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CAPÍTULO 8 O assistente técnico 8.1 Funções O assistente técnico não é um auxiliar da Justiça, diferentemente do perito. Apesar de atuar no processo, ele é de livre contratação das partes, inclusive sendo estas responsáveis por seus honorários, que nem constam dos autos. Já o perito normalmente é remunerado pela parte que solicita a perícia, sendo as custas ressarcidas a quem pagou, se for o caso, ao final, pelo vencido. O assistente técnico é citado em vários artigos no novo CPC. Esse profissional tem momento certo para se pronunciar nos autos e prazos a cumprir junto a quem o contratou (o advogado, que também tem prazos processuais a respeitar), não estando sujeito a suspeição, impugnação e normas, como, por exemplo, ter curso superior, estar inscrito em órgão de classe etc. Mas é óbvio que para executar uma perícia contábil é preciso ser contador, como determina o CRC. Diferentemente dos peritos, que são de confiança do juiz, os assistentes técnicos são de confiança da parte que os contratou e, como mencionado, não estão sujeitos a impedimento ou suspeição, conforme o art. 466: O Perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi cometido, independentemente de termo de compromisso. § 1º Os assistentes técnicos são de confiança da parte e não estão sujeitos a impedimento ou suspeição. § 2º O Perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos exames que realizar, com prévia comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias. O perito deve assegurar aos assistentes técnicos o acompanhamento das diligências e dos exames a realizar com prévio aviso. O assistente técnico é o profissional contratado pelas partes do processo e conduz suas atividades em período muitas vezes mais extenso do que o empreendido pelo perito judicial. Ele produz o “parecer técnico” e acompanha os trabalhos da perícia. Recomenda-se a formalização de contrato de prestação de serviços com a parte contratante para o desempenho da atividade, do qual deve constar inclusive o período de prestação do serviço. O processo tem um perito nomeado pelo juiz e cada parte deve ter seu assistente técnico. Assim, em um processo para o qual foi determinada perícia, vai existir um perito e, no mínimo, dois assistentes técnicos (ou mais se houver mais de um autor ou de um réu). A presença do assistente técnico não é obrigatória nos autos, mas é aconselhável, pois só alguém com a mesma formação do perito terá a capacidade de analisar, criticar e complementar seu trabalho. Da mesma forma que o perito judicial, o assistente técnico deve ser profissional registrado em seu órgão de classe e em dia com suas obrigações, devendo também apresentar certidões de regularidade profissional. Não há exigência no Código de Processo Civil para que o assistente técnico seja profissional com curso superior e registro no Conselho, porém, acredita-se que não será produtiva a discussão técnica se o perito e o assistente técnico não tiverem o mesmo nível de formação, inclusive quanto à discussão metodológica, por exemplo. O assistente técnico pode ser nomeado e dispensado a critério de seu contratante e seu contrato não precisa ser apresentado nos autos, podendo inclusive conter cláusulas de confidencialidade, se necessárias. A grande diferença do trabalho do perito e do assistente técnico é que o primeiro tem que trabalhar com imparcialidade e é de confiança do magistrado, já o segundo tem que considerar o que é melhor para seu cliente, tendo a confiança deste. Apesar do nome do documento – parecer técnico crítico –, não se deve pensar que os profissionais perito e assistente técnico são oponentes, pois mesmo que o assistente técnico tenha que defender o interesse do seu cliente, tem que o fazer segundo a metodologia dos trabalhos periciais, dentro da ética e da legalidade, não omitindo ou mascarando a verdade e colaborando com o trabalho do perito judicial, que, embora seja o perito oficial do processo, deve se colocar em pé de igualdade com os assistentes. Afinal, o interesse de todos é a conclusão da lide. O assistente técnico pode assinar, em conjunto com o perito, o laudo pericial, mas é importante destacar que se o fizer não poderá criticá-lo ou contestá-lo. O melhor é ele não assinar o laudo e apresentar seu parecer técnico. Segundo Antônio Gomes das Neves: No parecer técnico, o Perito-contador assistente emite suas opiniões sobre o laudo do Perito-contador, concordando ou discordando, parcial ou integralmente, esclarecendo os pontos que julgar necessários, respondendo os quesitos não respondidos ou não esclarecidos suficientemente pelo Perito-contador, enfim, trazendo outras informações e subsídios técnicos. Lopes de Sá destaca, em sua obra, o comportamento ético dos peritos, como podemos observar no trecho a seguir: Como a perícia judicial é feita com a participação de três profissionais, necessário se faz o exercício de um comportamento ético pautado pela cordialidade e respeito. O trabalho precisa ser harmônico. Não deve existir a mentalidade de que peritos de partes são “litigantes” ou “inimigos” e que o perito do juiz é um superior aos demais que são seus “subalternos auxiliares”. Todos têm influência no trabalho e o princípio deve ser o de igualdade. Não são raras as vezes em que o laudo de um perito auxiliar é tomado pelo juiz ou pelos desembargadores, abandonando-se o do perito oficial (participei de alguns trabalhos como perito auxiliar em que nosso laudo é que serviu de base para o julgamento, em vez daquele do perito do juiz e do qual fui discordante). Portanto, a expressão “auxiliar”, usada pela lei, não nos parece das mais felizes; em verdade, são três os peritos, cada um preservando o interesse de quem o nomeou ou indicou, embora a maior responsabilidade pese sobre o perito do juiz. Não deve haver parcialidade, mas vigilância, sim. Com um tratamento de recíproco respeito, os peritos podem valorizar um o trabalho do outro, buscando-se o consenso. No novo CPC há uma orientação para que as partes indiquem um assistente técnico em prazo específico, mas isso não é uma obrigatoriedade, ou seja, fica a critério das partes, que, tendo plena confiança no perito do juiz, ou por uma questão de economia ou por desconhecimento do importante trabalho desse profissional, podem dispensá-lo, ficando, muitas vezes, a cargo dos advogados fazer as críticas ao trabalho do perito. Nesse caso, cabe o questionamento se não estariam os advogados exercendo uma função além de sua alçada, pois no caso de uma perícia contábil, por exemplo, teria o advogado o conhecimento e a competência de se manifestar sobre um trabalho técnico do perito? Fica o questionamento. Ademais, o juiz pode dispensar a prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerarem suficientes. Art. 472: “O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes”. O destaque para o parecer técnico foi no sentido de chamar a atenção para o trabalho do perito, ou seja, a perícia oficial, entendida como a prova pericial que é realizada pelo perito oficial nomeado pelo juiz. Esta pode ser dispensada quando da inicial do processo constar o parecer técnico e este for considerado suficiente para colaborar no conjunto probatório. Cabe ao juiz decidir sobre as provas disponíveis e dispensá-las. 8.2 Campo de atuação As leis, fonte deste estudo, falam sobre o assistente técnico como um crítico do trabalho do perito nomeado pelo juízo, mas se a advocacia utilizasse melhor esse profissional e o chamasse para atuar antes mesmo de entrar com a ação no Judiciário, veria, a exemplode uma perícia econômica financeira, se realmente os anos de lide seriam compensadores no que tange à repercussão econômica. Talvez houvesse o uso mais frequente da mediação, ou a formulação de acordos, ou ainda a eleição de arbitragem como forma alternativa de resolução de conflito. Exemplificando: em um processo no qual se teve como discussão principal oriunda dos autos determinado índice utilizado em data específica para atualizar o saldo devedor, não obstante na perícia tenha sido comprovado que o réu utilizou o índice pedido pela parte autora, deixando o processo sem resultado algum, ou melhor, tomando tempo do Judiciário, dinheiro das partes, simplesmente pela inexistência de um cálculo básico na inicial do processo. No mesmo questionamento acima, quem deveria elaborar os quesitos sobre uma matéria técnica é o expert no assunto, é o profissional habilitado no Conselho de Classe, mas isso não acontece, o próprio advogado elabora os quesitos e os apresenta aos autos, indicando o assistente técnico. Na prática, o assistente técnico é chamado a agir quando o perito entrega o laudo pericial, tendo poucos dias para realizar uma análise e emitir um parecer técnico, sem, normalmente, ter os autos em mãos dada a natureza (conjunta) do prazo. Essa realidade torna quase impossível para o profissional apresentar um trabalho com excelência. O perito é chamado aos autos quando nomeado pelo juiz para auxiliá-lo. Já o assistente técnico tem a possibilidade de atuar de forma bem mais abrangente. Pode inicialmente auxiliar na elaboração da inicial do processo, desenvolvendo parecer técnico que irá fundamentar a propositura da ação. Mais adiante pode auxiliar o patrono da parte na elaboração de quesitos para a perícia e, na sequência, acompanhar os trabalhos do perito judicial. Caso o laudo pericial não esteja claro, seja omisso ou incompleto, ou exija a manifestação de discordância do assistente técnico, é elaborado o parecer técnico de divergência, que pode ser total ou parcial. Ocorre, algumas vezes, a necessidade de o assistente técnico auxiliar o patrono da parte, mais uma vez na elaboração de quesitos, estes nesta fase denominados quesitos suplementares e quesitos de esclarecimento. Os quesitos de esclarecimento serão submetidos ao perito judicial, que deverá responder a eles em forma de laudo pericial de esclarecimento. Neste momento, e mais uma vez, cabe a atuação do assistente técnico, com a finalidade de examinar o laudo de esclarecimento e verificar se as respostas foram suficientes. Não sendo suficientes, pode ser necessário convocar o perito judicial para comparecimento em audiência de esclarecimento. O assistente técnico deve comparecer à referida audiência e manifestar-se quando determinado pelo juiz. Mas não termina aqui a possibilidade de atuação do assistente técnico, que poderá elaborar os cálculos de liquidação de sentença após a prolação da decisão, e decorridos os recursos cabíveis, caso manejados. A Norma do CFC assim dispõe sobre a atuação do perito-contador assistente: O perito-contador assistente pode, tão logo tenha conhecimento da perícia, manter contato com o perito-contador, pondo-se à disposição para o planejamento, para o fornecimento de documentos em poder da parte que o contratou e ainda para a execução conjunta da perícia. Uma vez recusada a participação, o perito-contador pode permitir ao Assistente Técnico acesso aos autos e aos elementos de prova arrecadados durante a perícia, indicando local e hora para exame pelo assistente técnico. O perito-contador assistente pode, logo após sua contratação, manter contato com o advogado da parte que o contratou, requerendo dossiê completo do processo para conhecimento dos fatos e melhor acompanhamento dos atos processuais no que pertine a perícia. O perito-contador e o perito-contador assistente, enquanto estiverem de posse do processo ou de documentos, devem zelar pela sua guarda e segurança. Para a execução da perícia contábil, o perito-contador e o perito-contador assistente devem ater-se ao objeto e ao lapso temporal da perícia a ser realizada. O perito apresenta o laudo pericial e o assistente técnico apresenta o parecer técnico. A diferença basicamente é o nome do documento, pois um parecer técnico deve ter a mesma estrutura de um laudo pericial, que está detalhado mais à frente. No parecer técnico, o assistente deve deixar claros seu objetivo, diligências, metodologia, estudos e observações realizadas, os resultados e suas conclusões. O parecer técnico deve ter uma linguagem acessível e de fácil entendimento pelas pessoas a quem se destina e que não são profundas conhecedoras de sua ciência. Quando for necessária a utilização de termos técnicos, devem ser acompanhados de esclarecimentos e, de preferência, deve-se utilizar os mais conhecidos do grande público. Não pode haver rasuras e emendas, especialmente quando se tratar de respostas de quesitos. O parecer técnico será apresentado sempre que o assistente técnico discordar em parte ou no todo do laudo pericial. O assistente técnico, para fazer seu trabalho de crítica do laudo pericial, tem que ter o conhecimento do que foi sentenciado no processo para verificar se o perito seguiu à risca a sentença do magistrado, e verificar também se está correta a metodologia adotada pelo expert. O perito assistente, quando contratado para fazer uma análise crítica do trabalho do perito, deve manter a ética da profissão e criticar o trabalho do colega, e não tecer críticas pessoais. Além da crítica, deve apresentar cálculos que a justifiquem. O assistente técnico, sempre que for se referir ao quesito, deve transcrevê-lo, evitando assim que o magistrado fique folhando os autos ou correndo telas do processo para localizar o quesito. O perito oficial, ou o perito do juízo, tem a nomeação como instrumento de garantia de sua atuação no processo; o perito assistente técnico deve, para sua garantia, fazer um contrato de prestação de serviço com seu cliente na hora da contratação, conforme já dissemos. No anexo Modelos deste livro encontram-se o modelo de contrato de prestação de serviços e o modelo de proposta de honorários do assistente.