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Feijão-vagem / Feijão-de-vagem (Phaseolus vulgaris) 1 – Informações gerais . O feijão-vagem é da família Fabácea (Fabaceae), antigamente denominada Leguminosae. Pertence à mesma espécie do feijão comum. A diferença, na Olericultura, está no uso de suas sementes e vagens ainda imaturas. As vagens devem ser de boa qualidade, com poucas fibras e de polpa mais espessa, o que não acontece com todas as espécies de feijão comum. . Originária do continente americano (México e Guatemala), foi levada para a Europa, onde mutações ocorridas no feijão comum, onde algumas espécies apresentaram baixo teor de fibras nas vagens, foram selecionadas. . A produção mundial anual está em torno dos 6,5 milhões de toneladas, sendo a China a maior produtora, seguida da Indonésia e da Turquia. . No Brasil, a produção é estimada em 55 a 60 mil t/ano. A região Sudeste responde por cerca de 65 a 70% deste total. . Em MG, no ano de 2016, a CEASA comercializou 7859 t de feijão-vagem, no valor de R$ 22,3 milhões. Barbacena e Alfredo Vasconcelos estão entre os 5 municípios que mais produzem no estado. . O feijão-vagem é fonte de vitaminas A, B1, B2 e C, de P, K, Ca e Fe, além de ser importante fonte de proteínas e fibras. A estimativa de consumo, no Brasil, é de 0,7 kg/pessoa/ano. O mercado brasileiro é destinado, principalmente, ao consumo in natura. Foto: Isla Sementes – Feijão-vagem de crescimento indeterminado 2 – Morfologia . É uma planta herbácea, anual, cujo comprimento e ramificação do seu caule dependem do seu hábito de crescimento, que pode ser determinado e indeterminado. . Nas cultivares de crescimento determinado, o caule é ereto (o que favorece colheita mecanizada), com uma altura que varia de 0,3 a 0,7 m, e as inflorescências são apicais. O ciclo é mais curto, em torno de 60 dias, e a produtividade média é de 12 a 15 t/ha. . Nas cultivares de crescimento indeterminado, o caule é volúvel (crescem enroladas em um suporte), podendo crescer mais de 2 m, com poucas ramificações. O florescimento ocorre da base para o ápice, e a colheita é parcelada. A produtividade média, nesse caso, é de 25 a 30 t/ha. . O sistema radicular é relativamente superficial, com o importante detalhe de que pode estabelecer relação simbiótica com bactérias fixadoras de N. As folhas no geral, são trifolioladas, com exceção das duas primeiras, que são unifolioladas. . A planta é autógama, e as inflorescências são do tipo racimo. As flores, hermafroditas, podem ser brancas, amarelas, róseas ou roxas. Os frutos formados são vagens, cilíndricas ou achatadas. Por terem baixo teor de fibras são indeiscentes quando secas (diferentes do feijão comum). . As sementes têm formato reniforme ou alongadas, podendo ter cores variadas. As de cor branca são as preferidas para a industrialização. Foto: Felipe Barra 3 – Cultivares . Não existem híbridos comercializados de feijão-vagem, apenas cultivares de polinização aberta (CPA). . As cultivares podem ser classificadas: . De acordo com o hábito de crescimento: 1. Determinadas – apropriadas para o cultivo rasteiro, sem tutoramento 2. Indeterminadas – do tipo trepador, em que se faz o tutoramento . De acordo com a seção das vagens: 1. Tipo “macarrão”, com seção transversal circular 2. Tipo “manteiga”ou “vagem chata”, com seção transversal elíptica. . Uma variação destes tipos é a vagem holandesa, menos achatada que a manteiga e menos circular que a macarrão, mais fina e verde-escura quando madura. . Exemplos de cultivares: Macarrão Trepador, Manteiga Maravilha, De Metro Slim, Favorito, Napoli, Macarrão Rasteiro, Coralina, etc. Imagem: Google / site Bonde 4 – Clima . Desenvolve-se melhor em temperatura amena, numa faixa de 18 a 27ºC. Tªs abaixo de 15ºC atrasam o crescimento e desenvolvimento da planta, e acima de 35ºC de dia e/ou 25ºC à noite causam abortamento de flores, menor fixação de vagens e vagens deformadas. . Ventos fortes associados a baixa umidade relativa reduzem o pegamento e o desenvolvimento das vagens. 5 – Solo e Adubação . Os solos de textura média, bem drenados e com pH entre 5,5 e 6,5 são os mais adequados à cultura. . Os nutrientes acumulados em maior quantidade na planta são o N e o K. Trabalho realizado por MAGALHÃES et al, em 2017, mostraram que, em termos absolutos, os dois também são os mais exportados. Porém, se considerarmos em termos relativos (quantidade exportada em relação ao total acumulado na parte aérea, incluindo vagens), o P é o nutriente mais exportado com a colheita das vagens, cerca de 58%, em comparação com o N (55%), K (43%), Mg (40%), S (35%) e Ca (17%). . No caso do N, espécies como o feijão podem aproveitar o N do ar, via fixação biológica. Porém, este processo não tem sido utilizado pela maior parte dos produtores, talvez pela inexistência de estirpes comprovadamente eficientes e/ou pelo desconhecimento. Seu uso pode trazer uma economia de até 40% das doses recomendadas deste elemento. . As adubações de cobertura serão mais necessárias em cultivares de crescimento indeterminado. . A recomendação de adubação para feijão-vagem trepador, de acordo com a 5ª Aproximação/MG, é de: I. Adubação orgânica – 10 t/ha de esterco de curral, se não for antecedida de plantio de pepino ou tomate II. N – 150 kg/ha, sendo 30% no plantio, e mais duas aplicações em cobertura, uma aos 30 e outra aos 60 DAE. III. P2O5 – de 50 a 280 kg/ha, todo no plantio IV. K2O – de 30 a 120 kg/ha, sendo 50% no plantio e mais duas aplicações em cobertura, uma aos 30 e outra aos 60 DAE V. Uma aplicação foliar de molibdato de amônio (0,4g/L) antes da floração . Em SP, recomenda-se, em kg/ha, de 45 a 100 de N (25% no plantio e mais três coberturas aos 25, 50 e 75 DAE), de 50 a 300 de P2O5 e de 0 a 100 de K2O (idem N). Para cultivares arbustivas, recomenda-se 40% do N e do K no plantio e apenas uma cobertura, aos 20 DAS. 5 – Implantação . A época mais apropriada para o plantio vai de agosto a abril. Em regiões mais quentes, deve- se evitar o plantio de novembro a fevereiro. . A forma de se propagar feijão-vagem é pelo semeio direto. A planta não tolera transplantio. . Para cultivares arbustivas tem-se usado o espaçamento de 0,4 a 0,6 m entre fileiras, com 10 a 15 sementes por metro de sulco. Neste caso, o gasto de sementes, por hectare, varia de 70 a 90 kg. . Em cultivares trepadoras, quando o tutoramento é feito exclusivamente para o seu cultivo, o espaçamento varia de 1,0 a 1,2 m entre fileiras e 0,2 a 0,3 m entre plantas, com uma ou duas plantas por cova. No caso de se usar três sementes por cova, recomenda-se um desbaste posterior, deixando-se duas plantas por cova.O gasto de sementes varia de 20 a 30 kg/ha. . Quando em sucessão ao tomate ou pepino, o feijão-vagem costuma usar o mesmo espaçamento da cultura anterior. . A profundidade de semeadura deve ser de 2,5 a 5,0 cm. 6 – Tratos culturais . Desbaste → consiste em se eliminar o excesso de plantas no caso de semeios mais densos. No caso de cultivares trepadoras, recomenda-se deixar apenas duas plantas por cova. . Tutoramento → consiste na condução vertical da planta, e é utilizado para cultivares de crescimento indeterminado. Entre os tutores usados, pode-se optar por aqueles usados em culturas anteriores, como o tomate (cerca em “V” invertido, vertical, etc), tutores de bambu individuais, uso de fitilhos (especialmente em ambientes protegidos) e até mesmo tutores vivos (como o milho, por exemplo). Não há a necessidade de se promover o amarrio das hastes ao tutor, pois o feijão-vagem cresce contornando e fixando-se a ele. . Irrigação → o feijão-vagem é sensível a estresses hídricos, especialmente na fase de floração e formação de vagens. Ao longo do seu ciclo, a cultura necessita de 200 a 300 mm de água. O sistema de irrigação a ser escolhido deve se adequar ao sistema decultivo adotado e ao tipo de cultivar. . Manejo de plantas invasoras → o PCPI das cultivares de crescimento indeterminado está situado, em geral, do 28º ao 58º DAE. Boa parte dos produtores optam por manter a cultura livre de plantas invasoras até 30 DAE. O uso de mulching é uma alternativa no controle de invasoras, além de ajudar na manutenção da umidade do solo e na redução da oscilação de sua temperatura. O uso de herbicidas é possível, utilizando-se de herbicidas registrados para o feijão comum. 7 – Manejo fitossanitário A. Pragas – potencialmente, existem várias pragas que podem atacar a cultura, especialmente insetos. Entre as mais comuns, estão: - Lagarta-rosca (Agrotis ípsilon) – lagarta de hábito noturno que ataca a plântula. Entre as estratégias de manejo, cita-se o uso do tratamento de sementes com inseticida, a eliminação de restos culturais e pulverizações cominseticidas, na base da planta, quando o dano for de 2 plantas murchas em 2 m de linha. - Mosca minadora (Liriomyza huidobrensis) – larvas de mosca que provocam galerias nas folhas, causando perda de área foliar. Embora a planta, especialmente adulta, tolere níveis consideráveis de desfolha, recomenda-se aplicação de inseticidas quando a população atingir de 1 a 2 larvas vivas por folha trifoliolada, na área amostrada. - Mosca branca (Bemisia tabaci) – inseto que pode succionar a seiva (fase ninfal) e transmitir a virose mosaico-dourado. No manejo, estão incluídas medidas como a eliminação de restos culturais, evitar plantios escalonados e usar inseticidas até o florescimento - Percevejos das vagens/grãos (Nezara viridula, Piezodorus guildini, entre outros) – succionam os grãos, reduzindo a produtividade e a qualidade das vagens e grãos. . É sempre importante frisar que o controle de pragas deve estar dentro da filosofia do MIP!! Foto: Google / Agrolink – Lagarta Rosca B. Doenças – é relativamente extensa a quantidade de doenças que podem prejudicar o feijão-vagem. Entre elas estão: - Antracnose (Colletotrichum lindemuthianum) – doença fúngica que causa lesões deprimidas e escuras, nas vagens, grãos e hastes. Como formas de controle cita-se o uso de variedades resistentes, sementes sadias e o uso de fungicidas - Ferrugem (Uromyces appendiculatus) – doença fúngica que forma pústulas amarronzadas na face abaxial das folhas. Cultivares resistentes, rotação de culturas e fungicidas são opções de controle. - Mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) – fungo que causa manchas encharcadas nas folhas, seguidas de um crescimento micelial branco. Entre as medidas de controle: uso de sementes sadias e tratadas, uso de produtos biológicos no solo (Trichoderma) e aumentar o espaçamento entre fileiras. - Mosaico-dourado (vírus BGMV) – virose que reduz o crescimento da planta, induzindo a formação de manchas amarelas próximas às nervuras. É transmitido pela mosca branca. O controle deste inseto está entre as medidas de controle, assim como a adoção de cultivares tolerantes e o plantio em áreas livres de outros hospedeiros. Foto: Google / Agrolink – Sintoma de Antracnose 8 – Colheita . A colheita de cultivares trepadoras inicia-se cerca de 50 a 75 dias após o semeio, sendo realizadas de duas a três colheitas por semana, por até 30 dias, em média. No ponto de colheita, as vagens estarão com cerca de 15 a 20 cm de comprimento, ainda tenras, sem saliências causadas pelas sementes e com as pontas túrgidas. Vagens fibrosas, com grãos salientes, provavelmente já passaram do ponto, devendo ser eliminadas. . Cultivares arbustivas tem um ciclo cultural normalmente inferior a 80 dias. São feitas, no máximo, 3 colheitas. Cultivares modernas estão sendo selecionadas para apenas uma colheita. Neste caso, a operação de colheita (assim como todas as outras anteriores) pode ser mecanizada. Nos EUA, onde 95% das lavouras são com cultivares arbustivas, a colheita mecanizada vem sendo feita desde a década de 1950.