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AULA 3 INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL E ESTRATÉGIA DE CROSS SELLING TEMA 1 – EMPREENDEDORISMO E EMPREENDEDOR Uma visão compartilhada não é uma ideia. Nem que essa ideia seja tão importante quanto a liberdade. Ao contrário. É uma força no coração das pessoas, uma força de impressionante poder. Pode ser inspirada por uma ideia, mas quando evolui – quando é estimulante o suficiente para obter o apoio de mais de uma pessoa – deixa de ser uma abstração. Torna-se palpável. As pessoas começam a vê-la como se existisse. Poucas forças, se é que existe alguma, nas questões humanas, são tão poderosas quanto uma visão compartilhada. (Peter Senge, [S.d.]) Segundo a Receita Federal, mesmo com a pandemia do coronavírus, as vendas do comércio eletrônico durante o ano de 2020 foram superiores ao ano de 2019. No mês de junho, o aumento foi de mais de 73,9% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Os valores de vendas do comércio eletrônico no último trimestre se mostraram 70,2% superiores aos registrados no primeiro trimestre de 2020. A Receita Federal informa, ainda, que em relação ao comércio eletrônico o acumulado em 2019 foi de 164,2 bilhões de reais e em 2020 o valor foi de 231,91 bilhões de reais, um crescimento de 41,2%, vide Gráfico 1. Gráfico 1 – Evolução das vendas do comércio eletrônico – 2019/2020 Fonte: elaborado com base em Receita Federal/Boletim NF-e/1o de janeiro/2021. Não podemos deixar de ressaltar que a pandemia mudou o comportamento do consumidor em relação a compra pela internet e intensificou o crescimento das compras virtuais. Consumidores que a princípio não tinham hábito de comprar 2 pela internet, passaram a fazê-lo e querem uma excelente e satisfatória experiência de compra. A tendência é que o comércio eletrônico continue crescendo para os próximos anos, mesmo com o término das restrições e retorno das lojas físicas. Empresas que estão pensando em novas alternativas, novas experiências, novas opções de oferta de produtos e serviços que atendam e satisfaçam seus clientes estão à frente e continuarão crescendo. Nesse contexto, vamos iniciar a aula falando sobre empreendedorismo, algo que consideramos essencial em tempos de mudanças, de competitividade, de novos modelos de gestão, de novos paradigmas, de novos comportamentos. O empreendedorismo não é uma nova teoria administrativa que veio para resolver todos os problemas empresariais. Trata-se de uma forma de comportamento, que envolve processos organizacionais que permitem a empresa toda trabalhar em busca de um objetivo comum, ou seja, a identificação de novas oportunidades de negócios, por meio da sistematização de ações internas focadas na inovação. (Dornelas, 2020, p. 8) Se encararmos o empreendedorismo sob este prisma, podemos considerá- lo como fator determinante para que haja desenvolvimento, pois, dessa maneira possibilita a criação de novos negócios e também pode ser encarado como forma de otimizar processos, procedimentos e metodologias internas, com vistas a geração de inovação. Velho e Giacomelli (2017, p. 10), lembram a origem da palavra empreendedorismo que é traduzida do inglês “entrepreneurship. Esta, por sua vez, tem origem no latim: imprehendere, que passa a ser utilizada na língua portuguesa a partir do século XX e tem sinônimo na palavra empreender”. O dicionário define empreendedorismo como a “disposição ou capacidade de idealizar, coordenar e realizar projetos, serviços, negócios”. E ainda a “iniciativa de implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes, com alterações que envolvem inovação e riscos”. E também como um conjunto de “conhecimentos relacionados a forma de agir”. Assim, é necessário esclarecer o conceito de empreendedor, que Hisrich et al. (2014, p. 27) entende como sendo pessoas que “pensam de modo diferente das outras pessoas”. Lembramos também o que é empreendedor com uma frase de Joseph Schumpeter (1949 op. cit. Dornelas 2008, p. 22) que diz: “O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas na organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”. Enquanto o próprio Dornelas (2008, p. 5) considera os empreendedores como “pessoas diferenciadas, que possuem motivação singular, apaixonadas pelo 3 que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem ser reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem deixar um legado”. Já para Schneider (2012, p. 22), o verdadeiro empreendedor é aquele sujeito “conectado”, bem relacionado, atento, dinâmico, capaz de ver o que os outros não veem e também de produzir até mesmo quando dirige seu veículo ou aproveita um momento de lazer com familiares e amigos. Não se trata de um workaholic, mas de alguém que tem uma relação profunda com o que faz, gosta do que faz e não aprecia perder oportunidades, sem, contudo, comprometer a própria saúde, seus princípios, e o equilíbrio entre os âmbitos físico, pessoal, familiar, social e profissional. A história nos apresenta grandes e memoráveis empreendedores, alguns com certeza não tão conectados, outros com certeza muito conectados, como afirmado por Schneider, mas todos com características extremamente importantes para todo empreendedor. Entre eles, podemos citar: Isaac Newton, Thomas Edison, Gran Bell, Henry Ford, Mark Zuckerberg e Bill Gates. Mas nem só de estrangeiros se faz o empreendedorismo, temos também brasileiros que se destacam nessa área: Antônio Luiz Seabra, da Natura; Samuel Klein, das Casas Bahia; Alberto Saraiva, do Habib’s; Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza; Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, entre outros. Já que falamos em características do empreendedor, identificarmos algumas delas a seguir. TEMA 2 – CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR CORPORATIVO Característica é um tema considerado imprescindível, pois aborda as competências necessárias ao empreendedor, traduzidas em Conhecimento (saber), Habilidade (saber fazer) e Atitude (querer fazer), o famoso CHA, as quais “tornam a pessoa apta para exercer determinados trabalhos e a desempenhar determinadas funções” (Romero, 2013, p. 113), mas, que devem ser suportadas por Valores e Ética, formando, assim, o conceito CHAVE. 4 Figura 1 – Conceito CHAVE Fonte: Martins, 2021 Valores e ética, pois de nada adianta ter muito conhecimento, saber fazer, querer fazer, mas a qualquer preço e qualquer custo, então, aquela frase “os fins justificam os meios” não deve ser aceita. Alencastro (2017, p. 28) afirma que atualmente existe um grande debate sobre a questão do lucro nas empresas, pois há o entendimento de que, se o lucro é primordial, ele é uma consequência das boas práticas de negócio e poderá desaparecer caso a empresa não trate bem seus clientes. Da mesma forma, se não souber desenvolver parcerias duradouras, com ética e transparência, poderá ter grandes prejuízos no futuro. Com a imagem prejudicada, dificilmente continuará em atividade. O fato é que não adianta investir muito dinheiro em publicidade e propaganda se, em contrapartida, a organização não tiver credibilidade no mercado. Nesse contexto, valores e ética são essenciais a todo empreendedor. Quanto a personalidade do empreendedor, podemos dizer que existem vários tipos de personalidades, entre elas podemos citar: o empreendedor que nasce empreendedor, ou seja o empreendedor nato, o herdeiro, o funcionário da empresa, o técnico, o vendedor, a dona de casa, o aposentado etc. Dornelas, (2007, p. 19) aponta alguns mitos em relação aos empreendedores: • Mito 1: empreendedores são natos, nascem para o sucesso. o Realidade: enquanto a maioria dos empreendedores nasce com um certo nível de inteligência, empreendedores de sucesso acumulam habilidade relevantes, experiências e contatos com o passar dos anos. A capacidade de ter visão e perseguir oportunidades aprimora-se com o tempo. • Mito 2: Empreendedores são jogadoresque assumem riscos altíssimos. o Realidade: tomam riscos calculados; evitam riscos desnecessários; compartilham o risco com outros; dividem o risco em partes menores. 5 • Mito 3: empreendedores são lobos solitários e não conseguem trabalhar em equipe. o Realidade: são ótimos líderes; criam times/equipes; desenvolvem excelente relacionamento no trabalho com colegas, parceiros, clientes, fornecedores e muitos outros. Os empreendedores são pessoas conhecidas por estarem sempre criando novos negócios e também por procurarem inovar em negócios já existentes. Para tanto, algumas características traduzidas em competências interpessoais e técnicas são essenciais e garantirão o sucesso de uma nova ideia, um novo negócio, um novo produto ou serviço. Entre essas características/ competências podemos iniciar indicando a necessidade de ser um excelente administrador, qual seja, perfil de líder, buscar sempre analisar informações, ser motivador de equipe, ser firme na cobrança de resultados e na tomada de decisão, ser ético, servir de exemplo, e acima de tudo vestir a camisa da empresa. Outras características essenciais para um empreendedor são: • Ser visionário, que segundo o dicionário significa “aquele cujas ideias são extravagantes; quem tem ideias idealistas, grandiosas e acredita em projetos de difícil realização.” Ser visionário é enxergar o futuro, ter inúmeras e boas ideias, ter criatividade, acreditar na inovação, ter desprendimento de crenças e padrões que nos são impostos. Nesse ponto, lembro das cinco disciplinas de Senge (2005, p. 201), em especial dos nossos modelos mentais que são “imagens internas profundamente arraigadas sobre o funcionamento do mundo, imagens que nos limitam a formas bem conhecidas de pensar e agir”. Ainda segundo Senge (2005. p. 201), nossos “modelos mentais determinam não apenas a forma como entendemos o mundo, mas também como agimos”. • Ter tomada de decisão é extremamente importante, pois envolve decidir a ação entre algumas opções possíveis, com objetivo de alcançar solução para um problema apresentado. Outras características que são importantes para o empreendedor: fazer a diferença que se traduz no ser determinado, que segundo o dicionário significa pessoa “que demonstra decisão ou resolução; decidido: um sujeito determinado”. Também ser dinâmico, isto é, o sujeito que tende a evoluir continuamente, que se adapta com facilidade e possui personalidade dinâmica; que expressa criatividade, agilidade ou diligência e está cheio de energia e iniciativa. 6 • Ter visão de futuro é essencial ao empreendedor e vale ressaltar que essa visão diz respeito a estar antenado para conseguir antecipar possíveis ameaças e também visualizar as oportunidades que se apresentam. Para esta visão de futuro, é preciso que estejamos munidos de conhecimento e inteligência empresarial para que possamos estar sempre à frente de nossos concorrentes. Neste momento, sugiro o livro A Quinta Disciplina, de Peter Senge, leitura relevante sobre a importância do pensamento sistêmico. Dornelas (2020, p. 57) afirma ainda que, “os empreendedores são pessoas ou equipes de pessoas com características especiais, que são visionárias, que questionam, que ousam, que querem algo diferente, que fazem acontecer, ou seja, que empreendem”. Além das características citadas até o momento, podemos indicar outras que fazem parte do perfil de um empreendedor: otimismo, paixão pelo que faz, ter bons relacionamentos, ser independente, ser organizado, facilidade em formar e reter talentos, entender a importância do planejamento, assumir riscos e, acima de tudo, sempre buscar a interação com o ambiente para que possa tomar as melhores decisões. TEMA 3 – AÇÃO EMPREENDEDORA A ação empreendedora deve ser encarada como um processo que, segundo Silva (2015, p. 15), é “uma sequência lógica de operações, atividades ou tarefas, que aplica recursos organizacionais para a geração de um produto ou serviço que atenda às necessidades de um cliente ou consumidor”. Em se tratando da ação empreendedora, vamos abordar uma fase extremamente importante que é a Identificação e a avaliação da oportunidade que segundo Dornelas (2020, p. 12) é o processo pelo qual o empreendedor avalia e escolhe como vai se inserir no mercado por meio de seu negócio, se opta por uma ação empreendedora que se dará pela criação de novos produtos ou processos ou se isto se dará pela entrada em novos mercados. A opção está balizada sobre análise de oportunidades, porém estas estão calcadas, muitas vezes, por incertezas. Neste sentido, o empreendedor deve decidir sob esta perspectiva se investe ou não nesta nova situação, as incertezas que surgirem podem ser minimizadas pelos conhecimentos já adquiridos por ele e experiências passadas. Iniciando com a identificação e avaliação da oportunidade se faz importante lembrar que, nem toda ideia se transforma em oportunidade de criação de algo 7 novo, caberá sempre ao empreendedor o papel da análise para saber se realmente esta ideia proporcionará uma inovação. Schneider (2012, p. 60) nos lembra que “as grandes oportunidades estão com aqueles que têm algo mais a oferecer, o que torna seu produto ou serviço diferenciado, detentor de uma boa vantagem competitiva”. Aqui, como exemplo de ação empreendedora, podemos traçar um paralelo com a inteligência empresarial e a estratégia de cross selling. Com a utilização das ferramentas e metodologias podemos identificar: o que será ofertado ao cliente apresentará algum diferencial? Será percebido como tal? Parecerá uma inovação? Agregará valor ao que ele procura e quer comprar? Dornelas (2008, p. 42) afirma que devemos “avaliar a oportunidade que temos em mãos, para evitar despender tempo e recursos em uma ideia que talvez não agregue tanto valor ao negócio”. As organizações precisam atuar com agilidade, buscar oportunidades que agreguem valor ao cliente de maneira efetiva. É necessário que seus funcionários passem a agir como empreendedores em busca de inovação; ser criativo é primordial para atender às demandas cada vez mais exigentes de um mercado extremamente competitivo. “Só assim conseguirão competir em igualdade de condições com aquelas organizações mais ágeis, de rápido crescimento, nas quais o empreendedorismo tem estado presente desde a sua concepção” Dornelas (2020, p. 6). Identificar oportunidades de negócios que existem na internet continuará sendo essencial para garantir sustentabilidade e perpetuidade das organizações. Lembremos do que aconteceu com a pandemia do coronavírus: quem imaginaria que em tão curto espaço de tempo a forma de consumo sofreria tantas alterações, os relacionamentos, a forma de fazer negócios, reuniões, o teletrabalho (home office) seria implantado a toque de caixa? Modelos, padrões, que até o momento eram considerados eficazes tiveram que ser revistos e alterados. Algumas empresas conseguiram se adaptar de maneira mais rápida, outras acabaram perdendo mais tempo e com certeza sentiram o peso/prejuízo dessa demora. Conhecimento de mercado, identificação de novas oportunidades e agilidade são essenciais em tempos de mudança. Se antes da pandemia já se utilizava a internet para negócios, agora a utilização aumentou e as exigências e concorrência também. Saber o que oferecer para o seu cliente e de que forma atingir seu público-alvo se tornou o maior diferencial competitivo. 8 O que ocorreu nos últimos anos é que a internet deixou de ser privilégio de modelos de negócios puramente virtuais e que nem sempre se comprovaram eficazes e passou a ser território para as empresas tradicionais, do mundo real. As empresas tradicionais consolidadas já estão presentes na Internet e com isso a web passou a se consolidar como um canal efetivo e irrestrito de vendas e comunicação com clientes, fornecedores e, internamente, agregando mais valor ao negócio usual da empresa. Esta tem sido a principal utilidadeda Web nos dias atuais. Obviamente isto tem criado oportunidades de negócio para empresas focadas em educação, treinamento, geração de conteúdo, desenvolvedores de websites, plataformas de comércio eletrônico, meios de pagamento on-line, gerenciamento de banco de dados, infraestrutura, hospedagem de sites, agencias de comunicação, tecnologia de transmissão de dados, vídeo e som, entre outros negócios de suporte. Dornelas, 2008, p. 67 Nesse sentido, o conhecimento do mercado é fundamental para que inovações possam ser propostas em produtos e serviços. Novos entrantes no mercado da web são identificados a cada momento e investem em pesquisas de mercado, em estratégias, em novas formas de atendimento, entre outras ações que possam garantir o sucesso do seu negócio. TEMA 4 – CONHECIMENTO: MERCADO VERSUS CONSUMIDOR VERSUS CONCORRENTE empresa abordará seu mercado consumidor, sempre procurando se diferenciar da concorrência, agregando maior valor aos seus produtos/serviços, com o intuito de conquistar seus clientes continuamente. É importante que a empresa conheça muito bem o mercado onde atua ou pretende atuar, pois só assim conseguirá estabelecer uma estratégia de marketing vencedora. 9 Muito se fala sobre conhecimento de mercado, mas o que isso significa? Que relação existe entre gestão do conhecimento e conhecimento de mercado? Conhecer o mercado significa gerenciar o conhecimento e investir em conhecer cada vez mais o mercado em que atua. Uma mudança no mercado, como a provocado pela pandemia, pode causar uma verdadeira revolução quando o conhecimento é superficial, não gerenciado, não atualizado, mais chances de atingir nosso público de maneira assertiva e personalizada. Segundo Dornelas (2088, p. 130), essa ação depende de como a É preciso estabelecer um relacionamento entre conhecimento de mercadoe vendas. Para o mercado, devemos considerar o consumidor, suas características, concorrentes, parceiros, possíveis ameaças e oportunidades que este mercado pode oferecer. Esse conhecimento nos permitirá oferecer produtos ou uma área específica de mercado onde há uma oportunidade que passou a ser explorada de forma dominante e muito lucrativa por uma empresa, em função de dispor de vantagens competitivas originadas de uma estratégia de marketing, que faz uso de suas potencialidades e cujas bases estão voltadas à especialização e a um contínuo enfoque na diferenciação, de modo que o posicionamento de seu produto detenha uma imagem singular, criando um relacionamento forte com seus clientes, difícil de ser quebrado pela concorrência. Falamos sobre conhecer o mercado, o cliente e o consumidor. E quanto aos concorrentes? Dornelas (2008, p. 130) afirma que a concorrência de uma empresa não se limita aos concorrentes diretos, aqueles que produzem produtos similares ao da empresa. Devem ser considerados também os competidores indiretos, aqueles que de alguma forma desviam a atenção de seus clientes, convencendo-os a adquirir seus produtos. TEMA 5 – PERSPECTIVA EMPREENDEDORA E CRIATIVA e serviços com agregação de valor e que tenham diferenciais competitivos e que realmente sejam inovadores. As mudanças ocorridas recentemente provocaram novas demandas de mercado, novas tendências.É preciso que dados e informações sejam transformados em conhecimento e inteligência, para que novas oportunidades sejam identificadas e possam ser ofertadas pela empresa aos seus clientes de maneira mais apropriada e no momento oportuno, oferecendo produtos e serviços que verdadeiramente lhe possam interessar. Acreditar que conhecemos nosso cliente é um dos piores erros que podemos cometer, devemos nos manter atentos e Esses concorrentes (competidores) precisam ser muito bem conhecidos!Identificar espaços não preenchidos pelos concorrentes pode ser uma grande oportunidade de mercado, saber em que eles estão apostando? Quais os principais investimentos? Como estão atuando? O que estão fazendo para agregar valor ao cliente? Como estão sendo percebidos pelo cliente? Essas e outras perguntas devem ser de conhecimento de todos os envolvidos Ser criativo e empreendedor é conseguir estabelecer novas teorias, criar novos produtos, buscar soluções diferentes e propor ações que encantem o cliente. 10 Intensificar e aperfeiçoar o processo de criação de novos produtos, otimizar seu processo produtivo, integrar os processos organizacionais, ser rápido na resposta aos clientes, antecipar-se aos concorrentes — essas são as características dos novos players conquistadores de mercado, que rapidamente assumem sua liderança e sobrepujam os velhos gigantes. (Dornelas, 2020, p. 5) Quadro 1 – Maneiras de ser criativo nas organizações Ideia Criativa Criatividade Material A invenção ou criação de algo tangível, como um novo produto, um comercial, um relatório etc. Para liberar nosso pensamento criativo, devemos pensar em novas formas de agir e pensar, pensar fora da caixa, aceitar a mudança, propor soluções, identificar novas técnicas. Quanto maior o incentivo à criatividade, maior a probabilidade de criarmos produtos e serviços inovadores, “isso significa liberdade de agir e acesso a recursos, algo difícil para a maioria das organizações. Esse é o grande dilema de se querer manter os criativos na apresentar suas ideias” (Dornelas, 2020, p. 75). O mesmo autor estabelece algumas premissas em relação às formas pelas quais uma pessoa pode ser criativa, as quais seguem Quando se pensa em uma nova ideia ou conceito, como um novo produto, serviço ou uma nova maneira de se resolver um problema. Evento Criativo Abordagens inovadoras para se atingir melhores resultados de relacionamento, colaboração, cooperação, tentando obter relações É a organização de um evento ou cerimônia de premiação de pessoas na organização, reuniões anuais etc. Formas alternativas de se colocar grupos opositores trabalhando em conjunto. A criatividade pode se dar pela maneira de trabalho ou Agir de forma intuitiva e espontânea, como por exemplo quando se vem com uma resposta ou resolução para um problema em uma reunião, uma abordagem assertiva e inesperada para fechar uma Pensar em resolver problemas de outros de forma alternativa, estando aberto a novas formas de pensar e agir. Olhar as coisas de Quando se propõe novas formas de se organizar e estruturar as coisas, pessoas, processos. Mudanças de políticas, regras e formas Criatividade Organizacional Criatividade de Comportament o Criatividad e Fonte: elaborado com base em Dornelas, 2020, p. 76. 11 Buscar o novo, não se restringir, tentar encontrar novas alternativas e perspectivas, alterar velhos costumes, mudar de rumo, fugir do lugar comum, mesmo que por algumas vezes, com certeza ajudará a ver o mundo sob outra ótica, a ver novas oportunidades; experimente! Quantas vezes ligamos o piloto automático, fazemos o mesmo caminho, ouvimos a mesma estação de rádio ou lemos o mesmo jornal ou revista? Como queremos ser criativos e ter novas ideias se não estamos abertos ao novo? Nesse contexto, Dornelas (2020) apresenta algumas frases elencadas no Quadro 2 que em algum momento já nos foram ditas, ou pior, já dissemos para alguém, e que por consequência podem ter provocado o que chamamos de bloqueio criativo, tanto nosso quanto de outros. Quadro 2 – Bloqueios que impedem a criatividade nas organizações A resposta certa “Isso não tem lógica” “Seja prático” “Siga as regras” “Essa não é minha área” “Não seja tolo” “Eu não sou criativo” Fonte: elaborado com base em Dornelas, 2020, p. 77. Espontâne a Da mesma forma que devemos estar sempre abertos para novas experiências e oportunidades, devemos pensar em quantas vezes estamos sendo bloqueados em nossa criatividade ou ainda bloqueando a criatividade de alguém. Nesta aula, foram abordados conceitos, características e competências sobre empreendedorismo, mercado, consumidor e uma breve introdução sobrecriatividade. O empreendedorismo é extremamente importante para que as A falácia de que sempre há uma e apenas uma solução correta para determinado problema. A crença de que sempre deve existir lógica na resolução de todos os problemas limita a criatividade. O senso de praticidade pode impedir as pessoas a buscarem soluções alternativas. É ignorar o fato de que as mais revolucionárias inovações surgiram justamente da quebra de regras, crenças e paradigmas. Restringir a criatividade através do pensamento exclusivo sobre as “Evite a ambiguidade” Estar restrito à conexão entre erro e inovação: quando você falha, aprende sobre o que não funciona e pode promover ajustes para atividades de uma determinada área da empresa. Tendência de evitar o pensamento não convencional para não parecer tolo perante os colegas. É o pior bloqueio, achar-se sem talento e inteligência. Todas as pessoas podem ser criativas e buscar oportunidades. 12 empresas se mantenham competitivas e seus negócios sejam lucrativos. Criar novas oportunidades em cenários nunca vistos (vide pandemia novo coronavírus) é estar à frente e preparado para os desafios que um mundo em constante mudança nos apresenta. É premente que a ação empreendedora seja adequada e promova mudanças, e que esteja alinhada à inteligência de mercado para que realmente traga benefícios aos clientes. O empreendedorismo corporativo deve ser incentivado dentro das organizações, pois tem papel fundamental no que tange a conquista de grandes e excelentes resultados e, acima de tudo, da fidelização dos clientes. Figura 2 – Três elementos da competitividade Fonte: Martins, 2021. A criatividade, o empreendedorismo e a inovação podem ser identificados como o tripé de sustentação das boas ideias, imprescindíveis para garantir competitividade, lucratividade, longevidade e, principalmente, para o desenvolvimento econômico das organizações. 13 REFERÊNCIAS ALENCASTRO, M. S. C. Governança, gestão responsável e ética nos negócios. InterSaberes, 2017, Curitiba. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008, DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo corporativo: como ser um empreendedor, inovar e se diferenciar na sua empresa. São Paulo: Empreende, 2020. Dusponível em: <https:// www.dicio.com.br/>. Acesso em: 29 jun. 2021. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. Empreendedorismo. Porto Alegre: AMGH Editora Ltda., 2014. RECEITA FEDERAL. Boletim da Receita Federal. n. 6, 1o jan. 2021. 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