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Aula/tutoria sobre vírus e infecção viral: descreve características e estrutura (tamanho, DNA/RNA, capsídeo, envelope), exemplos de tipos (adenovírus, retrovírus, arbovírus, bacteriófagos, micófagos), efeitos celulares (morte, fusão, transformação, inclusões, efeito citopático) e patogênese (transmissão, replicação).

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Por Yan Slaviero Augusto
 Tutoria 
 Aula 2
Período 2 - Módulo 2 - INFECÇÃO VIRAL por Yan Slaviero Augusto
1- Explicar as características gerais do vírus
· Os vírus foram originalmente diferenciados de outros agentes infecciosos por serem especialmente muito pequenos (filtráveis) e por serem parasitos intracelulares obrigatórios – isto é, eles necessariamente precisam de células hospedeiras vivas para a sua multiplicação. Entretanto, essas duas propriedades são compartilhadas por determinadas bactérias pequenas, como algumas riquétsias.
· O diâmetro dos vírus varia de 20 a 300 nm; isso corresponde aproximadamente a uma faixa de tamanhos que vai da maior proteína até a menor célula.
· Suas formas são frequentemente denominadas por termos coloquiais (p. ex., es- feras, bastões, balas ou tijolos), mas na realidade são estruturas complexas de simetria geométrica precisa.
· A forma das partículas virais é determinada pelo arranjo de subunidades repetitivas que formam a cobertura proteica (capsídeo) do vírus.
· Contém um único tipo de ácido nucleico, DNA ou RNA.
· Contém um revestimento proteico (às vezes recoberto por um envelope de lipídios, proteínas e carboidratos) que envolve o ácido nucleico.
· Multiplicam-se no interior de células vivas utilizando a maquinaria sintética da célula.
· Induzem a síntese de estruturas especializadas que podem transferir o ácido nucleico viral para outras células.
· Os vírus precisam se reproduzir (replicar) dentro de células, uma vez que eles não são capazes de produzir sua própria energia ou sintetizar suas proteínas.
 Estrutura:
· Ácidos nucleicos (RNA e DNA): são as informações contidas no vírus que deverão ser utilizadas para sintetizar proteínas na célula invadida.
· Capsídeo: envolve e protege o ácido nucleico viral da digestão por enzimas. Além disso, possui regiões que permitem a passagem do ácido nucleico para injetar no citoplasma da célula hospedeira.
· Envelope de glicoproteínas: revestimento formado por lipídios e proteínas ao redor do capsídeo, que são utilizadas para invadir a membrana celular e se ligar a ela, facilitando a fixação do vírus.
Tipos de Vírus: Os vírus são classificados de acordo com o tipo de ácido nucleico, de acordo com a forma do capsídeo e também pelos organismos que eles são capazes de infectar. Veja os exemplos a seguir.
· Adenovírus: formados por DNA, por exemplo o vírus da pneumonia.
· Retrovírus: formados por RNA, por exemplo o vírus HIV.
· Arbovírus: transmitidos por insetos, por exemplo o vírus da dengue.
· Bacteriófagos: vírus que infectam bactérias.
· Micófagos: vírus que infectam fungos.
2- Entender os mecanismos de agressão e defesa viral
Existem quatro principais efeitos de uma infecção viral em uma célula: (1) morte, (2) fusão das células para formar uma célula multinucleada, (3) transformação maligna, (4) nenhuma mudança morfológica ou funcional aparente.
A morte da célula provavelmente ocorre devido à inibição da síntese de macromoléculas. A inibição da síntese de proteínas celulares do hospedeiro frequentemente ocorre primeiro e é provavelmente o efeito mais importante. A inibição da síntese de DNA e RNA pode ser um efeito secundário. É importante observar que a síntese de proteínas celulares é inibida, mas a síntese de proteínas virais ainda ocorre. Células infectadas frequentemente apresentam corpúsculos de inclusão, que são áreas distintas que contêm proteínas virais ou partículas virais. Eles possuem localização intranuclear ou intracitoplasmática característica, e sua aparência depende do tipo de vírus. A fusão de células infectadas por vírus produz células gigantes multinucleadas, que caracteristicamente se formam após infecções por herpes-vírus e paramixovírus. A fusão ocorre como resultado de mudanças na membrana celular, provavelmente causadas pela inserção de proteínas virais na membrana. Uma característica de infecções virais em uma célula é o efeito citopático (ECP). Essa mudança na aparência da célula infectada normalmente começa com arredondamento e escurecimento da célula, culminando em lise (desintegração) ou formação de células gigantes. A infecção por certos vírus causa transformação maligna, que é caracterizada por crescimento descontrolado, sobrevivência prolongada e mudanças morfológicas, como áreas focais de células arredondadas e empilhadas. A infecção de células acompanhada de produção viral pode ocorrer sem mudanças morfológicas ou mudanças funcionais intensas.
A patogênese no paciente infectado envolve: (1) transmissão do vírus e sua entrada no hospedeiro; (2) replicação do vírus e dano às células; (3) disseminação do vírus para outras células e órgãos; (4) a resposta imune, tanto como uma defesa do hospedeiro quanto como uma causa que contribui para certas doenças; (5) persistência do vírus em algumas situações.
Período de incubação durante o qual o paciente é assintomático, um período prodrômico durante o qual ocorrem sintomas não específicos, um período específico da doença durante o qual
ocorrem sintomas e sinais característicos, e um período de recuperação durante o qual a doença diminui e o paciente recupera sua saúde. Em alguns pacientes, a infecção persiste e um estado carreador crônico ou uma infecção latente ocorre. A transmissão entre mãe e filho é denominada transmissão vertical. Transmissão de pessoa a pessoa, que não seja de mãe para filho, é denominada transmissão horizontal.
A maior parte das infecções virais pode ser localizada na porta de entrada ou disseminada sistemicamente pelo corpo. Os sinais e sintomas da maioria das doenças virais indubitavelmente são o resultado da morte de células pela inibição da síntese macromolecular
induzida por vírus. A morte das células infectadas por vírus resulta em perda de função e nos sintomas da doença.
Evasão das defesas do hospedeiro. Os vírus apresentam diversas formas de escapar das defesas do hospedeiro (Tabela 32-4). Esses processos são normalmente denominados imuno evasão. Alguns vírus codificam receptores para vários mediadores de imunidade como interleucina 1 (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF). Quando liberadas da célula infectada por vírus, essas proteínas ligam-se aos imunomediadores e bloqueiam sua capacidade de interagir com receptores em seus alvos corretos, as células imunes que medeiam as defesas do hospedeiro contra infecções virais. Reduzindo as defesas do hospedeiro, a virulência do vírus é aumentada. Essas proteínas codificadas por vírus que bloqueiam imunomediadores do hospedeiro são geralmente chamadas de receptores isca. Além disso, alguns vírus são capazes de reduzir a expressão de proteínas do
MHC (complexo principal de histocompatibilidade) de classe I, dessa forma reduzindo a habilidade de células T citotóxicas de matar células infectadas por vírus. Outros vírus são capazes de inibir a ação do complemento. Vários vírus (HIV, vírus Epstein-Barr e adenovírus) sintetizam RNAs que bloqueiam a fosforilação de um fator de iniciação (eIF-2), o que reduz a capacidade de os interferons bloquearem a replicação viral. O CMV (citomegalovírus) codifica um microRNA que se liga ao mRNA codificador de um ligante de superfície das células natural killer. Uma terceira forma importante pela qual os vírus
evadem as defesas do hospedeiro é pela exibição de tipos antigênicos múltiplos (também conhecidos como sorotipos múltiplos).
A célula infectada
· A morte de células infectadas é provavelmente causada pela inibição da síntese proteica celular. A tradução do mRNA viral em proteínas virais impede que os ribossomos sintetizem proteínas celulares.
· Corpúsculos de inclusão são agregados de vírions em locais específicos da célula que são úteis para diagnóstico laboratorial. Dois exemplos importantes são os corpúsculos de Negri, no citoplasma de células infectadas pelo vírus da raiva, e inclusões do tipo olho de coruja, no núcleo de células infectadaspor citomegalovírus.
· Células gigantes multinucleadas formam-se quando células são infectadas por alguns vírus, principalmente herpes-vírus e paramixovírus, como o vírus sincicial respiratório.
· O efeito citopático (ECP) é uma mudança visual ou funcional em células infectadas, normalmente associado à morte das células.
· A transformação maligna ocorre quando células são infectadas por vírus oncogênicos. Células transformadas são capazes de crescer sem restrições.
· Algumas células infectadas por vírus parecem visual e funcionalmente normais, mas produzem grandes quantidades de progênie viral.
O paciente infectado
· Uma infecção viral em uma pessoa apresenta, normalmente, quatro estágios: período de incubação, período prodrômico, período específico da doença e período de recuperação.
· As principais portas de entrada são os tratos respiratório, gastrintestinal e genital, mas infecções na pele, da placenta e pelo sangue são igualmente importantes.
· A transmissão de mãe para o filho é chamada de transmissão vertical; todos os outros modos de transmissão (p. ex., fecal-oral, aerosol respiratório, picada de inseto) são transmissões horizontais. Uma transmissão pode ser de ser humano para ser humano ou de um animal para um ser humano.
· As infecções virais mais graves são sistêmicas (i.e., o vírus viaja de uma porta de entrada via sangue para vários órgãos). Entretanto, algumas são localizadas na porta de entrada, como a gripe comum, que envolve apenas o trato respiratório superior.
DEFESA DO CORPO
DEFESAS NÃO ESPECÍFICAS
1. Interferons alfa e beta
2. Células natural killer
3. Fagocitose
4. a-Defensinas
5. Enzima apolipoproteína B editora de
RNA (APOBEC3G)
6. Febre
7. Depuração mucociliar
8. Circuncisão
9. Fatores que modificam as defesas do hospedeiro
Defesas específicas
1. Imunidade ativa
2. Imunidade passiva
3. Imunidade de rebanho
3- Compreender a capacidade de multiplicação dos vírus
Ciclo viral 
A replicação viral, que ocorre no interior da célula do hospedeiro, evolui seguindo as etapas de adsorção, penetração, desnudamento, transcrição e tradução (sÌntese), maturação e liberação. 
Adsorção
A ligação de uma molécula presente na superfície da partÌcula viral com os receptores específicos da membrana celular do hospedeiro. Nos vírus envelopados, as estruturas de ligação geralmente se apresentam sob a forma de espÌculas, como nos ParamyxovÌrus e nos vírus sem envelope. A ligação célula-vÌrus geralmente está relacionada a um ou grupo de polipeptídeos estruturais, como acontece nos PapilomavÌrus. A presença ou ausência de receptores celulares determina o tropismo viral, ou seja, o tipo de célula em que são capazes de ser replicados. Para haver a adoção é necessária uma ponte entre as proteínas mediadas por íons livres de cálcio e magnésio, uma vez que as proteínas apresentam carga negativa. Outros fatores v„o influenciar diretamente na adsorção do vÌrus na membrana celular, tais como, temperatura, pH e envoltÛrios com glicoproteÌnas. 
Penetração
A entrada do vírus na célula. Esta pode ser feita de duas maneiras: fusão e viropexia. A fusão é quando a membrana celular e o envelope do vírus se fundem, permitindo a entrada deste no citosol da célula. No caso da família Paramyxoviridae, a proteÌna F catalisa a ligação da membrana com o envelope. A viropexia é uma invaginação da membrana celular mediada por receptores e por proteínas, denominadas clatrinas, que revestem a membrana internamente. Nos dois mecanismos existe uma dependência em relação à temperatura adequada, que fica em torno de 37ºC, um vírus que se replica em células de vertebrados. 
Desnudamento 
Neste processo, o capsÌdeo é removido pela ação de enzimas celulares existentes nos lisossomos, expondo o genoma viral. Além disso, se observa a fase de eclipse, onde não há aumento do número de partículas infecciosas na célula hospedeira. De uma maneira geral, o vÌrus que possui como ácido nucléico o DNA faz sÌntese no n˙cleo, com exceção do PoxvÌrus, uma vez que precisa da enzima polimerase, encontrada no n˙cleo da cÈlula. O vírus que possui como genoma o RNA faz a síntese viral no citoplasma, com exceção do vírus Influenza, pois já possui a enzima polimerase. 
Síntese viral 
A síntese viral compreende a formação das proteínas estruturais e não estruturais a partir dos processos de transcrição e tradução . Os vírus foram agrupados em sete classes propostas por Baltimore em 1971, de acordo com as características do ácido nucléico e as estratégias de replicação. Nos vírus inseridos nas classes I, III, IV e V, o processo de tradução do RNA mensageiro ocorre no citoplasma da célula hospedeira. Já nós vÌrus da classe II, este processo ocorre no n˙cleo. Em todas estas classes, o RNA mensageiro sintetizado vai se ligar aos ribossomas, codificando a síntese das proteínas virais. As primeiras proteínas a serem sintetizadas são chamadas de estruturais, pois vão formar a partícula viral. As tardias são as proteínas não estruturais, que participam do processo de replicação viral. Na classe VI, os vÌrus de RNA realizam a transcrição reversa formando o DNA complementar (RNAíÆDNAíÆRNA), devido a presença da enzima transcriptase reversa (famÌlia Retroviridae). Os vÌrus da classe VII apresentam um RNA intermediário de fita simples, maior do que o DNA de cadeia dupla que o originou (DNAíÆRNAíÆDNA). Resumindo, abaixo estão descritas as características principais de cada classe. 
• Classe I: Ocorre no citoplasma, independente do genoma celular, que é bloqueado. 
• Classe II: … realizada no núcleo, simultaneamente ‡ sÌntese do genoma celular. 
• Classe III: Processa-se no citoplasma; sendo, no início, apenas umas das fitas do ácido nucleico copiadas. 
• Classe IV: Ocorre no citoplasma, por meio de um processo complexo, ainda pouco esclarecido. 
• Classe V: A fita simples de RNA serve de molde para a formação de genoma viral e sÌntese de RNA mensageiro. 
• Classe VI: Pertence a essa classe à família Retroviridae, que possui uma enzima chamada Transcriptase Reversa, responsável pela sÌntese de DNA a partir de RNA. 
• Classe VII: Tem como exemplo a família Hepadnaviridae, cuja característica principal é a formação de um RNA intermediário. 
Montagem e Maturação 
Nessa fase, as proteínas vão se agregando ao genoma, formando o nucleocapsÌdeo. Alguns vírus, como o RotavÌrus, apresentam mais de um capsÌdeo. A maturação consiste na formação das partÌculas virais completas, ou vÌrions, que, em alguns casos, requerem a obtenção do envoltÛrio lipÌdico ou envelope. Este processo, depende de enzimas tanto do vírus quanto da célula hospedeira, podendo ocorrer no citoplasma ou no núcleo da célula. De uma forma geral, os vÌrus que possuem genoma constituÌdo de DNA condensam as suas partes no n˙cleo, enquanto os de RNA, no citoplasma. 
Liberação 
A saÌda do vÌrus da célula pode ocorrer por lise celular ou brotamento. Na lise celular (ciclo lÌtico), a quantidade de vírus produzida no interior da célula é tão grande que a célula se rompe, liberando novas partículas virais que vão entrar em outras células. Geralmente, os vírus não envelopados realizam este ciclo, ao passo que os envelopados saem da célula por brotamento. Neste caso, os nucleocapsÌdeos migram para a face interna da membrana celular e saem por brotamento, levando parte da membrana.
Ciclos 
Em relação aos bacteriofagos, nos dois ciclos (lÌtico e lisogênico), as fases de replicação são quase idênticas. Entretanto, no ciclo lítico, o vírus insere o seu material genÈtico na cÈlula hospedeira, onde as funções normais desta são interrompidas pela inserção do ácido nucleico viral, produzindo tantas partÌculas virais que ao “encher” “demasiadamente a cÈlula”, a arrebenta, liberando um grande número de novos vÌrus. Concluindo, no ciclo lÌtico há uma rápida replicação do genoma viral, montagem e liberação de vírus completos, levando ‡ lise celular, ou seja, a célula infectada rompe-se e os novos vírus são liberados. 
No lisogênico, o vírus insere seu ácido nucleico na célula hospedeira, onde este torna-se partedo DNA da célula infectada e a célula continua com suas funções normais. Durante a mitose, o material genético da célula com o do vírus incorporado sofre duplicação e, gerando células-filhas com o “novo” genoma. Logo, a cÈlula infectada transmitir· as informaÁıes genÈticas virais sempre que passar por mitose e todas as cÈlulas estarão infectadas tambÈm
4- Elucidar a patogênese da infecção viral
A doença viral ocorre em consequência da infecção viral em um hospedeiro, o qual pode apresentar ou não sinais e sintomas clínicos. Em muitos casos, a infecção viral não é capaz de causar alterações clínicas visíveis no indivíduo, infecção inaparente ou subclínica. Entretanto, quando observamos alterações clínicas no hospedeiro, chamamos de infecção sintomática ou aparente.
Algumas infecções virais podem causar o que chamamos de síndrome, que consiste em um grupo de sinais e sintomas específicos, caracterizando uma determinada infecção. Sendo assim, podemos considerar que um mesmo vírus pode causar sintomas clínicos diferentes. Além disso, também é possível que diferentes vírus possam causar os mesmos sintomas.
Correlação entre alguns sintomas clínicos da via respiratória e o agente viral: 
Os diferentes sinais e sintomas da doença viral observados em um hospedeiro são determinados por características específicas do agente, e também do hospedeiro, as quais são influenciadas por fatores genéticos de ambos.	
A patogênese viral refere-se à interação de fatores virais e do hospedeiro, que levam à produção de doença. Um vírus patogênico tem que ser capaz de infectar e causar sinais da doença em um hospedeiro suscetível. No processo da patogênese viral podemos observar doenças mais severas ou mais brandas. Isso ocorre devido à existência de cepas virais mais ou menos virulentas, ou às diferentes respostas imunológicas do hospedeiro.
As respostas das células dos hospedeiros suscetíveis às infecções virais podem ocorrer através de três caminhos diferentes: ausência de alterações aparentes, efeito citopático (CPE) seguido de morte e transformação celular (crescimento alterado).
Em relação aos padrões de doenças virais no hospedeiro, as infecções podem se apresentar das seguintes formas: localizada ou disseminada, sintomática ou inaparente, aguda ou crônica. A persistência de um agente viral, sem que o hospedeiro manifeste sintomas clínicos específicos, caracteriza o período de latência.
Na infecção localizada, a replicação viral permanece próxima ao sítio de entrada do vírus. Exemplo: pele, tratos respiratórios e gastroentérico. Na infecção sistêmica ou disseminada, o espalhamento do agente pelo organismo ocorre em várias etapas, como entrada, disseminação para os linfonodos regionais, viremia primária e disseminação para órgãos suscetíveis. Após a viremia secundária, os vírus são disseminados para outros órgãos, como cérebro, pulmão, pele, etc. (Figura 6). Existe uma predileção dos vírus para determinados órgãos. Os vírus das hepatites, por exemplo, atingem principalmente o fígado. É o que chamamos de tropismo viral.
Como já dissemos anteriormente, nas infecções sintomáticas, além do diagnóstico clínico, é necessária também a realização do diagnóstico laboratorial, considerando que os sintomas clínicos sejam inespecíficos para as doenças virais (período prodrômico). No indivíduo
assintomático, muitas vezes, a infecção só é confirmada após exame laboratorial. Em gestantes, por exemplo, o Ministério da Saúde brasileiro recomenda que seja feito exame, a fim de avaliar a imunidade para a rubéola e comprovar se a mulher já teve contato com o vírus anteriormente.
A infecção aguda é caracterizada pela presença de sintomas inespecíficos, característicos das doenças virais, tais como febre, cefaleia e mialgia. Este período é o ideal para serem coletados espécimes clínicos necessários para o diagnóstico laboratorial, já que é a fase onde existe uma maior carga viral no hospedeiro. Nas infecções crônicas, os vírus não são eliminados do organismo, permanecendo quase sempre em níveis baixos, acarretando ou não sintomas clínicos. Como exemplo desta infecção, temos os herpesvírus simples e o HIV,
dentre outros.
5- Explicar as principais IVAS
As infecções das vias aéreas superiores (IVAS) são um dos problemas mais comuns encontrados em serviços de atendimento médico pediátricos, resultando em uma morbidade significativa em todo o mundo. As IVAS são a causa mais comum de crianças atendidas por infecção respiratória aguda. Segundo um estudo realizado com crianças ambulatoriais com queixa de infecções de repetição, verificou-se que aproximadamente 50% delas eram crianças provavelmente saudáveis, 30% eram crianças alérgicas, 10% eram portadoras de alguma patologia crônica e 10% tinham algum grau de imunodeficiência. As três infecções de vias aéreas superiores mais comuns são: Rinofaringite aguda (“resfriado”), Faringoamigdalite aguda (“infecção de garganta”) e Rinosinussite aguda (“sinusite”).
6- Diferenciar a gripe do resfriado
A gripe ou influenza é causada por um vírus e geralmente é caracterizada por febre alta, seguida de dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, coriza e tosse seca. A febre é o sintoma mais importante e dura em torno de três dias. Os sintomas respiratórios como a tosse e outros, tornam-se mais evidentes com a
progressão da doença e mantêm-se em geral de três a cinco dias após o desaparecimento da febre. Alguns casos apresentam complicações graves, como pneumonia, necessitando de internação hospitalar.
O resfriado também é uma doença respiratória frequentemente confundida com a gripe, mas é causado por vírus diferentes, sendo os mais comuns associados ao resfriado os rinovírus, os vírus parainfluenza e o vírus sincicial respiratório (RSV), que geralmente acometem crianças. Os sintomas do resfriado, apesar de parecidos com os da gripe, são mais brandos e duram menos tempo, entre dois e quatro dias. Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, coriza, dor no corpo e dor de garganta leve. A ocorrência de febre é menos comum e, quando
presente, é em temperaturas baixas.
7- Identificar as principais estratégias para combater as infecções virais
Para o tratamento das infecções virais geralmente são utilizados os medicamentos chamados “sintomáticos”, ou seja, não há tratamento específico para combater o vírus causador dessas doenças, sendo utilizados medicamentos que apenas aliviam os sintomas, como analgésicos e antitérmicos que reduzem o desconforto físico. Hidratação e repouso também auxiliam muito na recuperação.
As infecções virais não devem ser tratadas com antibióticos, pois além de não serem eficazes nessas infecções, podem desencadear resistência bacteriana. O uso inadequado de antibióticos para infecções virais é uma das maiores causas do desenvolvimento de resistência bacteriana.
Uma medida simples, prática e barata para prevenir a ocorrência de infecções virais é a simples higienização das mãos. Muitas doenças, como resfriados, gripe, diarreia, entre tantas outras, também podem ser transmitidas pelas mãos.
Assim, devemos sempre higienizar as mãos. Ao chegarmos em casa, após o uso de sanitários, antes de tocarmos pessoas suscetíveis a infecções (como os bebês), antes de nos alimentarmos e em diversas outras situações. Tanto o uso de água e sabão, como também o álcool gel são igualmente eficazes nessa prática.
Atualmente a higienização das mãos é reconhecida mundialmente como uma medida altamente recomendável para a prevenção de infecções

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