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@Marcos André Acúmulo de líquido derivado do plasma no espaço intersticial (também pode ocorrer acúmulo de líquido em alguma cavidade natural fechada como peritônio e pleura), geralmente por alteração no equilíbrio do líquido e da proteína. Em 1896, Starling descreveu as forças fisiológicas que controlam o movimento de fluidos ao longo do leito capilar, e que, quando alteradas, podem gerar o edema. Em resumo, o fluxo dos fluidos, no nível capilar, depende da permeabilidade da parede capilar, definida pela constante Kf, e pela diferença entre as variações das pressão hidrostática (Pc) e da pressão oncótica (c) ao longo do leito capilar. Assim: Fluxo = Kf. (Pc-c) Na extremidade arterial tem-se a pressão hidrostática do capilar, que em circunstâncias normais irá empurrar água e sais para o interstício, ela é contramente balanceada devida a pressão coloidosmótica do plasma que puxa água e sais do interstício para a extremidade venosa e esse líquido ganha circulação novamente. A linfa é drenada para o ducto torácico e eventualmente para a veia subclávia esquerda, entretanto, caso aumente a capacidade de drenagem devido ao aumento da pressão hidrostática no capilar ocorrerá o edema, visto que, acumulará líquido no interstício. Isso acontece geralmente devido alguma inflamação, ocorrendo um aumento da permeabilidade vascular devido mediadores inflamatórios, cursando @Marcos André assim com edema, o líquido chama-se EXUDATO (é rico em proteínas). Caso o acúmulo de líquido de interstício ou cavidade natural fechada não seja advindo de processo inflamatório, será chamado de TRANSUDATO. Na formação do edema há predomínio de 1 dos mecanismos: Fatores hemodinâmicos (pressão arterial elevada); Fatores Vasoativos (citocinas, histaminas.); Lesão endotelial (queimadura, vasculite...) → leva a dilatação das junções Inter-endoteliais que acarreta o extravasamento de líquido e proteína. Corresponde a exsudato: ▪ Alta concentração proteica ▪ Grande quantidade de restos celulares ▪ Essas características do exsudato não faz a fóvea do sinal de Cacifo Retenção de sal e água; Pressão venosa elevada → aumento da pressão hidrostática ▪ Edema inelástico, com resultado de Cacifo positivo @Marcos André Albumina é a principal proteína responsável por manter a pressão coloidosmótica do plasma (85%) Hipoalbuminemia → redução da pressão oncótica Causas de hipoalbuminemia: ▪ Síntese prejudicada – doença hepática ▪ Má absorção – enteropatia perdedora de proteína ▪ Perda urinária excessiva ▪ Catabolismo aumentado – processos inflamatórios Ex.: paciente chega com edema, você investiga e ele está com hipoalbuminemia. O seguimento é investigar a causa dessa hipoalbuminemia As proteínas plasmáticas extravasam os capilares e não são removidas do interstício pelos linfonodos Causas genéticas: ▪ Hipoplasia de vasos linfáticos ▪ Fibrose primárias dos linfonodos Causas secundárias: ▪ Destruição total ou parcial de rede linfática (RT) ▪ Destruição de linfonodo (metástase) Os edemas que estão associados a vasos linfáticos são localizados e não acomete de forma a fazer anasarca. ▪ OBS.: é bem comum o paciente ter mais de um fator como causa de edema. Por exemplo, um paciente com ICC + inflamação de vasos @Marcos André Edema é percebido quando ocorre um aumento de 4-5% do peso corporal ou quando pelo menos 5 litros de líquidos foi externalizado. O aparecimento de edema é consequência de alterações na homeostase do sódio e da água, além desses, vários fatores atuam simultânea e conjuntamente para desencadear um determinado quadro patológico. O sistema nervoso autônomo simpático (SNAS) e o sistema renina angiotensina- aldosterona (SRAA) atuam ou dependem do envolvimento renal. Os rins são, dessa forma, não só o principal efetor no balanço de água e sódio, mas, também, um importante sensor, levando ao SNC informações sobre o volume extracelular através das aferências nervosas. A mácula densa localizada nas arteríolas aferentes também é um importante sensor da concentração de sódio no interior dos túbulos renais e, em conjunto com o SNAS, Controla a liberação de renina do aparelho justa glomerular O volume de sangue arterial efetivo (VSAE), também é um parâmetro muito importante para o equilíbrio desse sistema, representa o volume de sangue necessário para manter o retorno venoso, a perfusão tecidual e o débito cardíaco dentro dos valores normais. O VSAE depende do volume de sangue ejetado pelo coração (volume sistólico), que é diretamente influenciado pelo retorno venoso ao átrio direito (lei de Frank-Starling), A redução do VSAE ativará os mecanismos de controle de volume no sentido da retenção renal de água e sódio. Origem: ▪ HEPÁTICA ▪ CARDÍACA ▪ RENAL ORIGEM RENAL: ▪ Quando suspeitar: o Edema palpebral pela manhã o Urina espumosa (perda de proteína na urina) o Oligúria/anúria o Hematúria o Antecedente de DM o Nictúria (paciente não tinha hábito de urinar a noite antes) Característica do edema: @Marcos André ▪ Localização facial (palpebral), inicialmente pela manhã, com melhora ao longo do dia ▪ Edema vespertino de membros inferiores ▪ Edema cacifo positivo, mole ▪ Inelásticos ▪ Indolor ▪ Ausência de sinais flogísticos Derrame cavitários (ascite, derrame pleural, pericárdico) Proteinúria maciça (> 3500 mg/24hrs) Hipoalbuminemia (<3g/dl) Devido a perda de proteína na urina Pressão oncótica diminuída → ▪ Edema ▪ Hiperlipidemia (CT e TG): geralmente presente, mas não é essencial para definição Essa teoria, acredita que a origem do edema é devido a retenção renal de sódio (SRAA: sistema renina angiotensina aldosterona) A hipoproteinemia, resultante da perda urinária de proteínas, é agravada pelo catabolismo aumentado da albumina, que acontece na síndrome nefrótica. A redução da pressão oncótica do plasma, @Marcos André resultante da hipoproteinemia, por si só, leva ao aparecimento de edema. Além disso, pode provocar contração do volume intravascular, que pode acarretar redução do débito cardíaco (redução da pré-carga) e consequente redução da perfusão renal. Esta, por sua vez, leva à ativação do SRAA, reduzindo a excreção renal de sódio. A queda da pressão arterial ou do volume plasmático pode, ainda, estimular a liberação de hormônio antidiurético, que irá provocar retenção de água e hiponatremia. Nessas condições, haverá maior reabsorção de Na+ e de água pelos túbulos renais, com retenção de sódio e água. Quando houver maior atividade antidiurética, poderá ocorrer retenção de água (livre de solutos), que promoverá diluição do extracelular, causando hiponatremia. Esse fluido retido representa um efeito diluidor das proteínas plasmáticas, agravando a redução da pressão oncótica do plasma e reciclando o estímulo à formação de edema. Clinicamente, o edema renal caracteriza-se pela localização facial, particularmente com a presença de edema palpebral - é um edema matinal, que tende a dissipar-se com o correr do dia - além do inchaço de membros inferiores, que (ao contrário) se exacerba com o passar das horas, constituindo um edema vespertino. Pacientes nefróticos com albumina plasmática muito baixa podem apresentar edema generalizado, intenso e extenso (anasarca), inclusive com derrames cavitários (serosites: ascite, derrames pleural e/ou pericárdico). Hematúria + pelo menos 1 dos achados abaixo Proteinúria não nefrótica (<3500 mg/24hrs) Oligúria HAS Déficit função renal Início súbito .................................................. @Marcos André A causa fundamental do edema na síndrome nefrítica é a redução da taxa de filtração glomerular (TFG). O edema é tão mais grave quanto maior for a redução da TFG, pois, como consequência desta, ocorrerá uma diminuiçãomuito acentuada da carga filtrada de sódio que será ainda mais reduzida após a maior reabsorção tubular desse íon. Assim, a pequena oferta cai a excreção renal de sódio e acontece, desse modo, retenção de Na+ (e água, de equilíbrio osmótica). distal de sódio permitirá a reabsorção quase total do Na+ tubular no nefro distal. Se fizermos restrição dietética de NaCl (rigorosa), pode não se formar edema - pois equilibrar-se-ia a ingestão com a baixa excreção, sem retenção. Mas se o consumo de sódio for liberal, ocorrerá retenção de Na+ e expansão do volume do extracelular. Nessas condições, haverá edema e hipertensão arterial. ▪ Exemplo: criança apresenta edema súbito, apresenta pressão arterial alta e hematúria: pensar em glomerulonefrite (síndrome nefrítica). O edema na síndrome nefrítica, diferente da síndrome nefrótica, não é pela hipoalbuminemia, mas sim pelo aumento da pressão hidrostática. Nem todo paciente com S. Nefrítica apresenta edema, depende da TFG e ingesta de sódio dele Exames Solicitados em suspeita de edema de origem renal: ▪ Dosagem sérica: o Creatinina: estimar taxa de filtração glomerular É produzida de forma constante pelo metabolismo da creatina (aminoácidos) e fosfocreatina nas células musculares. Depende da massa muscular, idade, raça e estado nutricional Faixa ampla normalidade 0,6 a 1,3 mg/dL. Não é o melhor exame para dosar a função renal, mas devido a facilidade e preço do exame é o que se usa no dia a dia @Marcos André o Ureia: Produto de destruição proteica no fígado É a principal fonte de excreção de nitrogênio do organismo. A maior parte é excretada pela urina, e pequenas quantidades no suor e degradas por bactérias intestinais. Grande parte da ureia filtrada é reabsorvida No individuo saudável, sua concentração varia de acordo com diferentes fatores (ingesta proteica e grau de hidratação) Paciente desidratado aumenta a excreção urinária de ureia Situações de ureia sérica elevada, na AUSENCIA de doença renal: Pacientes hiper catabólicos, pois ureia resulta de produtos de degradação proteica Aumento na reabsorção tubular de uréia em estados de redução do volume IV efeito (fluxo mais lento → maior reabsorção) Na Hemorragia digestiva alta pela metabolização do sengue no trato digestivo Em doenças renais a ureia e creatinina sobem juntos, caso a creatinina esteja estável e a ureia alta deve-se investigar causas fora do contexto renal o Albumina ou proteína total e frações (albumina, globulina) o Eletrólitos – Na, K o Perfil lipídico ▪ Amostra de urina: o Urina I / EAS O normal seria não ter proteína na urina, um exame simples de urina + edema, já indica um edema de origem renal (deve-se olhar a presença de hemácias para saber se é síndrome nefrítica ou nefrótica, além da quantidade de proteínas). No caso de exames que tragam o nível de proteína em cruzes deve-se realizar a contagem de proteínas totais (proteinúria 24hrs, relação albumina creatinina; relação proteína creatinina) @Marcos André (Paciente que já apresenta queixa de edema, urina espumosa, oligúria, é indicado já pedir a relação proteína/creatinina para saber o grau da lesão na barreira glomerular) (A relação albumina/creatinina pode ser pedido em casos de proteinúria discreta) Se um paciente está perdendo 100 mg de albumina ele já tem um fator de lesão, no entanto isso não aparece no EAS, se você solicitar albumina/creatinina já mostrará isso, então, em questões de triagem a relação albumina/creatinina é indicado o Relação albumina creatinina ou relação proteína creatinina ou microalbuminúria ▪ Dosarem na urina 24 horas (exame de grande dificuldade técnica) o Clearance de creatinina Devido à dificuldade do exame, utiliza-se fórmulas para estimar a taxa de filtração glomerular, sendo recomenda- se CKD-EPI. Para calcular é preciso saber a creatinina plasmática, idade, raça e gênero (devido a diferença de massa muscular entre homens e melhores) o Proteinúria Os laboratórios vêm trazendo a estimativa da TFG.