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RELAÇÕES INTERNACIONAIS APRESENTAÇÃO Professora Especialista Margarete Campos Vieira ● Mestranda em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá (UEM 2020/ 2021) ● Pós Graduação em Tecnologias aplicadas ao EAD ● Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Maringá ● Pós graduação em Gestão Empresarial com Ênfase em Consultoria e Instrutoria - Unicesumar, ● Pós Graduada em Engenharia de Produção (Incompleta) Unicesumar. ● Pós Graduação em Docência do Ensino Superior (Unicesumar) Atuo com Consultoria Empresarial desde 2008 e, com implantação e treinamentos em Gestão de Processos, mapeamento e melhoria de processos, Engenharia de Processos, Engenharia de produtos, PPCP (Planejamento, Programação e Controle da Produção), Logísticas e Gestão da Cadeia de Suprimentos, etc. Docente na UNIFCV (Centro Universitário Cidade Verde Maringá 2016 até o momento) ministrando disciplinas de: Sistema de Informação Gerencial, Administração e Estratégia de Marketing, Empreendedorismo, Diagnóstico Organizacional, Mercado de Capitais, História Econômica Geral, Logística e Cadeia de Suprimentos e Planejamento Programação e Controle de Produção, Gestão da Qualidade, Logística Internacional etc. Áreas de interesse: Organização Industrial e Estudos Industriais, economia brasileira, economia internacional, economia monetária, indústria de transformação, desenvolvimento econômico e inovação tecnológica. Macroeconomia e Microeconomia, mercado de capitais, gestão de processos industriais, qualidade e produtividade. Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/4612802492948047 APRESENTAÇÃO DA APOSTILA Seja muito bem-vindo(a)! Prezado(a) aluno(a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora. Proponho, junto com você, construir nosso conhecimento sobre os conceitos fundamentais da disciplina Relações Internacionais. Além de conhecer seus principais conceitos e definições, vamos explorar as mais diversas áreas de conhecimento e atuações das Relações Internacionais. Na unidade I vamos conhecer a conceituação geral e ambientação e com isso conhecer as origens das relações internacionais, pensamento político e o fundamento das relações internacionais. Vamos conhecer também a teoria da sociedade civil internacional e o funcionamento das relações internacionais. Já na unidade II vamos ampliar nossos conhecimentos e você irá saber mais sobre os destaques internacionais. Além destes destaques você conhecerá ainda os principais marcos metodológicos, análise da Teoria das Relações Internacionais, bem como, os principais autores e suas correntes clássicas e as principais correntes e relações brasileiras. Na sequência na unidade III falaremos a respeito do GLOBALISMO. Nesta unidade destacamos o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio, e também às relações internacionais e meio ambiente. Sendo assim, falaremos sobre os impactos das relações internacionais e os principais acordos internacionais brasileiro. E por último nesta unidade, trataremos do globalismo na era moderna. Na unidade IV, vamos entender o conteúdo dessa disciplina com o assunto Brasil e as relações internacionais e trazer temas de análise das relações internacionais contemporâneas, integração econômica: acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais.E para finalizar esta unidade vamos entender as ameaças e oportunidades empresariais e acordos comerciais e as cadeias globais de valor. Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta jornada de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abordados em nosso material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. Muito obrigado e bom estudo! UNIDADE I CONCEITUAÇÃO GERAL E AMBIENTAÇÃO Professora Especialista Margarete Campos Vieira Plano de Estudo: ● Origem das relações internacionais; ● Pensamento político e o fundamento das relações internacionais; ● A teoria da sociedade civil internacional; ● Funcionamento das relações internacionais. Objetivos de Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a origem das relações internacionais; ● Compreender o pensamento político e o fundamento das relações internacionais; ● Contextualizar a importância da teoria da sociedade civil internacional; ● Compreender o funcionamento das relações internacionais. INTRODUÇÃO Caro (a) aluno, você deve ter ouvido falar bastante sobre Relações Internacionais (RI) e a partir de agora, você entenderá melhor como as RI iniciaram, Para isso, vou resgatar um pouco da história para adentrar e chegar ao objetivo principal. Vou começar então falando das últimas décadas do século XX marcadas pela intensificação das relações entre os povos, de uma maneira como nunca havia ocorrido anteriormente. Você observa que cada vez mais as distâncias ficam menores? Ou seja, você observa que a globalização trouxe e traz constantemente informações rápidas vindas de todo mundo e com isso, tempo e espaço perdem o significado que tinham para nossos pais e avós, e as pessoas de diferentes locais do globo tomam consciência de que “a menor distância entre dois pontos é uma tecla”. Mas, o século XXI chega trazendo também grandes conquistas: o mundo está menor, globalizado, interligado física e eletronicamente; pode-se tomar café em Londres e almoçar em Washington; as fronteiras perdem sua importância; o sistema internacional vê-se cada vez mais integrado; a tecnologia alcança milhões de pessoas, e não há limite ao conhecimento humano. O último século do segundo milênio presenciou uma evolução tecnológica inimaginável! Neste primeiro e-book, você irá viajar comigo para a história das relações internacionais e conhecer um pouco mais sobre como surgiram e os principais motivos desse surgimento. Sendo assim, vou apresentar a você, a origem das relações internacionais, depois o pensamento político e o fundamento das relações internacionais, depois apresento a teoria da sociedade civil internacional e por último como é o funcionamento das relações internacionais. Ah, e no final deste conteúdo, apresento a você algumas indicações de leituras e sites que você poderá encontrar muitas outras informações sobre as relações internacionais. Convido você para iniciar nossa viagem pelas origens e história das relações internacionais. 1 ORIGEM DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Fonte: www.shutterstock.com/ 624470984 Caro acadêmico (a), você já parou para pensar como surgiram as relações internacionais? Começo este estudo iniciando a história da RI que, de acordo com os estudos apresentados por Magnoli (2013 p. 17) Iniciou-se na Grécia antiga, onde os embaixadores eram enviados esporadicamente em missões especiais a diferentes cidades-estados, a fim de entregar mensagens, intercambiar, ou seja, trocar mensagens e até mesmo oferendas. Sendo assim estas ações encontram-se na origem da diplomacia. Mas, desde aquele tempo, o diplomata criava uma entidade política de acordo com seu perfil, diferenciando entre público e provado. (MAGNOLI, 2013 p.17) Sendo assim, segundo ele, os diplomatas italianos, lançaram as bases modernas e diplomáticas criando condições de anarquias prevalecentes no sistema das cidades- estados e com isso traz sentido de insegurança das unidades políticas formaram o terreno histórico tanto para as intermináveis guerras de conquista quanto para a generalização de códigos e práticas diplomáticas que ainda sobrevivem. Assim, foi se consolidando o uso dos embaixadores permanentes constituindo-se chancelarias estáveis, garantindo imunidades diplomáticas e os privilégios de trânsito e acesso a informaçõesestabelecendo o conceito das missões estrangeiras. A partida da época do tratado de Westfália1 na Europa setecentista definiu a missão diplomática– a defesa do interesse nacional com a missão do diplomata. A partir daquela época a presença dos diplomatas estrangeiros nas capitais tornou-se um sinal de existência de uma sociedade de Estados que tem como principal característica as regras que constituem o cenário em que se definem estratégias nacionais. Por isso, o diplomata representa o interesse de um Estado particular, a diplomacia simboliza a consciência geral de que há uma sociedade internacional. Neste contexto Hedley Bull2 enfatizou a importância e a permanência dos antigos símbolos da diplomacia europeia na atualidade: [...] No sistema global internacional — em que os Estados são mais numerosos,mais profundamente divididos e menos explicitamente participantes de uma cultura comum — a função simbólica dos mecanismos diplomáticos torna-se, exatamente por essas razões, ainda mais importante. A vontade notória de Estados de todas as regiões, culturas, ideologias e de todos os estágios de desenvolvimento de abraçar procedimentos diplomáticos muitas vezes estranhos e arcaicos, que nasceram na Europa em outra época, é atualmente um dos raros indícios observáveis da aceitação universal da noção de uma sociedade internacional. (HEDLEY BULL, 1977, p. 183). Além da função que simboliza a diplomacia, Bull (1977) identificou outras quatros funções no interior do sistema internacional. A característica principal da primeira função objetiva facilitar a comunicação entre os líderes políticos entre os Estados. A essa função de mensageiro, realizada pelos diplomatas, associa-se ao privilégio de imunidade e o direito de trânsito. Os Estados, reconhecendo a existência de uma sociedade 1 Tratados de Westfália chamada Paz de Vestfália (ou de Vestefália, ou ainda Westfália), também conhecida como os Tratados de Münster e Osnabruque (ambas as cidades atualmente na Alemanha), designa uma série de tratados que encerraram a Guerra dos Trinta Anos e também reconheceram oficialmente as Províncias Unidas e a Confederação Suíça O Tratado Hispano-Neerlandês, que pôs fim à Guerra dos Oitenta Anos, foi assinado no dia 30 de janeiro de 1648 (em Münster). Já o tratado de Vestfália, assinado em 24 de outubro de 1648, em Osnabruque, entre Fernando III, Imperador Romano- Germânico, os demais príncipes alemães, França e Suécia, pôs fim ao conflito entre estas duas últimas potências e o Sacro Império. O Tratado dos Pirenéus (1659), que encerrou a guerra entre França e Espanha, também costuma ser considerado parte da Paz de Vestfália. A Paz de Westfália estabeleceu os princípios que caracterizam o estado moderno, destacando-se a soberania, a igualdade jurídica entre os estados, a territorialidade e a não intervenção. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Paz_de_Vestf%C3%A1lia. Acesso em: 27 de jul. 2021. 2 HEDLEY, Bull. The anarchical society: a study of world politics. London: The Macmillan Press, 1977, p. 183. internacional, comprometem-se a não ofender, agredir ou os movimentos dos portadores de mensagens de outros participantes da sociedade. As negociações e acordos entre os Estados associados consistem na principal característica que simboliza a diplomacia internacional. Esse papel de mediação baseia- se no interesse nacional e exige a identificação de interesses compartilhados pelas unidades políticas. A segunda das funções identificadas por Bull (1977) (a de mediação e persuasão) merece atenção especial, pois atrás dela tem a distinção entre a política externa em tempos normais e a política externa em tempos de revolução. A terceira função consiste em reunir informações importantes sobre as demais unidades políticas. Em relação a atividade de inteligência realiza-se em duplo sentido, ou seja, ao mesmo tempo que obtém acesso a informações essenciais sobre os Estados, o diplomata busca preservar na incerteza as informações percebidas como importantes por seu Estado. É importante reforçar caro aluno (a), que a dimensão no sentido de extensão de inteligência da diplomacia é aceita e reconhecida como verdadeira no sistema internacional, ao menos enquanto as fronteiras que a separam da espionagem permanecerem compreensíveis pois, nem sempre essa fronteira é clara e, com relativa frequência, ocorrem episódios de expulsão de diplomata acusado de espionagem. Vamos para quarta e última função identificada por Bull (1977), da diplomacia que tem por objetivo minimizar as fricções no relacionamento entre Estados. Essa função de comunicação está associada à utilização de integrações diplomáticas, instrumentos para estabelecimento de uma linguagem comum, que esclarece regras, princípios e direitos e reduz o campo do exercício do orgulho e da vaidade nacionais. Portanto, caro aluno (a), é importante salientar que na antiga Grécia os Estados cultivavam relações económicas e comerciais entre si em um grau sem precedente. As Cidades- Estados cultivavam relações pacíficas entre si e ao mesmo tempo disputavam o poder. É importante revisitar o passado para o estudo das Relações Internacionais porque a maior parte dos eventos a estudar: Estado, Balance of Power, Nação, só podemos perceber sistema internacional, do passado, pois foram desenvolvidos ao longo da história. 2 PENSAMENTO POLÍTICO E O FUNDAMENTO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Fonte: www.shutterstock.com/ 1022451757 No tópico 1, você conheceu um breve resumo da história das Relações Internacionais, neste tópico você conhecerá o pensamento político e os fundamentos das relações internacionais. Por isso, caro aluno (a) inicio este tópico apresentando o pensamento contratualista, (o contratualismo é uma teoria política e filosófica baseada na ideia de que existe uma espécie de pacto ou contrato social que retira o ser humano de seu estado de natureza e coloca-o em convivência com outros seres humanos em sociedade), seja em sua vertente liberal (Locke) ou realista (Hobbes), por fornecer os fundamentos do pensamento político moderno, exerceu forte influxo sobre a teoria das Relações Internacionais. Partindo da percepção de que as Relações Internacionais apresentam dois eixos (cooperação e conflito), que podem ser abordadas em correntes divergentes (realismo e liberalismo, por exemplo), sendo assim, uma linha evolutiva das correntes que aborda, bem como seus aspectos gerais. Sendo assim, o realismo político segue a seguinte linha cronológica de desenvolvimento: ● Tucídides (e a idéia de equilíbrio de poder), ● Maquiavel (moral política e razão de Estado), ● Hobbes (estatocentrismo e sistema de estados anárquico), ● Carr (crítica ao idealismo), ● Morgenthau (pressupostos do realismo: interesse nacional definido em termos de poder), ● Waltz (neorealismo; análise sistêmica). A partir destes fundamentos, a filosofia política elaborada por Maquiavel e Hobbes forneceram os princípios basilares do realismo político nas relações internacionais, organizados teoricamente por Morgenthau e revisados por Waltz, cuja lógica é a do conflito e poder, e os pressupostos são os seguintes: ● Natureza humana é má; ● Centralidade do Estado cujo interesse é a sobrevivência e maximização de ganhos; ● O objetivo das relações internacionais é a busca do equilíbrio de poder; ● O Sistema internacional é visto como anárquico, onde guerra e conflitos são latentes. A corrente liberal, por outro lado, pode ser esquematizada cronologicamente da seguinte forma: ● Locke (idéia de que o homem em estado de natureza é bom), ● Montesquieu (divisão dos poderes e análise filosófica da organização jurídica do Estado), ● Jeremy Bentham (idéia de direito internacional), ● John Stuart Mill (livre comércio), ● Immanuel Kant (ideal de Federação Republicana),● Woodrow Wilson (apresentou um projeto político em relações internacionais, a partir de concepções de corte liberal-idealista), ● Keohane e Nye (neoliberalismo; teoria da interdependência complexa). Por isso, segundo PECEQUILO (2004), os pressupostos gerais dessa corrente, seriam: ● Natureza humana é boa (o homem é pacífico e tende à cooperação); ● O sistema internacional é anárquico, mas regulado por leis e propenso à cooperação e comércio; ● Interdependência econômica, disseminação das democracias e instituições internacionais como fatores que geram a cooperação no meio internacional; ● Filosofia da paz e do progresso; ● Percepção de que a complexificação do sistema internacional faz com que, além dos Estados, as forças transnacionais e as organizações internacionais exerçam influência no sistema internacional (PECEQUILO, 2004, p. 115 - 156). Conclui-se neste sentido, que a preocupação com o fenômeno da guerra e a busca da paz é a temática que deu origem ao estudo das relações internacionais. Trata- se, portanto, de um campo de estudos que produziu uma gama considerável de tratados e reflexões filosóficas sobre o tema. Conforme Fonseca (2008), a percepção de Waltz está ancorada em uma visão realista que objetiva tecer críticas ao institucionalismo liberal (que ganhou força nas décadas de 1970 - 1980), cujo fundamento político filosófico é, de um lado, o liberalismo (Locke, Adam Smith) e, de outro, o institucionalismo em relações internacionais, presente em Kant e no Abade de Saint-Pierre e o projeto da "paz perpétua" através de uma confederação de repúblicas. Nesse sentido, como não poderia deixar de ser, Waltz vai até Rousseau, já que este traçou considerações sobre o campo das relações internacionais a partir de sua leitura das proposições de Saint-Pierre, além de ser um crítico do liberalismo. (...) ao compreender que "a possibilidade de guerra é, então, inerente a um sistema de soberanos", havendo uma "dimensão sistêmica na explicação da origem das guerras", é que Rousseau desacredita na viabilidade da proposta de "transformar, pela razão, o que foi iniciado pela fortuna, criando-se um 'corpo político' com as características de uma confederação de Estados" pois, para Rousseau, "o importante é mostrar que o caminho possível para a paz perpétua deveria ser necessariamente levar em conta as relações de poder". Trata-se de um realismo rousseauniano, que "anuncia uma compreensão estrutural do fenômeno da guerra: os Estado entram em conflito não porque sejam compostos de homens naturalmente agressivos, mas porque, ao serem formados, tornam- se agressivos para se preservar como Estados" (FONSECA 2008, p. 316). Segundo Fonseca (2008), de qualquer forma, a opção por Maquiavel, Hobbes, Rousseau, Locke ou Kant, demonstra que a pluralidade de abordagens no que tange às relações internacionais, ao se ancorar em diferentes matrizes da filosofia política, aponta para a heterogeneidade epistemológica como fator marcante da área de estudos, já que um mesmo fenômeno (seja a guerra/conflito ou a paz/cooperação) pode ser interpretado de formas diversas, dependendo do aporte teórico metodológico escolhido para a análise. 3 A TEORIA DA SOCIEDADE CIVIL INTERNACIONAL Fonte: www.shutterstock.com/178286081 Caro aluno (a) até aqui, eu e você já conhecemos um bom começo sobre o assunto Relações Internacionais, mas ainda há muitas informações e conhecimentos interessantes que irei tratar com você. Neste tópico, vou falar com você sobre a teoria da sociedade civil internacional, vem comigo para conhecer um pouco mais. Segundo os estudos pesquisados pode-se afirmar que “sociedade civil” é um dos conceitos da teoria política clássica mais usados no discurso social e político contemporâneo.Porém, há Inúmeras classificações feitas por vários autores diferentes, desde sua recuperação no período medieval através da tradução da Política de Aristóteles o conceito tem sido reformulado por quase todos os filósofos políticos ocidentais significativos, passando por Hobbes, Locke, Rousseau, Ferguson, Smith, Kant, Hegel, Tocqueville, Marx, Gramsci e, contemporaneamente, Arato & Cohen. Na verdade, se visto de uma perspectiva histórica, notar-se que o conceito de sociedade civil, que para Hobbes, Locke, Rousseau e Ferguson, por exemplo, era sinônimo de Estado – em oposição ao “estado de natureza” que é visto sob três argumentos diferentes acerca da sociedade civil: 1) Família jusnaturalista; 2) Família ligada a Hegel; 3) Família ligada ao associativismo. Segundo Magnoli (2013) o conceito de sociedade civil era visto como sinônimo de Estado, como uma comunidade política enraizada nos princípios da cidadania. E até o século XVIII a preocupação comum dos teóricos como (Hobbes, Locke, Rousseau, Ferguson, Smith, Montesquieu e Hume) por exemplo era a de examinar as condições sob as quais os seres humanos poderiam escapar do Estado de natureza e entrar em uma forma contratual de governo baseada na regra da lei, isto é, em uma sociedade civil. Desta maneira, um componente importante do uso do termo sociedade civil era seu contraste com um estado de natureza imaginário. Ou seja, o termo sociedade civil evidenciaria um novo estágio na evolução do governo e da civilidade humana: “a idéia de um estágio pré-estatal da humanidade inspira-se não tanto na antítese sociedade/Estado quanto na antítese natureza/civilização” (BOBBIO, 1991, p. 27). O primeiro filósofo político moderno a colocar a questão das Origens da sociedade de uma forma sistemática, foi talvez Thomas Hobbes. Pois para ele, era importante estabelecer uma distinção entre o estado de natureza e a sociedade civil a fim de justificar sua defesa do “Leviatã” como expressão da livre associação entre homens racionais.Sendo assim, o próprio Hobbes deixa explícito este ponto quando, no capítulo 17 do “Leviatã”, afirma que o acordo entre os animais é algo natural ao passo que o acordo entre os homens é algo necessariamente artificial e, essa formulação do conceito de sociedade civil dada por Hobbes influenciou muito os teóricos seguintes, como Locke e Rousseau. Mas, observa-se que para estes e outros autores o termo sociedade civil era intimamente relacionado ao termo civilidade, isto é, respeito pela autonomia individual, baseada na segurança e na confiança entre as pessoas (...). (Civilidade) requeria regularidade de comportamento, regras de conduta, respeito pela lei, e controle da violência. Por isso, uma sociedade civil era sinônimo de sociedade cortês, uma sociedade na qual estranhos agem de uma maneira civilizada com relação aos outros, tratando cada um com respeito mútuo, tolerância e confiança, uma sociedade na qual o debate racional e a discussão se tornam possíveis. (KALDOR, 2003, p. 17). De acordo com Bobbio (1991) seria possível notar um processo de racionalização do Estado na teoria política moderna que partiria de um modelo dicotômico que contrapõe o Estado enquanto momento positivo à sociedade pré-estatal ou anti-estatal, como momento negativo. Dentro desse modelo, seria possível distinguir três variantes principais: 1) O Estado como negação radical e, portanto, como eliminação e inversão do Estado de natureza (modelo Hobbes-Rousseau); 2) O Estado como conservação-regulamentação da sociedade natural e, portanto, não mais como alternativa mas como aperfeiçoamento da fase que o precede (modelo Locke-Kant); 3) o Estado como conservação e superação da sociedade pré-estatal. Desta forma, pode-se dizer que o trabalho de Locke e de Rousseau seria uma elaboração da versão hobbesiana de sociedade civil. Sendo assim, entre os pontos comuns, há um ponto crucial que diferencia Hobbes dos outros autores supracitados, que é o papel da propriedade privada no desenvolvimento da sociedade civil. Rousseau afirma que“o primeiro homem que, tendo cercado um pedaço de terra, “(...) dizendo ‘isto é meu’ e encontrando pessoas simples o bastante para acreditar nele, foi o fundador real da sociedade civil” (ROUSSEAU apud COLÁS, 2002, p. 32).” Locke, por sua vez, apresenta uma visão de sociedade civil marcada por ambigüidades com relação ao lugar da propriedade privada na gênese e no desenvolvimento da sociedade civil. Estas diferenças levaram a ver Locke como um teórico político do “individualismo possessivo” (COLÁS, 2002). Na verdade, o relacionamento de Locke com a propriedade privada aponta para outro fato, a saber, a relação deste autor com uma sociedade que começa a ser transformada pelo capitalismo agrário, mudanças estas que se encontram expressas em seu pensamento. É importante destacar que foi precisamente esta transformação social que encorajou a identificação da sociedade civil com a categoria analítica e prática da economia nas décadas seguintes. Segundo Magnoli (2013), por volta do final do século XVIII, a associação da sociedade civil com a sociedade capitalista de mercado foi acompanhada pela emergência da economia política. De maneira mais específica, através dos escritos de Adam Ferguson, Adam Smith e Karl Marx a sociedade civil se tornou intimamente ligada à divisão do trabalho, à produção em massa das commodities e à extensão das relações de propriedade privada características do capitalismo moderno. Conforme Magnoli (2013) em relação Segundo ele, à abordagem da ideia de sociedade civil pelo Iluminismo Escocês – Ferguson e Smith, por exemplo, nota-se um sentido bem particular com relação ao significado de conceitos como história, civilidade e sociedade. Em primeiro lugar, cumpre destacar a crença destes autores na ideia de sociabilidade aperfeiçoamento mas algo novo que, por outro lado, não representa uma negação absoluta da fase precedente. “Foi Locke o primeiro a introduzir a noção de propriedade privada como uma condição para a sociedade civil” (KALDOR, 2003, p. 18). Neste sentido, conforme Magnoli (2013) endossa a idéia de Montesquieu segundo a qual “os homens nascem em sociedade (...)” A questão então deixa de ser a sociabilidade e passa a ser porquê e como as sociedades se diferem no tempo e no espaço. Para responder tais perguntas esses autores adotam uma distinta filosofia da história, vendo assim a história como uma progressão da humanidade através de vários estágios o que diferenciaria as formas prévias de sociedade da sociedade civil moderna. Ou seja, para que fosse possível explicar a sociedade presente, fazia-se necessário examinar sua evolução, imputando assim uma lógica ou dinâmica particular à história. Mas o que acionaria essa lógica ou dinâmica? Para Magnoli (2013), o motor da mudança histórica seria a propriedade: “parece evidente que o progresso é uma questão de propriedade (...) ela é na realidade a principal distinção das nações em estado avançado de arte mecânica” Em resumo seria apenas através do modo de subsistência caracterizado pela propriedade privada, pela divisão do trabalho e pela troca de commodities que as pessoas passariam a viver em uma sociedade civil. Nota-se, assim, que os autores do Iluminismo Escocês identificavam a sociedade civil com a sociedade de mercado capitalista. Para estes autores, somente a divisão do trabalho e a extensão do comércio poderiam gerar estabilidade e prosperidade, características fundamentais da sociedade civil. Ou seja, o Iluminismo Escocês representou o ápice de uma mudança gradual do entendimento político para o entendimento econômico da sociedade civil. Apesar de ser um autor controverso cuja teoria da sociedade civil é um amálgama original de reflexões prévias sobre este tema a partir de fontes tão diversas quanto o republicanismo antigo e a economia política iluminista, Hegel é outro autor relevante para a presente discussão. De acordo com Magnoli (2013), a sociedade civil (bürgerliche Gesellschaft) era constituída por associações, comunidades e corporações que teriam um papel normativo e sociológico fundamental na relação entre os indivíduos e o Estado. Neste sentido, a esfera distinta da sociedade civil – embora de certa forma subordinada ao interesse universal do Estado racional – é reconhecida como tendo uma importante função dentro do projeto de uma Vida Ética. Conforme citado por Magnoli (2013), de maneira mais específica, identificava a sociedade civil como um espaço historicamente concreto de interação social entre indivíduos. Tal interação era condicionada por três elementos: 1. Um “sistema de necessidades” ou de maneira mais ampla, a economia; 2. Uma “administração da justiça” que protege a propriedade como a fonte da liberdade individual; 3. E“a polícia e a corporação” como reguladores das duas esferas precedentes. Portanto, caro aluno (a), observa-se, aqui, a relação de Hegel com seus predecessores: o conceito de “sistema de necessidades” é originado diretamente dos economistas políticos escoceses; Da ênfase hegeliana na idéia de que a sociedade civil é habitada por indivíduos detentores de direitos se remete à formulação lockeana; e a noção de que a sociedade civil é um produto de uma época histórica distinta é compartilhada pelos iluministas. Aqui, Hegel reconhece o papel desempenhado pelas organizações sociais, corporações, associações e comunidades da sociedade civil na mediação do relacionamento político entre o indivíduo e o Estado (COLÁS, 2002). Tal reconhecimento do papel das associações e organizações intermediárias deve necessariamente ser visto dentro do contexto do projeto normativo de Hegel. Pode-se observar que na verdade, um dos propósitos desse autor era o de apresentar uma alternativa política e ética à crescente alienação individual imposta pela sociedade moderna: se por um lado Hegel reconhece as realizações da moralidade moderna – embasada na racionalidade universal e no seu respeito à consciência individual –, por outro crê que a moralidade só faz sentido dentro de uma comunidade, através do envolvimento dos indivíduos na vida pública. Portanto é neste sentido que os elementos associativos da sociedade civil assumem um papel tanto representativo quanto ético: integrando os indivíduos em uma comunidade mais ampla e educando-os nas virtudes da vida cívica. Por isso,é possível identificar duas inovações na teoria da sociedade civil de Hegel: 1. O reconhecimento da importância das associações independentes como componentes fundamentais da sociedade civil que desempenham o papel de mediadoras entre os indivíduos e o Estado – ou seja, em Hegel “a sociedade civil constitui o momento intermediário entre a família e o Estado (...)” (BOBBIO, 1991, p. 30). 2. Devido à importância que dá às dimensões comunais da existência humana, o conceito hegeliano de sociedade civil reconhece a centralidade dos indivíduos conscientes e reflexivos na construção da sociedade civil moderna (COLÁS, 2002, p. 32). Além disso, nota-se também uma inovação em relação às teorizações anteriores na medida em que Hegel chama de sociedade civil aquela que seria a sociedade pré- política, isto é, a fase da sociedade humana que era até então chamada de sociedade natural (BOBBIO, 1991). Em relação, à contribuição de Karl Marx, conforme relatado por Magnoli (2013) para o entendimento da idéia de sociedade civil, nota-se que se trata por um lado de uma resposta à Hegel e por outro de uma interpretação deveras influenciada pelos teóricos políticos do Iluminismo Escocês. Isso fica claro quando consideramos dois elementos básicos da visão de sociedade civil de Marx: a associação desta com a esfera de produção e seu caráter histórico como limiar da modernidade. Marx define a sociedade civil acima de tudo como a arena da luta de classes. Seguindo a formulação hegeliana de sociedade civil como um “sistema de necessidades”,para Marx (1993, p.53) a sociedade civil consiste de massas separadas cuja formação é fortuita e não remonta a uma organização. Essas massas separadas são definidas em relação à esfera produtiva. Desta forma, vê-se que Marx busca destacar como as relações sociais de poder sob a sociedade civil são definidas pela emergência de duas classes antagônicas: burguesia e proletariado, cuja existência “Uma resolução do problema da democracia requer que se encontre um local para a liberdade, para a excelência humana, para a re-emergência da virtude pública, e para a possibilidade de grandeza” remonta a uma organização particular da produção. A sociedade civil de Marx é a bürgerliche Gesellschaft que, especialmente após Hegel e sua interpretação por parte da esquerda hegeliana, passou a significar “sociedade burguesa” no sentido próprio de sociedade de classe. Tal sociedade burguesa tem por sujeito histórico a burguesia, uma classe que completou a sua emancipação política libertando-se dos vínculos do Estado absolutista e contrapondo a este Estado tradicional os direitos do homem e do cidadão que são, na verdade, os direitos que protegem os interesses particulares da classe burguesa (BOBBIO, 1991). Segundo Magnoli (2013) para a sociedade civil seria o momento do desenvolvimento das relações econômicas que precede e determina “em última instância” o momento político. De maneira mais específica, “o Estado, a ordem política, é o elemento subordinado, enquanto a sociedade civil, o reino das relações econômicas, é o elemento decisivo”. Neste ponto é possível identificar uma semelhança e uma condição prévia para a emergência da sociedade civil, que se encontra na separação de uma esfera privada da produção e da troca da arena pública do Estado político. Além disso, esse domínio privado da produção seria caracterizado por uma divisão do trabalho que facilitava a troca de commodities entre indivíduos livres e iguais. A sociedade civil é, para Marx, associada ao reino privado das relações entre indivíduos, ou seja, um espaço social que foi vagarosamente desvinculado tanto do universo afetivo da família quanto do domínio formal do Estado mediante o triunfo das relações capitalistas de produção na Europa: “a sociedade civil abrange todo o intercâmbio material dos indivíduos, no interior de um fase determinada de desenvolvimento das forças produtivas. (...) A sociedade civil, como tal, desenvolve-se apenas com a burguesia” (MARX, 1993, p. 53). Nota-se, assim, que para Marx (1993) o Estado não expressa uma superação da sociedade civil mas sim um reflexo desta. Na verdade, o Estado contém a sociedade civil a fim de conservá-la tal como ela é. (...) A forma de intercâmbio, condicionada pelas forças de produção existentes em todas as fases históricas anteriores e que, por sua vez, as condiciona, é a sociedade civil (grifo do autor); (...) Sendo assim, esta sociedade civil é a verdadeira fonte, o verdadeiro cenário de toda a história, e quão absurda é a concepção histórica anterior que, negligenciando as relações reais, limitava-se às ações altissonantes dos príncipes e dos Estados”. (MARX, 1993, p. 53). Portanto, é possível notar, que há uma variação muito grande no significado do termo “sociedade civil”. Na medida em que mudam os autores, mudam as épocas, mudam os contextos históricos e mudam as perspectivas políticas, o que influencia e enriquece deveras esse conceito tão relevante para a teoria política. Estes são apenas alguns dos autores clássicos que influenciaram e influenciam até os dias de hoje as discussões sobre o conceito de sociedade civil. 4 FUNCIONAMENTO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Fonte: www.shutterstock.com/ 1156923271 Conforme Magnoli (2013), as teorias políticas clássicas concentram seu interesse nas relações internas aos Estados, entre o governante e a sociedade em geral. O estudo das relações internacionais, ou seja, das relações estabelecidas entre os Estados, é muito mais recente e ganhou o estatuto de disciplina acadêmica apenas no século XX. A preocupação com o sistema internacional de Estados foi estimulada pela constituição progressiva de uma economia integrada, de âmbito mundial. As transformações na produção e circulação de mercadorias típicas dos séculos XVIII e XIX — a época da Revolução Industrial — aumentaram a relevância dos estudos de relações internacionais. A própria análise do Estado foi cada vez mais influenciada pelas considerações relacionais, ou seja, pela investigação da posição ocupada e do papel desempenhado por cada Estado no sistema geral e no subsistema particular no qual está inserido. O vasto campo de estudo das relações internacionais não é definido de forma consensual. Diferentes autores encaram de modo divergente — e muitas vezes conflitante — o objeto das relações internacionais. Grosso modo, é possível identificar três tradições divergentes que informam a produção acadêmica de teorias sobre as relações internacionais. A primeira dessas tradições gerou a chamada escola idealista. Oriunda do pensamento iluminista, a escola idealista enfatiza a comunidade de normas, regras e idéias que sustenta o sistema de Estados. Sua fonte é a noção do direito natural que, aplicada ao sistema internacional, implica a definição de justiça como arcabouço das relações entre os Estados. Dessa forma, conforme Magnoli (2013), no pensamento idealista, o uso eventual da força pelos Estados encontra justificativa apenas quando orientado pelo desígnio de eliminar a força do interior do sistema, resguardando a justiça internacional das agressões de agentes que não compartilham as regras consensuais. Sendo assim, os ecos da visão rousseauniana do contrato social ressurgem aqui, em um contexto específico. Os Estados formam uma “comunidade internacional”, assentada sobre um “contrato moral” baseado na noção de justiça. Essa antiga tradição filosófica corporificou-se no mundo anglo-saxão sob a forma de reação moral aos horrores da Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). As doutrinas e políticas formuladas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha no final da guerra e no entre- guerras expressaram a rejeição às práticas estabelecidas da “política da força” e refletiram a vontade de submeter as relações entre os Estados ao império da lei. A escola idealista assenta-se sobre a ideia iluminista da possibilidade de uma sociedade perfeita. Essa meta moral condiciona o caráter francamente reformista dos autores idealistas, que se preocupam em adaptar o sistema internacional às exigências do direito e da justiça. Os célebres “Catorze Pontos” do presidente americano Woodrow Wilson, bem como os princípios fundadores da Liga das Nações, inscrevem-se como exemplos da influência idealista na diplomacia do século XX. Até certo ponto, a “política do apaziguamento” de Chamberlain e Daladier foi facultada por essa corrente de ideias. A segunda tradição informa a escola realista. Sua ênfase não recai numa comunidade ideológica do sistema internacional, mas em seu potencial conflitivo. As raízes dessa corrente de pensamento encontram-se essencialmente em Maquiavel e Hobbes. Maquiavel sublinhou a importância da força na prática política, que não está limitada por constrangimentos morais, e conferiu plena legitimidade aos interesses do soberano. Em seu pensamento, os fins selecionam e condicionam os meios. Hobbes, como Maquiavel, nutria profundo pessimismo em relação à natureza humana. Seus comentários sobre o sistema internacional traçam um paralelo entre as relações estabelecidas pelos Estados e as relações estabelecidas pelas pessoas na ausência de Leviatã. Por essa via, ele realça uma ideia que se tornou a fonte da argumentação básica da escola realista: a ausência de um poder soberano e imperativo nas relações internacionais. Segundo Magnoli (2013) às doutrinas realistas formama mais densa tradição de política externa desde que se configurou o moderno sistema de Estados. Contudo, no plano acadêmico, a escola realista desenvolveu-se como reação aos melancólicos e trágicos fracassos da “política do apaziguamento” conduzida na Europa do entre- guerras. Hans Morgenthau, autor de Politics Among Nations, é considerado o fundador do pensamento realista contemporâneo. Substituindo a meta moral da reforma do sistema internacional pela análise das condições objetivas que determinam o comportamento dos Estados, os pensadores realistas ancoraram sua argumentação nas noções da anarquia inerente ao sistema e da tendência ao equilíbrio de poder como contraponto a essa anarquia. As divergências entre os autores realistas a respeito das condicionantes do comportamento dos Estados originaram a corrente neo-realista, também conhecida como realismo estrutural. Contrariamente a Morgenthau, que se contentou em definir o comportamento dos Estados como ânsia de poder, os neo-realistas preferiram identificar a busca da segurança como causa última da prática política no sistema internacional. Esse enfoque realça a problemática da estrutura do sistema, que define as formas e os graus da insegurança experimentados por cada agente isoladamente. No pós-guerra, o desenvolvimento de uma densa rede de instituições internacionais conduziu uma corrente de autores a rever a noção de anarquia inerente ao sistema internacional. Esses autores, dentre os quais se destacam Robert Keohane, Joseph Nye e Stanley Hoffmann, estabeleceram, no interior do campo realista, uma corrente institucionalista. Os institucionalistas enfatizam a abrangência crescente do direito internacional, corporificado em instituições que balizam a atuação dos Estados. O impacto da existência da rede de instituições internacionais sobre a percepção de segurança e as estratégias estatais, principalmente no cenário europeu, é o tema de investigação dessa corrente. Seu argumento central consiste em destacar a limitação da soberania e a paralela redução da insegurança decorrentes dos compromissos institucionais. A terceira tradição plasmou a chamada escola radical. Suas raízes, mais recentes, ancoram-se no pensamento de Karl Marx e, por isso, a escola radical é também denominada neomarxista. Karl Marx não produziu uma teoria do sistema internacional, mas da História e da revolução social. Ao contrário das tradições citadas anteriormente, seu objeto não é a cooperação ou o conflito entre Estados, mas o conflito entre as classes sociais.O Estado é um elemento marginal no pensamento marxista, e o comportamento dos Estados, quando enfocado, surge apenas como veículo para interesses econômicos, políticos ou ideológicos de outros agentes (classes socioeconômicas e corporações industriais e financeiras, por exemplo). Contudo, principalmente com Lenin, a tradição marxista forjou um pensamento sobre as relações internacionais. O ambiente internacional das últimas décadas do século XIX e início do século XX condicionou a teorização leninista sobre o imperialismo. A expansão neocolonial das potências europeias na Ásia e na África e as políticas semicoloniais dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico, e as do Japão no Extremo Oriente, constituíam o foco das preocupações do russo. Lenin apoiou-se na obra Imperialism, do britânico não-marxista John Hobson, para produzir uma versão marxista: Imperialismo, o estágio superior do capitalismo.Nessa obra, que influenciou duradouramente o pensamento de partidos e organizações de esquerda, o líder revolucionário russo estabelecia interessantes conexões entre a economia política do capitalismo, a luta pela divisão de mercados e o imperialismo neocolonial. Entretanto, o argumento original de Lenin consistia na ligação entre a prática imperialista e a guerra entre potências. O imperialismo abre as portas para a guerra — e, assim, para a revolução social, essa era a mensagem.O arcabouço das teorias neomarxistas sobre o sistema internacional ampara-se na análise das relações de subordinação econômica entre países em estágios desiguais de desenvolvimento industrial e tecnológico. Immanuel Wallerstein, um dos mais importantes pensadores radicais e autor de The capitalist world economy, forneceu as bases conceituais para uma teoria dos sistemas mundiais. O foco dessa teoria está nos padrões de dominação e na rede de relações econômicas entre as sociedades, não na estrutura do sistema internacional de Estados. Ela traça a evolução do sistema capitalista distinguindo áreas centrais e periféricas e procurando as raízes do desenvolvimento e do subdesenvolvimento. Os enfoques da escola radical adquirem especial interesse na abordagem dos fenômenos contemporâneos da globalização: fluxos de capital e mercadorias, mercados financeiros, mundialização das corporações industriais e configuração de blocos econômicos macrorregionais. Do ponto de vista metodológico, as análises neomarxistas contribuem principalmente para lançar luz sobre os agentes do sistema internacional que não são Estados: grupos econômicos e corporações transnacionais, igrejas, instituições privadas multilaterais, organizações sindicais, ambientais e não-governamentais em geral. SAIBA MAIS Termos e Conceitos Importantes Monarquias absolutas Monarquias européias da Idade Moderna, assentadas sobre o princípio do direito divino do rei, que subordina e enquadra a nobreza. O reinado de Luís XIV na França (1643- 1715) representou o apogeu do absolutismo. Reinos medievais Unidades políticas da Idade Média européia, caracterizadas pela fragmentação do poder. Nesses reinos, o poder real diluiu-se, horizontalmente, entre a nobreza feudal e subordinou-se, verticalmente, à Igreja de Roma. Estado territorial Modelo de Estado que emerge na Idade Moderna, com o advento das monarquias absolutas europeias. Caracteriza-se pela constituição de aparatos burocráticos e militares centrais e pela definição das fronteiras políticas. Tribunos da plebe Representantes dos plebeus, os cidadãos que não pertenciam à aristocracia patrícia, no governo da República romana. Modelo jusnaturalista Doutrina segundo a qual existe um direito natural, anterior e superior ao direito positivo estabelecido pelo Estado. Estado-Nação Modelo de Estado que emerge na Idade Contemporânea, com a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Caracteriza-se pelo princípio da soberania popular. Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. P.30. Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. REFLITA “Só há dois tipos de relação sem conflito: as de subordinação e as que não existem.” https://app.saraivadigital.com.br/ Marco Aurélio Garcia. #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro aluno (a) chegamos ao final, da unidade I onde foi possível apresentar a você alguns conceitos importantes referente a este rico assunto Relações Internacionais, onde alguns chamam de RI. Você estudou aqui os primeiros fatos referente a origem das relações internacionais, O pensamento político e o fundamento das relações internacionais Além disso, A teoria da sociedade civil internacional e para finalizar a unidade I, Funcionamento das relações internacionais. As Relações Internacionais surgem como um domínio teórico da Ciência Política no período imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial. Os estudos foram iniciados pelo Royal Institute of International Affairs, fundado em 1920, o pioneirismo no estudo exclusivo às relações internacionais. No mesmo período, a London School of Economics inaugurou um Departamento de Relações Internacionais, que posteriormente seria importante para a construção de teorias da escola inglesa de relações internacionais.Observa-se que historicamente, as políticas de profissionalização do corpo diplomático só foram deflagradas, nos países pioneiros, na segunda metade do século XIX. Antes disso, os diplomatas eram recrutados no círculo restrito das elites que gravitavam nas cortes e nos governos. Naquelas condições, a carreira desenvolvia-se de acordo com regras informais, dependentes, muitas vezes, de laços pessoais ou familiares. A herança dessa época sobrevive em hábitos e atitudes de solidariedade entre diplomatas de diferentes países e numa certa cultura aristocrática que se dissolve, aos poucos, sob o impacto da profissionalização. LIVRO • Título: Relações internacionais. 2 ed. • Autor: Demétrio Magnoli. • Ano: 2013. • Editora: Saraiva. Disponível em https://app.saraivadigital.com.br • Sinopse: Esta é uma obra de introdução ao campo das relações internacionais. O seu foco está direcionado para as escolas de pensamento, as teorias e os conceitos que pretendem oferecer explicações para as políticas dos Estados, nas suas interações com os demais Estados. O seu objeto é o sistema internacional configurado a partir da Idade Moderna. O subtítulo Teoria e História indica uma perspectiva metodológica que deve ser esclarecida. Recentemente, instalou-se uma vertente que aborda as relações internacionais a partir de modelos conceituais baseados na teoria dos jogos — como se o comportamento dos Estados pudesse ser compreendido por intermédio de fatores e variáveis atemporais. Esta obra não compartilha dessa crença. Ela se situa no terreno da tradição da abordagem histórica das relações internacionais. As raízes dos tratados e das guerras, do conflito e da cooperação, devem ser buscadas pela interpretação de tramas de eventos singulares, que participam de contextos econômicos e culturais definidos. Segundo essa perspectiva, os Tratados da Westfália, de 1648, devem ser decifrados na moldura de uma Europa que transitava dos valores universais da Igreja para os interesses particulares dos Estados, assim como o Congresso de Viena, de 1815, deve ser entendido no quadro da reação das monarquias ao expansionismo napoleônico. As teorias das relações internacionais são narrativas históricas. O estudo das relações internacionais inscreve-se na esfera da teoria política e se equilibra na fronteira, muitas vezes imprecisa, entre diferentes campos do conhecimento. A seção de Orientação Bibliográfica, que aparece no final do livro, constitui uma proposta de aprofundamento do estudo e um atestado da dívida que as relações internacionais mantêm com a Filosofia Política, a História, a Geografia Política, a Economia, a Sociologia e o Direito Internacional. FILME/VÍDEO • Título. A Passage to India (Passagem para a Índia, 1984) • Ano: 1.984. • Sinopse: No final dos anos 20 Adela Quested (Judy Davis), uma rica inglesa de ideias liberais, viaja para fora do país pela primeira vez, indo à Índia para encontrar seu noivo. O choque cultural acontece, mas quando tudo parecia facilitar a integração Adela acusa o jovem Dr. Aziz (Victor Banerjee) de tentativa de estupro durante um passeio até as cavernas de Maraba • Link do trailer: https://www.youtube.com/watch?v=1wJiTsARqrE WEB Ministério das Relações Exteriores: http://www.mre.gov.br REFERÊNCIAS HEDLEY, Bull. The anarchical society: a study of world politics. London: The Macmillan Press, 1977 BOBBIO, Norberto. Thomas Hobbes. Rio de Janeiro: Campus, 1991. COLÀS, Alejandro. International civil society. Social movements in world politics. Cambridge: Polity. 2002. FONSECA JR, Gelson. O interesse e a regra: ensaios sobre multilateralismo. São Paulo: Paz e Terra, 2008 LESSA, Mônica Leite; GONÇALVES, da Silva Williams. História das Relações internacionais: teoria e processos / Organizadores, Rio de Janeiro: EdUERJ, 2007. 250 p. – (Coleção Comenius) MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. Lisboa: Edições 70, LDA, 1993. PECEQUILO, Cristina Soreanu. Introdução às Relações Internacionais. Temas, atores e visões. Petrópolis: Editora Vozes, 2004. https://app.saraivadigital.com.br/ UNIDADE II DESTAQUES INTERNACIONAIS Professora Especialista Margarete Campos Vieira Plano de Estudo: ● Principais marcos metodológicos; ● Análise da Teoria das Relações Internacionais; ● Principais autores e suas correntes clássicas; ● Principais correntes e relações brasileiras. Objetivos de Aprendizagem: ● Apresentar os Principais marcos metodológicos; ● Analisar as principais teorias das Relações Internacionais; ● Estudar os principais autores e suas correntes clássicas; ● Estudar as principais correntes e relações brasileiras. INTRODUÇÃO Prezado (a) acadêmico (a) nesta nesta unidade irei apresentar alguns destaques em relação às relações internacionais. É importante sempre lembrar que no final desta unidade você terá também algumas curiosidades e dicas de filmes e livros para complementar seus estudos. Não deixe de apreciar os conteúdos oferecidos aqui. Para iniciar nossos estudos, iremos apresentar os principais marcos metodológicos, marcos estes que foram importantes nos estudos das relações internacionais e você poderá entender melhor a importância deles para os estudos propostos. Após apresentados os principais marcos, irei também apresentar a você e trazer algumas análises sobre as principais teorias das Relações Internacionais. E para aprimorar este estudo, convido você a estudar os principais autores e suas correntes clássicas. Entre estes autores, destacam-se alguns como: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio e Maquiavel, Hobbes e Richelieu, respectivamente. E para finalizar esta unidade irei apresentar algumas estudar as principais correntes e relações brasileiras em relação aos momentos políticos marcantes da época. Portanto, é importante destacar que o pensamento das Relações Internacionais buscou na referências clássicas que explique melhor os fatos. Sendo assim, destacaram- se vários autores em que o poder é o elemento central de suas teorias. Como já estudado na Unidade I, para o realismo do século XX que estava se construindo, diversos conceitos como sobrevivência, poder, estado de natureza, auto interesse era o enfoque dado na leitura desses clássicos. Nas teorias realistas das relações internacionais, que reivindicam um caráter objetivo, empírico e pragmático, o Estado é colocado no centro das discussões, pois se considera que o Estado é o ator principal das relações internacionais. Obrigado por continuar comigo e desejo bons estudos! 1 PRINCIPAIS MARCOS METODOLÓGICOS Fonte: www.shutterstock.com/ 476588971 Prezado (a) acadêmico (a) neste tópico você irá estudar sobre os principais marcos metodológicos que marcam as relações internacionais. Sabe-se que todo método opera uma forma de caminho conhecido para a produção da ciência. Os primeiros registros do conhecimento sobre a natureza e a ciência partem das observações humanas ao longo dos tempos, conforme Castro (2012, p. 271): O método corresponde, nas pesquisas científicas em Relações Internacionais, à determinação de rota factível (dentre as várias trilhas disponíveis ao sujeito e seus interlocutores) para o processo de investigação. Tem duplos sentidos: atender ao próprio pesquisador na análise dos conceitos, na construção formal da pesquisa e no processamento das variáveis no bojo da mecânica da produção acadêmica e revelar, ao público interessado (leitores em geral), os meios utilizados no desenho dos resultados encontrados. Método e conhecimento são aportes de construção para o processo científico. Método e ciência trazem complementaridadese necessitam de mútua correlação sob a égide de constante verificação ou testes. (CASTRO, 2012, p. 271). Por isso, não há como os dois serem separados. Não existe processo nem tampouco cientificidade sem o devido método. A ciência normal, como assim entende Kuhn, são construções metódicas formadas (e reformadas) http://www.shutterstock.com/ Conforme Castro (2012, p. 271) as seguintes reflexões iniciais são de provocação importantes para o estudos das metodologias em relações internacionais: Será mesmo um caminho conhecido ou meramente um caminho apenas (re)conhecido pela comunidade acadêmica? O reconhecimento do caminho já amplamente trilhado anteriormente pelos sistemas de teorias (Popper) é uma forma de inovação nas Relações Internacionais? ao longo do tempo, acarretando, assim, os paradigmas aceitos perante uma comunidade científica. Assim, o método e sua sistematização formal, denominada de metodologia, vislumbram maneiras que possibilitam o avanço da produção científica e a elevação dos padrões de pensamento crítico e reflexivo. (CASTRO, 2012, p. 271). Observa-se que todo método segue uma lógica formal posta e aceita como ponto estruturado de partida e de chegada. Não há dúvidas quanto ao imperativo do ponto de partida; o questionamento reside no caráter e no tipo de lógica formal posta e aceita para tal. Conforme Castro (2012, p. 272) há alguns questionamentos relevantes: Haveria, objetivamente, lógicas formais que melhor atenderiam os ditames complexos das Relações Internacionais? Existem dados confiáveis para refutar os saberes científicos da área internacional? Como se poderiam construir parâmetros lógico-sistêmicos de validação da pesquisa em RI? Muitas dessas perguntas são aqui deixadas pairando no ar, De toda maneira, há uma estruturação racional (cartesiana) crítica inerente ao processo metódico para as ciências e humanas, como também para as ciências chamadas duras ou para as ciências da natureza. Tal construção racional é produto de longo processo histórico no campo da filosofia da ciência, do cognitivismo e da epistemologia.(CASTRO, 2012, p. 272). 1. 1 Do Método Dedutivo Cartesiano Segundo Castro (2012) O processo de organização e elaboração do método passa, necessariamente, pela construção e reconstrução do discurso, tendo sido Descartes1 seu principal articulador. O racionalismo cartesiano é, em grande medida, divisor de águas na filosofia renascentista não somente em razão do cogito (“penso logo existo”), mas, principalmente, pela sistemática estabelecida, por ele, sobre a constante refutação e sobre a dinâmica do questionamento como base da experiência da razão. O 1 DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo, Nova Cultural, 1999. p. 49 - 51. célebre fundador do racionalismo no século XVII recebeu educação formal jesuíta e exerceu expressiva influência em Spinoza e em Leibniz. Segundo o filósofo francês, há quatro etapas na construção racional- epistemológica da lógica formal dedutiva com sua cientificidade, assim expressa em sua obra Discurso do Método: O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal. [...] O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las. O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos meus compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que se procedem naturalmente uns aos outros. E o último, o de efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais tivesse certeza de nada omitir. (DESCARTES, 1999, p. 49 - 51). Para Descartes (1999) a lógica formal do método dedutivo se estrutura na busca por evidência, na análise, na síntese e, por fim, na enumeração, como apresentado acima. O método dedutivo apresenta-se como inferência do geral para o particular de maneira convergente. O método indutivo, por seu turno, defende que os dados particulares, quando evidenciados, geram generalizações mais amplas e válidas. Segundo ele, o método dedutivo, portanto, assevera que, se todas as premissas são verdadeiras, então, por conseguinte, a conclusão deve ser também verdadeira. As informações que fazem parte da conclusão já devem estar presentes nas premissas. No dedutivismo, para que uma determinada conclusão seja falsa, pelo menos uma de suas premissas teriam de ser falsas. Exemplo:Todos os países que são continentais possuem grande estatura de poder internacional. Ora, o Brasil é um país continental, logo, o Brasil tem capital de força-poder-interesse (PI) de expressão internacional” : (LAKATOS, 2000, p. 63) Uma lógica diferente e inversa ao método dedutivo deverá ser posta em prática pelo método indutivo, como veremos a seguir. 1. 2 Do Método Indutivo no Experimentalismo de Bacon Conforme Castro (2012), um dos contemporâneos de Descartes, Francis Bacon, foi considerado como inventor do “método experimental”, tendo substanciais contribuições para o método teórico da indução científica tal qual Galileu Galilei. Enquanto que Descartes propunha a dedução como método para alcançar a cientificidade por meio das refutações e questionamentos constantes, Galileu e Bacon consideram que o meio para atingi-lo era pelo indutivismo (método científico que obtém conclusões gerais a partir de premissas individuais. Isto é, uma forma de levar de forma real o método indutivo é sugerir, com base na observação ocorridas com de acontecimentos da mesma natureza, uma conclusão para todos os objectos ou eventos dessa natureza). Para BACON (1999) a tese de que o método científico experimental deveria ter cinco elementos cardeais conforme lê-se: (...) a experimentação, a formulação de hipóteses, a repetição, o teste das hipóteses e, finalmente, a formulação de generalizações e leis aplicáveis ao mundo real O método dedutivo e indutivo são formas de estruturar as trilhas percorridas pela produção científica na busca de respostas e nas explicações das muitas questões das ciências e, em particular, das Relações Internacionais. Sendo assim, se o processo de reflexão formal e construção metodológica for realizado de maneira imprecisa e imperfeita, os resultados obtidos trarão vieses, gerando, assim, falácias e ambiguidades. A metodologia deve conter, rigorosamente, e aplicar o princípio da coesão e coerência, cotejando com objetividade e subjetividade interpretativa, pois assim será possível articular melhor os saberes internacionais com suas construções multidisciplinares. Sendo assim, o método e o sistema perfazem a essência do saber científico, no qual o sistema representa o aspecto de conteúdo e o método, o aspecto formal.” Desse modo, método, metódica, metodologia e ciência são construções formais e partes integrantes de processo intrínseco, ao saber investigativo, que merecem observações e detalhamentos bem específicos para diferenciar suas esferas de abrangência e fronteiras.(BACON, 1999, p. 37) Segundo Castro (2012), como ciência autônoma e sistematizada, às Relações Internacionais possuem recorte metodológico próprio, mesmo que este seja baseado em fontes diversas do conhecimento humano. Além disso, tem-se advogado o reconhecimento do locus específico das Relações Internacionais, como uma ciência de vertente política. A inter e a transdisciplinaridade são enfatizadas e defendidas como canais válidos de argumentação e investigação das Relações Internacionais. Seu nascedouro acadêmico-disciplinar como ciência humana, social e política – na escala ampliada dedutiva – revela que, de forma crescente, tem havido uma necessidade de reconhecimento de sua autonomia por meio de um arcabouço metodológico próprio. Conforme Castro(2012), Bacon assevera a importância hierárquica do experimentalismo como base da intuição e da cientificidade dos objetos sociais. Observemos suas palavras abaixo: A melhor demonstração é, de longe, a experiência, desde que se atenha rigorosamente ao experimento. Se procurarmos aplicá-la a outros fatos tidos por semelhantes, a não ser que se proceda de forma correta e metódica, é falaciosa. [...] Dessa forma, ocorre que os homens realizam os experimentos levianamente, como em um jogo, variando pouco os experimentos já conhecidos e, se não alcançam os resultados, aborrecem-se e põem de lado os seus desígnios.(BACON, 1999, p. 37 - 97). Bacon (1999) é referência para o indutivismo no processo de experimentalismo científico. Aplicar o indutivismo para as Relações Internacionais é referendar uma determinada estratégia para verificação das variáveis aplicadas ao método. Bacon (1999) reforça a essencialidade da confirmação das premissas para validação das conclusões dos objetos analíticos das Relações Internacionais. Portanto, no indutivismo, se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é, provavelmente, verdadeira, porém, podendo ser ou não totalmente verdadeiras suas premissas estruturantes. A conclusão apresenta uma informação final por meio da inferência que nem sempre está presente nas premissas. Por exemplo, os países em desenvolvimento que foram estudados recentemente possuíam políticas cambiais de desvalorização de sua moeda nacional. Logo, todos os dez países que pertencem ao ASEAN têm práticas de desvalorização cambial. Ora, tais assertivas carecem de profundidade, rigor e maior formalismo de observação e de metodologia no que tange ao processo de verificação e testes da conclusão. 1. 3 O Método Hipotético-dedutivo de Popper Conforme Castro (2012), Karl Popper é crítico veemente do método indutivo por entender que uma construção teórica leva em consideração todo o arcabouço de construção anterior com seus erros e acertos além de entender que a ciência deve sempre ser submetida a testes dedutivos. O experimentalismo dedutivo deve ser orientado pela formulação de um problema que, de maneira objetiva, gerará conjecturas e refutações, acarretando, assim, rejeição ou corroboração (aceitação), por via de testes e verificação. O falseamento também deverá assumir papel importante como erro a ser evitado na elaboração e formulação de novas teorias. O método hipotético-dedutivo oferece meios de construir, metodologicamente, a pesquisa em RI de maneira a traçar o levantamento das variáveis (dependente e independente) por meio da formulação inicial de um problema. A problematização deve ser resultado de eventuais contradições, lacunas e conflitos de expectativas existentes na corrente teórica predominante. Ou seja, quando as principais correntes teóricas não conseguem, devidamente, responder às questões atuais do foco da pesquisa. Uma conjectura é então formatada para responder, tentativamente, ao problema inicialmente posto. A criação de hipóteses, neste ponto, é fundamental para responder à problematização gerada pelo pesquisador. A hipótese deve ser verificada por meio de ferramentas estatísticas a depender dos objetivos delineados no desenho da pesquisa ou também a depender da amostragem.Com isso, testes diversos devem ser realizados pela observação, pela experimentação e pelas análises com vistas à aprovação ou rejeição da pesquisa. Se positiva, então uma nova teoria é formada. 2 ANÁLISE DA TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Fonte: www.shutterstock.com/ 1054169000 Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, você irá estudar a análise da História Diplomática e perceberá que ela revela características distintas e, isso é o que define o objeto e a metodologia usada pelos historiadores nas relações internacionais. Conforme Castro (2012) sabe-se que as relações internacionais têm sido objeto de grande atenção por parte daqueles que se dedicam às Ciências Sociais. Esse interesse começou a se manifestar no início da década de 1990, quando o fim da Guerra Fria deu partida à intensa discussão a respeito do processo de globalização, e confirmou- se desde os ataques terroristas aos alvos norte-americanos, em setembro de 2001. Todos esses acontecimentos despertaram a atenção dos estudiosos das Ciências Sociais, pois contribuíram decisivamente para a consolidação de uma ideia apresentada anteriormente, segundo a qual os Estados haviam se elevado a um grau de interdependência irreversível. http://www.shutterstock.com/ Sendo assim, passou a predominar a ideia de que já não havia mais como diferenciar os processos internos dos externos. Ou seja, inevitavelmente, todas as decisões relativas a questões internas passavam a apresentar efeitos externos, enquanto as decisões relativas a questões externas acabavam produzindo efeitos internos. Por isso caro (a) acadêmico (a), o conhecimento da realidade, em todas as suas dimensões, passou a incluir, necessariamente, o conhecimento das relações internacionais. Segundo Lessa e Gonçalves (2007), o movimento intelectual decorrente dessa nova maneira de perceber as relações internacionais mobilizou não apenas politólogos (especialistas em ciências políticas), economistas e juristas, mas também historiadores. Devido à sua complexidade, o conhecimento dos problemas internacionais contemporâneos requer a análise histórica. Portanto, neste sentido, não basta compreender o funcionamento das instituições e a capacidade de codificação conceitual de certos aspectos da realidade. Mas, para a produção do conhecimento, é indispensável acrescentar a esse trabalho intelectual de interpretação da realidade a articulação dos elementos ao longo do tempo. Somente quando examinados à luz de sua dimensão temporal, os fenômenos sociais, políticos, econômicos e culturais tornam-se cognoscíveis. Essa mobilização em torno dos historiadores para a produção de conhecimento acerca das relações internacionais teve como importante efeito despertar a atenção dos estudiosos para a História das Relações Internacionais. Conforme Lessa e Gonçalves (2007) os estudos históricos, que por tanto tempo ficará relegado a plano secundário, volta a ter posição de destaque. O caráter de urgência que passou a marcar o conhecimento sobre determinadas questões internacionais demonstrou que, sem o concurso da História das Relações Internacionais, os fenômenos do presente revelavam-se incompreensíveis. Por isso, quem se sente motivado a elevar seus conhecimentos referentes à História das Relações Internacionais para participar positivamente do debate sobre as questões internacionais contemporâneas depara-se, no entanto, com a falta de literatura específica. Embora os historiadores estejam permanentemente empenhados em refletir sobre sua prática, procurando reformular teorias, métodos e técnicas de pesquisa, com vistas a produzir um conhecimento da história socialmente útil, a dimensão internacional da história tem sido objeto de preconceitos ou ignorada pelos historiadores. Conforme contexto, ainda assim, muitos têm produzido admiráveis trabalhos de pesquisa, que contribuem significativamente para o conhecimento das questões internacionais. Entretanto, essa prática não tem se traduzido numa explicitação das questões teóricas que envolvem seu trabalho. Por isso, a carência em relação às questões teóricas relativas à História das Relações Internacionais, fixamos como objetivo deste texto elaborar algumas notas introdutórias sobre o assunto. Caro (a) acadêmico (a) para você entender melhor as Relações Internacionais, é importante entender também uma breve história e conceitos da História Diplomática que constitui o protótipo da História institucional. Seu desenvolvimento se deu no século XIX, simultaneamente à consolidação do moderno Estado nacionalna Europa e nas Américas. Segundo, Marc Ferro (1989) referente à História institucional, tem como objetivo justificar e legitimar a existência da instituição, sua organização e seus preceitos. A instituição pode ser o Estado, uma Igreja ou um partido político. Por meio da história do Estado, por exemplo, consagram-se determinadas interpretações de processos políticos considerados decisivos para sua formação, exaltam-se as personalidades heróicas que deram a vida em favor da nação e, enfim, glorifica-se a nacionalidade, distinguindo-a das demais. No caso da História Diplomática, a instituição em causa é o Estado em sua dimensão externa. Assim, privilegia-se a luta travada por ele para proteger a nacionalidade dos inimigos que ameaçam sua soberania. Para o melhor entendimento dessa relação entre história diplomática e Estado nacional, é conveniente definir o significado da palavra diplomacia. Essa palavra é uma derivação do verbo grego diploun, cujo significado é dobrar. Daí o significado original de diploma: peça oficial gravada numa placa dupla de bronze formando um díptico. No tempo do Império Romano, essa placa dobrada era usada como passaporte para as pessoas e salvo-conduto para as viaturas em trânsito pelas rotas imperiais. Mais tarde, o nome do diploma estendeu-se aos documentos oficiais, já não mais metálicos, que conferiam privilégios a seus portadores ou então registravam os acordos realizados com as comunidades estrangeiras. (MARC FERRO, 1989, p. 11) Devido ao acúmulo de grandes quantidades de tratados, os arquivos imperiais ficaram repletos de documentos pequenos, dobrados e redigidos de uma determinada maneira. Para conservar, decifrar e catalogar esses documentos, pessoas especialmente qualificadas passaram a ser empregadas: eram os letrados, que inauguraram assim as profissões de paleógrafo e arquivista. Segundo Harold Nicolson (1948) relata que: (...) até o fim do século XVII essas duas ocupações foram denominadas res diplomática, que designavam tudo aquilo que se relacionava com os arquivos ou com os diplomas. Os diplomas são, portanto, os mais antigos documentos oficiais escritos. Os letrados – aos quais cabia a tarefa de zelar por sua conservação e interpretar corretamente seu conteúdo – eram os funcionários do Estado habilitados a informar às autoridades tudo aquilo considerado necessário a respeito dos outros povos, com vistas a orientar a conduta destas em suas negociações. O grau de conhecimento acerca dos interlocutores e, consequentemente, o êxito nas negociações externas dependiam, em grande medida, da qualidade da res diplomática. (HAROLD NICOLSON, 1948, p. 24). A partir da mesma origem, consolidou-se o significado de diplomacia como “a maneira de conduzir os assuntos exteriores de um sujeito de direito internacional, utilizando meios pacíficos e principalmente a negociação” (PINO, 2001, p. 21). A História Diplomática é a história das relações do Estado com os outros povos, contada com base nos documentos oficiais do Estado (diplomas). Tendo a história brasileira como referência, José Honório Rodrigues apresenta a seguinte definição: A história diplomática investiga e relata a defesa dos direitos nacionais e as relações econômicas, sociais e políticas que se codificaram em tratados e convenções. Compreende o exame das origens e dos resultados de nossas negociações diplomáticas, as reparações pacíficas de afrontas, às aquisições sem guerra de partes de nosso território, as incorporações definitivas à custa de argumentos históricos e geográficos de grandes trechos, objetos de litígio, como as questões das Missões e do Amapá (RODRIGUES, 1978, p. 169). Conforme Lessa e Gonçalves (2007) convém enfatizar que a definição dada por Rodrigues é de uma razão irretocável. Isso porque o autor identifica com precisão “a defesa dos direitos nacionais” como o elemento essencial da História Diplomática, numa demonstração inequívoca de que todo o trabalho de pesquisa do historiador consiste em produzir o relato mais completo e verídico possível das negociações diplomáticas – o que depende do sucesso de seu esforço em decodificar as relações diplomáticas consubstanciadas em tratados e convenções. A História Diplomática ganhou forma no século XIX. Seu início foi praticamente determinado pela Revolução Francesa e suas consequências. Segundo o historiador francês J. Thobie: (...) as mudanças que dela resultaram estimularam as pesquisas e as reflexões, enquanto os Estados aperfeiçoavam o instrumento ministerial necessário para a eficácia de suas políticas exteriores e buscavam os meios de pôr os seus arquivos à disposição dos pesquisadores (J. THOBIE,1986, p. 198). Sendo assim, a reação das monarquias europeias à Revolução Francesa e, logo a seguir, a tentativa de Napoleão Bonaparte de construir um grande império francês na Europa geraram uma crise internacional que durou mais de duas décadas (1792 - 1815). No plano político-ideológico, a Revolução Francesa e o projeto napoleônico levaram o absolutismo ao descrédito, introduziram o princípio das nacionalidades na agenda internacional e criaram condições excepcionalmente favoráveis à independência das colônias ibéricas nas Américas. Segundo Castro (2012), para estabilizar o quadro político europeu e garantir uma paz duradoura, as potências vencedoras reunidas no Congresso de Viena (1815) tomaram uma série de medidas para apagar as profundas marcas produzidas pela intervenção napoleônica. Entre elas, as mais importantes foram: restaurar o poder dos príncipes, proteger a integridade dos Estados multinacionais e conter o processo das independências. Com base nos princípios da legitimidade dos príncipes e do concerto europeu e mediante a formação da Santa Aliança, as potências europeias conseguiram, pelo menos até a década de 1830, alcançar parcialmente seus objetivos. Conforme Castro (2012) A Primeira Guerra Mundial fez aumentar ainda mais o interesse pela História Diplomática, levando-a a atingir seu apogeu. O desenvolvimento e os surpreendentes resultados da guerra determinaram a exigência intelectual de encontrar uma explicação convincente para sua eclosão. A sociedade reclamava o conhecimento das causas daquele desastre que consumiu tantas vidas e deixou enorme destruição material. Competia aos historiadores, portanto, desvendar as razões que levaram a sociedade europeia à perda da ilusão que, durante muito tempo, alimentava a respeito da superioridade de sua civilização. Era o caso de se interrogar sobre a falência da diplomacia europeia, objetivada no colapso de seu sistema de alianças políticas, que romperá tão violentamente o secular equilíbrio das potências. Segundo Castro (2012), no Brasil, a produção de História Diplomática mais importante se deu ao longo da primeira metade do século XX. Os objetos prioritários da produção brasileira eram formados pelas questões de limites, pela Independência e pela República. Como para os historiadores europeus, a questão central para os historiadores brasileiros era a história da formação e da consolidação do Estado brasileiro, no que dizia respeito às suas relações com os demais países. Sendo assim, Castro (2012) escreve que a maioria das obras conhecidas de História Diplomática foram produzidas depois da Primeira Guerra Mundial. Isso se explica pelo impacto que a guerra provocou, resultando simultaneamente numa grande decepção em relação ao Velho Continente – que constituía o paradigma civilizacional das elites brasileiras – e numa necessidade de revelar a verdadeira identidade do Brasil. Além disso, colaborou significativamente para esse interesse pela história diplomática do Brasil a obra executada pelo Barão do Rio Branco, que, por meios exclusivamente pacíficos – negociação direta, compra e arbitragem – solucionou todos os problemas de fronteira do país com as nações vizinhas.Embora os documentos sejam fundamentais para a construção histórica, essa disciplina parte do princípio de que o objeto pesquisado é um dado da realidade que preexiste à ação investigativa do historiador. Cabe a ele a tarefa de retirá-los dos arquivos e estabelecer a correta sequência dos fatos da maneira mais isenta possível. Sendo assim, pode-se dizer que o objeto é a história do Estado em suas relações com os demais países, codificada na forma de instrumentos legais, como tratados, acordos, convenções etc. A metodologia usada é a de examinar os documentos para evidenciar a verdade dos fatos que neles estaria contida. A História das Relações Internacionais é considerada a superação da História Diplomática justamente porque elabora de maneira diferente tanto a definição do objeto como o uso da metodologia de pesquisa. No que diz respeito à definição do objeto, embora a História das Relações Internacionais não negligencie a importância da iniciativa dos Estados, requer a interpretação das influências geográficas, econômicas, culturais e ideológicas que condicionam a ação dos Estados em suas relações externas. Na expressão consagrada por estas são as “forças profundas” que formam o quadro no interior do qual agem os “homens de Estado”. Isto é, são essas forças profundas que dão sentido às decisões tomadas pelos representantes oficiais do Estado nas relações que mantêm com as demais nações e organizações internacionais. Por isso, caro (a) acadêmico (a), o processo de interação da parte do historiador, em primeiro lugar, parte do levantamento de uma hipótese de pesquisa. Depois da pesquisa, elaboração da hipótese que nasce do conhecimento empírico, ou seja, não científico. Ou seja, a partir de seu interesse, estudo, curiosidade intelectual ou vivência relacionada com a questão que o historiador levanta a hipótese que presidirá seu trabalho investigativo. A hipótese, por sua vez, consiste numa afirmação categórica, por isso, ele pode ser destacada por algumas características importantes: ● Não pode ser formulada como uma pergunta. ● A hipótese é um a-priori que a pesquisa confirma ou refuta. ● É a partir de sua formulação que tem início o trabalho científico propriamente dito. ● Isso porque a hipótese orienta o trabalho de seleção da documentação. ● É ela que estabelece o critério de validade dos documentos. ● Por si próprios, todos os documentos são iguais – sua importância ou irrelevância para uma determinada pesquisa depende, portanto, da hipótese com a qual o historiador trabalha. Porém neste estudo caro (a) estudante, pensando na História das Relações Internacionais, o documento tem um significado bastante abrangente. Diferentemente da História Diplomática, que só reconhece como documento de pesquisa os documentos diplomáticos em suas várias formas (memorandos, relatórios, memórias, despachos, tratados etc.), a história das relações internacionais considera documentos de pesquisa todos os registros escritos (jornais, panfletos, livros, cartazes, biografias, cartas etc.) e orais relativos à intervenção dos agentes sociais naquela realidade sob o crivo da análise histórica. Depois de selecionados os documentos, o trabalho do historiador passa a ser o de interrogá-los. O documento nunca contém um único sentido – sua leitura sempre pode possibilitar mais de uma interpretação. É a resposta dada à pergunta formulada pelo historiador que torna o documento peça relevante ou irrelevante para a comprovação da hipótese antes apresentada. Por essa razão, o interrogatório ao qual o historiador submete o documento é decisivo para o resultado da pesquisa. Ou seja, é a pergunta que qualifica a pesquisa, e o que qualifica a pergunta é o aparato teórico-conceitual usado pelo historiador. É o uso correto e criativo dos conceitos que organiza as idéias contidas no interrogatório do pesquisador. Os conceitos são ideias de aparência simples – para que possam ser facilmente manejáveis – que encerram em seu significado conteúdo de realidades amplas e complexas. O uso criterioso e coerente dos conceitos garante a objetividade da pesquisa. Nas palavras de Boaventura de Sousa Santos, destaca-se: (...) a objetividade decorre da aplicação rigorosa e honesta dos métodos de investigação que nos permitem fazer análises que não se reduzem à reprodução antecipada das preferências ideológicas daqueles que as levam a cabo. (SOUSA SANTOS, 2001, p. 31). Sendo assim, a crítica ao procedimento metodológico positivista que é dirigida à História Diplomática constitui, na realidade, parte de um processo bem mais amplo, que resultou em profunda reformulação dos estudos históricos na década de 1950. Talvez fosse até mais correto dizer, em virtude do pouco prestígio que a História Diplomática tinha junto aos críticos, que o movimento teórico de sua ultrapassagem pela História das Relações Internacionais desempenhou um papel puramente marginal na grande renovação dos estudos históricos. Portanto, conforme Castro (2012) foi após a Primeira Guerra Mundial que, na Inglaterra e nos Estados Unidos, se lançou o projeto do estudo sistemático das relações internacionais. Enquanto os historiadores empenharam-se em pesquisar as origens daquele conflito para identificar o país responsável pela sua eclosão, estudiosos da política, estimulados pelo mesmo acontecimento, buscavam elaborar uma teoria que explicasse por que as guerras são recorrentes na história. Estes intencionavam que, num futuro próximo, de posse desse conhecimento, fosse possível a cientistas e estadistas empreender intervenções na realidade internacional para evitar novas guerras. Ao longo da década de 1920, sob a influência do otimismo liberal que caracterizou a intervenção política do presidente norte-americano Woodrow Wilson na Conferência de Paz de Paris (1919), estudiosos europeus e norte-americanos convenceram-se de que a paz mundial dependia, fundamentalmente, da reforma das instituições. ● O respeito ao direito à autodeterminação dos povos, com a conseqüente dissolução dos impérios coloniais; a substituição dos regimes autoritários por regimes democráticos; ● A adoção do livre-comércio e a eliminação das práticas protecionistas; ● A abertura dos mares à livre navegação; o aperfeiçoamento do direito internacional; ● E o acatamento por parte dos Estados dos pactos firmados constituíam as condições de possibilidades básicas para a paz no mundo. Porém, essa visão otimista da evolução das relações internacionais sofreu duro golpe no início da década de 1930. A crise econômica iniciada nos Estados Unidos no final de 1929 logo tomou conta do circuito capitalista internacional. Seus principais efeitos foram: ● A supressão dos regimes democráticos e a emergência de regimes autoritários; ● O colapso do livre-comércio e a fixação da autarquia como objetivo econômico; ● E a prevalência dos nacionalismos agressivos sobre a cooperação internacional. ● Sendo assim, a formação de tal quadro internacional conduziu os Estados europeus à nova guerra mundial, que se iniciou em 1939 e só teve fim em 1945.A eclosão de uma nova guerra, depois de apenas 21 anos de paz, pôs abaixo as esperanças alimentadas ao longo da década de 1920. Uma vez determinada, verificava-se o quanto o mundo havia mudado. A multipolaridade que até 1939 havia caracterizado o sistema internacional deu lugar à bipolaridade, ao mesmo tempo em que a cooperação entre a União Soviética e os Estados Unidos, na luta contra as potências do Eixo, transformou- se em permanente hostilidade a partir de 1947.Este novo contexto internacional confirmava a ideia que se formara no início da década de 1930, segundo a qual o conceito de poder constitui a variável fundamental para a análise das relações internacionais. 3 PRINCIPAIS AUTORES E SUAS CORRENTES CLÁSSICAS Fonte: www.shutterstock.com/639680263Caro (a) acadêmico, após estudar as análises das relações internacionais, você estudará neste tópico alguns autores marcantes da história das Relações Internacionais. A escola realista é a mais antiga e a mais amplamente conhecida das escolas de pensamento em Relações Internacionais. Toda teoria não é fundada em um vácuo histórico. Uma teoria não é um todo vazio disforme e neutro. Uma teoria é revestida discreta ou abertamente de perfurações temporais e socioculturais. Toda teoria não é concebida por meio de um vazio de poder – mesmo que este não esteja vinculado ao pensar científico e ao fazer intelectual. O conjunto de conceitos que alicerça determinada teoria é formatado como produto direto de processo amplo de forças de contribuição com seus respectivos teóricos. Dessa forma, é natural supor que o realismo é objeto na fenomenologia do saber internacional, servido de inspiração causal para os próprios sujeitos no âmbito externo. Cada teoria criada e verificada em Relações Internacionais advém de vários campos do saber humano e adiciona ao amplo capital intelectual formando o arcabouço teórico (epistemologia) das Relações Internacionais, com suas respectivas falhas e virtudes. O campo de batalha pela luta e manutenção do poder ideológico acaba também por invadir as arenas teórico-científicas em várias áreas, em particular, nas Relações Internacionais. Os fundadores do realismo clássico podem ser posicionados em um hexágono: três grandes fundadores no mundo antigo (mundo oriental e greco-romano) e três grandes teóricos no mundo europeu pós-renascimento: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio e Maquiavel, Hobbes e Richelieu, respectivamente. Neste mesmo sentido histórico-linear, é importante ressaltar as ricas contribuições de Tucídides e sua narrativa realista sobre a Guerra de Peloponeso, entre 431 - 404 AC, como corolário do realismo na política internacional. A estratégia militarista e no discurso do clássico Sun Tzu (A Arte da Guerra) constitui elementos norteadores do realismo clássico. Para substanciar a síntese do pensamento do realismo clássico, foi escolhido um de seus principais representantes: Segundo Cardeal Richelieu (1947, apud Castro, 2012, p. 314), observou em suas palavras contidas em seu Testamento Político como ferramenta esclarecedora: “Quem detém o poder geralmente detém o direito nos assuntos do Estado, e quem é fraco terá dificuldade para fugir da culpabilidade na opinião da maioria das pessoas”. (RICHELIEU, 1947. pp. 20 - 25). Conforme Castro (2012) desde a rica herança greco-romana, passando pelo mundo antigo e oriental, houve significativas contribuições para a formação epistêmica das Relações Internacionais. Da queda de Roma, em 476 DC, quando se inicia a Idade Média, até o renascimento em finais do século XV, houve certo hiato bastante espaçado nas contribuições historiográficas e políticas com diretas influências para o pensamento realista clássico em Relações Internacionais, especialmente pelo fato de que o pensamento teológico medieval não permitia que o homem se comportasse como ator protagônico de seu destino e de suas relações humanas. Castro (2012) escreve que os neoclassicismo realista tem seu corte temporal a partir do ano de 1945 quando o liberalismo idealista do período entre-guerras passa por processo de redefinição e relativo declínio no contexto do mainstream intelectual da época. A Liga das Nações mostrou ser organismo internacional com crises internas e incapacidades de articulação da ordem mundial, ocasionando declínio momentâneo do ideário liberal. Em que pese o fato de que Carr tenha escrito sua obra máxima “Vinte Anos de Crise” durante o período de guerras, o neoclassicismo, de cunho realista, terá seu início com a obra maiúscula de Hans Morgenthau: Política Entre as Nações. O mundo pós-guerra inaugura nova forma de compreensão atualizada do realismo clássico dos principais teóricos já explanados no item anterior: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio, Maquiavel, Hobbes e Richelieu. O impacto das novas tecnologias e das novas alianças (emergentes hegemonias EUA - URSS) pós - 1945 é expressivo na forma de pensar e de agir do realismo neoclássico, como iremos detalhar. O mundo pós-guerra inicia o período da era nuclear das Relações Internacionais. As duas bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki revelam para o mundo a força, diante dos impressionantes avanços nas telecomunicações, na medicina, nas ciências aeronáuticas e espaciais. Academicamente, há, nesse contexto, a consolidação da separação da disciplina das Relações Internacionais, com sua autonomia metodológica, de outras áreas, tais como a história e o direito internacional.469 Além disso, o contexto da guerra fria descortina a rivalidade de “soma zero” bipolar que influenciará nas concepções de Morgenthau sobre a amoralidade da política internacional. Morgenthau defende, ademais, que deve haver um fosso entre uma moral para a esfera pública e outra para a privada., conforme Castro (2012). 4 PRINCIPAIS CORRENTES E RELAÇÕES BRASILEIRAS Fonte: https://www.shutterstock.com/ 1926964121 Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, apresento a você alguns dos importantes autores que marcaram a história relações internacionais no Brasil Conforme Lessa e Gonçalves ( 2007) da Regência do príncipe D. João ao fim do Primeiro Reinado Em 1822, ao surgir o Estado nacional no Brasil, as relações externas estabeleciam-se sobre bases bastante tensas e conflituosas, mercê de sua herança histórica europeia e, particularmente, portuguesa. De um ponto de vista estrutural, três linhas de força se inseriram: ● A primeira, a dos eventos ocorridos na passagem do período napoleônico à restauração reacionária do Congresso de Viena; ● A segunda, a da histórica dependência de Portugal em relação à Inglaterra; ● A terceira, a da revolução da independência das colônias ibéricas, especialmente as vizinhas do sul. Segundo Lessa e Gonçalves (2007) Do ponto de vista conjuntural, o Estado nacional nascia no Brasil em crise de inserção econômica nos mercados mundiais, após o breve período de bonança aberto às exportações agrícolas propiciadas pela desorganização temporária da produção de bens tropicais nas colônias européias durante o conflito pan-europeu. Após o rompimento com Portugal, os mercados compradores se retraíram em virtude da recuperação das colônias européias. Sem esperança de que a mineração se recuperasse e ainda à espera de que a cafeicultura pudesse restabelecer o ciclo agroexportador, a jovem nação sofria rude contenção econômica, tendo de arcar com as consequências dos tratados comerciais assinados pelo príncipe regente D. João com a Inglaterra – os quais D. Pedro I renovou durante o processo de reconhecimento da Independência. (LESSA E GONÇALVES, 2007, p. 44). Neste breve contexto, caro (a) aluno (a), observa-se que as dificuldades encontradas para os governos e estados brasileiros foram e são muitas e, você poderá conhecer e estudar sobre elas em materiais sugeridos no final deste material. Agora vamos tratar da primeira república. Primeira República Lessa e Gonçalves (2007) destacam que o advento da república no Brasil causou, de modo imediato, uma mudança de prioridades e perspectivas nas relações externas brasileiras. Como sublimação de certo positivismo, emergiu uma variante nativista, segundo a qual o Império havia instituído o país de costas para os vizinhos americanos. Assim, a república nascia determinada a priorizar as relações com as nações do continente e, em especial, melhorar os laços com os vizinhos, produzindo, de certa maneira, uma descontinuidade nas prioridades do Império abolido. Por isso, os Estados Unidos serviram de espelho para a república nascente, em virtude de seu grau de desenvolvimento e da estabilidade de suas instituições.Pode-se aquilatar a admiração pelos Estados Unidos pela adoção de alguns preceitos da constituição norte-americana na carta magna de 1891 e pela utilização de elementos simbólicos, entre os quais a primeira bandeira republicana, listrada e com estrelas representando os estados. Priorizar as relações com os países do continente implicava dificuldades importantes no começo da república. Enquanto os Estados Unidos permaneciam incontestes no rol das nações americanas merecedoras de especial atenção, sobretudo por força das relações comerciais, as demais tinham poucos laços econômicos com o Brasil, quando não eram concorrentes no mercado internacional. Se os vizinhos platinos mereciam a devida atenção em virtude do peso histórico das relações com o Brasil. (LESSA e GONÇALVES, 2007, p. 60). Sendo assim, caro (a) acadêmico (a), nos cinco primeiros anos republicanos, sob forte influência militar, não foi possível nenhuma formulação de monta devido à instabilidade política, embora tumultuoso tenha sido pleno de problemas internacionais, com vários incidentes provocados pelas revoltas que então ocorreram, Lessa e Gonçalves (2007, p. 61). (...)Isso se deu, por exemplo, durante a Revolta da Armada, iniciada em 1893, que contestava a legitimidade do mandato de Floriano Peixoto e prometia o bombardeio da capital federal. Os comandantes dos navios de guerra estrangeiros ancorados na baía do Rio de Janeiro intervieram. Ameaçavam usar a força para impedir o confronto, alegando proteger os interesses e a integridade dos cidadãos de seus países. A Inglaterra propôs o envio de forças, o que o governo brasileiro não aceitou. Enquanto o Brasil procurava adquirir navios de guerra, a diplomacia brasileira se esforçava para atender às exigências e dar as explicações necessárias aos governos estrangeiros. (LESSA E GONÇALVES, 2007, p. 61). Sendo assim, relata-se que, ao mesmo tempo, no sul ocorria a violenta Revolução Federalista, cujos chefes não se detinham em atravessar a fronteira uruguaia, organizando suas tropas do outro lado. Da mesma forma, a Argentina se inquietou, recusando-se a conceder asilo aos revoltosos da Marinha para não descontentar o governo brasileiro. Por isso, entre outros fatores, a instabilidade do momento provocava crises diplomáticas e falta de confiança do estrangeiro na república recentemente instituída, com pouco a se esperar do cumprimento dos compromissos internacionais e dos propósitos de política externa anunciados pouco depois da Proclamação da República, em 1889. (LESSA E GONÇALVES, 2007). Período de Vargas (1930-1945) Conforme Lessa e Gonçalves (2007) o período de quinze anos de Getúlio Vargas foi dos mais movimentados da história brasileira no que tange às relações externas, refletindo, em larga medida, a sucessão de crises que tomou conta do panorama mundial. Tendo assumido o governo em meio à recessão americana, que tanto afetou o Brasil em sua capacidade de exportar e saldar compromissos, Vargas com sua política externa – procuraria moldar-se de modo mais pragmático e menos “representativo”, feição até então dominante na diplomacia brasileira. Dois meses depois de empossado, Vargas determinou importantes mudanças no Ministério das Relações Exteriores, fazendo com que a diplomacia ficasse mais preparada e atenta aos assuntos econômicos. Portanto, desde o início de seu governo, ele procurou contar com o concurso do ministério em seu projeto de promover a industrialização brasileira, no sentido de torná-la menos dependente da importação de produtos de consumo. (LESSA; GONÇALVES, 2007) Período constitucional (1945-1964) Neste contexto, conforme Lessa e Gonçalves (2007), o fascismo estava fragilizado com o fim da Segunda Guerra Mundial, desse modo, abriu-se uma fase de restauração institucional e otimismo democrático no Brasil, com a expectativa de convivência das forças políticas opostas, em meio às dificuldades de crescimento econômico e às reivindicações sociais. Desse modo, em relação ao plano internacional, emergia um sistema antagônico e bipolarizado: de um lado, o bloco ocidental, liderado pelos Estados Unidos; de outro, o oriental, sob a égide da União Soviética, com suas disputas e conflitos regionais. A esse panorama deu-se o nome de Guerra Fria. As relações internacionais brasileiras nas duas décadas seguintes – e mesmo depois – seriam influenciadas de modo significativo pela interação do quadro interno e externo. Por isso, a estreita aliança entre o Brasil e os Estados Unidos durante a guerra fazia crer ao governo Dutra que o país seria beneficiado em seus interesses de investimento e crescimento econômico. Porém, ao tentar pôr em prática um ambicioso programa de sustentação do desenvolvimento econômico, baseado na implementação de saúde, alimentação, transportes e energia (Plano Salte), Dutra percebeu que não poderia contar com apoio irrestrito. Sendo assim, os Estados Unidos não estavam dispostos a ir além dos investimentos privados, para os quais desejavam tratamento mais flexível na legislação brasileira. Reivindicaram também modificação na política cambial e mais liberdade para a importação de produtos americanos, no que foram atendidos. Isso levou o Brasil a buscar financiamento para compensar os prejuízos. Sem apoio, o Plano Salte malogrou. Do regime militar à redemocratização Conforme Lessa e Gonçalves (2007) O governo Castelo Branco, primeiro do regime militar, reviu completamente a política externa, que passou a ser formulada pela prioridade “segurança e desenvolvimento”. Castelo Branco interpretava o contexto internacional da confrontação bipolar como determinante das relações externas, em todos os aspectos, sendo necessário adaptar-se às circunstâncias, pois uma política externa autônoma para o Brasil seria ilusória: “a preservação da independência pressupõe a aceitação de um certo grau de interdependência” (LESSA E GONÇALVES, 2007, p. 92). Diante disso, Cuba passou a ser percebida como um fator de instabilidade continental e de desgaste com os Estados Unidos, o que levou ao rompimento de relações entre o Brasil e o regime de Fidel Castro, por recomendação do chanceler Vasco Leitão da Cunha. O rompimento foi uma indicação segura da alteração da política externa, que passou de “independente” ao alinhamento automático com Washington. Mais tarde, embora o governo brasileiro tivesse se negado a participar da Guerra do Vietnã, aceitou enviar tropas à República Dominicana, integrando a Força Interamericana de Paz, cuja missão era conter a esquerda naquele país. Isso contrariou a tradicional posição brasileira de não-intervenção e respeito à autodeterminação dos povos. Prezado (a) acadêmico (a) é importante relatar que a história das relações internacionais brasileiras é ampla e rica em detalhes e informações, aqui apresentei a você apenas um breve resumo e alguns dos marcos mais importantes, mas indico no final deste livro algumas referências que você poderá consultar e aprender mais. SAIBA MAIS 5 curiosidades sobre futebol e relações internacionais que você não sabia O futebol e as relações internacionais têm em comum um passado de constantes encontros. Considerado por analistas internacionais como um forte instrumento de diplomacia, em especial a cultural, o futebol vem desde o século passado assumindo importante relevância no cenário internacional. Ao longo da história, Estados e organismos internacionais vêm se apropriando dos esportes como forma de difundir e propagandear suas agendas, com o futebol não é diferente. No âmbito interno aos Estados, o futebol contribui para a consolidação da identidade nacional enquanto que, no âmbito externo, o futebol pode ser usado para projeção internacional, influência política e inclusive ajuda na construção de uma imagem positiva para o exterior. Desta forma, o futeboltornou-se marcante artifício de soft power. E é nesse contexto de Copa do Mundo que apresentamos 5 curiosidades que relacionam o universo do futebol com as relações internacionais para você testar seus conhecimentos sobre o assunto. 1. Vários esportes, incluindo o futebol, foram utilizados pela antiga União Soviética no período da Guerra Fria não apenas como forma de projeção internacional. Através da conquista do maior número possível de títulos internacionais, os esportes em geral foram utilizados como propaganda para demonstrar a superioridade do sistema econômico e o modelo de sociedade comunista frente ao capitalismo. 2. O futebol também foi utilizado pela diplomacia nazista no período da Segunda Guerra Mundial para quebrar seu isolamento internacional. Para colocar em prática essa estratégia foi organizada, em 1935, uma excursão da seleção alemã à Inglaterra para uma histórica partida contra os inventores do esporte. A Inglaterra venceu por 3 a 0, no entanto, a curto prazo a estratégia do regime nazista alemão foi vitoriosa. 3. A Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, teve papel simbólico para os alemães. Ainda vivendo em um país separado pelo Muro de Berlim, a vitória da Alemanha Ocidental sobre a Argentina por 1 a 0 na final, traduziu o sentimento de união nacional que mais tarde, naquele mesmo ano, se concretizaria com a derrubada do muro. A vitória foi comemorada por ambos os lados do muro, ocidental e oriental, e reunificou o coração dos alemães. 4. O Brasil recentemente também lançou mão da diplomacia do futebol como recurso propagandístico. Um dos exemplos de sucesso dessa estratégia se deu no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando, em 2004, realizou o “Jogo da Paz” entre Brasil e Haiti, em Porto Príncipe, capital haitiana. A partida foi uma iniciativa humanitária do próprio presidente Lula como contribuição para o processo de paz do Haiti que sofria com a instabilidade política após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. O jogo teve grande repercussão internacional e foi transmitido para mais de cem países. O Brasil obteve vitória esmagadora de 6 a 0. 5. Em 1969 um jogo das eliminatórias da Copa do Mundo foi o estopim para um conflito armado que envolveu El Salvador e Honduras e ficou conhecido como a Guerra do Futebol. Apesar de as origens do conflito repousarem sobre disputas territoriais desde o século XIX e em casos de xenofobia devido a alta imigração de salvadorenhos para Honduras, o enfrentamento entre os dois países foi deflagrado por causa de atos de provocação e xenofobia que aconteceram nas três partidas que garantiria uma vaga para a Copa do Mundo no ano seguinte. Gostou das curiosidades? Já sabia de alguma? Sabe de outras que não estão nessa lista? Fonte: 3 ONGs brasileiras que você precisa conhecer. Whatsrel, 2021. Disponível em: https://whatsrel.com.br/post/3-ongs-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/. Acesso em 27 de jul. 2021. #SAIBA MAIS# REFLITA “O problema político essencial para o intelectual não é criticar os conteúdos ideológicos que estariam ligados à ciência ou fazer com que sua prática científica seja acompanhada por uma ideologia justa; mas saber se é possível constituir uma nova política da verdade. [...] Não se trata de libertar a verdade de todo sistema de poder – o que seria quimérico na medida em que a própria verdade é poder – mas desvincular o poder da verdade das formas de hegemonia no interior das quais ela funciona no momento.” Michel Foucault, Microfísica do poder. #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado (a) acadêmico (a), chegamos ao fim desta unidade, e até aqui foi possível conhecer os principais destaques internacionais. No tópico 1, você conheceu os principais marcos metodológicos, e ainda conhecer os métodos cartesianos (Descartes), método indutivo (Bacon) e o método dedutivo (Popper). É importante salientar que o método científico refere-se a um aglomerado de regras básicas dos procedimentos que produzem o conhecimento científico, quer um novo conhecimento, quer uma correção (evolução) ou um aumento na área de incidência de conhecimentos anteriormente existentes. Por isso, é importante estudar os principais pesquisadores destacados no tópico 1. No Tópico 2 destaca-se uma análise das teorias das relações internacionais. Neste tópico, você pode perceber a importância destas análises na construção de ideias e entendimento dos fatos ocorridos e as contribuições deles para o estudo das relações internacionais. o conhecimento da realidade, em todas as suas dimensões, passou a incluir, necessariamente, o conhecimento das relações internacionais. Todos os movimentos intelectuais decorrente dessa nova maneira de perceber as relações internacionais mobilizou não apenas especialistas em ciências políticas, economistas e juristas, mas também historiadores. Devido à sua complexidade, o conhecimento dos problemas internacionais contemporâneos requer a análise histórica. Já no tópico 3 destaca-se os principais autores e suas correntes clássicas que contribuíram para as relações internacionais, entre eles, destaca-se: o Cardeal Richelieu. Herança do mundo oriental e greco-romano Herança do mundo ocidental pós- renascentista Tucídides Maquiavel Sun Tzu Hobbes Tito Lívio Richelieu. Já no último tópico, o destaque foi para as principais correntes e relações brasileiras Da Regência do príncipe D. João ao fim do Primeiro Reinado Em 1822, ao surgir o Estado nacional no Brasil ao regime militar à redemocratização governo Castelo Branco entre outros. Espero que esta unidade tenha contribuído para seu aprendizado e aprimoramento conhecendo alguns destaques internacionais. LEITURA COMPLEMENTAR ARTIGO: POLÍTICA INTERNACIONAL, DO PENSAMENTO REALISTA À TEORIA NEORREALISTA: O pensamento teórico de Hans Morgenthau e Kenneth Waltz em perspectiva comparada Paulo Victor Zaneratto Bittencourt1 Resumo: O objetivo do trabalho aqui apresentado é uma breve comparação entre as teorias consideradas realistas de Hans J. Morgenthau e Kenneth N. Waltz. Sabemos que o pensamento de ambos os autores se encontra em debates distintos da disciplina de relações internacionais, sendo a principal obra de Waltz, Theory of international politics, posterior à principal obra de Morgenthau, Politics among nations. Assim, buscaremos, já que ambos os autores são considerados realistas, aproximações e distanciamentos nas obras em questão, visando a melhor compreensão das ideias ditas realistas ao longo daqueles que são convencionalmente chamados debates acadêmicos da disciplina de relações internacionais. Para esse fim, utilizaremos os “seis princípios do realismo político” de Hans Morgenthau como fundamento para sua teoria, e estabeleceremos a comparação da mesma forma com Waltz, para cuja obra o fundamento tomado será o texto Man, the state, and War. O que visamos aqui, portanto, é um foco mais preciso no conjunto da obra dos dois autores, partindo da proposta de apresentarem-se “autores” em vez de “escolas de pensamento”, o que nos permite um detalhamento maior dos argumentos de cada um dos pensadores. Palavras-chave: Balança de poder,sistema internacional,estrutura internacional Fonte: BITTENCOURT, Paulo Victor Zaneratto. Política internacional, do pensamento realista à teoria neorrealista: o pensamento teórico de Hans Morgenthau e Kenneth Waltz em perspectiva comparada. Revista Intratextos, 2017, 8.1: 1 - 22. LIVRO • Título: História das Relações Internacionais: teoria e processos / • Organizadores: Mônica Leite Lessa, Williams da Silva Gonçalves. • Ano: 2007. • Editora: Coleção Comenius. •Sinopse: Os capítulos expressam as diferentes pesquisas realizadas pelos professores do curso de especialização em História das Relações Internacionaisda UERJ, em que se destaca a busca de uma visão brasileira das relações internacionais. Reflete sobre as relações com base no interesse nacional em promover o desenvolvimento, discutindo não só o lugar que o país ocupa na estrutura do sistema internacional, mas também temas como equilíbrio de poder para manutenção da paz mundial, poder bruto e poder brando, interdependência complexa, globalização e estabilidade hegemônica. FILME/VÍDEO • Título: Guerra Fria. • Ano: 2017 • Sinopse: Esse drama polonês conta uma história apaixonada e improvável entre duas pessoas que se encontram em uma época dividida. Durante a Guerra Fria, entre a Polônia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma jovem cantora com histórias e temperamentos distintos vivem um amor impossível em um tempo impossível. Do mesmo diretor de Ida (2013), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o filme foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, onde ganhou o prêmio de melhor diretor. Indicado ao People’s Choice Award no Festival de Toronto. REFERÊNCIAS BACON, Francis. Novum organum – Aforismos sobre a interpretação da natureza e o reino do homem. São Paulo, Nova Cultural, 1999. pp. 37 - 97. CASTRO, Thales. Teoria das relações internacionais. Brasília: FUNAG, 2012. DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo, Nova Cultural, 1999. FERRO, Marc. A história vigiada. São Paulo: Martins Fontes, 1989. HOBIE, Jacques. “Histoire diplomatique”. In BURGUIÈRE, André (org.). Dictionnaire des sciences historiques. Paris: PUF, 1986. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina. Metodologia científica. 3ª. ed. São Paulo, Atlas, 2000. LESSA, Mônica Leite; GONÇALVES, da Silva Williams. História das Relações internacionais: teoria e processos / Organizadores, Rio de Janeiro: EdUERJ, 2007. 250 p. – (Coleção Comenius) NICOLSON, Harold. Diplomatie. Lausana: Éditions de la Baconnière, Neuchatel, 1948. PINO, Ismael Moreno. La diplomacia: aspectos teóricos y prácticos de su ejercicio profesional. México: Fundo de Cultura Econômica, 2001. RODRIGUES, José Honório. Teoria da história do Brasil: introdução metodológica. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1978. RICHELIEU, Cardeal. Testament Politique. Paris: Robert Laffont, 1947. pp. 20-25. SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. São Paulo: Cortez, 2001. UNIDADE III GLOBALISMO Professora Especialista Margarete Campos Vieira Plano de Estudo: ● Globalismo na era moderna; ● O Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio; ● Relações internacionais e meio ambiente; ● Impactos das relações internacionais; ● Principais acordos internacionais brasileiro. Objetivos de Aprendizagem: ● Apresentar conceitos de globalismo na era moderna; ● Estudar o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio; ● Conhecer os conceitos de relações internacionais e meio ambiente; ● Apresentar os impactos das relações internacionais; ● Conhecer os principais acordos internacionais brasileiro. INTRODUÇÃO Caro aluno (a) você sabe o que é o globalismo e sua diferença nos dias atuais? Você sabe quais são as relações e acordos comerciais do Brasil com os outros países? No final desta unidade você terá o aprendizado sobre o globalismo. Para atingir esse objetivo, essa unidade será dividida em cinco seções. A primeira apresentarei a você conceitos de globalismo na era moderna, mas antes você entenderá o que é globalismo, pois ainda é bastante confundido com globalização e você entenderá aqui a diferença entre eles. Na segunda seção você estudará um pouco sobre o Brasil e as relações internacionais voltadas para o comércio. Na terceira seção compreenderemos sobre as relações internacionais e sua relação atual com o meio ambiente, afinal o assunto de sustentabilidade pois além de importante é essencial nas relações internacionais Na quarta seção, o estudo será sobre os impactos das relações internacionais, sabendo que o benefício gerado será o fortalecimento de qualquer instituição de regulação nas relações entre os indivíduos. E por último na quinta seção, o estudo será referente aos principais acordos internacionais no Brasil, como por exemplo, Mercosul, Preferência Tarifária Regional entre países da ALADI etc. Portanto caro (a) acadêmico, é importante destacar aqui, que nesta unidade, trataremos apenas alguns resumos referente ao globalismo, mas também estarei sugerindo vários materiais complementares para que você aprofunde o vosso estudo. Vamos conhecer um pouco mais sobre globalismo? 1 GLOBALISMO NA ERA MODERNA Fonte: www.shutterstock.com/149393420 Prezado (a) aluno (a), para começar este tópico é importante falarmos sobre a conceitualização do globalismo. Muitos confundem o globalismo com a globalização. Conforme BECK (1999) o Globalismo se diferencia da globalização: O Globalismo traz a ideia neoliberal de que o mercado mundial exclui a ação política, restringindo a globalização ao aspecto econômico. O mercado mundial é visto como dominador, distinguindo-se economia de política. As empresas são imperativas (imperialismo da economia) . (BECK, 1999, p. 28). Já a globalização tem uma ideia de um aglomerado das relações sociais que não estão ligadas à política de estado nacional. Assim, a globalização pode ser apresentada como “os processos, em cujo andamento os Estados nacionais vêem a sua soberania, sua identidade, suas redes de comunicação, suas chances de poder e suas orientações sofrerem a interferência cruzada de atores transnacionais.” (BECK, 1999, p. 30). Movimentos mundiais importantes na proteção do meio ambiente são as ONGS ambientalistas como a World Wide Fund Nature (WWF) e o Greenpeace. http://www.shutterstock.com/ Figura 1 - Representação do globalismo Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/globo-terra-cercado-por- maos_4298876.htm#page=1&query=globaliza%C3%A7%C3%A3o&position=4. Acesso em 27 de jul. 2021. Mesmo diante dessas abordagens analisando na prática entende-se que o globalismo é colocado como apolítico, mas tem-se muita política por trás. Além disso, sobre a globalização “não é automático; é na verdade um projeto político praticado, numa constante renovação, por atores transnacionais, instituições e coalizões” (COSTALONGA, 2018, p. 13). Caro (a) acadêmico (a), sabe-se que nos países desenvolvidos a ideologia que proponho chamar de “globalismo” é apenas uma ideologia para uso externo. Esta ideologia, que não deve ser confundida com o fenômeno real da globalização, anuncia o fim do Estado nacional, ou sua perda definitiva de autonomia, e afirma a precedência dos mercados e da “comunidade internacional moderna” sobre interesses nacionais “estreitos” ou “atrasados”. Sendo assim, é uma ideologia de exportação porque o cidadão de um país desenvolvido sabe o quão importante é para ele a autonomia de seu próprio país, não tendo o globalismo consequências práticas no interior desses países. Seus cidadãos não têm dúvida sobre qual seja o dever dos seus governantes, nem estes o que se espera deles. Segundo, Monteoliva et al. (2014) para uso externo, entretanto, o globalismo é muito útil: é um instrumento dos governos dos países ricos, das agências multilaterais, e das empresas multinacionais para tornar os países em desenvolvimento mais dóceis em relação às políticas públicas que recomendam implícita ou explicitamente, e que nem sempre consultem nossos interesses. Para os globalistas são muito diferentes dos internacionalistas. Além de negar a relevância do critério do interesse nacional, acusam todos os que usam esse critério de “nacionalistas”, como se ser nacionalista fosseum defeito, como se não houvesse distinção entre o novo e o velho nacionalismo, como se todo nacionalismo fosse fundamentalista. Os velhos nacionalistas, por sua vez, denunciam todas as reformas orientadas para o mercado – muitas delas necessárias – e qualquer política de estabilização macroeconômica responsável, chamando-as de "reformas neoliberais”. Portanto, o neoliberalismo globalista é usualmente identificado com reformas orientadas para o mercado, enquanto o nacionalismo é definido pela oposição a elas. Esse dualismo é equivocado. A violenta crise dos anos 80 impôs aos países em desenvolvimento a realização de reformas orientadas para o mercado. O estatista ou o velho nacionalista é radicalmente contrário às reformas, o nacionalista moderno, não. As reformas orientadas para o mercado tornaram-se imperativas no Brasil em função do crescimento distorcido do Estado, do protecionismo comercial, e do endividamento externo irresponsável. O ciclo desenvolvimentista, que durou cinqüenta anos na América Latina, promoveu inicialmente a industrialização, mas terminou nos anos 80 em crise fiscal, crise da dívida externa e instabilidade macroeconômica. Depois disto era necessário promover o ajuste fiscal, recuperar o equilíbrio do balanço de pagamentos, estabilizar os preços, abrir as economias excessivamente protegidas, e reformar ou reconstruir o Estado. 2 O BRASIL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS VOLTADAS AO COMÉRCIO Fonte: www.shutterstock.com/180799910 Prezado (a) acadêmico (a), neste tópico iremos abordar sobre como o Brasil está em suas relações internacionais em âmbito mundial voltando-se para o comércio internacional. Assim, vamos resgatar alguns pontos históricos no qual o Brasil se destacou nas relações internacionais. Um ponto que vale destacar antes de iniciarmos esse histórico é de que o Brasil é um país dependente de tecnologia, ou seja, exportamos commodities e importamos produtos de baixa, média e alta tecnologia. Isso se dá por uma diversidade de fatores. Um deles seria o baixo investimento e planejamento de longo prazo para nos tornarmos independentes no âmbito tecnológico. No gráfico 1, é apresentado um comparativo das exportações de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICS) de países desenvolvidos e em desenvolvimento de grande, médio e pequeno porte. http://www.shutterstock.com/ Gráfico 1 – Exportações de Bens TICs (% das exportações totais de bens) nos países selecionados Fonte: Ribeiro (2019, p. 56). Dados retirados do The World Bank. No gráfico conseguimos perceber que o Brasil se enquadra no último colocado até 2016 nas exportações de Tecnologias da Informação e Comunicação junto com a Argentina que por sinal também é considerado um país em desenvolvimento. Vale destacar que no período de 2000 até meados de 2006 o Brasil tinha melhorado nessas exportações. Pode-se dizer que essa exportação é por falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento? Pode ser que sim. Mas, vale lembrar que temos os gastos precisam ser eficientes. Não é só gastando que gerará resultados em uma economia. Vamos analisar o gráfico 2 sobre um comparativo internacional em despesa em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Gráfico 2 – Despesa em pesquisa e desenvolvimento 1996-2016 (% do PIB) dos países selecionados Fonte: Ribeiro (2019, p. 57). Dados retirados do International Monetary Fund, World Economic Outlook. Vale lembrar aqui que “os gastos em Pesquisa e Desenvolvimento em relação ao PIB incluem capital e despesas correntes nos quatro tipos de setores: empresa, governo, ensino superior e privado” (RIBEIRO, 2019, p.57). Observa-se no Gráfico 2 que o Brasil até 2016 tinha um certo nível de estabilidade (1% a 1,5%) no que tange gastos em P & D em relação ao PIB. No cenário atual, devido aos cortes na educação, a pesquisa provavelmente caiu algumas posições. No gráfico conseguimos ver que a China (considerado um país em desenvolvimento assim como o Brasil) teve um investimento em P & D significativo e no âmbito internacional quando se fala de comércio, o país tem se destacado. Quando se fala do comércio internacional e das relações internacionais precisamos olhar para o histórico. Olhando para âmbito mundial, as instituições destinadas ao comércio se destacaram a partir da segunda metade do século XIX: A partir da segunda metade do século XIX, e principalmente, desde o começo do século XX, Estados começaram a formar organizações internacionais dedicadas a temas de interesse comum. Essas organizações, tão variadas em objetivos e alcance como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm em comum o fato de se constituírem como um novo espaço para a diplomacia com implicações políticas importantes para as relações internacionais contemporâneas (RODRIGUES, 2012, p. 53). Um período de bastante destaque do Brasil no que tange relações no comércio internacional foi em 2004, no qual o Brasil foi o maior articulador da expansão dos sócios do Mercosul e da criação da Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN Percebe-se que no âmbito comercial e de acordos políticos/econômicos a construção de blocos se destaca no século XXI (MAGNOLI, 2013, MONTEOLIVA et al., 2014). Na conjuntura de comércio internacional a China se enquadra como principal parceiro comercial do Brasil. O Brasil é o país que mais exporta commodities para a China e a China é um dos países que mais investem no Brasil no âmbito de infraestrutura, tecnologia e eletrônicos. Em 2015 foi criado o "Fundo de Cooperação Brasil-China'' para ampliar a capacidade produtiva e fomentar investimentos em agricultura, energia, infraestrutura, manufaturas e mineração (FIA, 2020). Os Estados Unidos também são considerados um país que mais tem trocas comerciais com o Brasil. O Brasil exporta commodities e produtos semimanufaturados (como ferro, por exemplo) para os Estados Unidos (FIA, 2020). E quais são os produtos que o Brasil mais exporta? Em 1° lugar está a soja com 12% do total das exportações, em 2° lugar está o Petróleo, em 3° lugar o minério de ferro com 10% das exportações (FIA, 2020). E de quais países o Brasil mais importa? Em destaque como já falamos é China e Estados Unidos. Da China importamos muito eletrônicos. Já dos Estados Unidos a importação se concentra em óleos combustíveis e medicamentos. Em terceiro colocado está a Alemanha, no qual importamos muitas peças de veículos (FIA, 2020). E quais são os principais acordos internacionais do Brasil na atualidade? A seguir apresentaremos os três principais. ● União dos países: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS)."O objetivo deste grupo é estabelecer governança internacional de acordo com seus interesses, além de desenvolver cooperação setorial em diferentes áreas” (FIA, 2020, p. 1). ● G-20: com representantes das 19 maiores economias do mundo. Esses representantes fazem parte da área de finanças e líderes dos Bancos Centrais. ● Mercado Comum do Sul (Mercosul): bloco econômico integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Agora que você já conhece a base do panorama de comércio e acordos internacionais, vamos discutir alguns pontos importantes da conjuntura das relações internacionais e do comércio no Brasil. Um ponto em destaque na atualidade é o protecionismo brasileiro, dentre os integrantes do G20 o Brasil é o país com um maior nível de protecionismo. Isso acaba afetando nossas relações internacionais e nosso comércio internacional. Atualmente por falta de diplomacia dos nossos representantes nossas relações internacionais estão com pouca credibilidade. Além disso, o Brasil de 2019 pra cá vem perdendo espaço no Mercosul, está faltando um acordo de tratadode integração comercial “O Mercosul vem perdendo seu intuito principal de criar um mercado de livre comércio entre os países membros e se tornou uma organização fechada” (EXAME, 2018, p. 1). 3 RELAÇÕES INTERNACIONAIS E MEIO AMBIENTE Fonte: https://www.shutterstock.com/ 108794300 Caro acadêmico (a), neste tópico destaca-se as relações internacionais e o meio ambiente. Atualmente esse assunto tem se tornado muito importante. Afinal, precisamos não pensar apenas na produtividade no crescimento econômico de um país, mas em temas de desenvolvimento econômico, ou seja, temas alternativos que são essenciais para nossa sobrevivência e qualidade de vida. Diante disso, neste tópico vamos conhecer algumas medidas no âmbito mundial, mas principalmente iniciativas no Brasil no que tange relações internacionais e meio ambiente. Vamos lá? Sabemos que é primordial que os produtores e empresários precisam ter responsabilidade ambiental. Vale destacar, que os recursos naturais são limitados e assim é preciso mais do que nunca uma movimentação e união global visando a elaboração de metodologias e instrumentos para garantir a sustentabilidade ambiental. Cumpre ressaltar, que o meio ambiente é um valor fundamental para sobrevivência da espécie humana no planeta. Como consequência, o poder público deve planejar suas políticas públicas de forma a compatibilizar o desenvolvimento econômico com o meio ambiente (MAGANHINI, 2007, p. 105). É preciso a união mundial e a troca de conhecimento entre os países para criação de mecanismos de longo prazo visando a garantia do desenvolvimento econômico e da preservação do meio ambiente. Falando sobre o Brasil em 1930 foi tomada a primeira iniciativa no que tange política para o meio ambiente. A política ambiental federal brasileira surgiu “a partir da pressão de organismos internacionais e multilaterais (Banco Mundial, sistema ONU – Organização das Nações Unidas, e movimento ambientalista de ONGs)” (MOURA, 2016, p. 14). Em 1934 criou-se o primeiro código florestal brasileiro (Decreto no 23.793/1934). Em 1937 houve foco na proteção ambiental de áreas importantes e também criação de parques, um deles foi o parque de Atibaia. No período de 1930-1960 o foco era no crescimento econômico não tinha uma atenção no assunto de políticas e acordos ambientais no Brasil (MOURA, 2016, p. 14). Em 1960 um acontecimento importante foi criado o Serviço Florestal Brasileiro. Em 1972 um marco mundial acontece que é a Conferência de Estocolmo estruturada pela Organização das Nações Unidas. O Brasil participou da conferência com a posição de defesa à soberania nacional. Argumentava-se que o crescimento econômico e populacional dos países em desenvolvimento não deveria ser sacrificado e que os países desenvolvidos deveriam pagar pelos esforços para evitar a poluição ambiental – posição que foi endossada pelos países do chamado Terceiro Mundo (MOURA, 2016, p. 15). No período de 1973 até meados da década de 1980 surge a Secretaria Especial do meio ambiente, Sistema Nacional de Meio Ambiente, Conselho Nacional de Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) que é reconhecido mundialmente. Na década de 1990 acontecem mais eventos de relações internacionais destinadas ao meio ambiente. Em 1992 a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD). E também em 1992, é realizado a Eco-92 ou Rio-92. 178 Estados-nação estavam envolvidos nessa conferência (SENADO FEDERAL DO BRASIL, 2012). Em 2002 aconteceu a Rio+20 onde foram discutidos com representantes internacionais e nacionais temas atuais como: energia eólica, biomassa, energia solar, hidrelétricas, etc. No ano de 2005 até meados de 2016 foram criadas várias iniciativas destinadas para o meio ambiente. Entre essas iniciativas estão: Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, Conselho Nacional de Biossegurança, Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável na Aquicultura e da Pesca, entre outras. Diante disso, a relação internacional do Brasil com os outros países é de extrema relevância. Isso porque: “a globalização proporciona a oportunidade para promover o uso eficiente dos recursos e incentivar o desenvolvimento” (OCDE; 2008, p. 9). A cooperação internacional é muito importante principalmente para países em desenvolvimento que é justamente onde o Brasil se enquadra: Os países em desenvolvimento têm a oportunidade de aprender com as experiências dos outros países e, tirando proveito dos novos conhecimentos e tecnologias disponíveis, catapultar-se para padrões de atuação mais eficientes em energia e em recursos, permitindo um desenvolvimento mais “verde”. Os países membros e os não-membros têm de trabalhar em conjunto para uma melhor difusão do conhecimento e das melhores práticas e tecnologias disponíveis, retirando benefícios mútuos de padrões de produção e consumo globalmente mais sustentáveis (OCDE; 2008, p. 10). É preciso que os países em desenvolvimento estejam antenados em medidas de sustentabilidade que estão funcionando nos países em desenvolvimento e adequar essas medidas em âmbito nacional, afinal temos nossas especificidades e particularidades. Para isso, tem-se a necessidade de interação, diplomacia e fluxo de conhecimento por parte dos representantes nacionais (MAGNOLI, 2013, MONTEOLIVA et al., 2014). 4 IMPACTOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Fonte: www.shutterstock.com/ 252456172 Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, o destaque são os impactos que as relações internacionais trazem para sociedade e o países como todo. Sabe-se que como quinto maior país do globo em população e dimensão territorial,15a economia mundial, condições e pretensões de se tornar uma Grande Potência, o Brasil não pode se furtar a ter um papel de destaque nas Relações Internacionais. As relações internacionais no mundo globalizado, cada vez mais, farão parte de nosso dia-a-dia. Mas, pouco significativa frente a suas potencialidades é a atuação brasileira no cenário internacional. Apenas nas últimas décadas do século XX é que começamos a nos fazer mais presentes. Isso coincide com o surgimento e o desenvolvimento dos primeiros cursos de Relações Internacionais no País e com o aumento do interesse nas questões internacionais por parte de diversos setores da nossa sociedade. http://www.shutterstock.com/ Observa-se cada vez mais a necessidade que os brasileiros buscam obter conhecimento de Relações Internacionais. Na Administração Pública, essa necessidade é mais evidente; no Poder Legislativo, é fundamental que aqueles que assessoram os legisladores conheçam as principais linhas da política internacional e da política interna brasileira. Afinal, política interna e política externa estão estreitamente relacionadas às ações de política interna afetam e são afetadas pela política internacional e vice-versa. O Brasil está localizado, com fronteiras com praticamente todos os países sul- americanos e com o Atlântico como principal via para a Europa e a África. Somos uma nação tida como pacífica e respeitadora do direito internacional e com incontestáveis atributos de liderança regional. Finalmente, não devemos desconsiderar nossas maiores riquezas: os recursos naturais e um povo multiétnico, empreendedor. Também os direitos e garantias fundamentais estão intimamente relacionados às experiências vivenciadas pela comunidade das nações ao longo de sua história. Foi graças às Revoluções em países como França, EUA e Rússia, e à difusão desses princípios para além de suas fronteiras, que o mundo foi moldando uma cultura de direitos fundamentais que, hoje, são inquestionáveis em qualquer lugar do planeta! E a violação a esses direitos gera repulsa da comunidade internacional.Relações internacionais e a Constituição Brasileira Sendo assim, é importante destacar aqui as relações internacionais e a Constituição Brasileira, já que pode ser constatada nos dez incisos do art. 4º da Constituição Federal, nossa Lei Maior, ainda no Título I – “Dos Princípios Fundamentais”, que estabelecem os princípios das relações internacionais do Brasil, destaca-se: Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; IV - não-intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. (BRASIL, 1998). O Poder Legislativo e às Relações Internacionais As relações internacionais do Brasil passam efetivamente pelo Poder Legislativo. Em nosso sistema jurídico-político, quaisquer tratados que o Brasil celebre com outras nações ou com organizações internacionais devem necessariamente obter o aval do Congresso Nacional antes de serem ratificados. O art. 49 da Constituição Federal de 1988 é claro ao estabelecer, logo em seus primeiros incisos, as competências exclusivas do Congresso Nacional: Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; II – autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar. (BRASIL, 1988, p. 49). O Senado Federal tem atribuições mais específicas, pois é a Casa Legislativa que avalia e aprova a indicação de nossos embaixadores, autoridades máximas das missões diplomáticas brasileiras, designados para representar o País no Exterior. Também cabe ao Senado autorizar as operações externas de natureza financeira dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Cada Casa Legislativa possui Comissões encarregadas dos temas de relações exteriores e defesa nacional. No Senado Federal, por exemplo, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), composta por 19 membros titulares e 19 suplentes, é competente para tratar das questões que envolvam as relações internacionais do País. A legislação brasileira deixa clara a importância do Poder Legislativo nos destinos das relações internacionais do País. Quanto mais o Brasil busque integrar-se na comunidade das nações e ocupar o seu devido papel de destaque, mais importante se faz o conhecimento, na esfera do Legislativo, dos principais temas de relações internacionais.Destaca-se alguns pontos importantes que impactam as relações internacionais nos anos de 2000, 2005, 2010 e 2014, conforme Almeida (2014) Em 2000 realizou-se a Cúpula do Milênio, na ONU: metas para o desenvolvimento dos países pobres; China faz acordos com os principais países membros da OMC para seu ingresso na organização; Vaticano e comunidades cristãs comemoram o 2º milênio do cristianismo; Acordos de Camp David entre Israel e líderes palestinos, com cessão de território ocupado na Cisjordânia e Gaza: problema de Jerusalém impede o acordo definitivo; Vitória de George W. Bush, candidato republicano à presidência; Carta Social do Mercosul, adotada na reunião de cúpula de Buenos Aires; Já no Brasil organiza de presidentes da América do Sul em Brasília (30/08- 1/09);Vitória do candidato de oposição no México, pondo fim a 70 anos de domínio do PRI; Decidida criação de uma organização para a cooperação na Amazônia (OTCA); Brasil e Portugal comemoram o V Centenário do Descobrimento; Melhoria sensível da situação econômica do país, com pagamento antecipado de empréstimo concedido pelo FMI; Brasil assina o Estatuto de Roma, criando o Tribunal Penal Internacional; Negociado acordo de salvaguardas tecnológicas entre o Brasil e os EUA, para utilização para vôos comerciais da base de lançamento de foguetes de Alcântara: será recusado pelo Congresso, sob alegação de perda de soberania. (ALMEIDA, 2014, p. 32) No ano seguinte, em 2001, ocorreu a Primeira reunião do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, congrega anti-globalizadores de vários países, protestando contra o Fórum Econômico Mundial, de Davos: consigna “um outro mundo é possível, e os movimentos associados as contantes relaçoes de Paz e melhorias vão ocorrendo ate nos dias atuais. Em 2005 Almeida (2014) cita novos fatos: Em 2005 China: Parlamento aprova uso da força contra Taiwan se a ilha optar pela independência; Coréia do Norte anuncia posse de armas nucleares; Israel: aprovada retirada da faixa de Gaza em favor da ANP; eleições dão vitória ao Hamas; Vaticano: morte do papa João Paulo II; eleição do cardeal Ratzinger (Bento XVI); G-8 se encontra na Escócia: atentados terroristas e, Londres; Protocolo de Quioto entra em vigor; ONU: comemorações do 60º aniversário; fracassa processo de reforma da Carta com ampliação do Conselho de Segurança; Conselho de Direitos Humanos substitui a antiga Comissão; Peru e Colômbia concluem acordos de livre-comércio com os EUA, abrindo crise na CAN; Venezuela anuncia sua retirada da CAN e adesão ao Mercosul; Conferência de Cúpula das Américas (Mar del Plata) não aprovada retomada das negociações da Alca; Queda de presidentes na Bolívia e no Equador, por manifestações populares; Argentina: recrudescimento do protecionismo contra produtos brasileiros; Mercosul: decisão política pelo ingresso da Venezuela; Última reunião do Fórum Social Mundial no Brasil, depois da perda da prefeitura de Porto Alegre pelo PT; Diplomacia ativa na busca de apoios para as pretensões brasileiras em organismos internacionais, com muitas viagens presidenciais e visitas a Brasília. (ALMEIDA, 2014, p. 37). Destaca-se que em 2005 o Brasil fracassou em candidaturas próprias para a OMC (Organização Mundial do Comércio) depois em 2006 na copa do mundo na Alemanha onde o Brasil foi desclassificado pela França. Entre outros acontecimentos houve ainda a nacionalização do gás na Bolívia gerando desconforto para o Brasil já que a Petrobras recusa aumento de preços unilaterais e com isso as críticas referente a política externa também aumentam. E em 2010, segundo Almeida (2014) novos acontecimentos e parcerias continuaram como por exemplo: Em 2010 Irã: programa nuclear tem proposta de Brasil e Turquia rejeitada pelo P5+1; novas sanções aplicadas ao país; China: Exposição Universal em Shanghai; Grécia declara insolvência; África do Sul: Espanha vence Copa do Mundo de Futebol; Tsunami no Oceano Pacífico.Terremoto no Haiti vitimou milhares de pessoas, entre elas a brasileira Zilda Arns; Unasul entra em vigor, com secretariado em Quito; Constituída a Celac, que pretende ser uma OEA sem Estados Unidos e Canadá; Chile: direita elege presidente Sebastian Piñera;Chanceler e presidente do Brasil engajam a diplomacia brasileira em negociações tripartites com a diplomacia turca e os dirigentes iranianos numa resolução tentativa dos impasses relativos ao programa nuclear do Irã, objeto de longas e difíceis tratativas entre os cinco membros permanentes do CSNU e a Alemanha (P5+1); presidente Lula viaja a Teheran para, triunfalmente, assinar um acordo de cessão e guarda de urânio do Irã junto à Turquia; acordo foi recusado pelo P5+1; Eleições: PT consegue um terceiro mandato, comeleição da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff; Presidente Lula desrespeita tratado de extradição com a Itália ao não deportar terrorista italiano Cesare Battisti. (ALMEIDA, 2014, p. 42). Até 2014, ocorreram muitos movimentos que marcaram as relações internacionais, entre eles protestos, como por exemplo ocorridos em 2013 onde o governo promete fazer várias reformas e também começa programa de importação de médicos cubanos, sob protestos dos brasileiros;Condenados no processo do Mensalão começam a cumprir penas de prisão; vários dos criminosos políticos são soltos após poucos meses, ao passo que operadores financeiros permanecem presos mais tempo;e Almeida complementa os fatos ocorridos em 2014, conforme segue: Em 2014 Ucrânia: depois da demissão do presidente, Rússia toma a Crimeia e apoia separatistas no leste; Epidemia de ebola na África; Estado Islâmico degola vários reféns ocidentais na Síria; Venezuela: protestos maciços contra a crise econômica; regime mata manifestantes; México muda lei do petróleo; Chile: candidata socialista Michelle Bachelet eleita presidente novamente; Cúpula do Brics realizada em Fortaleza; Copa do Mundo de Futebol no Brasil: Alemanha campeã; bate Brasil por 7x1; Eleições presidenciais: candidato do PSB, Eduardo Gomes, vítima de acidente aéreo; Marina Silva emerge; Reeleição da presidente Dilma: crise econômica e corrupção na estatal Petrobrás dominam debate eleitoral; desequilíbrio das contas públicas e maquiagens contábeis do governo dominam debates no parlamento. (ALMEIDA, 2014, p. 46). Aqui destaquei apenas alguns dos fatos que marcaram as relações internacionais, mas você acadêmico (a) pode observar que os fatos não param, estudar RI é dinâmico e o tempo todo o mundo está mudando, as relações geram conflitos, mas sempre há soluções e parcerias. Em relação a Pandemia do Coronavírus por exemplo, a atuação da Organização Mundial da Saúde (OMS), agência especializada e subordinada às Nações Unidas (ONU), ocorre no sentido de monitorar os dados, orientar os países e organizações e prestar recomendações para que os governos se mobilizam, em uma ação internacional e conjunta, para encontrar meios de frear a curva de contágio e encontrar soluções, inclusive por meio de vacinas.No entanto, cada país tem discricionariedade para determinar as medidas de prevenção e tratamento de seus cidadãos.Por isso,os países têm adotado linhas de condução e procedimentos isolados, com exceção de recentes decisões da União Europeia, ante a consideração da Europa como novo epicentro de propagação do vírus. 5 PRINCIPAIS ACORDOS INTERNACIONAIS BRASILEIROS Fonte: https://www.shutterstock.com/214923151 Prezado (a) acadêmico (a) neste tópico, apresentarei a você os principais acordos internacionais brasileiros referente às relações internacionais. Até aqui, você deve estar buscando identificar os principais acordos brasileiros, então vamos lá. Conforme Almeida (1999), uma tipologia de grande amplitude poderia começar pelos elementos mais genéricos da problemática da periodização e o relacionamento externo do Brasil podem ser vinculadas aos processos que merecem destaque em cada uma das três grandes fases da história do País. Pode-se assim, agrupar as grandes fases do relacionamento externo do País em três grandes categorias analíticas, correspondendo aos seguintes períodos: (a) colonial, isto é, a partir de 1530-1550, aproximadamente (com a implantação do sistema de governo geral do Brasil pela coroa portuguesa, no seguimento da atribuição das primeiras capitanias hereditárias) até os anos 1808-1822, que assistem ao movimento gradual, mas irreversível em direção da independência; (b) independente, a partir daquela última data, até a Revolução de 1930, que assiste, ainda que de maneira algo involuntária, à conclusão do ciclo colonial- exportador da economia brasileira; (c) nacional, que se estende desde então até os nossos dias, com diferentes subperíodos depois de 1930, a começar pelo longo interregno varguista até 1945, sucedido pela existência tormentosa da República “populista” de 1946, por novo interregno autoritário a partir de 1964, este seguido pela fase de redemocratização que se inicia em 1985. (ALMEIDA, 1999, p. 37). Sendo assim,observa-se que uma primeira fase, que corresponde grosso modo aos três séculos da era colonial, a problemática dominante na definição da inserção internacional do País é, obviamente, representada pelo status colonial no contexto da economia mercantilista portuguesa. Nesse longo período parece óbvio, também, que se trata de uma inserção dependente da formação social brasileira no sistema da economia mundial pré-capitalista de então, com uma absorção passiva das alianças internacionais que se desenham no continente europeu (isto é, o fluxo de “relações exteriores” do Brasil refletindo o movimento errático das alianças dinásticas e dos tratados de “amizade e de navegação” concluídos por uma Coroa portuguesa temerosa de seus grandes vizinhos europeus, a Espanha e a França em primeiro lugar). Conforme Almeida (1999) a expansão continental do território brasileiro se faz, nessa conjuntura, seguindo o ritmo das relações interibéricas (a anulação da linha de Tordesilhas pela obra das entradas e bandeiras), mas observando mais adiante a dinâmica própria de uma sociedade em formação e em expansão contínua, nas fronteiras abertas ao invulgar empreendimento dos desbravadores do sertão (bem mais interessados em ouro e índios, está claro, do que em qualquer projeto consciente de “engrandecimento pátrio”. (ALMEIDA,1999, p. 37). Segundo Almeida (1999), no período final da “era colonial”, se observa no Brasil uma lenta estruturação da uma “consciência nacional” apreendendo a Nação independentemente do estreito quadro mental da metrópole tutelar, ao mesmo tempo em que o movimento autonomista se aproveitar politicamente dos impulsos resultantes da grave crise do sistema colonial (acelerado pela “grande desordem” provocada pela hegemonia napoleônica no continente europeu) bem como dos avanços produzidos pela ideologia iluminista em ascensão. O fato é que a era independente, que então tem início, vem introduzir um fator inédito de legitimação externa para a jovem Nação, que emerge como novo Estado autônomo a partir de um processo de transição — nem sempre dotado de plena legitimidade, pois que resultante de um tratado de “aquisição” do reconhecimento pleno da nova situação soberana — entre o antigo poder colonial e as potências da época, a começar pela Grã-Bretanha. Com a figura de founding Father de José Bonifácio começa a sustentação de um projeto próprio de construção nacional face aos interesses de poderes hegemônicos externos, processo em parte perturbado pelos fortes vínculos externos, no caso portugueses e acima de tudo familiares, do primeiro monarca “brasileiro” da dinastia dos Braganças. A abdicação assume características traumáticas, já que coloca em perigo a própria definição da unidade nacional, que seria lograda a partir do regime regencial transitório. Este não teme quanto aos meios mais adequados para obtê-la, ainda que à custa de brutal repressão contra certos movimentos regionais autonomistas, assim como contra insurreições de caráter propriamente social e mesmo étnico. A era independente, já sob o regime republicano, ainda assistiu ao acabamento da obra de delimitação das fronteiras do território pátrio, mas não logrou consolidar uma economia realmente independente, pois que preservada, está, em suas funções básicas de fornecedora de alguns poucos produtos primários a economias mais avançadas. (ALMEIDA, 1999, p. 38). Conforme Almeida (1999) a era nacional, coincidentemente inaugurada numa fase de grave crise da economia mundial, começa a tarefa de afirmação dos interesses externos da Naçãoem face dos desafios políticos de um mundo em transição entre o capitalismo estilo laissez-faire da belle époque e a fase de intenso intervencionismo do Estado na vida econômica, que iria durar até os anos 80 do século XX pelo menos. O regime varguista, tanto em suas fases provisória e “constitucional”, como sob o impacto do fechamento estado-novista, dá a partida ao lento processo de elaboração das condições políticas e institucionais, inclusive externas, para a tarefa de modernização do País. A afirmação dos interesses propriamente nacionais do Brasil, num mundo crescentemente diferenciado entre grandes potências e nações de “segunda classe”, passa pelo projeto auto-assumido da industrialização básica, uma das muitas facetas — com a capacitação tecnológica independente — do interminável processo de prosseguimento da obra incontornável do desenvolvimento. (ALMEIDA, 1999, p. 39). A política externa do Brasil na década de 1920 Segundo Garcia (2006) a Política Externa Brasileira tenha apresentado continuidade em vários aspectos, desde o início da República Velha, a atuação externa brasileira sofreu oscilações decorrentes de opções políticas e preferências diplomáticas elaboradas de acordo com necessidades de cada momento. Segundo Garcia (2006), a década de 1920 foi caracterizada por três eixos de ação da política externa brasileira: os Estados Unidos, a Europa e a América do Sul. A análise da ação externa, nesse período, deve levar em conta: (…) um contexto interno de crise política e institucional, prevalência do modelo agroexportador, dificuldades econômicas, dependência do capital estrangeiro e limitada capacidade estratégico-militar. Convém assinalar que a formulação e a execução da política externa estavam dominadas por pequeno círculo de elite, basicamente atores ligados ao Ministério das Relações Exteriores e a setores do governo federal. (GARCIA, 2006, p. 25). Conforme (Garcia 2006, p 25) “na cultura política oligárquica, a ‘amizade’ pressupunha compromissos e obrigações mútuas entre os membros da comunidade. A amizade entre iguais significava aliança, a amizade entre desiguais, proteção em troca de lealdade.” Enquanto o Brasil interpretava sua relação com os EUA como sendo entre iguais, os norte-americanos não recebiam o que esperavam pela proteção prestada, e esse quadro gerava dissonâncias nas relações entre os dois países, fazendo com que ambos tivessem dificuldades em compreender as ações externas um do outro. As expectativas norte-americanas de lealdade brasileira não se confirmaram, porque a política externa brasileira não se baseava em um “alinhamento automático” com os EUA, na década de 1920. A recusa do Brasil em assinar o Pacto Briand-Kellog – ou Tratado de Paris – e a decisão de não se retirar da Liga das Nações, em um primeiro momento, demonstraram tal assertiva. Quando se refere à Europa, a política externa brasileira tinha como principais preocupações questões comerciais e financeiras. O envolvimento do Brasil em assuntos políticos no Velho Continente buscava dotar o país de prestígio internacional Lutando por um assento permanente no Conselho da Liga das Nações, o Brasil pareceu demonstrar não ter calculado bem seu peso na esfera internacional, à época, e acabou por gerar crise significativa no âmbito da Liga, ao vetar a entrada da Alemanha na organização e, depois, anunciar sua retirada do Conselho e da própria Organização. Ao se tratar da América do Sul, a diplomacia brasileira não se pautou por questões econômicas, uma vez que o comércio exterior do país era feito majoritariamente com os EUA e com a Europa, nos anos de 1920. As principais preocupações do Brasil em relação à sua vizinhança passavam por aspectos estratégicos, militares e políticos. Sentido a necessidade de modernizar e reequipar suas Forças Armadas, o Brasil buscou atuar no cenário internacional de modo a obter legitimidade para seu empreendimento. Tal fato, no entanto, foi responsável por aumentar a rivalidade com a Argentina, gerando tensões entre os dois países. Entre os anos de 1924 e 1929, as missões estrangeiras brasileiras em Montevidéu, Assunção e, principalmente, Buenos Aires foram instrumentos importantes para a política externa de repressão iniciada por Bernardes e continuada por W. Luis. Assim sendo, a questão não foi meramente pessoal, como grande parcela dos autores que escrevem sobre o tema afirma, posto que um dos objetivos declarados pelos insurgentes era a queda do governo de Artur Bernardes. Desde a eclosão do Segundo 5 de Julho, em 1924, o movimento liderado por Isidoro Dias Lopes produziu repercussões nas relações internacionais do Brasil. As primeiras consequências foram notícias divulgadas no exterior a respeito do movimento revolucionário, gerando imagem negativa do país. A imprensa internacional auferia informações diretamente de seus representantes no Brasil ou por troca de dados entre si. O governo federal deu orientação aos postos do Itamaraty para que atuassem no sentido de desmentir notícias referentes aos movimentos rebeldes que fossem consideradas infundadas e mentirosas. Isso ocorreu na Europa e na América do Sul, onde as embaixadas e as legações do Brasil publicaram, por diversas vezes, matérias, notas e cartas com a intenção de reforçar as versões oficiais sobre as agitações no país. A guerra de informações entre o governo federal e as agências estrangeiras foi tão significativa que Artur Bernardes passou a censurar não só as notícias que circulavam internamente, como também as informações que os correspondentes estrangeiros enviaram ao exterior. Ainda assim, as informações levantadas pelas agências norte-americanas eram bem fidedignas aos fatos, e isso pode ser decorrente da provável atuação dos consulados norte-americanos como fontes para a mídia. A reprodução em Buenos Aires de grande parte das notícias publicadas pelos meios norte-americanos é outro indício da qualidade dessas informações. Como a versão oficial era muito diferente das que circulavam nos jornais estrangeiros, houve protestos brasileiros junto às embaixadas desses dois países e repercussões, inclusive, na Europa Em nota ao encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Pacheco justificou suas ponderações, afirmando que “o Governo seria, portanto, ingênuo, se não se defendesse desse noticiário malévolo e corrosivo que semeia a anarquia no País e abala seu crédito no exterior” . O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Pedro de Toledo, tentou alertar Pacheco sobre as más repercussões da censura e dos protestos, mas sem sucesso. Dessa maneira, percebe-se que o uso do aparato burocrático do Itamaraty não ficou restrito à amenizar os efeitos negativos que a Coluna Prestes gerou na imagem internacional do Brasil ou à responder às reclamações internacionais decorrentes dos prejuízos impostos a outras nações. O Governo de Artur Bernardes usou todos os recursos de que dispunha para debelar o movimento subversivo, sendo a rede de postos do Ministério das Relações Exteriores algo importante juntamente com o serviço de inteligência das Forças Armadas e o próprio Ministério da Guerra. O telegrama 1813, enviado pelo Marechal Rondon a Félix Pacheco, demonstra como a cooperação entre esses órgãos do Executivo ocorreu de maneira estreita, vinculando as ações externas do país aos desdobramentos internos. SAIBA MAIS Termos e Conceitos Importantes Pan-americanismo Orientação política e ideológica voltada para a integração geopolítica dos Estados das Américas sob a liderança dos Estados Unidos. O pan-americanismo surgiu como reação ao domínio colonial europeu nas Américas e desenvolveu-se como instrumento da liderança continental de Washington. “Hemisfério Americano” Noção ideológica que traduziu, no plano geopolítico e diplomático, a ideia da cisão histórica entreo Novo Mundo e o Velho Mundo. No interior da orientação do pan- americanismo, o “Hemisfério Americano” é a esfera de influência dos Estados Unidos. Sistema Interamericano Sistema de cooperação diplomática e segurança das Américas, criado por iniciativa dos Estados Unidos a partir de 1889. O Sistema Interamericano institucionalizou-se na OEA. Economia agroexportadora Modelo econômico de países pré-industriais que, no quadro da divisão internacional do trabalho, se especializam na exportação de produtos agrícolas. Pensamento cepalino Teoria do desenvolvimento elaborada no quadro da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), nos anos 1950 e 1960, que sustentava uma plataforma política de industrialização autônoma. Substituição de importações Política econômica voltada para a industrialização nacional. A política de substituição de importações, preconizada pelo pensamento cepalino, organizou-se em torno de estratégias de proteção do mercado interno e estímulo à implantação de indústrias modernas. Regionalismo aberto Método de integração econômica supranacional que prevê a progressiva ampliação horizontal do bloco econômico. O Mercosul adotou, desde a sua origem, o método do regionalismo aberto. Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. P.346 Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. #SAIBA MAIS# REFLITA “O indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. E não poderá sabê-la sem ir à escola, começando por observar a matéria bruta que está lá representada.” Fonte: Émile Durkheim (David Émile Durkheim – sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo francês do século XIX). #REFLITA# https://www.proenem.com.br/enem/ CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro (a) acadêmico, chegamos ao final da unidade III, e ai, você gostou? Espero que tenha conhecido um pouco mais sobre o globalismo e tudo que a ele envolve. Mas no final desta unidade, quero destacar alguns pontos relevantes tratados aqui. Na primeira seção apresentei o conceito de globalismo e que este conceito vem com a ideia de neoliberalismo, ou seja, total confiança no mercado. Atualmente esse conceito tem mudado. De todo modo, o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e com uma gama muito variada de autores, defensores e críticas, de forma que existem muitas linhas de pensamento a favor e contra essa forma de se observar a dinâmica da globalização. Na segunda seção vimos no contexto internacional como que o Brasil se enquadra. Neste tópico, percebemos que o Brasil tem uma pauta exportadora baseada em commodities e que importamos produtos de baixa, média e alta tecnologia. Além disso, vimos os principais países que o Brasil comercializa. Em destaque estão os Estados Unidos e a China. Vimos também os principais acordos comerciais do Brasil e discutimos essas relações e acordos no cenário atual. No terceiro tópico conferimos as principais iniciativas das relações internacionais e meio ambiente olhando mais para o Brasil. Vimos que em 1992 aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD) que reuniu uma diversidade de países, neste mesmo ano aconteceu o Rio- 92, onde 178 Estados-nação estavam envolvidos, em 2002 acontece a Rio+20 onde foram discutidos com representantes internacionais e nacionais temas atuais, ou seja, foram medidas importantes para aprendizado sobre o planejamento sobre meio ambiente no Brasil. Percebemos que o Brasil precisa muito da troca de conhecimento com países em desenvolvimento em busca de instrumentos e metodologias para a sustentabilidade nacional visando o longo prazo. E no quarto tópico, o estudo foi com foco nos impactos das relações internacionais. Destaca-se que os impactos são importantes para o fortalecimento de qualquer instituição de regulação nas relações entre os indivíduos. E por último no tópico 5 relatamos sobre os principais acordos internacionais que são decorrentes do fortalecimentos das relações internacionais, e neste tópico, destacamos alguns acordos. Portanto, caro (a) acadêmico, agradeço sua participação até aqui, espero que continue conosco e tenha ótimos estudos. LEITURA COMPLEMENTAR Cronologia das Relações Internacionais do Brasil Nesta Cronologia das Relações Internacionais do Brasil estão compilados os principais fatos que marcaram a história das relações internacionais do Brasil, desde a época dos descobrimentos até os dias de hoje, complementados pelos eventos mais importantes ocorridos tanto no plano interno quanto no cenário mundial. Dado o seu enorme sucesso entre o público leitor, além de ser atualizada até o ano de 2016, esta terceira edição foi totalmente revista e ampliada para incluir novas informações, cobrir lacunas e aperfeiçoar o tratamento de inúmeras entradas em praticamente todos os anos cobertos pela cronologia. De grande interesse para estudantes, pesquisadores e professores das áreas de relações internacionais, história e diplomacia, trata-se de uma fonte indispensável de estudo para provas e concursos é uma ferramenta útil de pesquisa tanto para quem está iniciando seu contato com a matéria quanto para aqueles que desejam consolidar seu conhecimento ou tirar dúvidas sobre questões pontuais. Assim como o livro Diplomacia Brasileira e Política Externa – Documentos Históricos, também editado pela Contraponto, o leitor interessado no tema tem à sua disposição um dos mais completos materiais de referência sobre a história da política externa brasileira. Fonte: GARCIA, Eugênio Vargas. Cronologia das relações internacionais do Brasil. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005. LIVRO • Título: Introdução ao estudo das relações internacionais. • Autores: Antonio Carlos Lessa; Henrique Altemani de Oliveira; Thiago Gehre; Virgílio Arraes. • Ano: 2013. • Editora: Saraiva. • Sinopse: Com o objetivo de apresentar aos alunos de graduação os alicerces teóricos, conceituais e metodológicos que sustentam a ciência das Relações Internacionais (RI), este primeiro volume da coleção traz, de forma clara e bastante didática, seus aspectos identitários, destacando as origem do pensamento teórico e as ideias fundamentais das principais instituições que caracterizam a vida internacional. A obra proporciona uma visão geral desse campo de estudo, mostrando a pluralidade científica das RI, explorando suas bases intelectuais, os principais debates teóricos e apresenta os grandes pensadores da área, estimulando a curiosidade científica para que o leitor vá além, realizando pesquisas sobre temas, assuntos e personagens particulares. Coleção Temas Essenciais em RI A proposta desta coleção é a publicação de livros com foco no ensino de Relações Internacionais, englobando todas as disciplinas relevantes na formação básica oferecida pelos cursos de graduação da área de RI, e com aplicações em outras áreas, como Ciências Sociais, História, Economia, Direito e Geografia. Escritos em linguagem direta e acessível, a Coleção Temas Essenciais de RI é desenvolvida por professores vinculados ao Curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, o mais tradicional programa de formação na área. FILME/VÍDEO • Título: Brexit. • Ano: 2019. • Sinopse: O filme foca na ação do responsável pela campanha para saída da Grã- Bretanha da União Europeia, Dominic Cummings. A narrativa mostra as estratégias de comunicação, o uso das redes sociais e as ações para convencer os eleitores britânicos favoráveis ao Brexit. O filme conduz uma importantediscussão sobre o papel das mídias sociais e o impacto nos processos democráticos que atinge diversos países. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Paulo Roberto de. Brasileiros na Guerra Civil Espanhola, 1936-1939: combatentes brasileiros na luta contra o fascismo, Revista de Sociologia e Política, Curitiba: UFPR (4/12), 35 - 66, 1999. ALMEIDA, Paulo Roberto de. Política internacional, contexto regional e diplomacia brasileira, acompanhada de listagem seletiva da produção acadêmica em relações internacionais e em política externa do Brasil, de 1954 a 2014. Academia EDU, 2014. Disponível em: https://www.academia.edu/38611415/Pol%C3%ADtica_internacional_contexto_regional _e_diplomacia_brasileira_acompanhada_de_listagem_seletiva_da_produ%C3%A7%C 3%A3o_acad%C3%AAmica_em_rela%C3%A7%C3%B5es_internacionais_e_em_pol% C3%ADtica_externa_do_Brasil_de_1954_a_2014. Acesso em: 21 set. 2021. BECK, Ulrich. O que é Globalização? equívocos do globalismo: respostas à globalização. 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Objetivos de Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar temas de análises das relações internacionais contemporâneas; ● Compreender os tipos de Integração econômica: acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais; ● Estudar e compreender as ameaças e oportunidades empresariais ● Estabelecer a importância dos acordos comerciais e as cadeias globais de valor. INTRODUÇÃO Caro aluno (a) no final desta unidade você terá o aprendizado sobre o Brasil e as relações internacionais. Para atingir esse objetivo, essa unidade será dividida em quatro seções. A primeira terá algumas abordagens e temas sobre as relações contemporâneas da atualidade. Na segunda seção aprenderemos sobre a integração econômica, veremos sobre os acordos multilaterais e acordos regionais e plurilaterais. Na terceira seção compreenderemos sobre as ameaças e oportunidades empresariais, por fim, na última seção entenderemos sobre os acordos comerciais e as cadeias globais de valor, que é um assunto de extrema relevância do século XXI. Todas essas seções terão uma análise partindo do geral para o específico, ou seja, falaremos de mundo, mas nosso foco será entender sobre o Brasil e as relações internacionais. Vamos lá? 1 TEMAS E ANÁLISE DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS CONTEMPORÂNEAS Fonte: www.shutterstock.com/ 255229027 Você sabe como estava o cenário pós Segunda Guerra Mundial? Estados Unidos e União Soviética foram considerados os países vencedores, com pensamento político-econômico totalmente diferentes: o capitalismo e o comunismo. Diante dessa diferença, houve tensões entre essas duas potências e assim houve uma guerra fria (ALMEIDA, 2006). Aproveitando-se do contexto pós-guerra, os Estados Unidos iniciaram com uma medida de relação internacional com a Europa. Sabemos bem que o interesse dos EUA estava além da reconstrução europeia, eles também visavam o revigoramento do capitalismo, não dando espaço para a Rússia (ALMEIDA, 2006). O elemento singular mais relevante para a mudança de padrões nas relações internacionais contemporâneas, nas duas últimas décadas do século XX, foi o fim do socialismo enquanto pólo articulador de um sistema sócio-econômico concorrente ao domínio tradicional ldo liberal capitalismo. Essa dissolução de um sistema — cujas estruturas de comando e dominação tinham sido até então consideradas como dotadas de uma certa rigidez — foi de certa forma inesperada, pois que ocorrida num momento no qual o socialismo de tipo soviético buscava, precisamente, reformar-se e adaptar-se às novas condições da revolução tecnológica em curso, caracterizada pela microeletrônica e suas aplicações às telecomunicações. A derrocada do socialismo que, para todos os efeitos práticos, confunde-se com o desaparecimento da própria União Soviética, foi fundamental para a superação substantiva do período conhecido como Guerra Fria e para a transição da bipolaridade para uma nova situação de equilíbrio e convivência entre grandes potências, cujos contornos não estão ainda bem definidos em termos de relações internacionais (ALMEIDA, 2006, p. 12). Essa medida financeira e de reconstrução financeira ficou conhecida como Plano Marshall. Com a reconstrução da Europa, EUA aumenta seus laços no comércio internacional e se destaca mundialmente. Nos EUA (pós crise de 1929) welfare state se destaca, visando questões mais humanistas e com maior defesa do intervencionismo estatal. E com isso, acaba surgindo modelos similares em todo mundo. Figura 1 - Estados Unidos Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/vetores-gratis/estilo-grunge-fundo-da-bandeira- americana_893044.htm#page=1&query=estados%20unidos&position=1. Acesso em: 27 jul. 2021. O modelo de Bem-Estar Social também foi introduzido no Brasil na década de 1930. Nesse períodoa sociedade passava para uma fase mais industrial (ainda atrasado comparado a outros países). Vale destacar que, nas décadas de 1950 e 1960 vieram à tona do Brasil temas ligados ao desenvolvimento econômico por meio da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). Essas linhas de pensadores visavam criar um modelo de desenvolvimento industrial autônomo para os países da América Latina. https://br.freepik.com/vetores-gratis/estilo-grunge-fundo-da-bandeira-americana_893044.htm#page=1&query=estados%20unidos&position=1 https://br.freepik.com/vetores-gratis/estilo-grunge-fundo-da-bandeira-americana_893044.htm#page=1&query=estados%20unidos&position=1 Com a crise do Petróleo, houve um esgotamento do Estado de Bem-Estar Social, isso porque o nível de desemprego e a inflação não estavam sendo resolvidas. E assim, a capacidade financeira dos governos em conseguir atender as necessidades da população e realizar investimentos estava sendo questionada. Os países em desenvolvimento (Brasil se enquadra nesse modelo) foram os que mais sofreram nesse período. A crise de 1980 gerou altas taxas de desemprego e alta inflação (ALMEIDA, 2006). Em meados dos anos 90, as esperanças depositadas numa nova fase de crescimento rápido no bojo da globalização – na qual se destacaram as economias emergentes da Ásia oriental – se desfizeram nas grandes crises financeiras e cambiais da segunda metade da década, englobando sucessivamente vários países asiáticos, a Rússia e o próprio Brasil (ALMEIDA, 2006, p. 19). Os países em desenvolvimento pegavam empréstimos do exterior para investir em sua industrialização e na tentativa de investir para sair da crise econômica. Podemos analisar este ponto na tabela: crescimento da dívida externa da América Latina. O Brasil aumentou consideravelmente sua dívida externa do ano de 1977 para 1987. Tabela 1 - Crescimento da Dívida Externa da América Latina (Dívida Total em % do PIB) Países 1977 1982 1987 Argentina 10 31 62 Brasil 13 20 29 Chile 28 23 89 Guiana 100 158 353 Honduras 29 53 71 Jamaica 31 69 139 México 25 32 59 Venezuela 10 16 52 Fonte: Adaptado de Paul Kennedy, Preparing For the Twentieth-First Century, 1993, p. 205 Como vimos na tabela e na discussão do parágrafo acima o Brasil acabou tendo altas dívidas e tendo um capitalismo tardio em relação a outros países desenvolvidos. Com a falta de investimento em setores essenciais também tivemos impactos na educação, saúde, infraestrutura, inovação, etc. Analisando em contexto de comércio internacional, nos enquadramos em um modelo agroexportador, ou seja, importamos bens manufaturados e produtos de baixa, média e alta tecnologia e exportamos commodities. Somos dependentes dos países desenvolvidos. Um ponto em destaque falando de política externa é a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). E o que foi a ALCA? É uma definição histórica e estrutural das relações do Brasil com os Estados Unidos e da inserção brasileira no sistema internacional de Estados. A hipotética recusa brasileira à Alca equivaleria a uma profunda ruptura na parceria entre Brasil e Estados Unidos, que funcionou como alicerce da política externa brasileira ao longo do século XX. Além disso, provavelmente isolaria o Brasil, ou, no máximo, o Mercosul, no “Hemisfério Americano”. O principal benefício da Alca reside num acesso mais amplo ao enorme mercado consumidor dos Estados Unidos. Mas esse benefício tem significados diferenciados para as economias latino-americanas. As economias pouco industrializadas, cujas exportações se concentram em commodities minerais e agrícolas, usufruiriam de vantagens palpáveis e desvantagens marginais. Porém, economias industriais como a brasileira e a argentina seriam expostas diretamente à concorrência das poderosas corporações transnacionais dos Estados Unidos (MAGNOLI, 2013, p. 344). A ALCA foi relevante para a interação do Brasil com os países e para a influência do país nas tomadas de decisões com instituições financeiras e de segurança relevantes como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Organização dos Estados Americanos (OEA). Figura 2 - Acordos comerciais Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-premium/empresarios-apertando-as-maos- negociacoes-comerciais-conceitos-de-conexao- acordos_4160349.htm#page=1&query=acordos%20comerciais%20&position=5. Acesso em 27 de jul. 2021. Pode-se dizer então, que com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA se instaurou como a força internacional com capacidade dominante (político, econômico, social ou cultural) até hoje, principalmente com o Brasil (MAGNOLI, 2013). https://br.freepik.com/fotos-premium/empresarios-apertando-as-maos-negociacoes-comerciais-conceitos-de-conexao-acordos_4160349.htm#page=1&query=acordos%20comerciais%20&position=5 https://br.freepik.com/fotos-premium/empresarios-apertando-as-maos-negociacoes-comerciais-conceitos-de-conexao-acordos_4160349.htm#page=1&query=acordos%20comerciais%20&position=5 https://br.freepik.com/fotos-premium/empresarios-apertando-as-maos-negociacoes-comerciais-conceitos-de-conexao-acordos_4160349.htm#page=1&query=acordos%20comerciais%20&position=5 2 INTEGRAÇÃO ECONÔMICA: ACORDOS MULTILATERAIS E ACORDOS REGIONAIS/PLURILATERAIS Fonte: www.shutterstock.com/ 1463230529 Caro acadêmico (a), para começar este tópico é importante falarmos sobre os conceitos de integração econômica, acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais. Vamos aprender sobre cada um deles? A conceitualização da integração econômica na América Latina veio com a inspiração da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) no período da guerra fria. E no que refletia essa ideia? “Refletia uma reação limitada à hegemonia dos Estados Unidos e ao pan-americanismo, influenciada pela descolonização afro- asiática e pela iniciativa de unificação europeia” (MAGNOLI, 2013, p. 341). A Cepal conseguiu analisar que a América Latina tinha suas especificidades e particularidades e que não é porque uma medida política funcionou em um país que funcionaria aqui. Era preciso voltar um “olhar para dentro” e entender os problemas existentes nos países em desenvolvimento, ou seja, era preciso “formulação de estratégias de desenvolvimento para América Latina” (MAGNOLI, 2013, p. 341). Os acordos multilaterais são aqueles realizados a partir de três países. Existe o Sistema Comercial Multilateral, ou seja, “sistema de tratados e regras de comércio internacionais emanados do Gatt e da Organização Mundial do Comércio” (MAGNOLI, 2013, p. 238). Existem acordos bilaterais que são apenas dois países. Já os acordos plurilaterais são compostos de muitos países e as regras contratuais buscam atender a todos eles. Os acordos regionais são feitos de um estado, município com outros estados e municípios. “A integração crescente dos mercados, a aceleração dos fluxos de mercadorias e capital e a criação de blocos econômicos regionais acentuaram extraordinariamente a importância do mundo dos negócios na formulação da política externa'' (MAGNOLI, 2013, p. 9). Agora que conseguimos entender os conceitos vamos falar sobre as relações internacionais e como está a postura na atualidade no que tange sobre a integração econômica. A partir do século XXI as relações internacionais por parte dos governantes precisam estar conectadas na ideia de que a política externa precisa ser parte do seu desenvolvimento nacional. O processo de internacionalização não se remete apenas em um processo político, econômico, social ou cultural, remete-se a todos os campos e ao mesmo tempo esses campos são interconectados. Atualmente incorporou-se a dinâmica disciplinar de debate e tem-se uma pluralidade teórica e assim dentro das relaçõesinternacionais enquanto campo científico a promoção de conhecimento com múltiplas perspectivas. No Brasil o planejamento não foi com planejamento de longo prazo para acompanhar essa internacionalização e globalização, isso porque as empresas brasileiras não estavam conseguindo acompanhar em sintonia com as transformações internacionais. Na década de 90 houve uma política de liberalização econômica. Lembrando que nesse período o país enfrentava sérias dificuldades de retomada econômica, havia muito desemprego, inflação e dívida externa. Um acordo relevante deste período foi o Mercado Comum do Sul (Mercosul) feito pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. E do que se tratava o Mercosul? O tratado incorporava os instrumentos que vinham sendo firmados junto à Aladi, que concentravam seus dispositivos na liberalização comercial. Como primeiro resultado, em um período de apenas seis anos, o comércio intrabloco conheceu um crescimento de 300%. (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 115). Além do Mercosul, em 1992 foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro. Esse acontecimento foi um marco no que tange assuntos desenvolvimentistas visando a preservação ambiental, ou seja, não só pensar no crescimento econômico, mas também em assuntos de desenvolvimento sustentável. Outra integração econômica considerada relevante é a Cúpula do Grupo dos 15 em 1990, essa integração focava nos 15 países em desenvolvimento (MONTEOLIVA et al., 2014). Segundo Monteoliva et al (2014, p. 113) Fernando Henrique Cardoso veio com a proposta de multilateralismo e com uma visão de uma nova ordem em contexto internacional “pautada nos princípios de democracia e da economia de mercado, para promover o equilíbrio financeiro do país e melhorar o padrão de inserção internacional” (MONTEOLIVA et al., 2014, p.113). O método, mais uma vez sem planejamento, era a eliminação de barreiras não tarifárias e a exposição de nossas empresas à concorrência internacional. Na prática, o país tinha dificuldade em se posicionar a favor da integração hemisférica com os Estados Unidos ou da ampliação dos laços bilaterais com Washington. Além disso, não era claro em que medida o Mercosul deveria se consolidar como bloco, por meio da tarifa externa comum (TEC), o que significaria um distanciamento dos interesses norte americanos (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 119). Em 1995, se tem uma integração econômica importante, a Organização Mundial do Comércio (OMC) é criada “incluía negociações relativas a acordos sobre agricultura, investimentos relacionados ao comércio de serviços e direitos de propriedade intelectual” (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 120). Em 1997 o Brasil associou-se ao Protocolo de Quioto, em 1998 ao Estatuto de Roma e, além disso, contribuiu com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que tinha projetos e planejamentos para as crises internacionais. Vale destacar, que no governo FHC buscou-se autonomia: A busca por autonomia manifestou-se por meio de negociações em diversos foros internacionais, em reuniões birregionais e nas relações com a vizinhança sul-americana. Exemplos dessas iniciativas foram a I Conferência Ministerial da OMC (1996), na qual o Brasil não aderiu de imediato ao Acordo sobre tecnologia da informação (1996); a VIII Cúpula ibero-americana (1998), na qual Fernando Henrique defendeu a criação de um imposto internacional de 0,5% a ser aplicado sobre capitais de curto prazo e cuja arrecadação deveria ser utilizada na estabilização de países com dificuldades financeiras e em programas de combate à pobreza (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 122). No ano de 2000 houve a primeira reunião de presidentes da América do Sul e nessa reunião foram levadas para debates as relações políticas, comerciais e sobre a integração física da região, ou seja, a integração sul-americana, e assim, surgiu a Iniciativa da Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA), “com objetivo de fomentar projetos de integração nas áreas de energia, transporte e telecomunicações, tendo como diretriz “12 eixos de integração e desenvolvimento” (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 123). Em 2003, com Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, o país manteve alguns pontos da política monetária do Fernando Henrique, como o plano real que trouxe certo equilíbrio para a inflação e no contexto internacional passou a agir com um maior ativismo. Vale colocar aqui que nesse período tinha “uma conjuntura internacional favorável ao crescimento econômico e ao protagonismo de países ditos emergentes” (MONTEOLIVA, 2014, p. 113). No que tange à integração internacional e política de comércio exterior Lula buscava: (...) aumento das exportações, os investimentos produtivos e a assimilação de tecnologia, e as diretrizes da nossa diplomacia seriam as negociações de acordos comerciais com vantagens concretas para o país, o combate a práticas protecionistas e a ampliação dos mercados consumidores de bens primários ou semielaborados, que continuavam a ter papel importante na pauta exportadora. Assim, na alca, nas negociações Mercosul-União Européia e na Organização Mundial do Comércio (...). (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 125). Percebemos aqui a relação com a visão cepalina, ou seja, nesse governo a gente consegue perceber que o objetivo era o desenvolvimento econômico da América do Sul. Nos anos posteriores tivemos nesse governo várias integrações da Sul-Americana. Segundo (MONTEOLIVA et al., 2014 p. 126) algumas dessas importantes integrações são: i) Acordo de complementação econômica entre Mercosul, Colômbia, Equador e a Venezuela em 2003; ii) Acordo de livre comércio Mercosul-Comunidade Andina em 2004; iii) Criação da Comunidade Sul-americana de Nações; iv) I Reunião de chefes da comunidade Sul-Americana de Nações em 2005; v) I Reunião energética da América do Sul em 2008, entre outras importantes integrações. Algumas participações no âmbito mundial foram importantes no que tange diplomacia e acordos internacionais no Brasil. O Brasil participou de reuniões com o G4 e debates relevantes sobre segurança com a Organização das Nações Unidas. Além disso, na Organização Mundial do Comércio (OMC) o Brasil estava à frente na formação de um grupo de países em desenvolvimento (G20 econômico). Houve também o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). E o que fazia o BRIC? (...) formalizado em 2007, tinha vocação essencialmente política, sem descuidar de temas comerciais e econômicos. O BRIC, que promove a comunicação e a concertação de posições entre suas chancelarias, tem visto seu poder aumentar diante do rápido crescimento de suas econômicas e da crise que atingiu os países ricos a partir de 2008. Em 2010, foi realizada a cúpula do Bric-Ibas, em Brasília, na qual, diante da crise econômica internacional, foi reafirmado o compromisso com o desenvolvimento (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 127). Em sequência ao governo Lula, Dilma tem relações internacionais com uma certa linha de continuidade ao governo anterior. Ela teve uma postura favorável ao Mercosul e fortaleceu laços com a Cúpula América do Sul-Países Árabes, BRICS e G20. Com uma certa incerteza e instabilidades políticas do Brasil no primeiro governo de Dilma, o empresariado não teve um processo de internacionalização tão rápido como no governo Lula, havia muita resistência. Temer assume após o impeachment com uma postura mais ortodoxa, processos de privatizações e corte de gastos. "resgata política externa na força transformadora do liberalismo econômico” (MONTEOLIVA, 2014, p. 16). A China foi o acordo brasileiro que permaneceu intacto tanto em Lula, quanto em Dilma e Temer “A China representou a principal linha de continuidade entre a política externa dos governos Lula, Dilma e Temer, em nenhum momento sua relevância foi questionada” (MONTEOLIVA,2014, p. 135). Por fim, temos o atual governo que nos mostra certa postura de ideologização e pragmatismo. E assim, aparenta-se que “indica uma mudança de orientação da política externa brasileira, resultante da motivação ideológica conservadora” (MONTEOLIVA, 2014, p. 145). Isso afeta de certa forma nossas relações internacionais, nossa credibilidade internacional, acaba tendo um certo “desconforto” em setores econômicos relevantes, como agroexportação e entre diferentes setores da opinião pública, impactando o processo decisório da política externa brasileira (MONTEOLIVA, 2014, p. 145). 3 AMEAÇAS E OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS Fonte: www.shutterstock.com/ 317585936 Neste tópico vamos citar algumas crises, ameaças e possíveis oportunidades para as relações internacionais contemporâneas. Buscaremos falar em âmbito mundial e âmbito nacional – Brasil. Vivemos em 2008 uma crise financeira nos EUA que atingiu o mundo inteiro. Desde a década de 1990 o preço dos imóveis nos Estados Unidos começou a subir continuamente formando a famosa “bolha imobiliária” que veio estourar em 2008. Diante disso, muitas pessoas começaram a investir no mercado imobiliário em razão da valorização. De 2000 até 2008 o dinheiro concedido para crédito imobiliário dobrou. Gráfico 1 - Evolução do índice de preços dos imóveis nos Estados Unidos de 1987 a 2007 Fonte: Torres, F. (2008) Pode-se dizer que a crise foi intensificada no momento da falência do Banco de Investimento Lehman Brothers em 2008, após o FED (Federal Reserve) recusar socorrer a instituição. Pode afirmar também que a globalização comercial e financeira e Estados Unidos como sendo o centro da economia global fez com que a crise se alastrasse. De certa forma, se não fosse a pressão do governo talvez essa crise não teria acontecido. Faltou responsabilidade financeira no mercado. A recuperação do mercado financeiro foi "maquiada" com dinheiro público novamente. E assim, a economia dos Estados Unidos voltou a estabilizar. Após a crise financeira, alguns países conseguiram retomar seu crescimento e desenvolvimento econômico. Mas, agora estamos enfrentando uma crise econômica e sanitária devido ao Coronavírus. Essa crise pode ser considerada a maior de toda história. No mundo e no Brasil, já há previsões de uma crise econômica forte. Nesse caso, a atuação do Estado dos diversos países deve se intensificar. As preocupações orçamentárias nesse momento devem ser totalmente abandonadas, pois as políticas econômicas precisam garantir a melhor harmonia possível da sociedade, inclusive garantindo os direitos sociais segundo Pactos internacionais de que o Brasil é signatário, como o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) e a Constituição Federal de 1988 (NASCIMENTO; RIBEIRO, 2020, p. 1). O momento que estamos passando já nos deixa claro que todos os países sofrerão com o endividamento tanto interno quanto externo. Que mais do que nunca se tem que fortalecer as relações internacionais e na troca de conhecimento científico para que todos os países consigam enfrentar essa crise. Introduzindo, pós governo de Michel Temer (2016 - 2018), a ascensão ao poder do presidente eleito Jair Bolsonaro, no ano de 2019, pode-se analisar, em um primeiro momento, uma linha de continuidade entre a política econômica de Temer e Bolsonaro, uma vez que a conturbada mudança que transitou pela economia brasileira inicia-se no governo de Temer e tem certa profundeza no governo de Bolsonaro, que também implementa políticas puramente ortodoxas em um ambiente, parecido, de desaceleração econômica, além de tomar medidas que minimiza o papel do Estado na economia. Em um contexto marcado por problemas institucionais, cenário internacional não muito favorável e economia com certa estagnação, o presidente Bolsonaro inicia seu governo com uma postura nada política, sustentando um perfil autoritário e de manipulação em massa, culminando em uma instabilidade econômica ainda maior, isso porque afeta a democracia e a credibilidade do país em âmbito internacional. No cenário atual de crise sanitária, com a pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19), o país se encontra em uma situação em que os investimentos na área de saúde, tecnologia e inovação, foram mínimos, até o momento, o que dificulta ainda mais a obtenção de uma estrutura necessária para lidar com a crise, além da contínua preocupação com o corte de gastos em setores essenciais, que agora, mais do que nunca, faz falta, como é o caso da área da saúde. Como oportunidades no âmbito mundial, a inovação está como principal. O coronavírus nos trouxe uma nova forma de viver, com novas invenções em todas as profissões. Alguns setores se destacam, como: ciência da computação, tecnologia da informação, marketing e propaganda, telecomunicação, indústria 4.0, internet das coisas, internet 5G, entre outros. É um momento para investir em qualificação e inovação no ambiente empresarial. O fluxo de informações, a globalização e a inovação está com uma intensa velocidade e precisa de mão de obra qualificada. Sobre o cenário internacional brasileiro, conseguimos ver que há uma clara necessidade de um fortalecimento e modernização da produção industrial, um verdadeiro processo de re-industrialização, para que esse possa atender a demanda interna e também possa ter competitividade com no mercado externo, aumentando as exportações não somente em commodities, mas em produtos de baixa, média e alta tecnologias. Isso é relevante para que o Brasil não fique dependente de produtos com inovação e tecnologia dos países internacionais, é necessário olhar para dentro e buscar uma “autossuficiência”. Essas medidas são também importantes instrumentos para a geração de empregos qualificados, que refletem nos melhores salários, e, assim, conseguir (re)incorporar a massa trabalhadora represada pela crise econômica e agravada pela pandemia. A história mostra que o processo de desenvolvimento de todos os países passou pelo surgimento e crescimento da indústria. 4 ACORDOS COMERCIAIS E AS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR Fonte: www.shutterstock.com/ 1505637167 Para falarmos de cadeias globais de valor é importante o entendimento do conceito de integração produtiva e integração vertical. Nos anos entre 1990 e 2008 é verificado que com a internacionalização produtiva e o crescimento do fluxo do comércio internacional a interação de investimentos de países desenvolvidos com países em desenvolvimento aumenta. Esse método faz com que tenha uma eficiência na produção. Assim, a integração produtiva representa o método pelo qual a firma “(i) passa a adquirir, via importações, os insumos, partes e componentes que são utilizados no seu processo produtivo; e (ii) estabelece, no contexto do processo de terceirização, alianças/cooperação estratégicas com seus fornecedores”. Já a integração vertical é uma representação dos resultados das fusões, aquisições e investimentos que são efetivados pela empresa (MACHADO, 2010, p. 122-123). Com isso, podemos ampliar a abordagem do que é uma cadeia global de valor que ficou muito conhecida na década de 2000, iniciando-se nos países Leste, Sudeste Asiático e Leste Europeu. (...) uma cadeia mapeia a sequência vertical de eventos que levam à distribuição, consumo e manutenção de bens e serviços – reconhecendo que várias cadeias de valor frequentemente compartilham atores econômicos comuns e são dinâmicas na medida em que são reutilizadas e reconfiguradas de forma contínua – enquanto uma rede enfatiza a natureza e a extensão das relações interfirmas que vinculam conjuntos de firmas a grupos econômicos maiores (STURGEON, 2007, p. 10, tradução nossa). Diante disso, a cadeia global devalor teve destaque, em razão de determinar a competitividade de diversos países que se enquadram com a existência de uma pauta exportadora com produtos que poderiam ter os custos minimizados se realizados com uma metodologia de processos de produção fragmentada. “A ideia de produzir em cadeias está associada aos benefícios derivados da redução de custos na obtenção de matérias-primas e/ou de processamento de etapas produtivas a custos de fatores reduzidos” (OLIVEIRA, 2015, p. 11). Para os acordos comerciais contemporâneos estão complexos, exigindo uma reorganização produtiva. As cadeias globais de valor surgem com a intenção de “agregação de valor a um bem ao longo de sua cadeia produtiva”, além disso, com a expansão das cadeias globais de valor existe a possibilidade de pequenas e médias empresas terem um engajamento na economia global. A participação nas CGVs pode facilitar o acesso de pequenas e médias empresas a mercados externos e diversificados, economias de escala e escopo, aprendizagem tecnológica e transferência de tecnologia, assim como acesso a importações competitivas para produção doméstica e para exportação. Por outro lado, a participação nas CGVs também pode “trancar” (lock -in) empresas e países em atividades de baixo valor agregado, sustentadas por vantagens competitivas estáticas baseadas em baixos custos de produção sem benefícios de longo prazo para aprendizado, inovação e desenvolvimento. Essas oportunidades e desafios da participação em cadeias globais de valor requerem atenção, tanto por parte das empresas, como de governos e organizações internacionais, devido a suas implicações políticas para o desenvolvimento (OLIVEIRA, 2015, p. 42). Existem vários modelos quando se fala de cadeias globais de valor, além disso, existem variações de setores. Como modelo principal, falaremos de três tipos de países que estão destacados na visão de Oliveira (2015, p. 11 e 12). O primeiro tipo chamaremos de “País I”, o segundo tipo de “País 2” e o terceiro tipo de “país 3”. Quadro 1 - Tipologia das cadeias globais de valor Tipologia das cadeias globais de valor Tipo Como se enquadra nas cadeias globais de valor? País I Fornecedor de matéria-prima País II Ocorre a montagem final do produto, a partir dos insumos proporcionados pelos países tipo I. País III Concentração da parte mais rara do processo de produção. Se concentra a governança de toda cadeia. Fonte: Elaboração própria com base em Oliveira (2015). O Brasil se enquadra como país do tipo 1. Isso porque temos a pauta exportadora focada em commodities, além disso, “As estimativas da OCDE indicam que a participação do país nas cadeias de valor é muito pequena, e o componente importado das nossas exportações é muito reduzido” (OLIVEIRA, 2015, p 12). Falando de política comercial brasileira no período de 2003-2010 conseguimos certo destaque no cenário internacional, isso porque o governo deste período buscava uma diversificação da pauta exportadora e negociações comerciais multilaterais. Considera-se, entretanto, que a ambição brasileira de “mudar a geografia comercial do mundo” se referia à diversificação de parcerias e ao aumento da capacidade de influência do país nas negociações internacionais de comércio. O uso dessa expressão pelo Brasil não estava relacionado às novas dinâmicas do comércio internacional vista de uma perspectiva sistêmica, ou à nova divisão internacional do trabalho que emerge com a dispersão geográfica da produção (OLIVEIRA, 2015, p. 28). É importante lembrar que a partir de 2002 tivemos superávits comerciais na balança comercial chamado de “boom exportador” pelo motivo que a China estava crescendo de uma maneira surreal e também porque houve incentivos por parte do governo com redução de carga tributária e políticas de incentivo à exportação. Com a postura do governo com acordos internacionais e com políticas nacionais e comerciais de longo prazo, estávamos buscando o método de um “desenvolvimento nacional de dentro para fora” com planejamento de longo prazo visando um desenvolvimento e crescimento econômico sustentável. A dívida externa nesse período foi reduzida e as reservas internacionais (dólares como reserva no país) aumentaram. Ou seja, já não estávamos tão vulneráveis internacionalmente como éramos nos anos anteriores. O gráfico 1 a seguir mostrará esses pontos. Gráfico 2 - Brasil: Dívida Externa Pública e Reservas Internacionais (dez 91-dez 11) Fonte: Instituto Mercado Popular (2016). No período do governo Lula o Brasil tinha a maioria de suas importações e acordos comerciais com Estados Unidos, China, Argentina e Alemanha. Já nas exportações, era China e Estados Unidos. Continuamos no esforço em estimular a ciência para exportar produtos de baixa, média e alta tecnologia, mas não foi o suficiente. O Brasil continuou sendo dependente das importações de tecnologia e exportando commodities. Assim, “o governo Lula, avançou em um processo definido nos governos anteriores, acelerou a alavancagem do capitalismo Brasileiro, articulou empresários e Estado, mas não mudou o lugar do Brasil na economia mundial” (VIDIGAL, 2021, p. 128). No cenário de Dilma Rousseff estávamos passando por um período de escândalos, manifestações e uma redução do grau de confiança. O que acabou afetando em alguns acordos e credibilidade no âmbito internacional. A economia começou a ficar estagnada e com discordâncias políticas, chegamos no impeachment. Temer ingressa com um discurso de austeridade fiscal, ou seja, de que se precisa organizar as contas públicas do país e para isso é necessário cortar gastos dos setores da economia considerados essenciais. O discurso, com base na austeridade fiscal, de que o Estado quebrou ainda é forte. Porém, com a pandemia do Covid-19, diversos economistas, inclusive aqueles que lideraram a ideia que o “Estado quebrou”, estão discutindo a importância do Estado na atuação da coronacrise. Seguindo a aplicação de políticas econômicas adotadas em âmbito internacional no enfrentamento da coronacrise, o discurso se unifica em formas que o governo pode atuar com objetivo de amenizar os impactos econômicos e sociais da pandemia (NASCIMENTO; RIBEIRO, 2020, p. 1) Junto a isso, no âmbito internacional uma diversidade de presidentes com uma postura tendendo mais para a direita. Donald Trump é um deles. Sem uma postura de diplomacia, sem visões humanistas. E atualmente no Brasil, temos Jair Bolsonaro com uma postura semelhante à de Donald Trump. O que acaba afetando o Brasil em seus acordos e relações internacionais por falta de diplomacia e credibilidade. Além disso, afeta o grau de confiança e expectativa nacional fazendo com que os empresários fiquem receosos em investir e gerar empregos, o que implica em um atraso na retomada econômica. Dentro de uma reflexão sobre a situação política, econômica e social do Brasil, atualmente, é interessante ir de encontro com um pensamento de equidade. E entender o quanto às relações internacionais e os acordos comerciais são relevantes principalmente agora em momentos de pandemia em que precisamos de outros países para produzir uma vacina. SAIBA MAIS Termos e Conceitos Importantes Ambientalismo Movimento político estruturado em torno do tema do meio ambiente e das suas relações com o desenvolvimento econômico. A expressão mais evidente do ambientalismo foi o surgimento e a consolidação dos “partidos verdes” na Europa, desde a década de 1970. Desenvolvimento sustentável Modelo de desenvolvimento econômico no qual a base de recursos naturais é interpretada como um patrimônio e uma condição para a reprodução, a longo prazo, dos padrões de produção e consumo. Neomalthusianismo Corrente de pensamento desenvolvida pelo Clube de Roma e parcialmente assentada sobre a teoria de Malthusa respeito do crescimento demográfico. Os neomalthusianos sustentam que o crescimento econômico dos países em desenvolvimento depende de medidas ativas de controle da natalidade. Explosão demográfica Modelo de explicação das elevadas taxas de crescimento vegetativo nos países do Terceiro Mundo no pós-guerra. A noção de “explosão demográfica” ocupa um lugar central no pensamento neomalthusiano. Aquecimento global Tendência de longo prazo de aumento das temperaturas médias superficiais do planeta. O aquecimento global é uma tese predominante na comunidade científica, mas ainda sujeita a controvérsias. Gases de estufa Gases que provocam intensificação do efeito-estufa natural da atmosfera terrestre. Entre os gases de estufa, o dióxido de carbono ocupa o lugar de maior destaque. Biomas Ecossistemas naturais terrestres de dimensões subcontinentais, como as florestas tropicais, as savanas, as pradarias, os desertos, a taiga e a tundra. Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p.250. Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. REFLITA Em sua opinião, o que justifica a afirmação de que o Brasil é importante ator nas relações internacionais do século XXI? Fonte: MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo. OLIVEIRA, Henrique Altemani de; LESSA, Antônio Carlos. História das relações internacionais do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2014 p.147 #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Gostou desta unidade? O que aprendeu? Vamos fazer uma conclusão rápida de alguns pontos considerados relevantes. Na primeira seção vimos como os Estados Unidos se tornou o país dominante mundialmente e como ele influencia até os dias de hoje alguns comportamentos de outros países. Vale lembrar aqui, que os Estados Unidos também têm a moeda dominante e isso implica em questões cambiais e comerciais dos outros países. Aprendemos que com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA se instaurou como a força internacional com capacidade dominante. Aprendemos também sobre alguns acordos dos países em desenvolvimento como a ALCA. Na segunda seção vimos sobre os conceitos de integração econômica e acordos multilaterais e plurilaterais. Além disso, compreendemos que a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) foi a inspiração dessa ideia na América Latina. A Cepal conseguiu analisar as necessidades dos países em desenvolvimento. Analisamos algumas integrações econômicas e acordos considerados importantes no Brasil a partir da década de 90. Compreendemos sobre o Mercosul, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a associação do Brasil com o Protocolo de Quioto, a Iniciativa da Infraestrutura Sul-Americana, Organização Mundial do Comércio, sobre os BRIC (Brasil., Rússia, Índia e China), entre outros. Na seção três foi realizada uma discussão das ameaças, crises e oportunidades empresariais da contemporaneidade. Vimos que passamos pela crise financeira em 2008 com os Estados Unidos que se alastrou para o resto do mundo, deixando sequelas nos países em desenvolvimento e agora estamos enfrentando uma crise sanitária e econômica. Mais do que nunca, os países precisam estabelecer acordos para que possamos todos sair dessa crise. No que tange sobre oportunidades empresariais, os setores ligados à inovação se destacam nesse período. É o setor atual que está com maior valuation no mercado. Na seção quatro, discutimos sobre acordos comerciais e também sobre as cadeias globais de valor. Aprendemos o conceito, a tipologia e o quanto a cadeia global é importante no processo de internacionalização. Vimos que o Brasil se enquadra como tipo 1 na tipologia da cadeia global de valor. Discutimos também sobre os acordos e a postura dos atuais governantes do Brasil e como isso afeta a credibilidade do país e as relações internacionais. LIVRO • Título: História das Relações Internacionais do Brasil. • Autor: Francisco Doratioto / Carlos Eduardo Vidigal. • Editora: Saraiva. • Sinopse: Muitos foram os desafios internacionais, as circunstâncias adversas e as pressões internas para que a política exterior brasileira pudesse atender, na medida do possível, as demandas da sociedade. Entre sucessos e frustrações, o país consolidou sua soberania e uma tradição de autonomia e universalismo que, a despeito da atual conjuntura, orientarão seus passos futuros. Para que os leitores possam debater o que esperar das relações internacionais do Brasil para os próximos anos, esta obra faz um apanhado histórico de seis momentos importantes do País: a Independência e definição do Estado Nacional (1822-1845); Soberania, intervencionismo e pragmatismo (1845-1889); Americanismo, ativismo e frustração (1889-1930); o Desenvolvimento, autodeterminação e latino-americanismo (1930- 1961); Autonomia, universalismo e sul-americanização (1961-1989); e, por fim, O Brasil no mundo globalizado (1990-2019). Além disso, esta nova edição traz ainda uma reflexão sobre as relações internacionais do Brasil no governo Michel Temer e no primeiro ano do mandato de Jair Bolsonaro. FILME/VÍDEO • Título: Querido Embaixador. • Ano: 2018. • Sinopse: Não recomendado para menores de 16 anos, Luiz Martins de Souza Dantas (Norival Rizzo) era o embaixador do Brasil na Itália até 1922, quando é transferido para Paris. Cercado de belas moças, o homem vive num cotidiano de luxo em reuniões que incluíam pessoas da política e da cultura do país. Nesse contexto, começa a Segunda Guerra Mundial e o embaixador passa a viver numa realidade intensa com tomada de decisões que realmente podem colocar a vida de brasileiros em risco. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Paulo Roberto. As duas últimas décadas do século XX: fim do socialismo e a retomada da globalização. In: SARAIVA, José Flávio Sombra. História das Relações Internacionais Contemporâneas: das sociedades internacionais do século XIX à era da globalização. 2a. revista e atualizada; São Paulo: Saraiva, 2006, p. 253 - 316. INSTITUTO MERCADO POPULAR. A ascensão e a queda do PT em 13 gráficos. 2016. Disponível em: https://mercadopopular.org/economia/a-ascensao-e-queda-do- pt-em-13-graficos/. Acesso em 27 de jul. 2021. KENNEDY, Paul M. Preparing for the Twentieth-First Century. New York: Vintage Books, 1993. KENNEDY, Paul M. The Rise and Fall of Great Powers: economic change and military conflict from 1500 to 2000. New York: Random House, 1987. MACHADO, J. B. M. Integração produtiva: referencial analítico, experiência europeia e lições para o Mercosul. In: ALVAREZ, R.; BAUMANN, R.; WOHLERS, M. (Orgs.). Integração Produtiva: caminhos para o Mercosul. Brasília: Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, 2010. Série Cadernos da indústria ABDI XVI. Cap. 3, p. 116- 155. MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. OLIVEIRA, Susan Elizabeth Martins Cesar de. Cadeias globais de valor e os novos padrões de comércio internacional: estratégias de inserção de Brasil e Canadá. Brasília: FUNAG, 2015. Disponível em: http://funag.gov.br/biblioteca/download/1124Cadeias_globais_de_valor_e_os_novos _padroes_internacionais.pdf. Acesso em 27 de jul. 2021. NASCIMENTO, Julio. RIBEIRO, Luana. Atuação do Estado e pesquisa científica em tempos de coronacrise. Brasil debate. 2020. Disponível em: https://brasildebate.com.br/atuacao-do-estado-e-pesquisa-cientifica-em-tempos-de- coronacrise/. Acesso em 27 de jul. 2021. STURGEON, T. J. Does Manufacturing Still Matter?The Organizational Delinking of Production from Innovation. BRIE Working Paper 92B. Cambridge, August, 1997. TORRES, F, Ernani Teixeira. Entendo a Crise do Subprime. Visão do Banco Nacional do Desenvolvimento. Número 44. Jan. 2008. MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo. OLIVEIRA, Henrique Altemani de; LESSA, Antônio Carlos. História das relações internacionais do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2014. CONCLUSÃO GERAL Caro(a) aluno(a), chegamos ao final da disciplina Relações Internacionais. Ao longo das quatro unidades foram debatidos assuntos pertinentes a esse tema. Na Unidade I o destaque foi para Conceituação geral. Na Unidade II, o assunto estudado foram os Destaques Internacionais. Na unidade III o foco principal foi o Globalismo E para concluir a disciplina a Unidade IV trouxe o assunto o Brasil e as relações internacionais. Partindo dessas concepções, na Unidade I foi possível compreender a ambientação e, para melhor compreensão, fez necessário estudos das origens das relações internacionais, pensamento político e o fundamento das relações internacionais e ainda a teoria da sociedade civil internacional e funcionamento das relações internacionais. Observou-se que as Relações Internacionais é algo tão antigo quanto a origem da espécie humana, pois está relacionada à comunicação entre as pessoas e entre os países. As relações internacionais tiveram início na Grécia antiga, onde os embaixadores eram enviados esporadicamente em missões especiais a diferentes cidades-estados, a fim de entregar mensagens, intercambiar, ou seja, trocar mensagens e até mesmo oferendas. Na Unidade II o estudo foi pautado nos destaques internacionais e para isso, estudou-se os principais marcos mercadológicos que são importantes para o melhor entendimento dos estudos das relações internacionais. Neste tópico observou-se que os métodos têm duplos sentidos: atender ao próprio pesquisador na análise dos conceitos, e também, ao público interessado (leitores em geral), os meios utilizados no desenho dos resultados encontrados. Por isso, método e conhecimento são aportes de construção para o processo científico. Método e ciência trazem complementaridades e necessitam de mútua correlação sob a égide de constante verificação ou testes. Após conhecer um pouco mais sobre os marcos metodológicos, o estudo passou para a análise da Teoria das Relações Internacionais, e para complementar foi apresentado os principais autores e suas correntes clássicas e por último as principais correntes e relações brasileiras. Na unidade III, o estudo foi pautado no Globalismo na era moderna, e soube-se que o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e com uma gama muito variada de autores, defensores e críticas, de forma que existem muitas linhas de pensamento a favor e contra essa forma de se observar a dinâmica da globalização. Para complementar o debate foi apresentado o tópico: O Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio e, também às Relações internacionais e meio ambiente; sabendo que o meio ambiente é um dos assuntos mais discutidos nas relações internacionais pois influenciam as relações comerciais. Por isso também destacou-se os impactos das relações internacionais e por último os principais acordos internacionais brasileiro. Para finalizar na unidade IV, o assunto foi o Brasil e as Relações Internacionais. Para isso, o primeiro tópico apresenta temas de análise das relações internacionais contemporâneas. Pode-se dizer então, que com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA se instaurou como a força internacional com capacidade dominante (político, econômico, social ou cultural) até hoje, principalmente com o Brasil (MAGNOLI, 2013). No tópico 2 o estudo mostrou que, com a Integração econômica houve acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais. No Brasil o planejamento não foi de longo prazo para acompanhar essa internacionalização e globalização, isso porque as empresas brasileiras não estavam conseguindo acompanhar em sintonia com as transformações internacionais, mas foram ocorrendo de forma gradativa. No tópico III as ameaças e oportunidades empresariais foi o assunto principal e neste contexto não se pode esquecer da crise financeira de 2008 que começou nos EUA que atingiu o mundo inteiro. Mas ressalta-se que desde a Década de 1990 o preço dos imóveis nos Estados Unidos começou a subir continuamente formando a famosa “bolha imobiliária” que veio estourar em 2008. Diante disso, muitas pessoas começaram a investir no mercado imobiliário em razão da valorização. De 2000 até 2008 o dinheiro concedido para crédito imobiliário dobrou. Além das crises, trocas de governos, pandemias etc são fatores que também contribuem e que fazem parte de toda história das relações internacionais. O Brasil se encontra em uma situação em que os investimentos na área de saúde, tecnologia e inovação, foram mínimos, até o momento, o que dificulta ainda mais a obtenção de uma estrutura necessária para lidar com a crise, além da contínua preocupação com o corte de gastos em setores essenciais, que agora, mais do que nunca, faz falta, como é o caso da área da saúde. Por último no tópico IV o assunto estudado foi os acordos comerciais e as cadeias de valor. Neste tópico, estudou-se os principais fatores que afetam o grau de confiança e expectativa nacional fazendo com que os empresários fiquem receosos em investir e gerar empregos, o que implica em um atraso na retomada econômica. Dentro de uma reflexão sobre a situação política, econômica e social do Brasil, atualmente, é interessante ir de encontro com um pensamento de equidade. E entender o quanto às relações internacionais e os acordos comerciais são relevantes principalmente agora em momentos de pandemia em que precisamos de outros países para produzir uma vacina. Portanto, caro (a) acadêmico, finalizo aqui nossa disciplina de Relações Internacionais e desejo ainda que você continue estudando sobre este tão valioso assunto, siga nossas dicas e referências bibliográficas sugeridas em cada unidade. Desejo a você, caro(a) aluno(a), muito sucesso em sua formação acadêmica e profissional! Até breve!!!