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Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI 
ISSN 1809-1636 
 
 Vivências. Vol. 10, N.18: p. 174-184, Maio/2014 174 
O ENSINO DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA A JOVENS DE ESCOLAS PÚBLICAS DE 
SANTO ÂNGELO 1 
 
The Teaching Financial Education for Young Public Schools Santo Ângelo 
 
 
 
 
 Larissa BRUTES1 
 Rosane Maria SEIBERT2 
 
 
 
RESUMO 
Este artigo tem o objetivo de relatar a experiência de um projeto de extensão desenvolvido pelo 
curso de Ciências Contábeis, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – 
URI Campus de Santo Ângelo, que tinha por finalidade a disseminação da educação financeira a 
jovens alunos de escolas públicas do município de Santo Ângelo mediante a elaboração de uma 
cartilha sobre o tema e a da realização de ciclos de estudos com esses jovens nas escolas e com os 
seus pais. Desta forma, pretendia melhorar a qualidade de vida destes alunos através da boa gestão 
de suas finanças. 
 
Palavras - chave: Educação Financeira; Extensão; Finanças Pessoais. 
 
 
ABSTRACT 
This article aims to describe the experience of the extension project developed by the Accounting 
course of Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - URI Campus Santo 
Ângelo which was intended to spread financial education to young students of public school in the 
district of Santo Ângelo by developing a primer on the subject and conducting study cycles with 
these young people in schools and with their parents. Thus, it intended to improve the quality of life 
of these students through the proper management of their finances. 
 
Keywords: Financial Education, Extension; Personal Finance 
 
 
 INTRODUÇÃO 
 
Finanças pessoais é a ciência que estuda os conceitos relacionados ao dinheiro no dia-a-dia de 
uma pessoa ou família. 
A educação financeira orienta a como utilizar os recursos disponíveis de maneira adequada, 
ensinando a fazer melhores escolhas com o dinheiro para garantir o futuro, preparar para situações 
de emergência e auxiliar no alcance de objetivos e projetos de vida. 
 
1 Acadêmica do 7º semestre do Curso de Ciência Contábeis da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai – 
Campus Santo Ângelo. larissab@via-rs.net 
2 Orientadora, Professora Mestre do Curso de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Regional Integrada 
do Alto Uruguai e das Missões - Campus Santo Ângelo. 
 
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Nota-se hoje, na sociedade em que vivemos uma falta de educação financeira da população 
que, em sua grande maioria, sofre com problemas financeiros e com dívidas. Os jovens, em geral, 
não aprendem esses conhecimentos nas escolas, pois esse ainda não é um tema obrigatório nos 
currículos. Desse modo, muitos acabam repetindo o comportamento financeiro dos pais, que 
também desconhecem tais conceitos. Como resultado, os jovens entram no mercado de trabalho 
sem saber como fazer boas escolhas no que diz respeito as suas finanças pessoais. 
Diante disso, o curso de Ciências Contábeis da Universidade Regional Integrada do Alto 
Uruguai e das Missões – URI, Campus de Santo Ângelo -RS, desenvolveu um projeto de extensão a 
fim de levar a educação financeira aos estudantes da 8ª série do ensino fundamental ao 3º ano do 
ensino médio, de escolas públicas do município de Santo Ângelo, através da elaboração de uma 
cartilha sobre o tema e de encontros e ciclos de estudo. 
Para tanto, a cartilha contemplou assuntos relacionados às finanças pessoais, sobre como bem 
administrar os recursos da família e contendo inclusive exercícios práticos para aprimoramento do 
aprendizado. Já os encontros ocorreram nas escolas públicas por meio de palestras abrangendo os 
temas expostos na cartilha e da resolução de alguns exercícios práticos contidos nesta. 
A grande relevância do projeto de extensão, além de proporcionar a educação financeira aos 
alunos, foi contribuir para a melhoria da sua qualidade de vida hoje e no futuro, através da melhor 
gestão de suas finanças. 
 
 
REVISÃO DA LITERATURA E FUNDAMENTOS TEÓRICOS 
 
As discussões envolvendo o homem e sua relação com o dinheiro são tão antigas quanto a 
invenção da moeda e desde então ele enfrenta dificuldades para administrar as suas finanças. De 
acordo com D’Aquino (2008), “desde que surgiu o dinheiro, surgiu a necessidade de se pensar 
sobre ele. Não por acaso, é possível encontrar até mesmo lá atrás, na Grécia antiga, conselhos sobre 
o melhor uso das finanças: Aristóteles discorreu sobre a necessidade de se ter uma poupança; o 
sofrimento de que o avarento é vítima e algoz, e sobre como é de mau gosto a ostentação”. 
Conforme Bugarin et al 
 
A base conceitual para a criação do dinheiro foi a troca ou o escambo. Essa 
troca tinha como premissa básica a necessidade do homem em adquirir 
coisas que ele não dispunha (seja por não encontrar na natureza ou por não 
saber produzi-las), trocando-as por outras que ele tinha sobrando, que 
dispunha em abundância ou que não eram tão importantes quanto àquelas 
que ele necessitava, podendo, assim, delas se desfazer. (BUGARIN et al, 
2010, pg.13) 
 
A moeda surgiu, posteriormente, da necessidade de um meio de troca padronizado para o 
pagamento de bens, serviços e dívidas. De acordo com Carrion Jr.(1998): 
 
Devido ao poder de compra e à estabilidade da moeda, alguns passaram a 
guardá-la em boa quantidade para compras futuras ou mesmo investimentos. 
Adiante, os que gozavam de confiança na comunidade passaram a tomar 
conta desses metais e, em garantia, davam papéis em que estava escrito o 
montante em moda que ficara sob guarda; surgia, então, a ‘moeda-papel’. 
(CARRION JR., 1998, p 13) 
 
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Com o tempo, os mais ricos emprestavam moedas ou esses papéis, ficando com um 
instrumento particular de crédito, o que encaminhou o surgimento e ampliação das operações 
bancárias e a própria criação dos bancos. (CARRION JR., 1998) 
Com o advento da Revolução Industrial e o surgimento do capitalismo, iniciou-se a 
preocupação com a acumulação de riquezas, e o dinheiro passou a ser visto como símbolo de status 
social, principiando-se, assim, a sociedade de consumo. 
Nesse contexto, segundo Coelho (2002), o homem tornou-se escravo de suas sofisticadas 
invenções. As preocupações giram em torno de novas técnicas; tal realidade engolfou de tal maneira 
o ser humano, que ele se acabou por esquecer de si próprio. 
Em uma sociedade do consumo, o homem é motivado a consumir por fatores internos e 
externos: interno, influenciado por sua vontade pessoal; externo, influenciado pelo meio social. 
(COELHO, 2002). 
De acordo com Cerbasi (2004), o consumo e um padrão de vida além de nossas posses são o 
motivo do insucesso financeiro. Desse modo, o consumo exagerado é uma das principais causas de 
endividamento das pessoas e faz com que estas tenham problemas para equilibrar as finanças. 
Conforme Pereira (2001) com o desenvolvimento da tecnologia das comunicações, da 
informática, dos plásticos, dos chips, e por último, da infovia com a Internet, o dinheiro saiu da 
superfície e ocupou o espaço aéreo, funcionando como impulso eletrônico. Hoje, o dinheiro 
eletrônico não começa nem termina em lugar nenhum: está em constante movimento, transitando de 
um lugar para outro. (PEREIRA, 2001). 
 De acordo com Carrion Jr. (1998), só foi possível aos mercados evoluírem – e por 
consequência, as economias – na medida em que a moeda se consolidou como instrumento seguro e 
representativo de valor. 
No entanto, o desenvolvimento dos mercados financeiros não ocorreu aliado a uma educação 
financeira da população, que ainda sofre para administrar as suas finanças e desconhece os 
principais produtos deste mercado. Diante disso, o ensino da educação financeira torna-se 
indispensável, conforme afirma a Organização para a Cooperação eDesenvolvimento Econômico 
– OCDE: 
 
Educação financeira sempre foi importante aos consumidores para auxiliá-
los a orçar e gerir a sua renda, a poupar e investir com eficiência, e a evitar 
que se tornem vítimas de fraudes. No entanto, sua crescente relevância nos 
últimos anos vem ocorrendo em decorrência do desenvolvimento dos 
mercados financeiros, e das mudanças demográficas, econômicas e 
políticas. (OCDE, 2004, p.223) 
 
A OCDE conceitua educação financeira como sendo: 
 
“[...] o processo pelo qual os consumidores/investidores financeiros 
melhoram a sua compreensão dos produtos financeiros, conceitos e riscos e, 
por meio de informação, instrução e /ou aconselhamento objetivo, 
desenvolvem as habilidades e a confiança para se tornarem mais conscientes 
dos riscos financeiros e oportunidades, a fazer escolhas informadas, para 
saber onde procurar ajuda, e tomar outras ações efetivas para melhorar o seu 
bem-estar financeiro. (OCDE, 2005, p.4) 
 
No Brasil, anos de inflação contribuíram para uma ausência de educação financeira da 
população, principalmente em relação ao planejamento financeiro e poupança. A inflação é o 
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aumento generalizado e contínuo dos preços, causando a redução do poder aquisitivo da moeda. 
“Numa economia sufocada pela inflação, qualquer tentativa de planejamento financeiro, por mais 
sério e bem-intencionado que fosse, tinha resultados frágeis e um bocado desanimadores. Se não era 
possível saber o que esperar da economia para o dia seguinte, que dirá planejar os passos para os 
próximos cinco ou dez anos”. (D’AQUINO, 2008) 
Frankenberg (1999) destaca que há no Brasil, pouca ou nenhuma educação financeira e que 
muitos anos de inflação, desinformação e erros cometidos por sucessivos governos do passado 
resultaram em conceitos financeiros errôneos, absorvidos sem contestação e passivamente pela 
população. 
Com a implementação do Plano Real e a consequente estabilização da moeda, tornou-se 
possível o planejamento e a poupança a longo prazo. No entanto, mesmo com o cenário favorável, a 
população tem problemas financeiros devido a fatores como os apelos da mídia para o consumo, a 
grande oferta de crédito e a falta de conhecimentos financeiros. 
Também, esses conhecimentos não são passados nas escolas, embora existam alguns projetos 
para implantar a educação financeira no ensino. Dessa forma, os jovens acabam, muitas vezes, 
repetindo os mesmos erros dos pais e inserem-se no mercado de trabalho sem ter uma noção de 
como administrar o seu salário. 
A educação financeira ensina como utilizar o dinheiro de forma consciente e saber consumir 
melhor para manter o equilíbrio das finanças, possibilitando a preparação para situações de 
emergência, a realização dos projetos de vida e a garantir o futuro. Muito mais do que ensinar a 
ganhar dinheiro, cortar gastos e poupar, ela orienta a bem utilizar o dinheiro, buscando uma melhor 
qualidade de vida tanto hoje quanto no futuro. 
Sebstad e Cohen (2003) afirmam que: 
 
“… o propósito da educação financeira é ensinar às pessoas conceitos 
relacionados ao dinheiro e como administrá-lo com sabedoria. O objetivo é 
capacitar as pessoas a tornarem-se mais informadas nas suas decisões 
financeiras, desenvolver a consciência das questões e escolhas referentes às 
suas finanças pessoais, e aprender habilidades básicas relacionadas a ganhar, 
gastar, orçar, poupar, emprestar e investir dinheiro”. (SEBSTAD e COHEN, 
2003, p. 8) 
 
O ensino da educação financeira deve começar desde cedo, como afirma Pereira (2001), o 
processo de educação financeira deveria começar por volta dos 2 ou 3 anos de idade, quando a 
criança pede pela primeira vez dinheiro para doces e brinquedos. 
D’Aquino (2008) afirma que o objetivo de ensinar educação financeira para as crianças é 
levá-los a atingir a maturidade financeira, ou seja, a capacidade de adiar os desejos de agora em 
função de futuros benefícios. 
Os jovens precisam aprender esses conceitos, mesmo que ainda não recebam salário ou 
mesada, pois no futuro terão que lidar com o próprio dinheiro e o quanto antes esses conhecimentos 
forem aprendidos serão mais facilmente utilizados. 
Para D’Aquino (2005) a educação financeira prepara os jovens para uma vida de autonomia 
responsável e valores solidários, ajudando-os a evitar as armadilhas da supervalorização do dinheiro 
em suas vidas. 
Não é incomum vermos jovens seduzidos pelas armadilhas do consumo, comprando algum 
item por estar na moda ou para satisfazer o grupo de amigos. Além disso, alguns pais não limitam o 
consumo dos filhos, que quando adultos acabam não tendo controle sobre os seus gastos. Desse 
modo, aprender sobre finanças auxilia aos jovens a diferenciar o que é essencial e o que é supérfluo, 
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tornando-os consumidores mais conscientes. 
O equilíbrio financeiro é possível a todos, independentemente da renda auferida, pois o mais 
importante não é o quanto se ganha de dinheiro, mas como ele é utilizado, conforme destaca 
Modernell (2011): 
 
Os princípios da educação financeira visam ajudar as pessoas a adquirir 
bons hábitos financeiros para que possam conquistar melhores condições de 
vida, sejam elas de famílias de baixa renda ou das classes mais 
privilegiadas. O foco não deve ser na busca de conhecimentos nem na 
perseguição das riquezas, mas na melhoria de atitudes e posturas que 
ajudem a fazer o dinheiro render mais, para que proporcione às pessoas mais 
tranquilidade, mais segurança, mais conforto e mais prazer. 
(MODERNELL, 2011) 
 
Ainda, D’Aquino (2008) salienta que: 
 
“Educação financeira não pode ser privilégio de crianças ricas ou de classe 
média. É justamente às camadas menos favorecidas da população que se 
deve dar prioridade neste aspecto. É sobretudo a essas pessoas - de 
pouquíssimos recursos - a quem se deve dar a conhecer, com urgência, 
como ganhar, gastar e poupar dinheiro”. (D’AQUINO, 2008) 
 
As classes mais baixas precisam aprender sobre finanças para que consigam sobreviver por 
conta própria, sem precisar de auxílios do governo para cobrir suas necessidades essenciais, como 
ressalta Domingos (2011): 
 
Fala-se muito na melhor distribuição de riqueza, hoje concentrada na mão 
de poucos, em nosso país. Todavia, além de distribuir, é preciso ensinar a 
gerir e gerar riqueza a partir das fatias do bolo que couberem a cada um, 
com base em uma distribuição mais justa. Do contrário, não será possível 
romper definitivamente o círculo de miséria ao qual tantos hoje se veem 
condenados. (DOMINGOS, 2011, p. 23) 
 
Assim, não basta distribuir riquezas, é necessário que haja uma educação financeira da 
população. Um país cuja taxa de poupança interna seja reduzida possui menos recursos disponíveis 
para investimentos e menos dinheiro circulando no mercado. Desse modo, uma população educada 
financeiramente - que sabe como ganhar, gastar e poupar dinheiro – não só melhora as suas 
condições de vida como também contribui para o crescimento econômico do país. 
Atualmente, a educação financeira já é uma preocupação a nível mundial. Neste sentido, a 
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE tem atuado para difundir a 
educação financeira pelo mundo. A OCDE é uma organização internacional fundada em 1961 com 
a finalidade de trocar informações para fomentar o crescimento econômico e o desenvolvimento dos 
países membros. É composta por 34 membros e tem sede em Paris, na França. O Brasil não é 
membro da OCDE, mas tem participado de atividades por ela patrocinadas. 
Em 2003, a OCDE inaugurou um programa de educação financeira e, desde então, vem 
promovendo ações sobre o tema. Entre os países que já possuem programas de educação financeira 
no ensino encontram-se Austrália, Canadá, França, Irlanda, Malásia,Holanda, Cingapura, Reino 
Unido (Escócia, Inglaterra, País de Gales) e Estados Unidos. (ENEF, 2008) 
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No Brasil, a educação financeira ainda não é obrigatória nas escolas, embora existam algumas 
instituições particulares que desenvolvam projetos sobre o assunto. No entanto, o governo federal 
criou em 2010, através do Decreto nº 7.397, a Estratégia Nacional de Educação Financeira que visa, 
entre outras medidas, implantar a educação financeira no ensino. Conforme o Plano Diretor da 
ENEF (2011): 
 
A ENEF tem os objetivos de promover e fomentar a cultura de educação 
financeira no país, ampliar o nível de compreensão do cidadão para efetuar 
escolhas conscientes relativas à administração de seus recursos, e contribuir 
para a eficiência e solidez dos mercados financeiro, de capitais, de seguros, 
de previdência e de capitalização. (ENEF, 2011, p.2) 
 
O programa conta com a participação de diversas entidades e, além de auxiliar na educação 
financeira de crianças e adultos, também pretende mapear as iniciativas de educação financeira 
gratuitas nas escolas que já ocorrem no país através do site da ENEF (www.vidaedinheiro.gov.br). 
Em 2010, a ENEF iniciou um projeto piloto de educação financeira em algumas escolas 
selecionadas e, de acordo com Cerbasi (2012), após dois anos de projeto piloto da ENEF, concluiu-
se que a educação financeira é transformadora para a vida dos alunos e de suas famílias. 
Desse modo, como afirma Domingos (2011) 
 
[...] o reconhecimento da importância da educação financeira na vida das 
pessoas já é um fato concreto. Mas ainda temos um longo caminho pela 
frente, inclusive para superar o estigma de que a educação financeira está 
relacionada às ciências exatas, quando, na verdade, o componente 
comportamental, os hábitos e costumes, é que estão na base de tudo. 
(DOMINGOS, 2011, p. 22) 
 
A OCDE (2005) recomenda que os programas de educação financeira: 
 
devem focar em questões de alta prioridade, que, dependendo das 
circunstâncias nacionais, podem incluir aspectos importantes do 
planejamento da vida financeira como poupança, gestão da dívida privada 
ou seguros, bem como pré-requisitos para a consciência financeira, como 
matemática financeira elementar e economia. A consciência dos futuros 
aposentados sobre a necessidade de avaliar a adequação financeira de seus 
atuais sistemas de pensões públicos ou privados e tomar as medidas 
adequadas quando necessário, deve ser incentivada. (OCDE, 2005, pg.5) 
 
Por fim, Cerbasi (2012) salienta que: 
Educar para o dinheiro não é condenar o consumo e doutrinar para a 
poupança. É estimular a organização pessoal para que desejos de consumo 
não extrapolem limites e se tornem insustentáveis. É exercitar a disciplina 
com o objetivo de ter qualidade de consumo por toda vida, e não apenas no 
futuro, como recompensa de sacrifícios presentes. Ferramentas de controle 
devem ser exercitadas, mas sem que sejam complexas e detalhistas. Devem 
ser simples, para que possam ser praticados cotidianamente e não 
consumam nosso tempo. 
As boas práticas de educação financeira devem induzir a escolhas 
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equilibradas. Isso se faz combinando referências matemáticas com práticas 
ambientais, sociais, filosóficas e éticas. Por isso, recomenda-se que a 
educação financeira seja uma prática interdisciplinar, e não uma disciplina 
específica no currículo. Se pais e educadores atentarem a isso, estaremos 
virando uma página na história do comportamento de consumo dos 
brasileiros. (CERBASI, 2012) 
 
Assim, educar financeiramente não é ensinar fórmulas prontas de como acumular riquezas, 
mas auxiliar as pessoas a fazerem melhores escolhas no que diz respeito ao dinheiro, procurando ter 
uma boa qualidade de vida hoje, mas sem esquecer-se do futuro. 
 
 
OBJETIVOS 
 
O principal objetivo do projeto de extensão era proporcionar educação financeira pessoal e 
familiar para jovens estudantes de escolas públicas do Município de Santo Ângelo de forma que 
estes aprendessem a fazer melhores escolhas e a bem administrar o seu dinheiro. 
O projeto teve como objetivos específicos: 
a) Estudar a teoria sobre Finanças, em especial as finanças pessoais e familiares. 
b) Elaborar uma cartilha sobre o assunto, contendo inclusive exercícios práticos a fim de 
complementar o aprendizado. 
c) Promover ciclos de estudos das cartilhas com os alunos de ensino fundamental (8º e 9º 
anos) e médio das escolas públicas. 
d) Promover encontros com os pais dos alunos dessas escolas que tenham interesse em 
aprender sobre finanças pessoais e familiares, de modo que possam contribuir com a formação de 
seus filhos. 
 
 
MATERIAL E MÉTODOS 
 
O projeto de extensão foi proposto pela Universidade por intermédio do Curso de Ciências 
Contábeis visando o ensino da Educação Financeira a jovens estudantes da 8ª série do ensino 
fundamental ao 3º ano do ensino médio, nas escolas públicas do município de Santo Ângelo. 
 Para a efetivação do projeto foram realizadas duas fases. Na primeira, que compreendeu o 
período de agosto a dezembro de 2012, foi realizado um estudo teórico através de pesquisas sobre a 
área das finanças, com ênfase nas finanças pessoais e familiares, e da participação em cursos on-
line gratuitos sobre planejamento financeiro familiar, orçamento doméstico e investimentos. 
Concomitantemente, em setembro, iniciou-se a elaboração de uma cartilha sobre o assunto, que 
deveria conter também exercícios práticos para aprimoramento do aprendizado. A cartilha tem por 
objetivo abranger assuntos como o que são finanças, quais suas funções, como controlar os seus 
ganhos, como fazer um planejamento financeiro, um orçamento e um fluxo de caixa, como analisar 
qual é o melhor investimento e ou o melhor financiamento, entre outros assuntos relevantes para 
uma boa administração financeira. 
Por sua vez, os exercícios práticos foram elaborados conforme exemplos encontrados em 
livros e sites da internet e com base no material da cartilha. Estes foram adaptados à realidade dos 
jovens a fim de que fosse possível relacionar os conceitos estudados com o seu dia-a-dia. 
Na segunda fase, compreendida no período de janeiro a julho de 2013, ocorreu a preparação e 
a realização dos encontros e ciclos de estudos. 
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 Antecedendo os encontros, foram realizadas visitas às escolas a fim de apresentar o projeto, 
averiguar o interesse de participação da instituição e agendar um horário para a palestra. 
Como o número de escolas públicas em Santo Ângelo que abrangia o grupo de alunos de 
interesse no projeto era grande, priorizaram-se as escolas estaduais que possuíam ensino 
fundamental e médio. Também, como o número de alunos nessas escolas era elevado, o espaço 
insuficiente para acomodar todos e como se desejava abranger o máximo de escolas possíveis, 
optou-se por realizar as palestras por amostragem ficando a critério da escola selecionar os alunos 
que participariam do projeto. 
Os encontros nas escolas públicas ocorreram de abril a junho de 2013. Em cada encontro, o 
tema era apresentado através de recursos audiovisuais e, posteriormente, alguns exercícios práticos 
eram realizados a fim de que os jovens conseguissem relacionar o conteúdo exposto com a prática. 
Os alunos recebiam no início do encontro a cartilha para acompanhar a apresentação. 
Levando-se em consideração o público jovem, procurou-se fazer uma apresentação didática, 
com linguagem adequada à idade e com auxílio de vídeos para chamar a atenção. Também, foram 
feitos questionamentos de forma que os jovens pudessem interagir durante a palestra e que fosse 
possível conhecer o que o público já sabia sobre o tema.Após o término da palestra era aberto um espaço para que as suas dúvidas acerca do assunto 
fossem esclarecidas. 
 
 
 RESULTADOS 
 
Após o primeiro ano do projeto de extensão, pode-se afirmar que o principal objetivo por ele 
proposto foi atingido, uma vez que os jovens estudantes das escolas públicas do município de Santo 
Ângelo tiveram acesso ao conhecimento proporcionado pela educação financeira, através da cartilha 
e da realização dos encontros de estudos. 
A cartilha foi elaborada de modo a informar os jovens sobre os assuntos relativos às finanças 
pessoais, tais como: o que são finanças, a importância da educação financeira, planejamento 
financeiro, orçamento e fluxo de caixa, formas de economizar com atitudes simples, como fazer 
uma boa compra, dívidas e como sair de uma situação de endividamento, os tipos de crédito, tipos 
de investimentos, entre outros itens. 
Antes de iniciar os encontros nas escolas públicas, foi realizada uma apresentação teste na 
Escola da URI em Santo Ângelo, a fim de avaliar o material utilizado. O encontro teve duração de 1 
hora e 20 min e contou com a participação de 76 pessoas, sendo 73 estudantes da 8ª série do Ensino 
Fundamental e do 1º ano do Ensino Médio. A partir desse evento, iniciaram-se as apresentações nas 
escolas públicas. 
As escolas que participaram do projeto foram: Escola Estadual de Ensino Médio Unírio 
Carrera Machado, Colégio Estadual Onofre Pires, Escola Técnica Estadual Presidente Getúlio 
Vargas, Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Augusto Nascimento e Silva, Colégio Tiradentes 
Santo Ângelo, Instituto Estadual de Educação Odão Felippe Pippi e Colégio Estadual Pedro II. 
Cada encontro teve duração entre 1 hora e 1 hora e meia, abrangendo sete escolas públicas e 
765 pessoas, entre alunos e professores. Deste total, 44 eram alunos da 8ª série do ensino 
fundamental e, no ensino médio, 196 eram alunos do 1º ano, 258 do 2º ano e239 do 3º ano, além de 
28 professores. 
Já os ciclos de estudos, que deveriam ser realizados com os pais desses alunos, não 
ocorreram devido à dificuldade das escolas de trazerem os pais ao âmbito escolar e a 
indisponibilidade de horários para este fim. Desse modo, optou-se por priorizar os encontros com os 
alunos e professores. 
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Além dos objetivos propostos pelo projeto, foram realizadas palestras fora do grupo de 
amostra uma vez que este assunto é de relevância não apenas a este grupo, mas à sociedade como 
um todo. Desse modo, a bolsista ministrou uma aula aos alunos da 7ª série da Escola da URI, em 
Santo Ângelo, na qual participaram 30 alunos. Levando em consideração a idade dos alunos, o 
material apresentado foi adaptado de forma que estes conseguissem aliar estes conhecimentos com 
a sua realidade. Preocupou-se em orientá-los a como fazer o planejamento das finanças e como 
estes já poderiam iniciar com a mesada. Também, participou-se da XV Semana Interna de 
Prevenção de Acidentes de Trabalho – SIPAT, na URI Santo Ângelo, com a palestra “Finanças 
Pessoais”, no dia 17 de maio de 2013. A palestra contou com a presença de 65 funcionários de 
diversos setores da URI. 
Ao todo, foram realizadas 14 palestras, em 8 instituições de ensino, para um número de 936 
pessoas, entre alunos, professores e funcionários da URI. 
Diante dos resultados acima expostos, obtidos durante o primeiro ano de realização do Projeto 
de Extensão de Finanças Pessoais para Jovens de Escolas Públicas, passa-se a sua discussão e 
análise no item a seguir. 
 
 
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 
 
A realização desse projeto de extensão possibilitou que um grande número de jovens se 
beneficiasse com os conhecimentos sobre finanças pessoais e aprendessem a fazer uma melhor 
gestão dos seus recursos. 
O número de 936 pessoas que participaram do projeto pode ser considerado exitoso. Grande 
parte das escolas públicas estaduais de ensino fundamental e médio do município foi atendida pelo 
projeto, apenas uma escola não participou devido a problemas de horários. Ainda, algumas escolas 
solicitaram mais de uma apresentação para que um maior número de alunos participasse das 
palestras. 
Com relação aos assuntos tratados durante os encontros, foi abordada a importância da 
educação financeira, como e porque fazer um planejamento financeiro, um orçamento e fluxo de 
caixa, sobre as dívidas e como sair de uma situação de endividamento. Também, falou-se sobre 
crédito, como utilizá-lo de maneira correta e como escolher entre as principais alternativas de 
crédito, como fazer uma boa compra e ser um consumidor consciente, o que é uma dívida boa e 
uma dívida ruim e, por fim, explanou-se sobre os investimentos, a importância de investir o 
dinheiro e as principais formas de investi-lo. 
Procurou-se durante a explanação desses assuntos não apenas esclarecer os conceitos, mas 
mostrar como os alunos poderiam utilizá-los na prática de modo a melhorar a administração dos 
seus recursos no seu dia-a-dia através de melhores escolhas. 
Acredita-se que o material utilizado e as apresentações tenham atingido os jovens por serem 
de fácil linguagem e compatíveis com a sua realidade. Através dos questionamentos realizados 
durantes as palestras, eles puderam interagir e demonstrar o que já sabiam sobre o assunto. 
Durante os encontros foi possível constatar o quão pouco os alunos conheciam sobre o tema, 
poucos tinham contato com o dinheiro, pois apenas alguns já trabalhavam ou recebiam mesada dos 
pais. Observou-se o desinteresse que alguns demonstravam pelo assunto, principalmente os alunos 
mais novos. Por outro lado, outros ficaram interessados, inclusive fazendo perguntas sobre o tema e 
pedindo sugestões para aprofundar os seus conhecimentos. 
Percebeu-se também que os professores que participaram das palestras conheciam pouco do 
assunto, de modo que enfatizaram a importância deste projeto. 
Os ciclos de estudos que deveriam ocorrer com os pais dos alunos a fim de que estes 
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auxiliassem os seus filhos na sua educação financeira não aconteceram, pois as escolas tinham 
dificuldade em chamar os pais à escola. Acredita-se que este fato não tenha causado grande prejuízo 
para o alcance dos objetivos do projeto, pois a prioridade era a educação financeira dos jovens. 
Além disso, o projeto abrangeu um grupo maior de pessoas do que o inicialmente proposto, 
atingindo pessoas fora do grupo de amostra, o que foi importante para a divulgação do tema e do 
projeto. 
 
 
 CONCLUSÃO 
 
Após esse primeiro ano de execução do projeto, é possível concluir que sua realização se deu 
de forma exitosa e destaca-se a sua importância. O tema tratado é de extrema necessidade não 
apenas aos jovens, mas a sociedade em geral. 
Ainda vemos na sociedade, hoje, dificuldades para administrar as finanças, o que faz com que 
grande parte da população esteja endividada. Os jovens não recebem conhecimentos financeiros em 
casa e este ainda não é um tema obrigatório nas escolas, assim, os seus conhecimentos sobre o tema 
são escassos. Desse modo, a educação financeira torna-se imprescindível a todos. 
A educação financeira não auxilia apenas a gerir os recursos financeiros, mas a melhorar as 
condições de vida, preparando para o futuro, para situações de emergência e, principalmente, para a 
realização dos sonhos. Também, o equilíbrio financeiro interfere diretamente na vida das famílias, 
pois evita situações de estresse, endividamento e desentendimentos familiares causados pela má 
administração do dinheiro. 
O ensino da educação financeira deve ser um trabalho de longo prazo que deve iniciar desde 
cedo. Os jovens precisam aprender estes conhecimentos para que quando adultos, saibam utilizar os 
seus recursos de forma inteligente. 
Desse modo, a elaboração da cartilha e os encontros de estudo procuraramauxiliar no ensino 
dos conhecimentos financeiros de jovens estudantes das escolas públicas de Santo Ângelo, a fim de 
dar ferramentas para uma boa gestão financeira e para fazer melhores escolhas relacionadas ao 
dinheiro. 
O material utilizado nos encontros foi de encontro à realidade dos jovens e os assuntos foram 
tratados de forma a fazê-los refletir acerca do assunto e não apenas aprender os conceitos 
financeiros. 
Assim, a iniciativa da Universidade em implantar este projeto de extensão é relevante, e o 
objetivo de levar a educação financeira aos jovens foi cumprido. As palestras tiveram uma 
repercussão positiva na maioria dos participantes e proporcionaram a um amplo número de alunos a 
oportunidade de educarem-se financeiramente. 
 
 
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