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DIRETORIA DE POLÍCIA COMUNITÁRIA E DE 
DIREITOS HUMANOS 
DPCDH 
São Paulo 
 
José Antonio de Melim Junior 
Ten Cel PM - Ch Depto DH 
melim@policiamilitar.sp.gov.br 
 
Conduta Ética e Legal na Aplicação da Lei 
 
 
 
-Ética pessoal, ética de grupo e ética profissional; 
 ética cidadã e ética corporativista; 
 - Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei, adotado pela 
ONU; 
 - Declaração sobre a Polícia, do Conselho da Europa; 
 - O policial como cidadão; 
 - Conduta do PM contemporâneo. 
 
 
 
 
 
Considerações: 
 
“A aplicação da lei não é uma profissão em que se possam utilizar soluções-
padrão para problemas-padrão 
... 
 Espera-se que os encarregados da aplicação da lei tenham a capacidade de 
distinguir entre inúmeras tonalidades de cinza, ao invés de somente fazer a 
distinção entre preto e branco, certo ou errado... A aplicação da lei apresenta 
várias situações nas quais os encarregados (...) e os cidadãos aos quais eles 
servem encontram-se em lados opostos. 
... 
 Os encarregados (da aplicação da lei) podem em tais situações, sofrer ou 
perceber uma noção de desequilíbrio ou injustiça entre a liberdade criminal e 
os deveres de aplicação da lei. No entanto, devem entender que esta 
percepção constitui a essência daquilo que separa os que aplicam a lei 
daqueles infratores que a infringem. Quando os encarregados recorrem a 
práticas que são contra a lei ou estão além dos poderes e autoridade 
concedidos por lei, a distinção entre os dois já não pode ser feita” 
Cees de Rover. “Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário para Forças 
Policiais e de Segurança.” 
 
- Ética: 
 
“Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade” 
Adolfo Sánchez Vázquez, apud José Renato Nalini: “Ética Geral e Profissional” 
 
- Ciência: tem objeto, leis próprias e método próprio; 
 
- Objeto da Ética: moralidade positiva (“conjunto de regras de com- 
portamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o 
valor do bem”) Eduardo García Máynez, apud José Renato Nalini: “Ética Geral e 
Profissional” 
 
“Os preceitos éticos são imperativos. Para serem racionalmente aceitos pelos 
destinatários, precisam estes acreditar derivem de justificativa consistente.” 
José Renato Nalini: “Ética Geral e Profissional” 
 
 
 
- Ética Pessoal, Ética de Grupo, Ética Profissional: 
Cees de Rover. “Manual de Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário para Forças 
Policiais e de Segurança.” 
 
- ética pessoal: moral, valores e crenças do indivíduo, influenciadas, positiva 
ou negativamente por: 
 
 
experiências educação treinamento pressão do grupo 
 
- na aplicação da lei, a ética pessoal do policial deve estar de acordo com os 
preceitos legais para que a ação seja correta (C. Rover) 
 
- Ajustes: 
- aconselhamento; Instrumentos para correção e 
- acompanhamento; direcionamento da ética pessoal 
- revisão de desempenho. 
 
 
- ética de grupo: 
 
 trabalho em grupo comportamento 
em situações difíceis de grupo 
 e perigosas 
 
 
 padrões subculturais pressão do grupo ética 
(linguagem grupal, rituais) sobre o indivíduo de grupo 
 
 
“... os responsáveis pela gestão em organizações de aplicação da lei 
inevitavelmente monitorarão não somente as atitudes e comportamentos em 
termos de éticas pessoais, mas também em termos de ética de grupo..” 
Cees de Rover: “Manual de Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário para Forças 
Policiais e de Segurança.” 
 
 
 
 
- ética profissional: 
 
Conjunto de normas codificadas do comportamento dos praticantes de uma 
determinada profissão. (C. de Rover); 
 
 Na Polícia Militar: 
 
- Regulamento Disciplinar (valores, deveres, condutas), lastreado pelas 
normas internas que regulamentam o processamento de sua aplicação; 
 
- Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei; 
 
- Princípios Orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para 
os Encarregados da Aplicação da Lei, entre outros.... 
 
 
 
 
 
- ética cidadã: 
A cidadania além de ser um princípio fundamental, sob o aspecto formal, é 
um status ligado ao regime político, onde a pessoa adquire seus direitos 
mediante o alistamento eleitoral, na forma da lei. 
 
Nos Estados democráticos, como o brasileiro, a Cidadania vai além do direito 
de escolha dos governantes ou do poder de ser escolhido governante. A 
plenitude da Cidadania implica numa situação na qual cada pessoa possa 
viver com decência e dignidade, através de direitos e deveres estabelecidos 
pelas necessidades e responsabilidades do Estado e das pessoas 
Manual de Cidadania da Polícia Militar. (M-18-PM), Cap IV, 2.0. PMESP, São Paulo: 1998. 
 
 
 
- ética cidadã: 
 
Democracia: 
 Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos 
 
 - PARTE III 
 
 - ARTIGO 25 
1. Todo cidadão terá o direito e a possibilidade: 
a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou 
por meio de representantes livremente escolhidos; 
b) de votar e de ser eleito em eleições periódicas, realizadas por 
sufrágio universal e igualitário e por voto secreto; 
c) de ter acesso, em condições gerais de igualdade, às funções pú- 
blicas de seu país. 
 
- ética cidadã: 
 
Democracia: 
a) governo eleito que represente o povo; 
b) existência do estado de direito; 
c) respeito aos direitos humanos e liberdades. 
 
DUDH: 
“- Art. 21: A vontade do povo é o fundamento da autoridade do governo...” 
 
 
Estado de Direito: 
- direitos, liberdades, obrigações e deveres Lei 
 
 
 
- garantias Sentimento de segurança 
 
 
- ética cidadã: 
 
Para a sociedade 
 
O direito de um limita-se com o direito de seu semelhante... 
 
 
Faça ao próximo apenas e tão somente exatamente o que gostaria que lhe 
fizessem e não faça ao próximo apenas e tão somente o que não gostaria que 
lhe fizessem... 
- ética cidadã: para o policial militar 
 
Espera-se que os encarregados da aplicação da lei tenham a capacidade de 
distinguir entre inúmeras tonalidades de cinza, ao invés de somente fazer a 
distinção entre preto e branco, certo ou errado... A aplicação da lei apresenta 
várias situações nas quais os encarregados (...) e os cidadãos aos quais eles 
servem encontram-se em lados opostos. 
... 
 Os encarregados (da aplicação da lei) podem em tais situações, sofrer ou 
perceber uma noção de desequilíbrio ou injustiça entre a liberdade criminal e 
os deveres de aplicação da lei. No entanto, devem entender que esta 
percepção constitui a essência daquilo que separa os que aplicam a lei 
daqueles infratores que a infringem. Quando os encarregados recorrem a 
práticas que são contra a lei ou estão além dos poderes e autoridade 
concedidos por lei, a distinção entre os dois já não pode ser feita” 
... 
O FATOR HUMANO NA APLICAÇÃO DA LEI NÃO DEVE POR EM RISCO A 
NECESSIDADE DA LEGALIDADE E DA AUSÊNCIA DE ARBITRARIEDADE. 
Cees de Rover. “Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário para Forças 
Policiais e de Segurança.” 
 
- ética corporativista: 
 
trabalho em grupo comportamento 
em situações difíceis de grupo 
 e perigosas 
 
 padrões subculturais pressão do grupo ética 
(linguagem grupal, rituais) sobre o indivíduo de grupo 
 
 
Cees de Rover: “Manual de Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário para Forças 
Policiais e de Segurança.” 
 
ÉTICA DE GRUPO ÉTICA CORPORATIVISTA: comportamento dos 
 indivíduos no sentido de proteger os demaiscomponentes do grupo, em qualquer situação que se encontrem, mesmo 
naquelas em que não devam ser protegidos, mas responsabilizados. 
 - Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei: 
 
- adotado pela Assembléia Geral da ONU – Res. 34/79 (17DEZ); 
 
- não é um tratado: é um instrumento de normas orientadoras aos governos 
(direitos humanos e justiça criminal); 
 
- Art. 1º Os Encarregados da aplicação da lei devem sempre cumprir o 
dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as 
pessoas contra atos ilegais, em conformidade com o elevado grau de 
responsabilidade que a sua profissão requer. 
Comentário: todos os agentes da lei, quer nomeados, quer eleitos, que 
exerçam poderes policiais, especialmente poderes de detenção ou prisão. 
 
- Art. 2º No cumprimento do dever, os Encarregados da aplicação da lei 
devem respeitar e proteger a dignidade humana, manter e apoiar os direitos 
humanos de todas as pessoas. 
 
 
 - Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei: 
 
- Art. 3º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem 
empregar a força quando estritamente necessária e na medida exigida para o 
cumprimento do seu dever. 
Comentário: O emprego da força deve ser excepcional e proporcional ao 
legítimo objetivo a ser atingido. O emprego de armas de fogo é considerado 
medida extrema; deve-se restringir seu uso, especialmente contra crianças. 
Em geral, armas de fogo só deveriam ser utilizadas quando um suspeito 
oferece resistência armada ou põe em risco vidas alheias e medidas menos 
drásticas são insuficientes para dominá-lo. Toda vez que uma arma de fogo 
for disparada, deve-se fazer imediatamente um relatório às autoridades 
competentes. 
Força legítima= necessidade + legalidade + proporcionalidade 
 
 
- Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei: 
 
- Art. 4º Os assuntos de natureza confidencial em poder dos encarregados da 
aplicação da lei devem ser mantidos confidenciais, a não ser que o 
cumprimento do dever ou necessidade de justiça estritamente exijam outro 
comportamento. 
 
- Art. 5º Nenhum encarregado da aplicação da lei pode infligir, instigar ou 
tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outro tratamento ou pena cruel, 
desumano ou degradante, nem nenhum destes encarregados pode invocar 
ordens superiores ou circunstâncias excepcionais, tais como o estado de 
guerra ou uma ameaça de guerra, ameaça à segurança nacional, 
instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública, como 
justificativa para torturas ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos 
ou degradantes. 
 
 
 
 
- Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei: 
 
Art. 6º Os encarregados da aplicação da lei devem garantir a proteção da 
saúde de todas as pessoas sob sua guarda e, em especial, devem adotar 
medidas imediatas para assegurar-lhes cuidados médicos, sempre que 
necessário. 
 
Art. 7º Os encarregados da aplicação da lei não devem cometer quaisquer 
atos de corrupção. Também devem opor-se vigorosamente e combater todos 
estes atos. 
 
Art. 8º Os encarregados da aplicação da lei devem respeitar a lei e este 
Código. Devem, também, na medida das suas possibilidades, evitar e opor-se 
com rigor a quaisquer violações da lei e deste Código. Os encarregados da 
aplicação da lei que tiverem motivos para acreditar que houve ou que está 
para haver uma violação deste Código, devem comunicar o fato aos seus 
superiores e, se necessário, a outras autoridades competentes ou órgãos 
com poderes de revisão e reparação. 
- Declaração sobre a Polícia, do Conselho da Europa; 
 A Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa – Res 690/79 
(instrumento jurídico comparável ao CCEAL) = Declaração sobre a Polícia 
 - Parte A (Ética); 
 - Parte B (Situação Profissional); 
 - Parte C (Guerra e Outras Situações de Emergência - Ocupação por 
Potência Estrangeira) 
 
 A Parte A, Ética, contém várias disposições que não estão incluídas no 
CCEAL: 
 - art. 3º obrigação de não cumprir ordens ilegais; 
 - art. 4º não cumprimento de ordens relacionadas à tortura, execuções 
sumárias, ou tratamento ou pena desumana ou degradante; 
 - art. 8º proibição de ações contra indivíduos por causa de sua raça, religião 
ou convicção política 
 - art 9º responsabilidade pessoal de agentes policiais por ações ilegais ou 
omissões; 
- Declaração sobre a Polícia, do Conselho da Europa; 
- art 13º orientação sobre o uso de armas; 
 
A Parte B, Situação Profissional, trata da organização das forças policiais e os 
direitos pessoais e profissionais dos agentes policiais. 
 
A Parte C, Guerra e outras situações de emergência - Ocupação por uma 
potência estrangeira, está ligada a disposições do direito internacional 
humanitário que regem a posição, tarefas e deveres dos agentes policiais em 
situações de conflito armado. 
 
 
 
 - o policial como cidadão; 
O policial militar cidadão é, antes de tudo, uma pessoa e, como tal, deve ser 
tratado e deve tratar seus semelhantes. A sociedade espera que o policial 
militar seja equilibrado, coerente, legalista, respeitoso, e principalmente que 
tenha orgulho em exercer atividade tão importante para a dignidade da 
pessoa... 
... 
O policial militar, mesmo diante das situações de ocorrências policiais das 
mais diversas, deve respeitar a Cidadania das partes, resguardando os 
direitos dos envolvidos, pois assim estará valorizando os seus próprios 
direitos de um verdadeiro profissional e acima de tudo, da sua pessoa. 
 Manual de Cidadania da Polícia Militar. (M-18-PM), Cap IV, 2.0, 4.4. PMESP, São Paulo: 1998. 
 
 
 
 
 - conduta do PM contemporâneo: 
O policial militar é um verdadeiro instrumento da defesa dos Direitos 
Humanos, uma vez que tem por missão constitucional a preservação da 
ordem pública, e a ofensa ilegal a esses direitos altera a ordem pública. 
... 
Enquanto para os cidadãos em geral o dever de lutar para o respeito aos 
Direitos Humanos é uma faculdade, para o policial militar é uma obrigação, 
uma vez que ele tem como missão constitucional à preservação da ordem 
pública. 
O policial militar é um permanente guardião dos Direitos Humanos, pois por 
vinte e quatro horas por dia, deve proteger as pessoas, prevenindo-as contra 
a criminalidade. 
Com essa obrigação, deve-se agir diante de qualquer ofensa aos direitos da 
pessoa, e isso implica em afirmar que cada policial militar é um guardião dos 
Direitos Humanos. 
Manual de Cidadania da Polícia Militar. (M-18-PM), Cap V, 1.0, 3.0. PMESP, São Paulo: 1998.

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