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Índice Introdução.......................................................................... 3 Capítulo 1: O que é resultado para o cliente.................. 5 Fórmula do sucesso............................................................ 7 Gerenciando a experiência dos clientes.......................... 8 Como medir a satisfação dos clientes.............................. 11 Customer Outcomes (Resultados).................................... 17 Sucesso do Cliente.............................................................. 24 Planos de Sucesso, Conta e Território.............................. 36 Capítulo 2: Dados, ações e resultados............................. 43 Encontrar e organizar os dados......................................... 44 Governança dos dados....................................................... 47 Análise dos dados (insights)............................................... 52 Dados disparam ações........................................................ 64 Capítulo 3. Gestão de time.................................................70 Como encontrar o CS ideal................................................. 71 Como montar o time........................................................... 81 Conclusão............................................................................ 96 3 Introdução Nos últimos anos vimos uma mudança nos clientes: de um cli- ente passivo que deveria se contentar com o que as empresas ofereciam, o cliente agora tem cada vez mais oportunidade de escolher os produtos e soluções que vai consumir e com quais empresas vai se relacionar. Neste cenário de empoderamento do consumidor, surgiu o Customer Success. As empresas têm se interessado cada vez mais em Customer Success. Vemos várias palestras, materiais, apresentações, mas em nenhum desses casos o Sucesso do Cliente é destrinchado de fato. Ficam apenas na superfície e mostram o lado românti- co do CS. Neste livro vamos mostrar a página número dois do Sucesso do Cliente. Além de abordar a metodologia, mostramos dicas práticas de como pensar sua estratégia e gerenciar sua oper- ação de Customer Success. Ao longo dos capítulos vamos falar sobre o que é resultado de fato para seu cliente, e que não basta ter um cliente satisfeito. Mostramos a importância do gerenciamento de dados e tam- bém como utilizar os dados que você já tem na sua empresa para criar jornadas e guiar seu cliente rumo ao sucesso. E por fim aprofundamos um dos temas mais complexos em CS que é a construção e gestão de um time. 4 Este material foi construído sobre uma rica base de bench- marks e conhecimento profundo de centenas de operações brasileiras de Customer Success, Customer Experience, Pós Vendas e Atendimento. Todas as dicas que você vai conferir aqui podem ser aplicadas em qualquer empresa de qualquer segmento. Seguindo esses três pilares básicos, resultado para o cliente, dados e gestão do time, você consegue transformar sua base de clientes no princi- pal motor de crescimento da sua empresa. Boa leitura! 5 Capítulo 01 O que é resultado para o cliente 6 O que é resultado para o cliente Quando você vai estruturar uma operação de Customer Suc- cess, a primeira coisa que precisa fazer é definir o que é suces- so para o seu cliente. Todas as ações devem ser feitas tendo como objetivo gerar resul- tado para os clientes. Seja a definição do time, a governança dos dados e até mesmo os lançamentos do produto. Sucesso do Cliente vai muito além de uma área. Essa deve ser a filosofia de toda a empresa, em que todas as áreas tenham o compromisso de garantir a melhor experiência e os resultados certos para os clientes. Neste capítulo vamos mostrar o que deve ser considerado su- cesso para o seu cliente, como fazer um plano de sucesso, o que é satisfação e como a experiência do cliente também in- fluencia no sucesso dele. 7 Fórmula do sucesso Para pensar em sucesso do cliente, primeiro é preciso enten- der o que compõe esse sucesso. Existe uma fórmula que a partir de agora vai moldar a sua visão quando o assunto é Customer Success. Não é necessariamente uma fórmula matemática que você vai usar para calcular um resultado, mas é um guia que vai ajudar a gerenciar seu relacionamento com seus clientes. CS = CX + CO Customer Success = Customer Experience + Customer Outcomes Lembre-se dessa fórmula na hora de tomar todas as decisões na empresa em que você trabalha. Faça um post-it e cole na sua mesa! O importante é levar em consideração essas duas variá- veis na hora de pensar em sucesso do cliente. Em muitos casos é mais fácil gerar boas experiências do que bons resultados. Enviar brindes, ter um atendimento amigá- vel, pensar na usabilidade do seu produto, enfim, coisas que tornam a experiência mais agradável. Entretanto, sucesso é feito de resultado também. E, para gerar resultado, é preciso um acompanhamento criterioso e efetivo para garantir que o cliente cumpra sua jornada ideal e atinja os objetivos que tinha quando realizou a contratação do seu serviço ou produto. 8 Gerenciando a experiência dos clientes A primeira coisa que você deve pensar quando se trata de expe- riência do cliente é: todas as pessoas da empresa devem estar envolvidas nesse propósito, afinal, o cliente tem vários pontos de contato com a empresa ao longo da sua jornada. É preciso garantir que cada experiência, em cada ponto de contato, com todas as suas equipes internas esteja entregando uma mensa- gem consistente para seu cliente. Por isso, a experiência não é obrigação de uma única área. En- tretanto, é interessante ter pessoas que gerenciem essa expe- riência e possam orientar os outros times sobre esse assunto. Também pode existir um tipo de “conselho” de CX composto por pessoas de Marketing, Vendas, Produto, Suporte e CS. Em alguns clientes da SenseData vemos isso acontecendo na prática com a instituição da “Sala do Cliente”, onde separam um espaço na empresa dedicado à interações periódicas desse gru- po. O foco é evoluir continuamente a experiência dos clientes, avaliando casos práticos, analisando experiências ‘ruins’, cons- truindo planos de ação entre várias áreas para reverter a expe- riência atual negativa e já ajustar o que for necessário para que algo semelhante não ocorra novamente com nenhum outro cliente. Para entregar uma experiência consistente, é preciso saber o que o cliente espera. Por isso, faça uma conscientização cole- tiva do contexto no qual o seu cliente está inserido. Centralize toda a inteligência sobre os clientes em uma única plataforma e 9 tenha a disciplina de fazer as perguntas certas para realmente entender os resultados desejados pelos clientes, tanto os ope- racionais, quanto seus objetivos de negócio. Além disso, equipes multifuncionais devem ter acesso às infor- mações dos clientes e precisam agir de maneira coordenada. Isso pode exigir a contratação de novas ferramentas ou atualização das informações nas ferramentas que sua empresa já utiliza. Para entregar valor rapidamente ao cliente é preciso que cada problema/oportunidade seja compreendido profundamente. Isso pode ser feito de maneira simples, apenas repetindo para o cliente o problema percebido e ouvindo atentamente até que ambas as partes estejam usando a mesma linguagem para des- crever o determinado problema. Não há nada pior do que criar soluções para problemas que não existem enquanto os verda- deiros desafios permanecem sem solução. Também é importante se alinhar no impacto. Nem todas as coisas urgentes são importantes, e nem todas as coisas impor- tantes são urgentes. Alinhar-se em relação à importância e à urgência é fundamental para a execução das atividades certas e para proporcionar uma experiência excepcional ao cliente. Uma demanda específica do cliente às vezes pode ser diferen- te do problema que ele enfrenta. Entender isso é fundamental para priorizar as necessidades desse cliente.Por exemplo, um cliente pode solicitar uma nova funcionalidade com urgência. Mas, na realidade, o que ele precisa é apenas um cronograma com o plano de lançamento da tal funcionalidade para que ele 10 possa apresentar em uma reunião interna. Por isso é preciso ouvir muito atentamente cada pedido ou dúvida dos clientes. Muitas vezes as demandas podem estar implícitas no que ele fala. Ter suas necessidades compreendidas e satisfeitas é o que fica na “cabeça” do cliente quando ele precisa avaliar sua ex- periência com um fornecedor. E aqui entram também aqueles pedidos que muitas vezes não estão explícitos nas demandas do cliente. Vale a pena esclarecer a situação e definir as expec- tativas corretamente. Estabelecer um compromisso mútuo é a chave para garantir que ambas as partes, cliente e fornecedor, sintam que estão no mesmo time. Os resultados sempre são positivos quando as duas partes estão alinhadas e comprometidas com a resolução do problema, entendem a demanda específica, identificam cla- ramente as necessidades e estão trabalhando juntas para um resultado. É importante ser explícito sobre o que o fornecedor está “pro- metendo” ao cliente e também com o que o cliente está asse- gurando ao fornecedor. Neste ponto, ter um pequeno email es- clarecendo todos os pontos pode ajudar a interação. Isso pode servir como um contrato informal para garantir o comprometi- mento entre cliente e fornecedor. Para fechar o ciclo é preciso entregar os serviços acordados e comunicar a conclusão dessa demanda. Esse fechamento pode ser um simples email ou então uma complexa revisão técnica. 11 Em ambos os casos, é fundamental documentar a conclusão do compromisso mútuo definido anteriormente. Solicitar feedback após o encerramento ajuda o cliente a pen- sar sobre essa interação específica. Isso oferece uma oportuni- dade de discutir abertamente questões positivas e negativas, reforçando e cultivando ainda mais o relacionamento. Se executado com sucesso, esse processo ajuda a criar e nutrir os advocates no cliente. Ou seja, pessoas que terão prazer em compartilhar sua experiência positiva com outras pessoas em sua própria empresa e também com outros colegas que sejam clientes potenciais do fornecedor. Como medir a satisfação dos clientes Medir o nível de satisfação do cliente é importante para enten- der o sucesso dele com a sua solução. As taxas de expansão, upgrade, upsell e cross-sell podem ser vistas como métricas im- portantes, mas são Lagging Indicators, ou seja, não ajudam a to- mar ações prescritivas para melhorar a saúde da conta (vamos falar mais adiante sobre esses tipos de indicadores). A pesquisa Net Promoter Score (NPS) é um indicador importan- te que ajuda a sinalizar a probabilidade de expansão e fidelidade dos clientes. Essa pesquisa consiste em uma pergunta simples: “De 0 a 10, qual a chance de você recomendar nosso produto/ serviço para um amigo ou familiar? Comente sua resposta.”. 12 Ao considerar os clientes promotores (9 e 10) e os clientes de- tratores (0 a 6) é possível fazer uma análise da satisfação geral dos clientes e também captar alguns feedbacks valiosos. O grande valor da NPS é a possibilidade de ter uma visuali- zação rápida dos resultados e permitir que a empresa a tome ações rápidas com base nas notas e nos feedbacks dos clientes. Existem outros métodos para realizar pesquisa de satisfação com os clientes, como a Customer Satisfaction Score (CSAT), que é usada para avaliar uma situação específica do cliente em uma escala numérica e a Customer Effort Score (CES), em que o cliente é questionado sobre a facilidade ou dificuldade que teve em resolver alguma situação com a sua empresa. Cuidados com a NPS Existe muita confusão sobre o significado verdadeiro dos re- sultados da NPS, muita gente acredita que essa pesquisa se correlaciona positivamente com a retenção dos clientes. Apesar da NPS ajudar a entender a satisfação do cliente e também ser vista como um bom indicador da retenção, existem dois “pro- blemas” com a NPS: Ela não foi feita para “prever” o churn; Os dados não sustentam uma correlação com retenção. يف يق 13 Lembre-se da pergunta feita na NPS. Em nenhum momento existe uma menção a “renovar”, “reter” ou “cancelar”. A pergun- ta feita na NPS foi escolhida por três razões: 﨓É fácil e rápida de responder; 﨓Pode gerar resultados em indicações e advocacy; 﨓Está relacionada com o crescimento da empresa. Como você pode notar, não existe nenhuma relação com ex- pansão ou cancelamentos. Mesmo assim, muitas pessoas en- xergam uma conexão da NPS com o churn. Por que os promotores cancelam? Como a NPS está associada ao crescimento e à indicação da empresa, é fácil dar o salto mental para conectá-la à retenção. Afinal, se você “recomendaria” um produto ou serviço para seus amigos e colegas, por que você cancelaria seu contrato com esse fornecedor? Pode parecer muito simples, mas essa é uma situação com- plexa. Existem muitas razões pelas quais um promotor pode cancelar: 﨓O principal stakeholder ou sponsor deixa a empresa; 﨓O cliente tem uma ótima experiência, mas não está alcançando os resultados esperados; 14 﨓Mudança dos orçamentos da empresa; 﨓Mudança de prioridades da empresa que estão fora do escopo do seu produto; 﨓Seu produto é adorado pela equipe, mas se sobrepõe a outras ferramentas que a empresa já utiliza (possivel mente mais baratas); 﨓A empresa passa por uma fusão ou aquisição. Em cenários como esses uma nota de NPS positiva pode ser in- crivelmente enganosa, especialmente se for vista sozinha, sem ser comparada com outros indicadores. Se você assumir que a NPS é um indicador de retenção, pode ser surpreendido por um churn no futuro. Como a NPS não se correlaciona com o churn, não é um fator na previsão ou alteração da retenção. Essa nem é uma questão de correlação vs. causalidade. Simplesmente não existe um re- lacionamento consistente entre esses fatores. Entretanto, existe uma curiosidade. Empresas com pontuações muito altas de NPS realmente veem um aumento de até 10% nas suas renovações (aqui estamos falando das 25% melhores empresas em relação à sua vertical de atividade no mercado norte americano). Resumindo: se você tiver uma nota de NPS terrivelmente baixa ou apenas acima da média do seu mercado, não existe nenhum tipo de correlação com o churn ou com a retenção. Os dados mostram 15 que 75% das empresas não podem usar o NPS como um indicador de churn. Como usar a NPS Bom, como você viu a NPS não serve como um indicador de churn e retenção, então para que serve? Existem uma série de motivos para você considerar a nota da NPS como uma das suas métricas estratégicas. A NPS se correlaciona com o crescimento da sua empresa. Desde quando esse tipo de pesquisa surgiu, é possível verificar que ela se correlaciona com as indicações boca a boca, o que é um ótimo motor de crescimento. A NPS é muito simples de ser aplicada. As empresas usam esse método há mais de uma década e é possível encontrar muitas informações online. Além disso, há muitas maneiras simples e baratas para disparar a NPS para sua base de clientes. A nota pode ser um bom ponto de comparação. Muitas pes- soas nos perguntam “Qual é uma boa pontuação na NPS?” A resposta é bem simples: uma nota melhor do que a do último trimestre! Se sua nota da NPS estiver melhorando, seus núme- ros de crescimento provavelmente também vão melhorar com o passar do tempo. A pesquisa NPS ajuda a identificar a necessidade de ações es- truturantes para impactar grupos de clientes. Como a taxa de respostas geralmente é baixa, é difícil pautar ações de retenção 16 considerando apenas a NPS, pois dessa forma muitos clientes ficariam sem ação direta. É Importante ressaltar que mesmo que apenasuma porcentagem pequena de clientes responda a pesquisa, é necessário ter uma ação direta em todos esses clientes que respondem. Os insatisfeitos aparecem com a NPS. Muitas vezes falamos apenas dos resultados agregados da NPS, mas um dos pontos mais fortes da pesquisa é revelar os clientes que estão insatis- feitos. Isso permite que você tenha uma ação - talvez até auto- maticamente! A NPS identifica os promotores. Como a essência da NPS é per- guntar se o cliente indicaria seu produto/serviço, é preciso que você incentive essa indicação, pois ela raramente virá de forma espontânea. Para obter advocacy, você geralmente precisa de um processo para pedir indicações e facilitar que isso aconteça. A NPS com certeza é uma ótima maneira de encontrar as pesso- as que estão dispostas a indicar sua empresa. Lembre-se sempre de fechar o loop das respostas NPS. O time de CS deve ser uma das interfaces principais entre os clientes e as ações da empresa. O cliente precisa perceber que foi valioso responder a pesquisa. A melhor maneira de garantir que o loop da NPS seja fechado é integrar a ferramenta de NPS com a ferramenta que o time de CS utiliza para gerenciar o sucesso dos clientes. Dessa forma os Playbooks são disparados imediatamente após a resposta do cliente e o CS consegue executar ações certas de acordo com https://blog.sensedata.com.br/resultados-positivos-de-customer-success/ 17 cada caso do cliente, seja ele detrator, neutro ou promotor. Te- mos clientes que conseguiram ter um crescimento expressivo de 60% na nota de NPS apenas por criar ações efetivas e fechar o ciclo da pesquisa. Customer Outcomes (Resultados) Já falamos bastante sobre Experiência do Cliente, afinal, esse é um dos fatores fundamentais para que o cliente alcance o suces- so. Agora chegou a hora de falar dos Resultados. Propiciar o resultado desejado do seu cliente com seu produto ou serviço é o coração e a alma do sucesso do cliente. De uma maneira simples, o Resultado do Cliente consiste nos principais indicadores de desempenho (KPIs) que o cliente quer melhorar quando contrata a sua solução. É essencial que você não apenas ajude seus clientes a alcança- rem os resultados desejados, mas que você também demonstre tudo o que foi alcançado ao longo da parceria, dessa maneira o cliente percebe valor no seu produto. Investir em apenas uma das partes da equação (CS = CX + CO) não é suficiente para impulsionar o crescimento da sua empresa. Por exemplo, se você se concentra na experiência do cliente, mas ne- gligencia os resultados do cliente, terá clientes satisfeitos, mas sem ROI. Isso é especialmente ruim quando as inevitáveis “reduções de budget” chegam. Se você não tem nada para mostrar, com certeza seu produto estará na lista das soluções que serão canceladas. 18 Esse quadro ajuda a visualizar o status dos clientes de acordo com os elementos da equação de Customer Success. O eixo X representa os Customer Outcomes, ou seja, os resul- tados. Quanto mais para a direita, mais resultado o cliente está recebendo da sua solução. Já o eixo Y representa a experiência do cliente - quanto mais próximo do topo, melhor a experiên- cia. A ideia é inserir seus clientes e cada um dos quadrantes, de acordo com o status atual deles. Quadrante superior direito: clientes que estão tendo uma ótima experiência, ao mesmo tempo em que percebem os resultados do seu produto. Eles estão felizes, são defensores do seu produto e são poderosos condutores de crescimento. Esses clientes têm um LTV (LifeTime Value) extremamente alto e possuem um gran- de potencial para expansão do seu produto em outras unidades 19 de negócios. Este é o quadrante ideal para todos seus clientes. Quadrante superior esquerdo: esses clientes são um exemplo do que pode acontecer quando a experiência tem prioridade sobre os resultados. Os clientes podem ter uma ótima interação com sua empresa e até mesmo com seu produto, mas quando chega a hora de apresentar o ROI e eles não têm nada para mostrar para a alta liderança, de repente esse cliente passa a ter um elevado risco de churn. Canto inferior direito: quando você não oferece uma boa ex- periência ao cliente, mas demonstra resultados de forma con- sistente. Essa situação coloca os clientes em uma posição em que eles não cancelam, mas também não expandem. É impe- rativo que você revisite a jornada do cliente para melhorar os principais pontos de contato e aumentar o engajamento ge- ral. Talvez seu CSM não esteja realizando a quantidade certa de touchpoints, os handoffs não estão sendo feitos de forma correta ou os tickets de suporte demoram muito tempo para serem resolvidos. Quadrante inferior à esquerda: este é o quadrante que grande parte dos seus clientes ficam quando você não adota uma es- tratégia de Customer Success. Clientes insatisfeitos e mal-suce- didos cancelam e ainda são detratores da sua marca. Eles não só tiram a sua contribuição de receita quando saem, como tam- bém espalham todas as experiências insatisfatórias que tiveram e prejudicam seus futuros negócios. Se você tiver clientes nesse quadrante, comece urgentemente um processo de resgate. 20 Outcome x output: como gerenciar a jornada do cliente para garantir resultados de verdade Muitas vezes as empresas, principalmente as de tecnologia, se concentram em gerar outputs para os clientes. Claro que isso tem seu valor, mas existe a possibilidade de criar uma série de experiências desconectadas que não entregam valor de verda- de para os clientes. Antes de avançar no texto, vamos explicar a diferença entre outcome e output: Outputs são os produtos que você cria e entrega, já os outco- mes são os benefícios que seus clientes recebem a partir desses produtos. Os outcomes são os resultados de fato, resultados que criam significados, relacionamentos e que fazem a diferença. Um exemplo para facilitar o entendimento. Os outputs são o “quê” da empresa: produtos, receita, lucros, canais de engaja- mento que oferecem, métricas que utilizam. Pense em chama- dos, chats iniciados, tickets de suporte, emails enviados e res- pondidos. Os outputs são esforços quantificáveis. Os outcomes são o “e daí”, o “porquê”. Você pode ajudar o seu cliente a ter mais lucros, aumentar a receita, mas é realmente esse o resultado que ele espera atingir? Os outcomes são os frutos dos outputs. As empresas precisam ter uma nova perspectiva de focar no sucesso e na experiência do cliente ao invés de construir novas funcionalidades, oferecer novos planos ou desenvolver outras 21 plataformas de uso. Conheça as histórias dos seus clientes, sai- ba quem eles são, o que eles querem e como ajudá-los a serem bem sucedidos em seus desafios. Veja bem, a busca pelo resultado vai muito além de coisas que são palpáveis ou quantificáveis. Alguns dos valores de uma operação de Customer Success são respostas para perguntas como: 﨓Estamos criando soluções que resolvem o problema do cliente? 﨓Estamos efetivamente comunicando o valor dos nossos produtos e serviços? 﨓Estamos criando conscientização no mercado? 﨓Estamos nos comunicando com o público certo? Podem existir alguns desafios para medir os outcomes e saber exatamente os resultados que estão sendo gerados, mas é pre- ciso adotar uma posição proativa para entender as necessida- des dos clientes e gerar resultados efetivos para eles. 22 Gerando resultados proativamente Depois de uma rápida análise da sua carteira de clientes e os respectivos níveis de satisfação e resultados, é preciso criar um plano de ação para que os resultados dos clientes sejam al- cançados. Afinal, já vimos que esse é o grande diferencial para manter o contrato “em segurança” em momentos de crise. Existem alguns elementos que ajudam a gerenciar os resulta- dos dos clientes e, consequentemente, ajudam a ter uma ges- tão de Customer Success. Gerenciamentoda adoção: monitorar o envolvimento do cliente com seu produto/serviço e tomar medidas proativas para im- pulsionar a adoção. Isso resulta em uma entrega de valor mais rápida e um potencial de sucesso a longo prazo. Gerenciamento de expansão: Monitorar os sinais dos clientes para acionar Playbooks de upsell e cross-sell e adotar uma abordagem programática para expandir as contas estratégicas. Engajamento dos advocates: Identificar os clientes de sucesso e in- centivá-los a realizar indicações. Acompanhar o impacto do pro- grama de indicações no crescimento da empresa. Alinhamento com stakeholders: Programar e executar interações executivas personalizadas em momentos importantes da jorna- da do cliente a fim de garantir o alinhamento da visão de negó- cios, adaptar as cadências de interações e identificar as necessi- dades reais do cliente. 23 Gerenciamento do risco: Monitorar proativamente os sinais de risco dos clientes e tomar medidas proativas para mitigar os riscos e colocar os clientes de volta na jornada de sucesso. Success planning: Captar sistematicamente os resultados dese- jados dos clientes nos ciclos de vendas e executar planos de sucesso mutuamente acordados para garantir que os objetivos sejam alcançados. Tech touch: Aproveitar as possibilidades de automação para en- viar mensagens personalizadas aos clientes em grande escala a fim de aumentar o engajamento, impulsionar a adoção e forne- cer resultados. O objetivo geral desses sete elementos é duplo: 﨓Em primeiro lugar, tornar-se mais proativo na geração de resultados para sua base de clientes. 﨓Em segundo lugar, dimensionar processos para todos os clientes e segmentos à medida que sua base de clientes continua crescendo. 24 Sucesso do Cliente A premissa para falarmos de sucesso é: entender o motivo pelo qual o cliente compra sua solução. O sucesso do cliente é uma filosofia que prega a entrega de re- sultados ao cliente juntamente com uma experiência excepcio- nal. Sucesso do cliente não é apenas um departamento ou uma função, é uma disciplina que exige que as organizações operem com a seguinte mentalidade: somos bem-sucedidos quando o cliente é bem-sucedido. Se seu cliente encontrar valor em seu produto, ele irá expandir o contrato, vai defender sua marca, realizará indicações para colegas e isso vai impulsionar de forma exponencial o cresci- mento de sua empresa. Fazer uma mudança tão monumental pode ser assustador. Principalmente para grandes empresas, que possuem estrutu- ras mais complexas. Mas nunca é tarde demais para se adaptar, especialmente quando existem recursos disponíveis para reali- zar essa transformação. É necessário operar com a mentalidade customer first para permanecer à frente no mercado. As empresas que percebe- ram isso estão crescendo, enquanto as que estão sendo mais resistentes amargam resultados pouco relevantes. O sucesso do cliente é um impulsionador do crescimento. Ao mudar a maneira como sua empresa aborda a jornada do clien- https://blog.sensedata.com.br/customer-success-empresa-nao-tech/ 25 te é possível aumentar a quantidade de clientes satisfeitos. Toda iniciativa de CS depende profundamente de uma trans- formação na organização interna e na cultura da empresa. To- dos os departamentos devem ser compostos pelas pessoas cer- tas, tecnologia adequada, dados sólidos do cliente e processos bem definidos para executar com eficácia todas as funções re- lacionadas à jornada do cliente. Sucesso do Cliente como um Motor de Crescimento A metodologia de Customer Success depende de dados para acelerar o crescimento da empresa. Quando você apresenta resultados e oferece experiências sa- tisfatórias, um cliente representa pelo menos três novas opor- tunidades para sua empresa: 﨓Continuidade: o cliente continua sendo uma fonte de receita mensal e recorrente para sua empresa; 﨓Expansão: o cliente expandirá seu contrato para obter cada vez mais valor da sua solução; 﨓Novas vendas: o cliente satisfeito se torna uma referência para falar com possíveis clientes e divulgar sua solução para outras empresas, trazendo novas vendas. Se você tornar seus clientes bem-sucedidos, você poderá ter um crescimento exponencial. 26 Para ter sucesso de verdade na espiral de crescimento é pre- ciso que toda sua empresa repense a forma como trabalham juntos. Por isso a participação do C-Level é fundamental. Se o projeto de Customer Success não possui apoio na diretoria, difi- cilmente todos esses planos sairão do papel. E a espiral de cres- cimento, neste caso, será apenas uma teoria. 27 Jornada do Cliente A jornada do cliente consiste em todas as interações que o cliente tem com sua empresa, produto ou serviço. A primeira vista, a jornada de um cliente é bem simples. Mas quando você entra em detalhes, a jornada do cliente pode ser bastante complexa e até podem ser vistas várias jornadas den- tro de um único contexto. Seus clientes podem entrar em contato com sua empresa de várias maneiras e de muitos pontos de partida diferentes, por exemplo, marketing de conteúdo, indicações, pesquisas, mídia social e campanhas offline. Ao traçar a jornada do seu cliente, todas essas variáveis precisam ser levadas em consideração. O objetivo de mapear a jornada é garantir que o cliente te- nha uma experiência agradável com touchpoints consistentes e uniformes. Além da experiência, a jornada ajuda a identificar o caminho ideal que o cliente deve seguir, para ajudar a traçar tá- ticas sistemáticas que o time de CS deve executar para garantir que o cliente continue sempre na trilha ideal e aumente as suas chances de sucesso. Na hora de elaborar a jornada do seu cliente é preciso pensar e definir: 﨓Quais pontos de contato o cliente tem com a empresa? 﨓Esses touchpoints são uniformes? 28 﨓Qual é a jornada de um cliente ideal? Aqui muitas vezes nos deparamos com questionamentos ainda mais profundos, do tipo: “Qual é a jornada certa para os clientes e o que é um cliente ideal?”. Antes de botar a mão na massa e mapear a jornada, é preciso ter todos esses pontos acima muito bem definidos. O desenho da jornada permite criar ações recorrentes para influenciar o cliente a caminhar na jornada ideal que você de- senhou. Lembre-se, é preciso criar estímulos para que o cliente siga esse caminho, senão certamente ele ficará estagnado em algum ponto. Devido a essa complexidade e infinidade de variações, é im- possível apresentar um modelo de jornada que se aplique a to- dos os tipos de negócios. Mas, ainda assim, existem fases que ocorrem após a venda e são comuns à maioria das empresas: ativação, adoção, engajamento e expansão. Ativação (Onboarding) O processo de onboarding começa imediatamente após a compra. O objetivo é começar o trabalho o quanto antes, seja o funcionamento do produto ou o início do serviço. Apesar dessa necessidade de ser extremamente ágil, isso não significa apenas “entregar as coisas e deixar o cliente se virar so- zinho”. Afinal, se o cliente tentar usar seu produto sem orienta- 29 ção ou treinamento, provavelmente não haverá sucesso, o que resultará em frustração - o que, por sua vez, poderá levá-lo a se arrepender da compra no futuro. Você deve criar uma checklist de todos os itens que seus clien- tes devem concluir (milestones) para usar seu produto com êxi- to desde o primeiro minuto: 﨓Migrar o cliente da solução que ele já utilizava, se houver necessidade; 﨓Garantir que a configuração técnica do cliente atenda aos seus requisitos; 﨓Treinamento do cliente para usar seu produto (aqui estão incluídas todas as formas de treinamento e ensino que sejam aplicáveis, online ou offline). Lembre-se que a essênciado onboarding não é apenas riscar os itens de uma lista de tarefas, mas sim capacitar e empoderar o cliente a usar seu produto em todo seu potencial. Para medir a eficácia do seu programa de onboarding e iden- tificar oportunidades de melhoria, você deve coletar e registrar alguns dados, por exemplo: duração do onboarding, dias para atingir cada milestone e número de interações com o cliente durante o processo de onboarding e vazão dos clientes (novos clientes vs onboardings concluídos) para garantir que a opera- ção está bem dimensionada para que essa etapa seja concluída com sucesso em todos os clientes. 30 Compare as médias dessas métricas ao longo do tempo para determinar se você está aprimorando seu método ou não. Lembre-se de que o onboarding é a primeira experiência real de seus clientes com seu produto e sua empresa, e a impressão que você causa durante o processo de onboarding permanece- rá neles e influenciará seu nível de satisfação durante o ciclo de vida do cliente. Adoção Uma das razões pelas quais os primeiros 90 dias após a ven- da é tão crucial é que este é o período durante o qual o cliente deve adotar com sucesso seu produto. Isso significa que nesse período o produto se torna parte das atividades e operações cotidianas do cliente. Dentro do período de 90 dias o cliente deve ver um valor cla- ro em seu produto. Mas se o cliente não adotar totalmente o produto, provavelmente ele não verá esses resultados. E, na au- sência de resultados, não há incentivo para o cliente continuar usando seu produto, como já falamos em Customer Outcomes. Você deve monitorar a adoção acompanhando o uso, a ativi- dade e o progresso do cliente em relação aos milestones defini- dos. Um bom ponto de partida pode ser rastrear a quantidade de logins (se os clientes precisarem fazer login para usar o seu produto). Afinal, se um cliente não estiver fazendo login com frequência, ele nem terá a chance de experimentar o ROI da sua solução. 31 Nessa fase você deve estimular a adoção das funcionalidades básicas/simples que costumam representar o uso comum da sua solução. Lembre-se que métricas isoladas não são muito úteis quan- do se trata de formular estratégias. Em vez disso, você deve se concentrar nas tendências de uso. Em outras palavras, não olhe apenas os dados de uso para uma única semana, compare tam- bém esses dados com os dados coletados nas últimas semanas, por exemplo. Engajamento A única maneira de garantir que seus clientes estejam satisfei- tos e bem-sucedidos é interagir continuamente com eles. Isso inclui monitorar a satisfação do cliente e a saúde da conta. Para obter o máximo resultado dos seus esforços de engaja- mento é necessário aproveitar o poder da tecnologia combina- da com a interação humana. Afinal, a tecnologia pode ser capaz de identificar várias oportunidades, mas sozinha não pode ga- rantir que sua empresa continue a gerar valor. Para gerar valor você precisa continuar nutrindo os clientes ao longo do tempo. Você deve: 﨓Construir e manter bons relacionamentos; 﨓Iniciar contato nos momentos certos; 﨓Antecipar os problemas antes que eles afetem os 32 sentimentos de seus clientes em relação a você; 﨓Iniciar negociações de upsell e cross-sell quando você vê o potencial de um determinado recurso ou produto para gerar ainda mais valor para um determinado cliente. Seus esforços de engajamento devem se basear naquelas ações que você iniciou durante o onboarding. Mesmo após o período de 90 dias, é preciso continuar monitorando padrões de uso e compor- tamento e usar esses dados para executar as ações descritas acima. O tipo de interação com o cliente muda conforme ele avança na jornada. Em outras palavras, os objetivos no contato com um cliente que contratou o seu serviço há uma semana e os objeti- vos de contato de um cliente que já completou um ciclo de um ano devem ser bem diferentes. Outra dica durante a fase de engajamento é observar as fun- cionalidades que o cliente usa com mais frequência. A ideia é incentivar a utilização das sticky features, ou seja, funcionalida- des essenciais da sua solução, cujas funções são muito mais di- fíceis de substituir. O trabalho de Customer Success nessa fase é garantir a utilização dessas funcionalidades mais relevantes e claro, comprovar o resultado que elas oferecem. Os clientes devem estar mais maduros para chegar nesse está- gio de uso, mas uma vez alcançado esse estágio os clientes co- meçam a extrair muito mais valor da solução que você oferece. 33 Expansão Muitas empresas vêem oportunidades de upsell e cross-sell como um meio de extrair o máximo de receita possível de cada cliente. Mas esse modo de operar não é sustentável a longo prazo. Por quê? Porque se você fizer essas negociações de forma impru- dente, você estará apenas gerando mais custos para o cliente. E se você não estiver gerando valor, seus clientes vão perceber. E quando isso acontecer, toda a confiança será perdida. A expansão deve ser vista com o propósito de ajudar seus clientes a extrair o máximo valor possível do seu produto. Ao longo de todas essas fases também existem algumas ope- rações que são contínuas, e devem ser executadas desde o pri- meiro momento após a venda. Suporte Depois do cliente concluir o onboarding e começar a usar seu produto, é absolutamente essencial manter a comunicação aberta caso o cliente tenha algum problema ou dúvida. Essa necessidade é ainda maior durante os primeiros 90 dias, porque se o cliente não começar a ver o valor em seu produto imediatamente, então ele estará muito mais propenso a aban- doná-lo. 34 As empresas que são vítimas dos efeitos nocivos do churn ge- ralmente são aquelas que colocam todo o seu foco e energia em fechar novos negócios e depois desaparecem no momento em que o cliente realiza a compra. A dica nessa fase de suporte é fazer esse atendimento de for- ma proativa, ou seja, utilizar a experiência passada com seus outros clientes para já solucionar dúvidas em momentos que geralmente causam confusão. Mesmo com uma abordagem proativa do suporte, é impossí- vel antecipar os problemas dos clientes 100% das vezes. Por- tanto, você deve fornecer a seus clientes meios fáceis de obter suporte, assim você pode corrigir os problemas imediatamente e voltar a entregar valor a esses clientes o mais rápido possível. Aqui alguns itens que você deve acompanhar para garantir uma melhor experiência de suporte: Volume total por canal: Isso ajuda você a manter os níveis ade- quados de equipe e determina uma estratégia para usar vários canais corretamente, a fim de otimizar a experiência do cliente. Tempo de resposta: A maioria dos clientes espera receber uma resposta do suporte dentro de alguns minutos após o en- vio de uma solicitação ou ticket. Demorar mais de um dia para responder a um ticket afetará seriamente a satisfação do cliente. Taxa de resolução no primeiro contato: Quanto menos intera- ções forem necessárias para resolver o problema, mais satisfeito 35 será esse cliente. Atraso e abandono das solicitações: Quando um cliente faz contato ao vivo com você (por exemplo, via chat on-line ou te- lefone), por quanto tempo esse cliente deve aguardar uma res- posta? Se for mais de cinco minutos, você pode estar em apuros. E se uma grande porcentagem de clientes abandonar essas in- terações antes de receber a ajuda de que precisam, você pode- rá estar em um problema ainda maior. Percebemos que muitas empresas possuem apenas a área/ função de suporte no ciclo pós venda, não investindo em onbo- arding ou em CS. Isso costuma sobrecarregar o suporte com um enorme volume de dúvidas e questionamentos básicos, que poderiam ser endereçados durante o onboarding. Essa “economia” pode ser uma grande armadilha, pois com o passar do tempo a operação de suporte se torna muitocustosa e passa a ter dificuldade para responder todas as demandas. Além disso, essa escolha também pode resultar em uma base de clientes insatisfeita sem resultados atingidos, já que não há projetos de Customer Success. Fidelidade Em um mundo ideal, esse é o destino de todos os clientes da sua empresa. Neste ponto o cliente não está apenas satisfeito, ele também é um embaixador da marca: alguém que faz reco- mendações, que indica seu produto, faz depoimentos online e presenciais. 36 Para aproveitar ainda mais a lealdade dos clientes, você pode desenvolver um programa de indicações. Quando feitos corre- tamente, esses tipos de programas podem produzir grandes re- sultados. Você pode até mesmo oferecer algum tipo de recom- pensa ou incentivo para os clientes que indicam. A definição da jornada ajuda a influenciar o cliente a caminhar no caminho ideal que você desenhou. Mas essa não deve ser a única atividade do seu time de CS, é preciso unir estratégia, tática e ações operacionais para que o trabalho tenha objetivos claros e um propósito bem definido, sempre em busca de pro- mover o sucesso para os clientes. Planos de Sucesso, Conta e Território Os planos de Sucesso, Conta e Território estão muito interliga- dos entre si, mas cada um deles tem um propósito e segue uma metodologia diferente. Vamos mostrar as diferenças entre cada um desses tipos de planos e também vamos explicar como cada um deles deve ser elaborado. Plano de Sucesso O Plano de Sucesso deve ser um projeto feito a quatro mãos com o cliente. O objetivo do Plano de Sucesso é servir como um direcionador das EBRs (Executive Business Review). A EBR é uma reunião que visa um alinhamento com o time executivo do cliente. Na primeira parte da reunião são apresen- tadas as atividades feitas no último período e os resultados que 37 foram atingidos. Na segunda parte são revisitados os objetivos e marcos do cliente para o próximo período. Isso garante um grande alinhamento entre sua empresa e seu cliente e também ajuda na percepção de sucesso pelo ponto de vista dos deciso- res do cliente. É necessário ter uma constância nesta reunião para garantir seu bom funcionamento, muitas vezes o período escolhido é de três meses (um “quarter” do ano, por isso muitas pessoas também chamam essa reunião executiva de QBR). No Plano de Sucesso é preciso ter o direcionamento de todos os marcos e objetivos que devem ser alcançados em uma visão de médio e longo prazo, considerando um período mínimo de um ano à frente. A ideia é “quebrar” esses objetivos em ativida- des menores e garantir a execução delas dentro de um prazo. Novamente aqui o período mais utilizado é o de três meses. Ao final de cada Quarter deve-se fazer uma revisão para avaliar se os trabalhos estão caminhando na direção que foi planejada. Plano de Sucesso e EBR caminham lado a lado, um alimenta o outro para garantir o sucesso do cliente. O Plano de Suces- so serve de apoio para se preparar para a reunião executiva e deve ser atualizado após a reunião, com os temas que foram discutidos. O Plano de Sucesso deve ser um documento vivo, em constante atualização. A estrutura de um Plano de Sucesso tem algumas seções fixas, como: desafios do cliente, desafios do negócio, objetivos, dire- cionamentos estratégicos e entregáveis chave. O CSManager precisa conversar com o cliente e extrair dele 38 todo o planejamento realizado, mesmo de coisas que aparen- temente não têm muito a ver com a solução que você oferece. Tendo consciência desse plano macro é possível realizar cone- xões que podem potencializar o sucesso do cliente. Depois de conhecer todos os desafios e dimensionar todos os marcos e como a sua empresa pode ajudar nos drivers estra- tégicos, é preciso marcar com o cliente os prazos, entregas e responsáveis. É importante que os Playbooks executados pelo time de CS estejam alinhados com o plano de sucesso que foi desenhado. Dessa forma o CS tem mais uma informação para priorizar suas atividades do dia a dia. Dicas para fazer um Plano de Sucesso que funciona: O plano deve ser construído em conjunto com o cliente; É fundamental a participação do corpo executivo do cliente; Antes da EBR, faça um alinhamento e um primeiro esboço do Plano de Sucesso com seu par no cliente (isso faz com que ele também acredite no plano e se responsabilize pela execução dentro do cliente); Mantenha um status periódico com seu par no cliente para garantir que o plano esteja sendo executado; يف يق لك ىك 39 Mantenha uma EBR já pré-agendada com o corpo executivo do cliente para realizar a prestação de contas ao longo do ano. Plano de Conta O Plano de Conta já é mais conhecido no mundo dos negócios e bastante utilizado pelas equipes de vendas e account execu- tives. O Plano de Conta é um documento interno da sua em- presa, em que estão mapeadas várias informações do cliente, principalmente informações que podem auxiliar o crescimento e a expansão na sua base de clientes. A principal diferença entre o Plano de Sucesso e o Plano de Conta é que o Plano de Sucesso leva em consideração o suces- so do cliente como um todo, enquanto que o Plano de Conta é muito mais focado na estratégia da sua empresa de expansão e ampliação de valor no cliente. A estrutura do Plano de Conta contém o mapeamento do orga- nograma do cliente, quem são as pessoas chave, como funcio- nam as dinâmicas internas do cliente, possíveis movimentos de gestores, enfim, tudo o que pode impactar seu trabalho com o cliente deve ser documentado. Lembrando que esse é um docu- mento interno, portanto o cliente não precisa ter conhecimento da existência do Plano de Conta, ao contrário do que acontece com o Plano de Sucesso. O sucesso do cliente é extremamente importante, mas o su- cesso da operação da sua empresa também. É preciso alcançar مل 40 o equilíbrio entre essas duas variáveis. De nada adianta gerar sucesso para o cliente se a sua operação não apresenta resul- tados positivos. Por isso o Plano de Conta trabalha em conjunto com o Plano de Sucesso. Algumas das seções obrigatórias dentro de um Plano de Conta são: oportunidades que serão trabalhadas no cliente, planeja- mento de upsell e cross-sell na carteira, riscos de redução de engajamento ou receita dos clientes, estratégia de acesso ao corpo executivo e movimentação de executivos. Dicas para fazer um Plano de Conta que funciona: Fazer um Plano de Conta antes de fazer o Plano de Sucesso, para já ter noção das oportunidades e riscos que devem ser abordados com o cliente na construção do Plano de Sucesso; Revisitar o Plano de Conta após fazer o Plano de Sucesso e atualizar todas as oportunidades; É interessante o CSM validar o Plano de Conta com seu gestor; Revisar o Plano de Conta ao final de cada EBR. Plano de Território Quando um CSM cuida de uma carteira grande de clientes, fica muito difícil gerenciar objetivos individuais. Neste caso, o Plano de Território adapta um Plano de Conta e um Plano de Sucesso يف يق لك ىك 41 para clusters de clientes. O objetivo do Plano de Território é gerenciar o sucesso dos clien- tes em escala. Quando se trabalha com uma carteira low touch, é inviável manter a mesma intensidade de contato com os clientes para desenhar os objetivos individualmente. Mas ao estudar os dados e o padrão dos clientes, é possível vislumbrar objetivos comuns de sucesso dos clientes e também realizar uma conexão com os objetivos internos da sua própria empresa. O Plano de Território trabalha com clusters de clientes. Por exemplo, serão trabalhados os clientes que estão mais propen- sos a fazer um upgrade. Esse Plano de Território tem por objeti- vo crescer a receita recorrente em X%. Lembre-se que é preciso definir um objetivo a ser trabalhado no Plano de Território,pode ser: NPS, aumento de receita, upgrades de plano, expansão de contratos, aumento de engajamento, entre outros. Inclusive, to- dos esses objetivos podem ser trabalhados ao mesmo tempo, mas em clusters diferentes. Lembre-se que as ações devem ser feitas nos clientes certos e no momento certo. Para um Plano de Território funcionar ele precisa ser dividido em várias “etapas”: definição clara dos objetivos de negócio da sua empresa, drivers e dados para o trabalho da operação low touch, definição de metas e objetivos para os responsáveis pelo contato low touch. 42 Dicas para fazer um Plano de Território que funciona: Estruturar o Plano e validar com o gestor; Revisão do Plano de Território a cada três meses para avaliar as ações, resultados e lições aprendidas. Independentemente do plano que mais se encaixa para sua realidade, em todos eles é importante converter todo o plane- jamento em Playbooks que são disparados a partir de gatilhos associados a drivers dos clientes. Principalmente nos Planos de Território em que a escala e a personalização são extremamente importantes para o suces- so das ações, contar com atividades automatizadas de contato com o cliente é fundamental para dar tração à operação. É importante planejar quais estratégias serão 100% tech touch, ou seja, ações automatizadas em que o cliente não tem contato direto com o CSM e quais serão híbridas (low touch), que mistu- ram ações automatizadas e algum contato do CSM. Dessa for- ma é possível desenvolver réguas de relacionamento que com- binem ações digitais em massa com possíveis touchs do CSM, principalmente para aqueles clientes que afunilam no final da régua de relacionamento. يف يق 43 Capítulo 02 Dados, ações e resultados 44 Dados, ações e resultados Agora que demos a perspectiva dos clientes e mostramos o que é resultado - e o que é sucesso -, chegou a hora de olhar para dentro da sua companhia. O que sua empresa tem e o que precisa estruturar para entregar sucesso para os seus clientes. A grande novidade no relacionamento com o cliente na era Customer Success é capacidade de ter relacionamentos poten- cializados por data driven. Nesse cenário, a partir dos dados são gerados scores e insights, e a partir desses insights, ações são disparadas. Portanto é essencial que esses dados sejam confiá- veis. Vamos dedicar todo este capítulo para explicar quais dados são importantes, como fazer a governança dessas informações e também mostrar quais desafios você encontrará no caminho. Encontrar e organizar os dados Não existe estratégia de Customer Success sem dados. Mas, em boa parte das empresas, os dados estão pulverizados e desorga- nizados. Claro que essa dificuldade inicial em centralizar os dados não deve ser um impeditivo para implementar uma operação de CS. Mas, ao mesmo tempo, é inviável criar um time em que os vá- rios CS Managers apenas vão ligar para os clientes, sem critério e sem objetivo. Provavelmente esse movimento inicial em busca de dados vai gerar um certo desconforto em algumas áreas da empresa. Isso 45 é natural e é importante que você esteja preparado para lidar com vários questionamentos ao longo do processo. Se o diretor de vendas da sua empresa não consegue trabalhar sem dados do mercado, sem informações de performance dos vendedores e sem dados críticos sobre os potenciais clientes, você, como responsável por Customer Success, também não consegue trabalhar sem ter os dados corretos dos clientes. Mesmo que seus dados estejam um pouco bagunçados, você com certeza já possui algumas informações que oferecem um ótimo ponto de partida para desenvolver um esboço do Health Score dos clientes e a partir daí priorizar as ações de Customer Success (vamos falar sobre o Health Score mais adiante). As informações de clientes que você já tem e provavelmente estão atualizadas, são: 﨓Dados cadastrais dos clientes; 﨓Dados de contrato; 﨓Dados de suporte e atendimento; 﨓Dados e respostas de pesquisas. Com base nos dados acima você consegue saber informações super relevantes, como: 﨓Valor mensal do cliente; https://blog.sensedata.com.br/dados-para-customer-success/ 46 﨓Demanda da estrutura de atendimento; 﨓Dúvidas mais comuns em relação ao produto. Com todos esses dados em mãos, você pode elaborar uma fórmula inicial de Health Score para os seus clientes. Mesmo que você não tenha todas as informações, ou que os dados não estejam perfeitos, você pode aplicar os mesmo critérios para calcular esse esboço de Health Score para todos os clientes. E, em relação a esse universo que será analisado, as notas fazem muito sentido e podem ser utilizadas. Por exemplo, se o após os cálculos o cliente A tem nota 37 e o cliente B tem nota 72, quando comparados entre eles, essa nota faz sentido. E isso é muito poderoso. A partir desse esboço você consegue aprimorar o cálculo e adi- cionar mais informações. E dessa forma você vai construindo o Health Score ideal para sua empresa. Ao priorizar as ações com base nos dados, você vai perceber a diminuição dos achismos e o surgimento de alguns resultados iniciais. Mas, com a constante utilização dos dados, vão come- çar a aparecer alguns erros e anomalias. Isso é absolutamente normal. Mantenha as pessoas focadas e trabalhe para ter da- dos cada vez mais completos e saneados. A necessidade por dados nunca acaba: quanto mais você tem, mais vai querer. 47 Governança dos dados É um trabalho árduo ajustar os dados e mantê-los organizados e atualizados. Mas se você chegou nessa fase de “reclamar da falta de dados”, parabéns, você está amadurecendo sua operação. O primeiro e decisivo passo para a gestão da informação dos clientes é o comprometimento com os dados. Você, e todos que manipulam e/ou cadastram dados na sua empresa, devem se comprometer com os processos e com a continuidade desse compromisso. Nesse processo de unificação dos dados, surge uma dúvida muito comum: Qual a fonte mais confiável para gerenciamento do cadastro de clientes? O ERP, o CRM de vendas ou o cadastro do cliente na minha solução/produto? Essa é uma pergunta que não tem uma resposta única. Você pode utilizar tanto o CRM quanto o ERP, ou até mesmo os dois sistemas ao mesmo tempo. O mais importante é que os sistemas conversem entre si para que as informações se com- pletem. O ponto principal antes de saber qual o melhor sistema para gerenciar os dados dos clientes é: quais informações de clientes são necessárias para segmentar a base de clientes de maneira satisfatória? Aqui vamos apresentar alguns dados que usamos e que são fundamentais para a gestão do sucesso dos clientes: 48 Chave única do cliente É preciso ter um código único que diferencie os clientes. Esse código que identifica cada cliente é o que faz a “ponte” en- tre as bases de dados dos diferentes sistemas que sua empresa utiliza. Não recomendamos usar o nome do cliente, ou o CNPJ, pois nem sempre essas informações são uma chave única, seja por- que existem homônimos ou porque existem grupos econômi- cos, ou seja, podem existir vários clientes em um mesmo CNPJ. Ainda sobre o CNPJ, é muito comum clientes pedirem a troca de CNPJ para efeitos de faturamento ao longo do contrato, e nor- malmente esse processo resulta em duplicidade de cadastro do mesmo cliente. Esse código único, pode ser definido de 3 formas: Pelo código que surge no CRM quando o cliente se torna um DEAL; Pelo código gerado no ERP, quando o cliente é cadastrado (ou vem automaticamente via integração do CRM); Pelo código que você mesmo cria para esse cliente (geralmente atrelado a um ambiente de uso que ele possui do seu produto). Pelo código que você mesmo cria para esse cliente (geralmente atrelado a um ambiente de usoque ele possui do seu produto). يف يق لك 49 Independentemente do seu critério para criar uma chave-única, ela precisará existir nas suas bases de dados para que elas pos- sam conversar entre si, ou minimamente ter uma correlação 1:1 dessa chave única com as IDs de outros sistemas (como chave- -única e auxiliar). Assim, é possível fazer um de/para das bases. Razão social e nome fantasia Apesar de cada cliente possuir um código (ou chave única), é importante cadastrar o Nome Fantasia e a Razão Social de cada cliente. Para quem tem até 100 clientes pode até parecer brincadei- ra, afinal, você conhece todos os clientes. Mas imagina quando você tiver dez mil clientes, você vai lembrar o nome de todo mundo? Esse cadastro é mais que obrigatório para manter o relacionamento com os clientes. Data de registro Quantos clientes novos entraram na sua empresa em março do ano passado? E em dezembro? Qual a porcentagem de logo churn nesses mesmos meses? Esse tipo de pergunta você só consegue responder se tiver a data de registro. Perceber a evolução da empresa mês a mês, e o crescimento em número de clientes, só é possível com o registro correto dessa data. 50 Município e Estado Onde está a maioria dos seus clientes? Se você pensar em abrir uma base comercial em outro lugar, onde deve ser? Essas perguntas serão facilmente respondidas se você tiver os dados de onde estão localizados cada um dos seus clientes. Por isso, padronize esse cadastro, e sempre atualize essa informa- ção no registro do cliente. Se você já tem um volume grande de clientes e não possui esse registro, monte uma força tarefa para fazê-lo, esse cadastro pode ser muito valioso. Porte dos clientes Como a carteira de clientes está dividida por porte? Quantos e quais são os clientes com maior potencial de crescimento? Aqui nesse registro você pode manter a simplicidade e definir apenas: pequeno, médio e grande. Lembre-se de documentar os critérios que ajudam a definir esse porte. Apesar de não ser um cadastro mandatório, algumas visões por porte na hora de segmentar os clientes são interessantes e trazem insights poderosos. Segmento de atuação Quando você trabalha com um nicho, fica muito fácil definir o segmento de atuação dos clientes, visto que quase todos pos- suem o mesmo segmento. 51 Mas às vezes existem segmentos mesmo dentro de um único nicho. Por exemplo, no universo médico existem: clínicas, hos- pitais, laboratórios. No universo automotivo: loja de novos, se- minovos, serviços, etc. Com essa divisão você consegue responder: qual segmento traz maior retorno? Qual segmento está utilizando melhor o meu produto? Status Registrar o status dos clientes pode parecer um pouco básico, mas é muito importante. Se existe um cadastro que deve ser feito de maneira processu- al e com governança absoluta é o status. A maioria das métricas de churn só podem ser feitas quando você tem, com muita cla- reza, o cliente ativo e o cancelado. Data de cancelamento O status é muito importante para saber quantos churns você teve. Mas também é significativo saber quando esses churns ocorreram. A partir desse registro é possível acompanhar a evolução do churn mês a mês e até mesmo realizar possíveis correlações com o calendário de vendas. 52 Mantenha a governança Todos os colaboradores da empresa devem saber a importân- cia de registrar os dados dos clientes. Os mais diferentes times devem compreender que as informa- ções que são extraídas desses dados são extremamente úteis. Torne os dados públicos e aceite sugestões. Afinal, podem sur- gir muitas oportunidades de análises de pessoas que estão ven- do esses dados “do lado de fora”. Ao adotar extremo rigor no registro e governança dos dados, fazer relatórios e análises se torna cada vez mais rápido. A partir disso, as pessoas param de perder tempo “limpando” bases e passam a investir tempo na análise e nas ações que são disparadas por essas análises. Uma boa prática que temos observado é: disponibilizar um relatório ou um dashboard de data quality. Uma vez mapeado o fluxo de dados e ajustados os processos em todas as origens para que o dado já nasça correto, esse relatório ajuda a apontar possíveis falhas no preenchimento das informações e permite uma correção imediata. Análise dos dados (insights) Depois de organizar seus dados e criar um processo de gover- nança que todas as pessoas seguem e se comprometem, che- gou a hora de analisar todos esses dados e criar indicadores que vão guiar as ações do time de sucesso do cliente e, por que 53 não, as ações de toda a companhia. Nossa dica na hora de fazer a análise dos dados dos seus clien- tes é: meça o que é importante de verdade para sua empresa. Aqui é importante abordarmos um pouco sobre os indicadores Le- ading e Lagging. Vamos mostrar as diferenças entre eles e também dar exemplos de como aplicar cada um deles na sua estratégia. Leading e Lagging Indicators Os indicadores Leading e Lagging são dois tipos de medidas utilizadas ao avaliar o desempenho em uma empresa ou or- ganização. Um indicador Leading é uma medida preditiva, por exemplo: a porcentagem de onboardings concluídos com su- cesso. Já um indicador Lagging é uma medida de rendimento, de algo que já aconteceu, por exemplo: o número de cancela- mentos. A diferença entre os dois indicadores é: um deles pode influen- ciar a mudança (Leading) e o outro apenas registra o que já aconteceu (Lagging). No exemplo que demos, um onboarding incompleto pode ser causador de um futuro churn. Na maioria das vezes as empresas se concentram em medir os resultados, principalmente porque eles são mais fáceis e mais precisos. Por exemplo, saber a quantidade de vendas, o núme- ro de churns, os leads gerados, tudo isso é fácil de se medir, mas eles são Lagging Indicators. 54 Esses são indicadores “pós-evento”, essenciais para fazer uma análise de evolução histórica, mas ineficazes ao tentar influen- ciar o futuro. Para influenciar o futuro, é preciso um tipo diferente de medição, um tipo que seja mais preditivo do que um mero resultado. Por exemplo, se quisermos aumentar as vendas, uma medida predi- tiva poderia ser a quantidade de chamadas telefônicas feitas pela equipe de vendas. Se quisermos prever a quantidade de churns, é preciso fazer uma análise dos fatores que estão relacionados com o cancelamento, como o baixo engajamento do cliente. Os Leading Indicators são sempre mais difíceis de medir do que os Lagging Indicators. Eles são preditivos e, portanto, não fornecem uma garantia de sucesso. Isso não apenas dificulta a decisão sobre quais indicadores-chave usar, como também tende a causar um acirrado debate interno quanto à validade das métricas. Para piorar ainda mais a situação, normalmente os indicado- res-chave requerem algum tipo de investimento (seja tempo, dinheiro ou pessoas) antes de comprovar seu resultado ou ter algum retorno significativo nos Lagging Indicators. O que podemos observar em nossos clientes é que a combi- nação entre Leading e Lagging Indicators resulta em um melhor desempenho das atividades em todas as áreas de atuação. Por exemplo: “Funcionários satisfeitos e motivados” é um indicador (bem-provado) de “satisfação do cliente”. “Inadimplência constante” 55 é um bom Leading Indicator de “cancelamento”. Ao desenvolver uma estratégia de gerenciamento de Custo- mer Success, é sempre uma boa prática usar uma combinação de indicadores. A razão para isto é óbvia: um indicador de resul- tado (Lagging) sem um indicador de predição (Leading) não vai ajudar a planejar as próximas ações nos clientes, ou seja, não fornecerá alertas antecipados sobre qual caminho seguir para atingir as metas e os objetivos. Por outro lado, um indicador Leading sem um indicador Lag- ging pode fazer com que você se mantenha extremamente ocu- pado em algumas atividades sem ter a confirmaçãode que os resultados de negócios estão sendo alcançados. É necessário um “equilíbrio” de indicadores Leading e Lagging para garantir que as atividades certas sejam implementadas para alcançar os resultados certos. Como combater o Churn com dados De todas as empresas que conversamos aqui na SenseData, sejam clientes, parceiras ou prospects, muitas tem uma coisa em comum: a preocupação com o churn. Vamos aproveitar que estamos falando sobre dados e indica- dores e abordar um pouco mais esse problema que aflige tanta gente. Conforme falamos acima, o churn é um Lagging Indicator, ou seja, é uma métrica de resultado, está relacionada a algo que já 56 aconteceu. Portanto, é preciso procurar os Leading Indicators que estão associados ao churn. Geralmente quando se fala de indicadores de churn a primeira coisa que vem à mente das pessoas é a utilização do seu servi- ço/produto, mas esse não é o único fator que importa. Lembre-se que o churn pode ser o resultado de uma doença, portanto, é preciso considerar os indicadores que estão relacio- nados com a saúde do cliente. Alguns fatores que estão ligados à saúde de uma conta, são: 﨓Histórico de suporte 﨓Histórico de negociações de contrato 﨓Crescimento de contrato 﨓Interação com a comunidade de clientes 﨓Histórico de faturas 﨓Resultados das pesquisas (Satisfação, NPS…) 﨓Relacionamento executivo 﨓Auto-suficiência 﨓Utilização do produto O primeiro passo natural é começar com correlações. Reúna todos esses dados sobre seus clientes e os divida em dois grande grupos: 57 os que são clientes ativos e os que já realizaram o cancelamento. Depois, basta comparar a média de cada um dos dados dentro dessas duas categorias de clientes. Se você perceber alguma mudança significativa, é porque encontrou uma correlação. Bom, esse é o método simples. A realidade é um pouco mais complicada que isso. Ao terminar essa análise você vai chegar em alguns dados interessantes, mas que não significam muita coisa, por exemplo: 﨓17% de todos os clientes que não fazem login em duas semanas acabam cancelando 﨓8,5% de todos os clientes que abrem mais de 10 tickets de suporte no período de 30 dias, cancelam 﨓13,3% de todos os clientes que lhe dão uma nota abaixo de 5 na NPS vão cancelar Todos esses indicadores são interessantes, mas você só con- seguirá extrair valor genuíno deles quando começar a relacio- nar todos esses fatores desta forma: 﨓42,3% de todos os clientes que não fazem login em duas semanas E abriram mais de 10 tickets de suporte nos últimos 30 dias E deram uma NPS abaixo de 5 resultaram em churn Os fatos são todos iguais nos dois exemplos. A diferença é que, 58 com a ajuda de uma ferramenta adequada e algoritmos certos, um novo fato aparece. A combinação de variáveis permite uma ação proativa. Pense na rapidez com que você pode reagir ao receber um re- port ou um alerta dizendo que determinados clientes estão em risco e que sua equipe de Sucesso do Cliente deve iniciar suas atividades imediatamente. Você provavelmente teria uma boa chance de reter esses clientes caso agisse com agilidade. Neste exemplo que demos, o churn é um Lagging Indicator e todos os demais indicadores são do tipo Leading. Quando agre- gados dessa maneira formam um score. Aqui um alerta: olhar apenas para o score sozinho pode ser perigoso, pois algumas curvas podem ficar suavizadas. Uma boa prática é trabalhar esse score juntamente com um gatilho, ou seja, um indicador que tenha uma tendência de que- da mais acentuada. Dessa forma você consegue criar Playbooks efetivos e ações proativas. Lembre-se: quando o assunto é churn, todas as equipes pre- cisam estar envolvidas, não apenas o time de Sucesso do Clien- te. O alinhamento em torno da filosofia de Customer Success é essencial para qualquer plano de prevenção de churn. Cada equipe dentro da empresa deve saber como seu trabalho afeta o sucesso dos clientes e também o que pode ser feito para au- mentar esse sucesso. Aqui vale um aviso, não acredite no mito de que apenas o churn 59 é um indicador importante. Ele está relacionado com muitas coisas que já aconteceram com seu cliente. Uma estratégia para definição de Leading Indicators com o objetivos de prevenir o churn pode ser feita em qualquer empresa. A principal dica para que esse plano funcione é: pare de ape- nas combater o churn e comece a trabalhar nos principais indi- cadores de sucesso de seus clientes. Health Score Depois de “como evitar o churn?”, uma das perguntas que mais recebemos aqui na SenseData é “como fazer um Health Score?”. Primeiro, vamos falar um pouco sobre essa métrica e sua utili- dade. Depois vamos explicar como estruturar e utilizar o Health Score corretamente. Antes de mais nada, você precisa determinar o que é uma “con- ta saudável”. Aqui estão algumas perguntas que você deve fazer enquanto passa por esse processo de definição: 﨓A pontuação será um preditor de upsell / churn? Deveria ser? 﨓Quão rapidamente a pontuação de um cliente pode flutuar? 﨓Quais são os vários elementos que compõem a pontuação geral? 60 﨓Algum desses elementos podem ser subjetivos ou todos eles precisam ser objetivos e concretos? 﨓Todos os elementos são igualmente importantes? Todos possuem o mesmo peso? Conforme você passa pelo processo de estruturação de um Health Score, você definitivamente vai se fazer muitas outras perguntas como essas. O processo é um pouco doloroso, mas é um exercício muito saudável. Esse momento de reflexão vai gerar muitos insights sobre as- pectos relevantes da saúde de seus clientes. Cuidado com a quantidade de pessoas que você envolve na construção desse Health Score, pois muitas das discussões serão baseadas em opiniões e o processo pode ficar cansativo - e improdutivo. Se você quer começar a estruturar um Health Score, aqui estão alguns dos elementos que você deve considerar: 﨓Uso geral do seu produto 﨓Uso das sticky features do seu produto 﨓Profundidade de uso (% do produto usado) 﨓Amplitude de uso (número de licenças na conta) 﨓Crescimento da conta (pode ser em receita ou em licenças) 﨓Período de tempo como cliente 61 﨓Aplicação de desconto na conta 﨓Número de upsells concluídos 﨓% do gasto que é não recorrente (implantações, treinamentos, serviços adicionais) 﨓Resultados de pesquisas (satisfação, NPS…) 﨓Frequência de utilização do Suporte (seja telefonemas, mensagens ou tickets) 﨓Participação em projetos de marketing (indicações, palestras, estudos de caso) 﨓Feedback do produto 﨓Envolvimento com a comunidade de clientes 﨓Histórico de faturas 﨓Relacionamento executivo 﨓Relacionamento global 﨓Os executivos de C-Level são usuários da sua solução? Com certeza você já deve ter pensando em mais elementos para adicionar nesta lista. O ponto é: existem muitas coisas que afetam a saúde geral do seu cliente, você nunca terá o quadro completo. O desafio é restringir sua lista a um número gerenciável de 62 fatores que sejam realmente úteis, fatores que são tão impor- tantes que você faria manualmente o controle para seus 100 principais clientes. Não se preocupe se a lista ficar muito “pe- quena”, quando você der o salto para automatizar o controle do Health Score, você poderá expandir o número de elementos para incluir mais dados. Como você certamente percebeu, algumas das opções listadas aci- ma são puramente subjetivas emuito importantes (por exemplo, relacionamento executivo). A boa notícia sobre os fatores subjetivos é que eles normalmente não mudam com muita frequência. Uma revisão trimestral é suficiente para atualizar essas informações. Mais uma complicação na hora de formular seu Health Score: você provavelmente terá vontade de criar mais de um modelo de pontuação. Pode fazer sentido ter um modelo diferente para os clientes nos primeiros 90 dias de contratação e outro modelo para aqueles clientes com mais de um ano. Ou então você vai querer classificar seus grandes clientes estratégicos de manei- ra diferente dos clientes “self service”. Esses são refinamentos que você pode fazer em um segundo momento. Antes é preciso criar uma fundação sólida. Pensando no caso de empresas que trabalham com o modelo de recorrência, chegará um momento que a receita oriunda da base de clientes e expansão dos contratos será muito maior do que a receita vinda de novas vendas. Por isso, a exigência de ter forecasts de expansão, upsell e cross-sell será cada vez maior. Ter um Health Score funcionando ajuda a criar essas “previ- 63 sões” de aumento de ticket e também são extremamente úteis na hora de priorizar as atividades dos CS Managers. Nem todo mundo precisa de Health Score Você deve ter percebido que construir um Health Score não é uma tarefa tão simples. Portanto recomendamos começar de- vagar e não “se jogar de cabeça” na formulação desse indicador. O enorme esforço para se fazer um Health Score e as incertezas ao longo dessa construção podem ser extremamente prejudi- ciais para algumas equipes de sucesso do cliente que ainda es- tão se estruturando. Além disso, o tempo necessário para se ajustar a fórmula, re- alizar testes e ter resultados concretos pode comprometer o atingimento de objetivos de curto prazo. Se você estiver em um momento de provar o valor de CS dentro da sua companhia e existe muita pressão do C-Level para ver resultados, é melhor começar pelas “low hanging fruits”, ter pequenas vitórias e dei- xar a estruturação do Health Score quando a área estiver mais madura. Diferentemente do que acontece em outras áreas, em CS as métricas são muito “individuais” para sua empresa. Com o pró- prio Health Score isso acontece. Dificilmente você encontra- rá um benchmark que pode ser aplicado diretamente na sua empresa. Todos os indicadores utilizados e também a fórmula para balancear esses valores serão únicos para a sua compa- nhia. Por isso as primeiras tentativas costumam ser bem confu- sas e precisam de ajustes regulares até que o método produza 64 resultados consistentes nas contas dos CSMs. Depois de configurar sua fórmula inicial de pontuação do Health Score, é importante ficar de 6 a 10 meses sem alte- rações para que você possa acompanhar os resultados ao longo do tempo. Aa menos que logo na partida você perceba que errou feio na primeira tentativa. Quando isso acontece, costuma ser bem evidente, pois a discrepância entre o score e os clientes são gritantes. O principal benefício de ter um Health Score é priorizar corre- tamente as atividades dos CS Managers. Por isso, agora vamos falar sobre a relação entre dados e ações. Dados disparam ações Todas essas boas práticas, informações e governança de da- dos na sua empresa serão praticamente inúteis se esses dados não servirem para disparar ações. Vivemos em um mundo Big Data, em que tudo é quantificado e registrado. Nesse contexto, os clientes deixam para trás uma trilha digital de informações sobre seus comportamentos, atitu- des e interações. Esses dados podem ser analisados de diversas maneiras. Por exemplo, os dados podem dizer o estado atual da saúde da conta (descritivo). Pode dizer qual será a saúde da conta no próximo trimestre (preditivo). E também pode dizer quais ações você precisa to- 65 mar para melhorar a saúde da conta (prescritivo). Por exemplo, no caso do Health Score, depois de escolher as métricas para criar sua pontuação, é necessário desenvolver alertas para notificar seus CSM sobre as mudanças de status dos seus clientes. E, claro, não basta um alerta, é fundamental que esses alertas disparem Playbooks para que ações sejam tomadas e, dessa forma, seja feita a gestão do sucesso dos seus clientes. Para “atacar” o Health Score dos clientes você pode utilizar vá- rias estratégias diferentes, tudo depende do objetivo global da companhia e também do contexto em que a área de CS está in- serida. Vamos trabalhar com uma escala de cores para facilitar os exemplos: vermelho para contas em risco, amarelo para contas “ok” e verde para contas saudáveis. O principal trabalho do seu time pode ser reverter as contas que estão “vermelhas” para “amarelo”. Isso depende da quanti- dade de contas que estão em risco, quais são essas contas, qual o potencial delas e qual é a receita que essas contas represen- tam para sua empresa. Ou então, seu objetivo pode ser passar as contas em amare- lo para verde, afinal, uma conta saudável tem seis vezes mais chances de realizar um upsell ou um cross-sell do que uma con- ta que está apenas “ok”. O importante aqui é reconhecer que um Health Score sozinho não vai melhorar os resultados da sua empresa nem vai pre- 66 venir o churn. É preciso criar esse indicador com um objetivo final. É essencial desenvolver ações certas nos clientes certos no momento certo. Também vale ressaltar que é preciso combinar o uso do score com outros gatilhos e insights extraídos de dados. As análises podem ser combinadas com outros scores como engagement score, score de ativação, score de crescimento, entre outros. Nível de maturidade e análise de dados de clientes Podemos separar as empresas em cinco níveis de maturidade diferentes de acordo com o uso de dados dos clientes para a gestão de Customer Success. Geralmente as empresas que se destacam no mercado usam os dados dos clientes em todos os níveis da organização. Existem três atividades principais que influenciam nessa esca- la de maturidade: Integração dos dados que antes estavam em silos. Isso permite ter uma visão 360º de cada cliente e também permite que as análises resultem em insights mais profundos e produtivos, coisa que não seria possível se cada silo de dados fosse olhado separadamente. Utilização de análises preditivas e prescritivas. Enquanto as análises descritivas fornecem uma visão sobre o pas- sado, as análises preditivas e prescritivas ajudam você a “prever” o futuro e tomar medidas para reduzir o risco يف يق https://blog.sensedata.com.br/gestao-de-sucesso-do-cliente-proximo-nivel/ 67 de churn de clientes ou aproveitar as oportunidades para melhorar os relacionamentos existentes e realizar expansão, upsell e cross-sell. Aplicação de Machine Learning para automatizar a extração de insights a partir dos dados dos clientes. Mesmo que a empresa tenha um equipe de cientistas de dados, as análises podem ser limitadas. Ao utilizar o Machine Learning é possível obter rapidamente inúmeros insights para gerenciar proativamente a relação com os clientes. Os dados são tão valiosos quanto o que você faz com eles, por isso os profissionais de CS precisam aplicar a análise cor- reta aos dados para ajudá-los a tomar as decisões certas sobre seus clientes. Recomendamos usar o método científico para en- contrar essas informações. Usar a abordagem científica requer fazer as perguntas certas, declarando hipóteses testáveis, reu- nindo os dados necessários, analisando esses dados, comuni- cando os resultados e tomando medidas. لك 68 Como uma ferramenta pode ajudar Gerenciar o sucesso dos seus clientes não é uma tarefa fácil! Por isso a utilização de uma plataforma pode ser muito útil, tanto para facilitar as análises dos dados e geraçãode relatórios, quan- to para organizar as atividades do time. Boa parte dessas atividades que citamos até aqui podem ser fei- tas sem tecnologia. Mas é a tecnologia que permite você evoluir até um nível de predição. Realizar a organização dos dados, análi- 69 ses, correlações e ações nos clientes pode ser um grande esforço que vai demandar equipes muito grandes e pouco escaláveis. É por meio da tecnologia que é feita a operacionalização de todas as boas práticas de sucesso do cliente. Todos os processos sobre os quais falamos há anos na Sense- Data, seja neste livro, em nosso blog e nas palestras que faze-mos, precisam de tecnologia para que sejam executados com perfeição. É quase impossível conduzir uma jornada consistente, geren- ciar as contas em risco, demonstrar seu valor para seus clientes, acelerar seu processo de indicações (advocacy), coordenar sua equipe de CSM e a equipe de vendas em upsell e trabalhar em conjunto com outros times usando apenas algumas planilhas e dados que estão desconexos em um banco ou um BI. https://blog.sensedata.com.br/ 70 Capítulo 03 GestãGestão de time time 71 Gestão de time Conforme vimos ao longo de todo esse material, o Customer Success é uma das atividades mais importantes na chamada nova economia, ou economia da recorrência. Para que essa metodologia seja aplicada da forma correta, é preciso ter pessoas que sejam engajadas no propósito de CS e que estejam dispostas a trabalhar para o sucesso dos clientes. Esse é um grande desafio, afinal, garantir o sucesso do cliente só é possível quando sua equipe tem pessoas com as habilida- des e o temperamento certo para tratar os clientes de forma adequada, dia após dia. Um profissional de Customer Success precisa reunir compe- tências técnicas e emocionais que permitam que ele se torne especialista no negócio do cliente e que consiga traçar um cami- nho para a obtenção do sucesso com o seu serviço ou produto. Como encontrar o CS ideal Para se ter uma ideia, Customer Success Manager é uma das três profissões que mais crescem no Linkedin, segundo a pesqui- sa “LinkedIn’s 2017 U.S. Emerging Jobs Report”. O estudo mostra que entre o período de 2012 a 2017 as vagas disponíveis para esse cargo cresceram mais de 560% no mercado americano, e percebemos que o mesmo fenômeno está ocorrendo no Brasil. A quantidade de empresas que nos procuram para indicação de profissionais tem aumentado ano após ano, assim como o nú- 72 mero de profissionais no Brasil com título de CSM no Linkedin. Nesse cenário de intensa competição por talentos, como é possível recrutar os profissionais que sejam: 﨓Capazes de atender os clientes; 﨓Focados em dados; 﨓Alinhados com a cultura do time; 﨓E adequados para os desafios para a sua empresa. Reunimos aqui algumas competências técnicas e emocionais fundamentais para o trabalho de um bom CS. Todas essas ca- racterísticas aqui descritas vão te ajudar no processo de recru- tamento, treinamento e gestão da equipe de CS. Inteligência emocional A Inteligência Emocional é definida como “a capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”. Se você quiser que as pessoas em sua equipe sejam capazes de gerenciar situações complexas e tomar posições conscientes representando a sua empresa, é necessário que essas pessoas tenham maturidade emocional. A inteligência emocional também serve como um mecanismo 73 de percepção que é requisitado para prever situações complexas e contorná-las, o que evita armadilhas com clientes provocado- res ou irritadiços - afinal, sabemos que eles existem. Você já considera a inteligência emocional dos candidatos du- rante o recrutamento? É de muita utilidade avaliar essas competências em entrevistas e dinâmicas de grupo, em especial nessa fase inicial do proces- so de contratação. Equilíbrio Equilíbrio é especialmente importante quando pensamos em situações difíceis onde o cliente fornece informações conflitan- tes, em que muitas vezes pode haver falta de clareza do resul- tado desejado. Por exemplo, um cliente frustrado pode ameaçar cancelar a conta, ao mesmo tempo que expõe diversos pontos que, na sua perspectiva, deveriam ser melhorados. Não necessariamente o resultado desejado desse cliente é o cancelamento. Uma pessoa equilibrada consegue encontrar soluções onde outros indivíduos perdem a calma. Um bom CSM tem a capacidade de identificar o momento de tensão e equilibrar o clima focando em aspectos práticos. Um profissional equilibrado não se sente na obrigação de rebater todas as críticas e tornar a reunião um debate “respondendo à altura”. 74 Uma pessoa equilibrada sabe dosar o uso de energia e enten- de quando é necessário e adequado demonstrar empolgação e motivar o cliente positivamente e quando é necessário sintoni- zar-se com ele para sentir o que ele sente. A entrevista é um ótimo momento para observar se um candi- dato possui dificuldades de modular a energia de uma interação (empolgado demais, desanimado demais) e é possível observar como o candidato reage a perguntas difíceis fora do script. Empatia Empatia pode ser definida como “sentir ou entender a dor do outro”. Essa é uma das habilidades mais importantes do Customer Suc- cess e pode se aplicar tanto a situações difíceis quanto a situa- ções corriqueiras. Aliás, a empatia é tão importante que a falta dessa competência pode prejudicar a relação com o cliente. É muito desafiador para o profissional de CS ter de vestir a ca- misa de diversos clientes. De vez em quando pode-se cometer o erro de diminuir a relevância de uma solicitação ou cenário que o cliente apresenta. Empatia na prática não é apenas entender o que é importante para o cliente mas sim sentir a mesma dor do cliente e se preo- cupar de modo genuíno com o sucesso dele. O profissional de Customer Success deve saber avaliar se sua solução está entregando sucesso ou não, isso antes mesmo do 75 cliente perceber essa situação. Para entender o que o cliente precisa, é fundamental escutá- -lo de forma atenciosa e se comprometer com as necessidades dele. Durante o processo de seleção observe o quanto um candi- dato fala sobre si e o quanto escuta os outros. Ele interrompe outras pessoas a todo momento para falar de si ou reage posi- tivamente ao que as demais pessoas falam? Resiliência Essa é a habilidade de se adaptar e superar - com sucesso - si- tuações estressantes, ou de se recuperar após uma adversida- de de forma saudável e construtiva. Ter um bom desempenho quando o contexto está favorável é fácil. O desafio é manter o ânimo em todas as interações, ou então ser positivo após vários momentos ruins. Ter resiliência é a capacidade de se recuperar rapidamente, sem levar “problemas para casa” e sem criar um ambiente de trabalho tóxico onde reclamar dos clientes é algo natural. Durante o processo seletivo é possível perguntar sobre situa- ções difíceis que o candidato passou e como isso o afetou pes- soalmente. 76 Automotivação Falamos sobre resiliência no tópico anterior e aqui cabe co- mentarmos sobre a automotivação, outra habilidade compor- tamental importante. A automotivação é essencial para enfrentar o dia a dia, princi- palmente quando o CS tem clientes enfrentando situações de- safiadoras. Por mais que a gestão seja presente e dê apoio constante à equi- pe, é inviável e ineficiente que o gestor seja o único responsável pela motivação do profissional de Customer Success. Automotivação está relacionada com a capacidade de identi- ficar quais são suas próprias necessidades internas, o que te motiva ou o que te frustra. O autoconhecimento ajuda muito a entender como recarregar suas energias e se orientar pelo seu potencial através das suas capacidades. Você pode perguntar ao candidatoqual estratégia ele usa para se automotivar e observe a presença de rotinas positivas na resposta. Veja se ele realmente confia nas suas capacidades e se consegue citar “momentos de pico” ou vitórias atingidas que servem com ponto de inspiração pra si mesmo. Construção de relacionamentos A principal atribuição do CS é: criar e manter relacionamentos. É impossível falar sobre construção de relacionamentos sem 77 falar sobre confiança. A confiança é a base de qualquer relacionamento sadio e deve ser construída aos poucos. Muitas vezes situações inesperadas, como uma falha da empresa, se resolvida rapidamente, pode fazer a confiança do cliente aumentar devido ao fato de que agora ele sabe que em emergências pode contar com o Custo- mer Success e com a equipe. O tempo de reação da equipe é fundamental. Por exemplo, quando algo vai mal em algum relacionamento pessoal, se você não toma uma ação no momento adequado, essa interação ruim pode gerar desgastes e ocasionar conflitos maiores e até mesmo o fim do relacionamento. Outro ponto importante na construção do relacionamento é a resposta a críticas, avaliações e feedbacks. Escutar atentamente a opinião do cliente é parte da constru- ção do relacionamento. Mostrar que você está tomando ações baseadas nessa opinião é muito mais eficiente para demonstrar que a avaliação dele é importante. O candidato consegue citar situações em que ele agiu rapida- mente para evitar um problemas ou a resolver uma situação de conflito? Consegue citar exemplos de como críticas fizeram ele crescer pessoal ou profissionalmente? Comunicação Saber se comunicar de forma clara e objetiva é essencial, tanto 78 no relacionamento com o cliente, como para transmitir para a equipe interna as necessidades do cliente. Entretanto, pode ser um grande desafio comunicar-se com clareza e objetividade e também continuar sendo humano ao invés de apenas descritivo. Uma pessoa ansiosa pode ter dificuldade de organizar suas ideias e apresentar objetivamente uma mensagem, o que pode transmitir falta de confiança, justamente quando a missão seria tranquilizar o cliente. Observe se o candidato consegue transmitir uma ideia de for- ma clara, sem falar demais, ou de menos. Se fala muito rápido, usa analogias confusas ou expressões que o interlocutor não conhece. Capacidade de negociação Uma competência essencial para um CSM é a capacidade de negociação. Você vai querer para sua área de CS um profissional que saiba negociar, principalmente que saiba negociar o recurso mais im- portante atualmente: tempo (seu próprio e o dos outros). O candidato consegue citar situações em que tinha uma de- manda prioritária para um cliente e que precisou negociar com outras áreas da empresa que tinham suas próprias prioridades? Negociar entregas com um cliente e prioridades com os times internos da sua empresa é essencial para qualquer CS. 79 Aqui vale a pena comentar sobre duas formas básicas de nego- ciação: barganha de propostas e solução de problemas. As negociações entre áreas em uma empresa devem sempre ser conduzidas com base em soluções de problemas. Essa é a forma mais provável de se chegar ao ganha/ganha. Quando as negociações acabam caindo na barganha de pro- postas, o resultado mais provável é o perde/perde. Que tipo de negociador você quer contratar? Capacidade de aprendizado e curiosidade É impossível ser um bom CS e não ser também uma pessoa muito curiosa que adora aprender coisas novas. A obrigação de um CS é mergulhar no universo do cliente, se tornar especialista nesse modelo de negócio e também ter ca- pacidade de ajudar o cliente a atingir seus objetivos por meio do produto ou solução que representa. É muito improvável que uma pessoa acomodada seja capaz de fazer tudo isso. Pergunte ao candidato qual foi a última coisa que ele aprendeu que não tenha relação com o trabalho ou faculdade. Quais são os seus hábitos de estudos e que fontes ele usa como referência. Visão de processo Muito mais que organizado, um profissional com visão de pro- cesso consegue identificar demandas concorrentes e até con- 80 traditórias no mesmo cliente e prever resultados indesejados. O CS com essa habilidade consegue traçar estratégias, criar cronogramas e sabe gerenciar as expectativas de todas as par- tes, porque sabe o que cada uma delas deseja e quais recursos precisam ser alocados para obter o resultado. Um profissional que possui visão de processo é alguém que está sempre buscando ser mais eficiente, encontrando formas e caminhos melhores para fazer as mesmas coisas, seja de for- ma mais rápida ou mais inteligente. Você vai querer na sua equipe alguém que sabe que entregar sucesso para o cliente é resultado de um esforço pensado e pla- nejado e não apenas resultado de carisma ou talento pessoal. Lembre-se sempre de buscar essas características nos candi- datos: 﨓Inteligência emocional 﨓Equilíbrio 﨓Empatia 﨓Resiliência 﨓Automotivação 﨓Construção de relacionamentos 﨓Comunicação 81 﨓Capacidade de negociação 﨓Capacidade de aprendizado 﨓Visão de processo Como montar o time Depois de passar pelo processo de recrutamento e seleção, é preciso montar o time para executar as ações e garantir que os clientes tenham resultados positivos com a solução que a sua empresa oferece. Uma coisa importante na hora de formar o time e selecionar os candidatos é preciso prezar por certa heterogeneidade de perfis. Muitas vezes os líderes acabam contratando pessoas que têm o perfil muito parecido com o seu. Isso com certeza torna a gestão do time muito mais fácil, afinal, todos tem uma visão muito pare- cida dos desafios e das possíveis soluções, não existem conflitos. Mas essa falta de conflito e de discussão também culmina na au- sência de construção. Quando todos têm a mesma perspectiva, a chance de erros aumenta exponencialmente. É importantíssimo buscar perfis que se complementam e que - até mesmo - se provoquem. Dessa forma o líder consegue gerar conflitos positivos para ter pensamentos e soluções inovadoras. Em relação à gestão de um time de CS, isso não difere muito da gestão de pessoas seguindo as técnicas e modelos mais modernos. 82 É preciso ter muita clareza e alinhamento. O líder do time pre- cisa comunicar claramente quais são os problemas, quais são as oportunidades e o que é importante de verdade. Isso possi- bilita que as pessoas priorizem suas atividades de acordo com uma visão comum. A construção da visão do time deve ser feita de forma colabo- rativa. Cada vez é mais latente a necessidade de pertencimento em uma causa, em um propósito. Para que o líder de CS tenha um time ativo, engajado e eficiente, é preciso criar uma visão de futuro da área e da empresa, estruturar um pilar forte para que possa ser trabalhada a motivação de cada indivíduo. Afinal, só por meio de uma cultura de time bem edificada é possível alcançar uma meta comum. Se o líder pensa apenas em estra- tégia, definição de metas e números que devem ser cobrados, o time tem dificuldades para seguir adiante. Mais um ponto importantíssimo para organizar e motivar a equipe de CS é a capacidade de estruturar metas que façam sentido e sejam claras (olha a clareza aqui de novo). De nada adianta colocar objetivos genéricos como as metas da equipe. Por exemplo, “diminuir o churn e aumentar a expansão da carteira de clientes” é um péssimo exemplo de meta. Não fica óbvio qual trabalho deve ser feito, onde o time deve chegar no final do período estipulado, e qualquer coisa que for alcançada dentro desse campo será visto como uma “vitória”. Nossa dica é seguir a metodologia de metas SMART (Specific, Measurable, Actionable, Relevant, Time Based) e também criar 83 metas que estejam relacionadas com o resultado que a compa- nhia precisa comoum todo, para não gerar situações em que a meta é batida, mas o resultado está ruim. Metas genéricas são extremamente perigosas. Além de gerarem muitas dúvidas e não terem resultados efetivos, o time fica muito perdido e isso pode causar uma grande desmotivação. Tamanho do time Qualquer empresa que está iniciando o planejamento de uma área de CS tem entre suas preocupações o tamanho do time. Falamos um pouco sobre o perfil ideal do CS Manager, mas quantas pessoas são necessárias para atender toda a carteira de clientes da empresa? Bom, na nossa experiência com centenas de operações de CS no Brasil, já vimos vários modelos diferentes e cada um deles leva em consideração o contexto e a cultura interna da companhia. 84 Algumas empresas preferem montar um time maior do que a demanda que possuem para estarem preparados para o cresci- mento da empresa. Geralmente essas empresas estão em está- gio de escala e possuem capital investido. Outro modelo de estruturação é trabalhar com um time sub- dimensionado, ou seja, com um time enxuto em que são feitas novas contratações de acordo com o aumento da demanda. O tamanho do time na verdade é uma consequência de como sua empresa está preparada para orçar uma equipe de Custo- mer Success. Existem várias maneiras de realizar um orçamen- to de time e vamos dar alguns exemplos aqui. É possível definir um percentual do custo total de colabora- dores da empresa para o time de CS. Esse é um modelo mais simples e geralmente seguido por empresas mais jovens. Também existe a possibilidade de relacionar o orçamento do time com o percentual de receita recorrente da empresa, ou seja, o budget do time de CS está diretamente relacionado com a receita recorrente da companhia. Dentro deste modelo exis- tem algumas variações, como: o time de onboarding estar asso- ciado com a receita trazida por vendas e o time de expansão es- tar associado com uma expectativa de crescimento de receita. Essa divisão geralmente acontece em empresas maiores que já possuem uma cultura de orçamento bem disseminada. Outro exemplo bastante comum é orçamentação com base no capacidade de respostas aos clientes, onde geralmente é consi- 85 derado o número de clientes na base. Distribuição da carteira de clientes Outro aspecto importantíssimo na hora de montar um time de CS é a distribuição da carteira de clientes. Existem dois mé- todos principais para começar a segmentação dos clientes: Um CS Manager consegue cuidar de um número X clientes Um CS Manager consegue cuidar de determinado valor de receita recorrente O gestor do time de CS precisa ter muito cuidado na hora de fazer essa divisão para que não seja feita uma distribuição muito simplista. É preciso acompanhar o dia a dia dos CS Managers para checar se eles realmente estão dando vazão às atividades importantes nos clientes certos e se estão conseguindo cumprir os planos de sucesso e de conta previamente planejados. Também exis- tem alguns indicadores que podem ajudar nessa análise, como: account coverage, dias sem touch no cliente e deterioração dos indicadores de saúde (engajamento, Health Score e NPS). Ao analisar e comparar esses dados o gestor consegue verifi- car se o profissional está cobrindo a estratégia de carteira pre- viamente definida, ou não. Não existe uma fórmula pronta na hora de dividir a carteira de clientes, é preciso implementar, testar, ajustar, testar de novo até يف يق 86 descobrir o que faz sentido para o business. Como essa segmentação pode ter muitos aspectos subjetivos, o ideal é manter a discussão em torno de informações palpá- veis que possam servir de subsídio para a tomada de decisão. Essas características práticas podem ser: 﨓Vertical do negócio; 﨓Tipo de indústria do cliente; 﨓Complexidade do seu produto (se sua empresa possui vários produtos com complexidade diferente, é indica- do que os clientes que utilizam os produtos mais complexos tenham mais “cobertura”); 﨓Ticket do cliente (leve sempre em consideração o ticket atual e também o potencial de crescimento. Se o cliente já chegou no seu potencial máximo, precisa basicamente de contatos de manutenção. Mas se é um cliente com muito potencial, é preciso um trabalho mais intenso de CS); 﨓Fase utilização que o cliente está (a forma de atuar muda em cada fase, como onboarding, adoção e engajamento); 﨓Sintomas do cliente (os clientes em risco devem ser divididos entre vários CS Managers. Se apenas um profissional é responsável pelos clientes críticos, dificilmente terá uma performance adequada). 87 Outra discussão sobre a divisão da carteira, agora com um foco em times maiores, é a pirâmide de recursos, ou seja, além de analisar a carteira de clientes da empresa é preciso fazer uma análise de todos os profissionais que já estão na empresa e seus diferentes níveis de experiência (júnior, pleno e sênior). Após fazer uma análise completa, o gestor pode chegar à con- clusão que não necessariamente as contas menores precisam estar com o profissional júnior. Muitas vezes um profissional mais experiente, com perfil sênior, consegue cobrir uma cartei- ra de contas pequenas de forma mais rentável, pois é capaz de alavancar os resultados de forma mais eficaz. Como escalar a operação de CS Antes de falar sobre como escalar uma operação, é preciso destruir alguns mitos. Existe uma ideia de que se o cliente é grande, é preciso ter ações recorrentes e contatos sempre “humanos”. Ou seja, para lidar com um cliente grande high touch é preciso ter um CS Ma- nager sempre disponível para realizar visitas, ligações e confe- rências. O grande problema desse método é: contatos estritamente hu- manos não são escaláveis. Para ter uma operação realmente escalável, mas ainda assim de qualidade, é preciso executar o “smart touch”, ou seja, é ne- cessário criar uma sequência de contatos humanos e automáti- 88 cos nos momentos corretos para cada cliente. O primeiro passo é diferenciar os tipos de usuários e quais são os conteúdos e momentos mais importantes das suas rotinas. Quais são os objetivos de cada uma dessas personas? Sabendo dessas informações é possível criar um fluxo de contatos que sejam extremamente relevantes. Para os usuários que consomem a solução da sua empresa no dia a dia é interessante utilizar mais contatos tech touch. Aqui pode-se oferecer dicas para melhorar a rotina, otimizar pro- cessos, comunicar o lançamento de novas features e também compartilhar treinamentos, cursos e conteúdos que capacitem a pessoa a utilizar a sua solução. Para os administradores, gestores, sponsors e decisores o con- tato tech touch pode ser um pouco diferente, agora com o obje- tivo de munir esse tipo de cliente de conteúdos que o ajudem a ser bem sucedido. Você, como fornecedor, precisa se manter na cabeça desse indivíduo muito mais do que como um produto, mas sim como um parceiro que o ajudou a ascender na carreira. O objetivo de toda essa estratégia de contatos virtuais é permi- tir que o CS Manager tenha uma agenda estratégica, com me- nos auxílio em relação a tickets ou ajuda com funcionalidades. O trabalho do CSM deve ter foco no negócio do cliente para que ele tenha sucesso com a sua solução. Para escalar a operação de CS é preciso ter ações recorrentes e complementares. Duas boas opções são o customer marketing 89 e o tech touch. O customer marketing, mais focado em conteúdos generalistas, como eventos, novas funcionalidades, materiais ricos, treinamen- tos e webinars. São mensagens recorrentes para toda a base res- peitando as segmentações de clientes e também os perfis de usu- ários. Aqui na SenseData por exemplo, temos comunicações diferen- tes para vários tiposde personas que encontramos nos nossos clientes. O time de marketing se junta a produto e CS para criar newsletters e conteúdos que sejam relevantes para cada um desses tipos de clientes. Já as ações de tech touch são focadas nos momentos e nos sin- tomas dos clientes. Por exemplo, cliente que está desengajado, cliente que está com baixa utilização, cliente que está avançan- do na jornada, enfim, são mensagens que estimulam o cliente a seguir uma trilha determinada. Dessa maneira, a agenda do CS Manager fica cada vez mais focada em discussões de negócios e definição de estratégias de crescimento em detrimento de um “suporte de luxo”. Outro fator que se mostra útil na hora de escalar o time é a estrutura de Customer Success Operations (CS Ops). É importante ter alguém focado em analisar processos e dados para gerar uma padronização e otimização das ações. Poucas operações no Brasil hoje em dia possuem essa figura de CS Ops, mas quem tem, acelera seu crescimento. A área de CS tem https://blog.sensedata.com.br/customer-success-operations/ 90 muitos dados e o Ops consegue dar qualidade a esse processo de mineração dos dados, o que evita muito retrabalho de toda a equipe. Ritos e rotinas Tendo uma visão de propósito, um time diverso e heterogêneo e metas claras, é importante executar alguns ritos de Customer Success. Ter constância na rotina de reuniões e fazer a gestão de re- sultados é fundamental para manter as atividades sempre com um “norte” muito claro para todos. Um acompanhamento constante com prestação de contas é importante para que os indivíduos não caiam em uma zona de conforto, com a sensação de ausência de liderança. Outro as- pecto positivo dessa rotina de encontros entre os membro do time é a possibilidade de compartilhar os desafios que cada um está enfrentando e também compartilhar soluções entre todo o time. Esse compartilhamento é muito importante para a gestão do conhecimento. Ao dividir dificuldades e boas práticas, cada mem- bro do time de CS se mune de novas técnicas e ferramentas que podem ser aplicadas em situações futuras. Além de evitar que o conhecimento fique estagnado em alguma área ou pessoa. Existem quatro ritos principais que são importantes para a área funcionar com produtividade: planejamento anual, visão do trimestre, reunião mensal e reuniões semanais. 91 Planejamento anual da área: Depois da empresa fazer seu planejamento, é interessante que o time de CS converse entre si para definir como a área pode ajudar a empresa a che- gar nos objetivos definidos. Esse é o momento de construir (ou revalidar) a visão de propósito do time, definir para onde o time vai e o que quer para o próximo ano. Lembrando que é interes- sante fazer essa construção em equipe, assim todos se sentem mais integrados com o propósito e aumenta o engajamento de cada indivíduo com os objetivos que serão definidos. Esse rito é fundamental e ele será um pilar para os próximos ritos que vamos destacar. Visão do trimestre: Em quatro encontros ao longo do ano, o time de Customer Success vai “fatiar em pedaços” tudo o que foi definido no planejamento anual. É basicamente uma forma de focar em poucos objetivos por vez, para garantir que todos eles sejam entregues. Nessa reunião também é feita a avaliação dos resultados entregues no último quarter. Reuniões Mensais: Esses encontros mensais tem o ob- jetivo de avaliar se o que foi programado para o trimestre está acontecendo de fato. Além de ver resultados, a ideia é que se faça ajustes para que o objetivo do trimestre seja alcançado. Em times maiores, essas reuniões costumam ser realizadas apenas entre os líderes. Reuniões semanais: Aqui serão discutidas situações mais cotidianas ligadas à execução de atividades e tarefas. O time vai discutir o que aconteceu na semana anterior e vai fazer um plane- 92 jamento para a próxima semana. A ideia é que todos participem e tenham a oportunidade de se pronunciar, assim o time mantém a coesão. Muitas pessoas podem questionar a existência dessa reu- nião, principalmente em estruturas maiores, afinal, muitas vezes durante o dia a dia o colaborador fala diretamente com seu líder e qualquer situação de desafio já é resolvida. Mas, esse encontro é uma oportunidade para todos saberem o que está acontecen- do no cenário macro. Se a sua estrutura de time em CS for muito grande, as reuniões semanais podem ser feitas de acordo com os níveis da gestão. O importante aqui é a informação correr e todos estarem a par do que acontece de relevante. Planos de compensação para Customer Success Existe uma grande discussão sobre planos de compensação para o time de Customer Success. A SenseData já trabalhou com centenas de operações de Customer Success no Brasil, e observamos três modelos principais: Salário fixo: esse é o modelo mais tradicional que conta apenas com o salário fixo sem nenhum tipo de bônus ou variável; Salário fixo + Bônus: Esse modelo é composto por um salário fixo mais um bônus que é pago no médio e longo prazo de acordo com a realização de objetivos; Salário fixo + Variável: Aqui o profissional recebe um salário base e também um variável mensal de acordo com sua performance. يف يق لك 93 Existem vários prós e contras para cada um desses modelos. Neste material vamos mostrar algumas perspectivas para que você possa avaliar qual é mais adequado para a realidade do seu time de Customer Success. Alguns executivos da área afirmam que a remuneração vari- ável é a mais adequada para o trabalho de Customer Success, afinal, é preciso ter compromisso com as metas e basear suas ações em dados. Muitas vezes, nesse modelo, o variável está associado à retenção e o crescimento das contas que o CS ge- rencia. Entretanto, o trabalho em CS tem um objetivo de longo prazo. É muito difícil recompensar pessoas no curto prazo (mensal- mente) se o maior retorno do trabalho do profissional está na constância dos resultados de longo prazo. Além disso, quando a remuneração está diretamente ligada às metas, existe um reforço muito grande para a execução de atividades operacionais. Com isso, o time acaba perdendo um pouco do “espírito colaborativo” e a relação cliente <> CS tende a tomar “ares mercantis”. Ou seja, o profissional passa a colocar o sucesso do cliente em segundo lugar diante de uma agenda de ganhos pessoais. Isso prejudica muito a vivência da filosofia de CS na companhia. Vale lembrar que a compensação financeira não é suficiente para motivar um colaborador, pois a motivação depende de ou- tros fatores como crescimento, desafio e desenvolvimento pes- soal. Entretanto a remuneração é suficiente para desmotivar 94 sozinha, afinal, mesmo que o colaborador esteja sendo desafia- do e se desenvolvendo, com uma remuneração desajustada ele acaba se desmotivando. Outro desafio é definir metas mensais assertivas que cobrem as diversas situações e variações entre todo o time ao mesmo tempo. Essa é uma missão bastante complexa que costuma levar à desmotivação constante. Sem contar o custo de controle que costuma ser subdimensionado ao se desenhar as metas. Já a remuneração baseada apenas com salário fixo também possui suas fraquezas. Afinal, não oferece nenhum tipo de incen- tivo para o CS alcançar - ou até mesmo superar - a performace esperada do seu trabalho. Apesar de ser um modelo de fácil adoção, o modelo de com- pensação baseada apenas no salário fixo pode ser visto um re- forço para a manutenção do status quo da equipe. Escolher o modelo de remuneração é uma decisão muito es- pecífica de cada empresa. Muitas pessoas no mundo de CS promovem a remuneração variável, mas aqui na SenseData já vimos todos esses modelos de compensação na prática. Por exemplo, um time que opera com o salário fixo ou com o mode- lo de bônus se mostra muito mais engajado e preocupado em resolver os problemas docliente. Quando o variável não está em jogo, o profissional se doa pelo propósito, e essa é a filosofia de Customer Success. O modelo que une o salário fixo com o pagamento de um bônus 95 pode ser uma ótima opção. Os bônus podem ser combinados com os objetivos da empresa (lembrando sempre de manter os objetivos SMART), desta forma é mais fácil gerenciar a distribui- ção do bônus e também garante que as vitórias individuais ,ou do time, sempre estejam alinhadas com as metas da empresa. A ideia aqui é que os bônus sejam feitos de médio a longo pra- zo (anual, semestral ou trimestralmente, por exemplo). Percebemos muitas vezes que gestão por reconhecimento tem um resultado mais positivo do que da gestão por remuneração. Segundo a teoria do Simon Sinek, é muito mais proveitoso au- mentar o salário fixo do profissional conforme sua performan- ce do que trabalhar com variáveis que podem ser difíceis de se calcular. Para um gestor, é fundamental trabalhar na zona de desafio dos profissionais, onde ele seja capaz de se desenvolver e também manter sua motivação, sem altos e baixos. 96 Conclusão Uma operação bem estruturada de Customer Success é fun- damental para o sucesso a longo e curto prazo de qualquer empresa que deseja crescer na nova economia. Para que essa filosofia seja aplicada da maneira correta é preciso se dedicar aos clientes, analisar dados, estruturar times e adotar tecnolo- gia adequada. Neste material falamos sobre processos, dados e pessoas. Mas e a tecnologia? É impossível avançar em maturidade e sofisticação na rotina de CS sem o uso de tecnologia avançada. Orquestrar várias fon- tes de dados, automatizar respostas, escalar ações entre seg- mentos e desenvolver relacionamentos é demais para ser ge- renciado sem um software criado especificamente para essas atividades. Vamos pensar em um elemento como o tech touch, ou seja, automações para enviar mensagens personalizadas para clien- tes. Aparentemente isso pode ser feito com ferramentas de marketing. Ou então quando se pensa em governança de dados e contratos, são coisas que podem ser feitas dentro de um ban- co de dados comum. Até mesmo o Health Score pode ser feito por meio de fórmulas em uma planilha. Todas essas ferramen- tas funcionam individualmente, mas precisam ser adaptadas e necessitam de acompanhamento constante para que nada saia dos trilhos. 97 O SenseData é a única plataforma brasileira desenvolvida para orquestrar todas as atividades de Customer Success. Todo o sis- tema foi criado com base nas melhores práticas e também na filosofia de CS. O resultado que a ferramenta propicia em visi- bilidade dos dados dos clientes, produtividade do time e esca- lonamento da operação é muito diferente de uma experiência feita com soluções fragmentadas, ferramentas adaptadas ou softwares “feitos dentro de casa”. Isso porque o SenseData não é apenas uma “ferramenta” ou mesmo um conjunto de funcionalidades. Temos o know how de Customer Success e uma equipe capacitada para ajudar nossos clientes em todos os níveis de maturidade de CS. Por exemplo, se você quer construir uma casa, precisará das matérias-primas e uma série de ferramentas, como serras, mar- telos, brocas, etc. Mas você também precisará das habilidades e conhecimentos específicos para fazer os alicerces, nivelar a casa, conectar os ambientes e fazer uma boa fundação. Se você não possui competências para realizar tudo isso, o resultado provavelmente será negativo. Ou seja, mesmo que você tenha todas as ferramentas necessárias, certamente você enfrentará problemas com essa construção no futuro. A SenseData tem as pessoas, o processo e a tecnologia para oferecer o sucesso do cliente para sua empresa. Se você quer transformar sua companhia com a filosofia de Customer Suc- cess, conte com a SenseData. 98 Produzido por: Autores: Guilherme Pellegrino/ Gustavo Molina Mariana Thomaz/ Mateus Pestana Revisão: Guilherme Pellegrino/ Mariana Thomaz Editoração: Luana Fernandes www.sensedata.com.br