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AULA 3 
INTELIGÊNCIA 
EMPRESARIAL E 
ESTRATÉGIA DE 
CROSS SELLING 
TEMA 1 – EMPREENDEDORISMO E EMPREENDEDOR 
Uma visão compartilhada não é uma ideia. Nem que essa ideia seja tão 
importante quanto a liberdade. Ao contrário. É uma força no coração das 
pessoas, uma força de impressionante poder. Pode ser inspirada por uma ideia, 
mas quando evolui – quando é estimulante o suficiente para obter o apoio de 
mais de uma pessoa – deixa de ser uma abstração. Torna-se palpável. As 
pessoas começam a vê-la como se existisse. Poucas forças, se é que existe 
alguma, nas questões humanas, são tão poderosas quanto uma visão 
compartilhada. (Peter Senge, [S.d.]) 
Segundo a Receita Federal, mesmo com a pandemia do 
coronavírus, as vendas do comércio eletrônico durante o ano de 
2020 foram superiores ao ano de 2019. No mês de junho, o 
aumento foi de mais de 73,9% se comparado ao mesmo período 
do ano anterior. Os valores de vendas do comércio eletrônico no 
último trimestre se mostraram 70,2% superiores aos registrados no 
primeiro trimestre de 2020. A Receita Federal informa, ainda, que 
em relação ao comércio eletrônico o acumulado em 2019 foi de 
164,2 bilhões de reais e em 2020 o valor foi de 231,91 bilhões de 
reais, um crescimento de 41,2%, vide Gráfico 1. 
Gráfico 1 – Evolução das vendas do comércio eletrônico – 
2019/2020 
Fonte: elaborado com base em Receita Federal/Boletim NF-e/1o de janeiro/2021. 
Não podemos deixar de ressaltar que a pandemia mudou o 
comportamento do consumidor em relação a compra pela internet e 
intensificou o crescimento das compras virtuais. Consumidores que 
a princípio não tinham hábito de comprar 
2 
pela internet, passaram a fazê-lo e querem uma excelente e 
satisfatória experiência de compra. A tendência é que o comércio 
eletrônico continue crescendo para os próximos anos, mesmo com 
o término das restrições e retorno das lojas físicas. Empresas que 
estão pensando em novas alternativas, novas experiências, novas 
opções de oferta de produtos e serviços que atendam e satisfaçam 
seus clientes estão à frente e continuarão crescendo. 
Nesse contexto, vamos iniciar a aula falando sobre 
empreendedorismo, algo que consideramos essencial em tempos 
de mudanças, de competitividade, de novos modelos de gestão, de 
novos paradigmas, de novos comportamentos. 
O empreendedorismo não é uma nova teoria administrativa que veio para 
resolver todos os problemas empresariais. Trata-se de uma forma de 
comportamento, que envolve processos organizacionais que permitem a 
empresa toda trabalhar em busca de um objetivo comum, ou seja, a identificação 
de novas oportunidades de negócios, por meio da sistematização de ações 
internas focadas na inovação. (Dornelas, 2020, p. 8) 
Se encararmos o empreendedorismo sob este prisma, podemos 
considerá- lo como fator determinante para que haja 
desenvolvimento, pois, dessa maneira possibilita a criação de 
novos negócios e também pode ser encarado como forma de 
otimizar processos, procedimentos e metodologias internas, com 
vistas a geração de inovação. Velho e Giacomelli (2017, p. 10), 
lembram a origem da palavra empreendedorismo que é traduzida 
do inglês “entrepreneurship. Esta, por sua vez, tem origem no latim: 
imprehendere, que passa a ser utilizada na língua portuguesa a 
partir do século XX e tem sinônimo na palavra empreender”. 
O dicionário define empreendedorismo como a “disposição ou 
capacidade de idealizar, coordenar e realizar projetos, serviços, 
negócios”. E ainda a “iniciativa de implementar novos negócios ou 
mudanças em empresas já existentes, com alterações que 
envolvem inovação e riscos”. E também como um conjunto de 
“conhecimentos relacionados a forma de agir”. 
Assim, é necessário esclarecer o conceito de empreendedor, que 
Hisrich et al. (2014, p. 27) entende como sendo pessoas que 
“pensam de modo diferente das outras pessoas”. Lembramos 
também o que é empreendedor com uma frase de Joseph 
Schumpeter (1949 op. cit. Dornelas 2008, p. 22) que diz: “O 
empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica pela 
introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas 
formas na organização ou pela exploração de novos recursos e 
materiais”. 
Enquanto o próprio Dornelas (2008, p. 5) considera os 
empreendedores como “pessoas diferenciadas, que possuem 
motivação singular, apaixonadas pelo 
3 
que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem 
ser reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem 
deixar um legado”. Já para Schneider (2012, p. 22), o verdadeiro 
empreendedor é aquele sujeito 
“conectado”, bem relacionado, atento, dinâmico, capaz de ver o que os outros 
não veem e também de produzir até mesmo quando dirige seu veículo ou 
aproveita um momento de lazer com familiares e amigos. Não se trata de um 
workaholic, mas de alguém que tem uma relação profunda com o que faz, gosta 
do que faz e não aprecia perder oportunidades, sem, contudo, comprometer a 
própria saúde, seus princípios, e o equilíbrio entre os âmbitos físico, pessoal, 
familiar, social e profissional. 
A história nos apresenta grandes e memoráveis empreendedores, 
alguns com certeza não tão conectados, outros com certeza muito 
conectados, como afirmado por Schneider, mas todos com 
características extremamente importantes para todo 
empreendedor. Entre eles, podemos citar: Isaac Newton, Thomas 
Edison, Gran Bell, Henry Ford, Mark Zuckerberg e Bill Gates. Mas 
nem só de estrangeiros se faz o empreendedorismo, temos 
também brasileiros que se destacam nessa área: Antônio Luiz 
Seabra, da Natura; Samuel Klein, das Casas Bahia; Alberto 
Saraiva, do Habib’s; Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza; 
Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, entre outros. 
Já que falamos em características do empreendedor, identificarmos 
algumas delas a seguir. 
TEMA 2 – CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR 
CORPORATIVO 
Característica é um tema considerado imprescindível, pois aborda 
as competências necessárias ao empreendedor, traduzidas em 
Conhecimento (saber), Habilidade (saber fazer) e Atitude (querer 
fazer), o famoso CHA, as quais “tornam a pessoa apta para exercer 
determinados trabalhos e a desempenhar determinadas funções” 
(Romero, 2013, p. 113), mas, que devem ser suportadas por 
Valores e Ética, formando, assim, o conceito CHAVE. 
4 
Figura 1 – Conceito CHAVE 
Fonte: Martins, 2021 
Valores e ética, pois de nada adianta ter muito conhecimento, saber 
fazer, querer fazer, mas a qualquer preço e qualquer custo, então, 
aquela frase “os fins justificam os meios” não deve ser aceita. 
Alencastro (2017, p. 28) afirma que 
atualmente existe um grande debate sobre a questão do lucro nas empresas, 
pois há o entendimento de que, se o lucro é primordial, ele é uma consequência 
das boas práticas de negócio e poderá desaparecer caso a empresa não trate 
bem seus clientes. Da mesma forma, se não souber desenvolver parcerias 
duradouras, com ética e transparência, poderá ter grandes prejuízos no futuro. 
Com a imagem prejudicada, dificilmente continuará em atividade. O fato é que 
não adianta investir muito dinheiro em publicidade e propaganda se, em 
contrapartida, a organização não tiver credibilidade no mercado. 
Nesse contexto, valores e ética são essenciais a todo 
empreendedor. Quanto a personalidade do empreendedor, 
podemos dizer que existem vários tipos de personalidades, entre 
elas podemos citar: o empreendedor que nasce empreendedor, ou 
seja o empreendedor nato, o herdeiro, o funcionário da empresa, o 
técnico, o vendedor, a dona de casa, o aposentado etc. Dornelas, 
(2007, p. 19) aponta alguns mitos em relação aos 
empreendedores: 
• Mito 1: empreendedores são natos, nascem para o sucesso. 
o Realidade: enquanto a maioria dos empreendedores nasce com 
um certo nível de inteligência, empreendedores de sucesso 
acumulam habilidade relevantes, experiências e contatos com o 
passar dos anos. A capacidade de ter visão e perseguir 
oportunidades 
aprimora-se com o tempo. 
• Mito 2: Empreendedores são jogadoresque assumem riscos 
altíssimos. 
o Realidade: tomam riscos calculados; evitam riscos 
desnecessários; compartilham o risco com outros; dividem o risco 
em partes menores. 
5 
• Mito 3: empreendedores são lobos solitários e não conseguem 
trabalhar em equipe. 
o Realidade: são ótimos líderes; criam times/equipes; 
desenvolvem excelente relacionamento no trabalho com colegas, 
parceiros, clientes, fornecedores e muitos outros. 
Os empreendedores são pessoas conhecidas por estarem sempre 
criando novos negócios e também por procurarem inovar em 
negócios já existentes. Para tanto, algumas características 
traduzidas em competências interpessoais e técnicas são 
essenciais e garantirão o sucesso de uma nova ideia, um novo 
negócio, um novo produto ou serviço. Entre essas características/
competências podemos iniciar indicando a necessidade de ser um 
excelente administrador, qual seja, perfil de líder, buscar sempre 
analisar informações, ser motivador de equipe, ser firme na 
cobrança de resultados e na tomada de decisão, ser ético, 
servir de exemplo, e acima de tudo vestir a camisa da empresa. 
Outras características essenciais para um empreendedor são: 
• Ser visionário, que segundo o dicionário significa “aquele 
cujas ideias são extravagantes; quem tem ideias idealistas, 
grandiosas e acredita em projetos de difícil realização.” Ser 
visionário é enxergar o futuro, ter inúmeras e boas ideias, ter 
criatividade, acreditar na inovação, ter desprendimento de 
crenças e padrões que nos são impostos. Nesse ponto, 
lembro das cinco disciplinas de Senge (2005, p. 201), em 
especial dos nossos modelos mentais que são “imagens 
internas profundamente arraigadas sobre o funcionamento do 
mundo, imagens que nos limitam a formas bem conhecidas de 
pensar e agir”. Ainda segundo Senge (2005. p. 201), nossos 
“modelos mentais determinam não apenas a forma como 
entendemos o mundo, mas também como agimos”. 
• Ter tomada de decisão é extremamente importante, pois 
envolve decidir a ação entre algumas opções possíveis, com 
objetivo de alcançar solução para um problema apresentado. 
Outras características que são importantes para o 
empreendedor: fazer a diferença que se traduz no ser 
determinado, que segundo o dicionário significa pessoa “que 
demonstra decisão ou resolução; decidido: um sujeito 
determinado”. Também ser dinâmico, isto é, o sujeito que 
tende a evoluir continuamente, que se adapta com facilidade e 
possui personalidade dinâmica; que expressa criatividade, 
agilidade ou diligência e está cheio de energia e iniciativa. 
6 
• Ter visão de futuro é essencial ao empreendedor e vale ressaltar 
que essa visão diz respeito a estar antenado para conseguir 
antecipar possíveis ameaças e também visualizar as 
oportunidades que se apresentam. Para esta visão de futuro, é 
preciso que estejamos munidos de conhecimento e inteligência 
empresarial para que possamos estar sempre à frente de nossos 
concorrentes. Neste momento, sugiro o livro A Quinta Disciplina, de 
Peter Senge, leitura relevante sobre a importância do pensamento 
sistêmico. Dornelas (2020, p. 57) afirma ainda que, “os 
empreendedores são pessoas ou equipes de pessoas com 
características especiais, que são visionárias, que questionam, que 
ousam, que querem algo diferente, que fazem acontecer, ou seja, 
que empreendem”. 
Além das características citadas até o momento, podemos indicar 
outras que fazem parte do perfil de um empreendedor: otimismo, 
paixão pelo que faz, ter bons relacionamentos, ser 
independente, ser organizado, facilidade em formar e reter 
talentos, entender a importância do planejamento, assumir 
riscos e, acima de tudo, sempre buscar a interação com o 
ambiente para que possa tomar as melhores decisões. 
TEMA 3 – AÇÃO EMPREENDEDORA 
A ação empreendedora deve ser encarada como um processo que, 
segundo Silva (2015, p. 15), é “uma sequência lógica de 
operações, atividades ou tarefas, que aplica recursos 
organizacionais para a geração de um produto ou serviço que 
atenda às necessidades de um cliente ou consumidor”. 
Em se tratando da ação empreendedora, vamos abordar uma fase 
extremamente importante que é a Identificação e a avaliação da 
oportunidade que segundo Dornelas (2020, p. 12) é o processo 
pelo qual 
o empreendedor avalia e escolhe como vai se inserir no mercado por meio de 
seu negócio, se opta por uma ação empreendedora que se dará pela criação de 
novos produtos ou processos ou se isto se dará pela entrada em novos 
mercados. A opção está balizada sobre análise de oportunidades, porém estas 
estão calcadas, muitas vezes, por incertezas. Neste sentido, o empreendedor 
deve decidir sob esta perspectiva se investe ou não nesta nova situação, as 
incertezas que surgirem podem ser minimizadas pelos conhecimentos já 
adquiridos por ele e experiências passadas. 
Iniciando com a identificação e avaliação da oportunidade se faz 
importante lembrar que, nem toda ideia se transforma em 
oportunidade de criação de algo 
7 
novo, caberá sempre ao empreendedor o papel da análise para 
saber se realmente esta ideia proporcionará uma inovação. 
Schneider (2012, p. 60) nos lembra que “as grandes oportunidades 
estão com aqueles que têm algo mais a oferecer, o que torna seu 
produto ou serviço diferenciado, detentor de uma boa vantagem 
competitiva”. Aqui, como exemplo de ação empreendedora, 
podemos traçar um paralelo com a inteligência empresarial e a 
estratégia de cross selling. Com a utilização das ferramentas e 
metodologias podemos identificar: o que será ofertado ao cliente 
apresentará algum diferencial? Será percebido como tal? Parecerá 
uma inovação? Agregará valor ao que ele procura e quer comprar? 
Dornelas (2008, p. 42) afirma que devemos “avaliar a oportunidade 
que temos em mãos, para evitar despender tempo e recursos em 
uma ideia que talvez não agregue tanto valor ao negócio”. 
As organizações precisam atuar com agilidade, buscar 
oportunidades que agreguem valor ao cliente de maneira efetiva. É 
necessário que seus funcionários passem a agir como 
empreendedores em busca de inovação; ser criativo é primordial 
para atender às demandas cada vez mais exigentes de um 
mercado extremamente competitivo. “Só assim conseguirão 
competir em igualdade de condições com aquelas organizações 
mais ágeis, de rápido crescimento, nas quais o empreendedorismo 
tem estado presente desde a sua concepção” Dornelas (2020, p. 
6). 
Identificar oportunidades de negócios que existem na internet 
continuará sendo essencial para garantir sustentabilidade e 
perpetuidade das organizações. Lembremos do que aconteceu 
com a pandemia do coronavírus: quem imaginaria que em tão curto 
espaço de tempo a forma de consumo sofreria tantas alterações, 
os relacionamentos, a forma de fazer negócios, reuniões, o 
teletrabalho (home office) seria implantado a toque de caixa? 
Modelos, padrões, que até o momento eram considerados eficazes 
tiveram que ser revistos e alterados. Algumas empresas 
conseguiram se adaptar de maneira mais rápida, outras acabaram 
perdendo mais tempo e com certeza sentiram o peso/prejuízo 
dessa demora. Conhecimento de mercado, identificação de novas 
oportunidades e agilidade são essenciais em tempos de mudança. 
Se antes da pandemia já se utilizava a internet para negócios, 
agora a utilização aumentou e as exigências e concorrência 
também. Saber o que oferecer para o seu cliente e de que forma 
atingir seu público-alvo se tornou o maior diferencial competitivo. 
8 
O que ocorreu nos últimos anos é que a internet deixou de ser privilégio de 
modelos de negócios puramente virtuais e que nem sempre se comprovaram 
eficazes e passou a ser território para as empresas tradicionais, do mundo real. 
As empresas tradicionais consolidadas já estão presentes na Internet e com isso 
a web passou a se consolidar como um canal efetivo e irrestrito de vendas e 
comunicação com clientes, fornecedores e, internamente, agregando mais valor 
ao negócio usual da empresa. Esta tem sido a principal utilidadeda Web nos 
dias atuais. Obviamente isto tem criado oportunidades de negócio para 
empresas focadas em educação, treinamento, geração de conteúdo, 
desenvolvedores de websites, plataformas de comércio eletrônico, meios de 
pagamento on-line, gerenciamento de banco de dados, infraestrutura, 
hospedagem de sites, agencias de comunicação, tecnologia de transmissão de 
dados, vídeo e som, entre outros negócios de suporte. Dornelas, 2008, p. 67 
Nesse sentido, o conhecimento do mercado é fundamental para 
que inovações possam ser propostas em produtos e serviços. 
Novos entrantes no mercado da web são identificados a cada 
momento e investem em pesquisas de mercado, em estratégias, 
em novas formas de atendimento, entre outras ações que possam 
garantir o sucesso do seu negócio. 
TEMA 4 – CONHECIMENTO: MERCADO VERSUS 
CONSUMIDOR VERSUS CONCORRENTE 
empresa abordará seu mercado consumidor, sempre procurando se diferenciar 
da concorrência, agregando maior valor aos seus produtos/serviços, com o 
intuito de conquistar seus clientes continuamente. É importante que a empresa 
conheça muito bem o mercado onde atua ou pretende atuar, pois só assim 
conseguirá estabelecer uma estratégia de marketing vencedora. 
9 
Muito se fala sobre conhecimento de mercado, mas o que isso 
significa? Que relação existe entre gestão do conhecimento e 
conhecimento de mercado? Conhecer o mercado significa 
gerenciar o conhecimento e investir em conhecer cada vez mais o 
mercado em que atua. Uma mudança no mercado, como a 
provocado pela pandemia, pode causar uma verdadeira revolução 
quando o conhecimento é superficial, não gerenciado, não atualizado, mais chances de atingir nosso público de maneira 
assertiva e personalizada. Segundo Dornelas (2088, p. 130), essa 
ação depende de como a
É preciso estabelecer um relacionamento entre conhecimento de 
mercadoe vendas. Para o mercado, devemos considerar o consumidor, 
suas características, concorrentes, parceiros, possíveis ameaças e 
oportunidades que este mercado pode oferecer. Esse 
conhecimento nos permitirá oferecer produtos
ou uma área específica de mercado onde há uma oportunidade que passou a ser 
explorada de forma dominante e muito lucrativa por uma empresa, em função de 
dispor de vantagens competitivas originadas de uma estratégia de marketing, 
que faz uso de suas potencialidades e cujas bases estão voltadas à 
especialização e a um contínuo enfoque na diferenciação, de modo que o 
posicionamento de seu produto detenha uma imagem singular, criando um 
relacionamento forte com seus clientes, difícil de ser quebrado pela 
concorrência. 
Falamos sobre conhecer o mercado, o cliente e o consumidor. E 
quanto aos concorrentes? Dornelas (2008, p. 130) afirma que a 
concorrência de uma empresa 
não se limita aos concorrentes diretos, aqueles que produzem produtos similares 
ao da empresa. Devem ser considerados também os competidores indiretos, 
aqueles que de alguma forma desviam a atenção de seus clientes, 
convencendo-os a adquirir seus produtos. 
TEMA 5 – PERSPECTIVA EMPREENDEDORA E 
CRIATIVA 
e serviços com agregação de valor e que tenham diferenciais 
competitivos e que realmente sejam inovadores. As mudanças 
ocorridas recentemente provocaram novas demandas de mercado, 
novas tendências.É preciso que dados e informações sejam transformados em 
conhecimento e inteligência, para que novas oportunidades sejam 
identificadas e possam ser ofertadas pela empresa aos seus 
clientes de maneira mais apropriada e no momento oportuno, 
oferecendo produtos e serviços que verdadeiramente lhe possam 
interessar. Acreditar que conhecemos nosso cliente é um dos 
piores erros que podemos cometer, devemos nos manter atentos e 
Esses concorrentes (competidores) precisam ser muito bem 
conhecidos!Identificar espaços não preenchidos pelos concorrentes pode ser 
uma grande oportunidade de mercado, saber em que eles estão 
apostando? Quais os principais investimentos? Como estão 
atuando? O que estão fazendo para agregar valor ao cliente? 
Como estão sendo percebidos pelo cliente? Essas e outras 
perguntas devem ser de conhecimento de todos os envolvidos 
Ser criativo e empreendedor é conseguir estabelecer novas teorias, 
criar novos produtos, buscar soluções diferentes e propor ações 
que encantem o cliente. 
10 
Intensificar e aperfeiçoar o processo de criação de novos produtos, otimizar seu 
processo produtivo, integrar os processos organizacionais, ser rápido na 
resposta aos clientes, antecipar-se aos concorrentes — essas são as 
características dos novos players conquistadores de mercado, que rapidamente 
assumem sua liderança e sobrepujam os velhos gigantes. (Dornelas, 2020, p. 5) 
Quadro 1 – Maneiras de ser criativo nas organizações 
Ideia Criativa Criatividade Material 
 
 
A invenção ou criação de algo tangível, como um novo produto, um 
comercial, um relatório etc. 
Para liberar nosso pensamento criativo, devemos pensar em 
novas formas de agir e pensar, pensar fora da caixa, aceitar a 
mudança, propor soluções, identificar novas técnicas. Quanto 
maior o incentivo à criatividade, maior a probabilidade de criarmos 
produtos e serviços inovadores, “isso significa liberdade de agir e 
acesso a recursos, algo difícil para a maioria das organizações. 
Esse é o grande dilema de se querer manter os criativos na apresentar suas ideias” (Dornelas, 2020, p. 75). 
O mesmo autor estabelece algumas premissas em relação às 
formas pelas 
quais uma pessoa pode ser criativa, as quais seguem 
Quando se pensa em uma nova ideia ou conceito, como um 
novo
produto, serviço ou uma nova maneira de se resolver um 
problema.
Evento Criativo
Abordagens inovadoras para se atingir melhores 
resultados de relacionamento, colaboração, cooperação, 
tentando obter relações 
É a organização de um evento ou cerimônia de premiação 
de pessoas na organização, reuniões anuais etc. Formas 
alternativas de se colocar grupos opositores trabalhando 
em conjunto. A criatividade pode se dar pela maneira de 
trabalho ou 
Agir de forma intuitiva e espontânea, como por exemplo 
quando se vem com uma resposta ou resolução para um 
problema em uma reunião, uma abordagem assertiva e 
inesperada para fechar uma 
Pensar em resolver problemas de outros de forma 
alternativa, estando aberto a novas formas de pensar e 
agir. Olhar as coisas de 
Quando se propõe novas formas de se organizar e 
estruturar as coisas, pessoas, processos. Mudanças de 
políticas, regras e formas 
Criatividade 
Organizacional
Criatividade de
Comportament
o
Criatividad
e
Fonte: elaborado com base em Dornelas, 2020, p. 76. 
11 
Buscar o novo, não se restringir, tentar encontrar novas alternativas 
e perspectivas, alterar velhos costumes, mudar de rumo, fugir do 
lugar comum, mesmo que por algumas vezes, com certeza ajudará 
a ver o mundo sob outra ótica, a ver novas oportunidades; 
experimente! Quantas vezes ligamos o piloto automático, fazemos 
o mesmo caminho, ouvimos a mesma estação de rádio ou lemos o 
mesmo jornal ou revista? Como queremos ser criativos e ter novas 
ideias se não estamos abertos ao novo? 
Nesse contexto, Dornelas (2020) apresenta algumas frases 
elencadas no Quadro 2 que em algum momento já nos foram ditas, 
ou pior, já dissemos para alguém, e que por consequência podem 
ter provocado o que chamamos de bloqueio criativo, tanto nosso 
quanto de outros. 
Quadro 2 – Bloqueios que impedem a criatividade nas 
organizações 
A resposta certa “Isso não tem lógica” “Seja prático” 
“Siga as regras” 
“Essa não é minha 
área” 
“Não seja tolo” 
“Eu não sou criativo” 
Fonte: elaborado com base em Dornelas, 2020, p. 77. 
Espontâne
a
Da mesma forma que devemos estar sempre abertos para novas 
experiências e oportunidades, devemos pensar em quantas vezes 
estamos sendo bloqueados em nossa criatividade ou ainda 
bloqueando a criatividade de alguém. 
Nesta aula, foram abordados conceitos, características e 
competências sobre empreendedorismo, mercado, consumidor e 
uma breve introdução sobrecriatividade. O empreendedorismo é 
extremamente importante para que as 
 
A falácia de que sempre há uma e apenas uma solução correta para 
determinado problema. 
 
A crença de que sempre deve existir lógica na resolução de todos 
os problemas limita a criatividade. 
 
O senso de praticidade pode impedir as pessoas a buscarem 
soluções alternativas. 
 
É ignorar o fato de que as mais revolucionárias inovações surgiram 
justamente da quebra de regras, crenças e paradigmas. 
Restringir a criatividade através do pensamento exclusivo sobre as 
“Evite a 
ambiguidade”
Estar restrito à conexão entre erro e inovação: quando 
você falha, aprende sobre o que não funciona e pode 
promover ajustes para 
atividades de uma determinada área da empresa. 
 
Tendência de evitar o pensamento não convencional para não 
parecer tolo perante os colegas. 
 
É o pior bloqueio, achar-se sem talento e inteligência. Todas as 
pessoas podem ser criativas e buscar oportunidades. 
 
12 
empresas se mantenham competitivas e seus negócios sejam 
lucrativos. Criar novas oportunidades em cenários nunca vistos 
(vide pandemia novo coronavírus) é estar à frente e preparado para 
os desafios que um mundo em constante mudança nos apresenta. 
É premente que a ação empreendedora seja adequada e promova 
mudanças, e que esteja alinhada à inteligência de mercado para 
que realmente traga benefícios aos clientes. O empreendedorismo 
corporativo deve ser incentivado dentro das organizações, pois tem 
papel fundamental no que tange a conquista de grandes e 
excelentes resultados e, acima de tudo, da fidelização dos clientes. 
Figura 2 – Três elementos da competitividade 
Fonte: Martins, 2021. 
A criatividade, o empreendedorismo e a inovação podem ser 
identificados como o tripé de sustentação das boas ideias, 
imprescindíveis para garantir competitividade, lucratividade, 
longevidade e, principalmente, para o desenvolvimento econômico 
das organizações. 
 
13 
REFERÊNCIAS 
ALENCASTRO, M. S. C. Governança, gestão responsável e 
ética nos negócios. InterSaberes, 2017, Curitiba. 
DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias 
em negócios. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008, 
DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo corporativo: como ser 
um empreendedor, inovar e se diferenciar na sua empresa. São 
Paulo: Empreende, 2020. Dusponível em: <https://
www.dicio.com.br/>. Acesso em: 29 jun. 2021. 
HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. 
Empreendedorismo. Porto Alegre: AMGH Editora Ltda., 2014. 
RECEITA FEDERAL. Boletim da Receita Federal. n. 6, 1o jan. 
2021. Disponível em: <https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/
acesso-a-informacao/dados-abertos/boletim- da-receita-
federal_impactos-da-covid-19/boletim-6a-edicao-1-janeiro-2021-
v4e.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2021. 
ROMERO, S. M. Gestão de Pessoas: Conceitos e Estratégias. 
Curitiba: InterSaberes, 2013. 
SCHNEIDER, E. I. A caminhada empreendedora: a jornada de 
transformação de sonhos em realidade. Curitiba, InterSaberes, 
2012. 
SENGE, P. A Quinta disciplina. Rio de Janeiro: Best Seller, 2005. 
SILVA, L. C. da. Gestão e melhoria de processos: conceitos, 
técnicas e 
ferramentas. São Paulo: Brasport Livros e Multimídia Ltda. 
VELHO, A. G.; GIACOMELLI, G. Empreendedorismo. 3. ed. Porto 
Alegre: Sagah, 2017. 
WILDAUER, E. W. Plano de Negócios: elementos constitutivos e 
processo de elaboração. Curitiba: InterSaberes, 2013. 
14

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