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Natael Almeida Gonçalves – Interno de Medicina – UNEB COLEDOCOLITÍASE Coledocolitíase primária – formação de cálculos no próprio colédoco Coledocolitíase secundária – resultam da passagem de um cálculo formado na vesícula biliar através do ducto cístico Os cálculos primários do colédoco resultam da estase e infecção biliar: são constituídos principalmente por pigmento biliar, devido à desconjugação bacteriana da bilirrubina (cálculos pigmentados castanhos). Obs.: O tipo de cálculo ajuda a determinar sua origem: os de colesterol (amarelos) e os pigmentados pretos são originados na vesícula biliar, enquanto a maioria dos pigmentados castanhos se origina nos ductos biliares. Obs.: Cálculos residuais do colédoco (secundários) são aqueles encontrados num período de dois anos após a colecistectomia. Já os cálculos descobertos há mais de dois anos após colecistectomia são primários MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Muitos cálculos do colédoco são clinicamente silenciosos. Quando não é clinicamente silencioso, o cálculo no colédoco pode apresentar sintomas que vão de cólica biliar a manifestação clínica de icterícia obstrutiva, tais como colúria, icterícia na esclerótica e acolia fecal. O prurido não é frequente. Obs.: O paciente apresenta surtos transitórios de síndrome colestática e icterícia flutuante. Este quadro é bastante sugestivo de coledocolitíase e deve ser diferenciado da icterícia colestática persistente e progressiva, que sugere neoplasia obstruindo vias biliares DIAGNÓSTICO Deve ser pesquisado em todo paciente com síndrome colestática, especialmente quando de caráter flutuante, ou em qualquer indivíduo que será submetido à colecistectomia por colelitíase que também apresente um dos seguintes fatores de risco: (1) alterações do hepatograma (ALT, AST, FAL, GGT, bilirrubina); (2) dilatação do colédoco (> 5 mm) no pré-operatório; (3) pancreatite biliar. Laboratório Encontra-se hiperbilirrubinemia, com predomínio da fração direta, geralmente oscilando entre 2-5 mg/dl e dificilmente ultrapassando 10-15 mg/dl. A enzima que mais se eleva é a fosfatase alcalina (> 150 U/L), mas elevações moderadas das aminotransferases (> 100 U/L) também são registradas e podem levar o médico ao falso diagnóstico de doença hepática. Exames de Imagem A ultrassonografia pode mostrar coledocolitíase ou apenas dilatação do ducto biliar. Em pacientes com cólica biliar, cálculos ou icterícia, o colédoco dilatado (>8 mm) representa forte indício de coledocolitíase, ainda que cálculos no ducto comum não sejam detectados por meio de uma ultrassonografia. A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) é altamente sensível e específica para coledocolitíase e geralmente pode ser terapêutica por remover os cálculos dos ductos. Alternativamente, a colangiopancreatografia por ressonância magnética (MRCP) é altamente sensível (>90%) com quase 100% de especificidade para o diagnóstico de cálculos no colédoco. Como um Natael Almeida Gonçalves – Interno de Medicina – UNEB exame não invasivo, a MRCP proporciona uma imagem precisa da árvore biliar mas, na vigência de coledocolitíase, não enseja solução terapêutica Obs.: Mesmo sem sintomas de cólica biliar, uma dilatação do colédoco, sem a visualização da presença de cálculos, sugere coledocolitíase. Pacientes com risco mais elevado, tais como aqueles com colangite ou árvore biliar dilatada, devem ser submetidos a uma CPRE (padrão-ouro) Pacientes de médio risco, o exame solicitado (se disponível) deverá ser a colangiorressonância Pacientes com risco mais baixo podem ser submetidos à colecistectomia laparoscópica com colangiografia, e possível exploração laparoscópica do colédoco. Complicações São quatro as principais complicações: 1- Colangite bacteriana aguda; 2- Abscesso hepático piogênico; 3- Pancreatite aguda biliar; 4- Cirrose biliar secundária. TRATAMENTO A conduta é a retirada de todos os cálculos... Atualmente, se o diagnóstico for feito antes da colecistectomia, o método de escolha é a via endoscópica (pela CPRE): papilotomia endoscópica (também chamada de esfincterotomia endoscópica) com extração de cálculos, programando- se em seguida uma colecistectomia laparoscópica eletiva. Se a coledocolitíase for descoberta durante o ato cirúrgico da colecistectomia, pela colangiografia transoperatória, os cálculos devem ser extraídos por exploração do colédoco ou, então, deve-se programar a papilotomia endoscópica eletiva no pós- operatório. Obs.: A coledocolitíase deve sempre ser tratada, mesmo se assintomática, pelo risco de complicações potencialmente graves, como colangite e pancreatite aguda. Obs.: Quando tratado com CPRE e esfincterotomia, quase 50% dos pacientes têm recorrência dos sintomas de doença do trato biliar se não tratados também com colecistectomia. Mais de um terço destes pacientes eventualmente irão necessitar de colecistectomia, sugerindo que deva ser indicada a pacientes que apresentam coledocolitíase. Obs.: Como regra, todo paciente com alguma suspeita de coledocolitíase, submetido à colecistectomia, deve ser submetido a uma colangiografia transoperatória durante o procedimento, Obs.: Sempre que for realizada a coledocotomia (ou seja, abertura longitudinal do colédoco para retirada do cálculo), é obrigatória a colocação do dreno de Kehr (dreno em “T”), suturando-se as bordas do colédoco justapostas aos “braços” do dreno