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ESTRUTURAS II - METÁLICA E MADEIRA - CCE1531 Aula 04: AÇÕES E COMBINAÇÕES EM ESTRUTURAS: aço e madeira Prof.: Ana Laryssa Email: ana.saboia@estacio.br Normalização, ponderações e Estados Limites Normas associadas ao projeto de estruturas metálicas e de madeira Objetivos da aula de hoje 01 Normalização Esforços solicitantes característicos e de projeto 03 Cargas solicitantes Segundo a NBR 8800:2008 e a NBR 7190:1997 02 Método dos E.L. Esforços resistentes característicos e de projeto 04 Cargas resistentes Normalização Normas associadas ao projeto de estruturas metálicas e de madeira 01 NORMALIZAÇÃO E PADRONIZAÇÃO P ro je to d e e st ru tu ra s d e a ço e d e e st ru tu ra s m is ta s d e a ço e c o n cr e to d e e d if íc io s ABNT NBR 7190:1997 ABNT NBR 8800:2008 P ro je to d e e st ru tu ra s d e m a d e ir a NORMALIZAÇÃO E PADRONIZAÇÃO ABNT NBR 7190:1997 P ro je to d e e st ru tu ra s d e m a d e ir a NORMALIZAÇÃO E PADRONIZAÇÃO P ro je to d e e st ru tu ra s d e a ço e d e e st ru tu ra s m is ta s d e a ço e c o n cr e to d e e d if íc io s ABNT NBR 8800:2008 — Aí vocês me perguntam: Mas para a elaboração de um projeto arquitetônico precisamos saber um processo completo de dimensionamento estrutural? Sim! É importante que o arquiteto compreenda os processos de dimensionamento como descrito em norma para elaborar projetos viáveis e seguros, evitando retrabalhos e diminuindo ocorrencias de ajustes posteriores Contudo... Os processos que veremos aqui serão simplificações do processo completo, onde algumas aproximações serão feitas para facilitar o processo! Método dos Estados Limites Segundo a NBR 8800:2008 e a NBR 7190:1997 02 FILOSOFIAS DE CÁLCULO Método dos Estados Limites • Projeto dos fatores de carga e resistência (LRFD – Load and Resistance Factor Design) • Neste método majoramos as cargas atuantes e minoramos a resistência das peças • É o método adotado pelas normas da ABNT Método das tensões admissíveis • Projeto pelas resistências admissíveis (ASD – Alowable Strenght Design) • Neste método mantemos as cargas e minoramos a resistência das peças • É o método adotado pelas normas da AISC - American Institute of Steel Construction (Instituto Americano de Construção em Aço) • Gera resultados muito próximos ao LRFD Um Estado Limite ocorre sempre que a estrutura deixa de satisfazer um de seus objetivos. Eles podem ser divididos em ESTADO LIMITE ÚLTIMO (ELU) e ESTADO LIMITE DE SERVIÇO (ELS) Mas o que é um estado limite? Estado limite é o estado que define impropriedade para o uso da estrutura, por razões de segurança, funcionalidade ou estética, desempenho fora dos padrões especificados para sua utilização normal ou interrupção de funcionamento em razão da ruína de um ou mais de seus componentes. Em outras palavras, é o estado em que a estrutura deixa de atender os requisitos para um funcionamento de forma plena e adequada ou até mesmo quando seu uso é interrompido por razão de um colapso na estrutura. Estado Limite Último (ELU): O ELU está relacionado ao estado no qual a estrutura já não pode ser utilizada por razão de esgotamento da capacidade resistente e risco à segurança. Nesse caso, quando a estrutura está submetida ao estado limite ultimo, são necessários reparos ou até mesmo a substituição da construção para que a segurança seja assegurada. Estado Limite Último (ELU): Ocorre quando a estrutura deixa de garantir a segurança estrutural, levando-a ao colapso. Causas principais: • Ruptura de uma ligação ou seção • Flambagem em regime elástico ou não; • Perda de equilíbrio como corpo rígido; • Plastificação total de um elemento estrutural ou de uma seção; • Ruptura por fadiga. Prédio residencial de 7 andares desaba em Fortaleza Outubro / 2019 Estado Limite Último (ELU): Alguns exemplos de erros que podem levar a estrutura ao estado-limite último e, consequentemente, a um colapso: Um pilar mal dimensionado, como por exemplo, insuficiência de armadura; Utilização de materiais em obra de qualidade diferente à especificada no projeto. Estado Limite Serviço (ELS): Diferentemente dos primeiros estados limites apresentados anteriormente, os estados limites de serviço são os critérios de segurança que estão relacionados ao conforto para os usuários, durabilidade da estrutura, aparência e boa utilização de um modo geral. Estado Limite de Serviço (ELS): Ocorre quando a estrutura deixa de garantir o bom desempenho estrutural, levando à ocorrência de grandes deslocamentos. Estando associado a cargas em serviço, as principais causas são: • Deformações excessivas; • Vibrações excessivas. Viga deformada, prejudicando a utilização Estado Limite Serviço (ELS): Entre os exemplos mais comuns do ELS, que provocam desconfortos aos usuários, perda de durabilidade da estrutura e até risco à segurança, estão os seguintes: Flechas excessivas em lajes ou vigas; Fissuração exagerada; Diferença entre ELU e ELS A principal diferença entre o Estado Limite Último e o Estado Limite de Serviço é que o primeiro oferece um risco iminente de ruína da estrutura, devendo ser reparado imediatamente. Já o segundo estado limite de desempenho não oferece risco iminente de ruína, estando apenas fora dos padrões normais de funcionamento mas, mesmo assim, o ELS não deve ser menosprezado. Outra diferença é que o ELU é o estado limite mais indesejável para o engenheiro, pois significa que a estrutura está sob condição última, como, por exemplo, um pilar que ameaça romper. Princípio básico de dimensionamento: AÇÃO X REAÇÃO Cargas atuam nas estruturas, podendo ser permanentes ou acidentais O que atua Os materiais tem capacidades resistentes distintas, podendo ter melhor desempenho dependendo de onde forem aplicados O que resiste A comparação entre a tensão atuante e a tensão admissível é que fornece o resultado da resistência Comparação Cargas solicitantes Esforços solicitantes característicos e de projeto 03 C am in ho d as c ar ga s Placa Duas dimensões predominantes a uma terceira (espessura) Casca Semelhante a placa, mas de superfície curva Barra Uma dimensão predominante, podendo receber cargas pontuais ou distribuídas Bloco Três dimensões predominantes Quais as cargas que atuam na estrutura? C ar ga s co m bi n ad as CARGAS PERMANENTES CARGAS VARIÁVEIS Tem-se como parte do processo de elaboração de um projeto a suposição das carga e a determinação dos esforços solicitantes, reações de apoio, esforços de compressão, tração, flexão, torção, cisalhamento e as deformações, para fazer o pré-dimensionamento dos elementos estruturais C ar ga s co m bi n ad as CARGAS PERMANENTES Atuam de modo permanente na estrutura, com intensidade e posição definidas, como por exemplo o peso próprio dos elementos estruturais, peso dos revestimentos e materiais construtivos permanentes, peso das paredes, peso de equipamentos fixos e permanentes. C ar ga s co m bi n ad as CARGAS VARIÁVEIS Atuam eventualmente na estrutura, como por exemplo o efeito do vento, a presença de um veículo em uma ponte, peso das pessoas, peso do mobiliários e objetos, forças resultantes da movimentação de objetos e veículos. Mas será que todas essas cargas devem ser consideradas em projeto da mesma maneira? Em outras palavras, basta somar tudo o que supomos atuar em uma estrutura? Impacto diferente de diferentes esforços Coeficientes de segurança • O coeficiente de segurança é o fator requerido no projeto de um sistema para obtenção de desempenho (operação) seguro do mesmo. É a relação entre a carga que produziria colapso da estrutura e o carregamento atuante, em serviço. Impacto diferente de diferentes esforços Coeficientesde segurança • São estatisticamene determinados • Dependem do tipo de carga • Dependem do tipo de combinação • Dependem do tipo de material estrutural utilizado • Devem SEMPRE ser considerados Coeficientes de Segurança PFEIL, Walter; PFEIL, Michèle. Estruturas de Aço: dimensionamento prático de acordo com a NBR 8800:2008. 8ª edição. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2009. (Capítulo 1: 1.10.5) Devemos lembrar que essas cargas atuam sobre superfícies e que elas geram uma pressão sobre a estrutura: a TENSÃO TENSÕES SÃO DIFERENTES DEPENDENDO DA FORMA COMO ATUAM NA ESTRUTURA Então cabe destacar que não só a resistência do material garante a capacidade de suportar grandes cargas! Não se pode usar num pilar um cabo de aço (por mais grosso que seja), embora ele seja muito resistente. Por outro lado, materiais frágeis podem suportar grandes cargas, dependendo da forma (como o mármore). Tração Compressão Flexão Cisalhamento Tensões atuantes σ = F/A σ = F/A σ = M/W τ = 1,5 V/A σ = Tensão F= Força A = Área da Seção M = Momento Fletor W = Módulo de Resistência V = Força Cortante Cargas resistentes Esforços resistentes característicos e de projeto 04 Valores tabelados, ponderados por fatores de segurança PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS PRINCIPAIS AÇOS-CARBONO Diagrama tensão x deformação PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS PRINCIPAIS AÇOS-CARBONO Teor de carbono (%) Resistência Limite de escoamento Resistência à ruptura ABNT MR250 ASTM A36 AR350 ASTM A307 (parafuso) ASTM A305 (parafuso) baixo Média 250 400 baixo Média 250 400 - 500 médio Alta 350 450 baixo Média - 415 médio Alta 635 (min) 825 (min) σy (Mpa) σu (Mpa) PROPRIEDADES MECÂNICAS DE ALGUMAS MADEIRAS L iv ro : E s tr u tu ra s d e m a d e ir a – W a lt e r P fe il (A n e x o s - T a b e la A .1 .1 – p . 1 9 2 e 1 9 3 ) Coeficientes de segurança O coeficiente de segurança aplicado varia conforme o tipo de esforço, mas é pequeno pois o nível de confiabilidade é maior – o processo de industrialização proporciona uma margem de erro pequena e uma qualidade maior O coeficiente de segurança aplicado também varia conforme o tipo de esforço, mas também varia conforme as características particulares de cada madeira e do processo de fabricação – é um coeficiente mais conservador Enquanto o aço é um material industrializado… …a madeira é um material natural LAJE STEEL DECK MANUAL DO FABRICANTE: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/metform/steel_deck_metform[1].pdf TELHA - FÔRMA STEEL DECK - METFORM LAJE STEEL DECK MANUAL DO FABRICANTE: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/metform/steel_deck_metform[1].pdf TELHA - FÔRMA STEEL DECK - METFORM LAJE STEEL DECK MANUAL DO FABRICANTE: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/metform/steel_deck_metform[1].pdf TELHA - FÔRMA STEEL DECK - METFORM LAJE STEEL DECK MANUAL DO FABRICANTE: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/metform/steel_deck_metform[1].pdf TELHA - FÔRMA STEEL DECK - METFORM LAJE STEEL DECK MANUAL DO FABRICANTE: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/metform/steel_deck_metform[1].pdf TELHA - FÔRMA STEEL DECK - METFORM LAJE STEEL DECK MANUAL DO FABRICANTE: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/metform/steel_deck_metform[1].pdf TELHA - FÔRMA STEEL DECK – METFORM Por exemplo, suponha que seja necessário projetar uma laje de piso, apoiada em vigas de aço e submetidas a vãos múltiplos de 2.500mm. As cargas de serviço a atuarem nesta laje serão: 1,0kN/m² de revestimento e 3,0kN/m² de sobrecarga. Será feita a verificação para uma laje com 120mm de altura total de concreto (50mm da Telha-fôrma e 70mm de cobrimento) e com a Telha-fôrma MF 50 de espessura 0,80mm. Para esta laje, não há necessidade de utilização de escoramento. Isto porque o vão de 2.500mm é inferior aos vãos máximos sem escoramento (duplos ou triplos), relacionados na tabela de cargas. Após a cura do concreto, a carga sobreposta total a atuar na laje mista será Wd = 1,0 + 3,0 = 4,0kN/m². De acordo com a tabela de cargas, para uma laje de altura de 120mm e um vão de 2.500mm, a resistência da laje mista é: Wn = 4,86kN/m² Wn > Wd A laje adotada resiste às cargas aplicadas. LAJE STEEL DECK MANUAL DO FABRICANTE: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/metform/steel_deck_metform[1].pdf Questões para refletir ● Indique as principais normas associadas aos projetos de aço e madeira. ● Por que para a elaboração de um projeto arquitetônico precisamos saber um processo completo de dimensionamento estrutural? ● O que é o método dos Estados Limites? ● Qual a diferença entre o Método dos Estados Limites e o Método das Tensões Admissíveis? Qual deles é melhor? ● Qual a filosofia de cálculo adotada pelas normas de projeto de aço e madeira no Brasil? Por quê? ● Conceitue o ELU e indique os motivos principais que podem levar a sua ocorrência. ● Conceitue o ELS e indique os motivos principais que podem levar a sua ocorrência. ● É possível afirmar que considerar em projeto o ELU é essencial, enquanto considerar o ELS é opcional? Explique. ● Explique o que é o princípio de ação e reação em estruturas de edificações e qual a importância disso no processo de projeto. ● Classifique as cargas que atuam na estrutura quanto ao tempo de atuação, indicando exemplos de cada. Questões para refletir ● O que é uma estrutura em placa? Como as cargas atuam nesse tipo de elemento? ● O que é uma estrutura em casca? Como as cargas atuam nesse tipo de elemento? ● O que é uma estrutura em barra? Como as cargas atuam nesse tipo de elemento? ● O que é uma estrutura em bloco? Como as cargas atuam nesse tipo de elemento? ● Por que é importante o conhecimento das cargas atuantes para o processo de projeto arquitetônico? ● Todas as cargas atuantes na estrutura devem ser consideradas em projeto da mesma maneira? Em outras palavras, basta somar tudo o que supomos atuar em uma estrutura? Explique. ● Qual a diferença entre força e tensão? Qual desses dois fatores é utilizado para medir a resistência de uma estrutura? ● Como podemos medir a tensão atuante em elementos sujeitos a esforços de tração? ● Como podemos medir a tensão atuante em elementos sujeitos a esforços de compressão? ● Como podemos medir a tensão atuante em elementos sujeitos a esforços de flexão? ● Como podemos medir a tensão atuante em elementos sujeitos a esforços de cisalhamento? Questões para refletir ● Qual a diferença de carga solicitante para carga resistente? E a diferença entre tensão atuante e tensão admissível? ● Por que não devemos considerar a tensão admissível de um aço MR250 igual a 250 Mpa? ● Qual a diferença de tensão de escoamento e tensão de ruptura? Qual das duas é utilizada no processo de dimensionamento de estruturas metálicas? ● Por que o coeficiente de segurança utilizado no dimensionamento de estruturas de madeira é maior do que o utilizado em estruturas metálicas? ● Por que a resistência das madeiras muda de acordo com o esforço atuante na estrutura de madeira e só existe uma tensão de escoamento e de ruptura para estruturas metálicas? INDICAÇÃO DE LEITURA ESPECÍFICA PFEIL, Walter; PFEIL, Michèle. Estruturas de Aço: dimensionamento prático de acordo com a NBR 8800:2008. 8ª edição. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2009. (Capítulo 1: subitens 1.10.1, 1.10.2 e 1.10.5) Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2818- 7/epubcfi/6/2[;vnd.vst.idref=cover]!/4/2/2[vst-image-button-552 PINHEIRO, Antonio Carlos da Fonseca Bragança. Estruturas Metálicas: cálculos, detalhes, exercícios e projetos. 2ª edição. São Paulo: Blucher, 2005. (Capítulo 4) Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521215325/pageid/0 JUNIOR, CALIL, Carlito, LAHR, Francisco Rocco, DIAS, Antonio Alves. Dimensionamento de Elementos Estruturais de Madeira. Barueri: Manole, 2003. (Capítulo 5) Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520442968/pageid/0PFEIL,Walter; PFEIL, Michèle. Estruturas de Madeira: dimensionamento segundo a norma NBR 7190/97 e critérios das normas norte-americana NDS e européia EUROCODE 5. 6. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2003. (Capítulo 3 item 3.7) Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2810- 1/epubcfi/6/2[;vnd.vst.idref=cover]!/4/2/2[vst-image-button-602 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2818-7/epubcfi/6/2[;vnd.vst.idref=cover]!/4/2/2[vst-image-button-552 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521215325/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520442968/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2810-1/epubcfi/6/2[;vnd.vst.idref=cover]!/4/2/2[vst-image-button-602 Obrigada pela atenção!