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Erisipela 
 
Conceito 
→ Infecção aguda da derme, com importante 
comprometimento linfático, que tem início após a 
perda da barreira cutânea (porta de entrada) 
→ Manifesta-se, incialmente, com eritema e 
edema que avançam sobre as áreas vizinhas 
→ Quando a infecção é mais grave, pode surgir 
bolhas e até necrose de algumas áreas afetadas 
 
 
 
 
 
 
Erisipela 
Fonte: Azulay (1) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erisipela bolhosa 
Fonte: Azulay (1) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erisipela com áreas 
de necrose 
Fonte: Azulay (1) 
 
 
 
Erisipela na face 
Fonte: MaxwelScott, 
 2015 (4) 
 
Etiologia 
→ Predominantemente estreptocócica (grupos A, 
B, C e G) 
→ Estafilococos já foram relatados, mas 
suspeita-se de um estabelecimento secundário 
→ Período de incubação de poucos dias 
(1) 
 
Fatores de risco 
→ Fatores que influenciam tanto na primeira 
infecção quanto na recidiva: 
✓ Insuficiência venosa 
✓ Imunodepresão 
✓ Diabetes 
✓ Tromboflebite 
✓ Traumas 
✓ Desnutrição 
✓ Etilismo 
✓ Infecção respiratória → Erisipela na face 
(1) 
 
Epidemiologia 
→ 10 a 100 casos a cada 100.000 habt/ano 
→ Sexo feminino mais atingido 
→ Maior prevalência em adultos de 40-60 anos 
→ Erisipela nas extremidades distais é a mais 
comum, principalmente em MMII (90%) 
→ Nos EUA e na Europa, erisipela na face é 
bastante comum também 
(1) (2) (3) 
 
Fisiopatologia 
→ Na fase aguda, observa-se um denso infiltrado 
inflamatório neutrofílico na derme, também 
observado com menos intensidade na hipoderme 
→ Muitas vezes associa-se a pústulas, abcessos 
e pontos de necrose 
→ Vasos linfáticos são preenchidos com 
macrófagos e neutrófilos (observa-se neutrófilos 
também no endotélio das veias) 
→ Quanto à patogênese, outras bactérias 
(Staphylococcus aureus, por exemplo) podem se 
associar aos estreptococos na infecção 
Heliton Baquil 
→ A proteína M e os ácidos teicóicos aumentam 
a adesão celular 
→ A proteína M dos estreptococos e a sua 
cápsula retardam a fagocitose e facilitam a 
invasão do tecido-alvo 
→ A difusão de enzimas e das exotoxinas (SpeB e 
SpeC) contribuem para a inflamação local 
(3) 
 
Manifestações clínicas 
→ Início súbito com febre, mal-estar e calafrios 
→ Aparecimento de uma placa eritematosa, 
quente, edemaciada e dolorida (sinais de 
inflamação no local) 
→ Púrpura também pode aparecer no centro da 
placa 
→ Acometimento linfonodal pelo processo 
inflamatório 
 (1) 
 
Complicações 
→ Quando não tratada com antibioticoterapia, 
possui alta taxa de mortalidade 
→ Erisipela hemorrágica 
✓ Intenso eritema 
✓ Muitas bolhas 
✓ Aspecto equimótico 
→ Bolhas como consequência do edema, 
principalmente em pacientes idosos com pele 
atrofiada 
→ Abcessos localizados são comuns de se 
desenvolver 
→ Tromboflebite (inflamação da veia que pode 
gerar um coagulo) também pode acontecer 
→ Recorrência de erisipela pode ocorrer em até 
10% dos pacientes em até 6 meses e podem 
causar outros sintomas, lesões e traumas na pele 
(1) (3) 
 
Diagnóstico 
→ Fundamentalmente clínico, mas também se faz 
uso da cultura de células 
→ Critérios diagnósticos seguem abaixo: 
 
Fonte: Caetano, 2005; (2) 
 
Outros exames que podem ser solicitados: 
1. Cultura de células 
→ Baixa taxa de positividade (5%), além de ser 
tardia e haver problemas de contaminação da 
amostra 
→ Técnicas: 
✓ Aspiração de bolhas 
✓ Aspiração por agulha após injeção de soro 
fisiológico 
✓ Biopsia cutânea 
 
2. Hemograma e marcadores de fase aguda 
→ Leucocitose neutrofílica (13000-15000) 
→ PCR e VHS também podem ser observados 
 
3. Exame histopatológico de pele 
→ Biopsia cutânea 
→ Mostra uma inflamação neutrofílica intensa 
da derme 
→ É rara a observação dos agentes patogénicos 
→ Risco de ulceração na área afetada 
(2) (4) 
 
Diagnóstico diferencial 
→ Alguns exemplos na imagem abaixo: 
 
Fonte: Caetano, 2005; (2) 
→ Fasciíte necrosante, TVP e dermite de contato 
são as principais doenças a se suspeitar para um 
diagnóstico diferencial de erisipela 
(2) 
Heliton Baquil 
Tratamento 
→ São raros os casos, mas existem alguns fatores 
de internamento que devem ser seguidos: 
 
Fonte: Caetano, 2005; (2) 
 
→ Associar tratamento medicamentoso com: 
✓ repouso com membros elevados 
✓ Compressas frias 
✓ Desbridamento 
✓ punção de bolhas 
✓ re-epitelização 
(1) 
 
Casos leves 
→ Penicilina-procaína: 400 a 600.000 U, 
intramuscular, 12-12h 
 
Casos graves 
→ Penicilina cristalina: 3.000.000 U, intravenosa, 
4-4h 
 
Casos recorrentes 
→ Penicilina benzatina: 1.200.000 U, 3-3sem 
(1) 
 
Outras opções de medicamentos seguem abaixo: 
 
Fonte: Caetano, 2005; (2) 
 
 
Referências 
(1) AZULAY, R. D. Dermatologia, 7. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2017 
 
(2) CAETANO, M.; AMORIN, I. Erysipelas. Acta 
Médica Portuguesa, v. 18, n. 5, p. 385–93, 
2005. 
 
(3) BONNETBLANC, J.-M.; B??DANE, C. 
Erysipelas. American Journal of Clinical 
Dermatology, v. 4, n. 3, p. 157–163, 2003. 
 
(4) MAXWELL-SCOTT, H.; KANDIL, H. Diagnosis and 
management of cellulitis and 
erysipelas. British Journal of Hospital 
Medicine, v. 76, n. 8, p. C114–C117, 2 ago. 
2015. 
Heliton Baquil

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