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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS - CCE DEPARTAMENTO DE QUÍMICA - UEM QUÍMICA EXPERIMENTAL - 207 - Turma 03 SÍNTESE DE DIBENZALACETONA Acadêmicos: Gustavo Junqueira Valias Meira Filho RA: 117480 Milena Neves de Sousa RA: 119313 Pedro Henrique Viana Pichitelli RA: 118919 Docente: Prof. Dr. Marcos Roberto Mauricio Maringá - PR Outubro de 2021 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 1 1.1. Dibenzalacetona 1 1.1.1. Radiação Ultravioleta 1 1.3. Mecanismo da Reação 2 1.3.1. Formação do Ânion Enolato 2 1.3.2. Condensação Aldólica 3 2. OBJETIVO 4 3. PARTE EXPERIMENTAL 4 3.1. Materiais 4 3.2. Reagentes 4 3.3. Procedimento Experimental 4 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 5 5. CONCLUSÃO 6 6. REFERÊNCIAS 7 1. INTRODUÇÃO 1.1. Dibenzalacetona A dibenzalacetona (1,5-difenil-1,4- pentadien-3-ona) pode ser expressada, em termos químicos, como uma estrutura orgânica de cetonas α,β-insaturadas tal que uma ponte conjugada faz uma ligação entre dois anéis aromáticos (Figura 1). [1] A dibenzalacetona possui uma característica notável que a permite ser muito aplicável na indústria farmacêutica e de cosméticos – principalmente na produção de protetores solares. Essa característica é o alto valor de seu coeficiente de absortividade molar, que gira em torno de 330 nm. [1] Figura 1 - Representação da molécula de Dibenzalacetona 1.1.1. Radiação Ultravioleta A radiação ultravioleta é um conceito muito importante e muito presente, já que é emitida pelo sol. A maioria da radiação é filtrada pela camada de ozônio, mas as radiações ultravioletas com maior comprimento de onda são capazes de penetrar na superfície terrestre. [2] Os raios UVA possuem o maior comprimento de onda entre os tipos de radiação ultravioleta, situados na faixa de 320 - 400 nm. São capazes de penetrar intensamente na pele, indo até a camada da derme, o que traz consequências como o bronzeamento, manchas, envelhecimento e câncer de pele. [2] São 95% mais abundantes na superfície terrestre quando comparados com os raios UVB (280 - 320 nm). Dessa forma, o cuidado com a radiação solar é fundamental, fazendo com que a Dibenzalacetona seja um importante produto químico para a produção de protetores solares. 1 1.3. Mecanismo da Reação 1.3.1. Formação do Ânion Enolato O ânion enolato é um ânion que se forma quando um próton é retirado do carbono alfa de um enol. Para se manter estável, ele precisa da ressonância, dessa forma o hidrogênio alfa pode ser caracterizado como ácido (Figura 2). [3] Figura 2 - Representação da reação de formação do Ânion Enolato 2 1.3.2. Condensação Aldólica A condensação aldólica é a reação mais importante envolvendo um ânion enolato. Como o íon enolato atua como nucleófilo, ele ataca o carbono carbonílico do aldeído. O íon então captura um hidrogênio da molécula de água já que está atuando como uma base. [3] Ao final dessa reação, obtém-se a benzilidenoacetona que sofre uma reação de desidratação (eliminação da água) e forma um composto conjugado. Quando há excesso de benzaldeído, a benzilidenoacetona reage com esse composto e forma um novo, a dibenzilidenoacetona (Figura 3). [3] Figura 3 - Mecanismo para a formação da Dibenzalacetona 3 2. OBJETIVO ● Sintetizar experimentalmente a dibenzalacetona. 3. PARTE EXPERIMENTAL 3.1. Materiais Os materiais utilizados no experimento foram: - Balança - Erlenmeyer - Funil de Büchner - Kitassato - Papel de filtro - Papel de tornassol - Pissete - Termômetro - Vidro de relógio 3.2. Reagentes Os reagentes utilizados no experimento foram: - Benzaldeído - Etanol - Propanona - Solução de hidróxido de sódio 3.3. Procedimento Experimental Para dar início ao experimento, primeiramente foi feito o preparo de uma solução A. Para isso, em um erlenmeyer de 150 mL foi adicionado 2,5 mL de benzaldeído e 1,6 mL de propanona. Logo após, foi feito o preparo de uma solução B em um erlenmeyer de 250 mL, onde foi adicionado 25 mL de uma solução de hidróxido de sódio 10% e, em seguida, a solução foi esfriada em banho-maria a uma 4 temperatura entre 20 e 25ºC. Depois, vagarosamente e com agitação constante, foi adicionado 20 mL de etanol. Seguidamente, a solução A foi adicionada sobre a solução B, mantendo agitação contínua por 30 minutos, preservando a temperatura da mistura entre 20 e 25ºC. Logo depois, o precipitado de dibenzalacetona formado foi filtrado no funil de Büchner através de um papel de filtro previamente pesado, e lavado com água gelada repetidas vezes, a fim de eliminar o álcali. A lavagem foi controlada com papel de tornassol e, por fim, o precipitado foi deixado para secar ao ar sobre o papel de filtro. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os primeiros passos do experimento consistiram em colocar a solução base (solução B) nas condições perfeitas para que a reação ocorra, entre 20 e 25°C. Neste erlenmeyer estão a solução 10% de hidróxido de sódio, necessário para ativar o caráter ácido da propanona, e o etanol, que por suas características tanto polar quanto apolar garante que o benzaldeído, um composto majoritariamente apolar, forme uma fase orgânica separada, prejudicando a reação. Logo após a temperatura ideal ter sido atingida, a solução A, contendo propanona e o benzaldeído, foi adicionada a solução B, que passa por uma agitação. A reação começa com a formação do íon enolato a partir da propanona. A propanona, composta por uma carbonila central e duas metilas, tem seus hidrogênios alfa com cargas ligeiramente positivas devido a ação do oxigênio da carbonila. Essa característica os torna alvos dos eletricamente negativos hidróxidos que tomam o hidrogênio para si, desprotonado a propanona. O produto resultante é a água e o íon enolato. O enolato possui ao menos um carbono com um par de elétrons livres e tende a realizar uma ligação ao encontrar um ponto de carga positiva, processo chamado de condensação aldólica. O benzaldeído, por sua vez, possui um carbono ligado duplamente ao oxigênio – e portanto com um potencial positivo – que tende a ser alvo do ataque do enolato (o enolato não tende a atacar a propanona porque esta é menos eletrofílica que o benzaldeído), criando uma nova ligação entre as 5 duas estruturas. No entanto, com isso o oxigênio originalmente no benzaldeído perde uma de suas ligações, toma a dupla de elétrons que a compunha e se torna um ponto de concentração de cargas negativas e, logo, eletropositivo. Esse oxigênio então reage com a água nos entornos, desprotonado-a, resultando em hidróxido e β-hidroxicetona. A β-hidroxicetona não é estável no meio básico da reação, sofrendo ataque do hidróxido no carbono alfa em relação à carbonila e a hidroxila (devido à eletronegatividade destas duas funções o carbono que faz a ligação entre elas é vulnerável ao ataque de eletrófilos), desprotonando o composto que, para se manter estável, libera a hidroxila, resultando na benzalacetona. A benzalacetona então sofreu novamente o ataque do hidróxido na metila ligada a carbonila, retirando um dos hidrogênios e fazendo com que a extremidade do composto se tornasse semelhante a do íon enolato. A reação então se repete com esta extremidade atacando o benzaldeído, que da mesma forma, une as estruturas e acaba por perder o oxigênio para o meio do ataque do hidróxido. Com isso, o produto alvo, a dibenzalacetona, foi gerado. O produto diluído foi então filtrado a vácuo, com o erlenmeyer sendo limpo com água fria para evitar que as temperaturas mais altas aumentassem a solubilidade do produto. Depois de filtrado, tem-se um pó cristalino amarelado em quantidade considerável, conclui-se que reação é muito eficiente, provavelmente por ser uma reação que tende a não permitir produtos indesejados e por sua grande estrutura majoritariamente apolar facilitar a filtração. 5. CONCLUSÃO Com o experimento, foi possível provar a reação para a formação da Dibenzilidenoacetona a partir das reações de formação do ânions enolato a partir do propanol ede condensação aldólica para a obtenção do produto final desejado. Pode-se dizer que a eficiência da reação é relativamente boa, pois foi obtido uma quantidade notável de precipitado através da filtração pelo funil de Büchner. 6 6. REFERÊNCIAS [1] SANTOS, F, A. Estudo de Propriedades Ópticas Não Lineares de Derivados de Dibenzalacetona. Tese (Doutorado em Física) – Universidade Federal de Sergipe. São Cristóvão, p. 32, 2019. [2] Protetor Solar: Importância e Como É Produzido. CONSEQ - Consultoria e Soluções em Engenharia Química, 2021. Disponível em:<https://conseqconsultoria.com.br/protetor-solar-importancia-producao/>. Acesso em: 03 de out. de 2021. [3] SOLOMONS, T.; FRYHLE, C; SNYDER, S. Química Orgânica: Volume 1 e 2. 12. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2021. 7