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Capitulo 4 Poder Constituinte

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PROJETO DELTA – CADERNO DE RESUMO – DIREITO CONSTITUCIONAL 
Capitulo 4 – Poder Constituinte 
 Poder Constituinte Originário 
É responsável pela escolha e formalização do conteúdo das normas constitucionais. O adjetivo originário é 
empregado para diferenciar o poder criador de uma nova constituição daqueles instituídos para alterar o seu texto 
ou elaborar as constituições dos estados membros da federação. O PCO pode ser definido, portanto, como um 
poder político, supremo e originário, responsável por estabelecer a constituição de um estado 
I. Espécies 
A. Quanto ao modo de deliberação constituinte 
a. Poder constituinte Concentrado (ou demarcado) – quando o surgimento da constituição resulta da 
deliberação formal de um grupo de agentes, como no caso das constituições escritas; 
b. Poder constituinte difuso – quando a constituição é resultante de um processo informal em que a criação 
ou modificação de suas normas ocorre a partir da tradição de uma determinada sociedade ou de mutação 
constitucionais realizadas por meio da intepretação conferida aos dispositivos pelos tribunais. 
B. Quanto ao momento de manifestação 
a. Histórico – o responsável pelo surgimento da 1ª Constituição de um estado; ou 
b. Revolucionário – o que elabora as constituições posteriores a partir de uma revolução ou de transição 
constitucional. 
C. Quanto ao papel na elaboração do documento constitucional 
O poder constituinte costuma ser dividido em duas espécies complementares, e não antagônicas. São eles: 
a. Poder constituinte material – é o responsável por definir o conteúdo fundamental da constituição, 
elegendo valores a serem consagrados e a ideia de direito que irá prevalecer; 
b. Poder constituinte formal – atuam em momento posterior ao poder constituinte material, sendo 
responsável pela formalização das escolhas políticas no plano normativo. 
O poder constituinte material precede o formal sob 2 aspectos: (i) logicamente, porque a ideia de direito precede 
a regra do direito; o valor comanda a norma; a opção política fundamental, a forma que elege para agir sobre os 
fatos; a legitimidade, a legalidade; e (ii) historicamente posto que o triunfo de certa ideia de direito ou nascimento 
de certo regime ocorre antes de sua formalização. 
II. O fenômeno constituinte 
O fenômeno constituinte pode se manifestar em diferentes situações. A elaboração da constituição pode ser 
decorrente do surgimento de um novo estado ou de algum fato suficientemente relevante para causar a ruptura 
com a ordem jurídica estabelecida. 
A criação de novos Estados, na atualidade, costuma ocorrer nos casos de divisão de um país, ou de união de 
países ou, ainda, de emancipação de colônias ou libertação de alguma forma de dominação. 
No caso de estados já existentes, a nova constituição pode surgir em decorrência de revolução, de transição 
constitucional ou de derrota em uma guerra. 
A revolução se caracteriza pelo triunfo de um novo direito ou de um novo fundamento de validade do sistema 
jurídico positivo do estado. A função ou atividade do Poder Constituinte Originário é essencialmente revolucionária, 
na medida em que esse poder tende a substituir a ordem política e social existente por uma nova. As revoluções 
podem ser frutos de um (a) golpe de Estado, quando o exercício do Poder Constituinte é usurpado por um 
governante; ou de uma insurreição (revolução em sentido estrito), quando implementada por um grupo ou 
movimento externo aos poderes constituídos. 
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A transição constitucional tem como nota distintiva a observância das competências e formas de agir 
preestabelecidas, é marcada por um dualismo: enquanto a nova constituição é preparada, a anterior subsiste. 
Canotilho menciona a função de bootstrapping como uma reação interna ao processo constituinte, deflagrada 
quando a assembleia rejeita se submeter ao seu ato de criação e busca legitimar o resultado de seus trabalhos 
diretamente perante o povo ou convenções especiais. Nas palavras de Canotilho: 
Bootstrapping é o processo pelo qual uma assembleia constituinte liberta os atadores que as autoridades lhe haviam posto, 
arrogando-se a todos ou a alguns dos poderes destas mesmas autoridades. Esta libertação de amarras tem os seus limites. 
[...] as normas constitucionais dever revelar-se aptas a conseguir uma articulação das preferências e interesses públicos dos 
produtores de normas e as preferências e interesses dos destinatários. 
III. Natureza 
Pode variar conforme a concepção de direito adotada. 
Na concepção jusnaturalista trata-se de um poder jurídico (ou de direito); sustentam que o Poder Constituinte, 
apesar de não encontrar limites no direito positivo anterior estaria subordinado aos princípios do direito natural. 
Na concepção positiva, por inexistente outro direito além daquele posto pelo estado, o poder constituinte é anterior 
e se encontra acima de toda e qualquer norma jurídica, devendo ser considerado um poder político (extrajurídico 
ou de fato) resultante da força social responsável por sua criação. Por ter o ser sentindo na existência política, o 
sujeito do Poder Constituinte pode fixar livremente o modo e a forma da existência estatal a ser consagrada na 
constituição, sem ter que se justificar em uma norma ético ou jurídica. 
IV. Titularidade e exercício 
A questão envolvendo a titularidade do PCO não encontra resposta homogênea. Para a doutrina majoritária, reside 
sempre na soberania do povo. Em sentido diverso, há quem atribua a titularidade do PC não apenas ao povo, mas 
também ao monarca, as facções ou elites dirigentes ou, ainda, aos partidos políticos (resposta autocrática). O 
papel do povo no processo constituinte é sobretudo, de legitimação do agente que exerce o Poder. 
A titularidade do PC não pode ser confundida com o seu exercício. Titular é quem detém o poder, ainda que 
eventualmente este seja exercido por outros agentes. A elaboração do texto constitucional por um grupo minoritário 
não o transforma no detentor da titularidade do PC, apenas revela o exercício ilegítimo desde poder por ter sido 
usurpado de seu autêntico titular. 
V. Características essenciais 
Sob a ótica positivista, trata-se de um poder: 
a. Inicial – por não existir nenhum outro antes ou acima dele; 
b. Autônomo – por caber apenas ao seu titular a escolha do conteúdo a ser consagrado na constituição; e 
c. Incondicionado – por não estar submetido a nenhuma regra de forma ou de conteúdo. 
Sob uma perspectiva jusnaturalista: 
a. Incondicionado juridicamente pelo poder positivo, mas submetido aos princípios do direito natural; 
b. Permanente – por não se exaurir com a conclusão de sua obra; e 
c. Inalienável – devido a impossibilidade de transferência, pela nação, dessa titularidade. 
VI. Limitações materiais 
A visão positivista de que o PCO tem plena liberdade para definir o conteúdo a ser consagrado no texto 
constitucional é refutada com base no argumento de que, fora do direito positivo interno, existem limitações a 
serem observadas. Jorge Miranda aponta três categorias de limites materiais: 
a. Limites transcendentes – são aqueles que, advindos de imperativos de direito natural, de valores éticos ou de uma 
consciência jurídica coletiva, impõe-se à vontade do Estado, demarcando sua esfera de intervenção. O dever de 
manutenção, imposto ao PCO pelo princípio da proibição de retrocesso, dos direitos fundamentais objeto de 
consensos sociais profundos ou diretamente ligados à dignidade da pessoa humana; 
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b. Limites imanentes – relacionam-se à configuração do Estado à luzo do Poder Constituinte Material ou à própria 
identidade do Estado, de que cada constituição representa apenas um momento da marcha histórica; 
c. Limites heterônomos – são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Sob essa perspectiva, 
seria vedado às futuras constituições

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