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Texto e Discurso

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DESCRIÇÃO
Este tema aborda o conceito de texto e discurso, bem como a distinção e a complementaridade
entre eles, além de apresentar uma caracterização dos gêneros textuais e alguns cuidados
necessários na produção e leitura de textos.
PROPÓSITO
Compreender o conceito de texto, discurso e gênero textual para identificar estratégias e
cuidados necessários à elaboração e à leitura de um texto.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Distinguir os conceitos de texto e de discurso
MÓDULO 2
Identificar aspectos da distinção entre texto e discurso na produção textual
MÓDULO 3
Reconhecer o conceito de gêneros textuais e suas implicações na leitura de textos
MÓDULO 1
 Distinguir os conceitos de texto e de discurso
INTRODUÇÃO
Todas as vezes em que você se comunica ou interage com alguém, há sempre uma intenção
ao falar ou ao escrever.
 
Imagem: Shutterstock.com
Dependendo dessa intenção ou da finalidade do ato de comunicação, haverá maneiras
diferentes de construir sua fala e sua escrita, ou seja, você acabará usando modos específicos
para se expressar ou interagir por meio da língua.
 
Imagem: Shutterstock.com
VEJAMOS A SEGUINTE SITUAÇÃO:
Imagine que Rodrigo chegou em casa ansioso por contar algo que aconteceu no trabalho, uma
situação ocorrida que lhe deu muita esperança de ser promovido.
 
Imagem: Shutterstock.com
Falamos e escrevemos com as mais diferentes intenções, adequando nosso ato de
comunicação a partir delas, por isso devemos concluir que há diversas formas de organizar o
discurso. Isso também implica dizer que existem diversos gêneros textuais, além daquelas
moda lidades que você deve ter aprendido na escola, como narração, descrição e
dissertação.
No diálogo acima, qual modalidade você acha que Rodrigo utilizou para contar o fato ocorrido?
NARRAÇÃO
DESCRIÇÃO
DISSERTAÇÃO
Ao contar o episódio, tentando mostrar as chances de ter uma promoção, ele utilizou aspectos
característicos da narração, que é um tipo específico de se organizar o discurso, assim como
nós também fazemos comumente no dia a dia.
Enquanto ele contava sua história, provavelmente nem se deu conta de elementos típicos da
narração, como: personagem, espaço, tempo etc.
FECHAR
Pense mais uma vez e tente novamente!
FECHAR
ENUNCIAÇÃO
O termo enunciação refere-se à atividade social e interacional em que a língua é colocada em
funcionamento por um enunciador (aquele que fala ou escreve), tendo em vista um
enunciatário (aquele para quem se fala ou se escreve).
FECHAR
Para compreender tudo isso e identificar possíveis aplicações no uso da língua, você
aprenderá os conceitos de discurso e de texto para, então, verificar como o conhecimento dos
diferentes gêneros textuais o ajudará a escrever e a ler melhor.
 
Imagem: Shutterstock.com
CONCEITO DE TEXTO E DISCURSO
Para distinguir texto e discurso, primeiramente é preciso conceituá-los, além de identificar a
utilidade dessa distinção. Mas, em vez de começar logo com uma definição, vamos pensar um
pouco sobre a prática, ou seja, vamos considerar uma situação concreta de uso da língua.
Imagine que alguém diga a um colega o seguinte:
 
Imagem: Shutterstock.com
A resposta "sei" provavelmente frustrou quem perguntou. A decepção ou mesmo o
estranhamento diante de tal resposta ocorre porque a intenção de quem pergunta não é obter
uma informação sobre o conhecimento ou não do horário, mas pedir um dado que traga
sentido, referência e clareza.
A INTENÇÃO DE QUEM PERGUNTA É UM
ELEMENTO FUNDAMENTAL NA ENUNCIAÇÃO,
ASSIM COMO A FORMA COM QUE O TEXTO É
RECEBIDO PELO ENUNCIATÁRIO.
O produto da enunciação é chamado enunciado. No campo dos estudos da linguagem, o
conceito de enunciação, assim como tantos outros, apresenta variações na forma como é
definido, conforme a abordagem teórica em que seja tomado.
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A enunciação está presente na maioria dos textos. No caso da nossa hipotética situação de
comunicação, pode-se imaginar a presença explícita dessa enunciação do seguinte modo:
 
Imagem: Shutterstock.com
ENUNCIAÇÃO
O termo enunciação refere-se à atividade social e interacional em que a língua é
colocada em funcionamento por um enunciador (aquele que fala ou escreve), tendo em
vista um enunciatário (aquele para quem se fala ou se escreve).
 
Imagem: Shutterstock.com
É possível que um texto não explicite as intenções do autor, ou seja, a enunciação pode estar
implícita. Nesse caso, será preciso ouvir ou ler o texto, entendê-lo e perceber as intenções do
autor. Teremos, então, uma decodificação desse texto.
Além da intenção, que pode estar implícita ou explícita na interação por meio da linguagem,
temos sujeitos que interagem em determinado tempo ou contexto a partir de um texto ou
mensagem.
OS ASPECTOS RELACIONADOS COM A
PESSOA (QUEM FALA/OUVE OU QUEM
ESCREVE/LÊ) E COM O TEMPO (EM QUE
MOMENTO OU CONTEXTO A COMUNICAÇÃO SE
DÁ) TAMBÉM FAZEM PARTE DA ENUNCIAÇÃO.
 
Imagem: Shutterstock.com
Mesmo que esses aspectos nem sempre estejam explicitados ou claros no texto, a produção
textual envolve os seguintes elementos da enunciação:
 
Imagem: Shutterstock.com
 
Imagem: Shutterstock.com
A partir dessa abordagem inicial sobre enunciação, vamos a uma primeira caracterização de
texto e de discurso. Segundo Abreu (2004), podemos dizer que:
 
Imagem: Shutterstock.com
O texto é um produto da enunciação, estático, definitivo e, muitas vezes, com algumas marcas
da enunciação que nos ajudarão na tarefa de decodificá-lo.
 
Imagem: Shutterstock.com
O discurso, por sua vez, é dinâmico: principia quando o emissor realiza o processo de
codificação e só termina quando o destinatário cumpre sua tarefa de decodificá-lo. Por isso,
também se afirma que o discurso é histórico.
Quando um texto é escrito, finalizado pelo seu autor, pode ser considerado algo acabado e
estático. No entanto, o discurso teve seu início juntamente com o texto e vai se completando à
medida que o texto vai sendo lido por seus leitores. Por isso, Abreu (2004) nos diz que o
discurso é sempre dinâmico e pode ser repetido infinitamente, sempre de formas
diferentes, dependendo do repertório de seus leitores.
AS CONCEPÇÕES DE TEXTO E DE DISCURSO
NOS PERMITEM, ENTÃO, MAIS DO QUE FAZER
UMA DISTINÇÃO, PERCEBER QUE ELES SÃO
COMPLEMENTARES.
Por isso, podemos afirmar: Discurso é o texto em atividade comunicativa; vindo a público
e se realizando. É bom observar que o texto pode ser escrito ou oral, embora enfatizemos na
maioria das vezes o texto escrito. O discurso também pode se realizar tanto a partir de um
texto escrito quanto de um texto oral.
 ATENÇÃO
Não confunda discurso com a fala de um orador!
O professor Luís Cláudio Dallier e o linguista Antônio Suárez Abreu retomam o conceito de
texto e discurso com alguns exemplos práticos.
Vídeo com libras
Podemos, então, concluir que todas as vezes que escrevemos ou falamos temos um texto que
se realiza como discurso. Isso acontece porque quem fala e escreve tem uma intenção ou
objetivo contido na mensagem e até na forma de comunicá-la. Quem ouve e lê precisa decifrar
(compreender) a mensagem e a sua intenção a partir do próprio conhecimento de mundo e,
claro, do próprio texto.
Mas, você pode se perguntar:
PARA QUE SERVE DEFINIR TEXTO E DISCURSO, 
ALÉM DE FAZER A DISTINÇÃO ENTRE ELES?
QUAL A UTILIDADE DESSES CONCEITOS?
Essas perguntas são muito importantes e serão respondidas na continuidade deste tema. Mas
antes, verifique se você de fato aprendeu o que é um texto e um discurso realizando a
atividade a seguir.
 
Imagem: Shutterstock.com
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. A ENUNCIAÇÃO É UM CONCEITO IMPORTANTE PARA COMPREENDER
O QUE É UM DISCURSO, ALÉM DA DISTINÇÃO E COMPLEMENTARIDADE
ENTRE TEXTO E DISCURSO. SOBRE A ENUNCIAÇÃO, É CORRETO
AFIRMAR QUE:
A) Refere-se à atividade social e interacional em que a língua é colocada em funcionamento
por um enunciador (aquele que fala ou escreve), tendo em vista um enunciatário (aquele para
quem se fala ou se escreve), produzindo um enunciado.B) A intenção tem pouca importância na produção do texto e, consequentemente, na forma
como ele será lido.
C) O produto da enunciação é chamado enunciatário.
D) O produto da enunciação é chamado enunciatário.
E) No campo dos estudos da linguagem, assim como tantas outras noções, a de enunciação
apresenta uma única forma de ser apresentada, sendo resumida a dois elementos: enunciador
e enunciatário.
2. TEXTO E DISCURSO SÃO CONCEITOS QUE DEVEM SER
COMPREENDIDOS COMO DISTINTOS E AO MESMO TEMPO
COMPLEMENTARES PORQUE:
A) O texto é a parte abstrata e o discurso é a parte concreta.
B) O texto é escrito e o discurso é oral.
C) O discurso é o texto em atividade comunicativa, vindo a público e se realizando.
D) O texto é dinâmico e indefinido enquanto o discurso é estático e definitivo.
E) O texto pode ser repetido infinitamente, sempre de formas diferentes, dependendo da
bagagem cultural de seus leitores, já o discurso pode ser considerado algo acabado e estático.
GABARITO
1. A enunciação é um conceito importante para compreender o que é um discurso, além
da distinção e complementaridade entre texto e discurso. Sobre a enunciação, é correto
afirmar que:
A alternativa "A " está correta.
 
A intenção de quem pergunta é um elemento fundamental na enunciação, assim como a
forma com que o texto é recebido pelo enunciatário. O termo enunciação refere-se à atividade
social e interacional em que a língua é colocada em funcionamento por um enunciador (aquele
que fala ou escreve), tendo em vista um enunciatário (aquele para quem se fala ou se
escreve). O produto da enunciação é chamado enunciado. No campo dos estudos da
linguagem, o conceito de enunciação, assim como tantos outros, apresenta variações na forma
como é definido, conforme a abordagem teórica em que seja tomado.
2. Texto e discurso são conceitos que devem ser compreendidos como distintos e ao
mesmo tempo complementares porque:
A alternativa "C " está correta.
 
O texto é um produto da enunciação, estático, definitivo. O discurso, por sua vez, é dinâmico:
principia quando o emissor realiza o processo de codificação e só termina quando o
destinatário cumpre sua tarefa de decodificá-lo. O discurso é histórico. Quando um texto é
escrito, finalizado pelo seu autor, pode ser considerado algo acabado e estático. No entanto, o
discurso teve seu início juntamente com o texto e vai se completando à medida que o texto vai
sendo lido por seus leitores. Por isso, o discurso “é sempre dinâmico e pode ser repetido
infinitamente, sempre de formas diferentes, dependendo do repertório de seus leitores”.
MÓDULO 2
 Identificar aspectos da distinção entre texto e discurso na produção textual
CUIDADOS NA ELABORAÇÃO DO TEXTO
Compreender a relação entre texto e discurso deve levá-lo a determinados cuidados na
produção do texto e na sua leitura.
Em relação à leitura, você deve lembrar que o discurso é um conceito relacionado com as
intenções presentes no texto (de forma explícita ou implícita) e outros elementos da
comunicação como:
Quem escreve;
Quem lê;
Em que contexto o texto foi produzido;
O momento em que o texto é lido.
 
Imagem: Shutterstock.com
Isso quer dizer que o discurso é algo situado, ou seja, ele é produzido por alguém, com
determinada intenção, em algum contexto e tendo em vista o interlocutor.
PARA A COMPREENSÃO OU INTERPRETAÇÃO
ADEQUADA DO TEXTO, 
SERÁ PRECISO CONSIDERAR TAMBÉM ESSES
ELEMENTOS OU ASPECTOS, 
MUITAS VEZES ESCONDIDOS NAS
ENTRELINHAS.
O linguista Antônio Suárez Abreu fala sobre cuidados na elaboração do texto a partir da noção
de discurso.
Vídeo com libras
 
Imagem: Shutterstock.com
Você certamente percebeu o quão importante é a construção do discurso e a relevância de
refletir sobre ele. Mas sejamos um pouco mais práticos, trataremos agora da elaboração do
texto.
 
Imagem: Shutterstock.com
ELABORAÇÃO DO TEXTO
Ao elaborar um texto, você deve ter em mente que não escreve para si mesmo, pois seu texto
é produzido para que outros o leiam, ele se transformará em discurso. Por isso, deve haver
cuidado na elaboração, na forma pela qual suas intenções estarão marcadas ou presentes na
mensagem.
Se escrevemos e falamos para que outros nos entendam ou mesmo atendam aos objetivos de
nossa comunicação, precisamos nos esforçar para irmos além da simples expressão do que
temos em mente. Isso tem a ver com um importante mecanismo da comunicação, que foi
resumido pelo professor Blikstein (1990), em seu livro Técnicas de comunicação escrita, da
seguinte forma.
Os princípios do mecanismo da comunicação seriam:
I
Toda comunicação escrita deve gerar uma resposta a uma determinada ideia ou necessidade
que temos em mente.
II
A comunicação escrita será correta e eficaz se produzir uma resposta igualmente correta.
III
Resposta correta é a que esperamos, isto é, aquela que corresponde à ideia ou necessidade
que temos em mente.
IV
Para avaliarmos a correção e a eficácia de uma comunicação escrita, temos que verificar
sempre se houve uma resposta e se ela corresponde à ideia ou necessidade que queremos
passar ao leitor.
Veja o exemplo:
 
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É preciso, então, cuidado em relação a vários aspectos no uso da língua nas situações de
comunicação.
Vejamos três deles:
1. VOCABULÁRIO
 
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Preferir palavras e expressões que, além de expressar o que pensamos, ajudem o leitor ou
ouvinte a identificar a nossa intenção ou o objetivo do texto. Palavras pouco conhecidas ou
rebuscadas, termos técnicos e vocabulário restrito a uma área diferente da do nosso
interlocutor podem oferecer alguma dificuldade.
O vocabulário sempre deve estar adequado ao contexto em que comunicamos nossa
mensagem e ao nosso interlocutor. Se precisarmos usar alguma palavra difícil ou pouco
conhecida, é recomendável que ela venha acompanhada de alguma explicação, evitando
deixar o texto pedante ou pretencioso. Não é um vocabulário excessivamente formal ou com
preciosismos que vai demonstrar nosso domínio da língua.
 
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2. ADEQUAÇÃO DA LINGUAGEM ÀS SITUAÇÕES
E AOS LEITORES QUE TEMOS EM VISTA
O estilo e o nível de linguagem que usamos em nossa escrita ou fala devem estar adequados
ao contexto da comunicação, ao objetivo ou à intenção da nossa mensagem e ao interlocutor
(o receptor, a pessoa com quem nos comunicamos):
 
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Se o objetivo, por exemplo, for escrever um manual com procedimentos e orientações para o
uso de um celular, o texto deverá ter um estilo que respeite a língua culta, mas que será
simples, objetivo e claro, com predomínio de verbos no imperativo ou infinitivo, além de
descrições e outras características desse gênero textual.
 
Imagem: Shutterstock.com
Se escrevermos um bilhete ou enviarmos um recado por um aplicativo de mensagens,
usaremos uma linguagem mais coloquial, um tom pessoal e talvez algumas abreviaturas, entre
outras características.
Mais adiante você aprenderá outros aspectos importantes na produção e na elaboração do
texto em função de seu gênero.
3. CONSTRUÇÃO DAS FRA SES E CORREÇÃO
GRAMATICAL
Organizar cada parágrafo do texto, os períodos e as frases que o compõem é uma forma de
deixar o texto claro, coeso e coerente.
 
Imagem: Shutterstock.com
Escrever e falar sem incorreções gramaticais também contribui para o melhor entendimento da
mensagem, além de dar credibilidade ao autor em virtude do seu domínio da língua padrão. Há
outros cuidados na elaboração do texto que destacamos para ajudá-lo a escrever melhor. São
aspectos que o ajudarão a perceber características que devem estar presentes em todos os
textos e, além disso, a aprender uma outra forma de definir o que é um texto.
Vamos, então, conhecer quatro importantes recomendações que você precisa considerar ao
escrever e ao ler um texto:
NÃO CONFUNDA TEXTO COM A MERA SOMA OU
AGLOMERADO DE FRASES
Um texto deve ser um todo orgânico com encadeamentos que interliguem as suas partes. Isso
im plica,na leitura, que não devemos tomar as frases ou partes do texto isoladamen te, sem
considerar o seu contexto.
Se o texto é um todo orgânico, então sua com preensão não pode se basear apenas em um
fragmento isolado do contexto.
DELIMITE O SEU TEXTO!
Os professores Platão e Fiorin (2003) nos lembram em seu livro Para entender o texto que o
texto deve ser “delimitado por dois espaços de não sentido, dois brancos, um antes de
começar o texto e ou tro depois”, ou seja, tem início e fim, está delimitado num determinado
espaço. Isso implica uma organização textual. Se o texto é uma unidade, ele deve ter começo,
meio e fim.
FAÇA COM QUE SEU TEXTO SEJA UM GERADOR DE
SENTIDO
O que você escreve tem que fazer sentido para quem vai ler. Caso isso não aconteça, não se
produzirá um discurso, o texto não se realizará.
Os sentidos têm de ser marcados pela coerência; devem ser, também, confirmados a partir de
seu contexto.
ESTEJA ATENTO A ELEMENTOS DO CONTEXTO
DURANTE A PRODUÇÃO
De acordo com Platão e Fiorin (2003), o texto é o produto de um sujeito que pertence “a um
grupo social num tempo e num espaço”, alguém que expõe em seus textos as ideias, os
anseios, os temores, as expectativas de seu tempo e de seu grupo social.
Assim, é necessário entender as concepções existentes na época e na sociedade em que o
texto foi produzido para não correr o risco de compreendê-lo de maneira distorcida.
Esses cuidados na elaboração do texto correspondem a uma forma de entender o que é um
texto. Por isso, é hora de apresentar a seguinte definição: O texto é um todo orgânico
gerador de sentido. Essa definição nos ajuda a perceber que um texto tem que fazer sentido
e possui princípio e fim, mesmo que ele seja um texto muito pequeno.
 
Imagem: Shutterstock.com
Imagine que alguém, diante de um princípio de incêndio, grite: FOGO.
 
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Ou vamos supor que uma professora, diante de uma sala de aula muito barulhenta, escreva
numa lousa a palavra: SILÊNCIO.
Nos dois casos temos um exemplo de texto, por menor que seja sua estrutura. Isso acontece
porque nessas situações de comunicação existe uma unidade linguística delimitada e que
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produz sentido a partir da intenção de quem fala ou escreve.
 
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LINGUÍSTICA
Estudo científico da linguagem e das línguas naturais. A utilização deste termo depende
das perspectivas metodológicas, das teorias e das disciplinas que estudam os diferentes
fenômenos.
Fonte: Portal da língua portuguesa.
Compreender que o texto é um todo orgânico que produz sentido também traz como
desdobramento estabelecer correspondência e articulação entre suas partes. As frases não
podem ser soltas ou simplesmente amontoadas numa sequência sem sentido e sem unidade.
 DICA
A palavra TEXTO está relacionada, emsua origem, com a palavra TECIDO. Daí que podemos
falar na "tecitura de um texto",em "tecer um texto". É preciso tecer os fios, ou tecer as palavras,
de tal forma que o texto se apresente coeso e orgânico: uma unidade articulada.
O processo de articulação do texto, que permite a integração entre suas partes, é chamado de
encadeamento semântico (semântico = sentido). Ele é que produz a textualidade ou a “trama
semântica”. A coesão, segundo Abreu (1999), é exatamente esse processo de encadeamento
que produz a textualidade, que cuida da estruturação da sequência superficial do texto.
Conforme nos ensinam Platão e Fiorin (2003), podemos também dizer que a coesão textual é a
ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões ou frases do texto, por meio
de “elementos formais que assinalam o vínculo entre os componentes do texto”. Quando um
conteúdo escrito apresenta repetições desnecessárias, retomando uma palavra ou ideia
sempre com o mesmo termo, temos um caso de falta de coesão. O exemplo a seguir, retirado
do livro Curso de redação, do professor Antônio Suarez Abreu, é uma boa oportunidade para
verificar a falta de coesão num texto.
 
Imagem: Shutterstock.com
Se você levar em conta que o termo “revendedoras de automóveis” pode ser substituído por
agência, concessionária ou loja, e “automóveis” pode ser substituído por carros, veículos,
produto ou mercadoria, é possível reescrever o texto estabelecendo a coesão. Veja:
 
Imagem: Shutterstock.com
Perceba que, além de evitar a repetição de “revendedoras de automóveis” e da palavra
“automóveis”, substituindo esses termos por sinônimos, foram utilizados mecanismos de
coesão como a elipse, ou seja, omissão de um termo.
Nesse exemplo, na oração desiste de comprar o automóvel, foi omitido o complemento da
forma verbal “desiste”, sem prejuízo à compreensão do texto. Também se substituiu o termo
“os automóveis” na frase para vender os automóveis mais caro pelo pronome oblíquo átono
junto ao verbo vender: “para vendê-los mais caro”. Outro mecanismo de coesão utilizado foi a
retomada do termo “revendedora de automóveis” valendo-se de um advérbio, no caso, o
advérbio de lugar “lá”: “o cliente vai lá...”. Há diversas outras formas de articular as partes de
um texto, as sentenças ou frases que formam cada período ou parágrafo, garantindo a coesão
textual.
Se queremos, por exemplo, articular duas sentenças com o sentido de oposição, podemos usar
conectores ou articuladores como:
Mas
Porém
Contudo
No entanto
Todavia
Se a ideia for articular sentenças diferentes com o sentido de causalidade, usaremos
articuladores como:
Porque
Uma vez que
Já que
Visto que
Devido a
Por causa de
Veja o exemplo a seguir:
A DIRETORA DA ESCOLA CONVOCOU OS PAIS
E OS RESPONSÁVEIS DOS ALUNOS PARA UMA
REUNIÃO ONTEM À TARDE, PORÉM POUCOS
COMPARECERAM, JÁ QUE UMA FORTE CHUVA
INUNDOU OS PRINCIPAIS ACESSOS AO
COLÉGIO.
Perceba que duas informações iniciais estão articuladas com a ideia de oposição: a
convocação e o não comparecimento de quem foi convocado. Em seguida, apresenta-se a
causa para o não comparecimento: a forte chuva. A coesão também se manifesta ao se evitar
a repetição desnecessária da expressão “os pais e os responsáveis” na oração: porém
poucos compareceram, além de se retomar o termo “escola” pelo sinônimo “colégio” na
última oração.
 
Imagem: Shutterstock.com
Confira outras explicações e exemplos sobre coesão textual com o linguista Antônio Suárez
Abreu.
Vídeo com libras
 
Imagem: Shutterstock.com
DICA!
O Quiz de Português é um aplicativo de perguntas e respostas que abrangem as divisões da
gramática e as regras gerais de construção textual, como os recursos de coerência e coesão.
É voltado para todos que querem melhorar ou apenas testar o seu conhecimento na língua
portuguesa, além de educadores e alunos da área.
Baixe nas versões:
 
Imagem: Shutterstock.com
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VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. COMPREENDER QUE O TEXTO É UM TODO ORGANIZADO QUE
PRODUZ SENTIDO IMPLICA AFIRMAR QUE, NA LEITURA E NA
PRODUÇÃO TEXTUAL, É RECOMENDÁVEL:
A) Basear a leitura em fragmentos e partes isoladas do texto, sem levar em conta o contexto.
B) Não identificar como texto aquelas produções muito curtas, de apenas uma única palavra,
como no exemplo em que alguém grita “Fogo!”, diante de um princípio de incêndio.
C) Estabelecer correspondência e articulação entre as partes do texto, pois as frases não
podem ser soltas ou simplesmente amontoadas numa sequência sem sentido e sem unidade.
D) Dar pouca ou mesmo nenhuma importância à forma com que o leitor vai receber o texto.
E) Não delimitar o texto escrito num determinado espaço, pois a organização textual pouco
importa.
2. O TEXTO BEM ESCRITO DEVE TER SUAS PARTES ARTICULADAS
ADEQUADAMENTE, OU SEJA, DEVE TER A MARCA DA COESÃO
TEXTUAL. NO TEXTO ABAIXO, HÁ GRAVES PROBLEMAS DE COESÃO
TEXTUAL.
A DIRETORA DA ESCOLA CONVOCOU OS PAIS E OS RESPONSÁVEIS
DOS ALUNOS DA ESCOLA PARA UMA REUNIÃO DE PAIS E
RESPONSÁVEIS DOS ALUNOS ONTEM À TARDE, POR ISSO POUCOS
COMPARECERAM, PORÉM, UMA FORTE CHUVA INUNDOU OS
PRINCIPAIS ACESSOS AO COLÉGIO.
 
 
ASSINALE AALTERNATIVA QUE APRESENTA O RESTABELECIMENTO
DA COESÃO TEXTUAL.
A) A diretora convocou para uma reunião ontem à tarde, pois uma forte chuva inundou os
acessos à escola, uma vez que poucos compareceram.
B) A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos da escola para uma
reunião ontem à tarde na escola, mas poucos pais e responsáveis dos alunos da escola
compareceram, porque uma forte chuva inundou os principais acessos à escola.
C) A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos para uma reunião
ontem à tarde, porque poucos compareceram, mas uma forte chuva inundou os principais
acessos ao colégio.
D) Uma vez que a diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos para uma
reunião ontem à tarde, poucos compareceram, porém, uma forte chuva inundou os principais
acessos ao colégio.
E) A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos para uma reunião
ontem à tarde, mas poucos compareceram devido a uma forte chuva que inundou os principais
acessos ao colégio.
GABARITO
1. Compreender que o texto é um todo organizado que produz sentido implica afirmar
que, na leitura e na produção textual, é recomendável:
A alternativa "C " está correta.
 
A opção A está incorreta porque a leitura do texto não deve se basear em fragmentos ou partes
isoladas, sem levar em conta o contexto. As alternativas B e E estão incorretas porque textos
não se definem por serem grandes ou pequenos, mas por serem delimitados em algum espaço
e produzirem sentido. A opção D está incorreta porque a forma pela qual o leitor recebe o texto
tem sua importância na produção textual. A resposta correta é a C por primar pela coesão
textual.
2. O texto bem escrito deve ter suas partes articuladas adequadamente, ou seja, deve ter
a marca da coesão textual. No texto abaixo, há graves problemas de coesão textual.
A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos da escola para uma
reunião de pais e responsáveis dos alunos ontem à tarde, por isso poucos
compareceram, porém, uma forte chuva inundou os principais acessos ao colégio.
 
 
Assinale a alternativa que apresenta o restabelecimento da coesão textual.
A alternativa "E " está correta.
 
A alternativa correta é a única que apresenta uma versão do texto em que as repetições
desnecessárias são evitadas, o sentido de oposição entre a primeira e a segunda parte é
estabelecido e a articulação com sentido de causa e efeito é recuperada entre o último e o
segundo período.
MÓDULO 3
 Reconhecer o conceito de gêneros textuais e suas implicações na leitura de textos
GÊNEROS TEXTUAIS
Você já aprendeu que, ao falar ou escrever, a intenção e outros aspectos se fazem presentes
no ato comunicativo, correspondendo a um modo característico de construção do discurso.
Esse modo específico de organizar o discurso se constitui num conjunto de características
relativamente estáveis, configurando diferentes textos ou gêneros textuais.
A noção de gêneros textuais foi desenvolvida por um pensador russo, Bakhtin (1895-1975), no
começo do século XX. Ele usou a palavra gêneros para se referir aos textos orais ou escritos
que elaboramos nas diversas situações de comunicação.
 
Imagem: Shutterstock.com
EXEMPLOS
Um bilhete que alguém deixa para sua mãe, uma piada que se conta na mesa de um bar, uma
ata redigida durante uma reunião ou um artigo de opinião publicado nas redes sociais são
exemplos de gêneros textuais, pois apresentam um conjunto de caracte rísticas
sociocomunicativas e uma estrutura específica.
SOCIOCOMUNICATIVAS
Diz-se daquilo que está inserido em um contexto social e tem função comunicativa.
Enquanto ele contava sua história, provavelmente nem se deu conta de elementos típicos
da narração, como: personagem, espaço, tempo etc.
Há gêneros textuais que são típicos da vida acadêmica. Se você tiver que apresentar os
resultados de um trabalho acadêmico ou de uma pesquisa realizada ao final do curso,
provavelmente terá de escrever uma monografia ou um artigo acadêmico, que constituem
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também exemplos de gêneros textuais. Caso queira apresentar os resultados de uma visita
técnica ou de uma inspeção que tenha rea lizado, poderá elaborar um relatório, outro exemplo
de gênero textual. O e-mail enviado a um colega também faz parte de um gênero textual. A
lista de exemplos poderia se estender bastante.
 
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Conforme conceituado por Marcuschi (2002), os gêneros textuais são os textos
materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características
sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e
composição característica.
Agora que você já sabe o que é um gênero textual, tenha cuidado para não cair numa confusão
muito comum que alguns estudantes fazem entre gêneros e tipos tex tuais. Para ajudá-lo a
compreender a diferença entre eles, veja o quadro a seguir:
TIPOS
TEXTUAIS
GÊNEROS TEXTUAIS
Definem-se por propriedades
linguís ticas que vão
caracterizar os gêneros:
vocabulário, relações lógicas,
tempos verbais, construções
frasais etc.
São realizações linguísticas concretas definidas por
propriedades sociocomunicativas, ou seja, dentro
de um contexto cultural e com função
comunicativa.
Exemplos: narração, Exemplos: telefonema, sermão, carta comercial,
argumentação, descrição,
injunção (ordem) e exposi ção
(texto informativo).
carta pessoal, aula expositiva, romance, reunião de
condomínio, lista de compras, conversa
espontânea, entrevistas, cardápio, receita culinária,
inquérito policial, blog, e-mail etc.
Podem variar entre cinco e
nove tipos.
Correspondem a um conjunto pratica mente
ilimitado de características deter minadas pelo estilo
do autor, conteúdo, composição e função.
(Fonte: Marcuschi, 2002)
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
De certo modo, nossa experiência de estudo da língua portuguesa na escola está mais
relacionada com os tipos de textos, também denominados tipos textuais. Mas precisamos ter
cuidado para não achar que escrever ou ler um texto se resume a compreender os aspectos
gramaticais e linguísticos relacionados com um número limitado de tipos textuais.
 
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Os gêneros textuais podem ser tanto escritos quanto orais. Há gêneros textuais que são bem
tradicionais, como os sermões, as cartas e os diários pessoais.
Por exemplo:
Numa carta pessoal encontraremos um remetente escrevendo a um destinatário sobre
assuntos variados, numa linguagem mais afetiva, estilo menos formal e, às vezes, num tom
confessional.
Já numa carta comercial, a finalidade da mensagem impõe linguagem e aspectos formais como
a disposição da data e do local; a maneira de se dirigir ao destinatário (como escrever o
vocativo ou que forma de tratamento escolher); uso de expressões características da área ou
até mesmo jargões profissionais; a forma de o remetente assinar etc.
Outros gêneros são mais recentes, resultado das tecnologias digitais. O e-mail, por exemplo, é
um gênero textual digital que nos remete às cartas ou aos bilhetes, enquanto o blog se
aproxima mais dos diários pessoais ou mesmo das crônicas.
UM GÊNERO TEXTUAL PODE CONTER
DIFERENTES TIPOS TEXTUAIS.
Vejamos a seguinte situação:
Vamos supor que você tenha uma página e poste um texto sobre uma viagem que tenha
realizado. Provavelmente haverá um trecho com relato de algum “perrengue” pelo qual você
tenha passado (narração), outra parte com detalhes dos brinquedos de um parque sensacional
que você conheceu (descrição) e, ao final, a defesa da ideia de que viajar é uma das melhores
coisas da vida (argumentação). Nesse exemplo, a postagem contém texto narrativo, descritivo
e argumentativo.
 
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Vamos praticar?
Que tal ir a alguma de suas redes sociais e fazer dois posts? Em um deles, utilize os seguintes
tipos textuais: narração, descrição e argumentação. No outro, escolhaapenas uma dessas
tipologias.
Em seguida, avalie qual dos dois posts produziu mais interações, como likes e comentários.
 
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Todas essas informações e exemplos sobre os gêneros textuais servem para deixar muito claro
que deveremos ter estratégias de leitura adequadas a cada gênero textual, pois eles possuem
estrutura, intenções e estilos próprios.
 
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Uma estratégia adequada de leitura passa pela expectativa correta em relação ao texto ou seu
gênero textual. Um leitor competente deve possuir conhecimentos prévios sobre cada gênero
textual para identificar no texto características próprias de cada gênero. Você não deve ler um
e-mail como lê um blog. A prática de leitura de um romance é distinta da leitura de uma notícia
ou de um artigo no jornal. Não se deve ouvir um sermão na Igreja do mesmo modo que se
ouve alguém numa conversa ao telefone.
Quando lemos um texto, precisamos identificar o gênero textual ao qual ele pertence. Ninguém
deve procurar instruções sobre procedimentos e informações precisas num gênero textual
como o conto ou o poema, assim como não se deve ler uma receita culinária procurando
expressões poéticas sobre os sentimentos ou mesmo tentando entender algum enredo de uma
história.
Vejamos um exemplo de gênero textual: o anúncio publicitário.
 
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Um gênero textual como o anúncio publicitário, por exemplo, tem como intenção influenciar o
leitor, persuadi-lo a consumir determinado produto ou levá-lo a aderir ao que está sendo
anunciado. Para atrair a atenção e a adesão do leitor, além de usar verbos no imperativo e
trabalhar com efeitos criativos como os de humor ou de ironia, as mensagens publicitárias se
valem de elementos visuais e outros recursos para “fisgar” o leitor.
 
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O efeito que a peça publicitária provoca está relacionado não somente com o risco no trânsito,
ao se dirigir sob efeito do álcool, mas se vincula ao próprio contexto do carnaval. A campanha
vai além do mote “Se beber, não dirija!” para mostrar que o incentivo a brincar no carnaval não
se aplica ao brincar no volante.
Esse tipo de cuidado em relação ao gênero textual pode ajudar a evitar interpretações
equivocadas na leitura de um texto.
 ATENÇÃO
Não se deve buscar uma verdade ou fato histórico num texto ficcional, como no caso de um
romance, já num texto científico ou numa buladeremédio, não é apropriada uma leitura
imaginativa e de entretenimento.
Ao ler uma anedota ou piada, nossa expectativa deve ser encontrar algum efeito de humor. Ao
ler o manual de um celular, devemos esperar descrições objetivas das características do
aparelho, assim como procedimentos sobre sua utilização.
Alguns textos que pertencem a determinado gênero apresentam uma configuração típica de
outro gênero textual, ou seja, assumem a forma de outro gênero buscando maior impacto
sobre o leitor ou efeitos que não são tão comuns. O nome que se dá a essa fusão de gêneros
textuais é intergenericidade ou intertextualidade de gêneros.
PARA ENTENDER MELHOR O ASSUNTO, VEJA
ALGUNS EXEMPLOS DE INTERGENERICIDADE.
 
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VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. OS GÊNEROS TEXTUAIS DEVEM SER CORRETAMENTE
IDENTIFICADOS COM:
A) Textos presentes em nosso dia a dia e que apresentam características sociocomunicativas
definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica.
B) Um conjunto limitado de características deter minadas por propriedades linguísticas e
gramaticais.
C) A classificação que tipifica os textos em narração, descrição, argumentação, injunção e
exposição.
D) Os textos exclusivamente produzidos por meio da escrita.
E) Os textos exclusivamente orais.
2. 6. (ENEM 2013) 
 
A DIVA 
VAMOS AO TEATRO, MARIA JOSÉ? 
QUEM ME DERA, 
DESMANCHEI EM ROSCA QUINZE KILOS DE FARINHA, 
TOU PODRE. OUTRO DIA A GENTE VAMOS. 
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FALOU MEIO TRISTE, CULPADA, 
E UM POUCO ALEGRE POR RECUSAR COM ORGULHO. 
TEATRO! DISSE NO ESPELHO. 
TEATRO! MAIS ALTO, DESGRENHADA. 
TEATRO! E OS CACOS VOARAM 
SEM NENHUM APLAUSO. 
PERFEITA. 
 
(PRADO, A. ORÁCULOS DE MAIO. SÃO PAULO: SICILIANO, 1999) 
 
OS DIFERENTES GÊNEROS TEXTUAIS DESEMPENHAM FUNÇÕES
SOCIAIS DIVERSAS, RECONHECIDAS PELO LEITOR COM BASE EM
SUAS CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS, BEM COMO NA SITUAÇÃO
COMUNICATIVA EM QUE ELE É PRODUZIDO. ASSIM, O TEXTO A DIVA:
A) Narra um fato vivido por Maria José.
B) Surpreende o leitor pelo seu efeito poético.
C) Relata uma experiência teatral profissional.
D) Descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora.
E) Defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral.
GABARITO
1. Os gêneros textuais devem ser corretamente identificados com:
A alternativa "A " está correta.
 
As opções B e C correspondem a características dos tipos textuais. As alternativas D e E estão
incorretas porque os gêneros textuais se realizam tanto em textos escritos quanto em orais.
2. 6. (ENEM 2013) 
 
A diva 
Vamos ao teatro, Maria José? 
Quem me dera, 
desmanchei em rosca quinze kilos de farinha, 
tou podre. Outro dia a gente vamos. 
Falou meio triste, culpada, 
e um pouco alegre por recusar com orgulho. 
TEATRO! Disse no espelho. 
TEATRO! Mais alto, desgrenhada. 
TEATRO! E os cacos voaram 
sem nenhum aplauso. 
Perfeita. 
 
(PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, 1999) 
 
Os diferentes gêneros textuais desempenham funções sociais diversas, reconhecidas
pelo leitor com base em suas características específicas, bem como na situação
comunicativa em que ele é produzido. Assim, o texto A diva:
A alternativa "B " está correta.
 
A cena descrita no poema narrativo A diva leva o leitor a imaginar a experiência teatral através
do diálogo expresso no texto. Ao chegar ao final do poema, o leitor é surpreendido pela função
poética, que transforma a simples Maria José em uma diva pela sua atuação dramática
espontânea.
CONCLUSÃO
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ABREU, A. S. Curso de redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2005.
ASSIS, J. A. Enunciação, enunciado. In: Glossário CEALE. Universidade Federal de Minas
Gerais, s/d.
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980.
BLIKSTEIN, I. Técnicas de comunicação escrita. 8. ed. São Paulo: Ática, 1990.
FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. 8. ed. São Paulo: Ática: 1998.
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 12 ed. São Paulo: Ática, 1996.
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Lições de texto: leitura e redação. 4 ed. São Paulo: Ática, 2001.
MARCUCSHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. P.;
MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Orgs.). Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro:
Lucerna, 2002. p. 19-36.
POSSENTI, S. Discurso. In: Glossário CEALE. Universidade Federal de Minas Gerais, s/d.
PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, 1999.
ROJO, R. Gêneros e tipos textuais. In: Glossário CEALE. Universidade Federal de Minas
Gerais, s/d.
EXPLORE+
Quer se aprofundar na compreensão dos gêneros textuais, conhecer mais exemplos e
entender como eles se realizam inclusive a partir das tecnologias digitais? Então leia o
artigo Gêneros textuais: definição e funcionalidade do professor e linguista Luiz
Antônio Marcuschi.
Você pode aprender mais sobre a articulação entre as partes de um texto estudando
alguns mecanismos de coesão textual.
CONTEUDISTA
Luis Cláudio Dallier Saldanha
 CURRÍCULO LATTES
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