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O surgimento 
da tipografia
O Homem desde os primórdios sempre buscou meios de se comunicar
e se expressar em relação ao mundo e aos seus pares. Portanto,
bem antes do início da escrita o Homem já se comunicava através de
sons, cantos, gestos, desenhos, pinturas, danças, esculturas…
Após o desenvolvimento da fala, e obviamente da comunicação oral,
surgiu a necessidade de criar registros, de preservar e repassar a
memória, etc.
E a consequência dessa necessidade foi a invenção da escrita.
“O surgimento da escrita é um marco importante na história do mundo por
demarcar a separação entre a história e a pré-história iniciando o registro
dos acontecimentos.”
- A escrita é o sistema que
utiliza signos para expressar
graficamente em um suporte o
pensamento humano.
“A assimilação e interiorização da tecnologia do alfabeto fonético translada o
homem do mundo mágico da audição para o mundo neutro da visão.” Marshall
McLuhan, A galáxia de Gutenberg, 1972”
Tipografia: Do grego typos = forma e graphein = escrita.
É a mecanização da escrita feita através da tecnologia para a
reprodução de textos em série.
Tipografia também é o termo usado para definir o estudo dos tipos
(apesar de algumas pessoas usarem bastante também o termo
tipologia).
Os chineses (tinha que ser os asiáticos
hehe) foram os primeiros a criar um
sistema de tipografia, muito antes do
Gutemberg (veremos mais adiante). O
inventor foi Pi Shêng por volta do ano
1040 dc. Os tipos eram feitos em argila
cozida, madeira e até bronze, e eram
dispostos numa tábua, a huóban (tábua
viva).
Introdução a
tipografia 
Começo da escrita
Mas o grande inventor da tipografia, feita através da prensa com
tipos em metal, foi Johann Gutemberg no ano de 1450.
A invenção de Gutemberg
possibilitou a reprodução em
série dos textos. No século
XV, em 1456, ele imprimiu
a “Bíblia de 42 linhas”, o
primeiro livro impresso e a
primeira comprovação da
eficiência da tipografia.
Composto por 642 páginas ela teve uma tiragem que de
aproximadamente 200 exemplares. Com isso Gutemberg também
tornou mais acessível os livros e a cultura, tirando o monopólio dos
mosteiros e abadias responsáveis pelos manuscritos
“Shên Kua, contemporâneo do inventor, relatou a produção de milhares de
cópias, mas não é específico se foram em forma de rolos ou livros. Essas
obras impressas eram o que ele chamava de Os cinco Clássicos.”
O que é tipografia?
O que é fonte, letra 
e família tipográfica
Glifos (letras, caracteres): São signos alfabéticos projetados para
reprodução mecânica
abcdefg
Família tipográfica: É o conjunto de caracteres que possuem as
mesmas características de desenho independentemente das suas
variações (peso, inclinação, corpo).
Fonte: É conjunto de glifos que compõem uma família tipográfica.
O termo também é utilizado para designar os arquivos de fonte
digitais, ou seja, uma coleção de glifos digitais em forma de
arquivos para serem utilizados em computadores.
Anatomia dos tipos
Os tipos são compostos por um conjunto de elementos:bojo, haste,
barra, perna, serifa, oco, cauda, terminal, ombro, vértice, ligação,
orelha, gancho, junção, espora, incisão, abertura, espinha e braço.
Com ou sem serifa
Ligaduras
São as conexões de dois ou mais caracteres. Em português, a mais
funcional é a FI, mas existem várias ligaduras (st, ae, oe, ff, ij,
etc). Ela pode ajudar na legibilidade e estética da palavra.
A Serifa é o elemento, da anatomia dos tipos, que você vai mais
ouvir falar. É o mais importante e o que você DEVE conhecer
obrigatoriamente.
Existem tipos com e sem serifa (ou sans-serif, do francês) e a
classificação dos tipos, em serifados e sem serifa, é a principal
forma de diferenciação das letras.
Serifas são os pequenos traços, ou prolongamentos, que existem no
final das hastes dos glifos.
Os tipos serifados são os mais adequados para as caixas de textos
“corrido” em trabalhos gráficos (em livros, por exemplo), pois a
serifa tem a função de auxiliar a leitura, proporcionando
continuidade para o texto e tornando-o menos cansativo para os
olhos.
Enquanto que os tipos sem serifa são mais indicados para títulos,
chamadas e também para textos em geral nas aplicações digitais
(em websites, por exemplo), pois as serifas acabam se tornando
“borrões” no digital, prejudicando, assim, a leitura e o
entendimento. Mas isso não é uma regra, ainda mais em tempos de
telas de retinas, por isso o bom senso deve sempre prevalecer.
Corpos
O corpo é o tamanho do tipo que começa do ponto mais alto (versal
ou ascendente) até o ponto mais baixo (descendente).
Eixos
É a angulação do traço. Diz respeito ao eixo de inclinação
principalmente das letras b, c, e, g, o, p e q.
Eixo humanista: é o eixo oblíquo e que condiz com a inclinação da
escrita manual.
Eixo racionalista: é o eixo vertical. Condiz com as formas
neoclássicas e românticas
Caixa de tipos
caixa baixa
caixa alta
versalete
Divide-se ambas medidas (Cícero e Paica) em 12 partes. E existe
uma diferença pequena entre os tamanhos, sendo a paica um pouco
menor que o cícero.
Kerning, Tracking
e Leading
Ascendentes: é a parte das letras b, d, f, k, h, l e t que se
estendem acima da altura de x.
Descendentes: é a parte das letras g, j, p, q, y e por vezes a
letra J (caixa alta), que se estendem abaixo da altura de x.
As letras possuem três tipos de tamanhos: caixa baixa, caixa alta e
versalete.
Unidade de medidas
As unidades de medidas servem para determinar desde o tamanho
do corpo, o tamanho dos caracteres até o tamanho das entrelinhas.
Basicamente as medidas “primárias” são: o ponto, o cícero e a
paica. Hoje em dia, graças ao digital, temos outras como: milímetros
(mm), pixel (px), etc.
Ponto: é a medida tipográfica estabelecida pelo francês Francisco
Ambrósio Didot. Um ponto equivale aproximadamente de 0,376mm.
(ou 2,6 pontos = 1 mm).
Cícero: também é uma medida do sistema Didot e que corresponde a
12 pontos.
Paica (pica): é uma unidade de medida anglo-saxão usada na
Inglaterra e nos países de língua inglesa. Corresponde 1/6
polegada.
1 paica (4,22 mm) = 12 pontos (Inglaterra).
1 cícero (4,52 mm) = 12 pontos (Europa Continental).
 
1 pt = 0,376 mm
1 paica = 12 pts = 4,23 mm
1 cícero = 12 pts = 4,52 mm
72 pts = 1 polegada
12 pts = 4,23 mm
6 paica = 1 polegada
Kern: Trata-se do espaçamento entre os caracteres. Existem
partes das letras que ultrapassam o bloco para permitir um encaixe
com outras letras, para que não fiquem muito afastas e assim
prejudicar o visual.
Kerning: É o processo de ajustar os espaços entre pares de
caracteres, ou seja, somente em algumas letras.
O Kerning da fonte é definido pelo type designer quando está
criando-a. Hoje em dia os softwares de computador também
oferecem um opção de Kerning (óptico) definido para amenizar
defeitos de fontes mal produzidas. Porém, quando esses kernings
não atendem nossas necessidades é necessário ajustá-lo
manualmente.
manual 
óptica
Contrastes da
Tipografia 
Legibilidade: diz respeito ao reconhecimento das letras
individualmente. A facilidade de distinção dos glifos.
Leiturabilidade: diz respeito ao reconhecimento e a fluência dos
tipos em sentenças, como frases e parágrafos.
Legibilidade e leiturabilidade são semelhantes, mas não são a mesma
coisa.
Tracking (espaçamento): É o espaçamento entre letras e entre as
palavras de todo um bloco de texto. Isso significa que alteramos o
espaçamento de todo o conjunto de caracteres (palavra, frase,
parágrafo) por inteiro.
É necessário que o texto tenha contraste com o fundo a fim de
manter a sua visibilidade e legibilidade.
Deve-se evitar usar cores com pouco contrastes (fundo preto e
fonte cinza, por exemplo).
Confira o exemplo abaixo e perceba com a segunda opção tem um
contraste muito melhor que a primeira.
O espaçamento entre as palavras deve ser consistente, para se evitar
grandes espaços em brancos ou “encavalamentos” no texto, prejudicando
a leitura
Leading (entrelinhas): A entrelinha é o espaço entre duas linhas de
texto. A medida é a distância da linha de base de uma linha
tipográfica para outra. Normalmenteo leading automatizado está
cerca de 20% a mais que o tamanho do tipo utilizado. Ex: tamanho
10pt leading 12pt.
Quanto mais aumentamos a entrelinha, mais aberto e leve se torna o
bloco de texto e quanto mais diminuímos a entrelinha (entrelinha
negativa) mais apertado se torna o texto.
Deve-se usar esse recurso com parcimônia. Devemos tomar cuidado
para não aumentar muito, transformando os textos praticamente em
“tópicos” ou estreitar demais fazendo com que as linhas das
ascendentes e descentes se colidam tornando o texto um
emaranhado de letras inelegíveis. Por via de regra, sempre os
espaços das entre linhas serão maiores que o espaço entre as letras
e o tamanho do tipo.
Legibilidade e
Leiturabilidade
Letras legíveis, mas que se
usada em um bloco de texto
torna a leitura cansativa e
difícil.
É importante um forte contraste entre a tipografia e o suporte, e
também para garantir que a informação chegue a todos. Tenha
cuidado também com aplicações de texto em fundo com imagens.
Além das cores, os tamanhos dos tipos e o espaçamento também
contam na hora de ajustar o contraste.