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RELAÇÕES INTERNACIONAIS 
APRESENTAÇÃO 
 
Professora Especialista Margarete Campos Vieira 
 
● Mestranda em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá (UEM 
2020/ 2021) 
● Pós Graduação em Tecnologias aplicadas ao EAD 
● Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Maringá 
● Pós graduação em Gestão Empresarial com Ênfase em Consultoria e Instrutoria 
- Unicesumar, 
● Pós Graduada em Engenharia de Produção (Incompleta) Unicesumar. 
● Pós Graduação em Docência do Ensino Superior (Unicesumar) 
 
Atuo com Consultoria Empresarial desde 2008 e, com implantação e treinamentos em 
Gestão de Processos, mapeamento e melhoria de processos, Engenharia de Processos, 
Engenharia de produtos, PPCP (Planejamento, Programação e Controle da Produção), 
Logísticas e Gestão da Cadeia de Suprimentos, etc. Docente na UNIFCV (Centro 
Universitário Cidade Verde Maringá 2016 até o momento) ministrando disciplinas de: 
Sistema de Informação Gerencial, Administração e Estratégia de Marketing, 
Empreendedorismo, Diagnóstico Organizacional, Mercado de Capitais, História 
Econômica Geral, Logística e Cadeia de Suprimentos e Planejamento Programação e 
Controle de Produção, Gestão da Qualidade, Logística Internacional etc. Áreas de 
interesse: Organização Industrial e Estudos Industriais, economia brasileira, economia 
internacional, economia monetária, indústria de transformação, desenvolvimento 
econômico e inovação tecnológica. Macroeconomia e Microeconomia, mercado de 
capitais, gestão de processos industriais, qualidade e produtividade. 
 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/4612802492948047 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO DA APOSTILA 
 
Seja muito bem-vindo(a)! 
 
 
Prezado(a) aluno(a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já 
é o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora. Proponho, 
junto com você, construir nosso conhecimento sobre os conceitos fundamentais da 
disciplina Relações Internacionais. Além de conhecer seus principais conceitos e 
definições, vamos explorar as mais diversas áreas de conhecimento e atuações das 
Relações Internacionais. 
Na unidade I vamos conhecer a conceituação geral e ambientação e com isso 
conhecer as origens das relações internacionais, pensamento político e o fundamento 
das relações internacionais. Vamos conhecer também a teoria da sociedade civil 
internacional e o funcionamento das relações internacionais. 
Já na unidade II vamos ampliar nossos conhecimentos e você irá saber mais 
sobre os destaques internacionais. Além destes destaques você conhecerá ainda os 
principais marcos metodológicos, análise da Teoria das Relações Internacionais, bem 
como, os principais autores e suas correntes clássicas e as principais correntes e 
relações brasileiras. 
Na sequência na unidade III falaremos a respeito do GLOBALISMO. Nesta 
unidade destacamos o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio, e 
também às relações internacionais e meio ambiente. Sendo assim, falaremos sobre os 
impactos das relações internacionais e os principais acordos internacionais brasileiro. E 
por último nesta unidade, trataremos do globalismo na era moderna. 
Na unidade IV, vamos entender o conteúdo dessa disciplina com o assunto Brasil 
e as relações internacionais e trazer temas de análise das relações internacionais 
contemporâneas, integração econômica: acordos multilaterais e acordos 
regionais/plurilaterais.E para finalizar esta unidade vamos entender as ameaças e 
oportunidades empresariais e acordos comerciais e as cadeias globais de valor. 
 Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta 
jornada de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos 
abordados em nosso material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e 
profissional. 
 
 
 
Muito obrigado e bom estudo! 
 
UNIDADE I 
CONCEITUAÇÃO GERAL E AMBIENTAÇÃO 
Professora Especialista Margarete Campos Vieira 
 
 
Plano de Estudo: 
 
 
● Origem das relações internacionais; 
● Pensamento político e o fundamento das relações internacionais; 
● A teoria da sociedade civil internacional; 
● Funcionamento das relações internacionais. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
 
● Conceituar e contextualizar a origem das relações internacionais; 
● Compreender o pensamento político e o fundamento das relações 
internacionais; 
● Contextualizar a importância da teoria da sociedade civil internacional; 
● Compreender o funcionamento das relações internacionais. 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Caro (a) aluno, você deve ter ouvido falar bastante sobre Relações Internacionais 
(RI) e a partir de agora, você entenderá melhor como as RI iniciaram, Para isso, vou 
resgatar um pouco da história para adentrar e chegar ao objetivo principal. 
Vou começar então falando das últimas décadas do século XX marcadas pela 
intensificação das relações entre os povos, de uma maneira como nunca havia ocorrido 
anteriormente. 
Você observa que cada vez mais as distâncias ficam menores? Ou seja, você 
observa que a globalização trouxe e traz constantemente informações rápidas vindas de 
todo mundo e com isso, tempo e espaço perdem o significado que tinham para nossos 
pais e avós, e as pessoas de diferentes locais do globo tomam consciência de que “a 
menor distância entre dois pontos é uma tecla”. 
Mas, o século XXI chega trazendo também grandes conquistas: o mundo está 
menor, globalizado, interligado física e eletronicamente; pode-se tomar café em 
Londres e almoçar em Washington; as fronteiras perdem sua importância; o 
sistema internacional vê-se cada vez mais integrado; a tecnologia alcança milhões de 
pessoas, e não há limite ao conhecimento humano. O último século do segundo milênio 
presenciou uma evolução tecnológica inimaginável! 
Neste primeiro e-book, você irá viajar comigo para a história das relações 
internacionais e conhecer um pouco mais sobre como surgiram e os principais motivos 
desse surgimento. Sendo assim, vou apresentar a você, a origem das relações 
internacionais, depois o pensamento político e o fundamento das relações internacionais, 
depois apresento a teoria da sociedade civil internacional e por último como é o 
funcionamento das relações internacionais. 
Ah, e no final deste conteúdo, apresento a você algumas indicações de leituras e 
sites que você poderá encontrar muitas outras informações sobre as relações 
internacionais. 
Convido você para iniciar nossa viagem pelas origens e história das relações 
internacionais.
 
 
1 ORIGEM DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 624470984 
 
Caro acadêmico (a), você já parou para pensar como surgiram as relações 
internacionais? Começo este estudo iniciando a história da RI que, de acordo com os 
estudos apresentados por Magnoli (2013 p. 17) 
 
Iniciou-se na Grécia antiga, onde os embaixadores eram enviados 
esporadicamente em missões especiais a diferentes cidades-estados, a fim de 
entregar mensagens, intercambiar, ou seja, trocar mensagens e até mesmo 
oferendas. Sendo assim estas ações encontram-se na origem da diplomacia. 
Mas, desde aquele tempo, o diplomata criava uma entidade política de acordo 
com seu perfil, diferenciando entre público e provado. (MAGNOLI, 2013 p.17) 
 
Sendo assim, segundo ele, os diplomatas italianos, lançaram as bases modernas 
e diplomáticas criando condições de anarquias prevalecentes no sistema das cidades-
estados e com isso traz sentido de insegurança das unidades políticas formaram o 
terreno histórico tanto para as intermináveis guerras de conquista quanto para a 
generalização de códigos e práticas diplomáticas que ainda sobrevivem. 
Assim, foi se consolidando o uso dos embaixadores permanentes constituindo-se 
chancelarias estáveis, garantindo imunidades diplomáticas e os privilégios de trânsito e 
acesso a informaçõesestabelecendo o conceito das missões estrangeiras. 
 
A partida da época do tratado de Westfália1 na Europa setecentista definiu a 
missão diplomática– a defesa do interesse nacional com a missão do diplomata. A partir 
daquela época a presença dos diplomatas estrangeiros nas capitais tornou-se um sinal 
de existência de uma sociedade de Estados que tem como principal característica as 
regras que constituem o cenário em que se definem estratégias nacionais. Por isso, o 
diplomata representa o interesse de um Estado particular, a diplomacia simboliza a 
consciência geral de que há uma sociedade internacional. 
Neste contexto Hedley Bull2 enfatizou a importância e a permanência dos antigos 
símbolos da diplomacia europeia na atualidade: 
 
[...] No sistema global internacional — em que os Estados são mais 
numerosos,mais profundamente divididos e menos explicitamente participantes 
de uma cultura comum — a função simbólica dos mecanismos diplomáticos 
torna-se, exatamente por essas razões, ainda mais importante. A vontade notória 
de Estados de todas as regiões, culturas, ideologias e de todos os estágios de 
desenvolvimento de abraçar procedimentos diplomáticos muitas vezes 
estranhos e arcaicos, que nasceram na Europa em outra época, é atualmente 
um dos raros indícios observáveis da aceitação universal da noção de uma 
sociedade internacional. (HEDLEY BULL, 1977, p. 183). 
 
Além da função que simboliza a diplomacia, Bull (1977) identificou outras quatros 
funções no interior do sistema internacional. A característica principal da primeira função 
objetiva facilitar a comunicação entre os líderes políticos entre os Estados. A essa função 
de mensageiro, realizada pelos diplomatas, associa-se ao privilégio de imunidade e o 
direito de trânsito. Os Estados, reconhecendo a existência de uma sociedade 
 
1 Tratados de Westfália chamada Paz de Vestfália (ou de Vestefália, ou ainda Westfália), também 
conhecida como os Tratados de Münster e Osnabruque (ambas as cidades atualmente na Alemanha), 
designa uma série de tratados que encerraram a Guerra dos Trinta Anos e também reconheceram 
oficialmente as Províncias Unidas e a Confederação Suíça O Tratado Hispano-Neerlandês, que pôs fim 
à Guerra dos Oitenta Anos, foi assinado no dia 30 de janeiro de 1648 (em Münster). Já o tratado de 
Vestfália, assinado em 24 de outubro de 1648, em Osnabruque, entre Fernando III, Imperador Romano-
Germânico, os demais príncipes alemães, França e Suécia, pôs fim ao conflito entre estas duas últimas 
potências e o Sacro Império. O Tratado dos Pirenéus (1659), que encerrou a guerra entre França 
e Espanha, também costuma ser considerado parte da Paz de Vestfália. A Paz de Westfália estabeleceu 
os princípios que caracterizam o estado moderno, destacando-se a soberania, a igualdade jurídica entre 
os estados, a territorialidade e a não intervenção. Disponível em: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paz_de_Vestf%C3%A1lia. Acesso em: 27 de jul. 2021. 
2 HEDLEY, Bull. The anarchical society: a study of world politics. London: The Macmillan Press, 1977, p. 
183. 
 
 
internacional, comprometem-se a não ofender, agredir ou os movimentos dos portadores 
de mensagens de outros participantes da sociedade. 
As negociações e acordos entre os Estados associados consistem na principal 
característica que simboliza a diplomacia internacional. Esse papel de mediação baseia-
se no interesse nacional e exige a identificação de interesses compartilhados pelas 
unidades políticas. 
A segunda das funções identificadas por Bull (1977) (a de mediação e persuasão) 
merece atenção especial, pois atrás dela tem a distinção entre a política externa em 
tempos normais e a política externa em tempos de revolução. 
A terceira função consiste em reunir informações importantes sobre as demais 
unidades políticas. Em relação a atividade de inteligência realiza-se em duplo sentido, 
ou seja, ao mesmo tempo que obtém acesso a informações essenciais sobre os Estados, 
o diplomata busca preservar na incerteza as informações percebidas como importantes 
por seu Estado. 
É importante reforçar caro aluno (a), que a dimensão no sentido de extensão de 
inteligência da diplomacia é aceita e reconhecida como verdadeira no sistema 
internacional, ao menos enquanto as fronteiras que a separam da espionagem 
permanecerem compreensíveis pois, nem sempre essa fronteira é clara e, com relativa 
frequência, ocorrem episódios de expulsão de diplomata acusado de espionagem. 
Vamos para quarta e última função identificada por Bull (1977), da diplomacia que 
tem por objetivo minimizar as fricções no relacionamento entre Estados. Essa função de 
comunicação está associada à utilização de integrações diplomáticas, instrumentos para 
estabelecimento de uma linguagem comum, que esclarece regras, princípios e direitos e 
reduz o campo do exercício do orgulho e da vaidade nacionais. 
Portanto, caro aluno (a), é importante salientar que na antiga Grécia os Estados 
cultivavam relações económicas e comerciais entre si em um grau sem precedente. As 
Cidades- Estados cultivavam relações pacíficas entre si e ao mesmo tempo disputavam 
o poder. 
É importante revisitar o passado para o estudo das Relações Internacionais 
porque a maior parte dos eventos a estudar: Estado, Balance of Power, Nação, só 
 
podemos perceber sistema internacional, do passado, pois foram desenvolvidos ao longo 
da história. 
 
 
2 PENSAMENTO POLÍTICO E O FUNDAMENTO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 1022451757 
 
No tópico 1, você conheceu um breve resumo da história das Relações 
Internacionais, neste tópico você conhecerá o pensamento político e os fundamentos 
das relações internacionais. 
Por isso, caro aluno (a) inicio este tópico apresentando o pensamento 
contratualista, (o contratualismo é uma teoria política e filosófica baseada na ideia de 
que existe uma espécie de pacto ou contrato social que retira o ser humano de seu 
estado de natureza e coloca-o em convivência com outros seres humanos em 
sociedade), seja em sua vertente liberal (Locke) ou realista (Hobbes), por fornecer os 
fundamentos do pensamento político moderno, exerceu forte influxo sobre a teoria das 
Relações Internacionais. 
 
Partindo da percepção de que as Relações Internacionais apresentam dois eixos 
(cooperação e conflito), que podem ser abordadas em correntes divergentes (realismo e 
liberalismo, por exemplo), sendo assim, uma linha evolutiva das correntes que aborda, 
bem como seus aspectos gerais. 
Sendo assim, o realismo político segue a seguinte linha cronológica de 
desenvolvimento: 
● Tucídides (e a idéia de equilíbrio de poder), 
● Maquiavel (moral política e razão de Estado), 
● Hobbes (estatocentrismo e sistema de estados anárquico), 
● Carr (crítica ao idealismo), 
● Morgenthau (pressupostos do realismo: interesse nacional definido em 
termos de poder), 
● Waltz (neorealismo; análise sistêmica). 
 
A partir destes fundamentos, a filosofia política elaborada por Maquiavel e Hobbes 
forneceram os princípios basilares do realismo político nas relações internacionais, 
organizados teoricamente por Morgenthau e revisados por Waltz, cuja lógica é a do 
conflito e poder, e os pressupostos são os seguintes: 
● Natureza humana é má; 
● Centralidade do Estado cujo interesse é a sobrevivência e maximização de 
ganhos; 
● O objetivo das relações internacionais é a busca do equilíbrio de poder; 
● O Sistema internacional é visto como anárquico, onde guerra e conflitos 
são latentes. 
 
A corrente liberal, por outro lado, pode ser esquematizada cronologicamente da 
seguinte forma: 
● Locke (idéia de que o homem em estado de natureza é bom), 
● Montesquieu (divisão dos poderes e análise filosófica da organização 
jurídica do Estado), 
● Jeremy Bentham (idéia de direito internacional), 
 
● John Stuart Mill (livre comércio), 
● Immanuel Kant (ideal de Federação Republicana),● Woodrow Wilson (apresentou um projeto político em relações 
internacionais, a partir de concepções de corte liberal-idealista), 
● Keohane e Nye (neoliberalismo; teoria da interdependência complexa). 
 
Por isso, segundo PECEQUILO (2004), os pressupostos gerais dessa corrente, seriam: 
 
● Natureza humana é boa (o homem é pacífico e tende à cooperação); 
● O sistema internacional é anárquico, mas regulado por leis e propenso à 
cooperação e comércio; 
● Interdependência econômica, disseminação das democracias e 
instituições internacionais como fatores que geram a cooperação no meio 
internacional; 
● Filosofia da paz e do progresso; 
● Percepção de que a complexificação do sistema internacional faz com 
que, além dos Estados, as forças transnacionais e as organizações 
internacionais exerçam influência no sistema internacional (PECEQUILO, 2004, 
p. 115 - 156). 
 
Conclui-se neste sentido, que a preocupação com o fenômeno da guerra e a 
busca da paz é a temática que deu origem ao estudo das relações internacionais. Trata-
se, portanto, de um campo de estudos que produziu uma gama considerável de tratados 
e reflexões filosóficas sobre o tema. 
Conforme Fonseca (2008), a percepção de Waltz está ancorada em uma visão 
realista que objetiva tecer críticas ao institucionalismo liberal (que ganhou força nas 
décadas de 1970 - 1980), cujo fundamento político filosófico é, de um lado, o liberalismo 
(Locke, Adam Smith) e, de outro, o institucionalismo em relações internacionais, presente 
em Kant e no Abade de Saint-Pierre e o projeto da "paz perpétua" através de uma 
confederação de repúblicas. Nesse sentido, como não poderia deixar de ser, Waltz vai 
até Rousseau, já que este traçou considerações sobre o campo das relações 
internacionais a partir de sua leitura das proposições de Saint-Pierre, além de ser um 
crítico do liberalismo. 
(...) ao compreender que "a possibilidade de guerra é, então, inerente a um 
sistema de soberanos", havendo uma "dimensão sistêmica na explicação da 
origem das guerras", é que Rousseau desacredita na viabilidade da proposta de 
"transformar, pela razão, o que foi iniciado pela fortuna, criando-se um 'corpo 
político' com as características de uma confederação de Estados" pois, para 
Rousseau, "o importante é mostrar que o caminho possível para a paz perpétua 
 
deveria ser necessariamente levar em conta as relações de poder". Trata-se de 
um realismo rousseauniano, que "anuncia uma compreensão estrutural do 
fenômeno da guerra: os Estado entram em conflito não porque sejam compostos 
de homens naturalmente agressivos, mas porque, ao serem formados, tornam-
se agressivos para se preservar como Estados" (FONSECA 2008, p. 316). 
 
Segundo Fonseca (2008), de qualquer forma, a opção por Maquiavel, Hobbes, 
Rousseau, Locke ou Kant, demonstra que a pluralidade de abordagens no que tange às 
relações internacionais, ao se ancorar em diferentes matrizes da filosofia política, aponta 
para a heterogeneidade epistemológica como fator marcante da área de estudos, já que 
um mesmo fenômeno (seja a guerra/conflito ou a paz/cooperação) pode ser interpretado 
de formas diversas, dependendo do aporte teórico metodológico escolhido para a 
análise. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 A TEORIA DA SOCIEDADE CIVIL INTERNACIONAL 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/178286081 
 
Caro aluno (a) até aqui, eu e você já conhecemos um bom começo sobre o 
assunto Relações Internacionais, mas ainda há muitas informações e conhecimentos 
interessantes que irei tratar com você. Neste tópico, vou falar com você sobre a teoria 
da sociedade civil internacional, vem comigo para conhecer um pouco mais. 
Segundo os estudos pesquisados pode-se afirmar que “sociedade civil” é um dos 
conceitos da teoria política clássica mais usados no discurso social e político 
contemporâneo.Porém, há Inúmeras classificações feitas por vários autores diferentes, 
desde sua recuperação no período medieval através da tradução da Política de 
Aristóteles o conceito tem sido reformulado por quase todos os filósofos políticos 
ocidentais significativos, passando por Hobbes, Locke, Rousseau, Ferguson, Smith, 
Kant, Hegel, Tocqueville, Marx, Gramsci e, contemporaneamente, Arato & Cohen. 
Na verdade, se visto de uma perspectiva histórica, notar-se que o conceito de 
sociedade civil, que para Hobbes, Locke, Rousseau e Ferguson, por exemplo, era 
sinônimo de Estado – em oposição ao “estado de natureza” que é visto sob três 
argumentos diferentes acerca da sociedade civil: 
 
1) Família jusnaturalista; 
 
2) Família ligada a Hegel; 
3) Família ligada ao associativismo. 
Segundo Magnoli (2013) o conceito de sociedade civil era visto como sinônimo de 
Estado, como uma comunidade política enraizada nos princípios da cidadania. E até o 
século XVIII a preocupação comum dos teóricos como (Hobbes, Locke, Rousseau, 
Ferguson, Smith, Montesquieu e Hume) por exemplo era a de examinar as condições 
sob as quais os seres humanos poderiam escapar do Estado de natureza e entrar em 
uma forma contratual de governo baseada na regra da lei, isto é, em uma sociedade civil. 
Desta maneira, um componente importante do uso do termo sociedade civil era seu 
contraste com um estado de natureza imaginário. Ou seja, o termo sociedade civil 
evidenciaria um novo estágio na evolução do governo e da civilidade humana: “a idéia 
de um estágio pré-estatal da humanidade inspira-se não tanto na antítese 
sociedade/Estado quanto na antítese natureza/civilização” (BOBBIO, 1991, p. 27). 
 O primeiro filósofo político moderno a colocar a questão das Origens da sociedade 
de uma forma sistemática, foi talvez Thomas Hobbes. Pois para ele, era importante 
estabelecer uma distinção entre o estado de natureza e a sociedade civil a fim de 
justificar sua defesa do “Leviatã” como expressão da livre associação entre homens 
racionais.Sendo assim, o próprio Hobbes deixa explícito este ponto quando, no capítulo 
17 do “Leviatã”, afirma que o acordo entre os animais é algo natural ao passo que o 
acordo entre os homens é algo necessariamente artificial e, essa formulação do conceito 
de sociedade civil dada por Hobbes influenciou muito os teóricos seguintes, como Locke 
e Rousseau. 
Mas, observa-se que para estes e outros autores o termo sociedade civil era 
intimamente relacionado ao termo civilidade, isto é, 
 
respeito pela autonomia individual, baseada na segurança e na confiança entre 
as pessoas (...). (Civilidade) requeria regularidade de comportamento, regras de 
conduta, respeito pela lei, e controle da violência. Por isso, uma sociedade civil 
era sinônimo de sociedade cortês, uma sociedade na qual estranhos agem de 
uma maneira civilizada com relação aos outros, tratando cada um com respeito 
mútuo, tolerância e confiança, uma sociedade na qual o debate racional e a 
discussão se tornam possíveis. (KALDOR, 2003, p. 17). 
 
De acordo com Bobbio (1991) seria possível notar um processo de racionalização 
do Estado na teoria política moderna que partiria de um modelo dicotômico que 
 
contrapõe o Estado enquanto momento positivo à sociedade pré-estatal ou anti-estatal, 
como momento negativo. Dentro desse modelo, seria possível distinguir três variantes 
principais: 
1) O Estado como negação radical e, portanto, como eliminação e inversão do 
Estado de natureza (modelo Hobbes-Rousseau); 
2) O Estado como conservação-regulamentação da sociedade natural e, portanto, 
não mais como alternativa mas como aperfeiçoamento da fase que o precede (modelo 
Locke-Kant); 
3) o Estado como conservação e superação da sociedade pré-estatal. 
 
Desta forma, pode-se dizer que o trabalho de Locke e de Rousseau seria uma 
elaboração da versão hobbesiana de sociedade civil. Sendo assim, entre os pontos 
comuns, há um ponto crucial que diferencia Hobbes dos outros autores supracitados, 
que é o papel da propriedade privada no desenvolvimento da sociedade civil. Rousseau 
afirma que“o primeiro homem que, tendo cercado um pedaço de terra, “(...) dizendo ‘isto 
é meu’ e encontrando pessoas simples o bastante para acreditar nele, foi o fundador real 
da sociedade civil” (ROUSSEAU apud COLÁS, 2002, p. 32).” Locke, por sua vez, 
apresenta uma visão de sociedade civil marcada por ambigüidades com relação ao lugar 
da propriedade privada na gênese e no desenvolvimento da sociedade civil. 
Estas diferenças levaram a ver Locke como um teórico político do “individualismo 
possessivo” (COLÁS, 2002). Na verdade, o relacionamento de Locke com a propriedade 
privada aponta para outro fato, a saber, a relação deste autor com uma sociedade que 
começa a ser transformada pelo capitalismo agrário, mudanças estas que se encontram 
expressas em seu pensamento. É importante destacar que foi precisamente esta 
transformação social que encorajou a identificação da sociedade civil com a categoria 
analítica e prática da economia nas décadas seguintes. 
Segundo Magnoli (2013), por volta do final do século XVIII, a associação da 
sociedade civil com a sociedade capitalista de mercado foi acompanhada pela 
emergência da economia política. De maneira mais específica, através dos escritos de 
Adam Ferguson, Adam Smith e Karl Marx a sociedade civil se tornou intimamente ligada 
 
à divisão do trabalho, à produção em massa das commodities e à extensão das relações 
de propriedade privada características do capitalismo moderno. 
Conforme Magnoli (2013) em relação Segundo ele, à abordagem da ideia de 
sociedade civil pelo Iluminismo Escocês – Ferguson e Smith, por exemplo, nota-se um 
sentido bem particular com relação ao significado de conceitos como história, civilidade 
e sociedade. Em primeiro lugar, cumpre destacar a crença destes autores na ideia de 
sociabilidade aperfeiçoamento mas algo novo que, por outro lado, não representa uma 
negação absoluta da fase precedente. “Foi Locke o primeiro a introduzir a noção de 
propriedade privada como uma condição para a sociedade civil” (KALDOR, 2003, p. 18). 
Neste sentido, conforme Magnoli (2013) endossa a idéia de Montesquieu segundo 
a qual “os homens nascem em sociedade (...)” A questão então deixa de ser a 
sociabilidade e passa a ser porquê e como as sociedades se diferem no tempo e no 
espaço. Para responder tais perguntas esses autores adotam uma distinta filosofia da 
história, vendo assim a história como uma progressão da humanidade através de vários 
estágios o que diferenciaria as formas prévias de sociedade da sociedade civil moderna. 
Ou seja, para que fosse possível explicar a sociedade presente, fazia-se necessário 
examinar sua evolução, imputando assim uma lógica ou dinâmica particular à história. 
Mas o que acionaria essa lógica ou dinâmica? 
 Para Magnoli (2013), o motor da mudança histórica seria a propriedade: “parece 
evidente que o progresso é uma questão de propriedade (...) ela é na realidade a principal 
distinção das nações em estado avançado de arte mecânica” 
Em resumo seria apenas através do modo de subsistência caracterizado pela 
propriedade privada, pela divisão do trabalho e pela troca de commodities que as 
pessoas passariam a viver em uma sociedade civil. Nota-se, assim, que os autores do 
Iluminismo Escocês identificavam a sociedade civil com a sociedade de mercado 
capitalista. Para estes autores, somente a divisão do trabalho e a extensão do comércio 
poderiam gerar estabilidade e prosperidade, características fundamentais da sociedade 
civil. Ou seja, o Iluminismo Escocês representou o ápice de uma mudança gradual do 
entendimento político para o entendimento econômico da sociedade civil. Apesar de ser 
um autor controverso cuja teoria da sociedade civil é um amálgama original de reflexões 
 
prévias sobre este tema a partir de fontes tão diversas quanto o republicanismo antigo e 
a economia política iluminista, Hegel é outro autor relevante para a presente discussão. 
De acordo com Magnoli (2013), a sociedade civil (bürgerliche Gesellschaft) era 
constituída por associações, comunidades e corporações que teriam um papel normativo 
e sociológico fundamental na relação entre os indivíduos e o Estado. Neste sentido, a 
esfera distinta da sociedade civil – embora de certa forma subordinada ao interesse 
universal do Estado racional – é reconhecida como tendo uma importante função dentro 
do projeto de uma Vida Ética. 
Conforme citado por Magnoli (2013), de maneira mais específica, identificava a 
sociedade civil como um espaço historicamente concreto de interação social entre 
indivíduos. Tal interação era condicionada por três elementos: 
1. Um “sistema de necessidades” ou de maneira mais ampla, a economia; 
2. Uma “administração da justiça” que protege a propriedade como a fonte da 
liberdade individual; 
3. E“a polícia e a corporação” como reguladores das duas esferas 
precedentes. 
Portanto, caro aluno (a), observa-se, aqui, a relação de Hegel com seus 
predecessores: o conceito de “sistema de necessidades” é originado diretamente dos 
economistas políticos escoceses; Da ênfase hegeliana na idéia de que a sociedade civil 
é habitada por indivíduos detentores de direitos se remete à formulação lockeana; e a 
noção de que a sociedade civil é um produto de uma época histórica distinta é 
compartilhada pelos iluministas. Aqui, Hegel reconhece o papel desempenhado pelas 
organizações sociais, corporações, associações e comunidades da sociedade civil na 
mediação do relacionamento político entre o indivíduo e o Estado (COLÁS, 2002). Tal 
reconhecimento do papel das associações e organizações intermediárias deve 
necessariamente ser visto dentro do contexto do projeto normativo de Hegel. 
Pode-se observar que na verdade, um dos propósitos desse autor era o de 
apresentar uma alternativa política e ética à crescente alienação individual imposta pela 
sociedade moderna: se por um lado Hegel reconhece as realizações da moralidade 
moderna – embasada na racionalidade universal e no seu respeito à consciência 
 
individual –, por outro crê que a moralidade só faz sentido dentro de uma comunidade, 
através do envolvimento dos indivíduos na vida pública. 
Portanto é neste sentido que os elementos associativos da sociedade civil 
assumem um papel tanto representativo quanto ético: integrando os indivíduos em uma 
comunidade mais ampla e educando-os nas virtudes da vida cívica. 
Por isso,é possível identificar duas inovações na teoria da sociedade civil de Hegel: 
1. O reconhecimento da importância das associações independentes como 
componentes fundamentais da sociedade civil que desempenham o papel de 
mediadoras entre os indivíduos e o Estado – ou seja, em Hegel “a sociedade civil 
constitui o momento intermediário entre a família e o Estado (...)” (BOBBIO, 
1991, p. 30). 
2. Devido à importância que dá às dimensões comunais da existência 
humana, o conceito hegeliano de sociedade civil reconhece a centralidade dos 
indivíduos conscientes e reflexivos na construção da sociedade civil moderna 
(COLÁS, 2002, p. 32). 
 
Além disso, nota-se também uma inovação em relação às teorizações anteriores 
na medida em que Hegel chama de sociedade civil aquela que seria a sociedade pré-
política, isto é, a fase da sociedade humana que era até então chamada de sociedade 
natural (BOBBIO, 1991). 
Em relação, à contribuição de Karl Marx, conforme relatado por Magnoli (2013) 
para o entendimento da idéia de sociedade civil, nota-se que se trata por um lado de uma 
resposta à Hegel e por outro de uma interpretação deveras influenciada pelos teóricos 
políticos do Iluminismo Escocês. Isso fica claro quando consideramos dois elementos 
básicos da visão de sociedade civil de Marx: a associação desta com a esfera de 
produção e seu caráter histórico como limiar da modernidade. Marx define a sociedade 
civil acima de tudo como a arena da luta de classes. Seguindo a formulação hegeliana 
de sociedade civil como um “sistema de necessidades”,para Marx (1993, p.53) a 
sociedade civil consiste de massas separadas cuja formação é fortuita e não remonta a 
uma organização. 
Essas massas separadas são definidas em relação à esfera produtiva. Desta 
forma, vê-se que Marx busca destacar como as relações sociais de poder sob a 
sociedade civil são definidas pela emergência de duas classes antagônicas: burguesia e 
proletariado, cuja existência “Uma resolução do problema da democracia requer que se 
encontre um local para a liberdade, para a excelência humana, para a re-emergência da 
 
virtude pública, e para a possibilidade de grandeza” remonta a uma organização 
particular da produção. A sociedade civil de Marx é a bürgerliche Gesellschaft que, 
especialmente após Hegel e sua interpretação por parte da esquerda hegeliana, passou 
a significar “sociedade burguesa” no sentido próprio de sociedade de classe. Tal 
sociedade burguesa tem por sujeito histórico a burguesia, uma classe que completou a 
sua emancipação política libertando-se dos vínculos do Estado absolutista e contrapondo 
a este Estado tradicional os direitos do homem e do cidadão que são, na verdade, os 
direitos que protegem os interesses particulares da classe burguesa (BOBBIO, 1991). 
Segundo Magnoli (2013) para a sociedade civil seria o momento do 
desenvolvimento das relações econômicas que precede e determina “em última 
instância” o momento político. De maneira mais específica, “o Estado, a ordem política, 
é o elemento subordinado, enquanto a sociedade civil, o reino das relações econômicas, 
é o elemento decisivo”. Neste ponto é possível identificar uma semelhança e uma 
condição prévia para a emergência da sociedade civil, que se encontra na separação de 
uma esfera privada da produção e da troca da arena pública do Estado político. 
Além disso, esse domínio privado da produção seria caracterizado por uma 
divisão do trabalho que facilitava a troca de commodities entre indivíduos livres e iguais. 
A sociedade civil é, para Marx, associada ao reino privado das relações entre indivíduos, 
ou seja, um espaço social que foi vagarosamente desvinculado tanto do universo afetivo 
da família quanto do domínio formal do Estado mediante o triunfo das relações 
capitalistas de produção na Europa: “a sociedade civil abrange todo o intercâmbio 
material dos indivíduos, no interior de um fase determinada de desenvolvimento das 
forças produtivas. (...) A sociedade civil, como tal, desenvolve-se apenas com a 
burguesia” (MARX, 1993, p. 53). 
Nota-se, assim, que para Marx (1993) o Estado não expressa uma superação da 
sociedade civil mas sim um reflexo desta. Na verdade, o Estado contém a sociedade civil 
a fim de conservá-la tal como ela é. 
(...) A forma de intercâmbio, condicionada pelas forças de produção existentes 
em todas as fases históricas anteriores e que, por sua vez, as condiciona, é a 
sociedade civil (grifo do autor); (...) Sendo assim, esta sociedade civil é a 
verdadeira fonte, o verdadeiro cenário de toda a história, e quão absurda é a 
concepção histórica anterior que, negligenciando as relações reais, limitava-se 
às ações altissonantes dos príncipes e dos Estados”. (MARX, 1993, p. 53). 
 
 
Portanto, é possível notar, que há uma variação muito grande no significado do 
termo “sociedade civil”. Na medida em que mudam os autores, mudam as épocas, 
mudam os contextos históricos e mudam as perspectivas políticas, o que influencia e 
enriquece deveras esse conceito tão relevante para a teoria política. Estes são apenas 
alguns dos autores clássicos que influenciaram e influenciam até os dias de hoje as 
discussões sobre o conceito de sociedade civil. 
 
 
 
4 FUNCIONAMENTO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 1156923271 
 
Conforme Magnoli (2013), as teorias políticas clássicas concentram seu interesse 
nas relações internas aos Estados, entre o governante e a sociedade em geral. O estudo 
das relações internacionais, ou seja, das relações estabelecidas entre os Estados, é 
muito mais recente e ganhou o estatuto de disciplina acadêmica apenas no século XX. 
A preocupação com o sistema internacional de Estados foi estimulada pela 
constituição progressiva de uma economia integrada, de âmbito mundial. As 
transformações na produção e circulação de mercadorias típicas dos séculos XVIII e XIX 
— a época da Revolução Industrial — aumentaram a relevância dos estudos de relações 
internacionais. A própria análise do Estado foi cada vez mais influenciada pelas 
considerações relacionais, ou seja, pela investigação da posição ocupada e do papel 
desempenhado por cada Estado no sistema geral e no subsistema particular no qual está 
inserido. 
O vasto campo de estudo das relações internacionais não é definido de forma 
consensual. Diferentes autores encaram de modo divergente — e muitas vezes 
conflitante — o objeto das relações internacionais. Grosso modo, é possível identificar 
 
três tradições divergentes que informam a produção acadêmica de teorias sobre as 
relações internacionais. 
A primeira dessas tradições gerou a chamada escola idealista. Oriunda do 
pensamento iluminista, a escola idealista enfatiza a comunidade de normas, regras e 
idéias que sustenta o sistema de Estados. Sua fonte é a noção do direito natural que, 
aplicada ao sistema internacional, implica a definição de justiça como arcabouço das 
relações entre os Estados. 
Dessa forma, conforme Magnoli (2013), no pensamento idealista, o uso eventual 
da força pelos Estados encontra justificativa apenas quando orientado pelo desígnio de 
eliminar a força do interior do sistema, resguardando a justiça internacional das 
agressões de agentes que não compartilham as regras consensuais. Sendo assim, os 
ecos da visão rousseauniana do contrato social ressurgem aqui, em um contexto 
específico. Os Estados formam uma “comunidade internacional”, assentada sobre um 
“contrato moral” baseado na noção de justiça. 
Essa antiga tradição filosófica corporificou-se no mundo anglo-saxão sob a forma 
de reação moral aos horrores da Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). As doutrinas e 
políticas formuladas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha no final da guerra e no entre-
guerras expressaram a rejeição às práticas estabelecidas da “política da força” e 
refletiram a vontade de submeter as relações entre os Estados ao império da lei. 
A escola idealista assenta-se sobre a ideia iluminista da possibilidade de uma 
sociedade perfeita. Essa meta moral condiciona o caráter francamente reformista dos 
autores idealistas, que se preocupam em adaptar o sistema internacional às exigências 
do direito e da justiça. Os célebres “Catorze Pontos” do presidente americano Woodrow 
Wilson, bem como os princípios fundadores da Liga das Nações, inscrevem-se como 
exemplos da influência idealista na diplomacia do século XX. 
Até certo ponto, a “política do apaziguamento” de Chamberlain e Daladier foi 
facultada por essa corrente de ideias. 
A segunda tradição informa a escola realista. Sua ênfase não recai numa 
comunidade ideológica do sistema internacional, mas em seu potencial conflitivo. As 
raízes dessa corrente de pensamento encontram-se essencialmente em Maquiavel e 
Hobbes. Maquiavel sublinhou a importância da força na prática política, que não está 
 
limitada por constrangimentos morais, e conferiu plena legitimidade aos interesses do 
soberano. Em seu pensamento, os fins selecionam e condicionam os meios. Hobbes, 
como Maquiavel, nutria profundo pessimismo em relação à natureza humana. Seus 
comentários sobre o sistema internacional traçam um paralelo entre as relações 
estabelecidas pelos Estados e as relações estabelecidas pelas pessoas na ausência de 
Leviatã. Por essa via, ele realça uma ideia que se tornou a fonte da argumentação básica 
da escola realista: a ausência de um poder soberano e imperativo nas relações 
internacionais. 
Segundo Magnoli (2013) às doutrinas realistas formama mais densa tradição de 
política externa desde que se configurou o moderno sistema de Estados. Contudo, no 
plano acadêmico, a escola realista desenvolveu-se como reação aos melancólicos e 
trágicos fracassos da “política do apaziguamento” conduzida na Europa do entre-
guerras. Hans Morgenthau, autor de Politics Among Nations, é considerado o fundador 
do pensamento realista contemporâneo. Substituindo a meta moral da reforma do 
sistema internacional pela análise das condições objetivas que determinam o 
comportamento dos Estados, os pensadores realistas ancoraram sua argumentação nas 
noções da anarquia inerente ao sistema e da tendência ao equilíbrio de poder como 
contraponto a essa anarquia. 
As divergências entre os autores realistas a respeito das condicionantes do 
comportamento dos Estados originaram a corrente neo-realista, também conhecida 
como realismo estrutural. Contrariamente a Morgenthau, que se contentou em definir o 
comportamento dos Estados como ânsia de poder, os neo-realistas preferiram identificar 
a busca da segurança como causa última da prática política no sistema internacional. 
Esse enfoque realça a problemática da estrutura do sistema, que define as formas e os 
graus da insegurança experimentados por cada agente isoladamente. 
No pós-guerra, o desenvolvimento de uma densa rede de instituições 
internacionais conduziu uma corrente de autores a rever a noção de anarquia inerente 
ao sistema internacional. Esses autores, dentre os quais se destacam Robert Keohane, 
Joseph Nye e Stanley Hoffmann, estabeleceram, no interior do campo realista, uma 
corrente institucionalista. Os institucionalistas enfatizam a abrangência crescente do 
direito internacional, corporificado em instituições que balizam a atuação dos Estados. O 
 
impacto da existência da rede de instituições internacionais sobre a percepção de 
segurança e as estratégias estatais, principalmente no cenário europeu, é o tema de 
investigação dessa corrente. Seu argumento central consiste em destacar a limitação da 
soberania e a paralela redução da insegurança decorrentes dos compromissos 
institucionais. 
A terceira tradição plasmou a chamada escola radical. Suas raízes, mais recentes, 
ancoram-se no pensamento de Karl Marx e, por isso, a escola radical é também 
denominada neomarxista. Karl Marx não produziu uma teoria do sistema internacional, 
mas da História e da revolução social. Ao contrário das tradições citadas anteriormente, 
seu objeto não é a cooperação ou o conflito entre Estados, mas o conflito entre as classes 
sociais.O Estado é um elemento marginal no pensamento marxista, e o comportamento 
dos Estados, quando enfocado, surge apenas como veículo para interesses econômicos, 
políticos ou ideológicos de outros agentes (classes socioeconômicas e corporações 
industriais e financeiras, por exemplo). Contudo, principalmente com Lenin, a tradição 
marxista forjou um pensamento sobre as relações internacionais. 
O ambiente internacional das últimas décadas do século XIX e início do século 
XX condicionou a teorização leninista sobre o imperialismo. A expansão neocolonial das 
potências europeias na Ásia e na África e as políticas semicoloniais dos Estados Unidos 
no Caribe e no Pacífico, e as do Japão no Extremo Oriente, constituíam o foco das 
preocupações do russo. Lenin apoiou-se na obra Imperialism, do britânico não-marxista 
John Hobson, para produzir uma versão marxista: Imperialismo, o estágio superior do 
capitalismo.Nessa obra, que influenciou duradouramente o pensamento de partidos e 
organizações de esquerda, o líder revolucionário russo estabelecia interessantes 
conexões entre a economia política do capitalismo, a luta pela divisão de mercados e o 
imperialismo neocolonial. Entretanto, o argumento original de Lenin consistia na ligação 
entre a prática imperialista e a guerra entre potências. 
O imperialismo abre as portas para a guerra — e, assim, para a revolução social, 
essa era a mensagem.O arcabouço das teorias neomarxistas sobre o sistema 
internacional ampara-se na análise das relações de subordinação econômica entre 
países em estágios desiguais de desenvolvimento industrial e tecnológico. Immanuel 
Wallerstein, um dos mais importantes pensadores radicais e autor de The capitalist world 
 
economy, forneceu as bases conceituais para uma teoria dos sistemas mundiais. O foco 
dessa teoria está nos padrões de dominação e na rede de relações econômicas entre as 
sociedades, não na estrutura do sistema internacional de Estados. Ela traça a evolução 
do sistema capitalista distinguindo áreas centrais e periféricas e procurando as raízes do 
desenvolvimento e do subdesenvolvimento. 
Os enfoques da escola radical adquirem especial interesse na abordagem dos 
fenômenos contemporâneos da globalização: fluxos de capital e mercadorias, mercados 
financeiros, mundialização das corporações industriais e configuração de blocos 
econômicos macrorregionais. Do ponto de vista metodológico, as análises neomarxistas 
contribuem principalmente para lançar luz sobre os agentes do sistema internacional que 
não são Estados: grupos econômicos e corporações transnacionais, igrejas, instituições 
privadas multilaterais, organizações sindicais, ambientais e não-governamentais em 
geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Termos e Conceitos Importantes 
 
 
Monarquias absolutas 
Monarquias européias da Idade Moderna, assentadas sobre o princípio do direito divino 
do rei, que subordina e enquadra a nobreza. O reinado de Luís XIV na França (1643- 
1715) representou o apogeu do absolutismo. 
 
Reinos medievais 
Unidades políticas da Idade Média européia, caracterizadas pela fragmentação do poder. 
Nesses reinos, o poder real diluiu-se, horizontalmente, entre a nobreza feudal e 
subordinou-se, verticalmente, à Igreja de Roma. 
 
Estado territorial 
Modelo de Estado que emerge na Idade Moderna, com o advento das monarquias 
absolutas europeias. Caracteriza-se pela constituição de aparatos burocráticos e 
militares centrais e pela definição das fronteiras políticas. 
 
Tribunos da plebe 
Representantes dos plebeus, os cidadãos que não pertenciam à aristocracia patrícia, no 
governo da República romana. 
 
Modelo jusnaturalista 
Doutrina segundo a qual existe um direito natural, anterior e superior ao direito positivo 
estabelecido pelo Estado. 
 
Estado-Nação 
Modelo de Estado que emerge na Idade Contemporânea, com a Revolução Americana 
e a Revolução Francesa. Caracteriza-se pelo princípio da soberania popular. 
 
Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. P.30. Disponível 
em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
REFLITA 
 
“Só há dois tipos de relação sem conflito: as de subordinação e as que não existem.” 
 
https://app.saraivadigital.com.br/
 
 Marco Aurélio Garcia. 
 
#REFLITA# 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Caro aluno (a) chegamos ao final, da unidade I onde foi possível apresentar a 
você alguns conceitos importantes referente a este rico assunto Relações Internacionais, 
onde alguns chamam de RI. 
Você estudou aqui os primeiros fatos referente a origem das relações 
internacionais, O pensamento político e o fundamento das relações internacionais Além 
disso, A teoria da sociedade civil internacional e para finalizar a unidade I, 
Funcionamento das relações internacionais. As Relações Internacionais surgem como 
um domínio teórico da Ciência Política no período imediatamente posterior à Primeira 
Guerra Mundial. Os estudos foram iniciados pelo Royal Institute of International Affairs, 
fundado em 1920, o pioneirismo no estudo exclusivo às relações internacionais. No 
mesmo período, a London School of Economics inaugurou um Departamento de 
Relações Internacionais, que posteriormente seria importante para a construção de 
teorias da escola inglesa de relações internacionais.Observa-se que historicamente, as políticas de profissionalização do corpo 
diplomático só foram deflagradas, nos países pioneiros, na segunda metade do século 
XIX. Antes disso, os diplomatas eram recrutados no círculo restrito das elites que 
gravitavam nas cortes e nos governos. Naquelas condições, a carreira desenvolvia-se 
de acordo com regras informais, dependentes, muitas vezes, de laços pessoais ou 
familiares. A herança dessa época sobrevive em hábitos e atitudes de solidariedade 
entre diplomatas de diferentes países e numa certa cultura aristocrática que se dissolve, 
aos poucos, sob o impacto da profissionalização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
• Título: Relações internacionais. 2 ed. 
• Autor: Demétrio Magnoli. 
• Ano: 2013. 
• Editora: Saraiva. Disponível em https://app.saraivadigital.com.br 
• Sinopse: Esta é uma obra de introdução ao campo das relações internacionais. O seu 
foco está direcionado para as escolas de pensamento, as teorias e os conceitos que 
pretendem oferecer explicações para as políticas dos Estados, nas suas interações com 
os demais Estados. O seu objeto é o sistema internacional configurado a partir da Idade 
Moderna. O subtítulo Teoria e História indica uma perspectiva metodológica que deve 
ser esclarecida. Recentemente, instalou-se uma vertente que aborda as relações 
internacionais a partir de modelos conceituais baseados na teoria dos jogos — como se 
o comportamento dos Estados pudesse ser compreendido por intermédio de fatores e 
variáveis atemporais. Esta obra não compartilha dessa crença. Ela se situa no terreno 
da tradição da abordagem histórica das relações internacionais. As raízes dos tratados 
e das guerras, do conflito e da cooperação, devem ser buscadas pela interpretação de 
tramas de eventos singulares, que participam de contextos econômicos e culturais 
definidos. Segundo essa perspectiva, os Tratados da Westfália, de 1648, devem ser 
decifrados na moldura de uma Europa que transitava dos valores universais da Igreja 
para os interesses particulares dos Estados, assim como o Congresso de Viena, de 
 
1815, deve ser entendido no quadro da reação das monarquias ao expansionismo 
napoleônico. As teorias das relações internacionais são narrativas históricas. O estudo 
das relações internacionais inscreve-se na esfera da teoria política e se equilibra na 
fronteira, muitas vezes imprecisa, entre diferentes campos do conhecimento. A seção de 
Orientação Bibliográfica, que aparece no final do livro, constitui uma proposta de 
aprofundamento do estudo e um atestado da dívida que as relações internacionais 
mantêm com a Filosofia Política, a História, a Geografia Política, a Economia, a 
Sociologia e o Direito Internacional.
 
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título. A Passage to India (Passagem para a Índia, 1984) 
• Ano: 1.984. 
• Sinopse: No final dos anos 20 Adela Quested (Judy Davis), uma rica inglesa de ideias 
liberais, viaja para fora do país pela primeira vez, indo à Índia para encontrar seu noivo. 
O choque cultural acontece, mas quando tudo parecia facilitar a integração Adela acusa 
o jovem Dr. Aziz (Victor Banerjee) de tentativa de estupro durante um passeio até as 
cavernas de Maraba 
• Link do trailer: https://www.youtube.com/watch?v=1wJiTsARqrE 
 
 
WEB 
 
Ministério das Relações Exteriores: http://www.mre.gov.br 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
HEDLEY, Bull. The anarchical society: a study of world politics. London: The 
Macmillan Press, 1977 
 
BOBBIO, Norberto. Thomas Hobbes. Rio de Janeiro: Campus, 1991. 
 
COLÀS, Alejandro. International civil society. Social movements in world politics. 
Cambridge: Polity. 2002. 
 
FONSECA JR, Gelson. O interesse e a regra: ensaios sobre multilateralismo. São 
Paulo: Paz e Terra, 2008 
 
LESSA, Mônica Leite; GONÇALVES, da Silva Williams. História das Relações 
internacionais: teoria e processos / Organizadores, Rio de Janeiro: EdUERJ, 2007. 
250 p. – (Coleção Comenius) 
 
MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. 
Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. Lisboa: Edições 70, LDA, 1993. 
 
PECEQUILO, Cristina Soreanu. Introdução às Relações Internacionais. Temas, 
atores e visões. Petrópolis: Editora Vozes, 2004. 
 
 
 
 
https://app.saraivadigital.com.br/
 
UNIDADE II 
DESTAQUES INTERNACIONAIS 
Professora Especialista Margarete Campos Vieira 
 
 
Plano de Estudo: 
 
● Principais marcos metodológicos; 
● Análise da Teoria das Relações Internacionais; 
● Principais autores e suas correntes clássicas; 
● Principais correntes e relações brasileiras. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
 
● Apresentar os Principais marcos metodológicos; 
● Analisar as principais teorias das Relações Internacionais; 
● Estudar os principais autores e suas correntes clássicas; 
● Estudar as principais correntes e relações brasileiras. 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Prezado (a) acadêmico (a) nesta nesta unidade irei apresentar alguns destaques 
em relação às relações internacionais. É importante sempre lembrar que no final desta 
unidade você terá também algumas curiosidades e dicas de filmes e livros para 
complementar seus estudos. Não deixe de apreciar os conteúdos oferecidos aqui. Para 
iniciar nossos estudos, iremos apresentar os principais marcos metodológicos, marcos 
estes que foram importantes nos estudos das relações internacionais e você poderá 
entender melhor a importância deles para os estudos propostos. 
Após apresentados os principais marcos, irei também apresentar a você e trazer 
algumas análises sobre as principais teorias das Relações Internacionais. E para 
aprimorar este estudo, convido você a estudar os principais autores e suas correntes 
clássicas. Entre estes autores, destacam-se alguns como: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio 
e Maquiavel, Hobbes e Richelieu, respectivamente. 
E para finalizar esta unidade irei apresentar algumas estudar as principais 
correntes e relações brasileiras em relação aos momentos políticos marcantes da época. 
Portanto, é importante destacar que o pensamento das Relações Internacionais 
buscou na referências clássicas que explique melhor os fatos. Sendo assim, destacaram-
se vários autores em que o poder é o elemento central de suas teorias. 
 Como já estudado na Unidade I, para o realismo do século XX que estava se 
construindo, diversos conceitos como sobrevivência, poder, estado de natureza, auto 
interesse era o enfoque dado na leitura desses clássicos. Nas teorias realistas das 
relações internacionais, que reivindicam um caráter objetivo, empírico e pragmático, o 
Estado é colocado no centro das discussões, pois se considera que o Estado é o ator 
principal das relações internacionais. 
 
Obrigado por continuar comigo e desejo bons estudos! 
 
 
1 PRINCIPAIS MARCOS METODOLÓGICOS 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 476588971 
 
Prezado (a) acadêmico (a) neste tópico você irá estudar sobre os principais 
marcos metodológicos que marcam as relações internacionais. Sabe-se que todo 
método opera uma forma de caminho conhecido para a produção da ciência. Os 
primeiros registros do conhecimento sobre a natureza e a ciência partem das 
observações humanas ao longo dos tempos, conforme Castro (2012, p. 271): 
 
O método corresponde, nas pesquisas científicas em Relações Internacionais, à 
determinação de rota factível (dentre as várias trilhas disponíveis ao sujeito e 
seus interlocutores) para o processo de investigação. Tem duplos sentidos: 
atender ao próprio pesquisador na análise dos conceitos, na construção formal 
da pesquisa e no processamento das variáveis no bojo da mecânica da produção 
acadêmica e revelar, ao público interessado (leitores em geral), os meios 
utilizados no desenho dos resultados encontrados. Método e conhecimento são 
aportes de construção para o processo científico. Método e ciência trazem 
complementaridadese necessitam de mútua correlação sob a égide de 
constante verificação ou testes. (CASTRO, 2012, p. 271). 
 
Por isso, não há como os dois serem separados. Não existe processo nem 
tampouco cientificidade sem o devido método. A ciência normal, como assim entende 
Kuhn, são construções metódicas formadas (e reformadas) 
http://www.shutterstock.com/
 
Conforme Castro (2012, p. 271) as seguintes reflexões iniciais são de provocação 
importantes para o estudos das metodologias em relações internacionais: 
 
Será mesmo um caminho conhecido ou meramente um caminho apenas 
(re)conhecido pela comunidade acadêmica? O reconhecimento do caminho já 
amplamente trilhado anteriormente pelos sistemas de teorias (Popper) é uma 
forma de inovação nas Relações Internacionais? ao longo do tempo, 
acarretando, assim, os paradigmas aceitos perante uma comunidade científica. 
Assim, o método e sua sistematização formal, denominada de metodologia, 
vislumbram maneiras que possibilitam o avanço da produção científica e a 
elevação dos padrões de pensamento crítico e reflexivo. (CASTRO, 2012, p. 
271). 
 
Observa-se que todo método segue uma lógica formal posta e aceita como ponto 
estruturado de partida e de chegada. Não há dúvidas quanto ao imperativo do ponto de 
partida; o questionamento reside no caráter e no tipo de lógica formal posta e aceita para 
tal. Conforme Castro (2012, p. 272) há alguns questionamentos relevantes: 
 
Haveria, objetivamente, lógicas formais que melhor atenderiam os ditames 
complexos das Relações Internacionais? Existem dados confiáveis para refutar 
os saberes científicos da área internacional? Como se poderiam construir 
parâmetros lógico-sistêmicos de validação da pesquisa em RI? Muitas dessas 
perguntas são aqui deixadas pairando no ar, De toda maneira, há uma 
estruturação racional (cartesiana) crítica inerente ao processo metódico para as 
ciências e humanas, como também para as ciências chamadas duras ou para as 
ciências da natureza. Tal construção racional é produto de longo processo 
histórico no campo da filosofia da ciência, do cognitivismo e da 
epistemologia.(CASTRO, 2012, p. 272). 
 
1. 1 Do Método Dedutivo Cartesiano 
 
Segundo Castro (2012) O processo de organização e elaboração do método 
passa, necessariamente, pela construção e reconstrução do discurso, tendo sido 
Descartes1 seu principal articulador. O racionalismo cartesiano é, em grande medida, 
divisor de águas na filosofia renascentista não somente em razão do cogito (“penso logo 
existo”), mas, principalmente, pela sistemática estabelecida, por ele, sobre a constante 
refutação e sobre a dinâmica do questionamento como base da experiência da razão. O 
 
1 DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo, Nova Cultural, 1999. p. 49 - 51. 
 
 
célebre fundador do racionalismo no século XVII recebeu educação formal jesuíta e 
exerceu expressiva influência em Spinoza e em Leibniz. 
Segundo o filósofo francês, há quatro etapas na construção racional-
epistemológica da lógica formal dedutiva com sua cientificidade, assim expressa em sua 
obra Discurso do Método: 
 
O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse 
claramente como tal. [...] O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que 
eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim 
de melhor solucioná-las. O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, 
iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, 
pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos meus 
compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que se procedem 
naturalmente uns aos outros. E o último, o de efetuar em toda parte relações 
metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais tivesse certeza de nada 
omitir. (DESCARTES, 1999, p. 49 - 51). 
 
Para Descartes (1999) a lógica formal do método dedutivo se estrutura na busca 
por evidência, na análise, na síntese e, por fim, na enumeração, como apresentado 
acima. O método dedutivo apresenta-se como inferência do geral para o particular de 
maneira convergente. O método indutivo, por seu turno, defende que os dados 
particulares, quando evidenciados, geram generalizações mais amplas e válidas. 
Segundo ele, o método dedutivo, portanto, assevera que, se todas as premissas são 
verdadeiras, então, por conseguinte, a conclusão deve ser também verdadeira. As 
informações que fazem parte da conclusão já devem estar presentes nas premissas. No 
dedutivismo, para que uma determinada conclusão seja falsa, pelo menos uma de suas 
premissas teriam de ser falsas. Exemplo:Todos os países que são continentais possuem 
grande estatura de poder internacional. Ora, o Brasil é um país continental, logo, o Brasil 
tem capital de força-poder-interesse (PI) de expressão internacional” : (LAKATOS, 2000, 
p. 63) 
Uma lógica diferente e inversa ao método dedutivo deverá ser posta em prática 
pelo método indutivo, como veremos a seguir. 
 
 
1. 2 Do Método Indutivo no Experimentalismo de Bacon 
 
 
Conforme Castro (2012), um dos contemporâneos de Descartes, Francis Bacon, 
foi considerado como inventor do “método experimental”, tendo substanciais 
contribuições para o método teórico da indução científica tal qual Galileu Galilei. 
Enquanto que Descartes propunha a dedução como método para alcançar a 
cientificidade por meio das refutações e questionamentos constantes, Galileu e Bacon 
consideram que o meio para atingi-lo era pelo indutivismo (método científico que obtém 
conclusões gerais a partir de premissas individuais. Isto é, uma forma de levar de forma 
real o método indutivo é sugerir, com base na observação ocorridas com de 
acontecimentos da mesma natureza, uma conclusão para todos os objectos ou eventos 
dessa natureza). 
Para BACON (1999) a tese de que o método científico experimental deveria ter 
cinco elementos cardeais conforme lê-se: 
 
(...) a experimentação, a formulação de hipóteses, a repetição, o teste das 
hipóteses e, finalmente, a formulação de generalizações e leis aplicáveis ao 
mundo real O método dedutivo e indutivo são formas de estruturar as trilhas 
percorridas pela produção científica na busca de respostas e nas explicações 
das muitas questões das ciências e, em particular, das Relações Internacionais. 
Sendo assim, se o processo de reflexão formal e construção metodológica for 
realizado de maneira imprecisa e imperfeita, os resultados obtidos trarão vieses, 
gerando, assim, falácias e ambiguidades. A metodologia deve conter, 
rigorosamente, e aplicar o princípio da coesão e coerência, cotejando com 
objetividade e subjetividade interpretativa, pois assim será possível articular 
melhor os saberes internacionais com suas construções multidisciplinares. 
Sendo assim, o método e o sistema perfazem a essência do saber científico, no 
qual o sistema representa o aspecto de conteúdo e o método, o aspecto formal.” 
Desse modo, método, metódica, metodologia e ciência são construções formais 
e partes integrantes de processo intrínseco, ao saber investigativo, que merecem 
observações e detalhamentos bem específicos para diferenciar suas esferas de 
abrangência e fronteiras.(BACON, 1999, p. 37) 
 
 
Segundo Castro (2012), como ciência autônoma e sistematizada, às Relações 
Internacionais possuem recorte metodológico próprio, mesmo que este seja baseado em 
fontes diversas do conhecimento humano. Além disso, tem-se advogado o 
reconhecimento do locus específico das Relações Internacionais, como uma ciência de 
vertente política. A inter e a transdisciplinaridade são enfatizadas e defendidas como 
canais válidos de argumentação e investigação das Relações Internacionais. Seu 
nascedouro acadêmico-disciplinar como ciência humana, social e política – na escala 
 
ampliada dedutiva – revela que, de forma crescente, tem havido uma necessidade de 
reconhecimento de sua autonomia por meio de um arcabouço metodológico próprio. 
 
Conforme Castro(2012), Bacon assevera a importância hierárquica do 
experimentalismo como base da intuição e da cientificidade dos objetos sociais. 
Observemos suas palavras abaixo: 
 
A melhor demonstração é, de longe, a experiência, desde que se atenha 
rigorosamente ao experimento. Se procurarmos aplicá-la a outros fatos tidos por 
semelhantes, a não ser que se proceda de forma correta e metódica, é falaciosa. 
[...] Dessa forma, ocorre que os homens realizam os experimentos levianamente, 
como em um jogo, variando pouco os experimentos já conhecidos e, se não 
alcançam os resultados, aborrecem-se e põem de lado os seus 
desígnios.(BACON, 1999, p. 37 - 97). 
 
Bacon (1999) é referência para o indutivismo no processo de experimentalismo 
científico. Aplicar o indutivismo para as Relações Internacionais é referendar uma 
determinada estratégia para verificação das variáveis aplicadas ao método. Bacon 
(1999) reforça a essencialidade da confirmação das premissas para validação das 
conclusões dos objetos analíticos das Relações Internacionais. Portanto, no indutivismo, 
se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é, provavelmente, verdadeira, 
porém, podendo ser ou não totalmente verdadeiras suas premissas estruturantes. A 
conclusão apresenta uma informação final por meio da inferência que nem sempre está 
presente nas premissas. Por exemplo, os países em desenvolvimento que foram 
estudados recentemente possuíam políticas cambiais de desvalorização de sua moeda 
nacional. Logo, todos os dez países que pertencem ao ASEAN têm práticas de 
desvalorização cambial. Ora, tais assertivas carecem de profundidade, rigor e maior 
formalismo de observação e de metodologia no que tange ao processo de verificação e 
testes da conclusão. 
 
1. 3 O Método Hipotético-dedutivo de Popper 
 
Conforme Castro (2012), Karl Popper é crítico veemente do método indutivo por 
entender que uma construção teórica leva em consideração todo o arcabouço de 
construção anterior com seus erros e acertos além de entender que a ciência deve 
 
sempre ser submetida a testes dedutivos. O experimentalismo dedutivo deve ser 
orientado pela formulação de um problema que, de maneira objetiva, gerará conjecturas 
e refutações, acarretando, assim, rejeição ou corroboração (aceitação), por via de testes 
e verificação. O falseamento também deverá assumir papel importante como erro a ser 
evitado na elaboração e formulação de novas teorias. 
O método hipotético-dedutivo oferece meios de construir, metodologicamente, a 
pesquisa em RI de maneira a traçar o levantamento das variáveis (dependente e 
independente) por meio da formulação inicial de um problema. A problematização deve 
ser resultado de eventuais contradições, lacunas e conflitos de expectativas existentes 
na corrente teórica predominante. Ou seja, quando as principais correntes teóricas não 
conseguem, devidamente, responder às questões atuais do foco da pesquisa. Uma 
conjectura é então formatada para responder, tentativamente, ao problema inicialmente 
posto. A criação de hipóteses, neste ponto, é fundamental para responder à 
problematização gerada pelo pesquisador. A hipótese deve ser verificada por meio de 
ferramentas estatísticas a depender dos objetivos delineados no desenho da pesquisa 
ou também a depender da amostragem.Com isso, testes diversos devem ser realizados 
pela observação, pela experimentação e pelas análises com vistas à aprovação ou 
rejeição da pesquisa. Se positiva, então uma nova teoria é formada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 ANÁLISE DA TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 1054169000 
 
Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, você irá estudar a análise da História 
Diplomática e perceberá que ela revela características distintas e, isso é o que define o 
objeto e a metodologia usada pelos historiadores nas relações internacionais. 
Conforme Castro (2012) sabe-se que as relações internacionais têm sido objeto 
de grande atenção por parte daqueles que se dedicam às Ciências Sociais. Esse 
interesse começou a se manifestar no início da década de 1990, quando o fim da Guerra 
Fria deu partida à intensa discussão a respeito do processo de globalização, e confirmou-
se desde os ataques terroristas aos alvos norte-americanos, em setembro de 2001. 
Todos esses acontecimentos despertaram a atenção dos estudiosos das Ciências 
Sociais, pois contribuíram decisivamente para a consolidação de uma ideia apresentada 
anteriormente, segundo a qual os Estados haviam se elevado a um grau de 
interdependência irreversível. 
http://www.shutterstock.com/
 
Sendo assim, passou a predominar a ideia de que já não havia mais como 
diferenciar os processos internos dos externos. Ou seja, inevitavelmente, todas as 
decisões relativas a questões internas passavam a apresentar efeitos externos, 
enquanto as decisões relativas a questões externas acabavam produzindo efeitos 
internos. 
Por isso caro (a) acadêmico (a), o conhecimento da realidade, em todas as suas 
dimensões, passou a incluir, necessariamente, o conhecimento das relações 
internacionais. Segundo Lessa e Gonçalves (2007), o movimento intelectual decorrente 
dessa nova maneira de perceber as relações internacionais mobilizou não apenas 
politólogos (especialistas em ciências políticas), economistas e juristas, mas também 
historiadores. Devido à sua complexidade, o conhecimento dos problemas internacionais 
contemporâneos requer a análise histórica. 
Portanto, neste sentido, não basta compreender o funcionamento das instituições 
e a capacidade de codificação conceitual de certos aspectos da realidade. Mas, para a 
produção do conhecimento, é indispensável acrescentar a esse trabalho intelectual de 
interpretação da realidade a articulação dos elementos ao longo do tempo. Somente 
quando examinados à luz de sua dimensão temporal, os fenômenos sociais, políticos, 
econômicos e culturais tornam-se cognoscíveis. Essa mobilização em torno dos 
historiadores para a produção de conhecimento acerca das relações internacionais teve 
como importante efeito despertar a atenção dos estudiosos para a História das Relações 
Internacionais. 
Conforme Lessa e Gonçalves (2007) os estudos históricos, que por tanto tempo 
ficará relegado a plano secundário, volta a ter posição de destaque. O caráter de 
urgência que passou a marcar o conhecimento sobre determinadas questões 
internacionais demonstrou que, sem o concurso da História das Relações Internacionais, 
os fenômenos do presente revelavam-se incompreensíveis. Por isso, quem se sente 
motivado a elevar seus conhecimentos referentes à História das Relações Internacionais 
para participar positivamente do debate sobre as questões internacionais 
contemporâneas depara-se, no entanto, com a falta de literatura específica. Embora os 
historiadores estejam permanentemente empenhados em refletir sobre sua prática, 
procurando reformular teorias, métodos e técnicas de pesquisa, com vistas a produzir 
 
um conhecimento da história socialmente útil, a dimensão internacional da história tem 
sido objeto de preconceitos ou ignorada pelos historiadores. 
Conforme contexto, ainda assim, muitos têm produzido admiráveis trabalhos de 
pesquisa, que contribuem significativamente para o conhecimento das questões 
internacionais. Entretanto, essa prática não tem se traduzido numa explicitação das 
questões teóricas que envolvem seu trabalho. Por isso, a carência em relação às 
questões teóricas relativas à História das Relações Internacionais, fixamos como objetivo 
deste texto elaborar algumas notas introdutórias sobre o assunto. 
Caro (a) acadêmico (a) para você entender melhor as Relações Internacionais, é 
importante entender também uma breve história e conceitos da História Diplomática que 
constitui o protótipo da História institucional. Seu desenvolvimento se deu no século XIX, 
simultaneamente à consolidação do moderno Estado nacionalna Europa e nas 
Américas. 
Segundo, Marc Ferro (1989) referente à História institucional, tem como objetivo 
justificar e legitimar a existência da instituição, sua organização e seus preceitos. A 
instituição pode ser o Estado, uma Igreja ou um partido político. Por meio da história do 
Estado, por exemplo, consagram-se determinadas interpretações de processos políticos 
considerados decisivos para sua formação, exaltam-se as personalidades heróicas que 
deram a vida em favor da nação e, enfim, glorifica-se a nacionalidade, distinguindo-a das 
demais. No caso da História Diplomática, a instituição em causa é o Estado em sua 
dimensão externa. 
Assim, privilegia-se a luta travada por ele para proteger a nacionalidade dos 
inimigos que ameaçam sua soberania. Para o melhor entendimento dessa relação entre 
história diplomática e Estado nacional, é conveniente definir o significado da palavra 
diplomacia. Essa palavra é uma derivação do verbo grego diploun, cujo significado é 
dobrar. Daí o significado original de diploma: peça oficial gravada numa placa dupla de 
bronze formando um díptico. 
 
No tempo do Império Romano, essa placa dobrada era usada como passaporte 
para as pessoas e salvo-conduto para as viaturas em trânsito pelas rotas 
imperiais. Mais tarde, o nome do diploma estendeu-se aos documentos oficiais, 
já não mais metálicos, que conferiam privilégios a seus portadores ou então 
 
registravam os acordos realizados com as comunidades estrangeiras. (MARC 
FERRO, 1989, p. 11) 
 
Devido ao acúmulo de grandes quantidades de tratados, os arquivos imperiais 
ficaram repletos de documentos pequenos, dobrados e redigidos de uma determinada 
maneira. Para conservar, decifrar e catalogar esses documentos, pessoas 
especialmente qualificadas passaram a ser empregadas: eram os letrados, que 
inauguraram assim as profissões de paleógrafo e arquivista. Segundo Harold Nicolson 
(1948) relata que: 
 
(...) até o fim do século XVII essas duas ocupações foram denominadas res 
diplomática, que designavam tudo aquilo que se relacionava com os arquivos ou 
com os diplomas. Os diplomas são, portanto, os mais antigos documentos 
oficiais escritos. Os letrados – aos quais cabia a tarefa de zelar por sua 
conservação e interpretar corretamente seu conteúdo – eram os funcionários do 
Estado habilitados a informar às autoridades tudo aquilo considerado necessário 
a respeito dos outros povos, com vistas a orientar a conduta destas em suas 
negociações. O grau de conhecimento acerca dos interlocutores e, 
consequentemente, o êxito nas negociações externas dependiam, em grande 
medida, da qualidade da res diplomática. (HAROLD NICOLSON, 1948, p. 24). 
 
A partir da mesma origem, consolidou-se o significado de diplomacia como “a 
maneira de conduzir os assuntos exteriores de um sujeito de direito internacional, 
utilizando meios pacíficos e principalmente a negociação” (PINO, 2001, p. 21). A História 
Diplomática é a história das relações do Estado com os outros povos, contada com base 
nos documentos oficiais do Estado (diplomas). Tendo a história brasileira como 
referência, José Honório Rodrigues apresenta a seguinte definição: 
 
A história diplomática investiga e relata a defesa dos direitos nacionais e as 
relações econômicas, sociais e políticas que se codificaram em tratados e 
convenções. Compreende o exame das origens e dos resultados de nossas 
negociações diplomáticas, as reparações pacíficas de afrontas, às aquisições 
sem guerra de partes de nosso território, as incorporações definitivas à custa de 
argumentos históricos e geográficos de grandes trechos, objetos de litígio, como 
as questões das Missões e do Amapá (RODRIGUES, 1978, p. 169). 
 
Conforme Lessa e Gonçalves (2007) convém enfatizar que a definição dada por 
Rodrigues é de uma razão irretocável. Isso porque o autor identifica com precisão “a 
defesa dos direitos nacionais” como o elemento essencial da História Diplomática, numa 
demonstração inequívoca de que todo o trabalho de pesquisa do historiador consiste em 
 
produzir o relato mais completo e verídico possível das negociações diplomáticas – o 
que depende do sucesso de seu esforço em decodificar as relações diplomáticas 
consubstanciadas em tratados e convenções. 
A História Diplomática ganhou forma no século XIX. Seu início foi praticamente 
determinado pela Revolução Francesa e suas consequências. Segundo o historiador 
francês J. Thobie: 
 
(...) as mudanças que dela resultaram estimularam as pesquisas e as reflexões, 
enquanto os Estados aperfeiçoavam o instrumento ministerial necessário para a 
eficácia de suas políticas exteriores e buscavam os meios de pôr os seus 
arquivos à disposição dos pesquisadores (J. THOBIE,1986, p. 198). 
 
Sendo assim, a reação das monarquias europeias à Revolução Francesa e, logo 
a seguir, a tentativa de Napoleão Bonaparte de construir um grande império francês na 
Europa geraram uma crise internacional que durou mais de duas décadas (1792 - 1815). 
No plano político-ideológico, a Revolução Francesa e o projeto napoleônico levaram o 
absolutismo ao descrédito, introduziram o princípio das nacionalidades na agenda 
internacional e criaram condições excepcionalmente favoráveis à independência das 
colônias ibéricas nas Américas. 
Segundo Castro (2012), para estabilizar o quadro político europeu e garantir uma 
paz duradoura, as potências vencedoras reunidas no Congresso de Viena (1815) 
tomaram uma série de medidas para apagar as profundas marcas produzidas pela 
intervenção napoleônica. 
Entre elas, as mais importantes foram: restaurar o poder dos príncipes, proteger 
a integridade dos Estados multinacionais e conter o processo das independências. Com 
base nos princípios da legitimidade dos príncipes e do concerto europeu e mediante a 
formação da Santa Aliança, as potências europeias conseguiram, pelo menos até a 
década de 1830, alcançar parcialmente seus objetivos. 
Conforme Castro (2012) A Primeira Guerra Mundial fez aumentar ainda mais o 
interesse pela História Diplomática, levando-a a atingir seu apogeu. O desenvolvimento 
e os surpreendentes resultados da guerra determinaram a exigência intelectual de 
encontrar uma explicação convincente para sua eclosão. A sociedade reclamava o 
conhecimento das causas daquele desastre que consumiu tantas vidas e deixou enorme 
 
destruição material. Competia aos historiadores, portanto, desvendar as razões que 
levaram a sociedade europeia à perda da ilusão que, durante muito tempo, alimentava a 
respeito da superioridade de sua civilização. Era o caso de se interrogar sobre a falência 
da diplomacia europeia, objetivada no colapso de seu sistema de alianças políticas, que 
romperá tão violentamente o secular equilíbrio das potências. 
Segundo Castro (2012), no Brasil, a produção de História Diplomática mais 
importante se deu ao longo da primeira metade do século XX. Os objetos prioritários da 
produção brasileira eram formados pelas questões de limites, pela Independência e pela 
República. Como para os historiadores europeus, a questão central para os historiadores 
brasileiros era a história da formação e da consolidação do Estado brasileiro, no que 
dizia respeito às suas relações com os demais países. 
Sendo assim, Castro (2012) escreve que a maioria das obras conhecidas de 
História Diplomática foram produzidas depois da Primeira Guerra Mundial. Isso se 
explica pelo impacto que a guerra provocou, resultando simultaneamente numa grande 
decepção em relação ao Velho Continente – que constituía o paradigma civilizacional 
das elites brasileiras – e numa necessidade de revelar a verdadeira identidade do Brasil. 
Além disso, colaborou significativamente para esse interesse pela história diplomática do 
Brasil a obra executada pelo Barão do Rio Branco, que, por meios exclusivamente 
pacíficos – negociação direta, compra e arbitragem – solucionou todos os problemas de 
fronteira do país com as nações vizinhas.Embora os documentos sejam fundamentais para a construção histórica, essa 
disciplina parte do princípio de que o objeto pesquisado é um dado da realidade que 
preexiste à ação investigativa do historiador. Cabe a ele a tarefa de retirá-los dos 
arquivos e estabelecer a correta sequência dos fatos da maneira mais isenta possível. 
Sendo assim, pode-se dizer que o objeto é a história do Estado em suas relações 
com os demais países, codificada na forma de instrumentos legais, como tratados, 
acordos, convenções etc. A metodologia usada é a de examinar os documentos para 
evidenciar a verdade dos fatos que neles estaria contida. A História das Relações 
Internacionais é considerada a superação da História Diplomática justamente porque 
elabora de maneira diferente tanto a definição do objeto como o uso da metodologia de 
pesquisa. No que diz respeito à definição do objeto, embora a História das Relações 
 
Internacionais não negligencie a importância da iniciativa dos Estados, requer a 
interpretação das influências geográficas, econômicas, culturais e ideológicas que 
condicionam a ação dos Estados em suas relações externas. Na expressão consagrada 
por estas são as “forças profundas” que formam o quadro no interior do qual agem os 
“homens de Estado”. Isto é, são essas forças profundas que dão sentido às decisões 
tomadas pelos representantes oficiais do Estado nas relações que mantêm com as 
demais nações e organizações internacionais. 
Por isso, caro (a) acadêmico (a), o processo de interação da parte do historiador, 
em primeiro lugar, parte do levantamento de uma hipótese de pesquisa. Depois da 
pesquisa, elaboração da hipótese que nasce do conhecimento empírico, ou seja, não 
científico. Ou seja, a partir de seu interesse, estudo, curiosidade intelectual ou vivência 
relacionada com a questão que o historiador levanta a hipótese que presidirá seu 
trabalho investigativo. A hipótese, por sua vez, consiste numa afirmação categórica, por 
isso, ele pode ser destacada por algumas características importantes: 
 
● Não pode ser formulada como uma pergunta. 
● A hipótese é um a-priori que a pesquisa confirma ou refuta. 
● É a partir de sua formulação que tem início o trabalho científico propriamente dito. 
● Isso porque a hipótese orienta o trabalho de seleção da documentação. 
● É ela que estabelece o critério de validade dos documentos. 
● Por si próprios, todos os documentos são iguais – sua importância ou irrelevância 
para uma determinada pesquisa depende, portanto, da hipótese com a qual o historiador 
trabalha. 
 
Porém neste estudo caro (a) estudante, pensando na História das Relações 
Internacionais, o documento tem um significado bastante abrangente. Diferentemente da 
História Diplomática, que só reconhece como documento de pesquisa os documentos 
diplomáticos em suas várias formas (memorandos, relatórios, memórias, despachos, 
tratados etc.), a história das relações internacionais considera documentos de pesquisa 
todos os registros escritos (jornais, panfletos, livros, cartazes, biografias, cartas etc.) e 
orais relativos à intervenção dos agentes sociais naquela realidade sob o crivo da análise 
 
histórica. Depois de selecionados os documentos, o trabalho do historiador passa a ser 
o de interrogá-los. O documento nunca contém um único sentido – sua leitura sempre 
pode possibilitar mais de uma interpretação. 
É a resposta dada à pergunta formulada pelo historiador que torna o documento 
peça relevante ou irrelevante para a comprovação da hipótese antes apresentada. Por 
essa razão, o interrogatório ao qual o historiador submete o documento é decisivo para 
o resultado da pesquisa. Ou seja, é a pergunta que qualifica a pesquisa, e o que qualifica 
a pergunta é o aparato teórico-conceitual usado pelo historiador. É o uso correto e criativo 
dos conceitos que organiza as idéias contidas no interrogatório do pesquisador. Os 
conceitos são ideias de aparência simples – para que possam ser facilmente manejáveis 
– que encerram em seu significado conteúdo de realidades amplas e complexas. O uso 
criterioso e coerente dos conceitos garante a objetividade da pesquisa. Nas palavras de 
Boaventura de Sousa Santos, destaca-se: 
 
(...) a objetividade decorre da aplicação rigorosa e honesta dos métodos de 
investigação que nos permitem fazer análises que não se reduzem à reprodução 
antecipada das preferências ideológicas daqueles que as levam a cabo. (SOUSA 
SANTOS, 2001, p. 31). 
 
Sendo assim, a crítica ao procedimento metodológico positivista que é dirigida à 
História Diplomática constitui, na realidade, parte de um processo bem mais amplo, que 
resultou em profunda reformulação dos estudos históricos na década de 1950. Talvez 
fosse até mais correto dizer, em virtude do pouco prestígio que a História Diplomática 
tinha junto aos críticos, que o movimento teórico de sua ultrapassagem pela História das 
Relações Internacionais desempenhou um papel puramente marginal na grande 
renovação dos estudos históricos. 
Portanto, conforme Castro (2012) foi após a Primeira Guerra Mundial que, na 
Inglaterra e nos Estados Unidos, se lançou o projeto do estudo sistemático das relações 
internacionais. Enquanto os historiadores empenharam-se em pesquisar as origens 
daquele conflito para identificar o país responsável pela sua eclosão, estudiosos da 
política, estimulados pelo mesmo acontecimento, buscavam elaborar uma teoria que 
explicasse por que as guerras são recorrentes na história. Estes intencionavam que, num 
 
futuro próximo, de posse desse conhecimento, fosse possível a cientistas e estadistas 
empreender intervenções na realidade internacional para evitar novas guerras. 
Ao longo da década de 1920, sob a influência do otimismo liberal que caracterizou a 
intervenção política do presidente norte-americano Woodrow Wilson na Conferência de 
Paz de Paris (1919), estudiosos europeus e norte-americanos convenceram-se de que 
a paz mundial dependia, fundamentalmente, da reforma das instituições. 
 
● O respeito ao direito à autodeterminação dos povos, com a conseqüente 
dissolução dos impérios coloniais; a substituição dos regimes autoritários por 
regimes democráticos; 
● A adoção do livre-comércio e a eliminação das práticas protecionistas; 
● A abertura dos mares à livre navegação; o aperfeiçoamento do direito 
internacional; 
● E o acatamento por parte dos Estados dos pactos firmados constituíam as 
condições de possibilidades básicas para a paz no mundo. 
 
Porém, essa visão otimista da evolução das relações internacionais sofreu duro golpe 
no início da década de 1930. A crise econômica iniciada nos Estados Unidos no final de 
1929 logo tomou conta do circuito capitalista internacional. Seus principais efeitos foram: 
 
● A supressão dos regimes democráticos e a emergência de regimes autoritários; 
● O colapso do livre-comércio e a fixação da autarquia como objetivo econômico; 
● E a prevalência dos nacionalismos agressivos sobre a cooperação internacional. 
● 
Sendo assim, a formação de tal quadro internacional conduziu os Estados 
europeus à nova guerra mundial, que se iniciou em 1939 e só teve fim em 1945.A eclosão 
de uma nova guerra, depois de apenas 21 anos de paz, pôs abaixo as esperanças 
alimentadas ao longo da década de 1920. Uma vez determinada, verificava-se o quanto 
o mundo havia mudado. A multipolaridade que até 1939 havia caracterizado o sistema 
internacional deu lugar à bipolaridade, ao mesmo tempo em que a cooperação entre a 
União Soviética e os Estados Unidos, na luta contra as potências do Eixo, transformou-
 
se em permanente hostilidade a partir de 1947.Este novo contexto internacional 
confirmava a ideia que se formara no início da década de 1930, segundo a qual o 
conceito de poder constitui a variável fundamental para a análise das relações 
internacionais.
 
3 PRINCIPAIS AUTORES E SUAS CORRENTES CLÁSSICAS 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/639680263Caro (a) acadêmico, após estudar as análises das relações internacionais, você 
estudará neste tópico alguns autores marcantes da história das Relações Internacionais. 
A escola realista é a mais antiga e a mais amplamente conhecida das escolas de 
pensamento em Relações Internacionais. 
Toda teoria não é fundada em um vácuo histórico. Uma teoria não é um todo vazio 
disforme e neutro. Uma teoria é revestida discreta ou abertamente de perfurações 
temporais e socioculturais. Toda teoria não é concebida por meio de um vazio de poder 
– mesmo que este não esteja vinculado ao pensar científico e ao fazer intelectual. O 
conjunto de conceitos que alicerça determinada teoria é formatado como produto direto 
de processo amplo de forças de contribuição com seus respectivos teóricos. Dessa 
forma, é natural supor que o realismo é objeto na fenomenologia do saber internacional, 
servido de inspiração causal para os próprios sujeitos no âmbito externo. 
Cada teoria criada e verificada em Relações Internacionais advém de vários 
campos do saber humano e adiciona ao amplo capital intelectual formando o arcabouço 
teórico (epistemologia) das Relações Internacionais, com suas respectivas falhas e 
virtudes. O campo de batalha pela luta e manutenção do poder ideológico acaba também 
 
por invadir as arenas teórico-científicas em várias áreas, em particular, nas Relações 
Internacionais. 
Os fundadores do realismo clássico podem ser posicionados em um hexágono: 
três grandes fundadores no mundo antigo (mundo oriental e greco-romano) e três 
grandes teóricos no mundo europeu pós-renascimento: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio e 
Maquiavel, Hobbes e Richelieu, respectivamente. 
Neste mesmo sentido histórico-linear, é importante ressaltar as ricas contribuições 
de Tucídides e sua narrativa realista sobre a Guerra de Peloponeso, entre 431 - 404 AC, 
como corolário do realismo na política internacional. A estratégia militarista e no discurso 
do clássico Sun Tzu (A Arte da Guerra) constitui elementos norteadores do realismo 
clássico. Para substanciar a síntese do pensamento do realismo clássico, foi escolhido 
um de seus principais representantes: 
Segundo Cardeal Richelieu (1947, apud Castro, 2012, p. 314), observou em suas 
palavras contidas em seu Testamento Político como ferramenta esclarecedora: “Quem 
detém o poder geralmente detém o direito nos assuntos do Estado, e quem é fraco terá 
dificuldade para fugir da culpabilidade na opinião da maioria das pessoas”. (RICHELIEU, 
1947. pp. 20 - 25). 
Conforme Castro (2012) desde a rica herança greco-romana, passando pelo 
mundo antigo e oriental, houve significativas contribuições para a formação epistêmica 
das Relações Internacionais. Da queda de Roma, em 476 DC, quando se inicia a Idade 
Média, até o renascimento em finais do século XV, houve certo hiato bastante espaçado 
nas contribuições historiográficas e políticas com diretas influências para o pensamento 
realista clássico em Relações Internacionais, especialmente pelo fato de que o 
pensamento teológico medieval não permitia que o homem se comportasse como ator 
protagônico de seu destino e de suas relações humanas. 
Castro (2012) escreve que os neoclassicismo realista tem seu corte temporal a 
partir do ano de 1945 quando o liberalismo idealista do período entre-guerras passa por 
processo de redefinição e relativo declínio no contexto do mainstream intelectual da 
época. A Liga das Nações mostrou ser organismo internacional com crises internas e 
incapacidades de articulação da ordem mundial, ocasionando declínio momentâneo do 
ideário liberal. Em que pese o fato de que Carr tenha escrito sua obra máxima “Vinte 
 
Anos de Crise” durante o período de guerras, o neoclassicismo, de cunho realista, terá 
seu início com a obra maiúscula de Hans Morgenthau: Política Entre as Nações. O 
mundo pós-guerra inaugura nova forma de compreensão atualizada do realismo clássico 
dos principais teóricos já explanados no item anterior: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio, 
Maquiavel, Hobbes e Richelieu. O impacto das novas tecnologias e das novas alianças 
(emergentes hegemonias EUA - URSS) pós - 1945 é expressivo na forma de pensar e 
de agir do realismo neoclássico, como iremos detalhar. 
O mundo pós-guerra inicia o período da era nuclear das Relações Internacionais. 
As duas bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki revelam para o mundo a força, 
diante dos impressionantes avanços nas telecomunicações, na medicina, nas ciências 
aeronáuticas e espaciais. Academicamente, há, nesse contexto, a consolidação da 
separação da disciplina das Relações Internacionais, com sua autonomia metodológica, 
de outras áreas, tais como a história e o direito internacional.469 Além disso, o contexto 
da guerra fria descortina a rivalidade de “soma zero” bipolar que influenciará nas 
concepções de Morgenthau sobre a amoralidade da política internacional. Morgenthau 
defende, ademais, que deve haver um fosso entre uma moral para a esfera pública e 
outra para a privada., conforme Castro (2012). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 PRINCIPAIS CORRENTES E RELAÇÕES BRASILEIRAS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/ 1926964121 
 
Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, apresento a você alguns dos importantes 
autores que marcaram a história relações internacionais no Brasil 
Conforme Lessa e Gonçalves ( 2007) da Regência do príncipe D. João ao fim do 
Primeiro Reinado Em 1822, ao surgir o Estado nacional no Brasil, as relações externas 
estabeleciam-se sobre bases bastante tensas e conflituosas, mercê de sua herança 
histórica europeia e, particularmente, portuguesa. De um ponto de vista estrutural, três 
linhas de força se inseriram: 
 
● A primeira, a dos eventos ocorridos na passagem do período napoleônico à 
restauração reacionária do Congresso de Viena; 
● A segunda, a da histórica dependência de Portugal em relação à Inglaterra; 
● A terceira, a da revolução da independência das colônias ibéricas, especialmente 
as vizinhas do sul. 
 
Segundo Lessa e Gonçalves (2007) Do ponto de vista conjuntural, o Estado 
nacional nascia no Brasil em crise de inserção econômica nos mercados mundiais, após 
o breve período de bonança aberto às exportações agrícolas propiciadas pela 
desorganização temporária da produção de bens tropicais nas colônias européias 
durante o conflito pan-europeu. 
 
 
Após o rompimento com Portugal, os mercados compradores se retraíram em 
virtude da recuperação das colônias européias. Sem esperança de que a 
mineração se recuperasse e ainda à espera de que a cafeicultura pudesse 
restabelecer o ciclo agroexportador, a jovem nação sofria rude contenção 
econômica, tendo de arcar com as consequências dos tratados comerciais 
assinados pelo príncipe regente D. João com a Inglaterra – os quais D. Pedro I 
renovou durante o processo de reconhecimento da Independência. (LESSA E 
GONÇALVES, 2007, p. 44). 
 
Neste breve contexto, caro (a) aluno (a), observa-se que as dificuldades 
encontradas para os governos e estados brasileiros foram e são muitas e, você poderá 
conhecer e estudar sobre elas em materiais sugeridos no final deste material. Agora 
vamos tratar da primeira república. 
 
Primeira República 
 
Lessa e Gonçalves (2007) destacam que o advento da república no Brasil causou, 
de modo imediato, uma mudança de prioridades e perspectivas nas relações externas 
brasileiras. Como sublimação de certo positivismo, emergiu uma variante nativista, 
segundo a qual o Império havia instituído o país de costas para os vizinhos americanos. 
Assim, a república nascia determinada a priorizar as relações com as nações do 
continente e, em especial, melhorar os laços com os vizinhos, produzindo, de certa 
maneira, uma descontinuidade nas prioridades do Império abolido. Por isso, os Estados 
Unidos serviram de espelho para a república nascente, em virtude de seu grau de 
desenvolvimento e da estabilidade de suas instituições.Pode-se aquilatar a admiração pelos Estados Unidos pela adoção de alguns 
preceitos da constituição norte-americana na carta magna de 1891 e pela 
utilização de elementos simbólicos, entre os quais a primeira bandeira 
republicana, listrada e com estrelas representando os estados. Priorizar as 
relações com os países do continente implicava dificuldades importantes no 
começo da república. Enquanto os Estados Unidos permaneciam incontestes no 
rol das nações americanas merecedoras de especial atenção, sobretudo por 
força das relações comerciais, as demais tinham poucos laços econômicos com 
o Brasil, quando não eram concorrentes no mercado internacional. Se os 
vizinhos platinos mereciam a devida atenção em virtude do peso histórico das 
relações com o Brasil. (LESSA e GONÇALVES, 2007, p. 60). 
 
 
Sendo assim, caro (a) acadêmico (a), nos cinco primeiros anos republicanos, sob 
forte influência militar, não foi possível nenhuma formulação de monta devido à 
instabilidade política, embora tumultuoso tenha sido pleno de problemas internacionais, 
com vários incidentes provocados pelas revoltas que então ocorreram, Lessa e 
Gonçalves (2007, p. 61). 
 
(...)Isso se deu, por exemplo, durante a Revolta da Armada, iniciada em 1893, 
que contestava a legitimidade do mandato de Floriano Peixoto e prometia o 
bombardeio da capital federal. Os comandantes dos navios de guerra 
estrangeiros ancorados na baía do Rio de Janeiro intervieram. Ameaçavam usar 
a força para impedir o confronto, alegando proteger os interesses e a integridade 
dos cidadãos de seus países. A Inglaterra propôs o envio de forças, o que o 
governo brasileiro não aceitou. Enquanto o Brasil procurava adquirir navios de 
guerra, a diplomacia brasileira se esforçava para atender às exigências e dar as 
explicações necessárias aos governos estrangeiros. (LESSA E GONÇALVES, 
2007, p. 61). 
 
Sendo assim, relata-se que, ao mesmo tempo, no sul ocorria a violenta Revolução 
Federalista, cujos chefes não se detinham em atravessar a fronteira uruguaia, 
organizando suas tropas do outro lado. Da mesma forma, a Argentina se inquietou, 
recusando-se a conceder asilo aos revoltosos da Marinha para não descontentar o 
governo brasileiro. Por isso, entre outros fatores, a instabilidade do momento provocava 
crises diplomáticas e falta de confiança do estrangeiro na república recentemente 
instituída, com pouco a se esperar do cumprimento dos compromissos internacionais e 
dos propósitos de política externa anunciados pouco depois da Proclamação da 
República, em 1889. (LESSA E GONÇALVES, 2007). 
 
Período de Vargas (1930-1945) 
 
Conforme Lessa e Gonçalves (2007) o período de quinze anos de Getúlio Vargas 
foi dos mais movimentados da história brasileira no que tange às relações externas, 
refletindo, em larga medida, a sucessão de crises que tomou conta do panorama 
mundial. Tendo assumido o governo em meio à recessão americana, que tanto afetou o 
Brasil em sua capacidade de exportar e saldar compromissos, Vargas com sua política 
externa – procuraria moldar-se de modo mais pragmático e menos “representativo”, 
feição até então dominante na diplomacia brasileira. Dois meses depois de empossado, 
 
Vargas determinou importantes mudanças no Ministério das Relações Exteriores, 
fazendo com que a diplomacia ficasse mais preparada e atenta aos assuntos 
econômicos. 
Portanto, desde o início de seu governo, ele procurou contar com o concurso 
do ministério em seu projeto de promover a industrialização brasileira, no sentido de 
torná-la menos dependente da importação de produtos de consumo. (LESSA; 
GONÇALVES, 2007) 
 
Período constitucional (1945-1964) 
 
Neste contexto, conforme Lessa e Gonçalves (2007), o fascismo estava 
fragilizado com o fim da Segunda Guerra Mundial, desse modo, abriu-se uma fase de 
restauração institucional e otimismo democrático no Brasil, com a expectativa de 
convivência das forças políticas opostas, em meio às dificuldades de crescimento 
econômico e às reivindicações sociais. 
Desse modo, em relação ao plano internacional, emergia um sistema antagônico 
e bipolarizado: de um lado, o bloco ocidental, liderado pelos Estados Unidos; de outro, o 
oriental, sob a égide da União Soviética, com suas disputas e conflitos regionais. A esse 
panorama deu-se o nome de Guerra Fria. As relações internacionais brasileiras nas duas 
décadas seguintes – e mesmo depois – seriam influenciadas de modo significativo pela 
interação do quadro interno e externo. 
Por isso, a estreita aliança entre o Brasil e os Estados Unidos durante a guerra 
fazia crer ao governo Dutra que o país seria beneficiado em seus interesses de 
investimento e crescimento econômico. Porém, ao tentar pôr em prática um ambicioso 
programa de sustentação do desenvolvimento econômico, baseado na implementação 
de saúde, alimentação, transportes e energia (Plano Salte), Dutra percebeu que não 
poderia contar com apoio irrestrito. Sendo assim, os Estados Unidos não estavam 
dispostos a ir além dos investimentos privados, para os quais desejavam tratamento mais 
flexível na legislação brasileira. Reivindicaram também modificação na política cambial 
e mais liberdade para a importação de produtos americanos, no que foram atendidos. 
 
Isso levou o Brasil a buscar financiamento para compensar os prejuízos. Sem apoio, o 
Plano Salte malogrou. 
 
Do regime militar à redemocratização 
 
Conforme Lessa e Gonçalves (2007) O governo Castelo Branco, primeiro do 
regime militar, reviu completamente a política externa, que passou a ser formulada pela 
prioridade “segurança e desenvolvimento”. Castelo Branco interpretava o contexto 
internacional da confrontação bipolar como determinante das relações externas, em 
todos os aspectos, sendo necessário adaptar-se às circunstâncias, pois uma política 
externa autônoma para o Brasil seria ilusória: “a preservação da independência 
pressupõe a aceitação de um certo grau de interdependência” (LESSA E GONÇALVES, 
2007, p. 92). 
Diante disso, Cuba passou a ser percebida como um fator de instabilidade 
continental e de desgaste com os Estados Unidos, o que levou ao rompimento de 
relações entre o Brasil e o regime de Fidel Castro, por recomendação do chanceler Vasco 
Leitão da Cunha. O rompimento foi uma indicação segura da alteração da política 
externa, que passou de “independente” ao alinhamento automático com Washington. 
Mais tarde, embora o governo brasileiro tivesse se negado a participar da Guerra do 
Vietnã, aceitou enviar tropas à República Dominicana, integrando a Força Interamericana 
de Paz, cuja missão era conter a esquerda naquele país. Isso contrariou a tradicional 
posição brasileira de não-intervenção e respeito à autodeterminação dos povos. 
Prezado (a) acadêmico (a) é importante relatar que a história das relações 
internacionais brasileiras é ampla e rica em detalhes e informações, aqui apresentei a 
você apenas um breve resumo e alguns dos marcos mais importantes, mas indico no 
final deste livro algumas referências que você poderá consultar e aprender mais. 
 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
 
5 curiosidades sobre futebol e relações internacionais que você não sabia 
 
O futebol e as relações internacionais têm em comum um passado de constantes 
encontros. Considerado por analistas internacionais como um forte instrumento de 
diplomacia, em especial a cultural, o futebol vem desde o século passado assumindo 
importante relevância no cenário internacional. Ao longo da história, Estados e 
organismos internacionais vêm se apropriando dos esportes como forma de difundir e 
propagandear suas agendas, com o futebol não é diferente. No âmbito interno aos 
Estados, o futebol contribui para a consolidação da identidade nacional enquanto que, 
no âmbito externo, o futebol pode ser usado para projeção internacional, influência 
política e inclusive ajuda na construção de uma imagem positiva para o exterior. Desta 
forma, o futeboltornou-se marcante artifício de soft power. E é nesse contexto de Copa 
do Mundo que apresentamos 5 curiosidades que relacionam o universo do futebol com 
as relações internacionais para você testar seus conhecimentos sobre o assunto. 
1. Vários esportes, incluindo o futebol, foram utilizados pela antiga União Soviética no 
período da Guerra Fria não apenas como forma de projeção internacional. Através da 
conquista do maior número possível de títulos internacionais, os esportes em geral foram 
utilizados como propaganda para demonstrar a superioridade do sistema econômico e o 
modelo de sociedade comunista frente ao capitalismo. 
2. O futebol também foi utilizado pela diplomacia nazista no período da Segunda Guerra 
Mundial para quebrar seu isolamento internacional. Para colocar em prática essa 
estratégia foi organizada, em 1935, uma excursão da seleção alemã à Inglaterra para 
uma histórica partida contra os inventores do esporte. A Inglaterra venceu por 3 a 0, no 
entanto, a curto prazo a estratégia do regime nazista alemão foi vitoriosa. 
3. A Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, teve papel simbólico para os alemães. 
Ainda vivendo em um país separado pelo Muro de Berlim, a vitória da Alemanha 
Ocidental sobre a Argentina por 1 a 0 na final, traduziu o sentimento de união nacional 
que mais tarde, naquele mesmo ano, se concretizaria com a derrubada do muro. A vitória 
foi comemorada por ambos os lados do muro, ocidental e oriental, e reunificou o coração 
dos alemães. 
 
4. O Brasil recentemente também lançou mão da diplomacia do futebol como recurso 
propagandístico. Um dos exemplos de sucesso dessa estratégia se deu no governo do 
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando, em 2004, realizou o “Jogo da Paz” entre 
Brasil e Haiti, em Porto Príncipe, capital haitiana. A partida foi uma iniciativa humanitária 
do próprio presidente Lula como contribuição para o processo de paz do Haiti que sofria 
com a instabilidade política após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. O 
jogo teve grande repercussão internacional e foi transmitido para mais de cem países. O 
Brasil obteve vitória esmagadora de 6 a 0. 
5. Em 1969 um jogo das eliminatórias da Copa do Mundo foi o estopim para um conflito 
armado que envolveu El Salvador e Honduras e ficou conhecido como a Guerra do 
Futebol. Apesar de as origens do conflito repousarem sobre disputas territoriais desde o 
século XIX e em casos de xenofobia devido a alta imigração de salvadorenhos para 
Honduras, o enfrentamento entre os dois países foi deflagrado por causa de atos de 
provocação e xenofobia que aconteceram nas três partidas que garantiria uma vaga para 
a Copa do Mundo no ano seguinte. Gostou das curiosidades? Já sabia de alguma? Sabe 
de outras que não estão nessa lista? 
 
Fonte: 3 ONGs brasileiras que você precisa conhecer. Whatsrel, 2021. Disponível em: 
https://whatsrel.com.br/post/3-ongs-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
REFLITA 
 
“O problema político essencial para o intelectual não é criticar os 
conteúdos ideológicos que estariam ligados à ciência ou fazer com que sua 
prática científica seja acompanhada por uma ideologia justa; mas saber se é 
possível constituir uma nova política da verdade. 
[...] 
Não se trata de libertar a verdade de todo sistema de poder – o 
que seria quimérico na medida em que a própria verdade é poder – mas 
desvincular o poder da verdade das formas de hegemonia no interior das 
quais ela funciona no momento.” 
 
 
Michel Foucault, Microfísica do poder. 
 
#REFLITA# 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Prezado (a) acadêmico (a), chegamos ao fim desta unidade, e até aqui foi possível 
conhecer os principais destaques internacionais. 
No tópico 1, você conheceu os principais marcos metodológicos, e ainda conhecer 
os métodos cartesianos (Descartes), método indutivo (Bacon) e o método dedutivo 
(Popper). É importante salientar que o método científico refere-se a um aglomerado de 
regras básicas dos procedimentos que produzem o conhecimento científico, quer um 
novo conhecimento, quer uma correção (evolução) ou um aumento na área de incidência 
de conhecimentos anteriormente existentes. Por isso, é importante estudar os principais 
pesquisadores destacados no tópico 1. 
No Tópico 2 destaca-se uma análise das teorias das relações internacionais. 
Neste tópico, você pode perceber a importância destas análises na construção de ideias 
e entendimento dos fatos ocorridos e as contribuições deles para o estudo das relações 
internacionais. o conhecimento da realidade, em todas as suas dimensões, passou a 
incluir, necessariamente, o conhecimento das relações internacionais. Todos os 
movimentos intelectuais decorrente dessa nova maneira de perceber as relações 
internacionais mobilizou não apenas especialistas em ciências políticas, economistas e 
juristas, mas também historiadores. Devido à sua complexidade, o conhecimento dos 
problemas internacionais contemporâneos requer a análise histórica. 
Já no tópico 3 destaca-se os principais autores e suas correntes clássicas que 
contribuíram para as relações internacionais, entre eles, destaca-se: o Cardeal Richelieu. 
Herança do mundo oriental e greco-romano Herança do mundo ocidental pós- 
renascentista Tucídides Maquiavel Sun Tzu Hobbes Tito Lívio Richelieu. 
Já no último tópico, o destaque foi para as principais correntes e relações 
brasileiras Da Regência do príncipe D. João ao fim do Primeiro Reinado Em 1822, ao 
surgir o Estado nacional no Brasil ao regime militar à redemocratização governo Castelo 
Branco entre outros. 
Espero que esta unidade tenha contribuído para seu aprendizado e 
aprimoramento conhecendo alguns destaques internacionais. 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
ARTIGO: 
 
POLÍTICA INTERNACIONAL, DO PENSAMENTO REALISTA À TEORIA 
NEORREALISTA: O pensamento teórico de Hans Morgenthau e Kenneth Waltz em 
perspectiva comparada 
 
Paulo Victor Zaneratto Bittencourt1 
 
Resumo: 
 
O objetivo do trabalho aqui apresentado é uma breve comparação entre as teorias 
consideradas realistas de Hans J. Morgenthau e Kenneth N. Waltz. Sabemos que o 
pensamento de ambos os autores se encontra em debates distintos da disciplina de 
relações internacionais, sendo a principal obra de Waltz, Theory of international politics, 
posterior à principal obra de Morgenthau, Politics among nations. Assim, buscaremos, já 
que ambos os autores são considerados realistas, aproximações e distanciamentos nas 
obras em questão, visando a melhor compreensão das ideias ditas realistas ao longo 
daqueles que são convencionalmente chamados debates acadêmicos da disciplina de 
relações internacionais. Para esse fim, utilizaremos os “seis princípios do realismo 
político” de Hans Morgenthau como fundamento para sua teoria, e estabeleceremos a 
comparação da mesma forma com Waltz, para cuja obra o fundamento tomado será o 
texto Man, the state, and War. O que visamos aqui, portanto, é um foco mais preciso no 
conjunto da obra dos dois autores, partindo da proposta de apresentarem-se “autores” 
em vez de “escolas de pensamento”, o que nos permite um detalhamento maior dos 
argumentos de cada um dos pensadores. 
 
Palavras-chave: Balança de poder,sistema internacional,estrutura internacional 
 
Fonte: BITTENCOURT, Paulo Victor Zaneratto. Política internacional, do pensamento realista à teoria 
neorrealista: o pensamento teórico de Hans Morgenthau e Kenneth Waltz em perspectiva 
comparada. Revista Intratextos, 2017, 8.1: 1 - 22. 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
• Título: História das Relações Internacionais: teoria e processos / 
• Organizadores: Mônica Leite Lessa, Williams da Silva Gonçalves. 
• Ano: 2007. 
• Editora: Coleção Comenius. 
•Sinopse: Os capítulos expressam as diferentes pesquisas realizadas pelos professores 
do curso de especialização em História das Relações Internacionaisda UERJ, em que 
se destaca a busca de uma visão brasileira das relações internacionais. Reflete sobre as 
relações com base no interesse nacional em promover o desenvolvimento, discutindo 
não só o lugar que o país ocupa na estrutura do sistema internacional, mas também 
temas como equilíbrio de poder para manutenção da paz mundial, poder bruto e poder 
brando, interdependência complexa, globalização e estabilidade hegemônica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
 
• Título: Guerra Fria. 
• Ano: 2017 
• Sinopse: Esse drama polonês conta uma história apaixonada e improvável entre duas 
pessoas que se encontram em uma época dividida. Durante a Guerra Fria, entre a 
Polônia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma 
jovem cantora com histórias e temperamentos distintos vivem um amor impossível em 
um tempo impossível. Do mesmo diretor de Ida (2013), vencedor do Oscar de melhor 
filme estrangeiro, o filme foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, onde 
ganhou o prêmio de melhor diretor. Indicado ao People’s Choice Award no Festival de 
Toronto. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BACON, Francis. Novum organum – Aforismos sobre a interpretação da natureza e 
o reino do homem. São Paulo, Nova Cultural, 1999. pp. 37 - 97. 
 
CASTRO, Thales. Teoria das relações internacionais. Brasília: FUNAG, 2012. 
 
DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo, Nova Cultural, 1999. 
 
FERRO, Marc. A história vigiada. São Paulo: Martins Fontes, 1989. 
 
HOBIE, Jacques. “Histoire diplomatique”. In BURGUIÈRE, André (org.). Dictionnaire 
des sciences historiques. Paris: PUF, 1986. 
 
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina. Metodologia científica. 3ª. ed. São Paulo, 
Atlas, 2000. 
 
LESSA, Mônica Leite; GONÇALVES, da Silva Williams. História das Relações 
internacionais: teoria e processos / Organizadores, Rio de Janeiro: EdUERJ, 2007. 
250 p. – (Coleção Comenius) 
 
 
NICOLSON, Harold. Diplomatie. Lausana: Éditions de la Baconnière, Neuchatel, 1948. 
 
PINO, Ismael Moreno. La diplomacia: aspectos teóricos y prácticos de su ejercicio 
profesional. México: Fundo de Cultura Econômica, 2001. 
 
RODRIGUES, José Honório. Teoria da história do Brasil: introdução metodológica. 
São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1978. 
 
RICHELIEU, Cardeal. Testament Politique. Paris: Robert Laffont, 1947. pp. 20-25. 
 
SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício 
da experiência. São Paulo: Cortez, 2001. 
 
 
 
 
 
UNIDADE III 
GLOBALISMO 
Professora Especialista Margarete Campos Vieira 
 
 
Plano de Estudo: 
 
● Globalismo na era moderna; 
● O Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio; 
● Relações internacionais e meio ambiente; 
● Impactos das relações internacionais; 
● Principais acordos internacionais brasileiro. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
 
● Apresentar conceitos de globalismo na era moderna; 
● Estudar o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio; 
● Conhecer os conceitos de relações internacionais e meio ambiente; 
● Apresentar os impactos das relações internacionais; 
● Conhecer os principais acordos internacionais brasileiro. 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Caro aluno (a) você sabe o que é o globalismo e sua diferença nos dias atuais? 
Você sabe quais são as relações e acordos comerciais do Brasil com os outros países? 
No final desta unidade você terá o aprendizado sobre o globalismo. Para atingir esse 
objetivo, essa unidade será dividida em cinco seções. 
A primeira apresentarei a você conceitos de globalismo na era moderna, mas 
antes você entenderá o que é globalismo, pois ainda é bastante confundido com 
globalização e você entenderá aqui a diferença entre eles. 
Na segunda seção você estudará um pouco sobre o Brasil e as relações 
internacionais voltadas para o comércio. Na terceira seção compreenderemos sobre as 
relações internacionais e sua relação atual com o meio ambiente, afinal o assunto de 
sustentabilidade pois além de importante é essencial nas relações internacionais 
Na quarta seção, o estudo será sobre os impactos das relações internacionais, 
sabendo que o benefício gerado será o fortalecimento de qualquer instituição de 
regulação nas relações entre os indivíduos. 
E por último na quinta seção, o estudo será referente aos principais acordos 
internacionais no Brasil, como por exemplo, Mercosul, Preferência Tarifária Regional 
entre países da ALADI etc. 
 Portanto caro (a) acadêmico, é importante destacar aqui, que nesta unidade, 
trataremos apenas alguns resumos referente ao globalismo, mas também estarei 
sugerindo vários materiais complementares para que você aprofunde o vosso estudo. 
Vamos conhecer um pouco mais sobre globalismo? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 GLOBALISMO NA ERA MODERNA 
 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/149393420 
 
Prezado (a) aluno (a), para começar este tópico é importante falarmos sobre a 
conceitualização do globalismo. Muitos confundem o globalismo com a globalização. 
Conforme BECK (1999) o Globalismo se diferencia da globalização: 
 
O Globalismo traz a ideia neoliberal de que o mercado mundial exclui a ação 
política, restringindo a globalização ao aspecto econômico. O mercado mundial 
é visto como dominador, distinguindo-se economia de política. As empresas são 
imperativas (imperialismo da economia) . (BECK, 1999, p. 28). 
 
Já a globalização tem uma ideia de um aglomerado das relações sociais que não 
estão ligadas à política de estado nacional. Assim, a globalização pode ser apresentada 
como “os processos, em cujo andamento os Estados nacionais vêem a sua soberania, 
sua identidade, suas redes de comunicação, suas chances de poder e suas orientações 
sofrerem a interferência cruzada de atores transnacionais.” (BECK, 1999, p. 30). 
Movimentos mundiais importantes na proteção do meio ambiente são as ONGS 
ambientalistas como a World Wide Fund Nature (WWF) e o Greenpeace. 
 
http://www.shutterstock.com/
 
Figura 1 - Representação do globalismo 
 
Fonte: Freepik. Disponível em: 
https://br.freepik.com/fotos-gratis/globo-terra-cercado-por-
maos_4298876.htm#page=1&query=globaliza%C3%A7%C3%A3o&position=4. Acesso em 27 de jul. 
2021. 
 
Mesmo diante dessas abordagens analisando na prática entende-se que o 
globalismo é colocado como apolítico, mas tem-se muita política por trás. Além disso, 
sobre a globalização “não é automático; é na verdade um projeto político praticado, numa 
constante renovação, por atores transnacionais, instituições e coalizões” 
(COSTALONGA, 2018, p. 13). 
Caro (a) acadêmico (a), sabe-se que nos países desenvolvidos a ideologia que 
proponho chamar de “globalismo” é apenas uma ideologia para uso externo. Esta 
ideologia, que não deve ser confundida com o fenômeno real da globalização, anuncia o 
fim do Estado nacional, ou sua perda definitiva de autonomia, e afirma a precedência 
dos mercados e da “comunidade internacional moderna” sobre interesses nacionais 
“estreitos” ou “atrasados”. Sendo assim, é uma ideologia de exportação porque o cidadão 
de um país desenvolvido sabe o quão importante é para ele a autonomia de seu próprio 
país, não tendo o globalismo consequências práticas no interior desses países. Seus 
cidadãos não têm dúvida sobre qual seja o dever dos seus governantes, nem estes o 
que se espera deles. 
Segundo, Monteoliva et al. (2014) para uso externo, entretanto, o globalismo é 
muito útil: é um instrumento dos governos dos países ricos, das agências multilaterais, e 
das empresas multinacionais para tornar os países em desenvolvimento mais dóceis em 
 
relação às políticas públicas que recomendam implícita ou explicitamente, e que nem 
sempre consultem nossos interesses. 
Para os globalistas são muito diferentes dos internacionalistas. Além de negar a 
relevância do critério do interesse nacional, acusam todos os que usam esse critério de 
“nacionalistas”, como se ser nacionalista fosseum defeito, como se não houvesse 
distinção entre o novo e o velho nacionalismo, como se todo nacionalismo fosse 
fundamentalista. Os velhos nacionalistas, por sua vez, denunciam todas as reformas 
orientadas para o mercado – muitas delas necessárias – e qualquer política de 
estabilização macroeconômica responsável, chamando-as de "reformas neoliberais”. 
Portanto, o neoliberalismo globalista é usualmente identificado com reformas 
orientadas para o mercado, enquanto o nacionalismo é definido pela oposição a elas. 
Esse dualismo é equivocado. A violenta crise dos anos 80 impôs aos países em 
desenvolvimento a realização de reformas orientadas para o mercado. O estatista ou o 
velho nacionalista é radicalmente contrário às reformas, o nacionalista moderno, não. 
As reformas orientadas para o mercado tornaram-se imperativas no Brasil em 
função do crescimento distorcido do Estado, do protecionismo comercial, e do 
endividamento externo irresponsável. O ciclo desenvolvimentista, que durou cinqüenta 
anos na América Latina, promoveu inicialmente a industrialização, mas terminou nos 
anos 80 em crise fiscal, crise da dívida externa e instabilidade macroeconômica. Depois 
disto era necessário promover o ajuste fiscal, recuperar o equilíbrio do balanço de 
pagamentos, estabilizar os preços, abrir as economias excessivamente protegidas, e 
reformar ou reconstruir o Estado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 O BRASIL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS VOLTADAS AO COMÉRCIO 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/180799910 
 
Prezado (a) acadêmico (a), neste tópico iremos abordar sobre como o Brasil está 
em suas relações internacionais em âmbito mundial voltando-se para o comércio 
internacional. Assim, vamos resgatar alguns pontos históricos no qual o Brasil se 
destacou nas relações internacionais. 
Um ponto que vale destacar antes de iniciarmos esse histórico é de que o Brasil 
é um país dependente de tecnologia, ou seja, exportamos commodities e importamos 
produtos de baixa, média e alta tecnologia. Isso se dá por uma diversidade de fatores. 
Um deles seria o baixo investimento e planejamento de longo prazo para nos 
tornarmos independentes no âmbito tecnológico. No gráfico 1, é apresentado um 
comparativo das exportações de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICS) de 
países desenvolvidos e em desenvolvimento de grande, médio e pequeno porte. 
http://www.shutterstock.com/
 
 
Gráfico 1 – Exportações de Bens TICs (% das exportações totais de bens) nos países 
selecionados 
 
Fonte: Ribeiro (2019, p. 56). Dados retirados do The World Bank. 
 
No gráfico conseguimos perceber que o Brasil se enquadra no último colocado até 
2016 nas exportações de Tecnologias da Informação e Comunicação junto com a 
Argentina que por sinal também é considerado um país em desenvolvimento. Vale 
destacar que no período de 2000 até meados de 2006 o Brasil tinha melhorado nessas 
exportações. 
Pode-se dizer que essa exportação é por falta de investimento em pesquisa e 
desenvolvimento? Pode ser que sim. Mas, vale lembrar que temos os gastos precisam 
ser eficientes. Não é só gastando que gerará resultados em uma economia. Vamos 
analisar o gráfico 2 sobre um comparativo internacional em despesa em Pesquisa e 
Desenvolvimento (P&D). 
 
 
Gráfico 2 – Despesa em pesquisa e desenvolvimento 1996-2016 (% do PIB) dos países 
selecionados 
 
Fonte: Ribeiro (2019, p. 57). Dados retirados do International Monetary Fund, World Economic Outlook. 
 
Vale lembrar aqui que “os gastos em Pesquisa e Desenvolvimento em relação ao 
PIB incluem capital e despesas correntes nos quatro tipos de setores: empresa, governo, 
ensino superior e privado” (RIBEIRO, 2019, p.57). Observa-se no Gráfico 2 que o Brasil 
até 2016 tinha um certo nível de estabilidade (1% a 1,5%) no que tange gastos em P & 
D em relação ao PIB. No cenário atual, devido aos cortes na educação, a pesquisa 
provavelmente caiu algumas posições. 
No gráfico conseguimos ver que a China (considerado um país em 
desenvolvimento assim como o Brasil) teve um investimento em P & D significativo e no 
âmbito internacional quando se fala de comércio, o país tem se destacado. 
Quando se fala do comércio internacional e das relações internacionais 
precisamos olhar para o histórico. Olhando para âmbito mundial, as instituições 
destinadas ao comércio se destacaram a partir da segunda metade do século XIX: 
 
A partir da segunda metade do século XIX, e principalmente, desde o começo 
do século XX, Estados começaram a formar organizações internacionais 
dedicadas a temas de interesse comum. Essas organizações, tão variadas em 
objetivos e alcance como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a 
Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio 
(OMC) ou o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm em comum o fato de se 
 
constituírem como um novo espaço para a diplomacia com implicações políticas 
importantes para as relações internacionais contemporâneas (RODRIGUES, 
2012, p. 53). 
 
Um período de bastante destaque do Brasil no que tange relações no comércio 
internacional foi em 2004, no qual o Brasil foi o maior articulador da expansão dos sócios 
do Mercosul e da criação da Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN Percebe-se 
que no âmbito comercial e de acordos políticos/econômicos a construção de blocos se 
destaca no século XXI (MAGNOLI, 2013, MONTEOLIVA et al., 2014). 
Na conjuntura de comércio internacional a China se enquadra como principal 
parceiro comercial do Brasil. O Brasil é o país que mais exporta commodities para a 
China e a China é um dos países que mais investem no Brasil no âmbito de infraestrutura, 
tecnologia e eletrônicos. Em 2015 foi criado o "Fundo de Cooperação Brasil-China'' para 
ampliar a capacidade produtiva e fomentar investimentos em agricultura, energia, 
infraestrutura, manufaturas e mineração (FIA, 2020). 
Os Estados Unidos também são considerados um país que mais tem trocas 
comerciais com o Brasil. O Brasil exporta commodities e produtos semimanufaturados 
(como ferro, por exemplo) para os Estados Unidos (FIA, 2020). 
E quais são os produtos que o Brasil mais exporta? Em 1° lugar está a soja com 
12% do total das exportações, em 2° lugar está o Petróleo, em 3° lugar o minério de ferro 
com 10% das exportações (FIA, 2020). 
E de quais países o Brasil mais importa? Em destaque como já falamos é China 
e Estados Unidos. Da China importamos muito eletrônicos. Já dos Estados Unidos a 
importação se concentra em óleos combustíveis e medicamentos. Em terceiro colocado 
está a Alemanha, no qual importamos muitas peças de veículos (FIA, 2020). 
E quais são os principais acordos internacionais do Brasil na atualidade? A seguir 
apresentaremos os três principais. 
 
● União dos países: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS)."O 
objetivo deste grupo é estabelecer governança internacional de acordo com 
seus interesses, além de desenvolver cooperação setorial em diferentes 
áreas” (FIA, 2020, p. 1). 
● G-20: com representantes das 19 maiores economias do mundo. Esses 
 
representantes fazem parte da área de finanças e líderes dos Bancos 
Centrais. 
● Mercado Comum do Sul (Mercosul): bloco econômico integrado pelo Brasil, 
Argentina, Uruguai e Paraguai. 
 
Agora que você já conhece a base do panorama de comércio e acordos 
internacionais, vamos discutir alguns pontos importantes da conjuntura das relações 
internacionais e do comércio no Brasil. 
 Um ponto em destaque na atualidade é o protecionismo brasileiro, dentre os 
integrantes do G20 o Brasil é o país com um maior nível de protecionismo. Isso acaba 
afetando nossas relações internacionais e nosso comércio internacional. Atualmente por 
falta de diplomacia dos nossos representantes nossas relações internacionais estão com 
pouca credibilidade. Além disso, o Brasil de 2019 pra cá vem perdendo espaço no 
Mercosul, está faltando um acordo de tratadode integração comercial “O Mercosul vem 
perdendo seu intuito principal de criar um mercado de livre comércio entre os países 
membros e se tornou uma organização fechada” (EXAME, 2018, p. 1). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 RELAÇÕES INTERNACIONAIS E MEIO AMBIENTE 
 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/ 108794300 
 
Caro acadêmico (a), neste tópico destaca-se as relações internacionais e o meio 
ambiente. Atualmente esse assunto tem se tornado muito importante. Afinal, precisamos 
não pensar apenas na produtividade no crescimento econômico de um país, mas em 
temas de desenvolvimento econômico, ou seja, temas alternativos que são essenciais 
para nossa sobrevivência e qualidade de vida. Diante disso, neste tópico vamos 
conhecer algumas medidas no âmbito mundial, mas principalmente iniciativas no Brasil 
no que tange relações internacionais e meio ambiente. Vamos lá? 
Sabemos que é primordial que os produtores e empresários precisam ter 
responsabilidade ambiental. Vale destacar, que os recursos naturais são limitados e 
assim é preciso mais do que nunca uma movimentação e união global visando a 
elaboração de metodologias e instrumentos para garantir a sustentabilidade ambiental. 
 
Cumpre ressaltar, que o meio ambiente é um valor fundamental para 
sobrevivência da espécie humana no planeta. Como consequência, o poder 
público deve planejar suas políticas públicas de forma a compatibilizar o 
desenvolvimento econômico com o meio ambiente (MAGANHINI, 2007, p. 105). 
 
 
 
É preciso a união mundial e a troca de conhecimento entre os países para criação 
de mecanismos de longo prazo visando a garantia do desenvolvimento econômico e da 
preservação do meio ambiente. 
Falando sobre o Brasil em 1930 foi tomada a primeira iniciativa no que tange 
política para o meio ambiente. A política ambiental federal brasileira surgiu “a partir da 
pressão de organismos internacionais e multilaterais (Banco Mundial, sistema ONU – 
Organização das Nações Unidas, e movimento ambientalista de ONGs)” (MOURA, 2016, 
p. 14). 
Em 1934 criou-se o primeiro código florestal brasileiro (Decreto no 23.793/1934). 
Em 1937 houve foco na proteção ambiental de áreas importantes e também criação de 
parques, um deles foi o parque de Atibaia. No período de 1930-1960 o foco era no 
crescimento econômico não tinha uma atenção no assunto de políticas e acordos 
ambientais no Brasil (MOURA, 2016, p. 14). 
Em 1960 um acontecimento importante foi criado o Serviço Florestal Brasileiro. 
Em 1972 um marco mundial acontece que é a Conferência de Estocolmo estruturada 
pela Organização das Nações Unidas. 
 
O Brasil participou da conferência com a posição de defesa à soberania nacional. 
Argumentava-se que o crescimento econômico e populacional dos países em 
desenvolvimento não deveria ser sacrificado e que os países desenvolvidos 
deveriam pagar pelos esforços para evitar a poluição ambiental – posição que 
foi endossada pelos países do chamado Terceiro Mundo (MOURA, 2016, p. 15). 
 
No período de 1973 até meados da década de 1980 surge a Secretaria Especial 
do meio ambiente, Sistema Nacional de Meio Ambiente, Conselho Nacional de Meio 
Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 
(IBAMA) que é reconhecido mundialmente. 
Na década de 1990 acontecem mais eventos de relações internacionais 
destinadas ao meio ambiente. Em 1992 a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio 
Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD). E também em 1992, é realizado a Eco-92 
ou Rio-92. 178 Estados-nação estavam envolvidos nessa conferência (SENADO 
FEDERAL DO BRASIL, 2012). 
 
Em 2002 aconteceu a Rio+20 onde foram discutidos com representantes 
internacionais e nacionais temas atuais como: energia eólica, biomassa, energia solar, 
hidrelétricas, etc. No ano de 2005 até meados de 2016 foram criadas várias iniciativas 
destinadas para o meio ambiente. Entre essas iniciativas estão: Fundo Nacional de 
Desenvolvimento Florestal, Conselho Nacional de Biossegurança, Política Nacional de 
Desenvolvimento Sustentável na Aquicultura e da Pesca, entre outras. 
Diante disso, a relação internacional do Brasil com os outros países é de extrema 
relevância. Isso porque: “a globalização proporciona a oportunidade para promover o uso 
eficiente dos recursos e incentivar o desenvolvimento” (OCDE; 2008, p. 9). A cooperação 
internacional é muito importante principalmente para países em desenvolvimento que é 
justamente onde o Brasil se enquadra: 
 
Os países em desenvolvimento têm a oportunidade de aprender com as 
experiências dos outros países e, tirando proveito dos novos conhecimentos e 
tecnologias disponíveis, catapultar-se para padrões de atuação mais eficientes 
em energia e em recursos, permitindo um desenvolvimento mais “verde”. Os 
países membros e os não-membros têm de trabalhar em conjunto para uma 
melhor difusão do conhecimento e das melhores práticas e tecnologias 
disponíveis, retirando benefícios mútuos de padrões de produção e consumo 
globalmente mais sustentáveis (OCDE; 2008, p. 10). 
 
É preciso que os países em desenvolvimento estejam antenados em medidas de 
sustentabilidade que estão funcionando nos países em desenvolvimento e adequar 
essas medidas em âmbito nacional, afinal temos nossas especificidades e 
particularidades. Para isso, tem-se a necessidade de interação, diplomacia e fluxo de 
conhecimento por parte dos representantes nacionais (MAGNOLI, 2013, MONTEOLIVA 
et al., 2014). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 IMPACTOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 252456172 
 
 
Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, o destaque são os impactos que as relações 
internacionais trazem para sociedade e o países como todo. 
Sabe-se que como quinto maior país do globo em população e dimensão 
territorial,15a economia mundial, condições e pretensões de se tornar uma Grande 
Potência, o Brasil não pode se furtar a ter um papel de destaque nas Relações 
Internacionais. As relações internacionais no mundo globalizado, cada vez mais, farão 
parte de nosso dia-a-dia. Mas, pouco significativa frente a suas potencialidades é a 
atuação brasileira no cenário internacional. Apenas nas últimas décadas do século XX é 
que começamos a nos fazer mais presentes. Isso coincide com o surgimento e o 
desenvolvimento dos primeiros cursos de Relações Internacionais no País e com o 
aumento do interesse nas questões internacionais por parte de diversos setores da 
nossa sociedade. 
http://www.shutterstock.com/
 
Observa-se cada vez mais a necessidade que os brasileiros buscam obter 
conhecimento de Relações Internacionais. Na Administração Pública, essa necessidade 
é mais evidente; no Poder Legislativo, é fundamental que aqueles que assessoram os 
legisladores conheçam as principais linhas da política internacional e da política interna 
brasileira. Afinal, política interna e política externa estão estreitamente relacionadas às 
ações de política interna afetam e são afetadas pela política internacional e vice-versa. 
O Brasil está localizado, com fronteiras com praticamente todos os países sul-
americanos e com o Atlântico como principal via para a Europa e a África. Somos uma 
nação tida como pacífica e respeitadora do direito internacional e com incontestáveis 
atributos de liderança regional. Finalmente, não devemos desconsiderar nossas maiores 
riquezas: os recursos naturais e um povo multiétnico, empreendedor. 
Também os direitos e garantias fundamentais estão intimamente relacionados às 
experiências vivenciadas pela comunidade das nações ao longo de sua história. Foi 
graças às Revoluções em países como França, EUA e Rússia, e à difusão desses 
princípios para além de suas fronteiras, que o mundo foi moldando uma cultura de 
direitos fundamentais que, hoje, são inquestionáveis em qualquer lugar do planeta! E a 
violação a esses direitos gera repulsa da comunidade internacional.Relações internacionais e a Constituição Brasileira 
 
Sendo assim, é importante destacar aqui as relações internacionais e a 
Constituição Brasileira, já que pode ser constatada nos dez incisos do art. 4º da 
Constituição Federal, nossa Lei Maior, ainda no Título I – “Dos Princípios Fundamentais”, 
que estabelecem os princípios das relações internacionais do Brasil, destaca-se: 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações 
internacionais pelos seguintes princípios: 
 I - independência nacional; 
 II - prevalência dos direitos humanos; 
 III - autodeterminação dos povos; 
 IV - não-intervenção; 
 V - igualdade entre os Estados; 
 VI - defesa da paz; 
 
 VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao 
racismo; 
 IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; 
 X - concessão de asilo político. 
 
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração 
econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à 
formação de uma comunidade latino-americana de nações. (BRASIL, 1998). 
 
O Poder Legislativo e às Relações Internacionais 
 
As relações internacionais do Brasil passam efetivamente pelo Poder Legislativo. 
Em nosso sistema jurídico-político, quaisquer tratados que o Brasil celebre com outras 
nações ou com organizações internacionais devem necessariamente obter o aval do 
Congresso Nacional antes de serem ratificados. O art. 49 da Constituição Federal de 
1988 é claro ao estabelecer, logo em seus primeiros incisos, as competências exclusivas 
do Congresso Nacional: 
 
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 
 
I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que 
acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; 
 
II – autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a 
permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele 
permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei 
complementar. (BRASIL, 1988, p. 49). 
 
O Senado Federal tem atribuições mais específicas, pois é a Casa Legislativa que 
avalia e aprova a indicação de nossos embaixadores, autoridades máximas das missões 
diplomáticas brasileiras, designados para representar o País no Exterior. 
Também cabe ao Senado autorizar as operações externas de natureza financeira dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
Cada Casa Legislativa possui Comissões encarregadas dos temas de relações 
exteriores e defesa nacional. No Senado Federal, por exemplo, a Comissão de Relações 
Exteriores e Defesa Nacional (CRE), composta por 19 membros titulares e 19 suplentes, 
é competente para tratar das questões que envolvam as relações internacionais do País. 
A legislação brasileira deixa clara a importância do Poder Legislativo nos destinos 
das relações internacionais do País. Quanto mais o Brasil busque integrar-se na 
comunidade das nações e ocupar o seu devido papel de destaque, mais importante se 
faz o conhecimento, na esfera do Legislativo, dos principais temas de relações 
 
internacionais.Destaca-se alguns pontos importantes que impactam as relações 
internacionais nos anos de 2000, 2005, 2010 e 2014, conforme Almeida (2014) 
 
Em 2000 realizou-se a Cúpula do Milênio, na ONU: metas para o 
desenvolvimento dos países pobres; China faz acordos com os principais países 
membros da OMC para seu ingresso na organização; Vaticano e comunidades 
cristãs comemoram o 2º milênio do cristianismo; Acordos de Camp David entre 
Israel e líderes palestinos, com cessão de território ocupado na Cisjordânia e 
Gaza: problema de Jerusalém impede o acordo definitivo; Vitória de George W. 
Bush, candidato republicano à presidência; Carta Social do Mercosul, 
adotada na reunião de cúpula de Buenos Aires; Já no Brasil organiza de 
presidentes da América do Sul em Brasília (30/08- 1/09);Vitória do candidato de 
oposição no México, pondo fim a 70 anos de domínio do PRI; Decidida criação 
de uma organização para a cooperação na Amazônia (OTCA); Brasil e Portugal 
comemoram o V Centenário do Descobrimento; Melhoria sensível da situação 
econômica do país, com pagamento antecipado de empréstimo concedido pelo 
FMI; Brasil assina o Estatuto de Roma, criando o Tribunal Penal Internacional; 
Negociado acordo de salvaguardas tecnológicas entre o Brasil e os EUA, para 
utilização para vôos comerciais da base de lançamento de foguetes de 
Alcântara: será recusado pelo Congresso, sob alegação de perda de soberania. 
(ALMEIDA, 2014, p. 32) 
 
No ano seguinte, em 2001, ocorreu a Primeira reunião do Fórum Social Mundial 
em Porto Alegre, congrega anti-globalizadores de vários países, protestando contra o 
Fórum Econômico Mundial, de Davos: consigna “um outro mundo é possível, e os 
movimentos associados as contantes relaçoes de Paz e melhorias vão ocorrendo ate 
nos dias atuais. Em 2005 Almeida (2014) cita novos fatos: 
 
Em 2005 China: Parlamento aprova uso da força contra Taiwan se a ilha optar 
pela independência; Coréia do Norte anuncia posse de armas nucleares; Israel: 
aprovada retirada da faixa de Gaza em favor da ANP; eleições dão vitória ao 
Hamas; Vaticano: morte do papa João Paulo II; eleição do cardeal Ratzinger 
(Bento XVI); G-8 se encontra na Escócia: atentados terroristas e, Londres; 
Protocolo de Quioto entra em vigor; ONU: comemorações do 60º aniversário; 
fracassa processo de reforma da Carta com ampliação do Conselho de 
Segurança; Conselho de Direitos Humanos substitui a antiga Comissão;
 Peru e Colômbia concluem acordos de livre-comércio com os EUA, 
abrindo crise na CAN; Venezuela anuncia sua retirada da CAN e adesão ao 
Mercosul; Conferência de Cúpula das Américas (Mar del Plata) não aprovada 
retomada das negociações da Alca; Queda de presidentes na Bolívia e no 
Equador, por manifestações populares; Argentina: recrudescimento do 
protecionismo contra produtos brasileiros; Mercosul: decisão política pelo 
ingresso da Venezuela; Última reunião do Fórum Social Mundial no Brasil, depois 
da perda da prefeitura de Porto Alegre pelo PT; Diplomacia ativa na busca de 
apoios para as pretensões brasileiras em organismos internacionais, com muitas 
viagens presidenciais e visitas a Brasília. (ALMEIDA, 2014, p. 37). 
 
 
Destaca-se que em 2005 o Brasil fracassou em candidaturas próprias para a OMC 
(Organização Mundial do Comércio) depois em 2006 na copa do mundo na Alemanha 
onde o Brasil foi desclassificado pela França. Entre outros acontecimentos houve ainda 
a nacionalização do gás na Bolívia gerando desconforto para o Brasil já que a Petrobras 
recusa aumento de preços unilaterais e com isso as críticas referente a política externa 
também aumentam. E em 2010, segundo Almeida (2014) novos acontecimentos e 
parcerias continuaram como por exemplo: 
 
Em 2010 Irã: programa nuclear tem proposta de Brasil e Turquia rejeitada pelo 
P5+1; novas sanções aplicadas ao país; China: Exposição Universal em 
Shanghai; Grécia declara insolvência; África do Sul: Espanha vence Copa do 
Mundo de Futebol; Tsunami no Oceano Pacífico.Terremoto no Haiti vitimou 
milhares de pessoas, entre elas a brasileira Zilda Arns; Unasul entra em vigor, 
com secretariado em Quito; Constituída a Celac, que pretende ser uma OEA sem 
Estados Unidos e Canadá; Chile: direita elege presidente Sebastian 
Piñera;Chanceler e presidente do Brasil engajam a diplomacia brasileira em 
negociações tripartites com a diplomacia turca e os dirigentes iranianos numa 
resolução tentativa dos impasses relativos ao programa nuclear do Irã, objeto de 
longas e difíceis tratativas entre os cinco membros permanentes do CSNU e a 
Alemanha (P5+1); presidente Lula viaja a Teheran para, triunfalmente, assinar 
um acordo de cessão e guarda de urânio do Irã junto à Turquia; acordo foi 
recusado pelo P5+1; Eleições: PT consegue um terceiro mandato, comeleição 
da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff; Presidente Lula desrespeita tratado 
de extradição com a Itália ao não deportar terrorista italiano Cesare Battisti. 
(ALMEIDA, 2014, p. 42). 
 
 
 Até 2014, ocorreram muitos movimentos que marcaram as relações 
internacionais, entre eles protestos, como por exemplo ocorridos em 2013 onde o 
governo promete fazer várias reformas e também começa programa de importação de 
médicos cubanos, sob protestos dos brasileiros;Condenados no processo do Mensalão 
começam a cumprir penas de prisão; vários dos criminosos políticos são soltos após 
poucos meses, ao passo que operadores financeiros permanecem presos mais tempo;e 
Almeida complementa os fatos ocorridos em 2014, conforme segue: 
 
Em 2014 Ucrânia: depois da demissão do presidente, Rússia toma a Crimeia e 
apoia separatistas no leste; Epidemia de ebola na África; Estado Islâmico degola 
vários reféns ocidentais na Síria; Venezuela: protestos maciços contra a 
crise econômica; regime mata manifestantes; México muda lei do petróleo; Chile: 
candidata socialista Michelle Bachelet eleita presidente novamente; Cúpula 
do Brics realizada em Fortaleza; Copa do Mundo de Futebol no Brasil: Alemanha 
campeã; bate Brasil por 7x1; Eleições presidenciais: candidato do PSB, Eduardo 
Gomes, vítima de acidente aéreo; Marina Silva emerge; Reeleição da presidente 
 
Dilma: crise econômica e corrupção na estatal Petrobrás dominam debate 
eleitoral; desequilíbrio das contas públicas e maquiagens contábeis do governo 
dominam debates no parlamento. (ALMEIDA, 2014, p. 46). 
 
Aqui destaquei apenas alguns dos fatos que marcaram as relações internacionais, 
mas você acadêmico (a) pode observar que os fatos não param, estudar RI é dinâmico 
e o tempo todo o mundo está mudando, as relações geram conflitos, mas sempre há 
soluções e parcerias. 
Em relação a Pandemia do Coronavírus por exemplo, a atuação da Organização 
Mundial da Saúde (OMS), agência especializada e subordinada às Nações Unidas 
(ONU), ocorre no sentido de monitorar os dados, orientar os países e organizações e 
prestar recomendações para que os governos se mobilizam, em uma ação internacional 
e conjunta, para encontrar meios de frear a curva de contágio e encontrar soluções, 
inclusive por meio de vacinas.No entanto, cada país tem discricionariedade para 
determinar as medidas de prevenção e tratamento de seus cidadãos.Por isso,os países 
têm adotado linhas de condução e procedimentos isolados, com exceção de recentes 
decisões da União Europeia, ante a consideração da Europa como novo epicentro de 
propagação do vírus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 PRINCIPAIS ACORDOS INTERNACIONAIS BRASILEIROS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/214923151 
 
Prezado (a) acadêmico (a) neste tópico, apresentarei a você os principais acordos 
internacionais brasileiros referente às relações internacionais. Até aqui, você deve estar 
buscando identificar os principais acordos brasileiros, então vamos lá. 
Conforme Almeida (1999), uma tipologia de grande amplitude poderia começar 
pelos elementos mais genéricos da problemática da periodização e o relacionamento 
externo do Brasil podem ser vinculadas aos processos que merecem destaque em cada 
uma das três grandes fases da história do País. Pode-se assim, agrupar as grandes 
fases do relacionamento externo do País em três grandes categorias analíticas, 
correspondendo aos seguintes períodos: 
 
(a) colonial, isto é, a partir de 1530-1550, aproximadamente (com a 
implantação do sistema de governo geral do Brasil pela coroa portuguesa, no 
seguimento da atribuição das primeiras capitanias hereditárias) até os anos 
1808-1822, que assistem ao movimento gradual, mas irreversível em direção da 
independência; 
(b) independente, a partir daquela última data, até a Revolução de 1930, que 
assiste, ainda que de maneira algo involuntária, à conclusão do ciclo colonial-
exportador da economia brasileira; 
 
(c) nacional, que se estende desde então até os nossos dias, com diferentes 
subperíodos depois de 1930, a começar pelo longo interregno varguista até 
1945, sucedido pela existência tormentosa da República “populista” de 1946, por 
novo interregno autoritário a partir de 1964, este seguido pela fase de 
redemocratização que se inicia em 1985. (ALMEIDA, 1999, p. 37). 
 
 
Sendo assim,observa-se que uma primeira fase, que corresponde grosso modo 
aos três séculos da era colonial, a problemática dominante na definição da inserção 
internacional do País é, obviamente, representada pelo status colonial no contexto da 
economia mercantilista portuguesa. Nesse longo período parece óbvio, também, que se 
trata de uma inserção dependente da formação social brasileira no sistema da economia 
mundial pré-capitalista de então, com uma absorção passiva das alianças internacionais 
que se desenham no continente europeu (isto é, o fluxo de “relações exteriores” do Brasil 
refletindo o movimento errático das alianças dinásticas e dos tratados de “amizade e de 
navegação” concluídos por uma Coroa portuguesa temerosa de seus grandes vizinhos 
europeus, a Espanha e a França em primeiro lugar). 
Conforme Almeida (1999) a expansão continental do território brasileiro se faz, 
nessa conjuntura, seguindo o ritmo das relações interibéricas (a anulação da linha de 
Tordesilhas pela obra das entradas e bandeiras), mas observando mais adiante a 
dinâmica própria de uma sociedade em formação e em expansão contínua, nas fronteiras 
abertas ao invulgar empreendimento dos desbravadores do sertão (bem mais 
interessados em ouro e índios, está claro, do que em qualquer projeto consciente de 
“engrandecimento pátrio”. (ALMEIDA,1999, p. 37). 
Segundo Almeida (1999), no período final da “era colonial”, se observa no Brasil 
uma lenta estruturação da uma “consciência nacional” apreendendo a Nação 
independentemente do estreito quadro mental da metrópole tutelar, ao mesmo tempo 
em que o movimento autonomista se aproveitar politicamente dos impulsos resultantes 
da grave crise do sistema colonial (acelerado pela “grande desordem” provocada pela 
hegemonia napoleônica no continente europeu) bem como dos avanços produzidos pela 
ideologia iluminista em ascensão. O fato é que a era independente, que então tem início, 
vem introduzir um fator inédito de legitimação externa para a jovem Nação, que emerge 
como novo Estado autônomo a partir de um processo de transição — nem sempre 
dotado de plena legitimidade, pois que resultante de um tratado de “aquisição” do 
 
reconhecimento pleno da nova situação soberana — entre o antigo poder colonial e as 
potências da época, a começar pela Grã-Bretanha. 
Com a figura de founding Father de José Bonifácio começa a sustentação de um 
projeto próprio de construção nacional face aos interesses de poderes hegemônicos 
externos, processo em parte perturbado pelos fortes vínculos externos, no caso 
portugueses e acima de tudo familiares, do primeiro monarca “brasileiro” da dinastia dos 
Braganças. A abdicação assume características traumáticas, já que coloca em perigo a 
própria definição da unidade nacional, que seria lograda a partir do regime regencial 
transitório. Este não teme quanto aos meios mais adequados para obtê-la, ainda que à 
custa de brutal repressão contra certos movimentos regionais autonomistas, assim como 
contra insurreições de caráter propriamente social e mesmo étnico. A era independente, 
já sob o regime republicano, ainda assistiu ao acabamento da obra de delimitação das 
fronteiras do território pátrio, mas não logrou consolidar uma economia realmente 
independente, pois que preservada, está, em suas funções básicas de fornecedora de 
alguns poucos produtos primários a economias mais avançadas. (ALMEIDA, 1999, p. 
38). 
Conforme Almeida (1999) a era nacional, coincidentemente inaugurada numa 
fase de grave crise da economia mundial, começa a tarefa de afirmação dos interesses 
externos da Naçãoem face dos desafios políticos de um mundo em transição entre o 
capitalismo estilo laissez-faire da belle époque e a fase de intenso intervencionismo do 
Estado na vida econômica, que iria durar até os anos 80 do século XX pelo menos. O 
regime varguista, tanto em suas fases provisória e “constitucional”, como sob o impacto 
do fechamento estado-novista, dá a partida ao lento processo de elaboração das 
condições políticas e institucionais, inclusive externas, para a tarefa de modernização do 
País. A afirmação dos interesses propriamente nacionais do Brasil, num mundo 
crescentemente diferenciado entre grandes potências e nações de “segunda classe”, 
passa pelo projeto auto-assumido da industrialização básica, uma das muitas facetas — 
com a capacitação tecnológica independente — do interminável processo de 
prosseguimento da obra incontornável do desenvolvimento. (ALMEIDA, 1999, p. 39). 
 
A política externa do Brasil na década de 1920 
 
 
Segundo Garcia (2006) a Política Externa Brasileira tenha apresentado 
continuidade em vários aspectos, desde o início da República Velha, a atuação externa 
brasileira sofreu oscilações decorrentes de opções políticas e preferências diplomáticas 
elaboradas de acordo com necessidades de cada momento. Segundo Garcia (2006), a 
década de 1920 foi caracterizada por três eixos de ação da política externa brasileira: os 
Estados Unidos, a Europa e a América do Sul. A análise da ação externa, nesse período, 
deve levar em conta: 
 
(…) um contexto interno de crise política e institucional, prevalência do modelo 
agroexportador, dificuldades econômicas, dependência do capital estrangeiro e 
limitada capacidade estratégico-militar. Convém assinalar que a formulação e a 
execução da política externa estavam dominadas por pequeno círculo de elite, 
basicamente atores ligados ao Ministério das Relações Exteriores e a setores do 
governo federal. (GARCIA, 2006, p. 25). 
 
 Conforme (Garcia 2006, p 25) “na cultura política oligárquica, a ‘amizade’ 
pressupunha compromissos e obrigações mútuas entre os membros da comunidade. A 
amizade entre iguais significava aliança, a amizade entre desiguais, proteção em troca 
de lealdade.” Enquanto o Brasil interpretava sua relação com os EUA como sendo entre 
iguais, os norte-americanos não recebiam o que esperavam pela proteção prestada, e 
esse quadro gerava dissonâncias nas relações entre os dois países, fazendo com que 
ambos tivessem dificuldades em compreender as ações externas um do outro. As 
expectativas norte-americanas de lealdade brasileira não se confirmaram, porque a 
política externa brasileira não se baseava em um “alinhamento automático” com os EUA, 
na década de 1920. A recusa do Brasil em assinar o Pacto Briand-Kellog – ou Tratado 
de Paris – e a decisão de não se retirar da Liga das Nações, em um primeiro momento, 
demonstraram tal assertiva. 
Quando se refere à Europa, a política externa brasileira tinha como principais 
preocupações questões comerciais e financeiras. O envolvimento do Brasil em assuntos 
políticos no Velho Continente buscava dotar o país de prestígio internacional Lutando 
por um assento permanente no Conselho da Liga das Nações, o Brasil pareceu 
demonstrar não ter calculado bem seu peso na esfera internacional, à época, e acabou 
por gerar crise significativa no âmbito da Liga, ao vetar a entrada da Alemanha na 
organização e, depois, anunciar sua retirada do Conselho e da própria Organização. 
 
Ao se tratar da América do Sul, a diplomacia brasileira não se pautou por questões 
econômicas, uma vez que o comércio exterior do país era feito majoritariamente com os 
EUA e com a Europa, nos anos de 1920. As principais preocupações do Brasil em 
relação à sua vizinhança passavam por aspectos estratégicos, militares e políticos. 
Sentido a necessidade de modernizar e reequipar suas Forças Armadas, o Brasil buscou 
atuar no cenário internacional de modo a obter legitimidade para seu empreendimento. 
Tal fato, no entanto, foi responsável por aumentar a rivalidade com a Argentina, gerando 
tensões entre os dois países. 
Entre os anos de 1924 e 1929, as missões estrangeiras brasileiras em 
Montevidéu, Assunção e, principalmente, Buenos Aires foram instrumentos importantes 
para a política externa de repressão iniciada por Bernardes e continuada por W. Luis. 
Assim sendo, a questão não foi meramente pessoal, como grande parcela dos autores 
que escrevem sobre o tema afirma, posto que um dos objetivos declarados pelos 
insurgentes era a queda do governo de Artur Bernardes. 
Desde a eclosão do Segundo 5 de Julho, em 1924, o movimento liderado por 
Isidoro Dias Lopes produziu repercussões nas relações internacionais do Brasil. As 
primeiras consequências foram notícias divulgadas no exterior a respeito do movimento 
revolucionário, gerando imagem negativa do país. A imprensa internacional auferia 
informações diretamente de seus representantes no Brasil ou por troca de dados entre 
si. O governo federal deu orientação aos postos do Itamaraty para que atuassem no 
sentido de desmentir notícias referentes aos movimentos rebeldes que fossem 
consideradas infundadas e mentirosas. Isso ocorreu na Europa e na América do Sul, 
onde as embaixadas e as legações do Brasil publicaram, por diversas vezes, matérias, 
notas e cartas com a intenção de reforçar as versões oficiais sobre as agitações no país. 
A guerra de informações entre o governo federal e as agências estrangeiras foi tão 
significativa que Artur Bernardes passou a censurar não só as notícias que circulavam 
internamente, como também as informações que os correspondentes estrangeiros 
enviaram ao exterior. 
Ainda assim, as informações levantadas pelas agências norte-americanas eram 
bem fidedignas aos fatos, e isso pode ser decorrente da provável atuação dos 
consulados norte-americanos como fontes para a mídia. A reprodução em Buenos Aires 
 
de grande parte das notícias publicadas pelos meios norte-americanos é outro indício da 
qualidade dessas informações. Como a versão oficial era muito diferente das que 
circulavam nos jornais estrangeiros, houve protestos brasileiros junto às embaixadas 
desses dois países e repercussões, inclusive, na Europa Em nota ao encarregado de 
negócios da embaixada dos EUA, Pacheco justificou suas ponderações, afirmando que 
“o Governo seria, portanto, ingênuo, se não se defendesse desse noticiário malévolo e 
corrosivo que semeia a anarquia no País e abala seu crédito no exterior” . O embaixador 
brasileiro em Buenos Aires, Pedro de Toledo, tentou alertar Pacheco sobre as más 
repercussões da censura e dos protestos, mas sem sucesso. 
Dessa maneira, percebe-se que o uso do aparato burocrático do Itamaraty não 
ficou restrito à amenizar os efeitos negativos que a Coluna Prestes gerou na imagem 
internacional do Brasil ou à responder às reclamações internacionais decorrentes dos 
prejuízos impostos a outras nações. O Governo de Artur Bernardes usou todos os 
recursos de que dispunha para debelar o movimento subversivo, sendo a rede de postos 
do Ministério das Relações Exteriores algo importante juntamente com o serviço de 
inteligência das Forças Armadas e o próprio Ministério da Guerra. O telegrama 1813, 
enviado pelo Marechal Rondon a Félix Pacheco, demonstra como a cooperação entre 
esses órgãos do Executivo ocorreu de maneira estreita, vinculando as ações externas 
do país aos desdobramentos internos. 
 
 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Termos e Conceitos Importantes 
 
Pan-americanismo 
Orientação política e ideológica voltada para a integração geopolítica dos Estados das 
Américas sob a liderança dos Estados Unidos. O pan-americanismo surgiu como reação 
ao domínio colonial europeu nas Américas e desenvolveu-se como instrumento da 
liderança continental de Washington. 
 
“Hemisfério Americano” 
Noção ideológica que traduziu, no plano geopolítico e diplomático, a ideia da cisão 
histórica entreo Novo Mundo e o Velho Mundo. No interior da orientação do pan-
americanismo, o “Hemisfério Americano” é a esfera de influência dos Estados Unidos. 
 
Sistema Interamericano 
Sistema de cooperação diplomática e segurança das Américas, criado por iniciativa dos 
Estados Unidos a partir de 1889. O Sistema Interamericano institucionalizou-se na OEA. 
 
Economia agroexportadora 
Modelo econômico de países pré-industriais que, no quadro da divisão internacional do 
trabalho, se especializam na exportação de produtos agrícolas. 
 
Pensamento cepalino 
Teoria do desenvolvimento elaborada no quadro da Comissão Econômica para a 
América Latina (Cepal), nos anos 1950 e 1960, que sustentava uma plataforma política 
de industrialização autônoma. 
 
Substituição de importações 
Política econômica voltada para a industrialização nacional. A política de substituição de 
importações, preconizada pelo pensamento cepalino, organizou-se em torno de 
 
estratégias de proteção do mercado interno e estímulo à implantação de indústrias 
modernas. 
 
Regionalismo aberto 
Método de integração econômica supranacional que prevê a progressiva ampliação 
horizontal do bloco econômico. O Mercosul adotou, desde a sua origem, o método do 
regionalismo aberto. 
 
Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. P.346 Disponível 
em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
REFLITA 
 
“O indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que 
está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. E não 
poderá sabê-la sem ir à escola, começando por observar a matéria bruta que está lá 
representada.” 
 
Fonte: Émile Durkheim (David Émile Durkheim – sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social 
e filósofo francês do século XIX). 
 
#REFLITA# 
 
 
https://www.proenem.com.br/enem/
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Caro (a) acadêmico, chegamos ao final da unidade III, e ai, você gostou? Espero 
que tenha conhecido um pouco mais sobre o globalismo e tudo que a ele envolve. Mas 
no final desta unidade, quero destacar alguns pontos relevantes tratados aqui. 
Na primeira seção apresentei o conceito de globalismo e que este conceito vem 
com a ideia de neoliberalismo, ou seja, total confiança no mercado. Atualmente esse 
conceito tem mudado. De todo modo, o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e 
com uma gama muito variada de autores, defensores e críticas, de forma que existem 
muitas linhas de pensamento a favor e contra essa forma de se observar a dinâmica da 
globalização. 
Na segunda seção vimos no contexto internacional como que o Brasil se 
enquadra. Neste tópico, percebemos que o Brasil tem uma pauta exportadora baseada 
em commodities e que importamos produtos de baixa, média e alta tecnologia. Além 
disso, vimos os principais países que o Brasil comercializa. Em destaque estão os 
Estados Unidos e a China. Vimos também os principais acordos comerciais do Brasil e 
discutimos essas relações e acordos no cenário atual. 
No terceiro tópico conferimos as principais iniciativas das relações internacionais 
e meio ambiente olhando mais para o Brasil. Vimos que em 1992 aconteceu a 
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento 
(CNUMAD) que reuniu uma diversidade de países, neste mesmo ano aconteceu o Rio-
92, onde 178 Estados-nação estavam envolvidos, em 2002 acontece a Rio+20 onde 
foram discutidos com representantes internacionais e nacionais temas atuais, ou seja, 
foram medidas importantes para aprendizado sobre o planejamento sobre meio ambiente 
no Brasil. Percebemos que o Brasil precisa muito da troca de conhecimento com países 
em desenvolvimento em busca de instrumentos e metodologias para a sustentabilidade 
nacional visando o longo prazo. 
E no quarto tópico, o estudo foi com foco nos impactos das relações 
internacionais. Destaca-se que os impactos são importantes para o fortalecimento de 
qualquer instituição de regulação nas relações entre os indivíduos. E por último no tópico 
5 relatamos sobre os principais acordos internacionais que são decorrentes do 
fortalecimentos das relações internacionais, e neste tópico, destacamos alguns acordos. 
 
Portanto, caro (a) acadêmico, agradeço sua participação até aqui, espero que 
continue conosco e tenha ótimos estudos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Cronologia das Relações Internacionais do Brasil 
 
 
Nesta Cronologia das Relações Internacionais do Brasil estão compilados os 
principais fatos que marcaram a história das relações internacionais do Brasil, desde a 
época dos descobrimentos até os dias de hoje, complementados pelos eventos mais 
importantes ocorridos tanto no plano interno quanto no cenário mundial. Dado o seu 
enorme sucesso entre o público leitor, além de ser atualizada até o ano de 2016, esta 
terceira edição foi totalmente revista e ampliada para incluir novas informações, cobrir 
lacunas e aperfeiçoar o tratamento de inúmeras entradas em praticamente todos os anos 
cobertos pela cronologia. 
De grande interesse para estudantes, pesquisadores e professores das áreas de 
relações internacionais, história e diplomacia, trata-se de uma fonte indispensável de 
estudo para provas e concursos é uma ferramenta útil de pesquisa tanto para quem está 
iniciando seu contato com a matéria quanto para aqueles que desejam consolidar seu 
conhecimento ou tirar dúvidas sobre questões pontuais. 
Assim como o livro Diplomacia Brasileira e Política Externa – Documentos Históricos, 
também editado pela Contraponto, o leitor interessado no tema tem à sua disposição um 
dos mais completos materiais de referência sobre a história da política externa brasileira. 
 
Fonte: GARCIA, Eugênio Vargas. Cronologia das relações internacionais do Brasil. Rio de Janeiro: 
Contraponto, 2005. 
 
 
LIVRO 
 
• Título: Introdução ao estudo das relações internacionais. 
• Autores: Antonio Carlos Lessa; Henrique Altemani de Oliveira; Thiago Gehre; Virgílio 
Arraes. 
• Ano: 2013. 
• Editora: Saraiva. 
• Sinopse: Com o objetivo de apresentar aos alunos de graduação os alicerces teóricos, 
conceituais e metodológicos que sustentam a ciência das Relações Internacionais (RI), 
este primeiro volume da coleção traz, de forma clara e bastante didática, seus aspectos 
identitários, destacando as origem do pensamento teórico e as ideias fundamentais das 
principais instituições que caracterizam a vida internacional. A obra proporciona uma 
visão geral desse campo de estudo, mostrando a pluralidade científica das RI, 
explorando suas bases intelectuais, os principais debates teóricos e apresenta os 
grandes pensadores da área, estimulando a curiosidade científica para que o leitor vá 
além, realizando pesquisas sobre temas, assuntos e personagens particulares. Coleção 
Temas Essenciais em RI A proposta desta coleção é a publicação de livros com foco no 
ensino de Relações Internacionais, englobando todas as disciplinas relevantes na 
formação básica oferecida pelos cursos de graduação da área de RI, e com aplicações 
em outras áreas, como Ciências Sociais, História, Economia, Direito e Geografia. 
Escritos em linguagem direta e acessível, a Coleção Temas Essenciais de RI é 
 
desenvolvida por professores vinculados ao Curso de Relações Internacionais da 
Universidade de Brasília, o mais tradicional programa de formação na área. 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título: Brexit. 
• Ano: 2019. 
• Sinopse: O filme foca na ação do responsável pela campanha para saída da Grã-
Bretanha da União Europeia, Dominic Cummings. A narrativa mostra as estratégias de 
comunicação, o uso das redes sociais e as ações para convencer os eleitores britânicos 
favoráveis ao Brexit. O filme conduz uma importantediscussão sobre o papel das mídias 
sociais e o impacto nos processos democráticos que atinge diversos países. 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
ALMEIDA, Paulo Roberto de. Brasileiros na Guerra Civil Espanhola, 1936-1939: 
combatentes brasileiros na luta contra o fascismo, Revista de Sociologia e 
Política, Curitiba: UFPR (4/12), 35 - 66, 1999. 
 
ALMEIDA, Paulo Roberto de. Política internacional, contexto regional e diplomacia 
brasileira, acompanhada de listagem seletiva da produção acadêmica em 
relações internacionais e em política externa do Brasil, de 1954 a 2014. Academia 
EDU, 2014. Disponível em: 
https://www.academia.edu/38611415/Pol%C3%ADtica_internacional_contexto_regional
_e_diplomacia_brasileira_acompanhada_de_listagem_seletiva_da_produ%C3%A7%C
3%A3o_acad%C3%AAmica_em_rela%C3%A7%C3%B5es_internacionais_e_em_pol%
C3%ADtica_externa_do_Brasil_de_1954_a_2014. Acesso em: 21 set. 2021. 
 
BECK, Ulrich. O que é Globalização? equívocos do globalismo: respostas à 
globalização. São Paulo: Paz e Terra, 1999. 
 
COSTALONGA, Luana Rigotti. O que é globalização – equívocos globalismo e 
resposta à globalização. Conhecimento interativo, São José dos Pinhais, PR. v.12, 
n.2. p. 52 - 69, jul/dez. 2018. 
 
BRASIL, Constituição Federal. Constituição da República Federativa do Brasil de 
1988. Brasília, DF: Senador 
 
EXAME. Relações internacionais: 5 pontos para ficar atento. Revista Exame. Fev. 
2018. Disponível em: https://exame.com/blog/instituto-millenium/relacoes-
internacionais-5-pontos-para-voce-ficar-atento/. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
FIA. Principais parceiros comerciais do Brasil: países, produtos e acordos. 
Fundação Instituto de Administração. Jan. 2020. 
 
GARCIA, Eugênio Vargas. Entre a América e a Europa: A política externa brasileira 
na década de 20. Brasília: Editora Universidade de Brasília / FUNAG (Fundação 
Alexandre de Gusmão), 2006. 
 
GARCIA, Eugênio Vargas. Cronologia das relações internacionais do Brasil. Rio de 
Janeiro: Contraponto, 2005. 
 
LESSA, Antonio Carlos; OLIVEIRA, Henrique Altemani de; GEHRE, Thiago; ARRAES, 
Virgílio. Introdução ao estudo das relações internacionais. São Paulo: Saraiva, 
2013. 
 
MAGANHINI, Thais Bernardes. Extrafiscalidade ambiental: um instrumento de 
compatibilização entre o desenvolvimento econômico e o meio ambiente. Marilia: 
 
Tese (Mestrado em Direito)-Curso de Pós Graduação em Direito, Universidade de 
Marilia, 2007. 
 
MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. 
Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo; OLIVEIRA, Henrique 
Altemani de; LESSA, Antonio Carlos. História das Relações Internacionais do 
Brasil. São Paulo: Saraiva, 2014. Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. 
Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
MOURA, A, M, M. Trajetória da política ambiental federal no Brasil. Instituto de 
Economia Aplicada (IPEA). Rio de Janeiro – RJ. 2016. 
 
ORGANIZAÇÃO DE COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO (OCDE). 
Perspectivas Ambientais da OCDE para 2030. 2008. 
 
RIBEIRO, Luana da Silva. O Marco Legal (CT&I) no Sistema Nacional de Inovação: 
Uma avaliação de indicadores selecionados. Repositório de Dissertações da 
Universidade Estadual Paulista (UNESP). 2019. 
 
RODRIGUES, Thiago Moreira. Relações internacionais. Universidade Federal de 
Santa Catarina (UFSC). Coordenação de aperfeiçoamento de Pessoal de Nível 
Superior (Brasil). 2012. 
 
SENADO FEDERAL DO BRASIL. Rio+20, 2012. Disponível em: 
https://www.senado.gov.br/NOTICIAS/JORNAL/EMDISCUSSAO/rio20/a-rio20.aspx. 
Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
 
 
 
UNIDADE IV 
BRASIL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 
Professora Especialista Margarete Campos Vieira 
 
 
Plano de Estudo: 
● Temas de análises das relações internacionais contemporâneas; 
● Integração econômica: acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais; 
● Ameaças e oportunidades empresariais; 
● Acordos comerciais e as cadeias globais de valor. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
● Conceituar e contextualizar temas de análises das relações internacionais 
contemporâneas; 
● Compreender os tipos de Integração econômica: acordos multilaterais e 
acordos regionais/plurilaterais; 
● Estudar e compreender as ameaças e oportunidades empresariais 
● Estabelecer a importância dos acordos comerciais e as cadeias globais de 
valor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Caro aluno (a) no final desta unidade você terá o aprendizado sobre o Brasil e 
as relações internacionais. Para atingir esse objetivo, essa unidade será dividida em 
quatro seções. A primeira terá algumas abordagens e temas sobre as relações 
contemporâneas da atualidade. 
Na segunda seção aprenderemos sobre a integração econômica, veremos 
sobre os acordos multilaterais e acordos regionais e plurilaterais. Na terceira seção 
compreenderemos sobre as ameaças e oportunidades empresariais, por fim, na última 
seção entenderemos sobre os acordos comerciais e as cadeias globais de valor, que 
é um assunto de extrema relevância do século XXI. 
Todas essas seções terão uma análise partindo do geral para o específico, ou 
seja, falaremos de mundo, mas nosso foco será entender sobre o Brasil e as relações 
internacionais. Vamos lá? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 TEMAS E ANÁLISE DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS CONTEMPORÂNEAS 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 255229027 
 
Você sabe como estava o cenário pós Segunda Guerra Mundial? Estados 
Unidos e União Soviética foram considerados os países vencedores, com 
pensamento político-econômico totalmente diferentes: o capitalismo e o comunismo. 
Diante dessa diferença, houve tensões entre essas duas potências e assim houve 
uma guerra fria (ALMEIDA, 2006). 
Aproveitando-se do contexto pós-guerra, os Estados Unidos iniciaram com 
uma medida de relação internacional com a Europa. Sabemos bem que o interesse 
dos EUA estava além da reconstrução europeia, eles também visavam o 
revigoramento do capitalismo, não dando espaço para a Rússia (ALMEIDA, 2006). 
 
O elemento singular mais relevante para a mudança de padrões nas relações 
internacionais contemporâneas, nas duas últimas décadas do século XX, foi 
o fim do socialismo enquanto pólo articulador de um sistema sócio-econômico 
concorrente ao domínio tradicional ldo liberal capitalismo. Essa dissolução de 
um sistema — cujas estruturas de comando e dominação tinham sido até 
então consideradas como dotadas de uma certa rigidez — foi de certa forma 
inesperada, pois que ocorrida num momento no qual o socialismo de tipo 
soviético buscava, precisamente, reformar-se e adaptar-se às novas 
condições da revolução tecnológica em curso, caracterizada pela 
microeletrônica e suas aplicações às telecomunicações. A derrocada do 
socialismo que, para todos os efeitos práticos, confunde-se com o 
desaparecimento da própria União Soviética, foi fundamental para a 
superação substantiva do período conhecido como Guerra Fria e para a 
 
 
transição da bipolaridade para uma nova situação de equilíbrio e convivência 
entre grandes potências, cujos contornos não estão ainda bem definidos em 
termos de relações internacionais (ALMEIDA, 2006, p. 12). 
 
Essa medida financeira e de reconstrução financeira ficou conhecida como 
Plano Marshall. Com a reconstrução da Europa, EUA aumenta seus laços no comércio 
internacional e se destaca mundialmente. Nos EUA (pós crise de 1929) welfare state 
se destaca, visando questões mais humanistas e com maior defesa do 
intervencionismo estatal. E com isso, acaba surgindo modelos similares em todo 
mundo. 
 
Figura 1 - Estados Unidos 
 
Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/vetores-gratis/estilo-grunge-fundo-da-bandeira-
americana_893044.htm#page=1&query=estados%20unidos&position=1. Acesso em: 27 jul. 2021. 
 
O modelo de Bem-Estar Social também foi introduzido no Brasil na década de 
1930. Nesse períodoa sociedade passava para uma fase mais industrial (ainda 
atrasado comparado a outros países). Vale destacar que, nas décadas de 1950 e 
1960 vieram à tona do Brasil temas ligados ao desenvolvimento econômico por meio 
da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). Essas linhas de pensadores 
visavam criar um modelo de desenvolvimento industrial autônomo para os países da 
América Latina. 
https://br.freepik.com/vetores-gratis/estilo-grunge-fundo-da-bandeira-americana_893044.htm#page=1&query=estados%20unidos&position=1
https://br.freepik.com/vetores-gratis/estilo-grunge-fundo-da-bandeira-americana_893044.htm#page=1&query=estados%20unidos&position=1
 
 
Com a crise do Petróleo, houve um esgotamento do Estado de Bem-Estar 
Social, isso porque o nível de desemprego e a inflação não estavam sendo resolvidas. 
E assim, a capacidade financeira dos governos em conseguir atender as 
necessidades da população e realizar investimentos estava sendo questionada. Os 
países em desenvolvimento (Brasil se enquadra nesse modelo) foram os que mais 
sofreram nesse período. A crise de 1980 gerou altas taxas de desemprego e alta 
inflação (ALMEIDA, 2006). 
 
Em meados dos anos 90, as esperanças depositadas numa nova fase de 
crescimento rápido no bojo da globalização – na qual se destacaram as 
economias emergentes da Ásia oriental – se desfizeram nas grandes crises 
financeiras e cambiais da segunda metade da década, englobando 
sucessivamente vários países asiáticos, a Rússia e o próprio Brasil 
(ALMEIDA, 2006, p. 19). 
 
Os países em desenvolvimento pegavam empréstimos do exterior para investir 
em sua industrialização e na tentativa de investir para sair da crise econômica. 
Podemos analisar este ponto na tabela: crescimento da dívida externa da América 
Latina. O Brasil aumentou consideravelmente sua dívida externa do ano de 1977 para 
1987. 
 
Tabela 1 - Crescimento da Dívida Externa da América Latina (Dívida Total em % do PIB) 
Países 1977 1982 1987 
Argentina 10 31 62 
Brasil 13 20 29 
Chile 28 23 89 
Guiana 100 158 353 
Honduras 29 53 71 
Jamaica 31 69 139 
México 25 32 59 
Venezuela 10 16 52 
Fonte: Adaptado de Paul Kennedy, Preparing For the Twentieth-First Century, 1993, p. 205 
 
Como vimos na tabela e na discussão do parágrafo acima o Brasil acabou tendo 
altas dívidas e tendo um capitalismo tardio em relação a outros países desenvolvidos. 
 
 
Com a falta de investimento em setores essenciais também tivemos impactos na 
educação, saúde, infraestrutura, inovação, etc. 
Analisando em contexto de comércio internacional, nos enquadramos em um 
modelo agroexportador, ou seja, importamos bens manufaturados e produtos de 
baixa, média e alta tecnologia e exportamos commodities. Somos dependentes dos 
países desenvolvidos. Um ponto em destaque falando de política externa é a Área de 
Livre Comércio das Américas (ALCA). E o que foi a ALCA? 
 
É uma definição histórica e estrutural das relações do Brasil com os Estados 
Unidos e da inserção brasileira no sistema internacional de Estados. A 
hipotética recusa brasileira à Alca equivaleria a uma profunda ruptura na 
parceria entre Brasil e Estados Unidos, que funcionou como alicerce da 
política externa brasileira ao longo do século XX. Além disso, provavelmente 
isolaria o Brasil, ou, no máximo, o Mercosul, no “Hemisfério Americano”. O 
principal benefício da Alca reside num acesso mais amplo ao enorme 
mercado consumidor dos Estados Unidos. Mas esse benefício tem 
significados diferenciados para as economias latino-americanas. As 
economias pouco industrializadas, cujas exportações se concentram em 
commodities minerais e agrícolas, usufruiriam de vantagens palpáveis e 
desvantagens marginais. Porém, economias industriais como a brasileira e a 
argentina seriam expostas diretamente à concorrência das poderosas 
corporações transnacionais dos Estados Unidos (MAGNOLI, 2013, p. 344). 
 
A ALCA foi relevante para a interação do Brasil com os países e para a 
influência do país nas tomadas de decisões com instituições financeiras e de 
segurança relevantes como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e 
Organização dos Estados Americanos (OEA). 
 
 
 
Figura 2 - Acordos comerciais 
 
Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-premium/empresarios-apertando-as-maos-
negociacoes-comerciais-conceitos-de-conexao-
acordos_4160349.htm#page=1&query=acordos%20comerciais%20&position=5. Acesso em 27 de jul. 
2021. 
 
Pode-se dizer então, que com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da 
guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA se 
instaurou como a força internacional com capacidade dominante (político, econômico, 
social ou cultural) até hoje, principalmente com o Brasil (MAGNOLI, 2013). 
 
 
 
 
 
 
 
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2 INTEGRAÇÃO ECONÔMICA: ACORDOS MULTILATERAIS E ACORDOS 
REGIONAIS/PLURILATERAIS 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 1463230529 
 
Caro acadêmico (a), para começar este tópico é importante falarmos sobre os 
conceitos de integração econômica, acordos multilaterais e acordos 
regionais/plurilaterais. Vamos aprender sobre cada um deles? 
A conceitualização da integração econômica na América Latina veio com a 
inspiração da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) no período da 
guerra fria. E no que refletia essa ideia? “Refletia uma reação limitada à hegemonia 
dos Estados Unidos e ao pan-americanismo, influenciada pela descolonização afro-
asiática e pela iniciativa de unificação europeia” (MAGNOLI, 2013, p. 341). 
A Cepal conseguiu analisar que a América Latina tinha suas especificidades e 
particularidades e que não é porque uma medida política funcionou em um país que 
funcionaria aqui. Era preciso voltar um “olhar para dentro” e entender os problemas 
existentes nos países em desenvolvimento, ou seja, era preciso “formulação de 
estratégias de desenvolvimento para América Latina” (MAGNOLI, 2013, p. 341). 
Os acordos multilaterais são aqueles realizados a partir de três países. Existe 
 
 
o Sistema Comercial Multilateral, ou seja, “sistema de tratados e regras de comércio 
internacionais emanados do Gatt e da Organização Mundial do Comércio” (MAGNOLI, 
2013, p. 238). 
Existem acordos bilaterais que são apenas dois países. Já os acordos 
plurilaterais são compostos de muitos países e as regras contratuais buscam atender 
a todos eles. Os acordos regionais são feitos de um estado, município com outros 
estados e municípios. “A integração crescente dos mercados, a aceleração dos fluxos 
de mercadorias e capital e a criação de blocos econômicos regionais acentuaram 
extraordinariamente a importância do mundo dos negócios na formulação da política 
externa'' (MAGNOLI, 2013, p. 9). 
 Agora que conseguimos entender os conceitos vamos falar sobre as relações 
internacionais e como está a postura na atualidade no que tange sobre a integração 
econômica. A partir do século XXI as relações internacionais por parte dos 
governantes precisam estar conectadas na ideia de que a política externa precisa ser 
parte do seu desenvolvimento nacional. 
O processo de internacionalização não se remete apenas em um processo 
político, econômico, social ou cultural, remete-se a todos os campos e ao mesmo 
tempo esses campos são interconectados. Atualmente incorporou-se a dinâmica 
disciplinar de debate e tem-se uma pluralidade teórica e assim dentro das relaçõesinternacionais enquanto campo científico a promoção de conhecimento com múltiplas 
perspectivas. 
No Brasil o planejamento não foi com planejamento de longo prazo para 
acompanhar essa internacionalização e globalização, isso porque as empresas 
brasileiras não estavam conseguindo acompanhar em sintonia com as transformações 
internacionais. 
Na década de 90 houve uma política de liberalização econômica. Lembrando 
que nesse período o país enfrentava sérias dificuldades de retomada econômica, 
havia muito desemprego, inflação e dívida externa. Um acordo relevante deste 
período foi o Mercado Comum do Sul (Mercosul) feito pelo Brasil, Argentina, Uruguai 
e Paraguai. E do que se tratava o Mercosul? 
 
O tratado incorporava os instrumentos que vinham sendo firmados junto à 
Aladi, que concentravam seus dispositivos na liberalização comercial. Como 
primeiro resultado, em um período de apenas seis anos, o comércio 
intrabloco conheceu um crescimento de 300%. (MONTEOLIVA et al., 2014, 
 
 
p. 115). 
 
Além do Mercosul, em 1992 foi realizada a Conferência das Nações Unidas 
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro. Esse acontecimento foi 
um marco no que tange assuntos desenvolvimentistas visando a preservação 
ambiental, ou seja, não só pensar no crescimento econômico, mas também em 
assuntos de desenvolvimento sustentável. Outra integração econômica considerada 
relevante é a Cúpula do Grupo dos 15 em 1990, essa integração focava nos 15 países 
em desenvolvimento (MONTEOLIVA et al., 2014). 
 Segundo Monteoliva et al (2014, p. 113) Fernando Henrique Cardoso veio com 
a proposta de multilateralismo e com uma visão de uma nova ordem em contexto 
internacional “pautada nos princípios de democracia e da economia de mercado, para 
promover o equilíbrio financeiro do país e melhorar o padrão de inserção internacional” 
(MONTEOLIVA et al., 2014, p.113). 
 
O método, mais uma vez sem planejamento, era a eliminação de barreiras 
não tarifárias e a exposição de nossas empresas à concorrência 
internacional. Na prática, o país tinha dificuldade em se posicionar a favor da 
integração hemisférica com os Estados Unidos ou da ampliação dos laços 
bilaterais com Washington. Além disso, não era claro em que medida o 
Mercosul deveria se consolidar como bloco, por meio da tarifa externa comum 
(TEC), o que significaria um distanciamento dos interesses norte americanos 
(MONTEOLIVA et al., 2014, p. 119). 
 
Em 1995, se tem uma integração econômica importante, a Organização 
Mundial do Comércio (OMC) é criada “incluía negociações relativas a acordos sobre 
agricultura, investimentos relacionados ao comércio de serviços e direitos de 
propriedade intelectual” (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 120). 
Em 1997 o Brasil associou-se ao Protocolo de Quioto, em 1998 ao Estatuto de 
Roma e, além disso, contribuiu com o Conselho de Segurança da Organização das 
Nações Unidas que tinha projetos e planejamentos para as crises internacionais. Vale 
destacar, que no governo FHC buscou-se autonomia: 
 
A busca por autonomia manifestou-se por meio de negociações em diversos 
foros internacionais, em reuniões birregionais e nas relações com a 
vizinhança sul-americana. Exemplos dessas iniciativas foram a I Conferência 
Ministerial da OMC (1996), na qual o Brasil não aderiu de imediato ao Acordo 
sobre tecnologia da informação (1996); a VIII Cúpula ibero-americana (1998), 
na qual Fernando Henrique defendeu a criação de um imposto internacional 
de 0,5% a ser aplicado sobre capitais de curto prazo e cuja arrecadação 
deveria ser utilizada na estabilização de países com dificuldades financeiras 
e em programas de combate à pobreza (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 122). 
 
 
 
No ano de 2000 houve a primeira reunião de presidentes da América do Sul e 
nessa reunião foram levadas para debates as relações políticas, comerciais e sobre a 
integração física da região, ou seja, a integração sul-americana, e assim, surgiu a 
Iniciativa da Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA), “com objetivo de fomentar projetos 
de integração nas áreas de energia, transporte e telecomunicações, tendo como 
diretriz “12 eixos de integração e desenvolvimento” (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 
123). 
Em 2003, com Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, o país manteve 
alguns pontos da política monetária do Fernando Henrique, como o plano real que 
trouxe certo equilíbrio para a inflação e no contexto internacional passou a agir com 
um maior ativismo. Vale colocar aqui que nesse período tinha “uma conjuntura 
internacional favorável ao crescimento econômico e ao protagonismo de países ditos 
emergentes” (MONTEOLIVA, 2014, p. 113). No que tange à integração internacional 
e política de comércio exterior Lula buscava: 
 
(...) aumento das exportações, os investimentos produtivos e a assimilação 
de tecnologia, e as diretrizes da nossa diplomacia seriam as negociações de 
acordos comerciais com vantagens concretas para o país, o combate a 
práticas protecionistas e a ampliação dos mercados consumidores de bens 
primários ou semielaborados, que continuavam a ter papel importante na 
pauta exportadora. Assim, na alca, nas negociações Mercosul-União 
Européia e na Organização Mundial do Comércio (...). (MONTEOLIVA et al., 
2014, p. 125). 
 
Percebemos aqui a relação com a visão cepalina, ou seja, nesse governo a 
gente consegue perceber que o objetivo era o desenvolvimento econômico da 
América do Sul. Nos anos posteriores tivemos nesse governo várias integrações da 
Sul-Americana. Segundo (MONTEOLIVA et al., 2014 p. 126) algumas dessas 
importantes integrações são: 
 
i) Acordo de complementação econômica entre Mercosul, Colômbia, Equador 
e a Venezuela em 2003; 
ii) Acordo de livre comércio Mercosul-Comunidade Andina em 2004; 
iii) Criação da Comunidade Sul-americana de Nações; 
iv) I Reunião de chefes da comunidade Sul-Americana de Nações em 2005; 
v) I Reunião energética da América do Sul em 2008, entre outras importantes 
 
 
integrações. 
 
Algumas participações no âmbito mundial foram importantes no que tange 
diplomacia e acordos internacionais no Brasil. O Brasil participou de reuniões com 
o G4 e debates relevantes sobre segurança com a Organização das Nações 
Unidas. Além disso, na Organização Mundial do Comércio (OMC) o Brasil estava 
à frente na formação de um grupo de países em desenvolvimento (G20 
econômico). Houve também o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). E o que fazia 
o BRIC? 
(...) formalizado em 2007, tinha vocação essencialmente política, sem 
descuidar de temas comerciais e econômicos. O BRIC, que promove a 
comunicação e a concertação de posições entre suas chancelarias, tem visto 
seu poder aumentar diante do rápido crescimento de suas econômicas e da 
crise que atingiu os países ricos a partir de 2008. Em 2010, foi realizada a 
cúpula do Bric-Ibas, em Brasília, na qual, diante da crise econômica 
internacional, foi reafirmado o compromisso com o desenvolvimento 
(MONTEOLIVA et al., 2014, p. 127). 
 
 
Em sequência ao governo Lula, Dilma tem relações internacionais com uma 
certa linha de continuidade ao governo anterior. Ela teve uma postura favorável ao 
Mercosul e fortaleceu laços com a Cúpula América do Sul-Países Árabes, BRICS e 
G20. Com uma certa incerteza e instabilidades políticas do Brasil no primeiro governo 
de Dilma, o empresariado não teve um processo de internacionalização tão rápido 
como no governo Lula, havia muita resistência. 
 Temer assume após o impeachment com uma postura mais ortodoxa, 
processos de privatizações e corte de gastos. "resgata política externa na força 
transformadora do liberalismo econômico” (MONTEOLIVA, 2014, p. 16). A China foi o 
acordo brasileiro que permaneceu intacto tanto em Lula, quanto em Dilma e Temer “A 
China representou a principal linha de continuidade entre a política externa dos 
governos Lula, Dilma e Temer, em nenhum momento sua relevância foi questionada” 
(MONTEOLIVA,2014, p. 135). 
Por fim, temos o atual governo que nos mostra certa postura de ideologização 
e pragmatismo. E assim, aparenta-se que “indica uma mudança de orientação da 
política externa brasileira, resultante da motivação ideológica conservadora” 
(MONTEOLIVA, 2014, p. 145). 
 
 
Isso afeta de certa forma nossas relações internacionais, nossa credibilidade 
internacional, acaba tendo um certo “desconforto” em setores econômicos relevantes, 
como agroexportação e entre diferentes setores da opinião pública, impactando o 
processo decisório da política externa brasileira (MONTEOLIVA, 2014, p. 145). 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 AMEAÇAS E OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS 
 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 317585936 
 
Neste tópico vamos citar algumas crises, ameaças e possíveis oportunidades 
para as relações internacionais contemporâneas. Buscaremos falar em âmbito 
mundial e âmbito nacional – Brasil. 
Vivemos em 2008 uma crise financeira nos EUA que atingiu o mundo inteiro. 
Desde a década de 1990 o preço dos imóveis nos Estados Unidos começou a subir 
continuamente formando a famosa “bolha imobiliária” que veio estourar em 2008. 
Diante disso, muitas pessoas começaram a investir no mercado imobiliário em razão 
da valorização. De 2000 até 2008 o dinheiro concedido para crédito imobiliário dobrou. 
 
 
 
Gráfico 1 - Evolução do índice de preços dos imóveis nos Estados Unidos de 1987 a 2007 
 
Fonte: Torres, F. (2008) 
 
Pode-se dizer que a crise foi intensificada no momento da falência do Banco 
de Investimento Lehman Brothers em 2008, após o FED (Federal Reserve) recusar 
socorrer a instituição. Pode afirmar também que a globalização comercial e financeira 
e Estados Unidos como sendo o centro da economia global fez com que a crise se 
alastrasse. 
De certa forma, se não fosse a pressão do governo talvez essa crise não teria 
acontecido. Faltou responsabilidade financeira no mercado. A recuperação do 
mercado financeiro foi "maquiada" com dinheiro público novamente. E assim, a 
economia dos Estados Unidos voltou a estabilizar. 
Após a crise financeira, alguns países conseguiram retomar seu crescimento e 
desenvolvimento econômico. Mas, agora estamos enfrentando uma crise econômica 
e sanitária devido ao Coronavírus. Essa crise pode ser considerada a maior de toda 
história. 
 
No mundo e no Brasil, já há previsões de uma crise econômica forte. Nesse 
caso, a atuação do Estado dos diversos países deve se intensificar. As 
preocupações orçamentárias nesse momento devem ser totalmente 
abandonadas, pois as políticas econômicas precisam garantir a melhor 
 
 
harmonia possível da sociedade, inclusive garantindo os direitos sociais 
segundo Pactos internacionais de que o Brasil é signatário, como o Pacto 
Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) e a 
Constituição Federal de 1988 (NASCIMENTO; RIBEIRO, 2020, p. 1). 
 
O momento que estamos passando já nos deixa claro que todos os países 
sofrerão com o endividamento tanto interno quanto externo. Que mais do que nunca 
se tem que fortalecer as relações internacionais e na troca de conhecimento científico 
para que todos os países consigam enfrentar essa crise. 
Introduzindo, pós governo de Michel Temer (2016 - 2018), a ascensão ao poder 
do presidente eleito Jair Bolsonaro, no ano de 2019, pode-se analisar, em um primeiro 
momento, uma linha de continuidade entre a política econômica de Temer e 
Bolsonaro, uma vez que a conturbada mudança que transitou pela economia brasileira 
inicia-se no governo de Temer e tem certa profundeza no governo de Bolsonaro, que 
também implementa políticas puramente ortodoxas em um ambiente, parecido, de 
desaceleração econômica, além de tomar medidas que minimiza o papel do Estado 
na economia. 
Em um contexto marcado por problemas institucionais, cenário internacional 
não muito favorável e economia com certa estagnação, o presidente Bolsonaro inicia 
seu governo com uma postura nada política, sustentando um perfil autoritário e de 
manipulação em massa, culminando em uma instabilidade econômica ainda maior, 
isso porque afeta a democracia e a credibilidade do país em âmbito internacional. 
No cenário atual de crise sanitária, com a pandemia do Novo Coronavírus 
(COVID-19), o país se encontra em uma situação em que os investimentos na área 
de saúde, tecnologia e inovação, foram mínimos, até o momento, o que dificulta ainda 
mais a obtenção de uma estrutura necessária para lidar com a crise, além da contínua 
preocupação com o corte de gastos em setores essenciais, que agora, mais do que 
nunca, faz falta, como é o caso da área da saúde. 
Como oportunidades no âmbito mundial, a inovação está como principal. O 
coronavírus nos trouxe uma nova forma de viver, com novas invenções em todas as 
profissões. Alguns setores se destacam, como: ciência da computação, tecnologia da 
informação, marketing e propaganda, telecomunicação, indústria 4.0, internet das 
coisas, internet 5G, entre outros. É um momento para investir em qualificação e 
inovação no ambiente empresarial. O fluxo de informações, a globalização e a 
inovação está com uma intensa velocidade e precisa de mão de obra qualificada. 
 
 
Sobre o cenário internacional brasileiro, conseguimos ver que há uma clara 
necessidade de um fortalecimento e modernização da produção industrial, um 
verdadeiro processo de re-industrialização, para que esse possa atender a demanda 
interna e também possa ter competitividade com no mercado externo, aumentando as 
exportações não somente em commodities, mas em produtos de baixa, média e alta 
tecnologias. Isso é relevante para que o Brasil não fique dependente de produtos com 
inovação e tecnologia dos países internacionais, é necessário olhar para dentro e 
buscar uma “autossuficiência”. 
 Essas medidas são também importantes instrumentos para a geração de 
empregos qualificados, que refletem nos melhores salários, e, assim, conseguir 
(re)incorporar a massa trabalhadora represada pela crise econômica e agravada pela 
pandemia. A história mostra que o processo de desenvolvimento de todos os países 
passou pelo surgimento e crescimento da indústria. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 ACORDOS COMERCIAIS E AS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR 
 
Fonte: www.shutterstock.com/ 1505637167 
 
Para falarmos de cadeias globais de valor é importante o entendimento do 
conceito de integração produtiva e integração vertical. Nos anos entre 1990 e 2008 é 
verificado que com a internacionalização produtiva e o crescimento do fluxo do 
comércio internacional a interação de investimentos de países desenvolvidos com 
países em desenvolvimento aumenta. Esse método faz com que tenha uma eficiência 
na produção. 
Assim, a integração produtiva representa o método pelo qual a firma “(i) passa 
a adquirir, via importações, os insumos, partes e componentes que são utilizados no 
seu processo produtivo; e (ii) estabelece, no contexto do processo de terceirização, 
alianças/cooperação estratégicas com seus fornecedores”. 
 Já a integração vertical é uma representação dos resultados das fusões, 
aquisições e investimentos que são efetivados pela empresa (MACHADO, 2010, p. 
122-123). Com isso, podemos ampliar a abordagem do que é uma cadeia global de 
valor que ficou muito conhecida na década de 2000, iniciando-se nos países Leste, 
Sudeste Asiático e Leste Europeu. 
 
(...) uma cadeia mapeia a sequência vertical de eventos que levam à 
distribuição, consumo e manutenção de bens e serviços – reconhecendo que 
várias cadeias de valor frequentemente compartilham atores econômicos 
comuns e são dinâmicas na medida em que são reutilizadas e reconfiguradas 
de forma contínua – enquanto uma rede enfatiza a natureza e a extensão das 
relações interfirmas que vinculam conjuntos de firmas a grupos econômicos 
maiores (STURGEON, 2007, p. 10, tradução nossa). 
 
 
 
Diante disso, a cadeia global devalor teve destaque, em razão de determinar 
a competitividade de diversos países que se enquadram com a existência de uma 
pauta exportadora com produtos que poderiam ter os custos minimizados se 
realizados com uma metodologia de processos de produção fragmentada. 
“A ideia de produzir em cadeias está associada aos benefícios derivados da 
redução de custos na obtenção de matérias-primas e/ou de processamento de etapas 
produtivas a custos de fatores reduzidos” (OLIVEIRA, 2015, p. 11). 
Para os acordos comerciais contemporâneos estão complexos, exigindo uma 
reorganização produtiva. As cadeias globais de valor surgem com a intenção de 
“agregação de valor a um bem ao longo de sua cadeia produtiva”, além disso, com a 
expansão das cadeias globais de valor existe a possibilidade de pequenas e médias 
empresas terem um engajamento na economia global. 
 
A participação nas CGVs pode facilitar o acesso de pequenas e médias 
empresas a mercados externos e diversificados, economias de escala e 
escopo, aprendizagem tecnológica e transferência de tecnologia, assim como 
acesso a importações competitivas para produção doméstica e para 
exportação. Por outro lado, a participação nas CGVs também pode “trancar” 
(lock -in) empresas e países em atividades de baixo valor agregado, 
sustentadas por vantagens competitivas estáticas baseadas em baixos 
custos de produção sem benefícios de longo prazo para aprendizado, 
inovação e desenvolvimento. Essas oportunidades e desafios da participação 
em cadeias globais de valor requerem atenção, tanto por parte das empresas, 
como de governos e organizações internacionais, devido a suas implicações 
políticas para o desenvolvimento (OLIVEIRA, 2015, p. 42). 
 
Existem vários modelos quando se fala de cadeias globais de valor, além disso, 
existem variações de setores. Como modelo principal, falaremos de três tipos de 
países que estão destacados na visão de Oliveira (2015, p. 11 e 12). O primeiro tipo 
chamaremos de “País I”, o segundo tipo de “País 2” e o terceiro tipo de “país 3”. 
 
Quadro 1 - Tipologia das cadeias globais de valor 
Tipologia das cadeias globais de valor 
Tipo 
Como se enquadra nas cadeias globais 
de valor? 
País I Fornecedor de matéria-prima 
 
 
País II 
Ocorre a montagem final do produto, a partir 
dos insumos proporcionados pelos países 
tipo I. 
País III 
Concentração da parte mais rara do 
processo de produção. Se concentra a 
governança de toda cadeia. 
Fonte: Elaboração própria com base em Oliveira (2015). 
 
O Brasil se enquadra como país do tipo 1. Isso porque temos a pauta 
exportadora focada em commodities, além disso, “As estimativas da OCDE indicam 
que a participação do país nas cadeias de valor é muito pequena, e o componente 
importado das nossas exportações é muito reduzido” (OLIVEIRA, 2015, p 12). 
Falando de política comercial brasileira no período de 2003-2010 conseguimos 
certo destaque no cenário internacional, isso porque o governo deste período buscava 
uma diversificação da pauta exportadora e negociações comerciais multilaterais. 
 
Considera-se, entretanto, que a ambição brasileira de “mudar a geografia 
comercial do mundo” se referia à diversificação de parcerias e ao aumento 
da capacidade de influência do país nas negociações internacionais de 
comércio. O uso dessa expressão pelo Brasil não estava relacionado às 
novas dinâmicas do comércio internacional vista de uma perspectiva 
sistêmica, ou à nova divisão internacional do trabalho que emerge com a 
dispersão geográfica da produção (OLIVEIRA, 2015, p. 28). 
 
É importante lembrar que a partir de 2002 tivemos superávits comerciais na 
balança comercial chamado de “boom exportador” pelo motivo que a China estava 
crescendo de uma maneira surreal e também porque houve incentivos por parte do 
governo com redução de carga tributária e políticas de incentivo à exportação. 
Com a postura do governo com acordos internacionais e com políticas 
nacionais e comerciais de longo prazo, estávamos buscando o método de um 
“desenvolvimento nacional de dentro para fora” com planejamento de longo prazo 
visando um desenvolvimento e crescimento econômico sustentável. 
A dívida externa nesse período foi reduzida e as reservas internacionais 
(dólares como reserva no país) aumentaram. Ou seja, já não estávamos tão 
vulneráveis internacionalmente como éramos nos anos anteriores. O gráfico 1 a seguir 
mostrará esses pontos. 
 
 
 
Gráfico 2 - Brasil: Dívida Externa Pública e Reservas Internacionais (dez 91-dez 11) 
 
Fonte: Instituto Mercado Popular (2016). 
 
No período do governo Lula o Brasil tinha a maioria de suas importações e 
acordos comerciais com Estados Unidos, China, Argentina e Alemanha. Já nas 
exportações, era China e Estados Unidos. Continuamos no esforço em estimular a 
ciência para exportar produtos de baixa, média e alta tecnologia, mas não foi o 
suficiente. 
O Brasil continuou sendo dependente das importações de tecnologia e 
exportando commodities. Assim, “o governo Lula, avançou em um processo definido 
nos governos anteriores, acelerou a alavancagem do capitalismo Brasileiro, articulou 
empresários e Estado, mas não mudou o lugar do Brasil na economia mundial” 
(VIDIGAL, 2021, p. 128). 
No cenário de Dilma Rousseff estávamos passando por um período de 
escândalos, manifestações e uma redução do grau de confiança. O que acabou 
afetando em alguns acordos e credibilidade no âmbito internacional. A economia 
começou a ficar estagnada e com discordâncias políticas, chegamos no impeachment. 
Temer ingressa com um discurso de austeridade fiscal, ou seja, de que se 
precisa organizar as contas públicas do país e para isso é necessário cortar gastos 
dos setores da economia considerados essenciais. 
 
 
 
O discurso, com base na austeridade fiscal, de que o Estado quebrou ainda 
é forte. Porém, com a pandemia do Covid-19, diversos economistas, inclusive 
aqueles que lideraram a ideia que o “Estado quebrou”, estão discutindo a 
importância do Estado na atuação da coronacrise. Seguindo a aplicação de 
políticas econômicas adotadas em âmbito internacional no enfrentamento da 
coronacrise, o discurso se unifica em formas que o governo pode atuar com 
objetivo de amenizar os impactos econômicos e sociais da pandemia 
(NASCIMENTO; RIBEIRO, 2020, p. 1) 
 
Junto a isso, no âmbito internacional uma diversidade de presidentes com uma 
postura tendendo mais para a direita. Donald Trump é um deles. Sem uma postura de 
diplomacia, sem visões humanistas. 
E atualmente no Brasil, temos Jair Bolsonaro com uma postura semelhante à 
de Donald Trump. O que acaba afetando o Brasil em seus acordos e relações 
internacionais por falta de diplomacia e credibilidade. Além disso, afeta o grau de 
confiança e expectativa nacional fazendo com que os empresários fiquem receosos 
em investir e gerar empregos, o que implica em um atraso na retomada econômica. 
Dentro de uma reflexão sobre a situação política, econômica e social do Brasil, 
atualmente, é interessante ir de encontro com um pensamento de equidade. E 
entender o quanto às relações internacionais e os acordos comerciais são relevantes 
principalmente agora em momentos de pandemia em que precisamos de outros 
países para produzir uma vacina. 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Termos e Conceitos Importantes 
 
Ambientalismo 
Movimento político estruturado em torno do tema do meio ambiente e das suas 
relações com o desenvolvimento econômico. A expressão mais evidente do 
ambientalismo foi o surgimento e a consolidação dos “partidos verdes” na Europa, 
desde a década de 1970. 
 
Desenvolvimento sustentável 
Modelo de desenvolvimento econômico no qual a base de recursos naturais é 
interpretada como um patrimônio e uma condição para a reprodução, a longo prazo, 
dos padrões de produção e consumo. 
 
Neomalthusianismo 
Corrente de pensamento desenvolvida pelo Clube de Roma e parcialmente assentada 
sobre a teoria de Malthusa respeito do crescimento demográfico. Os neomalthusianos 
sustentam que o crescimento econômico dos países em desenvolvimento depende 
de medidas ativas de controle da natalidade. 
 
Explosão demográfica 
Modelo de explicação das elevadas taxas de crescimento vegetativo nos países do 
Terceiro Mundo no pós-guerra. A noção de “explosão demográfica” ocupa um lugar 
central no pensamento neomalthusiano. 
 
Aquecimento global 
Tendência de longo prazo de aumento das temperaturas médias superficiais do 
planeta. O aquecimento global é uma tese predominante na comunidade científica, 
mas ainda sujeita a controvérsias. 
 
Gases de estufa 
Gases que provocam intensificação do efeito-estufa natural da atmosfera terrestre. 
Entre os gases de estufa, o dióxido de carbono ocupa o lugar de maior destaque. 
 
 
 
Biomas 
Ecossistemas naturais terrestres de dimensões subcontinentais, como as florestas 
tropicais, as savanas, as pradarias, os desertos, a taiga e a tundra. 
 
Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p.250. 
Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
 
 
 
 
REFLITA 
 
Em sua opinião, o que justifica a afirmação de que o Brasil é importante ator nas 
relações internacionais do século XXI? 
 
Fonte: MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo. OLIVEIRA, Henrique Altemani 
de; LESSA, Antônio Carlos. História das relações internacionais do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2014 
p.147 
 
 
#REFLITA#
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Gostou desta unidade? O que aprendeu? Vamos fazer uma conclusão rápida 
de alguns pontos considerados relevantes. Na primeira seção vimos como os Estados 
Unidos se tornou o país dominante mundialmente e como ele influencia até os dias de 
hoje alguns comportamentos de outros países. 
Vale lembrar aqui, que os Estados Unidos também têm a moeda dominante e 
isso implica em questões cambiais e comerciais dos outros países. Aprendemos que 
com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da guerra fria, houve uma quebra 
da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA se instaurou como a força 
internacional com capacidade dominante. Aprendemos também sobre alguns acordos 
dos países em desenvolvimento como a ALCA. 
Na segunda seção vimos sobre os conceitos de integração econômica e 
acordos multilaterais e plurilaterais. Além disso, compreendemos que a Comissão 
Econômica para a América Latina (Cepal) foi a inspiração dessa ideia na América 
Latina. A Cepal conseguiu analisar as necessidades dos países em desenvolvimento. 
Analisamos algumas integrações econômicas e acordos considerados importantes no 
Brasil a partir da década de 90. 
 Compreendemos sobre o Mercosul, a Conferência das Nações Unidas sobre 
Meio Ambiente e Desenvolvimento, a associação do Brasil com o Protocolo de Quioto, 
a Iniciativa da Infraestrutura Sul-Americana, Organização Mundial do Comércio, sobre 
os BRIC (Brasil., Rússia, Índia e China), entre outros. 
Na seção três foi realizada uma discussão das ameaças, crises e 
oportunidades empresariais da contemporaneidade. Vimos que passamos pela crise 
financeira em 2008 com os Estados Unidos que se alastrou para o resto do mundo, 
deixando sequelas nos países em desenvolvimento e agora estamos enfrentando uma 
crise sanitária e econômica. 
Mais do que nunca, os países precisam estabelecer acordos para que 
possamos todos sair dessa crise. No que tange sobre oportunidades empresariais, os 
setores ligados à inovação se destacam nesse período. É o setor atual que está com 
maior valuation no mercado. 
Na seção quatro, discutimos sobre acordos comerciais e também sobre as 
cadeias globais de valor. Aprendemos o conceito, a tipologia e o quanto a cadeia 
 
 
global é importante no processo de internacionalização. Vimos que o Brasil se 
enquadra como tipo 1 na tipologia da cadeia global de valor. Discutimos também sobre 
os acordos e a postura dos atuais governantes do Brasil e como isso afeta a 
credibilidade do país e as relações internacionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
• Título: História das Relações Internacionais do Brasil. 
• Autor: Francisco Doratioto / Carlos Eduardo Vidigal. 
• Editora: Saraiva. 
• Sinopse: Muitos foram os desafios internacionais, as circunstâncias adversas e as 
pressões internas para que a política exterior brasileira pudesse atender, na medida 
do possível, as demandas da sociedade. Entre sucessos e frustrações, o país 
consolidou sua soberania e uma tradição de autonomia e universalismo que, a 
despeito da atual conjuntura, orientarão seus passos futuros. Para que os leitores 
possam debater o que esperar das relações internacionais do Brasil para os próximos 
anos, esta obra faz um apanhado histórico de seis momentos importantes do País: a 
Independência e definição do Estado Nacional (1822-1845); Soberania, 
intervencionismo e pragmatismo (1845-1889); Americanismo, ativismo e frustração 
(1889-1930); o Desenvolvimento, autodeterminação e latino-americanismo (1930-
1961); Autonomia, universalismo e sul-americanização (1961-1989); e, por fim, O 
Brasil no mundo globalizado (1990-2019). Além disso, esta nova edição traz ainda 
uma reflexão sobre as relações internacionais do Brasil no governo Michel Temer e 
no primeiro ano do mandato de Jair Bolsonaro. 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título: Querido Embaixador. 
• Ano: 2018. 
• Sinopse: Não recomendado para menores de 16 anos, 
Luiz Martins de Souza Dantas (Norival Rizzo) era o embaixador do Brasil na Itália até 
1922, quando é transferido para Paris. Cercado de belas moças, o homem vive num 
cotidiano de luxo em reuniões que incluíam pessoas da política e da cultura do país. 
Nesse contexto, começa a Segunda Guerra Mundial e o embaixador passa a viver 
numa realidade intensa com tomada de decisões que realmente podem colocar a vida 
de brasileiros em risco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
 
ALMEIDA, Paulo Roberto. As duas últimas décadas do século XX: fim do 
socialismo e a retomada da globalização. In: SARAIVA, José Flávio Sombra. 
História das Relações Internacionais Contemporâneas: das sociedades 
internacionais do século XIX à era da globalização. 2a. revista e atualizada; São 
Paulo: Saraiva, 2006, p. 253 - 316. 
 
INSTITUTO MERCADO POPULAR. A ascensão e a queda do PT em 13 gráficos. 
2016. Disponível em: https://mercadopopular.org/economia/a-ascensao-e-queda-do-
pt-em-13-graficos/. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
KENNEDY, Paul M. Preparing for the Twentieth-First Century. New York: Vintage 
Books, 1993. 
 
KENNEDY, Paul M. The Rise and Fall of Great Powers: economic change and 
military conflict from 1500 to 2000. New York: Random House, 1987. 
 
MACHADO, J. B. M. Integração produtiva: referencial analítico, experiência 
europeia e lições para o Mercosul. In: ALVAREZ, R.; BAUMANN, R.; WOHLERS, 
M. (Orgs.). Integração Produtiva: caminhos para o Mercosul. Brasília: Agência 
Brasileira de Desenvolvimento Industrial, 2010. Série Cadernos da indústria ABDI 
XVI. Cap. 3, p. 116- 155. 
 
MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. 
Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
OLIVEIRA, Susan Elizabeth Martins Cesar de. Cadeias globais de valor e os 
novos padrões de comércio internacional: estratégias de inserção de Brasil e 
Canadá. Brasília: FUNAG, 2015. Disponível em: 
http://funag.gov.br/biblioteca/download/1124Cadeias_globais_de_valor_e_os_novos
_padroes_internacionais.pdf. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
NASCIMENTO, Julio. RIBEIRO, Luana. Atuação do Estado e pesquisa científica 
em tempos de coronacrise. Brasil debate. 2020. Disponível em: 
https://brasildebate.com.br/atuacao-do-estado-e-pesquisa-cientifica-em-tempos-de-
coronacrise/. Acesso em 27 de jul. 2021. 
 
STURGEON, T. J. Does Manufacturing Still Matter?The Organizational Delinking 
of Production from Innovation. BRIE Working Paper 92B. Cambridge, August, 1997. 
 
TORRES, F, Ernani Teixeira. Entendo a Crise do Subprime. Visão do Banco 
Nacional do Desenvolvimento. Número 44. Jan. 2008. 
 
MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo. OLIVEIRA, Henrique 
Altemani de; LESSA, Antônio Carlos. História das relações internacionais do 
Brasil. São Paulo: Saraiva, 2014. 
 
CONCLUSÃO GERAL 
 
 
Caro(a) aluno(a), chegamos ao final da disciplina Relações Internacionais. Ao 
longo das quatro unidades foram debatidos assuntos pertinentes a esse tema. Na 
Unidade I o destaque foi para Conceituação geral. Na Unidade II, o assunto estudado 
foram os Destaques Internacionais. Na unidade III o foco principal foi o Globalismo E 
para concluir a disciplina a Unidade IV trouxe o assunto o Brasil e as relações 
internacionais. 
Partindo dessas concepções, na Unidade I foi possível compreender a 
ambientação e, para melhor compreensão, fez necessário estudos das origens das 
relações internacionais, pensamento político e o fundamento das relações internacionais 
e ainda a teoria da sociedade civil internacional e funcionamento das relações 
internacionais. Observou-se que as Relações Internacionais é algo tão antigo quanto a 
origem da espécie humana, pois está relacionada à comunicação entre as pessoas e 
entre os países. As relações internacionais tiveram início na Grécia antiga, onde os 
embaixadores eram enviados esporadicamente em missões especiais a diferentes 
cidades-estados, a fim de entregar mensagens, intercambiar, ou seja, trocar mensagens 
e até mesmo oferendas. 
Na Unidade II o estudo foi pautado nos destaques internacionais e para isso, 
estudou-se os principais marcos mercadológicos que são importantes para o melhor 
entendimento dos estudos das relações internacionais. Neste tópico observou-se que os 
métodos têm duplos sentidos: atender ao próprio pesquisador na análise dos conceitos, 
e também, ao público interessado (leitores em geral), os meios utilizados no desenho 
dos resultados encontrados. Por isso, método e conhecimento são aportes de construção 
para o processo científico. Método e ciência trazem complementaridades e necessitam 
de mútua correlação sob a égide de constante verificação ou testes. Após conhecer um 
pouco mais sobre os marcos metodológicos, o estudo passou para a análise da Teoria 
das Relações Internacionais, e para complementar foi apresentado os principais autores 
e suas correntes clássicas e por último as principais correntes e relações brasileiras. 
Na unidade III, o estudo foi pautado no Globalismo na era moderna, e soube-se 
que o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e com uma gama muito variada de 
autores, defensores e críticas, de forma que existem muitas linhas de pensamento a 
favor e contra essa forma de se observar a dinâmica da globalização. Para complementar 
o debate foi apresentado o tópico: O Brasil e as relações internacionais voltadas ao 
comércio e, também às Relações internacionais e meio ambiente; sabendo que o meio 
ambiente é um dos assuntos mais discutidos nas relações internacionais pois influenciam 
as relações comerciais. Por isso também destacou-se os impactos das relações 
internacionais e por último os principais acordos internacionais brasileiro. 
Para finalizar na unidade IV, o assunto foi o Brasil e as Relações Internacionais. 
Para isso, o primeiro tópico apresenta temas de análise das relações internacionais 
contemporâneas. Pode-se dizer então, que com o cenário do pós-guerra mundial e com 
o fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA 
se instaurou como a força internacional com capacidade dominante (político, econômico, 
social ou cultural) até hoje, principalmente com o Brasil (MAGNOLI, 2013). No tópico 2 o 
estudo mostrou que, com a Integração econômica houve acordos multilaterais e acordos 
regionais/plurilaterais. No Brasil o planejamento não foi de longo prazo para acompanhar 
essa internacionalização e globalização, isso porque as empresas brasileiras não 
estavam conseguindo acompanhar em sintonia com as transformações internacionais, 
mas foram ocorrendo de forma gradativa. No tópico III as ameaças e oportunidades 
empresariais foi o assunto principal e neste contexto não se pode esquecer da crise 
financeira de 2008 que começou nos EUA que atingiu o mundo inteiro. Mas ressalta-se 
que desde a Década de 1990 o preço dos imóveis nos Estados Unidos começou a subir 
continuamente formando a famosa “bolha imobiliária” que veio estourar em 2008. Diante 
disso, muitas pessoas começaram a investir no mercado imobiliário em razão da 
valorização. De 2000 até 2008 o dinheiro concedido para crédito imobiliário dobrou. Além 
das crises, trocas de governos, pandemias etc são fatores que também contribuem e 
que fazem parte de toda história das relações internacionais. O Brasil se encontra em 
uma situação em que os investimentos na área de saúde, tecnologia e inovação, foram 
mínimos, até o momento, o que dificulta ainda mais a obtenção de uma estrutura 
necessária para lidar com a crise, além da contínua preocupação com o corte de gastos 
em setores essenciais, que agora, mais do que nunca, faz falta, como é o caso da área 
da saúde. Por último no tópico IV o assunto estudado foi os acordos comerciais e as 
cadeias de valor. Neste tópico, estudou-se os principais fatores que afetam o grau de 
confiança e expectativa nacional fazendo com que os empresários fiquem receosos em 
investir e gerar empregos, o que implica em um atraso na retomada econômica. 
Dentro de uma reflexão sobre a situação política, econômica e social do Brasil, 
atualmente, é interessante ir de encontro com um pensamento de equidade. E entender 
o quanto às relações internacionais e os acordos comerciais são relevantes 
principalmente agora em momentos de pandemia em que precisamos de outros países 
para produzir uma vacina. 
Portanto, caro (a) acadêmico, finalizo aqui nossa disciplina de Relações 
Internacionais e desejo ainda que você continue estudando sobre este tão valioso 
assunto, siga nossas dicas e referências bibliográficas sugeridas em cada unidade. 
 
Desejo a você, caro(a) aluno(a), muito sucesso em sua formação acadêmica e 
profissional! 
 
Até breve!!!

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