Apostila UNIJUÍ - Pesquisa em administração
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nascimento, vivência familiar, escola, outros eventos e

acontecimentos da vida pessoal mesclados com as dimensões coletivas do bairro, da cidade

Já o memorial é um relato que reconstrói a trajetória pessoal, mas possui uma dimen-

são reflexiva, pois requer que quem relata se coloque como sujeito que se auto-interroga e

deseja compreender-se como o sujeito de sua própria história. Assim, é um esforço de organi-

zação e análise do que vivemos. Esta diferença entre vivência e experiência é importante.

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PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO

A experiência, ao contrár io da vivência, é refletida, pensada, e pode-se tornar algo

consciente que construirá uma nova identidade, ou seja, uma outra forma de olharmos e

pensarmos o mundo. Para ilustrar, seria possível afirmar que é como olhar a vida por um

retrovisor, dando a chance de enxergar determinadas dimensões de nossa vida e refletir cri-

ticamente sobre o s ignif icado delas em nossa trajetór ia, tendo como vantagem o

distanciamento temporal.

O memorial será um instrumento por meio do qual o(a) aluno(a) articula a experiên-

cia com suas percepções interiores, pois ele tem como objetivo dar ao(a) sujeito uma oportu-

nidade para refletir sobre sua vivência enquanto estudante e/ou de atuação em movimentos

sociais, organizações populares e outras organizações empresariais ou não.

Na elaboração do memorial você provavelmente se sinta desafiado a relembrar, escre-

ver e produzir um conjunto de observações e comentário, cuja construção espelha e acom-

panha o seu processo de aprender.

Para elaborar o seu memorial, o(a) aluno(a) deverá levar em conta as condições e

situações que envolvem sua trajetória, apresentando as questões que mobilizam sua aten-

ção e evidenciando como elas se originam em sua história. Pelo seu caráter problematizador,

reflexivo e sistematizador, o memorial se constituirá em instrumento que servirá de fio con-

dutor para que o(a) aluno(a), ao longo do curso, reúna elementos para a produção de sua

monografia.

Entendemos que o memorial tem uma função pedagógica-formativa na medida em

que o seu processo de elaboração e reelaboração ao longo do curso \u2013 como um exercício

contínuo e gradativo \u2013 auxiliará o(a) aluno(a) no desenvolvimento e na articulação dos

nexos entre a vivência de atuação e os conteúdos teóricos vistos no curso, de modo a gerar

uma interpretação crítica da sua experiência e da própria realidade que o cerca.

Neste sentido, o memorial funcionará como uma \u201cferramenta de suporte\u201d que auxi-

liará o(a) aluno(a) em sua formação, dado que ele tem o objetivo de gerar uma reflexão

sistemática, à luz dos conteúdos teóricos, acerca de sua vivência local e os saberes aí

consti tuídos.

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Pretende-se que a experiência de escrita e retomada do memorial ajude o(a) aluno(a)

a refletir sobre seu saber prático e o capacite a se tornar um formulador de novos caminhos

e alternativas, reinventando novos modos de transformação social no local em que atua. O

memorial, portanto, servirá como uma ferramenta que auxiliará o(a) aluno(a) na articula-

ção do processo de ação-investigação-conhecimento-ação no decorre de sua vida acadêmi-

ca e prosseguindo na prof issional.

O texto deve iniciar-se com uma apresentação, seguida do desenvolvimento de seu

relato/reflexão, o qual, por sua vez, deverá estar organizado em temas/títulos/subtítulos,

que correspondam aos conteúdos escolhidos pelo autor do relato. No final do trabalho deve-

rão constar as reflexões.

A introdução deve explicitar a estrutura do memorial e o processo vivenciado pelo

autor durante a sua produção. Apesar de vir logo no início do texto, geralmente a é a última

parte do memorial a ser escrita, por ter como objetivo explicitar a organização de todo o

trabalho.

Apresentamos um roteiro de questões que podem auxiliá-lo(a) na elaboração do

memorial. Você pode se basear neste roteiro ou acrescentar e alterar questões.

a) De onde você vem?

b) Quem é você? Reflexão crítica sobre como você vê sua atuação comunitária, social, aca-

dêmica e na organização/entidade em sua territorialidade.

c) Qual é a estrutura física/material para a realização de sua formação?

\u2022 Indique se o espaço físico disponível lhe garante as condições para o desenvolvimento

do seu trabalho, detalhando possibilidades e limites da estrutura existente para a sua

realização.

\u2022 Analise suas condições pessoais para a realização do trabalho: tempo, conciliação en-

tre vida pessoal/trabalho social/formação profissional, remuneração.

d) Por que você está envolvido/buscando na formação superior?

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PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO

O memorial não é um questionário de perguntas e respostas, ou seja, você selecionará

aquilo que considerar relevante para refletir criticamente sobre sua formação e/ou atuação.

Segundo, podem existir diversos outros aspectos que não foram mencionados anteriormen-

te e que necessariamente devem ser levados em conta. Então, lembre-se que as sugestões

não são uma \u201ccamisa-de-força\u201d, mas apenas exemplos de questões para o levantamento de

elementos para seu memorial.

A incorporação das contribuições dos diversos conteúdos teóricos desenvolvidos no

curso permitirá ao(à) aluno(a) encontrar elementos para situar problemas, contradições e

potencialidades em sua prática social e empresarial, desenvolvendo, assim, uma análise

crítica e globalizante de sua própria experiência.

Da mesma forma, esperamos que o processo de formação se constitua em estímulo

para que o(a) aluno(a) compartilhe/socialize suas reflexões/problematizações desenvolvidas

no transcorrer do curso com a comunidade/grupo social, organização ou empreendimento

com o(a) qual está comprometido(a). Esta ser ia uma forma de fazer com que sua comunida-

de participe ativamente de seu processo de produção de conhecimento.

A estrutura do memorial é semelhante aos demais trabalhos acadêmicos contemplan-

do os elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais com respectivas componentes.

Severino (2000, p.176), assim se refere à estrutura do memorial:

Enquanto texto narrativo e interpretativo recomenda-se que o memorial inclua em sua estrutura

redacional subdivisões com tópicos/títulos que destaquem os momentos mais signif icativos. No

mínimo, aqueles mais gerais, como os momentos de formação, da atuação profis sional, da pro-

dução científica, etc.

Melhor ficaria, no entanto, se esta divisão já traduzisse uma significação temática que realçasse

a especificidade daquele momento.

\u2022 Uma primeira parte, introdutória, em que você se apresenta (de onde vem, qual sua área

de atuação, sua entidade/organização, sua intenção no curso). Lembre-se: a intenção é

que você reflita sobre o passado para explicar ou problematizar seu presente.

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\u2022 Numa segunda parte, descreva as ações sociais e organizacionais/empresariais em que

está envolvido: programas, atividades, objetivos, lutas, conquistas.

\u2022 A terceira parte apresenta e analisa o percurso acadêmico com as oportunidades, limites, possibi-

lidades e auto-avaliação. Destacamos que o eixo central do memorial deve referir-se ao processo

da sua reflexão sobre o que você aprendeu e as experiências que vivenciou durante o curso, que

contribuíram de forma significativa para operar mudanças em você e em sua prática.

\u2022 Quarta parte, problematize essa sua trajetória, destacando obstáculos, dúvidas, temas a

serem aprofundados, dilemas pessoais e coletivos. O memorial também tem a função de

promover e praticar a auto-avaliação. Nesse caso, você pode registrar nele:

\u2022 como está o seu desempenho;

\u2022 que fatos indicam mudanças na sua trajetória acadêmica;

\u2022 como você está aproveitando as atividades de aprendizagem e de avaliação;

\u2022 quais as suas maiores dificuldades no curso;

\u2022 o que você está fazendo para superar suas dificuldades;

\u2022 que transformações ocorreram nas