Prévia do material em texto
Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Introdução Doença calculosa biliar → calculo em algum lugar das vias biliares🤡 Anatomia - via biliar extra hepática Vesícula→ armazenamento da bile Quais são as vias? ● Ducto hepático comum ● Ducto cístico ● Ducto deWirsung→ pancreático ● Colédoco→ desemboca na papila de Vater 🤔Todas têm origem no divertículo hepático → brotamento ventral do intestino anterior que surge em torno da 4ª semana Como a bile chega na vesícula? ● Alguns canalículos de Luska ● Através da retroalimentação Junção pareatobiliar: ● Menos de 2cm → se for mais longa pode refluir suco pancreático para a vesícula biliar ● Aglomerado de músculos organizados dá origem ao esfíncter da papila maior de Vater → tem esfíncter de Oddi → o tempo todo fechado, relaxa quando nos alimentados O que ligar na cirurgia de vesícula? ● Ducto cístico Quais os limites e conteúdos do Triângulo de Calot? ● Borda superior ou teto→ borda hepática ● Borda lateral→ ducto hepático comum ● Borda medial→ ducto cístico ● Conteúdo→ artéria cística e linfonodo de Mascagni 1 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Aspectos fisiológicos Produção da bile ● Secreção ductular estimulada pela secretina, colecistocinina e gastrina ● Em condições normais, a contração tônica do esfíncter de Oddi desvia cerca de metade do fluxo da bile para a vesícula biliar. ● A vesícula consegue concentrar a bile em cerca de dez vezes, em aproximadamente 4h. ● A colecistocinina, liberada pela mucosa intestinal após as refeições, estimula simultaneamente a contração da vesícula e o relaxamento do esfíncter de Oddi, lançando a bile para o duodeno ● Os sais biliares são sintetizados a partir do colesterol pelos hepatócitos, num processo dependente da enzima 7-α-hidroxilase. ○ Após penetrarem no delgado proximal, ajudam na absorção das gorduras pela formação de micelas e são reabsorvidos em grande parte no íleo. ○ Os sais reabsorvidos ganham a circulação porta, ligando-se principalmente à albumina – quando passam pelo fígado são removidos quase completamente (primeira passagem nos sinusoides hepáticos). ○ Forma-se uma "reserva" de sais biliares (normalmente de 2 a 3 g), que passa através do fígado e intestinos duas ou três vezes durante cada refeição → é a circulação êntero-hepática. ● A eficiência da circulação êntero-hepática é tão alta que apenas uma proporção mínima de sais biliares tem que continuar sendo produzida pelo fígado, entretanto, nas condições que comprometem este sistema de conservação (fístula biliar, Crohn, ressecção ileal, etc.), o fígado é obrigado a aumentar a síntese dos sais biliares. ● Como a velocidade máxima de síntese hepática para os sais biliares é de 5 g/dia, se as perdas ultrapassarem esta quantidade haverá déficit do mesmo e o risco de complicações como síndrome disabsortiva com esteatorreia e/ou colelitíase (com a queda na concentração de sais biliares, a bile se torna hipersaturada de colesterol, aumentando a formação de cálculos amarelos) ● A formação dos cálculos de colesterol compreende três estágios principais: supersaturação biliar com formação de bile litogênica, nucleação e crescimento dos cálculos. Na etiopatogenia da litíase de colesterol, atribui-se papel primordial à secreção pelo fígado de bile supersaturada em colesterol, também chamada bile litogênica. Colelitíase ● Colecistolitíase ● Presença de cálculo na vesícula biliar ● 11-36% da população! Quais os tipos de cálculo? ● Amarelo → estase biliar → precipitação de colesterol → + comum - obesos, mulheres, idosos, cirurgia bariátrica, emagrecimento rápido ○ Maiores→ > 1cm ■ Mas podem variar de 1 mm a 4 cm ○ 75% dos casos ○ Únicos ou múltiplos ○ Colesterol, sais de cálcio, sais biliares, proteínas e fosfolipídios ■ Excesso de colesterol em relação à capacidade carreadora→ excesso de colesterol pode ser absoluto ou relativo (redução de solubilizantes, como sais biliares) → solução supersaturada ou litogênica ● Preto → hemólise crônica (esferocitose, trombocitopenia, anemia falciforme) → bilirrubinato de cálcio ○ Menores → obriga cirurgia pq pode cair nas vias (<1 cm) ○ Tbm podem ser causados por cirrose, já que aumenta a secreção de bilirrubina ñ conjugada ● Castanhos → infecção da via biliar → coledocolitíase primária ○ Ocorrem anos após a coleciistectomia 2 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Também costumam se formar acima dos segmentos estenosados da colangite esclerosante e nos segmentos biliares dilatados da doença de Caroli. ○ Na ausência de doença da árvore biliar, existe associação com divertículo duodenal justapapilar. Bactérias (especialmente E. coli) estão presentes em mais de 90% dos casos. Quais os fatores de risco? ● Predisposição genética→ 4x/+ ○ Pop indígena→ gene LITH ● Dismotilidade vesicular → fisiológico, por hipersaturação da bile, hipertrigliceridemia, vagotomia troncular, usuários de NPT (nutrição parenteral total), diabéticos, gestantes, pacientes com lesão de medula espinhal ● Fatores ambientais ● Dieta → pobre em fibras (lentificação do trânsito intestinal), carboidratos refinados ● Estrogênio e progesterona→ receptores na parede da vesícula ○ Estrogênio estimula a síntese de colesterol ○ Progesterona reduz contratilidade da vesícula ● Idade→ após os 60 anos ● Obesidade → hipersecreção de colesterol → bile hipersaturada→ 3x/+ ● Emagrecimento significativo → especialmente quando acelerado, aumenta o risco de colelitíase por mobilizar rapidamente estoques corporais de colesterol, que acabam sendo excretados em altas concentrações na bile ● Hiperlipemias → indivíduos com hiperlipoproteinemia tipo IV e IIB → triglicerídeos séricos têm maior influência do que os níveis de colesterol. ● Clofibrato → usado no tratamento das hiperlipemias, agrava o potencial litogênico da bile, já que a redução dos níveis séricos é feita através de uma maior excreção biliar de colesterol. ● Outras drogas → octreotide (análogo da somatostatina, que causa estase vesicular) e a ceftriaxona (principalmente em crianças, onde é fartamente secretado na bile, podendo supersaturá-la e se precipitar na forma de cristais). ○ Ceftriaxona, estôgenos na pós-menopausa ● Ressecção ileal e doença de Crohn → prejuízo na reabsorção dos sais biliares e aumento do percentual de colesterol na bile ● Anemia hemolítica → precipitação de bilirrubina ñ conjugada ○ É maior a incidência de litíase em pacientes com prótese valvar cardíaca → hemólise crônica, secundária à lesão mecânica das hemácias. ● Cirrose → 2-3x/+ → pigmentares pretos → conjugação defciente de bilirrubina pelo hepatócito ○ Esplenomegalia por hipertensão porta → hemólise crônica ● Infecções → infecção biliar → aumento da desconjugação de bilirrubina direta pelas glicuronidase secretadas por enterobactérias (E. coli) Quais os fatores de proteção? ● Dieta pobre em carboidratos e rica em fibras ● Prática de atividades físicas ● Consumo de cafeína, magnésio e gorduras mono ou poliinsaturadas ● Uso de estatinas, AAS e AINEs O que é a lama biliar? ● Identificada como uma massa fluida que se deposita nas porções de maior declive da vesícula, em correspondência com a gravidade, produzindo ecos de baixa densidade. ● Mistura de mucina, bilirrubinato de cálcio e cristais de colesterol 3 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Considerada um precursor da litíase → nem todo portador de lama biliar desenvolve cálculos vesiculares Quais as alterações patológicas encontradas na vesícula? ● Mucosa ulcerada, com cicatrizes ● Pode haver aderências em vísceras adjacentes ● Achados ñ se relacionam com a clínica Clínica ● 80% assintomático→ achado da USG ● Cólica biliar → dor em HCD ou epigástrica, transitória (<6h) ○ Associado a ingesta alimentar rica em gordura, após muito tempo em jejum ou após uma refeição normal, ou até mesmo do nada ■ Obstrução intermitente do colo da vesícula por um cálculo ○ Pode irradiar para a escápula. ○ Melhoragradual ao longo de 24h ● No início do quadro pode ter náuseas e vômitos ● Episódios se repetem de dias a meses ● Alguns pctes apresentam dispepsia pós ingesta de gordura ○ Tbm pode ser mal estar vago e progressivo ● EF pobre→ apenas dor à palpação Diagnóstico ● USG de vias biliares→ sempre o 1º a ser solicitado ● TC tem mesma eficácia de USG p/ dilatação do trato biliar ○ Acurácia p/ ver cálculos do colédoco, mas perde na detecção dos de vesícula Quais as características do cisto na USG? ● Imagem hiperecogênica com sombra acústica posterior ● Em aparelhos modernos podem ser vistos até cálculos de 3mm ● Precisão diagnóstica para a colelitíase é de aproximadamente 96% (similar ao colecistograma oral). O que posso ver na radiografia simples? ● Cálculos vesiculares radiopacos (10 a 15% dos cálculos de colesterol e mistos, e cerca de 50% dos cálculos de pigmento) ● Parede da vesícula ainda pode se apresentar edemaciada ou mesmo calcificada ● Pneumobilia → presença de ar no interior da vesícula → fístula biliodigestiva ○ Pode indicar colecistite enfisematosa 4 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Diagnóstico diferencial Colesterolose → decorre da deposição de colesterol em macrófagos da mucosa da vesícula biliar (na forma de pólipos ou não), produzindo um aspecto macroscópico clássico de "vesícula em morango". Adenomiomatose → formação de bandas hipertróficas de músculo liso, que crescem para a luz da vesícula. Desenvolvem-se, então, pólipos granulomatosos, e a parede da vesícula se afina. 🔪 Ambas as condições podem ser diagnosticadas à USG e têm tratamento cirúrgico Complicações ● A presença de colelitíase se associa a um aumento da mortalidade geral e da mortalidade por câncer. ● Quase 1/3 dos pacientes necessitará de tratamento cirúrgico por apresentar complicações em algum momento da vida. V ● Quase sempre decorrem de alguma forma de obstrução pelo cálculo. Quais as principais? ● Colecistite aguda; ● Coledocolitíase; ● Pancreatite aguda; ● Colangite aguda (e abscesso hepático); ● Vesícula em porcelana → calcificação difusa da parede da vesícula → fator de risco para o surgimento de CA de vesícula biliar ● Íleo biliar → forma-se uma fístula colecistojejunal, com passagem de cálculo biliar que irá se impactar na porção mais distal do íleo, gerando um quadro de obstrução intestinal ao nível do delgado; ● Síndrome de Bouveret (mais rara) → forma-se uma fístula colecistoduodenal, com passagem de cálculo biliar que irá se impactar no bulbo duodenal, gerando um quadro de obstrução pilórica. Tratamento ● Acompanhamento clínico → pode fazer analgesia com AINE, ou até mesmo opioides ○ Anticolinérgicos e antiespasmódicos → a alívio imediato ○ Analgesia não altera a evolução da doença ● O único tratamento definitivo é o cirúrgico – colecistectomia. Quais as indicações cirúrgicas? ● Sintomático ● História de complicação prévia da doença, independente do estado sintomático atual ● Pacientes com episódios recorrentes de dor, em que, ao menos duas vezes, se tenha conseguido documentar a presença de lama biliar na ocasião de um episódio álgico. ● Fazer logo a profilática em diabéticos → complicações são mais graves ● Gestantes com sintomas recorrentes → fazer no 2º trimestre ● Assintomático ○ Cálculo >2,5-3 cm ○ Cálculo preto ○ Vesícula em porcelana ○ Anomalias congênitas ○ Pólipo + cálculo ○ Pólipo isolado se → >1cm, >50-60 anos e crescimento ○ Microesferocitose hereditária com litíase comprovada ○ Pctes que serão submetidos a bariátrica ou transplante cardíaco 🔪 Colecistectomia videolaparoscópica ● Aberta se pólipo + cálculo ou pólipo isolado ● Por vídeo faz atb profilático Como é a técnica aberta? ● Realizada através de incisão da parede abdominal anterior, seja incisão subcostal direita (tipo Kocher), mediana supraumbilical, ou paramediana direita. ● Realiza-se dissecção do trígono hepatocístico (triângulo de Calot) com isolamento e ligadura da artéria cística e ducto cístico. ● Procede-se então ao descolamento da vesícula de seu leito hepático através da secção de suas fixações peritoneais 5 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA E a laparoscópica? ● Menor tempo de internação e retorno mais precoce ao trabalho. ● Acesso à cavidade abdominal feito através da insuflação de CO2 no interior da cavidade por meio de punção com agulha de Verres na região umbilical. ● São colocados três trocartes na parede abdominal que permitem o acesso dos instrumentos cirúrgicos ● Realizada dissecção do trígono hepatocístico e ligadura do pedículo da vesícula com clipes metálicos. ● Ligar artéria cística ○ A não identificação deste vaso pode levar o cirurgião a ligar inadvertidamente a via biliar (ex.: ducto hepático comum), produzindo estenose iatrogênica da via biliar principal, com icterícia progressiva, colangite e cirrose biliar pós-operatória ● É retirada a vesícula através do trocarte umbilical. Quando preferir cirurgia aberta? ● Reserva cardiopulmonar ruim (ex.: DPOC avançada, ICC com FE < 20%); ● Câncer de vesícula suspeito ou confirmado; ● Cirrose com hipertensão porta (ascite); ● Gravidez no terceiro trimestre; ● Procedimentos combinados. A taxa de conversão de uma colecistectomia laparoscópica para a técnica aberta→ 5%→ preditores são: ● Idade > 60 anos; ● Cirurgia no contexto de colecistite aguda, especialmente nas apresentações tardias, com > 48h; ● Sexo masculino; ● Paciente em mau estado geral; ● Obesidade; ● Vesícula biliar com paredes espessadas (> 4 mm). Outra complicação específica da colecistectomia é o coleperitônio (vazamento de bile para a cavidade peritoneal), que se manifesta de forma precoce, nos primeiros dias de pós-operatório. ● Dor no quadrante superior direito, febre, calafrios e icterícia, podendo ocorrer impregnação de bile nos acessos da laparoscopia! ● Diagnóstico corroborado por exames de imagem, como TC ou USG, que em geral demonstram uma coleção líquida de aspecto complexo (heterogêneo) no quadrante superior direito do abdome (o famoso "bilioma"). Existe tratamento clínico para a colelitíase? ● Pacientes que se recusam a operar e em situações de risco cirúrgico proibitivo→ solventes de cálculo. ● Tornam a bile menos saturada, permitindo a absorção de colesterol a partir da superfície do cálculo. ● Ñ substitui tto cirúrgico ● O Ursodesoxicolato (URSO), na dose de 8-13 mg/kg/dia, tem a propriedade de dissolver pequenos cálculos. A dissolução parcial dos cálculos ocorre em 60% dos doentes. ● Ineficaz para cálculos pigmentados/radiopacos e ruim para >5mm ● Contraindicações ○ Grávidas→teratogênico ○ Cálculos > 15mm ● Efeitos adversos: ○ Diarreia ○ Elevação da ALT 🌩Ltotripsia extracorpórea com ondas de choque → "quebrar" os cálculos maiores de 5 mm, tornando-os acessíveis ao URSO 6 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ⚠ Apesar da eficácia satisfatória, o grande problema tanto do URSO quanto da LECO é a elevada taxa de recidiva dos cálculos Colecistite Aguda ● Quando o cálculo (geralmente amarelo) fica impactado no infundíbulo da vesícula ou no ducto cístico ○ Vesícula obstruída fica cada vez mais distendida ■ Dificulta vascularização→ isquemia ■ Inflamação ■ Infecção ○ Se pedra vai e volta→ só cólica Qual a fisiopatologia? ● Cálculo impacta determinando obstrução persistente ● Estase biliar pode danificar a mucosa ● Geralmente inicia com a implantação de um cálculo no ducto cístico, que leva a um aumento da pressão intraluminal da vesícula, obstrução venosa e linfática, edema, isquemia, ulceração da sua parede e infecção bacteriana secundária. → pode evoluir para perfuração da vesícula, mais comumente no fundo → porção fisiologicamente menos perfundida ○ Perfurações podem seguir três cursos: ■ Coleperitônio, com peritonite difusa; ■ Bloqueio do processo inflamatório com formação de abscesso pericolecístico ■ Extensão do processo inflamatório para uma víscera próxima, formando uma fístula (especialmente oduodeno). ● Infecção secundária da bile → devido a estase da bile consequência da obstrução não resolvida do ducto cístico→ caso a obstrução não se resolva a vesícula irá ter isquemia e necrose → COLECISTITE GANGRENOSA AGUDA → pode complicar com infecção com organismos de formação gasosa → COLECISTITE ENFISEMATOSA AGUDA 🚨 Nem sempre a obstrução do ducto cístico por cálculo resultará em colecistite! → na maioria das pessoas ela não acontece ● Irritação da parede da vesícula pelos cálculos provoca liberação de fosfolipase A2, que medeia a conversão da lecitina presente na bile em lisolecitina, um potente irritante químico que iniciará a reação inflamatória na parede vesicular. ● Alguns pacientes, por motivos pouco compreendidos, liberam menos fosfolipase A2. → obstrução do cístico pode levar à hidropsia de vesícula (mucocele vesicular) → mucosa consegue reabsorver o colesterol e os fosfolipídios da bile estagnada, deixando a vesícula distendida mas com seu lúmen repleto apenas de muco. → pacientes frequentemente assintomáticos e sem sinais de inflamação. Qual a etiologia? ● Multifatorial ● Obstrução do ducto cístico, seja por cálculo impactado no infundíbulo ou na luz do próprio ducto, ou por edema da mucosa gerado por estes cálculos → condição fundamental para a gênese da doença. ● Se o cálculo ultrapassar o ducto cístico ou retornar para a vesícula, a cadeia de eventos se interrompe, e não ocorre colecistite aguda. A bile nas vesículas normais é estéril, mas as bactérias são um achado comum quando os cálculos estão presentes. → Na ausência de inflamação aguda, as culturas são positivas em: ● 15% dos pacientes com colelitíase; ● 60% dos pacientes com coledocolitíase; ● 75% dos pacientes com icterícia associada. Quando há inflamação (colecistite aguda), podem ser encontradas bactérias em até 50% dos pacientes. ● E.coli→ + frequentemente isolada ● Klebsiella, Enterococcus faecalis, Proteus e Clostridium 7 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Apesar da infecção ser um evento secundário, uma complicação, ela acaba sendo responsável pelas sequelas mais sérias da colecistite aguda: ● Empiema → vesícula biliar cheia de pus, caracterizada clinicamente por um quadro de colecistite aguda acompanhada de sepse/choque séptico. ● Perfuração; ● Abscesso pericolecístico; ● Fístula bilioentérica. Qual a epidemiologia? ● Mulheres mais acometidas→ 3:1→ pctes até 50 anos ○ Após, praticamente se iguala Clínica ● Dor mais insistente e duradoura ○ QSD ou epigástrio ■ Abaixo do gradil costal direito ■ Pode iniciar no epigástrio e, com o passar das horas, quando o processo se estende para a superfície peritoneal da vesícula, a dor torna-se localizada tipicamente no QSD. ○ Persiste por mais de seis horas. ○ Atraso diagnóstico-terapêutico aumenta o risco de complicações, como gangrena e perfuração da vesícula. ○ Constante ou intensa e geralmente prolongada ○ Pode irradiar para ombro ou costas→ região infraescapular ○ Histórico de ingestão de alimentos gordurosos 1h/+ antes do início da dor ● Febre ● Dor no HCD ● Sinal de Murphy + → interrompe subitamente a respiração profunda quando expira após compressão do ponto cístico ● Região subcostal direita está hipersensível à palpação, com defesa muscular e, ocasionalmente, contratura involuntária local. ● Pode ter leucocitose ● Cerca de 10% dos pacientes com colecistite aguda apresentam icterícia, causada por edema do colédoco adjacente, por cálculos no colédoco ou pela síndrome de Mirizzi Diagnóstico Quais exames devo solicitar? ● Hemograma → 12.000-15.000 leuc./mm³ → se leucometria muito alta, suspeitar de perfuração ● Lipase e amilase→ aumento da amilase sérica ● TGO e TGP ● BT e frações → Aumento discreto → se mais que 4 mg/dl, suspeitar de coledocolitíase associada ● FA→Aumento discreto de FA e AST (TGO); ● Cálcio ● Albumina ● Beta-HGG Melhor exame→ USG de vias biliares ● Parede espessada, cálculo impactado, coleção próxima à vesícula, sinal de Murphy com o transdutor ○ Sinais de processo inflamatório crônico → cólica biliar espessa a parede por infiltração da inflamação→ paredes espessadas > 4mm ○ Coleção pericolecística → edema, líquido inflamatório, exsudato… ○ Sombra acústica + distensão ○ Demonstração de cálculos no colo da vesícula ○ Aumento da interface entre o fígado e a vesícula ○ Aumento significativo do diâmetro transverso do fundo da vesícula. 🚨 Pacientes com clínica típica de colecistite aguda, que apresentem cálculos à USG, sem, no entanto, outros sinais radiológicos de colecistite, devem receber o diagnóstico presuntivo de colecistite aguda, se outras justificativas para a dor não forem identificadas. Padrão-ouro → cintilografia das vias biliares/ tc HIDA→ hoje ñ usa mais 8 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA TC ● Pode identificar cálculos, espessamento da parede vesicular e líquido perocolecístico ● Precisão inferior a USG Diagnóstico diferencial ● Apendicite aguda ● Pancreatite ● Úlcera péptica perfurada A hepatite aguda (viral ou alcoólica) também pode ser confundida com colecistite, mas, nestes casos, uma história de abuso de álcool e as elevações acentuadas das aminotransferases e bilirrubina ajudam na diferenciação. Outros processos que costumam frequentemente ser confundidos com colecistite → pielonefrite, litíase renal, gastrite, abscesso hepático, diverticulite (do ângulo hepático) e hérnia de hiato. Em mulheres, a peri-hepatite gonocócica (síndrome de Fitz-Hugh-Curtis), resultante da disseminação intra-abdominal de uma infecção genital, deve ser considerada. Um esfregaço genital revela o gonococo, e as pacientes tendem a ser mais jovens e ter vida sexual ativa. Tratamento ● Internação + hidratação EV + dieta zero + analgesia (AINEs ou opioides) + atb profilático por 24h pós-op ● Colecistectomia videolaparoscópica nas primeiras 72h → tto definitvo ○ Antes dos 7 dias ○ > 7 dias → esfriar o processo (ATB → CVL em 8 semanas) Qual atb? ● Lembrar dos agentes + envolvidos → E. coli, Enterococcus, Klebsiella e outros bastonetes Gram-negativos, além de anaeróbios (ex.: Bacteroides fragilis) ● 7-10 dias → pode ser suspenso 24h pós-op em pctes que tiveram colecistite aguda ñ complicada ● Monoterapia com drogas de amplo espectro, como betalactâmicos + inibidores de betalactamase (amoxicilina + clavulanato, ampicilina/sulbactam) ou a combinação de uma cefalosporina de terceira geração (ex.: ceftriaxona) ou uma quinolona (ex.: ciprofloxacina, levofloxacina) com metronidazol ● Regime de cuidado de agente único ○ Imipinem + cilastatina→ 500mg IV 6/6h ○ Meropenem 1g IV 8/8h ○ Piperacilina-tazobactam 4,5g IV 6/6h ● Regime combinado com metronidazol (500 mg IV ou VO 8/8h) 9 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Cefepime 2g IV 8/8h ○ Ceftazidima 2g IV 8/8h Quando fazer a colecistectomia de emergência? ● Colecistite aguda complicada ○ Gangrena/necrose da vesícula ○ Perfuração ○ Colecistite enfisematosa ● Progressão da doença ○ Febre alta ○ Instabilidade hemodinâmica ou dor intratável Quais as contraindicações absolutas a laparo? ● Coagulopatia ñ controlada ● Cirrose hepática terminal→ tratada com transplante ● DPOC grave e ICC com fração de ejeção < 20% pode dificultar a realização→ preferir tradicional ○ Podem ñ tolerar carga de CO2 induflada na cavidade peritoneal ⚠ Os pacientes que se apresentam com mais de 3-4 dias de evolução normalmente têm inúmeras aderências nas vias biliares, o que dificulta a ressecção.→Preferível "esfriar" inicialmente o processo com antibioticoterapia parenteral (associada ou não a uma colecistostomia percutânea), e 6-10 semanas após, proceder à colecistectomia semieletiva. ● Cerca de 20% dos doentes não respondem a esta abordagem conservadora e acabam necessitando de colecistectomia de urgência ainda na fase aguda. Se pcte ñ aguente colecistectomia ● Faz colecistostomia percutânea ● Vesícula distendida é drenada com um cateter pigtail após punção percutâneaguiada por imagem ● A agulha de punção atravessa a parede abdominal e parte do parênquima hepático, antes de atingir a vesícula. → passa através do fígado para reduzir a chance de vazamento de bile para a cavidade abdominal, dando mais segurança ao procedimento ● Pode ser feita à beira do leito, sob anestesia local, sendo indicada para pacientes com risco cirúrgico proibitivo. ● Como a vesícula não é removida, o surgimento de sinais de sepse (sugestivo de gangrena da vesícula) obrigará a realização de colecistectomia, mesmo com risco cirúrgico desfavorável (pois de outro modo a sepse se tornará refratária e matará o paciente de qualquer jeito). Tokyo Guideline Diagnóstico→ clínica, laboratório e imagem A. Sinais de inflamação local → Murphy +, dor em QSD, massa B. Sinais de inflamação sistêmica → febre, leucocitose, aumento de PCR C. Achados ultrassonográficos Suspeita diagnóstica→A + B Diagnóstico→A + B + C Classificação ● Grau III (grave) → disfunção orgânica → disfunção renal, disfunção hepática (INR alargado), instabilidade hemodinâmica ● Grau II (moderada) → sem disfunção + algum dos achados: ○ Leucocitose > 18000/mm³ ○ Evolução > 72 horas ○ Massa palpável dolorosa em QSD ○ Sinais de complicação local ● Grau I (leve) → ausência de critérios para grave e moderadas Tratamento ● Grau III (grave) → conservador até correção da disfunção ○ Após estabilizar, CVL por cirurgião experiente ● Grau II (moderada)→CLV em centro especializado: ● Grau I (leve)→ CLV 10 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Complicações Perfuração ● Normalmente se apresenta com um quadro geral mais exacerbado, principalmente com relação aos achados abdominais. ● Perfuração livre para a cavidade peritoneal, com peritonite generalizada → mortalidade de 25% e é o tipo menos comum → ocorre + no início do episódio agudo, em geral dentro dos três primeiros dias de evolução. ○ Quando a gangrena e a perfuração ocorrem com rapidez, não há tempo para o material drenado ser "encistado" pelas aderências e epíploon ○ Quando a perfuração ocorre mais tardiamente, os "mecanismos de defesa" são mais eficazes, geralmente determinando uma perfuração localizada. ○ Clínica → febre alta, leucocitose importante, sinais de toxicidade proeminente e peritonite difusa, podendo ter defesa e irritação peritoneal ○ Antibioticoterapia venosa e colecistectomia de emergência. ● Perfuração localizada (contida por aderências), formando um abscesso pericolecístico → costuma aparecer na segunda semana e deve ser suspeitada por um aumento dos sinais locais, especialmente se aparecer uma massa que não existia quando do início do episódio agudo. ○ Na maioria dos pacientes pode-se realizar uma colecistectomia, mas nos pacientes graves pode ser mais adequada uma colecistostomia com drenagem. ● Perfuração para dentro de uma víscera oca, através de uma fístula → ocorre mais frequentemente com o duodeno, mas pode ocorrer com o estômago, jejuno e íleo, ou colédoco. ○ A formação de fístula Após a fistulização intestinal, o material sob pressão é lançado no intestino, e geralmente isso aborta a clínica álgica Íleo biliar ● Obstrução do delgado por um cálculo biliar volumoso (mais de 2,5 cm) que foi parar no intestino através de uma fístula. ● Quando penetra no intestino, o cálculo desce até achar uma região suficientemente estreita para se impactar, e isso se dá mais comumente no íleo terminal. O cólon só será acometido caso esteja estenosado por alguma outra doença. ● O diagnóstico é dado na radiografia de abdome, pela associação de estigmas de obstrução intestinal (alças de delgado distendidas + níveis hidroaéreos) à presença de ar nas vias biliares (aerobilia) ou cálculo na luz intestinal. ● O tratamento inclui enterotomia proximal, com retirada do cálculo impactado. ● É recomendada a realização de uma colecistectomia no mesmo procedimento, já que é alta a chance de recorrência do íleo biliar e que pacientes com fístulas biliares têm uma elevada (15%) incidência de câncer de vesícula em longo prazo. ● Em pacientes muito idosos ou de risco cirúrgico elevado, pode ser recomendada enterotomia isolada e acompanhamento de eventuais sintomas biliares, em uma tentativa inicial de não realizar a colecistectomia. Síndrome álgica pós-colecistectomia ● Após uma colecistectomia, 10% dos pacientes continuam tendo sintomas significativos. ● Doença calculosa não era a causa (ou pelo menos a causa única) de suas queixas pré-cirúrgicas. ● Queixas podem ser atribuídas a uma doença que passara despercebida, como coledocolitíase, pancreatite, úlcera péptica, síndrome do cólon irritável e doenças do esôfago. 11 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Aqueles que continuam com sintomas típicos de dor biliar, mesmo após a colecistectomia, podem estar apresentando uma patologia do esfíncter de Oddi, como discinesia e estenose. ● O diagnóstico deve ser feito pela exclusão das causas mais comuns, e manometria do esfíncter de Oddi durante uma CPRE. ● Caso se comprove uma discinesia do esfíncter, o tratamento pode ser realizado com antiespasmódicos, anticolinérgicos, nitratos e bloqueadores dos canais de cálcio. Se este esquema falhar, pode-se pensar em esfincterotomia endoscópica Colecistite enfisematosa ● 1% dos pctes com colecistite aguda ● homens idosos, >60 anos e diabéticos ● Presença de gás na parede da vesícula → se for dentro acho que é uma fístula ● Colecistite muito grave, com bactérias que produzem gás, e que infeccionaram e começaram a infiltrar a parede da vesícula ○ Evolução + rápida e resposta inflamatoria sistêmica + intensa ● Acontece mais em idosos, diabéticos, imunossuprimidos ○ + grave em diabéticos e idosos→Clostridium perfringens ○ Clostridium welchii E. coli ● Melhor exame→ TC de abdome ● Colecistectomia emergencial Colecistite alitiásica ● 5-10% dos casos de colecistite aguda ● Epidemio ○ + comum em homens→ 1,5:1 ● Comum em pacientes que necessitam de cuidados intensivos → Estase biliar + isquemia → NPT, grande queimado, VM e instável→ pctes em dieta zero! ○ Bile fica lá parada ○ Jejum prolongado com nutrição parenteral e doenças sistêmicas como sarcoidose, lúpus eritematoso sistêmico, entre outras. ● Resposta inflamatória sistêmica leve à concentração progressiva da bile através da absorção de água pela mucosa vesicular, formando lama biliar. → liberação de mediadores inflamatórios ao lesar a mucosa vesicular pela presença de sais biliares em altas concentrações. ● O processo inflamatório localizado leva à congestão da parede, colonização bacteriana e necrose. ● Isquemia tecidual da vesícula, decorrente de episódios de hipotensão sistêmica → disfunção da mucosa com destruição do seu epitélio e exposição aos sais biliares concentrados que são tóxicos aos tecidos, iniciando ou agravando processo inflamatório local. 12 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● O quadro clínico é semelhante ao descrito para a colecistite aguda calculosa → sintomas são mascarados pelo estado crítico do paciente, que pode estar sedado e em ventilação mecânica. ○ Diagnóstico mais tardio, o que, em parte, pode explicar o maior índice de gangrena e perfuração e a maior morbimortalidade ○ Febre e leucocitose em um paciente grave podem ser sinais de colecistite alitiásica! ● Solicitar uma USG em todo quadro febril de paciente crítico que não se justifique por pneumonia, ITU ou infecção associada a cateter. ● Maior gravidade → UTO + febre + leucocitose inexplicada ● Na TC com vesícula esquisita e sem cálculo na USG ● Estável→ colecistectomia ● Instável→ colecistostomia percutânea 🚨Colecistite alitiásica em um paciente HIV positivo deve suscitar a pesquisa de microsporídio e criptosporídio nas fezes e sorologia para CMV, pois estes germes estão associados a essa patologia no contexto da aids. Fístula biliar ● Vesícula biliar inflamada perfura e atinge outra víscera oca perto da vesícula ● Fístula colecistobiliar→ Síndromede Mirizzi ○ Obstrução do ducto hepático comum por cálculo no infundíbulo ● Icterícia progressiva→ colangite de repetição ● CPRE ou CTP → dilatação intra-hepática acima do ponto cístico ○ Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), colangiografia trans-hepática percutânea (CTP) ● Tto→ classificação de Csendes ○ Tipo 1→ obstrução sem fístula ■ Colecistectomia + colangiografia ○ Tipo 2→ Fístula até⅓ da circunferência ■ Rafia + dreno de Kehr ○ Tipo 3→ Fístula até⅔ da circunferência ■ Coledocoplastia + dreno de Kehr ○ Tipo 4→ Fístula >⅔ da circunferência ■ Derivação biliodigestiva ○ Tipo 5 → no modificado → fístula colecistoentérica→ impactação ilio-fiscal ■ Colecistectomia +/- enterotomia Coledocolitíase ● Passagem de um cálculo formado na vesícula biliar através do ducto cístico (secundária), ou formação de cálculos no próprio colédoco (primária) ○ Secundária é mais comum Nomenclatura ● Até 2 anos pós-CVL→ residual ● Depois de 2 anos pós-CVL→ recorrente ou primária 🚨 O colédoco pode apresentar um ou vários cálculos (até 100!). Em cerca de metade dos pacientes, estes cálculos passam despercebidos, ou seja, são assintomáticos e descobertos 13 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA apenas através de exames complementares. Entretanto, a qualquer momento, podem provocar sintomas ou complicações Clínica ● Os cálculos no colédoco podem determinar obstrução parcial e transitória, e muitos migram até serem expelidos espontaneamente pela ampola de Vater no duodeno. → paciente pode se queixar de dor do tipo biliar ● Icterícia isolada e flutuante→ leve a moderada, além de colúria e acolia fecal. ○ Prurido não é comum! Avaliação Laboratório ● Hiperbilirrubinemia → predomínio da fração direta → 2-5 mg/dL, dificilmente ultrapassando 10-15 mg/dL ● FFA > 150U/L→ enzima que mais se eleva!!!!!!!!! ● Elevações moderadas das aminotransferases → > 100 U/L ○ Falso diagnóstico de doença hepática ○ Quando da obstrução total do colédoco, pode induzir elevações de aminotransferases acima de 10x o valor norma → elevação é transitória, com os níveis de aminotransferases caindo logo após os primeiros dias, o que produz uma "inversão do padrão de enzimas" → passa a predominar o aumento das enzimas biliares, como fosfatase alcalina e gama GT. Diagnóstico ● Deve ser pesquisado em todo paciente com síndrome colestática, especialmente quando de caráter flutuante, ou em qualquer indivíduo que será submetido à colecistectomia por colelitíase que também apresente um dos seguintes fatores de risco → alterações do hepatograma (ALT, AST, FAL, GGT, bilirrubina), dilatação do colédoco (> 5 mm) no pré-operatório e) pancreatite biliar. ● 1º exame do algoritmo→USG transabdominal→ ainda não confirma o diagnóstico de coledocolitíase como causa dos sintomas, pois a colelitíase é um achado relativamente comum na população acima de 40 anos e pode se associar a outras patologias das vias biliares ou hepatopatias. Na coledocolitíase, a USG transabdominal pode observar dilatação leve/moderada do colédoco (> 5 mm), e os cálculos nas vias biliares podem ser visualizados em 60% dos casos (75% com a via biliar dilatada e 50% sem dilatação). Abordagem ● Alto risco→ CPRE ○ USG com cálculo no colédoco, icterícia flutuante, colúria, episódios de acolia fecal ou colangite bacteriana aguda recorrente ● Médio risco → colangiorressonância → USG com colédoco > 5mm + 2 de: ○ HPP de colecistite, pancreatite ou colangite + colédoco >/= 5mm à USG + pelo menos 2: ○ Elevação de bilirrubinas, FAL ou transaminases ● Baixo risco → colangio intra-operatória → durante o procedimento, é introduzido um cateter no ducto cístico para estudo radiológico da via biliar). Caso disponível, a colangiografia transoperatória agora pode ser substituída por uma USG intraoperatória, um 14 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA método menos invasivo (por não requerer canulação da via biliar e injeção de contraste) com boa acurácia diagnóstica para cálculos de colédoco ○ Igual no médio + colédoco < 5mm ● Muito baixo risco→ colecistectomia laparoscópica sem investigação ○ Nenhum fator Tratamento A coledocolitíase deve sempre ser tratada, mesmo se assintomática, pelo risco de complicações potencialmente graves, como colangite e pancreatite aguda. ● A conduta é a retirada de todos os cálculos... ● Se o diagnóstico for feito antes da colecistectomia → CPRE ● Papilotomia endoscópica (também chamada de esfincterotomia endoscópica) com extração de cálculos, programando-se em seguida uma colecistectomia laparoscópica eletiva. ● Se a coledocolitíase for descoberta durante o ato cirúrgico da colecistectomia, pela colangiografia transoperatória, os cálculos devem ser extraídos por exploração do colédoco ou, então, deve-se programar a papilotomia endoscópica eletiva no pós-operatório. Papilotomia endoscópica ● Realizada idealmente no pré-operatório da colecistectomia ou programada no pós-operatório. ● Consegue-se extrair todos os cálculos do colédoco em 75% dos pacientes. ● Caso a extração do cálculo não seja possível, o manejo cirúrgico durante a colecistectomia envolverá necessariamente uma exploração e drenagem do colédoco. ● O paciente é colocado em decúbito lateral esquerdo, e um endoscópio de visão lateral é inserido até o duodeno. O paciente é então rodado ventralmente, e uma radiografia de controle é obtida. Após a radiografia, o endoscopista começa a procurar a ampola de Vater para canulação. ○ A introdução perpendicular na ampola de Vater geralmente cateteriza o canal pancreático (devido a sua inclinação), e o endoscopista tem que usar manobras para entrar no colédoco. 15 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Após cateterização do ducto biliar comum, o endoscopista injeta contraste, e as radiografias são obtidas conforme o caso. ○ Quando a presença de um cálculo for confirmada, o cateter diagnóstico é retirado, e o papilótomo é introduzido → cauteriza a musculatura do esfíncter de Oddi, permitindo a saída espontânea de múltiplos cálculos menores que 1 cm. ○ Os cálculos que não saem espontaneamente podem ser extraídos com baskets ou com um cateter-balão tipo Fogarty. Recentemente, a litotripsia intracorpórea (local) tem sido utilizada para aumentar a eficácia da retirada Antibióticos ● A antibioticoprofilaxia não é mais recomendada de rotina ● Indicações ○ Paciente com obstrução biliar + colangite; ○ Paciente com obstrução biliar onde se antecipa uma drenagem incompleta da via biliar principal após o procedimento (ex.: obstrução por neoplasia maligna ou sequelas de colangite esclerosante). ● Nos pacientes com coledocolitíase obstrutiva sem colangite, nos quais se espera que a esfincterotomia endoscópica seja eficaz, NÃO HÁ indicação de antibioticoprofilaxia! ● A droga de escolha, quando indicada, é a ciprofloxacina (400 mg IV 30min antes) → boa cobertura contra os principais Gram-negativos entéricos envolvidos nas infecções pós-CPRE. ● Pacientes de alto risco para infecção por Enterococcus (ex.: idosos debilitados) devem receber um esquema profilático alternativo, como ampicilina/sulbactam (3 g IV 30min antes) ou amoxicilina + clavulanato (1 g IV 30-60min antes) → melhor cobertura do Enterococcus. Complicações ● Colangite, pancreatite aguda, perfuração e a hemorragia (6%). ● Hemorragia pequena é normalmente esperada → se grave = laparotomia para sutura da incisão do esfíncter. ● A pancreatite aguda secundária é mais comum nos pacientes submetidos à esfincterotomia endoscópica do que naqueles submetidos somente à CPRE diagnóstica. ● A taxa de mortalidade da esfincterotomia endoscópica aproxima-se de 1%. Cirurgia ● A cirurgia para coledocolitíase é obrigatoriamente indicada após a falha do procedimento endoscópico. ● Na cirurgia laparoscópica, duas técnicas são usadas. Na primeira, retiram-se os cálculos pelo ducto cístico usando-se um basket ou um cateter-balão tipo Fogarty. Um coledocoscópio pode ser usadonos casos de maior dificuldade, após dilatar o ducto cístico. Na segunda técnica, uma coledocotomia é feita, extraindo-se os cálculos e colocando-se um dreno de Kehr Cirurgia aberta ● Indicada em instituições sem experiência com a exploração laparoscópica de colédoco ou em casos de maior complexidade ● Feita a incisão cirúrgica, deve-se tentar palpar o colédoco à procura de cálculos. Caso estes sejam encontrados, a coledocotomia tem indicação absoluta. ● Colédoco tem porções de difícil palpação, como a retroduodenal e intrapancreática. A manobra de Kocher facilita a palpação dessas porções, mas, mesmo assim, a exploração pode ser inconclusiva. ● Pequenos cálculos podem passar despercebidos, além disso, a região proximal à bifurcação do ducto hepático comum não é acessível à palpação. ● Sempre que for realizada a coledocotomia, é obrigatória a colocação do dreno de Kehr (dreno em "T"), suturando-se as bordas do colédoco justapostas aos "braços" do dreno ● Técnica de esfincteroplastia cirúrgica transduodenal, acessando-se a papila de Vater após uma duodenotomia. ○ + apropriada quando o colédoco não está dilatado (< 4 mm). ● Com o objetivo de diminuir a incidência de cálculos residuais, o cirurgião deve considerar o exame do ducto após a exploração cirúrgica, através de uma colangiografia pós-operatória pelo dreno de Kehr (10-14 dias após a cirurgia). Derivação biliodigestiva!!! ● Indicada nos casos mais complexos de litíase da via biliar: ○ Colédoco > 1,5-2 cm ○ Múltiplos cálculos→ >6 16 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Litíase intra hepática ○ Coledocolitíase primária ● Via biliar precisa estar dilatada ● Técnicas: ○ Coledocoduodenostomia ○ Coledocojejunostomia em Y de Roux. Cálculos residuais e esteatose cicatricial de colédoco ● Pacientes em que forem encontrados cálculos de colédoco menos de dois anos após uma colecistectomia serão considerados portadores de cálculos residuais. ○ Retirada por papilotomia endoscópica. ● Pacientes que evoluem com icterícia progressiva, meses após manipulação cirúrgica de vias biliares, podem ter desenvolvido estenose cicatricial. ○ Diagnóstico confirmado pela CPRE ○ Tratamento ideal → colocação de um stent de via biliar, se possível no mesmo procedimento. ○ Em casos mais graves pode ser necessária a cirurgia de derivação biliodigestiva. Complicações Colangite Bacteriana Aguda ● Dor biliar + icterícia + febre co calafrios ● Geralmente autolimitada e responde a ATB ● Cálculo(s) impactado(s) podem evoluir para piocolangite (colangite supurativa aguda), manifestando-se com sepse e a pêntade de Reynolds (dor biliar + icterícia + febre + confusão/letargia + hipotensão arterial), trazendo alta letalidade. ● A causa mais comum de colangite de repetição é a coledocolitíase. Abscesso hepático piogênico ● Casis mais graves e mais frequentes ou prolongados de colangite Pancreatite aguda biliar ● Passagem de um cálculo (geralmente pequeno) pela curta porção comum após a convergência do colédoco e do ducto deWirsung. 17 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Cirrose biliar secundária ● Rra e acontece somente quando há impactação persistente de cálculos por um período mais prolongado (> 30 dias). ● + comum em outras causas benignas de obstrução ou estase da via biliar, como estenose iatrogênica, cisto coledociano e colangite esclerosante Colangite ● Infecção bacteriana do trato biliar→ sempre associada a uma síndrome obstrutiva ● A principal causa é a coledocolitíase→ 60% ○ Manuseio da região tbm causa→CPRE… ○ Tumores malignos que causam obstrução biliar, como o tumor de cabeça de pâncreas, o carcinoma de vias biliares e o carcinoma da ampola de Vater –. menos comuns → identificados pelo surgimento de icterícia ○ Pior prognóstico quando associada a câncer biliar ○ Pancreatite crônica ○ Estenose dos ductos ○ Anastomoses bilioetéricas ○ Obstrução por parasitas ● Coledocolitíase + colecistite (infecção)→ colangite ○ Bactérias do intestino ascendem Epidemiologia ● Maior incidência entre 55-70 anos ○ Reflete incidência de doenças associadas + maior propensão à bacterbilia que ocorre com a idade Fisiopatologia ● Presença de bactérias no trato biliar + obstrução biliar parcial ou completa Algumas bactérias, vindas do intestino, ganham o sistema porta e alcançam o trato biliar passando pelo fígado. ● Quando existe lesão ou um corpo estranho no trato biliar, é frequente a contaminação bacteriana. ● O que se presume é que a lesão obstrutiva ou o corpo estranho predispõem à colonização e ao crescimento bacteriano ● Bactérias do trato biliar ganham a circulação sistêmica → pressão do trato biliar está alta → bile e bactérias extravasam dos canalículos e percorrem os lóbulos, caindo nos sinusoides hepáticos Clínica ● Tríade de Charcot → icterícia + febre com calafrios + dor no HCD→ 60% dos pctes ○ O sintoma mais frequente é a febre (90%). ○ A dor abdominal costuma ser apenas moderada e se localiza principalmente no quadrante superior direito. D ○ or abdominal severa é muito rara, não sendo comum o achado de irritação peritoneal. ○ A peristalse não costuma ser alterada. ○ A icterícia está presente em 80% dos pacientes com colangite aguda ● Pêntade de Reynolds→ tríade + sinais de gravidade→ hipotensão + confusão mental/rebaixamento do nível de consciência ○ Supurativa ou complicada ● Complicações da bacteremia → abscesso hepático, sepse, disfunção de múltiplos órgãos e choque ○ Colangite supurativa → síndrome progressiva e fatal, necessitando de intervenção cirúrgica imediata Laboratório ● Achados refletem natureza infecciosa e inflamatória da doença e a obstrução biliar associada ● Hiperbilirrubinemia direta, aumento de FA/GGT + leucocitose com desvio à esquerda Diagnóstico Evidência de inflamação sistêmica com um dos seguintes: ● Febre e/ou calafrios ● Evidência laboratorial de resposta inflamatória ● + AMBOSOS SEGUINTES ○ Evidência de colestase →BiT>/= 2mg/dL ou química hepática anormal > 1,5x o limite de superioridade ○ Exames de imagem com dilatação ou evidência da etiologia subjacente Abordagem ● Tríade de Charcot→ATB + CPRE eletiva ○ Resposta abrupta! ● Pêntade de Reynolds→ atb + CPRE imediata Se tudo tá normal→ procure outra causa 18 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Colecistite aguda ● Vazamento biliar ● Pancreatite aguda ● Abscesso hepático Tokyo guideline (TG-18) Diagnóstico→ clínica, laboratório e imagem A. Sinais de inflamação sistêmica → febre, achados laboratoriais B. Colestase → icterícia, alterações da função hepática C. Imagem → dilatação ou evidência de obstrução (cálculo, tumor, estenose…) Suspeita diagnóstica→A + B ou A + C Diagnóstico→A + B + C Classificação ● Grau III (grave) → disfunção orgânica → disfunção renal, disfunção hepática (INR alargado), instabilidade hemodinâmica, disfunção cardiovascular, como hipotensão com necessidade de dopamina >/= 5 mcg/kg/min ou qualquer coisa de norepinefrina, disfunção neurlógica ● Grau II (moderada) → sem disfunção + algum dos achados: ○ Leucocitose > 12000/mm³ ou <4000/mm³ ○ Febre > 39º C ○ Idade +/= 75 anos ○ Hiperbilirrubinemia→BT +/= 5mg/dL ○ Hipoalbuminemia ● Grau I (leve) → ausência de critérios para grave e moderadas Tratamento ● Grau III (grave)→ATB + drenagem de emergência ● Grau II (moderada)→ATB + drenagem de urgência ● Grau I (leve) → ATB e drenagem para pacientes refratários Prescrição ● Dieta Zero→ iniciar o + precoce possível ● RL ou SF 0,9% de acordo com a gravidade ● Analgesia→ dipirona ou paracetamol ● ATB ● Avaliar a necessidade de drenagem Qual atb? ● Paciente com colangite aguda adquirida na comunidade de risco baixo a moderado ○ 1ª linha → piperacilina-tazobactam 1 amp + DP 6/6 h ○ Outros regimes → adicionar drogas + metronidazol 500 mg IV ou VO 6/6h ■ Cefazolina 1-2g 8/8h ■ Ceftriaxona 2g IV 8/8h ■ Ciprofloxacino 400mg IV 12/12h ■ Levofloxacino 750 mg Iv 1x dia ● Pcte c risco p resistencia - idade avançada,viagem conhecida p local, imunodeprimido ○ Agente único → imipinem + cilastatina (500 mg IV 6/6h), meropenem (1g IV 8/8h) ou piperacilina-tazobactam (4,5g IV 6/6h) ○ Regime combinado com metronidazol 500 mg IV ou VO 6/6h ■ Cefepime 2g IV 8/8h ■ Ceftazidima 2g IV 8/8h ● Pcte com colangite aguda associada a cuidados de saúde ○ Ampicilina 2g IV 4/4h ○ Vancomicina 15-20 mg/kg Iv 8-12h ○ Quando associar? ■ Fornecer cobertura enterocócica, principalmente em pctes com infecção pós-op, uso prévio de ATB que cobrem enterococcus, imunocomprometimento, valvulopatias e próteses intravasculares Drenagem biliar ● Paciente leve a moderado com boa resposta ao tto farmacológico→ realizar dentro de 24-48h ● Pacientes que não respondem ao tto ou classificados como grave→ drenagem biliar urgete (<24h) Busca de condição subjacente Quando o diagnóstico de colangite aguda é feito, torna-se fundamental a pesquisa de uma anormalidade do trato biliar. ● A colangiografia é o teste definitivo e necessário para que se possa planejar o tratamento → não deve ser feita até que o processo agudo esteja sob controle. ● Pode ser trans-hepática percutânea ou endoscópica retrógrada. ● A injeção de contraste sob pressão dentro do trato biliar pode exacerbar a colangite e a sepse, a menos que se tenha controlado a infecção com antibioticoterapia. 19 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Pacientes com colangite aguda devem ser inicialmente avaliados por ultrassonografia, que deve dar especial atenção à presença de colelitíase, coledocolitíase, dilatação dos ductos biliares e massas na cabeça do pâncreas. ● A USG é altamente sensível para detectar a presença de cálculos na vesícula e de dilatação dos ductos biliares (embora seja menos sensível no diagnóstico de um cálculo no ducto comum). ● Uma vez que a colangite esteja sob controle, testes posteriores podem ser utilizados mantendo a USG como guia. Se houver suspeita de massa no fígado, pâncreas ou sistema porta, o exame de escolha é TC. Uma cintigrafia hepática também pode ser útil por detectar cistos, abscessos ou outras lesões intra-hepáticas que podem estar associadas à colangite. Da mesma forma, a colangiorressonância tem excelente sensibilidade para lesões obstrutivas da árvore biliar. Colangite esclerosante primária ● Doença crônica caracterizada por fibrose e estenose dos ductos biliares intra e extra hepáticos Qual a patogênese? ● Relacionada com a retocolite ulcerativa → presente em 75% dos portadores de CEP→ autoimunidade ○ 5% dos pctes com RCU possuem CEP ● Dificuldade de excretar sais biliares→ se acumulam na pele Clínica e laboratório ● Assintomática (50%) ● Prurido, icterícia, fadiga Laboratório ● Aumento da FFA ● Aumento de GGT ● Aumento de bilirrubina→ fase avançada ● p-ANCA + Diagnóstico ● Colangioressonância (preferencial) ou CPRE (endoscópico) ○ Estenose multifocais + dilatações(acima de estenose)→ contas de rosário ● Dúvida no diagnóstico? → Biópsia hepática→ Fibrose em casca de cebola Tratamento ● Ácido ursodesoxicólico → para prurido cutâneo, melhora de parâmetros laboratoriais, mas não melhora sobrevida ● Dilatação endoscópica das estenoses (CPRE) ● Transplante hepático → se evoluir para cirrose avançada 🚨AUMENTOO RISCO DE COLANGIOCARCINOMA ● Rastreamento com colangioRM + CA19-9 anual 20