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12
Universidade Paulista
Educação a distância
CURSO: Pedagogia 
A MATEMÁTICA DENTRO DO ENSINO PARA JOVENS E ADULTOS
MORAIS, Tatiana / RA: 196650
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SÃO PAULO 
2021
Universidade Paulista
Educação a distância 
TATIANA DE MORAIS
A MATEMÁTICA DENTRO Do ENSINO PARA JOVENS E ADULTOS
 (
Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Pedagoga 
Universidade Paulista – Polo São José dos Campos
Orientação:
 Ms Glaucia Piacentini Agreste
 
)
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SÃO PAULO
2021
Ficha catalográfica 
AGRADECIMENTOS
 
Primeiramente a Deus e Nossa Senhora, por te me concedido saúde, força e disposição para fazer a faculdade e o trabalho final do curso. Sem ele, nada disso seria possível. 
Agradeço aos meus pais Fátima e Norberto, pelo apoio, força e amor incondicional. Sem vocês a realização desse sonho não seria possível.
Obrigada Juliana, minha irmã por me apoiar e incentivar nessa etapa.
César, meu amor, pelo seu apoio e companheirismo, obrigado por ser tão atencioso e por entender minha ausência em diferentes momentos.
Agradeço a minha amiga Naiara pelos inúmeros conselhos e o incentivo. Suas palavras de força e cumplicidade ao longo dessa etapa foram fundamentais.
 (
Dedicatória [opcional]
)
Resumo
O objetivo desse trabalho final de curso é focar no ensino da matemática dentro da educação de jovens e adultos (EJA), trazendo conteúdos agregadores, que tenham aplicação prática na vida dos alunos. Foi constatado que o desinteresse desses alunos pela matéria deve-se o fato dos mesmos questionarem a necessidade de rever conceitos que não têm aplicação prática para o momento em que estão vivendo, portanto conclui-se que não vale à pena os ensinar os mesmo assuntos que alunos do 5º ano do Ensino Fundamental anos finais aprendem Pois o aluno da Educação de Jovens e Adultos já vem com uma bagagem de vida.Paulo Freire foi o precursor da Educação de Jovens e Adultos e junto com a sua temática o professor dentro de sala de aula poderá aborda dentro do ensino da matemática conteúdos que irá contribuir para a sua aprendizagem e na vida do aluno.
Palavras-chave: Educação. Matemática. Aprendizagem.
Sumário
Introdução	6
Introdução
A matemática que conhecemos hoje surgiu antes mesmo de ter um civilização pois o ser humano sempre possuiam habilidades para pensar em noções quantitativa como alguns exemplos: muito – pouco, grande – pequeno, lento – rápido e assim por diante. A matemática não teve nenhum inventor ela foi criado pelas necessidades das pessoas em medir e contar.
A matemática surgiu da relação so ser humano com a natureza. Na pré-histórica o homem primitivo começou a usar a parte de seu corpo para contar, e também para medir a distância entre fontes de águas ou para saber se era capaz de capturar um animal.Dessa forma podemos analisar que a matemática nasce com a humanidade.
No mundo ocidental, a matemática tem sua origem no Antigo Egito e no Império Babilônico, por volta de 3500 a.C. Os dois imperios desenvolveram um sistema de contagem assim como outros povos como o americano, como os incas e astecas, também criaram um sistema de contagem com objetos.
Durante o período conhecido como Alta Idade Média, a matemática foi confundida com supertições e não era um campo valorizado pelos estudiosos	.
Na idade moderna , foram estabelecidos os sinais de adição e subtração, exposto no livro “ Aritmética Comercial” de João Widman d’Egner, em 1489.
O inventor da calculadora foi o Francês Blaise Pascal, ele também escreveu o livro sobre geometria “Tratado do Triângulo Aritmétrico” e sobre fenômenos físicos teorizados no “Principio de Pascal”, sobre a lei das pressões num líquido.O francês René Descartes contribuiu para o aprofundamento da geometria e do método científico.
Já o inglês Isaac Newton descreveu a lei da gravidade atráves dos números e da geometria. Suas ideias consagram o modelo heliocêntrico e até hoje são estudadas como as leis de Newton.
Com a revolução industrial, a matemática se desenvolveu de uma forma extraordinária, as universidades e as industrias se tornaram um campo para o estudo de novos teoremas e inveções de todo tipo.
A educacação de jovens e adultos que também será abordada nesse trabalho.O EJA surgiu no Brasil com a colonização portuguesa,uma modalidade que por muito tempo foi ignorada e que passa a ganhar força através dos movimentos populares, como aponta SAMPAIO & ALMEIDA (2009): “A história da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma história que se produz à margem do sistema de educação, impulsionada pela luta dos movimentos sociais, marcada pelo domínio e pela exclusão estabelecidos historicamente entre a elite e as classes populares neste país. (p.13)”
Um dos precursores em favor da alfabetização de Jovens e adultos foi Paulo Freire que sempre teve o objetivo de uma educação democrática e libertadora.
Com esse trabalho se espera que seja visto que os alunos do EJA espera-se uma aprendizagem da matemática dinamica que valorize o que esse alunos já trazem como conhecimento pois sabemos que uma grande parte desses estudantes não pretendem continuar estudando, eles pretendem aprender matemática a ler e escrever por uma realização pessoal.
Os alunos da educação de jovens e adultos tem muita peculariedade cada um vem com uma história diferente, o tempo de afastamento da escola, o motivo porque se afastou, as dificuldades de aprendizagem e na vida em geral, além de ser um público com uma faixa etária váriavel. Com isso a sala de aula será uma sala com misto de idade e de comportamento. Esse estudo irá abordar como os professores devem trabalhar o conteúdo em sala de aula, pois os estudantes que se matriculam no ensino de jovens e adultos vão em busca de melhores condições de trabalho e de vida para eles e para a sua familia.
1. A história da matemática
A matemática surgiu com o homem pré-histórico que precisou aprender a contar quantidades abstratas como o tempo,dias,estações e anos. Com isso a adição	,subtração,multiplicação e divisão também veio naturalmente. Acredita-se que esse conhecimento é anterior à escrita escrita e por isso não há registros. O ser humano sempre possui habilidades naturais 	para pensar noções quantitativas como: muito-pouco, grande-pequeno e lento-rápido	, com o passar do tempo a civilização foi aumentando e trouxe muitos desafios sociais e econômicos o que contribuiu para um pensamento matemático mais complexo, fazendo com que o homem pensasse matematicamente, com isso os homens começaram a usar as partes do corpo do como ferramenta de contagem e com isso comtribuiram para que surgisse como campo de conhecimento nas primeiras civilizações, a primeira conhecida como o berço da civilização foi a Mesopotâmia, nas primeiras escavações feita na cidade pode-se encontrar tábuas feitas de argila com escrituras cuneiformes que datam a primeira dinastia da Babilonia (1800-1500 a.C). Essas tábuas serviam para expressar cálculos númericos até o período Grego (600-300 a.C).
Figura 1 – Blocos com representação númerica.
Alguns filósfos que criaram a aritmética foram: Pitágoras, Tales e Platão que colocaram em prática essa parte da matemática. René Descartes juntou a álgebra e a geometria traduzindo as questões da geometria em equações algébricas. Um dos pensadores motores do pensamento de René era obter ideias claras sobre qualquer tema. Já o cálculo de probabilidade foi criado por Blaise Pascal e Newton criou o cáculo infinitesimal. Langrade foi seu trabalho no cálculo de variações que foi o percursor da mecânica dos fluidos bastante estudado nos cursos de Engenharia.
1.1 A matemática hoje em dia
O século 19 foi marcado pelo término das pesquisas matemáticas iniciadas no século 18. No século 19 a matemática virou uma profissão e comisso veio vários avanços como: os números primos teorizada por Euler e demostrada por Gauss), e o avanço do último teorema de Fermat.
Os quadrados mínimos fundado por Gauss e Legendre teve um grande avanço em estatística e em probabilidade. O Grassmann desenvolveu estudos da teoria dos espaços vetoriais. O matemático Le Verrier descobriu o peso de Netuno no nosso sistema solar através dos cálculos da teoria dos espaços.
O século 19 também foi marcado pelo início dos estudos em eletricidade com Gauss, Ampere e Maxwell com sua teoria do eletromagnetismo, Mach decidiu trabalhar com física	 teórica. E Albert Einstein nesse mesmo século demostrou a lei de reciprocidade quadrática.
O século 20 começou com 23 problemas não resolvidos e com isso foi dominado por três teoremas matemáticos: Teorema da incompletude de Godel, demostração da conjectura de Shimura-Taniyama-Wei. 
Novas ciências apareceram como a topologia e a algébrica.Einstein e Pontcarré iníciou os estudos da teoria da relatividade geral. No século 21 começou com as descobertas do prodígio Terence Tao sobre os números primos de Euclides. 
1.2 A matemática no nosso cotidiano
Quando estamos na escola as vezes perguntamos pra nós mesmo, porque estamos estudando este contéudo? Será que vou usar isso no meu dia-a-dia?
Quanto realizamos uma atividade em sala de aula não conseguimos relacionar aonde vamos usar tal conteúdo de matemática no nosso dia-a-dia. Com o passar dos anos esquecemos o que estudamos dentro da sala de aula, o que o professor ensinou, ou mesmo nem prestamos atenção no que o professor falou na aula.
O que sabemos que a matemática está presente em tudo no nosso cotidiano o que acontece é que nós não conseguimos relacionar essas coisas com o estudo da matemática.	 Uma simples ida ao mercado já estamos usando a matemática, quando vamos em alguma loja e ganhamos um desconto, quando fazemos um investimento na poupança entre tantas outras coisas. Bom se você não acredita vamos mostra alguns exemplos:
· Quando acordamos e precisamos olhar o relógio, estamos utlizando a contagem de tempo;
· Quando fazemos uma refeição e contamos as calórias do prato;
· Quando vamos ao supermecado e antes de passa no caixa já calculamos quanto dará a nossa compra;
Poderia dar vários outros exemplos envolvendo a matemática, pois estamos a todo momento lidando com ela.
1.3 Como surgiu o Ensino de Jovens e adultos
 	A educação de jovens e adultos teve início logo após a Educação Jesuitica, que era formada por indigena e catequista da Igreja Católica e passou por vários momentos de grande significado político-social, uma organização que se mostra resistente e forte até hoje.
A Educação de Jovens e Adultos passou a se formar e ser tratada como um “sistema diferenciado e significativo” para a educação brasileira somente por volta dos anos 40, e desde essa época ,ela vem se mostrando uma educação que deve ser melhorada a cada dia. A educação de jovens e adultos nasceu por conta da defasagem educacional e o surgimento das indústrias no Brasil, quando Getúlio Vargas era Presidente.
Com o passar do tempo veio os questionamentos do ensino para jovens e adultos e o que o Governo poderia fazer por esse tipo de modalidade. Em 1942 com a criação do Fundo Nacional de Ensino Primário e junto com ele progrmas para o ensino de adultos e ampliação dessa modalidade, foi criado porque o país tinha uma taxa muito alta de analfabetismo e se eles investisse na modalidade de Ensino para jovens e adultos eles poderiam combater o analfabetismo adulto e infantil, pois não dava mais para esconder o fraco esforço para a educação no país.
Em 1947, houve a criação de um movimento, que auxiliou a desenvolver um processo para o ensino de Jovens e Adultos no Brasil, foi o Serviço de Educação de Adultos, o SEA, que devreia criar um curso primario para adultos, pois o profissional analfabeto não colaboraria na recuperação do atraso econômico e industrial do Brasil.
Até aquela data não se preocupavam com o sujeito, com o indivíduo e nem entender o processo de inclusão na aprendizagem profissional.  O analfabeto era tido como um peso ao país, pois não podia contribuir para o desenvolvimento, mas o contínuo crescimento do contingente dos analfabetos, acabaram por gerar interesse político, daí da Campanha da Educação de Adolescentes e Adultos ter uma proposta educacional voltada para a vida, trabalho e profissionalização.
Figura 2 – Educação de Jovens e Adultos
Como sabemos a falta de alfabetização e o próprio analfabeto era visto com preconceito e naquele momento até os organizadores da campanha o viam preconceituosamente.  Os movimentos populares, de grupos sociais como: sindicatos e outros foram os reais responsáveis de surgir uma educação voltada para transformação, incluindo no processo educacional e de modernização do país. A EJA levaria e leva aos poucos o sujeito a uma transformação social ou cultural, como nas idéias de Paulo Freire. 	 A partir da década de 60, muitas outras campanhas começaram a surgir com visões diferentes daquelas anteriores, agora a proposta era uma educação igualitária e para todos. Surgiram campanhas de Educação de Jovens e Adultos e entre os mais conhecidos estão: o Movimento de Educação de Base, o Movimento de Cultura Popular de Recife, “De pé no chão também se aprende a ler”, de Natal e o Plano Nacional de Alfabetização do Ministério da Educação e Cultura, entre outros.
Paulo Freire será uma referência na Educação de Jovens e Adultos, pois ele apresentará essa educação pensada de forma diferente, onde o indivíduo no processo de aprendizagem, tem uma educação e alfabetização de maneira crítica e dialogicamente. Suas idéias podem ser observadas no Plano Nacional de Alfabetização, que se destinava atender a maior parte da população analfabeta do país, mesmo que que tenha surgido através de movimentos estudantis e também de entidade sindicais, que trabalharam para que o seu método fosse colocado na Educação de Jovens e Adultos, dentro do Ministério da Educação e aos poucos com seus resultados o programa gerou benefícios políticos e passou a ter maior apoio do governo como método principal.
Em 1971, surge o Supletivo procurando complementar a escolarização e o analfabetismo, colocando em sala aqueles que ainda não tinham conseguido terminar seus estudos no tempo regular na idade certa. O Supletivo foi instituído pela Lei 5.692/ 7, pensava-se apenas em uma escolarização tardia e atividades educativas da maneira mais flexível para o indivíduo, suprindo suas deficiências. Na década de 80, com o fim da ditadura militar e maior Liberdade da sociedade, houve então uma abertura para que pudesse surgir novas contribuições para as questões educacionais. A EJA passa por uma nova configuração e busca novas técnicas e metodologias para trabalhar. Na estrutura da Constituição de 1988, chamada de cidadã, surgiu o tema educação, com interesse social e a partir daí se estabeleceu que a Educação Básica fosse oferecida também através da EJA. 
Em 2008, a EJA, passou a fazer parte das Leis das Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e ficou reconhecida como de Direito Público. E o parecer CNE CEB 11/2000, inclusive trata de esclarecer que a Educação de Jovens e Adultos, não é uma forma de suprir a educação perdida e sim uma nova educação. Sobre a LDB, a Lei nº 9.394, Haddad afirma, que essa lei “ dedica a essa educação de jovens e adultos uma seção curta e pouco inovadora”.
A Educação de Jovens e Adultos teve outra grande conquista quando, foi incluída no fundo do Desenvolvimento da Educação Básica o FUNDEB, que havia substituído o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério o FUNDEF, pois ele ajudou muito nas questões básicas, como reservar recursos para Educação de Jovens e Adultos, mesmo que eles ainda sejam menores que as outras modalidades.Mas a Educação Popular não deixou de estar presente na Educação de Jovens e Adultos no Brasil, foi uma luta do povo, uma educação participativa através dos movimentos populares, isto é, foi muito importante para sociedade civil, e marcaram a história da educação brasileira. Foram nesses momentos, que se geraram novas concepções sócio pedagógicas para Educação de Jovens e Adultos.
No contrato educacional, Paulo Freire sempre mostrou nos seus interesses em conceber uma educação de igualdade, que fossem além dos ideais de aprendizagem e do ensino. Deveria ser então concebida a partir de trocas entre professor e aluno em suas relações culturais, no trabalho, na família e etc, “ se sempre confiamos no povo, sempre rejeitamos fórmulas doadas, sempre acreditar que tinha  algo a permutar com ele, nunca exclusivamente a oferecer-lhe”. (FREIRE, 2007, p.110)
Paulo Freire com toda sua determinação, deixou uma grande contribuição ao Ensino de Jovens e Adultos do que foi conquistado, as suas ideias de uma prática educacional de igualdade, com sujeitos críticos, é a que hoje vem sendo trabalhada na maioria das vezes na EJA.
“desde logo afastamos qualquer hipótese de uma alfabetização puramente mecânica, desde logo pensávamos alfabetização do homem brasileiro, em posição de tomada de uma consciência na imersão que fizeram no processo, de nossa realidade no trabalho como que tentássemos a promoção da ingenuidade, em criticidade ao mesmo tempo em que alfabetizarmos”. (FREIRE 2007 p.112)
Se analisarmos o que foi pesquisado nas modalidades de EJA, a educação ainda está pouco consolidada, existe uma luta e ela é histórica, que procura ainda o reconhecimento e o respeito, dentro de uma educação formal, porém de uma composição diferente, universal com uma reconfiguração do compromisso do Estado.
Nesse primeiro capítulo falamos sobre como surgiu a matemática e a Educação de Jovens e adultos,nesse segundo capítulo vamos abordar os conteúdos que os adultos que são interessante trabalhar em sala de aula com jovens e adultos.
2. Como desenvolver a matemática na sala de aula
Albuquerque(2007) cita que a matemática desempenha um papel decisivo e importante no nosso dia-a-dia, pois nos permite resolver problemas e enfrentar melhor as situações do cotidiano, possui aplicações no mundo do trabalho e nos possibilita construir conhecimentos em outras áreas.
O estudante da educação de jovens e adultos vem para a sala de aula com uma grande bagagem, e nessa bagagem ele traz vivências , experiências profissionais e pessoais	.A partir desse conhecimento o plano de aula dele ser elaborado com conteúdos tenha significado para o educando. As atividades desenvolvidas dever ser contextualizada de acordo com a realidade do aluno, dentro da sala de aula podemos ter uma divesidade de profissões como: dona de casa,pedreiro,carpiteiro,doméstica, ajudante de açougue,serviços gerais entre outros. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais sobre matemática	 (1997/2002, página 37) lemos a importância fundamental do professor conhecer a história de vida do aluno, suas vivências de aprendizagens fundamentais, seus conhecimentos informais sobre dado assunto.
Paulo Freire (1996) precoriza que ensinar exige respeito aos saberes do educando. Pais (2001) afirma a contextualização do saber é uma das mais importantes noções pedagógicas contemporãnea. O valor educacional de uma disciplina expande na medida em que o aluno compreende os vínculos do conteúdo estudado com uma contextualização compreensível por ele. 
2.1 Os desafios de um educador do EJA
Os educadores da EJA enfrentam inúmeros desafios no desenvolvimento de sua prática docente, como a heterogeneidade, a evasão, a juvenilização das turmas, a falta de materiais didáticos específicos, a baixa autoestima dos educandos, a rigidez institucional. Porém, em todas as situações, esses educadores apontam que vão buscando caminhos alternativos que favoreçam o processo de ensino, como criações próprias de cada um diante das circunstâncias que vão enfrentando.
Outra situação desafiadora apontada pelo educador é a presença de alunos com liberdade assistida, que vão para a escola porque o juiz determinou, são obrigados a frequenta-la: não querem estudar e muito menos numa sala onde veem pessoas mais velhas do que eles, ou da mesma faixa etária, mas que não estão na mesma condição. É preciso, então, conforme explica Scarfó (2009), aprofundar a compreensão sobre as demandas desse educando, bem como sobre as necessidades e relações com o saber que têm esses alunos com relação à educação formal.
Para Freire (1988, p. 80), a “leitura do mundo precede a leitura da palavra”, isso nos indica que os “saberes” que estão atualmente nos textos escritos da nossa sociedade, nem sempre estiveram ali, e que, não surgiram por acaso. Ao contrário, tais saberes são fruto de sangue e suor, construídos historicamente pela cultura, implicando em lutas sociais na sua produção.
Desafio enfrentados pelos professores:
· A falta de uma orientação específica aos educadores recém-chegados ao trabalho da EJA, que gera nos educadores um estranhamento e uma insegurança;
· A falta de uma orientação específica aos educadores recém-chegados ao trabalho da EJA, que gera nos educadores um estranhamento e uma insegurança;
· A heterogeneidade de níveis de aprendizagem dentro de cada turma, na qual o educador da EJA tem de atender, ao mesmo tempo, educandos que se encontram no início do processo de alfabetização e educandos que se encontram no final do processo;
· A grande diversidade entre os educandos, no que se refere às suas expectativas em relação aos estudos e às diferenças geracionais, religiosas, valorativas e de suas crenças;
· A baixa autoestima dos educandos, que não acreditam em sua capacidade de aprender, o que acaba por gerar bloqueios em seu processo de aprendizagem.
2.2 Dificuldades e facilidades dentro do EJA
Pra quem está de fora e olha o EJA ve essa modalidade de ensino como fácil de atuar. As pessoas considera fácil por conta da faixa etária dos alunos que frequenta essa modalidade, só que dentro da sala de aula os professores tem que lidar com a faixa etária diversificada, alunos de várias regiões e o principal alunos com diferentes dificuldades.
Alguns fatores no processo de ensino dificultam o processo de ensino apredizagem e esses fatores são: falta de material didático referente a educação de jovens e adultos, não é feito um material específico para essa modalidade, no ensino relugar os alunos tem cinco anos para se alfabetizar já na educação de jovens e adultos os alunos tem apenas um ano pra se alfabetizar. Olhando de perto a situção do EJA o público dessa modalidade trabalha e precisa normalmente vencer suas dificuldades financeiras e familiares o educando precisa enfrentar um grande desafio ao voltar pra sala de aula.
A formação dos professores para o EJA deveria abordar mais eficaciamente os conhecimentos específicos sobre a vida do adulto, como ele aprende, o que ele que aprender, o que ele pensa e o principal como desenvolve seu raciocínio. É importante esses conhecimentos pois agrega os pressupostos pedagógicos que compõem currículo dos cursos de Pedagogia, assim qualifica o profissional para lecionar no EJA.
2.3 Paulo Freire e a Educação dos Jovens e Adultos
As experiências feitas por Paulo Freire na década de 60 remetem à “ leitura do mundo”, neste contexto ficou evidenciado a valorização do conhecimento construído fora da escola pelos jovens e adultos e a consideração desta prática pedagogica. O autor vê conhecimento como um instrumento para ação eficaz dos homens sobre o mundo.
	Paulo Freire segundo Ribeiro (2001) adotou o método de alfabetização foi referencial para as práticas de alfabetização do período e atualmente, as concepções do autor são referenciais teóricos inseridos na práxis dos educadores que atuam na educação de jovens e adultos.
O autor Paulo Freire, através da sua própria metodologia uniu pela primeira vez a especificação dessa educação em relação a quem educar para que e como educar.
As basesdo seu pensamento nasceu de uma visão de ser humano e de mundo, para o autor (1996) a pessoa deve ser vista como um ser de relação, como um ser em busca de sua “completude”, um ser capaz de transcender e sujeito de sua história. Para ele o homem educa-se e se faz humano mediatizado pelo mundo e em relação com seu trabalho.
A relação de respeito ao conhecimento são os fundamentos que constituem a educação libertadora preconizada por Paulo Freire onde dialogar é tido como primordial.
 A dialogocidade é a capacidade das relações humanas numa perspectiva de direitos sociais e de igualdade sociais, que se buscam permanentemente, mas que só se estabelecem plenamente no rompimento desta estrutura social. O dialogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu (FREIRE, 1999, p 78).
Essa educação libertadora contrbui na transformação dos educandos como sujeitos históricos e sociais de fato.
 O homem é um ser histórico, que constrói através de suas relações com o mundo natural e social. O processo de trabalho (transformação da natureza) é o processo privilegiado nessas relações homem mundo (Freire,1999,p.86-87).
Freire (1992), o diálogo é o meio que transporta as relações e subsidia a transmissão do conhecimento para que se possa construí-lo. Ao aderir uma consciência crítica, problematiadora, o professor terá um diálogo necessário para uma prática libertadora.
Arroyo ( 2001) afirma que o EJA enfatiza uma visão totalizante do jovem e o adulto como ser humano, com direito a se formar como ser pleno, social, cultural, cognitivo, ético, estético e de memória concordando dessa maneira, com as idéias preconizadas por Freire sobre a historicidade formação do ser humano.
3. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino da matemática
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino da matemática (1997/2002) foram elaborados direcionando discussões e provocando reflexão para aprimorar e qualificar o ensino dessa disciplina. Um dos objetivos dos PCN é compreender a cidadania como participação social e política, um dos princípios dos PCN para o ensino da matemática é a importância dessa disciplina na construção 	da cidadania, na medida em que a sociedade se utiliza cada vez mais, de conhecimentos científicos e recursos tecnólogicos, dos quais os cidadãos devem se apropriar. Outro princípio que deve ser respeitado é que a matemática precisa estar ao alcance de todos e a democratização de seu ensino deve ser meta prioritária no trabalho docente.
Em 2002, no Programa Especial de Formação de Professores em exercício nas séries iniciais do Ensino Fundamental de São Paulo, D’ Ambrósio afirma:
Cidadania tem a ver com a capacidade de lidar com situações novas.Lida-se com situações conhecidas e rotineiras a partir de regras que são memorizadas e 	obedecidas. Mas o grande desafio está em tomar decisões sobre situações imprevistas e inesperadas, que hoje são mais frequentes. A tomada de decisões exige criatividade e ética. A matemática é um instrumento importantíssimo para a tomada de decisões, pois apela para a criatividade. Ao mesmo tempo, a matemática fornece instrumentos necessários para uma avaliação das consequências da decisão escolhida. A essência do comportamento ético resulta do conhecimento das consequencias e das decisões que tomamos	. ( D’AMBRÓSIO,2002).
A necessidade de reconhecer e de considerar as vivências trazidas pelo educando para a sala de aula e respeitar a diversidade cultural é fundamental na Educação de jovens e adultos. Sobre esse contexto D’ Ambrosio (1995) sugeri
Respeitar o passado cultural do aluno além de lhe dar confiança sobre seu próprio conhecimento, também lhe confiriria(...) certa dignidade cultural ao ver suas origens culturais sendo aceitas por seu mestre e desse modo saber que esse respeito se estende também à sua família e à sua cultura. (D’ AMBROSIO, 1985, p.85).
Na Proposta Currícular para Educação de jovens e adultos (2001) encontramos alguns objetivos para a área da matemática, citando alguns deles;
· Valorizar a matemática como instrumento para interpretar informações sobre o mundo, reconhecendo sua importância em nossa cultura.
· Reconhecer sua própria capacidade de raciocínio matemático, desenvolver interesse e o respeito pelos conhecimentos desenvolvidos pelos companheiros.
· Comunicar-se matemáticamente, identificando, interpretando e utilizando diferentes linguagens e códigos.
· Intervir em situações diversas relacionadas à vida cotidiana,aplicando noções matemáticas e procedimentos de resolução de problemas individuais e coletivamente.
4. O aluno adulto
Dentro da educação de jovens e adultos encontramos adultos que mundo do trabalho luta por seus direitos, por melhores condições, pela sua qualificação profissional e pessoal. Em uma pesquisa feita com uma professora que leciona na Educação de Jovens e Adultos, ela me informou que os alunos não gosta de resolver atividades infantilizadas, contudo ela me disse que as atividades deve ser elaborada de acordo com a faixa etária do grupo.
Os educando do EJA são pessoas com perfil que desde cedo precisaram começar a trabalhar para ajudar no sustendo da casa e com isso os estudos foram ficando de lado tendo que larga a escola cedo. Com o passar dos anos esse adulto precisa se qualificar para garantir um salário melhor e competir com o mercado do trabalho, com isso ele tem a necessidade de voltar para a sala de aula. Esse estutante tem a sua tripla jornada, estudo, cuidar da casa e da família e isso acaba também ocasioando a evasão do EJA.
Muitas das vezes as atividades exercidas pelo aluno do EJA é uma atividade informal como na construção cívil, empregada doméstico entre outros. Com isso o professor deve trabalhar com o aluno atividades que esteja relacionada com sua realidade conforme citado nessa atividade a seguir: Uma atividade patra elaborar com o aluno é pedir para que ele liste suas despesas no mês para que com isso explore a adição, depois o aluno colocaria o valor do seu salário mensal para fazer a sobra do mesmo para explorar a subtração, lembrando que essa atividade dever ser feita individualmente para que o aluno explore o raciocíonio . E no final comentar sobre a atividade proposta com o educando. Com isso todos os alunos podem demonstrar suas habilidades para resolver problemas relacionados à adição e subtração.
Outra atividade interessante para se trabalhar em sala e está relacionada com a matemática e com o cotidiano do aluno é interpretar a conta de água. Nessa atividade o aluno dele analisar a conta, verificando os valores, trabalhando com comparações fazendo a troca das contas com os colegas, com isso eles podem entre si explorar qual aluno gastou menos ou mais, com isso pode ser trabalhado a multiplicação dobro, triplo e quádruplo.
A atividade com material que pertence ao universo deles, proporciona maior participação e interação dos alunos, sendo o próprio manuseio da conta de água.
Bello (2006) diz que a relação com a contextualização de contéudos na EJA, fala da importância de situações problematizadoras que possam orientar atividades em direção à construção/ sistematização de conceitos e representações matemáticas e que se encontram em relação ao espaço-tempo vivido pelos alunos.
Trazer para a sala de aula o conhecimento social do educando e fazer com que a matemática tenha significado para eles é que nos diz D’ Ambrosio (1982).
O educando adulto inserido no mundo do trabalho exerce seus direitos como cidadão, e o trabalho faz que ele tenha consciência de sua prória identidade.
De acordo com os Parâmetros Currículares Nacionais (1997) um dos objetivos do ensino fundamental é que o aluno seja capaz de compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civil e social.
A matemática é imprescindível na construção do conhecimento do indivíduo, pois ela auxilia na resolução de problemascotidiano, seu conhecimento é universal e obrigatório em todos os graus de instrução de todos os países do mundo. D’Ambrosio afirma que não há como eximir esse conhecimento dos educandos e educandas do EJA, pois como nos ensina Paulo Freire, são pessoas que estão em busca de sua “ completude”.

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