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PDF SINTÉTICO ECONOMIA, ECONOMIA SOLIDÁRIA E CONTEXTO INTERNACIONAL Economia Brasileira Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerência de Produção de Conteúdo: Magno Coimbra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 240124102620 MANUEL PIÑON Atualmente, exerce o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e é Professor, voltado para a área de concursos públicos. Foi aprovado nos seguintes concursos públicos: 1 – Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB 2009/2010; 2 – Analista de Finanças e Controle – AFC (hoje, Auditor Federal de Finanças e Controle) da Controladoria-Geral da União – CGU (hoje, Ministério da Transparência) em 2008; e 3 – Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional – AFTN (Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil) em 1998. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Economia Brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 1. Século XIX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 2. Século XX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 2.1. Crescimento da Atividade Econômica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 2.2. Inflação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 2.3. Poupança e Investimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2.4. Receitas e Despesas Públicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2.5. Sistema Financeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 2.6. Setor Externo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 2.7. Mudanças Estruturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 3. Período Pós-Crise de 1929 até o Fim da Segunda Guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 4. Período Pré-1964 e Governos Militares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 4.1. Governo Dutra (1946 a 1951) e o Plano Salte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 4.2. Segundo Governo Vargas (1951 a 1954) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 4.3. Governo JK (1956 a 1960) e o Plano de Metas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 4.4. Governos Jânio e Jango (1961 a 1964) e o Plano Trienal. . . . . . . . . . . . . . . . 25 4.5. Governos Militares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 5. Governos após o Regime Militar e seus Planos de Estabilização . . . . . . . . . . . . . 33 5.1. Governo Sarney (1985 a 1989) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 5.2. Governo Collor (1990 – 1992) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 5.3. Governo Itamar Franco (1992 a 1994) e o Plano Real . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 6. Governos FHC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 6.1. FHC – Primeiro Mandato (1995 – 1998) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 6.2. FHC – Segundo Mandato (1999 – 2002) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 7. Governos Lula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon 7.1. Lula – Primeiro Mandato (2003 – 2006) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 7.2. Lula – Segundo Mandato (2007 – 2010) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 8. Governos Dilma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 8.1. Dilma – Primeiro Mandato (2011 – 2014) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 8.2. Dilma – Segundo Mandato (2015 – 2016) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 9. Governo Michel Temer (2016 – 2018) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 10. Governo Bolsonaro (2019-2022) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon APRESENTAÇÃOAPRESENTAÇÃO Fala, meu filho! Faaaaaaaaaaaala, minha filha! Escrever um livro é algo desafiador. Porém, escrever para o público concurseiro torna a tarefa ainda mais árdua. Afinal, há candidatos com diferentes níveis de conhecimento, estudando para seleções de áreas variadas. No entanto, existe algo em comum entre aqueles que se preparam para um concurso público: todos querem a aprovação o mais rápido possível e não têm tempo a perder! Foi pensando nisso que esta obra nasceu. Você tem em suas mãos um material sintético! Isso porque ele não é extenso, para não desperdiçar o seu tempo, que é escasso. De igual modo, não foge da batalha, trazendo tudo o que é preciso para fazer uma boa prova e garantir a aprovação que tanto busca! Também identificará alguns sinais visuais, para facilitar a assimilação do conteúdo. Por exemplo, afirmações importantes aparecerão grifadas em azul. Já exceções, restrições ou proibições surgirão em vermelho. Há ainda destaques em marca-texto. Além disso, abusei de quadros esquemáticos para organizar melhor os conteúdos. Tudo foi feito com muita objetividade, por alguém que foi concurseiro durante muito tempo. Para você me conhecer melhor, comecei a estudar para concursos ainda na adolescência, e sempre senti falta de ler um material que fosse direto ao ponto, que me ensinasse de um jeito mais fácil, mais didático. Enfrentei concursos de nível médio e superior. Fiz desde provas simples, como recenseador do IBGE, até as mais desafiadoras, sendo aprovado para defensor público, promotor de justiça e juiz de direito. Usei toda essa experiência, de 16 anos como concurseiro, e de outros tantos ensinando centenas de milhares de alunos de todo o país para entregar um material que possa efetivamente te atender. Aatuar em setores estratégicos para o desenvolvimento do Brasil. PND II Tinha como principais metas elevar a renda per capita e o PIB, por meio da consolidação de uma sociedade industrial moderna e de um modelo de economia competitiva. Apenas um plano de intenções, sem apresentar muitos detalhes e sem quantificar metas, apenas tendo com o objetivo principal a compatibilização entre crescimento econômico acelerado, o controle da inflação e o equilíbrio das contas públicas e externas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon 5. GOVERNOS APÓS O REGIME MILITAR E SEUS PLANOS DE 5. GOVERNOS APÓS O REGIME MILITAR E SEUS PLANOS DE ESTABILIZAÇÃOESTABILIZAÇÃO Até a solução do problema inflacionário com a implantação do Plano Real, outras tentativas foram feitas para acabar com a escalada dos preços nos anos 1980 e início da década de 1990. 5.1. GOVERNO SARNEY (1985 A 1989)5.1. GOVERNO SARNEY (1985 A 1989) O processo de redemocratização do país com a “Nova república” a eleição de Tancredo Neves que teve como Vice José Sarney, teve como herança deficit público crescente, alto endividamento externo combinado com restrição de crédito internacional e inflação elevada e ascendente. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 34 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Seu governo se caracterizou principalmente pelos sucessivos planos econômicos de estabilização voltados para o controle da inflação. 5 .1 .1 . PLANO CRUZADO Em 1986, o Plano Cruzado tentou reduzir a inflação por meio de uma reforma monetária. Foi implantado o Cruzado (Cz$) no lugar do Cruzeiro (Cr$), sendo a taxa de conversão de mil cruzeiros para cada cruzado. Com característica heterodoxa, foi feito um congelamento de preços, e o governo convocou as pessoas a denunciarem os lugares que não seguissem os preços tabelados, episódio que ficou conhecido como “Fiscais do Sarney”. Mas o tiro saiu pela culatra, ocasionando uma crise de abastecimento nos mercados e, consequentemente, o fracasso do Plano Cruzado. O Plano Cruzado diagnosticou a inflação como predominantemente inercial. Basicamente a ideia era a de que os contratos indexados muito comuns na economia brasileira, propagavam a inflação passada para a inflação corrente. Eventualmente, choques de oferta ou de demanda somavam-se à característica predominantemente inercial da inflação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 35 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O Plano Cruzado consistiu nas seguintes principais medidas: 1 – Reforma Monetária (Cruzado), congelamento de preços (Tabela SUNAB) e fixação do Câmbio; 2 – Desindexação da economia, com a substituição da ORTN pela OTN, congeladas por um ano, fazendo que todos os contratos somente pudessem ser reajustados anualmente; 3 – Mudança no índice de Preços, com substituição do IPCA pelo IPC; 4 – Em relação aos reajustes salariais, congelou os salários de acordo com a média dos últimos 6 meses em cruzeiros e adoção dos gatilhos salariais caso a inflação acumulasse 20%. No âmbito da reforma monetária, os salários foram convertidos em cruzados com base no poder de compra médio dos últimos seis meses, diferentemente dos preços em geral que foram congelados por prazo indeterminado, com exceção apenas das tarifas industriais de energia elétrica, com base nos preços vigentes no dia imediatamente anterior ao congelamento (28/02/1986), sem compensação. Esse procedimento trouxe problemas de eficiência alocativa na economia, bem como nos preços relativos, pois alguns bens tinham sido reajustados na véspera do congelamento, mas outros não. Assim, esses bens com preços mais defasados foram os primeiros a ficarem escassos. O Plano Cruzado não estabeleceu regras ou metas para as políticas monetária ou fiscal, que foram usadas de forma passiva pelos formuladores da política econômica, já que seu foco heterodoxo era no combate à inflação inercial. No âmbito da política fiscal, Sarney tinha anunciado em dezembro de 1985, um pacote fiscal que tinha como objetivo eliminar as necessidades de financiamento do setor público, mas os ganhos projetados de receita, que dependiam da continuidade do processo inflacionário – “imposto inflacionário” – não se materializariam com a queda das taxas de inflação. Nos quatro primeiros meses (março a junho de 1986), a inflação caiu bastante, mas já podia ser constatado o excesso de demanda em relação à oferta de alguns bens, considerando o aumento do poder dos salários. Nos quatro meses seguintes ( julho a outubro de 1986) tivemos o agravamento da escassez de produtos e a piora das contas externas, mesmo após a tímida tentativa de reação por parte do Governo Sarney com o “cruzadinho’, um tímido pacote fiscal que visava desaquecer o consumo por meio de novos impostos indiretos sobre a gasolina e automóveis e tributação na compra de moeda estrangeira, mas o excesso de demanda em relação à oferta não foi reduzido. Em fevereiro de 1987 o governo Sarney suspendeu por tempo indeterminado os pagamentos da dívida externa (moratória), deixando de dialogar com o FMI – Fundo Monetário internacional. Nos meses seguintes, até maio de 1987, a inflação voltou com força e o Plano Cruzado I já era considerado um fracasso, e solução encontrada foi o Plano Cruzado II. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 36 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O plano Cruzado II consistia numa tentativa de aumento de arrecadação do Governo por meio de impostos indiretos e de alguns preços públicos, aliado à regulamentação do gatilho salarial, limitado a quando a inflação acumulada chegasse a 20% e, assim, as perdas salariais se acumulavam até 20%, quando então os salários eram corrigidos desse momento para frente. No final das contas, em fevereiro de 1987 os preços foram descongelados, ou melhor, liberados. Podemos citar alguns fatores que contribuíram para o fracasso do Plano Cruzado: 1 – Política Fiscal Expansionista, não ajudando no controle da demanda; 2 – Política Monetária Expansionista, não ajudando no controle da demanda; 3 – Diagnóstico equivocado da causa inflacionária, já que além de inercial ela também era de demanda; 4 – Congelamento excessivo de preços gerando mercados paralelos; 5 – O gatilho salarial contribuiu para aumentar a inflação; 6 – Falta de alinhamento de preços antes da data base do congelamento gerando distorções nos preços relativos e na eficiência alocativa. Vale destacar ainda o chamado “Cruzadinho”, como ficou conhecido um plano ainda dentro da vigência do Plano Cruzado, basicamente teve duas intenções, sendo uma a de desaquecer o consumo e a outra financiar um plano de investimentos em infraestrutura e metas sociais. Guarde que a parte que desejava desaquecer o consumo, no entanto, foiineficaz e acabou gerando aumento da inflação, gerando elevação na percepção de que o congelamento estava com os dias contados e estimulando o aumento do consumo presente como efeito de defesa da inflação futura. Resumo da ópera: o plano cruzadinho buscou desaquecer a economia, mas teve como resultado colateral a aceleração do consumo em razão da expectativa de descongelamento dos preços. 5 .1 .2 . PLANO BRESSER Após o fracasso da Plano Cruzado, o Plano Bresser visava controlar a inflação e o deficit público com medidas como o congelamento de preços e o adiamento de grandes obras. Mais uma tentativa sem sucesso. Assim, o Plano Bresser de combate à inflação era híbrido ou misto, já que combinou elementos ortodoxos, como as políticas fiscal e monetária contracionistas, com elementos heterodoxos, como o controle de preços. Os preços e os salários foram congelados por um prazo máximo de três meses, mas antes tinham sido concedidos aumentos para os preços públicos e administrados, de modo a evitar uma das falhas do Plano Cruzado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 37 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O Plano Bresser instituiu também uma nova base de indexação salarial para vigorar após o congelamento a Unidade de Referência de Preços a cada três meses, mas na área cambial dessa vez não tivemos congelamento de taxa. Em contraste com o Plano Cruzado, no Plano Bresser a inflação do congelamento decorreu de um conflito distributivo de rendas no setor privado e entre os setores privado e público, ou seja, não podia ser atribuída a pressões de demanda. Com o fracasso iminente do Plano Bresser, Sarney o substituiu no Ministério da Fazenda por Maílson da Nóbrega, que implantou medidas econômicas modestas denominadas “política do feijão com arroz”. Resumo da ópera: o Plano Bresser trouxe como benefício apenas o fato de ter evitado uma explosão inflacionária no curto prazo, embora essa continuasse sendo uma tendência, já que as causas efetivas da inflação não foram tratadas. 5 .1 .3 . PLANO VERÃO Implantado em 1989, o Plano Verão foi encabeçado pelo então ministro da fazendo Maílson da Nóbrega, e estabeleceu o congelamento dos preços e anunciou uma reforma monetária com a implantação de uma nova moeda, o Cruzado Novo. Sem sucesso, foi o terceiro a fracassar na tentativa de controlar a inflação. O Plano Verão também foi um plano misto ou híbrido. No âmbito da ortodoxia, o Plano Verão almejava contrair a demanda agregada a curto prazo, com elevação das taxas reais de juros e contenção do deficit público. O ajuste fiscal previsto deveria focar na redução de despesas de custeio com a implantação de uma reforma administrativa, redução de gastos com pessoal, privatizações e controle rígido na programação e execução financeira do Orçamento Público com limitação da emissão de títulos. Entretanto, na prática, a política fiscal não foi efetiva. No que diz respeito à Política Monetária, a ideia era aumentar a taxa real de juros de curto prazo para desestimular as operações de “overnight”, limitação do crédito e a redução das pressões das operações com moeda estrangeira. No âmbito da heterodoxia, a ideia era extinguir todos os mecanismos de realimentação da inflação, promovendo inclusive o fim da URP salarial. Outro congelamento de preços foi anunciado, mas agora por tempo indeterminado, contemplando aumentos na véspera para os preços públicos e administrados. O alinhamento dos preços deveria gerar uma margem de folga para suportar o congelamento e evitar eventuais desabastecimentos. O câmbio fixo teve a cotação do dólar norte-americano fixada em NCz$ 1, com a ideia de que essa “paridade” traria feitos psicológicos positivos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 38 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Entretanto, como a política fiscal contracionista não foi efetivamente implementada, as taxas de juros bastante elevadas contribuíram para aumentar a renda disponível e estimular o consumo, não gerando a recessão prevista. 5.2. GOVERNO COLLOR (1990 – 1992)5.2. GOVERNO COLLOR (1990 – 1992) Primeiro Presidente eleito pelo povo após o Regime Militar, Collor assumiu o Governo querendo modernizar a economia, por meio da abertura econômica do país, redefinir o papel do Estado com a redução da máquina pública via demissão de funcionários públicos e privatizações e combater a inflação, o que ele tentou fazer por meio dos Planos Collor I e II. As principais medidas de estabilização da inflação foram acompanhadas de programas de reforma de comércio externo, a Política Industrial e de Comércio Exterior, mais conhecida como PICE, e um programa de privatização intitulado Programa Nacional de Desestatização, mais conhecido como PND. Com o Plano Nacional de Desestatização, 33 empresas públicas foram privatizadas, embora o volume tenha sido inferior ao desejado. 5 .2 .1 . PLANO COLLOR I O “Plano Collor” é um conjunto de reformas econômicas e medidas para estabilização da inflação. Chamado oficialmente de Plano Brasil Novo, como ele se tornou associado fortemente a figura de Collor, ficou conhecido mesmo como “Plano Collor I”. Plano Collor 1 – Plano Brasil Novo 1990 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 39 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O Plano Collor I foi instituído em 16/03/1990, um dia depois de Collor assumir a presidência e combinava liberação fiscal e financeira com medidas radicais para estabilização da inflação. A ideia era estabilizar a inflação pelo “congelamento” da dívida pública (interna) e restringindo o fluxo de dinheiro para parar a inflação inercial. Como a rápida e descontrolada “desmonetização” da economia foi tida como a causa das falhas dos planos de estabilização da inflação anteriores, o governo Collor teria de garantir uma “desmonetização” “ordenada” e “lenta”, a fim de manter a inflação para baixo. Para o controle da velocidade da desmonetização, poder-se-ia utilizar uma combinação de ferramentas econômicas, tais como impostos, taxas de câmbio, crédito e taxas de juros. Nos poucos meses que sucederam a implantação do plano, a inflação continuou a crescer. Em janeiro de 1991, nove meses após o início do plano, a inflação reduziu, atingindo a taxa de 20% por mês. O congelamento causou uma forte redução no comércio e na produção industrial. Com a redução da geração de dinheiro de 30% para 9% do PIB, ele retirou 80% da moeda em circulação, e a taxa de inflação caiu de 81% em março para 9% em junho. Nessa pegada, o governo enfrentou duas escolhas: poderia segurar o congelamento e arriscar uma recessão devido a redução dos ativos, ou “remonetizar” a economia através do descongelamento e correr o risco do retorno da inflação. Assim, o fracasso do Plano Collor I no controle da inflação é creditado pelos economistas keynesianos e monetaristas à falha do governo Collor de controlar a “remonetização” da economia. A verdade é que foram abertas várias “brechas” que contribuíram para o aumento do fluxo de dinheiro: os impostos e as contas do governo emitidos antes do congelamento poderiamser pagos com o velho Cruzado, criando uma forma de “brecha de liquidez”, que foi plenamente explorada pelo setor privado. Várias exceções aos setores individuais da economia foram abertas pelo governo, como nas poupanças de aposentados, e o “financiamento especial” na folha de pagamento do governo. Além disso, o governo foi incapaz de reduzir despesas, limitando sua capacidade de usar muitas das ferramentas acima mencionadas. Os motivos vão desde o aumento do compartilhamento da receita de impostos federais com os estados até a cláusula de “estabilidade de emprego” para os funcionários públicos, instituída em nossa Carta Magna de 1988, que preveniu o tamanho da redução tal como anunciada no começo do plano. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 40 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Resumidamente, suas medidas foram: • 80% de todos os depósitos do overnight, das contas-correntes ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$50mil foram congelados por 18 meses, recebendo durante esse período uma rentabilidade equivalente a taxa de inflação mais 6% ao ano. • Substituição da moeda de Cruzado Novo pelo Cruzeiro. • Criação de um imposto sobre as operações financeiras, sobre todos os ativos financeiros, transações com ouro e ações e sobre todas as retiradas das contas de poupança (IOF). • Congelou preços e salários, sendo determinado pelo governo, posteriormente, ajustes que eram baseados na inflação esperada. • Eliminou vários tipos de incentivos fiscais: para importações, exportações, agricultura, os incentivos fiscais das regiões Norte e Nordeste, da indústria de computadores e a criação de um imposto sobre as grandes fortunas. • Indexou imediatamente os impostos aplicados no dia posterior a transação, seguindo a inflação do período. • Aumentou os preços dos serviços públicos, como gás, energia elétrica, serviços postais etc. • Liberou o câmbio e várias medidas para promover uma gradual abertura na economia brasileira em relação à concorrência externa. Na época chamou os carros produzidos no Brasil de “carroças”. • Extinguiu vários institutos governamentais e anunciou a intenção do governo de demitir cerca de 360 mil funcionários públicos, para redução de gastos administrativos 5 .2 .2 . PLANO COLLOR II O PLANO COLLOR II iniciou-se em janeiro de 1991 e incluiu novos congelamentos de preços e a substituição do “overnight” com novas ferramentas fiscais que incluíam no seu cálculo as taxas de produção antecipada de papéis privados e federais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 41 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O plano conseguiu produzir apenas um curto prazo de queda na inflação, que retornou a subir novamente em maio de 1991. 5.3. GOVERNO ITAMAR FRANCO (1992 A 1994) E O PLANO REAL5.3. GOVERNO ITAMAR FRANCO (1992 A 1994) E O PLANO REAL Após a saída de Collor por renúncia/impeachment, seu Vice, Itamar assumiu em meio a grava crise política e econômica com inflação alta e recessão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 42 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O PLANO REAL foi implantado durante o Governo Itamar Franco, quando FHC era o seu Ministro da Fazenda Para entender o papel do Plano Real, é válido ressaltar que em 1993 a inflação atingia 2.700% no país e, após a implantação da nova moeda, o valor da inflação média dos governos seguintes manteve-se em 12,6%(FHC) e 6,3% (LULA). Aprendendo com a experiência dos planos lançados entre os governos dos presidentes Sarney (entre 1985-1990) e Collor (1990-1992), que apostavam no congelamento de preços e salários, medida que se mostrou ineficaz contra a inflação, o Plano Real tinha que ser diferente. O diagnóstico feito pelo Plano real foi de que a inflação era o resultado dos deficits fiscais presentes, baseada na teoria de dominância fiscal, por meio da qual o aumento da inflação decorre do deficit fiscal e apenas a utilização dos mecanismos da Política Monetária é ineficaz para combatê-la. Ficou definido que o plano seria implantado em três etapas para evitar o congelamento de preços e o aumento da inflação, como ocorrera em tentativas anteriores. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 43 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon A primeira etapa foi o ajuste das contas públicas por meio de um corte no Orçamento, ou seja, ajuste fiscal. Em agosto de 1993, FHC comunicou o corte de três zeros na moeda vigente, o cruzeiro (Cr$), e anunciou o lançamento do cruzeiro real (CR$ 1 = Cr$ 1.000). A segunda etapa consistiu na desindexação, por meio da implantação provisória da Unidade Real de Valor (URV), que ficou em vigor de março a julho de 1994 e era uma espécie de moeda de troca, usada para converter os valores das mercadorias. Com isso, foi possível uniformizar os reajustes de preços, de câmbio e dos salários de maneira desvinculada do cruzeiro real. Para a população, na prática, funcionava assim: ao escolher um produto no mercado, ele estava com o preço em URV nas prateleiras, mas ao passar o caixa, o valor era convertido e pago em cruzeiros reais. Na época, a URV valia um dólar (US$) e, assim, o real também começou cotado a US$ 1. O papel da URV foi promover a dolarização da economia sem que fosse necessário abnegar a moeda nacional. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 44 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon A partir de 1º de julho de 1994, foi colocada em marcha a 3ª fase, a fase final do Plano REAL, a ancoragem de preços, com um novo ministro da fazenda, Rubens Ricupero (FHC havia deixado o cargo para se candidatar à presidência da República). Chegara a hora da URV ser substituída pelo Real, e para controlar a inflação, o governo passava a ter como instrumentos os juros altos e o dólar barato, com câmbio praticamente fixo. Entretanto, a paridade do real com o dólar (que era de R$ 1 para US$ 1) provocou insatisfação em alguns setores da indústria. A abertura comercial e a manutenção do câmbio valorizado como medidas para manter a inflação controlada causaram um efeito colateral: as importações passaram a ser estimuladas obrigando as empresas nacionais a diminuírem os preços para entrar na concorrência. Apesar de outras crises externas que vieram posteriormente, o Plano Real conseguiu manter a inflação dentro de níveis aceitáveis. A partir de 1999, já no 2º Governo FHC o Banco Central criou o regime de metas para a inflação. A Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), que determina o nível básicode juros na economia, passou a ser a âncora monetária, substituindo o controle do câmbio, que passou a ser flutuante (quando a compra e venda de moedas não tem controle sistemático do governo). 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GOVERNOS FHC6. GOVERNOS FHC 6.1. FHC – PRIMEIRO MANDATO (1995 – 1998)6.1. FHC – PRIMEIRO MANDATO (1995 – 1998) Seu foco inicial era a estabilização da economia, ou seja, garantir a que a inflação seria efetivamente mantida sob controle. Mesmo com a economia aquecida, os problemas relativos ao controle inflacionário eram o desequilíbrio externo e o deficit fiscal. As altas taxas de juros possibilitaram a atração de capitais externos e a valorização cambial, favorecendo as importações que cresceram bastante, mas prejudicando as exportações, gerando deficit na balança comercial e no saldo de transações correntes. Como o deficit em transações correntes era financiado com novo endividamento externo e com a entrada de capitais na forma de investimento direto estrangeiro, a acumulação de estoques de passivos externos — dívida ou estoque de capital no país — implicava pagamentos crescentes de juros e de lucros e dividendos. Assim, o deficit de serviços e rendas praticamente dobrou no 1º mandato de FHC. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 49 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Essa situação se agravou em 1998, com a crise da Rússia de âmbito mundial, num mundo já globalizado, que reduziu as exportações brasileiras, aumentando a vulnerabilidade externa. Registre-se que antes já tínhamos tido a crise do México em 1994 e a dos tigres asiáticos em 1997. Importante destacar que a situação era decorrente, principalmente, do câmbio sobrevalorizado, estratégia de política econômica utilizadas à época para manter a inflação controlada. Merece destaque também a combinação de deficits primários, deficits nominais e dívida pública crescente, outro desafio importante a ser encarado. Tais problemas fiscais foram gerados em decorrência do controle inflacionário via elevação da taxa de juros e fim do imposto inflacionário como fonte de receita para o setor público. Entre 1994 e 1998, o deficit primário sofreu uma piora da ordem de cinco pontos percentuais do PIB, gerados por uma taxa média de juros real de 22% entre 1995 e 1998. Com o fim da inflação, os bancos deixaram de aproveitar as receitas de floating que possuíam, que consistem na captação de recursos sem correção monetária para aplicação em recursos com correção monetária. Nessa época tivemos o PROER – Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, que socorreu bancos como o Econômico, o Nacional e o Bamerindus, por meio da concessão uma linha especial de assistência financeira destinada a permitir reorganizações societárias no sistema. Para tentar ajudar na contenção do deficit fiscal tivemos um aumento da carga tributária. Resumo da ópera: no final do 1º mandato, as altas taxas de juros, o instrumento da política monetária utilizado para combater as crises financeiras especulativas do México, da Ásia e da Rússia já dava sinais de que não estava mais sendo eficiente e ainda contribuía para o agravamento da situação fiscal, indicando que mudanças nos instrumentos de política econômica teriam que ser realizadas em seu 2º mandato. 6.2. FHC – SEGUNDO MANDATO (1999 – 2002)6.2. FHC – SEGUNDO MANDATO (1999 – 2002) Após reeleito por ter conseguido manter a inflação sob controle, o 2º mandato começou com 3 graves problemas na economia: câmbio excessivamente valorizado, deficits fiscais sucessivos e alta taxa de juros. Para resolver essa situação desfavorável, logo no início de 1999 a política econômica foi alterada e o Presidente do BACEN passou a ser Armínio Fraga. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 50 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon A forma de ancorar os preços via taxas de juros elevadas foi substituída pela combinação de 3 elementos: câmbio flutuante, metas de inflação e superavits fiscais). Nessa mesma época o Brasil recorreu ao FMI que lhe emprestou US$ 42 bilhões. Além do ajuste fiscal, exigência do FMI, foi feita uma forte desvalorização cambial no início de 1999, que, para surpresa de muitos, não trouxe efeitos inflacionários. A mudança de rumo na economia em 1999, logo no início do 2º mandato de FHC, deu resultado. A retomada do crescimento econômico nos anos de 1999 e 2000 só foi afetado em com a combinação dos efeitos dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos com a crise energética, a crise na Argentina e o racionamento de energia no Brasil decorrente do baixo nível das represas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 51 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O tripé macroeconômico era composto por câmbio flutuante no âmbito da Política Cambial, metas de inflação no âmbito da Política Monetária e o ajuste fiscal para obtenção desuperavit fiscal no âmbito da Política Fiscal. Destacam-se nesse período também as seguintes medidas principais: 1 – Saneamento do Sistema Financeiro Nessa época a privatização da maioria dos bancos estaduais, como foi o caso do BANEB aqui da Bahia que foi comprado pelo BRADESCO em 1999. Essa medida visou, principalmente, reduzir a utilização por parte dos Estados de suas Instituições Financeiras para encobrir seus rombos fiscais. Também tivemos a entrada de bancos estrangeiros no mercado brasileiro e fortalecimento do BACEN Central no acompanhamento e monitoramento do nível de risco do sistema financeiro. 2 – Reforma da Previdência Social Aprovação do Fator Previdenciário e elevação do tempo de contribuição. 3 – Entrada em vigência da LRF – Lei de Responsabilidade Fiscal A LRF é a Lei Complementar de n. 101, que foi aprovada em 2000, é um “Código de Boas Condutas Fiscais” buscando estabelecer um novo paradigma para as finanças públicas de nosso país. Baseia-se nos princípios da administração pública e tem como objetivos a diminuição da dívida pública, estabilização dos preços, o desenvolvimento sustentável, dentre outros, de modo que o orçamento público seja efetivamente mecanismo de limitação de gastos, organização estatal e representação dos anseios sociais. A LRF traz uma mudança de cultura no trato da coisa pública, mais especificamente do dinheiro púbico. Estabelece normas orientadoras das finanças públicas no País e rígidas punições aos administradores que não mantiverem o equilíbrio de suas contas. 4 – Renegociação das dívidas dos Estados com a União Na prática tivemos uma “federalização” de dívidas frente ao mercado, por meio do comprometimento dos estados junto à União, com as dívidas sendo pagas em 30 anos, na forma de prestações mensais. Como garantia, a União poderia se apropriar das receitas de transferências dos Fundos de Participação e até do ICMS estadual, o que obrigou os Estados a se ajustarem. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 52 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon 5 – Privatizações Foram transferidas para o setor privado empresas deficitárias ou empresas superavitárias com níveis inadequados de investimento, gerando redução de gastos públicos. 6 – Criação das Agências Reguladoras e Fim dos Monopólios Estatais Com o fim dos monopólios estatais, áreas como petróleo e telecomunicações deixaram de ser prerrogativa exclusiva de atuação do Estado, gerando competição no setor de petróleo e a privatização da Telebras. O Estado passa de produtor para regulador, e a criação de agências reguladores é um passo importante nesse sentido. 7 – Mudança de tratamento do Capital Estrangeiro Tivemos elevação do investimento estrangeiro no Brasil, já que as empresas nacionais e estrangeiras passaram a ter o mesmo tratamento. ASPECTOS ECONÔMICOS DO GOVERNO FHC O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 53 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Resumo da ópera: embora o crescimento econômico tenha permanecido relativamente baixo e o Brasil tenha continuado com altas taxas de juros reais, a inflação continuou controlada e o ajuste fiscal foi cumprido, chegando a gerar superavits primários, e a taxa de câmbio flutuante efetivou o ajuste das contas externas com significativa melhora do saldo em transações correntes e superavit da balança comercial durante o 2º mandato de FHC. 7. GOVERNOS LULA7. GOVERNOS LULA Ao longo da década de 2000, na qual Lula foi o grande protagonista, consolidou-se na economia brasileira um modelo econômico baseado na expansão do consumo, com baixas taxas de poupança, modelo esse viabilizado pela exportação de commodities e a absorção de poupança externa. Na década de 2000, mudamos de uma economia devagar, pouco dinâmica, com taxas de crescimento abaixo da média mundial, e chegamos a ser um dos países emergentes dinâmicos que lideraram o crescimento mundial, ao lado de China e a Índia. Nesses primeiros dez anos do século 21, outro aspecto muito relevante, é que o crescimento econômico brasileiro chegou a gerar inclusão social e um pouco de redução das disparidades sociais e regionais. 7.1. LULA – PRIMEIRO MANDATO (2003 – 2006)7.1. LULA – PRIMEIRO MANDATO (2003 – 2006) Em função da instabilidade provocada pelo receio do mercado de que Lula provocaria uma mudança radical na política econômica, a procura por dólares aumentou gerando aumento na taxa de câmbio chegando um dólar a valer quase quatro reais. Assim, tivemos o encarecimento custo dos insumos importados e, assim, do custo de produção das empresas, que foram repassados aos preços, gerando aumento de inflação. Nesse cenário Lula assume e podemos dizer que o primeiro governo Lula começou como uma continuação da política econômica dos governos FHC, especialmente no que diz respeito ao controle das contas públicas, tendo sido montado à época um gabinete de transição com a participação de pessoas-chave dos dois lados, com destaque para Palocci e Pedro Malan, respectivamente futuro e atual Ministro da Fazenda à época. Suas medidas iniciais contemplaram aumento da taxa de juros e restrição ao crédito, que aliadas ao controle dos gastos públicos contraíram a demanda agregada e a inflação. Aos poucos a desconfiança do mercado em relação a uma possível ruptura foi sendo acalmada. Para se ter uma ideia, a taxa de câmbio subiu bastante no ano da eleição, saindo de R$ 2,30 em março para no final de 2002 beirar os R$ 4,00 por dólar, já estava abaixo de R$ 3,00 com menos de seis meses do primeiro Governo Lula. O Risco país também teve o mesmo comportamento nesse período. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 54 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon A partir de 2004, o Brasil passou a crescer de forma contínua, com exceção apenas do ano de 2009 em decorrência da crise mundial de 2008. No primeiro Governo Lula também foram implantadas algumas reformas importantes, como a reforma previdenciária, especialmente no regime dos servidores públicos, tais como: 1 – Contribuição também dos servidores inativos (mesma alíquota dos ativos); 2 – Aplicação de um redutor para as novas pensões acima de um certo piso de isenção; 3 – Idade mínima para aposentadoria integral, de 60 anos para os homens e 55 para as mulheres; e 4 – Aplicação do teto do INSS para os novos funcionários, com a utilização de previdência complementar de aposentadoria a partir desse limite a ser criado. Tivemos também uma reforma na área tributária com destaque para uniformização da legislação do ICMS e a prorrogação do prazo de vigência da CPMF. O superavit fiscal obtido sucessivamente em seu primeiro Governo reduziu bastante o endividamento público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 55 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon As taxas de juroscontinuaram elevadas por um tempo, ganhando a alcunha de taxa de juros real mais alta do mundo. 7.2. LULA – SEGUNDO MANDATO (2007 – 2010)7.2. LULA – SEGUNDO MANDATO (2007 – 2010) No período entre 2007 e 2010, o nosso crescimento médio anual foi muito bom, excetuando-se o 0,5% negativos que tivemos no ano de 2009, como consequência da crise financeira internacional. A economia crescia e gerava superavits primários nas contas públicas, isso com baixa inflação, respeitando o sistema de metas e o seu teto. Nessa fase, notamos uma maior intervenção e participação do governo na economia, com destaque para o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e o Programa Minha Casa Minha Vida, com a crise de 2008, essa maior participação do Estado ganhou ainda mais força após a bem-sucedida intervenção para amenizar os efeitos dessa crise em nossa economia. Foi nessa fase que tivemos a descobertas das jazidas de petróleo do pré-sal. A crise financeira internacional de 2008 interrompeu temporariamente a trajetória de crescimento econômico. Com a retração das linhas crédito internacionais, redução nos preços das commodities e consequente desvalorização do real frente ao dólar dos EUA, tivemos forte queda nos índices de renda, atividade econômica e de emprego. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 56 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Ainda em 2008 mesmo, com os primeiros sinais de turbulência, o Governo Federal implementou uma série de medidas de política fiscal e monetária expansionistas de caráter anticíclico, com o propósito de estimular a economia, reverter as expectativas do setor privado e garantir o retorno da confiança. Na área fiscal, o Governo determinou uma série de desonerações tributárias para estimular o consumo e a produção, ampliou tanto as transferências para Estados e municípios como os aportes financeiros para os bancos públicos e reduziu temporariamente a meta de superavit primário. Já por sua vez na área monetário, aumentou-se a liquidez em moeda estrangeira e doméstica, com a disponibilização das reservas internacionais para o comércio exterior, flexibilização do crédito para o setor exportador e da diminuição da exigência de depósitos compulsórios por parte dos bancos. Importante ter em mente que enquanto a crise de 2008, que surgiu no centro das economias mais avançadas do mundo, foi bem prolongada nos Estados Unidos, na Zona do Euro e no Japão, no Brasil, tivemos um resultado negativo de 5,6% em 2009, mas em 2010 a economia já teve um crescimento de 7,5% do PIB. O ano de 2010 foi um dos melhores anos de nossa economia, crescimento econômico, estabilidade de preços e distribuição mais justa da renda nacional. 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Ao longo da década de 2000, consolidou-se na economia brasileira um modelo econômico baseado na expansão do consumo concomitante a reduzidas taxas de poupança, possibilitado pela exportação de commodities e a absorção de poupança externa, com redução da dívida externa pública e aumento das reservas internacionais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 58 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Houve um forte estímulo ao consumo e ao crédito para as pessoas físicas. Na crise de 2008, o Governo garantiu a ampliação do crédito e o financiamento dos bancos públicos (via BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) para contrabalançar a retração das linhas dos bancos privados e suprir as necessidades do setor produtivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 59 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Resumo da ópera: no final do 2º governo Lula alguns problemas começavam a ficar nítidos, como a taxa de investimento insuficiente, poupança doméstica baixa, baixa competitividade, aumento dos deficits em transações correntes e redução dos resultados fiscais. 8. GOVERNOS DILMA8. GOVERNOS DILMA 8.1. DILMA – PRIMEIRO MANDATO (2011 – 2014)8.1. DILMA – PRIMEIRO MANDATO (2011 – 2014) No início de 2011, o Governo Federal anunciou programa de consolidação fiscal, com redução das despesas do Governo Central concentrada nos gastos de custeio e acompanhada da contenção de novos dispêndios e do aumento da eficiência dos gastos. O objetivo desta redução de gastos com custeio da máquina pública foi a manutenção dos investimentos, criando as condições para a futura redução da taxa de juros e para novas desonerações tributárias. Entretanto, em seu primeiro mandato, a Presidenta Dilma aumentou a interferência do Estado na economia, embora as bem-sucedidas políticas da época da crise de 2008 tenham perdido a razão de ser após 2010. Em 2011 foi lançado o Plano Brasil Maior para tentar estimular a inovação e produção nacional. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 60 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon A “nova matriz econômica”, política heterodoxa adotada por Dilma em 2012, consistiu em uma série de medidas de estímulos ao consumo, mas que, entretanto, não surtiram o efeito desejado na produção nacional, gerando excesso de demanda agregada em relação à capacidade produtiva. A retração do comércio internacional e o aumento de concorrência, em função da crise, exigiram amplo programa de estímulo às exportações de manufaturados e de defesa comercial. Dentre as medidas econômicas implantadas ao longo desse período destacamos o novo marco regulador do petróleo com a ampliação da atuação da PETROBRAS, decorrente, especialmente, da descoberta do pré-sal durante o 2º mandato de Lula. Nota-se também um enfraquecimento das agências reguladoras e um fortalecimento do protecionismo por meio de políticas de conteúdo nacional. Tivemos também o controle de preços na área de energia, especialmente da energia elétrica e dos combustíveis, com o fito de tentar controlar artificialmente à pressão inflacionária já fortalecida na economia. Nessa época o BNDES foi capitalizado com recursos do Tesouro Nacional para poder viabilizar a concessão de empréstimos de longo prazo à iniciativa privada com juros subsidiados (a chamada bolsa empresário). Registre-se que os recursos eram captados ao customédio de 14% ao ano e repassados por apenas 6,5% ao ano. Merecem destaque também as isenções tributárias concedidas sem levar em consideração apenas estudos técnicos, mas também a pressão exercida por setores influentes na economia. O Banco Central teve a sua autonomia relativizada na prática, uma vez que foi influenciado pelo governo que diz respeito ao câmbio, que passou de flutuante para de flutuação suja. Também na política monetária houve forte influência quanto à definição da taxa básica de juros (Taxa SELIC). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 61 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Nessa época também ganhou intensidade a chamada “contabilidade criativa”. Em termos de crescimento econômico, tivemos forte desaceleração com início da recessão no segundo trimestre de 2014 e a inflação ficou acima da meta durante todo o 1º mandato da Presidenta Dilma, embora dentro do teto da meta e obtido via controle de preços especialmente energia e combustíveis. Na área fiscal (receitas e despesas) passamos a ter deficit nominal crescente e redução progressiva do superavit primário até chegarmos ao deficit primário de 2014. Nessa toada, a dívida pública aumentou, ainda mais com as emissões de títulos pelo Tesouro Nacional para capitalizar o BNDES no valor de aproximadamente R$ 450 bilhões). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 62 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon As importações cresceram nesse período e saldo da Balança Comercial se tornou negativo. Veja no gráfico abaixo a evolução da balança comercial de Itamar Franco a Dilma: Com a crise de 2014, considerada a pior crise de nossa história gerada internamente, e da qual ainda não conseguimos sair, nossa realidade piorou muito. Pode-se dizer que essa crise corroeu os avanços obtidos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 63 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Dessa vez, é uma crise interna, decorrente, em especial, de um enorme deficit público. O governo erroneamente focava em baixar juros à força, incentivar o consumo e beneficiar setores econômicos seletivamente, aliado a isso, a baixa forçada nos preços dos combustíveis e da energia elétrica gerou inflação elevada posteriormente. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 64 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Veja na tabela a seguir o comportamento da inflação anual desde que foi implantado o regime de metas de inflação em 1999 até o ano de 2013: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 65 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Agora veja a média anual da inflação medida pelo IPCA nos Governos FHC, Lula e no 1º mandato de Dilma: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 66 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Veja agora a evolução da Taxa SELIC de 1986 até 2014: 8.2. DILMA – SEGUNDO MANDATO (2015 – 2016)8.2. DILMA – SEGUNDO MANDATO (2015 – 2016) Vendo que os estímulos concedidos não surtiram o efeito esperado, o Governo Dilma já com a presença de Joaquim Levy como Ministro da Fazenda, entendeu ser necessário suprimir os estímulos fiscais ainda em vigor e reduzir os gastos do Governo, em linha com a política anticíclica praticada até então. As medidas econômicas tomadas pelo Governo Dilma em seu primeiro mandato provocaram grandes danos à economia do país, levando o país a um quadro de recessão técnica, nos anos de 2015 e 2016, caracterizado quando a economia apresenta pelo menos dois trimestres consecutivos de crescimento negativo do PIB. 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GOVERNO MICHEL TEMER (2016 – 2018) O Governo Temer começou em meio a uma grave crise política e econômica, tendo sido apresentado um documento denominado “Uma ponte para o Futuro”, elaborado pela Fundação Ulisses Guimarães, que estabeleceu as diretrizes básicas da sua política econômica. Na área econômica destacam-se medias como o controle dos gastos públicos via estabelecimento do “teto de gastos” para a União, a reforma trabalhista e lei relativa para atividades-fim e elaboração da proposta inicial para nova reforma previdenciária no Brasil que, no entanto, não seguiu adiante. Durante a sua gestão tivemos uma significativa redução na taxa SELIC que passou de 14,25% para 6,50% ao ano. 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Professor Aragonê Fernandes APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR Para você me conhecer melhor, sou Administrador de Empresas com especialização em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e Professor desde 2014 nas disciplinas AFO – Administração Financeira e Orçamentária, Direito Financeiro, Finanças e Economia, além de ter sido Auditor de Finanças e Controle da CGU. Como concurseiro fiz meu primeiro concurso e fui aprovado em 1998 para Auditor da Receita Federal. Trabalhei por dois anos, pedi exoneração e fui trabalhar na iniciativa O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon privada. Seis anos depois, voltei a estudar para concursos públicos, tive algumas reprovações até ser aprovado na CGU em 2008. Ainda na CGU, continuei os estudos até ser aprovado novamente como Auditor da Receita Federal em 2010, onde me encontro até hoje, super realizado profissionalmente. Assim, venho aprimorando nossos PDFs ao longo desses anos e este material procura sintetizar toda essa experiência adquirida como concurseiro e como professor. Espero que goste e que seja decisivo em sua aprovação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon ECONOMIA BRASILEIRAECONOMIA BRASILEIRA Apresentamos uma breve síntese acerca da formação econômica do nosso Brasil. Focamos nossa análise em aspectos econômicos como qual a atividade econômica principal de cada época e seus reflexos na população (se urbana ou rural, se crescente ou estável etc.), na Balança Comercial, no endividamento público e na distribuição de renda. Antes de adentrarmos no estudo da economia brasileira saiba que um Plano econômico serve para resolver um problema existente na economia. Com base em um diagnóstico, elabora-se um modelo sistemático para que sejam implantadas uma ou mais ações suficientes para solucionar o problema econômico identificado. De acordo com o tipo de ferramenta, uma medida econômica pode ser ortodoxa ou heterodoxa. Uma medida econômica ortodoxa está relacionada às teorias econômicas predominantemente ensinadas nas universidades. Tecnicamente falando, combina os métodos neoclássicos com a abordagem keynesiana da macroeconomia, à abordagem das expectativas racionais e à síntese neoclássica. Basicamente, uma medida econômica ortodoxa utiliza uma outra variável econômica para resolver o problema de outra variável econômica. A expressão choque heterodoxo é utilizada para se referir a utilização de uma variável não econômica, como, por exemplo, uma lei, para resolver um problema econômico. Existem ainda planos econômicos híbridos ou mistos, ou seja, aqueles que combinam medidas econômicas ortodoxas e heterodoxas, como foi o caso do Plano Real. 1 . SÉCULO XIX1 . SÉCULO XIX A economia colonial, desde o descobrimento em 1500, permaneceu ligada a economia portuguesa até a nossa independência em 1822. A industrialização brasileira foi atrasada/atrapalhada pela falta capital suficiente para investir no setor e pelo baixo nível cultural da população, sem os quais não podia haver avanço e inovação da indústria. Além disso, a economia portuguesa estava submissa a economia espanhola, cujo foco era colonialista e mercantilista, fazendo com que a colônia focasse somente no minério de metais preciosos. Chegamos ao século XIX com o desembarque da Corte Portuguesa no Brasil em 1808 e a consequente mudança para a cidade do Rio de Janeiro como a capital política e econômica de todo o Império português, seguida pela independência. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Na economia, as transformações também foram relevantes. Ressalte-se que a chegada da família real ao Brasil mudou fundamentalmente o cenário, ao reforçar as relações comerciais e sociais, além de liberar o território da situação extrema de colônia. Tivemos a abertura dos portos e cessão do controle econômico efetivo do país à Inglaterra, mesmo depois de conquistada a independência. As potências europeias ainda levavam vantagens esmagadoras nos acordos comerciais, mas com a aprovação da Tarifa Alves Branco, buscou-se eliminar as vantagens tarifárias conquistadas por muitas nações estrangeiras através de tratados assinados equivocadamente. O Banco do Brasil, primeira instituição financeira implantada no Brasil, foi constituída com a vinda da família real ao Brasil em 1808 e seu principal acionista era o governo. Sua função era de banco de depósitos, desconto e emissão, com objetivo de financiar a monarquia. Tivemos o incentivo à fabricação de vidro e pólvora, às indústrias manufatureiras com isenção de direitos alfandegários às matérias-primas, o fomento as atividades mineradoras, a fabricação de fios e tecidos de algodão, seda e lã, a isenção de penhora de equipamentos mineradores, a abertura de estradas e isenção de impostos para novas lavouras, as construções navais, exploração de barcos a vapor e navegação fluvial, a admissão de colonos estrangeiros com acesso à terra e o incentivo a irrigação de áreas secas. O domínio econômico inglês prosseguia, mas agora o Brasil começava a se organizar melhor no campo econômico. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon CICLO DO CAFÉ Na segunda metade do século XIX, o café passou a ser o principal produto do país, chegando quase a preencher toda a pauta de exportação, atrasando ainda mais a industrialização do Brasil. O Ciclo do Café durou por mais de 100 anos, entre os anos de 1800 e 1930, sendo a cafeicultura a principal atividade econômica do Brasil e o produto fundamental de exportação brasileira. Os grandes mercados consumidores eram como os Estados Unidos e a Europa, sendo as suas compras essenciais para a economia brasileira. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon No começo do século XX, toda a economia do ciclo do café se concentrava no Vale do Paraíba, região localizada entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Essa área tinha boas condições climáticas para o plantio do café, além de um solo bastante propício. A região Sudeste, como principal produtora de café, passou a categoria de principal centro econômico e político do Brasil. A partir dessa concentração no cultivo do café, as plantações foram expandindo no decorrer do tempoe atingiram o interior dos estados de São Paulo e Paraná, tão conhecidos por causa das “terras roxas” que possuíam. No decorrer de quase todo o período do ciclo do café, as fazendas de monocultura que utilizada a mão de obra escrava, predominaram. Essa foi umas das particularidades mais relevantes, apresentada durante as primeiras etapas da produção de café no Brasil. Saliente-se que os lucros obtidos durante o ciclo do café também ajudaram no desenvolvimento industrial e urbano da região Sudeste, com destaque para a construção de algumas ferrovias, com objetivo de promover o escoamento dos grãos de café para o porto de Santos. Diferentemente dos outros ciclos econômicos do Brasil, o ciclo do café passou por uma séria carência de mão de obra, tentando-se uma parceria com colonos imigrantes que inicialmente não foi relevante. Apenas, a partir do ano de 1870, com a chegada dos imigrantes europeus em terras brasileiras, que acordaram em trabalhar em condição de assalariados, houve um incremento dessa parceria e o problema da escassez de mão de obra foi se resolvendo. Essa a imigração foi financiada pelo poder público e o auge da imigração ocorreu quando milhares de imigrantes passaram a chegar todos os anos no Brasil. Entretanto, a escravidão não foi abolida, em grande parte do ciclo do café, já que a mão de obra escrava continuou presente nas plantações até o ano de 1888 (Lei Áurea). CRISE MONETÁRIO-FINANCEIRA: ENCILHAMENTO (1889/1891) Crise econômica que ocorreu no Brasil, sendo caracteriza por uma forte inflação e pela formação de uma bolha de crédito que estourou durante a República da Espada (1889- 1894), desencadeando, assim, uma crise financeira e institucional no Brasil entre o fim da Monarquia e o início da República. 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Nessa época, a riqueza do Brasil dependia das atividades rurais e 80% da produção agrícola tinha por destino a exportação, gerando recursos em moedas estrangeiras, necessários para o consumo e formação de capital nacional, além de auxiliar no pagamento da dívida externa e no financiamento do próprio governo. Entretanto, com o advento da abolição do trabalho escravo, os fazendeiros passaram a precisar de recursos para pagar seus trabalhadores agrícolas e as hipotecas (antes garantidas por seus escravos). Pressionada pelos fazendeiros e vendo a monarquia em perigo, o Império promoveu uma reforma do sistema bancário, por meio do Decreto n. 3.403/1888, visando assegurar maior liquidez ao mercado. Na prática, os bancos recebiam dinheiro do Tesouro sem juros e com prazos que variavam de sete a vinte e dois anos. De posse desses recursos, os bancos tinham que emprestar aos fazendeiros o dobro do empréstimo recebido do Governo, com prazo de vencimento de um a quinze anos, com juros de 6% ao ano. Esses empréstimos “de pai para filho” que os bancos receberam do Governo, que eram chamados de “auxílios à lavoura”, atraiu investidores para o setor bancário, pois fundar um banco era o grande negócio daquele momento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O governo imperial ao promover essa medida objetivava a formação de um sistema bancário forte, mas, na verdade, acabou gerando uma severa crise econômica, com reflexos na República nascente. Com a queda do Império, em 1889, banqueiros e comerciantes, diante da instabilidade política, fizeram grandes remessas de ouro para o exterior. Nessa época, Rui Barbosa, Ministro da Fazenda republicano, encontrou a economia nacional vivenciando um crescimento extraordinário do capital das companhias. Assim, Rui Barbosa entendeu que era hora de realizar uma expansão monetária relevante para atender as necessidades crescentes dos novos negócios. O plano econômico de Rui Barbosa, primeiro plano econômico da república, conservava a essência da Lei Bancária de 1888, ou seja, mantinha os empréstimos à lavoura e autorizava a utilização de títulos públicos como cobertura para a emissão. O Brasil foi dividido em três regiões bancárias (Norte, Centro e Sul) autorizadas a emitir dinheiro mediante a garantia de apólices da dívida pública. O governo depois admitiu que outros estabelecimentos fossem também credenciados a emitir dinheiro. Com isso houve um aumento exponencial na quantidade de papel-moeda, que passou a ser emitido num volume bem acima das necessidades econômicas da sociedade. Com dinheiro abundante na praça surgiram em pouco tempo centenas de novas sociedades comerciais, cujas ações eram vendidas na Bolsa sem qualquer garantia real, a não ser a esperança de que servissem de lastro para um futuro empreendimento industrial. A gestão de Rui, com sua política monetária expansionista é comumente apontada como responsável pelos descalabros financeiros do período. No segundo semestre de 1891, em meio a uma forte crise monetária, Rui Barbosa foi substituído pelo barão de Lucena, que tentou salvar o governo fazendo crescer as atividades econômicas e encorajando os bancos emissores a ampliarem o crédito. A crise acabou derrubando não apenas o ministro, mas o próprio presidente, Deodoro da Fonseca, substituído pelo vice, Floriano Peixoto. Resumo da ópera: como não havia um banco central ou outro órgão de supervisão bancária para regulamentar essas operações, a ideia de moeda crédito transformou-se em sinônimo de anarquia. METALISTAS X PAPELISTAS No Brasil da 2ª metade do século XIX, existia um embate entre “metalistas” e “papelistas” sobre o padrão monetário a ser adotado. Enquanto os metalistas propunham o Padrão- Ouro, os papelistas propunham o Fiduciário. O debate entre papelistas e metalistas tinha como foco a conversibilidade da moeda, fundamental para uma economia agroexportadora. Remetia, por conseguinte, às políticas monetária e cambial, bem como à relação entre ambas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 13 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon De um lado, os metalistas defendiam o padrão-ouro e a conversibilidade da moeda; para tanto, encontravam respaldo na teoria econômica convencional e na política do país hegemônico, a Grã-Bretanha. Para os metalistas, a prioridade da política econômica era a estabilidade e a política cambial, e por conseguinte, a definição da taxa de câmbio tornava-se variável prioritária. Defensores do padrão ouro, estabeleciam a relação entre política monetária e balanço de pagamentos, com os metais preciosos ingressando naturalmente no país se a economia fosse saudável, e que qualquer oferta de moeda sem lastro causaria inflação Os papelistas, por seu turno, recorriam à razão prática, a experiência (e não uma teoriacomo a tese abarcada pelos metalistas), que demonstrava qual o melhor caminho a seguir. Devia-se isso em parte às dificuldades de manter o padrão-ouro e à plena conversibilidade no país. A preocupação maior dos papelistas era com o nível de atividade econômica. A ideia- chave era tentar definir qual o nível de oferta monetária mais condizente com o ânimo dos negócios. Um dos seus fundamentos era o “requisito da elasticidade”, ou seja, a oferta de moeda deveria ser flexível ou elástica a ponto de não interferir negativamente nas atividades produtivas. Contextualizando, com uma economia fundamentalmente agroexportadora, existiam três entraves ao crescimento econômico: dependência externa; sistema financeiro embrionário e o crônico desequilíbrio das contas públicas. O debate acerca do padrão monetário acabou se misturando as divergências entre prognósticos de Política Monetária para equacionar esses entraves ao crescimento econômico sustentável. Na prática, quando o ministro da Fazenda era um papelista, a Política Monetária era expansionista e criticada pelos metalistas por comprometer o crescimento ao propagar inflação e desvalorizar a moeda. Em contraste, quando o ministro da Fazenda era um metalista, a Política Monetária era restritiva, sendo criticada pelos papelistas por limitar o crescimento devido à restrição de liquidez que provocava. Cada lado defendendo sua visão, com diagnósticos polêmicos e parciais, de ambas as partes. Enquanto de um lado os papelistas fixavam-se no mercado bancário (atender demandas por crédito), adotavam Política Monetária expansionista, desconsiderando a inflação que excesso de liquidez pode gerar, e seu efeito sobre a taxa de câmbio e atividade econômica, de outro, os metalistas, fixando-se no equilíbrio externo (evitar a depreciação da moeda), adotavam Política Monetária restritiva, desconsiderando a incipiente intermediação bancária e o desequilíbrio crônico das contas públicas que inviabilizavam o Padrão-Ouro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 14 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Importante atentar que, naquela época, a definição e estabilização do padrão monetário era fundamental para a consolidação do Brasil como um país soberano. Resumo da ópera: esse embate entre metalistas e papelistas, acabou gerando instabilidade monetária e nenhum crescimento econômico sustentável dada a parcialidade e, consequente, falha de seus diagnósticos. O CONVÊNIO DE TAUBATÉ (1906) O Convênio de Taubaté foi uma reunião dos estados produtores de café para encontrar uma solução à queda do preço do produto. Por meio desse acordo, os órgãos do Estado ficariam responsáveis pela compra do café a um preço mínimo, garantindo a renda dos cafeicultores. Para proteger os interesses dos cafeicultores, tornava-se necessário manter baixo o valor da moeda nacional. Assim, mesmo que o preço do café no exterior estivesse baixo, quando convertido em moeda brasileira dava bons lucros aos fazendeiros. A desvalorização da moeda nacional encarecia os produtos importados. Em contrapartida, a exportação de tipos inferiores de café devia ser desencorajada, a propaganda no exterior do nosso café devia melhoras, o consumo interno devia ser estimulado e a expansão das lavouras e a exportação do café devia ser controlada. 2 . SÉCULO XX2 . SÉCULO XX 2 .1 . CRESCIMENTO DA ATIVIDADE ECONÔMICA2 .1 . CRESCIMENTO DA ATIVIDADE ECONÔMICA No século XX, o PIB per capita brasileiro cresceu a uma média de 2,5% ao ano. Nas duas primeiras décadas do século XX, quando o café ainda era a atividade econômica predominante, o PIB per capita permaneceu estagnado, mas entre 1920 e 1980, com a urbanização e a industrialização crescentes, o PIB per capita crescia tanto, que quase dobrava a cada 20 anos. Entretanto, já nos anos 1980 e 1990, a economia estagnou novamente. Guarde que a crise ocorrida entre 1981 e 1984 foi muito forte, chegando a termos queda de 12% do PIB per capita Resumo da ópera: ao longo do século XX o PIB real ampliou-se 100 vezes e a população pouco menos de 10 vezes. 2 .2 . INFLAÇÃO2 .2 . INFLAÇÃO Basicamente, esse século é resumido com a elevação aumentada a partir da década de 1930, com tendência exponencial de crescimento, só revertida com o Plano Real, em 1995. Falando em termos numéricos, a taxa inflacionária média por ano foi de 6% nos anos 1930 para 330% nos anos 80 e para incríveis 764% de 1990 a 1995, só caindo, após o Plano Real, quando foi para 8,6% de 1995 a 2000. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 15 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon 2 .3 . POUPANÇA E INVESTIMENTO2 .3 . POUPANÇA E INVESTIMENTO Na “fase de substituição de importações”, quando as taxas de investimento cresceram bastante, saindo de níveis abaixo de 10% do PIB (1930) para 25% no final da década de 1970, época do chamado “milagre econômico”. Nesse período o governo usou de forma muito intensa, alguns instrumentos cambiais, comerciais e de controle burocrático, visando a proteger a indústria nacional. No tocante a nossa taxa de poupança doméstica, na fase de substituição de importações, recuperou-se, com estabilização num patamar em torno de 15% do PIB, mantendo-se assim até começo da década de 1950, e, passando por um crescimento forte para o patamar de 19% do PIB com o milagre econômico na década de 70. Temos que destacar a urbanização, que elevou a demanda por investimentos nas áreas habitacional e de infraestrutura, aliada transição demográfica a partir dos anos 1980, com o envelhecimento da população e respectivo incremento dos gastos com previdência social, que acabaram por afetar a poupança interna. No final do século XX, especificamente nos anos 1980 e 1990, tendência declinante com a redução do nível de poupança de 27% do PIB no final dos anos 80 para 14% do PIB em 1999, o mesmo acontecendo com a taxa de investimentos. 2 .4 . RECEITAS E DESPESAS PÚBLICAS2 .4 . RECEITAS E DESPESAS PÚBLICAS As despesas primárias do governo mais que triplicaram no século, passando de 10% do PIB em 1900 para 36% do PIB em 1999. A carga tributária também subiu nessa proporção. Destacam-se aí os aumentos significativos das despesas com a previdência social e dos estados e municípios, que corresponderam aos avanços do estado do bem-estar social por um lado, e do federalismo, por outro. Do lado da Receita, para contrabalancear e financiar o crescimento das suas despesas, o governo brasileiro realizou, durante o século XX, diversas reformas tributárias (em 1934, 1946, 1967 e 1988), com crescente evolução da arrecadação com a tendência de substituição dos tributos indiretos pelos diretos. Até 1920, a tributação era praticamente exclusiva via Imposto de Importação, que representava 80% da arrecadação e 11% do PIB. Depois, até o final da década de 1950, a carga tributária já passa para 19% do PIB, ganhando relevância os tributos internos e diretos, especialmente com a criação de impostos sobre o consumo e a renda, que passaram a ser as suas principais fontes, cabendo ao imposto de importação o papel de instrumento de política comercial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br16 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O Imposto de Importação, que foi, no início do século, a principal fonte de arrecadação, chegando a corresponder, em 1908, a 80% da arrecadação e a 7% do PIB, perde importância, enquanto o IPI e o IR, criados em 1924, crescem vigorosamente. O Imposto de Importação termina o século representando menos de 1% da arrecadação nacional. Merece destaque a reforma tributária de 1967 quando foi introduzido o Imposto sobre o Valor Adicionado (ICM – Imposto sobre Circulação de Mercadorias), sendo também melhorada a gestão da arrecadação. Falando ainda em reforma tributária, a de 1988 consagrou o aumento da participação dos estados e municípios na arrecadação dos impostos de renda e sobre produtos industrializados, com o governo federal focando na arrecadação de contribuições sociais indiretas, não compartilhadas com estados e municípios, como PIS, COFINS e CSLL. 2 .5 . SISTEMA FINANCEIRO2 .5 . SISTEMA FINANCEIRO O nosso sistema financeiro se desenvolveu muito após as reformas de 1964/65, sendo considerado um dos mais sólidos entre aqueles pertencentes a países em desenvolvimento. Entretanto, o crédito não se expandiu de modo a acompanhar a evolução do PIB e a sua versão de longo prazo não foi suficiente para o financiamento da formação de capital necessária para acompanhar o crescimento do PIB. 2.6. SETOR EXTERNO2.6. SETOR EXTERNO A fraca expansão da receita com as exportações do Brasil decorreu da baixa evolução do volume de mercadorias exportadas, em virtude da baixa capacidade produtiva e dos gargalos de infraestrutura e de investimentos do setor. Outro aspecto econômico destacável no século passado é migração do “país Rural” para um “país industrial”. Efeito da industrialização, principalmente. Nesse contexto, que o Capitalismo tem suas crises! O Brasil, predominantemente importador de capitais ao longo da sua história, foi vítima de algumas crises cambiais como as de 1930, 1980 e 1990, gerando queda em suas exportações. A desconfiança de investidores internacionais em nossa capacidade produtiva, e não apenas em fatores externos, foi fundamental para os efeitos dessas crises em nossa dependente economia. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 17 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon 2 .7 . MUDANÇAS ESTRUTURAIS2 .7 . MUDANÇAS ESTRUTURAIS No que diz respeito à evolução dos diferentes setores do PIB brasileiro, vemos que é notória a queda da participação da Agricultura, que passa de 45% do PIB no começo do século, para cerca de 10% ao seu final, com a população migrando do campo para as cidades. Inicialmente, essa redução do peso da Agricultura na economia foi compensada pela correspondente expansão da Indústria, que sobe de 12% do PIB em 1901 chegando nos anos 1970 a 34% do PIB nacional. Em relação à evolução do setor de Serviços, verificamos que foram obtidos ganhos de participação crescentes, refletindo uma tendência já comprovada e inerente ao nível de desenvolvimento dos países. O setor de serviços aumenta a sua participação de 44% do PIB no início do século XX, para 61% ao seu final. Merece destaque a década de 1940, que foi uma das mais fortes em termos de mudanças estruturais da nossa economia. As décadas em que foram menores as mudanças estruturais foram a primeira e a última do século. Foram as mudanças estruturais na economia que beneficiaram o crescimento das atividades industriais em detrimento da agricultura, assim como o ganho de importância das indústrias extrativistas minerais, a indústria da construção civil e os serviços financeiros e de comunicação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 18 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 19 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon 3. PERÍODO PÓS-CRISE DE 1929 ATÉ O FIM DA SEGUNDA 3. PERÍODO PÓS-CRISE DE 1929 ATÉ O FIM DA SEGUNDA GUERRAGUERRA Analisando especificamente o nosso setor industrial, merece destaque o fato de que nossa economia, no início dos anos 1900, embora ainda fosse baseada nas exportações da dupla café e borracha, já começava a gestar um processo de industrialização. Com a crise de 1929, a indústria ganhou força face ao estímulo do mercado interno, impedido de importar em função da crise. A grande depressão de 1929 e a retração mundial da demanda, especialmente da economia americana, trouxe sérios problemas para a economia brasileira, já que a nossa crescente produção de café perdeu mercado. Assim, com aumento de oferta e queda na demanda por café (nosso principal produto) o Brasil sentiu demais. Em termos políticos também tivemos mudanças significativas nesse período, com a transição da República Café com Leite para o primeiro governo de Getúlio Vargas, que focou em dinamizar a economia interna com uma política de manutenção da renda. Tentando preservar o preço do café, ideia era comprar, estocar e depois queimar o café! Queimar o café? É, Vargas entendeu que, enquanto não conseguia migrar o centro dinâmico da economia do café para outra atividade, precisaria manter a renda nacional, assegurando assim, embora artificialmente, a demanda por café. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 20 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Ora, como o mercado interno não consumir tanto café, o governo comprava o excedente, estocava e depois queimava! Claro que ao estocar, a ideia inicial do governo não era queimar, mas aguardar a recuperação da demanda mundial e até lucrar com essa operação, já que estava comprando a um preço baixo e esperava efetuar a revenda para o exterior com preço melhor. Mas a recuperação da economia mundial demorou mais que o esperado, e tanto a demanda quanto o preço do café continuaram tão baixos que a solução encontrada foi queimar as sobras. Note que se o governo optasse por doar em vez de queimar o café, o preço cairia ainda mais, aumentando seus prejuízos. Diante de tamanha crise econômica mundial, Vargas concluiu que nossa economia não podia mais ser tão dependente de um único produto voltado para a exportação. Assim, Vargas decidiu mudar o eixo dinâmico da economia brasileira. Aliado a essa decisão e às dificuldades com a exportação de café, o Brasil ficou praticamente impossibilitado de importar, já que com o câmbio desvalorizado o poder de compra das famílias brasileiras para adquirir bens duráveis importados também foi significativamente reduzido. Nessa época nosso balanço de pagamentos foi afetado fortemente pela diminuição das exportações, deixando de ser superavitário para ser deficitário. Para tentar estimular as exportações “na tora”, nossa moeda foi desvalorizada para tentar elevar artificialmente as exportações, e essa desvalorização, encareceu as importações. A soluçãopara esse “estrangulamento externo” era substituir os produtos industrializados importados por produtos industrializados nacionais. Assim surgiu o PSI – Programa de Industrialização por Substituição de Importações, voltado especificamente para a produção nos itens listados na pauta de importações, ou seja, foi um programa de industrialização fechada, voltado especificamente para atender à demanda doméstica. Esse embrionário PSI, que se prolongou até o Regime Militar, necessitou de medidas protecionistas por parte do governo, como o controle das importações. O governo desempenhou papel fundamental nesse processo também no que diz respeito à adequação do arcabouço institucional, à geração de infraestrutura básica, ao fornecimento de insumos básicos e a captação e fornecimento de poupança. Note, portanto, que o governo foi o fornecedor de recursos para a industrialização, usando para isso o aumento do endividamento externo e a emissão de moeda. Induzido pelo Estado, o PSI ocorreu em rodadas ou etapas, sendo a pauta de importações quem ditava que ramo industrial seria instalado primeiro. Assim, em uma primeira etapa tivemos bens de consumo não duráveis, como calçados, alimentos e produtos têxteis. Em seguida, tivemos bens de consumo duráveis como automóveis e eletrodomésticos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 21 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Depois bens intermediários como ferro, aço, produtos químicos, petróleo e cimento. Numa quarta etapa tivemos os bens de capital, ou seja, máquinas e equipamentos. A partir da década de 1930 é que foram cridas no país as condições para a acumulação capitalista, evidenciado não só pela redefinição do papel estatal quanto a interferência na economia, criando as condições para a industrialização, além da implantação de indústrias voltadas para a produção de máquinas, equipamentos etc. Em termos de Política Econômica, nota-se que o foco do PSI NÃO foi a criação de empregos e distribuição de renda, já que o foco foi o desenvolvimento de setores de produção que economizam mão de obra, por meio da implantação de indústrias voltadas para a produção de máquinas e equipamentos, que são intensivas de capital e não de mão de obra. Na verdade, os beneficiados foram os industriais que receberam os recursos fornecidos pelo Estado, montando indústrias protegidas que não eram submetidas à competição e que tinham altas margens de lucros, concentrando ainda mais a renda. Foi criada a CEPAL – Comissão Econômica Para a América Latina que cujo pensamento econômico na época era de que a evolução industrial e algumas reformas sociais reduziriam o subdesenvolvimento, sendo que fundamental o aprofundamento da industrialização para reverter o quadro de pobreza da população. Na verdade, nosso país conseguiu um maior grau de industrialização, mas o subdesenvolvimento permaneceu, em função da acumulação das riquezas nas mãos de poucos. Durante a segunda guerra, o Brasil iniciou a diversificação das exportações para os países da América Latina, antes direcionadas para Estados Unidos e Alemanha. A economia cresceu tanto na época da segunda guerra que, com o crescimento das reservas cambiais, o governo pode equacionar o problema da dívida externa, que tinha levado o país a decretar a moratória em 1937. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 22 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon É importante pontuar que a chamada “Era Vargas” (1930-1945) o presidente governou o Brasil em três momentos distintos, “Governo Provisório” (1930-1934), “Governo Constitucional” (1934-1937) e “Estado Novo” (1937-1945). Importante destacar que 2ª guerra mundial gerou alguns impactos significativos no brasileiro comum daquela época. Tivemos uma recessão de consumo, principalmente de produtos essenciais, como pão e leite, mas esse conflito também teve aspectos positivos para a economia brasileira. Com a 2ª guerra mundial em andamento, Getúlio Vargas obteve um rentável acordo com os Estados Unidos, que consistia no fornecimento de matéria-prima, sobretudo borracha, além de fornecer as bases aéreas do litoral do Nordeste para uso do exército americano. Em troca, os Estados Unidos forneceram equipamentos militares e financiaram a construção da primeira siderúrgica do país na cidade de Volta Redonda, a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional. A excepcionalidade da guerra impedia as divisas de serem gastas em importações, e a forma como se conduzia a esterilização de excedentes do comércio exterior seria então uma das raízes do processo inflacionário. Entre 1942 e 1945, o crescimento médio da economia ficou em 6,4% e o da indústria em 9,9%, tendo a proporção entre gasto público e PIB se reduzido em 8%. 4. PERÍODO PRÉ-1964 E GOVERNOS MILITARES4. PERÍODO PRÉ-1964 E GOVERNOS MILITARES Os Planos de Desenvolvimento são diretrizes para a implementação da política econômica destinada a proporcionar o desenvolvimento do país. É importante não confundir planos de desenvolvimento econômico com planos monetários (planos de estabilização da economia)! No Brasil já tivemos planos monetários como o Plano Cruzado e o Plano Verão, ligados ao controle da inflação. Mas eles não têm nada a ver com os planos de desenvolvimento. 4.1. GOVERNO DUTRA (1946 A 1951) E O PLANO SALTE4.1. GOVERNO DUTRA (1946 A 1951) E O PLANO SALTE Inicialmente Dutra focou em uma política econômica para reduzir a inflação, que foi de 11% ao ano em 1945 e de 22% em 1946. Tal inflação foi decorrente da expansão de gastos públicos promovida no Governo Vargas, e, assim, Dutra aplicou políticas fiscal e monetária restritivas para enfrentá-la. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 23 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon No ano de 1947 a inflação foi reduzida para 2,7% ao ano, mas em 1948 subiu para 8% ao ano, gerando uma mudança em 1949 na política econômica do Governo Dutra decorrente da troca do Ministro da Fazenda. Saiu a política ortodoxa e contracionista, entrando em ação uma política econômica expansionista, com deficits públicos e inflação anual 12,3% e 12,4% em 1949 e 1950, respectivamente, mas com o PIB crescendo 7,7% e 6,8% em cada ano respectivo. No âmbito da política econômica externa, em compatibilidade com o PSI, foram usados controles cambiais e de importações, com a oferta de dólares de acordo com o grau de essencialidade dos bens a serem importados. Nessa toada, atendidas as necessidades governamentais, as importações eram realizadas de acordo com a necessidade e essencialidade dos bens. Ainda em pleno andamento do PSI, o Plano SALTE foi um programa de dispêndio público com ênfase em setores em 4 setores, com a iniciais formando SALTE – Saúde, Alimentação, Transporte e Energia, que serviu para começar a ordenar o orçamento público, coordenar as despesas públicas, provocar uma grande discussão sobre o assunto e atrair a atenção da sociedade sobre a necessidade de se obter um projeto de desenvolvimento nacional, com a realização de obras estruturais ao desenvolvimento industrial, vez que já era reconhecida a incapacidadeda iniciativa privada em financiar projetos dessa magnitude. 4.2. SEGUNDO GOVERNO VARGAS (1951 A 1954)4.2. SEGUNDO GOVERNO VARGAS (1951 A 1954) O 2º Governo Vargas em termos de política econômica pode ser dividido em duas etapas. Na primeira fase, tivemos uma política ortodoxa visando corrigir excessos fiscais e monetários que acarretaram o aumento da inflação do final do Governo Dutra. Na segunda fase, dando ênfase à continuidade do processo de substituição de importações tivemos um viés desenvolvimentista marcado por obras relevantes e constituição de novas empresas estatais, com viés heterodoxo. Tivemos a criação do BNDE – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, Petrobras e Eletrobras. Entretanto, em função de restrições externas que levaram a sérias dificuldades cambiais e ao aumento da inflação, tal plano desenvolvimentista não foi implementado como desejado. Vale destacar que no início do 2º Governo Vargas temos uma perspectiva positiva do cenário externo, especialmente com o aumento preço do café gerado pela recuperação econômica progressiva da Europa. Nessa toada, o controle de importações foi flexibilizado e o câmbio continuou fixo e sobrevalorizado, visando facilitar as importações de modo que fossem usadas para conter a inflação. Diante desse quadro, Vargas modificou sua política externa por meio da Instrução 70 da SUMOC, que era a autoridade monetária naquela época. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 24 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon As principais mudanças trazidas pela Instrução 70 da SUMOC foram: - Restabelecimento do monopólio cambial do Banco do Brasil; - Extinção do controle quantitativo das importações e a instituição de leilões de câmbio; e – No que diz respeito às exportações foi feita a substituição das taxas mistas por um sistema de bonificações incidentes sobre a taxa oficial. Na medida que a essencialidade do bem era reduzida, a taxa de câmbio aplicada era desvalorizada, desestimulando à importação de bens supérfluos ou considerados menos essenciais. Resumo da ópera: ao conceder subsídios implícitos nas categorias de taxas de câmbio mais baixas, para a importação de bens de capital e insumos adquiridos para o desenvolvimento industrial, a Instrução 70 da SUMOC incentivou a substituição de importações, além de garantir proteção à indústria nacional, visto que as categorias consideradas supérfluos ou não essenciais, normalmente eram produzidas internamente. 4.3. GOVERNO JK (1956 A 1960) E O PLANO DE METAS4.3. GOVERNO JK (1956 A 1960) E O PLANO DE METAS O Governo do Presidente Juscelino ficou marcado na história pelo Plano de Metas por meio do qual o Brasil se modernizaria “50 anos em 5”. Tal plano consistiu em um plano econômico composto por um conjunto de investimentos em setores priorizados pelo Estado. A ideia central do Plano de Metas era a de que era muito útil na condução de um plano de desenvolvimento, focar suas energias nos setores mais relevantes, pois estes, ao possuírem fortes ligações “para frente e para trás” na cadeia produtiva, irão disseminar o processo de desenvolvimento pela economia em vez de dispender esforços e recursos em muitos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 25 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon setores. Um bom exemplo é o setor automotivo, pois a ideia era de ser mais eficiente concentrar grande parte dos esforços nele, já que os demais setores iriam se desenvolver na esteira dele. Foi na área do desenvolvimento industrial que JK foi mais bem sucedido. JK estimulou a abertura da economia para o capital estrangeiro e conseguiu atrair o investimento de grandes empresas, como as grandes montadoras de automóveis como Ford, Volkswagen e GM, dentre outras. Assim, foram instaladas filiais na região sudeste do Brasil, principalmente, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e ABC, gerando oportunidades de empregos nesses locais, o que aumentou o “êxodo rural”, ou seja, a saída do homem do campo para as cidades, com a migração de nordestinos e nortistas para as grandes cidades do Sudeste. Inflação e deficit público com aumento do endividamento público foram as principais consequências econômicas indesejáveis trazidas pelo Plano de Metas, além da deterioração de suas contas externas, geradas pela queda nas exportações já que o foco da economia continuava no PSI. Resumo da ópera: JK rompeu com o FMI – Fundo Monetário Internacional ao tentar reestruturar sua dívida junto ao Eximbank, onde o FMI atuava como garantidor e não aceitar uma série de ações impostas pelo FMI para estabilizar o Balanço de Pagamentos, como redução do gasto público e modificação da política cambial. Findado o Governo JK, já havia forte aceleração inflacionária, da ordem de 50% ao ano e dívida pública tinha subido bastante. 4.4. GOVERNOS JÂNIO E JANGO (1961 A 1964) E O PLANO TRIENAL4.4. GOVERNOS JÂNIO E JANGO (1961 A 1964) E O PLANO TRIENAL O Governo de Jânio Quadros é iniciado no âmbito da desarrumação macroeconômico trazida à baila por JK, especialmente os deficits interno e externo e a elevada inflação. As medidas de política econômica trazidas por Jânio Quadros tinham caráter ortodoxo, com foco em forte desvalorização cambial e a unificação do mercado de câmbio por meio O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 26 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon da Instrução 204 da Sumoc, na redução do gasto público (política fiscal contracionista), em uma política monetária contracionista e na redução dos subsídios concedidos às importações de petróleo e trigo. Destaque-se que a dívida externa brasileira foi reescalonada com a postergação de vencimentos que ocorreriam no curto prazo. Resumo da ópera: o Governo Jânio Quadros durou apenas os 8 primeiros meses de 1961 com a sua renúncia. Após uma fase parlamentarista, o governo da Jango – João Goulart é iniciado em janeiro de 1963. O objetivo de aliar crescimento econômico, estabilidade macro e inclusão social é elaborado um plano de estabilização, denominado PLANO TRIENAL, que propunha medidas fortes para debelar os desequilíbrios fiscais e monetários. O Plano Trienal sonhava em aliar crescimento econômico, estabilidade macroeconômica e inclusão social, com os seguintes objetivos: 1 – Garantir taxa de crescimento do PIB de 7% a.a., próximo à média dos anos anteriores; 2 – Reduzir a taxa de inflação para 25% em 1963, visando alcançar 10% em 1965; 3 – Garantir um crescimento real dos salários à mesma taxa do aumento da produtividade; 4 – Realizar a reforma agrária como solução não só para a crise social como para elevar o consumo de diversos ramos industriais; e 5 – Renegociar a dívida externa para diminuir a pressão de seu serviço sobre o balanço de pagamentos. Resumo da ópera: com o fracasso do Plano Trienal, Jango (João Goulart) começou a tentar nacionalizar empresas petrolíferas de capital privado e a desapropriar algumas regiões para uma suposta reforma agrária, o que causou o ódio da classe média e alta brasileiras. Em função dessas ações e de outros aspectos econômicos, tivemos a derrubadado governo de Jango e o início do regime militar. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 27 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon 4.5. GOVERNO4.5. GOVERNOS MILITARESS MILITARES Responsável por vinte anos de nossa história (1964 a 1984), o Regime Militar, expressão utilizada para fazer referência ao período em que nosso país foi governado por militares não eleitos pelo povo, em termos de economia pode ser dividido em dois períodos, embora tenhamos tido cinco presidentes nesses vinte anos. No primeiro período militar, que foi de 1964 a 1973, os principais problemas econômicos existentes no final do Governo Jango foram solucionados, com destaque para o PAEG, possibilitando o crescimento econômico significativo obtidos entre 1968 e 1973, período que ficou conhecido como “milagre econômico brasileiro”. Vale destacar que, em algumas questões de prova de concursos, considera-se o período do “milagre econômico como sendo entre 1967 e 1973. Nessa fase tivemos os presidentes Castello Branco, Costa e Silva e Médici. Já no segundo período, que foi de 1974 a 1984, tivemos as bases do colapso econômico que o Brasil viveu nos anos 80, período que ficou conhecido como a “década perdida”. Nessa fase tivemos os presidentes Geisel e Figueiredo. 4.5.1. GOVERNO CASTELLO BRANCO E O PAEG Durante o Governo Castello Branco, os dois problemas que prejudicaram o governo anterior (financiamento do setor público e balanço de pagamentos) foram solucionados, via reforma tributária implementada entre 1964 e 1967, que aumentou e indexou as receitas do governo e permitiu a colocação de papéis indexados da dívida pública. Foi fundamental o apoio dos Estados Unidos ao reescalonamento da dívida externa e à reabertura de linhas de crédito internacionais. O Programa de Ação Econômica do Governo – PAEG foi um plano econômico que tinha como objetivos combater a inflação, atrair investimentos externos, reformar o Sistema Financeiro Nacional, diminuir as desigualdades regionais e aumentar os investimentos estatais. O PAEG pode ser caracterizado como um plano misto, com componentes ortodoxos e heterodoxos, já que procurou equilibrar crescimento econômico e combate à inflação de modo gradual, promovendo reformas econômicas que buscavam corrigir as distorções econômicas herdadas. Para combater a inflação, a ideia era que ela resultado do excesso de demanda, assim, o plano focava em reduzir o consumo no país, tendo sido adotadas medias como a restrição ao crédito e a diminuição da emissão de papel-moeda. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 28 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Merecem destaque as três reformas econômicas realizadas na economia brasileira nesse período: 1) Reforma Financeira A ideia era criar um sistema financeiro capaz de financiar despesas e investimentos sem precisar emitir moeda para não gerar inflação. Merece destaque a Reforma do Sistema Financeiro, quando foi criado o Banco Central e o Banco Nacional de Habitação – BNH. 2) Reforma Tributária No âmbito tributário, a ideia era aumentar a arrecadação visando a redução do deficit público, ao mesmo tempo aumentando a racionalidade e eficiência do sistema tributário brasileiro. 3) Reforma do Mercado de Trabalho No âmbito do mercado de trabalho, a ideia básica era aumentar a produtividade da economia. Destaque-se a criação do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço em substituição à então vigente estabilidade do trabalhador, flexibilizando o mercado de trabalho e a adoção de uma nova política de reajuste salarial focada em frear a inflação. Importante registrar que os trabalhadores tiveram, na prática, perdas nesse período, que concentrou ainda mais a renda. Resumo da ópera: o PAEG conseguiu reduzir a inflação e gerar crescimento econômico, com melhoria na situação fiscal e nas contas externas, mas seus principais benefícios foram gerados para o período futuro conhecido como “milagre econômico”. 4.5.2. GOVERNO COSTA E SILVA, GOVERNO MÉDICI E O PND – PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO I Nos governos Costa e Silva e Médici vivemos o famoso “milagre econômico”, especialmente nos anos de 1968 a 1973, com crescimento econômico médio de 11% ao ano, inflação em queda e situação das contas externas melhoradas, grande parte em decorrência dos benefícios trazidos pelas reformas econômicas herdadas do PAEG de Castello Branco, Bulhões e Roberto Campos. Além dos benefícios trazidos pelo PAEG e pelas reformas de Castello Branco, alguns outros fatores também contribuíram para o “milagre”, como, por exemplo, a existência de capacidade ociosa na indústria, o crescimento da economia mundial e a mudança no diagnóstico da inflação que passou a ser definida como inflação de custos com as consequentes mudanças nas políticas fiscal, monetária e cambial. Apesar de todos esses aspectos favoráveis, o período do “milagre econômico brasileiro” também trouxe alguns problemas que seriam transferidos para os governos seguintes, como, por exemplo o aumento do endividamento externo e a concentração ainda maior da renda. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 29 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Durante a década de 1970 tivemos o PND – Plano Nacional de Desenvolvimento I e o PND – Plano Nacional de Desenvolvimento II, nos períodos respectivamente de 1972 a 1974 e de 1975 a 1979. O PND I tinha como base o Programa de Metas e Bases para a Ação do Governo apresentado em 1970, durante o governo Médici. O objetivo do PND I era desenvolver o Brasil, e a sua meta era duplicar a renda per capita do país até 1980 e aumentar o PIB a uma taxa de crescimento anual entre 8% e 10%. O PND I queria colocar o Brasil entre as nações desenvolvidas no espaço de uma geração e elevar a taxa de expansão do emprego até 3,2% em 1974, com redução da taxa de inflação e a adoção de uma política econômica internacional que acelerasse o desenvolvimento sem prejuízo do controle da inflação. Para fortalecer a estrutura empresarial, o I PND criou o Programa de Promoção de Grandes Empreendimentos Nacionais e convocou o empresariado brasileiro a participar de setores estratégicos do desenvolvimento. Nessa toada, o PND I era lastreado em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – BNDE e, por meio do Programa de Promoção de Grandes Empreendimentos Nacionais, estimulou o empresariado brasileiro a atuar em setores estratégicos para o desenvolvimento do Brasil. O I PND também usou recursos da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e de outros órgãos financeiros da União. Resumo da ópera: a principal inovação do I PND, quando comparado ao Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) e ao Programa Estratégico de Desenvolvimento (PED, foi que, enquanto esses últimos eram documentos que traduziam intenções do Poder Executivo, o PND foi convertido em lei após ter sido analisado e aprovado pelo Congresso. 4.5.3. GOVERNO GEISEL E O PND – PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO II O Governo Geisel (1974 a 1978) é iniciado no contexto econômico presente ao final do período do MilagreEconômico, quando já tínhamos aumentos da dívida externa decorrente do grande ingresso de capitais externos, e grande dependência do petróleo. O cenário da economia mundial já não era tão bom, principalmente em decorrência dos choques do petróleo quando tivemos forte elevação nos seus preços. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 30 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon PREÇO MÉDIO ANUAL DO PETRÓLEO Em U$$ do ano 2000* 90 80 70 60 50 40 30 20 10 70 Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan Jan 72 74 76 78 80 82 84 86 88 90 92 94 96 98 00 0 * Inflacionado pelo índice de Preços ao Consumidor dos EUA Fonte: Federal Reserve Com o aumento da dívida externa e a dependência do petróleo boa parte importado, o Brasil ficou bastante vulnerável em relação ao mercado internacional. Assim, nasceu o PND – PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO II. O PND II tinha como principais metas elevar a renda per capita a mais de mil dólares e fazer com que o PIB do Brasil passasse a barreiras dos cem bilhões de dólares em 1977, por meio da consolidação de uma sociedade industrial moderna e de um modelo de economia competitiva. O PND II queria ajustar a economia brasileira à situação de escassez de petróleo e ao novo estágio da evolução industrial do país, focando nas indústrias básicas, especialmente na produção de bens de capital e da eletrônica pesada. A forma encontrada foi tentar substituir as importações e estimular as exportações, estimulando também o setor agropecuário a contribuir para o crescimento do PIB, dando prioridade a indústria de base, do desenvolvimento científico e tecnológico e da infraestrutura econômica, com destaque para a política de energia que visava reduzir a dependência do Brasil em relação às fontes externas. Outro viés do PND II foi a integração nacional, baseada num programa de aplicação de recursos no Nordeste, na ocupação produtiva da Amazônia e da região Centro-Oeste, com destaque para o Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia – Polo Amazônia e pelo Programa de Desenvolvimento de Recursos Florestais. 4.5.4. GOVERNO FIGUEIREDO (1979 – 1984) E O PND – PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO III Chegamos aos anos 1980, cujo tema mais relevante para a economia nacional foi o elevado endividamento externo e suas implicações, aliado a aceleração da inflação. Um dos seus efeitos foi a perda das fontes de financiamento do desenvolvimento externo, visto que nessa época os EUA atraíram boa parte do capital internacional com a elevação da sua taxa de juros para controlar a inflação decorrente do 2º choque do petróleo (1979). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 31 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon O Governo Figueiredo sofreu as consequências da “ressaca” dos excessos cometidos no passado, ou seja, a conta chegou e veio “pesada”. Com o 2º choque do petróleo em 1979, um choque de oferta que aumentou os custos de produção e, consequentemente, os preços dos produtos, com redução na oferta de produtos e redução do crescimento econômico mundial. Como o Brasil era fortemente dependente do capital externo, essa foi uma fase de “estrangulamento externo”, com a saída de captais. Nessa toada, foi efetivado um ajuste no sentido de reduzir a demanda por divisas e de aumentar as exportações para aumentá-las. Com a economia brasileira em sérias dificuldades no fim dos anos 1970 e início da década de 1980, em função da desfavorável conjuntura econômica internacional, surge o III PND ou PND III que, de fato, era apenas um plano de intenções, sem apresentar muitos detalhes e sem quantificar metas, apenas tendo com o objetivo principal a compatibilização entre crescimento econômico acelerado, o controle da inflação e do equilíbrio das contas públicas e externas. Brasil x FMI – O Brasil recorre ao FMI O relacionamento do Brasil com o FMI nem sempre pôde ser definido como isento de conflitos. Conforme os governos mudam, as políticas externas e internas também mudam. É possível observar diferentes posturas adotadas pelo Brasil desde a criação do FMI. Durante a fase em que Brasil foi presidido por Juscelino Kubitschek, na segunda metade da década de 1950, acreditava-se que o FMI era uma entidade que impedia o desenvolvimento econômico nacional. Assim, em 1959, Juscelino Kubitschek rompeu a relação brasileira com o FMI, só retornando em 1960. O rompimento decorreu da construção de Brasília, já que as medidas impostas pelo FMI em relação ao pedido de empréstimo de 200 bilhões de dólares atrasariam a inauguração da nova capital. A condição para a liberação do dinheiro consistia na adoção de um pacote de medidas inflacionárias que manteriam a inflação em no máximo 6% ao ano. Assim, O governo brasileiro teria que estabelecer uma taxa única de câmbio, além de restringir salários, o que não interessava à política econômica de JK. Durante o regime militar manteve-se boas relações com o FMI. Inicialmente, o Brasil era independente do Fundo, mas devido ao grande investimento estatal em infraestrutura e com a crise do petróleo, as fontes para financiar o crescimento econômico brasileiro secaram. A inflação voltou a subir, a dívida externa aumentava exponencialmente, a reservas de dólares estavam diminuindo. Para piorar, em 1981, os Estados Unidos subiram as taxas de juros, aumentando ainda mais o custo da dívida externa nacional. Assim, o Brasil teve que “deixar o orgulho de lado”, ou melhor, “baixar a bola”, e “ir com o pires na mão” pegar dinheiro emprestado no FMI para não se tornar insolvente. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para GABRIEL DE OLIVEIRA SILVA - 10738853640, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 32 de 74gran.com.br PDF SINTÉTICO Economia Brasileira Manuel Piñon Resumo da ópera: a necessidade brasileira de recorrer ao FMI – Fundo Monetário Internacional durante o período da Ditadura Militar, entre 1982 e 1983, decorreu especialmente em função dos efeitos da “Crise do Petróleo”, que fez com que o Brasil, que já tinha uma dívida externa significativa, precisasse do apoio do FMI quando já não havia mais outra saída para enfrentar sozinho a crise da dívida externa. Economia Brasileira – Parte 2 Planos – Pré 1964 e Período Militar Plano SALTE PND III PND I Plano de Metas – JK Programa de dispêndio público com ênfase em setores como saúde, alimentação, transporte e energia. Plano Trienal Objetivo era desenvolver o Brasil numa velocidade de “cinquenta anos em cinco”. Focava em investimento nas áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento econômico, especialmente, em infraestrutura (rodovias, hidrelétricas, aeroportos) e indústria. PAEG – Plano de Ação Econômica do Governo Era um plano de estabilização que propunha medidas fortes para debelar os desequilíbrios fiscais e monetários. Época dos militares, tinha como objetivos combater a inflação, atrair investimentos externos, reformar o Sistema Financeiro Nacional, diminuir as desigualdades regionais e aumentar os investimentos. O objetivo do PND I era desenvolver o Brasil por meio do Programa de Promoção de Grandes Empreendimentos Nacionais, estimulando o empresário brasileiro a(2003 – 2006) 7.2. Lula – Segundo Mandato (2007 – 2010) 8. Governos Dilma 8.1. Dilma – Primeiro Mandato (2011 – 2014) 8.2. Dilma – Segundo Mandato (2015 – 2016) 9. Governo Michel Temer (2016 – 2018) 10. Governo Bolsonaro (2019-2022)