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PDF SINTÉTICO
ECONOMIA, ECONOMIA 
SOLIDÁRIA E CONTEXTO 
INTERNACIONAL
Economia Brasileira
Livro Eletrônico
Presidente: Gabriel Granjeiro
Vice-Presidente: Rodrigo Calado
Diretor Pedagógico: Erico Teixeira
Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi
Gerência de Produção de Conteúdo: Magno Coimbra
Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes
Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais 
do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de 
uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às 
penalidades previstas civil e criminalmente.
CÓDIGO:
240124102620
MANUEL PIÑON
Atualmente, exerce o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e é 
Professor, voltado para a área de concursos públicos.
Foi aprovado nos seguintes concursos públicos:
1 – Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB 2009/2010;
2 – Analista de Finanças e Controle – AFC (hoje, Auditor Federal de Finanças e 
Controle) da Controladoria-Geral da União – CGU (hoje, Ministério da Transparência) 
em 2008; e
3 – Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional – AFTN (Auditor-Fiscal da Receita Federal do 
Brasil) em 1998.
 
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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
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Economia Brasileira 
Manuel Piñon
SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Economia Brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1. Século XIX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2. Século XX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.1. Crescimento da Atividade Econômica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.2. Inflação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.3. Poupança e Investimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.4. Receitas e Despesas Públicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.5. Sistema Financeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.6. Setor Externo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.7. Mudanças Estruturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
3. Período Pós-Crise de 1929 até o Fim da Segunda Guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
4. Período Pré-1964 e Governos Militares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
4.1. Governo Dutra (1946 a 1951) e o Plano Salte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
4.2. Segundo Governo Vargas (1951 a 1954) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
4.3. Governo JK (1956 a 1960) e o Plano de Metas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
4.4. Governos Jânio e Jango (1961 a 1964) e o Plano Trienal. . . . . . . . . . . . . . . . 25
4.5. Governos Militares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
5. Governos após o Regime Militar e seus Planos de Estabilização . . . . . . . . . . . . . 33
5.1. Governo Sarney (1985 a 1989) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
5.2. Governo Collor (1990 – 1992) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
5.3. Governo Itamar Franco (1992 a 1994) e o Plano Real . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
6. Governos FHC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
6.1. FHC – Primeiro Mandato (1995 – 1998) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
6.2. FHC – Segundo Mandato (1999 – 2002) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
7. Governos Lula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
 
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7.1. Lula – Primeiro Mandato (2003 – 2006) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
7.2. Lula – Segundo Mandato (2007 – 2010) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
8. Governos Dilma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
8.1. Dilma – Primeiro Mandato (2011 – 2014) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
8.2. Dilma – Segundo Mandato (2015 – 2016) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
9. Governo Michel Temer (2016 – 2018) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
10. Governo Bolsonaro (2019-2022) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
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APRESENTAÇÃOAPRESENTAÇÃO
Fala, meu filho! Faaaaaaaaaaaala, minha filha!
Escrever um livro é algo desafiador. Porém, escrever para o público concurseiro torna 
a tarefa ainda mais árdua.
Afinal, há candidatos com diferentes níveis de conhecimento, estudando para seleções 
de áreas variadas. No entanto, existe algo em comum entre aqueles que se preparam 
para um concurso público: todos querem a aprovação o mais rápido possível e não têm 
tempo a perder!
Foi pensando nisso que esta obra nasceu. Você tem em suas mãos um material sintético! 
Isso porque ele não é extenso, para não desperdiçar o seu tempo, que é escasso. De igual 
modo, não foge da batalha, trazendo tudo o que é preciso para fazer uma boa prova e 
garantir a aprovação que tanto busca!
Também identificará alguns sinais visuais, para facilitar a assimilação do conteúdo. Por 
exemplo, afirmações importantes aparecerão grifadas em azul. Já exceções, restrições ou 
proibições surgirão em vermelho. Há ainda destaques em marca-texto. Além disso, abusei 
de quadros esquemáticos para organizar melhor os conteúdos.
Tudo foi feito com muita objetividade, por alguém que foi concurseiro durante muito 
tempo. Para você me conhecer melhor, comecei a estudar para concursos ainda na 
adolescência, e sempre senti falta de ler um material que fosse direto ao ponto, que me 
ensinasse de um jeito mais fácil, mais didático.
Enfrentei concursos de nível médio e superior. Fiz desde provas simples, como recenseador 
do IBGE, até as mais desafiadoras, sendo aprovado para defensor público, promotor de 
justiça e juiz de direito.
Usei toda essa experiência, de 16 anos como concurseiro, e de outros tantos ensinando 
centenas de milhares de alunos de todo o país para entregar um material que possa 
efetivamente te atender.
Aatuar em setores 
estratégicos para o desenvolvimento do Brasil.
PND II
Tinha como principais metas elevar a renda per 
capita e o PIB, por meio da consolidação de uma 
sociedade industrial moderna e de um modelo de 
economia competitiva.
Apenas um plano de intenções, sem apresentar 
muitos detalhes e sem quantificar metas, apenas 
tendo com o objetivo principal a compatibilização 
entre crescimento econômico acelerado, o 
controle da inflação e o equilíbrio das contas 
públicas e externas.
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5. GOVERNOS APÓS O REGIME MILITAR E SEUS PLANOS DE 5. GOVERNOS APÓS O REGIME MILITAR E SEUS PLANOS DE 
ESTABILIZAÇÃOESTABILIZAÇÃO
Até a solução do problema inflacionário com a implantação do Plano Real, outras 
tentativas foram feitas para acabar com a escalada dos preços nos anos 1980 e início da 
década de 1990.
5.1. GOVERNO SARNEY (1985 A 1989)5.1. GOVERNO SARNEY (1985 A 1989)
O processo de redemocratização do país com a “Nova república” a eleição de Tancredo 
Neves que teve como Vice José Sarney, teve como herança deficit público crescente, alto 
endividamento externo combinado com restrição de crédito internacional e inflação 
elevada e ascendente.
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Seu governo se caracterizou principalmente pelos sucessivos planos econômicos de 
estabilização voltados para o controle da inflação.
5 .1 .1 . PLANO CRUZADO
Em 1986, o Plano Cruzado tentou reduzir a inflação por meio de uma reforma 
monetária. Foi implantado o Cruzado (Cz$) no lugar do Cruzeiro (Cr$), sendo a taxa de 
conversão de mil cruzeiros para cada cruzado.
Com característica heterodoxa, foi feito um congelamento de preços, e o governo 
convocou as pessoas a denunciarem os lugares que não seguissem os preços tabelados, 
episódio que ficou conhecido como “Fiscais do Sarney”.
Mas o tiro saiu pela culatra, ocasionando uma crise de abastecimento nos mercados 
e, consequentemente, o fracasso do Plano Cruzado.
O Plano Cruzado diagnosticou a inflação como predominantemente inercial. 
Basicamente a ideia era a de que os contratos indexados muito comuns na economia brasileira, 
propagavam a inflação passada para a inflação corrente. Eventualmente, choques de oferta 
ou de demanda somavam-se à característica predominantemente inercial da inflação.
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O Plano Cruzado consistiu nas seguintes principais medidas:
1 – Reforma Monetária (Cruzado), congelamento de preços (Tabela SUNAB) e fixação 
do Câmbio;
2 – Desindexação da economia, com a substituição da ORTN pela OTN, congeladas por um 
ano, fazendo que todos os contratos somente pudessem ser reajustados anualmente;
3 – Mudança no índice de Preços, com substituição do IPCA pelo IPC;
4 – Em relação aos reajustes salariais, congelou os salários de acordo com a média 
dos últimos 6 meses em cruzeiros e adoção dos gatilhos salariais caso a inflação 
acumulasse 20%.
No âmbito da reforma monetária, os salários foram convertidos em cruzados com 
base no poder de compra médio dos últimos seis meses, diferentemente dos preços em 
geral que foram congelados por prazo indeterminado, com exceção apenas das tarifas 
industriais de energia elétrica, com base nos preços vigentes no dia imediatamente anterior 
ao congelamento (28/02/1986), sem compensação.
Esse procedimento trouxe problemas de eficiência alocativa na economia, bem 
como nos preços relativos, pois alguns bens tinham sido reajustados na véspera do 
congelamento, mas outros não. Assim, esses bens com preços mais defasados foram os 
primeiros a ficarem escassos.
O Plano Cruzado não estabeleceu regras ou metas para as políticas monetária ou 
fiscal, que foram usadas de forma passiva pelos formuladores da política econômica, 
já que seu foco heterodoxo era no combate à inflação inercial.
No âmbito da política fiscal, Sarney tinha anunciado em dezembro de 1985, um pacote 
fiscal que tinha como objetivo eliminar as necessidades de financiamento do setor público, mas 
os ganhos projetados de receita, que dependiam da continuidade do processo inflacionário – 
“imposto inflacionário” – não se materializariam com a queda das taxas de inflação.
Nos quatro primeiros meses (março a junho de 1986), a inflação caiu bastante, mas já 
podia ser constatado o excesso de demanda em relação à oferta de alguns bens, considerando 
o aumento do poder dos salários.
Nos quatro meses seguintes ( julho a outubro de 1986) tivemos o agravamento da escassez 
de produtos e a piora das contas externas, mesmo após a tímida tentativa de reação por 
parte do Governo Sarney com o “cruzadinho’, um tímido pacote fiscal que visava desaquecer o 
consumo por meio de novos impostos indiretos sobre a gasolina e automóveis e tributação na 
compra de moeda estrangeira, mas o excesso de demanda em relação à oferta não foi reduzido.
Em fevereiro de 1987 o governo Sarney suspendeu por tempo indeterminado os 
pagamentos da dívida externa (moratória), deixando de dialogar com o FMI – Fundo 
Monetário internacional.
Nos meses seguintes, até maio de 1987, a inflação voltou com força e o Plano Cruzado 
I já era considerado um fracasso, e solução encontrada foi o Plano Cruzado II.
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O plano Cruzado II consistia numa tentativa de aumento de arrecadação do Governo 
por meio de impostos indiretos e de alguns preços públicos, aliado à regulamentação 
do gatilho salarial, limitado a quando a inflação acumulada chegasse a 20% e, assim, 
as perdas salariais se acumulavam até 20%, quando então os salários eram corrigidos 
desse momento para frente. No final das contas, em fevereiro de 1987 os preços foram 
descongelados, ou melhor, liberados.
Podemos citar alguns fatores que contribuíram para o fracasso do Plano Cruzado:
1 – Política Fiscal Expansionista, não ajudando no controle da demanda;
2 – Política Monetária Expansionista, não ajudando no controle da demanda;
3 – Diagnóstico equivocado da causa inflacionária, já que além de inercial ela também 
era de demanda;
4 – Congelamento excessivo de preços gerando mercados paralelos;
5 – O gatilho salarial contribuiu para aumentar a inflação;
6 – Falta de alinhamento de preços antes da data base do congelamento gerando distorções 
nos preços relativos e na eficiência alocativa.
Vale destacar ainda o chamado “Cruzadinho”, como ficou conhecido um plano ainda dentro 
da vigência do Plano Cruzado, basicamente teve duas intenções, sendo uma a de desaquecer 
o consumo e a outra financiar um plano de investimentos em infraestrutura e metas sociais.
Guarde que a parte que desejava desaquecer o consumo, no entanto, foiineficaz e 
acabou gerando aumento da inflação, gerando elevação na percepção de que o congelamento 
estava com os dias contados e estimulando o aumento do consumo presente como efeito 
de defesa da inflação futura.
Resumo da ópera: o plano cruzadinho buscou desaquecer a economia, mas teve como resultado 
colateral a aceleração do consumo em razão da expectativa de descongelamento dos preços.
5 .1 .2 . PLANO BRESSER
Após o fracasso da Plano Cruzado, o Plano Bresser visava controlar a inflação e o deficit 
público com medidas como o congelamento de preços e o adiamento de grandes obras. 
Mais uma tentativa sem sucesso.
Assim, o Plano Bresser de combate à inflação era híbrido ou misto, já que combinou 
elementos ortodoxos, como as políticas fiscal e monetária contracionistas, com 
elementos heterodoxos, como o controle de preços.
Os preços e os salários foram congelados por um prazo máximo de três meses, mas 
antes tinham sido concedidos aumentos para os preços públicos e administrados, de modo 
a evitar uma das falhas do Plano Cruzado.
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O Plano Bresser instituiu também uma nova base de indexação salarial para vigorar 
após o congelamento a Unidade de Referência de Preços a cada três meses, mas na área 
cambial dessa vez não tivemos congelamento de taxa.
Em contraste com o Plano Cruzado, no Plano Bresser a inflação do congelamento 
decorreu de um conflito distributivo de rendas no setor privado e entre os setores 
privado e público, ou seja, não podia ser atribuída a pressões de demanda.
Com o fracasso iminente do Plano Bresser, Sarney o substituiu no Ministério da Fazenda 
por Maílson da Nóbrega, que implantou medidas econômicas modestas denominadas 
“política do feijão com arroz”.
Resumo da ópera: o Plano Bresser trouxe como benefício apenas o fato de ter evitado 
uma explosão inflacionária no curto prazo, embora essa continuasse sendo uma tendência, 
já que as causas efetivas da inflação não foram tratadas.
5 .1 .3 . PLANO VERÃO
Implantado em 1989, o Plano Verão foi encabeçado pelo então ministro da fazendo 
Maílson da Nóbrega, e estabeleceu o congelamento dos preços e anunciou uma reforma 
monetária com a implantação de uma nova moeda, o Cruzado Novo. Sem sucesso, foi o 
terceiro a fracassar na tentativa de controlar a inflação.
O Plano Verão também foi um plano misto ou híbrido.
No âmbito da ortodoxia, o Plano Verão almejava contrair a demanda agregada a curto 
prazo, com elevação das taxas reais de juros e contenção do deficit público.
O ajuste fiscal previsto deveria focar na redução de despesas de custeio com a implantação 
de uma reforma administrativa, redução de gastos com pessoal, privatizações e controle 
rígido na programação e execução financeira do Orçamento Público com limitação da 
emissão de títulos. Entretanto, na prática, a política fiscal não foi efetiva.
No que diz respeito à Política Monetária, a ideia era aumentar a taxa real de juros de curto 
prazo para desestimular as operações de “overnight”, limitação do crédito e a redução 
das pressões das operações com moeda estrangeira.
No âmbito da heterodoxia, a ideia era extinguir todos os mecanismos de realimentação 
da inflação, promovendo inclusive o fim da URP salarial.
Outro congelamento de preços foi anunciado, mas agora por tempo indeterminado, 
contemplando aumentos na véspera para os preços públicos e administrados. O alinhamento 
dos preços deveria gerar uma margem de folga para suportar o congelamento e evitar 
eventuais desabastecimentos.
O câmbio fixo teve a cotação do dólar norte-americano fixada em NCz$ 1, com a ideia 
de que essa “paridade” traria feitos psicológicos positivos.
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Entretanto, como a política fiscal contracionista não foi efetivamente implementada, as 
taxas de juros bastante elevadas contribuíram para aumentar a renda disponível e estimular 
o consumo, não gerando a recessão prevista.
5.2. GOVERNO COLLOR (1990 – 1992)5.2. GOVERNO COLLOR (1990 – 1992)
Primeiro Presidente eleito pelo povo após o Regime Militar, Collor assumiu o Governo 
querendo modernizar a economia, por meio da abertura econômica do país, redefinir o 
papel do Estado com a redução da máquina pública via demissão de funcionários públicos e 
privatizações e combater a inflação, o que ele tentou fazer por meio dos Planos Collor I e II.
As principais medidas de estabilização da inflação foram acompanhadas de programas 
de reforma de comércio externo, a Política Industrial e de Comércio Exterior, mais 
conhecida como PICE, e um programa de privatização intitulado Programa Nacional de 
Desestatização, mais conhecido como PND.
Com o Plano Nacional de Desestatização, 33 empresas públicas foram privatizadas, 
embora o volume tenha sido inferior ao desejado.
5 .2 .1 . PLANO COLLOR I
O “Plano Collor” é um conjunto de reformas econômicas e medidas para estabilização 
da inflação. Chamado oficialmente de Plano Brasil Novo, como ele se tornou associado 
fortemente a figura de Collor, ficou conhecido mesmo como “Plano Collor I”.
Plano Collor 1 – Plano Brasil Novo 1990
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O Plano Collor I foi instituído em 16/03/1990, um dia depois de Collor assumir 
a presidência e combinava liberação fiscal e financeira com medidas radicais para 
estabilização da inflação. A ideia era estabilizar a inflação pelo “congelamento” da 
dívida pública (interna) e restringindo o fluxo de dinheiro para parar a inflação inercial.
Como a rápida e descontrolada “desmonetização” da economia foi tida como a causa 
das falhas dos planos de estabilização da inflação anteriores, o governo Collor teria de 
garantir uma “desmonetização” “ordenada” e “lenta”, a fim de manter a inflação para baixo.
Para o controle da velocidade da desmonetização, poder-se-ia utilizar uma combinação 
de ferramentas econômicas, tais como impostos, taxas de câmbio, crédito e taxas de juros.
Nos poucos meses que sucederam a implantação do plano, a inflação continuou a crescer. 
Em janeiro de 1991, nove meses após o início do plano, a inflação reduziu, atingindo a taxa 
de 20% por mês.
O congelamento causou uma forte redução no comércio e na produção industrial. 
Com a redução da geração de dinheiro de 30% para 9% do PIB, ele retirou 80% da moeda 
em circulação, e a taxa de inflação caiu de 81% em março para 9% em junho.
Nessa pegada, o governo enfrentou duas escolhas: poderia segurar o congelamento e 
arriscar uma recessão devido a redução dos ativos, ou “remonetizar” a economia através 
do descongelamento e correr o risco do retorno da inflação.
Assim, o fracasso do Plano Collor I no controle da inflação é creditado pelos economistas 
keynesianos e monetaristas à falha do governo Collor de controlar a “remonetização” 
da economia.
A verdade é que foram abertas várias “brechas” que contribuíram para o aumento do 
fluxo de dinheiro: os impostos e as contas do governo emitidos antes do congelamento 
poderiamser pagos com o velho Cruzado, criando uma forma de “brecha de liquidez”, que 
foi plenamente explorada pelo setor privado.
Várias exceções aos setores individuais da economia foram abertas pelo governo, como 
nas poupanças de aposentados, e o “financiamento especial” na folha de pagamento 
do governo.
Além disso, o governo foi incapaz de reduzir despesas, limitando sua capacidade de usar 
muitas das ferramentas acima mencionadas.
Os motivos vão desde o aumento do compartilhamento da receita de impostos federais 
com os estados até a cláusula de “estabilidade de emprego” para os funcionários públicos, 
instituída em nossa Carta Magna de 1988, que preveniu o tamanho da redução tal como 
anunciada no começo do plano.
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Resumidamente, suas medidas foram:
• 80% de todos os depósitos do overnight, das contas-correntes ou das cadernetas de 
poupança que excedessem a NCz$50mil foram congelados por 18 meses, recebendo 
durante esse período uma rentabilidade equivalente a taxa de inflação mais 6% ao ano.
• Substituição da moeda de Cruzado Novo pelo Cruzeiro.
• Criação de um imposto sobre as operações financeiras, sobre todos os ativos financeiros, 
transações com ouro e ações e sobre todas as retiradas das contas de poupança (IOF).
• Congelou preços e salários, sendo determinado pelo governo, posteriormente, ajustes 
que eram baseados na inflação esperada.
• Eliminou vários tipos de incentivos fiscais: para importações, exportações, agricultura, 
os incentivos fiscais das regiões Norte e Nordeste, da indústria de computadores e a 
criação de um imposto sobre as grandes fortunas.
• Indexou imediatamente os impostos aplicados no dia posterior a transação, seguindo 
a inflação do período.
• Aumentou os preços dos serviços públicos, como gás, energia elétrica, serviços postais etc.
• Liberou o câmbio e várias medidas para promover uma gradual abertura na economia 
brasileira em relação à concorrência externa. Na época chamou os carros produzidos 
no Brasil de “carroças”.
• Extinguiu vários institutos governamentais e anunciou a intenção do governo de demitir 
cerca de 360 mil funcionários públicos, para redução de gastos administrativos
5 .2 .2 . PLANO COLLOR II
O PLANO COLLOR II iniciou-se em janeiro de 1991 e incluiu novos congelamentos de 
preços e a substituição do “overnight” com novas ferramentas fiscais que incluíam no 
seu cálculo as taxas de produção antecipada de papéis privados e federais.
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O plano conseguiu produzir apenas um curto prazo de queda na inflação, que retornou 
a subir novamente em maio de 1991.
5.3. GOVERNO ITAMAR FRANCO (1992 A 1994) E O PLANO REAL5.3. GOVERNO ITAMAR FRANCO (1992 A 1994) E O PLANO REAL
Após a saída de Collor por renúncia/impeachment, seu Vice, Itamar assumiu em meio 
a grava crise política e econômica com inflação alta e recessão.
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O PLANO REAL foi implantado durante o Governo Itamar Franco, quando FHC era 
o seu Ministro da Fazenda
Para entender o papel do Plano Real, é válido ressaltar que em 1993 a inflação atingia 
2.700% no país e, após a implantação da nova moeda, o valor da inflação média dos 
governos seguintes manteve-se em 12,6%(FHC) e 6,3% (LULA).
Aprendendo com a experiência dos planos lançados entre os governos dos presidentes 
Sarney (entre 1985-1990) e Collor (1990-1992), que apostavam no congelamento de preços 
e salários, medida que se mostrou ineficaz contra a inflação, o Plano Real tinha que ser 
diferente.
O diagnóstico feito pelo Plano real foi de que a inflação era o resultado dos deficits 
fiscais presentes, baseada na teoria de dominância fiscal, por meio da qual o aumento 
da inflação decorre do deficit fiscal e apenas a utilização dos mecanismos da Política 
Monetária é ineficaz para combatê-la.
Ficou definido que o plano seria implantado em três etapas para evitar o congelamento 
de preços e o aumento da inflação, como ocorrera em tentativas anteriores.
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A primeira etapa foi o ajuste das contas públicas por meio de um corte no Orçamento, 
ou seja, ajuste fiscal.
Em agosto de 1993, FHC comunicou o corte de três zeros na moeda vigente, o cruzeiro 
(Cr$), e anunciou o lançamento do cruzeiro real (CR$ 1 = Cr$ 1.000).
A segunda etapa consistiu na desindexação, por meio da implantação provisória 
da Unidade Real de Valor (URV), que ficou em vigor de março a julho de 1994 e era uma 
espécie de moeda de troca, usada para converter os valores das mercadorias.
Com isso, foi possível uniformizar os reajustes de preços, de câmbio e dos salários de 
maneira desvinculada do cruzeiro real.
Para a população, na prática, funcionava assim: ao escolher um produto no mercado, ele 
estava com o preço em URV nas prateleiras, mas ao passar o caixa, o valor era convertido 
e pago em cruzeiros reais. Na época, a URV valia um dólar (US$) e, assim, o real também 
começou cotado a US$ 1.
O papel da URV foi promover a dolarização da economia sem que fosse necessário 
abnegar a moeda nacional.
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A partir de 1º de julho de 1994, foi colocada em marcha a 3ª fase, a fase final do 
Plano REAL, a ancoragem de preços, com um novo ministro da fazenda, Rubens Ricupero 
(FHC havia deixado o cargo para se candidatar à presidência da República).
Chegara a hora da URV ser substituída pelo Real, e para controlar a inflação, o 
governo passava a ter como instrumentos os juros altos e o dólar barato, com câmbio 
praticamente fixo.
Entretanto, a paridade do real com o dólar (que era de R$ 1 para US$ 1) provocou 
insatisfação em alguns setores da indústria.
A abertura comercial e a manutenção do câmbio valorizado como medidas para manter 
a inflação controlada causaram um efeito colateral: as importações passaram a ser 
estimuladas obrigando as empresas nacionais a diminuírem os preços para entrar na 
concorrência.
Apesar de outras crises externas que vieram posteriormente, o Plano Real conseguiu 
manter a inflação dentro de níveis aceitáveis.
A partir de 1999, já no 2º Governo FHC o Banco Central criou o regime de metas para a 
inflação. A Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), que determina o nível 
básicode juros na economia, passou a ser a âncora monetária, substituindo o controle 
do câmbio, que passou a ser flutuante (quando a compra e venda de moedas não tem 
controle sistemático do governo).
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DESPESA
PÚBLICA
Plano de estabilização para conter 
a hiperinflação até o Plano Real
Transição Demográfica – redução da 
natalidade com baixa mortalidade
Diversificada, mas com baixo crescimento
Negativa, especialmente nos anos 90 
gerada pela paridade Real – Dólar que 
aumentou bastante as importações
Esforço para pagar a dívida externa (FMI)
No governo FHC tivemos o início dos 
programas sociais e o aumento do poder 
de compra do salário mínimo
Transição da dívida externa para interna
Planejamento familiar
Crise da dívida
Baixo crescimento (década perdida)
Contexto
População
Atividade 
Econômica
Balança 
Comercial
Endividamento
Distribuição 
de Renda
6. GOVERNOS FHC6. GOVERNOS FHC
6.1. FHC – PRIMEIRO MANDATO (1995 – 1998)6.1. FHC – PRIMEIRO MANDATO (1995 – 1998)
Seu foco inicial era a estabilização da economia, ou seja, garantir a que a inflação 
seria efetivamente mantida sob controle.
Mesmo com a economia aquecida, os problemas relativos ao controle inflacionário eram 
o desequilíbrio externo e o deficit fiscal.
As altas taxas de juros possibilitaram a atração de capitais externos e a valorização 
cambial, favorecendo as importações que cresceram bastante, mas prejudicando as 
exportações, gerando deficit na balança comercial e no saldo de transações correntes.
Como o deficit em transações correntes era financiado com novo endividamento externo 
e com a entrada de capitais na forma de investimento direto estrangeiro, a acumulação 
de estoques de passivos externos — dívida ou estoque de capital no país — implicava 
pagamentos crescentes de juros e de lucros e dividendos. Assim, o deficit de serviços e 
rendas praticamente dobrou no 1º mandato de FHC.
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Essa situação se agravou em 1998, com a crise da Rússia de âmbito mundial, num 
mundo já globalizado, que reduziu as exportações brasileiras, aumentando a vulnerabilidade 
externa. Registre-se que antes já tínhamos tido a crise do México em 1994 e a dos tigres 
asiáticos em 1997.
Importante destacar que a situação era decorrente, principalmente, do câmbio 
sobrevalorizado, estratégia de política econômica utilizadas à época para manter a inflação 
controlada.
Merece destaque também a combinação de deficits primários, deficits nominais e dívida 
pública crescente, outro desafio importante a ser encarado.
Tais problemas fiscais foram gerados em decorrência do controle inflacionário via 
elevação da taxa de juros e fim do imposto inflacionário como fonte de receita para o 
setor público.
Entre 1994 e 1998, o deficit primário sofreu uma piora da ordem de cinco pontos 
percentuais do PIB, gerados por uma taxa média de juros real de 22% entre 1995 e 1998.
Com o fim da inflação, os bancos deixaram de aproveitar as receitas de floating que 
possuíam, que consistem na captação de recursos sem correção monetária para aplicação 
em recursos com correção monetária.
Nessa época tivemos o PROER – Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento 
do Sistema Financeiro Nacional, que socorreu bancos como o Econômico, o Nacional e o 
Bamerindus, por meio da concessão uma linha especial de assistência financeira destinada 
a permitir reorganizações societárias no sistema.
Para tentar ajudar na contenção do deficit fiscal tivemos um aumento da carga tributária.
Resumo da ópera: no final do 1º mandato, as altas taxas de juros, o instrumento da 
política monetária utilizado para combater as crises financeiras especulativas do México, 
da Ásia e da Rússia já dava sinais de que não estava mais sendo eficiente e ainda contribuía 
para o agravamento da situação fiscal, indicando que mudanças nos instrumentos de política 
econômica teriam que ser realizadas em seu 2º mandato.
6.2. FHC – SEGUNDO MANDATO (1999 – 2002)6.2. FHC – SEGUNDO MANDATO (1999 – 2002)
Após reeleito por ter conseguido manter a inflação sob controle, o 2º mandato começou 
com 3 graves problemas na economia: câmbio excessivamente valorizado, deficits 
fiscais sucessivos e alta taxa de juros.
Para resolver essa situação desfavorável, logo no início de 1999 a política econômica 
foi alterada e o Presidente do BACEN passou a ser Armínio Fraga.
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A forma de ancorar os preços via taxas de juros elevadas foi substituída pela 
combinação de 3 elementos: câmbio flutuante, metas de inflação e superavits fiscais). 
Nessa mesma época o Brasil recorreu ao FMI que lhe emprestou US$ 42 bilhões.
Além do ajuste fiscal, exigência do FMI, foi feita uma forte desvalorização cambial 
no início de 1999, que, para surpresa de muitos, não trouxe efeitos inflacionários.
A mudança de rumo na economia em 1999, logo no início do 2º mandato de FHC, deu 
resultado.
A retomada do crescimento econômico nos anos de 1999 e 2000 só foi afetado em com 
a combinação dos efeitos dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos com a crise 
energética, a crise na Argentina e o racionamento de energia no Brasil decorrente do baixo 
nível das represas.
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O tripé macroeconômico era composto por câmbio flutuante no âmbito da Política 
Cambial, metas de inflação no âmbito da Política Monetária e o ajuste fiscal para 
obtenção desuperavit fiscal no âmbito da Política Fiscal.
Destacam-se nesse período também as seguintes medidas principais:
1 – Saneamento do Sistema Financeiro
Nessa época a privatização da maioria dos bancos estaduais, como foi o caso do BANEB aqui 
da Bahia que foi comprado pelo BRADESCO em 1999. Essa medida visou, principalmente, 
reduzir a utilização por parte dos Estados de suas Instituições Financeiras para encobrir 
seus rombos fiscais.
Também tivemos a entrada de bancos estrangeiros no mercado brasileiro e fortalecimento 
do BACEN Central no acompanhamento e monitoramento do nível de risco do sistema 
financeiro.
2 – Reforma da Previdência Social
Aprovação do Fator Previdenciário e elevação do tempo de contribuição.
3 – Entrada em vigência da LRF – Lei de Responsabilidade Fiscal
A LRF é a Lei Complementar de n. 101, que foi aprovada em 2000, é um “Código de Boas 
Condutas Fiscais” buscando estabelecer um novo paradigma para as finanças públicas 
de nosso país. Baseia-se nos princípios da administração pública e tem como objetivos 
a diminuição da dívida pública, estabilização dos preços, o desenvolvimento sustentável, 
dentre outros, de modo que o orçamento público seja efetivamente mecanismo de 
limitação de gastos, organização estatal e representação dos anseios sociais.
A LRF traz uma mudança de cultura no trato da coisa pública, mais especificamente do 
dinheiro púbico. Estabelece normas orientadoras das finanças públicas no País e rígidas 
punições aos administradores que não mantiverem o equilíbrio de suas contas.
4 – Renegociação das dívidas dos Estados com a União
Na prática tivemos uma “federalização” de dívidas frente ao mercado, por meio do 
comprometimento dos estados junto à União, com as dívidas sendo pagas em 30 anos, na 
forma de prestações mensais. Como garantia, a União poderia se apropriar das receitas 
de transferências dos Fundos de Participação e até do ICMS estadual, o que obrigou os 
Estados a se ajustarem.
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5 – Privatizações
Foram transferidas para o setor privado empresas deficitárias ou empresas superavitárias 
com níveis inadequados de investimento, gerando redução de gastos públicos.
6 – Criação das Agências Reguladoras e Fim dos Monopólios Estatais
Com o fim dos monopólios estatais, áreas como petróleo e telecomunicações deixaram 
de ser prerrogativa exclusiva de atuação do Estado, gerando competição no setor de 
petróleo e a privatização da Telebras. O Estado passa de produtor para regulador, e a 
criação de agências reguladores é um passo importante nesse sentido.
7 – Mudança de tratamento do Capital Estrangeiro
Tivemos elevação do investimento estrangeiro no Brasil, já que as empresas nacionais e 
estrangeiras passaram a ter o mesmo tratamento.
ASPECTOS ECONÔMICOS DO GOVERNO FHC
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Resumo da ópera: embora o crescimento econômico tenha permanecido relativamente 
baixo e o Brasil tenha continuado com altas taxas de juros reais, a inflação continuou 
controlada e o ajuste fiscal foi cumprido, chegando a gerar superavits primários, e a taxa de 
câmbio flutuante efetivou o ajuste das contas externas com significativa melhora do saldo 
em transações correntes e superavit da balança comercial durante o 2º mandato de FHC.
7. GOVERNOS LULA7. GOVERNOS LULA
Ao longo da década de 2000, na qual Lula foi o grande protagonista, consolidou-se 
na economia brasileira um modelo econômico baseado na expansão do consumo, com 
baixas taxas de poupança, modelo esse viabilizado pela exportação de commodities e 
a absorção de poupança externa.
Na década de 2000, mudamos de uma economia devagar, pouco dinâmica, com taxas 
de crescimento abaixo da média mundial, e chegamos a ser um dos países emergentes 
dinâmicos que lideraram o crescimento mundial, ao lado de China e a Índia.
Nesses primeiros dez anos do século 21, outro aspecto muito relevante, é que o 
crescimento econômico brasileiro chegou a gerar inclusão social e um pouco de redução 
das disparidades sociais e regionais.
7.1. LULA – PRIMEIRO MANDATO (2003 – 2006)7.1. LULA – PRIMEIRO MANDATO (2003 – 2006)
Em função da instabilidade provocada pelo receio do mercado de que Lula provocaria 
uma mudança radical na política econômica, a procura por dólares aumentou gerando 
aumento na taxa de câmbio chegando um dólar a valer quase quatro reais.
Assim, tivemos o encarecimento custo dos insumos importados e, assim, do custo de 
produção das empresas, que foram repassados aos preços, gerando aumento de inflação.
Nesse cenário Lula assume e podemos dizer que o primeiro governo Lula começou 
como uma continuação da política econômica dos governos FHC, especialmente no que 
diz respeito ao controle das contas públicas, tendo sido montado à época um gabinete de 
transição com a participação de pessoas-chave dos dois lados, com destaque para Palocci 
e Pedro Malan, respectivamente futuro e atual Ministro da Fazenda à época.
Suas medidas iniciais contemplaram aumento da taxa de juros e restrição ao crédito, 
que aliadas ao controle dos gastos públicos contraíram a demanda agregada e a inflação.
Aos poucos a desconfiança do mercado em relação a uma possível ruptura foi sendo 
acalmada. Para se ter uma ideia, a taxa de câmbio subiu bastante no ano da eleição, saindo 
de R$ 2,30 em março para no final de 2002 beirar os R$ 4,00 por dólar, já estava abaixo de 
R$ 3,00 com menos de seis meses do primeiro Governo Lula. O Risco país também teve o 
mesmo comportamento nesse período.
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A partir de 2004, o Brasil passou a crescer de forma contínua, com exceção apenas 
do ano de 2009 em decorrência da crise mundial de 2008.
No primeiro Governo Lula também foram implantadas algumas reformas importantes, 
como a reforma previdenciária, especialmente no regime dos servidores públicos, 
tais como:
1 – Contribuição também dos servidores inativos (mesma alíquota dos ativos);
2 – Aplicação de um redutor para as novas pensões acima de um certo piso de isenção;
3 – Idade mínima para aposentadoria integral, de 60 anos para os homens e 55 para as 
mulheres; e
4 – Aplicação do teto do INSS para os novos funcionários, com a utilização de previdência 
complementar de aposentadoria a partir desse limite a ser criado.
Tivemos também uma reforma na área tributária com destaque para uniformização 
da legislação do ICMS e a prorrogação do prazo de vigência da CPMF.
O superavit fiscal obtido sucessivamente em seu primeiro Governo reduziu bastante 
o endividamento público.
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As taxas de juroscontinuaram elevadas por um tempo, ganhando a alcunha de taxa 
de juros real mais alta do mundo.
7.2. LULA – SEGUNDO MANDATO (2007 – 2010)7.2. LULA – SEGUNDO MANDATO (2007 – 2010)
No período entre 2007 e 2010, o nosso crescimento médio anual foi muito bom, 
excetuando-se o 0,5% negativos que tivemos no ano de 2009, como consequência da 
crise financeira internacional. A economia crescia e gerava superavits primários nas contas 
públicas, isso com baixa inflação, respeitando o sistema de metas e o seu teto.
Nessa fase, notamos uma maior intervenção e participação do governo na economia, 
com destaque para o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e o Programa 
Minha Casa Minha Vida, com a crise de 2008, essa maior participação do Estado ganhou 
ainda mais força após a bem-sucedida intervenção para amenizar os efeitos dessa crise 
em nossa economia.
Foi nessa fase que tivemos a descobertas das jazidas de petróleo do pré-sal.
A crise financeira internacional de 2008 interrompeu temporariamente a trajetória 
de crescimento econômico. Com a retração das linhas crédito internacionais, redução nos 
preços das commodities e consequente desvalorização do real frente ao dólar dos EUA, 
tivemos forte queda nos índices de renda, atividade econômica e de emprego.
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Ainda em 2008 mesmo, com os primeiros sinais de turbulência, o Governo Federal 
implementou uma série de medidas de política fiscal e monetária expansionistas de 
caráter anticíclico, com o propósito de estimular a economia, reverter as expectativas 
do setor privado e garantir o retorno da confiança.
Na área fiscal, o Governo determinou uma série de desonerações tributárias para estimular o 
consumo e a produção, ampliou tanto as transferências para Estados e municípios como os aportes 
financeiros para os bancos públicos e reduziu temporariamente a meta de superavit primário.
Já por sua vez na área monetário, aumentou-se a liquidez em moeda estrangeira e 
doméstica, com a disponibilização das reservas internacionais para o comércio exterior, 
flexibilização do crédito para o setor exportador e da diminuição da exigência de depósitos 
compulsórios por parte dos bancos.
Importante ter em mente que enquanto a crise de 2008, que surgiu no centro das 
economias mais avançadas do mundo, foi bem prolongada nos Estados Unidos, na Zona 
do Euro e no Japão, no Brasil, tivemos um resultado negativo de 5,6% em 2009, mas em 
2010 a economia já teve um crescimento de 7,5% do PIB.
O ano de 2010 foi um dos melhores anos de nossa economia, crescimento econômico, 
estabilidade de preços e distribuição mais justa da renda nacional.
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Vale destacar ainda a queda da concentração de renda, medida pelo ÍNDICE DE GINI, 
com aumento da formalização nas relações de trabalho e a consolidação de uma nova classe 
média, tornando o mercado doméstico brasileiro atrativo para as multinacionais. O País 
passou a ser destino de grandes volumes de investimento estrangeiro direto.
Ao longo da década de 2000, consolidou-se na economia brasileira um modelo econômico 
baseado na expansão do consumo concomitante a reduzidas taxas de poupança, possibilitado 
pela exportação de commodities e a absorção de poupança externa, com redução da dívida 
externa pública e aumento das reservas internacionais.
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Houve um forte estímulo ao consumo e ao crédito para as pessoas físicas.
Na crise de 2008, o Governo garantiu a ampliação do crédito e o financiamento dos 
bancos públicos (via BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) para contrabalançar 
a retração das linhas dos bancos privados e suprir as necessidades do setor produtivo.
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Resumo da ópera: no final do 2º governo Lula alguns problemas começavam a 
ficar nítidos, como a taxa de investimento insuficiente, poupança doméstica baixa, 
baixa competitividade, aumento dos deficits em transações correntes e redução dos 
resultados fiscais.
8. GOVERNOS DILMA8. GOVERNOS DILMA
8.1. DILMA – PRIMEIRO MANDATO (2011 – 2014)8.1. DILMA – PRIMEIRO MANDATO (2011 – 2014)
No início de 2011, o Governo Federal anunciou programa de consolidação fiscal, 
com redução das despesas do Governo Central concentrada nos gastos de custeio e 
acompanhada da contenção de novos dispêndios e do aumento da eficiência dos gastos.
O objetivo desta redução de gastos com custeio da máquina pública foi a manutenção 
dos investimentos, criando as condições para a futura redução da taxa de juros e para 
novas desonerações tributárias.
Entretanto, em seu primeiro mandato, a Presidenta Dilma aumentou a interferência do 
Estado na economia, embora as bem-sucedidas políticas da época da crise de 2008 tenham 
perdido a razão de ser após 2010.
Em 2011 foi lançado o Plano Brasil Maior para tentar estimular a inovação e 
produção nacional.
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A “nova matriz econômica”, política heterodoxa adotada por Dilma em 2012, consistiu 
em uma série de medidas de estímulos ao consumo, mas que, entretanto, não surtiram o 
efeito desejado na produção nacional, gerando excesso de demanda agregada em relação 
à capacidade produtiva.
A retração do comércio internacional e o aumento de concorrência, em função da crise, 
exigiram amplo programa de estímulo às exportações de manufaturados e de defesa comercial.
Dentre as medidas econômicas implantadas ao longo desse período destacamos o novo 
marco regulador do petróleo com a ampliação da atuação da PETROBRAS, decorrente, 
especialmente, da descoberta do pré-sal durante o 2º mandato de Lula.
Nota-se também um enfraquecimento das agências reguladoras e um fortalecimento 
do protecionismo por meio de políticas de conteúdo nacional.
Tivemos também o controle de preços na área de energia, especialmente da energia 
elétrica e dos combustíveis, com o fito de tentar controlar artificialmente à pressão 
inflacionária já fortalecida na economia.
Nessa época o BNDES foi capitalizado com recursos do Tesouro Nacional para poder 
viabilizar a concessão de empréstimos de longo prazo à iniciativa privada com juros 
subsidiados (a chamada bolsa empresário). Registre-se que os recursos eram captados 
ao customédio de 14% ao ano e repassados por apenas 6,5% ao ano.
Merecem destaque também as isenções tributárias concedidas sem levar em consideração 
apenas estudos técnicos, mas também a pressão exercida por setores influentes na economia.
O Banco Central teve a sua autonomia relativizada na prática, uma vez que foi 
influenciado pelo governo que diz respeito ao câmbio, que passou de flutuante para de 
flutuação suja. Também na política monetária houve forte influência quanto à definição 
da taxa básica de juros (Taxa SELIC).
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Nessa época também ganhou intensidade a chamada “contabilidade criativa”.
Em termos de crescimento econômico, tivemos forte desaceleração com início da 
recessão no segundo trimestre de 2014 e a inflação ficou acima da meta durante todo o 
1º mandato da Presidenta Dilma, embora dentro do teto da meta e obtido via controle de 
preços especialmente energia e combustíveis.
Na área fiscal (receitas e despesas) passamos a ter deficit nominal crescente e redução 
progressiva do superavit primário até chegarmos ao deficit primário de 2014.
Nessa toada, a dívida pública aumentou, ainda mais com as emissões de títulos pelo 
Tesouro Nacional para capitalizar o BNDES no valor de aproximadamente R$ 450 bilhões).
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As importações cresceram nesse período e saldo da Balança Comercial se tornou negativo. 
Veja no gráfico abaixo a evolução da balança comercial de Itamar Franco a Dilma:
Com a crise de 2014, considerada a pior crise de nossa história gerada internamente, 
e da qual ainda não conseguimos sair, nossa realidade piorou muito. Pode-se dizer que 
essa crise corroeu os avanços obtidos.
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Dessa vez, é uma crise interna, decorrente, em especial, de um enorme deficit público. 
O governo erroneamente focava em baixar juros à força, incentivar o consumo e beneficiar 
setores econômicos seletivamente, aliado a isso, a baixa forçada nos preços dos combustíveis 
e da energia elétrica gerou inflação elevada posteriormente.
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Veja na tabela a seguir o comportamento da inflação anual desde que foi implantado 
o regime de metas de inflação em 1999 até o ano de 2013:
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Agora veja a média anual da inflação medida pelo IPCA nos Governos FHC, Lula e no 1º 
mandato de Dilma:
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Veja agora a evolução da Taxa SELIC de 1986 até 2014:
8.2. DILMA – SEGUNDO MANDATO (2015 – 2016)8.2. DILMA – SEGUNDO MANDATO (2015 – 2016)
Vendo que os estímulos concedidos não surtiram o efeito esperado, o Governo Dilma 
já com a presença de Joaquim Levy como Ministro da Fazenda, entendeu ser necessário 
suprimir os estímulos fiscais ainda em vigor e reduzir os gastos do Governo, em linha com 
a política anticíclica praticada até então.
As medidas econômicas tomadas pelo Governo Dilma em seu primeiro mandato 
provocaram grandes danos à economia do país, levando o país a um quadro de recessão 
técnica, nos anos de 2015 e 2016, caracterizado quando a economia apresenta pelo menos 
dois trimestres consecutivos de crescimento negativo do PIB.
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Nesse período o Brasil perdeu o Grau de Investimento, uma recomendação para 
investir no país das três maiores agências de classificação de risco do mundo (Fitch, S 
e P e Moodys).
Resumo da ópera: em decorrência da crise política instalada no Brasil, alimentada 
também pelas questões econômicas (recessão, desemprego, desvalorização cambial), 
tivemos o 2º processo de afastamento de um Presidente da República desde a promulgação 
da Constituição Federal de 1988.
9. GOVERNO MICHEL TEMER (2016 – 2018)9. GOVERNO MICHEL TEMER (2016 – 2018)
O Governo Temer começou em meio a uma grave crise política e econômica, tendo 
sido apresentado um documento denominado “Uma ponte para o Futuro”, elaborado pela 
Fundação Ulisses Guimarães, que estabeleceu as diretrizes básicas da sua política econômica.
Na área econômica destacam-se medias como o controle dos gastos públicos via 
estabelecimento do “teto de gastos” para a União, a reforma trabalhista e lei relativa 
para atividades-fim e elaboração da proposta inicial para nova reforma previdenciária 
no Brasil que, no entanto, não seguiu adiante.
Durante a sua gestão tivemos uma significativa redução na taxa SELIC que passou 
de 14,25% para 6,50% ao ano.
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Nesse período, a inflação caiu de 9,32% para 2,76% ao ano.
A taxa de desemprego subiu de 11,2% para 13,1%.
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Em relação ao mercado financeiro, durante o seu governo tivemos alta do dólar, que 
passou de R$ 3,47 para R$ 3,60 e significativa elevação do índice Bovespa, que representa 
uma carteira representativa das ações das empresas, subiu de 48.471 pontos para 85.190(2003 – 2006)
	7.2. Lula – Segundo Mandato (2007 – 2010)
	8. Governos Dilma
	8.1. Dilma – Primeiro Mandato (2011 – 2014)
	8.2. Dilma – Segundo Mandato (2015 – 2016)
	9. Governo Michel Temer (2016 – 2018)
	10. Governo Bolsonaro (2019-2022)Coleção PDF Sintético era o material que faltava para a sua aprovação!
Professor Aragonê Fernandes
APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR
Para você me conhecer melhor, sou Administrador de Empresas com especialização em 
Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e 
Professor desde 2014 nas disciplinas AFO – Administração Financeira e Orçamentária, Direito 
Financeiro, Finanças e Economia, além de ter sido Auditor de Finanças e Controle da CGU.
Como concurseiro fiz meu primeiro concurso e fui aprovado em 1998 para Auditor 
da Receita Federal. Trabalhei por dois anos, pedi exoneração e fui trabalhar na iniciativa 
 
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privada. Seis anos depois, voltei a estudar para concursos públicos, tive algumas reprovações 
até ser aprovado na CGU em 2008. Ainda na CGU, continuei os estudos até ser aprovado 
novamente como Auditor da Receita Federal em 2010, onde me encontro até hoje, super 
realizado profissionalmente.
Assim, venho aprimorando nossos PDFs ao longo desses anos e este material procura 
sintetizar toda essa experiência adquirida como concurseiro e como professor.
Espero que goste e que seja decisivo em sua aprovação.
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ECONOMIA BRASILEIRAECONOMIA BRASILEIRA
Apresentamos uma breve síntese acerca da formação econômica do nosso Brasil. 
Focamos nossa análise em aspectos econômicos como qual a atividade econômica principal 
de cada época e seus reflexos na população (se urbana ou rural, se crescente ou estável 
etc.), na Balança Comercial, no endividamento público e na distribuição de renda.
Antes de adentrarmos no estudo da economia brasileira saiba que um Plano econômico 
serve para resolver um problema existente na economia. Com base em um diagnóstico, 
elabora-se um modelo sistemático para que sejam implantadas uma ou mais ações suficientes 
para solucionar o problema econômico identificado.
De acordo com o tipo de ferramenta, uma medida econômica pode ser ortodoxa 
ou heterodoxa.
Uma medida econômica ortodoxa está relacionada às teorias econômicas 
predominantemente ensinadas nas universidades. Tecnicamente falando, combina os 
métodos neoclássicos com a abordagem keynesiana da macroeconomia, à abordagem das 
expectativas racionais e à síntese neoclássica.
Basicamente, uma medida econômica ortodoxa utiliza uma outra variável econômica 
para resolver o problema de outra variável econômica.
A expressão choque heterodoxo é utilizada para se referir a utilização de uma variável 
não econômica, como, por exemplo, uma lei, para resolver um problema econômico.
Existem ainda planos econômicos híbridos ou mistos, ou seja, aqueles que combinam 
medidas econômicas ortodoxas e heterodoxas, como foi o caso do Plano Real.
1 . SÉCULO XIX1 . SÉCULO XIX
A economia colonial, desde o descobrimento em 1500, permaneceu ligada a economia 
portuguesa até a nossa independência em 1822.
A industrialização brasileira foi atrasada/atrapalhada pela falta capital suficiente para 
investir no setor e pelo baixo nível cultural da população, sem os quais não podia haver 
avanço e inovação da indústria. Além disso, a economia portuguesa estava submissa a 
economia espanhola, cujo foco era colonialista e mercantilista, fazendo com que a colônia 
focasse somente no minério de metais preciosos.
Chegamos ao século XIX com o desembarque da Corte Portuguesa no Brasil em 1808 
e a consequente mudança para a cidade do Rio de Janeiro como a capital política e 
econômica de todo o Império português, seguida pela independência.
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Na economia, as transformações também foram relevantes. Ressalte-se que a chegada 
da família real ao Brasil mudou fundamentalmente o cenário, ao reforçar as relações 
comerciais e sociais, além de liberar o território da situação extrema de colônia.
Tivemos a abertura dos portos e cessão do controle econômico efetivo do país à 
Inglaterra, mesmo depois de conquistada a independência.
As potências europeias ainda levavam vantagens esmagadoras nos acordos comerciais, mas com 
a aprovação da Tarifa Alves Branco, buscou-se eliminar as vantagens tarifárias conquistadas 
por muitas nações estrangeiras através de tratados assinados equivocadamente.
O Banco do Brasil, primeira instituição financeira implantada no Brasil, foi constituída 
com a vinda da família real ao Brasil em 1808 e seu principal acionista era o governo. 
Sua função era de banco de depósitos, desconto e emissão, com objetivo de financiar a 
monarquia.
Tivemos o incentivo à fabricação de vidro e pólvora, às indústrias manufatureiras com 
isenção de direitos alfandegários às matérias-primas, o fomento as atividades mineradoras, 
a fabricação de fios e tecidos de algodão, seda e lã, a isenção de penhora de equipamentos 
mineradores, a abertura de estradas e isenção de impostos para novas lavouras, as 
construções navais, exploração de barcos a vapor e navegação fluvial, a admissão de 
colonos estrangeiros com acesso à terra e o incentivo a irrigação de áreas secas.
O domínio econômico inglês prosseguia, mas agora o Brasil começava a se organizar 
melhor no campo econômico.
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CICLO DO CAFÉ
Na segunda metade do século XIX, o café passou a ser o principal produto do país, chegando 
quase a preencher toda a pauta de exportação, atrasando ainda mais a industrialização do Brasil.
O Ciclo do Café durou por mais de 100 anos, entre os anos de 1800 e 1930, sendo 
a cafeicultura a principal atividade econômica do Brasil e o produto fundamental de 
exportação brasileira. Os grandes mercados consumidores eram como os Estados Unidos 
e a Europa, sendo as suas compras essenciais para a economia brasileira.
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No começo do século XX, toda a economia do ciclo do café se concentrava no Vale do 
Paraíba, região localizada entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Essa área tinha 
boas condições climáticas para o plantio do café, além de um solo bastante propício. A 
região Sudeste, como principal produtora de café, passou a categoria de principal centro 
econômico e político do Brasil.
A partir dessa concentração no cultivo do café, as plantações foram expandindo no 
decorrer do tempoe atingiram o interior dos estados de São Paulo e Paraná, tão conhecidos 
por causa das “terras roxas” que possuíam.
No decorrer de quase todo o período do ciclo do café, as fazendas de monocultura 
que utilizada a mão de obra escrava, predominaram. Essa foi umas das particularidades 
mais relevantes, apresentada durante as primeiras etapas da produção de café no Brasil.
Saliente-se que os lucros obtidos durante o ciclo do café também ajudaram no desenvolvimento 
industrial e urbano da região Sudeste, com destaque para a construção de algumas ferrovias, 
com objetivo de promover o escoamento dos grãos de café para o porto de Santos.
Diferentemente dos outros ciclos econômicos do Brasil, o ciclo do café passou por uma 
séria carência de mão de obra, tentando-se uma parceria com colonos imigrantes que 
inicialmente não foi relevante.
Apenas, a partir do ano de 1870, com a chegada dos imigrantes europeus em terras 
brasileiras, que acordaram em trabalhar em condição de assalariados, houve um incremento 
dessa parceria e o problema da escassez de mão de obra foi se resolvendo.
Essa a imigração foi financiada pelo poder público e o auge da imigração ocorreu quando 
milhares de imigrantes passaram a chegar todos os anos no Brasil. Entretanto, a escravidão 
não foi abolida, em grande parte do ciclo do café, já que a mão de obra escrava continuou 
presente nas plantações até o ano de 1888 (Lei Áurea).
CRISE MONETÁRIO-FINANCEIRA: ENCILHAMENTO (1889/1891)
Crise econômica que ocorreu no Brasil, sendo caracteriza por uma forte inflação e pela 
formação de uma bolha de crédito que estourou durante a República da Espada (1889-
1894), desencadeando, assim, uma crise financeira e institucional no Brasil entre o fim 
da Monarquia e o início da República.
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Essa crise econômica ficou conhecida como Encilhamento, expressão extraída do 
vocabulário utilizado em hipódromos, e que designava o clima de confusão, desordem e 
jogatina que reinava nos locais das corridas onde os jóqueis encilhavam seus cavalos. A 
palavra Encilhamento passou a designar tanto a política econômica como a crise financeira 
do período.
Nessa época, a riqueza do Brasil dependia das atividades rurais e 80% da produção 
agrícola tinha por destino a exportação, gerando recursos em moedas estrangeiras, 
necessários para o consumo e formação de capital nacional, além de auxiliar no pagamento 
da dívida externa e no financiamento do próprio governo. Entretanto, com o advento da 
abolição do trabalho escravo, os fazendeiros passaram a precisar de recursos para pagar 
seus trabalhadores agrícolas e as hipotecas (antes garantidas por seus escravos).
Pressionada pelos fazendeiros e vendo a monarquia em perigo, o Império promoveu 
uma reforma do sistema bancário, por meio do Decreto n. 3.403/1888, visando assegurar 
maior liquidez ao mercado.
Na prática, os bancos recebiam dinheiro do Tesouro sem juros e com prazos que variavam 
de sete a vinte e dois anos. De posse desses recursos, os bancos tinham que emprestar aos 
fazendeiros o dobro do empréstimo recebido do Governo, com prazo de vencimento de um 
a quinze anos, com juros de 6% ao ano.
Esses empréstimos “de pai para filho” que os bancos receberam do Governo, que eram 
chamados de “auxílios à lavoura”, atraiu investidores para o setor bancário, pois fundar um 
banco era o grande negócio daquele momento.
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O governo imperial ao promover essa medida objetivava a formação de um sistema 
bancário forte, mas, na verdade, acabou gerando uma severa crise econômica, com 
reflexos na República nascente.
Com a queda do Império, em 1889, banqueiros e comerciantes, diante da instabilidade 
política, fizeram grandes remessas de ouro para o exterior.
Nessa época, Rui Barbosa, Ministro da Fazenda republicano, encontrou a economia 
nacional vivenciando um crescimento extraordinário do capital das companhias. Assim, 
Rui Barbosa entendeu que era hora de realizar uma expansão monetária relevante para 
atender as necessidades crescentes dos novos negócios.
O plano econômico de Rui Barbosa, primeiro plano econômico da república, conservava 
a essência da Lei Bancária de 1888, ou seja, mantinha os empréstimos à lavoura e 
autorizava a utilização de títulos públicos como cobertura para a emissão.
O Brasil foi dividido em três regiões bancárias (Norte, Centro e Sul) autorizadas a emitir 
dinheiro mediante a garantia de apólices da dívida pública. O governo depois admitiu que 
outros estabelecimentos fossem também credenciados a emitir dinheiro. Com isso houve 
um aumento exponencial na quantidade de papel-moeda, que passou a ser emitido num 
volume bem acima das necessidades econômicas da sociedade.
Com dinheiro abundante na praça surgiram em pouco tempo centenas de novas 
sociedades comerciais, cujas ações eram vendidas na Bolsa sem qualquer garantia real, a 
não ser a esperança de que servissem de lastro para um futuro empreendimento industrial. 
A gestão de Rui, com sua política monetária expansionista é comumente apontada como 
responsável pelos descalabros financeiros do período.
No segundo semestre de 1891, em meio a uma forte crise monetária, Rui Barbosa 
foi substituído pelo barão de Lucena, que tentou salvar o governo fazendo crescer as 
atividades econômicas e encorajando os bancos emissores a ampliarem o crédito. A crise 
acabou derrubando não apenas o ministro, mas o próprio presidente, Deodoro da Fonseca, 
substituído pelo vice, Floriano Peixoto.
Resumo da ópera: como não havia um banco central ou outro órgão de supervisão 
bancária para regulamentar essas operações, a ideia de moeda crédito transformou-se 
em sinônimo de anarquia.
METALISTAS X PAPELISTAS
No Brasil da 2ª metade do século XIX, existia um embate entre “metalistas” e “papelistas” 
sobre o padrão monetário a ser adotado. Enquanto os metalistas propunham o Padrão-
Ouro, os papelistas propunham o Fiduciário.
O debate entre papelistas e metalistas tinha como foco a conversibilidade da moeda, 
fundamental para uma economia agroexportadora. Remetia, por conseguinte, às políticas 
monetária e cambial, bem como à relação entre ambas.
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De um lado, os metalistas defendiam o padrão-ouro e a conversibilidade da moeda; 
para tanto, encontravam respaldo na teoria econômica convencional e na política do país 
hegemônico, a Grã-Bretanha.
Para os metalistas, a prioridade da política econômica era a estabilidade e a política 
cambial, e por conseguinte, a definição da taxa de câmbio tornava-se variável prioritária. 
Defensores do padrão ouro, estabeleciam a relação entre política monetária e balanço de 
pagamentos, com os metais preciosos ingressando naturalmente no país se a economia 
fosse saudável, e que qualquer oferta de moeda sem lastro causaria inflação
Os papelistas, por seu turno, recorriam à razão prática, a experiência (e não uma 
teoriacomo a tese abarcada pelos metalistas), que demonstrava qual o melhor caminho 
a seguir. Devia-se isso em parte às dificuldades de manter o padrão-ouro e à plena 
conversibilidade no país.
A preocupação maior dos papelistas era com o nível de atividade econômica. A ideia-
chave era tentar definir qual o nível de oferta monetária mais condizente com o ânimo 
dos negócios. Um dos seus fundamentos era o “requisito da elasticidade”, ou seja, a oferta 
de moeda deveria ser flexível ou elástica a ponto de não interferir negativamente nas 
atividades produtivas.
Contextualizando, com uma economia fundamentalmente agroexportadora, existiam 
três entraves ao crescimento econômico: dependência externa; sistema financeiro 
embrionário e o crônico desequilíbrio das contas públicas.
O debate acerca do padrão monetário acabou se misturando as divergências entre 
prognósticos de Política Monetária para equacionar esses entraves ao crescimento econômico 
sustentável.
Na prática, quando o ministro da Fazenda era um papelista, a Política Monetária era 
expansionista e criticada pelos metalistas por comprometer o crescimento ao propagar 
inflação e desvalorizar a moeda.
Em contraste, quando o ministro da Fazenda era um metalista, a Política Monetária era 
restritiva, sendo criticada pelos papelistas por limitar o crescimento devido à restrição de 
liquidez que provocava.
Cada lado defendendo sua visão, com diagnósticos polêmicos e parciais, de ambas 
as partes.
Enquanto de um lado os papelistas fixavam-se no mercado bancário (atender demandas 
por crédito), adotavam Política Monetária expansionista, desconsiderando a inflação que 
excesso de liquidez pode gerar, e seu efeito sobre a taxa de câmbio e atividade econômica, 
de outro, os metalistas, fixando-se no equilíbrio externo (evitar a depreciação da moeda), 
adotavam Política Monetária restritiva, desconsiderando a incipiente intermediação bancária 
e o desequilíbrio crônico das contas públicas que inviabilizavam o Padrão-Ouro.
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Importante atentar que, naquela época, a definição e estabilização do padrão monetário 
era fundamental para a consolidação do Brasil como um país soberano.
Resumo da ópera: esse embate entre metalistas e papelistas, acabou gerando 
instabilidade monetária e nenhum crescimento econômico sustentável dada a parcialidade 
e, consequente, falha de seus diagnósticos.
O CONVÊNIO DE TAUBATÉ (1906)
O Convênio de Taubaté foi uma reunião dos estados produtores de café para encontrar 
uma solução à queda do preço do produto.
Por meio desse acordo, os órgãos do Estado ficariam responsáveis pela compra do café 
a um preço mínimo, garantindo a renda dos cafeicultores.
Para proteger os interesses dos cafeicultores, tornava-se necessário manter baixo o 
valor da moeda nacional. Assim, mesmo que o preço do café no exterior estivesse baixo, 
quando convertido em moeda brasileira dava bons lucros aos fazendeiros. A desvalorização 
da moeda nacional encarecia os produtos importados.
Em contrapartida, a exportação de tipos inferiores de café devia ser desencorajada, 
a propaganda no exterior do nosso café devia melhoras, o consumo interno devia ser 
estimulado e a expansão das lavouras e a exportação do café devia ser controlada.
2 . SÉCULO XX2 . SÉCULO XX
2 .1 . CRESCIMENTO DA ATIVIDADE ECONÔMICA2 .1 . CRESCIMENTO DA ATIVIDADE ECONÔMICA
No século XX, o PIB per capita brasileiro cresceu a uma média de 2,5% ao ano.
Nas duas primeiras décadas do século XX, quando o café ainda era a atividade 
econômica predominante, o PIB per capita permaneceu estagnado, mas entre 1920 e 
1980, com a urbanização e a industrialização crescentes, o PIB per capita crescia tanto, 
que quase dobrava a cada 20 anos.
Entretanto, já nos anos 1980 e 1990, a economia estagnou novamente. Guarde que a crise 
ocorrida entre 1981 e 1984 foi muito forte, chegando a termos queda de 12% do PIB per capita
Resumo da ópera: ao longo do século XX o PIB real ampliou-se 100 vezes e a população 
pouco menos de 10 vezes.
2 .2 . INFLAÇÃO2 .2 . INFLAÇÃO
Basicamente, esse século é resumido com a elevação aumentada a partir da década de 
1930, com tendência exponencial de crescimento, só revertida com o Plano Real, em 1995.
Falando em termos numéricos, a taxa inflacionária média por ano foi de 6% nos anos 
1930 para 330% nos anos 80 e para incríveis 764% de 1990 a 1995, só caindo, após o Plano 
Real, quando foi para 8,6% de 1995 a 2000.
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2 .3 . POUPANÇA E INVESTIMENTO2 .3 . POUPANÇA E INVESTIMENTO
Na “fase de substituição de importações”, quando as taxas de investimento cresceram 
bastante, saindo de níveis abaixo de 10% do PIB (1930) para 25% no final da década de 
1970, época do chamado “milagre econômico”.
Nesse período o governo usou de forma muito intensa, alguns instrumentos cambiais, 
comerciais e de controle burocrático, visando a proteger a indústria nacional.
No tocante a nossa taxa de poupança doméstica, na fase de substituição de importações, 
recuperou-se, com estabilização num patamar em torno de 15% do PIB, mantendo-se assim 
até começo da década de 1950, e, passando por um crescimento forte para o patamar de 
19% do PIB com o milagre econômico na década de 70.
Temos que destacar a urbanização, que elevou a demanda por investimentos nas áreas 
habitacional e de infraestrutura, aliada transição demográfica a partir dos anos 1980, 
com o envelhecimento da população e respectivo incremento dos gastos com previdência 
social, que acabaram por afetar a poupança interna.
No final do século XX, especificamente nos anos 1980 e 1990, tendência declinante 
com a redução do nível de poupança de 27% do PIB no final dos anos 80 para 14% do PIB 
em 1999, o mesmo acontecendo com a taxa de investimentos.
2 .4 . RECEITAS E DESPESAS PÚBLICAS2 .4 . RECEITAS E DESPESAS PÚBLICAS
As despesas primárias do governo mais que triplicaram no século, passando de 10% 
do PIB em 1900 para 36% do PIB em 1999.
A carga tributária também subiu nessa proporção.
Destacam-se aí os aumentos significativos das despesas com a previdência social e dos 
estados e municípios, que corresponderam aos avanços do estado do bem-estar social por 
um lado, e do federalismo, por outro.
Do lado da Receita, para contrabalancear e financiar o crescimento das suas despesas, 
o governo brasileiro realizou, durante o século XX, diversas reformas tributárias (em 
1934, 1946, 1967 e 1988), com crescente evolução da arrecadação com a tendência de 
substituição dos tributos indiretos pelos diretos.
Até 1920, a tributação era praticamente exclusiva via Imposto de Importação, que 
representava 80% da arrecadação e 11% do PIB. Depois, até o final da década de 1950, a 
carga tributária já passa para 19% do PIB, ganhando relevância os tributos internos e diretos, 
especialmente com a criação de impostos sobre o consumo e a renda, que passaram a ser 
as suas principais fontes, cabendo ao imposto de importação o papel de instrumento 
de política comercial.
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O Imposto de Importação, que foi, no início do século, a principal fonte de arrecadação, 
chegando a corresponder, em 1908, a 80% da arrecadação e a 7% do PIB, perde importância, 
enquanto o IPI e o IR, criados em 1924, crescem vigorosamente. O Imposto de Importação 
termina o século representando menos de 1% da arrecadação nacional.
Merece destaque a reforma tributária de 1967 quando foi introduzido o Imposto 
sobre o Valor Adicionado (ICM – Imposto sobre Circulação de Mercadorias), sendo também 
melhorada a gestão da arrecadação.
Falando ainda em reforma tributária, a de 1988 consagrou o aumento da participação dos 
estados e municípios na arrecadação dos impostos de renda e sobre produtos industrializados, 
com o governo federal focando na arrecadação de contribuições sociais indiretas, não 
compartilhadas com estados e municípios, como PIS, COFINS e CSLL.
2 .5 . SISTEMA FINANCEIRO2 .5 . SISTEMA FINANCEIRO
O nosso sistema financeiro se desenvolveu muito após as reformas de 1964/65, sendo 
considerado um dos mais sólidos entre aqueles pertencentes a países em desenvolvimento.
Entretanto, o crédito não se expandiu de modo a acompanhar a evolução do PIB e a 
sua versão de longo prazo não foi suficiente para o financiamento da formação de capital 
necessária para acompanhar o crescimento do PIB.
2.6. SETOR EXTERNO2.6. SETOR EXTERNO
A fraca expansão da receita com as exportações do Brasil decorreu da baixa evolução 
do volume de mercadorias exportadas, em virtude da baixa capacidade produtiva e dos 
gargalos de infraestrutura e de investimentos do setor.
Outro aspecto econômico destacável no século passado é migração do “país Rural” para 
um “país industrial”. Efeito da industrialização, principalmente.
Nesse contexto, que o Capitalismo tem suas crises!
O Brasil, predominantemente importador de capitais ao longo da sua história, foi 
vítima de algumas crises cambiais como as de 1930, 1980 e 1990, gerando queda em 
suas exportações.
A desconfiança de investidores internacionais em nossa capacidade produtiva, e não 
apenas em fatores externos, foi fundamental para os efeitos dessas crises em nossa 
dependente economia.
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2 .7 . MUDANÇAS ESTRUTURAIS2 .7 . MUDANÇAS ESTRUTURAIS
No que diz respeito à evolução dos diferentes setores do PIB brasileiro, vemos que é 
notória a queda da participação da Agricultura, que passa de 45% do PIB no começo 
do século, para cerca de 10% ao seu final, com a população migrando do campo para 
as cidades.
Inicialmente, essa redução do peso da Agricultura na economia foi compensada pela 
correspondente expansão da Indústria, que sobe de 12% do PIB em 1901 chegando nos 
anos 1970 a 34% do PIB nacional.
Em relação à evolução do setor de Serviços, verificamos que foram obtidos ganhos de 
participação crescentes, refletindo uma tendência já comprovada e inerente ao nível de 
desenvolvimento dos países. O setor de serviços aumenta a sua participação de 44% do 
PIB no início do século XX, para 61% ao seu final.
Merece destaque a década de 1940, que foi uma das mais fortes em termos de mudanças 
estruturais da nossa economia. As décadas em que foram menores as mudanças estruturais 
foram a primeira e a última do século.
Foram as mudanças estruturais na economia que beneficiaram o crescimento das 
atividades industriais em detrimento da agricultura, assim como o ganho de importância 
das indústrias extrativistas minerais, a indústria da construção civil e os serviços 
financeiros e de comunicação.
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3. PERÍODO PÓS-CRISE DE 1929 ATÉ O FIM DA SEGUNDA 3. PERÍODO PÓS-CRISE DE 1929 ATÉ O FIM DA SEGUNDA 
GUERRAGUERRA
Analisando especificamente o nosso setor industrial, merece destaque o fato de que 
nossa economia, no início dos anos 1900, embora ainda fosse baseada nas exportações da 
dupla café e borracha, já começava a gestar um processo de industrialização.
Com a crise de 1929, a indústria ganhou força face ao estímulo do mercado interno, 
impedido de importar em função da crise.
A grande depressão de 1929 e a retração mundial da demanda, especialmente da 
economia americana, trouxe sérios problemas para a economia brasileira, já que a nossa 
crescente produção de café perdeu mercado. Assim, com aumento de oferta e queda na 
demanda por café (nosso principal produto) o Brasil sentiu demais.
Em termos políticos também tivemos mudanças significativas nesse período, com a 
transição da República Café com Leite para o primeiro governo de Getúlio Vargas, que 
focou em dinamizar a economia interna com uma política de manutenção da renda. 
Tentando preservar o preço do café, ideia era comprar, estocar e depois queimar o café!
Queimar o café?
É, Vargas entendeu que, enquanto não conseguia migrar o centro dinâmico da economia 
do café para outra atividade, precisaria manter a renda nacional, assegurando assim, embora 
artificialmente, a demanda por café.
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Ora, como o mercado interno não consumir tanto café, o governo comprava o excedente, 
estocava e depois queimava!
Claro que ao estocar, a ideia inicial do governo não era queimar, mas aguardar a recuperação 
da demanda mundial e até lucrar com essa operação, já que estava comprando a um preço 
baixo e esperava efetuar a revenda para o exterior com preço melhor.
Mas a recuperação da economia mundial demorou mais que o esperado, e tanto a 
demanda quanto o preço do café continuaram tão baixos que a solução encontrada foi 
queimar as sobras. Note que se o governo optasse por doar em vez de queimar o café, o 
preço cairia ainda mais, aumentando seus prejuízos.
Diante de tamanha crise econômica mundial, Vargas concluiu que nossa economia 
não podia mais ser tão dependente de um único produto voltado para a exportação.
Assim, Vargas decidiu mudar o eixo dinâmico da economia brasileira. Aliado a essa decisão 
e às dificuldades com a exportação de café, o Brasil ficou praticamente impossibilitado de 
importar, já que com o câmbio desvalorizado o poder de compra das famílias brasileiras 
para adquirir bens duráveis importados também foi significativamente reduzido.
Nessa época nosso balanço de pagamentos foi afetado fortemente pela diminuição 
das exportações, deixando de ser superavitário para ser deficitário.
Para tentar estimular as exportações “na tora”, nossa moeda foi desvalorizada para tentar 
elevar artificialmente as exportações, e essa desvalorização, encareceu as importações.
A soluçãopara esse “estrangulamento externo” era substituir os produtos industrializados 
importados por produtos industrializados nacionais. Assim surgiu o PSI – Programa de 
Industrialização por Substituição de Importações, voltado especificamente para a produção 
nos itens listados na pauta de importações, ou seja, foi um programa de industrialização 
fechada, voltado especificamente para atender à demanda doméstica.
Esse embrionário PSI, que se prolongou até o Regime Militar, necessitou de medidas 
protecionistas por parte do governo, como o controle das importações.
O governo desempenhou papel fundamental nesse processo também no que diz respeito 
à adequação do arcabouço institucional, à geração de infraestrutura básica, ao fornecimento 
de insumos básicos e a captação e fornecimento de poupança. Note, portanto, que o 
governo foi o fornecedor de recursos para a industrialização, usando para isso o aumento 
do endividamento externo e a emissão de moeda.
Induzido pelo Estado, o PSI ocorreu em rodadas ou etapas, sendo a pauta de importações 
quem ditava que ramo industrial seria instalado primeiro.
Assim, em uma primeira etapa tivemos bens de consumo não duráveis, como calçados, 
alimentos e produtos têxteis.
Em seguida, tivemos bens de consumo duráveis como automóveis e eletrodomésticos.
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Depois bens intermediários como ferro, aço, produtos químicos, petróleo e cimento.
Numa quarta etapa tivemos os bens de capital, ou seja, máquinas e equipamentos.
A partir da década de 1930 é que foram cridas no país as condições para a acumulação 
capitalista, evidenciado não só pela redefinição do papel estatal quanto a interferência 
na economia, criando as condições para a industrialização, além da implantação de 
indústrias voltadas para a produção de máquinas, equipamentos etc.
Em termos de Política Econômica, nota-se que o foco do PSI NÃO foi a criação de 
empregos e distribuição de renda, já que o foco foi o desenvolvimento de setores de 
produção que economizam mão de obra, por meio da implantação de indústrias voltadas 
para a produção de máquinas e equipamentos, que são intensivas de capital e não de mão de 
obra. Na verdade, os beneficiados foram os industriais que receberam os recursos fornecidos 
pelo Estado, montando indústrias protegidas que não eram submetidas à competição e 
que tinham altas margens de lucros, concentrando ainda mais a renda.
Foi criada a CEPAL – Comissão Econômica Para a América Latina que cujo pensamento 
econômico na época era de que a evolução industrial e algumas reformas sociais reduziriam 
o subdesenvolvimento, sendo que fundamental o aprofundamento da industrialização 
para reverter o quadro de pobreza da população.
Na verdade, nosso país conseguiu um maior grau de industrialização, mas o 
subdesenvolvimento permaneceu, em função da acumulação das riquezas nas mãos 
de poucos.
Durante a segunda guerra, o Brasil iniciou a diversificação das exportações para os 
países da América Latina, antes direcionadas para Estados Unidos e Alemanha.
A economia cresceu tanto na época da segunda guerra que, com o crescimento das 
reservas cambiais, o governo pode equacionar o problema da dívida externa, que tinha 
levado o país a decretar a moratória em 1937.
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É importante pontuar que a chamada “Era Vargas” (1930-1945) o presidente governou 
o Brasil em três momentos distintos, “Governo Provisório” (1930-1934), “Governo 
Constitucional” (1934-1937) e “Estado Novo” (1937-1945).
Importante destacar que 2ª guerra mundial gerou alguns impactos significativos no 
brasileiro comum daquela época. Tivemos uma recessão de consumo, principalmente de 
produtos essenciais, como pão e leite, mas esse conflito também teve aspectos positivos 
para a economia brasileira.
Com a 2ª guerra mundial em andamento, Getúlio Vargas obteve um rentável acordo 
com os Estados Unidos, que consistia no fornecimento de matéria-prima, sobretudo 
borracha, além de fornecer as bases aéreas do litoral do Nordeste para uso do exército 
americano. Em troca, os Estados Unidos forneceram equipamentos militares e financiaram a 
construção da primeira siderúrgica do país na cidade de Volta Redonda, a CSN – Companhia 
Siderúrgica Nacional.
A excepcionalidade da guerra impedia as divisas de serem gastas em importações, e 
a forma como se conduzia a esterilização de excedentes do comércio exterior seria então 
uma das raízes do processo inflacionário.
Entre 1942 e 1945, o crescimento médio da economia ficou em 6,4% e o da indústria 
em 9,9%, tendo a proporção entre gasto público e PIB se reduzido em 8%.
4. PERÍODO PRÉ-1964 E GOVERNOS MILITARES4. PERÍODO PRÉ-1964 E GOVERNOS MILITARES
Os Planos de Desenvolvimento são diretrizes para a implementação da política 
econômica destinada a proporcionar o desenvolvimento do país.
É importante não confundir planos de desenvolvimento econômico com planos monetários 
(planos de estabilização da economia)! No Brasil já tivemos planos monetários como o 
Plano Cruzado e o Plano Verão, ligados ao controle da inflação. Mas eles não têm nada a ver 
com os planos de desenvolvimento.
4.1. GOVERNO DUTRA (1946 A 1951) E O PLANO SALTE4.1. GOVERNO DUTRA (1946 A 1951) E O PLANO SALTE
Inicialmente Dutra focou em uma política econômica para reduzir a inflação, que foi 
de 11% ao ano em 1945 e de 22% em 1946.
Tal inflação foi decorrente da expansão de gastos públicos promovida no Governo Vargas, 
e, assim, Dutra aplicou políticas fiscal e monetária restritivas para enfrentá-la.
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No ano de 1947 a inflação foi reduzida para 2,7% ao ano, mas em 1948 subiu para 8% ao 
ano, gerando uma mudança em 1949 na política econômica do Governo Dutra decorrente 
da troca do Ministro da Fazenda.
Saiu a política ortodoxa e contracionista, entrando em ação uma política econômica 
expansionista, com deficits públicos e inflação anual 12,3% e 12,4% em 1949 e 1950, 
respectivamente, mas com o PIB crescendo 7,7% e 6,8% em cada ano respectivo.
No âmbito da política econômica externa, em compatibilidade com o PSI, foram 
usados controles cambiais e de importações, com a oferta de dólares de acordo com 
o grau de essencialidade dos bens a serem importados. Nessa toada, atendidas as 
necessidades governamentais, as importações eram realizadas de acordo com a necessidade 
e essencialidade dos bens.
Ainda em pleno andamento do PSI, o Plano SALTE foi um programa de dispêndio 
público com ênfase em setores em 4 setores, com a iniciais formando SALTE – Saúde, 
Alimentação, Transporte e Energia, que serviu para começar a ordenar o orçamento público, 
coordenar as despesas públicas, provocar uma grande discussão sobre o assunto e atrair 
a atenção da sociedade sobre a necessidade de se obter um projeto de desenvolvimento 
nacional, com a realização de obras estruturais ao desenvolvimento industrial, vez que já 
era reconhecida a incapacidadeda iniciativa privada em financiar projetos dessa magnitude.
4.2. SEGUNDO GOVERNO VARGAS (1951 A 1954)4.2. SEGUNDO GOVERNO VARGAS (1951 A 1954)
O 2º Governo Vargas em termos de política econômica pode ser dividido em duas etapas.
Na primeira fase, tivemos uma política ortodoxa visando corrigir excessos fiscais e 
monetários que acarretaram o aumento da inflação do final do Governo Dutra.
Na segunda fase, dando ênfase à continuidade do processo de substituição de importações 
tivemos um viés desenvolvimentista marcado por obras relevantes e constituição de novas 
empresas estatais, com viés heterodoxo. Tivemos a criação do BNDE – Banco Nacional de 
Desenvolvimento Econômico, Petrobras e Eletrobras.
Entretanto, em função de restrições externas que levaram a sérias dificuldades 
cambiais e ao aumento da inflação, tal plano desenvolvimentista não foi implementado 
como desejado.
Vale destacar que no início do 2º Governo Vargas temos uma perspectiva positiva do 
cenário externo, especialmente com o aumento preço do café gerado pela recuperação 
econômica progressiva da Europa.
Nessa toada, o controle de importações foi flexibilizado e o câmbio continuou fixo e 
sobrevalorizado, visando facilitar as importações de modo que fossem usadas para conter a inflação.
Diante desse quadro, Vargas modificou sua política externa por meio da Instrução 70 
da SUMOC, que era a autoridade monetária naquela época.
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As principais mudanças trazidas pela Instrução 70 da SUMOC foram:
- Restabelecimento do monopólio cambial do Banco do Brasil;
- Extinção do controle quantitativo das importações e a instituição de leilões de câmbio; e
– No que diz respeito às exportações foi feita a substituição das taxas mistas por um 
sistema de bonificações incidentes sobre a taxa oficial.
Na medida que a essencialidade do bem era reduzida, a taxa de câmbio aplicada era 
desvalorizada, desestimulando à importação de bens supérfluos ou considerados menos essenciais.
Resumo da ópera: ao conceder subsídios implícitos nas categorias de taxas de câmbio mais 
baixas, para a importação de bens de capital e insumos adquiridos para o desenvolvimento 
industrial, a Instrução 70 da SUMOC incentivou a substituição de importações, além de 
garantir proteção à indústria nacional, visto que as categorias consideradas supérfluos ou 
não essenciais, normalmente eram produzidas internamente.
4.3. GOVERNO JK (1956 A 1960) E O PLANO DE METAS4.3. GOVERNO JK (1956 A 1960) E O PLANO DE METAS
O Governo do Presidente Juscelino ficou marcado na história pelo Plano de Metas por 
meio do qual o Brasil se modernizaria “50 anos em 5”. Tal plano consistiu em um plano 
econômico composto por um conjunto de investimentos em setores priorizados pelo Estado.
A ideia central do Plano de Metas era a de que era muito útil na condução de um plano de 
desenvolvimento, focar suas energias nos setores mais relevantes, pois estes, ao possuírem 
fortes ligações “para frente e para trás” na cadeia produtiva, irão disseminar o processo 
de desenvolvimento pela economia em vez de dispender esforços e recursos em muitos 
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setores. Um bom exemplo é o setor automotivo, pois a ideia era de ser mais eficiente 
concentrar grande parte dos esforços nele, já que os demais setores iriam se desenvolver 
na esteira dele.
Foi na área do desenvolvimento industrial que JK foi mais bem sucedido. JK estimulou 
a abertura da economia para o capital estrangeiro e conseguiu atrair o investimento de 
grandes empresas, como as grandes montadoras de automóveis como Ford, Volkswagen 
e GM, dentre outras.
Assim, foram instaladas filiais na região sudeste do Brasil, principalmente, nas cidades 
de São Paulo, Rio de Janeiro e ABC, gerando oportunidades de empregos nesses locais, o 
que aumentou o “êxodo rural”, ou seja, a saída do homem do campo para as cidades, com 
a migração de nordestinos e nortistas para as grandes cidades do Sudeste.
Inflação e deficit público com aumento do endividamento público foram as 
principais consequências econômicas indesejáveis trazidas pelo Plano de Metas, além 
da deterioração de suas contas externas, geradas pela queda nas exportações já que 
o foco da economia continuava no PSI.
Resumo da ópera: JK rompeu com o FMI – Fundo Monetário Internacional ao tentar 
reestruturar sua dívida junto ao Eximbank, onde o FMI atuava como garantidor e não 
aceitar uma série de ações impostas pelo FMI para estabilizar o Balanço de Pagamentos, 
como redução do gasto público e modificação da política cambial. Findado o Governo JK, 
já havia forte aceleração inflacionária, da ordem de 50% ao ano e dívida pública tinha 
subido bastante.
4.4. GOVERNOS JÂNIO E JANGO (1961 A 1964) E O PLANO TRIENAL4.4. GOVERNOS JÂNIO E JANGO (1961 A 1964) E O PLANO TRIENAL
O Governo de Jânio Quadros é iniciado no âmbito da desarrumação macroeconômico 
trazida à baila por JK, especialmente os deficits interno e externo e a elevada inflação.
As medidas de política econômica trazidas por Jânio Quadros tinham caráter ortodoxo, 
com foco em forte desvalorização cambial e a unificação do mercado de câmbio por meio 
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da Instrução 204 da Sumoc, na redução do gasto público (política fiscal contracionista), em 
uma política monetária contracionista e na redução dos subsídios concedidos às importações 
de petróleo e trigo.
Destaque-se que a dívida externa brasileira foi reescalonada com a postergação de 
vencimentos que ocorreriam no curto prazo.
Resumo da ópera: o Governo Jânio Quadros durou apenas os 8 primeiros meses de 
1961 com a sua renúncia.
Após uma fase parlamentarista, o governo da Jango – João Goulart é iniciado em 
janeiro de 1963.
O objetivo de aliar crescimento econômico, estabilidade macro e inclusão social 
é elaborado um plano de estabilização, denominado PLANO TRIENAL, que propunha 
medidas fortes para debelar os desequilíbrios fiscais e monetários.
O Plano Trienal sonhava em aliar crescimento econômico, estabilidade macroeconômica 
e inclusão social, com os seguintes objetivos:
1 – Garantir taxa de crescimento do PIB de 7% a.a., próximo à média dos anos anteriores;
2 – Reduzir a taxa de inflação para 25% em 1963, visando alcançar 10% em 1965;
3 – Garantir um crescimento real dos salários à mesma taxa do aumento da produtividade;
4 – Realizar a reforma agrária como solução não só para a crise social como para elevar 
o consumo de diversos ramos industriais; e
5 – Renegociar a dívida externa para diminuir a pressão de seu serviço sobre o balanço 
de pagamentos.
Resumo da ópera: com o fracasso do Plano Trienal, Jango (João Goulart) começou 
a tentar nacionalizar empresas petrolíferas de capital privado e a desapropriar algumas 
regiões para uma suposta reforma agrária, o que causou o ódio da classe média e alta 
brasileiras. Em função dessas ações e de outros aspectos econômicos, tivemos a derrubadado governo de Jango e o início do regime militar.
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4.5. GOVERNO4.5. GOVERNOS MILITARESS MILITARES
Responsável por vinte anos de nossa história (1964 a 1984), o Regime Militar, expressão 
utilizada para fazer referência ao período em que nosso país foi governado por militares não 
eleitos pelo povo, em termos de economia pode ser dividido em dois períodos, embora 
tenhamos tido cinco presidentes nesses vinte anos.
No primeiro período militar, que foi de 1964 a 1973, os principais problemas econômicos 
existentes no final do Governo Jango foram solucionados, com destaque para o PAEG, 
possibilitando o crescimento econômico significativo obtidos entre 1968 e 1973, período 
que ficou conhecido como “milagre econômico brasileiro”. Vale destacar que, em algumas 
questões de prova de concursos, considera-se o período do “milagre econômico como sendo 
entre 1967 e 1973. Nessa fase tivemos os presidentes Castello Branco, Costa e Silva e Médici.
Já no segundo período, que foi de 1974 a 1984, tivemos as bases do colapso econômico 
que o Brasil viveu nos anos 80, período que ficou conhecido como a “década perdida”. 
Nessa fase tivemos os presidentes Geisel e Figueiredo.
4.5.1. GOVERNO CASTELLO BRANCO E O PAEG
Durante o Governo Castello Branco, os dois problemas que prejudicaram o governo 
anterior (financiamento do setor público e balanço de pagamentos) foram solucionados, 
via reforma tributária implementada entre 1964 e 1967, que aumentou e indexou as 
receitas do governo e permitiu a colocação de papéis indexados da dívida pública.
Foi fundamental o apoio dos Estados Unidos ao reescalonamento da dívida externa e 
à reabertura de linhas de crédito internacionais.
O Programa de Ação Econômica do Governo – PAEG foi um plano econômico que tinha como 
objetivos combater a inflação, atrair investimentos externos, reformar o Sistema Financeiro 
Nacional, diminuir as desigualdades regionais e aumentar os investimentos estatais.
O PAEG pode ser caracterizado como um plano misto, com componentes ortodoxos e heterodoxos, 
já que procurou equilibrar crescimento econômico e combate à inflação de modo gradual, 
promovendo reformas econômicas que buscavam corrigir as distorções econômicas herdadas.
Para combater a inflação, a ideia era que ela resultado do excesso de demanda, assim, o 
plano focava em reduzir o consumo no país, tendo sido adotadas medias como a restrição 
ao crédito e a diminuição da emissão de papel-moeda.
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Merecem destaque as três reformas econômicas realizadas na economia brasileira 
nesse período:
1) Reforma Financeira
A ideia era criar um sistema financeiro capaz de financiar despesas e investimentos sem 
precisar emitir moeda para não gerar inflação. Merece destaque a Reforma do Sistema 
Financeiro, quando foi criado o Banco Central e o Banco Nacional de Habitação – BNH.
2) Reforma Tributária
No âmbito tributário, a ideia era aumentar a arrecadação visando a redução do deficit 
público, ao mesmo tempo aumentando a racionalidade e eficiência do sistema tributário 
brasileiro.
3) Reforma do Mercado de Trabalho
No âmbito do mercado de trabalho, a ideia básica era aumentar a produtividade da 
economia. Destaque-se a criação do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço em 
substituição à então vigente estabilidade do trabalhador, flexibilizando o mercado de 
trabalho e a adoção de uma nova política de reajuste salarial focada em frear a inflação. 
Importante registrar que os trabalhadores tiveram, na prática, perdas nesse período, 
que concentrou ainda mais a renda.
Resumo da ópera: o PAEG conseguiu reduzir a inflação e gerar crescimento econômico, 
com melhoria na situação fiscal e nas contas externas, mas seus principais benefícios foram 
gerados para o período futuro conhecido como “milagre econômico”.
4.5.2. GOVERNO COSTA E SILVA, GOVERNO MÉDICI E O PND – PLANO NACIONAL DE 
DESENVOLVIMENTO I
Nos governos Costa e Silva e Médici vivemos o famoso “milagre econômico”, 
especialmente nos anos de 1968 a 1973, com crescimento econômico médio de 11% 
ao ano, inflação em queda e situação das contas externas melhoradas, grande parte 
em decorrência dos benefícios trazidos pelas reformas econômicas herdadas do PAEG de 
Castello Branco, Bulhões e Roberto Campos.
Além dos benefícios trazidos pelo PAEG e pelas reformas de Castello Branco, alguns 
outros fatores também contribuíram para o “milagre”, como, por exemplo, a existência 
de capacidade ociosa na indústria, o crescimento da economia mundial e a mudança 
no diagnóstico da inflação que passou a ser definida como inflação de custos com as 
consequentes mudanças nas políticas fiscal, monetária e cambial.
Apesar de todos esses aspectos favoráveis, o período do “milagre econômico brasileiro” 
também trouxe alguns problemas que seriam transferidos para os governos seguintes, 
como, por exemplo o aumento do endividamento externo e a concentração ainda 
maior da renda.
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Durante a década de 1970 tivemos o PND – Plano Nacional de Desenvolvimento I e 
o PND – Plano Nacional de Desenvolvimento II, nos períodos respectivamente de 1972 
a 1974 e de 1975 a 1979.
O PND I tinha como base o Programa de Metas e Bases para a Ação do Governo 
apresentado em 1970, durante o governo Médici. O objetivo do PND I era desenvolver 
o Brasil, e a sua meta era duplicar a renda per capita do país até 1980 e aumentar o PIB a 
uma taxa de crescimento anual entre 8% e 10%.
O PND I queria colocar o Brasil entre as nações desenvolvidas no espaço de uma geração 
e elevar a taxa de expansão do emprego até 3,2% em 1974, com redução da taxa de inflação 
e a adoção de uma política econômica internacional que acelerasse o desenvolvimento sem 
prejuízo do controle da inflação.
Para fortalecer a estrutura empresarial, o I PND criou o Programa de Promoção de 
Grandes Empreendimentos Nacionais e convocou o empresariado brasileiro a participar 
de setores estratégicos do desenvolvimento.
Nessa toada, o PND I era lastreado em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento 
Econômico – BNDE e, por meio do Programa de Promoção de Grandes Empreendimentos 
Nacionais, estimulou o empresariado brasileiro a atuar em setores estratégicos para o 
desenvolvimento do Brasil. O I PND também usou recursos da Caixa Econômica Federal, 
do Banco do Brasil e de outros órgãos financeiros da União.
Resumo da ópera: a principal inovação do I PND, quando comparado ao Programa de 
Ação Econômica do Governo (PAEG) e ao Programa Estratégico de Desenvolvimento (PED, 
foi que, enquanto esses últimos eram documentos que traduziam intenções do Poder 
Executivo, o PND foi convertido em lei após ter sido analisado e aprovado pelo Congresso.
4.5.3. GOVERNO GEISEL E O PND – PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO II
O Governo Geisel (1974 a 1978) é iniciado no contexto econômico presente ao final do 
período do MilagreEconômico, quando já tínhamos aumentos da dívida externa decorrente 
do grande ingresso de capitais externos, e grande dependência do petróleo.
O cenário da economia mundial já não era tão bom, principalmente em decorrência dos 
choques do petróleo quando tivemos forte elevação nos seus preços.
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PREÇO MÉDIO ANUAL DO PETRÓLEO
Em U$$ do ano 2000*
90
80
70
60
50
40
30
20
10
70
Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan
72 74 76 78 80 82 84 86 88 90 92 94 96 98 00
0
* Inflacionado pelo índice de Preços ao Consumidor dos EUA Fonte: Federal Reserve
Com o aumento da dívida externa e a dependência do petróleo boa parte importado, o 
Brasil ficou bastante vulnerável em relação ao mercado internacional.
Assim, nasceu o PND – PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO II.
O PND II tinha como principais metas elevar a renda per capita a mais de mil dólares e fazer 
com que o PIB do Brasil passasse a barreiras dos cem bilhões de dólares em 1977, por meio da 
consolidação de uma sociedade industrial moderna e de um modelo de economia competitiva.
O PND II queria ajustar a economia brasileira à situação de escassez de petróleo e ao 
novo estágio da evolução industrial do país, focando nas indústrias básicas, especialmente 
na produção de bens de capital e da eletrônica pesada.
A forma encontrada foi tentar substituir as importações e estimular as exportações, 
estimulando também o setor agropecuário a contribuir para o crescimento do PIB, 
dando prioridade a indústria de base, do desenvolvimento científico e tecnológico e 
da infraestrutura econômica, com destaque para a política de energia que visava reduzir 
a dependência do Brasil em relação às fontes externas.
Outro viés do PND II foi a integração nacional, baseada num programa de aplicação 
de recursos no Nordeste, na ocupação produtiva da Amazônia e da região Centro-Oeste, 
com destaque para o Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia – Polo 
Amazônia e pelo Programa de Desenvolvimento de Recursos Florestais.
4.5.4. GOVERNO FIGUEIREDO (1979 – 1984) E O PND – PLANO NACIONAL DE 
DESENVOLVIMENTO III
Chegamos aos anos 1980, cujo tema mais relevante para a economia nacional foi o 
elevado endividamento externo e suas implicações, aliado a aceleração da inflação.
Um dos seus efeitos foi a perda das fontes de financiamento do desenvolvimento externo, 
visto que nessa época os EUA atraíram boa parte do capital internacional com a elevação 
da sua taxa de juros para controlar a inflação decorrente do 2º choque do petróleo (1979).
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O Governo Figueiredo sofreu as consequências da “ressaca” dos excessos cometidos no 
passado, ou seja, a conta chegou e veio “pesada”.
Com o 2º choque do petróleo em 1979, um choque de oferta que aumentou os custos 
de produção e, consequentemente, os preços dos produtos, com redução na oferta de 
produtos e redução do crescimento econômico mundial.
Como o Brasil era fortemente dependente do capital externo, essa foi uma fase de 
“estrangulamento externo”, com a saída de captais. Nessa toada, foi efetivado um ajuste no 
sentido de reduzir a demanda por divisas e de aumentar as exportações para aumentá-las.
Com a economia brasileira em sérias dificuldades no fim dos anos 1970 e início da 
década de 1980, em função da desfavorável conjuntura econômica internacional, surge o 
III PND ou PND III que, de fato, era apenas um plano de intenções, sem apresentar muitos 
detalhes e sem quantificar metas, apenas tendo com o objetivo principal a compatibilização 
entre crescimento econômico acelerado, o controle da inflação e do equilíbrio das contas 
públicas e externas.
Brasil x FMI – O Brasil recorre ao FMI
O relacionamento do Brasil com o FMI nem sempre pôde ser definido como isento de 
conflitos. Conforme os governos mudam, as políticas externas e internas também mudam. 
É possível observar diferentes posturas adotadas pelo Brasil desde a criação do FMI.
Durante a fase em que Brasil foi presidido por Juscelino Kubitschek, na segunda metade da 
década de 1950, acreditava-se que o FMI era uma entidade que impedia o desenvolvimento 
econômico nacional. Assim, em 1959, Juscelino Kubitschek rompeu a relação brasileira 
com o FMI, só retornando em 1960.
O rompimento decorreu da construção de Brasília, já que as medidas impostas pelo FMI 
em relação ao pedido de empréstimo de 200 bilhões de dólares atrasariam a inauguração 
da nova capital. A condição para a liberação do dinheiro consistia na adoção de um pacote 
de medidas inflacionárias que manteriam a inflação em no máximo 6% ao ano. Assim, 
O governo brasileiro teria que estabelecer uma taxa única de câmbio, além de restringir 
salários, o que não interessava à política econômica de JK.
Durante o regime militar manteve-se boas relações com o FMI. Inicialmente, o Brasil era 
independente do Fundo, mas devido ao grande investimento estatal em infraestrutura e com 
a crise do petróleo, as fontes para financiar o crescimento econômico brasileiro secaram.
A inflação voltou a subir, a dívida externa aumentava exponencialmente, a reservas de 
dólares estavam diminuindo. Para piorar, em 1981, os Estados Unidos subiram as taxas 
de juros, aumentando ainda mais o custo da dívida externa nacional.
Assim, o Brasil teve que “deixar o orgulho de lado”, ou melhor, “baixar a bola”, e “ir com o 
pires na mão” pegar dinheiro emprestado no FMI para não se tornar insolvente.
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Resumo da ópera: a necessidade brasileira de recorrer ao FMI – Fundo Monetário Internacional 
durante o período da Ditadura Militar, entre 1982 e 1983, decorreu especialmente em 
função dos efeitos da “Crise do Petróleo”, que fez com que o Brasil, que já tinha uma 
dívida externa significativa, precisasse do apoio do FMI quando já não havia mais outra 
saída para enfrentar sozinho a crise da dívida externa.
Economia 
Brasileira 
– Parte 2
Planos – Pré 
1964 e Período 
Militar
Plano SALTE
PND III
PND I
Plano de Metas – JK
Programa de dispêndio público com 
ênfase em setores como saúde, 
alimentação, transporte e energia.
Plano Trienal
Objetivo era desenvolver o Brasil numa 
velocidade de “cinquenta anos em cinco”. 
Focava em investimento nas áreas consideradas 
prioritárias para o desenvolvimento econômico, 
especialmente, em infraestrutura (rodovias, 
hidrelétricas, aeroportos) e indústria.
PAEG – Plano de 
Ação Econômica 
do Governo
Era um plano de estabilização que propunha 
medidas fortes para debelar os desequilíbrios 
fiscais e monetários.
Época dos militares, tinha como objetivos 
combater a inflação, atrair investimentos 
externos, reformar o Sistema Financeiro Nacional, 
diminuir as desigualdades regionais e aumentar 
os investimentos.
O objetivo do PND I era desenvolver o Brasil 
por meio do Programa de Promoção de Grandes 
Empreendimentos Nacionais, estimulando 
o empresário brasileiro a(2003 – 2006)
	7.2. Lula – Segundo Mandato (2007 – 2010)
	8. Governos Dilma
	8.1. Dilma – Primeiro Mandato (2011 – 2014)
	8.2. Dilma – Segundo Mandato (2015 – 2016)
	9. Governo Michel Temer (2016 – 2018)
	10. Governo Bolsonaro (2019-2022)

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