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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Centro de Ciências Humanas e Sociais - CCH Licenciatura em História - EAD UNIRIO/CEDERJ SEGUNDA AVALIAÇÃO PRESENCIAL EXCEPCIONALMENTE À DISTÂNCIA 2021.2 DISCIPLINA: ESTADO E ECONOMIA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO COORDENAÇÃO: PROF. PEDRO HENRIQUE PEREIRA CAMPOS Nome: Jorge Luiz de Oliveira Guerreiro Matrícula: 18216090218 Polo: Resende Caro (a) aluno (a): Essa é a sua Segunda avaliação presencial. Leia os enunciados com atenção e procure ser claro e objetivo na elaboração de suas respostas. Leia atentamente as Instruções abaixo: • Leia atentamente todas as questões; • Escreva com letra legível; • Revise suas respostas e verifique se as idéias estão claras; • Esta avaliação é individual e sem consulta; • Responda com caneta azul ou preta; • Utilize o caderno de resposta. Boa prova! Prezado (a) aluno (a), Os critérios de avaliação das questões dissertativas da sua avaliação presencial são os seguintes: • Correção do português; • Clareza e qualidade da argumentação (coesão/coerência). Questão 1 - Leia o texto abaixo e responda a questão que vem em seguida: O presente Programa de Ação, dentro do seu propósito de estabilização, desenvolvimento e reforma democrática, estabelece as linhas gerais da política econômica a ser adotada no Brasil no período de julho de 1964- março de 1967 a qual visará à consecução dos seguintes objetivos: a) acelerar o ritmo de desenvolvimento econômico do País, interrompido no biênio 1962-1963; b) conter, progressivamente, o processo inflacionário durante 1964 e 1965, objetivando um razoável equilíbrio dos preços a partir de 1965; c) atenuar os desníveis econômicos setoriais e regionais, e as tensões criadas pelos desequilíbrios sociais, mediante a melhoria das condições de via; d) assegurar, pela política de investimentos, oportunidades de emprego produtivo à mão-de-obra que continuamente aflui ao mercado de trabalho; e) corrigir a tendência a déficits descontrolados do balanço de pagamentos, que ameaçam a continuidade do processo de desenvolvimento econômico, pelo estrangulamento periódico da capacidade de importar. BRASIL. Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica. Programa de Ação Econômica do Governo: 1964-1966 (síntese). Documentos EPEA, n. 1. Rio de Janeiro: novembro de 1964, p. 15 apud IANNI, Octavio. Estado e Planejamento Econômico no Brasil. 4a ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1986, p. 234- 235. Com base no trecho acima e no que foi visto na segunda parte do curso, analise as principais características e consequências do Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) do governo Castelo Branco (1964-1967) e da política econômica do início da ditadura civil-militar brasileira. As diretrizes incipientes vigentes no PAEG foram atendidas por conta da aprovação dos Atos Institucionais, que asseguraram ao governo Castelo Branco instituir uma regra econômica calcada em medidas recessivas a fim de conter a inflação, e por uma acentuada depressão dos níveis salariais da classe trabalhadora. Castelo Branco, como primeiro Presidente de República do governo militar, nomeou importantes intelectuais liberais para a liderança da política econômica brasileira. Destarte, o novo governo propiciou o poder político essencial para a prática de reformas de cunho tradicional e de um plano de estabelecimento econômico que formaria as premissas de um novo protótipo de desenvolvimento no país. O Presidente então indicou Octavio Gouvêa de Bulhões a fim de organizar a sua equipe econômica. Essa nova equipe priorizou à luta para reverter a propensão de aumento contínuo da taxa de inflação que vinha se mantendo desde o começo da década. Sua primeira resolução foi tentar diminuir o déficit público remetendo ao Congresso um novo orçamento que vigoraria de imediato, redirecionando despesas para o ano vigente de 1964. Em agosto do mesmo ano Castelo Branco apresentou o documento principal de planejamento econômico do seu governo: o “Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG)”. O objetivo fundamental do PAEG para o biênio 1965-66 seria de estimular o ritmo de crescimento econômico do Brasil e refrear gradativamente a inflação a fim de conquistar um equilíbrio de preços razoável em 1966. O PAEG foi lançado com o propósito de conduzir a política economia e social do Brasil por meio de instrumentos político-econômicos de combate à inflação relativos às reformas tributária e financeira. No que tange as preferências do PAEG, foram pautados alguns pontos básicos, entre eles: a retomada do desenvolvimento e crescimento econômico por meio de políticas de investimento aptas a integrar uma mão de obra crescente; corrigir os desequilíbrios setoriais e regionais; congelar preços e corrigir os deficits do balanço de pagamentos; regularizar os vínculos com as entidades financeiras internacionais; e, especialmente, controlar a inflação. Para lograr êxito em seu maior objeto, foram realizadas significativas reformas organizacionais, entre as quais se ressaltam a reforma tributária e a reforma financeira, sendo esta última, de importância substancial para fomentar a economia industrial e doméstica no período do chamado “milagre econômico”. Essas reformas proporcionaram o desenvolvimento econômico do país, integraram-no às necessidades industriais e deram ao Estado a capacidade de interferência na política econômica. As reformas feitas no PAEG mudaram o cenário corporativo em vigor na economia do Brasil, fazendo com que a política de contenção da taxa de inflação alcançasse excelentes resultados, o que ajudaria a aprontar o Brasil para a recuperação do desenvolvimento. A finalidade do PAEG de estimular o desenvolvimento e ao mesmo tempo diminuir os índices inflacionários deve ser compreendido na esfera da análise que os responsáveis pelo Plano faziam da crise brasileira. Estes entendiam que o maior motivo do estancamento era o agravamento da inflação desde 1959, o qual, acelerando-se na época vigente, sinalizava arrastar o país para uma hiperinflação. Logo, suplantando os problemas que levaram ao desequilíbrio dos preços, seria viável estabelecer as conjunturas para a recuperação do crescimento. Para corrigir o déficit público de modo decisivo, o governo teria que flexibilizar os recursos. Para esse fim, também era essencial a realização de reforma tributária, fiscal e na política salarial a fim de melhorar a receita, além de reformas corporativas para a criação de um comércio para os títulos da dívida pública federal e, finalmente, deveriam ser redefinidas as políticas de crédito aos setores públicos e privados. Com relação à Política Monetária de expansão de crédito, o PAEG não obteve grandes conquistas, pois a política monetária estabelecida pelo PAEG não teve fulcro bem definido. O governo não possuía instrumentos monetários eficientes o suficiente para esterilizar o escoamento de moeda que entrava no país por meio de empréstimos externos adquiridos em agências oficiais norte-americanas e pelo desenvolvimento das exportações, o que expandiu em muito a liquidez da economia. Com efeito, mesmo através dessas reformas, a política econômica do governo Castelo Branco não floresceu no que concerne o cumprimento dos propósitos de equilíbrio da inflação. Entretanto, as reformas corporativas feitas nessa época geraram as premissas para um novo padrão de desenvolvimento econômico, cujo aspecto permanente viria a surgir somente no governo subsequente. A reforma fiscal criou um sustentáculo tributário sólido e efetivo para o aporte do setor público e, ainda, com o emprego da regra da correção monetária, surgiu um mercado para títulos públicos federais. A reforma financeira outorgou uma logísticamais eficaz no que tange a política monetária, com a fundação do Banco Central e a reformulação do Mercado de Capitais. A reforma trabalhista, além de atenuar custos de mão de obra, estabeleceu fundos de poupança compulsória que cooperaram para o alargamento dos investimentos públicos e um Plano Nacional de Habitação. O fato é que todo esse complexo de reformas, deu-se em um cenário de baixo desenvolvimento econômico e de vasto desagrado popular com os trilhos que a economia seguiu e a preservação da política de regulagem econômica do governo Castelo Branco, que não se harmonizava com as perspectivas de desenvolvimento e as exigências pela recuperação da ordem democrática, que começavam a se fortalecer na sociedade. Em suma, o PAEG foi um plano de consolidação econômica que foi estabelecido com a rigidez de um governo militar, centralizador e autoritário, que alcançou o efeito desejado: a contração da taxa de inflação, que foi reduzida de 90% em 1964 para menos de 30% em 1967. Referências: PRADO, Luiz Carlos Delorme; EARP, Fábio Sá. “O “milagre” brasileiro: crescimento acelerado, integração internacional e concentração de renda (1967-1973)”. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida (org.). O Brasil Republicano. Vol. 4. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p. 209-41. Questão 2 - Examine atentamente o gráfico abaixo e responda a questão em seguida: Gráfico - Média do crescimento econômico anual dos governos posteriores a 1930: Fonte: MATTOS, Fernando Augusto Mansor de; MEIRELLES, Joana Souza de. Governo Dutra: crescimento industrial sob restrições externas e limitações econômicas e institucionais internas. In: ARAUJO, Victor Leonardo de; MATTOS, Fernando Augusto Mansor de (org.). A Economia Brasileira de Getúlio a Dilma. São Paulo: Hucitec, 2021, p. 100-101. Com base no gráfico acima e no que foi visto ao longo desta segunda parte da disciplina nas aulas e nos textos lidos, explique as razões das elevadas taxas de crescimento econômico durante o período da ditadura civil-militar brasileira inaugurada com o golpe de Estado de 1964. O programa de montagem de uma nova diretriz socioeconômica, centralizada na organização estatal da economia, na consonância entre o crescimento econômico e equilíbrio da inflação, constituído doravante reformas de base, fora extinto pelo golpe militar de 1964. Na nova regência, o enfrentamento da inflação não foi mais feito por meio do controle do crédito, mas através da contenção de preços dos blocos não-competitivos da economia, de maneira a provocar uma redução gradual das suas margens de lucro, à medida que ampliavam suas vendas. E a política de crédito foi utilizada para fomentar estas vendas. Para essa finalidade, o sistema financeiro foi reestruturado e as taxas pagas pelo tomador de empréstimos foram diminuídas de formas distintas, inclusive por meio do tabelamento provisório dos juros. Uma mudança considerável se deu na maneira de ordenar o sistema financeiro, que seguia os moldes estadunidense e passou por uma reformulação em que a centralização dos capitais bancários foram estimuladas. O suporte a nova política monetária de Delfim Neto intercorreu num vertiginoso processo de formação de acúmulo financeiro por meio de concentração bancária em que bancos comerciais brasileiros diminuiu de forma significativa entre os anos de 1967 e1970. Esse combo mudanças na economia desencadeou o aumento do crédito, essencialmente no setor agrícola, com uma gama de incentivos fiscais a fim de diminuir seu custo. Destarte, o propósito é diminuir o preço dos alimentos para o mercado interno e ampliar as exportações. O crédito disponibilizado aos consumidores via de regra cresceu substancialmente a fim de facilitar a aquisição de bens de consumo duráveis de preço unitário dispendioso, como automóveis e eletrodomésticos. As financeiras subsidiavam as aquisições desses bens de consumo em prazos bastante acessíveis através de recursos alcançados por meio do emprego de letras de câmbio. Outra política de vasto alcance foi o impulsionamento da construção civil. Campo de maior utilização de mão de obra de baixa capacidade profissional, a construção civil se dividiu no ramo da construção habitacional e no ramo da construção pesada. O ramo da construção habitacional permaneceu sendo subsidiado pelo Banco Nacional da Habitação, com financiamentos das cadernetas de poupança indexadas e poupança compulsória do FGTS. O ramo da construção pesada foi deveras favorecido pela vasta procura das estatais por obras de infraestrutura. Aqui, a ação de autarquias já efetivas e as aquisições das empresas estatais ganham prestígio, pois foram formadas com propósitos de fornecer o que o setor privado recusava ou não podia custear, assim como abastecer esse mesmo setor privado de equipamentos necessários a baixo preço. Entre os anos de 1968 e 1973 o desenvolvimento do Produto Industrial foi sempre maior do que o do Produto Interno Bruto. E, na constituição do Produto Industrial sobressai o crescimento da Indústria de Transformação, da Indústria da oferta de bens de capital e bens intermediários, puxados pelas despesas do governo em energia, transporte e comunicações. Por último vem o desenvolvimento dos bens de consumo não duráveis, puxado pelas despeses da população com alimentos e vestuário. Este desenvolvimento exacerbado diminuiu a inatividade do setor industrial até seu total desaparecimento em 1972. Desde então o seguimento do desenvolvimento ficou completamente emancipado do alargamento da produtividade industrial, o que acabou por impelir o aumento da taxa de investimento da economia. O indicador Formação Bruta de Capital atingiu um padrão histórico em 1971. Nesse seguimento, as medidas de política industrial lideradas pelo Conselho de Desenvolvimento Industrial e subsidiadas especialmente pelo BNDE foram essenciais. Todavia os efeitos mais significativos foram os alcançados no comércio exterior, que se desenvolveu muito mais depressa do que o PIB, em que as exportações e importações se multiplicaram. Estes seguimentos foram vigorosamente inspirados pelo desenvolvimento do comércio global, do desenvolvimento promissor dos termos de troca e do crescimento do escoamento externo, todos resultados do desenvolvimento das economias industriais basilares. A estes fatores cabe ainda ressaltar os avanços na infraestrutura de transportes e comercialização, além de decretos administrativos, como o desintrincamento dos mecanismos de exportação e oferta governamental de mercadorias nacionais no exterior, com realce para a soja. Naquela circunstância, todo financiamento do deficit de Transações Correntes era resolvido de forma simples, visto que, por um lado o capital estrangeiro que adentrou no país triplicou na época e, por outro o Brasil não teve impedimento em conseguir crédito, nem para o setor público, nem para o provado. Cabe destacar que, o avolumamento do crédito ao setor privado foi uma resposta genuína ao objetivo de ampliar o papel das empresas privadas em um novo decurso de desenvolvimento econômico. Efetivamente os anos iniciais da década de 1960 indicaram o término de uma época de desenvolvimento vertiginoso da economia do Brasil. Durante quinze anos após a Segunda Guerra Mundial o índice de crescimento anual do PIB brasileiro foi um dos maiores do mundo. Todavia, as críticas ao projeto de crescimento da economia brasileira eram tão relevantes que extrapolaram o debate acadêmico, visto que, naquele período os anseios com a economia brasileira indicava um desenvolvimento equivalente, pois a distribuição de renda declinou, acarretando críticas maciças ao Modelo EconômicoBrasileiro Referências: PRADO, Luiz Carlos Delorme; EARP, Fábio Sá. “O “milagre” brasileiro: crescimento acelerado, integração internacional e concentração de renda (1967-1973)”. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida (org.). O Brasil Republicano. Vol. 4. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p. 209-41.