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TRAUMATOLOGIA FORENSE E LESÕES CORPORAIS

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AULA 4 - MEDICINA LEGAL
TRAUMATOLOGIA FORENSE E LESÕES CORPORAIS
LESÃO CORPORAL: Lesões corporais – Artigo 129, Código Penal Brasileiro
DEFINIÇÃO: 
· Lesão corporal é qualquer simples alteração causado à integridade corporal de maneira culposa (não tem intenção de causar aquele dano) ou dolosa (intencional), na estrutura anatômica ou mesmo psicológica de uma pessoa. 
· Um beliscão ou um tapa é o bastante para caracterizar uma ofensa à integridade corporal de outrem. 
Perícia na lesão corporal 🡪 Constatar ou não a existência da lesão, caracterizar a lesão, determinar o nexo-casual entre o agente relatado e a lesão, o tempo da lesão e a época da produção – mostra tudo a partir da cronologia da lesão corporal. 
CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA DAS LESÕES CORPORAIS:
Lesão corporal leve: 
· Lesões resultantes da ofensa à integridade corporal ou à saúde de outrem, excetuando-se as lesões graves e gravíssimas. 
· Ex: Tapa – causa rubor facial; não gerou incapacidade por mais de 30 dias, ou debilidade de um membro. 
· Bem frequente!
Lesão corporal grave: 
· Quando resultam em incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias, perigo de vida, debilidade de membro, sentido ou função, deformidade permanente, aceleração de parto (feto vivo).
· Ex: Cortou um dos dedos da pessoa, mas mesmo assim a mão continua tendo a sua função. Funcionava 100% do membro e agora só funciona 50%.
Lesão corporal gravíssima: 
· Incapacidade permanente para o trabalho (ex: um olho que não enxerga mais), perda ou inutilização de membro, sentido ou função, deformidade permanente (a fução é perdida 100%), aborto. 
Lesão corporal seguida de morte: 
· Resulta quando, o agente alheio ao dolo (intenção de produzir aquele dano), lesa a vítima produzindo-lhe a morte. O agente não queria/não tinha intenção de produzir aquele desfecho. 
TRAUMATOLOGIA FORENSE:
· Ramo da medicina legal que estuda as ofensas à integridade corporal; os traumas físicos/psíquicos com relação à lei. 
· Estuda a lesão e avalia como que aconteceu aquela lesão, qual foi o objeto que provocou essa lesão. Logo, consegue ver os vestígios que facilitam a investigação do crime. 
· Estuda as lesões e os estados patológicos, imediatos ou tardios, produzidos pela violência sobre o corpo humano.
· Estuda as energias que, ofendendo a integridade física ou a saúde, quer do ponto de vista anatômico, quer do ponto de vista fisiológico ou mental, ocasiona lesões corporais e até a morte.
· Através do exame de corpo de delito, avalia os vestígios que dão a materialidade ao crime. 
CORPO DE DELITO: 
· Conjunto de elementos materiais ou vestígios que indicam a existência de um crime. O exame de corpo de delito é uma importante prova pericial, sua ausência em caso de crimes que deixam vestígios gera a nulidade do processo 🡪 sem esse exame não há provas para condenação no processo crime – tem que ter o autor e a vítima.
· Importante: para haver uma condenação em um processo crime é sempre necessária a presença de 2 elementos: AUTORIA E MATERIALIDADE. 
· A autoria é o autor da ação (o criminoso) e a materialidade é dada pelo Exame de Corpo de Delito (ex: os ferimentos/danos ao corpo, a presença do cadáver, os meios/armas usadas)
· Artigo 158 do Código de Processo Penal: “Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, DIRETO ou INDIRETO, não podendo supri-lo a confissão do acusado.”
· Indireto: Quando tem testemunha, fala que viu o crime. 
· Direto: É o próprio corpo. 
· Nesse sentido, nada adianta a própria confissão do acusado pelo crime se não houver elementos materiais que comprovem a sua ação. 
· Cadáver com ferimento causado por arma de fogo. Chega uma pessoa e fala que foi ela que matou, porém não adianta ela confessar, pois aquele cidadão pode estar sendo forçado a confessar um crime que nem foi ele que cometeu devido troca de favores. Com isso, a perícia vai analisar essa pessoa que confessou para certificar se tem algum vestígio para o crime. 
Exame de Corpo de Delito → A cena do crime deve ser isolada para que nada de fora altere o que realmente aconteceu.
Tem que investigar as marcas → marcas de mordidas, objetos específicos que causam “tatuagem” patognomônico. 
Vestígios de pele sob as unhas – células epidérmicas ou hemácias do autor. Avaliar região pélvica, presença de esperma ou lesão - colposcópio. 
Realizar exame de DNA por substâncias biológicas, fios de cabelo, sangue, raspado de swab da boca. 
Exames de imagem que complementam o resultado achado pelo visual e até mesmo exame de sangue. 
O perito deve anotar tudo que foi visualizado na vítima, desde como o corpo foi encontrado, até cada lesão encontrada no corpo da vítima → Laudo. 
ESTUDO DOS AGENTES VULNERANTES:
AGENTES MECÂNICOS: 
Os agentes mecânicos através da alteração da inércia de dividem em:
1. AGENTES MECÂNICOS SIMPLES:
A) Contendente: 
· Todo objeto rombo capaz de agir impactando traumaticamente no organismo da vítima - lesão contusa (pau, pedra, martelo, barra de ferro e membros do corpo humano como as mãos, pés, cotovelo, chute e outros). 
B) Cortante: 
· Todo objeto dotado de lâmina apresentando fio, lume ou corte (navalha, faca, gilete, canivete, pedaço de louça, papel, vidro, plástico e outros).
C) Perfurante: 
· Todo aquele que possui uma haste cilíndrico-crônica dotada de ponta que afasta as fibras dos tecidos do corpo do ofendido (pequeno calibre – raramente mortais: alfinete, agulha, prego, espinhos; médio calibre – podem ser mortais: espeto de churrasco, furador de gelo ou de carne; grande calibre – mortais: florete (esgrima), estaca).
2. AGENTES MECÂNICOS MISTOS:
Agentes mecânicos mistos: podem combinar propriedade de contusão + perfuratória e cortante, podendo ser:
A) Corto-contundente:
· Objeto pesado com superfície de corte impulsionado pelos membros do agressor. Vai precisar de uma força física. 
· Ex: machado, facão, foice, enxada, dentes (mordida).
B) Pérfuro-cortante: 
· Instrumento formado de uma lâmina com um ou mais gumes cortantes e ponta na extremidade que perfura associando as duas ações. Não vai só cortar, e sim perfurar. 
· Ex: “peixeira”, facão, punhal, canivete, espada. 
C) Pérfuro-contundente:
· Instrumento que atua sobre o alvo contundindo e perfurando partilhando as duas características. Fala que é contundente porque após perfurar ele pode explodir, e tem uma energia muito grande. 
· Ex: Arma de fogo (PAF), chumbo das espingardas e também ponta de grades de ferro, guarda chuva. 
LESÕES PERFURANTES:
· Lesões puramente perfurantes (simples). Ex: agulha (pode causar lesão pois pode injetar alguma substância que leva a morte), ferro, furador de gelo. 
· Lesões causadas por instrumentos punctórios, finos, alongados e pontiagudos, de diâmetro reduzido. 
· Agem sobre um ponto, penetrando os tecidos, afastando as fibras entre elas sem selecioná-las, lesando em profundidade do corpo da vítima 
· Resultam em feridas puntiformes ou punctórias. Apresentando-se em forma de ponto com abertura estreia de raro sangramento externo 
· Ao retirar o objeto perfurante, as fibras voltam a se aproximar, por isso é raro o sangramento. 
 
LESÕES CONTUNDENTES:
· Instrumento contundente é todo objeto rombo (quando não tem lâmina nem ponta), capaz de agir traumaticamente sobre o organismo. 
· A ação causadora da lesão contusa pode ser por pressão, por deslizamento ou ambas. 
· Ocorre por instrumento duro e rombo, como é o caso de paus, pedras, barras de ferro, murro, socos, chutes, cabeçadas.
· Água e o ar podem causar lesões contundentes. 
· Ex: mergulho, ou pessoa caiu do barco ou lancha (água) e explosão (ar). 
São subdivididas em:
1. Rubefação 🡪 Congestão repentina e momentânea de uma região do corpo, apresentando-se uma mancha avermelhada, efêmera e fugaz, que desaparece em alguns minutos – é muito rápida 
 
2. Escoriação 🡪 resultado da ação tangencial dos meios contundentes. Ex: unhas, chão. Caracteriza-se pela solução de continuidade superficial da pele (arrancamento e desnudamento da derme). Fluem serosidade e sangue. Não ocorre cicatrização,