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livro texto unidade 1 fisioterapia-preventiva

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Prévia do material em texto

Autoras: Profa. Daniele de Faria Figueiredo Gonçalves
 Profa. Patrícia Forestieri
Colaboradoras: Profa. Roberta Pasqualucci Ronca
 Profa. Laura Cristina da Cruz Dominciano
Fisioterapia Preventiva
Professoras conteudistas: Daniele de Faria Figueiredo Gonçalves / 
Patrícia Forestieri
Daniele de Faria Figueiredo Gonçalves
Graduada em Fisioterapia pela UMC (2001), com curso de Aprimoramento Profissional em Fisioterapia aplicada 
a Gerontologia pelo Hospital das Clinicas da USP (2003) e mestrado em Gerontologia pela Unicamp (2006). Com 
experiência na área de Fisioterapia, com ênfase em Fisioterapia Gerontológica e Neurológica, presentemente atua 
como docente na UNIP.
Patrícia Forestieri
Bacharel em Fisioterapia pela UNIP, é mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp, além de especialista em 
Fisioterapia em Cardiologia e em Fisioterapia Motora em Neurologia pela mesma universidade. Presentemente atua 
como docente na UNIP.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
G635p Gonçalves, Daniele de Faria Figueiredo.
Fisioterapia Preventiva / Daniele de Faria Figueiredo 
Gonçalves / Patrícia Forestieri. – São Paulo: Editora Sol, 2020.
 124 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Normas regulamentadoras. 2. Programas de prevenção. 
3. Controle das doenças. I. Forestieri, Patrícia. II. Título.
CDU 615.8
U507.35 – 20
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcello Vannini
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Talita Lo Ré
 Lucas Ricardi
Sumário
Fisioterapia Preventiva
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7
Unidade I
1 PREVENÇÃO ..........................................................................................................................................................9
1.1 Processo saúde-doença ........................................................................................................................9
1.2 História natural das doenças e níveis preventivos ................................................................. 12
1.3 Atuação do fisioterapeuta nos níveis preventivos .................................................................. 16
2 SAÚDE DO TRABALHADOR .......................................................................................................................... 18
2.1 Conceito de trabalho e sua origem ............................................................................................... 18
2.2 O taylorismo e o fordismo ................................................................................................................ 21
2.3 Relação homem-trabalho no mundo moderno....................................................................... 23
2.4 Fisioterapia na saúde do trabalhador ........................................................................................... 28
3 ERGONOMIA E A NR 17 ................................................................................................................................ 30
3.1 História e evolução da ergonomia ................................................................................................ 30
3.2 Tipos e divisões da ergonomia ........................................................................................................ 33
3.3 Fatores de risco no ambiente de trabalho .................................................................................. 36
3.3.1 Iluminação ................................................................................................................................................. 37
3.3.2 Temperatura .............................................................................................................................................. 38
3.3.3 Ruídos .......................................................................................................................................................... 38
3.3.4 Cores do ambiente ................................................................................................................................. 39
3.3.5 Mobiliário ................................................................................................................................................... 40
3.4 Benefícios da aplicação da ergonomia para empresas e trabalhadores ........................ 42
3.5 Normas regulamentadoras – NR 17 ............................................................................................. 43
3.5.1 NR 17.1 ....................................................................................................................................................... 45
3.5.2 NR 17.2 ....................................................................................................................................................... 45
3.5.3 NR 17.3 ....................................................................................................................................................... 46
3.5.4 NR 17.4 ....................................................................................................................................................... 47
3.5.5 NR 17.5 ....................................................................................................................................................... 48
3.5.6 NR 17.6 ....................................................................................................................................................... 49
3.5.7 Anexo I ........................................................................................................................................................ 50
3.5.8 Anexo II ....................................................................................................................................................... 51
3.6 CIPA – NR 5 ............................................................................................................................................ 53
4 DOENÇAS OCUPACIONAIS ........................................................................................................................... 55
4.1 LER/Dort ................................................................................................................................................... 56
4.1.1 Etiologia da LER/Dort ............................................................................................................................ 57
4.1.2 Principais LER/Dort ................................................................................................................................. 58
4.1.3 Estágios de evolução das LER/Dort .................................................................................................60
4.1.4 Prevenção da LER/Dort ......................................................................................................................... 61
Unidade II
5 PROGRAMAS DE PREVENÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE .............................................. 68
5.1 Cuidados do pré-natal e do nascimento .................................................................................... 68
5.2 Programas de imunização e principais vacinas ....................................................................... 73
5.3 Abordagem fisioterapêutica na estimulação precoce ........................................................... 75
5.4 Prevenção de acidentes domésticos ............................................................................................. 78
5.5 Prevenção no ambiente escolar (alterações posturais)......................................................... 80
5.6 Prevenção no adolescente ................................................................................................................ 80
5.6.1 Métodos de prevenção e principais consequências da reprodutividade 
na adolescência .................................................................................................................................................. 81
5.6.2 Métodos de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis ...................................... 83
5.6.3 Prevenção do uso de drogas e álcool na adolescência ........................................................... 85
6 CONTROLE DAS DOENÇAS CRÔNICAS ESPECÍFICAS: OBESIDADE, DIABETES 
E HIPERTENSÃO ................................................................................................................................................... 87
6.1 Introdução ............................................................................................................................................... 87
6.2 Incidência e prevalência de obesidade, diabetes e HAS: tipos e fatores 
predisponentes para desenvolvimento dessas doenças ............................................................... 88
6.2.1 Obesidade ................................................................................................................................................... 88
6.2.2 Diabetes mellitus ..................................................................................................................................... 90
6.2.3 Hipertensão arterial sistêmica (HAS) .............................................................................................. 91
6.3 Consequências a longo prazo ......................................................................................................... 92
6.4 Prevenção de desenvolvimento dessas patologias ................................................................. 93
7 CONTROLE DAS DOENÇAS CRÔNICAS ESPECÍFICAS: CÂNCER (MAMA, PULMÃO, 
COLO DE ÚTERO, PRÓSTATA E PELE) ............................................................................................................ 94
7.1 Câncer: incidência e prevalência dos principais tipos de tumores no mundo 
e no Brasil ....................................................................................................................................................... 94
7.2 Câncer de pulmão ................................................................................................................................ 96
7.3 Câncer de pele ....................................................................................................................................... 97
7.4 Câncer de mama ................................................................................................................................... 98
7.5 Câncer do colo do útero ..................................................................................................................100
7.6 Câncer de próstata ............................................................................................................................101
8 CONTROLE DAS DOENÇAS CONTAGIOSAS: HANSENÍASE E HEPATITES (A, B, C) .................103
8.1 Hanseníase: incidência, prevalência, sintomas, diagnóstico, tratamento 
e prevenção ..................................................................................................................................................103
8.2 Hepatites (A, B, C): incidência, prevalência, sintomas, diagnóstico, 
tratamento e prevenção .........................................................................................................................106
8.2.1 Hepatite A ................................................................................................................................................107
8.2.2 Hepatite B ................................................................................................................................................108
8.2.3 Hepatite C ................................................................................................................................................108
7
APRESENTAÇÃO
Este livro-texto tem como objetivo apresentar a você, aluno, primeiramente, os aspectos preventivos 
e a atuação do fisioterapeuta nos três níveis de atenção à saúde (primário, secundário e terciário).
Num segundo momento, abordaremos as interações entre os seres humanos e os elementos do 
ambiente de trabalho, iremos caracterizar a prevenção e a eliminação de situações que afetam a 
saúde do trabalhador. Faremos isso através da definição de conceitos necessários para que você tenha 
essa compreensão.
Em seguida, apresentaremos a atuação do profissional fisioterapeuta em diversos programas de 
saúde e em patologias crônicas e contagiosas, de maneira a garantir sua formação e a preparação 
necessária para a execução de seu trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS).
INTRODUÇÃO
A fisioterapia no início do seu desenvolvimento tinha um caráter basicamente curativo e reabilitador. 
Com o passar dos anos, o desenvolvimento das áreas de saúde, o amadurecimento da categoria profissional 
e a implantação do SUS no Brasil fizeram com que o fisioterapeuta deixasse de ser um “profissional da 
reabilitação” para se tornar um profissional de saúde, atuante na promoção, no desenvolvimento, na 
prevenção, no tratamento e na recuperação da saúde (BARROS, 2003)
Segundo Deliberato (2017), é um consenso atual que o fisioterapeuta é um membro da saúde com 
sólida formação técnica, científica e humanística que atua desenvolvendo ações de prevenção, de 
avaliação, de tratamento e de reabilitação, ou seja, apresenta uma atuação muito mais abrangente.
Com a solidificação do conhecimento científico e a expansão do perfil profissional, o fisioterapeuta 
continua a ampliar seu mercado de trabalho, estando atualmente presente tanto nos cenários já tradicionais, 
como hospitais, clínicas, consultórios, centros de reabilitação e empresas de homecare, como também em 
cenários recentemente dominados, entre eles os centros aquáticos e hípicos, as indústrias, as escolas, as 
entidades filantrópicas, os centros universitários e de pesquisa, as empresas comerciais, bancárias e de 
prestação de serviços, além de laboratórios de equipamentos para reabilitação.
É dentro dessa nova perspectiva de exercício profissional que nós, fisioterapeutas, passamos a atuar 
também em programas de promoção da saúde e de proteção específica, com o objetivo de se evitar o 
desenvolvimento dos mais variados problemas de saúde que possam acometer o indivíduo.
Essas mudanças podem ser confirmadas pela inclusão de fisioterapeutas em equipes multiprofissionais 
de programas de assistência à saúde do município de São Paulo, por exemplo, que entrou em vigor por 
meio da Lei n. 14.963/2009 (SÃO PAULO, 2009).
Isso mostra o reconhecimento dos benefícios dos serviços prestados por esse profissional na Atenção 
Básica de Saúde, permitindo ao poder público incorporar o fisioterapeuta aos programas já existentes 
ou em programasfuturos que estejam ligados à assistência à saúde da população (BERNARDI, 2010).
8
E é nesse contexto que a fisioterapia preventiva vem ocupar o seu lugar, quando o exercício 
profissional do fisioterapeuta passa, portanto, a abranger todas as fases da vida, desde o nascimento 
e o desenvolvimento das crianças e adolescentes, passando pela vida adulta (dentro de abordagens 
relacionadas à saúde do trabalhador) e chegando ao idoso. Vale destacar que sua atuação tem a 
responsabilidade de ser aplicada de maneira diferenciada e específica em cada momento da vida e em 
todos os níveis preventivos.
Pensando nisso, iremos discutir as definições relativas aos níveis preventivos, abordando de forma 
específica a atuação do fisioterapeuta na saúde do trabalhador, na área da ergonomia e nas lesões 
osteomusculares relacionadas ao trabalho (Dorts).
Veremos também como esse profissional pode exercer sua função nos programas de prevenção 
materno-infantis e em programas preventivos na fase da adolescência, bem como nas doenças crônicas, 
como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), o diabetes, a obesidade e alguns tipos de câncer (câncer 
de mama, de colo do útero, da próstata, de pulmão e de pele, por exemplo). Por fim, abordaremos as 
doenças contagiosas, como a hanseníase e as hepatites A, B e C, sua prevalência na população e as 
formas de atuação preventiva.
9
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Unidade I
1 PREVENÇÃO
A palavra prevenção é definida pelo Dicionário Michaelis ([s.d.]) como “1 Ato ou efeito de prevenir(-se) 
[...]; 2 Precaução para evitar qualquer mal; evitação. [...] 5 Medida tomada por antecipação, a fim de evitar 
um mal; cautela, precaução, previsão [...]”. Ou seja, trata-se de atuar antes para impedir que algo aconteça.
A prevenção, apesar de ser uma medida adotada há muito tempo (retomemos o ditado antigo 
dizendo que “é melhor prevenir do que remediar”), nas últimas décadas tem assumido um significado 
cada vez mais importante, principalmente quando se pensa na sua atuação nas áreas da saúde, em que 
os principais objetivos são: evitar as doenças e outros agravos, evitar ou minimizar as suas consequências 
e manter uma vida saudável e de qualidade.
O grande desafio ao longo dos tempos tem sido justamente assegurar às pessoas um nível elevado de 
saúde, o que vem ocorrendo com os avanços da medicina levando a um aumento da expectativa de vida. 
A prevenção nesse contexto surge como uma medida fundamental para se evitar o desenvolvimento de 
doenças, atuando principalmente na promoção da saúde.
O ato de prevenir, além de beneficiar as pessoas individualmente, também representa uma economia 
considerável para o Estado, uma vez que o tratamento de uma doença (ou a reabilitação do indivíduo) 
gera um custo muito maior do que a sua prevenção.
Mas, para que se possa prevenir, é necessário entender o processo saúde-doença, bem como a história 
natural das doenças, e distinguir os níveis preventivos de atuação na área da saúde. Neste momento, 
devemos lembrar que a prevenção pode ocorrer em vários níveis, tanto antes do aparecimento das 
doenças como durante o desenvolvimento da enfermidade real e de suas consequências.
A partir deste momento, serão abordados exatamente esses conceitos. Com base neles, será possível, 
um pouco mais à frente, entender a atuação do fisioterapeuta nos três níveis preventivos.
1.1 Processo saúde‑doença
A Organização Mundial de Saúde (2006, p. 1, tradução nossa) define saúde como uma “situação 
de completo bem-estar físico, mental e social”, conceito esse que veio substituir o entendimento de 
saúde como somente a “ausência de doenças”.
Apesar de ser um conceito bastante amplo e até considerado uma utopia, pois são raras as situações em 
que nos encontramos em completo bem-estar, ele compreende o indivíduo como um ser integral, englobando 
todos os aspectos da vida, ou seja, a saúde envolve a harmonia física, mental (psicológica/emocional) e social. 
10
Unidade I
Por outro lado, a doença se desenvolve exatamente quando existe um desequilíbrio entre estas áreas 
causando o sofrimento.
Saúde
MentalFísico
Social
Figura 1 – Conceito de saúde: harmonia entre o físico, o social e o mental
O processo saúde-doença envolve todas as variáveis que apresentam relação direta com a saúde e a 
doença, sendo um produto da interação simultânea entre hospedeiro, agente e ambiente.
Hospedeiro
Agente Ambiente
Figura 2 – O processo saúde-doença e a inter-relação hospedeiro, agente e ambiente
O entendimento desse processo passa pelos conhecimentos gerados pela epidemiologia, que é a 
ciência responsável por estudar, além da distribuição e da propagação das doenças, suas causas em 
populações humanas. Através dela é possível compreender desde os fatores determinantes de uma 
doença (fatores de risco) até sua instalação, sua evolução e sua resolução no ser humano, algo que é 
explicado pela história natural das doenças e definido por Leavell e Clark (1976, p. 46) da seguinte forma:
As inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam 
o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que 
criam estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, 
passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam 
a um defeito, invalidez, recuperação ou morte.
11
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Fatores de risco para o 
desenvolvimento de 
uma doença
Instalação da doença Evolução da doença Resolução da doença
Figura 3 – História natural das doenças
Ao compreender essas relações, medidas coletivas e específicas podem ser empregadas na prevenção, 
no controle ou na eliminação de doenças por meio de ações governamentais. Também se torna possível 
fazer a avaliação de programas, serviços, ações de saúde e seu impacto na saúde da população (ALMEIDA 
FILHO; BARRETO; ROUQUAYROL, 2011).
Outro ponto importante a ser abordado são as características de cada componente dessa tríade – 
hospedeiro, agente e meio ambiente – e sua interação, que irão determinar a suscetibilidade para o 
desenvolvimento das doenças.
 Observação
Suscetibilidade é uma condição específica do organismo para adquirir 
ou desenvolver uma determinada doença, uma maior predisposição.
As principais características do hospedeiro que podem determinar uma maior ou menor suscetibilidade 
as doenças incluem:
• idade (crianças, idosos);
• sexo (homens e mulheres);
• constituição corporal, genética e imunológica;
• nível educacional (tempo de estudo);
• estado ocupacional (profissão);
• hábitos e costumes (tabagismo, etilismo, sedentarismo etc.);
• estado psicológico e emocional.
 Lembrete
A partir da publicação da OMS em 2006, o estado de saúde passou a ser 
relacionado não apenas ao bem-estar físico, mas também ao mental e social.
12
Unidade I
Com relação aos agentes, eles podem ser classificados da seguinte forma:
• agentes biológicos (microrganismos);
• agentes físicos (traumas, calor, radiação, ruído etc.);
• agentes químicos (fármacos, mercúrio, agrotóxicos etc.);
• agentes mecânicos (força, atrito, cisalhamento etc.);
• fatores genéticos (síndromes);
• fatores nutricionais (desnutrição, obesidade etc.).
 Lembrete
O processo saúde-doença envolve três elementos: hospedeiro, agente 
e ambiente.
E para finalizar esta tríade temos o ambiente, responsável por influenciar o contato entre o agente 
e o hospedeiro, podendo variar de uma localização geográfica bem delimitada (residência, rua, bairro 
ou município) a uma conotação bastante ampla e inespecífica (uma região climática do planeta ou uma 
região geográfica de nascimento do sujeito estudado).
As características específicas relativas ao ambiente são:
• fatores físico-químicos (poluição, temperatura, umidade etc.);
• fatores biológicos (contaminação, alterações do meio ambiente como o desmatamento etc.);
• fatores socioeconômicos, culturais e políticos (condições de moradia e saneamento básico etc.).
Como se pode perceber, é importante entender que há uma interação constantee dinâmica entre 
hospedeiro, agente e ambiente, relação que ocorre mesmo naqueles períodos em que se pensa estar sem 
qualquer problema de saúde (DELIBERATO, 2002).
1.2 História natural das doenças e níveis preventivos
Como já vimos, a história natural das doenças descreve justamente essa inter-relação hospedeiro, 
agente e ambiente, sendo dividida em dois períodos:
• pré-patogênese;
• patogênese.
13
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
O período de pré-patogênese (também conhecido como fase de suscetibilidade) é dependente 
dos fatores ambientais e ocorre num momento anterior à instalação das doenças, ou seja, o indivíduo 
ainda não está doente. Já o período de patogênese tem seu início com as primeiras ações que os 
agentes exercem no ser humano, ou seja, ocorre no momento em que o agente entra em contato com o 
homem, se instala e se desenvolve, produzindo a doença e suas consequências – como a cura, sequelas, 
cronicidade ou morte (LEAVELL; CLARK, 1976).
O período de patogênese pode ser dividido em três fases, detalhadas a seguir.
• Fase pré-clínica: momento em que a doença já está instalada no organismo, porém ainda não 
desenvolveu seus sinais e sintomas característicos.
• Fase clínica: é o período em que o agente se desenvolveu e evoluiu no organismo, sendo marcado 
pela evidência de sinais e sintomas típicos da doença.
• Fase residual: período em que a evolução da doença leva-a a um quadro de cronicidade ou produz, 
como consequência, alguma sequela no indivíduo.
Quadro 1 – Períodos de pré‑patogênese e patogênese
Período pré-patogênico Período de patogênese
Fase de suscetibilidade: 
antes do aparecimento da 
doença
Fase pré-clínica: doença 
instalada, porém sem 
sinais e sintomas
Fase clínica: doença 
avançada, com aparecimento 
dos sinais e sintomas
Fase residual: constatam-se 
sequelas ou cronicidade da 
doença
 Observação
A doença crônica é aquela que mantém seus sinais e sintomas por um 
período prolongado de tempo no organismo. Muitas destas doenças não 
têm cura, mas têm controle, como a asma e a diabetes.
A história natural das doenças serve, portanto, como base para o entendimento dos níveis preventivos, 
possuindo cada um deles um conjunto de ações características, as quais, por sua vez, contemplam um 
número de procedimentos particulares (DELIBERATO, 2017).
A prevenção se dá em três níveis principais:
• nível primário;
• nível secundário;
• nível terciário.
14
Unidade I
O nível primário (também conhecido como prevenção primária) se aplica no período de 
pré-patogênese, ou seja, quando o indivíduo se encontra num bom estado de saúde e sem nenhuma doença 
em desenvolvimento. A atuação nesse nível tem como objetivo principal evitar as doenças na população.
O nível secundário (ou prevenção secundária) se caracteriza quando o organismo já apresenta 
alterações de forma e função, ou seja, o indivíduo se encontra no período de patogênese, quando a 
doença já está instalada e em desenvolvimento. O objetivo nesse período é realizar ações com o objetivo 
de diagnosticar precocemente o problema e estabelecer as medidas terapêuticas adequadas, visando o 
retorno do organismo ao equilíbrio.
O nível terciário (também chamado de prevenção terciária) é estabelecido quando o indivíduo 
portador da doença passou pelos estágios anteriores (nível primário e secundário) permanecendo com 
uma sequela residual e/ou uma incapacidade que necessita ser minimizada para evitar a invalidez total.
Leavell e Clark (1976) subdividem esses três níveis principais em cinco grupos de ações, conforme 
descrito a seguir:
• promoção da saúde;
• proteção específica;
• diagnóstico precoce e tratamento imediato;
• limitação do dano ou da invalidez;
• reabilitação.
Prevenção 
primária
Prevenção 
secundária
Prevenção 
terciária
Promoção 
da saúde
Diagnóstico precoce 
e tratamento 
imediato
Reabilitação
Proteção 
específica Limitação de dano
Figura 4 – Níveis preventivos
A promoção da saúde é uma atuação inespecífica que está associada à melhoria das condições 
de vida em geral e do meio ambiente, buscando criar condições favoráveis para que o indivíduo possa 
resistir aos ataques de uma doença. Trata-se de ações que não se dirigem a determinada doença ou 
desordem, mas tem como objetivo aumentar a saúde e o bem-estar gerais. Exemplos: alimentação 
adequada, exercícios físicos, tratamento da água, tratamento do esgoto etc.
15
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Na proteção específica, como o próprio nome sugere, atua-se protegendo o organismo contra uma 
determinada doença. São medidas preventivas que buscam evitar a instalação de doenças antes mesmo 
de o indivíduo adoecer. Vacinas, aplicação de flúor dentário, proteção contra acidentes com o uso de 
EPIs (equipamentos de proteção individual como capacetes e luvas) e uso de protetor solar são alguns 
exemplos de intervenção neste nível.
Vale ressaltar que esses dois grupos fazem parte da prevenção primária, sendo esse o nível que a 
maioria das pessoas associa à definição de prevenção (por se antecipar ao aparecimento da doença real).
O diagnóstico precoce e o tratamento imediato têm como objetivo identificar o processo patológico, 
ainda em seu início, antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Sua atuação deverá orientar-se no 
sentido de identificar as doenças e tratá-las o mais cedo possível. Isso porque se parte do princípio de 
que, quanto mais rápido se descobre a doença, mais eficaz se torna o tratamento. Exemplos: rastreio e 
vigilância da pressão arterial e da glicemia para o diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e 
do diabetes, radiografia do tórax para o diagnóstico de tuberculose, mamografia para o diagnóstico do 
câncer de mama, exames ginecológicos etc.
A limitação do dano (ou da invalidez) atua num momento em que a doença já se encontra em sua 
fase mais avançada, ou seja, o reconhecimento é mais tardio. Nessa fase, a doença já apresenta sinais 
e sintomas que indicam a sua presença. Aqui, o tratamento tem como objetivo interromper a evolução 
da doença e evitar futuras complicações, sequelas e até a morte, fazendo uso de medicamentos mais 
potentes ou cirurgias mais agressivas. Exemplos: câncer de mama avançado que pode requerer, em 
alguns casos, a retirada total da mama.
A reabilitação corresponde ao último nível de prevenção, quando a doença evoluiu deixando 
sequelas. A intervenção neste momento tem como objetivo principal evitar a incapacidade total, por 
meio da estimulação das capacidades residuais do indivíduo, para que este consiga levar uma vida útil 
e produtiva, objetivando sua reintegração na sociedade, sempre que possível. É importante destacar 
que o sucesso no processo de reabilitação vai depender dos recursos disponíveis e oferecidos ao 
paciente em hospitais, na comunidade e no mercado de trabalho para que sua inserção e participação 
na sociedade seja plena.
Com base nesses conhecimentos, percebe-se que o ideal é que a prevenção ocorra o mais cedo 
possível dentro da história natural de cada doença, ou seja, em nível primário. A atuação em um nível 
mais alto (secundário ou terciário) só deveria ser justificada pela inexistência de recursos em níveis 
anteriores ou pela impossibilidade de proteção do indivíduo.
Um importante exemplo disso é o caso da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. 
Antes do conhecimento e da descoberta da vacina, as crianças acometidas por essa doença desenvolviam 
uma paralisia, principalmente dos membros inferiores, o que dificultava ou até impedia que elas 
pudessem andar; assim, a intervenção nesses casos acontecia somente no ultimo nível preventivo, o 
da reabilitação. Com a vacina, a prevenção da doença passou do último nível (nível terciário) para uma 
atuação na proteção específica (nível primário).
16
Unidade I
O quadro a seguir apresenta, de forma resumida, os períodos e as fases da história natural das 
doenças e o momento de atuação de cada nível preventivo dentro da evolução dinâmica que é o 
desenvolvimento das doenças.
Quadro2 – História natural das doenças e níveis preventivos
História natural das doenças
Período de pré-patogênese
(antes da doença)
Período de patogênese
(doença instalada no organismo)
Fase de suscetibilidade (fatores de risco)
Fase pré-clínica 
(doença nos estágios 
iniciais)
Fase clínica 
(doença avançada)
Fase residual (sequelas 
ou cronicidade)
Promoção da saúde Proteção específica
Diagnóstico precoce 
e tratamento 
imediato
Limitação do dano Reabilitação
Prevenção primária Prevenção secundária Prevenção terciária
1.3 Atuação do fisioterapeuta nos níveis preventivos
A fisioterapia é uma profissão que está em ampla evolução e, como já abordado inicialmente, tem 
sofrido mudanças quanto a sua atuação, mantendo a visão reabilitadora, mas passando a atuar em 
todos os níveis preventivos.
O Conselho Regional de Fisioterapia da 3ª Região ([s.d.], p. 1) descreve o fisioterapeuta como:
[...] um profissional com formação clínica generalista, que atua nas diversas 
áreas da saúde, dentre elas, saúde do idoso, da criança, da mulher, do 
trabalhador, da família, entre outras. [...] Suas ações desenvolvem-se em 
todos os níveis de atenção à saúde (primário, secundário e terciário). Assim, 
os fisioterapeutas estão plenamente habilitados a atuar na promoção de 
saúde, prevenção de doenças, na cura e na reabilitação.
 Observação
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) é 
responsável pela fiscalização do exercício profissional dessas categorias. Crefito 3 
é o conselho regional da 3ª região, que abrange o estado de São Paulo.
Dadas as competências e a abrangência de atuação desse profissional, compreende-se seu intenso 
crescimento e desenvolvimento atual, principalmente no nível primário de atuação, nível pouco 
explorado até então.
As transformações ocorridas no sistema de saúde brasileiro, com a implantação do Sistema Único 
de Saúde (SUS), contribuído consideravelmente para a introdução dessas mudanças, uma vez que o 
17
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
objetivo assistencial tem se concentrado na atenção básica em saúde, gerando novas possibilidades de 
atuação para o fisioterapeuta (BISPO JÚNIOR, 2010).
Nesse contexto, o fisioterapeuta pode exercer seu ofício através de ações educativas, que é a primeira 
forma de abordagem, como palestras, confecção de fôlderes e orientações de uma forma geral, bem como 
a aplicação da cinesioterapia (exercícios terapêuticos) e recursos físicos (eletroterapia e termoterapia), 
sendo que estas intervenções visam à prevenção em todos os seus níveis e em todas as fases da vida 
(crianças, adolescentes, adultos e idosos).
A atuação do fisioterapeuta no nível primário ocorre dando ênfase ao trabalho em grupos, já que 
nesse nível o indivíduo se encontra sem nenhuma doença e o objetivo é justamente evitar ocorrência. 
Alguns exemplos dessa atuação são:
• palestras e campanhas educativas sobre doenças como hipertensão arterial sistêmica (HAS), 
diabetes mellitus e hanseníase, entre outros;
• estímulo a hábitos de vida saudável e à prática de exercícios físicos;
• orientações ergonômicas e exercícios para trabalhadores;
• orientações posturais em crianças e adolescentes;
• grupos de orientação a gestantes;
• grupos de orientações e exercícios para idosos saudáveis.
No nível secundário, o fisioterapeuta atua no tratamento de doenças já instaladas com o objetivo de 
evitar o seu avanço e, consequentemente, complicações futuras. Alguns exemplos são:
• tratamento de doenças musculoesqueléticas como tendinites, lombalgias, escolioses e entorse de tornozelo;
• uso de técnicas de higiene brônquica e exercícios respiratórios em pacientes com pneumonia para 
acelerar a recuperação do indivíduo;
• tratamento de feridas e queimaduras.
Já no nível terciário, a fisioterapia atua no indivíduo que apresenta alguma sequela da evolução de 
uma doença com o objetivo de reabilitá-lo para suas funções gerais e reinseri-lo na sociedade. Tem-se 
como exemplos:
• reabilitação de pacientes com lesão medular;
• reabilitação de paciente em pós-operatório de fratura de fêmur após queda ou osteoporose;
18
Unidade I
• uso de laser nas úlceras ou feridas abertas de pacientes com diabetes;
• reabilitação de pacientes após AVE (acidente vascular encefálico);
• fisioterapia motora em crianças com sequelas de paralisia cerebral (PC).
Nível primário
Nível secundário
At
ua
çã
o 
do
 fi
si
ot
er
ap
eu
ta
Nível terciário
Figura 5 – Atuação do fisioterapeuta nos níveis preventivos
Exemplo de aplicação
Um fisioterapeuta foi convidado para dar uma palestra sobre hipertensão arterial, popularmente 
conhecida como pressão alta, em uma unidade básica de saúde. Compareceram a esse encontro adultos 
que não tinham a doença instalada, mas, de acordo com uma avaliação médica prévia, possuíam vários 
fatores de risco. Identifique o nível preventivo de atuação desse fisioterapeuta e, na sequência, faça a 
relação com os períodos e fases da história natural das doenças.
2 SAÚDE DO TRABALHADOR
2.1 Conceito de trabalho e sua origem
O trabalho, de acordo com o dicionário Michaelis ([s.d.]), pode ser conceituado como o ato de 
exercer uma atividade produtiva ou, ainda, fazer esforço para algo. Com isso, pode-se entender que 
o trabalho exige dedicação e empenho por parte do indivíduo, o que pode causar desgastes físicos, 
psicológicos e emocionais.
O trabalho sempre teve sua importância ao longo de toda a história, porém em cada época 
assumiu um papel diferenciado. Na Pré-história, período em que surgiram as primeiras sociedades 
organizadas em classes, o trabalho limitava-se basicamente a ações para a sobrevivência das 
pessoas, como a caça, a pesca, o cultivo do solo (para alimentação), a construção de moradias 
(com a passagem da vida nas cavernas para as cabanas em pedra e madeira) e a fabricação de 
instrumentos de pedra (utilizados na caça, na pesca e no cultivo da terra e também na luta com 
animais e outros homens) (DELIBERATO, 2017).
19
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Na Idade Antiga o trabalho passou a assumir um papel social, sendo dividido em dois grupos principais:
• trabalhos braçais, na época considerados desprezíveis e, por isso, realizados por escravos;
• trabalhos intelectuais, bastante valorizados sobretudo nesse momento, com o aparecimento dos 
grandes pensadores filosóficos (Platão, Aristóteles, entre outros).
A) B) 
Figura 6 – Trabalho braçal versus trabalho intelectual (Aristóteles)
O trabalho durante a Idade Média foi marcado pela servidão, sistema em que os senhores feudais 
ofereciam proteção aos seus servos (que não eram livres) e permitiam o uso da terra, cabendo aos servos, 
em troca, entregar parte da produção rural aos seus senhores. Inexistia nesse momento o contrato de 
trabalho, aliás, o trabalho era considerado um castigo e, por isso, os nobres não trabalhavam.
Na Era Moderna surgiram empresas familiares e artesãos com seus aprendizes, cuja produção 
era totalmente artesanal. O fabricante dominava todo o processo de produção (desde a busca pela 
matéria-prima até sua finalização). Os produtos apresentavam alta qualidade, pois eram feitos 
individualmente e manualmente, porém não havia padronização ou grandes quantidades (ZILLI, 2002).
O início do século XVIII foi o momento histórico em que ocorreram as maiores mudanças referentes 
ao processo do trabalho. A população cresceu aceleradamente, e foi necessário o aumento da produção, 
dando-se início ao processo de larga escala (em substituição ao trabalho artesanal) e à disseminação do 
trabalho assalariado. Foi nesse momento que surgiram as primeiras preocupações com a racionalização 
da produção e com o comportamento do indivíduo diante de sua tarefa (DELIBERATO, 2017).
 Observação
Racionalização da produção é o uso de estratégias cuidadosamente 
pensadas (racionais) com o intuito de diminuir o tempo da produção e 
aumentar a produtividade e a lucratividade das empresas.
20
Unidade I
Com a industrialização, as máquinas começaram a ganhar espaço, e o trabalhoindividual ou em 
pequenos grupos deu lugar a uma concentração maior de trabalhadores em um mesmo local com 
o objetivo de aumentar a produtividade. Porém, começou a observar-se uma baixa qualidade das 
mercadorias produzidas em comparação com as artesanais.
As jornadas de trabalho eram extensas e os salários baixos, fato que praticamente obrigava os 
funcionários a viver trabalhando. Além disso, as condições de trabalho eram precárias (quando não 
insalubres) e na maioria das vezes os ganhos não supriam as necessidades básicas das pessoas (BERNARDI, 
2010).
Esses fatores somados acabaram por promover um alto índice de doenças, acidentes e lesões 
relacionados à execução exaustiva da função.
 Observação
Trabalho insalubre é aquele em que os trabalhadores são expostos a 
agentes que, numa quantidade acima do que é permitida por lei, podem 
prejudicar a saúde.
Figura 7 – O processo de industrialização: produção em larga escala
No quadro a seguir é possível visualizar de forma cronológica a importância que o trabalho teve da 
Pré-história à Revolução Industrial, além das principais mudanças ocorridas nesse período.
21
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Quadro 3 – Evolução do trabalho ao longo da história
Pré-história O trabalho é realizado basicamente para a sobrevivência do indivíduo.
Idade Antiga
O trabalho braçal é considerado desprezível (e, por isso, é realizado por escravos).
O trabalho intelectual é extremamente valorizado.
Idade Média
O trabalho é considerado um castigo, sendo realizado pelos servos dos senhores feudais.
Os nobres não trabalhavam.
Idade Moderna
Surgem empresas familiares e artesãos. 
A produção é totalmente artesanal.
Os produtos são de alta qualidade, porém não há padronização.
Século XVIII
Industrialização.
Substituição do trabalho artesanal pelo trabalho assalariado e em larga escala.
Péssimas condições de trabalho.
2.2 O taylorismo e o fordismo
No início do século XX, com o fim da Primeira Guerra Mundial, a implantação da indústria mecanizada 
se expandiu com os grandes avanços tecnológicos da época, surgindo a preocupação com a organização 
cientifica do trabalho – ou seja, estudar e entender o tempo certo para a execução de cada tarefa com 
o intuito de evitar desperdícios de tempo e, com isso, aumentar a produção e obter maiores ganhos 
financeiros (ZILLI, 2002).
Nesse contexto surgiram dois grandes nomes: Frederick Winslow Taylor e Henry Ford. Esses homens 
foram os responsáveis por modificar e revolucionar todo o sistema produtivo do século XX.
A) B) 
Figura 8 – Frederick Winslow Taylor e Henry Ford
22
Unidade I
Taylor, que era engenheiro mecânico, estabeleceu técnicas para uma administração voltada ao 
desenvolvimento de pessoal e de resultados, ou seja, implantou metodologias para melhorar a eficiência 
dos trabalhadores e das máquinas.
Os princípios tayloristas eram fundamentados na divisão das tarefas de trabalho em atividades 
simples e previamente definidas, com uma pessoa executando sempre a mesma tarefa e tornando-se, 
assim, especializada em uma única função. Tal sistema, dessa forma, minimiza erros e gastos, 
além de aumentar a produção ao reduzir o tempo para a realização da tarefa. Além disso, havia 
o incremento da qualidade dos produtos, que se tornaram mais padronizados e lucrativos (ZILLI, 
2002; DELIBERATO, 2017).
Um ponto negativo era o fato de o trabalho ser composto de movimentos repetitivos e tarefas 
simples de serem executadas: o trabalhador era exigido ao máximo e, quando não conseguia mais 
executar a tarefa, era simplesmente substituído por outro funcionário.
Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, era um grande adepto do taylorismo. Foi um dos 
pioneiros no uso das linhas de montagem na indústria e, com o aumento da produção, passou a 
se preocupar também com o mercado consumidor, afinal, a produção em larga escala só teria sentido se 
as pessoas pudessem consumir o que estava sendo produzido (princípios do fordismo).
Figura 9 – Linha de montagem da Ford nas primeiras décadas do século XX
Com isso, passou a investir na qualidade de vida de seus funcionários, melhorando as condições 
ambientais do trabalho (locais limpos e ventilados), criando um departamento de saúde, reduzindo 
a jornada de trabalho e aumentando os salários – o que permitiu um maior poder de compra aos 
trabalhadores (BERNARDI, 2010; DELIBERATO, 2017).
A visão taylor-fordiana é considerada, atualmente, o primeiro modelo científico de organização do 
trabalho. Segundo ela, a execução de uma tarefa é estruturada a fim de se ampliar a produção em um 
curto espaço de tempo e, dessa forma, aumentar o lucro das empresas.
23
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Apesar de já terem se passado alguns anos, as ideias de Taylor e Ford continuam vivas em nosso 
meio, visto que muitas indústrias e empresas se utilizam dessa forma de organização até hoje. Desse 
modo, não é possível desprezá-las ao analisar as condições de trabalho atuais.
Aliás, as bases desse modelo continuam sendo estudadas e constantemente questionadas, como 
indica Deliberato (2002, p. 105), apontando que junto com o aumento da produtividade:
[...] observou-se também um decréscimo da qualidade de vida no trabalho, 
considerando-se as jornadas de trabalho prolongadas, a fadiga física e 
mental dos trabalhadores e especialmente o esvaziamento do conteúdo 
significativo das atividades laborais, gerando como produto final a 
insatisfação do indivíduo durante o cumprimento das suas tarefas.
Verifica-se, portanto, a necessidade de se deixar para trás os modelos antigos que priorizavam 
o aumento da produção por meio da mecanização do trabalho. O foco, apesar de continuar tendo 
como objetivo primeiro a produtividade, deve ter em vista a humanização em duas relações: entre 
trabalhador e empregador e entre trabalhador e ambiente de trabalho, ferramentas e sua organização 
(BERNARDI, 2010).
 Saiba mais
O filme indicado a seguir conta a história de um trabalhador que tenta 
sobreviver em meio ao mundo moderno e industrializado. Trata-se de um 
clássico de 1936 dirigido por Charles Chaplin, considerado uma forte crítica 
ao capitalismo e aos maus tratos que os empregados passaram a receber 
durante a Revolução Industrial.
TEMPOS modernos. Dir. Charles Chaplin. EUA: United Artists, 1936. 87 minutos.
2.3 Relação homem‑trabalho no mundo moderno
Como já vimos até aqui, o trabalho sempre fez parte da vida humana, desde a Pré-história, quando 
o objetivo inicial era o suprimento de necessidades de sobrevivência. Com o passar do tempo, o foco 
tornou-se a produção de riquezas por meio da aquisição e o consumo de bens materiais para satisfação 
pessoal (BERNARDI; TACIRO, 2010).
Ao longo da história o trabalho tem sofrido grandes transformações, e na sociedade contemporânea 
criou-se um novo cenário, principalmente com o desenvolvimento da tecnologia, da informática e dos 
sistemas de comunicação, o que tem contribuído para uma interferência direta na saúde do trabalhador.
O trabalho braçal nas grandes indústrias vem sendo substituído cada vez mais por máquinas, sistemas 
automatizados, computadores e robôs industriais, sobretudo com os conhecimentos na área de robótica 
24
Unidade I
crescendo aceleradamente. Essa tecnologia vem sendo empregada com sucesso, diminuindo os custos e 
o tempo de produção, porém descartando a mão de obra humana.
Figura 10 – Uso da robótica na indústria
Nesse momento o trabalhador passa a necessitar de uma qualificação maior e atualizações 
constantes para a operação dos sistemas informatizados que passaram a fazer parte do dia a dia da 
sociedade pós-moderna e também para se manter em um mercado de trabalho cada vez mais restrito 
e competitivo.
Esse avanço tecnológico acarretou também uma outra mudança: o trabalho dinâmico deu lugar a 
um trabalho mais estático, já que grande parte dos trabalhadores agora passa horas do seu dia sentada 
em frente a computadores e celulares com grandes exigências intelectuais.
Os problemas antes enfrentados, principalmenteem relação ao desgaste físico, em decorrência 
das longas jornadas de um trabalho repetitivo em linhas de produção, hoje dão lugar a problemas 
psicológicos e emocionais causados por um mercado de trabalho cada vez mais exigente quanto às 
qualificações do trabalhador (BERNARDI, 2010).
Todas essas transformações envolvem diretamente as formas de relacionamento homem-trabalho, 
e ao se analisar essas relações identificam-se alguns aspectos que são resultado dessa interação como a 
monotonia, a fadiga, a motivação e o estresse, que irão interferir diretamente nas condições humanas 
de trabalho (DELIBERATO, 2017).
25
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Quadro 4 – Interações homem‑trabalho e suas consequências
Relação 
homem-trabalho Descrição Sintomas
Monotonia
Ambiente pobre em estímulos, trabalho 
repetitivo, sem muita possibilidade de 
movimentos corporais
Cansaço
Sonolência
Falta de disposição e atenção
Fadiga Cansaço físico ou mental resultado de um trabalho prolongado e com sobrecargas
Irritabilidade
Desmotivação
Redução da atenção
Motivação Determinação que se tem para realizar algo
Queda de produção e de qualidade
Maiores riscos de lesão para o trabalhador
Efeitos mais intensos da monotonia e da fadiga
Estresse
Considerado o mal do século. No contexto 
do trabalho pode ser entendido como uma 
resposta do organismo frente a exigências, 
pressões e preocupações constantes no 
ambiente corporativo
Tensão e dores musculares
Irritabilidade
Faltas frequentes no trabalho
Nervosismo
Ansiedade
Depressão
Perda da autoconfiança e da autoestima
Além dos fatores que envolvem os aspectos psíquicos citados anteriormente, os fatores físicos também 
têm sido motivo de preocupação nessa relação homem-trabalho, isto devido ao desenvolvimento de 
doenças específicas relacionadas ao trabalho, também conhecidas como Dorts, assunto este que será 
discutido e aprofundado mais tarde.
Essas mudanças passaram a interferir negativamente na saúde física, mental e emocional do 
trabalhador, diminuindo sua satisfação na execução das atividades profissionais e, por consequência, 
reduzindo seu rendimento no trabalho.
Atualmente, a preocupação com a saúde do trabalhador e a qualidade de vida no trabalho tem se tornado 
uma ideia cada vez mais disseminada, modificando os modelos até então existentes, em que a preocupação com 
o trabalhador não era uma realidade. Apesar disso, muitos desafios ainda precisam ser vencidos.
 Observação
Qualidade de vida no trabalho significa um conjunto de ações que 
uma empresa realiza com o propósito de garantir boas condições para a 
realização e a execução da atividade profissional.
Dentre os aspectos que podem ser considerados como pontos positivos em relação à melhora da 
qualidade de vida no trabalho, temos:
26
Unidade I
• remuneração digna;
• identidade com a tarefa;
• criatividade na tarefa;
• bons relacionamentos;
• ambientes bem adaptados;
• valorização dos funcionários;
• saúde no ambiente corporativo;
• qualificação dos trabalhadores.
Com a implantação dessas medidas, observa-se uma melhora da autoestima e do bem-estar do 
funcionário, bem como o aumento da motivação e do entusiasmo na execução da tarefa, o que resulta 
em aumento da produtividade e da lucratividade para as empresas. Dessa forma, há uma melhoria geral 
na qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade como um todo.
No Brasil, a saúde do trabalhador ganhou importância com a ampliação dos direitos trabalhistas e 
com a incorporação da saúde do trabalhador às políticas públicas do Ministério da Saúde, fato observável 
através das Portaria/MS n. 3.120/1998 e a Portaria/MS n. 3.908/1998, que tratam, respectivamente, da 
definição de procedimentos básicos para a vigilância em saúde do trabalhador e prestação de serviços 
nessa área (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1998a).
 Saiba mais
Para ler na integra as portarias n. 3.120/1998 e n. 3.908/1998, que 
tratam sobre a saúde do trabalhador, acesse os links indicados a seguir.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n. 3.120, de 1º de julho de 1998. Brasília, 
1998b. Disponível em: <http://renastonline.ensp.fiocruz.br/recursos/
portaria-3120-1o-julho-1998>. Acesso em: 2 jul. 2019.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n. 3.908, de 30 de outubro de 1998. 
Estabelece procedimentos para orientar e instrumentalizar as ações e 
serviços de saúde do trabalhador no Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, 
1998a. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/
prt3908_30_10_1998.html>. Acesso em: 2 jul. 2019.
27
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Em 2010, o Ministério da Saúde elaborou uma publicação para orientar os profissionais da saúde 
com relação a sua atuação específica na saúde do trabalhador. De acordo com esta publicação:
O termo saúde do trabalhador refere-se a um campo do saber que visa 
compreender as relações entre o trabalho e o processo saúde/doença. [...] O 
fundamento de suas ações é a articulação multiprofissional, interdisciplinar e 
intersetorial. [...]. Assim, as ações de saúde devem pautar-se na identificação 
de riscos, danos, necessidades, condições de vida e de trabalho, que, em 
última instância, determinam as formas de adoecer e morrer dos grupos 
populacionais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001b, p. 7-8).
 Saiba mais
Para ter acesso integral a essa publicação do Ministério da Saúde, acesse 
o link indicado a seguir.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção 
Básica. Área técnica de Saúde do Trabalhador. Saúde do trabalhador. Brasília, 2002. 
(Cadernos de Atenção Básica; n. 5). Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/saude_trabalhador_cab5_2ed.pdf>. Acesso em: 2 jul. 2019.
Portanto, para se entender a saúde do trabalhador é necessário o conhecimento da história natural 
das doenças relativas à atividade profissional, desde os riscos ambientais e organizacionais aos quais 
estes indivíduos estão expostos até a instalação e desenvolvimento das doenças e suas consequências.
Dessa forma, a assistência que deve ser oferecida aos trabalhadores passa pelos três níveis preventivos 
com atuação na promoção, proteção e recuperação da saúde e é neste contexto que o profissional 
fisioterapeuta é inserido na assistência à saúde do trabalhador.
Fisioterapia do 
trabalhoPrevenção 
secundária
(tratamento 
das doenças 
ocupacionais)
Prevenção 
terciária
(reabilitação 
de sequelas e 
reinserção do 
trabalhador)
Prevenção 
primária
(promoção e 
proteção da saúde 
no ambiente de 
trabalho)
Figura 11 – Níveis de atuação da fisioterapia do trabalho
28
Unidade I
2.4 Fisioterapia na saúde do trabalhador
Em 2003, a fisioterapia do trabalho foi reconhecida oficialmente como uma área de atuação do 
fisioterapeuta, por meio da Resolução 259/03 publicada pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia 
Ocupacional (Coffito).
Com o grande crescimento desta área no Brasil, em 2008 ela foi reconhecida como uma especialidade 
e, nesse mesmo ano, foram descritas para o extinto Ministério do Trabalho todas as competências desse 
profissional, que passaria a fazer parte do mercado de forma permanente (BAÚ; KLEIN, 2009).
Esta descrição destaca que o especialista fisioterapeuta do trabalho:
• executa avaliação a clientes e pacientes;
• estabelece o diagnóstico fisioterapêutico;
• planeja estratégias de intervenção e implementa suas ações de intervenção;
• educa em saúde;
• gerencia serviços de saúde;
• executa atividades técnico-científicas.
 Saiba mais
O extinto Ministério do Trabalho (MTE), por meio da Classificação 
Brasileira de Ocupações (CBO) – documento que reconhece, nomeia e 
codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mercado 
de trabalho brasileiro –, determinou o código de n. 2236-60 para indicar 
as competências do fisioterapeuta do trabalho. Outras classificações e 
especializações do fisioterapeuta podem ser consultadas pelo site indicado 
a seguir.
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL. CBO. 
Curitiba, [s.d.]. Disponível em: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2348>. Acesso em: 2 jul. 2019.
O fisioterapeuta do trabalho atua de forma abrangente e por isso, requer conhecimentos em várias 
outras áreas além do que já é oferecido pelos cursos de graduação. Ele deve ter um grande conhecimento 
da ergonomia, biomecânica ocupacional, legislação trabalhista e previdenciária e possuir uma visão 
empresarial e raciocínio estratégico bem estruturado (BAÚ; KLEIN, 2009).
29
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Além disso, este profissional poderá fazer parte de uma equipe multidisciplinar interagindo com 
outros profissionais contratados pela empresa, como engenheiros, arquitetos, educadores físicos, 
desenhistas industriais, administradores, médicos e enfermeiros do trabalho e profissionais da área de 
RH (recursos humanos).
Uma equipe preparada e multidisciplinar consegue interferir de maneira mais eficaz na redução de 
danos físicos e psicológicos e consequentemente diminuem os gastos com acidentes e afastamentos e 
aumentam a lucratividade das empresas.
 Observação
Equipe multidisciplinar é um conjunto de diferentes profissionais de 
várias áreas de atuação que trabalham com um único objetivo.
De acordo com os níveis preventivos, são atribuições especificas do fisioterapeuta do trabalho, na 
prevenção primária:
• promover palestras de conscientização para os funcionários abordando os riscos ambientais, 
posturas inadequadas e mecanismo de lesão;
• realizar análises biomecânicas, posturais e antropométricas identificando as tarefas de alto risco 
de lesões;
• analisar o posto de trabalho e os equipamentos utilizados pelo trabalhador;
• realizar o estudo da necessidade e possibilidade de implantação de revezamentos;
• adequar as condições de trabalho às habilidades do trabalhador e realizar a alterações necessárias 
no ambiente e no posto de trabalho, prevenindo os desconfortos ou queixas musculoesqueléticas 
nas atividades laborais;
• desenvolver programas de ginástica/cinesioterapia laboral para prevenir o desenvolvimento das 
lesões relacionadas ao trabalho.
Em nível secundário, suas abordagens são:
• avaliar o funcionário que apresenta alguma queixa musculoesquelética e estabelecer o 
diagnóstico fisioterapêutico;
• realizar o tratamento do trabalhador, o mais precocemente possível, definindo objetivos, condutas, 
procedimentos e tempo de intervenção necessária.
30
Unidade I
E no nível terciário, é função do fisioterapeuta:
• reabilitar o funcionário caso este tenha evoluído com sequelas das lesões musculoesqueléticas;
• reabilitar trabalhadores que tenham sofrido algum acidente de trabalho e que progrediram com 
limitações físicas;
• reinserção do funcionário no momento de retorno ao seu trabalho.
O investimento realizado na contratação destes profissionais promove, além de bem-estar, um 
sentimento de valorização por parte dos funcionários, gerando aumento do seu desempenho e da sua 
produtividade e aumentando os lucros das empresas. Deste ponto de vista, a atuação do fisioterapeuta 
do trabalho beneficia a todas as partes interessadas no processo relativo ao trabalho.
 Saiba mais
Leia a Resolução n. 465, de maio de 2016, para conhecer mais detalhes 
sobre a atuação do fisioterapeuta do trabalho.
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL. 
Resolução n. 465, de 20 de maio de 2016. Disciplina a especialidade 
profissional de fisioterapia do trabalho e dá outras providências. DOU, 25 de 
maio de 2016. Brasília, 2016. Disponível em: <https://coffito.gov.br/nsite/
wp-content/uploads/2016/08/DOU-25-5-2016-Res.-464-e-465-p-83.
pdf>. Acesso em: 2 jul. 2019.
3 ERGONOMIA E A NR 17
A ergonomia, como visto, é um dos conhecimentos necessários para o fisioterapeuta do trabalho 
poder exercer sua função. Ela é importante, pois permite a esse profissional a compreensão da relação 
do homem com seu trabalho.
A Norma Reguladora 17 (NR 17) trata especificamente dos aspectos relativos à ergonomia, os quais 
serão discutidos de forma aprofundada na sequência.
3.1 História e evolução da ergonomia
A palavra ergonomia deriva dos termos gregos ergon, que significa “trabalho”, e nomos, que significa 
“normas”, “regras” ou “leis”. De acordo com a Associação Brasileira de Ergonomia (Abergo), a Associação 
Internacional de Ergonomia definiu ergonomia como:
31
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
[...] uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações 
entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de 
teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar 
humano e o desempenho global do sistema (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
ERGONOMIA, [s.d.]).
Então, resumidamente, ela pode ser definida como o estudo e a implantação das adaptações 
necessárias do trabalho ao homem, para se obter maior conforto, eficiência e segurança no 
ambiente corporativo.
Os ergonomistas têm como função atuar no planejamento, no projeto e na avaliação de tarefas, 
postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas, de modo a adaptá-los às necessidades, às habilidades 
e às limitações das pessoas de uma forma geral, inclusive nas atividades cotidianas (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE ERGONOMIA, [s.d.]).
Pensando acerca dessas definições, chega-se à conclusão de que a ergonomia apresenta quatro 
pontos fundamentais, considerados seus pilares: o ambiente em que o indivíduo está inserido, as 
ferramentas que são por ele utilizadas, os processos de trabalho que são utilizados para a execução da 
atividade e os elementos relacionados ao próprio indivíduo.
Fe
rr
am
en
ta
Ho
m
em
Am
bi
en
te
Pr
oc
es
so
Ergonomia
Figura 12 – Os quatros pilares fundamentais da ergonomia
A história da ergonomia tem seu início oficial no ano de 1949, quando o engenheiro inglês Kenneth Frank 
Hywel Murrell organizou a primeira sociedade de ergonomia do mundo, a Ergonomic Research Society.
Apesar disso, ao se estudar a história do trabalho verifica-se que desde os primórdios da humanidade, 
na Pré-história, o homem já se preocupava com a necessidade de adaptar suas ferramentas para obter 
maior eficiência.
Entre os séculos XIV e XVII, Leonardo da Vinci iniciou os estudos na área criando a figura do homem 
vitruviano, que representa a relação entre o movimento do corpo humano e o espaço ao seu redor. Esse 
foi o marco inicial do desenvolvimento da antropometria, definida como o conhecimento das formas e 
medidas do corpo humano aplicado em projetos ergonômicos, conhecimento que é usado até os dias 
atuais (LIMA et al., 2010).
32
Unidade I
Figura 13 – O homem vitruviano de Leonardo da Vinci, um dos precursores da ergonomia e antropometria
Ainda na época renascentista, Bernardino Ramazzini foi o primeiro a estudar e especificar as doenças 
do trabalho em sua obra De morbis artificum diatribe, e Wojciech Jastrzebowski, naturalista polonês, 
utilizou pela primeira vez na história o termo ergonomia em seu artigo intitulado de “A Ciência do 
Trabalho” (CORRÊA; BOLETTI, 2015).
Já no século XVIII, durante a Revolução Industrial, os avanços tecnológicos modificaram a maneira de 
realização do trabalho. Nesse momento a concepção de ergonomia tomou novas proporções, passando 
a se preocupar com o regime e as condições do trabalho.
No final desse século, com a disseminação do taylorismo e do fordismo, iniciaram-se vários estudos 
relacionados ao homem e suas relações com as atividades profissionais. Nesse mesmo período, as 
ideias relativas à ergonomia também se espalharam pela Europa, ocorrendo, durante a Primeira Guerra 
Mundial, o aprimoramento desses conhecimentos na indústria militar. Com a Segunda Guerra Mundial, 
as pesquisas na área cresceram, e as investigações sobre a interação entre pessoas, equipamentos e 
ambiente foram aos poucos sendo incorporadas não só ao meio militar, mas também ao cotidiano das 
pessoas (CORRÊA; BOLETTI, 2015).
No entanto, foi somente na década de 1940 que a ergonomia se estabeleceu como ciência, com a 
formação da primeira sociedade mundial de pesquisa na área, a Ergonomics Research Society (ERS). 
33
FISIOTERAPIAPREVENTIVA
Atualmente, sua evolução levou à criação da International Ergonomics Association (IEA), cuja missão é 
“elaborar e desenvolver a ciência e a prática ergonômica e expandir a sua aplicação e contribuição para 
a sociedade” (INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION, [s.d.]b, tradução nossa).
 Saiba mais
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a IEA e para se atualizar 
sobre questões relacionadas a ergonomia no contexto mundial, acesse o 
link indicado a seguir.
<https://www.iea.cc>.
No Brasil, o desenvolvimento da ergonomia ainda é considerado recente, tendo início na década 
de 1970, sob a influência do pesquisador francês Alain Wisner. O primeiro trabalho brasileiro teve sua 
publicação em 1973 e partir deste momento as pesquisas passaram a ter um crescimento no país, porém 
ainda de forma lenta e gradual.
O primeiro congresso de ergonomia ocorreu em setembro de 1974 e foi considerado um marco para 
a história da ergonomia brasileira. A partir da década de 1980 principalmente em razão da introdução 
da informática, sugiram novas oportunidades de atuação, ocorrendo um grande aumento da divulgação 
e do interesse de pesquisadores pela área. Em agosto de 1983 houve a criação da Abergo, que passou 
a organizar e difundir ainda mais os conhecimentos gerados e continua em pleno funcionamento até 
hoje (LUCIO et al., 2010).
Atualmente a ergonomia encontra-se em plena expansão, com a atuação de inúmeros profissionais 
e a criação de diversos cursos de especialização e grupos de pesquisas espalhados por todo o país.
 Saiba mais
Para conhecer mais sobre o trabalho realizado pela Abergo, acesse o site 
indicado a seguir.
<http://www.abergo.org.br>.
3.2 Tipos e divisões da ergonomia
A ergonomia apresenta uma abrangência de atuação integral. De acordo com a IEA, ela é dividida em 
três domínios de especialização:
• ergonomia física;
34
Unidade I
• ergonomia cognitiva;
• ergonomia organizacional.
A ergonomia física aborda as relações entre as atividades realizadas pelo homem e suas 
características físicas (anatomia, fisiologia, biomecânica e antropometria), sendo observados os 
seguintes elementos:
• postura durante o trabalho;
• manuseio dos materiais;
• presença de movimentos repetitivos;
• possíveis distúrbios musculoesqueléticos que podem surgir com a atividade;
• projeção das estações de trabalho.
 Observação
A anatomia estuda a estrutura física dos seres humanos, a fisiologia 
trata do funcionamento normal do organismo, a biomecânica se ocupa da 
análise dos movimentos corporais, e a antropometria se dedica às medidas 
e dimensões do corpo.
A ergonomia cognitiva tem como objetivo avaliar e intervir em questões que possam afetar o 
nível mental dos funcionários, de modo a reduzir o cansaço e o desânimo provocado no ambiente de 
trabalho. Para isso, ela avalia os seguintes tópicos:
• carga mental exigida pelo trabalho;
• processos de tomada de decisão;
• interação entre homem e computador;
• relação de confiança entre as pessoas;
• estresse proveniente das rotinas de trabalho.
A ergonomia organizacional avalia e propõe mudanças na estrutura organizacional da empresa, 
de modo a não sobrecarregar os funcionários; em outras palavras, ela orienta mudanças na liderança e 
aponta melhorias na gestão. Nesse campo devem ser verificados:
35
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
• processos de comunicação interna da empresa;
• estímulo de atividades executadas em grupo;
• execução de projetos que tenham a participação do trabalhador;
• trabalho cooperativo.
Ergonomia 
física
Ergonomia 
cognitiva
Domínios da 
ergnomia
Ergonomia 
organizacional
Figura 14 – Domínios de especialização da ergonomia
Cabe destacar que dentro da ergonomia física existem quatro modalidades de intervenção que 
podem ser aplicadas no ambiente de trabalho, listadas a seguir.
• Ergonomia de concepção: a intervenção é feita diretamente no projeto do ambiente de trabalho 
com o intuito de promover uma melhor organização do trabalho e dos sistemas de produção, ou 
seja, ela atua antes que o posto de trabalho exista realmente.
• Ergonomia de correção: atua de maneira parcial e restrita num ambiente de trabalho já existente. 
É realizada após a implantação efetiva do posto de trabalho e, a partir de um estudo ergonômico, 
são feitas as modificações necessárias referentes a elementos vários como iluminação, ruídos, 
temperatura, dimensões e posicionamento do mobiliário.
• Ergonomia de conscientização: é responsável por ensinar o trabalhador, por meio de palestras 
e treinamentos, a usufruir dos benefícios de seu posto de trabalho, conscientizando-o 
quanto à importância de manter uma boa postura e usar adequadamente os mobiliários 
e equipamentos do seu posto de trabalho, além dos benefícios da realização da ginástica/
cinesioterapia laboral.
• Ergonomia de participação (ou participativa): ocorre com a participação dos próprios 
trabalhadores na implantação das mudanças em seus postos de trabalho, uma vez que são os 
maiores conhecedores de seu posto e, portanto, conseguem identificar os problemas e colocar as 
orientações a eles fornecidas em prática.
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Unidade I
Ergonomia física
Ergonomia de 
conscientização
Ergonomia de 
correção
Ergonomia de 
concepção
Ergonomia de 
participação
Modalidades de 
intervenção
Figura 15 – Modalidades de intervenção dentro da ergonomia física
3.3 Fatores de risco no ambiente de trabalho
A ergonomia, para ser aplicada de forma adequada no ambiente de trabalho, deve avaliar todos os 
possíveis riscos existentes para a saúde humana através de análises do próprio local e das características 
da tarefa executada pelo trabalhador.
São considerados riscos ergonômicos as condições ambientais ou a forma de executar a atividade 
laboral que venham a interferir negativamente na produtividade ou que tragam prejuízos para a saúde 
do trabalhador.
Os principais agentes e riscos que contribuem para o desenvolvimento de doenças e, 
consequentemente, para a diminuição da qualidade de vida do trabalhador e que podem estar presentes 
no ambiente corporativo são:
• agentes físicos: ruídos, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas e radiações, 
entre outros;
• agentes químicos: poeiras, fumos, neblinas, gases e vapores que podem ser absorvidos por via 
respiratória ou através da pele;
• agentes biológicos: bactérias, fungos, parasitas, protozoários e vírus;
• riscos de acidentes: organização inadequada do ambiente, máquinas e equipamentos sem proteção, 
ferramentas com defeitos, iluminação inadequada, probabilidade de incêndio ou explosão, 
armazenamento inadequado de materiais e animais peçonhentos escondidos no ambiente;
37
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
• riscos ergonômicos: esforço físico excessivo, levantamento e transporte manual de peso, 
permanência em posturas inadequadas, ritmo acelerado e longas jornadas de trabalho, monotonia 
e repetitividade.
A iluminação, os ruídos, a temperatura, as cores do ambiente e o mobiliário são alguns dos aspectos 
relacionados ao próprio ambiente (compondo a chamada ergonomia ambiental) que permitem a 
interferência do ergonomista, que atuará na adequação desse local trazendo maior conforto e segurança 
na execução da tarefa profissional (PINHEIRO; CRIVELARO, 2014).
3.3.1 Iluminação
A iluminação inadequada no ambiente de trabalho pode acarretar vários problemas de saúde como 
desconforto, fadiga visual, dores de cabeça, redução da capacidade visual e, em alguns casos, até mesmo 
provocar acidentes. Por isso, uma boa iluminação pode ser considerada sinônimo de saúde e bem-estar, 
promovendo um ambiente mais agradável e seguro.
Um bom sistema de iluminação deve apresentar algumas características como fornecer uma 
quantidade de luz adequada ao espaço e ao tipo de trabalho; ou seja, quanto maior o ambiente e o grau 
de precisão da atividade, mais intensa deve ser a luminosidade. Um exemplo são as salas cirúrgicas, onde 
a iluminação tem um papel de extrema importância para a boa execução do trabalho.
Uma outra questãoque deve ser abordada são os tipos de iluminação, que pode ser artificial ou 
natural. De forma geral, sempre que possível, deve-se dar preferência para a iluminação natural. A 
presença de janelas que possibilitem a entrada da luz solar no ambiente proporciona uma sensação 
de bem-estar e benefícios à saúde, além de conservar o calor absorvido e economizar energia elétrica 
(WACHOWICZ, 2013).
Assim, enquanto a iluminação natural tem papel fundamental durante o dia, as luzes artificiais 
são essenciais durante a noite. A escolha da iluminação artificial deve apresentar um bom projeto, 
adequado ao espaço e tipo de trabalho em questão, podendo-se optar por uma iluminação geral ou 
uma iluminação dirigida com o uso de luminárias especificas.
Figura 16 – Escritório com aproveitamento da luz natural e presença de iluminação artificial dirigida
38
Unidade I
3.3.2 Temperatura
A temperatura do ambiente é outro fator que deve ser observado e modificado quando necessário 
com o intuito de promover o conforto térmico, ou seja, permitir um equilíbrio em que o funcionário não 
sinta muito calor ou muito frio.
O trabalho em ambientes muito quentes gera várias alterações fisiológicas no organismo, provocando 
cansaço, sonolência, irritabilidade, diminuição do desempenho físico e aumento de erros. Por outro 
lado, as baixas temperaturas levam à diminuição da concentração e da capacidade intelectual, além da 
redução das habilidades manuais devido à menor circulação sanguínea nas mãos.
A adequação da temperatura ambiental, apesar de ser algo bastante subjetivo, uma vez que 
o conforto térmico varia muito entre as pessoas, deve levar em consideração fatores como tipo 
de atividade e roupas utilizadas no ambiente corporativo. Segundo a NR 17, para os locais que exigem 
atividades intelectuais e atenção constante, a temperatura deve ficar entre 20 ºC e 23 ºC (MINISTÉRIO 
DO TRABALHO E EMPREGO, 1978b).
 Lembrete
NR 17 é o conjunto de normas regulamentadoras que estabelecem os 
parâmetros necessários para a adequação do ambiente de trabalho.
 Observação
ISO é um certificado de qualidade que as empresas recebem por 
adotar boas práticas, padronizar algumas regras e estar em conformidade 
com as leis.
3.3.3 Ruídos
Um fator que também pode causar grande incômodo aos trabalhadores são os ruídos, definidos 
como sons desagradáveis que não contêm nenhuma informação. Seus principais fatores de influência 
no homem são a intensidade (altura do ruído) e a frequência (tempo de exposição ao ruído), ou seja, 
quanto maior a altura e o tempo de exposição ao ruído, maiores serão os problemas causados no 
organismo (WACHOWICZ, 2013; CORRÊA; BOLETTI, 2015).
O ruído pode ser externo (quando ocorre fora do ambiente de trabalho, como no caso de ruídos de 
carros, buzinas e apitos) ou interno (quando fazem parte do próprio ambiente, como sons de máquinas, 
telefones e conversas) e pode levar a fadiga auditiva, irritabilidade, falta de concentração (principalmente 
em tarefas mentais), aumento da tensão psicológica, cansaço e até mesmo danos ao aparelho auditivo, 
ocasionando surdez.
39
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
Medidas que melhoram essa questão são a identificação e o controle da fonte do ruído (na tentativa de 
reduzi-lo), isolamento acústico nas paredes do ambiente e utilização de EPIs (como protetores de ouvido).
Figura 17 – Uso de protetores de ouvido (equipamento de proteção individual)
3.3.4 Cores do ambiente
O estudo da influência das cores no ambiente de trabalho tem demonstrado que elas influenciam 
tanto a parte física como psicológica do trabalhador. Atualmente elas são utilizadas com vários objetivos, 
como aumento da produtividade, redução dos índices de absenteísmo e de acidentes.
 Observação
Absenteísmo são as faltas frequentes de um funcionário ao trabalho, o 
que traz um aumento de custos para a empresa.
As escolhas das cores a serem utilizadas no ambiente devem ter objetivos específicos. Se o ambiente 
de trabalho é monótono, pode-se utilizar cores que estimulem o trabalhador como laranja, amarelo e 
vermelho (lembrando que, por serem cores fortes, devem ser aplicadas somente em alguns elementos 
do ambiente físico, como uma coluna, uma porta ou uma divisória).
Por outro lado, se a atividade exige muita concentração, o recomendado é que se use cores claras e 
tranquilizantes como tons pastel de azul, verde ou bege a fim de produzir um ambiente agradável sem 
grandes distrações.
Além disso, o uso das cores representa uma medida de segurança no ambiente de trabalho. 
O vermelho e o amarelo, por exemplo, são cores muito utilizados com o objetivo de chamar a atenção 
para pontos específicos, como locais onde se encontram extintores e alarmes de incêndio, saídas de 
emergência, degraus, tetos muito baixos e locais com algum tipo de perigo real.
40
Unidade I
As cores, quando associadas a uma boa iluminação, melhoram a qualidade de vida do trabalhador e 
aumentam a sua produtividade, influenciando ainda o comportamento e os relacionamentos interpessoais.
3.3.5 Mobiliário
O conceito de mobiliário ergonômico tem se espalhado cada vez mais pelos ambientes corporativos, 
sendo relacionado principalmente ao conforto físico e à diminuição da sobrecarga do trabalhador.
O mobiliário é uma ferramenta de trabalho que deve ser adequada às características humanas 
e ao tipo de tarefa, permitindo a movimentação do trabalhador, uma boa postura e, com isso, a 
prevenção de lesões.
Dispositivos 
de entrada do 
mouse ao lado do 
teclado
Parte superior 
da rela ao nível 
dos olhos ou um 
pouco abaixo
Cabeça/posição 
do pescoço reto. 
Ombros relaxados
Antebraços e 
braços a 90º ou 
um pouco mais
Antebraços, 
pulsos e mãos em 
linha reta
Cotovelos 
próximos ao 
corpo
Coxa e costas a 
90º ou um pouco 
mais
Uma folga entre 
a extremidade do 
assento e joelhos
Pés apoiados no 
chão ou em um 
apoio para os pés
Pernas e coxas 
em 90º ou um 
pouco mais
Figura 18 – Mobiliário ideal permitindo uma boa postura e a prevenção de lesões
Um mobiliário ideal, de forma geral, deve possuir as seguintes características (BARBOSA, 2009; 
KROEMER; GRANDJEAN, 2007):
• superfícies foscas, evitando o reflexo de luz sobre a visão do trabalhador;
• cadeiras e mesas reguláveis para atender às variações antropométricas (ou seja, deve respeitar o 
tamanho dos funcionários);
• superfícies arredondadas, evitando, assim, acidentes e compressões de estruturas como nervos e 
vasos sanguíneos;
41
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
• profundidade adequada que permita colocar todos os objetos necessários de forma organizada e 
de fácil alcance;
• posicionamento dos monitores sempre à frente e na altura correta (parte superior da tela ao nível 
dos olhos);
• no caso de trabalhos realizado em pé, a altura das mesas deve ser ajustada respeitando o tamanho 
do funcionário e o tipo de tarefa (nas atividades de precisão as mesas devem ser mais altas e nas 
atividades de força devem ser mais baixas).
Trabalho de precisão Trabalho leve Trabalho pesado
750-900
700-850
+200 mm
+100 mm
0
-100 mm
-200 mm
-300 mm
mm homens
mm mulheres
900-950
850-900
1000-1100
950-1050
Figura 19 – Altura de mesas recomendada para trabalhos em pé de acordo com o tipo de trabalho
Nesse contexto, um outro ponto a ser abordado é o treinamento dos funcionários para o ajuste de 
seu próprio mobiliário, afinal, se ele não souber regular seu equipamento corretamente, de nada vai 
adiantar ter um mobiliário ergonômico.
O layout do ambiente também deve ser levado em consideração nesse momento, pois a disposição 
dos mobiliários e equipamentos com certeza influenciará o desempenho desse trabalhador.
 Observação
Layout do ambiente de trabalho é o planejamento do uso do espaço 
físico com uma distribuição de equipamentos e mobiliários que permite a 
circulação e a integração das pessoas, tornando o ambiente mais funcional.
42
Unidade I
A) B) 
Figura 20 – Diferentes layouts em ambientes administrativos
3.4 Benefícios da aplicação da ergonomia

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