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INSTITUTO SUPERIOR DE HUMANIDADES, CIENCIAS E HUMANIDADES 
 
CURSO DE LICENCIATURA EM PSICOLOGIA CLINICA 
 
Christens Juvêncio Rapouso 
Inocência Beato Chirosa 
Margarida Antonio Alberto 
Celsia Mouzinho Albino 
 
 
NARCISIMO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quelimane, 2021 
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INSTITUTO SUPERIOR DE HUMANIDADES, CIENCIAS E HUMANIDADES 
 
CURSO DE LICENCIATURA EM PSICOLOGIA CLINICA 
 
 
Christens Juvêncio Rapouso 
Inocência Beato Chirosa 
Margarida Antonio Alberto 
Celsia Mouzinho Albino 
 
NARCISIMO 
 
Trabalho de carácter avaliativo a ser 
apresentado na cadeira de Psicoterapia 
cognitiva e comportamental leccionada 
pelo docente: Arlindo Cetavana Cuzere 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quelimane, 2021 
 
 
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Índice 
1. Introdução............................................................................................................................ 3 
2. Narcisismo: pressupostos históricos.................................................................................... 4 
3. Conceito de Narcisismo ...................................................................................................... 5 
4. Tipologias de Narcismo ...................................................................................................... 6 
4.1. Narcismo primário ....................................................................................................... 6 
4.2. Narcismo secundário .................................................................................................... 6 
5. Eu ideal e o Ideal do Eu ...................................................................................................... 7 
6. Conclusão ............................................................................................................................ 8 
Referências bibliográficas .......................................................................................................... 9 
 
 
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1. Introdução 
Neste trabalho abordaremos de forma sintética acerca de Narcisismo, trazendo um referencial 
teórico acerca desta temática que abarca os conhecimentos de Psicologia como área do saber 
que se interessa ao estudo do comportamento e da mente humana. O surgimento desse 
conceito demarca o ponto mais crucial da Psicanálise e nesta época encontramos mentores 
com Sigmund Freud, Adler, e Jung e a sua constante discórdia e/ou divergência em torno das 
suas teorias. 
Na verdade, segundo literaturas o Narcisismo Freudiano, surge no âmbito de tentar responder 
as críticas impostas pelo Carl Jung relativamente a insistência em manter o factor sexual 
como condição para o bom funcionamento da mente. Para esclarecimento da presente 
temática, o trabalho também trará as tipologias de Narcisismo, o Eu idel e o Ideal do Eu, a luz 
de diversos autores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2. Narcisismo: pressupostos históricos 
Em termos históricos, afirma Andrade (2015, p. 2) a noção de narcisismo aparece utilizada 
por Freud, pela primeira vez, em uma reunião da sociedade psicanalítica de Viena, em 10 de 
Novembro de 1909, quando tal conceito é associado a um estágio necessário e intermediário 
entre o auto-erotismo e o amor objectal. 
De acordo com Gay (2012), citado por Andrade (2015, p. 2) a primeira aparição pública do 
termo narcisismo regista-se em uma curta nota de rodapé, acrescentada em 1910, referente à 
segunda edição dos Três Ensaios sobre a teoria da Sexualidade (1905/2006). 
O emprego do termo narcisismo vem da cultura grega e significa o amor do indivíduo por si 
mesmo. No final do século XIX, de acordo com Roudinesco e Plom (1998), citados por 
Araújo (2010, p. 1) o seu uso foi incorporado ao discurso científico, mais precisamente à 
sexologia nascente, para designar “uma perversão sexual caracterizada pelo amor do sujeito 
por si mesmo”. 
Em 1914, o termo entra definitivamente para o discurso psicanalítico, quando Freud 
(1914/1974) abre caminho para o entendimento do narcisismo como elemento constitutivo do 
amor-próprio e da auto-estima e, portanto, destinado à auto-preservação do sujeito e formação 
dos laços sociais. Esse aspecto intrínseco à personalidade e, inclusive, o seu carácter positivo, 
tem sido pouco explorado pela literatura especializada. 
Quase que no mesmo período, por ocasião dos ensaios sobre Leonardo da Vinci (1910/1970) 
e sobre Schereber (1911/1969), Freud dá-se conta de que o narcisismo é um estágio comum 
no desenvolvimento sexual humano. É em 1914, no entanto, que ele articula o conceito 
psicanalítico do narcisismo na esteira do desenvolvimento infantil e dos investimentos 
libidinais. 
De acordo com Araújo (2010, p. 2) Em 1910, Freud introduziu o termo narcisismo no 
discurso psicanalítico para se referir à escolha sexual dos invertidos, como eram chamados os 
homossexuais na época. Tratava-se, na verdade, de uma nota de rodapé acrescida naquele ano 
aos seus Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, na qual se encontra dito que eles 
“partem de uma base narcísica e procuram um rapaz que se pareça com eles próprios e a quem 
eles possam amar como eram amados por sua mãe”. 
 
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3. Conceito de Narcisismo 
Um dos principais autores do Narcisismo foi Freud. Freud (1914/2010) afirma Wieczorek 
(2016, p.21) traz que o narcisismo é: “complemento libidinal do egoísmo do instinto de 
autoconservação, do qual justificadamente atribuímos uma porção a cada ser vivo”. Seguindo 
essa definição, ele traz que na psicose, mais especificamente na esquizofrenia, e na neurose há 
uma retirada da libido dos objectos da realidade externa. 
Aproveitando-se da mitologia grega para desvendar o inconsciente humano, serviu-se do mito 
de Narciso para descrever e ilustrar estas condições psíquicas, não só a colocando como uma 
condição patológica, mas também como uma fase essencial e estruturalmente no 
desenvolvimento humano (Ventura & Pedro, 2010, p. 2). 
Para pensar a constituição do narcisismo no desenvolvimento psicossexual, devemos voltar ao 
conceito de auto-erotismo. Considera-se o auto-erotismo o momento inicial, mais primitivo da 
sexualidade infantil. Explica Roza (1995, p.42), citado por Wieczorek (2016, p.22) esse 
momento: “…no qual a pulsão sexual encontra satisfação sem recorrer a um objecto externo”. 
Há uma desarticulação das pulsões parciais à procura de satisfação pelas zonas erógenas do 
corpo. 
Assim, não há unificação do ser. E é necessário existir um Eu, para existir o narcisismo. É 
relevante lembrar que durante esse início da vida, o pequeno ser não faz a diferenciação do eu 
– não eu, por isso é possível que o destino de toda a libido seja o próprio sujeito, já que não há 
essa diferenciação. (idem, p. 23). 
A conceituação de narcisismo para Freud entende o grupo, é uma fase do desenvolvimento de 
qualquer indivíduo, no qual o investimento libidinal é direccionado para o próprio eu, desta 
feita, o corpo torna-se destino das pulsões sexuais. Este narcisismo infantil é importante no 
desenvolvimento, tem a função de ajudar na construção do EU. É a fase em que o pequeno ser 
é investido de todas as qualidades pelos pais, ato em que o narcisismo infantil desses pais é 
revivido e projectado no filho. 
Podemos também dizer que o narcisismo constitui por um lado a fase da construção da 
personalidade de um individuo. O narcisismo na criança constitui uma peça importante na 
construção do EU. 
 
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4. Tipologias de Narcismo 
4.1. Narcismo primário 
Andrade (2015, p. 48) afirma que seguindo a descrição do texto de 1914, o narcisismo 
primário caracteriza- se como uma etapa presente logo no início da infância, onde a libido 
encontra-se totalmente investida no eu da criança. Nesta relação, o outro enquanto figura 
alteritária participa do processo de constituição do eu. 
Wieczorek (2016, p.24) afirma que sobre o narcisismo primário podemos destacar essa síntesede Freud: “Formamos assim a ideia de um originário investimento libidinal do Eu, de que 
algo é depois cedido aos objectos, mas que persiste fundamentalmente, relacionando-se aos 
investimentos de objecto como o corpo de uma ameba aos pseudópodes que dele avançam” 
Nota-se como o narcisismo primário se conserva, sendo esse interjogo económico de libido 
muito importante. Entende-se que o Eu foi inicialmente tomado como objecto de investimento 
da libido, para em um segundo momento poder investir nos objectos externos contando com 
esse primeiro investimento libidinal estruturante para o indivíduo. 
No narcisismo primário, acrescenta Andrade (2015, p. 48) a figura da mãe funciona em um 
primeiro contato da criança com o objecto, sendo esta relação estabelecida de maneira 
incipiente, daí a explicação para o não reconhecimento da criança. Dito de outra forma, o 
pequeno infante não reconhece que a figura da mãe se apresenta como um agente externo a 
ele é responsável pelo seu cuidado e alimento. 
4.2. Narcismo secundário 
Adentrando no narcisismo secundário (segunda fase do narcisismo, cuja existência da 
alteridade ou de um outro externo ao eu já é reconhecida), a característica deste narcisismo é a 
possibilidade de investimento libidinal em outros objecto que não sejam necessariamente o 
seu eu (Andrade, 2015, p. 48). 
Desse modo, a libido transferida aos objectos retorna ao eu numa tentativa de resgatar a 
omnipotência experimentada na primeira fase do narcisismo, quando a libido estava 
sobremaneira investida sobre a própria pessoa. 
O narcisismo secundário se dá através do retorno da libido para o Eu. De maneira que, a 
libido que estava no Eu é investida em direcção ao objecto e o retorno dessa libido para o Eu é 
o que caracteriza o intercâmbio que dá destino a essas moções. (Andrade, 2015, p. 48). 
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Assim Freud mostra que a libido pode ser investida no Eu e também em objectos externos. 
Nesta gangorra entre libido do Eu e libido de objecto, sempre que há mais investimento no 
Eu, acarretará menos investimento nos objectos externos e o contrário, seguindo essa mesma 
regra. 
5. Eu ideal e o Ideal do Eu 
Mantendo uma relação com o narcisismo primário, afirma Andrade (2015, p. 49) o EU ideal 
se concentra em uma etapa na qual o pequeno infante erige a si mesmo como modelo único e 
ideal, estando toda a libido investida narcisicamente sobre si. Segundo Freud (1914/2004), 
citado por Andrade (2015, p. 49) o investimento de libido no eu impede qualquer 
possibilidade de entrada de outro objecto que não seja ele mesmo. é como se o eu, investido 
de libido, se colocasse no centro do universo e tudo girasse em torno de si. 
Nesse traçado, o EU enquanto ideal aparece privilegiado com um absoluto poder, colocando-
se “de posse de toda valiosa perfeição e completude”. O EU ideal seria, como alude Miguelez 
(2007), citado por Andrade (2015, p. 49) o produto do olhar libidinoso dos pais, em especial 
da mãe, o qual transforma o desamparo originário da criança em omnipotência narcísica. é a 
mãe, por sua vez, que nomeia as necessidades e sentimentos do pequeno infante, que 
interpreta a dor que está por traz dos seus choros e gritos e o silêncio que, muitas vezes, o 
rodeia. 
Nas palavras de Birman (2009), “pelo choro o infante evidencia a sua perturbação e 
impotência para lidar com ela, demandando que o outro o acuda diante desse impasse crucial” 
(p. 126). Por esta razão, a menção dada por Freud à ideia de “sua majestade o bebé” 
representa aqueles ideais narcísicos parentais que foram parcialmente abandonados. Logo, o 
narcisismo abandonado dos pais é o elemento que influencia na formação narcísica dos filhos. 
Dessa maneira, a primeira referência de um eu recebido pelo bebé seria justamente aquele 
constituído e informado pela figura dos pais. 
Assim, conforme aponta Jordão (2011), citado por Andrade (2015, p. 49) os adultos 
projectam sobre a criança seu próprio narcisismo, sendo a partir do processo inverso, a 
introjecção, que esse bebé poderá ou não apropriar-se dele, tomando-o como sendo o seu 
efeito, um narcisismo transpassado de pais para filho. 
 
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6. Conclusão 
Estes constituem os demais aspectos abordados no presente trabalho. O trabalho procurou de 
forma sintética abordar acerca do Narcisismo trazendo desta forma os pressupostos históricos, 
as tipologias e uma abordagem sobre o Eu ideal e o ideal do Eu. No entender do grupo, 
quando falamos de Narcisismo nos referimos a uma fase específica do individuo onde aparece 
ou se constrói o Eu ou seja a personalidade. O narcisismo segundo literaturas pode por sua 
vez ser primário e secundário. 
Quando nos referimos ao Narcisismo primário estamos diante de uma etapa presente logo no 
início da infância, onde a libido encontra-se totalmente investida no eu da criança. Já o 
narcisismo secundário dá-se nas etapas subsequentes. Os estudos sobre narcisismo são 
atribuídos a Freud. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Referências bibliográficas 
Andrade, H. (2015). o narcisismo e suas ressonâncias actuais: circunscrevendo o fenómeno. 
Universidade Federal Do Pará. Brasil. 
Araújo, M. (2010). Considerações sobre o narcisismo. Estudos de Psicanálise – Aracaju. 
Ventura, D. & Pedro, A. (2010). Perturbação Narcísica da personalidade: descrição e 
compreensão. Portal dos Psicólogos. 
Wieczorek. R. (2016). Da academia para o divã: reflexões sobre o narcisismo. Alêtheia.

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