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Eletrocardiograma Princípios do ECG • Para que ocorram sístoles e diástoles alternadas é necessário haver um ciclo de despolarização e repolarização, no chamado ciclo cardíaco; • Cada vez que o nó sinusal dispara um potencial, ocorre um ciclo cardíaco = sístoles e diástoles alternadas; • Quando ocorrem os batimentos cardíacos, uma corrente elétrica também se propaga do coração para os tecidos adjacentes que o circundam, além de pequena parte da corrente se propagar para a superfície do corpo; • Assim, se forem colocados eletrodos sobre a pele, em lados específicos e opostos do coração, será possível registrar os potenciais elétricos gerados por esta corrente que segue para a superfície do corpo, sendo este registro em forma de gráfico de ondas conhecido como eletrocardiograma; • A despolarização é unidirecional, ocorrendo primeiramente nos átrios, seguindo para o nodo atrioventricular, que transmite para o septo intraventricular, atingindo o ápice do coração e, assim, a corrente se propagada do septo intraventricular para as paredes laterais dos ventrículos, através das fibras de Purkinje; • O coração ele está localizado no mediastino, com órgãos ao seu redor, como pulmões (cheios de ar) e outros locais onde são localizados fluidos que conduzem a eletricidade com muita facilidade para a superfície do corpo, permitindo a captação pelos eletrodos dos impulsos, não com a mesma intensidade. → Tipos de eletrodos: • O eletrodo é um polo condutor de eletricidade, sendo um caracterizado • Trata-se de um dispositivo que é capaz de captar uma corrente elétrica (= fluxo de elétrons) e a conduzir de um ponto para o outro, sendo a interface entre o corpo e o eletrocardiógrafo para medir a atividade elétrica; • Eles são feitos de cloreto de prata (AgCl), sendo que o contato com a pele é aumentado através do uso de gel eletrolítico à base de cloro, diminuindo a dispersão dessa corrente; • Caso a corrente elétrica passe perto do eletrodo positivo ela vai entrar e ser captada pelo eletrodo positivo, sendo conduzida por seu fio e chegando ao eletrodo negativo e vice-versa, podendo a corrente entrar no eletrodo negativo também, seguindo para o eletrodo positivo; • Tipos mais comuns: - Sucção: usado para contatos na superfície torácica (precordiais). Não são descartáveis e precisa que seja aplicado o gel eletrolítico; - Placa: usado para contato nas extremidades (periféricos), como punhos ou tornozeolos. Não são descartáveis e precisa que seja aplicado o gel eletrolítico; - Descartável (adesivo): usado para contato no tórax durante testes de esforço, em UTI e para Holter. Marianne Barone (15A) Disciplina – Prof. Marianne Barone (15A) Biofísica – Prof. Lígia Marinho Ondas de despolarização e repolarização • Formação de ondas em uma única fibra muscular cardíaca; • Os eletrodos são dispostos do lado externo da fibra, e estão acoplados a um milivoltímetro; • Despolarização: da esquerda para a direita; - Sinais em vermelho: locais de despolarização; - Sinais em preto: locais de polarização; • O desenho no gráfico é determinado pelo eletrodo positivo; • No esquema A, os eletrodos estão na superfície. No ponto da esquerda, a despolarização já ocorreu (meio intracelular positivo e meio extracelular negativo), enquanto no lado direito a célula ainda está em repouso (polarizada à meio intracelular negativo e meio extracelular positivo). A corrente elétrica que está na parte despolarizada é captada pelo eletrodo que está externamente, conduzida pelo fio para o milivoltímetro e segue para o lado que ainda não foi despolarizado e está mais positivo. Assim, no gráfico, a onda é desenhada para cima, em direção ao eletrodo positivo, já que a corrente entra, passeia pelo fio e segue de encontro ao eletrodo positivo; • No ponto B, a despolarização (é unidirecional) já tomou a célula toda. A corrente elétrica é presente em ambos os lados. Quando toda a célula despolariza, a curva termina de ser desenhada e segue para o eixo 0 (tem um encontro das correntes, vindas de ambos os lados, fazendo com que seja “zerado” o ponteiro). Como a corrente é presente dos dois lados, ela “não tem mais para onde ir”; • No esquema C, a extremidade direita é polarizada, com a presença da corrente. Essa corrente é captada pelo eletrodo positivo, indo para o milivoltímetro e voltando para a extremidade esquerda, que está polarizada, assim, o ponteiro “segue o lado da corrente”. Quem determina o desenho do gráfico é o eletrodo positivo. Como a corrente está “se afastando” do eletrodo positivo, a curva é desenhada para baixo, em direção do polo negativo; • No esquema D, quando a célula está toda polarizada, a curva volta para a escala 0, visto que não há mais corrente nem a DDP, já que a carga está totalmente com carga positiva no meio extracelular; • A despolarização é unidirecional e é seguida pela repolarização, após a passagem da corrente (que despolariza), sendo sempre para o lado oposto a despolarização; • Onda para cima: corrente segue do lado negativo para o positivo, indo em encontro do eletrodo positivo; • Onda para baixo: corrente segue do lado positivo para o negativo, se afastando do eletrodo positivo. Ondas e segmentos do ECG normal • Os tipos de ondas registradas em um ECG são chamados de derivações eletrocardiográficas; • O ECG registra padrões de ondas diferenciados, sendo que, existem 12 diferentes padrões. O principal e mais conhecido é o chamado padrão PQRST, o conjunto de deleção, que representam o ciclo cardíaco; • O conjunto de ondas é chamado de derivação eletrocardiográfica. Cada onda é chamada de deflexão; • Os segmentos são pontos em que não ocorrem deflexões; • Onda P: despolarização atrial. O nodo sinusal propaga o potencial de ação, em que, cerca de 100 milissegundos após a despolarização ocorre a sístole atrial, que bombeia sangue para os ventrículos; • Segmento P-Q: tempo de condução do impulso elétrico do nodo sinusal até o nodo atrioventricular, sendo um atraso proposital das fibras lentas para evitar a contração ao mesmo tempo de todas as câmaras cardíacas; • Complexo QRS: despolarização ventricular; • Segmento S-T: platô (entrada de cálcio) do potencial de ação do miocárdio, que ocorre quando os ventrículos estão totalmente despolarizados e entram em sístole, bombeando sangue para os vasos da base; • Onda T: repolarização ventricular; • A onda de repolarização dos átrios não é representada no gráfico pois ela é camuflada, já que ocorre ao mesmo tempo que a despolarização ventricular, que é mais potente. • O gráfico de cima representa o potencial de ação do miocárdio, e embaixo o registro eletrocardiográfico; • A despolarização é representada pela abertura dos canais de sódio-voltagem dependente, em que ocorre a entrada de sódio no interior da célula = complexo QRS (despolarização dos ventrículos); • O platô ocorre pela entrada de sódio, vazamento pequeno do K+ e entrada de cálcio é representado pelo segmento S-T (isoleétrico), mantendo a despolarização por mais tempo. O ventrículo contrai com força suficiente para ejetar o sangue para os vasos grandes da base, então, é necessário o platô para que isso ocorra. → Calibração do ECG: • O registro do ECG é feito em papel traçado milimétrico, que permite determinar com elevada precisão o tempo de duração de cada fase do ciclo cardíaco, bem como a intensidade da onda; • O eixo X representa o tempo e o eixo Y a milivoltagem; • A velocidade que o papel percorre no eletrocardiográfo manual é de 25mm/ segundo. Ou seja, o papel deve ser conduzido em uma velocidade constante; • O quadrado maior (que é composto por vários quadradinhos) tem seu eixo X equivalentes a 0,2 segundos, enquanto seu eixo Y equivale a 0,5mV. Os quadradinhos equivalem, cada um, a0,04 segundos no eixo X e 0,1mV no eixo Y; • O aparelho de ECG deve ser devidamente calibrado com referência à voltagem. Para isso, existe um dispositivo elétrico no painel do aparelho que introduz uma corrente perfeitamente conhecida de 1 mV no circuito. É obrigatório calibrar o aparelho, de modo que 1 mV corresponda ao deslocamento de 10 mm na linha base; • Quando as deflexões em um determinado registro se alteram, pode-se modificar a referência padrão: - N: 1mV corresponde ao deslocamento de 10mm da linha de base (mais usado); - N/2: 1mV corresponde ao deslocamento de 5mm da linha de base. Padroniza-se esta calibração usando as ondas do ECG estão muito amplas e ultrapassam os limites do papel; - 2N: 1mV corresponde ao deslocamento de 20mm da linha de base. Padroniza-se essa calibração quando as ondas do ECG estão muito pequenas. Fluxo da corrente elétrica no ciclo cardíaco • A determinação específica do fluxo de uma corrente do ECG é obtida através do posicionamento dos eletrodos e varia de acordo com a carga na qual a célula muscular cardíaca se encontra; • As cargas negativas em contato com o eletrodo representam a despolarização, pois os eletrodos estão posicionados na superfície do tecido; • O fluxo médio da corrente elétrica é negativo em direção à base do coração e positivo em direção ao ápice. Assim, a base despolariza primeiro, enquanto o ápice é a última região a ser depolarizada, em sentido unidirecional; • Isso faz com que a corrente elétrica flua pelos líquidos que banham os ventrículos, seguindo percursos elípticos em direção ao ápice (vetor); • Dependendo da posição do eletrodo, podem ser capturados estímulos de partes que não foram despolarizadas enquanto outras já foram. Derivações eletrocardiográficas • Localização: mediastino, voltado para a superfície anterior, inferior e lado esquerdo (ápice); • Há 12 tipos de derivações eletrocardiográficas, são elas: aVL, aVR, aVF, V1, V2, V3, V4, V5, V6, D1, D2 e D3; - As derivações aV’s e V’s são derivações unipolares, captadas por um eletrodo; - As derivações D’s são bipolares, captadas por dois eletrodos; • A derivação D2 é a mais utilizada. → Derivações unipolares: • São captadas por um eletrodo, em plano vertical; • Para captar as derivações, é necessário que o eletrodo positivo esteja posicionado do lado que se deseja averiguar; • O eletrodo amarelo é colocado no punho no lado esquerdo. Ele capta a derivação chamada de aVL. Os eletrodos que são posicionados em extremidades podem ser colocados na cintura da escápula e na cintura pélvica; • O eletrodo vermelho é colocado no punho do lado direito. Ele averigua o coração pelo lado direito, captando a derivação chamada de aVR. Ela está de ponta cabeça visto que a corrente está indo em sentido contrário a ele (já que a corrente sai da base e vai em direção ao ápice); • O eletrodo verde é colocado no calcanhar esquerdo, sendo responsável por averiguar o coração inferiormente, captando a derivação aVF; • O eletrodo preto é responsável por retirar correntes elétricas do corpo não vindas do coração, que podem interferir no ECG, sendo o eletrodo terra; • Para captar essas derivações, é necessário que o eletrodo positivo esteja posicionado do lado que se deseja averiguar; • Cor clara para cima e cor escura para baixo. Vermelho e preto do lado direito e amarelo e verde do lado esquerdo; • O eletrodo é o polo positivo, assim, está em contato direto com o paciente; • A derivação aVR está de ponta cabeça (invertida) pois o coração despolariza primeiro na base, que é a parte captada pelo eletrodo vermelho, e segue para o ápice. Assim, a corrente elétrica “foge” do eletrodo positivo, fazendo com que a derivação fique ao contrário. • Os vasos da base acabam por atrapalhar a visualização da corrente pelo eletrodo na derivação aVR, então, ela não é muito utilizada. → Derivações bipolares: • Captadas por dois eletrodos, que permite uma visão mais ampla da movimentação da corrente; • D1: diálogo entre AVL e AVR (braço esquerdo e direito). Essa derivação é a junção da captação feita pelos eletrodos vermelho e amarelo; à D1 = BE – BD • D2: diálogo entre AVF e AVR (perna esquerda e braço direito. Essa derivação é a junção da captação feita pelos eletrodos verde e vermelho; à D2 = PE – BD • D3: diálogo entre AVF e AVL (perna esquerda e braço direito). Essa derivação é a junção da captação feita pelos eletrodos verde e amarelo; à D3 = PE – BE • A D2 (AVF e AVR) é a derivação mais utilizada, visto que, ela corresponde ao eixo elétrico cardíaco (base à ápice). → Derivações precordiais: • Captadas por 1 eletrodo, portanto, unipolares, em um plano horizontal. São captadas pelos eletrodos de sucção; • V1 e V2: entre o osso esterno, na altura do 4º espaço intercostal, sendo V1 no lado direito e V2 no lado esquerdo; • V3: disposto entre V2 e V5; • V4: 5º espaço intercostal, na linha hemiclavicular; • V5 e V6: no 5º espaço intercostal, sendo que V5 é na linha da axila e V6 é na linha media da axila; • V1 e V2 estão de ponta cabeça, pois eles estão no ponto que a corrente sai deles, seguindo para o ápice; • A melhor derivação é a V4, que possui melhor deflexão R. Esse eletrodo está, exatamente, no ápice do coração. • V1 e V2 estão de ponta cabeça em relação a V3, V4, V5 e V6 pois eles estão localizados próximo a base do coração. Portanto, a corrente que segue da base para o ápice, se afastando do eletrodo positivo; • Em V3, V4, V5 e V6 a corrente está chegando no ápice, portanto, o gráfico fica voltado para cima; • A melhor derivação precordial é a V4, que está localizada logo acima do ápice. Ela possui a maior deflexão de R; • O posicionamento de todos os eletrodos para captação das 12 derivações eletrocardiográficas é o seguinte: → Construção da derivação D2: • A derivação D2 é visualizada do ápice para a base do coração; • Trata-se do diálogo entre aVF e aVR, permitindo uma melhor visualização das derivações por estar no mesmo eixo da despolarização do coração (= eixo cardíaco); • A primeira deflexão é a onda P. A seta vermelha indica a direção da propagação do potencial de ação, indo para todas as áreas átrios. O vetor está na direção do olho, caracterizando a despolarização dos átrios. A corrente é representada como uma onda para cima pois a corrente está indo de encontro ao eletrodo positivo. Portanto, a onda P sempre estará representada para cima; • A seta azul representa a propagação do nodo sinusal para o nodo atrioventricular, depois da despolarização dos átrios. São fibras de contração lenta, onde está o atraso na contração do miocárdio. Assim, é uma linha que fica no eixo 0; • A seta rosa representa a despolarização do septo interventricular. Ele possui vetores virados do ventrículo esquerdo para o ventrículo direito pois o ventrículo esquerdo possui uma musculatura mais espessa para ejetar o sangue para a aorta, então, a despolarização desce pelo feixe de His, e ocorre mais rapidamente no lado esquerdo (= sinais negativos) e segue para o lado direito (= sinais positivos), que tem a parede mais fina. A onda Q é desenhada para baixo pois a corrente está se afastando do eletrodo, indo da esquerda para a direita; • A seta verde corresponde a despolarização ventricular. Trata-se da deflexão R. A onda foi para cima pois ela está localizada precisamente em cima do ápice; • A seta laranja representa a despolarização das fibras de Purkinje. A deflexão S fica para baixo pois a corrente se afasta do eletrodo, sendo a parte que a corrente sobe pelas paredes, indo em sentido contrário ao eixo cardíaco; • O platô do potencial de ação do miocárdio é representado pelo segmento S- T, sendo um ponto isoelétrico que ocorre pela entrada dos íons de cálcio; • A seta roxa representa a repolarização ventricular. Quando a despolarização acontece ela segueda base para o ápice e sobe para as fibras de Purkinje nas laterais. A repolarização ocorre do ápice para a base, no sentido contrário. A onda T é para cima pois a repolarização ocorre ainda na direção do eletrodo, aos poucos, de forma que o impulso das fibras de Purkinje “volta para o ápice” e depois sobe do ápice para a base. Ela é para cima pois o vetor está na direção do eletrodo. Triângulo de Eithoven • Trata-se de um triângulo equilátero, de ponta cabeça, que mostra como obter as derivações D1, D2 e D3; • A Lei de Eithoven afirma que é possível predizer matematicamente uma terceira derivação bipolar, a partir da soma de duas derivações previamente conhecidas. Ex: 1: D2 = D1 + D3 2: D3 = D2 – D1 3: D1 = D2 – D3