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EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO 
TRIBUNAL FEDERAL 
 
 
 
 
 
 
DA COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR 
 
Nos termos do art. 988, §1º do NCPC, a reclamação pode ser proposta perante qualquer 
tribunal, e seu julgamento compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca 
preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir, inclusive para garantir decisão 
proferida em controle de constitucionalidade concentrado estadual. No presente caso, 
a competência será do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o art. 103-A, §3º da 
Constituição Federal de 1988. 
 
DA LEGITIMIDADE PASSIVA 
 
A legitimidade passiva será do órgão ou autoridade pública que proferiu a decisão 
judicial ou editou o ato administrativo impugnado, e do beneficiário da decisão 
impugnada (art. 989, III, NCPC). Na ocorrência do fato concreto, será o Secretário da 
Administração Pública e os servidores públicos inativos. 
 
DA LEGITIMIDADE ATIVA 
 
 A legitimidade para a reclamação é da parte interessada ou do Ministério Público (caput 
do art. 988 do CPC), todavia, no que tange ao tema, é importante mencionar que em 
momento anterior, o Supremo Tribunal Federal, somente admitia o manejo da 
reclamação constitucional fundamentada em desrespeito à autoridade das suas 
decisões, tomadas no bojo de ação de controle concentrado pelos próprios legitimados 
ou colegitimados que haviam inaugurado o processo de natureza objetiva, ou seja, 
apenas os entes taxativamente legitimados no art. 103 da Constituição Federal 
detinham legitimidade ativa para a propositura da reclamação constitucional. No 
entanto, atualmente, o próprio Supremo, alterou o posicionamento acima exposto, 
conferindo portanto, legitimidade ad causam para apresentar a reclamação 
constitucional a todos aqueles que demonstrarem prejuízo advindo da não observância 
das suas decisões. 
Dessa forma, necessário se faz a menção do julgado abaixo transcrito, que 
ilustra o posicionamento atual do STF acerca da legitimidade ad causam, no que tange 
ao manejo da reclamação constitucional: 
 
“...Reconhecimento de legitimidade ativa ad causam de 
todos que comprovem prejuízo oriundo de decisões dos 
órgãos do Poder Judiciário, bem como a Administração 
Pública de todos os níveis, contrárias ao julgado do 
Tribunal. Ampliação do Conceito de parte interessada (lei n° 
8038/90, artigo 13). Reflexos processuais da eficácia 
vinculante do acórdão a ser preservado. Apreciado o mérito 
da ADI 1662-SP (DJ de 30.08.01).” 
Se faz válido também, transcrever o entendimento do didático Luiz Guilherme 
Marinoni, que assim disserta sobre os legitimados para utilização da reclamação 
constitucional: 
 
” ...Por simples consequência, não há por que restringir a 
reclamação aos legitimados à ação direta e ao órgão que 
editou a norma, pois o jurisdicionado, em seu respectivo 
caso, reclama a autoridade dos fundamentos determinantes 
das decisões do STF em nome da coerência do direito e da 
segurança jurídica. Note-se que não está em jogo a 
declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade 
de específica norma, mas a força ou autoridade dos seus 
fundamentos adotados pela Corte para decidir pela 
constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Portanto, em 
vista da eficácia vinculante, legitimados são os 
prejudicados pelo ato que negou os fundamentos 
determinantes e aquele que o praticou. Esse último infringe 
a autoridade da decisão do STF, enquanto o primeiro por ser 
tutelado pelo precedente constitucional, necessita da 
reclamação.” 
 
Considera-se portanto que, possuem legitimidade ativa para a utilização da 
reclamação constitucional todos aqueles que atingidos por decisão contrária ao 
entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal em ação de controle concentrado 
de constitucionalidade, ou, no controle incidental de constitucionalidade, as próprias 
partes que compuseram a relação processual referente aos processos de índole 
subjetiva, conforme já abordado. 
 
 
 _________________________________________________________________ 
 
 
BENEDITO, nacionalidade_____, bacharel em Direito, _____ estado civil_____, 
portador do documento de identidade registro Geral (RG) n_____, inscrito no Cadastro 
de Pessoas Físicas (CPF) sob nº_____, residente e domiciliado no endereço _____, por 
seu advogado inscrito na OAB/_____sob nº_____, que esta subscreve (instrumento de 
mandato incluso), com endereço na Rua_____ nº____, Bairro ____, local indicado para 
receber intimações (art. 77, V, do CPC/15), vem, respeitosamente, à presença de Vossa 
Excelência, com fundamento no art. 102, I, /, da Constituição Federal de 1988, art 9º, I, 
alínea “c” do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e arts. 319 e s. e 988 e s. 
do CPC/15, propor a presente RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL com pedido de 
liminar, em face do Secretário da Administração Pública, que determinou o 
pagamento auxílio alimentação, ato esse que não preservou a autoridade da decisão do 
Supremo Tribunal Federal e em face dos servidores públicos inativos, que se 
beneficiaram de decisão impugnada, consoante os motivos e fatos a seguir aduzidos: 
 
 
I-DOS FATOS 
 
O Reclamante, inconformado ante o ato do Secretário da Administração Pública de 
incluir na folha dos servidores inativos o citado auxílio alimentação, seguido do 
indeferimento do recurso da oposição parlamentar, propõe a seguinte Reclamação 
Constitucional cabível para assegurar a autoridade da decisão pacificada do Tribunal 
Superior. 
 
II- DO DIREITO 
O art. 988 do Código de Processo Civil de 2015, declara que: Caberá reclamação da 
parte interessada ou do Ministério Público para: 
 
I- Preservar a competência do tribunal; 
II- Garantir a autoridade das decisões do tribunal; 
III- Garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do 
Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; 
IV- Garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de 
resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de 
competência; 
 
E diante do presente caso, o art. 102 da Constituição Federal de 1988, I, alínea “i”, 
declara que: 
i) A reclamação para a preservação de sua competência e garantia da 
autoridade de suas decisões 
Sendo reforçado o texto legal acima citado, pelo art. 9º, I, alínea “c”, do Regimento 
Interno do Supremo Tribunal Federal: 
c) a reclamação que vise a preservar a competência do Tribunal ou a garantir 
a autoridade de suas decisões ou Súmulas Vinculantes; (Redação dada pela 
Emenda Regimental n. 49, de 3 de junho de 2014) 
 
Ante o caso concreto, o Secretário da Administração Pública do Município “Mike”, 
determinou que fosse pago auxílio alimentação para os servidores inativos para o 
presente mês, sob a justificativa de ausência de aumento real há muitos anos e que tal 
categoria não tem auxílio-moradia ou outro mecanismo para aumentar seus proventos, 
e com essa orientação, foi incluída na folha dos servidores inativos o citado auxílio 
alimentação, o que contraria expressamente a Súmula Vinculante 55 do STF: “O direito 
ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos.” 
A Suprema Corte, conforme entendimento já pacificado, reconhece que o direito ao 
vale-alimentação ou auxílio-alimentação não se estende aos inativos por força do § 4º 
do art. 40 da CF/1988, por se tratar de verba indenizatória, a qual destina-se a cobrir os 
custos de refeições devidas exclusivamente ao servidor que se encontrar no exercício 
de suas funções, não se incorporando à remuneração nem aos proventos de e ainda 
em face do § 8º do art. 40 na redação dada pela EC 20/1998, o Plenário do referido 
Tribunal, ao julgar a ADI 575, manteve o entendimento de que “a regra de extensão aos 
inativos das melhorias da remuneração dos correspondentes servidores em atividade 
(CF/1988, art. 40, § 8º, cf. EC 20/1998) não implica a permanente e absoluta paridade 
entre proventos e vencimentos, dado que nos últimos se podem incluir vantagens 
pecuniáriasque, por sua natureza, só podem ser atribuídas ao serviço ativo”. 
[RE 318.684, rel. min. Moreira Alves, 1ª T, j. 9-10-2001, DJ de 9-11-2001.] 
A Corte então, de tal modo, dispõe que “o direito ao auxílio-alimentação não se 
estende aos servidores inativos”. (...) Pelo exposto, julgo procedente a presente 
reclamação para cassar a decisão reclamada e determinar outra seja proferida, 
com a observância da Súmula Vinculante 55 do Supremo Tribunal Federal. [Rcl 
31.157, rel. min. Cármen Lúcia, dec. monocrática, j. 26-11-2018, DJE 261 de 5-12-
2018.] 
 
Nesta oportunidade, restou fixado o entendimento de que o pagamento de auxílio-
refeição visa subsidiar as despesas relativas à alimentação do servidor em atividade, 
sendo sua natureza transitória e indenizatória, destinando-se a indenizar o servidor por 
gastos em razão da função, em que normalmente são chamados de “ajuda de custo”, 
razão pela qual não se estende aos servidores públicos inativos , pois só se mostra 
legítima sua concessão aos servidores em atividade, não aos inativos e pensionistas. 
Diante de todo o exposto, comprova-se serem inconstitucionais os preceitos 
normativos que estendem o auxílio-alimentação aos servidores inativos e a pensionistas 
do Poder Público Municipal. Assim, a presente reclamação é, simplesmente, o meio 
apropriado para determinar a extensão da determinação e o cumprimento da decisão 
na sua totalidade. 
 
DA LIMINAR 
 
Como dito, tal decisão, muito embora tenha sido apoiada por sindicatos e por 
Associação de servidores públicos, objetivando sanar a ausência de aumento real e de 
auxílio-moradia, encontra impedimento expresso pela própria constituição de 88, além 
da súmula 55 da Suprema Corte e dos demais julgados pelo mesmo Egrégio. 
Ademais, como narrado acima, o fumus boni iuris, resta comprovado por ser 
evidente que sua concessão se deu sem qualquer observância da natureza do referido 
auxílio, em não haver causa para seu provento em face dos servidores públicos inativos, 
em vista de que qualquer norma que parta de premissa contrária é inconstitucional. 
Quanto ao periculum in mora, decorre do fato de que caso tenha que esperar 
até o julgamento final desta reclamação constitucional, corre o risco do pagamento das 
verbas deferidas aos inativos ter continuidade, ferindo a força jurígena da súmula que 
vincula toda a administração conforme a CF/88 em seu art. 103-A. 
Todo o relato mostra que a medida liminar deve ser deferida, em razão do 
descumprimento de Súmula e julgados por essa e. Suprema Corte, sendo a presente 
reclamação, constitucional, por sua finalidade se dar em restabelecer a autoridade de 
suas decisões. 
 
 
 
III- DO PEDIDO 
 
Em face do exposto, pleiteia o reclamante: 
a) Que sejam requisitadas informações da autoridade a quem for imputada a 
prática do ato impugnado, que as prestará no prazo de dez dias, como de 
direito, bem como a intimação do Ministério Público. 
 
b) A concessão de LIMINAR para afastar a eficácia da determinação proferida 
pelo Secretário da Administração Pública, do Município Mike. 
 
 
c) Julgue procedente a reclamação, cassando a decisão que concede o 
pagamento de auxílio-alimentação para servidores inativos, exorbitante de seu 
julgado, pelos termos do art. 992 do CPC/2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Valor da Causa: R$_____ 
 
Termos em que, 
Pede deferimento. 
 
Local e data _____ 
Advogado/OAB_____

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