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Dilema da mudança

Apontamentos sobre o modelo em 4 etapas de Minuchin para avaliação/intervenção familiar: família como sistema autorregulador; sintoma como mecanismo de regulação; necessidade de reestruturação para mudança; dilema terapeuta/família; formulação e teste de hipóteses; perguntas de avaliação.

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Minuchin desenvolveu um modelo de 4 etapas para acessar a família. 
o Pode ser adaptado para terapia em geral. 
A família como sistema autorregulador: se autorregula de forma a manter seu funcionamento, num 
determinado padrão de funcionamento. 
A busca pela homeostase (equilíbrio). 
Os membros da forma que se relacionam entre si vão mantendo a homeostase regulada. 
Sintoma: quando um dos membros familiares ou alguém da família adoece ou se torna aquele paciente 
identificado. Podemos enxergar esse sintoma como uma forma de mecanismo de regulação (mecanismo 
que busca fazer com que a homeostase familiar seja ameaçada) mesmo que seja um mecanismo 
disfuncional. Mesmo estando disfuncional surge na família como forma de sintoma (protegendo a 
homeostase). 
Se eu eliminar o sintoma, vou desregular o sistema? Provavelmente sim e desregulando esse 
sistema, ou seja, mexendo, olhando essa quebra de homeostase que essa eliminação do sistema 
traz, precisa-se olhar para aquilo que precisa ser organizado dentro da estrutura familiar, o que 
precisa ser trabalhado nesse sistema que se desregula na ausência de sintoma ou produz outro 
sintoma no lugar daquele sintoma que foi tirado. 
O sintoma quando mecanismo de regulação, se ele é eliminado e o sistema não é reorganizado de 
forma funcional, a tendência é que outro sintoma apareça. 
Mudar: implica em mexer na estrutura familiar, essa reestruturação requer questionar quais as repercussões 
disso para o restante do sistema. 
O sistema vai ter que para a eliminação de um sintoma que manifesta uma tentativa de 
manutenção/regulação homeostática, cada sistema, subsistema vai ter que olhar para as suas 
próprias fragilidades, vulnerabilidades e poder trabalhar. 
 Ex: Se quero mudar, preciso enfrentar determinados aspectos, não sendo um processo fácil. 
Mudar SEM mudar Não existe! Daqui a pouco outro sintoma vai aparecer e revelar a 
disfuncionalidades que foi desviada do foco. 
Não adianta eliminar só um sintoma, precisa-se mexer naquilo que está associado ao aparecimento 
e manutenção daquele sintoma. 
o Olhar para a família atual e também correlacionar com sua história tanto individual quanto familiar. 
Dilema da mudança 
 
 
 
A família quer mudar o sintoma SEM mudar o sistema! 
 Enquanto terapeuta NÃO TEM como mudar o sintoma SEM mexer nesse sistema. 
Algumas questões que o terapeuta se questiona: 
 O que acontecerá se o sintoma for eliminado? (se o sintoma não for + o foco) 
Como a família irá funcionar sem esse sintoma? (como vai ficar essa estrutura familiar?/ outras 
coisas vão aparecer?) 
Que preço será pago? 
Vale a pena? 
Debate terapeutico: terapeuta família 
A medida que vamos identificando, construido junto com a família essa visão + ampliada,+ geral 
do sintoma, o terapeuta vai discutir os riscos que eles correm, fazendo reedefinições drásticas em 
relação ao problema e sua solução. 
Discutir para que a família se aproprie da realidade, para que a família possa se implicar de forma 
+ consistente naquilo que de fato precisa ser mudado. 
Nível oculto da família: Aquilo em primeiro momento que não está aparecendo de forma clara 
e explícita, mas que vamos entendendo a medida que vai conversando, se apropriando da história 
daquela família, do funcinamento dela, vamos chegando nesse nível oculto. 
o Tem famílias que preferem MANTER o sintoma (são famílias que não vão aderir): 
Vai surgir um membro que vai ser dar conta e vai buscar sua TERAPIA INDIVIDUAL, para 
conseguir fazer as mudanças necessárias a partir de si mesmo com a premissa de que as mudanças 
que esse membro fizer nele mesmo em suas relaçóes vão repercurtir nos demais (TODO). 
Se a família não está disposta, não quer pagar o preço (de olhar a sua estrutura) indica-se uma 
terapia individual para algum membro da família. 
o Reforma nas relaçóes, limites que precisam ser colocados, coisas que precisam serem recolocadas. 
 
 
Hipoteses hipótese sempre abertas, pois sempre pode surgir outras novas hipóteses. 
Uma ideia a ser testada; 
Formar uma hipótese; 
Testa-lá junto a família de forma a identificar se a hipótese faz sentido ou não; 
NÃO significa mudar tudo, mas sim o que 
está no sistema disfuncional e que precisa 
ser mexido/ estruturado/ reorganizado. 
Formando hipóteses 
 
 
Como primeiro ponto de partida; 
É o primeiro passo a seguir; 
Fazer questionamentos, perguntas, investigar. 
o Por que a família está apresentando esse problema particular nessa epóca em particular? 
o Que eventos e comportamentos precipitaram o problema? (o que trouxe a tona) 
o Que ciclo atual de interação esta mantendo o sintoma? (em que momento do ciclo vital) 
o Como a família lida com o problema? 
Quem se envolve +?, Quem lida+?, Quem se preocupa +?, Quem briga+?, Quem não ta nem ai?, 
Quem não manifesta?, 
Como se discute e como aparece no cotidiano da família o problema, quem manifesta?, 
Os riscos com a eliminação do sintoma, 
Os riscos se isso não for mexido, 
O que vai acontecer com essa família se tal situação se mantiver como está?. 
Hipótese inicial Especulativa, NÃO da pra te-lá como verdade absoluta. 
Informações colhidas (com a família): as perguntas feitas, as propostas, essas informaçóes precisam estar 
conectadas com o problema apresentado. Tudo que colher de informaçóes precisam ter sentido e serem 
relevantes para o caso, NÃO perguntar apenas por perguntar. 
A que função serve o sintoma na estabilização da família? 
Qual é o tema central em torno do qual o problema é organizado? 
Quais serão as cosequências da mudança? 
Qual é o dilema terapêutico? 
 MUDAR SEM MUDAR! 
 
 
o Sintoma costuma coincidir com alguma mudança na família ameaça a homeostase. 
o Anisedade frente á mudança ativa conflitos adormecidos, expressos através de sintomas. 
Mudanças em diferentes níveis/instâncias: 
Nível comportamental: 
 Modificações no nível comportamental; 
 Investigar o comportamento contradições ou distorções; 
Suposições básicas 
Ver aquilo que é dito e o que é feito 
 
 
A forma como a pessoa se comporta possa estar fortalecendo o sintoma; 
Sequência comportamental particular e as respostas associadas; 
Investigar respostas associadas a determinados comportamentos; 
Hipótese sistêmica: sai do sintoma e vai pro sistema; 
Sequência de comportamentos da pessoa e dos outros membros da família diante do sistema. 
Nível emocional: 
A função dos sentimentos e a sua forma de expressão, 
Permite conhecer em quais momentos na vida da família o sintoma aparece. 
Nível ideativo: 
Ideias; 
Como a família percebe o problema? 
Como percebem sua causa e cura? 
Como reagem a percepção do outro? 
Observar a linguagem da família: Metáforas, enunciados, família de origem. 
Engloba regras da família, mitos e crenças que podem perpetuar os sintomas. 
 
 
o Manejo de receber e dar início ao processo com a família. 
o Ter um olhar sistêmico (TODO) mas sem deixar de perder a visão nos seres humanos INDIVIDUAIS que 
formam a família. 
 Considerar o olhar entre: Sistema indivíduo. 
o Tem aspectos individuais que precisam serem levados em conta no momento da terapia. 
o Levar em conta o indivíduo e sua INDIVIDUALIDADE e NÃO só na sua INTERCONECTIVIDADE (levar 
em consideração as duas) individualidade interconectividade 
o O todo é maior que a soma das partes, como também o todo é menor que a soma das partes. 
o Olhar também o indivíduo com as suas questões próprias. 
o Foca nas relações SEM perder o individual. 
o Troca de foco do comportamento para a cognição. 
Modelo de 4 etapas para acessar a família (Minuchin e Lee) 
 
 
o Antes a família era vista como ADOECEDORA e o papel da terapia seria liberar o indivíduo das regras 
patológicasda família. 
 Família como culpada em cima do indivíduo, 
 Mensagens contraditórias (onde se diz algo, mas aquilo que eu faço contradiz o que eu falo). 
Terapia familiar contemporânea: divide-se as corresponsabilidades. 
 Colaborativa; 
Onde a família não é + a vilã/adversária; 
Cada membro da família é corresponsável pelo que passa inclusive com o (paciente que é 
identificado/sintomático); 
Distribuição das responsabilidades. 
 
 
o Abordagem colaborativa, NÃO+ uma abordagem culpabilizadora (a família como vilã). 
o Sistema e indivíduo em relação. 
o Observar sistemas familiares, psiques individuais, considerando suas múltiplas influências. 
o Passado antes NÃO era útil. 
o Olhar o passado, mas com foco na estrutura atual. 
o Se vê que olhar para o passado com objetivo de facilitar mudanças no presente. 
o O que de lá (PASSADO) está falando com que está acontecendo agora no (PRESENTE). 
o NÃO se perder no passado (NÃO focar tanto assim, mas levar em consideração). 
o O terapeuta não diz o que a família tem ou precisa fazer, mas fazer com que a família entenda ajudando a 
família/indivíduo a se dar conta para que ele identifique a necessidade de mudança. 
 
 
Tem como objetivo identificar o que impede a família de atingir seus objetivos enquanto família (o que está 
travando o desenvolvimento dessa família enquanto grupo e também nas individualidades dos membros). A 
ideia do terapeuta é UNIR-SE a família (como membro colaborativo) para conceber uma visão de como passar 
a família de onde ela está, para onde ela quer estar (o que precisa mudar, o que quer que seja diferente), vai 
ajudar a família a identificar. 
Terapia familiar contemporânea: abordagem colaborativa para as famílias 
Quatro etapas 
 
 
1- Ampliar a queixa apresentada 
Descentralizar o problema apresentado e o portador de sintoma. 
Deve-se fazer com que a família compreenda que o problema apresentado por ela NÃO está 
relacionado apenas ao mecanismo interno de um de seus membros. 
2- Destacar o problema- interações mantenedoras 
Investigar os padrões familiares que mantem o problema ativo. 
Explorar o que os membros da família podem estar fazendo para perpetuar o problema, auxiliando 
os familiares a perceberem com suas ações podem estar mantendo o problema. 
Essa etapa parte do pressuposto de que os membros da família mudarão seu padrão de relação se 
conseguirem ver a si mesmos como capazes de ajudar o paciente identificado. 
3- Investigar o passado com foco na estrutura 
Investigar o que os membros da família trazem do passado que ainda influencia o presente. 
Investigar o passado com foco na estrutura, através de uma exploração breve e focada do passado 
dos membros adultos da família, com o intuito de auxiliá-los a entender como chegaram à sua 
visão limitada do presente, de si mesmos e dos outros. 
Essa etapa é vista como a continuação das explorações do estilo de relacionamento que o terapeuta 
e a família desvelaram na etapa anterior. 
4- Descobrir/ cocriar formas alternativas das relações 
Redefinir o problema e testar opções. 
Após o desenvolvimento de um quadro inicial dos motivos que mantem a família bloqueada e 
de como esse caminho foi tomado, os membros da família e o terapeuta falam sobre que precisa 
mudar o que e sobre quem tem a disposição de fazê-lo ou não. 
Essa é uma etapa fundamental para evitar a resistência as mudanças propostas na terapia. 
 
 
Descentralizar o 
problema 
apresentado e o 
portador do 
sintoma. 
Investigar os padrões 
familiares que mantem 
o problema. 
Investigar o que os 
membros da família 
trazem do passado 
que ainda influência o 
presente. 
Redefinir o problema 
e testar ações. 
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