Abertas as vias aéreas, faça uma ventilação normal. 
- Comprima o nariz para cerrá-lo. Cubra a boca da criança com a sua boca. 
 Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Aguarde que o tórax se 
eleve a cada ventilação administrada. 
DEA/DAE: 
- Use-o assim que o tiver à mão. 
- Ligue-o erguendo a tampa ou pressionando o botão “ON” (Ligar). 
 Use pás pediátricas ou o botão/interruptor pediátrico. (Use pás de adulto se não 
houver pás pediátricas disponíveis). 
- Siga os avisos. 
6 Continue. 
Continue executando séries de compressões e ventilações até que a criança 
comece a respirar ou se mexer ou até que alguém com treinamento mais avançado 
chegue e assuma o socorro. 
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26 
outra pessoa telefona e busca o DEA/AED. A tabela abaixo resume as diferenças 
entre RCP em adultos e crianças: 
 
 
 Após 5 ciclos de RCP, telefone para o número do serviço médico de 
emergência/urgência e busque um DEA/DAE, se isso ainda não tiver sido feito. 
Assim que o DEA/DAE estiver à mão, use-o. Depois de telefonar para o número de 
emergência/urgência, continue executando séries de 30 compressões e 2 ventilações 
até que a criança comece a responder ou que alguém com treinamento mais avançado 
chegue e assuma o socorro. Permaneça na linha até que o atendente/operador do 
SME lhe diga que pode desligar. 
O atendente/operador fará perguntas sobre a emergência. E também poderá 
dar instruções sobre como socorrer a criança até que alguém com treinamento mais 
avançado chegue e assuma o socorro. 
Responder às perguntas do atendente/operador não retardará a chegada do 
socorro. Se for possível leve o telefone com você para falar com o atendente/ 
operador ao lado da criança. 
 
 
 
O que é diferente O que fazer em um adulto O que fazer em 
uma criança 
Quando telefonar para o 
serviço médico de 
emergência/urgência 
Telefonar depois de verificar 
se há resposta. 
Telefonar após aplicar 5 
séries de compressões e 
ventilações, caso esteja 
sozinho. 
Usar um DEA/DAE Use pás para adultos. 
 Procure um botão ou 
interruptor pediátrico. 
• Use pás para crianças. 
 Se não houver pás para 
crianças, use as de adultos. 
 Se usar pás de adulto, 
certifique-se de que elas 
não se toquem. 
Profundidade da 
compressão 
Comprimir no mínimo 5 cm 
de profundidade. 
Comprimir cerca de 5 cm 
de profundidade. 
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27 
4 - RCP EM BEBÊS 
Um bebê é alguém com menos de 1 ano de idade. Na abordagem de uma 
criança com idade inferior a 1 ano, você espera que este se mexa, emita sons, pisque 
ou reaja de alguma outra forma quando você o estimula e grita seu nome. Um bebê 
que não “responde”, não faz nada quando você o toca e grita, considerar em PCR. 
Caso o Bombeiro esteja acompanhado, um militar telefona para o Serviço Médico de 
Emergência enquanto o outro inicia RCP. Caso o Bombeiro esteja sozinho, realizar 5 
ciclos de 30 compressões X 2 ventilações e, só depois, solicita o apoio. 
Comprimir o tórax com força e rapidez é a parte mais importante da RCP. 
Comprimindo o tórax, você bombeia sangue para o cérebro e o coração. 
As pessoas muitas vezes não comprimem com força suficiente por temerem 
ferir o bebê. Uma lesão é improvável, mas, caso ocorra, será melhor do que a morte. 
É melhor comprimir forte demais do que insuficientemente. Se possível, coloque o 
bebê sobre uma superfície firme e plana acima do chão (caso não seja possível utilize 
o chão mesmo), como uma mesa. Isso facilita a administração da RCP. 
Ø Abordagem do Bebê 
 
 
 
 
 
 
 
As compressões são importantes na RCP e executá-las da maneira correta é 
cansativo. Quanto mais cansado(a) você estiver, menos eficazes serão as 
compressões. Se mais alguém souber aplicar RCP, reveze. Reveze a cada 2 minutos 
mais ou menos, movendo-se rapidamente para minimizar ao máximo a pausa nas 
compressões. Lembrem-se mutuamente de comprimir cerca de 4 cm de 
profundidade, a uma frequência de, pelo menos, 100 compressões por minuto e 
permitir que o tórax retorne à sua posição normal após cada compressão (figura 27). 
Se profissional da saúde, verifique o pulso braquial não menos que 5 
segundos e não mais que 10 segundos (figura 27). Se ausente, inicie a RCP 
Bata no 
pezinho do 
bebê e chame, 
observe se 
respira 
normalmente, 
peça ajuda e 
inicie RCP. 
Figura 27: Sequência de atendimento a um bebê. 
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28 
imediatamente. Lembrando que se pulso ausente, mas a frequência estiver abaixo de 
60 batimentos por minuto, inicie imediatamente a RCP (figura 28). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bebês em geral têm coração saudável. Normalmente o coração do bebê para 
porque ele não consegue ou está tendo dificuldade para respirar. Em consequência 
disso, além das compressões, é muito importante administrar ventilações a um bebê. 
As ventilações precisam fazer com que o tórax do bebê se eleve. A elevação 
do tórax indica que o bebê recebeu ar suficiente. As compressões formam a parte 
mais importante da RCP. Se você também puder administrar ventilações, ajudará o 
bebê ainda mais (figura 28). Antes de administrar ventilações, abra as vias aéreas. 
Siga as seguintes etapas para abrir as vias aéreas. 
Ao inclinar a cabeça do bebê, não a empurre demais para trás, porque isso 
pode bloquear as vias aéreas. Evite pressionar a parte mole do pescoço ou abaixo do 
queixo. Se você administrar uma ventilação em um bebê e o tórax não se elevar, abra 
novamente as vias aéreas permitindo que a cabeça retorne a posição normal. 
Em seguida, abra as vias aéreas novamente, inclinando a cabeça e elevando o 
queixo e administre outra ventilação. Certifique-se de que o tórax se eleve. Não 
interrompa as compressões por mais de 10 segundos para administrar ventilações. Se 
o tórax não se elevar em até 10 segundos, comece a comprimi-lo com força e rapidez 
novamente. 
Caso você possua uma máscara de ventilação, coloque a parte afunilada para 
o queixo do bebê, pois se adaptará melhor evitando fuga durante as ventilações. 
 
 
Figura 28: RCP no bebê 
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29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Caso haja dois ou mais socorristas da área de saúde, a RCP poderá ser 
realizada com ciclos de 15 compressões para 2 ventilações, sendo que agora quem 
comprimir, deverá segurar o tórax da criança com os polegares, como mostra a figura 
30. 
 
 
 
 
 
 
 
5 - ASFIXIA EM CRIANÇAS 
A asfixia é provocada por alimento ou outro objeto preso na via área ou na 
garganta. O objeto impede que o ar chegue aos pulmões. Algumas asfixias são leves 
e outras graves. Se for grave, aja rápido. Retire o objeto para que a criança possa 
respirar. 
Ø Socorrendo uma Criança em Asfixia 
Etapa Ação 
1 Se desconfiar que a criança está asfixiada, pergunte: “Você está sentindo 
dificuldade para respirar?”. Se ela acenar que sim, diga-lhe que você vai ajudar. 
2 Fique atrás da pessoa. Abrace a pessoa de modo que suas mãos fiquem na parte 
da frente do corpo dela. 
Figura 29: Ventilação em bebê com o auxilio da 
máscara de ventilação 
Figura 30: Dois socorristas realizando RCP em 
bebê. 
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30 
3 Feche uma das mãos. 
4 Coloque o lado do polegar da mão fechada ligeiramente acima do umbigo da 
criança e bem abaixo do esterno. 
5 Agarre a mão fechada com a outra mão e faça compressões rápidas para cima 
no abdômen. 
6 Faça compressões até que o objeto seja expulso e a pessoa possa respirar, tossir 
ou falar ou até que pare de responder. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se a criança em asfixia for obesa e você não puder abraçar totalmente a 
cintura, execute compressões torácicas, em vez de abdominais (Figura 33). 
Siga as mesmas etapas, exceto pelo local onde posicionar seus braços e 
mãos. Coloque seus braços por baixo das axilas da criança e suas mãos na metade 
inferior do esterno. Puxe diretamente para trás para aplicar as compressões 
torácicas. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 31: Sinais de 
obstrução de Via aérea. 
Figura 32: Manobra de 
desobstrução de via aérea. 
Figura 33: Manobra de 
desobstrução em criança obesa. 
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31 
Ø Como Socorrer uma Criança em Asfixia Que Deixa de Responder 
 Se você fizer compressões numa criança, mas não conseguir remover o objeto 
que está bloqueando as vias aéreas, a criança irá parar de responder. Comprimir o 
tórax pode fazer com que o objeto seja expelido. 
Se a criança deixar de responder, siga estas etapas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Etapa Ação 
1 Deite a criança sobre uma superfície firme e plana. 
2 Segure pelo ombro e chame. 
3 Peça ajuda. 
4 Verifique a respiração. 
5 Administrar 30 compressões. 
6 Após 30 compressões, abra as vias aéreas. Se vir um objeto na boca, 
retire-o. 
7 Administre 2 ventilações. 
8 Repita a execução de séries de 30 compressões e 2 ventilações, 
Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série. 
9 Após 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações, telefone para o 
serviço médico de emergência/urgência e busque um DEA/DAE. 
10 Administre séries de 30 compressões e 2 ventilações, 
Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões, 
até que a criança comece a responder ou que alguém com treinamento 
mais avançado chegue e assuma o socorro. 
Figura 34: Abra bem a boca da 
criança e procure o objeto. 
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32 
6 - ASFIXIA EM BEBÊS 
 A asfixia é provocada por alimento ou outro objeto preso na via área ou na 
garganta. O objeto impede que o ar chegue aos pulmões. Algumas asfixias são leves 
e outras, graves. Se for grave, aja rápido. Retire o objeto para que o bebê possa 
respirar. Em caso de engasgo com líquidos (leite por exemplo) proceder da mesma 
forma que sólidos. 
Ação: Use a tabela a seguir para determinar se o bebê está em asfixia leve ou grave e o 
que fazer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se o bebê Bloqueio nas vias aéreas E você deve 
• Conseguir emitir sons 
• Conseguir tossir alto Leve 
• Permanecer ao lado e deixá-
lo tossir 
• Se estiver preocupado com a 
respiração do bebê, telefone para 
o número do serviço médico de 
emergência/ urgência mais 
próximo. 
• Não conseguir respirar 
ou tossir sem som ou não 
conseguir emitir sons 
Grave 
• Agir rapidamente 
• Siga as etapas de socorro 
para bebês em asfixia 
Figura 35 Figura 36 Figura 37 
Figura 38 Figura 39 Figura 40 
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33 
 
 Um bebê que receber pancadas nas costas e compressões torácicas deve ser 
examinado por um profissional de saúde. Se você der pancadas nas costas e fizer 
compressões torácicas no bebê e ainda assim, não conseguir remover o objeto que 
está bloqueando as vias aéreas, o bebê deixará de responder. Comprimir o tórax pode 
fazer com que o objeto seja expelido. 
Se o bebê deixar de responder, siga estas etapas: 
ETAPA AÇÃO 
1 Coloque o bebê com o rosto voltado para cima sobre uma superfície firme e 
plana acima do chão, como uma mesa. (figura 39) 
2 Estimule o pezinho 
3 Peça por ajuda. 
4 Verifiquea respiração. 
5 Comprima o tórax 30 vezes. 
6 Após 30 compressões, abra as vias aéreas. Se vir um objeto na boca, retire-o. 
7 Administre 2 ventilações. (figura 40) 
8 Repita a execução de séries de 30 compressões e 2 ventilações, 
Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões. 
9 Após 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações, telefone para o serviço 
médico de emergência/urgência. 
10 Administre séries de 30 compressões e 2 ventilações, 
Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões, até que 
o bebê comece a responder ou que alguém com treinamento mais avançado 
chegue e assuma o socorro. 
 
ETAPA AÇÃO 
1 Segure o bebê com o rosto voltado para baixo com as pernas em seu cotovelo. 
Sustente a cabeça e a mandíbula do bebê com a mão. (figura 37) 
2 Dê até 5 pancadas nas costas com o “calcanhar da outra mão”, entre as 
escápulas do bebê. (figura 37) 
3 Se o objeto não for expelido após 5 pancadas nas costas, vire o bebê de frente, 
sustentando a cabeça. (figura 38) 
4 Administre até 5 compressões torácicas, usando 2 dedos da outra mão para 
comprimir o tórax da mesma maneira que em RCP. (figura 38) 
5 Repita as 5 pancadas nas costas e as 5 compressões torácicas até que o bebê 
consiga respirar, tossir ou chorar ou deixe de responder. 
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34 
 
7 - ASFIXIA NO ADULTO 
 
 
 
Etapa Ação 
1 Se desconfiar que alguém esteja asfixiado, pergunte: “Está com dificuldade para 
respirar?”. Se a pessoa acenar que sim, diga-lhe que você vai ajudar. (figura 41) 
2 Fique atrás da pessoa, abrace- a de modo que suas mãos fiquem na parte da 
frente do corpo dela. (figura 42) 
3 Feche uma das mãos. 
4 Coloque a mão fechada com o lado do polegar ligeiramente acima do umbigo da 
pessoa e bem abaixo do esterno. 
5 Agarre a mão fechada com a outra mão e faça compressões rápidas para cima 
no abdômen da pessoa. 
6 Faça compressões até que o objeto seja expulso e a pessoa possa respirar, 
tossir ou falar ou até que pare de responder. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 42 Figura 41 
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35 
8 - ASFIXIA NA GESTANTE 
 
Se alguém estiver asfixiado e for obeso ou estiver nos últimos estágios de 
gravidez e você não conseguir envolver totalmente a cintura da vítima com seus 
braços, administre compressões no tórax em vez de no abdômen. Siga as mesmas 
etapas, exceto pelo local onde posicionar seus braços e mãos. Coloque seus braços 
por baixo das axilas e suas mãos na metade inferior do esterno. Puxe diretamente 
para trás para aplicar as compressões torácicas. 
 
 
 
 
 
 
Em todas as vítimas que deixam de responder ou se tornam inconscientes, 
você deverá posicioná-las ao solo com cuidado para não se ferirem, pedir ajuda e 
imediatamente aplicar séries de 30 compressões torácias durante dois minutos. Após, 
cheque se o corpo estranho saiu e se esta voltou a respirar, caso contrário inicie 
imediatamente as manobras de RCP até a chegada do socorro ou se esta acordar. 
 
 
 
Etapa Ação 
 
1 Verifique se ela necessita de RCP. Administre a RCP, se necessário e se souber fazer isso. Se não souber como executar RCP, faça somente compressões 
torácicas. 
 
2 Verifique se encontra objetos na boca a cada série de 30 compressões. 
 
3 Continue a RCP até que ela fale, se mexa ou respire, ou até que alguém com treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro. 
 
Figura 43 
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36 
Resumo de RCP e DEA/AED para adultos, crianças e bebês. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não ultrapassando 6 cm 
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37 
Capítulo II 
Emergências Clínicas e Cardiológicas: 
 
Na primeira avaliação de um paciente vítima de uma urgência (necessita de 
resolução em um curto espaço de tempo) ou de uma emergência (necessita de 
resolução imediata) clínica, o socorrista deverá fazer algumas perguntas básicas 
sobre a doença atual e histórico do paciente. Para isso temos métodos mnemônicos 
que facilitam essa abordagem: 
OPQRST (Sobre a doença atual): 
O início: o que você estava fazendo quando a dor começou? Ela começou de repente 
ou aos poucos? 
Paliação/ provocação: Alguma coisa faz a dor parar, melhorar ou piorar? 
Qualidade: descreva a dor (queimação, facada, incômodo, penetrante) 
Região/ irradiação/ referida: você pode apontar o lugar onde a dor está? Ela 
permanece localizada ou se move? 
Severidade (intensidade): Que nota você dá para a dor em uma escala de 1 a 10, 
sendo 1 uma dor leve e 10 a maior dor que já sentiu? 
Tempo/ duração: Há quanto tempo está sentido isso? 
SAMPLER (Sobre o passado médico): 
Sinais e sintomas 
Alergias 
Medicamentos 
Passado médico (história) relevante 
Líquidos e lanches ingeridos (quando e o que?) 
Eventos que precederam o quadro atual 
Risco (fatores de risco). 
1 - ALTERAÇÕES DO ESTADO MENTAL 
A alteração do estado mental de um paciente é um sinal frequente no contexto 
pré-hospitalar, denotando patologias potencialmente graves, e deve ser reconhecida 
prontamente pelo socorrista. 
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Podem ser consideradas alterações no estado mental qualquer diminuição do 
estado de alerta de uma pessoa, dificuldade de cognição (percepção) ou um 
comportamento que se desvie do normal. Essas alterações podem ser diferentes de 
pessoa para pessoa, podendo variar de confusão mental até um déficit cognitivo 
significativo ou coma. 
O socorrista deve estar atento para os sintomas e o comportamento do 
paciente, assim como exame físico e exame auxiliares como glicemia capilar. 
A avaliação neurológica tem suas peculiaridades e será detalhado a seguir. 
Avaliação neurológica inicial: 
- Nível de Consciência: 
Em uma primeira abordagem, avalia-se a função cerebral e outras alterações 
neurológicas que possam ameaçar a vida. O nível de consciência (NC) deve ser 
sempre verificado. Um paciente com atenção limitada ou com discurso desconexo 
deve ser avaliado quanto a presença de hipoglicemia, desidratação, 
comprometimento cardiovascular, acidente vascular encefálico (AVE) ou 
traumatismo craniano. É interessante, se possível, identificar alguém próximo à 
vítima ou que tenha assistido ao ocorrido e que possa dar alguma informação para a 
formulação da hipótese diagnóstica. 
A maneira mais rápida e simples de avaliar o NC do paciente é o processo 
AVDN: 
1. A Alerta a pessoa, local e dia 
Alerta e orientado (AOx3): Sabe dizer o próprio nome (pessoa), local e tempo 
Alerta e orientado (AOx2): Sabe dizer o próprio nome (pessoa) e local 
Alerta e orientado (AOx1): Sabe precisar somente o próprio nome (pessoa) 
2. V Responsivo ao estímulo verbal3. D Responsivo à dor 
4. N Não responsivo 
 Ao classificar a resposta ao estímulo, deve-se graduar a vítima de acordo com 
a melhor resposta obtida. Por exemplo, um paciente desmaiado e que geme em 
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resposta a um chamado efusivo do socorrista teria um escore “V” na escala AVDN. 
A resposta ao estímulo tátil, como a compressão do leito ungueal, o escore seria “D”. 
A Ausência de resposta a estímulos verbais e táteis o escore seria “N”. 
Outra classificação de nível de consciência de uma vítima de trauma ou 
doença clínica grave é escala de coma de Glasgow (GSC, do inglês Glasgow Coma 
Scale). 
A GCS avalia as respostas da vítima quanto à abertura ocular e as melhores 
respostas verbal e motora. O cálculo do escore da GCS pode ser avaliado na tabela a 
seguir. 
 
Um escore de 8 ou menos costuma indicar a necessidade de manejo agressivo 
da via aérea, para sua proteção da broncoaspiração, devido ao rebaixamento do NC. 
Embora o maior escore possível seja 15, isso não significa que o paciente tenha 
capacidade mental plena. A avaliação da vítima não deve ser baseada somente em 
escalas, mas no conjunto do exame físico e história clínica. 
Escala de Coma de Glasgow (GCS) 
Abertura 
ocular 
Escore Melhor resposta 
verbal 
Escore Melhor resposta 
motora 
Escore 
Espontânea 4 Orientado e 
conversando 
5 Obedece a comandos 6 
Ao comando 
verbal 
3 Confuso 4 Localiza a dor 5 
À dor 2 Palavras desconexas 3 Movimentos 
incoordenados 
4 
Ausência de 
resposta 
1 Gemidos ou sons 
incompressíveis 
2 Flexão anormal 
(decorticação) 
3 
 Ausência de resposta 1 Extensão anormal 
(descerebração ) 
2 
 Ausência de resposta 1 
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A avaliação do NC é de extrema importância para verificar se as condições 
neurológicas e de perfusão do paciente estão normais, permitindo que problemas 
potencialmente mais graves e/ou fatais sejam identificados precocemente. 
A avaliação do Nível Consciência na vítima idosa 
Com o envelhecimento da população há o surgimento de doenças que 
alteram, de forma crônica, o nível de consciência do idoso podendo dificultar a 
primeira avaliação. É comum encontrarmos idosos confusos, desorientados, 
agressivos e sem entender solicitações simples. Estes sintomas podem ser 
decorrentes de patologias crônicas como as síndromes demenciais (doença de 
Alzheimer, demência vascular, entre outras). 
É muito importante, ao avaliar a vítima idosa com alteração do NC, conversar 
com familiares ou pessoas próximas para obter informações sobre o seu estado 
neurológico prévio. O contrário também é importante pois não podemos diante de 
uma vítima idosa e confusa concluir que esse é o seu estado normal por algum 
quadro demencial. Mesmo o idoso que já tenha uma alteração cognitiva prévia pode 
ter o quadro exacerbado por outra patologia. 
Podemos encontrar, por exemplo, um idoso com quadro de infecção urinária 
mais sonolento, confuso, agitado e/ou agressivo, podendo, inclusive, ser vítima de 
quedas. Estes sintomas também podem estar presentes na desidratação, hipoglicemia, 
hiperglicemia, hiponatremia (sódio baixo no sangue), infarto agudo do miocárdio, 
acidente vascular cerebral (AVC), pneumonia, (entre outras patologias). 
Importante: toda vítima com alteração de seu nível de consciência deve 
ser levada para uma unidade de saúde e ser avaliada pelo médico com exames 
clínico e neurológico completo, além de exame laboratorial para identificação do 
fator desencadeante e tratar de modo adequado para prevenir agravos à saúde 
da vítima. 
- Motricidade: 
É importante avaliar se o paciente mobiliza os 4 membros, pois a assimetria 
pode ser indicativa de lesão neurológica cerebral focal, como um acidente vascular 
cerebral ou lesão de um nervo periférico ocasionando a falta de movimento do 
membro. 
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O paciente que obedece e executa comandos como: “aperte a minha mão”; 
“segure esse objeto”; “coloque a ponta do dedo no nariz”; “levante a perna direita”, 
mostra uma boa condição de lucidez e de domínio corporal. 
Se o paciente não obedece às ordens solicitadas por déficit motor ou tem 
dificuldade em realizá-las, pode indicar a uma série de patologias como doenças 
desmielinizantes, acidentes vasculares, tumores cerebrais, entre outros. Portanto, a 
preservação dos movimentos coordenados, incluindo a marcha, no paciente são 
sempre bons indicadores de normalidade no sistema nervoso. 
- Sensibilidade: 
Esta é uma avaliação importante nos pacientes com suspeita de lesão cerebral, 
lesão da coluna vertebral ou lesão de nervo periférico. Quando há lesão neurológica 
de uma determinada região do corpo, como um segmento da coluna vertebral, o 
paciente normalmente refere que há perda total da sensibilidade da região 
correspondente e/ou percepção de formigamento, dormência, agulhamento, ou 
choque. 
- Avaliação Pupilar 
As pupilas dão uma impressão útil sobre o estado neurológico do paciente. 
No estado neurológico normal, as pupilas são iguais, redondas e rapidamente reativas 
à estimulação pela luz direta. Em pacientes com nível de consciência rebaixado ou 
em coma, a pupilas podem ser uma forma importante de avaliação da gravidade da 
lesão neurológia. 
O início da avaliação pupilar é determinado pela observação do diâmetro, da 
forma e da simetria com a pupila contralateral. Pupilas assimétricas podem indicar de 
lesão focal cerebral (ex: AVC, tumor cerebral). Pupilas com diâmetros pequenos 
(puntiformes) e simétricas podem ser indicativas de lesão difusa cerebral (ex: 
intoxicação por organofosforato). Pupilas com diâmetros aumentados e simétricos 
podem denotar sofrimento cerebral (hipóxia) ou intoxicação por drogas (cocaína). 
A avaliação da pupila à reação da luz direta é outro meio de complementar o 
exame neurológico. A pupila reage à luz normalmente diminuindo seu diâmetro. A 
luz, ao incidir sobre uma das pupilas, a faz contrair simultaneamente com a pupila 
contralateral em um paciente sem lesão neurológica significativa. Qualquer alteração 
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42 
da reação da pupila à luz é decorrente de lesão cerebral, principalmente se as pupilas 
estão dilatadas e não reativas, denotando dano grave ao cérebro. 
Não podemos esquecer que há pacientes que foram submetidos à cirurgia 
ocular e que devido a isto podem ter alterações na forma pupilar. Na dúvida, se 
possível, devemos sempre nos informar se a vítima foi submetida a alguma cirurgia 
ocular. 
- Manifestações Clínicas 
1. Estado mental alterado: confusão mental, mudanças de comportamento, entre 
outros. 
2. Delirium: Alteração aguda na cognição, temporária, com períodos de maior e 
menor intensidade, podendo estar associada a alucinações e delírios. Pode ser 
confundida com demência, porém esta apresenta alteração crônica da função 
cerebral. 
3. Síncope: É a perda súbita e transitória da consciênciae do tônus postural por 
baixa da perfusão cerebral, com recuperação espontânea. 
4. Tonteira/ vertigem: Tonteira é uma queixa inespecífica que pode 
corresponder à sensação de quase síncope e vertigem é uma sensação anormal de 
movimento. Podem estar associadas a tinido, zumbido ou ruído nos ouvidos. 
5. Convulsão: Pode ser generalizada (envolvendo perda de consciência), 
associada a movimentos tônico-clônicos, incontinência urinária e fecal e mordedura 
da língua, ou pode ser uma convulsão focal que afete apenas uma parte do corpo, 
sem perda de consciência, mas com possível redução da consciência. 
6. Cefaléia: Dor na dor na cabeça que deve ser caracterizada como aguda 
(possibilidade: de AVC hemorrágico, tumor cerebral) ou crônica (possibilidade: 
enxaqueca, cefaléia tensional, dor miofacial). 
7. Ataxia/ distúrbio da marcha: Perda de controle muscular e coordenação dos 
movimentos, causando instabilidade do tronco, marcha instável, movimentos 
oculares anormais ou diplopia (visão dupla). 
8. Déficit neurológico focal: qualquer perda localizada da função neurológica, 
como fraqueza, dormência ou perda do movimento em parte de um membro ou em 
todo ele, ou em um lado do corpo ou da face. 
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9. Outros sintomas: amnésia (esquecimento), movimentos corporais 
involuntários, distúrbios visuais e/ou auditivos, náuseas e vômitos, disfagia 
(dificuldade de engolir), paresias e paralisias, distúrbios de sensibilidade, dores 
radiculares (dor de origem nervosa com sensação de formigamento ou compressão), 
perda ou relaxamento esfincterianos (sem controle voluntário urinário e fecal), 
distúrbios do sono. 
São várias as patologias que podem cursar com alterações neurológicas. 
Detalharemos a seguir as mais frequentes no ambiente pré-hospitalar. 
 
1.1 - Acidente Vascular Encefálico (AVE): 
O acidente vascular encefálico 
(AVE), também conhecido como 
acidente vascular cerebral (AVC) é 
caracterizado pela interrupção aguda do 
fluxo de sangue para determinada região 
do encéfalo, causando a morte dos 
neurônios (células do sistema nervoso). 
Os AVEs são classificados em isquêmicos e hemorrágicos. No AVE 
isquêmico um trombo ou êmbolo causa obstrução de um vaso, diminuindo o fluxo de 
sangue para o cérebro. No AVE hemorrágico há a ruptura do vaso sanguíneo, de 
determinada região cerebral, causando extravasamento de sangue para o tecido 
cerebral, ventrículos cerebrais ou na cavidade subaracnóide (espaço entre as 
membranas que revestem o cérebro). 
Os sintomas do AVC podem ocorrer isoladamente; entretanto, em geral os 
pacientes exibem uma série de sintomas, que podem ser sutis ou graves. Algumas 
vezes, os sintomas são incapacitantes, e o paciente não consegue fazer coisas simples 
como telefonar para pedir ajuda, devido a alteração do estado mental, a afasia 
(dificuldade na fala) ou a hemiplegia (paralisia em um lado do corpo), entre outros. 
Sinais e Sintomas: 
1. Fraqueza ou formigamento de início súbito na face, no braço ou na perna, 
especialmente de um lado do corpo. 
2. Confusão mental ou perda de consciência. 
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3. Alteração da fala ou compreensão. 
4. Alteração na visão, em um ou ambos os olhos. 
5. Alteração do equilíbrio ou coordenação dos movimentos, tonteira ou alteração no 
andar. 
6. Cefaléia súbita, por vezes intensas, e sem causa aparente (normalmente 
relacionado ao AVC hemorrágico). 
7. Náuseas e vômitos. 
A determinação do tempo do início do AVC é de extrema importância para 
determinar a indicação de tratamento. Consideramos o momento inicial do quadro a 
última vez em que a vítima foi vista em seu estado normal. O tempo é determinante 
para o tratamento. 
Existem algumas escalas que facilitam a identificação de uma vítima de AVE 
e que também podem ser usadas para o acompanhamento do paciente já no ambiente 
hospitalar. Uma das mais utilizadas é a escala de Cincinnati (Cincinnati Stroke 
Scale). 
Escala de Cincinnati 
Sinais e 
Sintomas 
Como testar Normal Anormal 
 
Queda facial 
Pede-se para o paciente 
mostrar os dentes ou 
sorrir. 
Ambos os lados da 
face se movem 
igualmente. 
Um lado da face não se 
move tão bem quanto o 
outro. 
Debilidade dos 
braços 
O paciente fecha os 
olhos e mantém os 
braços estendidos. 
Ambos os braços 
movem-se 
igualmente ou não se 
movem. 
Um braço não se move ou 
cai, quando comparado ao 
outro. 
 
Fala anormal 
Pede-se para o paciente 
dizer “o rato roeu a 
roupa do rei de roma” 
Usa as palavras 
corretas, com 
pronúncia clara. 
Pronuncia palavras 
ininteligíveis, usa 
palavras incorretas ou é 
incapaz de falar. 
 
 Existem outros diagnósticos que devem ser lembrados no diagnóstico 
diferencial, como: enxaqueca, intoxicação aguda por álcool ou outras drogas, 
paralisia de Bell, dissecção da artéria carótida ou da artéria vertebral, anormalidades 
eletrolíticas, esclerose múltipla, infecções no sistema nervoso central, transtorno 
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psiquiátrico, entre outros. Lembrando que esses diagnósticos necessitam de exames 
complementares no hospital. 
O ataque isquêmico transitório (AIT) pode ter os mesmos sinais de sintomas 
de um AVC, porém observa-se resolução do quadro dentro de 24h, sendo, na maioria 
das vezes, em até uma hora. De acordo com a National Stroke Association, cerca de 
10% desses pacientes irão sofrer AVC em 90 dias, e cerca de 50%, em 2 dias. O AIT 
é um sinal de alerta que não deve ser ignorado. entretanto, precede apenas 1 em cada 
8 casos de AVC. 
Tratamento: 
A prioridade imediata no contexto pré-hospitalar é considerar a possibilidade 
da vítima estar sofrendo um AVC isquêmico e transportá-la, o mais rápido possível 
para um centro hospitalar para tratamento imediato (período de até 4,5h do início do 
evento), e assim, tentar reverter as complicações, reduzindo a mortalidade e 
morbidade do AVC isquêmico, onde neste período, poderá receber tratamento 
trombolítico (Alteplase) ou tromboembolectomia (extração do trombo da artéria 
cerebral). Estes pacientes deverão ser levados para unidades hospitalares 
especializadas em AVC. 
1. Na primeira avaliação, devemos seguir o ABC da vida, observando a via 
aérea e a ventilação do paciente principalmente. 
2. Administrar oxigênio se a saturação estiver abaixo de 94%. 
3. Manter o paciente na posição de Fowler ou decúbito dorsal com ligeira 
elevação da cabeça. 
4. Não reduzir a pressão arterial, exceto 
se ela se mantiver acima de 220x120mmHg, 
quando na presença ou sob orientação da 
equipe saúde habilitada. 
5. A temperatura deve ser reduzida se estiver acima do normal, pois pode 
aumentar a lesão cerebral isquêmica. 
 
1.2 - Cefaléia/ Enxaqueca 
 A cefaléia pode ocorrer isolada ou associada a outro sintomas, e pode ser 
decorrente de inúmeras patologias como infecções, crise hipertensiva, acidente 
Posição de Fowler 
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vascular encefálico isquêmico, hemorragia intracraniana, traumatismo craniano, 
tumor cerebral, entre outros. 
A enxaqueca consiste em cefaléias intensas e recorrentes acompanhadas de 
sintomas neurológicos incapacitantes, como distúrbios visuais ou cognitivos, 
tonteira, náuseas e vômitos. Pode durar de 4 até 72h e os principais achados são 
cefaléia, fotofobia (sensibilidade à luz), náuseas/ vômitos, hipersensibilidade a sons 
ou odores e história prévia de enxaqueca. Devemos sempre estar atentos aos 
sintomas associados, assim como anormalidades dos sinais vitais como febre e 
hipertensão. 
Tendo em vista o diagnóstico diferencial com AVE e hemorragia 
intracraniana, sempre transporte o paciente até uma unidade que possa fazer a sua 
avaliação médica. 
1.3 - Crise Convulsiva/ Epilepsia 
A convulsão ou Crise Convulsiva é 
um episódio de disfunção neurológica 
causada por atividade neuronal anormal e 
transitória no córtex cerebral que pode 
causar a perda ou alteração da consciência, 
convulsões ou tremores, alterações 
comportamentais, mudanças subjetivas na 
percepção (paladar, odor, medo), incontinências e outros sintomas. Ela pode ocorre 
como condição primária ou secundária a uma anormalidade subjacente. A epilepsia é 
uma condição em que uma anormalidade persistente no cérebro leva a crises 
convulsivas recorrentes. 
As convulsões podem ser classificadas em generalizadas ou focais. As focais 
ocorrem geralmente em um só hemisfério cerebral e o paciente costuma manter a 
consciência, porém pode apresentar alterações do estado mental, da responsividade e 
do comportamento. 
As convulsões generalizadas geralmente estão associadas à perda de 
consciência e são subdividas em ausências, atônicas, tônicas, clônicas e tônico-
clônicas. 
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47 
Durante uma crise generalizada, o paciente pode apresentar obstrução da via 
aérea ou pode não respirar adequadamente, dessa forma o profissional que presta o 
primeiro atendimento deve estar atento à manutenção das vias aéreas. 
As crises focais são as mais frequentes no paciente com epilepsia e duram, em 
geral, 1 a 3 minutos, no entanto podem evoluir para perda de consciência e crises 
generalizadas. Existem dois subtipos de crise focal: 
Crise focal com manutenção da consciência e da percepção: pode se apresentar, por 
exemplo, como um movimento rítmico e involuntário de um membro, estando o 
paciente acordado e consciente da crise convulsiva durante todo o tempo. 
Crise focal com comprometimento da consciência e da percepção ou da 
responsividade: pode ocorrer como uma alteração comportamental com o paciente 
consciente, mas sem perceber o ambiente a sua volta, por exemplo. O paciente 
podem ser tornar agressivo e resistir a qualquer tipo de contato ou contenção física. 
Deve sempre ser abordado com cuidado. 
Principais achados de uma crise focal: 
1. Estado mental alterado. 
2. Movimentos rítmicos focais ou generalizados, descontrolados. 
3. Olhar perdido no espaço ou ataque de queda, tremor das pálpebras. 
4. Grunhidos, repetição de palavras ou frases, riso, gritos, choro. 
5. Tira a roupa, anda no meio do trânsito, anda sem rumo. 
6. Automatismo. 
7. Estado pós convulsivo descrito pela família, pelos amigos ou por cuidadores. 
Tratamento: 
1. Proteção da via aérea. 
2. Administração de oxigênio ou ventilação se necessário, sempre atentando 
para o risco de broncoaspiração (aspiração de secreções ou vômito). Considerar o uso 
de uma via aérea nasal (equipes de saúde habilitadas). 
Sequência de atendimento a crise convulsiva 
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48 
3. Proteção de lesões (providenciar 
acolchoamento e retirada de objetos 
próximos que possam machucar o 
paciente). 
4. Providenciar um acesso venoso 
(equipes de saúde habilitadas). 
5. Verificar os níveis de glicemia. 
6. Tratar hipertermia, se necessário. 
7. Colocar o paciente em decúbito lateral ou posição de recuperação. 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar 
- Benzodiazepínicos: Primeira linha. Considerar em crises convulsivas maiores que 
5 minutos. Se a via intravenosa não for possível de início, pode-se aplicar por via 
intramuscular (IM), intranasal (IN), intraóssea (IO) ou retal. As medicações mais 
usadas são: diazepam (IV), Midazolam (IV, IM, IN e retal – utilizado em gel para 
crianças e lactentes) e o lorazepam (IV). 
- Agentes de segunda linha: fenitoína e fenobarbital. 
- Cetamina: há evidência de que esse medicamento pode controlar de modo efetivo o 
estado de mal epiléptico, particularmente se for resistente ao fenobarbital. 
- Anestésicos gerais: último recurso. Ex: propofol. 
 
Nem todos os pacientes adultos precisam de transporte para hospital para 
avaliação. Se o paciente no estado pós-ictal (pós-convulsivo) estiver recuperando a 
consciência, talvez ele possa não ser removido, mas para isso deve haver um médico 
no local ou deve haver o contato com uma equipe médica que possa orientar o 
socorrista (Regulação Médica). 
Neste sentido, se o paciente estiver na maioridade, voltar ao seu estado de 
consciência, estiver totalmente orientado, com estado mental normal e for 
considerado como capaz de compreender e aceitar os riscos de não ir ao hospital para 
avaliação, ele tem o direito de recusar ser transportado. A equipe do socorro deve 
incentivar o paciente a informar o seu médico assistente da ocorrência de uma crise 
convulsiva para acompanhamento e ajuste de medicação. 
 Os pacientes que sofrem uma crise convulsiva pela primeira vez devem ser 
sempre transportados para o hospital, assim como crianças com crise convulsiva 
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(mesmo que convulsão febril), vítimas de trauma, gestantes, crises convulsivas 
ocorridas dentro d’água, pacientes idosos ou diabéticos e se há evidências de uma 
possível aspiração. 
Caso especial: Convulsão Febril 
Geralmente produzidas por febre em crianças entre 6 meses e 3 anos de 
idade. São, em grande maioria, inócuas e duram entre alguns segundos a 15 minutos, 
tendo em média 2 minutos. A criança deve ser removida para o hospital e devemos 
manter a via aérea, administrar oxigênio, tomar medidas que melhorem a hipertermia 
(como retirada de roupas muito quentes e resfriamento, estando atentos para não 
causar tremores), verificar a glicemia capilar e outras alterações neurológicas. 
1.4 - Depressão Aguda/ Tentativa de Suicídio: 
O suicídio ocorre quando uma pessoa põe fim deliberadamente à própria 
vida. Há tentativa de suicídio quando a pessoa tenta cometer suicídio mas não tem 
sucesso. 
 A fisiopatologia da depressão é multifatorial. Podemos observar história 
familiar de depressão, abuso de álcool, estresse emocional e outras causas orgânicas. 
Ela pode se manifestar de várias formas e os principais achados incluem: fadiga, 
desânimo, sensação de desamparo, esquecimento, alterações de apetite e peso, 
diminuição nas funções normais como raciocínio e fala, embotamento ou depressão 
afetiva; 
 O diagnóstico diferencial principal é a intoxicação por substâncias, mas 
também anormalidades eletrolíticas, cefaléia, psicose, infecções, tumor, entre outros. 
 O tratamento é feitoprincipalmente com foco no suporte básico e suporte 
psicológico, permanecendo atento para o declínio no nível de consciência e 
manutenção da via aérea, respiração e circulação. 
1.5 - Ataque de Pânico/ Síndrome da Hiperventilação: 
 O transtorno do pânico é um fenômeno angustiante para os pacientes. A causa 
subjacente é psiquiátrica. Trata-se de uma variante da ansiedade, caracterizada por 
início súbito de medo intenso (infundado). 
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 Pode haver história familiar ou pessoal de eventos semelhantes. O abuso de 
substâncias pode precipitar as crises. 
O principais achados incluem: início súbito de medo ou ansiedade, 
palpitações, tremores, dispnéia, sensação de opressão, dor ou desconforto torácicos, 
tonteira, sensação de desfalecimento, calafrios ou ondas de calor, medo de morrer. O 
tratamento é apenas sintomático e depende do que o paciente se queixa. 
1.6 - Hipoglicemia: 
A Diabetes Mellitus é uma doença crônica muito comum e suas complicações 
são diversas, sendo a hipoglicemia um complicador importante em situações de 
emergência, e a mais comum. 
A hipoglicemia é caracterizada por um nível anormalmente baixo de glicose 
no sangue, geralmente abaixo de 70 mg/dl (<3,3mmol/L). É importante não 
considerar apenas este número, pois pacientes com níveis altos de glicemia e com 
redução rápida de seus valores, podem ter sintomas de hipoglicemia mesmo com 
valores acima de 70 mg/dL. A hipoglicemia não tratada está associada à morbidade e 
mortalidade significativas. 
A hipoglicemia pode estar relacionada às vítimas insulinodependentes 
resultante da administração de insulina em excesso e/ou do consumo inadequado de 
alimentos ou de mudança do programa terapêutico. Nos diabéticos não 
insulinodependentes a hipoglicemia está muito relacionada ao uso de 
hipoglicemiante oral com meia vida longa, principalmente em pacientes idosos. 
A hipoglicemia em pacientes não diabéticos é denominada hipoglicemia de 
jejum (mais comum em doença hepática grave, tumores pancreáticos, defeitos 
enzimáticos, superdosagem de fármacos e infecção grave) ou hipoglicemia pós-
prandial (mais comum em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica). 
A hipoglicemia em situações extremas pode levar à perda de consciência, ou 
a crises convulsivas, sendo muito graves e necessárias medidas imediatas. 
Em uma primeira análise, pacientes que estejam fazendo hipoglicemia 
parecem fazer eventos neurológicos agudos como um acidente vascular encefálico. 
 
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Principais sinais e sintomas: 
Conduta: 
1. Abordar a vítima avaliando o nível de consciência e realizando o exame ABC 
da vida. 
2. Avalie os sinais vitais e realize o exame de glicemia capilar. 
3. Pacientes acordados, alertas e com capacidade de deglutir oferecer suco, 
lanches, gel de açúcar. 
4. Pacientes com rebaixamento do NC, sem capacidade de deglutir, obter um 
acesso venoso e infundir 50 mL de solução de glicose à 10%. Lembrar de 
realizar este atendimento em comum acordo com a regulação médica. 
5. Repetir a glicemia capilar se necessário e repetir a solução de glicose 10% 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: 
- Em falta de acesso venoso fazer Glucagon 1 a 2 mg IM. 
- Manter soro glicosado 10% continuo até a chegada hospitalar, nos casos de hipoglicemia 
resistente. 
Mesmo que a vítima recobre a consciência é prudente encaminhar para uma 
unidade hospitalar para se descartar problemas de ordem metabólica, infecciosa e/ou 
neurológica. Além disso, o paciente pode ter utilizado medicações de ação longa e 
pode apresentar um novo episódio de hipoglicemia em um intervalo muito curto. 
Caso especial: Cetoacidose diabética 
Caracteriza-se pela concentração plasmática de glicose maior que 350mg/dL 
(>19,4mmol/L), produção de cetonas, nível sérico de bicarbonato menor que 
15mEq/L e acidose metabólica. 
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O fator desencadeante mais comum é a interrupção do esquema de insulina, 
no paciente portador de diabetes melito, ou infecção. 
A cetoacidose diabética, sem os exames apropriados, é de difícil distinção de 
outras patologias como a sepse (infecção generalizada), gestantes em condições 
especificas, abuso de álcool, entre outros. 
Os principais sinais e sintomas são: náuseas e vômitos, dor abdominal 
(principalmente em crianças), taquipnéia/hiperpneia (respiração rápida), hálito com 
odor de frutas, fadiga e fraqueza, aumento da diurese, alteração do nível de 
consciência, hipotensão ortostática (ao ficar de pé), arritmia cardíaca, convulsões e 
choque. 
O tratamento deve ser realizado em uma unidade hospitalar, já que é baseado 
em hidratação vigorosa e insulinoterapia. No ambiente pré-hospitalar o atendimento 
é restrito ao suporte com manutenção da via aérea, respiração e circulação, além de 
hidratação (realizada pela equipe de saúde habilitada). 
2 – ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES: 
2.1 - Desconforto Torácico (Precordiagia) 
O desconforto torácico inclui não somente a dor, mas também sintomas como 
sensações de aperto, esmagamento, queimação e pontada. São numerosas as causas 
para essas manifestações, podendo ter origem em diversos sistemas. As causas mais 
comuns estão descritas no quadro abaixo. 
Causas de dor torácica 
Cardiovasculares Pulmonares Gastrintestinais 
Sind. coronariana aguda Embolia pulmonar Ruptura esofágica 
Insuficiência cardíaca 
congestiva 
Pneumotórax hipertensivo Colecistite 
Dissecção aórtica Infecções respiratórias Dispepsia 
Tamponamento cardíaco Pleurisia Doença do refluxo 
gastroesofágico 
Arrtimia Hérnia hiatal 
 Pancreatite 
 Doença ulcerosa péptica 
Dados de Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 
 
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A dor torácica pode ser consequência tanto de patologias agudas e 
potencialmente graves quanto de patologias crônicas de menor gravidade. Entretanto, 
os profissionais que realizam o primeiro atendimento a um paciente com essa 
queixas devem sempre ter alto índice de suspeição para as patologias mais graves. 
Alguns outros sintomas podem estar associados à dor torácica, como: 
1. Diaforese (sudorese e pele fria) 
2. Hemoptise (tosse com sangue) 
3. Síncope (desmaio) ou sensação de síncope 
4. Dispnéia (falta de ar) 
5. Náuseas e vômitos 
Na primeira abordagem, devemos priorizar quaisquer sinais e sintomas que 
possam nos fazer pensar em causas potencialmente fatais de desconforto torácico, 
considerando-se sempre a possibilidade de síndrome coronariana aguda, que 
detalharemos um pouco mais a seguir. 
Síndrome Coronariana Aguda (SCA) 
 Nas diretrizes atuais do AHA 
(American Heart Association), a 
síndrome coronariana aguda abrange a 
angina estável, a angina instável e o 
infarto agudo do miocárdio. Ela ocorre 
por uma alteração da relação 
oferta/demanda de oxigênio ao coração 
ou por uma interrupção abrupta do 
suprimento de sanguepara coração. 
 São os principais fatores de risco para a doença coronariana a hipertensão 
arterial, o diabetes, a dislipidemia (colesterol alto), a obesidade, o sedentarismo e o 
tabagismo. Devemos lembrar que esses fatores são evitáveis e/ou tratáveis com 
medicações rotineiras. 
A SCA necessita de avaliação médica o mais rápido possível para que o 
tratamento seja iniciado e assim mais células miocárdicas sejam poupadas e não 
sofram necrose. 
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A dor torácica de origem cardíaca geralmente tem características como uma 
dor no peito fortemente opressiva com irradiação para o dorso, membro superior 
esquerdo e/ou mandíbula, podendo durar de minutos a horas. 
Outros sinais e sintomas que podem estar associados são: pele fria e 
sudoreica, palidez cutânea intensa, sensação de morte iminente, além de náuseas e 
vômitos. 
Lembrando sempre que pacientes idosos, diabéticos e mulheres acima de 50 
anos podem apresentar síndrome coronariana aguda sem desconforto torácico, 
evoluindo com sinais e sintomas de descompensação cardíaca como dispnéia (falta 
de ar), sensação de desmaio e cianose de extremidades ou até mesmo sinais mal 
definidos como desconforto abdominal e náuseas. 
A síndrome coronariana geralmente é decorrente de doença aterosclerótica 
coronariana (placas de gordura e cálcio que obstruem as artérias) e alguns fatores 
como estresse, traumas, infecções e/ou exercício físico, podem desencadear essa 
alteração da demanda/oferta de sangue ao coração. 
 É importante lembrar da necessidade da urgência de reconhecimento dos 
sinais e sintomas da dor torácica de origem cardíaca e do rápido transporte em 
segurança para um centro médico mais próximo. 
 O paciente deve ser prontamente avaliado, colocado em uma posição 
confortável, ser ofertado oxigênio a fim de manter a saturação de oxigênio acima de 
94%, manter a cabeceira da maca elevada, proibir a ingestão oral de alimentos ou 
líquidos e realizar o contato com o hospital mais próximo, ou com a regulação 
médica. 
Tentar realizar perguntas básicas rápidas (anamnese) como (OPQRST): 
1. Uso de medicações 
2. Histórico de alergias 
3. Doenças prévias 
4. Cirurgias prévias como cirurgias cardíacas e/ou implante de stents 
coronarianos (ou se caso teve indicação de tais procedimentos e não realizou) 
5. O que estava fazendo quando a iniciou a dor 
6. Existem fatores que pioram ou melhoram o sintoma 
7. Tempo decorrido do início da dor 
8. Tipo de dor (queimação, pontada, incômodo, aperto...) 
9. Intensidade (pontuando entre 1 e 10, sendo 1 uma dor leve e 10 a pior dor já 
sentida pelo paciente 
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 No atendimento pré-hospitalar, caso não haja contra-indicação, e quando na 
presença ou sob orientação de um médico, costuma-se fazer a utilização de 162mg a 
325mg de ácido acetilsalicílico (2 a 4 comprimidos de 100mg – aspirina infantil), 
administração de oxigênio e nitroglicerina sublingual (1 comprimido de 0,4mg) em 
pacientes que permaneçam com pressão arterial sistólica acima de 90 mmHg. 
 No hospital alguns exames serão realizados para confirmar ou descartar a 
síndrome coronariana aguda. Exames comumente solicitados são: eletrocardiograma 
de 12 derivações, radiografia de tórax e dosagem de enzimas cardíacas. Conforme o 
resultado podem ser solicitados ecocardiograma e, se necessário, cateterismo 
cardíaco e/ou cirurgia de revascularização miocárdica. 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: 
 
- Ácido acetilsalicílico: 162mg a 325mg (2 a 4 comprimidos de AAS infantil) 
mastigados ou deglutidos. Administrar nos pacientes com dor torácica, exceto se 
alérgicos, ou se há crise de asma ou história de episódio recente de sangramento por 
úlcera. O socorrista ou o próprio paciente podem ser orientados por uma equipe de 
saúde, por atendimento remoto, a administrar essa medicação. 
- Oxigênio: Administrar 10 a 15L/min de oxigênio por máscara não reinalante a 
todos os pacientes com dispnéia, sinais de insuficiência cardíaca, choque ou 
saturação de oxigênio menor que 94%. Se houver dispneia intensa ou edema agudo 
pulmonar secundário deve-se administrar por ventilação por pressão positiva não 
invasiva (CPAP ou BiPAP) ou bolsa-válvula-máscara. 
- Estabelecer acesso endovenoso preferencialmente antes de administração de 
nitroglicerina. 
- Nitroglicerina: via sublingual (0,4mg) ou por spray dosimetrado, a cada 3 a 5 
minutos enquanto a pressão sistólica permanecer acima de 90mmHg. Deve-se 
atentar para o uso da nitroglicerina em pacientes com infarto de ventrículo direito. 
Não deve ser usada em pacientes com hipotensão, bradicardia grave e taquicardia, 
assim como em pacientes que fizeram uso de inibidores da fosfodiesterase 
(sildenafila, tadalafila, vardenafila) para disfunção erétil nas últimas 24 a 48h. Não 
administrar sem que haja monitorização cautelosa da pressão arterial. Manter o 
paciente sentado ou deitado durante a administração. Pode-se iniciar uma infusão 
de nitroglicerina para controle mais definitivo da dor e da pressão arterial com 
10mcg/min. Titular até o alívio da dor aumentando a dose com 10mcg a cada 3 a 5 
minutos. 
- Considerar morfina: 2 a 8mg endovenoso, titulando conforme o desconforto 
torácico. Pode ser administrada uma vez de 1 a 5mg em um paciente com IAMCSST 
cujo desconforto não tenha sido aliviado com nitroglicerina e oxigênio. 
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- Administração pré-hospitalar de inibidores orais do difosfato de adenosina (ADP) 
tem sido considerada como potencialmente útil para pacientes com IAMCSST. 
- Administração pré-hospitalar de fibrinolíticos é controversa. 
Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 
2.2 - Hipertensão Arterial 
A hipertensão arterial geralmente é uma 
doença silenciosa, multifatorial, 
caracterizada por elevação sustentada da 
pressão arterial com níveis pressóricos 
maiores que 130x 80 mmhg. Apresenta 
uma prevalência elevada na população 
acima de 60 anos. Mantém associação 
com doenças como acidente vascular 
cerebral, infarto agudo do miocárdio, 
doença vascular periférica, insuficiência 
cardíaca e insuficiência renal, sendo sua 
descoberta realizada às vezes no primeiro atendimento de uma crise hipertensiva, já 
com lesão desses órgãos. 
 Entre os fatores de risco modificáveis encontramos a diminuição da ingestão 
de sódio, a diminuição no consumo de álcool e o início de atividade física regular. 
 Pacientes hipertensos com sintomas como: dor de cabeça, visão turva, dor 
torácica, alteração do nível de consciência e dispnéia, devem ser prontamente 
atendidos com avaliação dos sinais vitais como pressão arterial, oximetria de pulso e 
aferição da glicemia capilar. Devem ser colocados em posição confortável com a 
cabeceira elevada e ofertados oxigênio quando necessário para o transporte ao 
hospital mais próximo. 
Pacientes hipertensos sem sinais ou sintomas de descompensação dos órgãos 
alvos, devem ser orientados a procurar atendimento ambulatorial para controle 
pressórico. 
 
 
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3 - ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS 
 Inúmeras são as patologia clínicas que podem causar dispnéia (falta de ar). 
Detalharemos mais adiante algumas causas mais frequentes encontradas pelo 
socorrista no ambiente pré-hospitalar. 
 Quando abordamos uma vítima com queixa de falta de ar é importante, 
primeiramente, diferenciar se há sofrimento respiratório ou insuficiência 
respiratória. 
No sofrimento respiratório, manobras de reanimação simples, como 
administração de oxigênio suplementar ou ventilação com pressão positiva por meio 
de dispositivo de bolsa-válvula-máscara, são o suficiente para a melhora. No entanto, 
se encontrarmos sinais de insuficiência respiratória, devemos implementar as 
medidas imediatas de reanimação, como uso de dispositivos de via aérea 
supraglótica, tubo laríngeo ou intubação orotraqueal (somente para profissionais 
habilitados de saúde), para manter a via aérea e a ventilação do paciente. 
Sinais de Alerta para a Insuficiência respiratória Iminente 
Frequencia respiratória > 30 ou < 6 respirações/minuto 
Saturação de oxigênio <90% 
Uso de múltiplos grupos de músculos acessórios 
Incapacidade de ficar deitado em posição supina 
Taquicardia com freqüência >140 batimentos/minuto 
Alteração do estado mental 
Incapacidade de eliminar secreção/ muco oral 
Cianose de leitos ungueais ou lábios 
Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 
Causas mais frequentes de dificuldade respiratória no ambiente pré-hospitalar: 
3.1 - Obstrução da via aérea 
 A principal causa de obstrução de via aérea no paciente adulto inconsciente é 
a queda de língua, que já foi abordada em capítulos anteriores nessa edição do 
manual. 
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 Em crianças e lactentes, a causa mais frequente de obstrução de vias aéreas é 
a aspiração de corpo estranho, devendo-se realizar as manobras de tentativa 
desobstrução conforme já detalhado no capítulo de asfixia desta edição. 
3.2 - Asma 
 A asma é uma doença pulmonar 
obstrutiva das vias aéreas inferiores, em que há 
relato de episódios anteriores de dificuldade 
respiratória com fatores precipitantes. 
 É uma causa comum de atendimento 
em emergência, responde por uma alta taxa de 
internações anuais e apresenta alto índice de 
reinternação principalmente por não adesão ao tratamento. Os achados precoces de 
asma incluem um ou mais dos sinais e sintomas abaixo: 
1. Roncos e sibilos 
2. Dispnéia 
3. Aperto no tórax 
4. Sinais de infecções respiratórias recentes e/ou exposição a alérgenos como 
rinorréia (nariz escorrendo), congestão (entupimento), cefaléia, faringite (dor de 
garganta), rouquidão, tosse e mialgias (dor no corpo). 
 Na elaboração de um diagnóstico de asma, um episódio somente de roncos e 
sibilos não fecha o diagnóstico. Surtos repetidos são necessários para identificar a 
provável causa. Outras doenças que se manifestam com sinais de roncos, sibilos e 
dispnéia são as pneumonias virais ou bacterianas, disfunção ventricular por infarto 
agudo do miocárdio e doença pulmonar obstrutiva crônica. 
 Em crianças, essas manifestações devem levar em conta o diagnóstico 
diferencial com alterações de doenças cardíacas congênitas além de obstrução de via 
aérea por aspiração de corpo estranho. 
Indicadores de exacerbação grave da asma incluem: 
1. Saturação de oxigênio <92% 
2. Taquipneia 
3. Consulta no setor de emergência ou hospitalização frequentes e/ou recentes 
4. Qualquer história de intubação por asma 
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5. Picos de fluxo <60% dos valores previstos 
6. Uso de musculatura acessória e retração 
7. Duração dos sintomas > 2 dias 
8. História de uso frequente de corticosteroides e uso atual de teofilina 
 No primeiro atendimento deve ser ofertado oxigênio suplementar ao paciente 
em sofrimento respiratório e deve-se atentar para os sinais de sintomas de alerta da 
insuficiência respiratória iminente. 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: 
A terapia deve ser escalonada conforme a gravidade da exacerbação. 
- Salbutamol: Beta agonista de uso inalatório (primeira linha). Deve ser usado 2,5 a 
5mg a cada 20 minutos por três doses ou de forma contínua, seguido por 2,5 a 10mg 
a cada 1 a 4 horas conforme a necessidade. Em crianças, administra-se 0,15mg/kg 
Dose mínima 2,5mg) a cada 20 minutos, seguido por 0,15mg a 0,3mg/kg a cada 1 a 
4 horas conforme indicado pela condição do paciente , até 10mg. 
- Beta 2 agonistas parenterais: Usar com cautela, devido ã tendência a causar 
hipertensão aumentar o trabalho cardíaco e a demanda de oxigênio. A terbutalina 
0,25mg ou a epinefrina 0,3mg a 1:1000 intramuscular podem auxiliar o agonistas 
inalatórios. 
- Ipatrópio: 0,5mg a cada 20 minutos até três doses, e depois, conforme a 
necessidade. Maior efeito em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica ou 
com história de tabagismo. 
- Corticosteróides: Metilprednisolona 40 a 125mg, endovenoso, em adultos ou 
2mg/kg em pacientes pediátricos. Triancinolona, intramuscular, 60mg em adultos ou 
0,3 a 0,3mg/kg em crianças maiores de 6 anos. O efeito dos corticosteróides pode 
levar horas até o seu início. 
- Sulfato de magnésio: 2g ao longo de 30 a 60 minutos, ajudando a relaxar a 
musculatura lisa dos brônquios. 
- Mistura gasosa de hélio e oxigênio (Heliox): pouco usado. 
Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 
3.3 - Doença Pulmonar Obstrutiva crônica (DPOC) 
É uma obstrução do fluxo de ar causada por bronquite crônica ou associada 
ao enfisema pulmonar. É mais prevalente em homens do que em mulheres, 
principalmente brancos. A incidência aumenta conforme a idade, especialmente nos 
fumantes. 
Os sinais e sintomas mais comuns que podemos observar em um paciente 
portador de DPOC são: tórax em formato de barril, sibilância (assobios com a 
respiração), dispnéia, uso da musculatura acessória, tosse crônica, elevação da 
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pulsação jugular, edema periférico (inchaço), intolerância aos esforços (casos 
avançados) e infecções respiratórias de repetição. 
Exacerbação aguda da DPOC Sinais e sintomas de alerta 
Dispnéia Saturação <90% 
Tosse produtiva ou não Taquipnéia (>30 resp/min) 
Intolerância aos esforços Cianose periférica ou central 
Sibilância Alterações do estado mental por 
hipercapnia (excesso de gás carbônico) 
Dor ou desconforto torácico 
Sudorese 
Ortopnéia (incapacidade de permanecer 
deitado devido à falta de ar). 
 
 
O tratamento inicial é realizado com a oferta de oxigênio suplementar de 
baixo fluxo, por cânula nasal ou máscara de venturi, mantendo a saturação em pelo 
menos 94%. 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: 
A terapia deve ser escalonada conforme a gravidade da exacerbação. 
- Se o paciente permanecer hipoxêmico com oxigênio de baixo fluxo (<80% de 
saturação) e as extremidades estiverem pálidas ou cianóticas, deve-se aplicar 
máscara não reinalante e preparar-se para o manejo agressivo das vias aéreas. 
Alguns estudos sugerem um teste com máscara CPAP antes da intubação de 
pacientes DPOC alertas e com hipercapnia aguda. 
- Salbutamol: Betaagonistsa de uso inalatório, embora não tão efetivos quanto na 
asma, devem ser utilizados assim que se garantir a via aérea. Deve ser usado 2,5 a 
5mg a cada 20 minutos por três doses ou de forma contínua, seguido por 2,5 a 10mg 
a cada 1 a 4 horas conforme a necessidade. 
- Beta 2 agonistas parenterais: Usar com cautela, devido ã tendência a causar 
hipertensão aumentar o trabalho cardíaco e a demanda de oxigênio. A terbutalina 
0,25mg ou a epinefrina 0,3mg a 1:1000 intramuscular podem auxiliar o agonistas 
inalatórios. 
- Ipatrópio: 0,5mg a cada 20 minutos até três doses. 
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- Corticosteróides: Metilprednisolona 40 a 125mg, endovenoso, em adultos. 
Triancinolona, intramuscular, 60mg em. 
- A ventilação mecânica invasiva está indicada quando, apesar de terapia agressiva, 
o paciente tem alteração do estado mental, acidose, fadiga respiratória e hipóxia. 
Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 
 
3.4 - Causas inflamatórias e infecciosas 
 Infecções de vias respiratórias superiores (Ex: faringite, sinusite,...) e 
inferiores (Ex: Pneumonia, tuberculose,...) por vezes cursam com dificuldades 
respiratórias. Entretanto, devemos lembrar que outra causas infecciosas ou 
inflamatórias, como pancreatite, colecistite (inflamação da vesícula), úlcera 
perfurada, feridas extensas, infecção urinária grave, entre outras, também podem 
levar a dificuldade respiratória, principalmente pelo aumento da demanda de 
oxigênio nas áreas acometidas. Destaca-se, nesses casos, a sepse (infecção 
generalizada) que pode levar à insuficiência respiratória. 
 Devemos lembrar que não é o papel do socorrista realizar o diagnóstico do 
sofrimento ou da insuficiência respiratória, e sim levar o primeiro suporte ao paciente 
até que o mesmo seja atendido por um profissional de saúde habilitado e/ou que seja 
transportado a uma unidade de saúde. 
3.5 - Populações Especiais 
Pacientes idosos: esse paciente apresenta uma ampla gama de alterações 
fisiológicas que podem prejudicar a capacidade do organismo de oxigenar o sangue. 
Como esse alterações são graduais ao longo da vida, o paciente normalmente 
encontra-se compensado. No entanto, qualquer alteração que cause um desequilíbrio 
no organismo desse paciente, pode resultar em sofrimento ou insuficiência 
respiratória. É um paciente que deve ser avaliado com cautela e que nunca devemos 
subestimar os sintomas, já que o quadro pode evoluir gravemente em pouco tempo. 
Pacientes Obstétricas: A fisiologia pulmonar muda na gestação, reduzindo a 
reserva respiratória devido à elevação da demanda de oxigênio. Uma 
descompensação respiratória pode ocorrer rapidamente. 
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Pacientes Obesos: o aumento da massa corporal eleva a demanda de energia 
para atividades rotineiras, além de limitar a expansão dos pulmões na inspiração, 
principalmente em decúbito. 
3.6 - Outras Causas 
A dificuldade respiratória também pode ocorrer em distúrbios 
cardiovasculares, neuromusculares e metabólicos comuns, como hipoglicemia, 
acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio além de intoxicações, 
mas essas causas são discutidos em outras seções deste manual. 
4 - DISTÚRBIOS CAUSADOS PELO AMBIENTE 
 Em uma cidade com a do Rio de janeiro, imaginamos que a lesão grave por 
exposição ao frio não ocorre. Porém, enquanto a hipotermia é tipicamente associada 
ao clima frio, ela também pode ocorrer em condições não tão extremas, mas que 
levem a temperatura corporal a cair para menos de 35,6°C. Situações como surfistas 
e nadadores expostos a águas muito frias, vítimas de naufrágios que permaneceram 
por muito tempo na água ou idosos e crianças expostos a temperaturas muito baixas 
de um ar condicionado, por exemplo. 
 Por outro lado, a exaustão pelo calor é uma condição bastante comum nessa 
região, principalmente no verão. 
 O corpo humano tem dois sistemas para regular a temperatura: a regulação 
comportamental (esforço consciente do indivíduo em reduzir o desconforto térmico) 
e a termorregulação fisiológica (resultando em suor no calor excessivo e no tremor 
no frio extremo por exemplo). 
 A manutenção e a dissipação da temperatura corporal podem ser feitas através 
dos seguintes fenômenos: 
1. Radiação: transferência de energia de um objeto mais quente para um mais 
frio na forma de energia eletromagnética. Ex: calor vindo do chão quente, 
calor emitido pelo sol,.. 
2. Condução: transferência de calor entre dois objeto que estão em contato um 
com o outro. Ex: corpo em contato com chão frio. 
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3. Convecção: transferência de calor de um objeto sólido para um objeto que o 
envolve, mas que esta sob outra forma, como liquido ou ar. Ex: nadador na 
água. 
4. Evaporação: do suor no estado líquido para o vapor. 
 Os extremos de temperatura podem causar lesões graves e potencialmente 
fatais. Dessa forma, detalharemos os principais sinais e sintomas, assim como o 
atendimento inicial a vítimas expostas a essas condições. 
4.1 - Hipotermia: 
A hipotermia é o resfriamento 
generalizado do organismo que ocorre 
pela exposição a temperaturas baixas, 
sendo o organismo incapaz de retornar 
às funções corporais normais. 
 A gravidade da hipotermia é 
proporcional ao tempo de exposição ao 
frio e ao meio em que a vítima se 
encontra. A transferência de calor 
corporal é até 25 vezes mais rápida em 
meio líquido do que no ar, por esse 
motivo a hipotermia ocorre mais rapidamente em vítimas imersas em ambiente 
líquido. 
 Crianças, principalmente os recém nascidos, e os idosos são mais propensos a 
hipotermia. Assim como os desabrigados, desnutridos e pessoas com alteração do 
nível de consciência por ingestão alcoólica. Uma pessoa que consumiu álcool 
também é mais susceptível à hipotermia, pois ele bloqueia a produção de glicose no 
corpo e inibe o tremor máximo para a produção de calor. 
O organismo necessita da glicose para manter a contração muscular durante 
os tremores, dessa forma, é comum a hipoglicemia após longos períodos de 
exposição ao frio extremo. Essa alteração deve ser corrigida assim que possível para 
se manter o mecanismo termorregulador. 
 Para se fazer o diagnóstico de hipotermia (temperatura <35°C medida por 
termômetro retal), sempre deve se ter em mente essa possibilidade, mesmo que as 
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condições ambientais não sejam altamente propícias. Os sinais e sintomas se tornam 
mais severos com a progressão da hipotermia. Não esqueça que os termômetros 
comuns de mercúrio só marcam até 35°C. 
 A classificação da hipotermia de acordo com o guideline da AHA 2010, no 
qual se baseia o tratamento, se dá da seguinte forma: 
1. Hipotermia leve (32 a 35°C): vítima com tremores, com queixa de frio, falta 
de coordenação motora e confusão mental (em alguns casos), pele fria e pálida. 
2. Hipotermia moderada (30 a 32°C):cessam os tremores, ocorre queda da 
pressão arterial, o pulso se torna lento e irregular (palpar pulso central). A frequência 
respiratória diminui (até 2 respirações por minuto) e as pupilas reagem lentamente ou 
permanecem fixas e dilatadas, ocorrendo a diminuição importante do nível de 
consciência. O eletrocardiograma pode identificar fibrilação atrial (mais comum). 
3. Hipotermia grave (<30°C): ocorre queda maior da pressão arterial, piora do 
nível de consciência com evolução para o coma, diminuição acentuada da frequência 
respiratória, eletrocardiograma pode identificar até mesmo fibrilação ventricular 
(FV). 
Manejo Inicial da vítima de hipotermia: 
1 - A avaliação inicial ocorre com o A-B-C-D-E. Estabilização de via aérea com 
oferta de oxigênio, checagem da circulação e, quando possível, colocar a vítima em 
local aquecido, retirando roupas molhadas e agasalhar com cobertores e mantas 
térmicas. Em pacientes com hipotermia severa o aquecimento ativo poderá ser 
realizado com soro aquecido. 
2 - Avaliar o nível de glicemia através do glicosímetro e ofertar glicose quando 
necessário. Pacientes conscientes podem receber oferta de glicose por via oral 
através de bebidas aquecidas e alimentos. Nos pacientes com queda do nível de 
consciência, a oferta deve ser feita por via venosa. 
3 - Colocar o paciente em posição confortável e realizar a transferência para hospital 
próximo. Manter avaliação dos sinais vitais durante o transporte. Em caso de parada 
cardiorrespiratória, manter a ressuscitação cardiopulmonar por tempo prolongado, 
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até que ocorra elevação da temperatura para 35°C. O coração em hipotermia grave 
responde mal às drogas vasoativas e à desfibrilação elétrica. 
 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: 
 
- Vítimas de hipotermia e inconscientes devem ter sua via aérea protegida 
(intubação). 
- Desfibrilar se necessário e retomar a RCP. 
- Adiar o uso de medicamentos cardíacos e desfibrilação subsequente até que a 
temperatura esteja acima de 30°C. Se possível iniciar os procedimentos com 
oxigênio aquecido e úmido e soluções aquecidas, além de uso de técnicas efetivas 
para evitar a perda de calor. 
- Para hipotermia moderada e grave o aquecimento passivo somente não é o 
suficiente. 
Sugestão de leitura complementar: algoritmo referenciado do PHTLS 
Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 
Caso especial: Hipotermia por Imersão 
 O maior risco ocorre quando a imersão acontece em águas com temperaturas 
menores que 25°C. Uma vez que a dissipação do calor é 24 vezes maior do que a do 
ar, a hipotermia ocorre mais comumente nessa situação. 
 Indivíduos vítimas de imersão em água fria e sem previsão de serem retirados 
do local devem procurar minimizar as perdas de calor usando a postura de redução 
de perda de calor (HELP – permanecer com as pernas e braços cruzados junto ao 
corpo) ou a posição de agrupamento (técnica de Huddle) com múltiplas vítimas de 
imersão se unindo. 
 A principal preocupação com a vítima de imersão é a morte rápida resultando 
de pânico que leva à aspiração de água e afogamento. Mas existem outras três fases 
em que a vítima pode ir à óbito. 
1. Primeira fase: resposta ao choque por frio - com resfriamento rápido da 
pele, vasoconstricção periférica, um “reflexo do engasgamento”, e a inabilidade de 
apneia, hiperventilação e taquicardia. Pode haver morte súbita em alguns minutos, 
além de síncope ou convulsões. 
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2. Segunda fase: incapacitação causada pelo frio – com resfriamento 
significativo nos próximos 5 a 15 minutos, tendo efeito danoso a motricidade fina e 
global das extremidades, com má coordenação, perda de força e incapacidade de 
nadar. 
3. Terceira fase: início da hipotermia – se a vítima não é capaz de se manter na 
superfície da água por causa da fadiga e da hipotermia, pode acontecer a aspiração e 
o afogamento. 
4. Quarta fase: Colapso peri-resgate – Observado em 20% das vítimas que 
sobrevivem até a fase quatro. Até 90 minutos do transporte e até 24h após o resgate. 
Pode ocorrer devido à queda posterior da temperatura interna, colapso da pressão 
arterial e alterações como hipóxia, acidose ou alterações rápidas do pH que induzem 
a fibrilação ventricular. 
Outras leões causadas pelo frio: 
- Desidratação: evaporação do suor, perda de calor pelo aumento da respiração e 
diurese induzida pelo frio. 
- Lesão por contato com superfícies congeladas: queimadura pelo frio. 
- Urticária pelo frio: coceira, vermelhidão e inchaço da pele. 
- Eritema pérnio (frieiras): coceira, sensibilidade bolhas arroxeadas nas superfícies 
extensoras dos dedos principalmente. 
- Ceratite solar (cegueira da neve): ocorre dentro de 1h, mas aparece somente após 6 
a 12h da exposição. Levam ao lacrimejamento excessivo, dor, vermelhidão, inchaço 
das pálpebras, dor quando se olha para a luz, cefaleia e visão nebulosa. Deve-se 
cobrir os olhos e levar o paciente para atendimento médico. 
- Lesão cutânea localizada pelo frio: podem ser congelantes e não congelantes. 
Deve ser removido para uma unidade hospitalar. 
4.2 - Distúrbios causados pelo calor: 
a) Exaustão pelo calor: Temperatura corporal menor que 40,5°C, geralmente em 
pessoas que estão em estados de depleção de volume (ingesta hídrica insuficiente ou 
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atividades em ambientes muito quentes sem a reposição de líquidos). Se houver 
alteração do nível de consciência é mais provável que seja um caso de insolação. 
Sinais e sintomas: 
1. Fraqueza, mal estar e letargia. 
2. Cefalia, vertigem. 
3. Náuseas e vômitos. 
4. Taquicardia, transpiração. 
5. Dor abdominal. 
6. Câimbras musculares. 
 
b) Intermação ou insolação: Temperatura corporal de até 42°C ou mais. O corpo 
não é mais capaz de regular a temperatura, a alterações do estado mental e falha de 
múltiplos órgãos. 
Sinais e sintomas: 
1. Confusão mental. 
2. Hiperventilação, taquicardia e hiperventilação. 
3. Insuficiência cardíaca, edema pulmonar, distúrbio hidroeletrolítico. 
4. Sangramento gastrintestinal, disfunção hepática. 
Tratamento: Atendimento primário de vias aéreas, respiração e circulação. Iniciar 
medidas de resfriamento (ex: imersão em água ou uso de lençóis molhados) e 
transporte para uma unidade hospitalar. Retirar as roupas do paciente e monitorar a 
temperatura. Interromper as manobras de resfriamento quando a temperatura cair 
para abaixo de 39°C. Se houver choque hipovolêmico deve-se iniciar a reposição de 
fluidos (profissional de saúde habilitado) mantendo-se a pressão arterial média 
(PAM) em 60mmHg. 
c) Síncope pelo calor: Temperatura corporal geralmente acima de 40°C. É associado 
principalmente a pessoas com doenças pré-existentes como desidratação. A 
fisiopatologia da síncope associada ao exercício é semelhante, já que o sangue tende 
a permanecer no sistema periférico deixando o retorno venoso mais lento e gerando 
uma hipoperfusão cerebral momentânea. 
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Tratamento: é feito pela retirada do paciente do ambiente com temperatura elevada e 
hidratação. 
d) Hiponatremia associada ao exercício: a hiponatremia é diminuição excessiva do 
sal no organismo. Isso pode acontecer em atletas durante períodos de exercício 
extenuante (ex: maratonas). A causa mais comum é o consumo excessivo de água 
sem ingestão de sódio adequada, para repor a perda pelo suor. 
Sinais e sintomas: 
1. Leves: Tonteira, náuseas, vômitos, cefaleia (Sódio entre 135 e 130mmol/L). 
2. Moderadas: Confusão mental e desorientação (Sódio entre 130 e 125mmol/L). 
3. Graves: consciência alterada, letargia, edema pulmonar, convulsões ecoma 
(Sódio < 125mmol/L). 
Tratamento: Restringir a ingestão de água, administrando alimentos com sal ou 
solução salina. Se não houver resposta, sequência ABC, ofertar oxigênio a 15l/min, 
solução salina hipertônica bolus de 100ml a 3 (somente se na presença de um 
médico) repetindo até uma vez após 10min. Transportar o paciente o mais 
brevemente possível para o hospital na posição sentada ou decúbito lateral esquerdo. 
e) Outras alterações pelo calor: 
 
1. Rash cutâneo pelo calor (brotoeja): resfriar e secar a área afetada. 
2. Edema causado pelo calor (inchaço): edema leve. Retirar roupas e adornos 
apertados. 
3. Câimbras musculares causadas pelo calor: alongamento, permanecer em 
ambiente fresco, reposição líquida contendo sal como chás ou isotônicos. 
4. Tetania causada pelo calor: exposição ao calor curta eintensa, resultando em 
hiperventilação que leva a dormência, formigamento, espasmos musculares. É 
autolimitada e deve-se realizar somente a retirada da fonte de calor. 
5 – INTOXICAÇÕES POR DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS 
 Os agentes tóxicos podem ser substâncias químicas industrializadas ou 
naturais, como por exemplo: peçonhas animais, medicamentos, produtos químicos, 
pesticidas, gases, vapores, drogas ilícitas, etc. 
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No ambiente pré-hospitalar temos algumas substâncias mais comuns como 
causa de intoxicação. 
 Inicialmente, tratar de uma vítima de intoxicação não é diferente de tratar 
outra vítima não intoxicada. A cena deve ser SEMPRE avaliada para que não haja 
riscos para o socorrista e/ou sua equipe e deve ser solicitada ajuda, se necessária. 
 Uma vez assegurado, o socorrista pode iniciar a avaliação do paciente. As 
informações importantes a serem colhidas, quando possível, são o tipo de droga, a 
quantidade, como foi administrada (ingerida, aspirada, fumada, injetada), se já era 
usada antes, durante quanto tempo e se foi misturada com outra substância. No caso 
de pacientes agitados ou agressivos, o socorrista deve sempre manter a calma, sendo 
tranquilizador e não ameaçador para o paciente. Se o paciente está sonolento ou 
inconsciente, devemos iniciar as manobras de proteção das vias aéreas, até que o 
paciente acorde ou que seja possível instalar uma via aérea definitiva (suporte 
avançado). 
a) Organosfosforados e Carbamatos (Ex: pesticidas, chumbinho): Sinais e 
sintomas como miose (pupilas puntiformes), sudorese, lacrimejamento, diurese, 
defecação, bradicardia, broncorreia (secreção nos brônquios), vômitos, 
miofasciculações (tremores musculares), edema pulmonar, convulsões, hipertensão, 
coma, paralisia, insuficiência respiratória. 
Tratamento: Usar equipamento de proteção individual, priorizar o manejo da via 
aérea, monitorização cardíaca e lavagem gástrica/carvão ativado (se passado menos 
de 1h da ingestão). 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Atropina 1 a 5mg a cada 5 
minutos, dependendo dos sintomas. A pralidoxima (2-PAM) pode ser considerada 
apenas para organofosforados. 
b) Ácidos (ácido de bateria, limpadores de ralo, ácido clorídrico, entre outros) e 
Álcalis (limpadores de ralo, fertilizantes, reveladores fotográficos, entre outros): 
Sinais e sintomas como sensação de queimação na cavidade oral, faringe e esôfago; 
disfagia (dificuldade para engolir), sofrimento respiratório, ulcerações ou bolhas, 
sintomas de perfuração do esôfago como dor torácica ou enfisema subcutâneo. 
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Tratamento: irrigar a boca com grande volume de água, beber água ou leite (250ml). 
Não induzir vômitos e nem realizar lavagem gástrica. Se a contaminação for nos 
olhos, irrigar por 15 minutos com água ou soro fisiológico. Se for na pele, irrigar por 
5 minutos. Transportar o paciente o mais rápido possível para um ambiente 
hospitalar. 
c) Benzodiazepínicos, sedativo-hipnóticos e tranquilizantes: São pacientes com 
quadro clínico variável podendo apresentar hipotensão (pressão baixa), perda dos 
reflexos protetores da via aérea, diminuição dos reflexos tendinosos profundos, 
confusão, sonolência, estupor e coma. 
Tratamento: No pré-hospitalar, o cuidado mais importante é a proteção contra a 
broncoaspiração e queda da língua, além de administração de oxigênio suplementar. 
d) Antidepressivos tricíclicos: Podem apresentar boca seca, taquicardia, retenção 
urinária, constipação, midríase (pupilas dilatadas), borramento da visão, depressão 
respiratória confusão mental, alucinações, hipertermia (temperatura corporal 
elevada), arritmias ventriculares e convulsões. 
Tratamento: Não há antídoto. O carvão ativado pode ser prescrito se a ingestão 
ocorreu há menos de 1h. Manter suporte básico de vida. 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Monitorização cardíaca, acesso 
intravenoso e administração de grandes quantidades de bicarbonato de sódio (em 
geral mais de 4 ampolas), para manter o complexo QRS<110ms.Agitação, tremor e 
convulsões devem ser tratados com doses escalonadas de benzodiazepínicos. 
 
e) Opióides e Opiáceos (fentanila, morfina, metadona, oxicodona, hidrocodona, 
meperidina, propoxifeno, heroína, codeína e ópio): Podem ser administrados por 
via oral, intranasal (aspiração), intradérmica (picadas na pele), intravenosa ou por 
inalação (fumo). Os sinais e sintomas podem ser euforia ou irritabilidade, sudorese, 
miose (pupila puntiforme), câimbras abdominais, náuseas e vômitos, depressão do 
sistema nervoso central, depressão respiratória, hipotensão, bradicardia ou 
taquicardia e edema pulmonar. 
Tratamento pré-hospitalar: manejo da via aérea, respiração e circulação. 
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Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Administração precoce de 
naloxone. Considerar a contenção do paciente antes da administração, pois o 
paciente acorda agressivo. 
f) Etanol: A maior parte do álcool ingerido é absorvido em até uma hora. Os sinais e 
sintomas variam de acordo com a quantidade ingerida. 
Efeitos do etanol em relação à concentração de álcool no sangue 
0,02% <25 mg/dl Efeitos pouco evidentes, discreta intensificação do humor 
0,05% <25 mg/dl Desinibição, sensação de calor, rubor da pele, prejuízo leve do 
julgamento 
0,10% 25-50 
mg/dl 
Fala discretamente arrastada, perda do controle motor fino, 
labilidade emocional, riso inapropriado 
0,12% 50-100 
mg/dl 
Dificuldades de coordenação e equilíbrio, prejuízo importante da 
cognição e do julgamento 
0,20% 100-250 
mg/dlResponsivo a estímulos verbais, fala muito arrastada, marcha 
cambaleante, diplopia (visão dupla), dificuldade para se manter 
de pé, perda de memória 
0,30% 100-250 
mg/dl 
Pode ser acordado por estímulos dolorosos, respiração profunda 
e ruidosa 
0,40% 250-400 
mg/dl 
Não responsivo, incontinência, hipotensão, respiração irregular 
0,50% >400mg/dl Possibilidade de morte por apnéia, hipotensão ou aspiração de 
vômitos 
Fonte: Advanced Medical Life Support, ed 2, NAEMT, NAEMSP, 2017. 
Tratamento no pré-hospitalar: manejo da via área, acesso intravenoso para reposição 
de fluidos e eletrólitos (equipe de saúde habilitada), descartar hipoglicemia. 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Reposição de fluidos e 
eletrólitos. Considerar naloxone se o paciente se mantiver irresponsivo ou com 
depressão respiratória, pensando no uso prévio de opióides. A tiamina pode estar 
indicada no consumo de grandes quantidades de álcool, assim como a hemodiálise. 
g) Cocaína e Crack: Agitação e pupilas dilatadas (midríase) são os principais sinais 
de intoxicação por cocaína/crack, podendo estar associados a hipertensão ou 
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hipotensão, taquicardias ou arritmias, taquipneia ou hiperpneia, IAM induzido por 
cocaína, hipertermia, agressividade, confusão, alucinações, convulsões, cefaleia, 
paranoia e comportamento antissocial. O risco de ocorrer um acidente vascular 
encefálico está significativamente aumentado, além do risco de morte súbita. 
 A segurança da equipe de socorro deve ser uma prioridade, podendo ser 
necessário o auxílio policial. 
Tratamento: oxigênio suplementar, acesso, venoso, monitorização cardíaca e 
oximetria de pulso. Descartar a hipoglicemia. 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Evitar o uso de epinefrina e beta 
bloqueadores. Podem ser usados antiarrítmicos (lidocaína, bloqueadores dos canais 
de cálcio), anticonvulsivantes, anti-hipertensivos (alfa-bloqueadores como a 
fentolamina ou vasodilatores como nitroprussiato), benzodiazepínicos conforme a 
necessidade. Irrigação intestinal ou dose única de carvão ativado no caso de 
ingestão de pacotes de cocaína. Tratar mioglobinúria, se presente. Os efeitos 
costumam ser passageiros e geralmente o paciente pode ser liberado após 2 a 6 
horas. 
h) Alucinógenos (LSD, cetamina, MDMA, MDA, MMDA, canabinóides): Os 
pacientes podem exibir comportamento perigoso, alterações de estado mental, 
pensamento delirante ou paranoide, ilusões visuais, hipertensão e taquicardia. 
Tratamento: Em geral, apresentam, agudamente, poucos efeitos colaterais. Alguns 
usuários podem apresentar comportamento agressivo, necessitando de contenção. 
Podem precisar também de atendimento devido a lesões traumáticas. 
Orientações para suporte avançado pré-hospitalar: Intoxicações por LSD podem 
necessitar de benzodiazepínicos ou antipsicóticos (haldol pode estar indicado). O 
efeito da droga dura 8 a 12h, porem os efeitos psicóticos podem persistir por dias. 
 
 
 
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Capitulo III 
Assistência ao Politraumatizado no APH 
 
De acordo com o DATASUS 2014, as causas externas compõem a principal 
causa de morte em indivíduos jovens na faixa etária compreendida entre 10 e 29 anos 
de idade, sendo a 3º causa de morte entre todas as faixas etárias. Apenas na quinta 
década de vida é que o câncer e as doenças cardiovasculares se comparam ao trauma 
como principais causas de morte. Destacamos ainda, que 80% das mortes na 
adolescência e 60% das mortes na infância, decorrem de trauma. 
Em alguns casos, é possível evitá-la através de intervenções simples tais 
como: manter a via aérea desobstruída, imobilizar a coluna vertebral, assegurar uma 
respiração patente, ocluir feridas abertas no tórax, manter uma temperatura normal e 
conter as hemorragias externas, são exemplos de procedimentos críticos e eficientes 
que podem ser realizados até a chegada do socorro especializado. 
Os Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro devem ter como rotina 
avaliar as condições do evento durante o trajeto entre a Unidade de Bombeiro Militar 
e o local do evento baseando-se no maior número de informações colhidas desde a 
solicitação do socorro, obtendo detalhes quanto à natureza do incidente de trauma, 
número de vítimas, condições locais (iluminação, exposição a produtos perigosos, 
risco de desabamento, explosões, etc.) e a necessidade de solicitar apoio de socorro 
avançado de saúde e/ou outros órgãos (Polícia Militar, Companhia de Engenharia de 
Tráfego, Guarda Municipal, concessionárias de energia, água e esgoto, dentre 
outras). 
 
1- ETAPAS INICIAIS DO SOCORRO – PERGUNTAS NORTEADORAS: 
A base do conhecimento do socorrista provém de várias fontes, incluindo 
treinamento pessoal, perfil profissional, cursos de especialização, Instruções Técnico 
profissionais (ITP) e a experiência de campo. Destacamos que o início de todo 
atendimento ao trauma no ambiente pré-hospitalar, perpassa pela realização de 
perguntas norteadoras. Neste contexto, o socorrista deve questionar-se acerca das 
seguintes indagações: 
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1- Qual foi a Cinemática do Trauma? 
2- A cena está segura e qual é a impressão geral da vítima? 
3- Qual é o Número de vítimas e qual a necessidade solicitar de apoio? 
4- Qual Equipamento de Proteção Individual (EPI) devo utilizar além da 
Biossegurança? 
 
a) Cinemática do Trauma 
A aplicação dos princípios da cinemática do trauma na avaliação da vítima 
ajuda a prever lesões que de outra forma poderiam passar sem serem percebidas. 
Deixar de suspeitar de lesões, por não avaliar adequadamente a cinemática, pode ter 
um impacto desastroso no prognóstico do paciente. 
Neste contexto, ressaltamos que diferentes tipos de acidentes apontam para 
um padrão diferente de lesão na vítima. Essa interpretação, acerca da cinemática, 
realizada pelo socorrista, direciona o exame que será realizado na vítima, a fim de 
descobrir o trauma grave. 
 
Gravidade do incidente a partir da avaliação da Cinemática do Trauma: 
AVALIANDO A VÍTIMA: AVALIANDO O LOCAL – CENA 
Alteração do nível de consciência Morte de um dos ocupantes do 
veículo 
Dificuldade para falar Ejeção de um dos ocupantes 
Palidez, Sudorese, Pele fria. Queda maior que 2 X a altura da 
vítima 
Sangramento massivo em jatos. Colisão com velocidade maior 32 
Km/h. 
Dor intensa no pescoço Danos severos ao veículo 
Lesão penetrante cabeça, pescoço 
e tronco 
Atropelamento 
Fratura de clavícula, Traumatismo 
craniano, Traumatismo de coluna 
vertebral, trauma de tórax, trauma 
abdominal e trauma bacia e 
extremidades 
Queda de moto 
 
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b) Segurança da Cena e Impressão Geral 
A primeira preocupação do socorrista quando chegar ao local do incidente de 
trauma deve ser: A própria segurança, depois da equipe e posteriormente a 
segurança da vítima. Ninguém deve tentar realizarum socorro se não for habilitado 
a fazê-lo e nenhum membro da equipe deve se tornar uma vítima, pois isso impedirá 
que a equipe esteja apta a atender outras pessoas, aumentará o número de vítimas e 
diminuirá a disponibilidade de socorristas, o que resultará na desestabilização da 
equipe e retardo do atendimento. 
 Além da segurança da guarnição, a segurança da vítima também deve ser 
garantida. Toda vítima de lesão traumática deverá ser transportada para um local 
seguro antes mesmo da abordagem inicial e instituição do tratamento das lesões. 
Ao chegar à cena, o socorrista deve também estar atento para realizar uma 
impressão geral da vítima. A impressão geral é um procedimento que busca uma 
visão simultânea ou geral da posição em que a vítima se encontra e seus estados 
respiratório, circulatório e neurológico, a fim de identificar qualquer problema 
externo significativamente grave. 
Ao realizar a impressão geral, o socorrista já terá dado uma olhada rápida, em 
torno de 10 a 15 segundos, na vítima, efetuando num primeiro momento um exame 
global de sua condição e uma avaliação da possibilidade de risco iminente de morte. 
Destacamos três prioridades na chegada à cena: 
1- Avaliar a cena e estabelecer a segurança na operação; 
2- Reconhecer a existência de múltiplas vítimas e desastres. Neste caso as 
prioridades mudam, pois em vez de destinar os recursos à vítima mais 
grave, deve-se dirigir-se ao maior número de vítimas possíveis, executando 
uma triagem diferenciada, assunto este que será abordado posteriormente e; 
3- Examinar a vítima (Nível de consciência, A, B, C, D e E) 
 
Exemplos de condições que oferecem risco à Segurança da Cena: 
1. Condições climáticas e ambientais desfavoráveis ao atendimento; 
2. Ausência de Policiamento; 
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3. Armas de qualquer natureza; 
4. Tráfego de veículos no local; 
5. Exposição a explosivos, material inflamável e produtos perigosos; 
6. Fios energizados expostos; 
7. Iluminação local inadequada; 
8. Sangue e fluidos corporais; 
9. Estruturas colapsadas; 
10. Posicionamento e sinalização inadequados da viatura de socorro durante 
o atendimento. 
 
c) Número de Vítimas e Necessidade de Apoio (recursos adicionais) 
Quando a situação no local exigir recursos que excedam a capacidade da 
viatura e da equipe, quer seja pelo número de vítimas, quer pela complexidade das 
lesões encontradas, a melhor conduta é solicitar apoio imediatamente. 
Em relação ao número de vítimas, o socorrista deve confirmar, com 
assertividade, o quantitativo das mesmas. Desta forma, destacamos alguns pontos 
que devem ser avaliados: a cinemática do trauma, o local do incidente, as condições 
da estrada, condições climáticas adversas, acidente noturno, a presença de barrancos 
e desfiladeiros, o número de automóveis envolvidos e o relato das testemunhas do 
incidente. 
Reiteramos que todo serviço de atendimento pré-hospitalar possui um sistema 
organizado de Regulação Médica. E desta forma, a atividade de atendimento direto 
ao paciente na cena deve ser regulada, possibilitando o apoio operacional necessário 
ao socorrista. 
d) Biossegurança – EPI 
Antes de abordar a(s) vítima(s), tendo garantido a segurança da cena e já 
ciente das informações sobre a situação do incidente, o socorrista deve utilizar todo o 
equipamento de proteção individual (EPI) disponível e adequado à necessidade do 
momento: óculos de proteção, luvas de látex, máscaras e protetores faciais, 
capacetes (quando indicados), roupas especiais e etc. 
Os riscos biológicos mais comuns no atendimento as vítimas de trauma estão 
relacionados principalmente a sangramentos e outros fluidos e eliminações corporais 
(vômitos, urina e/ou fezes). Os principais riscos na exposição a esses fluidos estão 
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77 
associados a contaminação por vírus dos tipos HIV e os das hepatites, sendo a 
hepatite B o maior potencial de contaminação. Por essa razão é de grande 
importância que o bombeiro militar esteja devidamente protegido ao realizar 
atendimento a vítimas de trauma. Caso ocorra algum tipo de exposição, tal como 
perfurações e/ou respingos de sangue nos olhos, por parte dos componentes das 
guarnições, estes devem imediatamente comunicar a equipe de saúde de sua unidade 
ou ao seu superior para que os devidos cuidados preventivos sejam iniciados. 
Roteiro de avaliação situacional para o atendimento ao trauma: 
 
 
PERGUTAS NORTEADORAS ETAPAS INICIAIS 
1 
O que aconteceu? Por que solicitaram o socorro? Cinemática do 
Trauma 
2 
Como aconteceu o incidente? Qual foi mecanismo ou 
cinemática (biomecânica) do trauma e que forças e energias 
provocaram as lesões da(s) vítima(s)? 
Existe algum outro fator relacionado à vítima (alteração 
clínica) que possa ter desencadeado o trauma? 
 
Cinemática do 
Trauma 
3 
A cena encontra-se realmente segura? 
Há produto perigoso na cena? 
Segurança da Cena 
4 
Qual a impressão geral do paciente? (Avaliar posição 
vítima, comunicação verbal, respiração e sangramento 
externo) 
Segurança da Cena e 
Impressão Geral 
5 
Qual o número de vítimas envolvidas e qual a idade de cada 
uma delas? Número de Vítimas 
6 
Há necessidade de apoio de socorro avançado ou de mais 
recursos de pessoas e/ou viaturas? Necessidade de Apoio 
7 
Há necessidade de acionar apoio de outras instituições (CET, 
GM, PM, Cia de Energia, Cia de Água e Esgoto, etc.)? Necessidade de Apoio 
8 Há necessidade de apoio com equipamento especializado (guindaste, reboque, etc.)? Necessidade de Apoio 
9 Há necessidade de Socorro Aeromédico? Necessidade de Apoio 
10 
Qual EPI devo utilizar para o atendimento? 
Há necessidade de EPI especial para o atendimento? 
Biossegurança 
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78 
2- EXAME DO POLITRAUMATIZADO 
O Exame do politraumatizado é a pedra fundamental para o melhor 
tratamento da vítima. Para a vítima traumatizada, bem como para qualquer paciente 
numa emergência, a avaliação é a base para todas as decisões de atendimento e 
transporte. 
Primeiramente devemos determinar a condição atual da vítima para detectar 
condições que ameacem a vida e quais intervenções de urgência e reanimação serão 
iniciadas e condições que requeiram atenção sejam identificadas e tratadas antes da 
remoção da vítima para o hospital de referência, para que a mesma possa suportar o 
transporte e receber seu tratamento definitivo no ambiente intra-hospitalar. 
Caso haja tempo e a vítima apresente condições é recomendado realizar uma 
avaliação secundária, para identificar lesões que ameacem os membros ou que não 
estão comprometendo a vida. De modo geral, essa avaliação ocorre durante o 
transporte da vítima para o hospital. Todas essas etapas são realizadas de forma 
rápida e eficiente, com o objetivo de minimizar o tempo gasto no local. 
Vítimas críticas não devem permanecer no local, a não ser que estejam 
encarcerados ou existam outras complicações que impeçam o transporte rápido. 
Levar a vitima politraumatizado para tratamento cirúrgico definitivo em um mínimo 
de tempo, após a instalação da lesão é prioridade porque geralmente o 
politraumatizado grave que não respondeao tratamento inicial e está provavelmente 
com hemorragia interna. 
O tempo estimado de cena não deve ultrapassar 10 minutos para que a vítima 
esteja tendo seu tratamento definitivo ainda dentro da primeira hora do evento 
ocorrido (Hora de Ouro). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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79 
a) Avaliação Primária do Politraumatizado: 
 
 NC- Nível de consciência 
A- Abertura das Vias Aéreas e estabilização da coluna cervical 
 
B- (Boa) Ventilação 
 
C- Circulação (perfusão e controle de hemorragias) 
 
D- Déficit neurológico 
 
E- Exposição e ambiente 
 
 
 O exame primário é dividido em seis etapas que devem ser seguidas de forma 
sistemática para que nenhuma informação sobre as condições da vítima seja 
negligenciada. 
NC- Nível de consciência: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No momento da avaliação do nível de consciência o socorrista deve focar 
somente em duas vertentes, consciente ou inconsciente e rapidamente determinar se a 
vítima preserva ou não a via aérea patente. Estimar a escala de Glasgow de coma 
para determinar se é inferior a 9 também pode auxiliar o Bombeiro, contudo não é 
necessária sua aplicação nesse primeiro momento. O método recomendado pelo 
CBMERJ para o socorrista avaliar o nível de consciência é o AVDI (Alerta, Resposta 
Verbal, Resposta ao estimulo doloroso e inconsciência). 
 Avaliação do nível de consciência. 
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80 
A - Abertura de vias aéreas e estabilização da coluna cervical: 
 
 O objetivo dessa etapa é checar rapidamente se a vítima respira e garantir que 
não haja nenhuma obstrução à passagem do ar. Caso haja algum tipo de obstrução, 
deve ser corrigida imediatamente, pois a obstrução leva à redução da quantidade de 
oxigênio no organismo (hipóxia). Esta hipóxia é uma importante causa de morte que 
pode ser evitada com o emprego de algumas manobras simples. Nos casos de 
traumatismo, devemos atentar para a presença de: queda de língua, presença de corpo 
estranho na cavidade oral, traumas de face, secreções (sangue e vômito). 
Técnica de abertura de boca com os dedos cruzados (figura 1) e Técnica 
estabilização manual da coluna cervical e elevação modificada da mandíbula 
(figura 2): 
 
 
 
 
 
 
 
 
O socorrista deve estabilizar a coluna cervical da vítima segurando sua cabeça 
apoiada sobre uma superfície rígida e elevando a mandíbula empurrando para cima 
os dois ângulos da mandíbula com os dedos indicadores ou polegares. 
Caso haja muita secreção ou sangue e o aspirador não esteja disponível, o 
socorrista deve realizar o rolamento a 90º e fazer varredura digital com compressas 
de gazes. 
No pré-hospitalar a técnica de aspiração respeita os seguintes critérios: pré- 
oxigenação e re-oxigenação no intervalo da aspiração, aspiração por até 10 segundos, 
a aspiração deve acontecer durante a retirada do cateter, preferencialmente o cateter 
deve ser rígido, a prioridade é a aspiração da cavidade oral e vítimas com TCE e 
suspeita de fratura da base do crânio tem contra indicação de aspiração nasal. 
Figura 1 Figura 2 
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81 
Medição , aplicação e adaptação da cânula orofaríngea na vítima 
Outro recurso disponível é o uso de cânulas orofaríngeas. A finalidade desse 
dispositivo é manter a base da língua distante da região da passagem do ar. O 
socorrista deve medir a cânula antes de introduzi-la, a técnica de mensuração e 
introdução da cânula é a seguinte: após identificar o equipamento o socorrista deve 
medir a cânula do ângulo da mandíbula ou do lóbulo da orelha até a comissura labial 
da vítima, certificando-se que o tamanho é compatível com a vítima. Deve-se 
introduzi-la direcionando-a para o palato duro (céu da boca) e quando encontrar a 
primeira resistência gira-se a mesma acabando de introduzi-la. Em crianças é 
necessário ter um abaixador de língua e a cânula deve ser introduzida no mesmo 
sentido que irá permanecer na cavidade oral. 
 
 
B- (Boa) Ventilação: 
 
Ao avaliar a ventilação, o socorrista deve atentar para a presença ou não de 
respiração e determinar a qualidade da mesma através do método “VER, OUVIR e 
SENTIR” estimando sua frequência e profundidade para decidir qual procedimento 
irá tomar. Vítimas que não respiram e, de um modo geral, vítimas inconscientes que 
respiram acima 24 e abaixo de 08 incursões respiratórias por minuto necessitam de 
suporte ventilatório, e as demais necessitam de oxigênio suplementar. 
Ao detectar alteração na respiração da vítima, o socorrista deve inspecionar o 
pescoço e o tórax (anterior e posterior) da vítima procurando sinais como: alteração 
de jugulares, hematomas e feridas no tórax. No caso de existência de ferida 
aspirativa no tórax uma medida salvadora é a oclusão da ferida. Essa medida deve 
ser reavaliada periodicamente, visto que pode se tornar o pneumotórax fechado em 
hipertensivo. Caso isso ocorra deve-se retirar temporariamente (por alguns segundos) 
a oclusão até que o desconforto respiratório (taquicardia, taquipnéia, entre outros 
sinais) seja novamente aliviado e então reaplicar a oclusão. 
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82 
 
Toda vítima de trauma necessita de oxigenioterapia para prevenir a lesão 
secundária causada pela hipóxia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
C- circulação: 
 
O choque hemorrágico, causado pelas hemorragias internas, é a maior causa 
de morte no trauma. Ao avaliar o sistema circulatório, socorrista deve buscar 
hemorragias externas e sinais de hipoperfusão tais como: palidez cutânea, pele fria 
e pegajosa, pulso radial fino e rápido, enchimento capilar superior a 2 segundos 
e respiração rápida, que são todos sinais precoces de estado de choque 
hipovolêmico. Na presença de sangramentos vultuosos em membros que não são 
controlados com curativo compressivo, o socorrista deve considerar aplicação de 
torniquete. 
 
 
Execução da técnica “Ver, Ouvir e Sentir”. 
Oferta de O2 Suplementar sob 
máscara 
Suporte ventilatório enriquecido 
com O2 
Oclusão de ferida aspirativa 
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83 
 
D - Déficit neurológico: 
Ao avaliar o déficit neurológico o socorrista deve minimamente reavaliar o 
nível de consciência, verificar o padrão das pupilas e as condições de sensibilidade e 
motricidade, avaliando força e movimentos. Pode ainda calcular a escala de coma 
Glasgow de coma que varia de 3 a 15, avaliando a abertura ocular, a resposta verbal 
e a resposta motora e quanto menor o valor, mais grave é o quadro da vítima. 
Importante ressaltar que durante a avaliação da abertura ocular o Bombeiro deve 
avaliar as pupilas também. 
 
 
 
 
 
Avaliação de pulso e temperatura. Avaliação do pulso e perfusãotecidual. 
Verificação, comparativa, de pulso 
central e periférico. 
Exame de foto reação pupilar. Exame de verificação de força e motricidade. 
 Avaliação de pulso, motricidade e sensibilidade. 
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84 
E - Exposição e Ambiente: 
Durante a avaliação é feita a exposição da vítima que tem por finalidade 
identificar lesões ou sinais de traumatismos fechados (exemplo a visualização de um 
hematoma abdominal), porém o socorrista deve atentar para o ambiente e prevenir a 
hipotermia expondo o necessário e aquecendo a vítima após terminar a avaliação 
primária. A exposição deve ser criteriosa e objetiva. O socorrista deve ainda ter em 
mente que vítimas de trauma sofrem agravo no seu estado geral quando expostas a 
baixas temperaturas. A hipotermia pode agravar o estado de choque hemorrágico, 
pois interfere nas respostas fisiológicas compensatórias. Roupas molhadas, ar 
condicionado da viatura, eventos em regiões climáticas de baixa temperatura, são 
situações que podem levar ao quadro de hipotermia. 
Ao término da avaliação primária, o socorrista deve concluir com um 
diagnóstico sindrômico como, por exemplo, o estado de choque e caso seja 
identificado risco iminente de morte para a vítima, o socorrista esta autorizado a 
interromper a avaliação primária logo após a avaliação da circulação e retomar a 
avaliação no interior da ambulância a caminho do hospital. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Reavaliação: 
A reavaliação consiste na verificação do nível de consciência, A, B, C, 
pescoço, tórax, abdome e checagem de procedimentos tais como: acesso venoso, 
imobilizações e curativos e sinais vitais. Esta deve ser sempre realizar a cada 5 
minutos em vítimas graves e sempre que realizar algum procedimento. 
 
 
Exposição da vítima. 
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85 
b) Avaliação Secundária do Politraumatizado: 
A avaliação secundária consiste na avaliação sistematizada e minuciosa da 
vítima como alguém que visa buscar lesões que não foram percebidas durante a 
avaliação primária, tal avaliação, segue a sequência crânio podal onde o socorrista 
deve passar por todos os seguimentos corporais (Cabeça, pescoço, tórax, abdome, 
cintura pélvica, MMIS, oco axilar e região dorsal), na avaliação dos sinais vitais 
utilizando equipamentos de monitorização, e no colhimento da história AMPLAS 
(Alergias, Medicações, Prenhes, Líquidos e alimentos, Ambiente do Evento e Sinais 
e Sintomas). Em vítimas graves é comum que a equipe acabe por não realizar todo o 
exame secundário devido a necessidade de manter as reavaliações, realizando apenas 
a coleta da história e verificação dos sinais vitais. 
 
3- HEMORRAGIAS E CHOQUE: 
 
a) Choque Hipovolêmico (hemorrágico): Relacionado com perda de volume 
sanguíneo circulante. Perfusão orgânica inadequada. 
 
 
“O Choque Hipovolêmico é a causa mais comum de choque no doente 
traumatizado”. 
CLASSIFICAÇÃO DO CHOQUE HIPOVOLÊMICO: 
 
O choque hemorrágico pode ser dividido em quatro classes, dependendo da 
gravidade da hemorragia, conforme abaixo: 
Hemorragia classe I: Estágio de poucas manifestações clínicas. Os mecanismos de 
compensação estão agindo e auxiliam a manutenção da pressão arterial estabilizada. 
Hemorragia Classe II: A maioria dos adultos consegue compensar esta perda de 
sangue, ativando o sistema nervoso simpático (adrenalina na corrente sanguínea) que 
manterá a pressão arterial estável = choque compensado! 
Hemorragia classe III: a maioria das vítimas não consegue compensar esta perda 
de volume, e ocorre hipotensão. Muitos desses doentes necessitam de transfusão 
sanguínea e intervenção cirúrgica. 
Hemorragia Classe IV: estágio de choque grave. Essas vítimas geralmente têm 
poucos minutos de vida. A sobrevida depende de controle imediato da hemorragia 
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(cirurgia quando necessária) e reanimação agressiva, incluído transfusão de sangue e 
plasma, com mínimo de solução cristaloide. 
Avaliação do Choque Hemorrágico de Acordo com sua Classe: 
Qnt Perda Classe I Classe II Classe III Classe IV 
Perda de 
Sangue (ml) 
Até 750 750-1.500 1.500 - 2000 > 2.000 
% do volume Até 15% 15% -30% 30%-40% >40% 
Pulso <100 100-120 120-140 >140 
Pressão 
Arterial 
Normal Normal Diminuída Muito diminuída 
Pressão de pulso Normal ou 
aumentada 
Diminuída Diminuída Diminuída 
Frequência 
Ventilatória 
14-20 20-30 30-40 >35 
Estado 
Mental 
Ansiedade bem 
discreta 
Ansiedade leve Ansiedade, 
confusão 
Confusão, 
letargia 
Débito urinário 
(ml/h) 
>30 ml 20-30 5-15 Imperceptível 
Reposição de 
fluidos 
Cristalóide Cristalóide Cristalóide + 
sangue 
Cristalóide + 
sangue 
Fonte: Modificado de American Collegeof Surgeons Committee: Advanced Trauma Life Support for 
doctors, student course manual, 9th 
Perda Sanguínea Associada às Fraturas: 
Tipo de Fratura Perda Aproximada (ml) 
Costela 125 
Rádio e ulna 250-500 
Úmero 500-700 
Tíbia e fíbula 500-1000 
Fêmur 1000-2000 
Pelve 1000- intensa 
 
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b) Choque Distributivo: está relacionado com as alterações do tônus vascular 
decorrentes de várias causas diferentes. O choque distributivo pode ocorrer em 
virtude da perda do controle do sistema nervoso autônomo sobre a musculatura lisa 
que controla o tamanho dos vasos sanguíneos ou da liberação de substâncias 
químicas que causam vasodilatação periférica. Essa perda pode ser causada por 
trauma de medula espinhal, simples desmaio, infecções graves ou reações alérgicas. 
Ex: choque neurogênico (hipotensão), choque séptico, choque anafilático. 
 
c) Choque Cardiogênico: relacionado com a interferência na função de 
bombeamento do coração. É toda alteração que leva à falha no mecanismo de 
bombear sangue. Ex: Tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, arritmias. 
 
Sinais Associados aos Tipos de Choque: 
 
Sinais Vitais Hipovolêmico Neurogênico Séptico Cardiogênico 
Temperatura 
da pele 
Fria, pegajosa Quente, seca Fria pegajosa Fria pegajosa 
Coloração da 
pele 
Pálida, cianótica Rosada Pálida Pálida, cianótica 
Pressão 
arterial 
Diminuída Diminuída Diminuída Diminuída 
Nível de 
consciência 
Alterado Lúcido Alterado Alterado 
Enchimento 
capilar 
Retardado Normal Retardado Retardado 
 
Ø Tratamento: 
 
ü Garantia de oxigenação (via aérea e ventilação adequada). FiO2 > 0,85. 
ü Identificação de hemorragias (controle de hemorragias externas) 
ü Transporte rápido ao centro de tratamento definitivo. 
ü Administrar fluidos durante o transporte, conforme adequado. 
ü Manutenção da temperatura corpórea. (aquecer a vítima) 
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88 
Ø Etapas de controle da hemorragia externa no ambiente pré-hospitalar 
são: 
ü Pressão manual direta 
ü Curativos compressivos (bandagens, gaze, atadura) 
ü Torniquetes (membros) 
 
 
O controle da hemorragia externa deve ocorrer por etapas. 
 
 
Em locais onde torniquetes não podem ser colocados (tronco ou pescoço), 
agentes hemostáticos podem ser utilizados. 
 
Ø Torniquetes - Orientação: 
 
Caso uma hemorragia externa não possa ser controlada por pressão, a 
aplicação do torniquete é a etapa lógica seguinte o qual também deve ser utilizado 
quando houver síndrome do esmagamento e amputação traumática. 
Cabe ressaltar que o torniquete é um equipamento industrializado disponível 
e comercializado no Brasil, porém seu custo ainda é muito elevado, desta forma o 
CBMERJ orienta os bombeiros militares improvisarem de duas formas respeitando 
os seguintes princípios: 
Largura da bandagem: Deve ter cerca de 10 cm. 
Local da aplicação: Proximal ao ferimento – cerca de 10 cm ou um punho cerrado. 
Caso o torniquete não interrompa completamente a hemorragia, então outro deve ser 
colocado proximal ao primeiro. 
Força: Deve ser apertado o suficiente para bloquear o fluxo arterial. 
Tempo: Podem ser usados com segurança por até 120 a 150 minutos até a sala de 
cirurgia, sem lesões nervosas ou musculares. Identificar no torniquete a hora de 
colocação. 
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 Observação 
O torniquete industrializado e as bandagens elásticas deverão ser, preferencialmente, 
a escolha em casos de hemorragias não controladas, entretanto, na ausência dos 
materiais em questão, poderá ser utilizado como meios de fortuna, câmara de ar de 
bicicleta ou torniquete improvisado com material rígido e tecido. 
 
Ø Administração de Fluidos – reanimação volêmica: 
Vítimas de choque hemorrágico devem ser submetidas a medidas que 
controlem a hemorragia externa, receber quantidades mínimas de solução eletrolítica 
por via intravenosa ou intraóssea e ser rapidamente transportado ao hospital. 
A administração de um volume limitado de solução eletrolítica antes da 
reposição de sangue é a abordagem correta durante o transporte ao hospital. Como 
resultado da superinfusão de cristalóide terá maior quantidade de fluido intersticial 
(edema), resultando em menor transferência de oxigênio às hemácias resultando em 
mais hipoxia tecidual. 
O objetivo NÃO é elevar a pressão arterial a níveis normais, mas fornecer a 
quantidade de fluido necessária à manutenção da perfusão e continuar o suprimento 
de hemácias oxigenadas ao coração, cérebro e pulmões. 
Hemorragias descontroladas: 
Atentar para hemorragias nos seguintes locais: tórax, abdômen, pelve e 
fêmur, devido ao grande potencial de sangramento. A administração de cristalóides 
IV com objetivo de manter uma pressão arterial sistólica em um intervalo 80 a 90 
mmhg, é conhecida como hipotensão permissiva. Este conceito é a tentativa de 
manter a pressão arterial da vítima abaixo dos níveis de normalidade até a chegada 
ao hospital de origem. Uma grande quantidade de volume pode causar hemorragia 
Torniquete industrializado Bandagem elástica industrializada 
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90 
intratorácica, intra-abdominal e retroperitoneal. Após a chegada ao hospital, a 
administração de fluidos é continuada, com plasma e sangue. 
Hemorragias controladas: 
Doentes com hemorragia externa importante, que foi controlada, podem ser 
mantidos com uma estratégia de reanimação volêmica mais agressiva, desde que o 
socorrista não tenha razões para suspeitar de lesões intratorácica, intra-abdominais ou 
retroperitoniais associadas. Os adultos em Choque Classe II, III ou IV devem receber 
um bolus inicial de 1 a 2 litros de solução cristalóide. As crianças podem receber um 
bolo inicial de 20 ml/kg de solução cristalóide. 
 
A caminho do hospital devemos monitorar: sinais vitais, incluindo pulso, 
frequência ventilatória e pressão arterial. 
 
Podem haver 03 respostas a essa reposição volêmica inicial: 
 
Resposta rápida: sinais vitais voltam ao normal e assim permanecem. Paciente 
perdeu cerca de 20% de volemia e a hemorragia cessou. 
Resposta transitória: inicialmente os sinais vitais melhoram, contudo, na evolução 
pioram e a vítima volta a entrar em choque. Perdeu 20 a 40% de volemia. 
Resposta mínima ou ausente: não apresentam quase nenhuma alteração dos sinais 
vitais, após administração de 1 a 2 litros de volume. 
 
Os grupos de resposta transitória e ausente têm uma hemorragia contínua, 
provavelmente interna. A melhor conduta nesses doentes é manter um estado de 
hipotensão permissiva, e os líquidos IV devem ser administrados até que se obtenha 
uma pressão arterial sistólica na faixa de 80 a 90 mmhg. 
OBS: Lesões no Sistema Nervoso Central – a hipotensão foi associada a um 
aumento de mortalidade no quadro de lesão cerebral traumática (LCT). Diretrizes do 
trauma recomendam manter uma pressão arterial sistólica acima de 90 mmhg em 
doentes com suspeita de LCT. Para atingir esse objetivo, pode ser necessária uma 
reanimação volêmica agressiva, aumentando os riscos de hemorragia recorrente de 
lesões internas associadas. 
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91 
4- TRAUMATISMO CRÂNIO ENCEFÁLICO E RAQUIMEDULAR: 
 
A Cabeça é a região do corpo mais lesada em pacientes politraumatizados. 
Destes 80% apresentarão TCE leve. A principal causa é a colisão automobilística 
seguida de queda, principalmente nos idosos. Cerca de 2 a 5% destas vítimas 
apresentará TRM associado. 
A injúria cerebral traumática contribui em 50% nas mortes em vítimas de 
politrauma. A mortalidade em TCE moderado chega a 10% e no TCE grave a 30%. 
Alguma sequela com déficit neurológico permanente ocorre em 50 a 99% destas 
vítimas. 
As lesões no tecido cerebral ocorrem por aplicação direta de forças externas 
sobre o cérebro e por lesões de contragolpe pelo movimento deste dentro da caixa 
craniana. 
A lesão primária ocorre no momento do trauma e não pode ser evitada, já a 
lesão secundária será decorrente da má oxigenação ou da diminuição da perfusão do 
tecido cerebral e pode ser evitada com a proteção das vias aéreas e com o 
fornecimento de oxigênio. 
Sinais que devem servir de alerta quanto a gravidade do TCE são: alteração 
do nível de consciência, concussão cerebral, sangramento pelo ouvido ou nariz, 
convulsões, pupilas anisocóricas e trismo. 
Após avaliação rápida da cena e abordagem inicial a prioridade é o ABC com 
estabilização manual da coluna cervical durante abordagem das vias aéreas no “A”. 
Deve ser realizada avaliação da motricidade e sensibilidade das extremidades durante 
o exame dos membros. A lesão da coluna vertebral pode estar associada à lesão 
medular e esta pode ser completa ou incompleta. 
Nas lesões medulares completas ocorre ausência de função motora e sensitiva 
abaixo do local da lesão, com pouca chance de recuperação. Nas lesões medulares 
incompletas a função motora ou sensitiva pode estar presente com chances de 
recuperação. 
O suporte de vida ABC com aberturadas vias aéreas através da elevação 
modificada de mandíbula e estabilização da coluna cervical, previne a lesão 
secundária da medula. O alinhamento da coluna cervical com colocação de colar 
cervical apenas limita os movimentos de extensão e flexão da coluna cervical e não 
previne os movimentos de lateralização e rotação. Um colar rígido faz com que a 
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92 
carga inevitável entre cabeça e tronco seja transferida da coluna cervical para o colar, 
eliminando ou minimizando a compressão cervical que de outra forma ocorreria. 
É importante testar a sensibilidade e a motricidade antes e após qualquer 
mobilização da vítima, não esquecendo de anotar no formulário específico, para 
proteção do socorrista, contra processos e para propiciar o fator continuidade do 
serviço. 
 
5- TRAUMA DE TÓRAX: 
O trauma de tórax pode ser fechado ou penetrante. Aproximadamente 15% a 
20% de todas as lesões de tórax requerem cirurgia para tratamento definitivo as 
restantes são tratadas apenas com intervenções simples (ex.: dreno de tórax). 
a) Trauma penetrante: 
Um objeto transfixa a parede torácica penetra na cavidade e lesa os órgãos 
internos do tórax. A ferida favorece a entrada rápida de ar no espaço pleural, os 
tecidos e os vasos lesados sangram para o espaço pleural, os alvéolos que ficam 
cheios de sangue não participam das trocas gasosas. 
b) Trauma Fechado: 
No trauma fechado, o mecanismo é menos direto. A força é aplicada na 
parede torácica e transmitida para os órgãos internos, a onda de choque pode lacerar 
o tecido pulmonar e os vasos sanguíneos. Assim pode levar a sangramento para 
dentro dos alvéolos. O impacto causado na oxigenação e na ventilação é o mesmo. 
c) Fratura de costelas: 
É a lesão torácica mais comum. É mais freqüente nas costelas 4 e 8, 
lateralmente. Podem estar associadas as lesões de fígado e de baço. As queixas mais 
comuns nas fraturas simples de costelas são a dor e a falta de ar. 
d) Tórax instável: 
Duas ou mais costelas adjacentes fraturadas em mais de um local (movimento 
paradoxal), existe uma força (energia cinética) suficiente para causar contusão 
pulmonar. 
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e) Contusão Pulmonar: 
Lesão do tecido pulmonar ocasionada por impacto com significativa 
transmissão de energia cinética, ocorrida no trauma fechado. A troca gasosa fica 
prejudicada, complicação potencialmente letal do trauma de tórax. 
f) Pneumotórax: 
Ocorre em até 20% dos traumas graves de tórax. Podemos classificar como 
simples (fechado), aberto ou hipertensivo (evolução do simples / ou do aberto) . É 
importante evitar a transformação de simples em hipertensivo. Pode ser necessária a 
descompressão por punção. O pneumotórax hipertensivo é uma lesão com risco 
iminente de morte. 
Sinais e sintomas de pneumotórax: 
Simples Fechado ou penetrante: Murmúrio vesicular diminuído ou ausente, 
desconforto respiratório moderado, taquipnéia, hipertimpanismo e dor. 
Hipertensivo Fechado ou penetrante: Murmúrio vesicular diminuído ou 
ausente, desconforto respiratório intenso, comprometimento hemodinâmico turgência 
jugular, hipertimpanismo e desvio de traquéia (sinal tardio). 
g) Hemotórax: 
Pode ocorrer no trauma fechado ou penetrante. Apresenta acúmulo de sangue 
na cavidade pleural. A energia que atinge a região torácica promove lesão das 
estruturas acondicionadas na cavidade resultando em sangramento interno. 
Diferencia-se do pneumotórax pelos sinais e sintomas que são: sinais de choque 
hipovolêmico, jugulares colabadas, ausculta pulmonar diminuída ou abolida, macicez 
à percussão, dor à palpação, pode apresentar fratura de arcos costais gerando a 
instabilidade óssea. 
h) Tamponamento Pericárdico: 
 Mais comum nos ferimentos penetrantes, contudo também pode ocorrer nos 
traumatismos contusos e ainda em casos crônicos como pericardites. Se caracteriza 
por apresentar uma quantidade de sangue no saco pericárdico. Esse sangue que se 
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acumula no saco pericárdico impede que o coração realize seu enchimento normal 
(pré-carga). Resultando assim em uma má perfusão por diminuição do volume 
sanguíneo ejetado para a circulação. 
É um quadro grave que requer rápida intervenção. No ambiente pré-hospitalar 
os recursos por vezes são insuficientes, a presença de um profissional médico 
habilitado para realizar “pericardiocentese” aumentará em muito as condições de 
melhora desse quadro. 
São Sinais clássicos: Turgência de jugular, hipotensão arterial, bulhas 
cardíacas abafadas e pulso paradoxal (durante a inspiração o pulso radial some). 
i) Avaliação do Tórax no Pré – hospitalar: 
 O tórax deve ser avaliado na busca de sinais de lesões causadoras de 
transtornos respiratórios, tais como: Enfisema subcutâneo, assimetria do movimento 
torácico, hematomas, deformidades, dor à palpação e crepitação, perfurações e etc. 
Outros sinais que sugerem lesões torácicas podem se manifestar nas estruturas do 
pescoço, tais como: Alterações nas jugulares (turgidez e colabamento) e desvio de 
traquéia. Em caso de perfuração o dorso deverá, obrigatoriamente, ser inspecionado. 
Inspeção: Consiste em localizar, por observância, as possíveis lesões do tórax. A 
varredura visual deverá ocorrer em toda extensão torácica e de forma criteriosa. 
Palpação: O socorrista deve se posicionar de frente para a vítima e com as duas 
mãos deverá seguir a clavícula com a ponta dos dedos procurando por alguma 
deformidade ou crepitação. Deverá ainda, com as duas mãos, comprimir levemente o 
tórax na altura do peitoral procurando sinais de instabilidade. O socorrista, com as 
mãos na lateral da caixa torácica, comprime o gradil costal buscando crepitação e 
sinais de instabilidade da caixa torácica, terminando esse movimento com a palpação 
do osso esterno. 
Ausculta: A ausculta pulmonar deverá ser comparativa entre ápice/ápice e base/base, 
buscando alterações em murmúrios vesiculares. As bulhas cardíacas também deverão 
ser auscultadas no intuito de perceber se há abafamento, diminuição ou ausência. 
Percussão: A utilização desta técnica busca, através do som, identificar se existe 
sangue ou ar na cavidade torácica. Som timpânico remete a existência de ar na 
cavidade (pneumotórax), som maciço remete a existência de sangue na cavidade 
torácica (hemotórax). 
 
 
 
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Sequência do exame do tórax: 
 
 
 
 
 
 passo 1 passo 2 
 passo 3 passo 4 
 
 
 
 
 
 Passo 5 
 
 
 
 
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 Intervenções e ações no atendimento ao trauma de tórax: 
ü Avaliação do nível de consciência; 
ü Abertura de vias aéreas com estabilização da coluna; 
ü Avaliação da qualidade da respiração; 
ü Oferecer oxigênio sob máscara em alto fluxo; 
ü Avaliar necessidade de ventilação assistida por meio de bolsa-válvula-
máscara; 
ü Exame do pescoço buscando desvio de traquéia e alterações em 
jugulares; 
ü Inspeção do tórax, buscando alterações de simetria, deformidades e dor; 
Ausculta pulmonar e cardíaca; 
ü Curativo oclusivo em feridas aspirativas. 
 
 
Resumo: 
A cavidade torácica contém os órgãos vitais que oxigenam e distribuem 
sangue para todo o corpo. Apenas algumas poucas intervenções fundamentais 
podem ser feitas no local. O reconhecimento e o tratamento precoce das lesões 
torácicas melhoram o prognóstico dos pacientes que sofreram traumas no 
tórax. 
 
 
6- TRAUMA ABDOMINAL: 
 
O abdômen representa no corpo humano uma das regiões mais críticas no que 
diz respeito a vítimas de trauma, principalmente quando associados ao choque 
hipovolêmico (hemorrágico). Conforme as evidências, em vítimas que apresentam 
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sinais de choque, mesmo não tendo lesões aparentes, devemos suspeitar de lesões em 
algum órgão, pois há presença de vísceras maciças e vasos calibrosos, que têm como 
uma das características principais gerar sangramento abundante quando acometido. 
Logo, podemos entender que as lesões abdominais, quando não reconhecidas, 
acabam sendo uma das maiores causas de morte em vítimas de trauma, não apenas 
pelas características desse tipo de trauma, mas também pela difícil avaliação no 
ambiente pré-hospitalar. 
O trauma abdominal pode ser resultante de: 
Ferimentos penetrantes – Neste caso temos as lesões por armas de fogo, armas 
brancas e outros objetos que podem penetrar no abdômen durante um evento 
traumático. No caso das armas de fogo, o órgão mais acometido é o intestino delgado 
e no caso das armas brancas, temos o fígado como o órgão mais atingido. 
Trauma fechado – Podemos citar: contusão, compressão, cisalhamento ou 
esmagamento. Neste tipo de trauma o fígado é o órgão mais acometido e nas lesões 
por desaceleração o órgão mais acometido é o baço. 
Exame do abdômen no pré-hospitalar: 
O abdômen deve ser avaliado à procura de lesões de partes moles que podem 
gerar dor, rigidez e, mais tardiamente, distensão. 
Inspeção: Devemos avaliar o contorno abdominal, verificando se está plano ou 
distendido. No caso de distensão pode haver uma hemorragia interna significativa ou 
então, distensão gástrica. Reiteramos que a palpação oferece pouco benefício, 
podendo ser desconsiderada no ambiente pré hospitalar. 
Intervenções e ações no atendimento ao trauma abdominal: 
ü Reconhecimento ou suspeição e transporte rápido para o hospital mais 
adequado; 
ü Oxigênio suplementar ou suporte ventilatório quando necessário; 
ü Acesso venoso durante o transporte com infusão criteriosa de volume 
(apenas para manter PAS entre 80 e 90 mmhg). 
 
 
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Casos Especiais: 
a) Objetos empalados / encravados: 
 
Não devem ser retirados ou manipulados, sob o risco de iniciar e/ou aumentar 
o sangramento. As ações neste caso devem estar voltadas para a estabilização desse 
objeto, pois a retirada deve ocorrer apenas no centro cirúrgico. Em alguns casos, o 
objeto pode ser cortado, para facilitar a extricação e/ou mobilização da vítima e 
posteriormente o seu transporte. 
b) Evisceração: 
Ocorre quando um segmento do 
intestino ou de outro órgão abdominal fica 
exposto. Nestes casos, não devemos tentar 
reintroduzir as vísceras, apenas protegê-las 
com curativo limpo ou estéril umedecido 
com solução salina, na falta de um pano ou 
gaze, podemos utiulizar um saco plástico limpo, considerando que quando as 
vísceras permanecem expostas, necrosam rapidamente. 
 
7- TRAUMA PÉLVICO E DE EXTREMIDADES: 
As lesões musculoesqueléticas 
demandam do socorrista o 
reconhecimento de lesões que 
representam risco à vida do doente, 
sem que o mesmo desconsidere os 
princípios da avaliação primária. 
O socorrista, ao observar a 
cinemática do trauma tem a 
oportunidade de estimar, pela troca de 
energia entre o agente causador da lesão e a vítima, as possíveis lesões que 
proporcionem risco à vida, ao passo que realiza as intervenções necessárias para 
manter a sobrevida do doente no trauma. Embora as lesões musculoesqueléticas nas 
vítimas de trauma raramente apresentem risco de morte, fraturas podem gerar 
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sangramentos extremamente significativos, como é o caso das fraturas de fêmur e 
pelve, podendo o doente adulto perder aproximadamente 1000 a 2000 ml de sangue. 
As fraturas são classificadas genericamente em fraturas fechadas ou fraturas 
expostas. As fraturas fechadas são aquelas nas quais não ocorrem rompimentos dos 
tecidos pelo osso fraturado. Os sinais observados nas fraturas fechadas identificam-
se por: deformidade do membro, crepitação ou instabilidade óssea, dor, edema e 
hematomas. O socorrista deverá sempre considerar relevante as queixas do doente, 
uma vez que nem sempre estará evidente a deformidade no membro. 
As fraturas expostas são definidas pelo rompimento tecidual (músculo e pele) 
causado pelo osso fraturado. Nas fraturas expostas vale ressaltar que pode ocorrer a 
contaminação do osso exteriorizado, podendo causar infecção óssea e complicações 
no processo de cura. Por vezes, o socorrista poderá ter dificuldade na identificação 
de fraturas, uma vez que o osso fraturado pode sair após o rompimento do tecido, 
retornando seguidamente. Nesses casos, são consideradas fraturas expostas até a 
confirmação do médico especialista. 
Como citado anteriormente, fratura de ossos longos podem proporcionar 
sangramentos significativos, comprometendo a hemodinâmica do paciente, podendo 
causar choque hemorrágico. A fratura bilateral de fêmur, bem como a fratura de 
pelve podem gerar perdas sanguíneas vultuosas pelo potencial de lesões vasculares, 
ósseas e de órgãos adjacentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exame da vítima (avaliação dos membros) 
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100 
a) Tratamento de Extremidades no APH: 
O socorrista ao realizar o tratamento de fraturas no ambiente pré-hospitalar, 
deve priorizar o controle de hemorragias com objetivo de evitar o choque 
hemorrágico, principal causa de morte no trauma. A manipulação do membro 
fraturado deve ser a menor possível, sempre sendo efetuada pelas articulações. 
Após expor a lesão da vítima, o socorrista avaliará o pulso distal, motricidade 
e sensibilidade do membro lesionado, com objetivo de identificar possíveis lesões 
vasculares ou neurológicas e efetuando, posteriormente, o alinhamento do membro 
para a posição anatômica. Não havendoresistência ou dor relevante durante a 
manipulação do membro, o mesmo deve ser posicionado para estabelecimento da 
imobilização. O alinhamento do membro em posição anatômica, geralmente 
proporciona melhor perfusão e função neurológica, ao passo que ocorre a 
descompressão de artérias e nervos após alinhamento da fratura. Nas fraturas 
expostas, o socorrista deve lavar com solução salina ou água destilada o ferimento e 
só após tentar alinhar o membro. 
Diante de qualquer tipo de resistência, sendo nas fraturas fechadas ou 
expostas, o socorrista deverá imobilizar na posição encontrada. O estabelecimento da 
imobilização consiste na aplicação de tala por todo o osso fraturado, logo, a tala 
imobilizadora deverá abranger a articulação anterior e posterior ao sítio da fratura, 
tendo como objetivo não movimentar o segmento fraturado. 
 
 Na execução da imobilização o socorrista deve atentar para: 
ü Retirada de acessórios, jóias, relógios ou qualquer objeto que possa comprometer a 
circulação sanguínea; 
ü Em talas rígidas, acolchoar para evitar desconforto e minimizar a chance do 
surgimento de úlceras de pressão; 
ü Antes e depois da imobilização, avaliar pulso, motricidade e sensibilidade no membro; 
ü Considerar aplicação de compressas frias na extremidade do membros fraturado, com 
intuito de diminuir a dor e edema, bem como elevar o membro fraturado quando 
possível. 
 
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101 
b) Tratamento de lesões pélvicas no APH: 
O tratamento de fraturas pélvicas no cenário do atendimento pré hospitalar é 
de suma importância em relação ao manejo do doente, na estabilização, e no 
transporte rápido a unidade hospitalar. 
O potencial de gravidade na vítima de trauma deve sempre ser considerado, 
pelas chances de hemorragia interna maciça. Neste contexto, durante a avaliação 
primária, o socorrista deve atentar para a inspeção da pelve e considerar que a 
palpação da mesma vem sendo altamente discutida quanto à possibilidade de agravo 
e, desta forma, não é estimulada. O socorrista, ao efetuar a avaliação primária e 
identificar possíveis lesões (dor, deformidades e cinemática do trauma sugestiva), 
deve atuar de forma rápida, objetiva, 
estabelecendo medidas adequadas para a 
estabilização da região. 
Atualmente o uso de cintas pélvicas são 
questionáveis antes do conhecimento das 
características específicas de uma fratura. Uma 
boa opção em alguns tipos de fraturas de pelve 
instáveis é o uso de um lençol envolto na parte 
inferior pélvica amarrando como um cinturão. 
c) Fraturas de Fêmur: 
As fraturas de fêmur correspondem a estimativa de grande perda sanguínea 
interna, de aproximadamente de 1.000 a 2000 mililitros de sangue por fratura na 
vítima adulta. 
A fratura de fêmur tem uma grande propensão a evoluir para uma fratura 
exposta, principalmente se esta ocorrer no terço médio, uma vez que, pela contração 
da musculatura considerada uma das mais fortes do corpo humano, a extremidade 
fraturada pode facilmente romper os tecidos, bem como lesar artérias, veias e nervos. 
A imobilização do membro deve seguir os princípios básicos, abrangendo as 
articulações distais e proximais, e o transporte deve ser efetuado com a vítima sobre 
prancha longa a unidade hospitalar. 
 
Compressão pélvica com lençol - (cinturão) 
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102 
Luxação de 
ombro 
esquerdo 
d) Luxações: 
As luxações são o desencaixe de dois ossos em suas articulações, geralmente 
proveniente da ruptura dos ligamentos que as sustentam e lhes dão estabilidade. 
Durante abordagem da vítima é difícil identificar clinicamente se ocorreu 
uma fratura ou luxação. Existem características em relação à deformidade do 
membro que indicam a provável lesão, tendo como exemplo a fratura de colo de 
fêmur que, geralmente, apresenta o encurtamento do membro com rotação externa. 
Em luxações na articulação coxo-
femural, geralmente observa-se o 
encurtamento do membro com rotação interna. 
O socorrista deverá imobilizar as luxações na 
posição encontrada, atentando sempre para os 
critérios anteriormente citados referentes a 
avaliação de pulso, motricidade e 
sensibilidade, coloração do membro lesionado 
e avaliando sempre a necessidade da aplicação 
de tipóias na sustentação do membro. 
e) Entorses: 
A entorse ocorre pela torção de uma articulação causando dor, edema com a 
presença ou não de hematoma. Os ligamentos da região afetada foram distendidos 
ou rompidos ocasionando assim os sintomas anteriormente citados. O socorrista 
deverá proceder com os princípios de avaliação (inspeção, checagem de pulso, 
motricidade e sensibilidade do membro), imobilização e condução da vítima à 
unidade hospitalar para efetuar exame radiológico e avaliação médica confirmando 
ou não a entorse. 
f) Amputações: 
As amputações ocorrem quando um segmento do corpo é separado na sua 
totalidade ficando totalmente desprovido de sangue oxigenado. As amputações 
podem ser consideradas totais ou parciais. 
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103 Amputação traumática de mão esquerda 
Nas amputações totais pode 
ocorrer a retração das artérias e veias, 
bem como a formação de coágulos que 
podem contribuir para diminuição da 
perda sanguínea. As amputações 
parciais costumam apresentar 
hemorragias vultuosas, pois os 
fenômenos descritos acima não 
acontecem. Diante de hemorragias não 
contidas pela compressão direta do ferimento, efetuar o torniquete como a segunda 
técnica para a hemostasia. 
Os cuidados com o segmento amputado são fundamentais para viabilizar o 
procedimento de implante. São eles: 
1 - Lavar o segmento amputado com Solução Ringer Lactato (RL), com 
objetivo de retirar sujidades; 
2 - Cobrir segmento amputado com gaze estéril umedecendo com 
solução ringer lactato (RL); 
3 - Colocar segmento amputado dentro de um saco plástico, 
posteriormente colocar dentro de outro saco contendo gelo se possível 
moído. 
4 - Identificar o saco e transportar juntamente com o paciente até a 
unidade hospilar. 
O socorrista deve atentar para o transporte rápido a uma unidade hospitalar de 
referência, considerando que, quanto mais tempo o membro fica desprovido de 
oxigênio, menos chance terá para reimplantar. 
 
 Observação: 
Em hipótese alguma o segmento deverá permanecer em contato direto com o gelo. 
 
 
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104 
g) Síndrome Compartimental X Síndrome do Esmagamento: 
A síndrome compartimental e a síndrome do esmagamento são 
acometimentos inerentes ao trauma músculo esquelético, onde o bombeiro necessita 
de um conhecimento básico para o manejo do paciente bem como a tomada de 
decisão orientada pela coordenação médica responsável pela regulação do 
atendimento. 
A síndrome compartimental se dá pelo aumento de pressão subfascial em um 
membro, comprometendo o aporte desangue oxigenado. A hemorragia proveniente 
de lesões vasculares ou de fratura, ou o inchaço (edema), causa o aumento da pressão 
entre o músculo e a fáscia (tecido conjuntivo que envolve músculos nas 
extremidades), gerando insquemia (diminuição da chegada de sangue oxigenado aos 
tecidos). Tendo como exemplo de causa do fenômeno acima citado podemos 
considerar uma imobilização mal feita, onde há uma atadura ou tala muito apertada. 
O socorrista deverá atentar para os sinais da síndrome compartimental que 
inicialmente podem ocorrer como dor, prurido (coceira), formigamento, dormência, 
entre outros. Os sinais mais tardios consistem na ausência de pulso, palidez e 
paralisia do membro. 
O tratamento da síndrome compartimental é realizado no hospital através do 
procedimento cirúrgico chamado fasciotomia (incisão da pele e da fáscia para a 
descompressão do local afetado). 
O profissional deverá observar os procedimentos das imobilizações e 
curativos efetuados, evitando pressão excessiva, estabelecer contato com a regulação 
médica e seguir as diretrizes determinadas. 
A Síndrome do Esmagamento ou Rabdomiólise traumática provém da 
insuficiência dos rins após uma lesão muscular gravíssima, que gera condição clínica 
que pode levar à morte do doente. 
A destruição do músculo em situações de esmagamento, libera uma proteína 
chamada mioglobina que ao cair na corrente sanguínea e chegar aos rins, leva à 
insuficiência renal aguda (IRA). A destruição do músculo também libera potássio 
em grandes quantidades podendo causar arritmias cardíacas. 
Sabendo das consequências que podem ocorrer quando, por exemplo, um 
membro esmagado for liberado, o socorrista deverá além de todos os procedimentos 
relativos ao exame primário, bem como as intervenções necessárias para manter a 
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105 
sobrevida da vítima, deverá estabelecer contato com a regulação médica, solicitando 
autorização para aplicação de um torniquete antes retirada do membro esmagado. 
8- TRAUMAS EM SITUAÇÕES ESPECIAIS: 
8.1 Trauma na Gestante: 
As alterações que ocorrem, naturalmente, durante a gravidez são 
fundamentais para o desenvolvimento do feto, bem como, para preparar a gestante 
para o parto. Portanto, torna-se fundamental que sejam conhecidas pela equipe que 
atua em emergência. Se a equipe não possui este conhecimento pode confundir 
situações fisiológicas com situações patológicas e, com isso, realizarem 
interpretações equivocadas dos dados apresentados e aplicarem condutas 
inapropriadas. 
Alterações morfológicas: 
No primeiro trimestre da gravidez o útero encontra-se protegido pelos ossos 
da bacia e a espessura das suas paredes está aumentada. No segundo trimestre o 
útero deixa de ser protegido pela pelve, passando a ser abdominal, porém o feto é 
protegido por grande quantidade de líquido aminiótico. 
No terceiro trimestre o útero atinge as suas maiores dimensões, as suas 
paredes tornam-se mais finas e a quantidade de líquido aminiótico diminui, ficando 
então o feto mais susceptível ao trauma neste período. 
Em relação à placenta, sabe-se que esta atinge o seu tamanho máximo entre a 
36ª e a 38ª semanas e que a quantidade de fibras elásticas é pequena, o que 
predispõe a falta de adesividade entre a placenta e a parede uterina, induzindo a 
complicações como o descolamento da placenta. O feto é considerado viável a partir 
da 28ª semana e é considerado prematuro quando tiver menos de 2,5 Kg. 
Quanto maior for a idade gestacional (aumento uterino) maior será a 
probabilidade de trauma, mas a possibilidade de lesões de outros órgãos diminui, 
pois o útero funciona como barreira protetora dos órgãos abdominais. 
Neste tipo de trauma devemos estar atentos para algumas alterações 
fisiológicas que são características nas vítimas gestantes: 
ü FC aumenta 15 a 20 bpm no 3° trimestre; 
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106 
ü PA reduz 5 a 15 mmHg no 2° trimestre (depois retorna ao normal); 
ü Volume sanguíneo aumenta em 50% 
 
ATENÇÂO 
Pode ocorrer perda de 30 a 35% de sangue sem que apareçam sinais de 
hipovolemia. 
 
Condutas no APH: 
ü Transportar a gestante deitada sobre o lado esquerdo, desde que não tenha 
indicação de imobilização de coluna. 
ü Se imobilizada, elevar o lado direito da prancha em 10 a 15 cm; 
ü Se a vítima não puder ser girada, elevar a perna direita para deslocar o útero 
para o lado esquerdo. 
 
Exame secundário (sinais de alerta): 
 
ü Sangramento vaginal; 
ü Lesões pélvicas maternas; 
ü Lesões útero/vagina; 
ü Sinais e Sintomas de DPP; 
ü Irritabilidade/sensibilidade/contratilidade uterina; 
ü Movimentação e Batimento cardíaco fetal. 
 
O decúbito Lateral Esquerdo faz parte do tratamento. O melhor tratamento 
para o feto é o tratamento materno adequado. 
 
8.2 Trauma na Criança 
Durante o atendimento a uma criança politraumatizada é fundamental incluir 
o responsável pelo menor no processo, pois uma das principais dificuldades é lidar 
com os responsáveis, que desejam colaborar, porém encontram-se, geralmente, 
agitados, preocupados ou descontrolados. 
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107 
A melhor maneira de ganhar a confiança dos pais é demonstrar confiança, 
não afastá-los do paciente durante o atendimento, ou seja, permitir que participem 
do socorro. 
O traumatismo da cabeça é a causa mais comum de óbito após trauma em 
crianças. As lesões da cabeça são mais frequentes na criança devido ao tamanho e 
peso desta em relação ao corpo. As crianças costumam apresentar um prognóstico 
melhor do que adulto com o mesmo grau de lesão e a recuperação pode ser completa 
mesmo em pacientes com lesões graves. 
O traumatismo de abdome representa a segunda causa de óbito por trauma 
em pacientes pediátricos. Sua principal manifestação é o choque hemorrágico 
causado pela rotura do fígado e do baço. Estes órgãos são menos protegidos pelas 
costelas e são relativamente maiores em crianças, portanto o profissional deve estar 
atento aos sinais de choque, bem como, aos sinais de trauma fechado. 
A parede torácica é mais elástica em crianças do que em adultos diminuindo 
a chance de lesões como tórax instável e tamponamento cardíaco, após o 
traumatismo de tórax. 
Na avaliação da cena devem-se observar as condições que levaram ao 
trauma, por exemplo: em caso de colisão, deve-se observar se a criança estava sendo 
transportada adequadamente. 
O controle da cervical, após instalação dos dispositivos de imobilização, 
poderá contar com a participação do responsável. Assim o mesmo poderá 
acompanhar a avaliação da via aérea (A), avaliação da respiração (B) e avaliação da 
circulação (C). Quanto a avaliação do nível de consciência, este é um excelente 
indicador de traumatismo de crânio. O profissional poderá utilizar como parâmetro a 
variação da pontuação na escala de glasgow adaptada para pediatria. 
As contusões abdominais, equimoses provocadas por cintos de segurança, 
dor abdominal em pacientes pediátricos representam indicações de transporte rápido 
(load and go). 
 
 
 
 
 
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108 
Sinais de alerta no traumatismo de tórax: 
 
ü Dispnéia; 
ü Taquipnéia (crianças > 40 irpm) e (lactente > 60 irpm) – loadand go; 
ü Batimentos de asa de nariz; 
ü Retrações supra-esternais, intercostais e subcostais. 
 
Conduta pré-hospitalar: 
 
Adotar medidas de auto-proteção é fundamental, mesmo quando se tratar de 
crianças. Lembre-se que o trauma pode gerar secreções, sangue e eliminações de 
fluidos corporais. 
Manter as vias aéreas abertas com manobras manuais e estabilização manual 
da cabeça e pescoço e determinar, após a abertura da via aérea, se a vítima apresenta 
respiração adequada. O profissional deverá iniciar a assistência ventilatória com 
máscara, caso a respiração esteja ausente ou inapropriada. As causas mais comuns 
de obstrução de vias aéreas em crianças, vítimas de trauma, são a queda de língua e 
a presença de corpo estranho. 
Estabilizar a cabeça e o pescoço manualmente, o colar cervical só é aplicado 
no final da avaliação rápida, em virtude da criança apresentar baixa tolerância a 
imobilização cervical. Em crianças menores de um ano considerar a necessidade de 
instalar um coxim sob os ombros para promover alinhamento da cabeça, coluna 
cervical e corpo. 
Avaliar a respiração através da visualização da expansão do tórax/abdome, 
ouvir sons expiratórios e/ou sentir a respiração (ver, ouvir e sentir) e quando 
necessário avaliar a frequência observando a faixa etária que são: 20 IRPM para 
pacientes menores que um ano de idade e 15 a 20/min para crianças maiores e 
adolescentes. Não esquecerde ofertar oxigênio se saturação estiver menor de 95%. 
A avaliação da circulação deve ser feita através da palpação do pulso 
braquial, em crianças, juntamente com a avaliação de hemorragias externas. Os 
locais de sangramento óbvios devem ser controlados para manter a circulação. 
Como o volume sanguíneo da criança é de 80 a 90 ml/kg sangramentos com 
perdas que seriam bem toleradas em um adulto podem causar o choque em crianças. 
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109 
Assim, torna-se fundamental o controle da hemorragia para prevenir grandes perdas 
sanguíneas e o choque. 
8.3 Trauma no Idoso: 
Alterações fisiológicas: 
 
Cardiovascular 
O miocárdio apresenta alterações importantes, pois ocorrem mudanças em 
sua estrutura tal como: acúmulo de gordura, que juntamente com outras alterações 
como a calcificação das valvas compromete a resposta cardíaca quando há 
necessidade de compensação. 
A contração e a capacidade diminuem tanto em repouso como em atividade 
física levando a diminuição na oferta de oxigênio para a massa cardíaca. Isto acende 
um alerta quando necessário realizar reposição volêmica. 
 
Respiratório: 
A frequência respiratória diminui devido às alterações estruturais e 
funcionais. 
A parede torácica sofre alterações devido à calcificação da cartilagem 
produzindo baixas no volume e difusão do oxigênio, assim a resposta ventilatória e 
elasticidade pulmonar diminuem. 
Sistema digestório: 
 
Apresenta alterações estruturais de motilidade e da função secretória o que 
leva a uma lentidão no esvaziamento do estômago. Este fato leva a aumento do risco 
de refluxo e broncoaspiração. 
Aparelho gênitourinário: 
O rim sofre modificações importantes, tais como: redução em seu peso, 
esclerose em vasos renais, diminuição na capacidade de filtração glomerular 
ocasionando drástica diminuição no volume filtrado. 
A avaliação do idoso vítima de trauma não pode ser isolada, ou seja, avaliar 
somente o evento e seus componentes. Portanto lembre-se das possíveis alterações 
que podem agravar a clínica da vítima, como: 
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ü Diminuição da atividade simpática 
ü Redução da complacência cardíaca e pulmonar 
ü Capacidade de difusão pulmonar diminuida 
ü Enfraquecimento muscular intercostal 
ü Redução da resposta renal à depleção de volume 
Co – morbidades: 
ü Uso crônico de diuréticos 
ü Desnutrição 
ü Oclusão vascular por ateroesclerose 
ü Medicação vasodilatadora 
ü Beta-bloqueadores 
ü Marcapasso 
Reposição volêmica: 
O idoso tolera mal a hipotensão e tem mecanismos compensatórios menos 
eficientes. A tolerância à sobrecarga de volume também é pequena assim as 
margens para a reposição volêmica tornam-se estreitas. 
Respiração: 
A disponibilização de oxigênio a nível pulmonar está antecipadamente 
reduzida no idoso. Fraturas de costelas podem comprometer a dinâmica respiratória 
e gerar atelectasias. 
Trauma de crânio: 
O trauma de crânio no idoso tem o potencial de gerar HEMATOMAS cujo 
diagnóstico pode ser difícil no paciente previamente comprometido 
neurologicamente, portanto devemos SUSPEITAR SEMPRE, especialmente quando 
há mudança no status mental do paciente. 
 
 
 
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Resumo: 
Nível de consciência, A B C D E 
Imobilização cervical/Avalie coxim 
Reposição volêmica cuidadosa e criteriosa 
Reavalie periodicamente/Ausculta pulmonar 
Oxigênio suplementar / 100% 
Mantenha monitorado 
 
 
 
Morbidade e mortalidade 
“O efeito do envelhecimento diminuindo a “reserva fisiológica” somado às 
patologias pré-existentes aumenta a morbidade e a mortalidade pelo trauma” 
 
8.4 Queimaduras: 
Pele: Maior órgão do corpo, órgão dos sentidos sendo responsável pelo controle da 
temperatura, atua como barreira de proteção além de controlar a perda de água e 
eletrólitos. 
Tipos de queimaduras: Depende do agende causador podendo ser decorrente de 
acidentes por chama, natureza elétrica, química, radiação, vapor ou líquido 
aquecido. 
Gravidade da queimadura: 
A gravidade da queimadura vai depender do agente causador, da extensão da 
área afetada que é avaliada pela percentual de superfície corporal acometida, da 
profundidade das camadas da pele envolvidas, da idade da vítima (lembrando que os 
extremos de idade apresentam pior evolução clínica), além das condições clínicas da 
vítima tais como doenças pré-existentes como: diabetes, hipertensão arterial e 
traumatismos associados à queimadura como por exemplo: traumatismo craniano, 
trauma de tórax e etc. Um ponto que merece destaque são as vítimas que sofrem 
queimaduras das vias aéreas por inalação, sendo esse fato por si só gerador de 
grande gravidade, independentemente dos fatores acima listados. 
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Ao atingir mais de 40% da área corporal, as queimaduras poderão provocar a 
morte, e acima de 70% da superfície do corpo atingida as chances de 
sobreviver são mínimas. 
 
Regra dos “9”: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Modelo representativo da Regra dos 9. 
 
 A consequência mais grave das queimaduras é a porcentagem da área 
corporal atingida (regra dos 9). A maneira mais simplespara esta avaliação, embora 
seja imprecisa, é calcular a área queimada através da “palma da mão do acidentado”, 
que corresponde à 1% de sua superfície corpórea. De acordo com esta informação 
temos a seguinte classificação: 
 
ü Portador de queimaduras: o acidentado tem menos de 15% da área corporal 
atingida. 
ü Grande queimado: a área corporal atingida ultrapassa 15% 
(aproximadamente 15 palmos) 
 
 
 
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Queimaduras de 1º e 2º graus: 
 
 
 
 
 
 
1º grau: Atingem somente a epiderme, causando vermelhidão, inchaço, dor local, às 
vezes insuportável, sem formação de bolhas. (Queimaduras superficiais) 
Característica: rubor, calor, dor. 
 
2º grau: Atingem as camadas mais profundas da pele, envolvendo epiderme e 
porções variadas da derme subjacente. Causam formação de bolhas, pele 
avermelhada, com leito da ferida brilhante, com manchas e coloração variável, dor, 
inchaço, desprendimento de camadas da pele, e possível estado de choque. 
(Queimaduras de espessura parcial) Característica: formação de bolhas, dor, leito da 
ferida é brilhante. 
 
 
Bolha ou Flictena: 
 Separação entre a epiderme e a derme. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem de flictena (bolha) em MSE. 
Imagens de Queimaduras de primeiro e segundo grau. 
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Queimaduras de 3o grau e 4º grau 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3º grau: Esta lesão envolve toda a espessura da pele. Essas queimaduras podem 
apresentar diversas aparências. Com maior frequência estes ferimentos são espessos, 
secos, esbranquiçados, com aparência semelhante a couro. Em casos mais graves, a 
pele parece chamuscada, com visível trombose de vasos sanguíneos. (Queimaduras 
de espessura completa). 
 
As vítimas com queimaduras de 3º grau sentem dor. Estas lesões estão cercadas 
por áreas de queimadura de 2º grau e 1º grau. 
 
 
Característica: aparência similar a couro, coloração branca a chamuscada, tecido 
morto, presença de dor. 
 
4º grau: São lesões que acometem não só todas as camadas da pele, mas também o 
tecido adiposo subjacente, os músculos, os ossos ou os órgãos internos. 
 
Queimadura de via aérea 
Pode ocorrer devido à inalação de vapor ou gás aquecido levando a edema 
das vias aéreas, apresentando como sinais rouquidão (precoce) e estridor (tardio) 
correspondendo a 85% de obstrução. (Imagem 11) 
 
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Tratamento da vítima queimada: 
Deve ser iniciada com a avaliação da área queimada e caso seja maior que 
20% demonstra gravidade. Prosseguir retirando anéis e pulseiras da área lesada, pois 
após o início do edema se torna impossível sua retirada, podendo desempenhar 
papel de garrote. Esfriar as queimaduras recentes com solução salina ou água estéril 
em temperatura ambiente (a lavagem dos ferimentos com água deverá ser avaliada 
com cautela, pois em casos de queimaduras por pós químicos esta não é 
recomendada). As áreas lesadas devem ser cobertas com gaze limpa. A hipotermia 
em grandes queimados deve ser prevenida com aplicação de mantas sobre a vítima, 
após sua avaliação. 
Queimadura elétrica: 
A queimadura elétrica apresenta na maioria das vezes pouca extensão 
superficial e grande extensão na profundidade, ocorrendo até lesão muscular, 
podendo acarretar um quadro de rabdomiólise com grande risco de insuficiência 
renal pelo depósito de mioglobina nos túbulos renais. Há risco de queda pela tetania 
acarretada pelo choque com trauma contuso associado e risco de trombose venosa 
profunda por alterações na coagulação. Pode ocorrer parada cardíaca pelo 
aparecimento de arritmias cardíacas. 
Queimadura por radiação 
Na queimadura por radiação ocorre morte tecidual pela absorção da energia 
nuclear deve ser dada atenção especial na avaliação da cena com solicitação de 
apoio devido aos produtos perigosos. A abordagem médica só deve ser realizada 
após a extricação e descontaminação da vítima. 
 Imagem 11: Edema de vias aéreas causado por queimadura 
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Queimadura química: 
 
Da mesma maneira a avalição da cena merece atenção especial com 
solicitação de apoio os cuidados médicos só serão realizados após extricação e 
descontaminação da vítima. A gravidade da queimadura química dependerá do 
tempo de exposição, da natureza e concentração do agente. Ácidos irão queimar por 
necrose de coagulação e álcalis por liquefação, com maior penetração tecidual. 
Vítimas que devem ser encaminhadas ao CTQ (Centro de Tratamento de 
Queimados): 
Vítimas que apresentem lesão por inalação, com queimaduras de 2ºgrau 
maior que 10% SCQ, queimaduras de 3ºgrau, queimaduras de face, mãos, pés, 
grandes articulações e genitália, assim como queimadura elétrica ou química, 
politraumatizados com área extensa queimada, após estabilização do outro trauma e 
crianças. 
 
9- INCIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS: 
Problematizando o atendimento nos acidentes com múltiplas vítimas: 
Quando abordamos o trauma, temos a necessidade de nos remeter aos protocolos 
internacionais de atendimento pré e intra-hospitalar, pois os mesmos nos direcionam 
a buscar as possíveis gravidades nos pacientes, de acordo com a cinemática do 
trauma envolvido. Para um incidente com múltiplas vítimas, necessitamos neste 
momento de usar ferramentas semiológicas apropriadas para essas ocasiões, pois o 
atendimento em desastres, inicialmente, é para quem apresenta maior possibilidade 
de sobrevivência, reduzindo assim a morbimortalidades dos pacientes, do que 
atender primeiramente o paciente mais grave. A avaliação de desastres é baseada em 
atendimentos de medicina de guerra, onde o lema é:“fazer o melhor para o maior 
número possível de vítimas”. 
 
Organizamos o atendimento pré-hospitalar em três etapas, chamadas de 
“Três Ts do incidente com múltiplas vítimas” que compreendem em: triagem, 
tratamento e transporte 
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117 
Protocolo Internacional de Triagem em Acidente com Múltiplas Vítimas: 
Método S.T.A.R.T.: 
O método S.T.A.R.T. 
(Simple Triage And Rapid 
Treatment) é o método de triagem 
mais difundido e aplicado no mundo 
de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e que pode ser feita por 
profissionais de saúde, socorristas e até leigos, desde que sejam devidamente 
treinados. 
Avalia-se a vítima e classifica-se a mesma por prioridade, destacando-a por 
uma forma padronizada de cores reconhecida internacionalmente onde: 
 
VERMELHA - Vítima grave; 
AMARELA - Vítima estável que apresenta potencial para gravidade e que não 
deambula; 
VERDE - Vítima sem gravidade aparente, com lesões superficiais e que 
deambula; 
 PRETA- Considerada em óbito ou fora de possibilidades terapêuticas. 
 
No método START, as ferramentas semiológicas utilizadas são avaliadas 
através de três manifestações clínicas, chamadas de R.P.M. onde se avalia 
parâmetros de: Respiração, Perfusão e status Mental. Trata-se de uma avaliação 
rápida, preconizada que seja feita em até sessenta segundos. 
Avaliação START 
Referências 
Semiológicas de 
Normalidade 
Referências 
Semiológicas com 
Alteração 
RESPIRAÇÃO 
Abaixo de 30 incursões por 
minuto 
Acima de 30 incursões por 
minuto 
PERFUSÃO CAPILAR Abaixo de 2 segundos Acima de 2 segundos 
STATUS MENTAL / 
NÍVEL DE 
CONSCIÊNCIA 
Lúcido e orientado 
atendendo as solicitações 
Desorientado ou 
Inconsciente 
Coordenação Médica Geral 
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Avaliação R.P.M.: 
Respiração: 
Observar movimentos inspiratórios e expiratórios que estejam em até 30 
incursões por minuto. 
Em situações traumáticas, todo e qualquer paciente que esteja taquipneico 
entrará em um quadro de fadiga respiratória, havendo a necessidade de suporte 
ventilatório imediatamente. 
 
Em casos de bradipnéia ou de respiração com assimetria torácica, considerar 
gravidade e necessidade de suporte ventilatório. 
Perfusão Capilar: 
ü Pressionar a polpa digital ou o leito ungueal e soltar rapidamente. 
ü Se a perfusão voltar em até dois segundos considerar normal. 
ü Caso o paciente apresente uma perfusão lentificada, devemos considerar a 
diminuição de perfusão por hipotensão. 
ü No trauma hipotensão é déficit circulatório por provável hipovolemia ou 
mecanismo de bomba cardíaca lesionada. 
Status Mental: 
ü Avaliar nível de consciência. 
ü Quaisquer alterações no sensório em vítimas politraumatizadas direcionarão 
o diagnóstico para baixo débito cerebral (hipovolemia) ou lesão direta no 
encéfalo (edema ou sangramento). 
Portanto, em grande resumo, classificamos as vítimas da seguinte forma: 
Vítima que deambula e obedece a comandos é classificada como verde, pois 
entende-se que o R.P.M. está mantido em uma vítima que anda. 
É necessário lembrar que a avaliação pelo método START é uma triagem de 
prioridade de atendimento em situações de desastres, portanto neste momento de 
avaliação não cabe diagnóstico diferencial nem tão pouco ser usado em rotina de 
atendimento clínico ou em um atendimento individualizado. 
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Vítima que respira normalmente, e que apresenta uma perfusão periférica 
sem alterações, que esteja lúcida, mas não deambula é classificada como amarela. 
Vítima que apresenta alterações na respiração principalmente taquipnéia e/ou 
que esteja com perfusão periférica lentificada e/ou que apresente alteração 
neurológica é classificada como vermelha. 
Vítima que não respira, abre-se a via aérea e mesmo assim não apresenta 
reflexo respiratório ou com lesões incompatíveis com a vida ou fora de possibilidade 
terapêutica é classificada como preta. Abaixo o fluxograma do método START: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Tratamento em desastres: 
É o local que deve ser direcionado as vítimas após a triagem e estabelecida 
em uma área segura. 
Na área de tratamento devemos realizar o que chamamos de “triagem 
secundária”, pois se houver alguma não conformidade no momento da triagem ou 
uma mudança no quadro clínico da vítima até a chegada a área de tratamento, a 
mesma deverá ser reclassificada pelo método START. 
Fitas adesivas para triagem de vítimas Cartão para triagem de vítimas 
Preto 
Preto 
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121 
Na área de tratamento, devemos manter uma distância visual entre vítimas 
conscientes em relação a vítimas graves ou mortas, com o intuito de manter um 
controle emocional na cena. 
 A equipe da área de tratamento deve tratar apenas os chamados vilões do 
acidente com múltiplas vítimas que são: permeabilização das vias aéreas, contenção 
de hemorragias e oclusão de feridas abertas no tórax. Os cuidados e intervenções na 
área de tratamento são necessárias para estabilizar a vítima em suas lesões mais 
críticas. O exame primário do politraumatizado deve ser realizado e deve ser 
realizado pela equipe de APH que irá transportar a vítima para o hospital. 
O modelo em cruz é o recomendado, mas a adaptação a esta regra dependerá 
única exclusivamente da cena do desastre e da manutenção da segurança. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Durante o tratamento, o socorrista deve atentar para contaminação 
cruzada trocando de luvas toda vez que for manipular um paciente 
diferente. 
 Transporte: 
Após a estabilização da vítima, conduzi-la por meios adequados é uma outra 
forma de minimizar os problemas ocasionados pelos desastres. 
A regra é simples: Vítima grave deve ser levada por recurso avançado 
(ambulância ou transporte aéreo, quando este recurso estiver disponível) e vítimas 
de menor gravidade em recurso intermediário ou básico. 
 Área de tratamento em forma de cruz. 
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122 
Essa regra se modifica dependendo dos recursos disponíveis em cada 
situação específica de desastre, onde a falta de recursos é uma característica a ser 
considerada. 
As vítimas verdes podem ser transportadas em veículos comuns como: carros 
de passeio, vans e ônibus, desde que tenham sido classificadas pelo método START 
e reavaliadas na área de tratamento verde. Após essa separação, as vítimas verdes 
devem ser acompanhadas neste transporte por um profissional de saúde, 
devidamente capacitado em atendimento pré-hospitalar. 
 O médico Regulador tem papel fundamental no momento do transporte, ele 
que avaliará para qual hospital será transportada as vítimas distribuindo-as de 
maneira coerente para os hospitais disponíveis, avaliando o tempo de chegada, a 
gravidade da vítima e o tipo de recurso que o mesmo oferece. 
 
10- MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS: 
Destacamos que as vítimas de trauma requerem cuidados específicos durante 
o atendimento pré-hospitalar. Nessa perspectiva, ressaltamos a necessidade de 
cautela e prudência da equipe de socorro ao manipular a vítima de trauma durante 
todo o atendimento, que implica em procedimentos de movimentação da vítima na 
cena, transporte e chegada a unidade hospitalar de referência. 
Os conceitos e técnicas apresentadas nesse capítulo têm como objetivo evitar 
o agravamento de lesões primárias da vítima e promover condições ergonômicas 
adequadas pelas equipes de atendimento pré-hospitalar. 
Mobilização: consideramos que o termo refere-se às técnicas aplicadas no manuseio 
e movimentação das vítimasde trauma. Suas indicações ocorrem de acordo com os 
aspectos do cenário e a condição geral da vítima. 
Imobilização: consideramos que o termo refere-se ao uso de dispositivos a serem 
utilizados nas vítimas, visando alinhamento, estabilização e/ou fixação de partes do 
corpo, afim de que movimentos indesejados não agravem lesões já existentes. 
Materiais básicos de imobilização: prancha longa com cintos e estabilizadores de 
cabeça, colar cervical e talas de membros. 
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123 
Preparação da vítima para retirada da cena e transporte: Ressalta-se que vítimas 
de trauma nem sempre estarão ao solo em posição ideal para serem mobilizadas (ex. 
colocadas na prancha). Neste contexto, pode ser necessário o alinhamento dos 
membros junto ao corpo, objetivando deixar a vítima em posição anatômica. Esse 
alinhamento é realizado sustentando os membros pelas articulações e posicionando-
os, gradualmente, ao longo do eixo do corpo. Caso a vitima apresente algum tipo de 
restrição a esse movimento, ela deverá ser mobilizada e imobilizada mantendo a 
posição inicial do membro. 
 
TÉCNICAS DE MOBILIZAÇÃO E IMOBILIZAÇÃO: 
 
Rolamento 90°: 
Indicação: vítima em decúbito dorsal. 
Número mínimo de socorristas: três (3). 
Ao encontrar uma vítima em decúbito dorsal, e havendo a necessidade de 
transporte, a primeira decisão da equipe será: para qual lado deverá ser realizado o 
rolamento da vítima. A decisão mais convencional sugere que a vítima deva ser 
“rolada” para o lado contrário a lesão. Contudo, algumas condições da vítima e da 
cena podem requerer que o rolamento seja feito para cima do lado lesionado da 
vítima. Caberá a equipe decidir qual movimento agravará mais o estado geral da 
vítima, e assim realizar a técnica. Após decisão da equipe acerca do rolamento da 
vítima, a prancha deverá ser posicionada do lado contrário ao posicionamento dos 
socorristas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 Figura 2 
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124 
Considerando a equipe mínima para o atendimento, um dos socorristas deve 
se posicionar por trás da vítima e com as mãos espalmadas, estabilizar a cabeça da 
vítima (imobilização manual da cabeça) e, obrigatoriamente, manter pelo menos um 
dos joelhos no chão, conforme figura 1. Os outros dois socorristas, devem se 
posicionar no lado para o qual decidiram realizar o rolamento, conforme figura 2. 
O socorrista líder deve ficar na altura do tórax, colocando a mão na cintura 
escapular (ombro), enquanto sua outra mão será posicionada na cintura pélvica, 
sustentando juntamente o braço da vítima. O terceiro socorrista deve se posicionar ao 
lado do socorrista líder. Ambos devem manter um dos joelhos ao solo e outro 
elevado visando maior estabilidade, atentando para que os mesmos joelhos estejam 
ao solo e levantados. A mão do terceiro socorrista, mais próxima ao socorrista líder 
deverá ser posicionada na região pélvica distal da vitima, ao lado da mão do 
socorrista lide, formando um “X”, enquanto sua outra mão será posicionada no 
joelho distal da vítima, conforme figura 2. 
Uma vez posicionada a equipe e a prancha, o rolamento 90° deverá ser 
realizado - movimento em bloco. O socorrista que está na cabeça é responsável pelo 
sincronismo do movimento, pois será ao seu comando que a equipe irá realizar a 
técnica, conforme figura 3. 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 3 
Após o exame do dorso (crânio, pescoço e coluna), realizado pelo líder, com 
mão que está na região pélvica, a equipe se prepara para a colocação da vítima na 
prancha. Nesse momento, o terceiro socorrista, libera sua mão da cintura pélvica ou 
do joelho da vítima e traz a prancha para o mais próximo possível da vítima, 
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125 
conforme figura 4. Havendo uma quarta pessoa disponível no local, ela poderá 
posicionar a prancha junto a vítima. 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 4 
Ressaltamos que uma vez colocada na prancha, é provável que a vítima ainda 
precise de ajustes na sua posição. Neste contexto, o socorrista líder “cavalgará” a 
vítima na altura do tórax posicionando as suas mãos sob os ombros ou entre as 
axilas, enquanto o terceiro socorrista “cavalgará” a vítima na altura da região pélvica 
ficando atrás do líder, conforme figura 5. Ao comando do socorrista que está na 
cabeça, a equipe realizará um movimento de “arrasto”, em forma de zigue-zague 
diagonal para cima e para baixo, até a vítima atingir a posição correta na prancha. É 
importante nesse momento que os socorristas travem a prancha para ela não 
escorregar sobre o solo. Ressaltamos que a estabilização manual da cabeça da vítima 
só pode ser desconsiderada quando os demais recursos de imobilização de cabeça e 
pescoço já tiverem sido colocados de maneira eficaz. 
 
 
 
 
 
 
Figura 5 
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126 
Rolamento 180° 
Indicação: vítima em decúbito ventral. 
Número mínimo de socorristas: três (3). 
Esta técnica consiste em mobilizar a vítima em bloco para cima de uma 
prancha longa, permitindo um devido alinhamento do corpo com a cabeça. Nesta 
perspectiva, diferentemente da técnica de rolamento a 90°, a prancha deverá ser 
colocada no lado oposto a face da vítima. Enfatizamos que o socorrista que estabiliza 
a cabeça deve estar atento para a posição adequada das mãos, onde o seu polegar 
deve estar voltado para a face da vítima, conforme figura 8. 
 
Os outros dois socorristas deverão se posicionar sobre a prancha, e realizar a 
pegada da vítima na mesma posição citada na técnica anterior, permitindo o 
cruzamento dos braços em “X”. Devemos considerar que, nesta posição, o socorrista 
líder poderá realizar o exame do dorso antes de iniciar a técnica de rolamento. Após 
Figura 9 Figura 8 
Figura 7 Figura 6 
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127 
a estabilização da cabeça, o posicionamento lateral dos socorristas e da prancha, a 
equipe estará apta para realizar o rolamento, conforme figura 9. 
Este rolamento ocorre em dois tempos. No primeiro, os socorristas, que estão 
sobre a prancha na lateral da vítima, realizarão o primeiro movimento de 90°, que 
deverá alinhar a cabeça e o corpo da vítima, conforme figura 10 e 11. Em seguida, 
com a vítima alinhada e lateralizada, o socorrista responsável pelo rolamento dará 
um novo comando e a vítima será rolada em bloco para cima da prancha, conforme 
figura 12 e 13. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ressaltamos que da mesma formacomo no rolamento a 90°, a vítima ao ser 
posicionada em cima da prancha poderá precisar ser ajustada de maneira segura. 
Neste contexto, a equipe realizará o posicionamento a cavaleiro e fará o arrasto em 
zigue-zague, conforme visto previamente no rolamento a 90°. 
Elevação a Cavaleiro: 
 
Indicação: vítima em decúbito dorsal que as condições clínicas/físicas sejam 
agravadas com a técnica de rolamento ou por impossibilidade de rolamento devido 
Figura 11 Figura 12 
Figura 13 Figura 14 
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128 
espaço insuficiente na cena. Esta técnica pode também ser um recurso em locais de 
difícil acesso e com vítimas em outros decúbitos. 
Número mínimo de socorristas: cinco (5). 
Para iniciar esta técnica, o socorrista um (1) estabilizará a cabeça, mantendo 
um joelho no chão, e a ponta do coturno do outro pé à frente. Isso o protegerá de ser 
atingido pela prancha, conforme figura 1. Os demais socorristas tomarão as seguintes 
posições: o socorrista dois (2) se posicionará na altura do tórax, segurando os 
ombros; o socorrista três (3) na altura da pelve, mantendo os braços da vítima entre 
seus braços; o socorrista quatro (4) na altura do joelho da vítima, conforme figura 14. 
O quinto elemento (socorrista ou não) ficará responsável em colocar a prancha 
embaixo da vítima, conforme figura 15. 
 
 
 
 
 
Assim que todos estiverem posicionados, e a prancha preparada com os cintos 
desafivelados e alinhados, o socorrista que estiver na cabeça dará o comando para 
elevação da vítima. Esse movimento deve ser realizado de maneira sincrônica, 
mantendo o alinhamento da coluna da vítima. A elevação deve ser o mínimo 
necessário para o posicionamento da prancha sob a região dorsal da vítima, conforme 
figuras 16 e 17. 
 
 
 
 
 
Figura 14 Figura 15 
Figura 16 Figura 17 
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Procedimentos de imobilização: Após a colocação da vítima sobre a prancha longa, 
seguimos com as seguintes ações: 
COLOCAÇÃO DO COLAR CERVICAL – ORIENTAÇÕES: 
1. Na aplicação da técnica de rolamento a 90°, orientamos que o colar cervical seja 
colocado na vítima após o rolamento, para possibilitar um exame mais adequado 
da região occipital e cervical da vítima. Lembrando que a estabilização manual é 
extremamente segura e precisa. 
2. O socorrista que for realizar a colocação do colar deve estar posicionado de 
forma que permita a visualização da passagem do colar pela parte posterior do 
pescoço da vítima, assim como mensurar o tamanho do colar cervical. 
3. Após a colocação do colar cervical, o socorrista deve aplicar os estabilizadores de 
cabeça (headblock), e seus respectivos tirantes (frontal e mentoniano), 
ressaltando que um dos socorristas não pode soltar a cabeça da vítima. 
4. O tirante mentoniano deve ser o primeiro a ser colocado. Ele é posto sobre o 
colar cervical fazendo uso da abertura que possui. Após essa ação é que 
colocamos o tirante frontal e a finalização da fixação da cabeça. A partir desse 
momento não será mais necessário manter a imobilização manual da cabeça. 
FIXAÇÃO DA VÍTIMA NA PRANCHA COM OS CINTOS: 
Possuem a finalidade de manter a vítima fixada ao longo da prancha, 
prevenindo o risco de quedas e movimentos indesejados. 
Padrão de fixação dos cintos: (figuras 18 e 19) os cintos devem estar bem 
posicionados para atuarem de forma eficaz. O cinto superior deve ser posicionado na 
altura do tórax próximo a região axilar. O ajuste deve permitir a expansão do 
movimento respiratório. O cinto mediano deve ficar na altura da pelve. O cinto 
inferior deve ser colocado aproximadamente cinco (5) centímetros acima dos joelhos. 
 
 
 
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130 
 
 
 
 
 
 
TRANSPORTE DA PRANCHA COM 03 SOCORRISTAS: 
Ressaltamos que para erguer a prancha os socorristas devem executar dois 
movimentos à comando líder: o primeiro movimento até a altura dos joelhos e o 
segundo movimento acima, na posição ereta, conforme figuras 20, 21 e 22. A figura 
23 demonstra o transporte de vítima com três (3) socorristas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 18 Figura 19 
Figura 20 Figura 21 
Figura 22 Figura 23 
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131 
TRANSPORTE DA PRANCHA COM 04 SOCORRISTAS: 
 
Ressaltamos que para erguer a prancha os socorristas devem executar dois 
movimentos à comando líder: o primeiro movimento até a altura dos joelhos e o 
segundo movimento acima, na posição ereta, conforme figuras 24, 25 e 26. A figura 
27 demonstra o transporte de vítima com quatro (4) socorristas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RETIRADA DE CAPACETE: 
A indicação da retirada do capacete é ter acesso as vias aéreas da vítima, que 
eventualmente possam estar obstruídas ou em casos de inconsciência. Ressaltamos 
que a técnica deve ser precisa, pois a mobilização inadequada pode causar lesão 
Figura 24 Figura 25 
Figura 26 Figura 27 
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132 
secundária na coluna cervical. Portanto, a equipe de socorristas deve avaliar 
criteriosamente o procedimento, conforme a seguir: 
1. São necessários dois socorristas para executar com segurança a técnica; 
2. O primeiro socorrista estabiliza manualmente a cabeça por trás da vítima; 
3. O segundo socorrista estabiliza manualmente a cabeça e o pescoço, apoiando 
uma das mãos sob a região posterior do pescoço da vítima e a outra na 
mandíbula. Mantendo a cabeça em posição neutra; 
4. O primeiro socorrista, que está posicionado na cabeça da vítima, segura o 
capacete pelas abas laterais e vai tracionando-o cuidadosamente em sua direção; 
5. Após a retirada do capacete, o primeiro socorrista mantém a estabilização manual 
da cabeça e pescoço. 
 
Sequência da Retirada de Capacete: 
 passo 1 passo 2 
 passo 3 passo 4 
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 passo 5 passo 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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134Capítulo IV 
Acidentes com Animais Peçonhentos: 
1 - Venenosos X Peçonhentos 
São animais que possuem, em sua 
maioria, glândulas que armazenam 
substâncias venenosas utilizadas para 
proteção contra a ação de predadores ou ainda 
que os auxiliam na captura de suas presas. 
Animais venenosos: 
São animais que possuem veneno, 
mas não apresentam um aparelho específico para inocular nas suas possíveis vítimas. 
Ex: o veneno do sapo está em glândulas na sua pele. 
 
Animais Peçonhentos: 
São animais que possuem veneno e um aparelho específico para introduzi-lo 
no organismo da vítima. Eles possuem a capacidade de produzir, armazenar e 
inocular seu veneno. 
2 - Ofidismo: 
Acidentes oriundos de picadas de cobra. 
2.1 Características básicas das cobras: 
São animais predadores e se alimentam de peixes, moluscos, anfíbios, 
mamíferos, aves e até de outras cobras. Como não possuem braços ou garras para 
matar ou imobilizar suas presas, contam com o veneno para auxiliar nessa tarefa. A 
forma da boca das serpentes impede que elas mastiguem o alimento. Ao capturar 
uma presa, a cobra a engole inteira. O veneno serve para neutralizar esta presa e, 
assim, facilitar a captura da mesma, outra função do veneno é ajudar, a cobra, na 
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135 
digestão da presa abatida, facilitando a absorção dos nutrientes necessários para sua 
sobrevivência. 
Tabela 1: Comparativo de serpentes peçonhentas X não peçonhentas. 
Quando em campo, a diferenciação da cobra coral falsa da cobra coral verdadeira é impossível 
de ser executada, portanto, tratar todas como peçonhenta. 
 
2.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica: 
No Brasil há cerca de 260 espécies de serpentes, sendo que cerca de 40 são 
peçonhentas. Essas espécies de serpentes são dividas em gêneros, dos quais 
estudaremos: Crotalus, Bothrops, Lachesis, e Micrurus. O veneno de cada gênero de 
serpente possui composição diferente, conseqüentemente, ira provocar sintomas 
distintos, confira o esquema a baixo e entenda como cada grupo de veneno age no 
corpo da vítima de acidente com cobras peçonhentas. 
 
 
CARACTERÍSTICAS PEÇONHENTAS NÃO-PEÇONHENTAS 
CAUDA AFINA ABRUPTAMENTE AFINA GRADUALMENTE 
FOSSETA LACRIMAL OU 
LOREAL 
APRESENTA 
(exceto cobra coral) 
NÃO APRESENTA 
PUPILA VERTICAL REDONDA 
ESCAMAS CORPO = CABEÇA CORPO X CABEÇA 
PICADA UM OU DOIS ORIFICIOS MORDIDA 
DENTES DUAS PRESAS PEQUENOS E UNIFORMES 
ATITUDE (PERIGO) LENTAS E ENRODILHA 
AGEIS E PARTEM EM 
RETIRADA 
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136 
Tabela 2: Comparativo de ação de veneno X gênero / espécie de serpentes: 
GÊNERO ESPÉCIE AÇÃO DO VENENO SORO ANTIOFÍDICO 
 
CROTALUS 
 
CASCAVEL HEMOLISANTE E 
PARALISANTE 
(neurotóxico) 
ANTI-CROTALICO 
 
BOTHROPS 
JARARACA 
NECROSANTE E 
COAGULANTE 
ANTI-BOTHROPICO 
 
LACHESIS 
SURUCUCU NECROSANTE E 
PARALISANTE 
(neurotóxico) 
ANTI-LACHESICO 
 
MICRURUS 
CORAL 
 
 
PARALISANTE 
(neurotóxico) 
ANTI-MICRURICO 
ANTI-ELAPÍDICO 
Existe um soro antiofídico genérico, ou seja, que serve para mais de um veneno. Contudo, as 
reações do corpo a ele são complicadas e podem deixar seqüelas. 
2.3 Ação do Veneno: 
Necrosante: 
Destruição do tecido muscular no local da picada. 
Paralisante (neurotóxico): 
Paralisia dos músculos da vitima, impedindo a sua locomoção, ocorrendo em 
alguns casos à paralisia da musculatura respiratória. 
Coagulante: 
Promove um aumento significativo do fator de agregação plaquetária fazendo 
o sangue se transformar em um “mingau”. 
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Hemolisante: 
Rompe a membrana das hemácias efetuando a “lise” ( destruição das células). 
Sintomas no Local da Picada: 
Dor, hemorragia, equimose ou hematoma. 
Condutas em ofidismo: 
ü Nunca tentar capturar a serpente, se possível, tente fotografar ou gravar 
na cabeça as características de cor ou barulho emitido pela cobra; 
ü Manter a vítima em repouso (a vítima não poderá efetuar nenhum tipo 
de movimento para não acelerar a metabolização do veneno); 
ü Realizar a assepsia do local; 
ü Retira anéis e pulseiras; 
ü Imobilizar o local da lesão (se for necessário); 
ü Monitorar os sinais vitais; 
ü Não amarrar membros fazendo um garrote e nem fazer torniquete (isso 
poderá piorar as condições da vítima, pois concentrará o veneno em uma 
região e não impedirá que ele circule pelo corpo da mesma); 
ü Não fazer cortes e nem chupar o local da picada (isso não retira o 
veneno); 
ü Transportar a vitima, de maca, imediatamente ao hospital mais próximo, 
pois apenas o soro poderá agir contra os sintomas. 
 
3 - Araneismo: 
Acidentes oriundos de picadas de aranhas. 
3.1 Características Básicas das Aranhas: 
Não são agressivas, abrigam-se sob folhas, troncos e árvores. Possuem 
hábitos noturnos. Têm quatro pares de patas. As patas podem ter garras nas pontas. 
Algumas espécies usam o primeiro par de patas como apêndices para capturar ou 
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138 
segurar a presa. Na parte de trás do corpo, as aranhas possuem órgãos, chamados 
fiandeiras, que fabricam seda. São animais de hábitos noturnos e carnívoros. 
2.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica: 
Viúva Negra (Latrodectus mactans): 
 
De coloração bonita e tamanho minúsculo, são 
espécies consideradas de importância médica e 
encontradas em áreas de restinga. Os casos de picada 
desta aranha não são frequentes em humanos e, geralmente, os ataques são 
promovidos pelas fêmeas. Seu veneno possui vários componentes químicos como o 
ácido aminobutírico, hialuronidase, fosfodiesterase, polipetídeos, além de proteínas 
como latrotoxinas, característica do grupo. Essas toxinas atuam sobre terminações 
nervosas sensitivas, provocando quadro doloroso no local da picada. Atuam também 
no sistema nervoso autônomo. 
O quadro clínico é dor no local da picada com intensidade variável, tipo 
mialgia, evoluindo para sensação de queimação (ocorrendo 15 a 60 min. após o 
acidente). Lesões puntiformes com uma ou duas perfurações de 1 a 2mm e edema 
discreto no local da picada. Pode ocorrer Hiperestesia na área da picada, placa 
urticariforme e infartamento ganglionar. Frequentemente há ocorrência de tremores, 
contrações espasmódicas dos membros, sudorese local, ansiedade, excitabilidade, 
insônia, cefaléia, prurido, eritema de face e pescoço, dor no tórax com sensação de 
morte eminente, taquicardia inicial e hipertensão seguidas de bradicardia. 
Para tratamento dos sintomas recomenda-se a utilização de compressas 
mornas no local e o uso de analgésicos. Quando a dor é muito intensa, pode-se usar 
meperidina ou morfina. O tempo de permanência hospitalar para doentes não 
submetidos a soroterapia é de no mínimo 24 horas. O tratamento com soro 
Antilatrodectus (SALatr) - SORO ANTIARACNÍDEO - é indicado nos casos 
graves. A melhora do pacienteocorre de 30 min a 3h após a soroterapia. 
 
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Aranha Marrom (Loxosceles): 
Essas aranhas são animais do gênero Loxosceles, mas 
que comumente são chamadas de aranhas marrons no Brasil. 
São amarronzadas, variando o tom, e algumas possuem um 
desenho no cefalotórax e podem medir até 4 cm (o corpo 
mede apenas um terço disso). É distribuída por quase todo planeta, tendo mais de 30 
espécies só na América do Sul. É uma das aranhas que mais gera mortes no mundo e 
tem o veneno mais tóxico entre as aranhas brasileiras. Podem ser encontradas em 
áreas livres, entre frestas de troncos, folhas secas, rochas, dentro de casa embaixo ou 
atrás de móveis, em galpões, etc. As aranhas marrons não são agressivas. Os ataques 
a humanos ocorrem como defesa quando, sem querer, alguém toca nela. É comum 
acidentes com estes animais na hora de por calçados ou roupas, onde elas estão 
escondidas, ou são vítimas que colocaram a mão em alguma fresta. Mas não é 
comum elas atacarem sem ser por defesa, quando se sentem comprimidas. A picada 
não é dolorida, mas cerca de 14 horas depois há desenvolvimento de edema 
(inchaço) e eritema (vermelhidão), podendo ser acompanhado de prurido (coceira). 
Sua toxina é hemolítica, podendo não causar problemas apenas na área picada, mas 
na região visceral, levando o indivíduo a ter febre, urinar escuro e sem tratamento 
adequado pode gerar necrose no tecido local da picada, falência renal e óbito. A 
conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar, solicitar ajuda e levar a 
vítima, o mais rápido possível, para o atendimento médico para que possa tomar o 
soro antiaracnídeo. 
Armadeira (Phoneutria): 
Essas aranhas não constroem teias para capturar suas 
presas, elas imobilizam a vítima com o auxílio do veneno. 
Estas aranhas caracterizam-se pela disposição dos olhos em 
três filas (2-4-2); no abdômen há pares de manchas claras 
formando uma faixa longitudinal. As pernas apresentam 
espinhos negros implantados em manchas claras. Sua marca registrada é o 
comportamento defensivo em posição ereta, com movimentos laterais do corpo e 
com as pernas dianteiras elevadas: tal comportamento originou seu nome popular. 
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140 
Estão distribuídas por quase toda a América Central e do Sul, desde 
a Guatemala até o norte da Argentina, podendo ser encontradas em bananeiras, 
folhagens, entre madeiras e pedras empilhadas e no interior de residências. 
As aranhas armadeiras possuem um veneno extremamente ativo em seres 
humanos, aliado ao seu sinantropismo, ou seja, sua adaptação em ambientes urbanos, 
faz com que as armadeiras sejam responsáveis por boa parte dos acidentes 
com artrópodes peçonhentos no Brasil. Por outro lado, algumas propriedades 
farmacológicas instigam cientistas que buscam por aplicações biotecnológicas de 
compostos derivados das toxinas presentes no veneno. 
Os acidentes provocados por Phoneutria ocorrem durante o ano todo, 
aumentando a incidência nos meses de abril e maio. Este período coincide com a 
época de acasalamento das armadeiras, o que as torna mais ativas. 
As ações do seu veneno causam retardo da inativação dos canais neuronais de 
sódio, o que pode provocar despolarização das fibras musculares e terminações 
nervosas sensitivas, motoras e do sistema nervoso autônomo, favorecendo a 
liberação de neurotransmissores, principalmente acetilcolina e catecolaminas. 
Também isola peptídeos que podem induzir a contração da musculatura lisa vascular 
e aumentar a permeabilidade vascular, independentemente da ação dos canais de 
sódio. 
No quadro clínico de um acidente com armadeiras predominam as 
manifestações locais. A dor imediata é o sintoma mais frequente; apenas 1% dos 
casos apresentam-se assintomáticos após a picada. Sua intensidade é variável, 
podendo se irradiar até a raiz do membro acometido. Outras manifestações que 
podem ocorrer são: edema, eritema, parestesia e sudorese no local da picada (onde 
podem ser encontradas as marcas de dois pontos de inoculação), priapismo, choque 
anafilático e edema pulmonar. 
Os acidentes são classificados em Leve, Moderado e Grave: 
• Leve: Predominam as manifestações locais como dor, inchaço, vermelhidão 
da pele e suor na região da picada. Pode aparecer a marca da picada. 
• Moderado: Além das manifestações locais, observam-se alterações 
sistêmicas como aceleração da frequência dos batimentos cardíacos, aumento 
na pressão sanguínea, suor, agitação e vômito. 
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141 
• Grave: Ocorrem principalmente em crianças que apresentam, além das 
manifestações já descritas, vômito profuso, ereção peniana involuntária 
persistente, diarreia, diminuição da frequência dos batimentos cardíacos, 
pressão sanguínea baixa, arritmia cardíaca, edema agudo de pulmão e choque. 
A conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar, solicitar ajuda e 
levar, o mais rápido possível, a vítima para o atendimento médico para que possa ser 
administrado o soro antiaracnídeo. 
Aranha de Jardim (Lycosa erythrognatha): 
A aranha-de-jardim, também conhecida como aranha-de-
grama ou aranha-lobo (Lycosa erythrognatha) é uma 
espécie de aranha da família Lycosidae. Esta aranha possui 
aproximadamente 5 cm de comprimento. Apresenta 
coloração marrom-clara ou cinzenta, ventre negro 
e quelíceras com pêlos alaranjados ou avermelhados. Na 
parte dorsal do abdome, há um desenho negro em forma de 
seta, bem característico da espécie. O veneno da aranha-de-grama causa uma dor 
intensa, com sensação de queimação e formigamento, e pode provocar reações 
alérgicas como sudorese no local da picada. Mas geralmente a mordida não causa 
problemas tão graves. Dada a ação meramente proteolítica do veneno, não há 
necessidade de soroterapia específica. A conduta do Bombeiro é não deixar a vítima 
se movimentar, solicitar ajuda e levar, o mais rápido possível, a vítima para o 
atendimento médico para que possa tratar os sintomas de forma correta. 
Condutas em Araneismo: 
ü As picadas de Aranha deverão ter maior atenção, pois, acidentes com 
aranha marrom e viúva negra o soro anti-aracnídeo se fará necessário; 
ü Não tente capturar e nem apanhe com as mãos a aranha, isso poderá 
provocar outro acidente; 
ü Fique atento aos sinais vitais; 
ü Não realizar torniquetes; 
ü Não tentar chupar o veneno; 
ü Sempre valorize um acidente com aranhas. 
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4 - Escorpianismo: 
Acidentes derivados de picadas de escorpiões. 
4.1 Características Básicas dos Escorpiões: 
Os escorpiões são animais de corpo alongado que possuem quatro pares de 
patas, um par de pinças no extremo anterior e apresentam um ferrão com glândulas 
de veneno na ponta da "cauda" articulada. Quando se sentem perturbados, picam com 
facilidade, causando muita dor, e podem provocar até a morte em crianças e pessoas 
debilitadas. 
As espécies que habitam o estado doRio de Janeiro têm coloração e hábitos 
que as confundem com o ambiente em que vivem. Entre essas espécies encontramos 
com muita frequência o "escorpião-amarelo" (Tityus serrulatus), que é considerado o 
escorpião mais perigoso da América do Sul. 
Os escorpiões procuram alimento durante a noite e, frequentemente, penetram 
nas residências humanas, onde se instalam sem serem notados, pois durante o dia 
"desaparecem" em esconderijos escuros e úmidos. Para capturar alimento e para 
defesa utilizam-se do ferrão venenoso. Os escorpiões se proliferam sob pedras, 
frestas de pedras e barrancos, debaixo de cascas de árvores, em paredes e muros mal 
rebocados, madeira empilhada, entulhos, caixas de gordura, ralos, forros, etc. Gostam 
muito de umidade, pouca luz e insetos em abundância (principalmente baratas e 
outros insetos do gênero). 
A picada de escorpião causa muitos transtornos ao organismo humano: dor 
imediata, sudorese, febre, sensação de frio, contrações musculares, irregularidades 
cardio-respiratórias, e pode levar à morte. Qualquer acidente com escorpião deve ser 
avaliado por um médico. Em várias regiões do estado do Rio de Janeiro e em outros 
estados da região sudeste tem ocorrido um significativo aumento na ocorrência de 
escorpiões. 
Medidas de prevenção para evitar acidente com escorpiões: 
• Manter jardins e quintais limpos; evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, 
lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas; evitar 
secar roupas no chão ou em cercas e muros. 
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143 
• Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras 
e outras) junto a paredes e muros das casas; manter a grama aparada; limpar 
periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a 
dois metros junto das casas; 
• Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, pois os escorpiões podem se 
esconder neles e picar ao serem comprimidos contra o corpo; combater a 
proliferação de insetos, para evitar o aparecimento de escorpiões que deles se 
alimentam; verificar a presença de escorpiões em hortifrutigranjeiros e outros 
produtos; 
• Vedar frestas e buracos em paredes, ralos, assoalhos e vãos entre o forro e 
paredes para impedir o trânsito de escorpiões pela residência. 
 
 
4.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica: 
 
Tityus Bahienses: 
Também conhecido como escorpião-preto, é uma 
espécie de escorpião do Leste e Centro do Brasil. Mede 6 
cm de comprimento, tem coloração marrom muito escura e 
patas castanhas. 
 
Tityus Serrulatus: 
Coloração amarelada, encontrado nas cidades, mede 6 
cm e seu veneno é duas vezes mais potente que o de o de 
gênero Tityus bahienses. 
Sintomatologia: 
Varia de leve (dor intensa, eritema e flictena), 
moderada (sudorese intensa, tontura, vômito, sialorréia e arritmias) e grave 
(convulsão, edema pulmonar, coma, insuficiência cardíaca, bradicardia, hipotermia e 
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144 
choque). A gravidade dos sintomas esta relacionada com proporção entre a 
quantidade do veneno injetado, massa corporal do individuo picado, espécie e 
tamanho do escorpião, da sensibilidade ao veneno e do retardo no atendimento. 
Condutas em escorpionismo: 
ü A maioria das picadas de escorpião não necessitam de tratamento; 
ü Os casos graves de acidentes com escorpiões podem precisar de soro 
antiescorpiônico; 
ü Em alguns casos são utilizados antiinflamatórios não esteróides; 
ü Cuidado redobrado com idosos e crianças, o acidente com eles será 
sempre considerado grave. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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145 
Capitulo V 
Assistência ao Afogado 
 
1 - Dados Sobre Afogamento no Brasil: 
A Organização Mundial da Saúde estima que 0,7% de todas as mortes no 
mundo - ou mais de 500 mil mortes a cada ano - são devidas a afogamento não 
intencional. O afogamento é uma das principais causas de morte em crianças e 
adultos jovens no mundo, embora estejamos quantificando apenas 6% do problema. 
Para a sociedade em geral, a palavra “afogamento” remete ao salvamento e às 
medidas de primeiros socorros, no entanto a ferramenta de maior eficácia na luta 
contra os afogamentos é a prevenção. 
A tragédia do afogamento no Brasil está presente em nosso dia-a-dia com 17 
mortes diárias (ano 2013). O resgate é um dos componentes vitais para salvar o 
paciente e os primeiros cuidados são fornecidos em um ambiente altamente hostil - a 
água e suas imediações. Saber realizar o suporte básico de vida ainda dentro da água 
(ventilações dentro da água) e acionar o suporte avançado pode fazer a diferença 
entre a vida e a morte do paciente. 
 
• Afogamento é 2ª causa óbito de 1 a 9 anos, 3ª causa de 10 a 19 anos, e 4ª 
causa de 20 a 25. 
• A cada 84 min morre afogado um brasileiro – cerca de 6.000 todos os anos. 
• Homens morrem 6 vezes mais. 
• O Norte do Brasil tem a maior mortalidade 
• 51% de todos os óbitos ocorrem até os 29 anos. 
• 75% dos óbitos ocorrem em rios e represas. 
• 51% das mortes na faixa de 1 a 9 anos de idade ocorrem em piscinas de 
residências. 
• Crianças < 9 anos se afogam mais em piscinas e em residências 
• Crianças > 10 anos e adultos se afogam mais em águas naturais (rios, 
represas e praias). 
• Os incidentes não fatais chegam a mais de 100.000 casos ao ano 
• Trauma raquimedular é menos comum em praias oceânicas onde a água é 
mais clara (0,09% de todos os salvamentos realizados por guarda-vidas). Sua 
incidência é maior em rios, cachoeiras, lagos e locais onde a visibilidade da 
água não é boa. 
• Estima-se que 94% da informação sobre os acidentes aquáticos em nosso 
país seja desconhecida por subnotificação. 
• 2% de todos os resgates realizados por guarda-vidas necessitam de cuidados 
médicos, e 0,5% necessitam de ressuscitação cardiopulmonar (RCP). 
ONDE ACONTECEM? 
ÁGUAS NATURAIS = 90% - 25% rios com correnteza 
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- 20% represa - 13% remanso de rio - 5% lagoas - 5% inundações - 3% baía - 2% cachoeiras - 2% córrego - 15% praias oceânicas 
 
ÁGUAS NÃO NATURAIS = 8,5% - 2.5% banheiros, caixas de água, baldes e similares - 2% galeria de águas fluviais - 2% piscinas - 2% poço 
 
DURANTE TRANSPORTE COM EMBARCAÇÕES = 1,5% 
 
2 - Definição: 
Nova definição de afogamento e terminologia foi estabelecida por consenso em 
2002, em uso pela Organização Mundial de Saúde. 
1. Afogamento é a “aspiração de líquido não corporal por submersão (abaixo da 
superfície do líquido) ou imersão (água na face)”. Pessoa resgatada da água 
com evidência de aspiração de líquido: tosse ou espuma na boca ou nariz. 
2. Resgate é a retirada de vítima viva da água sem tosse ou espuma na boca ou 
nariz. Quando consciente, pode ser liberada no local pelo socorrista, sem 
necessidade de atendimento médico. Todos os casos podem apresentar 
hipotermia, náuseas, vômitos, distensão abdominal, tremores, cefaleia, 
cansaço, dores musculares e outros sintomasinespecíficos. 
3. Já cadáver por afogamento, trata-se da “morte por afogamento sem chances 
de iniciar reanimação. Identificada por tempo de submersão maior que uma 
hora ou sinais evidentes de morte, como rigidez cadavérica, livor, ou 
decomposição corporal”. 
 
O afogamento, quanto ao desfecho, pode ser fatal ou não fatal. Como visto, 
qualquer incidente de submersão ou imersão sem evidência de aspiração deve ser 
considerado um resgate da água, não um afogamento. Termos como "quase 
afogamento" (neardrowning), "afogamento seco ou molhado", "afogamento ativo e 
passivo" e "afogamento secundário (re-afogamento horas após o evento)" ou apenas 
“submersão” são obsoletos e devem ser evitados. 
3-Classificação e Socorro do Afogado: 
• Quanto ao tipo de água (importante para campanhas de prevenção) 
• Quanto à Causa (identifica a doença relacionada ao afogamento): 
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1 - afogamento primário: quando não existem indícios de uma causa base. 
2 - afogamento secundário: quando existe alguma causa que impediu a vítima de 
se manter na superfície da água, precipitando o afogamento. 
• Quanto à Gravidade (ver figura 2) 
 
Figura 1:Cadeia da sobrevivência no afogamento. 
Prevenção: 
 
Apesar da ênfase no resgate e no tratamento, a prevenção permanece a mais 
poderosa intervenção e a de menor custo, podendo evitar mais de 85% dos casos de 
afogamento. Campanhas de educação na prevenção podem ser visualizadas em 
www.sobrasa.org. 
 
Reconheça o afogamento e peça para ligarem para o 193 
 
Qualquer atitude de ajuda deve ser precedida pelo reconhecimento de que 
alguém está se afogando. Ao contrário da crença popular, o banhista em apuros não 
acena com a mão e tampouco chama por ajuda. Encontra-se tipicamente em posição 
vertical, com os braços estendidos lateralmente, batendo com os mesmos na água. 
Indivíduos próximos da vítima podem achar que ele está apenas brincando na água. 
A vítima pode submergir e emergir sua cabeça diversas vezes, enquanto está lutando 
para se manter acima da superfície. Como a respiração instintivamente tem 
prioridade, a vítima é geralmente incapaz de gritar por socorro. Ao reconhecer que 
uma vítima está se afogando, a prioridade inicial é dar o alarme. Peça que alguém 
ligue 193 (Corpo de Bombeiros) ou 192 (SAMU) e avise o que e onde está 
acontecendo, assim como o que pretende fazer. Só então o socorrista deverá partir 
para realizar o resgate, caso seja capaz. 
 
 
 
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Forneça dispositivo de flutuação 
 
Fornecer flutuação é uma estratégia muito importante, mas pouco utilizada, 
apesar de ganhar tempo valioso até a chegada do serviço de emergência. A maioria 
das ações de resgate por leigos tende a se concentrar em retirar a vítima da água, 
mesmo que para isto exista um alto risco de vida ao resgatista. É fundamental que 
profissionais de saúde tomem precauções para não se tornar uma segunda vítima na 
hora de ajudar. Portanto, a prioridade inicial nas ações de resgate é oferecer 
flutuação, se possível sem entrar na água. Dispositivos de flutuação nem sempre 
estão disponíveis na cena, mas pode-se improvisar com objetos tais como garrafas de 
plástico vazias, pranchas de surf, geladeira ou outros materiais em isopor e espumas 
diversas. 
 
Remover da água - só se for seguro 
 
Após oferecer flutuação e interromper o processo de submersão, a próxima 
ação é retirar a vítima da água. Sempre que possível, ajude a retirá-la sem entrar 
totalmente na água, apontando direções mais próximas e seguras para que a própria 
vítima tente o auto salvamento. Se não for possível, na sequência, tente utilizar 
técnicas de arremesso de cabo. Se essas medidas mais seguras falharem, considerar a 
entrada na água se, e somente se, tiver treinamento e condicionamento para tanto. A 
fim de mitigar o risco de afogamento para o socorrista, deve-se trazer um objeto de 
flutuação para interpor entre o ele e a vítima. 
É importante considerar, na dependência da experiência do socorrista, realizar 
ventilações de resgate (boca-a-boca) para o afogado inconsciente (0.5% das 
ocorrências), ainda dentro da água, durante o salvamento. A ventilação ainda 
dentro da água proporciona à vítima uma probabilidade 4 vezes maior de 
sobrevivência livre de dano neurológico. Infelizmente, compressões torácicas não 
podem ser realizadas de maneira eficaz na água. 
Ventilação dentro da água não permite o uso de barreiras de proteção (máscara), 
por impossibilidade técnica, sendo aconselhável a realização do boca-a-boca. A 
incidência relatada na literatura de risco de contágio por HIV ou vírus das hepatites 
(B e C) é muito baixa (centesimal a decimal). É recomendável ainda assim, que todos 
os profissionais de saúde sejam vacinados para hepatite B. O risco é um pouco mais 
elevado com a presença de vômito ou sangue visíveis na cavidade oral, quando deve 
ser evitada a ventilação boca-a-boca. 
Métodos de ventilação dentro da água: 
• Sem equipamento de flutuação – só é recomendável com dois socorristas ou 
com um socorrista em água rasa. 
• Com equipamentode flutuação – Pode ser realizado com apenas um 
socorrista, mas deve ter treinamento para tal procedimento. O material de 
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flutuação deve ser utilizado no tórax superior, promovendo uma espontânea 
hiperextensão do pescoço e a abertura das vias aéreas. 
 
Considerando a baixa incidência de TRM nos salvamentos aquáticos e a 
possibilidade de desperdício de precioso tempo para iniciar a ventilação e 
oxigenação, a imobilização de rotina da coluna cervical durante o resgate aquático 
em vítimas de afogamento sem sinais de trauma não é recomendada. 
 
Suporte de Vida Básico e Avançado 
O transporte da vítima para fora da água deve ser realizado de acordo com o 
nível de consciência, mas preferencialmente na posição vertical para evitar vômitos e 
demais complicações de vias aéreas. Em caso de vítima exausta, confusa ou 
inconsciente, transporte em posição mais próxima possível da vertical, mantendo a 
cabeça acima do nível do corpo sem, contudo, obstruir as vias aéreas. 
Ao chegar à área seca, o corpo da vítima deve ser orientado paralelo à direção 
do espelho d'água, o mais horizontal possível, em decúbito dorsal, distante o 
suficiente da água a fim de evitar as ondas. Se estiver consciente, coloque o afogado 
em decúbito dorsal com o tronco elevado a 30º. Se estiver inconsciente, porém 
ventilando, coloque a vítima em posição lateral de segurança sobre o decúbito lateral 
direito.As tentativas de drenagem da água aspirada são extremamente nocivas e 
devem ser evitadas. A manobra de compressão abdominal (Heimlich) nunca deve ser 
realizada como meio para eliminar água dos pulmões, pois é ineficaz e gera riscos 
significativos de vômitos e bronco-aspiração. Durante a ressuscitação, colocar a 
cabeça da vítima abaixo do nível do corpo, na tentativa de drenar água das vias 
aéreas, aumenta a probabilidade de vômito em mais de cinco vezes, com aumento de 
19% na mortalidade. O vômito ocorre em mais de 65% das vítimas que necessitam 
de ventilação assistida e em 86% dos que necessitam de RCP. Mesmo naqueles que 
não necessitam de intervenção após o resgate, o vômito ocorreem 50%. Em caso de 
vômitos, role a vítima lateralmente e remova o vômito com varredura digital (mãos 
com luvas e gaze) ou aspiração e continue prestando a assistência ventilatória. 
 
4 - Classificação da Gravidade e Tratamento do Afogado: 
 
Observações sobre o grau 6 – PCR (figura 2) 
 - DEA não tem utilidade em casos de afogamento primário, pois a PCR é de 
causa respiratória (hipoxemia/hipóxia) e, portanto, ocorre em atividade 
elétrica sem puso/assistolia na quase totalidade dos casos, quando não há 
indicação de desfibrilação. No entanto o DEA é útil em situações de praias e 
balneários com grande frequência de PCR em fibrilação ventricular (FV), 
afogamento secundário, de pessoas com doença prévia. 
 
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- RCP deve ser realizada no local, pois é onde terá a maior probabilidade de 
sucesso. Nos casos do retorno da circulação espontânea e respiratória, 
monitore a vítima com muita atenção até a chegada da equipe médica, pois 
ainda não esta fora de risco de uma nova parada cardiorrespiratória. 
 
 
 - Quando vale à pena a RCP em afogamento? 
Todos os afogados em PCR com um tempo de submersão inferior a uma 
hora devem receber RCP. Três fatos juntos ou isolados, explicam o maior 
sucesso da RCP nos afogados – o “reflexo de mergulho”, a continuação da 
troca gasosa de O2 - CO2 após a submersão, e a hipotermia. O Centro de 
Recuperação de Afogados (CRA) tem registrados 13 casos de PCR com 
submersão maior do que 7 minutos, sendo 8 com mais de 14 minutos 
ressuscitados com sucesso (2003). 
Todos os casos de PCR que não apresentem rigidez cadavérica, sinais de 
decomposição corporal ou livores. 
 
 
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- Quando parar as manobras de RCP em afogados? 
 
1o - Se houver recuperação da circulação espontânea (respiração, movimentos 
e ritmo cardíaco organizado ao monitor, com pulso carotídeo); 
2o - em caso de exaustão dos socorristas ou; 
3o - ao entregar o afogado a uma equipe médica. 
 
Existem casos descritos de sucesso na reanimação de afogados após 2 horas 
de manobras, e casos de recuperação sem danos ao cérebro com até 1 hora de 
submersão. Para a equipe médica, a ressuscitação deve ser encerrada apenas quando 
a vítima estiver com temperatura corporal acima de 34oC e mantiver-se em assistolia. 
Caso contrário, a ressuscitação deverá ser mantida. 
 - Suporte Avançado de Vida no local 
 
Ao contrário de opiniões passadas, levar o equipamento médico à vítima, 
ao invés de levá-la ao hospital, poupa um tempo precioso aos casos de 
afogamento. O tratamento médico avançado é instituído de acordo com a 
classificação do afogamento no local do incidente onde todo atendimento 
inicial básico foi iniciado. Desta forma em situações críticas de atendimento 
avançado a casos de afogamento, prepare-se para ficar ao menos por 15 a 30 
minutos no local do incidente. 
 
 A aspiração das vias aéreas antes da intubação é geralmente necessária, mas 
não deve ser excessiva a ponto de prejudicar a própria ventilação. Uma vez intubada, 
a vítima pode ser ventilada e oxigenada adequadamente, mesmo na presença de 
edema pulmonar. O acesso venoso periférico é a via preferencial para administrar 
drogas. A dose de adrenalina utilizadas durante a RCP é a mesma recomendada pela 
American Heart Association para qualquer PCR, 1 mg IV em bolus a cada 3 minutos 
de RCP. 
 
Indicações de Internação: 
 
A hospitalização é recomendada para todos os pacientes com grau de afogamento 
2 a 6. Pacientes grau 3 a 6, geralmente precisam de intubação e ventilação mecânica 
e devem ser internados em Unidade de Terapia Intensiva. 
 
 
 
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Capítulo VI 
Emergências Psiquiátricas 
1 - INTRODUÇÃO 
1.1 Conceitos e Definições Sobre a Saúde Mental: 
 
A OMS preconiza que a saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental, 
social. Ainda de acordo com dados da OMS (2010), os estudos indicam que uma em 
cada duas pessoa, no mundo, sofrerá de algum problema relacionado a saúde mental. 
De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria cerca de 30% da 
população brasileira irá desenvolver algum transtorno mental ao longo de sua vida. 
A atual política nacional de saúde mental nasceu das experiências européias que 
buscavam mudanças no modelo assistencial aos portadores de transtorno mental. 
A reforma psiquiátrica brasileira foi baseada na reforma psiquiátrica italiana, cujo 
principal expoente foi Franco Basaglia, em 2001 foi promulgada a lei 10.216 de 
autoria do Deputado Paulo Delgado, esta lei implementou a modificação do modelo 
baseado em internações nos hospitais psiquiátricos para o modelo comunitário ,com 
uma rede integrada de CAPS, NAPS, Hospital Dia, ambulatórios de saúde mental, 
residências terapêuticas e setores em hospitais gerais para o atendimento a 
emergências psiquiátricas com tempo máximo de internação. Foi estabelecido pela 
lei a redução progressiva de leitos, estas ações têm como finalidade a reinserção 
social dos portadores de transtorno mental na sociedade. 
 
• Principais Causas e Alterações no Transtorno Mental: 
Polanczyk (2009) afirma que os agentes etiológicos das psicopatologias são 
multifatoriais que se inter-relacionam entre si e observamos três características 
causais das psicopatologias: 
• Nas características individuais de cada pessoa temos (fatores biológicos, 
genéticos e psicológicos); 
• Nas características ambientais (ações de familiares, relacionamentos 
interpessoais, exposição a eventos estressores); 
• Características sociais (rede de apoio social e nível socioeconômico). 
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A alucinação e o delírio são as alterações mais encontradas nas psicopatologias, 
além da agitação psicomotora seguida de agressividade nos casos graves. 
 
Delírio: Envolve alterações do pensamento com equívocos da realidade, sobre 
algo que existe, porém distorcido, como numa perseguição imaginária; 
Alucinações: São percepções falsas, tais como ouvir, ver ou sentir algo que não 
existe. 
Diversos problemas enfrentados na infância podem produzir problemas 
psiquiátricos na fase adulta. 
De acordo com o Ministério da saúde, 3% da população sofre com transtornos 
mentais severos e persistentes, mais de 6% da população brasileira apresenta 
transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso abusivo de álcool e drogas, 
necessitando de atendimento em saúde mental. 
Murray e Lopes (1996 Apud Brasil, 2003) afirmam que estudos realizados pela 
Universidade de Harvard apontam que, das dez doenças mais incapacitantes em todo 
o mundo, cinco são de origem psiquiátrica: Depressão, transtorno afetivo bipolar, 
alcoolismo, esquizofrenia e transtorno obsessivo-compulsivo. 
 
Principais Problemas de Saúde Mental Encontrados no Ambiente Pré-
hospitalar: 
• Tentativa de suicídio; 
• Intoxicação e abstinência por álcool e drogas; 
• Surto psicótico de origem orgânica ou funcional; 
• Comportamentoagressivo com ameaça iminente à própria integridade 
física ou de terceiros. 
• Transtornos de humor. 
 
Legislações que Amparam o Atendimento aos Portadores de Transtorno Mental 
no Ambiente Pré-hospitalar: 
Lei 8080/90 e 8142/90 são as leis orgânicas que regulamentam o sistema único 
de saúde, preconizam a atenção integral, acesso universal e com rede hierarquizada e 
descentralizada dos serviços de saúde. 
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154 
Lei 10.216 /2001 a lei que regulamenta a assistência aos portadores de transtorno 
mental, seus direitos e estabelece diretrizes sobre desinstitucionalização. 
Lei Estadual 2.920 autoriza o poder executivo a criar uma central de 
atendimento emergencial de remoções de portadores de transtorno mental sob a 
coordenação do CBMERJ. 
 Portaria nº 2048/GM, de 5 de novembro de 2002, que institui o Regulamento 
Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência 
Portaria Nº 1.864, de 29 de setembro de 2003, institui o componente pré-
hospitalar móvel da Política Nacional de Atenção às Urgências, por intermédio da 
implantação de Serviços de Atendimento Móvel de Urgência em municípios e 
regiões de todo o território brasileiro: SAMU- 192. 
Resolução do conselho federal de medicina nº 2057/2013, cap. vi, artigo 16 
inciso 3, prescrição medica para contenção física ou mecânica. 
Resolução do COFEN nº 427/2012 que autoriza a contenção em casos de 
urgência e emergência sob a supervisão do enfermeiro. 
Protocolo operacional padrão (POP) CBMERJ nº16: estabelece que compete ao 
COGS (GSE-SAMU) regular o atendimento de emergência aos portadores de 
transtorno mental na cidade do Rio de Janeiro, com viaturas do CBMERJ e do 
SAMU; Cabe ao CBMERJ no Estado do Rio de Janeiro apoiar as equipes do samu 
ou orgãos similares nas emergências psiquiátricas. 
 
2 - AVALIAÇÃO DA CENA NO ATENDIMENTO AOS PORTADORES DE 
TRANSTORNO MENTAL 
 - Avaliar ao chegar no local, os riscos para a guarnição como: agitação, 
agressividade (com fala ameaçadora, objetos quebrados na cena, presença de 
lesões) e desorientação (discurso com delírios ou alucinações); - As viaturas deverão chegar ao local do evento de forma discreta; - Em nenhum momento a equipe de socorro deverá colocar-se em perigo. - Procurar colher histórico das patologias e das crises anteriores. - Certificar-se que o ambiente está seguro para a vítima, seus familiares e a 
guarnição envolvida no atendimento. - Caso seja necessário solicite apoio policial. 
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- Isolar o local, impedindo a aproximação de curiosos. 
 
3 - AVALIAÇÃO DA VÍTIMA DURANTE O ATENDIMENTO AOS 
PORTADORES DE TRANSTORNO MENTAL 
A abordagem ao PTM deve ocorrer de forma tranquila, com um único socorrista 
como interlocutor, porém de forma firme, com linguagem clara, mostrando a sua 
intenção de ajuda-lo, para estabelecer um vínculo de confiança, mantenha uma 
distância segura durante a abordagem. 
Os demais componentes da guarnição deverão manter uma certa distância 
É fundamental que o socorrista escute a vítima com atenção e demonstre interesse 
para consolidar o vínculo, mantendo contato visual enquanto ele fala, não emita 
nenhuma crítica. - Informe a vítima sobre o que será realizado, mantendo sempre a cordialidade. - Jamais discutir com a vítima. - Não concordar com suas alucinações e delírios, porém não censurar. - Controle a vítima de maneira que acredite que está fazendo sua própria 
vontade, tentando a condução da vítima pelo diálogo. 
 
4 - CONTENÇÃO FÍSICA E MECÂNICA DA VÍTIMA DE TRANSTORNO 
MENTAL 
Cabe ao MÉDICO regulador ou assistente prescrever a contenção física/mecânica 
do Portador de Transtorno Mental (PTM). 
Na ausência do profissional médico, em situações de risco iminente para saúde do 
PTM ou da equipe, cabe ao ENFERMEIRO prescrever tal procedimento. 
Resolução/COFEN-427/12 
Caso não obtenha êxito pela intervenção verbal e necessite da contenção 
mecânica. 
O ideal seria a contenção por um grupo de oito pessoas, com dois a nível da 
cabeça, dois no ombro, dois no quadril e dois nas pernas, segundo o POP nº 16 do 
CBMERJ. 
De acordo com o manual de enfermagem em emergências da SESDF são 
preconizadas 5 pessoas nesta contenção, sendo um elemento em cada membro da 
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vítima e um se posicionara atrás segurando a cabeça com uma das mãos e outra mão 
no peito da vítima deslocando-o para trás. 
Poderão ser utilizados espectadores externos que demonstrem preparo para 
colaborar. 
Deve-se manter o contato verbal com a vítima durante a contenção, tentando 
acalmá-la, informando que tal medida é para protegê-la. 
Utilizar quatro faixas acolchoadas com algodão ortopédico uma em cada membro 
na prancha longa fixar com tirantes e head block. 
 
• Contenção física: Caracteriza-se pela imobilização do paciente por várias 
pessoas da equipe que o seguram firmemente ao solo. Mantovane et al 2010. 
• Contenção mecânica: Caracteriza-se pelo uso de faixas de couro ou tecido, 
em quatro ou cinco pontos que fixam o paciente ao leito. Mantovane et.al 
2010. 
Revistar a vítima em busca de drogas, armas ou objetos que representem algum 
risco. 
5 - REAVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DA VÍTIMA COM 
TRANSTORNO MENTAL 
Avalie cuidadosamente o paciente de forma constante objetivando detectar 
possíveis síndromes organo-mentais, pois nestes casos os pacientes devem ser 
atendidos por profissionais da clínica médica. 
Deve ser avaliado a cada 30 minutos: nível de consciência, sinais vitais, 
estado dos membros contidos e impressões do paciente. 
Em todos os procedimentos realizados, deve-se falar o que será feito, sempre 
num clima de cordialidade, mantendo o profissionalismo. 
Lembrem-se: todo portador de transtorno mental é um ser humano, que 
necessita de cuidados e atenção, como todos nós 
 
 
 
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
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